O Dia Mundial de Conscientização sobre a Acessibilidade,
conhecido como Global Accessibility Awareness Day
(GAAD), é celebrado anualmente na terceira quinta-feira
do mês de maio com o objetivo de conscientizar a
respeito do acesso inclusivo ao ambiente digital,
principalmente para as pessoas com deficiência. Em 2026,
o evento ocorrerá no dia 21 de maio, buscando
sensibilizar empresas, instituições e a sociedade civil
sobre a necessidade de criar sites, aplicativos e
conteúdos digitais acessíveis para promover uma
sociedade mais equitativa na era digital. Esta data
reforça que a acessibilidade não é um recurso adicional,
mas uma condição imprescindível para que a transformação
digital seja verdadeiramente inclusiva.
Em um contexto em que grande parte de nossa vida
cotidiana — desde a educação e o emprego até o acesso a
serviços básicos — ocorre em ambientes digitais, a
acessibilidade na web se torna um pilar fundamental para
evitar novas formas de exclusão. No entanto, milhões de
pessoas em todo o mundo ainda encontram barreiras ao
navegar na Internet devido a designs que não consideram
a diversidade de capacidades. Este dia convida a
refletir sobre como o ambiente digital é construído e a
promover mudanças que garantam que ninguém seja deixado
de lado na transformação tecnológica.
O que é acessibilidade na web?
O conceito acessibilidade na web se refere ao
conjunto de princípios, técnicas e boas práticas que
permitem que qualquer pessoa possa navegar, compreender
e interagir com sites e aplicativos digitais,
independentemente de suas capacidades físicas,
sensoriais ou cognitivas. A Fundação GAAD (GAAD
Foundation) destaca que uma atenção cuidadosa ao
“conteúdo, navegação e interação” é essencial para
alcançar esse objetivo. Isso implica desenvolver
conteúdos que possam ser percebidos por todos — por
exemplo, por meio de textos alternativos para imagens —,
que sejam fáceis de utilizar em diferentes dispositivos
ou tecnologias assistivas, como leitores de tela, e que
apresentem uma estrutura clara e compreensível. Projetar
com critérios de acessibilidade melhora a experiência
digital de todos os usuários, seja qual for sua
capacidade ou circunstância.
Princípios da acessibilidade na
web
A acessibilidade na web está fundamentada em
quatro princípios básicos definidos pelo World Wide Web
Consortium (W3C)Link externo, abra em uma nova aba.
através das Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo
Web (WCAG). Esses pilares determinam que os conteúdos
devem ser:
Perceptíveis -
Apresentados de forma que todos possam percebê-los.
Operáveis - Navegáveis
por meio de diferentes dispositivos e sem barreiras.
Compreensíveis -
Claros, previsíveis e fáceis de entender.
Robustos - Compatíveis
com diversas tecnologias, incluindo as assistivas,
como leitores de tela, ampliadores de texto ou
sistemas de navegação por voz.
Esses princípios servem como base para o design inclusivo e garantem que as
soluções digitais possam ser utilizadas pelo maior número possível de pessoas.
Por que a acessibilidade na web é importante?
A acessibilidade na web é essencial para garantir a igualdade de acesso à
informação, aos serviços e às oportunidades em um mundo cada vez mais
digitalizado. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de um
bilhão de pessoas no mundo vivem com algum tipo de deficiência (cerca de 1 em
cada 6 pessoas), o que evidencia a necessidade de eliminar as barreiras
digitais. No contexto europeu, a acessibilidade digital ganha ainda mais
relevância com a entrada em vigor do European Accessibility Act, que reforça a
obrigatoriedade de que os produtos e serviços digitais sejam acessíveis a todas
as pessoas.
A GAAD descreve em seu portal do Global Accessibility Awareness Day Link
externo, abra em uma nova aba. (Dia Mundial de Conscientização sobre a
Acessibilidade) os pontos-chave a serem considerados, conforme os diferentes
tipos de deficiência:
Acessibilidade visual:
Pessoas com deficiência visual necessitam de
descrições de texto alternativas para imagens
significativas e utilizam o teclado, em vez do
mouse, para interagir com os elementos da interface.
Acessibilidade auditiva:
Pessoas com deficiência auditiva precisam de
legendas em vídeos e sinalizações visuais em vez de
alertas sonoros.
Acessibilidade motora:
Usuários com limitações motoras podem precisar de
teclados adaptados, controle ocular ou outro tipo de
hardware que as ajude a digitar e navegar em seus
dispositivos.
Acessibilidade cognitiva:
Pessoas com diferentes dificuldades
cognitivas ou de aprendizagem requerem interfaces
organizadas, navegação coerente e o uso de linguagem
simples.
Além disso, um site acessível não apenas melhora a experiência desses usuários,
mas também otimiza a usabilidade geral, beneficia aqueles que enfrentam
limitações temporárias ou contextuais (como conexões lentas ou situações de
baixa visibilidade), amplia o alcance das organizações e contribui para o
cumprimento das normas em muitos países.
Um projeto que visa desenvolver metodologias que melhorem o acesso de pessoas
invisuais ou com visão reduzida a museus e espaços culturais, através da
tecnologia, está a ser desenvolvido em Castelo de Vide, distrito de Portalegre.
Promovido pela Fundação Nossa Senhora da Esperança e com base na experiência
desenvolvida no Museu de Tiflologia, situado naquela vila alentejana, cerca de
30 académicos estão a trabalhar no projeto “TODAGENTE”.
A iniciativa, que conta com uma duração de três anos, num investimento de 830
mil euros e com comparticipação de 366 mil euros do Programa Alentejo 2030, foi
hoje apresentada na Fundação Nossa Senhora da Esperança, em Castelo de Vide.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Fundação Nossa Senhora da
Esperança, João Palmeiro, explicou que o projeto serve para “aprimorar e
melhorar, do ponto de vista técnico e científico, a integração de visitas de
pessoas invisuais ou de baixa visão a espaços culturais”.
O responsável deu como exemplo o projeto desenvolvido no jardim sensorial em
Castelo de Vide, denominado “Jardim das Oliveiras”, em que os percursos
pedestres, sensoriais e olfativos encaminham o visitante para “outras
experiências que não estavam inicialmente ao seu alcance”.
“Isso acontece, obviamente, com tecnologia, mas também existe com uma relação de
diálogo digital que está a ser concebida por profissionais na área da
computação, para haver esta interligação não só com o visitante, diretamente,
mas com o visitante em diversos momentos”, acrescentou.
Além de desenvolver metodologias acessíveis e inclusivas, o projeto visa
produzir “um guia metodológico abrangente”, integrando as etapas da iniciativa,
além de promover residências artísticas e culturais que envolvam pessoas com
deficiência visual.
Promover exposições inclusivas, criar uma plataforma e repositório ‘online’ ou
fomentar o uso de novas tecnologias, nomeadamente ao incorporar ferramentas
digitais e virtuais para criar experiências interativas que facilitem a
acessibilidade e a inclusão em espaços culturais, “expandindo o alcance do
projeto para além das fronteiras locais”, são outros dos objetivos a alcançar.
De acordo com os promotores, o projeto visa ainda “fortalecer parcerias e redes
de colaboração e contribuir para a inovação social e políticas públicas,
voltadas para a “democratização do acesso à cultura e ao património”.
Por último, esperam ainda incentivar a participação comunitária, “especialmente
[de] pessoas com deficiência visual”, em todas as etapas do projeto, desde a
conceção até a implementação, garantindo que as suas “vozes e perspetivas sejam
centrais” para as ações a desenvolver.
Em 31 de março de 2026, o Governo português aprovou a Estratégia para os
Direitos das Pessoas com Deficiência 2026-2030, materializada num plano com
cerca de 150 medidas concretas. Este plano visa assegurar a inclusão plena, a
autonomia e a igualdade de oportunidades até ao final da década, focando-se em
várias áreas estruturantes.
As prioridades e medidas destacadas no novo plano incluem:
1. Vida Independente, Autonomia e Apoio Social
>>
Aumento de vagas nos CACI: Alargamento da rede de Centros de Atividades e
Capacitação para a Inclusão (CACI).
>>
Reforço do MAVI: Expansão do Modelo de Apoio à Vida Independente.
>>
Revisão do Modelo de Avaliação: Transição para um modelo de avaliação da
deficiência centrado nas necessidades de apoio e não apenas na percentagem de
incapacidade (recomendação do Me-CDPD).
>>
Proteção Social: Reforço dos mecanismos de apoio para evitar perdas de direitos
em reavaliações.
2. Emprego e Qualificação Profissional
>>
Acesso ao Emprego: Implementação de medidas para aumentar a contratação de
pessoas com deficiência no mercado aberto.
>>
Qualificação: Apoio à formação profissional e requalificação adaptada,
financiado pelo programa Portugal 2030.
>>
Reabilitação Profissional: Reforço das ações de reabilitação vocacional.
3. Educação e Escolas Inclusivas
>>
Escolas mais Inclusivas: Reforço dos apoios pedagógicos e da acessibilidade nas
escolas.
>>
Regime Jurídico da Educação Inclusiva: Aprofundamento do atual regime para
garantir o sucesso educativo.
4. Acessibilidade, Digital e Justiça
>>
Acessibilidade Física e Digital: Campanhas de eliminação de barreiras
arquitetónicas e reforço da acessibilidade digital (sítios web, serviços
públicos).
>>
Justiça Acessível: Medidas para garantir a inclusão no sistema de justiça e
promover a comunicação acessível.
>>
Cultura e Lazer: Promoção da acessibilidade em museus, monumentos e teatros.
5. Participação e Desporto
>>
Participação Cívica: Promoção da cidadania ativa e audição das pessoas com
deficiência nas políticas públicas.
>>
Desporto Inclusivo: Fomento do desporto e atividade física adaptada.
Este plano funciona como um sucessor e alargamento da ENIPD 2021-2025,
alinhando-se com a Estratégia Europeia para os Direitos das Pessoas com
Deficiência e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.
Consulte os documentos oficiais:
• Estratégia:
AQUI.
• Planos de Ação:
AQUI.
A Recortar Palavras apresenta uma inovadora coleção de audiolivros infantis,
intitulada “Miminhos e Barafunda – Histórias do António”, que transforma a
leitura numa experiência sensorial imersiva, unindo literatura, teatro e criação
sonora. Esta coleção foi desenvolvida com o objetivo de levar a palavra escrita
mais longe, sem nunca a perder de vista, oferecendo aos ouvintes uma vivência
profunda das histórias através de múltiplas vozes, ambientes sonoros detalhados
e música original.
O projeto tem uma forte dimensão inclusiva, permitindo que as crianças com
diferentes formas de aprendizagem, como aquelas com perturbações do espectro do
autismo, dificuldades de atenção, dislexia ou deficiência visual, também possam
experienciar as histórias de uma maneira acessível, sensorial e envolvente. O
formato áudio possibilita um acesso mais abrangente à leitura, especialmente num
momento em que se torna urgente promover a igualdade no acesso à cultura e à
narrativa.
Cada história da coleção começa com um texto cuidadosamente escrito e ganha vida
por meio da interpretação teatral de vários atores, com uma composição musical
envolvente e ambientes sonoros que enriquecem a narrativa. O resultado é uma
experiência única, onde o som não apenas acompanha a história, mas também a
constrói, respira e emociona, convidando as crianças a habitarem as histórias ao
seu próprio ritmo, com a sua própria imaginação.
As histórias abordam temas como o cuidado, a empatia, a proteção do meio
ambiente, o abandono e a amizade, sempre com uma abordagem reflexiva que permite
às crianças explorar as emoções e construir significado, sem impor uma moral
explícita. A coleção é, assim, uma excelente ferramenta educativa e emocional
para o desenvolvimento infantil.
A coleção é composta por três audiolivros, cada um com sua própria narrativa
envolvente. O primeiro, “António e o Perdigueiro Português”, conta a história de
António, que cresce entre o amor do pai veterinário e o olhar atento da mãe
ambientalista. Em um passeio pela natureza, António encontra um cão ferido, e a
história revela a ligação de confiança e ternura que nasce entre eles.
O segundo audiolivro, “António e o Cão Serra da Estrela”, narra a história de
António e o seu pai, que partem em uma missão para ajudar uma ovelha frágil. No
caminho, António testemunha o afeto puro de um cão de pastoreio, aprendendo
sobre os laços de cuidado e pertença.
O terceiro audiolivro, “António e o Cão de Água Português”, fala sobre um cão
marcado pela ausência de quem o deixou para trás. António aprende que há
tristezas que precisam de tempo e paciência para sarar, e ao lado do cão,
descobre o poder da confiança e dos recomeços.
Cada um desses audiolivros é resultado de um trabalho colaborativo entre
escritores, atores e músicos, criando uma peça sonora rica que pode ser
apreciada tanto por crianças como por adultos. A coleção foi criada com o
intuito de proporcionar uma experiência de leitura única e envolvente, onde as
palavras ganham vida e fazem com que a infância seja, simplesmente, vivida.
O projeto foi ainda reconhecido a nível institucional, com apoio financeiro da
União Europeia, destacando-se como uma iniciativa cultural de interesse público
e alinhada com os valores da criação artística, educação e acesso à cultura.
Disponível para venda na Wook, a coleção já está à disposição de todos que
desejam oferecer às crianças uma nova forma de vivenciar as histórias e a magia
da leitura.
“Miminhos e Barafunda – Histórias do António” é, sem dúvida, um projeto pioneiro
e inovador no contexto editorial da cidade de Coimbra, e representa um
importante passo na promoção da literacia e na criação de novas formas de
experienciar a leitura para todos os públicos.
Hoje, no Jornal da Noite da RTP1, foi dada visibilidade a uma pequena parte de
uma realidade que continua a preocupar profundamente pais e profissionais: os
alunos com deficiência visual estão a ser deixados para trás no sistema
educativo.
A falta de professores de educação especial especializados no domínio da visão
(grupo 930) é hoje uma das maiores fragilidades da escola inclusiva em Portugal.
Estes docentes desempenham funções altamente específicas e exigentes, previstas
no regime jurídico da educação inclusiva. Não prestam apenas apoio- ensinam
competências essenciais à autonomia e ao acesso ao currículo, como a leitura e
escrita em braille, a orientação e mobilidade, o uso de tecnologias de apoio e
as atividades de vida diária. Avaliam a visão funcional dos alunos, adaptam
materiais e estratégias pedagógicas e trabalham em estreita colaboração com os
restantes professores.
Trata-se de um trabalho intensivo e altamente individualizado, que muitas vezes
exige várias horas semanais dedicadas a um único aluno, para garantir a sua
participação plena na escola.
Os dados que a Associação Bengala Mágica (BM) conseguiu recolher- em apenas duas
semanas e de forma informal, através de um questionário a professores associados
da BM- são claros, ainda que representem apenas uma parte da realidade: em 23
agrupamentos de escolas (12 designados de Referência e 11 Regulares) foram
identificados 152 alunos com deficiência visual (91 com baixa visão e 61 cegos).
A estes somam-se ainda crianças em intervenção precoce, com pelo menos 47
acompanhadas na zona Centro e 23 na Área Metropolitana de Lisboa.
Importa sublinhar que estes números dizem respeito a uma amostra muito limitada:
existem cerca de 810 unidades orgânicas no sistema público, mas os dados
recolhidos abrangem apenas uma pequena parte delas, incluindo apenas 12 dos 27
Agrupamentos de Escolas de Referência no domínio da visão.
Isto significa que a dimensão real desta problemática é, muito provavelmente,
muito superior, incluindo alunos em escolas não identificadas, no ensino privado
ou mesmo ainda não sinalizados. Num sistema educativo que se afirma inclusivo,
não podemos aceitar que um direito fundamental — o direito à educação — seja
colocado em causa.
É urgente que o Ministério da Educação tome medidas estruturais:
֍ Investir na formação especializada de docentes no
domínio da visão
֍ Garantir que essa formação seja financiada,
eliminando a atual barreira económica
֍ Planear de forma estratégica a colocação destes
profissionais nas escolas onde estão os alunos com DV
Sem estas medidas, continuaremos a assistir a desigualdades graves no acesso à
educação.
Assista à reportagem:
https://l.facebook.com/l.php?u
Decorre até 10 de abril de 2026 o prazo para candidaturas à residência de
artistas em České Budějovice, na Chéquia. A iniciativa resulta de uma
colaboração entre o Festival Umění ve městě (Art in the City / Arte na Cidade) e
České Budějovice, que será Cidade Capital Europeia da Cultura em 2028.
‘Fragilidade’ é o tema deste ano do Festival de Umění ve městě. No âmbito do
Festival, a residência realizar-se-á até três semanas entre meados de maio e
início de junho de 2026.
O convite à apresentação de candidaturas é dirigido a um artista, um coletivo ou
uma equipa interdisciplinar de uma das cidades da rede CreArt 3.0: Kaunas
(Lituânia), Liepaja (Letónia), Skopje (Macedónia do Norte), Aveiro (Portugal),
Valladolid (Espanha), Veneza (Itália), Clermont-Ferrand e Rouen (França), České
Budějovice (Chéquia), Oulu (Finlândia), Regensburgo (Alemanha), Lunlin
(Polónia), membros da HDLU (Associação Croata de Artistas Visuais) e ucranianos
em colaboração com a Dialog from Lviv.
