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 SOBRE A DEFICIÊNCIA VISUAL

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IA para Pessoas com Deficiência

Pedro Tróia
PCGuia, 13 de Janeiro, 2026

Os apoios tecnológicos para melhorar a vida das pessoas com todos os tipos de deficiências não são novidade, mas o galopante desenvolvimento da IA veio facilitar a criação de formas inovadoras de ajudar.

A inteligência artificial está a transformar a vida de milhões de pessoas e um dos seus impactos mais significativos é tornar o mundo mais acessível para os indivíduos com todos os tipos de deficiências. Esta tecnologia vai além de ser apenas uma ferramenta: é uma solução que capacita e quebra barreiras, promovendo a independência de formas inovadoras.

Da voz às legendas
A IA tem sido fundamental na melhoria da comunicação através de diversas tecnologias. As ferramentas de texto-para-fala e de reconhecimento de voz permitem que pessoas com deficiência auditiva acompanhem conversas e acedam a conteúdos áudio em tempo real. Plataformas como o Live Transcribe da Google e os serviços de voz da Microsoft Azure permitem fazer transcrições instantâneas de voz. Por outro lado, assistentes virtuais como o Google Assistant e a Siri permitem que pessoas com deficiência física controlem dispositivos e executem tarefas sem precisar de usar as mãos.

A geração de legendas por IA também está a revolucionar a forma como o conteúdo audiovisual é consumido, especialmente para pessoas surdas ou com dificuldades de audição. Graças à tecnologia de reconhecimento automático de fala, plataformas como o YouTube, o Zoom e o Teams já mostram legendas criadas em tempo real. Ao contrário dos métodos tradicionais, a IA processa e mostra as legendas de forma quase instantânea.

Gestos transformados em texto
Para as pessoas com deficiência visual, os leitores de ecrã e as ferramentas de texto-para-fala (TTS) são essenciais. Aplicações como o Jaws e o NVDA convertem texto digital em palavras faladas, permitindo aos utilizadores navegar na Internet, ler documentos e usar aplicações com facilidade. A IA também melhorou a capacidade destas ferramentas de compreender o contexto, e algumas, como a Seeing AI da Microsoft, conseguem, até, descrever imagens, objectos e o ambiente físico em tempo real.

Outra área em crescimento é a do reconhecimento da linguagem gestual: os sistemas de visão computacional conseguem interpretar gestos das mãos, expressões faciais e movimentos corporais, convertendo a linguagem gestual em palavras faladas ou escritas em tempo real. Aqui, os principais recursos são o AI-based Sign Language Interpreter (Google) e o Uni Tablet (MotionSavvy).

Ver mais além
No que diz respeito à mobilidade e à navegação, a IA está a dar ferramentas a pessoas com deficiência visual para se movimentarem de forma mais segura e autónoma. Soluções como o Aira e o Be My Eyes ligam os utilizadores a assistentes remotos que fornecem orientação em tempo real através da câmara do smartphone. Depois, equipamentos como o OrCam MyEye conseguem reconhecer objectos, ler texto e identificar rostos.

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MJA | 13.Jan.2026


 

Cientistas portugueses tornam boxe acessível a pessoas cegas, com realidade virtual

Daniela Felício
Público, 3 de Janeiro de 2026

Protótipo do jogo de boxe em realidade virtual para pessoas cegas foi criado por cientistas da Faculdade de Ciências de Lisboa. Equipa contou com a ajuda de Jorge Pina, ex-campeão nacional de boxe.

Em Portugal, cerca de 3,5% da população é afectada pela incapacidade de ver, de acordo com os Censos de 2021. Apesar de já existir alguma acessibilidade nos transportes públicos e serviços, ainda há contextos em que estas pessoas se vêem excluídas. Um exemplo disso são as tecnologias de realidade virtual, nas quais a visão é o principal sentido que permite ao utilizador aceder ao mundo digital. Para contrariar este paradigma, uma equipa de investigadores portugueses desenvolveu uma experiência de boxe em realidade virtual adaptada para pessoas cegas. No projecto, participou o ex-campeão nacional de boxe Jorge Pina, que perdeu a visão em 2004 e actualmente é treinador na academia que fundou.


fonte: https://www.publico.pt/2026/01/03/

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MJA | 12.Jan.2026



Braille mais próximo para se tornar Património Cultural Imaterial da UNESCO em 2026

Óscar Ontañón Docal
Game Reactor, 2026-01-02

A Espanha liderou o esforço, unindo forças com França, Alemanha e outras nações europeias para destacar a importância cultural e social do Braille.

Para milhões de pessoas ao redor do mundo, seis pequenos pontos podem fazer toda a diferença. Braille, o sistema que permite que pessoas cegas e com deficiência visual leram, escrevam e naveguem pela vida cotidiana de forma independente, está mais próximo de ser reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2026. Isso acontece pouco antes do Dia Mundial do Braille, em 4 de janeiro, marcando o aniversário de seu inventor, Louis Braille.

A Espanha liderou o esforço, unindo forças com França, Alemanha e outras nações europeias para destacar a importância cultural e social do Braille. O Grupo Social ONCE, que apoia pessoas com deficiência visual, defendeu o reconhecimento, enfatizando que o Braille é mais do que uma ferramenta, é um salva-vidas, uma experiência compartilhada e uma ponte para a participação na sociedade. Para mais, é claro, confira o anúncio oficial deles pelo link a seguir.

Go! LINK

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MJA | 7.Jan.2026


 

Uma Tabela Braille Que Evita Ambiguidades e Une as Línguas

Braille 200

Neste artigo, vamos falar da tabela Braille portuguesa informatizada, desenvolvida para seis e oito pontos, que tem significado muitos avanços no conhecimento e aprofundamento do sistema Braille, a nível universal.

Esta tabela foi criada em 2003 por acordo entre as Comissões Braille de Portugal e do Brasil. Pelas caraterísticas que foram tidas em conta na sua elaboração, representa um trabalho com repercussões na compreensão dos meandros do Braille que é muito benéfico a nível universal, transcendendo o mero âmbito lusófono.

No entanto, apesar de ter sido criada, não foi incluída em nenhum dispositivo até ao passado mês de março de 2025, quando um académico espanhol e grande conhecedor de tudo o que se relaciona com o sistema Braille, Iván Argote Pérez, juntamente com um académico português de Braille, o brasileiro Tiago Casal, decidiram rever a tabela, corrigir alguns pequenos erros que continha e, como veremos mais adiante, acrescentar-lhe um sinal para que o seu uso fosse mais universal e para que pudesse ser utilizada não só por todos os braillistas de língua portuguesa, mas também por todos os cegos utilizadores de Braille de língua espanhola.

Como Iván explica no artigo, esta tabela está atualmente disponível entre as tabelas Liblouis, e já está presente na última versão Beta do software NVDA, mas contactámos a Apple para a adicionar às suas tabelas disponíveis no modo de escrita “Braille no ecrã”, utilizável tanto em Iphones como em Ipads, bem como com várias empresas que fabricam linhas Braille: HumanWare, Orbit Research e Hims, para que também o adicionem às tabelas presentes nos seus sistemas, tendo-nos sido comunicado por todas elas que procederão à sua inclusão nas suas próximas actualizações. Tentámos também contactar a Google, para que esta tabela possa ser incluída na escrita Braille on Screen presente nos telemóveis Android, mas infelizmente, até à data, não obtivemos qualquer resposta dessa empresa, sendo o único contacto que temos da mesma, o link presente no seu site. Assim sendo, se alguém tiver um melhor contacto da Google e nos quiser facultar o mesmo, será sempre muito bem-vindo e ficaríamos muito gratos.

