Ξ  


 SOBRE A DEFICIÊNCIA VISUAL

   Siga este site no Facebook.    Siga este site no Twitter    Envie um email à Webmaster do Site

   Notícias 2026

Δ



Notícias em arquivo:

2004 | 2005 | 2006 | 2007 | 2008 | 2009 | 2010 | 2011 | 2012 | 2013 | 2014 | 2015 | 2016 | 2017 | 2018 | 2019 | 2020 | 2021 | 2022 | 2023 | 2024 | 2025 | 2026


 

Dia Mundial da Acessibilidade Digital - Construindo uma sociedade digital sem barreiras com o Dia Mundial de Conscientização sobre a Acessibilidade

Ana Blanco |  Iberdrola, Abril 2026

O Dia Mundial de Conscientização sobre a Acessibilidade, conhecido como Global Accessibility Awareness Day (GAAD), é celebrado anualmente na terceira quinta-feira do mês de maio com o objetivo de conscientizar a respeito do acesso inclusivo ao ambiente digital, principalmente para as pessoas com deficiência. Em 2026, o evento ocorrerá no dia 21 de maio, buscando sensibilizar empresas, instituições e a sociedade civil sobre a necessidade de criar sites, aplicativos e conteúdos digitais acessíveis para promover uma sociedade mais equitativa na era digital. Esta data reforça que a acessibilidade não é um recurso adicional, mas uma condição imprescindível para que a transformação digital seja verdadeiramente inclusiva.

Em um contexto em que grande parte de nossa vida cotidiana — desde a educação e o emprego até o acesso a serviços básicos — ocorre em ambientes digitais, a acessibilidade na web se torna um pilar fundamental para evitar novas formas de exclusão. No entanto, milhões de pessoas em todo o mundo ainda encontram barreiras ao navegar na Internet devido a designs que não consideram a diversidade de capacidades. Este dia convida a refletir sobre como o ambiente digital é construído e a promover mudanças que garantam que ninguém seja deixado de lado na transformação tecnológica.

O que é acessibilidade na web?
O conceito acessibilidade na web se refere ao conjunto de princípios, técnicas e boas práticas que permitem que qualquer pessoa possa navegar, compreender e interagir com sites e aplicativos digitais, independentemente de suas capacidades físicas, sensoriais ou cognitivas. A Fundação GAAD (GAAD Foundation) destaca que uma atenção cuidadosa ao “conteúdo, navegação e interação” é essencial para alcançar esse objetivo. Isso implica desenvolver conteúdos que possam ser percebidos por todos — por exemplo, por meio de textos alternativos para imagens —, que sejam fáceis de utilizar em diferentes dispositivos ou tecnologias assistivas, como leitores de tela, e que apresentem uma estrutura clara e compreensível. Projetar com critérios de acessibilidade melhora a experiência digital de todos os usuários, seja qual for sua capacidade ou circunstância.

Princípios da acessibilidade na web
A acessibilidade na web está fundamentada em quatro princípios básicos definidos pelo World Wide Web Consortium (W3C)Link externo, abra em uma nova aba. através das Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG). Esses pilares determinam que os conteúdos devem ser:

  • Perceptíveis - Apresentados de forma que todos possam percebê-los.

  • Operáveis - Navegáveis por meio de diferentes dispositivos e sem barreiras.

  • Compreensíveis - Claros, previsíveis e fáceis de entender.

  • Robustos - Compatíveis com diversas tecnologias, incluindo as assistivas, como leitores de tela, ampliadores de texto ou sistemas de navegação por voz.

Esses princípios servem como base para o design inclusivo e garantem que as soluções digitais possam ser utilizadas pelo maior número possível de pessoas.

Por que a acessibilidade na web é importante?
A acessibilidade na web é essencial para garantir a igualdade de acesso à informação, aos serviços e às oportunidades em um mundo cada vez mais digitalizado. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de um bilhão de pessoas no mundo vivem com algum tipo de deficiência (cerca de 1 em cada 6 pessoas), o que evidencia a necessidade de eliminar as barreiras digitais. No contexto europeu, a acessibilidade digital ganha ainda mais relevância com a entrada em vigor do European Accessibility Act, que reforça a obrigatoriedade de que os produtos e serviços digitais sejam acessíveis a todas as pessoas.

A GAAD descreve em seu portal do Global Accessibility Awareness Day Link externo, abra em uma nova aba. (Dia Mundial de Conscientização sobre a Acessibilidade) os pontos-chave a serem considerados, conforme os diferentes tipos de deficiência:

  • Acessibilidade visual: Pessoas com deficiência visual necessitam de descrições de texto alternativas para imagens significativas e utilizam o teclado, em vez do mouse, para interagir com os elementos da interface.

  • Acessibilidade auditiva: Pessoas com deficiência auditiva precisam de legendas em vídeos e sinalizações visuais em vez de alertas sonoros.

  • Acessibilidade motora: Usuários com limitações motoras podem precisar de teclados adaptados, controle ocular ou outro tipo de hardware que as ajude a digitar e navegar em seus dispositivos.

  • Acessibilidade cognitiva: Pessoas com diferentes dificuldades cognitivas ou de aprendizagem requerem interfaces organizadas, navegação coerente e o uso de linguagem simples.

Além disso, um site acessível não apenas melhora a experiência desses usuários, mas também otimiza a usabilidade geral, beneficia aqueles que enfrentam limitações temporárias ou contextuais (como conexões lentas ou situações de baixa visibilidade), amplia o alcance das organizações e contribui para o cumprimento das normas em muitos países.

texto integral do artigo de Ana Blanco aqui.

Δ

MJA | 11.Abr.2026


 

Fundação de Castelo de Vide com projeto para ajudar invisuais em espaços culturais

O Digital, 03 Abril 2026

Um projeto que visa desenvolver metodologias que melhorem o acesso de pessoas invisuais ou com visão reduzida a museus e espaços culturais, através da tecnologia, está a ser desenvolvido em Castelo de Vide, distrito de Portalegre.

Promovido pela Fundação Nossa Senhora da Esperança e com base na experiência desenvolvida no Museu de Tiflologia, situado naquela vila alentejana, cerca de 30 académicos estão a trabalhar no projeto “TODAGENTE”.

A iniciativa, que conta com uma duração de três anos, num investimento de 830 mil euros e com comparticipação de 366 mil euros do Programa Alentejo 2030, foi hoje apresentada na Fundação Nossa Senhora da Esperança, em Castelo de Vide.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Fundação Nossa Senhora da Esperança, João Palmeiro, explicou que o projeto serve para “aprimorar e melhorar, do ponto de vista técnico e científico, a integração de visitas de pessoas invisuais ou de baixa visão a espaços culturais”.

O responsável deu como exemplo o projeto desenvolvido no jardim sensorial em Castelo de Vide, denominado “Jardim das Oliveiras”, em que os percursos pedestres, sensoriais e olfativos encaminham o visitante para “outras experiências que não estavam inicialmente ao seu alcance”.

“Isso acontece, obviamente, com tecnologia, mas também existe com uma relação de diálogo digital que está a ser concebida por profissionais na área da computação, para haver esta interligação não só com o visitante, diretamente, mas com o visitante em diversos momentos”, acrescentou.

Além de desenvolver metodologias acessíveis e inclusivas, o projeto visa produzir “um guia metodológico abrangente”, integrando as etapas da iniciativa, além de promover residências artísticas e culturais que envolvam pessoas com deficiência visual.

Promover exposições inclusivas, criar uma plataforma e repositório ‘online’ ou fomentar o uso de novas tecnologias, nomeadamente ao incorporar ferramentas digitais e virtuais para criar experiências interativas que facilitem a acessibilidade e a inclusão em espaços culturais, “expandindo o alcance do projeto para além das fronteiras locais”, são outros dos objetivos a alcançar.

De acordo com os promotores, o projeto visa ainda “fortalecer parcerias e redes de colaboração e contribuir para a inovação social e políticas públicas, voltadas para a “democratização do acesso à cultura e ao património”.

Por último, esperam ainda incentivar a participação comunitária, “especialmente [de] pessoas com deficiência visual”, em todas as etapas do projeto, desde a conceção até a implementação, garantindo que as suas “vozes e perspetivas sejam centrais” para as ações a desenvolver.
 

Δ

MJA | 7.Abr.2026


 

150 medidas concretas para melhorar a vida das pessoas com deficiência em Portugal até 2030

Gabinete da Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e INR | 01/04/2026

Em 31 de março de 2026, o Governo português aprovou a Estratégia para os Direitos das Pessoas com Deficiência 2026-2030, materializada num plano com cerca de 150 medidas concretas. Este plano visa assegurar a inclusão plena, a autonomia e a igualdade de oportunidades até ao final da década, focando-se em várias áreas estruturantes.

As prioridades e medidas destacadas no novo plano incluem:

1. Vida Independente, Autonomia e Apoio Social
>> Aumento de vagas nos CACI: Alargamento da rede de Centros de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI).
>> Reforço do MAVI: Expansão do Modelo de Apoio à Vida Independente.
>> Revisão do Modelo de Avaliação: Transição para um modelo de avaliação da deficiência centrado nas necessidades de apoio e não apenas na percentagem de incapacidade (recomendação do Me-CDPD).
>> Proteção Social: Reforço dos mecanismos de apoio para evitar perdas de direitos em reavaliações.

2. Emprego e Qualificação Profissional
>> Acesso ao Emprego: Implementação de medidas para aumentar a contratação de pessoas com deficiência no mercado aberto.
>> Qualificação: Apoio à formação profissional e requalificação adaptada, financiado pelo programa Portugal 2030.
>> Reabilitação Profissional: Reforço das ações de reabilitação vocacional.

3. Educação e Escolas Inclusivas
>> Escolas mais Inclusivas: Reforço dos apoios pedagógicos e da acessibilidade nas escolas.
>> Regime Jurídico da Educação Inclusiva: Aprofundamento do atual regime para garantir o sucesso educativo.

4. Acessibilidade, Digital e Justiça
>> Acessibilidade Física e Digital: Campanhas de eliminação de barreiras arquitetónicas e reforço da acessibilidade digital (sítios web, serviços públicos).
>> Justiça Acessível: Medidas para garantir a inclusão no sistema de justiça e promover a comunicação acessível.
>> Cultura e Lazer: Promoção da acessibilidade em museus, monumentos e teatros.

5. Participação e Desporto
>> Participação Cívica: Promoção da cidadania ativa e audição das pessoas com deficiência nas políticas públicas.
>> Desporto Inclusivo: Fomento do desporto e atividade física adaptada.

Este plano funciona como um sucessor e alargamento da ENIPD 2021-2025, alinhando-se com a Estratégia Europeia para os Direitos das Pessoas com Deficiência e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.

Consulte os documentos oficiais:
• Estratégia: AQUI.
• Planos de Ação: AQUI.

Δ

MJA | 5.Abr.2026


 

“Miminhos e Barafunda – Histórias do António”: uma coleção de audiolivros infantis

Notícias de Coimbra | 31-03-2026

A Recortar Palavras apresenta uma inovadora coleção de audiolivros infantis, intitulada “Miminhos e Barafunda – Histórias do António”, que transforma a leitura numa experiência sensorial imersiva, unindo literatura, teatro e criação sonora. Esta coleção foi desenvolvida com o objetivo de levar a palavra escrita mais longe, sem nunca a perder de vista, oferecendo aos ouvintes uma vivência profunda das histórias através de múltiplas vozes, ambientes sonoros detalhados e música original.

O projeto tem uma forte dimensão inclusiva, permitindo que as crianças com diferentes formas de aprendizagem, como aquelas com perturbações do espectro do autismo, dificuldades de atenção, dislexia ou deficiência visual, também possam experienciar as histórias de uma maneira acessível, sensorial e envolvente. O formato áudio possibilita um acesso mais abrangente à leitura, especialmente num momento em que se torna urgente promover a igualdade no acesso à cultura e à narrativa.

