Os apoios tecnológicos para melhorar a vida das pessoas com todos os tipos de
deficiências não são novidade, mas o galopante desenvolvimento da IA veio
facilitar a criação de formas inovadoras de ajudar.
A inteligência artificial está a transformar a vida de milhões de pessoas e um
dos seus impactos mais significativos é tornar o mundo mais acessível para os
indivíduos com todos os tipos de deficiências. Esta tecnologia vai além de ser
apenas uma ferramenta: é uma solução que capacita e quebra barreiras, promovendo
a independência de formas inovadoras.
Da voz às legendas
A IA tem sido fundamental na melhoria da comunicação através de diversas
tecnologias. As ferramentas de texto-para-fala e de reconhecimento de voz
permitem que pessoas com deficiência auditiva acompanhem conversas e acedam a
conteúdos áudio em tempo real. Plataformas como o Live Transcribe da Google e os
serviços de voz da Microsoft Azure permitem fazer transcrições instantâneas de
voz. Por outro lado, assistentes virtuais como o Google Assistant e a Siri
permitem que pessoas com deficiência física controlem dispositivos e executem
tarefas sem precisar de usar as mãos.
A geração de legendas por IA também está a revolucionar a forma como o conteúdo
audiovisual é consumido, especialmente para pessoas surdas ou com dificuldades
de audição. Graças à tecnologia de reconhecimento automático de fala,
plataformas como o YouTube, o Zoom e o Teams já mostram legendas criadas em
tempo real. Ao contrário dos métodos tradicionais, a IA processa e mostra as
legendas de forma quase instantânea.
Gestos transformados em texto
Para as pessoas com deficiência visual, os leitores de ecrã e as
ferramentas de texto-para-fala (TTS) são essenciais. Aplicações como o Jaws e o
NVDA convertem texto digital em palavras faladas, permitindo aos utilizadores
navegar na Internet, ler documentos e usar aplicações com facilidade. A IA
também melhorou a capacidade destas ferramentas de compreender o contexto, e
algumas, como a Seeing AI da Microsoft, conseguem, até, descrever imagens,
objectos e o ambiente físico em tempo real.
Outra área em crescimento é a do reconhecimento da linguagem gestual: os
sistemas de visão computacional conseguem interpretar gestos das mãos,
expressões faciais e movimentos corporais, convertendo a linguagem gestual em
palavras faladas ou escritas em tempo real. Aqui, os principais recursos são o
AI-based Sign Language Interpreter (Google) e o Uni Tablet (MotionSavvy).
Ver mais além
No que diz respeito à mobilidade e à navegação, a IA está a dar ferramentas a
pessoas com deficiência visual para se movimentarem de forma mais segura e
autónoma. Soluções como o Aira e o Be My Eyes ligam os utilizadores a
assistentes remotos que fornecem orientação em tempo real através da câmara do
smartphone. Depois, equipamentos como o OrCam MyEye conseguem reconhecer
objectos, ler texto e identificar rostos.
Cientistas portugueses tornam boxe acessível a pessoas cegas, com realidade
virtual
Daniela Felício
Público,
3 de Janeiro de 2026
Protótipo do jogo de boxe em realidade virtual para pessoas cegas foi criado por
cientistas da Faculdade de Ciências de Lisboa. Equipa contou com a ajuda de
Jorge Pina, ex-campeão nacional de boxe.
Em Portugal, cerca de 3,5% da população é afectada pela incapacidade de ver, de
acordo com os Censos de 2021. Apesar de já existir alguma acessibilidade nos
transportes públicos e serviços, ainda há contextos em que estas pessoas se vêem
excluídas. Um exemplo disso são as tecnologias de realidade virtual, nas quais a
visão é o principal sentido que permite ao utilizador aceder ao mundo digital.
Para contrariar este paradigma, uma equipa de investigadores portugueses
desenvolveu uma experiência de boxe em realidade virtual adaptada para pessoas
cegas. No projecto, participou o ex-campeão nacional de boxe Jorge Pina, que
perdeu a visão em 2004 e actualmente é treinador na academia que fundou.
A Espanha liderou o esforço, unindo forças com França, Alemanha e outras nações
europeias para destacar a importância cultural e social do Braille.
Para milhões de pessoas ao redor do mundo, seis pequenos pontos podem fazer toda
a diferença. Braille, o sistema que permite que pessoas cegas e com deficiência
visual leram, escrevam e naveguem pela vida cotidiana de forma independente,
está mais próximo de ser reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da
Humanidade pela UNESCO em 2026. Isso acontece pouco antes do Dia Mundial do
Braille, em 4 de janeiro, marcando o aniversário de seu inventor, Louis Braille.
A Espanha liderou o esforço, unindo forças com França, Alemanha e outras nações
europeias para destacar a importância cultural e social do Braille. O Grupo
Social ONCE, que apoia pessoas com deficiência visual, defendeu o
reconhecimento, enfatizando que o Braille é mais do que uma ferramenta, é um
salva-vidas, uma experiência compartilhada e uma ponte para a participação na
sociedade. Para mais, é claro, confira o anúncio oficial deles pelo link a
seguir.
Neste artigo, vamos falar da tabela Braille portuguesa informatizada,
desenvolvida para seis e oito pontos, que tem significado muitos avanços no
conhecimento e aprofundamento do sistema Braille, a nível universal.
Esta tabela foi criada em 2003 por acordo entre as Comissões Braille de Portugal
e do Brasil. Pelas caraterísticas que foram tidas em conta na sua elaboração,
representa um trabalho com repercussões na compreensão dos meandros do Braille
que é muito benéfico a nível universal, transcendendo o mero âmbito lusófono.
No entanto, apesar de ter sido criada, não foi incluída em nenhum dispositivo
até ao passado mês de março de 2025, quando um académico espanhol e grande
conhecedor de tudo o que se relaciona com o sistema Braille, Iván Argote Pérez,
juntamente com um académico português de Braille, o brasileiro Tiago Casal,
decidiram rever a tabela, corrigir alguns pequenos erros que continha e, como
veremos mais adiante, acrescentar-lhe um sinal para que o seu uso fosse mais
universal e para que pudesse ser utilizada não só por todos os braillistas de
língua portuguesa, mas também por todos os cegos utilizadores de Braille de
língua espanhola.
Como Iván explica no artigo, esta tabela está atualmente disponível entre as
tabelas Liblouis, e já está presente na última versão Beta do software NVDA, mas
contactámos a Apple para a adicionar às suas tabelas disponíveis no modo de
escrita “Braille no ecrã”, utilizável tanto em Iphones como em Ipads, bem como
com várias empresas que fabricam linhas Braille: HumanWare, Orbit Research e
Hims, para que também o adicionem às tabelas presentes nos seus sistemas,
tendo-nos sido comunicado por todas elas que procederão à sua inclusão nas suas
próximas actualizações. Tentámos também contactar a Google, para que esta tabela
possa ser incluída na escrita Braille on Screen presente nos telemóveis Android,
mas infelizmente, até à data, não obtivemos qualquer resposta dessa empresa,
sendo o único contacto que temos da mesma, o link presente no seu site. Assim
sendo, se alguém tiver um melhor contacto da Google e nos quiser facultar o
mesmo, será sempre muito bem-vindo e ficaríamos muito gratos.
Sem mais demoras, deixo-lhe o artigo escrito por Iván Argote, uma das pessoas
que tornou possível que a referida mesa seja hoje, finalmente, uma realidade e
algo realmente muito útil para todos os braillistas cegos lusófonos e
hispanófonos.