Sem mais demoras, deixo-lhe o artigo escrito por Iván Argote, uma das pessoas que tornou possível que a referida mesa seja hoje, finalmente, uma realidade e algo realmente muito útil para todos os braillistas cegos lusófonos e hispanófonos.

O ecrã Braille computorizado português tem um elemento muito inovador, que não foi encontrado em nenhum outro ecrã no mundo: suporta tanto um ecrã de 6 pontos como um de 8 pontos. Os sinais são automaticamente convertidos de 6 para 8 pontos, o que permite, ao utilizar o de 6 pontos, escrever no ecrã de telefones ou outros pequenos aparelhos.

Nota técnica: Em Braille, uma célula de 6 pontos é o formato tradicional, consistindo em duas colunas de três pontos cada. A cela de 8 pontos acrescenta uma linha inferior, permitindo mais combinações e facilitando a representação direta de caracteres informáticos, como letras maiúsculas, sinais de pontuação especiais ou símbolos técnicos.

A Tábua Portuguesa para computador, juntamente com a Tábua Braille Inglesa Unificada, são das poucas que evitam a ambiguidade na escrita e na leitura do Braille. Não é necessário interpretar as possibilidades, mas sabe-se sempre qual o sinal que está a ser representado. Exemplo técnico: O sinal formado pelos pontos 235 pode, em Braille integral espanhol ou português, representar o sinal de mais, mas também pode representar o ponto de exclamação (aberto ou fechado). Em espanhol existem dois sinais visuais (¿ e ?), mas em braille tradicional são ambos representados pelo mesmo sinal, o que cria uma ambiguidade na conversão entre tinta e braille.

Para evitar esta ambiguidade, foi desenvolvida a tabela portuguesa informatizada de seis pontos. Está incorporada nas tabelas do sistema LibLouis desde a sua versão 3.3.0, lançada em 3 de março de 2025. Nota técnica: O LibLouis é um sistema livre e aberto, amplamente utilizado para traduzir texto entre escrita Braille e tinta. É utilizado em leitores de ecrã, dispositivos Braille e software de acessibilidade. As tabelas definem os padrões de pontos Braille que correspondem a cada carácter ou combinação.

Antes desta data, apenas a versão de 8 pontos da tabela portuguesa para computador existia no sistema LibLouis.

Ao incorporar a tabela de 6 pontos nesse sistema, não só foram retomados os sinais oficiais do Braille português, como também foram introduzidos outros sinais compatíveis. Por exemplo, o padrão livre 12456 foi atribuído ao til espanhol “N” (Ñ).

Assim, a tabela portuguesa informatizada de seis pontos permite escrever em português e espanhol sem mudar de tabela, garantindo que não há ambiguidade na transcrição de tinta para Braille e vice-versa.

Para ver uma demonstração desta tabuada, visite o podcast sobre Acessibilidade Universal, da famosa defensora do Braille María García Garmendia, no YouTube, escrevendo https://www.youtube.com/watch?v=sTRbjXrDhpc&t=116s.

Para encontrar a ligação principal para o podcast, visite https:youtube.com/@accesibilidaduniversalpodcast ou através de qualquer uma das plataformas de podcast.
Esperamos que goste.

in https://www.livingbraille.eu/a-big-step-for-portugal/  | 25/04/2025

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MJA | 5.Jan.2026


 

4 de Janeiro: Dia Mundial do Braille

Esta data convida-te a refletir sobre a acessibilidade e a inclusão. O sistema Braille representa autonomia, igualdade de oportunidades e acesso à informação para as pessoas com deficiência visual ou com baixa visão. Neste dia, podes questionar-te sobre como a sociedade pode ser mais inclusiva e como os pequenos ajustes fazem uma grande diferença na vida de quem enfrenta as barreiras invisíveis. IA/Google
 

Como Louis Braille revolucionou um sistema de escrita

Mary Winston Nicklin
National Geographic Portugal

Há duas centenas de anos, o filho de um correeiro de uma aldeia rural francesa criou um inovador método de escrita táctil para pessoas cegas, composto por pontos em relevo. Braille tinha apenas 15 anos.

Onde estaríamos sem a escrita? Desde as suas origens há mais de 5.000 anos na antiga Mesopotâmia, a história da escrita ecoa a história da humanidade. Os gregos e os romanos criaram alfabetos únicos, os chineses desenvolveram caracteres complexos e actualmente lemos romances, jornais e publicações nas redes sociais. Um alicerce da civilização humana, a escrita é fundamental para o estado de direito e acumulação de conhecimento e cultura. No entanto, as pessoas cegas só tiveram acesso à escrita no século XIX.

Entre 1824 e 1825, Louis Braille criou um sistema composto por pontos em relevo que poderiam ser lidos com as mãos. Inicialmente ignorada, esta invenção viria a ser adoptada universalmente no século XX, abrindo um novo mundo de aprendizagem para as pessoas com deficiência visual. Num discurso proferido na Sorbonne no centenário da morte de Braille, Helen Keller disse: “Nós, os cegos, temos uma dívida tão grande para com Louis Braille como a humanidade para com Gutenberg.”

Mas houve precedentes. A mudança de atitude anterior ao nascimento de Braille contribuiu para abrir o caminho para a tolerância. A Carta sobre os Cegos, do filósofo Denis Diderot, de 1749, defendeu que as pessoas cegas tinham a mesma capacidade intelectual que as pessoas com visão. As primeiras escolas para cegos abriram em França e Inglaterra no final do século XVIII, mas o sistema de escrita de Braille proporcionou-lhes um meio para interagirem com textos e partituras.

Um acidente transformador
O mais novo de quatro filhos, Braille nasceu em 1809 na aldeia de Coupvray, 35 quilómetros a leste de Paris. O seu pai, Simon-René, era correeiro, uma profissão com elevada procura. A família vivia confortavelmente e também cultivava vinhas para produção de vinho. Luxos como um forno de pão podem ser actualmente vistos na casa da família, transformada no Museu Louis Braille na década de 1950. O ponto central do museu é a reprodução da oficina do pai de Braille, onde ele sofreu o acidente que viria a causar a sua perda de visão, mudando o seu destino – e o rumo da história. Braille era uma criança curiosa de três anos e esgueirou-se às escondidas para a oficina, para brincar com as ferramentas que via o pai usar. Quando tentou fazer um furo no cabedal com um furador, a ferramenta escorregou e furou-lhe o olho. Este ferimento horrível causou uma infecção que se espalhou para ambos os olhos, deixando-o cego aos cinco anos, uma vez que os antibióticos ainda não tinham sido descobertos.

Um acidente trágico
Os seus pais, consternados, não queriam que o destino do filho ficasse traçado numaépoca em que as pessoas com deficiência visual eram tratadas como sub-humanas e frequentemente ridicularizadas pela sua deficiência. Nas ruas de França, os cegos desfilavam com trajes ridículos ou resignavam-se a pedir esmola. O ensino público ainda não era obrigatório em França, mas os pais de Braille estavam cientes da importância da alfabetização. Para ajudar o filho, Simon-René pregou pregos para desenhar as formas das letras do alfabeto em painéis e pediu ao abade Jacques Palluy que desse aulas a Braille. Aos sete anos, Braille já frequentava a escola local, onde era o único aluno cego. O seu professor ficou espantado com sua inteligência e comportamento alegre – características que foram admiradas pelos seus amigos de ao longo de toda a sua vida. Alguns anos mais tarde, Braille obteve uma bolsa de estudo para prosseguir os seus estudos no Instituto Real para os Jovens Cegos, a primeira escola do género e que ainda hoje funciona, sob a designação de Instituto Nacional para os Jovens Cegos, ou INJA. Aos 10 anos, foi o aluno mais novo do instituto. O mais espantoso de tudo foi que a sua família, que era tão unida, o deixou sair de casa. “A mãe e o pai poderiam facilmente tê-lo mantido na aldeia”, explica Farida Saïdi-Hamid, curadora do Museu Louis Braille. “Iriam escrever o seu destino sem saber.” O apoio da família seria uma constante para Braille e ele regressaria a Coupvray para descansar e recarregar baterias ao longo de toda a sua vida.