Cada história da coleção começa com um texto cuidadosamente escrito e ganha vida por meio da interpretação teatral de vários atores, com uma composição musical envolvente e ambientes sonoros que enriquecem a narrativa. O resultado é uma experiência única, onde o som não apenas acompanha a história, mas também a constrói, respira e emociona, convidando as crianças a habitarem as histórias ao seu próprio ritmo, com a sua própria imaginação.

As histórias abordam temas como o cuidado, a empatia, a proteção do meio ambiente, o abandono e a amizade, sempre com uma abordagem reflexiva que permite às crianças explorar as emoções e construir significado, sem impor uma moral explícita. A coleção é, assim, uma excelente ferramenta educativa e emocional para o desenvolvimento infantil.

A coleção é composta por três audiolivros, cada um com sua própria narrativa envolvente. O primeiro, “António e o Perdigueiro Português”, conta a história de António, que cresce entre o amor do pai veterinário e o olhar atento da mãe ambientalista. Em um passeio pela natureza, António encontra um cão ferido, e a história revela a ligação de confiança e ternura que nasce entre eles.

O segundo audiolivro, “António e o Cão Serra da Estrela”, narra a história de António e o seu pai, que partem em uma missão para ajudar uma ovelha frágil. No caminho, António testemunha o afeto puro de um cão de pastoreio, aprendendo sobre os laços de cuidado e pertença.

O terceiro audiolivro, “António e o Cão de Água Português”, fala sobre um cão marcado pela ausência de quem o deixou para trás. António aprende que há tristezas que precisam de tempo e paciência para sarar, e ao lado do cão, descobre o poder da confiança e dos recomeços.

Cada um desses audiolivros é resultado de um trabalho colaborativo entre escritores, atores e músicos, criando uma peça sonora rica que pode ser apreciada tanto por crianças como por adultos. A coleção foi criada com o intuito de proporcionar uma experiência de leitura única e envolvente, onde as palavras ganham vida e fazem com que a infância seja, simplesmente, vivida.

O projeto foi ainda reconhecido a nível institucional, com apoio financeiro da União Europeia, destacando-se como uma iniciativa cultural de interesse público e alinhada com os valores da criação artística, educação e acesso à cultura. Disponível para venda na Wook, a coleção já está à disposição de todos que desejam oferecer às crianças uma nova forma de vivenciar as histórias e a magia da leitura.

“Miminhos e Barafunda – Histórias do António” é, sem dúvida, um projeto pioneiro e inovador no contexto editorial da cidade de Coimbra, e representa um importante passo na promoção da literacia e na criação de novas formas de experienciar a leitura para todos os públicos.

Δ

MJA | 5.Abr.2026


 

Reportagem | RTP - Alunos Cegos e com Baixa Visão

RTP
Associação Bengala Mágica | 30 Março 2026

Hoje, no Jornal da Noite da RTP1, foi dada visibilidade a uma pequena parte de uma realidade que continua a preocupar profundamente pais e profissionais: os alunos com deficiência visual estão a ser deixados para trás no sistema educativo.

A falta de professores de educação especial especializados no domínio da visão (grupo 930) é hoje uma das maiores fragilidades da escola inclusiva em Portugal. Estes docentes desempenham funções altamente específicas e exigentes, previstas no regime jurídico da educação inclusiva. Não prestam apenas apoio- ensinam competências essenciais à autonomia e ao acesso ao currículo, como a leitura e escrita em braille, a orientação e mobilidade, o uso de tecnologias de apoio e as atividades de vida diária. Avaliam a visão funcional dos alunos, adaptam materiais e estratégias pedagógicas e trabalham em estreita colaboração com os restantes professores.

Trata-se de um trabalho intensivo e altamente individualizado, que muitas vezes exige várias horas semanais dedicadas a um único aluno, para garantir a sua participação plena na escola.

Os dados que a Associação Bengala Mágica (BM) conseguiu recolher- em apenas duas semanas e de forma informal, através de um questionário a professores associados da BM- são claros, ainda que representem apenas uma parte da realidade: em 23 agrupamentos de escolas (12 designados de Referência e 11 Regulares) foram identificados 152 alunos com deficiência visual (91 com baixa visão e 61 cegos). A estes somam-se ainda crianças em intervenção precoce, com pelo menos 47 acompanhadas na zona Centro e 23 na Área Metropolitana de Lisboa.

Importa sublinhar que estes números dizem respeito a uma amostra muito limitada: existem cerca de 810 unidades orgânicas no sistema público, mas os dados recolhidos abrangem apenas uma pequena parte delas, incluindo apenas 12 dos 27 Agrupamentos de Escolas de Referência no domínio da visão.

Isto significa que a dimensão real desta problemática é, muito provavelmente, muito superior, incluindo alunos em escolas não identificadas, no ensino privado ou mesmo ainda não sinalizados. Num sistema educativo que se afirma inclusivo, não podemos aceitar que um direito fundamental — o direito à educação — seja colocado em causa.

É urgente que o Ministério da Educação tome medidas estruturais:
֍ Investir na formação especializada de docentes no domínio da visão
֍ Garantir que essa formação seja financiada, eliminando a atual barreira económica
֍ Planear de forma estratégica a colocação destes profissionais nas escolas onde estão os alunos com DV

Sem estas medidas, continuaremos a assistir a desigualdades graves no acesso à educação.
Assista à reportagem: https://l.facebook.com/l.php?u

Δ

MJA | 30.Mar.2026


 

Programa de Residências para Artistas com Deficiência está com candidaturas abertas

Direcção-Geral das Artes
25.03.2026

Decorre até 10 de abril de 2026 o prazo para candidaturas à residência de artistas em České Budějovice, na Chéquia. A iniciativa resulta de uma colaboração entre o Festival Umění ve městě (Art in the City / Arte na Cidade) e České Budějovice, que será Cidade Capital Europeia da Cultura em 2028.

‘Fragilidade’ é o tema deste ano do Festival de Umění ve městě. No âmbito do Festival, a residência realizar-se-á até três semanas entre meados de maio e início de junho de 2026.

O convite à apresentação de candidaturas é dirigido a um artista, um coletivo ou uma equipa interdisciplinar de uma das cidades da rede CreArt 3.0: Kaunas (Lituânia), Liepaja (Letónia), Skopje (Macedónia do Norte), Aveiro (Portugal), Valladolid (Espanha), Veneza (Itália), Clermont-Ferrand e Rouen (França), České Budějovice (Chéquia), Oulu (Finlândia), Regensburgo (Alemanha), Lunlin (Polónia), membros da HDLU (Associação Croata de Artistas Visuais) e ucranianos em colaboração com a Dialog from Lviv.

São esperadas obras inspiradas em vivências de deficiência, que abordem a deficiência na prática artística ou no contexto de ambientes de apoio para pessoas portadoras de deficiência, e cuja prática artística visual ou espacial esteja ligada ao espaço público, obras site-specific ou em contexto urbano, visando o envolvimento do público .

As obras instaladas em espaços públicos podem permanecer em exposição 24 horas por dia, 7 dias por semana, durante todo o período do festival (junho a setembro), devendo os projetos de instalação ao ar livre de longa duração ser materialmente resistentes às condições climáticas e ao contato físico com o público.

Durante a estadia, os artistas poderão trabalhar em diálogo e usufruir do espaço público de České Budějovice, com apoio organizacional e de produção. Um mentor local auxiliará na orientação e em questões práticas durante a residência.

O apoio prático inclui honorários para o artista de até 2.000 euros, orçamento para produção e realização (normalmente em torno de 2.000 euros para novas obras ou custos relacionados com o transporte para obras existentes), alojamento, custos de viagem e espaço de trabalho.

As questões relacionadas com a acessibilidade serão tratadas individualmente como parte da planificação da residência.


  mais informações e candidaturas aqui: https://creart2-eu.org/open-calls/creart-3-0-open-call-air-program-umeni-ve-meste-art-in-the-city-hosted-by-ceske-budejovice-cz

Δ

MJA | 30.Mar.2026


 

Saiba qual é a raça de cães que pode vir a ser a companhia dos cidadãos invisuais

António Alves
Noticias de Coimbra | 25-03-2026

Mais de duas décadas a trabalhar com cães da raça Labrador, a escola de Mortágua prepara-se para testar uma nova raça com os cidadãos invisuais. Animal já está a ser treinado na Escola de Cães-Guia para Cegos em Mortágua.

O anúncio coube à diretora técnica da escola, Ana Filipa Paiva, na sessão Vet Talks realizada quarta-feira, 25 de março, no UC Exploratório em Coimbra. Sem garantir que tal resulte em sucesso, a responsável explicou que se trata da primeira experiência nesta área.

“Era um orgulho muito grande podermos trabalhar uma raça nacional. Uma raça totalmente diferente do labrador. Na sua origem não, porque também é um cão de salvamento, é um cão de busca, é um cão que também gosta de trabalhar, é um cão que tem mais dificuldade em transitar de umas pessoas para as outras, portanto estamos a aprender, permitimos-nos neste momento este luxo de aprender e esperemos que o resultado venha a ser positivo e que possamos continuar a preparar cães de água portugueses para esta função”, afirmou.

Na sessão, que durou mais de uma hora, Ana Filipa Paiva referiu que desde 1999 – data em que entregaram o primeiro cão-guia – já fizeram 300 duplas.

“Destas 300 duplas temos que contar que muitos já são substituições, temos neste momento em trabalho efetivo de norte a sul e também na Madeira 120 cães, que são acompanhados pela associação, que estão sempre associados a nós, sempre acompanhados por nós, e temos na nossa escola o processo de formação destes cães”, explicou.

Todos os cães formados na escola são entregues gratuitamente aos cidadãos com deficiência visual. Com um orçamento de mais de meio milhão de euros, apelam à consignação do 1% do IRS, bem como a tornar-se associado ou até ser família de acolhimento.

Veja o Direto NDC com Ana Filipa Paiva
https://www.youtube.com/watch?v=LlhbgPocP4E&t=66s

Δ

MJA | 29.Mar.2026


 

ComicCast: banda desenhada acessível a invisuais

João Gata
Xa das 5, Outubro 1, 2025

A ComicCast é uma aplicação móvel que promete mudar para sempre a forma como pessoas invisuais experienciam banda desenhada. O projeto junta a ONCE (Organización Nacional de Ciegos de España), a Dentsu Creative e a Amazon Web Services (AWS), com implementação da IO Digital X.

O resultado é um salto tecnológico e cultural: páginas de BD interpretadas em tempo real por inteligência artificial generativa, que se transformam em áudio imersivo com vozes, onomatopeias e efeitos sonoros.

Ver o vídeo explicativo aqui.

ComicCast: banda desenhada acessível com IA da AWS
Apresentada na San Diego Comic-Con em Málaga, a ComicCast foi testada ao vivo por pessoas com deficiência visual e mostrou como tecnologia e criatividade podem derrubar barreiras de acesso à cultura.

Mortadelo e Salaminho como primeira aventura
O protótipo foi treinado com as histórias de Mortadelo e Salaminho, criação icónica do cartoonista espanhol Francisco Ibáñez. Para a sua filha, Nuria Ibáñez, este projeto seria algo que o autor “teria adorado”, ao aproximar um universo de humor e imaginação de quem nunca tinha podido “ler” banda desenhada desta forma.

Como funciona a ComicCast
O processo é simples: basta apontar o telemóvel para uma página de banda desenhada. A partir daí, a aplicação recorre a modelos de IA — Amazon Nova Pro e Claude (Anthropic), via Amazon Bedrock — que analisam a estrutura da página, reconhecem diálogos, identificam personagens e interpretam onomatopeias. O sistema gera uma descrição áudio que não só narra os diálogos, como contextualiza a ação.