O ecrã Braille computorizado português tem um elemento muito inovador, que não
foi encontrado em nenhum outro ecrã no mundo: suporta tanto um ecrã de 6 pontos
como um de 8 pontos. Os sinais são automaticamente convertidos de 6 para 8
pontos, o que permite, ao utilizar o de 6 pontos, escrever no ecrã de telefones
ou outros pequenos aparelhos.
Nota técnica: Em Braille, uma célula de 6 pontos é o formato tradicional,
consistindo em duas colunas de três pontos cada. A cela de 8 pontos acrescenta
uma linha inferior, permitindo mais combinações e facilitando a representação
direta de caracteres informáticos, como letras maiúsculas, sinais de pontuação
especiais ou símbolos técnicos.
A Tábua Portuguesa para computador, juntamente com a Tábua Braille Inglesa
Unificada, são das poucas que evitam a ambiguidade na escrita e na leitura do
Braille. Não é necessário interpretar as possibilidades, mas sabe-se sempre qual
o sinal que está a ser representado. Exemplo técnico: O sinal formado pelos
pontos 235 pode, em Braille integral espanhol ou português, representar o sinal
de mais, mas também pode representar o ponto de exclamação (aberto ou fechado).
Em espanhol existem dois sinais visuais (¿ e ?), mas em braille tradicional são
ambos representados pelo mesmo sinal, o que cria uma ambiguidade na conversão
entre tinta e braille.
Para evitar esta ambiguidade, foi desenvolvida a tabela portuguesa informatizada
de seis pontos. Está incorporada nas tabelas do sistema LibLouis desde a sua
versão 3.3.0, lançada em 3 de março de 2025. Nota técnica: O LibLouis é um
sistema livre e aberto, amplamente utilizado para traduzir texto entre escrita
Braille e tinta. É utilizado em leitores de ecrã, dispositivos Braille e
software de acessibilidade. As tabelas definem os padrões de pontos Braille que
correspondem a cada carácter ou combinação.
Antes desta data, apenas a versão de 8 pontos da tabela portuguesa para
computador existia no sistema LibLouis.
Ao incorporar a tabela de 6 pontos nesse sistema, não só foram retomados os
sinais oficiais do Braille português, como também foram introduzidos outros
sinais compatíveis. Por exemplo, o padrão livre 12456 foi atribuído ao til
espanhol “N” (Ñ).
Assim, a tabela portuguesa informatizada de seis pontos permite escrever em
português e espanhol sem mudar de tabela, garantindo que não há ambiguidade na
transcrição de tinta para Braille e vice-versa.
Para ver uma demonstração desta tabuada, visite o podcast sobre Acessibilidade
Universal, da famosa defensora do Braille María García Garmendia, no YouTube,
escrevendo https://www.youtube.com/watch?v=sTRbjXrDhpc&t=116s.
Para encontrar a ligação principal para o podcast, visite
https:youtube.com/@accesibilidaduniversalpodcast ou através de qualquer uma das
plataformas de podcast. Esperamos que goste.
Esta data convida-te a refletir sobre a
acessibilidade e a inclusão. O sistema Braille
representa autonomia, igualdade de oportunidades e
acesso à informação para as pessoas com deficiência
visual ou com baixa visão. Neste dia, podes
questionar-te sobre como a sociedade pode ser mais
inclusiva e como os pequenos ajustes fazem uma
grande diferença na vida de quem enfrenta as
barreiras invisíveis. IA/Google
Como Louis Braille revolucionou um sistema de
escrita
Mary Winston Nicklin
National Geographic Portugal
Há duas centenas de anos, o filho de um correeiro de
uma aldeia rural francesa criou um inovador método de
escrita táctil para pessoas cegas, composto por pontos
em relevo. Braille tinha apenas 15 anos.
Onde estaríamos sem a escrita? Desde as suas origens
há mais de 5.000 anos na antiga Mesopotâmia, a história
da escrita ecoa a história da humanidade. Os gregos e os
romanos criaram alfabetos únicos, os chineses
desenvolveram caracteres complexos e actualmente lemos
romances, jornais e publicações nas redes sociais. Um
alicerce da civilização humana, a escrita é fundamental
para o estado de direito e acumulação de conhecimento e
cultura. No entanto, as pessoas cegas só tiveram acesso
à escrita no século XIX.
Entre 1824 e 1825, Louis Braille criou um sistema
composto por pontos em relevo que poderiam ser lidos com
as mãos. Inicialmente ignorada, esta invenção viria a
ser adoptada universalmente no século XX, abrindo um
novo mundo de aprendizagem para as pessoas com
deficiência visual. Num discurso proferido na Sorbonne
no centenário da morte de Braille, Helen Keller disse:
“Nós, os cegos, temos uma dívida tão grande para com
Louis Braille como a humanidade para com Gutenberg.”
Mas houve precedentes. A mudança de atitude anterior ao
nascimento de Braille contribuiu para abrir o caminho
para a tolerância. A Carta sobre os Cegos, do filósofo
Denis Diderot, de 1749, defendeu que as pessoas cegas
tinham a mesma capacidade intelectual que as pessoas com
visão. As primeiras escolas para cegos abriram em França
e Inglaterra no final do século XVIII, mas o sistema de
escrita de Braille proporcionou-lhes um meio para
interagirem com textos e partituras.
Um acidente transformador
O mais novo de quatro filhos, Braille nasceu em
1809 na aldeia de Coupvray, 35 quilómetros a leste de
Paris. O seu pai, Simon-René, era correeiro, uma
profissão com elevada procura. A família vivia
confortavelmente e também cultivava vinhas para produção
de vinho. Luxos como um forno de pão podem ser
actualmente vistos na casa da família, transformada no
Museu Louis Braille na década de 1950. O ponto central
do museu é a reprodução da oficina do pai de Braille,
onde ele sofreu o acidente que viria a causar a sua
perda de visão, mudando o seu destino – e o rumo da
história. Braille era uma criança curiosa de três anos e
esgueirou-se às escondidas para a oficina, para brincar
com as ferramentas que via o pai usar. Quando tentou
fazer um furo no cabedal com um furador, a ferramenta
escorregou e furou-lhe o olho. Este ferimento horrível
causou uma infecção que se espalhou para ambos os olhos,
deixando-o cego aos cinco anos, uma vez que os
antibióticos ainda não tinham sido descobertos.
Um acidente trágico
Os seus pais, consternados, não queriam que o destino do
filho ficasse traçado numaépoca em que as pessoas com
deficiência visual eram tratadas como sub-humanas e
frequentemente ridicularizadas pela sua deficiência. Nas
ruas de França, os cegos desfilavam com trajes ridículos
ou resignavam-se a pedir esmola. O ensino público ainda
não era obrigatório em França, mas os pais de Braille
estavam cientes da importância da alfabetização. Para
ajudar o filho, Simon-René pregou pregos para desenhar
as formas das letras do alfabeto em painéis e pediu ao
abade Jacques Palluy que desse aulas a Braille. Aos sete
anos, Braille já frequentava a escola local, onde era o
único aluno cego. O seu professor ficou espantado com
sua inteligência e comportamento alegre –
características que foram admiradas pelos seus amigos de
ao longo de toda a sua vida. Alguns anos mais tarde,
Braille obteve uma bolsa de estudo para prosseguir os
seus estudos no Instituto Real para os Jovens Cegos, a
primeira escola do género e que ainda hoje funciona, sob
a designação de Instituto Nacional para os Jovens Cegos,
ou INJA. Aos 10 anos, foi o aluno mais novo do
instituto. O mais espantoso de tudo foi que a sua
família, que era tão unida, o deixou sair de casa. “A
mãe e o pai poderiam facilmente tê-lo mantido na
aldeia”, explica Farida Saïdi-Hamid, curadora do Museu
Louis Braille. “Iriam escrever o seu destino sem saber.”