Uma oportunidade de aprendizagem
Fundado pelo educador pioneiro Valentin Haüy, o instituto foi inovador na sua metodologia e abordagem. Os alunos aprendiam uma variedade de temas académicos e um ofício manual. Haüy criara uma forma de estampar livros com letras em relevo, que as crianças conseguiam ler com as pontas dos dedos, embora com grande dificuldade. A escola seria a salvação e o fim de Braille, depois foi provavelmente ali que ele contraiu a tuberculose que acabou por matá-lo. O edifício, situado no pólo estudantil de longa data de Paris, o Bairro Latino, era sujo, húmido e desgastado. Até fora utilizado como prisão durante a revolução francesa. No entanto, apesar das más condições e dos castigos, por vezes, severos aplicados às crianças que quebravam as regras, Braille prosperou, fazendo amigos e alcançando a excelência nos estudos. Os professores repararam na sua notável inteligência e qualidade espiritual. O seu amigo Hippolyte Coltat escreveu mais tarde: “a amizade com ele era um dever escrupuloso, bem como um sentimento de ternura. Ele teria sacrificado tudo por ela, o seu tempo, a sua saúde, as suas posses.”

Ouvido para a música
A paixão de Braille pela música nasceu no instituto, onde músicos profissionais davam aulas e os alunos, mostrados a tocar nesta ilustração de 1903, se juntavam à orquestra. Ele ganhou o prémio de violoncelo no seu quinto ano, desenvolveu talento para o piano e inventou um método táctil para ler e escrever música. Enquanto organista, tocou em igrejas de várias paróquias, complementando o seu parco rendimento de professor.

Momento eureka
O catalisador da invenção de Braille deu-se em 1821. O capitão Charles Barbier, oficial de artilharia, criaria um meio de “escrita nocturna” para o exército francês transmitir e executar ordens sob o manto da escuridão. Convencido do seu mérito para as pessoas cegas, Barbier transformou este código de pontos e traços num sistema de base fonética que apresentou aos alunos. Havia falhas linguísticas – a sonografia reduzia a linguagem a sons, por isso a ortografia não era exacta e não havia pontuação –, mas Braille teve uma epifania. Um sistema de pontos seria um método fácil e eficiente para as pessoas com deficiência visual lerem e escreverem. Ele passou os quatro anos seguintes a trabalhar nesse código. No instituto, fazia directas depois de as aulas terminarem. Mesmo quando estava de férias em Coupvray, os aldeões diziam que viam o rapaz sentado numa colina com um estilete e um papel na mão. Aos 15 anos, conseguiu criar aquela que viria a tornar-se conhecida como a escrita braille. A base do sistema eram células de seis pontos dispostos ao longo de duas colunas e três filas. Cada combinação de pontos em relevo representa uma letra do alfabeto. Era elegante na sua simplicidade e lógica. Os alunos da escola adoptaram rapidamente o seu uso – permitido oficiosamente pelo director François-René Pignier. Braille reconheceu humildemente a sua dívida para com Barbier no seu livro Processo para Escrever as Palavras, a Música e o Cantochão por meio de Pontos, para Uso dos Cegos e disposto para Eles, publicado em 1829: “Se sublinhámos as vantagens do nosso método em relação ao dele, temos de dizer, em sua homenagem, que foi o seu método que nos deu a nossa ideia.”

A Batalha pelo Braille
Apesar de Pignier ter promovido o braille e endereçado cartas ao governo, o sistema não foi imediatamente aceite. A ordem estabelecida, ditada pelas pessoas com visão, era resistente à mudança e favorecia o uso uniforme de um sistema de escrita. Braille tornou-se professor no instituto aos 19 anos. Aos 26 anos, foi diagnosticado com tuberculose, tendo passado longas temporadas de convalescença na sua casa em Coupvray. Entretanto, intrigas políticas na escola levaram à saída de Pignier. O seu substituto, Pierre-Armand Dufau, recusou peremptoriamente o uso do braille, chegando a queimar livros e a castigar alunos apanhados a usá-lo. Graciosamente, Braille persistiu na sua luta pela aceitação do seu novo sistema de escrita. Uma carta que escreveu a Johann Wilhelm Klein, fundador de uma escola para pessoas cegas em Viena, em 1840, mostra os seus humildes esforços de persuasão ao descrever mais uma invenção, o decaponto, um meio para as pessoas cegas e com visão comunicarem entre si: “Ficaria muito feliz se os meus pequenos métodos pudessem ser úteis para os seus alunos e se este espécimen for, a seus olhos, a prova da elevada consideração que tenho por ser, meu senhor, o seu respeitoso e muito humilde servo, Braille.” O reconhecimento chegou finalmente em 1844, na inauguração das novas instalações da escola na Boulevard des Invalides. Por esta altura, Dufau já mudara de ideias em relação ao braille, devido à insistência do director adjunto, Joseph Guadet. Após um discurso sobre o sistema de pontos em relevo, os alunos demonstraram o seu uso, transcrevendo e lendo versos. Guadet escreveu mais tarde: “Braille era modesto, demasiado modesto... as pessoas à sua volta não o valorizavam… Talvez tínhamos sido os primeiros a atribuir-lhe o seu merecido lugar aos olhos do público, quer por termos utilizado o seu sistema de forma mais generalizada na nossa instrução musical ou por darmos a conhecer todo o significado da sua invenção.”

Ligando os pontos
Louis Braille não viveu tempo suficiente para assistir àadopção universal do braille. Morreu a 6 de Janeiro de 1852, na companhia do seu irmão e amigos. Nenhum jornal publicou a notícia da morte do homem a quem Jean Roblin, o primeiro curador do Museu Louis Braille, chamou “o apóstolo da luz”. Alunos angariaram dinheiro para o escultor parisiense François Jouffroy fazer um busto em mármore baseado na máscara funerária de Braille. Em 1878, em Paris, o congresso global para pessoas surdas e cegas propôs uma norma internacional de braille. O braille foi oficialmente adoptado pelas pessoas de expressão inglesa em 1932 e os esforços pós-guerra da UNESCO unificaram adaptações na Índia, em África e no Médio Oriente. É impossível sobrestimar o legado profundo de Braille. No centenário da sua morte, os feitos de Braille foram finalmente celebrados numa homenagem nacional. O seu corpo foi exumado do cemitério de Coupvray e transferido para o Panteão de Paris, o local de repouso dos grandes cidadãos de França. (As suas mãos permaneceram numa urna decorada com flores de cerâmica na sua sepultura em Coupvray.) O desfile pelas ruas de Paris incluiu centenas de pessoas cegas, de braço dado, algumas com óculos escuros, batendo com bengalas brancas nas pedras da calçada. Contudo, a luta continua 200 anos após a invenção da escrita braille. É uma luta para preservar não só a memória de Louis Braille, tema de surpreendentemente poucas biografias, como o uso do seu sistema na era digital. As crianças com deficiência visual estão, cada vez mais, a aprender com ecrãs e programas de áudio, mas os neurocientistas dizem que a escrita é fundamental para o raciocínio, as ligações cerebrais e a aprendizagem. Os benefícios cognitivos da escrita têm uma importância fundamental. Estudos mostraram que quando uma pessoa cega lê braille através do tacto, o córtex visual fica iluminado. Perante a escassez de professores de braille em todo o mundo, a alfabetização em braille desceu a pique e o seu próprio futuro está em perigo. Saïdi-Hamid, curadora do Museu Louis Braille há quase 17 anos, compara a sua luta para defender o braille com um “combate para defender a própria inteligência”. Sublinhando a “personalidade extraordinária” de Braille, disse Saïdi-Hamid, “ele sempre encarou a sua deficiência como uma força e não como uma limitação”. Tal como Braille lutou durante a sua vida, a luta tem de continuar. Seis milhões de pessoas usam o braille actualmente. O seu futuro está assegurado num mundo de alta tecnologia. A escrita pode ser facilmente convertida para formatos digitais e pode ser lida e escrita nos ecrãs tácteis de computadores ou tablets. Um utilizador de braille experiente consegue ler 200 palavras por minuto (a maioria das pessoas com visão consegue ler 250). Embora a alfabetização em braille esteja a diminuir, será necessária para um futuro no qual o envelhecimento da população fará aumentar o número de pessoas cegas e com deficiência visual. O seu poder como sistema universal que pode ser utilizado por qualquer pessoa independentemente do seu background linguístico, fez com que o seu criador francês alcançasse o estatuto de herói internacional.