Para dar vida às personagens, entra em cena a tecnologia da ElevenLabs, responsável pela síntese de voz personalizada e pelos efeitos sonoros que recriam explosões, quedas ou até os passos mais discretos. No fim, o utilizador ouve uma versão imersiva da história, quase como um filme áudio com direito a vozes distintas e ritmo narrativo.

Resumindo
A ComicCast abre um novo capítulo na relação entre tecnologia, criatividade e inclusão. O que começou em Málaga com Mortadelo e Salaminho poderá muito bem tornar-se uma revolução global, provando que a inteligência artificial, quando bem aplicada, é uma ponte para a acessibilidade cultural.

fonte do artigo original: https://xadas5.pt/comiccast
 

Δ

MJA | 14.Mar.2026


 

Piloto na Gare do Oriente ajuda pessoas cegas a encontrar o caminho

Mário Rui André
#LPP , Março 11, 2026

Na Gare do Oriente, pessoas cegas ou com baixa visão estão a testar um sistema de orientação que promete facilitar o uso dos transportes públicos. Através do telemóvel, de códigos QR coloridos e de guias tácteis, é possível fazer de forma autónoma o percurso entre paragens da Carris Metropolitana e a estação de metro.

Chama-se WayFinding, ou seja, “encontrar o caminho”. Trata-se de um projecto-piloto, promovido pela Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML), que está em curso na Gare do Oriente. O intuito é ajudar pessoas cegas ou com baixa visão a deslocarem-se entre as paragens da Carris Metropolitana e a estação do Metro. Tudo com a ajuda de uns códigos QR coloridos, do telemóvel, de instruções áudio e de guias tácteis no pavimento.

De telemóvel na mão, Paulo Santos começa o percurso na paragem 16 do terminal rodoviário da Gare do Oriente. Faz de conta que acabou de sair do 2724, do 2726 ou do 2731 – três linhas da Carris Metropolitana que ligam Lisboa a Loures, e que têm término naquele local. Mas a viagem não aconteceu: Paulo acabou de chegar ali apenas para demonstrar o WayFinding, o sistema piloto de guiamento que segura na sua mão. Estamos a 20 de Outubro, o Dia Nacional da Acessibilidade.

Paulo Santos é presidente da delegação de Lisboa da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO); e foi uma das pessoas convidadas pela TML para mostrar aos jornalistas o WayFinding. O telemóvel de Paulo está com a aplicação NaviLens (iOS e Android) aberta e é através desta, e da câmara do equipamento, que se orienta na Gare do Oriente. Quando a câmara reconhece um dos códigos QR coloridos espalhados pela interface de transportes, a aplicação dá indicações em áudio a Paulo. Foi o que aconteceu naquela paragem: a app depressa lhe disse onde estava e que linhas da Carris Metropolitana podia ali apanhar.

Mas o percurso que queremos fazer é o inverso: ir desta paragem de autocarro para a estação de metro, Oriente, apanhar a Linha Vermelha. Para isso, Paulo só tem de continuar com o telemóvel na mão, com a NaviLens aberta e com a câmara do dispositivo a apontar para fora. A aplicação vai continuar a dar instruções à medida que apanha os códigos QR, espalhados entre as paragens exteriores da Carris Metropolitana e o interior da Gare.

Solução pode ser alargada a mais interfaces

O projecto WayFinding tem como objectivo “avaliar a eficácia e aplicabilidade de tecnologias de acessibilidade e navegabilidade em interfaces complexas”, como é o caso da Gare do Oriente. Resulta de uma iniciativa da TML, em parceria com o Metro de Lisboa (ML), a Infraestruturas de Portugal (IP), o Instituto Nacional para a Reabilitação (INR) e a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO). O projecto não se esgota na utilização de códigos coloridos e da aplicação NaviLens – houve obra feita na Gare do Oriente.

Entre a paragem de autocarro e o metro foram instaladas guias tácteis no pavimento, permitindo que pessoas cegas ou com baixa visão possam, com a bengala, detectar obstáculos e identificar o caminho. O piso táctil está por toda a estação de metro do Oriente – que é, assim, a única estação da rede do Metro de Lisboa a oferecer este tipo de apoio. Há guias tácteis junto aos lanços de escadas, na passagem pelas portas de acesso e nos cais de embarque. Quando mais que uma guia se cruza no chão, há códigos QR colado para que a NaviLens nunca deixe de comunicar com o utilizador e lhe diga por onde seguir.

Nos corrimãos de escada, por sua vez, foram colocadas marcações em braille com indicação do destino – ora “São Sebastião”, ora “Aeroporto”, ora “Metro”, ora “Carris Metropolitana” –, criando redundância à aplicação e permitindo aos passageiros saberem se estão na direcção certa. Foi ainda desenvolvido um mapa de alto contraste de toda a Gare do Oriente.

Planta de Alto Contraste da Gare do Oriente, desenvolvida no âmbito do projecto WayFinding (via TML):  Link da Planta aqui.

Sem visão, andar de transportes é um desafio

O WayFinding é um projecto de carácter experimental para avaliar a viabilidade e impacto real destas soluções no terreno, antes de uma eventual expansão a outras interfaces de transporte da área metropolitana de Lisboa. “Queremos garantir que cada passo no sentido da acessibilidade e navegabilidade é dado com base em evidência e na experiência direta das pessoas que dela necessitam”, sublinha Faustino Gomes, Presidente da TML.

Aos jornalistas, em Outubro, Paulo Santos disse que esta iniciativa pode trazer “bastantes melhorias e autonomia às pessoas com deficiência visual”. “Este era um espaço em que havia muita dificuldade, porque não havia pontos de localização. Hoje, com este projeto aqui implementado, apesar de ser só entre a carreira metropolitana e o metropolitano de Lisboa, uma pessoa cega ou com baixa visão consegue-se deslocar autonomamente sem os perigos de barreiras arquitetónicas ou estruturais”, realçou o responsável da ACAPO, que teve um papel activo na construção e teste da solução.

Paulo Santos disse que há muito por melhorar nos transportes públicos em Lisboa para os tornar acessíveis a pessoas com deficiência visual, dando como exemplo que o sistema de avisos áudio dos autocarros, sobretudo da Carris, que é “desligado pelos motoristas (…) porque aquilo parece que incomoda”. O dirigente da ACAPO espera que o piloto em curso no Oriente venha a ser implementado noutros locais da cidade e região de Lisboa, notando que a legislação sobre acessibilidades não só está desactualizada, como não é cumprida.

Sónia Páscoa, administradora do Metro de Lisboa, disse, por seu lado, que o Metro pretende “implementar, de forma progressiva, um sistema de acessibilidade universal e intemporal, alinhado com as melhores práticas e com medidas já em curso, como a sinalização táctil, a informação sonora, os sistemas digitais, e a colaboração com entidades especializadas”. Em várias redes europeias de metro, é comum haver pavimento táctil nas estações, algo que nas estações de Lisboa não existe – só mesmo agora na estação do Oriente.

TML convida pessoas com deficiência visual a testar o piloto

A TML diz que os resultados do WayFinding “irão servir de base à avaliação técnica e funcional destas soluções, contribuindo para definir futuras estratégias de investimento em acessibilidade e mobilidade inclusiva na rede metropolitana”. A empresa intermunicipal – que coordena o Navegante e a Carris Metropolitana – está a convidar pessoas com deficiência visual a testar novo percurso acessível na Gare do Oriente e a deixar sugestões de melhoria.

Para tal, estão disponíveis visitas acompanhadas por técnicos especializados, sendo que as inscrições podem ser feitas através de um formulário online. Quem preferir pode também explorar o percurso de forma autónoma, recorrendo a um guia de apoio (disponível em baixo, em PDF) e à planta de alto contraste (disponível em cima, em PDF também). Após a experiência, a TML convida os participantes a responder a um formulário de avaliação, ou a enviar contributos para transportes@tmlmobilidade.pt.

Guia de Apoio à Compreensão da Gare do Oriente por Pessoas Cegas e Com Baixa Visão: Link para descarregar aqui.

fonte da notícia: https://lisboaparapessoas.pt/2026/03/11/wayfinding-gare-do-oriente-piloto-pessoas-cegas-deficiencia-visual-transportes-lisboa/
 

Δ

MJA | 13.Mar.2026


 

"O ChatGPT foi o meu treinador", diz biatleta cego que venceu medalha de prata nos Jogos Paralímpicos de Inverno

Larissa Faria
Observador | 10 mar. 2026

O ucraniano Maksym Murashkovskyi subiu ao pódio em Itália e dedicou a conquista à ferramenta de Inteligência Artificial, que revelou consultar como um "psicólogo, treinador e, às vezes, como médico".

O desportista ucraniano usa o chatbot para aprender idiomas e desenvolver treinamentos desportivos afirma o National Paralympic Committee of Ukraine.

A precisão na performance de um biatleta ucraniano chamou a atenção nos Jogos Paralímpicos de Inverno de 2026, em Itália. E não foi simplesmente pelo facto de Maksym Murashkovskyi, de 25 anos, ser invisual. Na sua segunda prova paralímpica, que combinou esqui de fundo e tiro ao alvo, o desportista não errou nenhum tiro e mostrou-se tranquilo com a conquista da medalha de prata, cujo mérito atribuiu ao ChatGPT. “Não se tratava apenas de tática. Metade do meu plano de treino e motivação [foi desenvolvido pela Inteligência Artificial]”, admitiu ao The Guardian.

“Durante seis meses, utilizei-o como psicólogo, treinador e, às vezes, como médico“, admitiu. “É uma tecnologia revolucionária”, disse, ao revelar que a ferramenta substituiu o treino com um personal trainer, apesar de acreditar que estes profissionais não tenham de se preocupar, “por enquanto”, em serem substituídos.

Mas o mesmo chatbot que ajudou Murashkovskyi a alcançar o pódio foi também utilizado na guerra contra o seu país, de forma a mapear zonas que poderiam ser atingidas. “Funciona como na química ou na biologia. Alguém pode usar estes conhecimentos para o bem e para o mal. No meu caso, uso para aprender idiomas e para desenvolver os meus treinos desportivos”, disse aos jornalistas. Em 2023, o atleta conquistou uma medalha de bronze no Campeonato Mundial de Esqui de Fundo Paralímpico, na Suécia.

Os Jogos Paralímpicos de Inverno decorrem desde o dia 6 até 15 de março.

Δ

MJA | 10.Mar.2026



Implante devolve a visão aos cegos e está a revolucionar a medicina

Notícias de Coimbra | 03-03-2026

Um pequeno implante retiniano sem fios está a devolver visão central a pessoas com degenerescência macular avançada, uma das principais causas de cegueira em idosos, segundo resultados de um grande ensaio clínico internacional.

A técnica foi testada em doentes com degenerescência macular atrófica (geográfica) — uma forma grave de perda de visão causada pela destruição progressiva das células sensoriais da retina — e os resultados publicados no The New England Journal of Medicine mostram que mais de 80% dos participantes recuperaram visão útil.

O implante, de apenas 2 mm por 2 mm, substitui células sensoriais danificadas convertendo luz em sinais elétricos que estimulam diretamente as células remanescentes da retina. Emparelhado com um sistema de óculos especiais e uma câmara, o dispositivo transmite imagens que o cérebro pode interpretar, permitindo aos pacientes voltar a distinguir letras e até a ler palavras e, em alguns casos, páginas num livro.

Durante o ensaio, que integrou 38 participantes com mais de 60 anos em vários países europeus, os investigadores verificaram que muitos recuperaram vários níveis de visão que não tinham há anos. Registaram‑se ganhos médios de cerca de 25 letras em cartas de teste visual, o que equivale a várias linhas completas de melhoria no teste de visão padrão.