São esperadas obras inspiradas em vivências de deficiência, que abordem a
deficiência na prática artística ou no contexto de ambientes de apoio para
pessoas portadoras de deficiência, e cuja prática artística visual ou espacial
esteja ligada ao espaço público, obras site-specific ou em contexto urbano,
visando o envolvimento do público .
As obras instaladas em espaços públicos podem permanecer em exposição 24 horas
por dia, 7 dias por semana, durante todo o período do festival (junho a
setembro), devendo os projetos de instalação ao ar livre de longa duração ser
materialmente resistentes às condições climáticas e ao contato físico com o
público.
Durante a estadia, os artistas poderão trabalhar em diálogo e usufruir do espaço
público de České Budějovice, com apoio organizacional e de produção. Um mentor
local auxiliará na orientação e em questões práticas durante a residência.
O apoio prático inclui honorários para o artista de até 2.000 euros, orçamento
para produção e realização (normalmente em torno de 2.000 euros para novas obras
ou custos relacionados com o transporte para obras existentes), alojamento,
custos de viagem e espaço de trabalho.
As questões relacionadas com a acessibilidade serão tratadas individualmente
como parte da planificação da residência.
Mais de duas décadas a trabalhar com cães da raça Labrador, a escola de Mortágua
prepara-se para testar uma nova raça com os cidadãos invisuais. Animal já está a
ser treinado na Escola de Cães-Guia para Cegos em Mortágua.
O anúncio coube à diretora técnica da escola, Ana Filipa Paiva, na sessão Vet
Talks realizada quarta-feira, 25 de março, no UC Exploratório em Coimbra. Sem
garantir que tal resulte em sucesso, a responsável explicou que se trata da
primeira experiência nesta área.
“Era um orgulho muito grande podermos trabalhar uma raça nacional. Uma raça
totalmente diferente do labrador. Na sua origem não, porque também é um cão de
salvamento, é um cão de busca, é um cão que também gosta de trabalhar, é um cão
que tem mais dificuldade em transitar de umas pessoas para as outras, portanto
estamos a aprender, permitimos-nos neste momento este luxo de aprender e
esperemos que o resultado venha a ser positivo e que possamos continuar a
preparar cães de água portugueses para esta função”, afirmou.
Na sessão, que durou mais de uma hora, Ana Filipa Paiva referiu que desde 1999 –
data em que entregaram o primeiro cão-guia – já fizeram 300 duplas.
“Destas 300 duplas temos que contar que muitos já são substituições, temos neste
momento em trabalho efetivo de norte a sul e também na Madeira 120 cães, que são
acompanhados pela associação, que estão sempre associados a nós, sempre
acompanhados por nós, e temos na nossa escola o processo de formação destes
cães”, explicou.
Todos os cães formados na escola são entregues gratuitamente aos cidadãos com
deficiência visual. Com um orçamento de mais de meio milhão de euros, apelam à
consignação do 1% do IRS, bem como a tornar-se associado ou até ser família de
acolhimento.
A ComicCast é uma aplicação móvel que promete mudar para sempre a forma como
pessoas invisuais experienciam banda desenhada. O projeto junta a ONCE
(Organización Nacional de Ciegos de España), a Dentsu Creative e a Amazon Web
Services (AWS), com implementação da IO Digital X.
O resultado é um salto tecnológico e cultural: páginas de BD interpretadas em
tempo real por inteligência artificial generativa, que se transformam em áudio
imersivo com vozes, onomatopeias e efeitos sonoros.
ComicCast: banda desenhada acessível com IA da AWS
Apresentada na San Diego Comic-Con em Málaga, a ComicCast foi testada ao vivo
por pessoas com deficiência visual e mostrou como tecnologia e criatividade
podem derrubar barreiras de acesso à cultura.
Mortadelo e Salaminho como primeira aventura
O protótipo foi treinado com as histórias de Mortadelo e Salaminho, criação
icónica do cartoonista espanhol Francisco Ibáñez. Para a sua filha, Nuria
Ibáñez, este projeto seria algo que o autor “teria adorado”, ao aproximar um
universo de humor e imaginação de quem nunca tinha podido “ler” banda desenhada
desta forma.
Como funciona a ComicCast
O processo é simples: basta apontar o telemóvel para uma página de banda
desenhada. A partir daí, a aplicação recorre a modelos de IA — Amazon Nova Pro e
Claude (Anthropic), via Amazon Bedrock — que analisam a estrutura da página,
reconhecem diálogos, identificam personagens e interpretam onomatopeias. O
sistema gera uma descrição áudio que não só narra os diálogos, como
contextualiza a ação.
Para dar vida às personagens, entra em cena a tecnologia da ElevenLabs,
responsável pela síntese de voz personalizada e pelos efeitos sonoros que
recriam explosões, quedas ou até os passos mais discretos. No fim, o utilizador
ouve uma versão imersiva da história, quase como um filme áudio com direito a
vozes distintas e ritmo narrativo.
Resumindo
A ComicCast abre um novo capítulo na relação entre tecnologia, criatividade e
inclusão. O que começou em Málaga com Mortadelo e Salaminho poderá muito bem
tornar-se uma revolução global, provando que a inteligência artificial, quando
bem aplicada, é uma ponte para a acessibilidade cultural.
Na Gare do Oriente, pessoas cegas ou com baixa visão estão a testar um sistema
de orientação que promete facilitar o uso dos transportes públicos. Através do
telemóvel, de códigos QR coloridos e de guias tácteis, é possível fazer de forma
autónoma o percurso entre paragens da Carris Metropolitana e a estação de metro.
Chama-se WayFinding, ou seja, “encontrar o
caminho”. Trata-se de um projecto-piloto, promovido pela Transportes
Metropolitanos de Lisboa (TML), que está em curso na Gare do Oriente. O intuito
é ajudar pessoas cegas ou com baixa visão a deslocarem-se entre as paragens da
Carris Metropolitana e a estação do Metro. Tudo com a ajuda de uns códigos QR
coloridos, do telemóvel, de instruções áudio e de guias tácteis no pavimento.
De telemóvel na mão, Paulo Santos começa o percurso na paragem 16 do terminal
rodoviário da Gare do Oriente. Faz de conta que acabou de sair do 2724, do 2726
ou do 2731 – três linhas da Carris Metropolitana que ligam Lisboa a Loures, e
que têm término naquele local. Mas a viagem não aconteceu: Paulo acabou de
chegar ali apenas para demonstrar o WayFinding, o sistema piloto de guiamento
que segura na sua mão. Estamos a 20 de Outubro, o Dia Nacional da
Acessibilidade.
Paulo Santos é presidente da delegação de Lisboa da Associação dos Cegos e
Amblíopes de Portugal (ACAPO); e foi uma das pessoas convidadas pela TML para
mostrar aos jornalistas o WayFinding. O telemóvel de Paulo está com a aplicação
NaviLens (iOS e Android) aberta e é através desta, e da câmara do equipamento,
que se orienta na Gare do Oriente. Quando a câmara reconhece um dos códigos QR
coloridos espalhados pela interface de transportes, a aplicação dá indicações em
áudio a Paulo. Foi o que aconteceu naquela paragem: a app depressa lhe disse
onde estava e que linhas da Carris Metropolitana podia ali apanhar.
Mas o percurso que queremos fazer é o inverso: ir desta paragem de autocarro
para a estação de metro, Oriente, apanhar a Linha Vermelha. Para isso, Paulo só
tem de continuar com o telemóvel na mão, com a NaviLens aberta e com a câmara do
dispositivo a apontar para fora. A aplicação vai continuar a dar instruções à
medida que apanha os códigos QR, espalhados entre as paragens exteriores da
Carris Metropolitana e o interior da Gare.
Solução pode ser alargada a mais interfaces
O projecto WayFinding tem como objectivo “avaliar a eficácia e aplicabilidade de
tecnologias de acessibilidade e navegabilidade em interfaces complexas”, como é
o caso da Gare do Oriente. Resulta de uma iniciativa da TML, em parceria com o
Metro de Lisboa (ML), a Infraestruturas de Portugal (IP), o Instituto Nacional
para a Reabilitação (INR) e a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal
(ACAPO). O projecto não se esgota na utilização de códigos coloridos e da
aplicação NaviLens – houve obra feita na Gare do Oriente.
Entre a paragem de autocarro e o metro foram instaladas guias tácteis no
pavimento, permitindo que pessoas cegas ou com baixa visão possam, com a
bengala, detectar obstáculos e identificar o caminho. O piso táctil está por
toda a estação de metro do Oriente – que é, assim, a única estação da rede do
Metro de Lisboa a oferecer este tipo de apoio. Há guias tácteis junto aos lanços
de escadas, na passagem pelas portas de acesso e nos cais de embarque. Quando
mais que uma guia se cruza no chão, há códigos QR colado para que a NaviLens
nunca deixe de comunicar com o utilizador e lhe diga por onde seguir.
Nos corrimãos de escada, por sua vez, foram colocadas marcações em braille com
indicação do destino – ora “São Sebastião”, ora “Aeroporto”, ora “Metro”, ora
“Carris Metropolitana” –, criando redundância à aplicação e permitindo aos
passageiros saberem se estão na direcção certa. Foi ainda desenvolvido um mapa
de alto contraste de toda a Gare do Oriente.
Planta de Alto Contraste da Gare do Oriente, desenvolvida no âmbito do projecto
WayFinding (via TML):
Link da Planta aqui.
Sem visão, andar de transportes é um desafio
O WayFinding é um projecto de carácter experimental para avaliar a viabilidade e
impacto real destas soluções no terreno, antes de uma eventual expansão a outras
interfaces de transporte da área metropolitana de Lisboa. “Queremos garantir que
cada passo no sentido da acessibilidade e navegabilidade é dado com base em
evidência e na experiência direta das pessoas que dela necessitam”, sublinha
Faustino Gomes, Presidente da TML.
Aos jornalistas, em Outubro, Paulo Santos disse que esta iniciativa pode trazer
“bastantes melhorias e autonomia às pessoas com deficiência visual”. “Este era
um espaço em que havia muita dificuldade, porque não havia pontos de
localização. Hoje, com este projeto aqui implementado, apesar de ser só entre a
carreira metropolitana e o metropolitano de Lisboa, uma pessoa cega ou com baixa
visão consegue-se deslocar autonomamente sem os perigos de barreiras
arquitetónicas ou estruturais”, realçou o responsável da ACAPO, que teve um
papel activo na construção e teste da solução.
Paulo Santos disse que há muito por melhorar nos transportes públicos em Lisboa
para os tornar acessíveis a pessoas com deficiência visual, dando como exemplo
que o sistema de avisos áudio dos autocarros, sobretudo da Carris, que é
“desligado pelos motoristas (…) porque aquilo parece que incomoda”. O dirigente
da ACAPO espera que o piloto em curso no Oriente venha a ser implementado
noutros locais da cidade e região de Lisboa, notando que a legislação sobre
acessibilidades não só está desactualizada, como não é cumprida.
Sónia Páscoa, administradora do Metro de Lisboa, disse, por seu lado, que o
Metro pretende “implementar, de forma progressiva, um sistema de acessibilidade
universal e intemporal, alinhado com as melhores práticas e com medidas já em
curso, como a sinalização táctil, a informação sonora, os sistemas digitais, e a
colaboração com entidades especializadas”. Em várias redes europeias de metro, é
comum haver pavimento táctil nas estações, algo que nas estações de Lisboa não
existe – só mesmo agora na estação do Oriente.
TML convida pessoas com deficiência visual a testar o
piloto
A TML diz que os resultados do WayFinding “irão servir de base à avaliação
técnica e funcional destas soluções, contribuindo para definir futuras
estratégias de investimento em acessibilidade e mobilidade inclusiva na rede
metropolitana”. A empresa intermunicipal – que coordena o Navegante e a Carris
Metropolitana – está a convidar pessoas com deficiência visual a testar novo
percurso acessível na Gare do Oriente e a deixar sugestões de melhoria.
Para tal, estão disponíveis visitas acompanhadas por técnicos especializados,
sendo que as inscrições podem ser feitas através de um formulário online. Quem
preferir pode também explorar o percurso de forma autónoma, recorrendo a um guia
de apoio (disponível em baixo, em PDF) e à planta de alto contraste (disponível
em cima, em PDF também). Após a experiência, a TML convida os participantes a
responder a um formulário de avaliação, ou a enviar contributos para
transportes@tmlmobilidade.pt.
Guia de Apoio à Compreensão da Gare do Oriente por Pessoas Cegas e Com Baixa
Visão:
Link para descarregar aqui.
O ucraniano Maksym Murashkovskyi subiu ao pódio em
Itália e dedicou a conquista à ferramenta de
Inteligência Artificial, que revelou consultar como um
"psicólogo, treinador e, às vezes, como médico".
O desportista ucraniano usa o chatbot para aprender
idiomas e desenvolver treinamentos desportivos afirma o
National Paralympic Committee of Ukraine.
A precisão na performance de um biatleta ucraniano
chamou a atenção nos Jogos Paralímpicos de Inverno de
2026, em Itália. E não foi simplesmente pelo facto de
Maksym Murashkovskyi, de 25 anos, ser invisual. Na sua
segunda prova paralímpica, que combinou esqui de fundo e
tiro ao alvo, o desportista não errou nenhum tiro e
mostrou-se tranquilo com a conquista da medalha de
prata, cujo mérito atribuiu ao ChatGPT. “Não se tratava
apenas de tática. Metade do meu plano de treino e
motivação [foi desenvolvido pela Inteligência
Artificial]”, admitiu ao The Guardian.
“Durante seis meses, utilizei-o como psicólogo,
treinador e, às vezes, como médico“, admitiu. “É uma
tecnologia revolucionária”, disse, ao revelar que a
ferramenta substituiu o treino com um personal trainer,
apesar de acreditar que estes profissionais não tenham
de se preocupar, “por enquanto”, em serem substituídos.
Mas o mesmo chatbot que ajudou Murashkovskyi a alcançar
o pódio foi também utilizado na guerra contra o seu
país, de forma a mapear zonas que poderiam ser
atingidas. “Funciona como na química ou na biologia.
Alguém pode usar estes conhecimentos para o bem e para o
mal. No meu caso, uso para aprender idiomas e para
desenvolver os meus treinos desportivos”, disse aos
jornalistas. Em 2023, o atleta conquistou uma medalha de
bronze no Campeonato Mundial de Esqui de Fundo
Paralímpico, na Suécia.
Os Jogos Paralímpicos de Inverno decorrem desde o dia 6
até 15 de março.
Um pequeno implante retiniano sem fios está a devolver
visão central a pessoas com degenerescência macular
avançada, uma das principais causas de cegueira em
idosos, segundo resultados de um grande ensaio clínico
internacional.
A técnica foi testada em doentes com degenerescência
macular atrófica (geográfica) — uma forma grave de perda
de visão causada pela destruição progressiva das células
sensoriais da retina — e os resultados publicados no
The New England Journal of Medicine mostram que mais
de 80% dos participantes recuperaram visão útil.
O implante, de apenas 2 mm por 2 mm, substitui células
sensoriais danificadas convertendo luz em sinais
elétricos que estimulam diretamente as células
remanescentes da retina. Emparelhado com um sistema de
óculos especiais e uma câmara, o dispositivo transmite
imagens que o cérebro pode interpretar, permitindo aos
pacientes voltar a distinguir letras e até a ler
palavras e, em alguns casos, páginas num livro.
Durante o ensaio, que integrou 38 participantes com mais
de 60 anos em vários países europeus, os investigadores
verificaram que muitos recuperaram vários níveis de
visão que não tinham há anos. Registaram‑se ganhos
médios de cerca de 25 letras em cartas de teste visual,
o que equivale a várias linhas completas de melhoria no
teste de visão padrão.
O paciente usa óculos com uma câmara integrada que capta
a imagem que depois é transmitida por luz infravermelha
ao implante retiniano. O implante transforma essa
informação em impulsos elétricos que estimulam células
da retina ainda funcionais. O cérebro interpreta esses
sinais, restaurando parte da visão central perdida.
Apesar de ainda não devolver visão perfeita (20/20), os
resultados representam um enorme avanço para pessoas que
antes não tinham qualquer visão central funcional.
O estudo foi coordenado por investigadores de várias
instituições, incluindo a University of Pittsburgh, e
envolveu 17 centros clínicos na Europa. Após estes
resultados positivos, o fabricante — a empresa Science
Corporation — avançou com pedidos de aprovação
regulamentar na Europa e nos Estados Unidos, abrindo
caminho para que o dispositivo possa ser utilizado
clinicamente em doentes com degenerescência macular no
futuro próximo. Este avanço tecnológico abre uma nova
fronteira na restauração da visão e pode vir a
transformar a vida de milhões de pessoas afetadas por
esta condição degenerativa.
Um sistema tecnológico de apoio à mobilidade para pessoas com deficiência
visual foi criado em Sever do Vouga, no polo da Escola Profissional de Aveiro,
informou hoje a instituição à agência Lusa.
O projeto combina óculos inteligentes e bengala eletrónica, desenvolvidos com
recurso a uma placa Arduíno e sensores de ultrassons para detetar obstáculos. O
sistema de baixo custo emite alertas sonoros e táteis sempre que identifica
objetos a curta distância, através de tecnologia de apoio à mobilidade autónoma.