Artigo publicado originalmente em inglês em
nationalgeographic.com , 5 de Agosto de 2025

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MJA | 3.Jan.2026


 

Calendários em Braille nos diferentes países: Espanha, Portugal e Brasil

María García

ACAPO - Calendários em Braille 2026
imagem: Calendário 2026 da ACAPO

Agora que estamos a chegar ao final do ano comemorativo dos duzentos anos do sistema Braille, e tendo acabado de receber os calendários de Portugal e do Brasil, gostaria de aproveitar esta oportunidade para partilhar convosco como são produzidos os calendários em Braille nos dois países europeus que me são muito queridos: Espanha e Portugal, e no Brasil, país do qual acredito que nós, na Europa, temos muito a aprender, tanto em geral como no mundo dos cegos em particular. Não sei se outros países europeus também têm organizações ou instituições dedicadas ao mundo dos cegos que produzem calendários em Braille, mas penso que é uma iniciativa muito boa e por isso quis aproveitar o final do ano para a partilhar com a família Braille 200.

1.º Calendário em Braille em Espanha.

É produzido há muitos anos pela Organização Nacional dos Cegos de Espanha (Once), que o envia a todos os seus membros no início de cada ano. Até à data, ainda não recebi o calendário de 2026, mas como geralmente não há alterações, irei descrever o calendário produzido para o ano passado, 2025.

É um calendário relativamente grande, com cerca de meia folha de papel, concebido para ser colocado sobre uma mesa, como acontece com muitos calendários impressos a tinta. As páginas são encadernadas em espiral na parte superior. A primeira linha de cada página mostra os dias da semana abreviados em Braille, começando por segunda-feira e terminando em domingo. Nas linhas seguintes, os números correspondentes a cada dia da semana aparecem em Braille completo (Grau 1) por baixo do dia da semana correspondente. Por exemplo, no calendário de 2026, vemos que o número 1 aparece abaixo de quinta-feira, e assim sucessivamente. Esta informação também está escrita a tinta para que o calendário possa ser consultado e utilizado por pessoas com visão normal.

Em cada página seguinte à página correspondente a cada mês, encontram-se algumas reflexões ou pensamentos da ONCE. Não sei quais serão os temas deste ano, 2026, que está a começar agora, mas normalmente são reflexões e pensamentos relacionados com a inclusão, a integração social, as atividades desenvolvidas pela ONCE, etc. Infelizmente, cada mês não inclui os feriados ou qualquer outra informação que possa ter interesse. Na minha opinião, embora ache uma ótima iniciativa da ONCE produzir um calendário em Braille, acho que é demasiado grande e foi pensado mais para divulgar o trabalho da ONCE a pessoas videntes do que para ser utilizado por pessoas cegas, pois, por ser um calendário de mesa, considero-o impraticável e demasiado grande para ser consultado e manuseado diariamente. Também acho que estas reflexões e pensamentos estão mais direcionados para pessoas videntes do que para pessoas cegas. Seria mais interessante incluir outro tipo de informação, como resumos ou recensões de alguns dos livros que a ONCE gravou no último ano, ou alguma atividade ou informação de interesse para pessoas cegas que tenham realizado. No entanto, insisto que é uma iniciativa muito boa e, na minha opinião, muito louvável.

2.º Calendário em Braille em Portugal.

Este é o meu favorito e, na minha opinião, o melhor, mais útil e mais interessante dos três. É produzido pela Área de Leitura para Deficientes Visuais da Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa, uma das várias bibliotecas em Portugal que produzem livros para cegos em formato áudio, Braille impresso, digital ou RTF.

O calendário tem aproximadamente o tamanho de um iPhone SE 2020, ou seja, é muito pequeno, cerca de um terço de uma folha de papel, e o seu formato é como o de um livro, com as páginas dobradas ao meio e agrafadas. Na minha opinião, isto torna-o muito mais prático do que um calendário de secretária e permite que seja transportado para todo o lado, para que a pessoa cega o possa consultar sempre que desejar.

A capa indica em Braille “Calendário Civil 2026”. Na página seguinte, encontram-se as informações de contacto do Espaço de Leitura para Deficientes Visuais da Biblioteca Nacional de Portugal: morada, número de telefone, email, etc.

A seguir, em cada página, a primeira linha contém as abreviaturas dos dias da semana, tal como no calendário espanhol, com a particularidade de que em Portugal, como veremos no calendário brasileiro, a semana começa ao domingo e termina ao sábado. Trata-se de uma inflação do calendário criado na sua época pelo imperador romano Teodósio. Nas linhas seguintes da página, tal como no calendário espanhol, os números dos dias da semana estão escritos em Braille (Grau 1), cada um abaixo do dia da semana a que corresponde.

Contudo, ao contrário do calendário espanhol, quando um dia da semana é feriado, em vez do número do dia correspondente, aparece a letra F, indicando que se trata de um feriado, exceto em três casos particulares que, devido à sua importância, são indicados especificamente: Natal, indicado com um N; Domingo de Páscoa, indicado com a letra P; e o Dia de Carnaval, que, devido à sua importância em Portugal, é indicado com a letra C. Todos os outros feriados são indicados com a letra F. Considero este aspeto muito importante, pois permite aos utilizadores verificar quais os dias que são feriados em cada ano.

O calendário está escrito em sistema interpunct, pelo que no verso de cada página existe outra página onde, pelo menos para o ano de 2026, consta a resenha de um livro publicado em Braille pela Biblioteca Nacional de Portugal durante o ano de 2025. Também acho isto muito interessante porque chama a atenção para livros que talvez não tenhamos notado durante o ano, mas que possam ser do nosso interesse.

3.º Calendário Braille no Brasil.

É produzido pelo Instituto Bengmin Constant, no Rio de Janeiro. O seu formato e tamanho são quase idênticos aos do calendário português, embora seja ligeiramente maior.

Tal como no calendário português, a primeira linha de cada mês mostra os dias da semana de forma abreviada, começando pelo domingo e terminando no sábado, e as linhas seguintes mostram os números dos dias correspondentes em Braille completo (Grau 1). No entanto, neste caso, ao contrário do calendário português, os feriados não são assinalados nestas linhas; em vez disso, é simplesmente indicado o dia do mês correspondente a cada dia da semana.