O paciente usa óculos com uma câmara integrada que capta a imagem que depois é transmitida por luz infravermelha ao implante retiniano. O implante transforma essa informação em impulsos elétricos que estimulam células da retina ainda funcionais. O cérebro interpreta esses sinais, restaurando parte da visão central perdida. Apesar de ainda não devolver visão perfeita (20/20), os resultados representam um enorme avanço para pessoas que antes não tinham qualquer visão central funcional.

O estudo foi coordenado por investigadores de várias instituições, incluindo a University of Pittsburgh, e envolveu 17 centros clínicos na Europa. Após estes resultados positivos, o fabricante — a empresa Science Corporation — avançou com pedidos de aprovação regulamentar na Europa e nos Estados Unidos, abrindo caminho para que o dispositivo possa ser utilizado clinicamente em doentes com degenerescência macular no futuro próximo. Este avanço tecnológico abre uma nova fronteira na restauração da visão e pode vir a transformar a vida de milhões de pessoas afetadas por esta condição degenerativa.

Δ

MJA | 9.Mar.2026


 

Criado em Sever do Vouga sistema de apoio à mobilidade para invisuais

Rádio Ria
06 mar 2026

Um sistema tecnológico de apoio à mobilidade para pessoas com deficiência visual foi criado em Sever do Vouga, no polo da Escola Profissional de Aveiro, informou hoje a instituição à agência Lusa.

O projeto combina óculos inteligentes e bengala eletrónica, desenvolvidos com recurso a uma placa Arduíno e sensores de ultrassons para detetar obstáculos. O sistema de baixo custo emite alertas sonoros e táteis sempre que identifica objetos a curta distância, através de tecnologia de apoio à mobilidade autónoma.

A equipa realizou pesquisa sobre necessidades específicas do público-alvo e construiu o protótipo mediante a metodologia de aprendizagem, baseada em projetos para responder a problemas da comunidade. Os testes efetuados em ambiente simulado permitiram ajustar o código e os sensores para garantir maior precisão na deteção de obstáculos e fiabilidade dos alertas em tempo real.

A iniciativa, integrada no concurso “escola alerta”, prevê a realização de novos testes em contexto real e a integração de funcionalidades adicionais no equipamento tecnológico de apoio. A validação do dispositivo incluiu uma apresentação em conselho pedagógico com a presença de entidades parceiras como a Navigator Company, PCI Advanced e a Associação Comercial de Aveiro.

De acordo com uma nota de imprensa da Escola Profissional de Aveiro, o sistema foi também apresentado numa sessão na delegação da Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) que permitiu demonstrar o protótipo e recolher sugestões dos associados.

Δ

MJA | 8.Mar.2026


 

Docentes como agentes de inclusão: UC apresenta programa para apoiar estudantes com necessidades específicas

Karine Paniza & Marta Costa
Notícias UC, 03 março, 2026

A 2 de março, a Universidade de Coimbra (UC) apresentou o Programa de Apoio a Docentes para Acompanhamento Pedagógico de Estudantes com Necessidades Específicas, desafiando professores e investigadores a assumirem um papel ativo como agentes de inclusão.

Incluído no Programa Integrado para a Promoção da Igualdade de Oportunidades e Equidade no Acesso e Frequência — UC4All, destina-se a docentes e investigadores da UC. Tem como propósito apoiar a lecionação e promover práticas centradas na equidade de oportunidades, no respeito pela diversidade e no acompanhamento que permita alcançar resultados de aprendizagem satisfatórios e prevenir o abandono.

“Nós estamos a lançar o programa de apoio aos professores para acompanhamento de estudantes com necessidades específicas". Durante a sessão, a Vice-Reitora para as áreas do Ensino e Atratividade, Cristina Albuquerque, afirmou ainda que este "nos gratifica muitíssimo porque visa preparar e dar instrumentos, ferramentas e estratégias aos professores para que cumpram da melhor forma aquele que é o seu grande objetivo: a aprendizagem de todos os estudantes”.

Sublinhando os desafios concretos colocados em sala de aula, a responsável reconheceu que “os estudantes com necessidades específicas colocam diversos desafios e precisam de estratégias adaptadas”. A resposta, de acordo com Cristina Albuquerque, pode passar por ajustamentos simples, mas eficazes. “Por vezes, basta uma pequena alteração, uma pequena estratégia, e conseguimos que todos na sala de aula possam ter acesso ao ensino de qualidade que nós pretendemos”.

O programa disponibiliza, numa plataforma online integrada, um conjunto alargado de recursos organizados por áreas temáticas. Desde enquadramento legal e institucional sobre inclusão e igualdade, até investigação científica, plataformas de acessibilidade digital, guias práticos e conteúdos sobre Desenho Universal da Aprendizagem (uma abordagem pedagógica que propõe métodos flexíveis para responder à diversidade dos estudantes). Inclui ainda espaços dedicados a deficiências sensoriais e à promoção da saúde psicológica e mental em contexto educativo.

Entre os materiais já disponíveis encontram-se vídeos com dicas. “Vamos apresentar já dois vídeos de estudantes: um com deficiência auditiva e outra com deficiência visual que nos vão ajudar a compreender o que sentem, o que esperam em sala de aula e como os podemos ajudar”, explicou Cristina Albuquerque. A Vice-Reitora acrescentou que “vamos ter outros estudantes com outro tipo de necessidades, vamos disponibilizar outros recursos e ainda workshops”.

Segundo a responsável, “os recursos vão estar disponíveis para toda a comunidade académica: professores, investigadores e estudantes”, reforçando a ideia de que a inclusão é uma responsabilidade coletiva. Cristina Albuquerque sublinhou ainda o caráter evolutivo da iniciativa. “Naquele espaço vão estar agregados todo um conjunto de elementos de consulta". "É o primeiro passo e agora vamos melhorando com aquilo que nos fizerem chegar. É um projeto da comunidade UC para a comunidade UC.”

Δ

MJA | 5.Mar.2026


 

Cinemas vão ter um filme por mês com acesso a legendas descritivas

Lusa | Noticias ao minuto, 04/03/2026

A plataforma AMPLA inicia esta semana um projeto de disponibilização mensal de legendas descritivas e audiodescrição para pessoas cegas e surdas para um filme nas salas de cinema. A iniciativa arranca na quinta-feira com o filme "A Noiva", de Maggie Gyllenhaal, tendo disponíveis legendas descritivas e audiodescrição, através de telemóvel, para espectadores cegos ou com baixa visão e para pessoas surdas ou com deficiência auditiva, em todas as salas onde o filme se estrear.

Para aceder às legendas descritivas ou à audiodescrição, o espectador tem de descarregar uma aplicação no telemóvel (MovieReading), onde estes recursos estão disponíveis em língua portuguesa. No caso da audiodescrição, as pessoas cegas ou com baixa visão têm de levar consigo uns auscultadores, para poderem ouvir tudo o que é descrito no filme. No caso das legendas descritivas, estas são automaticamente sincronizadas com o telemóvel do espectador, dentro da sala de cinema.

Por uma questão de conforto, algumas salas de cinema vão disponibilizar suportes de apoio para que os espectadores coloquem o telemóvel de forma a poderem ler as legendas descritivas.

A iniciativa começa com "A Noiva", prosseguirá em abril com a comédia francesa "Ladrões da Treta", de Grégoire Vigneron, e em maio com o filme português "18 Buracos para o Paraíso", de João Nuno Pinto.

"Se queremos promover as acessibilidades no cinema em Portugal de uma forma muito mais massiva, faria sentido irmos para as salas de cinema, com filmes mais comerciais e isso foi o 'shift' que decidimos fazer", explicou um dos responsáveis da AMPLA, Hugo Tornelo, à agência Lusa. Esta mudança da AMPLA para a rede nacional de cinemas acontece depois de esta plataforma ter organizado nos últimos anos uma mostra de cinema, em Lisboa, na qual os filmes escolhidos eram exibidos com condições de acessibilidade para todos os públicos.

Segundo Hugo Tornelo, o objetivo agora é ter um filme por mês com aqueles recursos de acessibilidade, programando até dezembro, mas a AMPLA ainda aguarda os resultados de um pedido de financiamento do Instituto do Cinema e Audiovisual e espera conseguir a adesão de mais exibidoras e distribuidoras. É que não basta criar os recursos para cada filme, cuja produção ronda os cerca de dois mil euros por cada obra cinematográfica, disse aquele responsável.

"Há uma dinâmica diferente que não estávamos habituados na produção de recursos, que é conseguir ter acesso a filmes com antecedência. E não temos por questões de segurança" das próprias distribuidoras, em relação aos filmes internacionais com os quais trabalham, explicou Hugo Tornelo. Nessa promoção de acessibilidade nas idas ao cinema, há ainda todo um trabalho de comunicação por parte dentro do setor. "Não basta ter o recurso na aplicação [no telemóvel]. É importante saber como acolher a pessoa com deficiência, como comunicar a experiência. A experiência vai desde a bilheteira até ao momento em que saio [da sala de cinema]", disse.

A utilização destes recursos de legendas descritivas e audiodescrição está detalhada em amplacinema.pt.

Δ

MJA | 4.Mar.2026



Miopia infantil dispara e exige ação precoce

SIC Notícias
28 fev.2026

A miopia nas crianças está a aumentar de forma preocupante. A tendência é global e poderá afetar metade da população mundial em 2050. Filipa Teixeira, responsável pelo departamento de oftalmologia pediátrica e estrabismo do Hospital de Santa Maria, sublinha a importância do diagnóstico precoce, da mudança de hábitos e do acompanhamento especializado para proteger a saúde ocular das crianças.

A miopia nas crianças está a aumentar de forma preocupante, e Portugal acompanha esta tendência. Nas últimas décadas, os estudos epidemiológicos mostram um crescimento da prevalência da miopia em todo o mundo, e estima-se que, até 2050, cerca de metade da população mundial possa ser míope.

A miopia, que se caracteriza por uma dificuldade em ver ao longe, resulta de um crescimento excessivo do olho em comprimento. Quanto mais cedo a miopia surge, maior é a probabilidade de progressão para graus moderados ou elevados. De acordo com os consensos internacionais, incluindo a World Society of Paediatric Ophthalmology & Strabismus, a progressão da miopia merece atenção especial, sobretudo quando surge cedo.

Mas por que está a miopia a aumentar?
A explicação prende-se com diversos fatores. A genética tem um papel importante: crianças com pais míopes têm maior probabilidade de desenvolver a condição. No entanto, a genética não se altera em poucas décadas, o que mudou foi o estilo de vida. As crianças passam hoje muito mais tempo em atividades de visão ao perto, nomeadamente pela utilização excessiva de telemóveis ou tablets, leitura prolongada e estudo intensivo. Paralelamente, as crianças passam menos tempo ao ar livre. A evidência científica mostra que a exposição à luz natural tem um efeito protetor, provavelmente através de mecanismos biológicos na retina que regulam o crescimento ocular.

O que podemos fazer para travar a progressão da miopia?
A primeira medida deve centrar-se na mudança de estilos de vida. Recomenda-se pelo menos duas horas diárias ao ar livre, incluindo por exemplo a prática de desporto. A exposição à luz natural tem um efeito protetor para a miopia e deve ser incentivada desde cedo. Em casa e na escola, é fundamental promover bons hábitos. A leitura e a escrita devem ser feitas com iluminação adequada e mantendo uma distância mínima de 30-40 cm. Relativamente aos dispositivos eletrónicos, o tempo de utilização deve ser controlado e ajustado à idade da criança. Devem ser feitas pausas frequentes e garantir sempre uma distância adequada do ecrã e boa iluminação do ambiente.