A equipa realizou pesquisa sobre necessidades específicas do público-alvo e
construiu o protótipo mediante a metodologia de aprendizagem, baseada em
projetos para responder a problemas da comunidade. Os testes efetuados em
ambiente simulado permitiram ajustar o código e os sensores para garantir maior
precisão na deteção de obstáculos e fiabilidade dos alertas em tempo real.
A iniciativa, integrada no concurso “escola alerta”, prevê a realização de novos
testes em contexto real e a integração de funcionalidades adicionais no
equipamento tecnológico de apoio. A validação do dispositivo incluiu uma
apresentação em conselho pedagógico com a presença de entidades parceiras como a
Navigator Company, PCI Advanced e a Associação Comercial de Aveiro.
De acordo com uma nota de imprensa da Escola Profissional de Aveiro, o sistema
foi também apresentado numa sessão na delegação da Associação de Cegos e
Amblíopes de Portugal (ACAPO) que permitiu demonstrar o protótipo e recolher
sugestões dos associados.
A 2 de março, a Universidade de Coimbra (UC) apresentou o Programa de Apoio a
Docentes para Acompanhamento Pedagógico de Estudantes com Necessidades
Específicas, desafiando professores e investigadores a assumirem um papel
ativo como agentes de inclusão.
Incluído no Programa Integrado para a Promoção da Igualdade de Oportunidades e
Equidade no Acesso e Frequência — UC4All, destina-se a docentes e investigadores
da UC. Tem como propósito apoiar a lecionação e promover práticas centradas na
equidade de oportunidades, no respeito pela diversidade e no acompanhamento que
permita alcançar resultados de aprendizagem satisfatórios e prevenir o abandono.
“Nós estamos a lançar o programa de apoio aos professores para acompanhamento de
estudantes com necessidades específicas". Durante a sessão, a Vice-Reitora para
as áreas do Ensino e Atratividade, Cristina Albuquerque, afirmou ainda que este
"nos gratifica muitíssimo porque visa preparar e dar instrumentos, ferramentas e
estratégias aos professores para que cumpram da melhor forma aquele que é o seu
grande objetivo: a aprendizagem de todos os estudantes”.
Sublinhando os desafios concretos colocados em sala de aula, a responsável
reconheceu que “os estudantes com necessidades específicas colocam diversos
desafios e precisam de estratégias adaptadas”. A resposta, de acordo com
Cristina Albuquerque, pode passar por ajustamentos simples, mas eficazes. “Por
vezes, basta uma pequena alteração, uma pequena estratégia, e conseguimos que
todos na sala de aula possam ter acesso ao ensino de qualidade que nós
pretendemos”.
O programa disponibiliza, numa plataforma online integrada, um conjunto alargado
de recursos organizados por áreas temáticas. Desde enquadramento legal e
institucional sobre inclusão e igualdade, até investigação científica,
plataformas de acessibilidade digital, guias práticos e conteúdos sobre Desenho
Universal da Aprendizagem (uma abordagem pedagógica que propõe métodos flexíveis
para responder à diversidade dos estudantes). Inclui ainda espaços dedicados a
deficiências sensoriais e à promoção da saúde psicológica e mental em contexto
educativo.
Entre os materiais já disponíveis encontram-se vídeos com dicas. “Vamos
apresentar já dois vídeos de estudantes: um com deficiência auditiva e
outra com deficiência visual que nos vão ajudar a compreender o que
sentem, o que esperam em sala de aula e como os podemos ajudar”, explicou
Cristina Albuquerque. A Vice-Reitora acrescentou que “vamos ter outros
estudantes com outro tipo de necessidades, vamos disponibilizar outros recursos
e ainda workshops”.
Segundo a responsável, “os recursos vão estar disponíveis para toda a comunidade
académica: professores, investigadores e estudantes”, reforçando a ideia de que
a inclusão é uma responsabilidade coletiva. Cristina Albuquerque sublinhou ainda
o caráter evolutivo da iniciativa. “Naquele espaço vão estar agregados todo um
conjunto de elementos de consulta". "É o primeiro passo e agora vamos melhorando
com aquilo que nos fizerem chegar. É um projeto da comunidade UC para a
comunidade UC.”
A plataforma AMPLA inicia esta semana um projeto de disponibilização mensal de
legendas descritivas e audiodescrição para pessoas cegas e surdas para um filme
nas salas de cinema. A iniciativa arranca na quinta-feira com o filme "A Noiva",
de Maggie Gyllenhaal, tendo disponíveis legendas descritivas e audiodescrição,
através de telemóvel, para espectadores cegos ou com baixa visão e para pessoas
surdas ou com deficiência auditiva, em todas as salas onde o filme se estrear.
Para aceder às legendas descritivas ou à audiodescrição, o espectador tem de
descarregar uma aplicação no telemóvel (MovieReading), onde estes recursos estão
disponíveis em língua portuguesa. No caso da audiodescrição, as pessoas cegas ou
com baixa visão têm de levar consigo uns auscultadores, para poderem ouvir tudo
o que é descrito no filme. No caso das legendas descritivas, estas são
automaticamente sincronizadas com o telemóvel do espectador, dentro da sala de
cinema.
Por uma questão de conforto, algumas salas de cinema vão disponibilizar suportes
de apoio para que os espectadores coloquem o telemóvel de forma a poderem ler as
legendas descritivas.
A iniciativa começa com "A Noiva", prosseguirá em abril com a comédia francesa
"Ladrões da Treta", de Grégoire Vigneron, e em maio com o filme português "18
Buracos para o Paraíso", de João Nuno Pinto.
"Se queremos promover as acessibilidades no cinema em Portugal de uma forma
muito mais massiva, faria sentido irmos para as salas de cinema, com filmes mais
comerciais e isso foi o 'shift' que decidimos fazer", explicou um dos
responsáveis da AMPLA, Hugo Tornelo, à agência Lusa. Esta mudança da AMPLA para
a rede nacional de cinemas acontece depois de esta plataforma ter organizado nos
últimos anos uma mostra de cinema, em Lisboa, na qual os filmes escolhidos eram
exibidos com condições de acessibilidade para todos os públicos.
Segundo Hugo Tornelo, o objetivo agora é ter um filme por mês com aqueles
recursos de acessibilidade, programando até dezembro, mas a AMPLA ainda aguarda
os resultados de um pedido de financiamento do Instituto do Cinema e Audiovisual
e espera conseguir a adesão de mais exibidoras e distribuidoras. É que não basta
criar os recursos para cada filme, cuja produção ronda os cerca de dois mil
euros por cada obra cinematográfica, disse aquele responsável.
"Há uma dinâmica diferente que não estávamos habituados na produção de recursos,
que é conseguir ter acesso a filmes com antecedência. E não temos por questões
de segurança" das próprias distribuidoras, em relação aos filmes internacionais
com os quais trabalham, explicou Hugo Tornelo. Nessa promoção de acessibilidade
nas idas ao cinema, há ainda todo um trabalho de comunicação por parte dentro do
setor. "Não basta ter o recurso na aplicação [no telemóvel]. É importante saber
como acolher a pessoa com deficiência, como comunicar a experiência. A
experiência vai desde a bilheteira até ao momento em que saio [da sala de
cinema]", disse.
A utilização destes recursos de legendas descritivas e audiodescrição está
detalhada em amplacinema.pt.
A miopia nas crianças está a aumentar de forma preocupante. A tendência é
global e poderá afetar metade da população mundial em 2050. Filipa Teixeira,
responsável pelo departamento de oftalmologia pediátrica e estrabismo do
Hospital de Santa Maria, sublinha a importância do diagnóstico precoce, da
mudança de hábitos e do acompanhamento especializado para proteger a saúde
ocular das crianças.
A miopia nas crianças está a aumentar de forma preocupante, e Portugal acompanha
esta tendência. Nas últimas décadas, os estudos epidemiológicos mostram um
crescimento da prevalência da miopia em todo o mundo, e estima-se que, até 2050,
cerca de metade da população mundial possa ser míope.
A miopia, que se caracteriza por uma dificuldade em ver ao longe, resulta de um
crescimento excessivo do olho em comprimento. Quanto mais cedo a miopia surge,
maior é a probabilidade de progressão para graus moderados ou elevados. De
acordo com os consensos internacionais, incluindo a World Society of Paediatric
Ophthalmology & Strabismus, a progressão da miopia merece atenção especial,
sobretudo quando surge cedo.
Mas por que está a miopia a aumentar?
A explicação prende-se com diversos fatores. A genética tem um papel importante:
crianças com pais míopes têm maior probabilidade de desenvolver a condição. No
entanto, a genética não se altera em poucas décadas, o que mudou foi o estilo de
vida. As crianças passam hoje muito mais tempo em atividades de visão ao perto,
nomeadamente pela utilização excessiva de telemóveis ou tablets, leitura
prolongada e estudo intensivo. Paralelamente, as crianças passam menos tempo ao
ar livre. A evidência científica mostra que a exposição à luz natural tem um
efeito protetor, provavelmente através de mecanismos biológicos na retina que
regulam o crescimento ocular.
O que podemos fazer para travar a progressão da miopia?
A primeira medida deve centrar-se na mudança de estilos de vida. Recomenda-se
pelo menos duas horas diárias ao ar livre, incluindo por exemplo a prática de
desporto. A exposição à luz natural tem um efeito protetor para a miopia e deve
ser incentivada desde cedo. Em casa e na escola, é fundamental promover bons
hábitos. A leitura e a escrita devem ser feitas com iluminação adequada e
mantendo uma distância mínima de 30-40 cm. Relativamente aos dispositivos
eletrónicos, o tempo de utilização deve ser controlado e ajustado à idade da
criança. Devem ser feitas pausas frequentes e garantir sempre uma distância
adequada do ecrã e boa iluminação do ambiente.
Atualmente existem ainda tratamentos médicos para controlar a progressão da
miopia. Destacam-se as lentes oftálmicas ou lentes de contacto com tecnologias
de desfocagem periférica, que induzem mecanismos que controlam o alongamento do
olho. Adicionalmente, o colírio de atropina em baixa dose, pode também reduzir a
progressão. Mais do que corrigir a visão, o objetivo é proteger a saúde ocular
futura. A miopia elevada está associada a maior risco de descolamento de retina,
glaucoma, catarata entre outros na idade adulta.
A mensagem é clara: exames oftalmológicos regulares na infância permitem detetar
precocemente a miopia, avaliar o risco de progressão e iniciar estratégias
adequadas. Num contexto em que a miopia está a aumentar, a prevenção e o
acompanhamento especializado por um oftalmologista pediátrico são fundamentais
para proteger a visão das próximas gerações.
Artigo da autoria de Filipa Teixeira,
oftalmologista responsável pelo departamento de oftalmologia pediátrica e
estrabismo do Hospital de Santa Maria, assistente convidada da Faculdade de
Medicina de Lisboa
Venho por este meio apresentar uma reclamação em nome das pessoas invisuais,
relativamente ao processo de envio e ativação da Chave Móvel Digital.
Através da aplicação Be My Eyes, recebi uma chamada de um cidadão invisual que
havia recebido em casa a carta com os dados para ativação da Chave Móvel
Digital. O senhor solicitou ajuda, uma vez que estava a ter dificuldades em
abrir o envelope. A carta apresentava uma moldura picotada praticamente
impercetível ao tato, segundo o próprio, não estando devidamente marcada para
facilitar a abertura por pessoas com deficiência visual (ou qualquer outra
pessoa).
Apesar das orientações fornecidas, a carta acabou por ficar bastante rasgada. O
senhor teve ainda de descolar as bordas da carta depois de rasgar o picotado.
Felizmente, a zona onde constava o PIN de ativação não foi danificada. No
entanto, poderia ter comprometido informação sensível.
Após a abertura, o senhor deparou-se com outra grave limitação: a carta não se
encontrava disponível em Braille, impossibilitando a sua leitura autónoma. Esta
situação trata-se de um serviço público essencial, associado ao Portal das
Finanças, que deve garantir acessibilidade e igualdade de acesso a todos os
cidadãos, incluindo pessoas com deficiência visual.
Para ajudar, o senhor pediu para ler o código e enviá-lo por mensagem, o que
levanta sérias questões de segurança e proteção de dados. O senhor teve a sorte
de contactar uma pessoa bem-intencionada, mas poderia facilmente ter sido vítima
de alguém com más intenções, colocando em risco o acesso à sua informação
pessoal e fiscal.
Adicionalmente, o senhor relatou dificuldades na própria aplicação de ativação
da Chave Móvel Digital, uma vez que o processo exige apontar a câmara do
telemóvel ao Cartão de Cidadão, enquadrando-o numa moldura apresentada no ecrã.
Sendo invisual, não conseguiu realizar este procedimento de forma autónoma,
ficando novamente dependente de terceiros.
Considero esta situação inadmissível. As pessoas invisuais têm o mesmo direito
de tratar dos seus assuntos de forma autónoma e segura, sem necessidade de se
deslocarem fisicamente a um balcão de atendimento ou dependerem de terceiros
para aceder a serviços digitais do Estado.
Assim, solicito uma revisão urgente dos procedimentos adotados, garantindo:
- Envelopes e cartas com sistemas de abertura táteis adequados.
- Disponibilização da informação em Braille ou noutros formatos acessíveis.
- Processos de ativação digital verdadeiramente inclusivos e compatíveis com
tecnologias de apoio.
A acessibilidade não é um favor, mas sim um direito.
O protótipo de João Rego, em que trabalha desde 2022, permite a localização e
vibrações que interagem com o utilizador, alertando para um possível obstáculo
no percurso.
João Rego trabalha desde 2022 na criação dos primeiros óculos capazes de ajudar
a devolver a autonomia a cegos, alimentando a vontade e o sonho de ter mais
tecnologias de apoio adaptados à realidade urbana moçambicana.
Sentado à sua mesa de trabalho, nos arredores de Maputo, entre circuitos abertos
e o emaranhado de cabos que dão vida às suas criações, João Rego, de 24 anos,
conta à Lusa que a ideia de criar óculos para pessoas cegas nasceu em 2022,
inspirado por uma reportagem que mostrava os desafios quotidianos de quem não
vê.
O seu protótipo permite a localização e vibrações que interagem com o
utilizador, alertando para um possível obstáculo no percurso.
“Vi uma reportagem de uma senhora cega que estava andando na cidade de Maputo e
tinha uma cova à sua frente e ela colocou o pé. Nesse dia eu vi essa reportagem
e sensibilizei-me com essa situação e, pronto, como eu sou da área da robótica,
calhou exatamente que eu estava a projetar um robô especificamente para uma
atividade que eu tinha e pensei, olha, porque não ajudar?”, relata o criador,
formado em engenharia eletrónica.
Para João Rego, a engenharia é mais do que qualquer coisa uma ferramenta de
resgate. Sem laboratórios luxuosos, o jovem encontra no quintal da sua casa, no
bairro de Bunhiça, a cerca de 20 quilómetros do centro de Maputo, o silêncio
necessário para criar, fundindo o rigor técnico com o desejo de mudar vidas e
derrubar as barreiras que isolam os cerca de 700 mil cidadãos que enfrentam
limitações visuais graves em Moçambique.
Os óculos, já testados por dezenas de voluntários e que passaram por várias
versões e atualizações nos últimos anos, surgem hoje cuidadosamente envoltos
numa capulana, tecido tradicional de cores vibrantes e padrões coloridos, que
acolhe e protege um sistema tecnológico desenhado para devolver autonomia e
revolucionar o dia-a-dia de quem vive com deficiência visual em Moçambique.
“Durante esse percurso, foram várias as versões que foram surgindo.
Especificamente foram três versões muito trabalhadas e no meio disso eu usei
recursos locais”, disse, reiterando que nem todos os recursos tecnológicos
locais são acessíveis e por isso houve a necessidade de recorrer também ao
mercado estrangeiro.
Segundo Rego, o protótipo, agora pré-final, dos óculos é integrado com várias
tecnologias, entre as quais um sistema de localização e controlo de bateria em
tempo real, além de vibrações que interagem com o utilizador, alertando para um
possível obstáculo.
“Basicamente os óculos funcionam da seguinte forma, o usuário coloca os óculos,
como quaisquer óculos normais, eles têm alguns sensores, a sua versão patenteada
tem 10 sensores, esses 10 sensores “olham” para 10 pontos diferentes, cobrindo
um ângulo de aproximadamente 120 graus. Então, dentro desse ângulo, ele consegue
detetar tudo a uma distância de até oito metros, mas está otimizado para quatro
metros”, explica.
Entre os benefícios da invenção, o jovem assinala que “os óculos vêm para ajudar
as pessoas a ter uma locomoção mais natural, melhorada e com mais detalhes
acerca do ambiente”.
“Para este ano, o objetivo principal é lançar a versão final dos óculos que, na
sua fase piloto, vão ser uma versão que ajuda as pessoas a estarem mais aptas
para usar os óculos no seu dia-a-dia”, diz.
Esta inovação permitirá ajudar as pessoas, por exemplo na empregabilidade, pela
autonomia que proporciona, ou na educação, explica o engenheiro eletrónico. Com
o trabalho ainda em desenvolvimento, João Rego espera também abrir portas para o
desenvolvimento de uma tecnologia nacional, porque, se o conhecimento é
produzido no país, com muita facilidade consegue-se reproduzir em caso de uma
crise, contribuindo para a independência tecnológica e científica de Moçambique.