Também está escrito no sistema Interponto e, neste caso, aparecem as seguintes informações no verso de cada página: algum feriado importante para esse mês. Por exemplo, em fevereiro, surge o Carnaval; em dezembro, o Natal; e em abril, curiosamente, em vez da Segunda-feira de Páscoa, surge a Sexta-feira Santa. Não entendo o porquê. Aparecem também alguns feriados celebrados no Brasil, como o Dia dos Tiradentes, que homenageia um bandido que, por algum motivo, tem um feriado no Brasil. Mas suponho que seja porque existem várias religiões no Brasil e talvez esta informação seja importante para algumas delas, ou porque a consideram especialmente importante. Após as férias, o verso de cada página mostra o dia e a hora da lua cheia, da lua crescente e da lua minguante.

Além disso, ao contrário dos dois calendários anteriores, a última página deste calendário mostra os dias e as horas de início de cada uma das quatro estações do ano: inverno, primavera, verão e outono. Mas atenção, devemos ter em conta que o Brasil está no hemisfério sul, pelo que as estações do ano e as suas datas não coincidem com as nossas na Europa.

Por fim, o calendário inclui ainda os dados de contacto do Instituto Benjamin Constant: endereço de e-mail e número de telefone.

Ao contrário do calendário português, este calendário não inclui qualquer referência às atividades ou livros publicados por este instituto, o que considero uma pena. Por isso, prefiro o calendário português, que considero o mais completo, útil e interessante dos três, mas esta é, obviamente, apenas a minha opinião pessoal.

Em suma, penso que a existência de calendários em Braille, nas suas diferentes formas, é uma iniciativa maravilhosa, pelo que achei importante partilhá-la convosco. Espero que gostem e gostaria de aproveitar esta oportunidade para desejar a toda a família Braille 200 um Feliz Ano Novo de 2026. Que Deus nos conceda saúde e que continuemos a trabalhar em conjunto na defesa e promoção do Braille, mesmo depois de já ter passado o bicentenário da sua criação.

texto: María García
tradução: Google/IA

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MJA | 1.Jan.2026 


 

Ebooks e audiobooks com acesso gratuito em nova plataforma das bibliotecas públicas: BiblioLED

Agência Lusa | 27 janeiro 2025
Expresso FB

O catálogo inicial é constituído por "uma coleção nacional de 1500 títulos disponibilizada a todas as bibliotecas da RNBP e por 25 coleções regionais apenas acessíveis aos utilizadores em cada Rede Intermunicipal e Rede Metropolitana de Bibliotecas

Um novo serviço das bibliotecas públicas que permite aceder gratuitamente através de uma plataforma a livros digitais e audiolivros em todo o país fica disponível 'online' a partir das 15h de hoje, numa iniciativa da Direção-Geral do Livro.

Designada BiblioLED, esta biblioteca pública digital destina-se a todos os utilizadores inscritos nas bibliotecas municipais integradas na Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNBP).

O objetivo deste novo serviço é "fomentar os hábitos de leitura, promover serviços de qualidade nas bibliotecas municipais, promover a literacia digital e facilitar o acesso a livros digitais e audiolivros, em complemento ao serviço presencial já oferecido pelas 445 bibliotecas", de acordo com a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB).

O catálogo inicial é constituído por "uma coleção nacional de 1500 títulos disponibilizada a todas as bibliotecas da RNBP e por 25 coleções regionais apenas acessíveis aos utilizadores em cada Rede Intermunicipal e Rede Metropolitana de Bibliotecas".

Os conteúdos disponíveis, em formato de livro digital e de audiolivro, com títulos de ficção e não ficção, são maioritariamente em língua portuguesa.

O serviço vai estar permanentemente acessível - 24 horas por dia, sete dias por semana - por meio de 'smartphones', 'tablets', leitores 'online' e 'e-readers', a partir de qualquer lugar, sendo possível ajustar o modo de leitura, modificando o tipo e o tamanho da letra, o espaçamento entre linhas e a cor do fundo.

Para aceder, basta ao leitor estar inscrito numa biblioteca municipal da RNBP, que tenha aderido ao serviço da BiblioLED.

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MJA | 31.Dez.2025


 

Tertúlia | Dia Mundial do Braille – “Pontos de Encontro”

Associação Bengala Mágica

No âmbito das comemorações do Dia Mundial do Braille (4 de janeiro), a Associação Bengala Mágica promove, no próximo dia 5 de janeiro de 2026, uma tertúlia dedicada à reflexão e partilha sobre a importância do Braille enquanto ferramenta fundamental de autonomia, acessibilidade e inclusão das pessoas com deficiência visual.

Sob o tema “Pontos de Encontro”, esta sessão reunirá utilizadores de Braille que irão partilhar experiências e perspetivas sobre o papel deste sistema de leitura e escrita em áreas como a educação, a saúde, a cultura e a participação cívica.

A moderação estará a cargo de Irina Francisco, membro da Direção da Associação Bengala Mágica.

🗓 Data: 5 de janeiro de 2025
🕕 Horário: 18h00 – 20h00
💻 Formato: Online
📍 Plataforma: Zoom

Inscrição: https://forms.gle/dKRcYgQ9M22bmQAMA

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MJA | 30.Dez.2025


 

Visão Residual Permite a Pessoas com Degeneração Macular Julgar Com Segurança a Aproximação de Veículos

NR/ HN/ AlphaGalileo
25 de Dezembro 2025

Um estudo internacional inovador descobriu que indivíduos com perda significativa da visão central são capazes de avaliar o movimento de veículos que se aproximam com uma precisão quase equivalente à de pessoas com visão normal. Esta investigação, que colocou participantes mais velhos com degeneração macular relacionada à idade (DMI) em cenários de trânsito simulados em realidade virtual, contraria algumas expectativas intuitivas sobre as limitações impostas por esta condição ocular comum. Os resultados, recentemente publicados na revista de acesso aberto PLOS One, sugerem que a visão residual desempenha um papel mais crucial do que se poderia antecipar para tarefas complexas e diárias, como a de decidir o momento seguro para atravessar uma rua.

A equipa de investigação, liderada pela Universidade Johannes Gutenberg de Mainz, na Alemanha, em colaboração com a Universidade Rice no Texas, Estados Unidos, e outras instituições americanas e francesas, partiu de um trabalho anterior sobre a perceção do tempo de chegada em indivíduos com visão normal. A psicóloga da perceção Patricia DeLucia, da Universidade Rice, explicou a motivação: “Existem poucos estudos que analisem especificamente os julgamentos de colisão em pessoas com deficiência visual, mesmo que tarefas como atravessar uma rua ou navegar em ambientes movimentados dependam desta capacidade”. A questão de fundo era perceber se, perante a deficiência visual, as pessoas passariam a depender mais intensamente do som, e se a combinação de visão e audição traria uma vantagem clara em relação ao uso isolado da visão.

Para responder a estas interrogações, os investigadores conceberam uma experiência que recria, em ambiente virtual, a perspetiva de um peão perante um veículo em aproximação. Daniel Oberfeld-Twistel, professor de Psicologia Experimental na Universidade de Mainz, foi responsável pela implementação do som realista do veículo no sistema. Aos participantes — um grupo com DMI em ambos os olhos e um grupo de controlo com visão normal — foi pedido que premissem um botão no instante exato em que acreditavam que o carro os alcançaria. A cena foi apresentada de três formas distintas: apenas com estímulos visuais, apenas com estímulos auditivos, ou com ambos em simultâneo. Através de estratégias avançadas de análise de dados desenvolvidas em Mainz, a equipa conseguiu dissecar quais os sinais percetivos, como o tamanho ótico aparente do veículo ou a intensidade do som, que influenciavam as decisões dos participantes.