Atualmente existem ainda tratamentos médicos para controlar a progressão da miopia. Destacam-se as lentes oftálmicas ou lentes de contacto com tecnologias de desfocagem periférica, que induzem mecanismos que controlam o alongamento do olho. Adicionalmente, o colírio de atropina em baixa dose, pode também reduzir a progressão. Mais do que corrigir a visão, o objetivo é proteger a saúde ocular futura. A miopia elevada está associada a maior risco de descolamento de retina, glaucoma, catarata entre outros na idade adulta.

A mensagem é clara: exames oftalmológicos regulares na infância permitem detetar precocemente a miopia, avaliar o risco de progressão e iniciar estratégias adequadas. Num contexto em que a miopia está a aumentar, a prevenção e o acompanhamento especializado por um oftalmologista pediátrico são fundamentais para proteger a visão das próximas gerações.

Artigo da autoria de Filipa Teixeira, oftalmologista responsável pelo departamento de oftalmologia pediátrica e estrabismo do Hospital de Santa Maria, assistente convidada da Faculdade de Medicina de Lisboa

Δ

MJA | 3.Mar.2026


 

Reclamação ao Portal das Finanças

J. S.
Deco.proteste,  26-02-2026

Venho por este meio apresentar uma reclamação em nome das pessoas invisuais, relativamente ao processo de envio e ativação da Chave Móvel Digital.

Através da aplicação Be My Eyes, recebi uma chamada de um cidadão invisual que havia recebido em casa a carta com os dados para ativação da Chave Móvel Digital. O senhor solicitou ajuda, uma vez que estava a ter dificuldades em abrir o envelope. A carta apresentava uma moldura picotada praticamente impercetível ao tato, segundo o próprio, não estando devidamente marcada para facilitar a abertura por pessoas com deficiência visual (ou qualquer outra pessoa).

Apesar das orientações fornecidas, a carta acabou por ficar bastante rasgada. O senhor teve ainda de descolar as bordas da carta depois de rasgar o picotado. Felizmente, a zona onde constava o PIN de ativação não foi danificada. No entanto, poderia ter comprometido informação sensível.

Após a abertura, o senhor deparou-se com outra grave limitação: a carta não se encontrava disponível em Braille, impossibilitando a sua leitura autónoma. Esta situação trata-se de um serviço público essencial, associado ao Portal das Finanças, que deve garantir acessibilidade e igualdade de acesso a todos os cidadãos, incluindo pessoas com deficiência visual.

Para ajudar, o senhor pediu para ler o código e enviá-lo por mensagem, o que levanta sérias questões de segurança e proteção de dados. O senhor teve a sorte de contactar uma pessoa bem-intencionada, mas poderia facilmente ter sido vítima de alguém com más intenções, colocando em risco o acesso à sua informação pessoal e fiscal.

Adicionalmente, o senhor relatou dificuldades na própria aplicação de ativação da Chave Móvel Digital, uma vez que o processo exige apontar a câmara do telemóvel ao Cartão de Cidadão, enquadrando-o numa moldura apresentada no ecrã. Sendo invisual, não conseguiu realizar este procedimento de forma autónoma, ficando novamente dependente de terceiros.

Considero esta situação inadmissível. As pessoas invisuais têm o mesmo direito de tratar dos seus assuntos de forma autónoma e segura, sem necessidade de se deslocarem fisicamente a um balcão de atendimento ou dependerem de terceiros para aceder a serviços digitais do Estado.

Assim, solicito uma revisão urgente dos procedimentos adotados, garantindo:
- Envelopes e cartas com sistemas de abertura táteis adequados.
- Disponibilização da informação em Braille ou noutros formatos acessíveis.
- Processos de ativação digital verdadeiramente inclusivos e compatíveis com tecnologias de apoio.

A acessibilidade não é um favor, mas sim um direito.

Δ

MJA | 1.Mar.2026


 

Jovem moçambicano cria óculos que devolvem autonomia a cegos

Agência Lusa, 23 Fevereiro 26
Observador


O protótipo de João Rego, em que trabalha desde 2022, permite a localização e vibrações que interagem com o utilizador, alertando para um possível obstáculo no percurso.


João Rego trabalha desde 2022 na criação dos primeiros óculos capazes de ajudar a devolver a autonomia a cegos, alimentando a vontade e o sonho de ter mais tecnologias de apoio adaptados à realidade urbana moçambicana.

Sentado à sua mesa de trabalho, nos arredores de Maputo, entre circuitos abertos e o emaranhado de cabos que dão vida às suas criações, João Rego, de 24 anos, conta à Lusa que a ideia de criar óculos para pessoas cegas nasceu em 2022, inspirado por uma reportagem que mostrava os desafios quotidianos de quem não vê.

O seu protótipo permite a localização e vibrações que interagem com o utilizador, alertando para um possível obstáculo no percurso.

“Vi uma reportagem de uma senhora cega que estava andando na cidade de Maputo e tinha uma cova à sua frente e ela colocou o pé. Nesse dia eu vi essa reportagem e sensibilizei-me com essa situação e, pronto, como eu sou da área da robótica, calhou exatamente que eu estava a projetar um robô especificamente para uma atividade que eu tinha e pensei, olha, porque não ajudar?”, relata o criador, formado em engenharia eletrónica.

Para João Rego, a engenharia é mais do que qualquer coisa uma ferramenta de resgate. Sem laboratórios luxuosos, o jovem encontra no quintal da sua casa, no bairro de Bunhiça, a cerca de 20 quilómetros do centro de Maputo, o silêncio necessário para criar, fundindo o rigor técnico com o desejo de mudar vidas e derrubar as barreiras que isolam os cerca de 700 mil cidadãos que enfrentam limitações visuais graves em Moçambique.

Os óculos, já testados por dezenas de voluntários e que passaram por várias versões e atualizações nos últimos anos, surgem hoje cuidadosamente envoltos numa capulana, tecido tradicional de cores vibrantes e padrões coloridos, que acolhe e protege um sistema tecnológico desenhado para devolver autonomia e revolucionar o dia-a-dia de quem vive com deficiência visual em Moçambique.

“Durante esse percurso, foram várias as versões que foram surgindo. Especificamente foram três versões muito trabalhadas e no meio disso eu usei recursos locais”, disse, reiterando que nem todos os recursos tecnológicos locais são acessíveis e por isso houve a necessidade de recorrer também ao mercado estrangeiro.

Segundo Rego, o protótipo, agora pré-final, dos óculos é integrado com várias tecnologias, entre as quais um sistema de localização e controlo de bateria em tempo real, além de vibrações que interagem com o utilizador, alertando para um possível obstáculo.

“Basicamente os óculos funcionam da seguinte forma, o usuário coloca os óculos, como quaisquer óculos normais, eles têm alguns sensores, a sua versão patenteada tem 10 sensores, esses 10 sensores “olham” para 10 pontos diferentes, cobrindo um ângulo de aproximadamente 120 graus. Então, dentro desse ângulo, ele consegue detetar tudo a uma distância de até oito metros, mas está otimizado para quatro metros”, explica.

Entre os benefícios da invenção, o jovem assinala que “os óculos vêm para ajudar as pessoas a ter uma locomoção mais natural, melhorada e com mais detalhes acerca do ambiente”.

“Para este ano, o objetivo principal é lançar a versão final dos óculos que, na sua fase piloto, vão ser uma versão que ajuda as pessoas a estarem mais aptas para usar os óculos no seu dia-a-dia”, diz.

Esta inovação permitirá ajudar as pessoas, por exemplo na empregabilidade, pela autonomia que proporciona, ou na educação, explica o engenheiro eletrónico. Com o trabalho ainda em desenvolvimento, João Rego espera também abrir portas para o desenvolvimento de uma tecnologia nacional, porque, se o conhecimento é produzido no país, com muita facilidade consegue-se reproduzir em caso de uma crise, contribuindo para a independência tecnológica e científica de Moçambique.

Apesar dos óculos já lhe terem rendido distinções nacionais e internacionais, o maior sonho do jovem é ter o dispositivo usado em todo o país e ao menor preço possível.

“Para Moçambique em específico [o sonho] é tê-los a serem usados em diferentes partes das províncias que nós temos e por diferentes pessoas que têm deficiência visual e transformem as suas vidas”, diz.

“Os óculos têm essa capacidade de transformar vidas”, afirma.

Δ

MJA | 28.Fev.2026


 

Portugal agora tem Bilhete Cultural gratuito para acompanhantes de pessoas com deficiência

Jordan Alves
Revista Entre Rios, 16 Fevereiro 26

O presidente da república Marcelo Rebelo de Sousa promulgou o diploma do Governo que cria um bilhete gratuito para o acompanhante de pessoas com deficiência em espetáculos promovidos por entidades públicas. A medida visa reforçar a acessibilidade e inclusão nos espaços culturais públicos

A decisão foi anunciada no sábado (14), através de uma nota publicada no site da Presidência da República, confirmando a entrada em vigor da medida que pretende reforçar o acesso à cultura. O decreto-lei tinha sido aprovado em Conselho de Ministros a 17 de dezembro, após a versão final ter recebido luz verde a 29 de janeiro.

A decisão foi publicada no site da Presidência da República. Segundo o comunicado governamental, a iniciativa abrange recintos de espetáculos e equipamentos culturais públicos ou geridos por entidades públicas, promovendo uma maior inclusão nas salas de espetáculo.

A medida surge na sequência da criação do Selo – Espaços Culturais Acessíveis e Inclusivos (SECAI) e será testada durante seis meses, podendo ser posteriormente alargada ao setor privado até ao final do próximo ano, conforme adiantado pela ministra Margarida Balseiro Lopes. O objetivo é garantir condições de participação plena a pessoas com deficiência e aos seus acompanhantes.

jordan@revistaentrerios.pt

Δ

MJA | 18.Fev.2026


Em situações de emergência, não é necessário tomar precauções especiais para pessoas com deficiência visual?

ACAPO - Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal

Muitas vezes, as pessoas com deficiência visual não são reconhecidas como prioritárias, porque a sua vulnerabilidade é pouco percebida, parecem autossuficientes e é frequentemente entendido que a deficiência visual não aumenta o risco físico.

Muitos planos de emergência não contemplam formas de apoio adaptadas a pessoas com necessidades específicas. Mas em situações de risco ou perigo iminente, as pessoas com deficiência visual enfrentam barreiras adicionais no acesso à informação, à orientação e mobilidade e ao apoio na evacuação que podem comprometer a sua segurança.

Nesta fase em que o país tem enfrentado fenómenos meteorológicos extremos, torna-se ainda mais essencial reconhecer as pessoas com deficiência visual como um grupo prioritário, integrar estratégias claras de apoio nos planos de emergência, assegurando respostas eficazes, seguras e verdadeiramente inclusivas.

O Artigo 11.º da CDPD prevê uma assistência adequada em situações de risco.

Priorizar é proteger. A Inclusão pode salvar vidas.

in https://www.facebook.com/aosolhosdequemnaove

Δ

MJA | 16.Fev.2026


 

Como Projetar com a Deficiência em Mente Estimula a Inovação

Vijay Govindarajan, Kinya Seto, Tojin T. Eapen e Christine Moorman
Fevereiro 9, 2026

O Manual de Amplificação do Design
Embora muitas inovações ocorram por acaso, as empresas podem implementar um processo disciplinado para replicar o sucesso na popularização de produtos originalmente projetados para usuários marginalizados. Com base em nossa análise de inovações que envolvem amplificação de design tanto na LIXIL quanto em outras empresas, desenvolvemos uma metodologia estruturada. A estrutura de cinco etapas, que chamamos de Manual de Amplificação de Design, é um processo replicável que pode ser aplicado a qualquer produto em qualquer setor.

Ilustramos as estratégias do manual usando o redesenho hipotético de uma característica específica do produto: o sistema de embalagem de uma marca hipotética que chamamos de ThriveQuench Sports Beverages (uma concorrente da Gatorade).