Apesar dos óculos já lhe terem rendido distinções nacionais e internacionais, o
maior sonho do jovem é ter o dispositivo usado em todo o país e ao menor preço
possível.
“Para Moçambique em específico [o sonho] é tê-los a serem usados em diferentes
partes das províncias que nós temos e por diferentes pessoas que têm deficiência
visual e transformem as suas vidas”, diz.
“Os óculos têm essa capacidade de transformar vidas”, afirma.
O presidente da república Marcelo Rebelo de Sousa promulgou o diploma do Governo
que cria um bilhete gratuito para o acompanhante de pessoas com deficiência em
espetáculos promovidos por entidades públicas. A medida visa reforçar a
acessibilidade e inclusão nos espaços culturais públicos
A decisão foi anunciada no sábado (14), através de uma nota publicada no site da
Presidência da República, confirmando a entrada em vigor da medida que pretende
reforçar o acesso à cultura. O decreto-lei tinha sido aprovado em Conselho de
Ministros a 17 de dezembro, após a versão final ter recebido luz verde a 29 de
janeiro.
A decisão foi publicada no site da Presidência da República. Segundo o
comunicado governamental, a iniciativa abrange recintos de espetáculos e
equipamentos culturais públicos ou geridos por entidades públicas, promovendo
uma maior inclusão nas salas de espetáculo.
A medida surge na sequência da criação do Selo – Espaços Culturais Acessíveis e
Inclusivos (SECAI) e será testada durante seis meses, podendo ser posteriormente
alargada ao setor privado até ao final do próximo ano, conforme adiantado pela
ministra Margarida Balseiro Lopes. O objetivo é garantir condições de
participação plena a pessoas com deficiência e aos seus acompanhantes.
Muitas vezes, as pessoas com deficiência visual não são reconhecidas como prioritárias, porque a sua vulnerabilidade é pouco percebida, parecem autossuficientes e é frequentemente entendido que a deficiência visual não aumenta o risco físico.
Muitos planos de emergência não contemplam formas de apoio adaptadas a pessoas com necessidades específicas. Mas em situações de risco ou perigo iminente,
as pessoas com deficiência visual enfrentam barreiras adicionais no acesso à
informação, à orientação e mobilidade e ao apoio na evacuação que podem
comprometer a sua segurança.
Nesta fase em que o país tem enfrentado fenómenos meteorológicos extremos, torna-se ainda mais essencial reconhecer as pessoas com deficiência visual como um
grupo prioritário, integrar estratégias claras de apoio nos planos de emergência, assegurando respostas eficazes, seguras e verdadeiramente inclusivas.
O Artigo 11.º da CDPD prevê uma assistência adequada em situações de risco.
Priorizar é proteger. A Inclusão pode salvar vidas.
Como Projetar com a Deficiência em Mente Estimula a
Inovação
Vijay Govindarajan, Kinya Seto, Tojin T. Eapen e Christine
Moorman
Fevereiro 9, 2026
O Manual de Amplificação do Design
Embora muitas inovações ocorram por acaso, as empresas podem implementar um
processo disciplinado para replicar o sucesso na popularização de produtos
originalmente projetados para usuários marginalizados. Com base em nossa análise
de inovações que envolvem amplificação de design tanto na LIXIL quanto em outras
empresas, desenvolvemos uma metodologia estruturada. A estrutura de cinco
etapas, que chamamos de Manual de Amplificação de Design, é um processo
replicável que pode ser aplicado a qualquer produto em qualquer setor.
Ilustramos as estratégias do manual usando o redesenho hipotético de uma
característica específica do produto: o sistema de embalagem de uma marca
hipotética que chamamos de ThriveQuench Sports Beverages (uma concorrente da
Gatorade).
Etapa 1: Comece com foco na limitação ou deficiência
permanente.
Em vez de projetar para o usuário “médio”, comece escolhendo uma
deficiência permanente como sua principal lente de inovação. Pode ser
cegueira total, surdez profunda, limitações graves de mobilidade ou deficiências
cognitivas significativas. O segredo é se concentrar na eliminação de uma única
barreira bem definida que atenderá a um mercado inicial. Essa barreira serve
como uma poderosa restrição criativa para forçar um pensamento inovador. Quando
os designers não podem contar com soluções convencionais (sinais visuais,
alertas sonoros, habilidades motoras finas), eles encontram novas abordagens que
muitas vezes se mostram superiores para todos os usuários.
Por exemplo, se a equipe de design da ThriveQuench selecionasse a cegueira
total como sua restrição inicial, eles descobririam que 36 milhões de
pessoas em todo o mundo são cegas e provavelmente não têm acesso independente a
informações nutricionais, identificação de sabores ou datas de validade
normalmente encontradas em produtos de consumo embalados (CPG).
Etapa 2: Examine a jornada do usuário sob a limitação
focal.
Após escolher a restrição, as equipes devem examinar sistematicamente
todos os pontos de contato na jornada do usuário, desde a descoberta até a
conclusão. Isso requer uma documentação comportamental granular: quais
movimentos físicos são necessários? Quais processos cognitivos estão envolvidos?
Onde ocorrem as falhas?
O processo de mapeamento da ThriveQuench rastrearia todas as interações do
usuário, desde a seleção do produto na prateleira até o descarte. Ao acompanhar
clientes com deficiência visual durante toda a sua experiência com bebidas, o
mapeamento da jornada da ThriveQuench revelaria barreiras em todas as etapas,
desde distinguir sabores em refrigeradores lotados de lojas até verificar datas
de validade em casa e compreender o conteúdo nutricional durante os treinos.
Etapa 3: Mapear os benefícios para clientes
marginalizados, situacionais e convencionais.
É aqui que surgem as principais percepções sobre clientes potenciais em
todos os quatro níveis de amplificação do design.
Os padrões de deficiências cruzadas revelam que as soluções para uma deficiência
podem frequentemente resolver problemas em vários tipos de deficiências
permanentes. Por exemplo, as equipes podem perceber que as soluções para
melhorar a navegação para usuários cegos também auxiliam pessoas com desafios de
processamento cognitivo. No caso da ThriveQuench, projetar um produto cujas
informações sejam facilmente acessíveis aos cegos também pode auxiliar usuários
de cadeiras de rodas que não conseguem alcançar os produtos e precisam ler os
rótulos à distância.
O mapeamento da jornada também pode revelar necessidades situacionais
interconectadas. As limitações de visão refletem os desafios em ambientes com
brilho intenso, espaços escuros ou durante a realização de várias tarefas
simultaneamente. Para a ThriveQuench, a equipe pode identificar usuários
situacionais, como falantes não nativos e viajantes internacionais que navegam
por rótulos desconhecidos.
O apelo universal revela a maior oportunidade de marketing. A principal
percepção é que os recursos de acessibilidade podem oferecer benefícios que
todos os usuários consideram valiosos e transformar acomodações em aspirações.
Para a ThriveQuench, a oportunidade principal está nos compradores ocupados que
buscam acesso rápido às informações essenciais dos rótulos.
Este mapeamento abrangente nos mostra como o design de informações acessíveis e
úteis para pessoas com deficiência visual pode se tornar uma vantagem
competitiva que diferencia a ThriveQuench em todos os segmentos de clientes.
As etapas 1 a 3 ajudam a identificar o mercado total acessível. Isso deve ser
feito antes mesmo de esboçar o primeiro conceito de solução em um caderno. Essa
estratégia inicial pode justificar o investimento em recursos de P&D, reduzir
riscos e melhorar os resultados.
Etapa 4: Projetar para escalabilidade em todos os níveis
de amplificação.
Nesta etapa, o foco deve ser o desenvolvimento de soluções que abordem
sistematicamente cada nível de amplificação, mantendo a escalabilidade e o apelo
de mercado.
Tecnologias emergentes, como interfaces alimentadas por IA, sistemas de feedback
tátil, reconhecimento de voz, NaviLens (um tipo de código QR acessível) e
exoesqueletos (dispositivos vestíveis) podem permitir a amplificação do design
em escala.
Para a ThriveQuench, uma NaviLens tátil colocada em cada garrafa permitiria que
usuários cegos localizassem e escaneassem informações do produto através do
toque (Nível 1). Quando ativados, esses códigos poderiam acionar uma narração em
áudio em um aplicativo de telefone no idioma do usuário, fornecendo informações
nutricionais, alertas sobre alergênicos e descrições de sabores. A tecnologia
NaviLens também atende a outros usuários marginalizados, como usuários de
cadeiras de rodas que acessam informações à distância (Nível 2), e usuários
situacionais, como turistas que precisam de suporte multilíngue (Nível 3).
Para atrair o público em geral (Nível 4), a ThriveQuench pode aprimorar o
conteúdo fornecido por meio dos códigos NaviLens para incluir histórias sobre a
origem das frutas, depoimentos de atletas e playlists para exercícios físicos.
Isso cria um ecossistema digital abrangente que atrai consumidores preocupados
com a saúde, experientes em tecnologia e focados na sustentabilidade,
transformando informações básicas sobre o produto em uma experiência de marca
envolvente que garante um posicionamento premium.
Etapa 5: Validar com todos os segmentos de clientes.
Esta etapa envolve testes abrangentes da solução proposta em todos os segmentos
de clientes em ambientes realistas. As equipes devem medir as taxas de sucesso
das tarefas, os tempos de conclusão, a carga cognitiva e a frequência de erros
em todos os grupos. Devem testar interfaces de voz em salas silenciosas e
ambientes ruidosos e avaliar controles táteis com usuários que têm força de
preensão limitada e usuários que usam luvas no inverno. Devem continuar o
refinamento iterativo até que os produtos tenham um bom desempenho em todas as
categorias de usuários, sem comprometer a funcionalidade para nenhum grupo.
Para a ThriveQuench, essa etapa envolveria a realização de testes paralelos com
clientes cegos avaliando o design tátil e a clareza do áudio, turistas
internacionais avaliando o suporte multilíngue, pais ocupados testando os
recursos de digitalização com uma mão em ambientes reais de supermercados e
consumidores em busca de informações relacionadas à saúde. Essas diversas
perspectivas orientam refinamentos iterativos no tamanho dos ícones, no ritmo do
áudio e na durabilidade dos elementos táteis em relevo na embalagem, garantindo
que o produto final tenha um desempenho confiável em todas as categorias de
usuários, sem comprometer as necessidades específicas de nenhum segmento.
A IA generativa pode apoiar o Manual de Amplificação de Design em cinco etapas,
identificando oportunidades negligenciadas e permitindo iterações rápidas. Para
apoiar isso, desenvolvemos um GPT personalizado para aumentar a criatividade dos
designers de produtos. Quando os designers geram vários conceitos iniciais para
usuários marginais ou situacionais, os modelos de imagem da IA generativa podem
virtualmente dar vida a essas ideias, visualizando o uso do produto e simulando
interações sem protótipos físicos ou recrutamento de participantes, acelerando a
convergência em um conceito que vale a pena investir em testes de campo
dispendiosos.
Chamada à ação
Os números relativos aos usuários marginalizados por si só já são
suficientes: mais de 1,3 bilhão de pessoas em todo o mundo vivem com
deficiências. No entanto, o maior benefício ocorre quando produtos projetados
para um mercado-alvo limitado prosperam no mercado convencional. A ampliação do
design oferece o potencial de revelar um valor comercial e social significativo.
Contudo, a maioria das empresas continua a tratar a acessibilidade como um
mercado de nicho, em vez de um catalisador de inovação.
Em resumo, os líderes devem tomar três medidas para alavancar a acessibilidade
como uma vantagem competitiva:
Incorpore restrições de acessibilidade ao seu processo de
inovação.
Não relegue as considerações sobre deficiência para verificações de
conformidade pós-projeto. Em vez disso, inicie cada ciclo de desenvolvimento de
produto selecionando uma deficiência específica como sua lente de projeto
inicial. Essa abordagem fornece inteligência estratégica sobre necessidades não
atendidas que seus concorrentes provavelmente estão ignorando.
Invista em tecnologias preparadas para amplificação.
Tecnologias como interfaces de IA, feedback tátil, reconhecimento de voz,
dispositivos vestíveis e sensores inteligentes não devem ser vistas apenas como
facilitadoras de recursos de acessibilidade. Em vez disso, elas devem ser vistas
como a base potencial para experiências de usuário ricas de última geração. As
empresas que dominam essas tecnologias para usuários marginalizados estão melhor
posicionadas para atender aos mercados convencionais à medida que essas
tecnologias amadurecem.
Reestruture sua pesquisa com clientes.
Substitua os grupos focais de “usuários médios” por estudos etnográficos de
usuários com limitações e deficiências extremas. Observe um usuário de cadeira
de rodas interagindo com seu aplicativo ou documente como a artrite afeta o
manuseio do produto. As percepções dessas sessões podem revelar oportunidades de
inovação invisíveis para a pesquisa de mercado convencional.
Existem histórias que nos fazem acreditar no poder transformador da tecnologia,
e a de Jonathan Santos é, sem dúvida, uma delas. Engenheiro de software com um
currículo invejável, que inclui passagens por gigantes como a Google e a
Samsung, Jonathan carrega consigo uma particularidade que moldou a sua visão de
mundo: é cego. Mas longe de permitir que a deficiência visual fosse uma barreira
intransponível, utilizou o seu conhecimento em Inteligência Artificial para
criar a Visionauta, uma aplicação gratuita que está a devolver a independência a
milhares de pessoas.
O percurso de Jonathan é marcado por uma excelência académica e profissional que
desafia preconceitos. Doutorado em Engenharia da Computação pela Universidade
Presbiteriana Mackenzie, no Brasil, o investigador sempre focou a sua carreira
no desenvolvimento de tecnologias de acessibilidade. No seu interior, a
motivação para criar a Visionauta não foi apenas académica; foi uma necessidade
vital de quem conhece, na primeira pessoa, os desafios de atravessar uma rua,
ler uma ementa num restaurante ou identificar uma nota de dinheiro num balcão de
pagamento.
Visionauta: Mais do que uma app, um assistente visual
portátil
Lançada recentemente na Google Play Store, a Visionauta funciona como uma
espécie de “extensão visual” para quem não pode ver ou tem baixa visão. A
aplicação utiliza modelos avançados de IA para interpretar o mundo em tempo real
através da câmara do smartphone. Ao contrário de outras soluções mais complexas
ou pagas, Jonathan desenhou a Visionauta para ser simples, rápida e, acima de
tudo, gratuita. O engenheiro descreve-a frequentemente como “a aplicação que eu
próprio gostaria de ter tido”, focando-se na resolução de problemas práticos do
quotidiano.
Entre as funcionalidades principais, destaca-se o leitor de textos em voz alta,
capaz de interpretar desde documentos oficiais a rótulos de embalagens. A app
consegue também identificar moedas como o Real, o Dólar e o Euro e possui uma
lupa eletrónica com modos de alto contraste para quem ainda possui visão
residual. Mas o verdadeiro “cérebro” da operação é o assistente de IA integrado,
que permite ao utilizador fazer perguntas sobre o ambiente ao seu redor,
recebendo descrições detalhadas de cenas, objetos e cores.
O nascimento da ideia no mundo académico
A génese da Visionauta ocorreu durante o mestrado de Jonathan em
Engenharia da Computação. Sob a orientação dos professores Ismar Frango e Nizam
Omar, especialistas em Pensamento Computacional e IA, o projeto ganhou corpo
como uma ferramenta de inclusão. Jonathan explica que, no seu interior, a
arquitetura da app foi pensada para ser leve, permitindo que corra em
smartphones menos potentes, garantindo que a acessibilidade não seja um luxo,
mas um direito acessível a todos.
A experiência adquirida na Google e na Samsung foi fundamental para que Jonathan
conseguisse implementar algoritmos de reconhecimento de imagem de alta precisão.
No entanto, o seu diferencial não é apenas o código, mas a empatia técnica. Como
pessoa cega, ele entende que a latência de um segundo na resposta da IA pode ser
a diferença entre a segurança e o perigo ao caminhar numa cidade movimentada.
Por isso, a Visionauta foca-se na velocidade de processamento e na clareza do
feedback sonoro, adaptado às necessidades reais da comunidade.
Independência e o futuro da acessibilidade digital
O impacto da Visionauta já se faz sentir a nível global. Ao oferecer uma
ferramenta que identifica objetos por comando de voz e descreve cenas em tempo
real, Jonathan Santos está a fornecer as chaves da autonomia a pessoas que,
muitas vezes, dependiam de terceiros para as tarefas mais básicas. Para o
engenheiro, o trabalho não termina com o lançamento da app; a investigação
contínua em IA é o que permitirá, num futuro próximo, uma integração ainda mais
profunda com dispositivos vestíveis e óculos inteligentes.
A história de Jonathan é um lembrete poderoso de que a inclusão digital não deve
ser uma funcionalidade secundária no desenvolvimento de software. Pelo
contrário, quando o design é feito por quem vive a exclusão, o resultado é uma
inovação que beneficia toda a sociedade. A Visionauta é a prova de que a
Inteligência Artificial, quando orientada por propósitos humanos e éticos, tem o
potencial de ser um dos maiores niveladores sociais da história da humanidade.
Conclusão
Jonathan Santos não é apenas um engenheiro de software brilhante; é um
visionário que viu na escuridão a oportunidade de iluminar o caminho de outros.