O apoio da família seria uma constante para Braille e
ele regressaria a Coupvray para descansar e recarregar
baterias ao longo de toda a sua vida.
Uma oportunidade de aprendizagem
Fundado pelo educador pioneiro Valentin Haüy, o
instituto foi inovador na sua metodologia e abordagem.
Os alunos aprendiam uma variedade de temas académicos e
um ofício manual. Haüy criara uma forma de estampar
livros com letras em relevo, que as crianças conseguiam
ler com as pontas dos dedos, embora com grande
dificuldade. A escola seria a salvação e o fim de
Braille, depois foi provavelmente ali que ele contraiu a
tuberculose que acabou por matá-lo. O edifício, situado
no pólo estudantil de longa data de Paris, o Bairro
Latino, era sujo, húmido e desgastado. Até fora
utilizado como prisão durante a revolução francesa. No
entanto, apesar das más condições e dos castigos, por
vezes, severos aplicados às crianças que quebravam as
regras, Braille prosperou, fazendo amigos e alcançando a
excelência nos estudos. Os professores repararam na sua
notável inteligência e qualidade espiritual. O seu amigo
Hippolyte Coltat escreveu mais tarde: “a amizade com ele
era um dever escrupuloso, bem como um sentimento de
ternura. Ele teria sacrificado tudo por ela, o seu
tempo, a sua saúde, as suas posses.”
Ouvido para a música
A paixão de Braille pela música nasceu no instituto,
onde músicos profissionais davam aulas e os alunos,
mostrados a tocar nesta ilustração de 1903, se juntavam
à orquestra. Ele ganhou o prémio de violoncelo no seu
quinto ano, desenvolveu talento para o piano e inventou
um método táctil para ler e escrever música. Enquanto
organista, tocou em igrejas de várias paróquias,
complementando o seu parco rendimento de professor.
Momento eureka
O catalisador da invenção de Braille deu-se em 1821. O
capitão Charles Barbier, oficial de artilharia, criaria
um meio de “escrita nocturna” para o exército francês
transmitir e executar ordens sob o manto da escuridão.
Convencido do seu mérito para as pessoas cegas, Barbier
transformou este código de pontos e traços num sistema
de base fonética que apresentou aos alunos. Havia falhas
linguísticas – a sonografia reduzia a linguagem a sons,
por isso a ortografia não era exacta e não havia
pontuação –, mas Braille teve uma epifania. Um sistema
de pontos seria um método fácil e eficiente para as
pessoas com deficiência visual lerem e escreverem. Ele
passou os quatro anos seguintes a trabalhar nesse
código. No instituto, fazia directas depois de as aulas
terminarem. Mesmo quando estava de férias em Coupvray,
os aldeões diziam que viam o rapaz sentado numa colina
com um estilete e um papel na mão. Aos 15 anos,
conseguiu criar aquela que viria a tornar-se conhecida
como a escrita braille. A base do sistema eram células
de seis pontos dispostos ao longo de duas colunas e três
filas. Cada combinação de pontos em relevo representa
uma letra do alfabeto. Era elegante na sua simplicidade
e lógica. Os alunos da escola adoptaram rapidamente o
seu uso – permitido oficiosamente pelo director
François-René Pignier. Braille reconheceu humildemente a
sua dívida para com Barbier no seu livro
Processo para Escrever as Palavras, a Música e o
Cantochão por meio de Pontos, para Uso dos Cegos e
disposto para Eles, publicado em 1829: “Se
sublinhámos as vantagens do nosso método em relação ao
dele, temos de dizer, em sua homenagem, que foi o seu
método que nos deu a nossa ideia.”
A Batalha pelo Braille
Apesar de Pignier ter promovido o braille e endereçado
cartas ao governo, o sistema não foi imediatamente
aceite. A ordem estabelecida, ditada pelas pessoas com
visão, era resistente à mudança e favorecia o uso
uniforme de um sistema de escrita. Braille tornou-se
professor no instituto aos 19 anos. Aos 26 anos, foi
diagnosticado com tuberculose, tendo passado longas
temporadas de convalescença na sua casa em Coupvray.
Entretanto, intrigas políticas na escola levaram à saída
de Pignier. O seu substituto, Pierre-Armand Dufau,
recusou peremptoriamente o uso do braille, chegando a
queimar livros e a castigar alunos apanhados a usá-lo.
Graciosamente, Braille persistiu na sua luta pela
aceitação do seu novo sistema de escrita. Uma carta que
escreveu a Johann Wilhelm Klein, fundador de uma escola
para pessoas cegas em Viena, em 1840, mostra os seus
humildes esforços de persuasão ao descrever mais uma
invenção, o decaponto, um meio para as pessoas cegas e
com visão comunicarem entre si: “Ficaria muito feliz se
os meus pequenos métodos pudessem ser úteis para os seus
alunos e se este espécimen for, a seus olhos, a prova da
elevada consideração que tenho por ser, meu senhor, o
seu respeitoso e muito humilde servo, Braille.” O
reconhecimento chegou finalmente em 1844, na inauguração
das novas instalações da escola na Boulevard des
Invalides. Por esta altura, Dufau já mudara de ideias em
relação ao braille, devido à insistência do director
adjunto, Joseph Guadet. Após um discurso sobre o sistema
de pontos em relevo, os alunos demonstraram o seu uso,
transcrevendo e lendo versos. Guadet escreveu mais
tarde: “Braille era modesto, demasiado modesto... as
pessoas à sua volta não o valorizavam… Talvez tínhamos
sido os primeiros a atribuir-lhe o seu merecido lugar
aos olhos do público, quer por termos utilizado o seu
sistema de forma mais generalizada na nossa instrução
musical ou por darmos a conhecer todo o significado da
sua invenção.”
Ligando os pontos
Louis Braille não viveu tempo suficiente para
assistir àadopção universal do braille. Morreu a 6 de
Janeiro de 1852, na companhia do seu irmão e amigos.
Nenhum jornal publicou a notícia da morte do homem a
quem Jean Roblin, o primeiro curador do Museu Louis
Braille, chamou “o apóstolo da luz”. Alunos angariaram
dinheiro para o escultor parisiense François Jouffroy
fazer um busto em mármore baseado na máscara funerária
de Braille. Em 1878, em Paris, o congresso global para
pessoas surdas e cegas propôs uma norma internacional de
braille. O braille foi oficialmente adoptado pelas
pessoas de expressão inglesa em 1932 e os esforços
pós-guerra da UNESCO unificaram adaptações na Índia, em
África e no Médio Oriente. É impossível sobrestimar o
legado profundo de Braille. No centenário da sua morte,
os feitos de Braille foram finalmente celebrados numa
homenagem nacional. O seu corpo foi exumado do cemitério
de Coupvray e transferido para o Panteão de Paris, o
local de repouso dos grandes cidadãos de França. (As
suas mãos permaneceram numa urna decorada com flores de
cerâmica na sua sepultura em Coupvray.) O desfile pelas
ruas de Paris incluiu centenas de pessoas cegas, de
braço dado, algumas com óculos escuros, batendo com
bengalas brancas nas pedras da calçada. Contudo, a luta
continua 200 anos após a invenção da escrita braille. É
uma luta para preservar não só a memória de Louis
Braille, tema de surpreendentemente poucas biografias,
como o uso do seu sistema na era digital. As crianças
com deficiência visual estão, cada vez mais, a aprender
com ecrãs e programas de áudio, mas os neurocientistas
dizem que a escrita é fundamental para o raciocínio, as
ligações cerebrais e a aprendizagem. Os benefícios
cognitivos da escrita têm uma importância fundamental.