Etapa 1: Comece com foco na limitação ou deficiência permanente.
Em vez de projetar para o usuário “médio”, comece escolhendo uma deficiência permanente como sua principal lente de inovação. Pode ser cegueira total, surdez profunda, limitações graves de mobilidade ou deficiências cognitivas significativas. O segredo é se concentrar na eliminação de uma única barreira bem definida que atenderá a um mercado inicial. Essa barreira serve como uma poderosa restrição criativa para forçar um pensamento inovador. Quando os designers não podem contar com soluções convencionais (sinais visuais, alertas sonoros, habilidades motoras finas), eles encontram novas abordagens que muitas vezes se mostram superiores para todos os usuários.

Por exemplo, se a equipe de design da ThriveQuench selecionasse a cegueira total como sua restrição inicial, eles descobririam que 36 milhões de pessoas em todo o mundo são cegas e provavelmente não têm acesso independente a informações nutricionais, identificação de sabores ou datas de validade normalmente encontradas em produtos de consumo embalados (CPG).

Etapa 2: Examine a jornada do usuário sob a limitação focal.
Após escolher a restrição, as equipes devem examinar sistematicamente todos os pontos de contato na jornada do usuário, desde a descoberta até a conclusão. Isso requer uma documentação comportamental granular: quais movimentos físicos são necessários? Quais processos cognitivos estão envolvidos? Onde ocorrem as falhas?

O processo de mapeamento da ThriveQuench rastrearia todas as interações do usuário, desde a seleção do produto na prateleira até o descarte. Ao acompanhar clientes com deficiência visual durante toda a sua experiência com bebidas, o mapeamento da jornada da ThriveQuench revelaria barreiras em todas as etapas, desde distinguir sabores em refrigeradores lotados de lojas até verificar datas de validade em casa e compreender o conteúdo nutricional durante os treinos.

Etapa 3: Mapear os benefícios para clientes marginalizados, situacionais e convencionais.
É aqui que surgem as principais percepções sobre clientes potenciais em todos os quatro níveis de amplificação do design.

Os padrões de deficiências cruzadas revelam que as soluções para uma deficiência podem frequentemente resolver problemas em vários tipos de deficiências permanentes. Por exemplo, as equipes podem perceber que as soluções para melhorar a navegação para usuários cegos também auxiliam pessoas com desafios de processamento cognitivo. No caso da ThriveQuench, projetar um produto cujas informações sejam facilmente acessíveis aos cegos também pode auxiliar usuários de cadeiras de rodas que não conseguem alcançar os produtos e precisam ler os rótulos à distância.

O mapeamento da jornada também pode revelar necessidades situacionais interconectadas. As limitações de visão refletem os desafios em ambientes com brilho intenso, espaços escuros ou durante a realização de várias tarefas simultaneamente. Para a ThriveQuench, a equipe pode identificar usuários situacionais, como falantes não nativos e viajantes internacionais que navegam por rótulos desconhecidos.

O apelo universal revela a maior oportunidade de marketing. A principal percepção é que os recursos de acessibilidade podem oferecer benefícios que todos os usuários consideram valiosos e transformar acomodações em aspirações. Para a ThriveQuench, a oportunidade principal está nos compradores ocupados que buscam acesso rápido às informações essenciais dos rótulos.

Este mapeamento abrangente nos mostra como o design de informações acessíveis e úteis para pessoas com deficiência visual pode se tornar uma vantagem competitiva que diferencia a ThriveQuench em todos os segmentos de clientes.

As etapas 1 a 3 ajudam a identificar o mercado total acessível. Isso deve ser feito antes mesmo de esboçar o primeiro conceito de solução em um caderno. Essa estratégia inicial pode justificar o investimento em recursos de P&D, reduzir riscos e melhorar os resultados.

Etapa 4: Projetar para escalabilidade em todos os níveis de amplificação.
Nesta etapa, o foco deve ser o desenvolvimento de soluções que abordem sistematicamente cada nível de amplificação, mantendo a escalabilidade e o apelo de mercado.

Tecnologias emergentes, como interfaces alimentadas por IA, sistemas de feedback tátil, reconhecimento de voz, NaviLens (um tipo de código QR acessível) e exoesqueletos (dispositivos vestíveis) podem permitir a amplificação do design em escala.

Para a ThriveQuench, uma NaviLens tátil colocada em cada garrafa permitiria que usuários cegos localizassem e escaneassem informações do produto através do toque (Nível 1). Quando ativados, esses códigos poderiam acionar uma narração em áudio em um aplicativo de telefone no idioma do usuário, fornecendo informações nutricionais, alertas sobre alergênicos e descrições de sabores. A tecnologia NaviLens também atende a outros usuários marginalizados, como usuários de cadeiras de rodas que acessam informações à distância (Nível 2), e usuários situacionais, como turistas que precisam de suporte multilíngue (Nível 3).

Para atrair o público em geral (Nível 4), a ThriveQuench pode aprimorar o conteúdo fornecido por meio dos códigos NaviLens para incluir histórias sobre a origem das frutas, depoimentos de atletas e playlists para exercícios físicos. Isso cria um ecossistema digital abrangente que atrai consumidores preocupados com a saúde, experientes em tecnologia e focados na sustentabilidade, transformando informações básicas sobre o produto em uma experiência de marca envolvente que garante um posicionamento premium.

Etapa 5: Validar com todos os segmentos de clientes.
Esta etapa envolve testes abrangentes da solução proposta em todos os segmentos de clientes em ambientes realistas. As equipes devem medir as taxas de sucesso das tarefas, os tempos de conclusão, a carga cognitiva e a frequência de erros em todos os grupos. Devem testar interfaces de voz em salas silenciosas e ambientes ruidosos e avaliar controles táteis com usuários que têm força de preensão limitada e usuários que usam luvas no inverno. Devem continuar o refinamento iterativo até que os produtos tenham um bom desempenho em todas as categorias de usuários, sem comprometer a funcionalidade para nenhum grupo.

Para a ThriveQuench, essa etapa envolveria a realização de testes paralelos com clientes cegos avaliando o design tátil e a clareza do áudio, turistas internacionais avaliando o suporte multilíngue, pais ocupados testando os recursos de digitalização com uma mão em ambientes reais de supermercados e consumidores em busca de informações relacionadas à saúde. Essas diversas perspectivas orientam refinamentos iterativos no tamanho dos ícones, no ritmo do áudio e na durabilidade dos elementos táteis em relevo na embalagem, garantindo que o produto final tenha um desempenho confiável em todas as categorias de usuários, sem comprometer as necessidades específicas de nenhum segmento.

A IA generativa pode apoiar o Manual de Amplificação de Design em cinco etapas, identificando oportunidades negligenciadas e permitindo iterações rápidas. Para apoiar isso, desenvolvemos um GPT personalizado para aumentar a criatividade dos designers de produtos. Quando os designers geram vários conceitos iniciais para usuários marginais ou situacionais, os modelos de imagem da IA generativa podem virtualmente dar vida a essas ideias, visualizando o uso do produto e simulando interações sem protótipos físicos ou recrutamento de participantes, acelerando a convergência em um conceito que vale a pena investir em testes de campo dispendiosos.

Chamada à ação
Os números relativos aos usuários marginalizados por si só já são suficientes: mais de 1,3 bilhão de pessoas em todo o mundo vivem com deficiências. No entanto, o maior benefício ocorre quando produtos projetados para um mercado-alvo limitado prosperam no mercado convencional. A ampliação do design oferece o potencial de revelar um valor comercial e social significativo. Contudo, a maioria das empresas continua a tratar a acessibilidade como um mercado de nicho, em vez de um catalisador de inovação.

Em resumo, os líderes devem tomar três medidas para alavancar a acessibilidade como uma vantagem competitiva:

Incorpore restrições de acessibilidade ao seu processo de inovação.
Não relegue as considerações sobre deficiência para verificações de conformidade pós-projeto. Em vez disso, inicie cada ciclo de desenvolvimento de produto selecionando uma deficiência específica como sua lente de projeto inicial. Essa abordagem fornece inteligência estratégica sobre necessidades não atendidas que seus concorrentes provavelmente estão ignorando.

Invista em tecnologias preparadas para amplificação.
Tecnologias como interfaces de IA, feedback tátil, reconhecimento de voz, dispositivos vestíveis e sensores inteligentes não devem ser vistas apenas como facilitadoras de recursos de acessibilidade. Em vez disso, elas devem ser vistas como a base potencial para experiências de usuário ricas de última geração. As empresas que dominam essas tecnologias para usuários marginalizados estão melhor posicionadas para atender aos mercados convencionais à medida que essas tecnologias amadurecem.

Reestruture sua pesquisa com clientes.
Substitua os grupos focais de “usuários médios” por estudos etnográficos de usuários com limitações e deficiências extremas. Observe um usuário de cadeira de rodas interagindo com seu aplicativo ou documente como a artrite afeta o manuseio do produto. As percepções dessas sessões podem revelar oportunidades de inovação invisíveis para a pesquisa de mercado convencional.

texto integral do artigo aqui: https://hbr.org/2026/02/

Δ

MJA | 13.Fev.2026


 

O Engenheiro cego ex-Google que criou uma app gratuita para devolver a autonomia a milhares de pessoas

Bruno Xarope
AndroidGeek, 09/02/2026

Existem histórias que nos fazem acreditar no poder transformador da tecnologia, e a de Jonathan Santos é, sem dúvida, uma delas. Engenheiro de software com um currículo invejável, que inclui passagens por gigantes como a Google e a Samsung, Jonathan carrega consigo uma particularidade que moldou a sua visão de mundo: é cego. Mas longe de permitir que a deficiência visual fosse uma barreira intransponível, utilizou o seu conhecimento em Inteligência Artificial para criar a Visionauta, uma aplicação gratuita que está a devolver a independência a milhares de pessoas.

O percurso de Jonathan é marcado por uma excelência académica e profissional que desafia preconceitos. Doutorado em Engenharia da Computação pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, no Brasil, o investigador sempre focou a sua carreira no desenvolvimento de tecnologias de acessibilidade. No seu interior, a motivação para criar a Visionauta não foi apenas académica; foi uma necessidade vital de quem conhece, na primeira pessoa, os desafios de atravessar uma rua, ler uma ementa num restaurante ou identificar uma nota de dinheiro num balcão de pagamento.

Visionauta: Mais do que uma app, um assistente visual portátil
Lançada recentemente na Google Play Store, a Visionauta funciona como uma espécie de “extensão visual” para quem não pode ver ou tem baixa visão. A aplicação utiliza modelos avançados de IA para interpretar o mundo em tempo real através da câmara do smartphone. Ao contrário de outras soluções mais complexas ou pagas, Jonathan desenhou a Visionauta para ser simples, rápida e, acima de tudo, gratuita. O engenheiro descreve-a frequentemente como “a aplicação que eu próprio gostaria de ter tido”, focando-se na resolução de problemas práticos do quotidiano.

Entre as funcionalidades principais, destaca-se o leitor de textos em voz alta, capaz de interpretar desde documentos oficiais a rótulos de embalagens. A app consegue também identificar moedas como o Real, o Dólar e o Euro e possui uma lupa eletrónica com modos de alto contraste para quem ainda possui visão residual. Mas o verdadeiro “cérebro” da operação é o assistente de IA integrado, que permite ao utilizador fazer perguntas sobre o ambiente ao seu redor, recebendo descrições detalhadas de cenas, objetos e cores.

O nascimento da ideia no mundo académico
A génese da Visionauta ocorreu durante o mestrado de Jonathan em Engenharia da Computação. Sob a orientação dos professores Ismar Frango e Nizam Omar, especialistas em Pensamento Computacional e IA, o projeto ganhou corpo como uma ferramenta de inclusão. Jonathan explica que, no seu interior, a arquitetura da app foi pensada para ser leve, permitindo que corra em smartphones menos potentes, garantindo que a acessibilidade não seja um luxo, mas um direito acessível a todos.