Através da Visionauta, ele transformou o seu conhecimento em liberdade.
Disponível na Play Store para Android, a aplicação é hoje um símbolo de
resistência e de esperança para a comunidade de deficientes visuais. Em 2026,
num mundo cada vez mais dominado por ecrãs, Jonathan recorda-nos que o mais
importante é garantir que ninguém fique para trás, independentemente da forma
como perceciona o mundo ao seu redor.
A Itália abre caminho para que pessoas com deficiência
visual tenham acesso à arte
Báo Văn Hóa
05/02/2026
A Itália, terra das cidades de arte, está a adotar abordagens inovadoras para
ajudar as pessoas com deficiência visual a terem um acesso mais fácil ao mundo
da arte.
A Itália está se esforçando para tornar seus tesouros artísticos mais acessíveis
a pessoas com deficiência. Isso significa desacelerar, tocar o que pode ser
tocado e vivenciar a obra de arte com múltiplos sentidos.
Em uma noite de dia de semana, enquanto muitos turistas deixam o Coliseu de
Roma, um pequeno grupo de pessoas vagueia silenciosamente pela antiga estrutura
envolta em escuridão. Eles pararam em cada ponto para vivenciar a história, a
arte e a arquitetura do monumento com todos os seus sentidos, exceto a visão.
Entre eles estava Michela Marcato (54 anos), que é cega desde o nascimento.
Junto com seu parceiro, que também tem deficiência visual, ela participou desta
expedição extraordinária.
Este é um novo programa na Itália que visa ajudar pessoas com deficiência visual
e baixa visão a terem melhor acesso aos vastos tesouros artísticos do país, além
de abrir novas maneiras de apreciá-los para todos os visitantes.
Enquanto ouvia a explicação do guia turístico, a Sra. Marcato usou a mão para
traçar o contorno de uma maquete em miniatura do Coliseu, uma magnífica
obra-prima arquitetônica do Império Romano. Ela tocou nos arcos, nas paredes
ásperas e na arquitetura em ruínas. O que mais a surpreendeu foi o formato
elíptico do edifício — algo que ela jamais havia imaginado. "Só andando por aí,
eu nunca teria percebido. Eu também não conseguia entender tudo direito. Mas
quando você toca, tudo fica muito claro", compartilhou Marcato.
A Itália é conhecida por suas cidades de arte, que nunca ficam sem turistas, mas
para pessoas com deficiência, o acesso à arte pode ser um desafio a longo prazo.
Usuários de cadeiras de rodas frequentemente encontram elevadores ou portas
muito estreitas, escadas sem rampas e calçadas irregulares e acidentadas. No
entanto, em 2021, a Itália acelerou suas iniciativas de acessibilidade,
dedicando mais atenção e recursos à remoção de barreiras arquitetônicas e
tornando os pontos turísticos e instalações esportivas mais acessíveis.
A antiga cidade de Pompeia instalou recentemente um novo sistema de sinalização
para tornar o vasto sítio arqueológico mais acessível a pessoas com deficiência
visual e outras deficiências. O projeto utiliza sinalização em Braille,
orientação por áudio através de códigos QR, modelos táteis e réplicas em relevo
de artefatos descobertos ao longo dos anos.
Entretanto, a cidade de Florença também oferece um guia com opções de acesso à
Galeria Uffizi e outros museus, apresentando roteiros detalhados e requisitos,
incluindo a necessidade de um acompanhante para locais como o Jardim Boboli, que
não são totalmente acessíveis devido às suas características arquitetônicas
históricas.
Um modelo de turismo abrangente não deve apenas respeitar os direitos humanos
das pessoas com deficiência, mas também proporcionar benefícios econômicos.
Experimente a arte de uma maneira diferente.
Giorgio Guardi, guia da Associação Radici, que organiza visitas guiadas em Roma
para pessoas com deficiência desde 2015, afirmou que o objetivo do turismo
acessível é criar experiências agradáveis para todos, inclusive para aqueles
que viajam com essas pessoas. Isso geralmente significa desacelerar, tocar no
que pode ser tocado e, em seguida, vivenciar a obra de arte com múltiplos
sentidos. A associação costuma organizar passeios a pé à noite, quando há menos
pessoas e os pontos turísticos famosos são menos barulhentos, ajudando a reduzir
as distrações. No entanto, pessoas com deficiência visual nem sempre podem tocar
nas obras de arte, então os guias precisam ser mais criativos.
Aldo e Daniela Grassini, ambos viajantes com deficiência visual e ávidos
colecionadores de arte, já haviam se sentido frustrados por não terem permissão
para tocar nas obras de arte durante suas visitas a museus ao redor do mundo. No
início da década de 1990, ambos fundaram o Museo Omero, um museu tátil na
Itália. O museu está localizado na cidade costeira de Ancona, no Mar Adriático,
onde todas as obras de arte são projetadas para serem tocadas.
Batizado em homenagem ao poeta cego Homero, o museu exibe réplicas em tamanho
real de muitas das obras de arte mais famosas da Itália, desde estátuas da Roma
e Grécia antigas até a cabeça de Davi de Michelangelo, ao lado de arte
contemporânea. "Tocar em algo não é o mesmo que olhar para isso; evoca emoções e
destaca o significado da arte", compartilhou Aldo. Segundo ele, a visão é um
"sentido avassalador, que tende a monopolizar a realidade", enquanto o tato abre
uma dimensão diferente.
"Amamos com os olhos e com as mãos. Quando amamos verdadeiramente uma pessoa ou
uma coisa, apenas olhar não basta. Precisamos tocar, porque o ato de acariciar
traz uma sensação diferente", acrescentou.
Na Casa das Artes
A Casa das Artes de Famalicão que, este ano, passou a integrar a Rede de Teatros
com Programação Acessível (RTPA), tem espetáculos com acessibilidade para
pessoas com deficiência visual e auditiva,
Estes públicos vão poder desfrutar de espetáculos ou algumas sessões com
audiodescrição (AD) e/ou com interpretação em Língua Gestual Portuguesa (LGP),
cumprindo o principal objetivo da RTPA que passa por uma oferta regular de
espetáculos com aqueles instrumentos de acessibilidade fora dos dois grandes
centros urbanos, Lisboa e Porto.
O primeiro espetáculo é a peça “Uma Brancura Luminosa” de Jon Fosse, na noite
deste sábado, às 21h30, com a interpretação de Ricardo Pereira e de Sandra
Barata Belo. Neste espetáculo será feita interpretação em LGP.
A programação com estes instrumentos de maior acessibilidade prossegue no dia 7
de fevereiro, às 21h30, com a segunda sessão do espetáculo Class Enemy, de Nigel
Wiliams, encenado por Manuel Tur, numa coprodução 11Zero2, Casa das Artes de
Famalicão, Teatro Aveirense e Teatro Nacional São João. Será feita interpretação
em LGP.
No dia 21 de fevereiro, às 21h30, decorre o primeiro concerto com AD. Trata-se
da atuação da Orquestra Jazz de Matosinhos com Cristina Branco a solo. Um
espetáculo de música para famílias do 9.º Ciclo de Concertos Promenade da Casa
das Artes de Famalicão.
A RTPA tem o apoio do BPI e da Fundação “la Caixa” e é coordenada pela Acesso
Cultura, uma associação cultural, sem fins lucrativos, dedicada a promover o
acesso físico, social e intelectual à cultura para todos, indo além das
barreiras arquitetónicas e focando-se na inclusão de pessoas com diferentes
necessidades.
IA pode compreender as questões dos utilizadores e recomendar refeições,
restaurantes ou produtos alimentares adaptados às suas necessidades. Um
assistente de IA para refeições é apresentado como a mais recente solução para a
pergunta de todas as noites: o que há para jantar?
A aplicação de entrega de refeições Just Eat Takeaway.com lança um assistente de
voz com IA que ajuda os utilizadores a encontrar refeições, restaurantes e até
produtos de retalho e de farmácia. Segundo a empresa, a ferramenta permite fazer
perguntas gerais ou específicas, mesmo quando os pedidos são vagos ou pouco
estruturados, em mais de uma dúzia de línguas.
Num vídeo promocional, o assistente de IA é mostrado a adicionar todos os
ingredientes necessários para fazer uma carbonara ao carrinho de compras, antes
de sugerir restaurantes nas proximidades onde o prato pode ser encomendado em
alternativa. A empresa afirma que a funcionalidade foi concebida para reduzir o
que denomina “excesso de opções”, a dificuldade em decidir perante milhares de
escolhas numa única plataforma.
A Just Eat afirmou que o modelo de interação híbrido da IA, que permite alternar
entre voz e toque, pode ser benéfico para pessoas com deficiência visual ou
mobilidade reduzida.
A Just Eat Takeaway.com é a mais recente empresa de comida e entregas a testar
assistência com IA. Segundo relatos, cadeias de restauração rápida como a
Popeyes estão a testar, no Reino Unido, sistemas de IA, incluindo tecnologia de
voz, para pedidos em drive-thru.
O assistente de voz com IA da Just Eat está disponível apenas no Reino Unido,
mas a empresa adianta que há planos para o lançar internacionalmente ainda este
ano.
“Estamos a aproveitar o poder da IA para reforçar a conveniência do dia a dia em
toda a nossa rede”, disse Mert Öztekin, diretor tecnológico da Just Eat. “Da
personalização intuitiva para clientes e do sucesso dos parceiros à logística
mais inteligente, estamos a integrar automação em cada interação para
proporcionar uma experiência fluida e eficiente que gera valor real para todos”,
acrescentou.
Instituto Nacional para a Reabilitação
21 Janeiro 2026
Está a terminar o prazo para entrega dos trabalhos no âmbito do concurso Escola
Alerta! 2025/2026. Este concurso desafia alunos e alunas de todos os níveis de
ensino a desenvolverem projetos que promovam a inclusão das pessoas com
deficiência e a igualdade de oportunidades.
Data limite para submissão:
28 de fevereiro de 2026
Categorias a concurso:
Educação Pré-Escolar e 1.º Ciclo
2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico
Ensino Secundário
Os apoios tecnológicos para melhorar a vida das pessoas com todos os tipos de
deficiências não são novidade, mas o galopante desenvolvimento da IA veio
facilitar a criação de formas inovadoras de ajudar.
A inteligência artificial está a transformar a vida de milhões de pessoas e um
dos seus impactos mais significativos é tornar o mundo mais acessível para os
indivíduos com todos os tipos de deficiências. Esta tecnologia vai além de ser
apenas uma ferramenta: é uma solução que capacita e quebra barreiras, promovendo
a independência de formas inovadoras.
Da voz às legendas
A IA tem sido fundamental na melhoria da comunicação através de diversas
tecnologias. As ferramentas de texto-para-fala e de reconhecimento de voz
permitem que pessoas com deficiência auditiva acompanhem conversas e acedam a
conteúdos áudio em tempo real. Plataformas como o Live Transcribe da Google e os
serviços de voz da Microsoft Azure permitem fazer transcrições instantâneas de
voz. Por outro lado, assistentes virtuais como o Google Assistant e a Siri
permitem que pessoas com deficiência física controlem dispositivos e executem
tarefas sem precisar de usar as mãos.
A geração de legendas por IA também está a revolucionar a forma como o conteúdo
audiovisual é consumido, especialmente para pessoas surdas ou com dificuldades
de audição. Graças à tecnologia de reconhecimento automático de fala,
plataformas como o YouTube, o Zoom e o Teams já mostram legendas criadas em
tempo real. Ao contrário dos métodos tradicionais, a IA processa e mostra as
legendas de forma quase instantânea.
Gestos transformados em texto
Para as pessoas com deficiência visual, os leitores de ecrã e as
ferramentas de texto-para-fala (TTS) são essenciais. Aplicações como o Jaws e o
NVDA convertem texto digital em palavras faladas, permitindo aos utilizadores
navegar na Internet, ler documentos e usar aplicações com facilidade. A IA
também melhorou a capacidade destas ferramentas de compreender o contexto, e
algumas, como a Seeing AI da Microsoft, conseguem, até, descrever imagens,
objectos e o ambiente físico em tempo real.
Outra área em crescimento é a do reconhecimento da linguagem gestual: os
sistemas de visão computacional conseguem interpretar gestos das mãos,
expressões faciais e movimentos corporais, convertendo a linguagem gestual em
palavras faladas ou escritas em tempo real. Aqui, os principais recursos são o
AI-based Sign Language Interpreter (Google) e o Uni Tablet (MotionSavvy).
Ver mais além
No que diz respeito à mobilidade e à navegação, a IA está a dar ferramentas a
pessoas com deficiência visual para se movimentarem de forma mais segura e
autónoma. Soluções como o Aira e o Be My Eyes ligam os utilizadores a
assistentes remotos que fornecem orientação em tempo real através da câmara do
smartphone. Depois, equipamentos como o OrCam MyEye conseguem reconhecer
objectos, ler texto e identificar rostos.
Cientistas portugueses tornam boxe acessível a pessoas cegas, com realidade
virtual
Daniela Felício
Público,
3 de Janeiro de 2026
Protótipo do jogo de boxe em realidade virtual para pessoas cegas foi criado por
cientistas da Faculdade de Ciências de Lisboa. Equipa contou com a ajuda de
Jorge Pina, ex-campeão nacional de boxe.
Em Portugal, cerca de 3,5% da população é afectada pela incapacidade de ver, de
acordo com os Censos de 2021. Apesar de já existir alguma acessibilidade nos
transportes públicos e serviços, ainda há contextos em que estas pessoas se vêem
excluídas. Um exemplo disso são as tecnologias de realidade virtual, nas quais a
visão é o principal sentido que permite ao utilizador aceder ao mundo digital.
Para contrariar este paradigma, uma equipa de investigadores portugueses
desenvolveu uma experiência de boxe em realidade virtual adaptada para pessoas
cegas. No projecto, participou o ex-campeão nacional de boxe Jorge Pina, que
perdeu a visão em 2004 e actualmente é treinador na academia que fundou.
A Espanha liderou o esforço, unindo forças com França, Alemanha e outras nações
europeias para destacar a importância cultural e social do Braille.
Para milhões de pessoas ao redor do mundo, seis pequenos pontos podem fazer toda
a diferença. Braille, o sistema que permite que pessoas cegas e com deficiência
visual leram, escrevam e naveguem pela vida cotidiana de forma independente,
está mais próximo de ser reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da
Humanidade pela UNESCO em 2026. Isso acontece pouco antes do Dia Mundial do
Braille, em 4 de janeiro, marcando o aniversário de seu inventor, Louis Braille.
A Espanha liderou o esforço, unindo forças com França, Alemanha e outras nações
europeias para destacar a importância cultural e social do Braille. O Grupo
Social ONCE, que apoia pessoas com deficiência visual, defendeu o
reconhecimento, enfatizando que o Braille é mais do que uma ferramenta, é um
salva-vidas, uma experiência compartilhada e uma ponte para a participação na
sociedade. Para mais, é claro, confira o anúncio oficial deles pelo link a
seguir.
Neste artigo, vamos falar da tabela Braille portuguesa informatizada,
desenvolvida para seis e oito pontos, que tem significado muitos avanços no
conhecimento e aprofundamento do sistema Braille, a nível universal.
Esta tabela foi criada em 2003 por acordo entre as Comissões Braille de Portugal
e do Brasil. Pelas caraterísticas que foram tidas em conta na sua elaboração,
representa um trabalho com repercussões na compreensão dos meandros do Braille
que é muito benéfico a nível universal, transcendendo o mero âmbito lusófono.
No entanto, apesar de ter sido criada, não foi incluída em nenhum dispositivo
até ao passado mês de março de 2025, quando um académico espanhol e grande
conhecedor de tudo o que se relaciona com o sistema Braille, Iván Argote Pérez,
juntamente com um académico português de Braille, o brasileiro Tiago Casal,
decidiram rever a tabela, corrigir alguns pequenos erros que continha e, como
veremos mais adiante, acrescentar-lhe um sinal para que o seu uso fosse mais
universal e para que pudesse ser utilizada não só por todos os braillistas de
língua portuguesa, mas também por todos os cegos utilizadores de Braille de
língua espanhola.
Como Iván explica no artigo, esta tabela está atualmente disponível entre as
tabelas Liblouis, e já está presente na última versão Beta do software NVDA, mas
contactámos a Apple para a adicionar às suas tabelas disponíveis no modo de
escrita “Braille no ecrã”, utilizável tanto em Iphones como em Ipads, bem como
com várias empresas que fabricam linhas Braille: HumanWare, Orbit Research e
Hims, para que também o adicionem às tabelas presentes nos seus sistemas,
tendo-nos sido comunicado por todas elas que procederão à sua inclusão nas suas
próximas actualizações. Tentámos também contactar a Google, para que esta tabela
possa ser incluída na escrita Braille on Screen presente nos telemóveis Android,
mas infelizmente, até à data, não obtivemos qualquer resposta dessa empresa,
sendo o único contacto que temos da mesma, o link presente no seu site. Assim
sendo, se alguém tiver um melhor contacto da Google e nos quiser facultar o
mesmo, será sempre muito bem-vindo e ficaríamos muito gratos.
Sem mais demoras, deixo-lhe o artigo escrito por Iván Argote, uma das pessoas
que tornou possível que a referida mesa seja hoje, finalmente, uma realidade e
algo realmente muito útil para todos os braillistas cegos lusófonos e
hispanófonos.