Estudos mostraram que quando uma pessoa cega lê braille
através do tacto, o córtex visual fica iluminado.
Perante a escassez de professores de braille em todo o
mundo, a alfabetização em braille desceu a pique e o seu
próprio futuro está em perigo. Saïdi-Hamid, curadora do
Museu Louis Braille há quase 17 anos, compara a sua luta
para defender o braille com um “combate para defender a
própria inteligência”. Sublinhando a “personalidade
extraordinária” de Braille, disse Saïdi-Hamid, “ele
sempre encarou a sua deficiência como uma força e não
como uma limitação”. Tal como Braille lutou durante a
sua vida, a luta tem de continuar. Seis milhões de
pessoas usam o braille actualmente. O seu futuro está
assegurado num mundo de alta tecnologia. A escrita pode
ser facilmente convertida para formatos digitais e pode
ser lida e escrita nos ecrãs tácteis de computadores ou
tablets. Um utilizador de braille experiente consegue
ler 200 palavras por minuto (a maioria das pessoas com
visão consegue ler 250). Embora a alfabetização em
braille esteja a diminuir, será necessária para um
futuro no qual o envelhecimento da população fará
aumentar o número de pessoas cegas e com deficiência
visual. O seu poder como sistema universal que pode ser
utilizado por qualquer pessoa independentemente do seu
background linguístico, fez com que o seu criador
francês alcançasse o estatuto de herói internacional.
Artigo publicado originalmente em inglês em
nationalgeographic.com , 5 de Agosto de 2025
Calendários em Braille
nos diferentes países: Espanha, Portugal e Brasil
María García
imagem: Calendário 2026 da ACAPO
Agora que estamos a chegar ao final do ano comemorativo dos duzentos anos do
sistema Braille, e tendo acabado de receber os calendários de Portugal e do
Brasil, gostaria de aproveitar esta oportunidade para partilhar convosco como
são produzidos os calendários em Braille nos dois países europeus que me são
muito queridos: Espanha e Portugal, e no Brasil, país do qual acredito que nós,
na Europa, temos muito a aprender, tanto em geral como no mundo dos cegos em
particular. Não sei se outros países europeus também têm organizações ou
instituições dedicadas ao mundo dos cegos que produzem calendários em Braille,
mas penso que é uma iniciativa muito boa e por isso quis aproveitar o final do
ano para a partilhar com a família Braille 200.
1.º Calendário em Braille em Espanha.
É produzido há muitos anos pela Organização Nacional dos Cegos de Espanha
(Once), que o envia a todos os seus membros no início de cada ano. Até à data,
ainda não recebi o calendário de 2026, mas como geralmente não há alterações,
irei descrever o calendário produzido para o ano passado, 2025.
É um calendário relativamente grande, com cerca de meia folha de papel,
concebido para ser colocado sobre uma mesa, como acontece com muitos calendários
impressos a tinta. As páginas são encadernadas em espiral na parte superior. A
primeira linha de cada página mostra os dias da semana abreviados em Braille,
começando por segunda-feira e terminando em domingo. Nas linhas seguintes, os
números correspondentes a cada dia da semana aparecem em Braille completo (Grau
1) por baixo do dia da semana correspondente. Por exemplo, no calendário de
2026, vemos que o número 1 aparece abaixo de quinta-feira, e assim
sucessivamente. Esta informação também está escrita a tinta para que o
calendário possa ser consultado e utilizado por pessoas com visão normal.
Em cada página seguinte à página correspondente a cada mês, encontram-se algumas
reflexões ou pensamentos da ONCE. Não sei quais serão os temas deste ano, 2026,
que está a começar agora, mas normalmente são reflexões e pensamentos
relacionados com a inclusão, a integração social, as atividades desenvolvidas
pela ONCE, etc. Infelizmente, cada mês não inclui os feriados ou qualquer outra
informação que possa ter interesse. Na minha opinião, embora ache uma ótima
iniciativa da ONCE produzir um calendário em Braille, acho que é demasiado
grande e foi pensado mais para divulgar o trabalho da ONCE a pessoas videntes do
que para ser utilizado por pessoas cegas, pois, por ser um calendário de mesa,
considero-o impraticável e demasiado grande para ser consultado e manuseado
diariamente. Também acho que estas reflexões e pensamentos estão mais
direcionados para pessoas videntes do que para pessoas cegas. Seria mais
interessante incluir outro tipo de informação, como resumos ou recensões de
alguns dos livros que a ONCE gravou no último ano, ou alguma atividade ou
informação de interesse para pessoas cegas que tenham realizado. No entanto,
insisto que é uma iniciativa muito boa e, na minha opinião, muito louvável.
2.º Calendário em Braille em Portugal.
Este é o meu favorito e, na minha opinião, o melhor, mais útil e mais
interessante dos três.
É produzido pela Área de Leitura para Deficientes Visuais da Biblioteca Nacional
de Portugal, em Lisboa, uma das várias bibliotecas em Portugal que produzem
livros para cegos em formato áudio, Braille impresso, digital ou RTF.
O calendário tem aproximadamente o tamanho de um iPhone SE 2020, ou seja, é
muito pequeno, cerca de um terço de uma folha de papel, e o seu formato é como o
de um livro, com as páginas dobradas ao meio e agrafadas. Na minha opinião, isto
torna-o muito mais prático do que um calendário de secretária e permite que seja
transportado para todo o lado, para que a pessoa cega o possa consultar sempre
que desejar.
A capa indica em Braille “Calendário Civil 2026”. Na página seguinte,
encontram-se as informações de contacto do Espaço de Leitura para Deficientes
Visuais da Biblioteca Nacional de Portugal: morada, número de telefone, email,
etc.
A seguir, em cada página, a primeira linha contém as abreviaturas dos dias da
semana, tal como no calendário espanhol, com a particularidade de que em
Portugal, como veremos no calendário brasileiro, a semana começa ao domingo e
termina ao sábado. Trata-se de uma inflação do calendário criado na sua época
pelo imperador romano Teodósio. Nas linhas seguintes da página, tal como no
calendário espanhol, os números dos dias da semana estão escritos em Braille
(Grau 1), cada um abaixo do dia da semana a que corresponde.
Contudo, ao contrário do calendário espanhol, quando um dia da semana é feriado,
em vez do número do dia correspondente, aparece a letra F, indicando que se
trata de um feriado, exceto em três casos particulares que, devido à sua
importância, são indicados especificamente: Natal, indicado com um N; Domingo de
Páscoa, indicado com a letra P; e o Dia de Carnaval, que, devido à sua
importância em Portugal, é indicado com a letra C. Todos os outros feriados são
indicados com a letra F. Considero este aspeto muito importante, pois permite
aos utilizadores verificar quais os dias que são feriados em cada ano.
O calendário está escrito em sistema interpunct, pelo que no verso de cada
página existe outra página onde, pelo menos para o ano de 2026, consta a resenha
de um livro publicado em Braille pela Biblioteca Nacional de Portugal durante o
ano de 2025. Também acho isto muito interessante porque chama a atenção para
livros que talvez não tenhamos notado durante o ano, mas que possam ser do nosso
interesse.