“Graças ao nosso sistema avançado de simulação audiovisual e à análise de dados personalizada, obtivemos uma visão quase microscópica de como os peões usam informação auditiva e visual para estimar o tempo de chegada de um veículo que se aproxima”, afirmou Oberfeld-Twistel. “Isto vai além do que conhecíamos de estudos anteriores”.

Os resultados revelaram-se notáveis. De forma geral, o grupo com DMI desempenhou-se de forma muito semelhante ao grupo com visão normal na tarefa de estimar o momento de chegada. Os investigadores notaram que, em condições puramente visuais, os adultos mais velhos com DMI tenderam a basear-se um pouco mais em pistas heurísticas ou pictóricas, como o tamanho aparente do veículo. Contudo, quando tinham à sua disposição tanto a informação visual como a auditiva, a precisão entre os dois grupos manteve-se comparável. Surpreendentemente, não se verificou uma vantagem clara da combinação dos dois sentidos em relação ao uso da visão isolada, mesmo para os participantes com deficiência visual.

“Os nossos resultados indicam que mesmo uma visão central reduzida continua a fornecer informação útil para julgar objetos em aproximação”, explicou Oberfeld-Twistel. “As pessoas com degeneração macular relacionada à idade continuam a beneficiar da sua visão residual em vez de dependerem apenas de pistas auditivas”. Este dado é relevante, pois sugere que os recursos percetivos destas pessoas podem ser mais robustos do que o senso comum supõe. No entanto, o próprio investigador fez um importante caveat: o estudo utilizou cenários deliberadamente simplificados, com um único veículo a aproximar-se a uma velocidade constante.

Patricia DeLucia reforçou esta ressalva, acrescentando que “trabalhos futuros terão, portanto, de examinar se as conclusões se mantêm em ambientes mais complexos, por exemplo, com múltiplos veículos ou quando os veículos estão a acelerar”. Investigação deste género pode vir a ser fundamental para orientar desenvolvimentos nas áreas da mobilidade, reabilitação e segurança rodoviária, ajudando a conceber espaços urbanos mais inclusivos e a definir estratégias de treino mais eficazes para pessoas com baixa visão.

Para além das instituições já mencionadas, a equipa de investigação incluiu colaboradores da Universidade do Iowa, da Universidade Lamar, dos Retina Consultants of Texas, do Davies Institute for Speech and Hearing e da Universidade de Toulouse. Este trabalho foi apoiado pelo National Eye Institute dos National Institutes of Health dos Estados Unidos.

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MJA | 29.Dez.2025



Inclusão na Ceia de Natal!

ACAPO


Pequenos gestos fazem toda a diferença para que todos possam viver esta época com conforto, autonomia e verdadeira participação. Aqui ficam algumas dicas práticas para familiares de pessoas com deficiência visual:

✔Sociabilização – Inclua sempre nas conversas, jogos e momentos de partilha;
✔Atividades e autonomia – Permita que participe: servir se, organizar ou distribuir pratos são formas simples de promover independência;
✔Presentes – Diga quem ofereceu o quê e descreva cada presente, dando tempo para explorar ao toque;
✔Descrição da mesa – Explique a disposição dos pratos e alimentos, para pessoas com baixa visão, use contrastes na organização;
✔Orientação de espaços – Indique onde ficam WC, cozinha ou áreas externas, usando referências claras;
✔Respeito pela autonomia – Ofereça ajuda apenas quando solicitado e valorize o ritmo e as escolhas da pessoa.

Porque a inclusão também se celebra à mesa.

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MJA | 24.Dez.2025


 

'Metrobus' de Coimbra é inclusivo e seguro para pessoas cegas

Lusa
Notícias ao minuto, 20/12/2025

Locais de espera, com piso diferente, e avisos sonoros frequentes tornam o Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM) inclusivo, seguro e com condições para pessoas cegas e com baixa visão viajarem de forma autónoma.

Numa viagem de 'metrobus' com a agência Lusa, o presidente da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (Acapo) de Coimbra fez uma "avaliação muito positiva" do novo sistema.

"Fazemos uma avaliação muito positiva do atual estado de desenvolvimento das acessibilidades. Ainda há aspetos, certamente, a melhorar, mas o que já temos hoje permite que pessoas cegas e com baixa visão se desloquem com rapidez, com segurança, com acessibilidade neste espaço que vai já entre Serpins e a Portagem", afirmou José Caseiro.

Desde terça-feira que o SMM liga a Portagem, em Coimbra, a Serpins, no concelho da Lousã.

Na estação Norton de Matos, em Coimbra, a cerca de 700 metros da sede da Acapo, o dirigente começou por assinalar que a entrada "está muito acessível", dando o exemplo de uma grade que permite perceber que direção tomar.

"Tentaram, com sugestão nossa, por o piso mais acessível e seguro", frisou.

Nas estações, José Caseiro destacou o piso "pitonado", que permite saber a distância do lancil do canal, e os pontos de espera, com guias direcionais, sempre na mesma localização.

"Aguardando pelas viaturas nesse ponto, em que tem umas guias no chão, sabemos que a porta do meio da viatura é aquela que vai ficar à nossa frente", afirmou.

Há também avisos sonoros frequentes nas estações a informar da aproximação dos veículos.

"Dá pelo menos dois avisos: um quando faltam quatro, cinco minutos e outro mais ou menos 30 segundos antes de a viatura chegar. E isso é muito positivo, porque sabemos que a viatura está a aproximar-se e vamo-nos preparando", detalhou o dirigente da Acapo.

Para Caseiro, "é positivo" o aviso sonoro dentro das viaturas a informar das paragens, apesar de notar que "não há uma uniformização do volume de som".

"Nalgumas está relativamente baixo e, quando as viaturas forem cheias, com a sua lotação quase máxima, será muito difícil ouvir-se o som", alertou.

Outro reparo prende-se com a dificuldade de articulação dos semáforos do SMM e dos automóveis junto à paragem da Portagem, cujo som "é muito baixo".

"Não me sinto seguro, porque, de facto, com muito barulho, é preciso estar mesmo em cima do semáforo, porque senão não conseguimos ouvi-lo", admitiu o dirigente, que adiantou que a situação já foi reportada e que, julga, "vai ter uma solução para breve".

Para Caseiro, os sinais "não podem ser todos no mesmo tom, porque depois confunde-se".

O dirigente congratulou-se com a participação da Acapo no desenvolvimento do sistema, com reuniões, testes e sugestões, lembrando a abertura das portas em todas as paragens, que não estava inicialmente previsto.

"A Metro Mondego [MM] sempre recebeu e aceitou de bom grado as nossas propostas e tenho de felicitar a empresa por esta postura de abertura, de acessibilidade e por perceberem que, de facto, é um sistema bom para todos, para quem tem e para quem não tem deficiência. E só assim é possível, de facto, isto evoluir e tornar um sistema acessível, inclusivo e dentro de uma cidade também que se deseja inclusiva", concluiu.

À Lusa, João Marrana, presidente da MM, disse que, para a empresa, o sistema de transporte público deve ser um "elemento de inclusão social" e que o trabalho com a Acapo foi "muito importante".

"Há um conhecimento da Acapo que, obviamente, é muito superior à de qualquer um de nós, ou de qualquer um dos projetistas, porque lidam diariamente com pessoas que têm essa limitação e, obviamente, que foi muito importante", afirmou.