O ecrã Braille computorizado português tem um elemento muito inovador, que não
foi encontrado em nenhum outro ecrã no mundo: suporta tanto um ecrã de 6 pontos
como um de 8 pontos. Os sinais são automaticamente convertidos de 6 para 8
pontos, o que permite, ao utilizar o de 6 pontos, escrever no ecrã de telefones
ou outros pequenos aparelhos.
Nota técnica: Em Braille, uma célula de 6 pontos é o formato tradicional,
consistindo em duas colunas de três pontos cada. A cela de 8 pontos acrescenta
uma linha inferior, permitindo mais combinações e facilitando a representação
direta de caracteres informáticos, como letras maiúsculas, sinais de pontuação
especiais ou símbolos técnicos.
A Tábua Portuguesa para computador, juntamente com a Tábua Braille Inglesa
Unificada, são das poucas que evitam a ambiguidade na escrita e na leitura do
Braille. Não é necessário interpretar as possibilidades, mas sabe-se sempre qual
o sinal que está a ser representado. Exemplo técnico: O sinal formado pelos
pontos 235 pode, em Braille integral espanhol ou português, representar o sinal
de mais, mas também pode representar o ponto de exclamação (aberto ou fechado).
Em espanhol existem dois sinais visuais (¿ e ?), mas em braille tradicional são
ambos representados pelo mesmo sinal, o que cria uma ambiguidade na conversão
entre tinta e braille.
Para evitar esta ambiguidade, foi desenvolvida a tabela portuguesa informatizada
de seis pontos. Está incorporada nas tabelas do sistema LibLouis desde a sua
versão 3.3.0, lançada em 3 de março de 2025. Nota técnica: O LibLouis é um
sistema livre e aberto, amplamente utilizado para traduzir texto entre escrita
Braille e tinta. É utilizado em leitores de ecrã, dispositivos Braille e
software de acessibilidade. As tabelas definem os padrões de pontos Braille que
correspondem a cada carácter ou combinação.
Antes desta data, apenas a versão de 8 pontos da tabela portuguesa para
computador existia no sistema LibLouis.
Ao incorporar a tabela de 6 pontos nesse sistema, não só foram retomados os
sinais oficiais do Braille português, como também foram introduzidos outros
sinais compatíveis. Por exemplo, o padrão livre 12456 foi atribuído ao til
espanhol “N” (Ñ).
Assim, a tabela portuguesa informatizada de seis pontos permite escrever em
português e espanhol sem mudar de tabela, garantindo que não há ambiguidade na
transcrição de tinta para Braille e vice-versa.
Para ver uma demonstração desta tabuada, visite o podcast sobre Acessibilidade
Universal, da famosa defensora do Braille María García Garmendia, no YouTube,
escrevendo https://www.youtube.com/watch?v=sTRbjXrDhpc&t=116s.
Para encontrar a ligação principal para o podcast, visite
https:youtube.com/@accesibilidaduniversalpodcast ou através de qualquer uma das
plataformas de podcast. Esperamos que goste.
Esta data convida-te a refletir sobre a
acessibilidade e a inclusão. O sistema Braille
representa autonomia, igualdade de oportunidades e
acesso à informação para as pessoas com deficiência
visual ou com baixa visão. Neste dia, podes
questionar-te sobre como a sociedade pode ser mais
inclusiva e como os pequenos ajustes fazem uma
grande diferença na vida de quem enfrenta as
barreiras invisíveis. IA/Google
Como Louis Braille revolucionou um sistema de
escrita
Mary Winston Nicklin
National Geographic Portugal
Há duas centenas de anos, o filho de um correeiro de
uma aldeia rural francesa criou um inovador método de
escrita táctil para pessoas cegas, composto por pontos
em relevo. Braille tinha apenas 15 anos.
Onde estaríamos sem a escrita? Desde as suas origens
há mais de 5.000 anos na antiga Mesopotâmia, a história
da escrita ecoa a história da humanidade. Os gregos e os
romanos criaram alfabetos únicos, os chineses
desenvolveram caracteres complexos e actualmente lemos
romances, jornais e publicações nas redes sociais. Um
alicerce da civilização humana, a escrita é fundamental
para o estado de direito e acumulação de conhecimento e
cultura. No entanto, as pessoas cegas só tiveram acesso
à escrita no século XIX.
Entre 1824 e 1825, Louis Braille criou um sistema
composto por pontos em relevo que poderiam ser lidos com
as mãos. Inicialmente ignorada, esta invenção viria a
ser adoptada universalmente no século XX, abrindo um
novo mundo de aprendizagem para as pessoas com
deficiência visual. Num discurso proferido na Sorbonne
no centenário da morte de Braille, Helen Keller disse:
“Nós, os cegos, temos uma dívida tão grande para com
Louis Braille como a humanidade para com Gutenberg.”
Mas houve precedentes. A mudança de atitude anterior ao
nascimento de Braille contribuiu para abrir o caminho
para a tolerância. A Carta sobre os Cegos, do filósofo
Denis Diderot, de 1749, defendeu que as pessoas cegas
tinham a mesma capacidade intelectual que as pessoas com
visão. As primeiras escolas para cegos abriram em França
e Inglaterra no final do século XVIII, mas o sistema de
escrita de Braille proporcionou-lhes um meio para
interagirem com textos e partituras.
Um acidente transformador
O mais novo de quatro filhos, Braille nasceu em
1809 na aldeia de Coupvray, 35 quilómetros a leste de
Paris. O seu pai, Simon-René, era correeiro, uma
profissão com elevada procura. A família vivia
confortavelmente e também cultivava vinhas para produção
de vinho. Luxos como um forno de pão podem ser
actualmente vistos na casa da família, transformada no
Museu Louis Braille na década de 1950. O ponto central
do museu é a reprodução da oficina do pai de Braille,
onde ele sofreu o acidente que viria a causar a sua
perda de visão, mudando o seu destino – e o rumo da
história. Braille era uma criança curiosa de três anos e
esgueirou-se às escondidas para a oficina, para brincar
com as ferramentas que via o pai usar. Quando tentou
fazer um furo no cabedal com um furador, a ferramenta
escorregou e furou-lhe o olho. Este ferimento horrível
causou uma infecção que se espalhou para ambos os olhos,
deixando-o cego aos cinco anos, uma vez que os
antibióticos ainda não tinham sido descobertos.
Um acidente trágico
Os seus pais, consternados, não queriam que o destino do
filho ficasse traçado numaépoca em que as pessoas com
deficiência visual eram tratadas como sub-humanas e
frequentemente ridicularizadas pela sua deficiência. Nas
ruas de França, os cegos desfilavam com trajes ridículos
ou resignavam-se a pedir esmola. O ensino público ainda
não era obrigatório em França, mas os pais de Braille
estavam cientes da importância da alfabetização. Para
ajudar o filho, Simon-René pregou pregos para desenhar
as formas das letras do alfabeto em painéis e pediu ao
abade Jacques Palluy que desse aulas a Braille. Aos sete
anos, Braille já frequentava a escola local, onde era o
único aluno cego. O seu professor ficou espantado com
sua inteligência e comportamento alegre –
características que foram admiradas pelos seus amigos de
ao longo de toda a sua vida. Alguns anos mais tarde,
Braille obteve uma bolsa de estudo para prosseguir os
seus estudos no Instituto Real para os Jovens Cegos, a
primeira escola do género e que ainda hoje funciona, sob
a designação de Instituto Nacional para os Jovens Cegos,
ou INJA. Aos 10 anos, foi o aluno mais novo do
instituto. O mais espantoso de tudo foi que a sua
família, que era tão unida, o deixou sair de casa. “A
mãe e o pai poderiam facilmente tê-lo mantido na
aldeia”, explica Farida Saïdi-Hamid, curadora do Museu
Louis Braille. “Iriam escrever o seu destino sem saber.”
O apoio da família seria uma constante para Braille e
ele regressaria a Coupvray para descansar e recarregar
baterias ao longo de toda a sua vida.
Uma oportunidade de aprendizagem
Fundado pelo educador pioneiro Valentin Haüy, o
instituto foi inovador na sua metodologia e abordagem.
Os alunos aprendiam uma variedade de temas académicos e
um ofício manual. Haüy criara uma forma de estampar
livros com letras em relevo, que as crianças conseguiam
ler com as pontas dos dedos, embora com grande
dificuldade. A escola seria a salvação e o fim de
Braille, depois foi provavelmente ali que ele contraiu a
tuberculose que acabou por matá-lo. O edifício, situado
no pólo estudantil de longa data de Paris, o Bairro
Latino, era sujo, húmido e desgastado. Até fora
utilizado como prisão durante a revolução francesa. No
entanto, apesar das más condições e dos castigos, por
vezes, severos aplicados às crianças que quebravam as
regras, Braille prosperou, fazendo amigos e alcançando a
excelência nos estudos. Os professores repararam na sua
notável inteligência e qualidade espiritual. O seu amigo
Hippolyte Coltat escreveu mais tarde: “a amizade com ele
era um dever escrupuloso, bem como um sentimento de
ternura. Ele teria sacrificado tudo por ela, o seu
tempo, a sua saúde, as suas posses.”
Ouvido para a música
A paixão de Braille pela música nasceu no instituto,
onde músicos profissionais davam aulas e os alunos,
mostrados a tocar nesta ilustração de 1903, se juntavam
à orquestra. Ele ganhou o prémio de violoncelo no seu
quinto ano, desenvolveu talento para o piano e inventou
um método táctil para ler e escrever música. Enquanto
organista, tocou em igrejas de várias paróquias,
complementando o seu parco rendimento de professor.
Momento eureka
O catalisador da invenção de Braille deu-se em 1821. O
capitão Charles Barbier, oficial de artilharia, criaria
um meio de “escrita nocturna” para o exército francês
transmitir e executar ordens sob o manto da escuridão.
Convencido do seu mérito para as pessoas cegas, Barbier
transformou este código de pontos e traços num sistema
de base fonética que apresentou aos alunos. Havia falhas
linguísticas – a sonografia reduzia a linguagem a sons,
por isso a ortografia não era exacta e não havia
pontuação –, mas Braille teve uma epifania. Um sistema
de pontos seria um método fácil e eficiente para as
pessoas com deficiência visual lerem e escreverem. Ele
passou os quatro anos seguintes a trabalhar nesse
código. No instituto, fazia directas depois de as aulas
terminarem. Mesmo quando estava de férias em Coupvray,
os aldeões diziam que viam o rapaz sentado numa colina
com um estilete e um papel na mão. Aos 15 anos,
conseguiu criar aquela que viria a tornar-se conhecida
como a escrita braille. A base do sistema eram células
de seis pontos dispostos ao longo de duas colunas e três
filas. Cada combinação de pontos em relevo representa
uma letra do alfabeto. Era elegante na sua simplicidade
e lógica. Os alunos da escola adoptaram rapidamente o
seu uso – permitido oficiosamente pelo director
François-René Pignier. Braille reconheceu humildemente a
sua dívida para com Barbier no seu livro
Processo para Escrever as Palavras, a Música e o
Cantochão por meio de Pontos, para Uso dos Cegos e
disposto para Eles, publicado em 1829: “Se
sublinhámos as vantagens do nosso método em relação ao
dele, temos de dizer, em sua homenagem, que foi o seu
método que nos deu a nossa ideia.”
A Batalha pelo Braille
Apesar de Pignier ter promovido o braille e endereçado
cartas ao governo, o sistema não foi imediatamente
aceite. A ordem estabelecida, ditada pelas pessoas com
visão, era resistente à mudança e favorecia o uso
uniforme de um sistema de escrita. Braille tornou-se
professor no instituto aos 19 anos. Aos 26 anos, foi
diagnosticado com tuberculose, tendo passado longas
temporadas de convalescença na sua casa em Coupvray.
Entretanto, intrigas políticas na escola levaram à saída
de Pignier. O seu substituto, Pierre-Armand Dufau,
recusou peremptoriamente o uso do braille, chegando a
queimar livros e a castigar alunos apanhados a usá-lo.
Graciosamente, Braille persistiu na sua luta pela
aceitação do seu novo sistema de escrita. Uma carta que
escreveu a Johann Wilhelm Klein, fundador de uma escola
para pessoas cegas em Viena, em 1840, mostra os seus
humildes esforços de persuasão ao descrever mais uma
invenção, o decaponto, um meio para as pessoas cegas e
com visão comunicarem entre si: “Ficaria muito feliz se
os meus pequenos métodos pudessem ser úteis para os seus
alunos e se este espécimen for, a seus olhos, a prova da
elevada consideração que tenho por ser, meu senhor, o
seu respeitoso e muito humilde servo, Braille.” O
reconhecimento chegou finalmente em 1844, na inauguração
das novas instalações da escola na Boulevard des
Invalides. Por esta altura, Dufau já mudara de ideias em
relação ao braille, devido à insistência do director
adjunto, Joseph Guadet. Após um discurso sobre o sistema
de pontos em relevo, os alunos demonstraram o seu uso,
transcrevendo e lendo versos. Guadet escreveu mais
tarde: “Braille era modesto, demasiado modesto... as
pessoas à sua volta não o valorizavam… Talvez tínhamos
sido os primeiros a atribuir-lhe o seu merecido lugar
aos olhos do público, quer por termos utilizado o seu
sistema de forma mais generalizada na nossa instrução
musical ou por darmos a conhecer todo o significado da
sua invenção.”
Ligando os pontos
Louis Braille não viveu tempo suficiente para
assistir àadopção universal do braille. Morreu a 6 de
Janeiro de 1852, na companhia do seu irmão e amigos.
Nenhum jornal publicou a notícia da morte do homem a
quem Jean Roblin, o primeiro curador do Museu Louis
Braille, chamou “o apóstolo da luz”. Alunos angariaram
dinheiro para o escultor parisiense François Jouffroy
fazer um busto em mármore baseado na máscara funerária
de Braille. Em 1878, em Paris, o congresso global para
pessoas surdas e cegas propôs uma norma internacional de
braille. O braille foi oficialmente adoptado pelas
pessoas de expressão inglesa em 1932 e os esforços
pós-guerra da UNESCO unificaram adaptações na Índia, em
África e no Médio Oriente. É impossível sobrestimar o
legado profundo de Braille. No centenário da sua morte,
os feitos de Braille foram finalmente celebrados numa
homenagem nacional. O seu corpo foi exumado do cemitério
de Coupvray e transferido para o Panteão de Paris, o
local de repouso dos grandes cidadãos de França. (As
suas mãos permaneceram numa urna decorada com flores de
cerâmica na sua sepultura em Coupvray.) O desfile pelas
ruas de Paris incluiu centenas de pessoas cegas, de
braço dado, algumas com óculos escuros, batendo com
bengalas brancas nas pedras da calçada. Contudo, a luta
continua 200 anos após a invenção da escrita braille. É
uma luta para preservar não só a memória de Louis
Braille, tema de surpreendentemente poucas biografias,
como o uso do seu sistema na era digital. As crianças
com deficiência visual estão, cada vez mais, a aprender
com ecrãs e programas de áudio, mas os neurocientistas
dizem que a escrita é fundamental para o raciocínio, as
ligações cerebrais e a aprendizagem. Os benefícios
cognitivos da escrita têm uma importância fundamental.
Estudos mostraram que quando uma pessoa cega lê braille
através do tacto, o córtex visual fica iluminado.
Perante a escassez de professores de braille em todo o
mundo, a alfabetização em braille desceu a pique e o seu
próprio futuro está em perigo. Saïdi-Hamid, curadora do
Museu Louis Braille há quase 17 anos, compara a sua luta
para defender o braille com um “combate para defender a
própria inteligência”. Sublinhando a “personalidade
extraordinária” de Braille, disse Saïdi-Hamid, “ele
sempre encarou a sua deficiência como uma força e não
como uma limitação”. Tal como Braille lutou durante a
sua vida, a luta tem de continuar. Seis milhões de
pessoas usam o braille actualmente. O seu futuro está
assegurado num mundo de alta tecnologia. A escrita pode
ser facilmente convertida para formatos digitais e pode
ser lida e escrita nos ecrãs tácteis de computadores ou
tablets. Um utilizador de braille experiente consegue
ler 200 palavras por minuto (a maioria das pessoas com
visão consegue ler 250). Embora a alfabetização em
braille esteja a diminuir, será necessária para um
futuro no qual o envelhecimento da população fará
aumentar o número de pessoas cegas e com deficiência
visual. O seu poder como sistema universal que pode ser
utilizado por qualquer pessoa independentemente do seu
background linguístico, fez com que o seu criador
francês alcançasse o estatuto de herói internacional.
Artigo publicado originalmente em inglês em
nationalgeographic.com , 5 de Agosto de 2025
Calendários em Braille
nos diferentes países: Espanha, Portugal e Brasil
María García
imagem: Calendário 2026 da ACAPO
Agora que estamos a chegar ao final do ano comemorativo dos duzentos anos do
sistema Braille, e tendo acabado de receber os calendários de Portugal e do
Brasil, gostaria de aproveitar esta oportunidade para partilhar convosco como
são produzidos os calendários em Braille nos dois países europeus que me são
muito queridos: Espanha e Portugal, e no Brasil, país do qual acredito que nós,
na Europa, temos muito a aprender, tanto em geral como no mundo dos cegos em
particular. Não sei se outros países europeus também têm organizações ou
instituições dedicadas ao mundo dos cegos que produzem calendários em Braille,
mas penso que é uma iniciativa muito boa e por isso quis aproveitar o final do
ano para a partilhar com a família Braille 200.