3.º Calendário Braille no Brasil.
É produzido pelo Instituto Bengmin Constant, no Rio de Janeiro.
O seu formato e tamanho são quase idênticos aos do calendário português, embora
seja ligeiramente maior.
Tal como no calendário português, a primeira linha de cada mês mostra os dias da
semana de forma abreviada, começando pelo domingo e terminando no sábado, e as
linhas seguintes mostram os números dos dias correspondentes em Braille completo
(Grau 1). No entanto, neste caso, ao contrário do calendário português, os
feriados não são assinalados nestas linhas; em vez disso, é simplesmente
indicado o dia do mês correspondente a cada dia da semana.
Também está escrito no sistema Interponto e, neste caso, aparecem as seguintes
informações no verso de cada página: algum feriado importante para esse mês. Por
exemplo, em fevereiro, surge o Carnaval; em dezembro, o Natal; e em abril,
curiosamente, em vez da Segunda-feira de Páscoa, surge a Sexta-feira Santa. Não
entendo o porquê. Aparecem também alguns feriados celebrados no Brasil, como o
Dia dos Tiradentes, que homenageia um bandido que, por algum motivo, tem um
feriado no Brasil. Mas suponho que seja porque existem várias religiões no
Brasil e talvez esta informação seja importante para algumas delas, ou porque a
consideram especialmente importante. Após as férias, o verso de cada página
mostra o dia e a hora da lua cheia, da lua crescente e da lua minguante.
Além disso, ao contrário dos dois calendários anteriores, a última página deste
calendário mostra os dias e as horas de início de cada uma das quatro estações
do ano: inverno, primavera, verão e outono. Mas atenção, devemos ter em conta
que o Brasil está no hemisfério sul, pelo que as estações do ano e as suas datas
não coincidem com as nossas na Europa.
Por fim, o calendário inclui ainda os dados de contacto do Instituto Benjamin
Constant: endereço de e-mail e número de telefone.
Ao contrário do calendário português, este calendário não inclui qualquer
referência às atividades ou livros publicados por este instituto, o que
considero uma pena. Por isso, prefiro o calendário português, que considero o
mais completo, útil e interessante dos três, mas esta é, obviamente, apenas a
minha opinião pessoal.
Em suma, penso que a existência de calendários em Braille, nas suas diferentes
formas, é uma iniciativa maravilhosa, pelo que achei importante partilhá-la
convosco. Espero que gostem e gostaria de aproveitar esta oportunidade para
desejar a toda a família Braille 200 um Feliz Ano Novo de 2026. Que Deus nos
conceda saúde e que continuemos a trabalhar em conjunto na defesa e promoção do
Braille, mesmo depois de já ter passado o bicentenário da sua criação.
O catálogo inicial é constituído por "uma coleção nacional de 1500 títulos
disponibilizada a todas as bibliotecas da RNBP e por 25 coleções regionais
apenas acessíveis aos utilizadores em cada Rede Intermunicipal e Rede
Metropolitana de Bibliotecas
Um novo serviço das bibliotecas públicas que permite aceder gratuitamente
através de uma plataforma a livros digitais e audiolivros em todo o país fica
disponível 'online' a partir das 15h de hoje, numa iniciativa da Direção-Geral
do Livro.
Designada BiblioLED, esta biblioteca pública digital destina-se a todos os
utilizadores inscritos nas bibliotecas municipais integradas na Rede Nacional de
Bibliotecas Públicas (RNBP).
O objetivo deste novo serviço é "fomentar os hábitos de leitura, promover
serviços de qualidade nas bibliotecas municipais, promover a literacia digital e
facilitar o acesso a livros digitais e audiolivros, em complemento ao serviço
presencial já oferecido pelas 445 bibliotecas", de acordo com a Direção-Geral do
Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB).
O catálogo inicial é constituído por "uma coleção nacional de 1500 títulos
disponibilizada a todas as bibliotecas da RNBP e por 25 coleções regionais
apenas acessíveis aos utilizadores em cada Rede Intermunicipal e Rede
Metropolitana de Bibliotecas".
Os conteúdos disponíveis, em formato de livro digital e de audiolivro, com
títulos de ficção e não ficção, são maioritariamente em língua portuguesa.
O serviço vai estar permanentemente acessível - 24 horas por dia, sete dias por
semana - por meio de 'smartphones', 'tablets', leitores 'online' e 'e-readers',
a partir de qualquer lugar, sendo possível ajustar o modo de leitura,
modificando o tipo e o tamanho da letra, o espaçamento entre linhas e a cor do
fundo.
Para aceder, basta ao leitor estar inscrito numa biblioteca municipal da RNBP,
que tenha aderido ao serviço da BiblioLED.
No âmbito das comemorações do Dia Mundial do Braille (4 de janeiro), a
Associação Bengala Mágica promove, no próximo dia 5 de janeiro de 2026, uma
tertúlia dedicada à reflexão e partilha sobre a importância do Braille enquanto
ferramenta fundamental de autonomia, acessibilidade e inclusão das pessoas com
deficiência visual.
Sob o tema “Pontos de Encontro”, esta sessão reunirá utilizadores de Braille que
irão partilhar experiências e perspetivas sobre o papel deste sistema de leitura
e escrita em áreas como a educação, a saúde, a cultura e a participação cívica.
A moderação estará a cargo de Irina Francisco, membro da Direção da Associação
Bengala Mágica.
🗓 Data: 5 de janeiro de 2025
🕕 Horário: 18h00 – 20h00
💻 Formato: Online
📍 Plataforma: Zoom
Um estudo internacional inovador descobriu que indivíduos com perda
significativa da visão central são capazes de avaliar o movimento de veículos
que se aproximam com uma precisão quase equivalente à de pessoas com visão
normal. Esta investigação, que colocou participantes mais velhos com degeneração
macular relacionada à idade (DMI) em cenários de trânsito simulados em realidade
virtual, contraria algumas expectativas intuitivas sobre as limitações impostas
por esta condição ocular comum. Os resultados, recentemente publicados na
revista de acesso aberto PLOS One, sugerem que a visão residual desempenha um
papel mais crucial do que se poderia antecipar para tarefas complexas e diárias,
como a de decidir o momento seguro para atravessar uma rua.
A equipa de investigação, liderada pela Universidade Johannes Gutenberg de
Mainz, na Alemanha, em colaboração com a Universidade Rice no Texas, Estados
Unidos, e outras instituições americanas e francesas, partiu de um trabalho
anterior sobre a perceção do tempo de chegada em indivíduos com visão normal. A
psicóloga da perceção Patricia DeLucia, da Universidade Rice, explicou a
motivação: “Existem poucos estudos que analisem especificamente os julgamentos
de colisão em pessoas com deficiência visual, mesmo que tarefas como atravessar
uma rua ou navegar em ambientes movimentados dependam desta capacidade”. A
questão de fundo era perceber se, perante a deficiência visual, as pessoas
passariam a depender mais intensamente do som, e se a combinação de visão e
audição traria uma vantagem clara em relação ao uso isolado da visão.
Para responder a estas interrogações, os investigadores conceberam uma
experiência que recria, em ambiente virtual, a perspetiva de um peão perante um
veículo em aproximação. Daniel Oberfeld-Twistel, professor de Psicologia
Experimental na Universidade de Mainz, foi responsável pela implementação do som
realista do veículo no sistema. Aos participantes — um grupo com DMI em ambos os
olhos e um grupo de controlo com visão normal — foi pedido que premissem um
botão no instante exato em que acreditavam que o carro os alcançaria. A cena foi
apresentada de três formas distintas: apenas com estímulos visuais, apenas com
estímulos auditivos, ou com ambos em simultâneo. Através de estratégias
avançadas de análise de dados desenvolvidas em Mainz, a equipa conseguiu
dissecar quais os sinais percetivos, como o tamanho ótico aparente do veículo ou
a intensidade do som, que influenciavam as decisões dos participantes.