Com as operações do SMM a iniciar, João Marrana reconheceu que "há aspetos que certamente ainda não estão totalmente afinados".

"Há ajustamentos que certamente teremos que fazer e estamos com toda a boa vontade e todo o empenho em fazê-los", garantiu.
 

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MJA | 20.Dez.2025


 

A Access Lab venceu o Prémio Nacional de Turismo 2025 na categoria de Turismo Inclusivo

Rui Bandeira
Expresso | 13 dezembro 2025

A Access Lab, vencedora do Prémio Nacional de Turismo 2025, na categoria Turismo Inclusivo, tem vindo a mudar a forma como Portugal olha para a acessibilidade, ao transformar palcos, estádios, festivais e experiências turísticas em espaços onde todos — mesmo todos — podem entrar.

Nasceu em plena pandemia e, em tempo de portas fechadas, abriu janelas para a inclusão. A Access Lab, projeto que elimina barreiras físicas, sensoriais e comunicacionais para permitir o acesso de pessoas com deficiência, neurodivergência e surdas a experiências culturais, desportivas, turísticas e empresariais, é hoje presença regular em alguns dos maiores eventos de cultura e desporto do país e foi recentemente destinguido com o Prémio Nacional de Turismo 2025 na categoria de Turismo Inclusivo.

O projeto começou com uma inquietação pessoal de Tiago Fortuna, cofundador, apaixonado por cultura, e que quis saber mais sobre processos que abrissem o caminho à acessibilidade. “Sou uma pessoa com deficiência e queria olhar para isto de forma profissional e sistematizada”, conta. Pelo caminho encontrou Jwana Godinho, com quem criou a consultora que hoje trabalha para garantir o acesso de todos a eventos onde antes não tinham lugar. “O desafio maior foi mesmo a discriminação e o desconhecimento sobre a vida das pessoas com deficiência. Muitas vezes não é intencional, mas a exclusão está lá”, diz.

Construir comunidade para derrubar barreiras
A missão da Access Lab não se esgota na consultoria. Passa por criar comunidade, juntar pessoas com e sem deficiência, decisores, jornalistas e profissionais dos setores onde intervêm. “Acredito que a salvação do mundo atual terá a ver com o quão fortes são as nossas comunidades que trabalham pelo bem. Queremos envolver as pessoas em registo de paridade para tentar derrubar o mais possível de barreiras e sentimos que isso acontece nesses projetos”, explica Tiago.

Projetos com a UEFA e a Federação Portuguesa de Futebol permitem a inclusão de pessoas com deficiências em eventos desportivos

O impacto existe — e é visível. Em apenas três anos, a Access Lab já esteve presente em jogos da Seleção Portuguesa, mantém trabalho contínuo com o Sporting e com a MEO Arena e assegura acessibilidade em alguns dos maiores festivais nacionais, como o NOS Alive ou o MEO Marés Vivas. “Ter essa abertura para trabalhar nestes espaços é super importante e não podemos deixar de celebrar isso”, sublinha.

Através da escuta ativa da comunidade, a consultora cria respostas personalizadas e adaptadas como audiodescrição, adaptação para Língua Gestual Portuguesa, salas de pausa sensorial e também soluções tecnológicas inovadoras como o projeto Colete das Emoções no NOS Alive, que permite à comunidade surda sentir a música através das vibrações. “Podíamos limitar-nos a tornar o espaço físico mais inclusivo, mas o que nos distingue é não deixar nada pelo caminho. Explicamos como se compra a experiência, como se usufrui dela, que recursos existem e como funciona na prática”, acrescenta.

Turismo inclusivo: um caminho ainda por fazer
Quando o tema é turismo, Tiago fala sem rodeios: “Fiscalização não há. E comunicamos mal.” Para o cofundador da Access Lab, o setor continua a comunicar de forma conservadora, pouco aspiracional e sem representar verdadeiramente quem viaja. “Estas pessoas existem. São 15% da população mundial. Fazem turismo como qualquer outra pessoa — até turismo de luxo ou intercontinental.”

A receita, diz, é simples: comunicar com entusiasmo e fiscalizar melhor o que já está regulamentado. “Faltam modelos de representatividade que também não havia na cultura. No turismo, se trouxermos mais exemplos de pessoas com deficiência a participar na oferta, podemos mudar um bocadinho o paradigma”.

Este ano, a Access Lab avança para novos territórios e estreia um projeto inovador em parceria com o NOS Alive: uma aplicação baseada em Inteligência Artificial para a comunidade com deficiência visual. Mas há mais na calha. “Queremos explorar como a tecnologia pode melhorar a vida das pessoas com deficiência. E, ao mesmo tempo, trabalhar educação, literacia e comunicação. Em 2026 gostaríamos de contribuir mais diretamente para o setor do turismo, sobretudo na forma como comunica a sua oferta.”

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MJA | 15.Dez.2025



Prémio Nacional de Turismo: conheça os finalistas na categoria Turismo Inclusivo

Rita Seabra Gomes
Expresso, 21 novembro 2025

A categoria Turismo Inclusivo distingue projetos comprometidos em garantir que todos os turistas, independentemente de condições físicas, sensoriais, cognitivas ou outras, possam desfrutar das riquezas culturais e naturais de Portugal, criando experiências turísticas acessíveis, acolhedoras e que criem memórias duradouras. São projetos que fomentam a confiança e fidelização do consumidor, bem como a empatia com o produto, serviço ou destino; que potenciam a inclusão dos visitantes e satisfaçam as necessidades de diferentes públicos, independentemente das suas características e perfis; e que permitam o acesso à experiência turística a uma maior diversidade de públicos, com qualidade, segurança, conforto e autonomia.

Fique a conhecer os cinco finalistas na categoria Turismo Inclusivo:

Access Lab
Empresa de consultoria e serviços, dedica-se a garantir a acessibilidade de pessoas com deficiência, neurodivergência e surdas a experiências culturais, desportivas, turísticas e empresariais. Atua eliminando barreiras físicas, sensoriais e comunicacionais, com soluções personalizadas como audiodescrição, adaptação para Língua Gestual Portuguesa e salas de pausa sensorial. Através da escuta ativa da comunidade, são criadas respostas adaptadas, que promovem espaços inclusivos e acolhedores para todos os públicos e as suas necessidades específicas, e que têm um efeito direto na inclusão social e na transformação do setor cultural e turístico, alcançando milhares de pessoas por ano em eventos de grande escala. A Access Lab contribui ainda para a capacitação de profissionais e organizações e sensibiliza o público sobre a importância da acessibilidade. Entre as soluções tecnológicas inovadoras já utilizadas destacam-se: o projeto de acessibilidade no Festival Belém Soundcheck, premiado como festival mais acessível de 2024; o Access All Areas, focado na acessibilidade no Altice Arena; o projeto Colete das Emoções no NOS Alive, que permite à comunidade surda sentir a música através das vibrações; e o projeto Game On com a UEFA para a Federação Portuguesa de Futebol, que visa a inclusão de pessoas com deficiências em eventos desportivos.