1.º Calendário em Braille em Espanha.
É produzido há muitos anos pela Organização Nacional dos Cegos de Espanha
(Once), que o envia a todos os seus membros no início de cada ano. Até à data,
ainda não recebi o calendário de 2026, mas como geralmente não há alterações,
irei descrever o calendário produzido para o ano passado, 2025.
É um calendário relativamente grande, com cerca de meia folha de papel,
concebido para ser colocado sobre uma mesa, como acontece com muitos calendários
impressos a tinta. As páginas são encadernadas em espiral na parte superior. A
primeira linha de cada página mostra os dias da semana abreviados em Braille,
começando por segunda-feira e terminando em domingo. Nas linhas seguintes, os
números correspondentes a cada dia da semana aparecem em Braille completo (Grau
1) por baixo do dia da semana correspondente. Por exemplo, no calendário de
2026, vemos que o número 1 aparece abaixo de quinta-feira, e assim
sucessivamente. Esta informação também está escrita a tinta para que o
calendário possa ser consultado e utilizado por pessoas com visão normal.
Em cada página seguinte à página correspondente a cada mês, encontram-se algumas
reflexões ou pensamentos da ONCE. Não sei quais serão os temas deste ano, 2026,
que está a começar agora, mas normalmente são reflexões e pensamentos
relacionados com a inclusão, a integração social, as atividades desenvolvidas
pela ONCE, etc. Infelizmente, cada mês não inclui os feriados ou qualquer outra
informação que possa ter interesse. Na minha opinião, embora ache uma ótima
iniciativa da ONCE produzir um calendário em Braille, acho que é demasiado
grande e foi pensado mais para divulgar o trabalho da ONCE a pessoas videntes do
que para ser utilizado por pessoas cegas, pois, por ser um calendário de mesa,
considero-o impraticável e demasiado grande para ser consultado e manuseado
diariamente. Também acho que estas reflexões e pensamentos estão mais
direcionados para pessoas videntes do que para pessoas cegas. Seria mais
interessante incluir outro tipo de informação, como resumos ou recensões de
alguns dos livros que a ONCE gravou no último ano, ou alguma atividade ou
informação de interesse para pessoas cegas que tenham realizado. No entanto,
insisto que é uma iniciativa muito boa e, na minha opinião, muito louvável.
2.º Calendário em Braille em Portugal.
Este é o meu favorito e, na minha opinião, o melhor, mais útil e mais
interessante dos três.
É produzido pela Área de Leitura para Deficientes Visuais da Biblioteca Nacional
de Portugal, em Lisboa, uma das várias bibliotecas em Portugal que produzem
livros para cegos em formato áudio, Braille impresso, digital ou RTF.
O calendário tem aproximadamente o tamanho de um iPhone SE 2020, ou seja, é
muito pequeno, cerca de um terço de uma folha de papel, e o seu formato é como o
de um livro, com as páginas dobradas ao meio e agrafadas. Na minha opinião, isto
torna-o muito mais prático do que um calendário de secretária e permite que seja
transportado para todo o lado, para que a pessoa cega o possa consultar sempre
que desejar.
A capa indica em Braille “Calendário Civil 2026”. Na página seguinte,
encontram-se as informações de contacto do Espaço de Leitura para Deficientes
Visuais da Biblioteca Nacional de Portugal: morada, número de telefone, email,
etc.
A seguir, em cada página, a primeira linha contém as abreviaturas dos dias da
semana, tal como no calendário espanhol, com a particularidade de que em
Portugal, como veremos no calendário brasileiro, a semana começa ao domingo e
termina ao sábado. Trata-se de uma inflação do calendário criado na sua época
pelo imperador romano Teodósio. Nas linhas seguintes da página, tal como no
calendário espanhol, os números dos dias da semana estão escritos em Braille
(Grau 1), cada um abaixo do dia da semana a que corresponde.
Contudo, ao contrário do calendário espanhol, quando um dia da semana é feriado,
em vez do número do dia correspondente, aparece a letra F, indicando que se
trata de um feriado, exceto em três casos particulares que, devido à sua
importância, são indicados especificamente: Natal, indicado com um N; Domingo de
Páscoa, indicado com a letra P; e o Dia de Carnaval, que, devido à sua
importância em Portugal, é indicado com a letra C. Todos os outros feriados são
indicados com a letra F. Considero este aspeto muito importante, pois permite
aos utilizadores verificar quais os dias que são feriados em cada ano.
O calendário está escrito em sistema interpunct, pelo que no verso de cada
página existe outra página onde, pelo menos para o ano de 2026, consta a resenha
de um livro publicado em Braille pela Biblioteca Nacional de Portugal durante o
ano de 2025. Também acho isto muito interessante porque chama a atenção para
livros que talvez não tenhamos notado durante o ano, mas que possam ser do nosso
interesse.
3.º Calendário Braille no Brasil.
É produzido pelo Instituto Bengmin Constant, no Rio de Janeiro.
O seu formato e tamanho são quase idênticos aos do calendário português, embora
seja ligeiramente maior.
Tal como no calendário português, a primeira linha de cada mês mostra os dias da
semana de forma abreviada, começando pelo domingo e terminando no sábado, e as
linhas seguintes mostram os números dos dias correspondentes em Braille completo
(Grau 1). No entanto, neste caso, ao contrário do calendário português, os
feriados não são assinalados nestas linhas; em vez disso, é simplesmente
indicado o dia do mês correspondente a cada dia da semana.
Também está escrito no sistema Interponto e, neste caso, aparecem as seguintes
informações no verso de cada página: algum feriado importante para esse mês. Por
exemplo, em fevereiro, surge o Carnaval; em dezembro, o Natal; e em abril,
curiosamente, em vez da Segunda-feira de Páscoa, surge a Sexta-feira Santa. Não
entendo o porquê. Aparecem também alguns feriados celebrados no Brasil, como o
Dia dos Tiradentes, que homenageia um bandido que, por algum motivo, tem um
feriado no Brasil. Mas suponho que seja porque existem várias religiões no
Brasil e talvez esta informação seja importante para algumas delas, ou porque a
consideram especialmente importante. Após as férias, o verso de cada página
mostra o dia e a hora da lua cheia, da lua crescente e da lua minguante.
Além disso, ao contrário dos dois calendários anteriores, a última página deste
calendário mostra os dias e as horas de início de cada uma das quatro estações
do ano: inverno, primavera, verão e outono. Mas atenção, devemos ter em conta
que o Brasil está no hemisfério sul, pelo que as estações do ano e as suas datas
não coincidem com as nossas na Europa.
Por fim, o calendário inclui ainda os dados de contacto do Instituto Benjamin
Constant: endereço de e-mail e número de telefone.
Ao contrário do calendário português, este calendário não inclui qualquer
referência às atividades ou livros publicados por este instituto, o que
considero uma pena. Por isso, prefiro o calendário português, que considero o
mais completo, útil e interessante dos três, mas esta é, obviamente, apenas a
minha opinião pessoal.
Em suma, penso que a existência de calendários em Braille, nas suas diferentes
formas, é uma iniciativa maravilhosa, pelo que achei importante partilhá-la
convosco. Espero que gostem e gostaria de aproveitar esta oportunidade para
desejar a toda a família Braille 200 um Feliz Ano Novo de 2026. Que Deus nos
conceda saúde e que continuemos a trabalhar em conjunto na defesa e promoção do
Braille, mesmo depois de já ter passado o bicentenário da sua criação.
O catálogo inicial é constituído por "uma coleção nacional de 1500 títulos
disponibilizada a todas as bibliotecas da RNBP e por 25 coleções regionais
apenas acessíveis aos utilizadores em cada Rede Intermunicipal e Rede
Metropolitana de Bibliotecas
Um novo serviço das bibliotecas públicas que permite aceder gratuitamente
através de uma plataforma a livros digitais e audiolivros em todo o país fica
disponível 'online' a partir das 15h de hoje, numa iniciativa da Direção-Geral
do Livro.
Designada BiblioLED, esta biblioteca pública digital destina-se a todos os
utilizadores inscritos nas bibliotecas municipais integradas na Rede Nacional de
Bibliotecas Públicas (RNBP).
O objetivo deste novo serviço é "fomentar os hábitos de leitura, promover
serviços de qualidade nas bibliotecas municipais, promover a literacia digital e
facilitar o acesso a livros digitais e audiolivros, em complemento ao serviço
presencial já oferecido pelas 445 bibliotecas", de acordo com a Direção-Geral do
Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB).
O catálogo inicial é constituído por "uma coleção nacional de 1500 títulos
disponibilizada a todas as bibliotecas da RNBP e por 25 coleções regionais
apenas acessíveis aos utilizadores em cada Rede Intermunicipal e Rede
Metropolitana de Bibliotecas".
Os conteúdos disponíveis, em formato de livro digital e de audiolivro, com
títulos de ficção e não ficção, são maioritariamente em língua portuguesa.
O serviço vai estar permanentemente acessível - 24 horas por dia, sete dias por
semana - por meio de 'smartphones', 'tablets', leitores 'online' e 'e-readers',
a partir de qualquer lugar, sendo possível ajustar o modo de leitura,
modificando o tipo e o tamanho da letra, o espaçamento entre linhas e a cor do
fundo.
Para aceder, basta ao leitor estar inscrito numa biblioteca municipal da RNBP,
que tenha aderido ao serviço da BiblioLED.
No âmbito das comemorações do Dia Mundial do Braille (4 de janeiro), a
Associação Bengala Mágica promove, no próximo dia 5 de janeiro de 2026, uma
tertúlia dedicada à reflexão e partilha sobre a importância do Braille enquanto
ferramenta fundamental de autonomia, acessibilidade e inclusão das pessoas com
deficiência visual.
Sob o tema “Pontos de Encontro”, esta sessão reunirá utilizadores de Braille que
irão partilhar experiências e perspetivas sobre o papel deste sistema de leitura
e escrita em áreas como a educação, a saúde, a cultura e a participação cívica.
A moderação estará a cargo de Irina Francisco, membro da Direção da Associação
Bengala Mágica.
🗓 Data: 5 de janeiro de 2025
🕕 Horário: 18h00 – 20h00
💻 Formato: Online
📍 Plataforma: Zoom
Um estudo internacional inovador descobriu que indivíduos com perda
significativa da visão central são capazes de avaliar o movimento de veículos
que se aproximam com uma precisão quase equivalente à de pessoas com visão
normal. Esta investigação, que colocou participantes mais velhos com degeneração
macular relacionada à idade (DMI) em cenários de trânsito simulados em realidade
virtual, contraria algumas expectativas intuitivas sobre as limitações impostas
por esta condição ocular comum. Os resultados, recentemente publicados na
revista de acesso aberto PLOS One, sugerem que a visão residual desempenha um
papel mais crucial do que se poderia antecipar para tarefas complexas e diárias,
como a de decidir o momento seguro para atravessar uma rua.
A equipa de investigação, liderada pela Universidade Johannes Gutenberg de
Mainz, na Alemanha, em colaboração com a Universidade Rice no Texas, Estados
Unidos, e outras instituições americanas e francesas, partiu de um trabalho
anterior sobre a perceção do tempo de chegada em indivíduos com visão normal. A
psicóloga da perceção Patricia DeLucia, da Universidade Rice, explicou a
motivação: “Existem poucos estudos que analisem especificamente os julgamentos
de colisão em pessoas com deficiência visual, mesmo que tarefas como atravessar
uma rua ou navegar em ambientes movimentados dependam desta capacidade”. A
questão de fundo era perceber se, perante a deficiência visual, as pessoas
passariam a depender mais intensamente do som, e se a combinação de visão e
audição traria uma vantagem clara em relação ao uso isolado da visão.
Para responder a estas interrogações, os investigadores conceberam uma
experiência que recria, em ambiente virtual, a perspetiva de um peão perante um
veículo em aproximação. Daniel Oberfeld-Twistel, professor de Psicologia
Experimental na Universidade de Mainz, foi responsável pela implementação do som
realista do veículo no sistema. Aos participantes — um grupo com DMI em ambos os
olhos e um grupo de controlo com visão normal — foi pedido que premissem um
botão no instante exato em que acreditavam que o carro os alcançaria. A cena foi
apresentada de três formas distintas: apenas com estímulos visuais, apenas com
estímulos auditivos, ou com ambos em simultâneo. Através de estratégias
avançadas de análise de dados desenvolvidas em Mainz, a equipa conseguiu
dissecar quais os sinais percetivos, como o tamanho ótico aparente do veículo ou
a intensidade do som, que influenciavam as decisões dos participantes.
“Graças ao nosso sistema avançado de simulação audiovisual e à análise de dados
personalizada, obtivemos uma visão quase microscópica de como os peões usam
informação auditiva e visual para estimar o tempo de chegada de um veículo que
se aproxima”, afirmou Oberfeld-Twistel. “Isto vai além do que conhecíamos de
estudos anteriores”.
Os resultados revelaram-se notáveis. De forma geral, o grupo com DMI
desempenhou-se de forma muito semelhante ao grupo com visão normal na tarefa de
estimar o momento de chegada. Os investigadores notaram que, em condições
puramente visuais, os adultos mais velhos com DMI tenderam a basear-se um pouco
mais em pistas heurísticas ou pictóricas, como o tamanho aparente do veículo.
Contudo, quando tinham à sua disposição tanto a informação visual como a
auditiva, a precisão entre os dois grupos manteve-se comparável.
Surpreendentemente, não se verificou uma vantagem clara da combinação dos dois
sentidos em relação ao uso da visão isolada, mesmo para os participantes com
deficiência visual.
“Os nossos resultados indicam que mesmo uma visão central reduzida continua a
fornecer informação útil para julgar objetos em aproximação”, explicou
Oberfeld-Twistel. “As pessoas com degeneração macular relacionada à idade
continuam a beneficiar da sua visão residual em vez de dependerem apenas de
pistas auditivas”. Este dado é relevante, pois sugere que os recursos percetivos
destas pessoas podem ser mais robustos do que o senso comum supõe. No entanto, o
próprio investigador fez um importante caveat: o estudo utilizou cenários
deliberadamente simplificados, com um único veículo a aproximar-se a uma
velocidade constante.
Patricia DeLucia reforçou esta ressalva, acrescentando que “trabalhos futuros
terão, portanto, de examinar se as conclusões se mantêm em ambientes mais
complexos, por exemplo, com múltiplos veículos ou quando os veículos estão a
acelerar”. Investigação deste género pode vir a ser fundamental para orientar
desenvolvimentos nas áreas da mobilidade, reabilitação e segurança rodoviária,
ajudando a conceber espaços urbanos mais inclusivos e a definir estratégias de
treino mais eficazes para pessoas com baixa visão.
Para além das instituições já mencionadas, a equipa de investigação incluiu
colaboradores da Universidade do Iowa, da Universidade Lamar, dos Retina
Consultants of Texas, do Davies Institute for Speech and Hearing e da
Universidade de Toulouse. Este trabalho foi apoiado pelo National Eye Institute
dos National Institutes of Health dos Estados Unidos.
Pequenos gestos fazem toda a diferença para que todos possam viver esta época
com conforto, autonomia e verdadeira participação. Aqui ficam algumas dicas
práticas para familiares de pessoas com deficiência visual:
✔Sociabilização – Inclua sempre nas conversas, jogos e momentos de partilha;
✔Atividades e autonomia – Permita que participe: servir se, organizar ou
distribuir pratos são formas simples de promover independência;
✔Presentes – Diga quem ofereceu o quê e descreva cada presente, dando tempo para
explorar ao toque;
✔Descrição da mesa – Explique a disposição dos pratos e alimentos, para pessoas
com baixa visão, use contrastes na organização;
✔Orientação de espaços – Indique onde ficam WC, cozinha ou áreas externas,
usando referências claras;
✔Respeito pela autonomia – Ofereça ajuda apenas quando solicitado e valorize o
ritmo e as escolhas da pessoa.
Locais de espera, com piso diferente, e avisos sonoros frequentes tornam o
Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM) inclusivo, seguro e com condições para
pessoas cegas e com baixa visão viajarem de forma autónoma.
Numa viagem de 'metrobus' com a agência Lusa, o presidente da Associação dos
Cegos e Amblíopes de Portugal (Acapo) de Coimbra fez uma "avaliação muito
positiva" do novo sistema.
"Fazemos uma avaliação muito positiva do atual estado de desenvolvimento das
acessibilidades. Ainda há aspetos, certamente, a melhorar, mas o que já temos
hoje permite que pessoas cegas e com baixa visão se desloquem com rapidez, com
segurança, com acessibilidade neste espaço que vai já entre Serpins e a
Portagem", afirmou José Caseiro.
Desde terça-feira que o SMM liga a Portagem, em Coimbra, a Serpins, no concelho
da Lousã.
Na estação Norton de Matos, em Coimbra, a cerca de 700 metros da sede da Acapo,
o dirigente começou por assinalar que a entrada "está muito acessível", dando o
exemplo de uma grade que permite perceber que direção tomar.