“Graças ao nosso sistema avançado de simulação audiovisual e à análise de dados
personalizada, obtivemos uma visão quase microscópica de como os peões usam
informação auditiva e visual para estimar o tempo de chegada de um veículo que
se aproxima”, afirmou Oberfeld-Twistel. “Isto vai além do que conhecíamos de
estudos anteriores”.
Os resultados revelaram-se notáveis. De forma geral, o grupo com DMI
desempenhou-se de forma muito semelhante ao grupo com visão normal na tarefa de
estimar o momento de chegada. Os investigadores notaram que, em condições
puramente visuais, os adultos mais velhos com DMI tenderam a basear-se um pouco
mais em pistas heurísticas ou pictóricas, como o tamanho aparente do veículo.
Contudo, quando tinham à sua disposição tanto a informação visual como a
auditiva, a precisão entre os dois grupos manteve-se comparável.
Surpreendentemente, não se verificou uma vantagem clara da combinação dos dois
sentidos em relação ao uso da visão isolada, mesmo para os participantes com
deficiência visual.
“Os nossos resultados indicam que mesmo uma visão central reduzida continua a
fornecer informação útil para julgar objetos em aproximação”, explicou
Oberfeld-Twistel. “As pessoas com degeneração macular relacionada à idade
continuam a beneficiar da sua visão residual em vez de dependerem apenas de
pistas auditivas”. Este dado é relevante, pois sugere que os recursos percetivos
destas pessoas podem ser mais robustos do que o senso comum supõe. No entanto, o
próprio investigador fez um importante caveat: o estudo utilizou cenários
deliberadamente simplificados, com um único veículo a aproximar-se a uma
velocidade constante.
Patricia DeLucia reforçou esta ressalva, acrescentando que “trabalhos futuros
terão, portanto, de examinar se as conclusões se mantêm em ambientes mais
complexos, por exemplo, com múltiplos veículos ou quando os veículos estão a
acelerar”. Investigação deste género pode vir a ser fundamental para orientar
desenvolvimentos nas áreas da mobilidade, reabilitação e segurança rodoviária,
ajudando a conceber espaços urbanos mais inclusivos e a definir estratégias de
treino mais eficazes para pessoas com baixa visão.
Para além das instituições já mencionadas, a equipa de investigação incluiu
colaboradores da Universidade do Iowa, da Universidade Lamar, dos Retina
Consultants of Texas, do Davies Institute for Speech and Hearing e da
Universidade de Toulouse. Este trabalho foi apoiado pelo National Eye Institute
dos National Institutes of Health dos Estados Unidos.
Pequenos gestos fazem toda a diferença para que todos possam viver esta época
com conforto, autonomia e verdadeira participação. Aqui ficam algumas dicas
práticas para familiares de pessoas com deficiência visual:
✔Sociabilização – Inclua sempre nas conversas, jogos e momentos de partilha;
✔Atividades e autonomia – Permita que participe: servir se, organizar ou
distribuir pratos são formas simples de promover independência;
✔Presentes – Diga quem ofereceu o quê e descreva cada presente, dando tempo para
explorar ao toque;
✔Descrição da mesa – Explique a disposição dos pratos e alimentos, para pessoas
com baixa visão, use contrastes na organização;
✔Orientação de espaços – Indique onde ficam WC, cozinha ou áreas externas,
usando referências claras;
✔Respeito pela autonomia – Ofereça ajuda apenas quando solicitado e valorize o
ritmo e as escolhas da pessoa.
Locais de espera, com piso diferente, e avisos sonoros frequentes tornam o
Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM) inclusivo, seguro e com condições para
pessoas cegas e com baixa visão viajarem de forma autónoma.
Numa viagem de 'metrobus' com a agência Lusa, o presidente da Associação dos
Cegos e Amblíopes de Portugal (Acapo) de Coimbra fez uma "avaliação muito
positiva" do novo sistema.
"Fazemos uma avaliação muito positiva do atual estado de desenvolvimento das
acessibilidades. Ainda há aspetos, certamente, a melhorar, mas o que já temos
hoje permite que pessoas cegas e com baixa visão se desloquem com rapidez, com
segurança, com acessibilidade neste espaço que vai já entre Serpins e a
Portagem", afirmou José Caseiro.
Desde terça-feira que o SMM liga a Portagem, em Coimbra, a Serpins, no concelho
da Lousã.
Na estação Norton de Matos, em Coimbra, a cerca de 700 metros da sede da Acapo,
o dirigente começou por assinalar que a entrada "está muito acessível", dando o
exemplo de uma grade que permite perceber que direção tomar.
"Tentaram, com sugestão nossa, por o piso mais acessível e seguro", frisou.
Nas estações, José Caseiro destacou o piso "pitonado", que permite saber a
distância do lancil do canal, e os pontos de espera, com guias direcionais,
sempre na mesma localização.
"Aguardando pelas viaturas nesse ponto, em que tem umas guias no chão, sabemos
que a porta do meio da viatura é aquela que vai ficar à nossa frente", afirmou.
Há também avisos sonoros frequentes nas estações a informar da aproximação dos
veículos.
"Dá pelo menos dois avisos: um quando faltam quatro, cinco minutos e outro mais
ou menos 30 segundos antes de a viatura chegar. E isso é muito positivo, porque
sabemos que a viatura está a aproximar-se e vamo-nos preparando", detalhou o
dirigente da Acapo.
Para Caseiro, "é positivo" o aviso sonoro dentro das viaturas a informar das
paragens, apesar de notar que "não há uma uniformização do volume de som".
"Nalgumas está relativamente baixo e, quando as viaturas forem cheias, com a sua
lotação quase máxima, será muito difícil ouvir-se o som", alertou.
Outro reparo prende-se com a dificuldade de articulação dos semáforos do SMM e
dos automóveis junto à paragem da Portagem, cujo som "é muito baixo".
"Não me sinto seguro, porque, de facto, com muito barulho, é preciso estar mesmo
em cima do semáforo, porque senão não conseguimos ouvi-lo", admitiu o dirigente,
que adiantou que a situação já foi reportada e que, julga, "vai ter uma solução
para breve".
Para Caseiro, os sinais "não podem ser todos no mesmo tom, porque depois
confunde-se".
O dirigente congratulou-se com a participação da Acapo no desenvolvimento do
sistema, com reuniões, testes e sugestões, lembrando a abertura das portas em
todas as paragens, que não estava inicialmente previsto.
"A Metro Mondego [MM] sempre recebeu e aceitou de bom grado as nossas propostas
e tenho de felicitar a empresa por esta postura de abertura, de acessibilidade e
por perceberem que, de facto, é um sistema bom para todos, para quem tem e para
quem não tem deficiência. E só assim é possível, de facto, isto evoluir e tornar
um sistema acessível, inclusivo e dentro de uma cidade também que se deseja
inclusiva", concluiu.
À Lusa, João Marrana, presidente da MM, disse que, para a empresa, o sistema de
transporte público deve ser um "elemento de inclusão social" e que o trabalho
com a Acapo foi "muito importante".