A experiência adquirida na Google e na Samsung foi fundamental para que Jonathan conseguisse implementar algoritmos de reconhecimento de imagem de alta precisão. No entanto, o seu diferencial não é apenas o código, mas a empatia técnica. Como pessoa cega, ele entende que a latência de um segundo na resposta da IA pode ser a diferença entre a segurança e o perigo ao caminhar numa cidade movimentada. Por isso, a Visionauta foca-se na velocidade de processamento e na clareza do feedback sonoro, adaptado às necessidades reais da comunidade.

Independência e o futuro da acessibilidade digital
O impacto da Visionauta já se faz sentir a nível global. Ao oferecer uma ferramenta que identifica objetos por comando de voz e descreve cenas em tempo real, Jonathan Santos está a fornecer as chaves da autonomia a pessoas que, muitas vezes, dependiam de terceiros para as tarefas mais básicas. Para o engenheiro, o trabalho não termina com o lançamento da app; a investigação contínua em IA é o que permitirá, num futuro próximo, uma integração ainda mais profunda com dispositivos vestíveis e óculos inteligentes.

A história de Jonathan é um lembrete poderoso de que a inclusão digital não deve ser uma funcionalidade secundária no desenvolvimento de software. Pelo contrário, quando o design é feito por quem vive a exclusão, o resultado é uma inovação que beneficia toda a sociedade. A Visionauta é a prova de que a Inteligência Artificial, quando orientada por propósitos humanos e éticos, tem o potencial de ser um dos maiores niveladores sociais da história da humanidade.

Conclusão
Jonathan Santos não é apenas um engenheiro de software brilhante; é um visionário que viu na escuridão a oportunidade de iluminar o caminho de outros. Através da Visionauta, ele transformou o seu conhecimento em liberdade. Disponível na Play Store para Android, a aplicação é hoje um símbolo de resistência e de esperança para a comunidade de deficientes visuais. Em 2026, num mundo cada vez mais dominado por ecrãs, Jonathan recorda-nos que o mais importante é garantir que ninguém fique para trás, independentemente da forma como perceciona o mundo ao seu redor.

Δ

MJA | 11.Fev.2026



A Itália abre caminho para que pessoas com deficiência visual tenham acesso à arte

Báo Văn Hóa
05/02/2026


A Itália, terra das cidades de arte, está a adotar abordagens inovadoras para ajudar as pessoas com deficiência visual a terem um acesso mais fácil ao mundo da arte.

A Itália está se esforçando para tornar seus tesouros artísticos mais acessíveis a pessoas com deficiência. Isso significa desacelerar, tocar o que pode ser tocado e vivenciar a obra de arte com múltiplos sentidos.

Em uma noite de dia de semana, enquanto muitos turistas deixam o Coliseu de Roma, um pequeno grupo de pessoas vagueia silenciosamente pela antiga estrutura envolta em escuridão. Eles pararam em cada ponto para vivenciar a história, a arte e a arquitetura do monumento com todos os seus sentidos, exceto a visão. Entre eles estava Michela Marcato (54 anos), que é cega desde o nascimento. Junto com seu parceiro, que também tem deficiência visual, ela participou desta expedição extraordinária.

Este é um novo programa na Itália que visa ajudar pessoas com deficiência visual e baixa visão a terem melhor acesso aos vastos tesouros artísticos do país, além de abrir novas maneiras de apreciá-los para todos os visitantes.

Enquanto ouvia a explicação do guia turístico, a Sra. Marcato usou a mão para traçar o contorno de uma maquete em miniatura do Coliseu, uma magnífica obra-prima arquitetônica do Império Romano. Ela tocou nos arcos, nas paredes ásperas e na arquitetura em ruínas. O que mais a surpreendeu foi o formato elíptico do edifício — algo que ela jamais havia imaginado. "Só andando por aí, eu nunca teria percebido. Eu também não conseguia entender tudo direito. Mas quando você toca, tudo fica muito claro", compartilhou Marcato.

A Itália é conhecida por suas cidades de arte, que nunca ficam sem turistas, mas para pessoas com deficiência, o acesso à arte pode ser um desafio a longo prazo. Usuários de cadeiras de rodas frequentemente encontram elevadores ou portas muito estreitas, escadas sem rampas e calçadas irregulares e acidentadas. No entanto, em 2021, a Itália acelerou suas iniciativas de acessibilidade, dedicando mais atenção e recursos à remoção de barreiras arquitetônicas e tornando os pontos turísticos e instalações esportivas mais acessíveis.

A antiga cidade de Pompeia instalou recentemente um novo sistema de sinalização para tornar o vasto sítio arqueológico mais acessível a pessoas com deficiência visual e outras deficiências. O projeto utiliza sinalização em Braille, orientação por áudio através de códigos QR, modelos táteis e réplicas em relevo de artefatos descobertos ao longo dos anos.

Entretanto, a cidade de Florença também oferece um guia com opções de acesso à Galeria Uffizi e outros museus, apresentando roteiros detalhados e requisitos, incluindo a necessidade de um acompanhante para locais como o Jardim Boboli, que não são totalmente acessíveis devido às suas características arquitetônicas históricas.

Um modelo de turismo abrangente não deve apenas respeitar os direitos humanos das pessoas com deficiência, mas também proporcionar benefícios econômicos.

Experimente a arte de uma maneira diferente.

Giorgio Guardi, guia da Associação Radici, que organiza visitas guiadas em Roma para pessoas com deficiência desde 2015, afirmou que o objetivo do turismo acessível é criar experiências agradáveis ​​para todos, inclusive para aqueles que viajam com essas pessoas. Isso geralmente significa desacelerar, tocar no que pode ser tocado e, em seguida, vivenciar a obra de arte com múltiplos sentidos. A associação costuma organizar passeios a pé à noite, quando há menos pessoas e os pontos turísticos famosos são menos barulhentos, ajudando a reduzir as distrações. No entanto, pessoas com deficiência visual nem sempre podem tocar nas obras de arte, então os guias precisam ser mais criativos.

Aldo e Daniela Grassini, ambos viajantes com deficiência visual e ávidos colecionadores de arte, já haviam se sentido frustrados por não terem permissão para tocar nas obras de arte durante suas visitas a museus ao redor do mundo. No início da década de 1990, ambos fundaram o Museo Omero, um museu tátil na Itália. O museu está localizado na cidade costeira de Ancona, no Mar Adriático, onde todas as obras de arte são projetadas para serem tocadas.

Batizado em homenagem ao poeta cego Homero, o museu exibe réplicas em tamanho real de muitas das obras de arte mais famosas da Itália, desde estátuas da Roma e Grécia antigas até a cabeça de Davi de Michelangelo, ao lado de arte contemporânea. "Tocar em algo não é o mesmo que olhar para isso; evoca emoções e destaca o significado da arte", compartilhou Aldo. Segundo ele, a visão é um "sentido avassalador, que tende a monopolizar a realidade", enquanto o tato abre uma dimensão diferente.

"Amamos com os olhos e com as mãos. Quando amamos verdadeiramente uma pessoa ou uma coisa, apenas olhar não basta. Precisamos tocar, porque o ato de acariciar traz uma sensação diferente", acrescentou.

AP

Fonte: https://www.vietnam.vn/pt/italia-mo-loi-cho-nguoi-khiem-thi-tiep-can-nghe-thuat

Δ

MJA | 7.Fev.2026


 

Pessoas com deficiência visual e auditiva já podem “ver” e “ouvir” espetáculos em Famalicão

Cidade Hoje
30 Janeiro 2026

Na Casa das Artes
A Casa das Artes de Famalicão que, este ano, passou a integrar a Rede de Teatros com Programação Acessível (RTPA), tem espetáculos com acessibilidade para pessoas com deficiência visual e auditiva,

Estes públicos vão poder desfrutar de espetáculos ou algumas sessões com audiodescrição (AD) e/ou com interpretação em Língua Gestual Portuguesa (LGP), cumprindo o principal objetivo da RTPA que passa por uma oferta regular de espetáculos com aqueles instrumentos de acessibilidade fora dos dois grandes centros urbanos, Lisboa e Porto.

O primeiro espetáculo é a peça “Uma Brancura Luminosa” de Jon Fosse, na noite deste sábado, às 21h30, com a interpretação de Ricardo Pereira e de Sandra Barata Belo. Neste espetáculo será feita interpretação em LGP.

A programação com estes instrumentos de maior acessibilidade prossegue no dia 7 de fevereiro, às 21h30, com a segunda sessão do espetáculo Class Enemy, de Nigel Wiliams, encenado por Manuel Tur, numa coprodução 11Zero2, Casa das Artes de Famalicão, Teatro Aveirense e Teatro Nacional São João. Será feita interpretação em LGP.

No dia 21 de fevereiro, às 21h30, decorre o primeiro concerto com AD. Trata-se da atuação da Orquestra Jazz de Matosinhos com Cristina Branco a solo. Um espetáculo de música para famílias do 9.º Ciclo de Concertos Promenade da Casa das Artes de Famalicão.

A RTPA tem o apoio do BPI e da Fundação “la Caixa” e é coordenada pela Acesso Cultura, uma associação cultural, sem fins lucrativos, dedicada a promover o acesso físico, social e intelectual à cultura para todos, indo além das barreiras arquitetónicas e focando-se na inclusão de pessoas com diferentes necessidades.

Δ

MJA | 2.Fev.2026



Novo assistente de IA da Just Eat ajuda a escolher o jantar

EuroNews
Anna Desmarais
27/01/2026

IA pode compreender as questões dos utilizadores e recomendar refeições, restaurantes ou produtos alimentares adaptados às suas necessidades. Um assistente de IA para refeições é apresentado como a mais recente solução para a pergunta de todas as noites: o que há para jantar?

A aplicação de entrega de refeições Just Eat Takeaway.com lança um assistente de voz com IA que ajuda os utilizadores a encontrar refeições, restaurantes e até produtos de retalho e de farmácia. Segundo a empresa, a ferramenta permite fazer perguntas gerais ou específicas, mesmo quando os pedidos são vagos ou pouco estruturados, em mais de uma dúzia de línguas.

Num vídeo promocional, o assistente de IA é mostrado a adicionar todos os ingredientes necessários para fazer uma carbonara ao carrinho de compras, antes de sugerir restaurantes nas proximidades onde o prato pode ser encomendado em alternativa. A empresa afirma que a funcionalidade foi concebida para reduzir o que denomina “excesso de opções”, a dificuldade em decidir perante milhares de escolhas numa única plataforma.

A Just Eat afirmou que o modelo de interação híbrido da IA, que permite alternar entre voz e toque, pode ser benéfico para pessoas com deficiência visual ou mobilidade reduzida.

A Just Eat Takeaway.com é a mais recente empresa de comida e entregas a testar assistência com IA. Segundo relatos, cadeias de restauração rápida como a Popeyes estão a testar, no Reino Unido, sistemas de IA, incluindo tecnologia de voz, para pedidos em drive-thru.

O assistente de voz com IA da Just Eat está disponível apenas no Reino Unido, mas a empresa adianta que há planos para o lançar internacionalmente ainda este ano.

“Estamos a aproveitar o poder da IA para reforçar a conveniência do dia a dia em toda a nossa rede”, disse Mert Öztekin, diretor tecnológico da Just Eat. “Da personalização intuitiva para clientes e do sucesso dos parceiros à logística mais inteligente, estamos a integrar automação em cada interação para proporcionar uma experiência fluida e eficiente que gera valor real para todos”, acrescentou.

Δ

MJA | 1.Fev.2026


 

Concurso “Escola Alerta!” 2025/2026

Instituto Nacional para a Reabilitação
21 Janeiro 2026

Está a terminar o prazo para entrega dos trabalhos no âmbito do concurso Escola Alerta! 2025/2026. Este concurso desafia alunos e alunas de todos os níveis de ensino a desenvolverem projetos que promovam a inclusão das pessoas com deficiência e a igualdade de oportunidades.