"Tentaram, com sugestão nossa, por o piso mais acessível e seguro", frisou.
Nas estações, José Caseiro destacou o piso "pitonado", que permite saber a
distância do lancil do canal, e os pontos de espera, com guias direcionais,
sempre na mesma localização.
"Aguardando pelas viaturas nesse ponto, em que tem umas guias no chão, sabemos
que a porta do meio da viatura é aquela que vai ficar à nossa frente", afirmou.
Há também avisos sonoros frequentes nas estações a informar da aproximação dos
veículos.
"Dá pelo menos dois avisos: um quando faltam quatro, cinco minutos e outro mais
ou menos 30 segundos antes de a viatura chegar. E isso é muito positivo, porque
sabemos que a viatura está a aproximar-se e vamo-nos preparando", detalhou o
dirigente da Acapo.
Para Caseiro, "é positivo" o aviso sonoro dentro das viaturas a informar das
paragens, apesar de notar que "não há uma uniformização do volume de som".
"Nalgumas está relativamente baixo e, quando as viaturas forem cheias, com a sua
lotação quase máxima, será muito difícil ouvir-se o som", alertou.
Outro reparo prende-se com a dificuldade de articulação dos semáforos do SMM e
dos automóveis junto à paragem da Portagem, cujo som "é muito baixo".
"Não me sinto seguro, porque, de facto, com muito barulho, é preciso estar mesmo
em cima do semáforo, porque senão não conseguimos ouvi-lo", admitiu o dirigente,
que adiantou que a situação já foi reportada e que, julga, "vai ter uma solução
para breve".
Para Caseiro, os sinais "não podem ser todos no mesmo tom, porque depois
confunde-se".
O dirigente congratulou-se com a participação da Acapo no desenvolvimento do
sistema, com reuniões, testes e sugestões, lembrando a abertura das portas em
todas as paragens, que não estava inicialmente previsto.
"A Metro Mondego [MM] sempre recebeu e aceitou de bom grado as nossas propostas
e tenho de felicitar a empresa por esta postura de abertura, de acessibilidade e
por perceberem que, de facto, é um sistema bom para todos, para quem tem e para
quem não tem deficiência. E só assim é possível, de facto, isto evoluir e tornar
um sistema acessível, inclusivo e dentro de uma cidade também que se deseja
inclusiva", concluiu.
À Lusa, João Marrana, presidente da MM, disse que, para a empresa, o sistema de
transporte público deve ser um "elemento de inclusão social" e que o trabalho
com a Acapo foi "muito importante".
"Há um conhecimento da Acapo que, obviamente, é muito superior à de qualquer um
de nós, ou de qualquer um dos projetistas, porque lidam diariamente com pessoas
que têm essa limitação e, obviamente, que foi muito importante", afirmou.
Com as operações do SMM a iniciar, João Marrana reconheceu que "há aspetos que
certamente ainda não estão totalmente afinados".
"Há ajustamentos que certamente teremos que fazer e estamos com toda a boa
vontade e todo o empenho em fazê-los", garantiu.
A Access Lab, vencedora do Prémio Nacional de Turismo 2025, na categoria Turismo
Inclusivo, tem vindo a mudar a forma como Portugal olha para a acessibilidade,
ao transformar palcos, estádios, festivais e experiências turísticas em espaços
onde todos — mesmo todos — podem entrar.
Nasceu em plena pandemia e, em tempo de portas fechadas, abriu janelas para a
inclusão. A Access Lab, projeto que elimina barreiras físicas, sensoriais e
comunicacionais para permitir o acesso de pessoas com deficiência,
neurodivergência e surdas a experiências culturais, desportivas, turísticas e
empresariais, é hoje presença regular em alguns dos maiores eventos de cultura e
desporto do país e foi recentemente destinguido com o Prémio Nacional de Turismo
2025 na categoria de Turismo Inclusivo.
O projeto começou com uma inquietação pessoal de Tiago Fortuna, cofundador,
apaixonado por cultura, e que quis saber mais sobre processos que abrissem o
caminho à acessibilidade. “Sou uma pessoa com deficiência e queria olhar para
isto de forma profissional e sistematizada”, conta. Pelo caminho encontrou Jwana
Godinho, com quem criou a consultora que hoje trabalha para garantir o acesso de
todos a eventos onde antes não tinham lugar. “O desafio maior foi mesmo a
discriminação e o desconhecimento sobre a vida das pessoas com deficiência.
Muitas vezes não é intencional, mas a exclusão está lá”, diz.
Construir comunidade para derrubar barreiras
A missão da Access Lab não se esgota na consultoria. Passa por criar
comunidade, juntar pessoas com e sem deficiência, decisores, jornalistas e
profissionais dos setores onde intervêm. “Acredito que a salvação do mundo atual
terá a ver com o quão fortes são as nossas comunidades que trabalham pelo bem.
Queremos envolver as pessoas em registo de paridade para tentar derrubar o mais
possível de barreiras e sentimos que isso acontece nesses projetos”, explica
Tiago.
Projetos com a UEFA e a Federação Portuguesa de Futebol permitem a inclusão de
pessoas com deficiências em eventos desportivos
O impacto existe — e é visível. Em apenas três anos, a Access Lab já esteve
presente em jogos da Seleção Portuguesa, mantém trabalho contínuo com o Sporting
e com a MEO Arena e assegura acessibilidade em alguns dos maiores festivais
nacionais, como o NOS Alive ou o MEO Marés Vivas. “Ter essa abertura para
trabalhar nestes espaços é super importante e não podemos deixar de celebrar
isso”, sublinha.
Através da escuta ativa da comunidade, a consultora cria respostas
personalizadas e adaptadas como audiodescrição, adaptação para Língua Gestual
Portuguesa, salas de pausa sensorial e também soluções tecnológicas inovadoras
como o projeto Colete das Emoções no NOS Alive, que permite à comunidade surda
sentir a música através das vibrações. “Podíamos limitar-nos a tornar o espaço
físico mais inclusivo, mas o que nos distingue é não deixar nada pelo caminho.
Explicamos como se compra a experiência, como se usufrui dela, que recursos
existem e como funciona na prática”, acrescenta.
Turismo inclusivo: um caminho ainda por fazer
Quando o tema é turismo, Tiago fala sem rodeios: “Fiscalização não há. E
comunicamos mal.” Para o cofundador da Access Lab, o setor continua a comunicar
de forma conservadora, pouco aspiracional e sem representar verdadeiramente quem
viaja. “Estas pessoas existem. São 15% da população mundial. Fazem turismo como
qualquer outra pessoa — até turismo de luxo ou intercontinental.”
A receita, diz, é simples: comunicar com entusiasmo e fiscalizar melhor o que já
está regulamentado. “Faltam modelos de representatividade que também não havia
na cultura. No turismo, se trouxermos mais exemplos de pessoas com deficiência a
participar na oferta, podemos mudar um bocadinho o paradigma”.
Este ano, a Access Lab avança para novos territórios e estreia um projeto
inovador em parceria com o NOS Alive: uma aplicação baseada em Inteligência
Artificial para a comunidade com deficiência visual. Mas há mais na calha.
“Queremos explorar como a tecnologia pode melhorar a vida das pessoas com
deficiência. E, ao mesmo tempo, trabalhar educação, literacia e comunicação. Em
2026 gostaríamos de contribuir mais diretamente para o setor do turismo,
sobretudo na forma como comunica a sua oferta.”
A categoria Turismo Inclusivo distingue projetos
comprometidos em garantir que todos os turistas, independentemente de condições
físicas, sensoriais, cognitivas ou outras, possam desfrutar das riquezas
culturais e naturais de Portugal, criando experiências turísticas acessíveis,
acolhedoras e que criem memórias duradouras. São projetos que fomentam a
confiança e fidelização do consumidor, bem como a empatia com o produto, serviço
ou destino; que potenciam a inclusão dos visitantes e satisfaçam as necessidades
de diferentes públicos, independentemente das suas características e perfis; e
que permitam o acesso à experiência turística a uma maior diversidade de
públicos, com qualidade, segurança, conforto e autonomia.
Fique a conhecer os cinco finalistas na categoria Turismo Inclusivo:
Access Lab
Empresa de consultoria e serviços, dedica-se a garantir a acessibilidade de
pessoas com deficiência, neurodivergência e surdas a experiências culturais,
desportivas, turísticas e empresariais. Atua eliminando barreiras físicas,
sensoriais e comunicacionais, com soluções personalizadas como audiodescrição,
adaptação para Língua Gestual Portuguesa e salas de pausa sensorial. Através da
escuta ativa da comunidade, são criadas respostas adaptadas, que promovem
espaços inclusivos e acolhedores para todos os públicos e as suas necessidades
específicas, e que têm um efeito direto na inclusão social e na transformação do
setor cultural e turístico, alcançando milhares de pessoas por ano em eventos de
grande escala. A Access Lab contribui ainda para a capacitação de profissionais
e organizações e sensibiliza o público sobre a importância da acessibilidade.
Entre as soluções tecnológicas inovadoras já utilizadas destacam-se: o projeto
de acessibilidade no Festival Belém Soundcheck, premiado como festival mais
acessível de 2024; o Access All Areas, focado na acessibilidade no Altice Arena;
o projeto Colete das Emoções no NOS Alive, que permite à comunidade surda sentir
a música através das vibrações; e o projeto Game On com a UEFA para a Federação
Portuguesa de Futebol, que visa a inclusão de pessoas com deficiências em
eventos desportivos.
Café Joyeux
Café-restaurante solidário e inclusivo, localizado no centro de Cascais, numa
casa integralmente recuperada, forma jovens-adultos com dificuldades
intelectuais, cognitivas e de desenvolvimento, como trissomia 21 ou perturbações
do espectro do autismo, para promover a sua integração no mercado de trabalho e
oferecer formação certificada, acompanhamento personalizado e empregos dignos,
em estabelecimentos na área da restauração e hotelaria. O Café
Joyeuxdistingue-se pelo seu modelo de negócio social totalmente inclusivo, onde
o espaço é pensado de raiz para promover a autonomia de colaboradores com
necessidades especiais, incluindo equipamentos e modelo de serviço. O modelo de
negócio assenta numa base de reinvestimento de lucros, com 100% das receitas
reinvestidas na abertura de novos cafés-restaurantes e no desenvolvimento do
projeto, permitindo expandir a missão de inclusão e criar mais postos de
trabalho. Conta também com parcerias com instituições de cariz social para a
contratação destes colaboradores, aplicando um modelo sustentável do ponto de
vista económico e replicável permitindo crescimento e continuação da sua missão
social. O espaço tornou-se um ponto de encontro para a comunidade, fomentando o
espírito de solidariedade que contribui para o apoio à causa.
Festival Mais Solidário
Criado em 2022, o festival realiza-se anualmente em Castelo Branco e alia
cultura, música, inclusão e solidariedade, com o objetivo de financiar a
atividade social da Associação de Apoio Quatro Corações, uma Instituição
Particular de Solidariedade Social que ajuda pessoas e famílias em situação de
vulnerabilidade, nas áreas da saúde, alimentação, educação e habitação. Num
território de baixa densidade populacional, o Festival Mais Solidárioconta com
uma média anual de 25 a 30 mil visitantes e mais de 300 voluntários; promove a
visibilidade de instituições locais; gera impacto na restauração e hotelaria,
com lotação esgotada, e fortalece o sentido de pertença da comunidade. Ao
canalizar todas as receitas para apoiar pessoas em situação de vulnerabilidade,
já contribuiu para mais de 850 mil refeições quentes. O festival garante ainda
entrada gratuita a portadores de atestado multiusos, cria áreas específicas para
pessoas com mobilidade reduzida e integra imigrantes, refugiados e cidadãos em
situação de vulnerabilidade através da participação ativa em equipas e
representações culturais. Esta combinação de cultura, causas sociais e
envolvimento comunitário torna o evento único no panorama nacional e projeta
Castelo Branco como um destino de turismo cultural responsável e acessível.
MEO Kalorama
Festival cultural que combina música, arte e sustentabilidade, realizado no
Parque da Bela Vista, em Lisboa, valoriza a inclusão ao criar experiências
acessíveis para pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e neurodivergência.
Entre as diversas medidas de acessibilidade estão rampas regulamentadas,
plataformas elevadas, shuttles adaptados, WC inclusivos, interpretação em Língua
Gestual Portuguesa, audiodescrição e zonas de pausa sensorial. Paralelamente, o
MEO Kalorama promove a regeneração urbana e o envolvimento da comunidade local
que beneficia de formação e emprego, com atuações de artistas emergentes do
bairro e a participação na organização. Ações ambientais como plantação de
árvores e instalação de ninhos para aves, e a sustentabilidade, através da
reutilização de lonas e diminuição de resíduos, são outras dimensões centrais do
evento. O festival valoriza a economia e cultura de bairros periféricos,
reforçando a coesão social e turística da cidade. A responsabilidade social
reflete-se em doações de materiais e equipamentos a escolas e associações,
prolongando o impacto para além do festival.
Vela Solidária
Começou na associação Teia D’Impulsos, em Portimão, no Algarve, e é hoje uma
entidade autónoma que promove a integração social através do desporto, e
transforma a prática da vela numa experiência acessível e inclusiva. O projeto
Vela Solidária alargou a sua atuação em 2021 ao adaptar embarcações para pessoas
em cadeira de rodas, alterando o paradigma da prática de vela, ao conjugar
inclusão social, desporto de alto nível e sustentabilidade ambiental. Através de
programas regulares, cursos de iniciação, experiências abertas à comunidade e
formação em parceria com a Federação Portuguesa de Vela, o projeto cria
condições de participação na modalidade com igualdade e autonomia e desenvolve
capacidades sociais de pessoas com diversidade funcional. Destaca-se ainda por
promover o turismo náutico fora da época alta, reduzindo a sazonalidade, e pela
organização de eventos internacionais de referência, como o Campeonato do Mundo
de Vela Adaptada 2023, que dão visibilidade ao Algarve como destino náutico
acessível e competitivo. Possuem também parcerias com a Região de Turismo do
Algarve, o Instituto Português do Desporto e Juventude e o Município de Portimão
para promoção da adaptação de infraestruturas, quartos de hotel e acesso a
marinas. Recentemente, expandiu a abrangência territorial com parcerias em
Vilamoura e Moura para formação de atletas e treinadores.
No âmbito do projeto internacional “Move As You Are”, a Câmara Municipal de
Famalicão promove, na tarde do próximo sábado, a partir das 14h30, nas piscinas
de Ribeirão, uma ação de formação sobre atividade física para crianças e jovens
com deficiência visual.
A iniciativa, de cinco horas, é aberta ao público em geral, com especial foco
nos técnicos e profissionais da área do desporto e do desenvolvimento da
atividade física.
A inscrição é gratuita, mas obrigatória, até esta sexta-feira, através do portal
do Famalicão Desportivo (www.famalicaodesportivo.pt).
O início da formação será dedicado à apresentação do projeto internacional “Move
As You Are”, que decorreu entre 2024 e 2025, desenvolvido pelo Município de
Famalicão, em associação com a Universidade de Atenas (Grécia), a associação
Euphoria Net e a Real Eyes Sport, ambas de Itália.
A sessão vai contar com intervenções de Tiago Oliveira, vice-presidente da
Associação Nacional de Desporto para Deficiência Visual (ANDDVIS), e de Nuno
Borges, da empresa municipal GesLoures.
Esta iniciativa marca o final do “Move as You Are”, desenvolvido pelo Município
de Vila Nova de Famalicão, através do pelouro do Desporto, em parceria com
instituições internacionais. O projeto envolveu um financiamento na ordem dos 25
mil euros proveniente do fundo europeu “Erasmus + Sports” da Comissão Europeia.
Da criação do caderno pedagógico à elaboração do curso online de atividades
desportivas para crianças com deficiência visual, passando pelas mobilidades
internacionais, o “Move As You Are” teve como objetivo apoiar a inclusão social
e ultrapassar as barreiras desportivas com que se deparam as crianças com
deficiência visual.
TAGV e ACAPO assinam protocolo para promover acesso à cultura
Agência Lusa | 11 de dezembro de 2025
O Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) - em Coimbra - vai passar a
disponibilizar espetáculos com audiodescrição, no âmbito de um protocolo
assinado ontem com a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO). A
iniciativa pretende promover o acesso à cultura por parte de pessoas cegas ou
com baixa visão, reforçando o compromisso do Teatro com práticas inclusivas.
Durante a assinatura do protocolo, que teve lugar no Dia Internacional dos
Direitos Humanos, o diretor do TAGV, Sílvio Correia Santos, afirmou que o Teatro
assume “o compromisso de tornar os seus espaços e os seus conteúdos mais
inclusivos”. O documento estabelece ações de divulgação, partilha de conteúdos e
iniciativas de sensibilização para capacitar pessoas com deficiência e criar
condições mais equitativas de acesso à programação cultural.
Entre as medidas previstas está a implementação de audiodescrição em alguns
espetáculos e visitas guiadas, bem como a preparação de uma maqueta tátil que
permitirá uma exploração sensorial do espaço. O protocolo contempla ainda
descontos na compra de bilhetes e entrada gratuita para assistentes pessoais ou
acompanhantes de pessoas com deficiência visual.
Notícia completa na edição impressa e digital de 11/12/2025 do DIÁRIO AS BEIRAS