"Há um conhecimento da Acapo que, obviamente, é muito superior à de qualquer um
de nós, ou de qualquer um dos projetistas, porque lidam diariamente com pessoas
que têm essa limitação e, obviamente, que foi muito importante", afirmou.
Com as operações do SMM a iniciar, João Marrana reconheceu que "há aspetos que
certamente ainda não estão totalmente afinados".
"Há ajustamentos que certamente teremos que fazer e estamos com toda a boa
vontade e todo o empenho em fazê-los", garantiu.
A Access Lab, vencedora do Prémio Nacional de Turismo 2025, na categoria Turismo
Inclusivo, tem vindo a mudar a forma como Portugal olha para a acessibilidade,
ao transformar palcos, estádios, festivais e experiências turísticas em espaços
onde todos — mesmo todos — podem entrar.
Nasceu em plena pandemia e, em tempo de portas fechadas, abriu janelas para a
inclusão. A Access Lab, projeto que elimina barreiras físicas, sensoriais e
comunicacionais para permitir o acesso de pessoas com deficiência,
neurodivergência e surdas a experiências culturais, desportivas, turísticas e
empresariais, é hoje presença regular em alguns dos maiores eventos de cultura e
desporto do país e foi recentemente destinguido com o Prémio Nacional de Turismo
2025 na categoria de Turismo Inclusivo.
O projeto começou com uma inquietação pessoal de Tiago Fortuna, cofundador,
apaixonado por cultura, e que quis saber mais sobre processos que abrissem o
caminho à acessibilidade. “Sou uma pessoa com deficiência e queria olhar para
isto de forma profissional e sistematizada”, conta. Pelo caminho encontrou Jwana
Godinho, com quem criou a consultora que hoje trabalha para garantir o acesso de
todos a eventos onde antes não tinham lugar. “O desafio maior foi mesmo a
discriminação e o desconhecimento sobre a vida das pessoas com deficiência.
Muitas vezes não é intencional, mas a exclusão está lá”, diz.
Construir comunidade para derrubar barreiras
A missão da Access Lab não se esgota na consultoria. Passa por criar
comunidade, juntar pessoas com e sem deficiência, decisores, jornalistas e
profissionais dos setores onde intervêm. “Acredito que a salvação do mundo atual
terá a ver com o quão fortes são as nossas comunidades que trabalham pelo bem.
Queremos envolver as pessoas em registo de paridade para tentar derrubar o mais
possível de barreiras e sentimos que isso acontece nesses projetos”, explica
Tiago.
Projetos com a UEFA e a Federação Portuguesa de Futebol permitem a inclusão de
pessoas com deficiências em eventos desportivos
O impacto existe — e é visível. Em apenas três anos, a Access Lab já esteve
presente em jogos da Seleção Portuguesa, mantém trabalho contínuo com o Sporting
e com a MEO Arena e assegura acessibilidade em alguns dos maiores festivais
nacionais, como o NOS Alive ou o MEO Marés Vivas. “Ter essa abertura para
trabalhar nestes espaços é super importante e não podemos deixar de celebrar
isso”, sublinha.
Através da escuta ativa da comunidade, a consultora cria respostas
personalizadas e adaptadas como audiodescrição, adaptação para Língua Gestual
Portuguesa, salas de pausa sensorial e também soluções tecnológicas inovadoras
como o projeto Colete das Emoções no NOS Alive, que permite à comunidade surda
sentir a música através das vibrações. “Podíamos limitar-nos a tornar o espaço
físico mais inclusivo, mas o que nos distingue é não deixar nada pelo caminho.
Explicamos como se compra a experiência, como se usufrui dela, que recursos
existem e como funciona na prática”, acrescenta.
Turismo inclusivo: um caminho ainda por fazer
Quando o tema é turismo, Tiago fala sem rodeios: “Fiscalização não há. E
comunicamos mal.” Para o cofundador da Access Lab, o setor continua a comunicar
de forma conservadora, pouco aspiracional e sem representar verdadeiramente quem
viaja. “Estas pessoas existem. São 15% da população mundial. Fazem turismo como
qualquer outra pessoa — até turismo de luxo ou intercontinental.”
A receita, diz, é simples: comunicar com entusiasmo e fiscalizar melhor o que já
está regulamentado. “Faltam modelos de representatividade que também não havia
na cultura. No turismo, se trouxermos mais exemplos de pessoas com deficiência a
participar na oferta, podemos mudar um bocadinho o paradigma”.
Este ano, a Access Lab avança para novos territórios e estreia um projeto
inovador em parceria com o NOS Alive: uma aplicação baseada em Inteligência
Artificial para a comunidade com deficiência visual. Mas há mais na calha.
“Queremos explorar como a tecnologia pode melhorar a vida das pessoas com
deficiência. E, ao mesmo tempo, trabalhar educação, literacia e comunicação. Em
2026 gostaríamos de contribuir mais diretamente para o setor do turismo,
sobretudo na forma como comunica a sua oferta.”
A categoria Turismo Inclusivo distingue projetos
comprometidos em garantir que todos os turistas, independentemente de condições
físicas, sensoriais, cognitivas ou outras, possam desfrutar das riquezas
culturais e naturais de Portugal, criando experiências turísticas acessíveis,
acolhedoras e que criem memórias duradouras. São projetos que fomentam a
confiança e fidelização do consumidor, bem como a empatia com o produto, serviço
ou destino; que potenciam a inclusão dos visitantes e satisfaçam as necessidades
de diferentes públicos, independentemente das suas características e perfis; e
que permitam o acesso à experiência turística a uma maior diversidade de
públicos, com qualidade, segurança, conforto e autonomia.
Fique a conhecer os cinco finalistas na categoria Turismo Inclusivo:
Access Lab
Empresa de consultoria e serviços, dedica-se a garantir a acessibilidade de
pessoas com deficiência, neurodivergência e surdas a experiências culturais,
desportivas, turísticas e empresariais. Atua eliminando barreiras físicas,
sensoriais e comunicacionais, com soluções personalizadas como audiodescrição,
adaptação para Língua Gestual Portuguesa e salas de pausa sensorial. Através da
escuta ativa da comunidade, são criadas respostas adaptadas, que promovem
espaços inclusivos e acolhedores para todos os públicos e as suas necessidades
específicas, e que têm um efeito direto na inclusão social e na transformação do
setor cultural e turístico, alcançando milhares de pessoas por ano em eventos de
grande escala. A Access Lab contribui ainda para a capacitação de profissionais
e organizações e sensibiliza o público sobre a importância da acessibilidade.
Entre as soluções tecnológicas inovadoras já utilizadas destacam-se: o projeto
de acessibilidade no Festival Belém Soundcheck, premiado como festival mais
acessível de 2024; o Access All Areas, focado na acessibilidade no Altice Arena;
o projeto Colete das Emoções no NOS Alive, que permite à comunidade surda sentir
a música através das vibrações; e o projeto Game On com a UEFA para a Federação
Portuguesa de Futebol, que visa a inclusão de pessoas com deficiências em
eventos desportivos.