Café Joyeux
Café-restaurante solidário e inclusivo, localizado no centro de Cascais, numa casa integralmente recuperada, forma jovens-adultos com dificuldades intelectuais, cognitivas e de desenvolvimento, como trissomia 21 ou perturbações do espectro do autismo, para promover a sua integração no mercado de trabalho e oferecer formação certificada, acompanhamento personalizado e empregos dignos, em estabelecimentos na área da restauração e hotelaria. O Café Joyeuxdistingue-se pelo seu modelo de negócio social totalmente inclusivo, onde o espaço é pensado de raiz para promover a autonomia de colaboradores com necessidades especiais, incluindo equipamentos e modelo de serviço. O modelo de negócio assenta numa base de reinvestimento de lucros, com 100% das receitas reinvestidas na abertura de novos cafés-restaurantes e no desenvolvimento do projeto, permitindo expandir a missão de inclusão e criar mais postos de trabalho. Conta também com parcerias com instituições de cariz social para a contratação destes colaboradores, aplicando um modelo sustentável do ponto de vista económico e replicável permitindo crescimento e continuação da sua missão social. O espaço tornou-se um ponto de encontro para a comunidade, fomentando o espírito de solidariedade que contribui para o apoio à causa.

Festival Mais Solidário
Criado em 2022, o festival realiza-se anualmente em Castelo Branco e alia cultura, música, inclusão e solidariedade, com o objetivo de financiar a atividade social da Associação de Apoio Quatro Corações, uma Instituição Particular de Solidariedade Social que ajuda pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade, nas áreas da saúde, alimentação, educação e habitação. Num território de baixa densidade populacional, o Festival Mais Solidárioconta com uma média anual de 25 a 30 mil visitantes e mais de 300 voluntários; promove a visibilidade de instituições locais; gera impacto na restauração e hotelaria, com lotação esgotada, e fortalece o sentido de pertença da comunidade. Ao canalizar todas as receitas para apoiar pessoas em situação de vulnerabilidade, já contribuiu para mais de 850 mil refeições quentes. O festival garante ainda entrada gratuita a portadores de atestado multiusos, cria áreas específicas para pessoas com mobilidade reduzida e integra imigrantes, refugiados e cidadãos em situação de vulnerabilidade através da participação ativa em equipas e representações culturais. Esta combinação de cultura, causas sociais e envolvimento comunitário torna o evento único no panorama nacional e projeta Castelo Branco como um destino de turismo cultural responsável e acessível.

MEO Kalorama
Festival cultural que combina música, arte e sustentabilidade, realizado no Parque da Bela Vista, em Lisboa, valoriza a inclusão ao criar experiências acessíveis para pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e neurodivergência. Entre as diversas medidas de acessibilidade estão rampas regulamentadas, plataformas elevadas, shuttles adaptados, WC inclusivos, interpretação em Língua Gestual Portuguesa, audiodescrição e zonas de pausa sensorial. Paralelamente, o MEO Kalorama promove a regeneração urbana e o envolvimento da comunidade local que beneficia de formação e emprego, com atuações de artistas emergentes do bairro e a participação na organização. Ações ambientais como plantação de árvores e instalação de ninhos para aves, e a sustentabilidade, através da reutilização de lonas e diminuição de resíduos, são outras dimensões centrais do evento. O festival valoriza a economia e cultura de bairros periféricos, reforçando a coesão social e turística da cidade. A responsabilidade social reflete-se em doações de materiais e equipamentos a escolas e associações, prolongando o impacto para além do festival.

Vela Solidária
Começou na associação Teia D’Impulsos, em Portimão, no Algarve, e é hoje uma entidade autónoma que promove a integração social através do desporto, e transforma a prática da vela numa experiência acessível e inclusiva. O projeto Vela Solidária alargou a sua atuação em 2021 ao adaptar embarcações para pessoas em cadeira de rodas, alterando o paradigma da prática de vela, ao conjugar inclusão social, desporto de alto nível e sustentabilidade ambiental. Através de programas regulares, cursos de iniciação, experiências abertas à comunidade e formação em parceria com a Federação Portuguesa de Vela, o projeto cria condições de participação na modalidade com igualdade e autonomia e desenvolve capacidades sociais de pessoas com diversidade funcional. Destaca-se ainda por promover o turismo náutico fora da época alta, reduzindo a sazonalidade, e pela organização de eventos internacionais de referência, como o Campeonato do Mundo de Vela Adaptada 2023, que dão visibilidade ao Algarve como destino náutico acessível e competitivo. Possuem também parcerias com a Região de Turismo do Algarve, o Instituto Português do Desporto e Juventude e o Município de Portimão para promoção da adaptação de infraestruturas, quartos de hotel e acesso a marinas. Recentemente, expandiu a abrangência territorial com parcerias em Vilamoura e Moura para formação de atletas e treinadores.

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MJA | 14.Dez.2025


 

Formação sobre atividade física para crianças e jovens com deficiência visual fecha projeto internacional

Cidade hoje - SAPO | 8 de Dezembro, 2025

No âmbito do projeto internacional “Move As You Are”, a Câmara Municipal de Famalicão promove, na tarde do próximo sábado, a partir das 14h30, nas piscinas de Ribeirão, uma ação de formação sobre atividade física para crianças e jovens com deficiência visual.

A iniciativa, de cinco horas, é aberta ao público em geral, com especial foco nos técnicos e profissionais da área do desporto e do desenvolvimento da atividade física.

A inscrição é gratuita, mas obrigatória, até esta sexta-feira, através do portal do Famalicão Desportivo (www.famalicaodesportivo.pt).

O início da formação será dedicado à apresentação do projeto internacional “Move As You Are”, que decorreu entre 2024 e 2025, desenvolvido pelo Município de Famalicão, em associação com a Universidade de Atenas (Grécia), a associação Euphoria Net e a Real Eyes Sport, ambas de Itália.

A sessão vai contar com intervenções de Tiago Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional de Desporto para Deficiência Visual (ANDDVIS), e de Nuno Borges, da empresa municipal GesLoures.

Esta iniciativa marca o final do “Move as You Are”, desenvolvido pelo Município de Vila Nova de Famalicão, através do pelouro do Desporto, em parceria com instituições internacionais. O projeto envolveu um financiamento na ordem dos 25 mil euros proveniente do fundo europeu “Erasmus + Sports” da Comissão Europeia. Da criação do caderno pedagógico à elaboração do curso online de atividades desportivas para crianças com deficiência visual, passando pelas mobilidades internacionais, o “Move As You Are” teve como objetivo apoiar a inclusão social e ultrapassar as barreiras desportivas com que se deparam as crianças com deficiência visual.

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MJA | 13.Dez.2025


 

TAGV e ACAPO assinam protocolo para promover acesso à cultura

Agência Lusa | 11 de dezembro de 2025

O Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) - em Coimbra - vai passar a disponibilizar espetáculos com audiodescrição, no âmbito de um protocolo assinado ontem com a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO). A iniciativa pretende promover o acesso à cultura por parte de pessoas cegas ou com baixa visão, reforçando o compromisso do Teatro com práticas inclusivas.

Durante a assinatura do protocolo, que teve lugar no Dia Internacional dos Direitos Humanos, o diretor do TAGV, Sílvio Correia Santos, afirmou que o Teatro assume “o compromisso de tornar os seus espaços e os seus conteúdos mais inclusivos”. O documento estabelece ações de divulgação, partilha de conteúdos e iniciativas de sensibilização para capacitar pessoas com deficiência e criar condições mais equitativas de acesso à programação cultural.

Entre as medidas previstas está a implementação de audiodescrição em alguns espetáculos e visitas guiadas, bem como a preparação de uma maqueta tátil que permitirá uma exploração sensorial do espaço. O protocolo contempla ainda descontos na compra de bilhetes e entrada gratuita para assistentes pessoais ou acompanhantes de pessoas com deficiência visual.

Notícia completa na edição impressa e digital de 11/12/2025 do DIÁRIO AS BEIRAS

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MJA | 12.Dez.2025




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