Café Joyeux
Café-restaurante solidário e inclusivo, localizado no centro de Cascais, numa
casa integralmente recuperada, forma jovens-adultos com dificuldades
intelectuais, cognitivas e de desenvolvimento, como trissomia 21 ou perturbações
do espectro do autismo, para promover a sua integração no mercado de trabalho e
oferecer formação certificada, acompanhamento personalizado e empregos dignos,
em estabelecimentos na área da restauração e hotelaria. O Café
Joyeuxdistingue-se pelo seu modelo de negócio social totalmente inclusivo, onde
o espaço é pensado de raiz para promover a autonomia de colaboradores com
necessidades especiais, incluindo equipamentos e modelo de serviço. O modelo de
negócio assenta numa base de reinvestimento de lucros, com 100% das receitas
reinvestidas na abertura de novos cafés-restaurantes e no desenvolvimento do
projeto, permitindo expandir a missão de inclusão e criar mais postos de
trabalho. Conta também com parcerias com instituições de cariz social para a
contratação destes colaboradores, aplicando um modelo sustentável do ponto de
vista económico e replicável permitindo crescimento e continuação da sua missão
social. O espaço tornou-se um ponto de encontro para a comunidade, fomentando o
espírito de solidariedade que contribui para o apoio à causa.
Festival Mais Solidário
Criado em 2022, o festival realiza-se anualmente em Castelo Branco e alia
cultura, música, inclusão e solidariedade, com o objetivo de financiar a
atividade social da Associação de Apoio Quatro Corações, uma Instituição
Particular de Solidariedade Social que ajuda pessoas e famílias em situação de
vulnerabilidade, nas áreas da saúde, alimentação, educação e habitação. Num
território de baixa densidade populacional, o Festival Mais Solidárioconta com
uma média anual de 25 a 30 mil visitantes e mais de 300 voluntários; promove a
visibilidade de instituições locais; gera impacto na restauração e hotelaria,
com lotação esgotada, e fortalece o sentido de pertença da comunidade. Ao
canalizar todas as receitas para apoiar pessoas em situação de vulnerabilidade,
já contribuiu para mais de 850 mil refeições quentes. O festival garante ainda
entrada gratuita a portadores de atestado multiusos, cria áreas específicas para
pessoas com mobilidade reduzida e integra imigrantes, refugiados e cidadãos em
situação de vulnerabilidade através da participação ativa em equipas e
representações culturais. Esta combinação de cultura, causas sociais e
envolvimento comunitário torna o evento único no panorama nacional e projeta
Castelo Branco como um destino de turismo cultural responsável e acessível.
MEO Kalorama
Festival cultural que combina música, arte e sustentabilidade, realizado no
Parque da Bela Vista, em Lisboa, valoriza a inclusão ao criar experiências
acessíveis para pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e neurodivergência.
Entre as diversas medidas de acessibilidade estão rampas regulamentadas,
plataformas elevadas, shuttles adaptados, WC inclusivos, interpretação em Língua
Gestual Portuguesa, audiodescrição e zonas de pausa sensorial. Paralelamente, o
MEO Kalorama promove a regeneração urbana e o envolvimento da comunidade local
que beneficia de formação e emprego, com atuações de artistas emergentes do
bairro e a participação na organização. Ações ambientais como plantação de
árvores e instalação de ninhos para aves, e a sustentabilidade, através da
reutilização de lonas e diminuição de resíduos, são outras dimensões centrais do
evento. O festival valoriza a economia e cultura de bairros periféricos,
reforçando a coesão social e turística da cidade. A responsabilidade social
reflete-se em doações de materiais e equipamentos a escolas e associações,
prolongando o impacto para além do festival.
Vela Solidária
Começou na associação Teia D’Impulsos, em Portimão, no Algarve, e é hoje uma
entidade autónoma que promove a integração social através do desporto, e
transforma a prática da vela numa experiência acessível e inclusiva. O projeto
Vela Solidária alargou a sua atuação em 2021 ao adaptar embarcações para pessoas
em cadeira de rodas, alterando o paradigma da prática de vela, ao conjugar
inclusão social, desporto de alto nível e sustentabilidade ambiental. Através de
programas regulares, cursos de iniciação, experiências abertas à comunidade e
formação em parceria com a Federação Portuguesa de Vela, o projeto cria
condições de participação na modalidade com igualdade e autonomia e desenvolve
capacidades sociais de pessoas com diversidade funcional. Destaca-se ainda por
promover o turismo náutico fora da época alta, reduzindo a sazonalidade, e pela
organização de eventos internacionais de referência, como o Campeonato do Mundo
de Vela Adaptada 2023, que dão visibilidade ao Algarve como destino náutico
acessível e competitivo. Possuem também parcerias com a Região de Turismo do
Algarve, o Instituto Português do Desporto e Juventude e o Município de Portimão
para promoção da adaptação de infraestruturas, quartos de hotel e acesso a
marinas. Recentemente, expandiu a abrangência territorial com parcerias em
Vilamoura e Moura para formação de atletas e treinadores.
No âmbito do projeto internacional “Move As You Are”, a Câmara Municipal de
Famalicão promove, na tarde do próximo sábado, a partir das 14h30, nas piscinas
de Ribeirão, uma ação de formação sobre atividade física para crianças e jovens
com deficiência visual.
A iniciativa, de cinco horas, é aberta ao público em geral, com especial foco
nos técnicos e profissionais da área do desporto e do desenvolvimento da
atividade física.
A inscrição é gratuita, mas obrigatória, até esta sexta-feira, através do portal
do Famalicão Desportivo (www.famalicaodesportivo.pt).
O início da formação será dedicado à apresentação do projeto internacional “Move
As You Are”, que decorreu entre 2024 e 2025, desenvolvido pelo Município de
Famalicão, em associação com a Universidade de Atenas (Grécia), a associação
Euphoria Net e a Real Eyes Sport, ambas de Itália.
A sessão vai contar com intervenções de Tiago Oliveira, vice-presidente da
Associação Nacional de Desporto para Deficiência Visual (ANDDVIS), e de Nuno
Borges, da empresa municipal GesLoures.
Esta iniciativa marca o final do “Move as You Are”, desenvolvido pelo Município
de Vila Nova de Famalicão, através do pelouro do Desporto, em parceria com
instituições internacionais. O projeto envolveu um financiamento na ordem dos 25
mil euros proveniente do fundo europeu “Erasmus + Sports” da Comissão Europeia.
Da criação do caderno pedagógico à elaboração do curso online de atividades
desportivas para crianças com deficiência visual, passando pelas mobilidades
internacionais, o “Move As You Are” teve como objetivo apoiar a inclusão social
e ultrapassar as barreiras desportivas com que se deparam as crianças com
deficiência visual.
TAGV e ACAPO assinam protocolo para promover acesso à cultura
Agência Lusa | 11 de dezembro de 2025
O Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) - em Coimbra - vai passar a
disponibilizar espetáculos com audiodescrição, no âmbito de um protocolo
assinado ontem com a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO). A
iniciativa pretende promover o acesso à cultura por parte de pessoas cegas ou
com baixa visão, reforçando o compromisso do Teatro com práticas inclusivas.
Durante a assinatura do protocolo, que teve lugar no Dia Internacional dos
Direitos Humanos, o diretor do TAGV, Sílvio Correia Santos, afirmou que o Teatro
assume “o compromisso de tornar os seus espaços e os seus conteúdos mais
inclusivos”. O documento estabelece ações de divulgação, partilha de conteúdos e
iniciativas de sensibilização para capacitar pessoas com deficiência e criar
condições mais equitativas de acesso à programação cultural.
Entre as medidas previstas está a implementação de audiodescrição em alguns
espetáculos e visitas guiadas, bem como a preparação de uma maqueta tátil que
permitirá uma exploração sensorial do espaço. O protocolo contempla ainda
descontos na compra de bilhetes e entrada gratuita para assistentes pessoais ou
acompanhantes de pessoas com deficiência visual.
Notícia completa na edição impressa e digital de 11/12/2025 do DIÁRIO AS BEIRAS