Data limite para submissão:
28 de fevereiro de 2026

Categorias a concurso:
Educação Pré-Escolar e 1.º Ciclo
2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico
Ensino Secundário

Prémios:
1.º lugar: 2.000 € + troféu
2.º lugar: 1.000 €
3.º lugar: 750 €

📄Regulamento disponível em www.inr.pt/escola-alerta .

Não deixe passar esta oportunidade. Participa e ajuda a construir uma escola mais inclusiva!"

Δ

MJA | 31.Jan.2026


 

IA para Pessoas com Deficiência

Pedro Tróia
PCGuia, 13 de Janeiro, 2026

Os apoios tecnológicos para melhorar a vida das pessoas com todos os tipos de deficiências não são novidade, mas o galopante desenvolvimento da IA veio facilitar a criação de formas inovadoras de ajudar.

A inteligência artificial está a transformar a vida de milhões de pessoas e um dos seus impactos mais significativos é tornar o mundo mais acessível para os indivíduos com todos os tipos de deficiências. Esta tecnologia vai além de ser apenas uma ferramenta: é uma solução que capacita e quebra barreiras, promovendo a independência de formas inovadoras.

Da voz às legendas
A IA tem sido fundamental na melhoria da comunicação através de diversas tecnologias. As ferramentas de texto-para-fala e de reconhecimento de voz permitem que pessoas com deficiência auditiva acompanhem conversas e acedam a conteúdos áudio em tempo real. Plataformas como o Live Transcribe da Google e os serviços de voz da Microsoft Azure permitem fazer transcrições instantâneas de voz. Por outro lado, assistentes virtuais como o Google Assistant e a Siri permitem que pessoas com deficiência física controlem dispositivos e executem tarefas sem precisar de usar as mãos.

A geração de legendas por IA também está a revolucionar a forma como o conteúdo audiovisual é consumido, especialmente para pessoas surdas ou com dificuldades de audição. Graças à tecnologia de reconhecimento automático de fala, plataformas como o YouTube, o Zoom e o Teams já mostram legendas criadas em tempo real. Ao contrário dos métodos tradicionais, a IA processa e mostra as legendas de forma quase instantânea.

Gestos transformados em texto
Para as pessoas com deficiência visual, os leitores de ecrã e as ferramentas de texto-para-fala (TTS) são essenciais. Aplicações como o Jaws e o NVDA convertem texto digital em palavras faladas, permitindo aos utilizadores navegar na Internet, ler documentos e usar aplicações com facilidade. A IA também melhorou a capacidade destas ferramentas de compreender o contexto, e algumas, como a Seeing AI da Microsoft, conseguem, até, descrever imagens, objectos e o ambiente físico em tempo real.

Outra área em crescimento é a do reconhecimento da linguagem gestual: os sistemas de visão computacional conseguem interpretar gestos das mãos, expressões faciais e movimentos corporais, convertendo a linguagem gestual em palavras faladas ou escritas em tempo real. Aqui, os principais recursos são o AI-based Sign Language Interpreter (Google) e o Uni Tablet (MotionSavvy).

Ver mais além
No que diz respeito à mobilidade e à navegação, a IA está a dar ferramentas a pessoas com deficiência visual para se movimentarem de forma mais segura e autónoma. Soluções como o Aira e o Be My Eyes ligam os utilizadores a assistentes remotos que fornecem orientação em tempo real através da câmara do smartphone. Depois, equipamentos como o OrCam MyEye conseguem reconhecer objectos, ler texto e identificar rostos.

Δ

MJA | 13.Jan.2026


 

Cientistas portugueses tornam boxe acessível a pessoas cegas, com realidade virtual

Daniela Felício
Público, 3 de Janeiro de 2026

Protótipo do jogo de boxe em realidade virtual para pessoas cegas foi criado por cientistas da Faculdade de Ciências de Lisboa. Equipa contou com a ajuda de Jorge Pina, ex-campeão nacional de boxe.

Em Portugal, cerca de 3,5% da população é afectada pela incapacidade de ver, de acordo com os Censos de 2021. Apesar de já existir alguma acessibilidade nos transportes públicos e serviços, ainda há contextos em que estas pessoas se vêem excluídas. Um exemplo disso são as tecnologias de realidade virtual, nas quais a visão é o principal sentido que permite ao utilizador aceder ao mundo digital. Para contrariar este paradigma, uma equipa de investigadores portugueses desenvolveu uma experiência de boxe em realidade virtual adaptada para pessoas cegas. No projecto, participou o ex-campeão nacional de boxe Jorge Pina, que perdeu a visão em 2004 e actualmente é treinador na academia que fundou.


fonte: https://www.publico.pt/2026/01/03/

Δ

MJA | 12.Jan.2026



Braille mais próximo para se tornar Património Cultural Imaterial da UNESCO em 2026

Óscar Ontañón Docal
Game Reactor, 2026-01-02

A Espanha liderou o esforço, unindo forças com França, Alemanha e outras nações europeias para destacar a importância cultural e social do Braille.

Para milhões de pessoas ao redor do mundo, seis pequenos pontos podem fazer toda a diferença. Braille, o sistema que permite que pessoas cegas e com deficiência visual leram, escrevam e naveguem pela vida cotidiana de forma independente, está mais próximo de ser reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2026. Isso acontece pouco antes do Dia Mundial do Braille, em 4 de janeiro, marcando o aniversário de seu inventor, Louis Braille.

A Espanha liderou o esforço, unindo forças com França, Alemanha e outras nações europeias para destacar a importância cultural e social do Braille. O Grupo Social ONCE, que apoia pessoas com deficiência visual, defendeu o reconhecimento, enfatizando que o Braille é mais do que uma ferramenta, é um salva-vidas, uma experiência compartilhada e uma ponte para a participação na sociedade. Para mais, é claro, confira o anúncio oficial deles pelo link a seguir.

Go! LINK

Δ

MJA | 7.Jan.2026


 

Uma Tabela Braille Que Evita Ambiguidades e Une as Línguas

Braille 200

Neste artigo, vamos falar da tabela Braille portuguesa informatizada, desenvolvida para seis e oito pontos, que tem significado muitos avanços no conhecimento e aprofundamento do sistema Braille, a nível universal.

Esta tabela foi criada em 2003 por acordo entre as Comissões Braille de Portugal e do Brasil. Pelas caraterísticas que foram tidas em conta na sua elaboração, representa um trabalho com repercussões na compreensão dos meandros do Braille que é muito benéfico a nível universal, transcendendo o mero âmbito lusófono.

No entanto, apesar de ter sido criada, não foi incluída em nenhum dispositivo até ao passado mês de março de 2025, quando um académico espanhol e grande conhecedor de tudo o que se relaciona com o sistema Braille, Iván Argote Pérez, juntamente com um académico português de Braille, o brasileiro Tiago Casal, decidiram rever a tabela, corrigir alguns pequenos erros que continha e, como veremos mais adiante, acrescentar-lhe um sinal para que o seu uso fosse mais universal e para que pudesse ser utilizada não só por todos os braillistas de língua portuguesa, mas também por todos os cegos utilizadores de Braille de língua espanhola.

Como Iván explica no artigo, esta tabela está atualmente disponível entre as tabelas Liblouis, e já está presente na última versão Beta do software NVDA, mas contactámos a Apple para a adicionar às suas tabelas disponíveis no modo de escrita “Braille no ecrã”, utilizável tanto em Iphones como em Ipads, bem como com várias empresas que fabricam linhas Braille: HumanWare, Orbit Research e Hims, para que também o adicionem às tabelas presentes nos seus sistemas, tendo-nos sido comunicado por todas elas que procederão à sua inclusão nas suas próximas actualizações. Tentámos também contactar a Google, para que esta tabela possa ser incluída na escrita Braille on Screen presente nos telemóveis Android, mas infelizmente, até à data, não obtivemos qualquer resposta dessa empresa, sendo o único contacto que temos da mesma, o link presente no seu site. Assim sendo, se alguém tiver um melhor contacto da Google e nos quiser facultar o mesmo, será sempre muito bem-vindo e ficaríamos muito gratos.

Sem mais demoras, deixo-lhe o artigo escrito por Iván Argote, uma das pessoas que tornou possível que a referida mesa seja hoje, finalmente, uma realidade e algo realmente muito útil para todos os braillistas cegos lusófonos e hispanófonos.

O ecrã Braille computorizado português tem um elemento muito inovador, que não foi encontrado em nenhum outro ecrã no mundo: suporta tanto um ecrã de 6 pontos como um de 8 pontos. Os sinais são automaticamente convertidos de 6 para 8 pontos, o que permite, ao utilizar o de 6 pontos, escrever no ecrã de telefones ou outros pequenos aparelhos.

Nota técnica: Em Braille, uma célula de 6 pontos é o formato tradicional, consistindo em duas colunas de três pontos cada. A cela de 8 pontos acrescenta uma linha inferior, permitindo mais combinações e facilitando a representação direta de caracteres informáticos, como letras maiúsculas, sinais de pontuação especiais ou símbolos técnicos.

A Tábua Portuguesa para computador, juntamente com a Tábua Braille Inglesa Unificada, são das poucas que evitam a ambiguidade na escrita e na leitura do Braille. Não é necessário interpretar as possibilidades, mas sabe-se sempre qual o sinal que está a ser representado. Exemplo técnico: O sinal formado pelos pontos 235 pode, em Braille integral espanhol ou português, representar o sinal de mais, mas também pode representar o ponto de exclamação (aberto ou fechado). Em espanhol existem dois sinais visuais (¿ e ?), mas em braille tradicional são ambos representados pelo mesmo sinal, o que cria uma ambiguidade na conversão entre tinta e braille.

Para evitar esta ambiguidade, foi desenvolvida a tabela portuguesa informatizada de seis pontos. Está incorporada nas tabelas do sistema LibLouis desde a sua versão 3.3.0, lançada em 3 de março de 2025. Nota técnica: O LibLouis é um sistema livre e aberto, amplamente utilizado para traduzir texto entre escrita Braille e tinta. É utilizado em leitores de ecrã, dispositivos Braille e software de acessibilidade. As tabelas definem os padrões de pontos Braille que correspondem a cada carácter ou combinação.

Antes desta data, apenas a versão de 8 pontos da tabela portuguesa para computador existia no sistema LibLouis.

Ao incorporar a tabela de 6 pontos nesse sistema, não só foram retomados os sinais oficiais do Braille português, como também foram introduzidos outros sinais compatíveis. Por exemplo, o padrão livre 12456 foi atribuído ao til espanhol “N” (Ñ).

Assim, a tabela portuguesa informatizada de seis pontos permite escrever em português e espanhol sem mudar de tabela, garantindo que não há ambiguidade na transcrição de tinta para Braille e vice-versa.

Para ver uma demonstração desta tabuada, visite o podcast sobre Acessibilidade Universal, da famosa defensora do Braille María García Garmendia, no YouTube, escrevendo https://www.youtube.com/watch?v=sTRbjXrDhpc&t=116s.

Para encontrar a ligação principal para o podcast, visite https:youtube.com/@accesibilidaduniversalpodcast ou através de qualquer uma das plataformas de podcast.
Esperamos que goste.

in https://www.livingbraille.eu/a-big-step-for-portugal/  | 25/04/2025

Δ

MJA | 5.Jan.2026


 

4 de Janeiro: Dia Mundial do Braille

Esta data convida-te a refletir sobre a acessibilidade e a inclusão. O sistema Braille representa autonomia, igualdade de oportunidades e acesso à informação para as pessoas com deficiência visual ou com baixa visão. Neste dia, podes questionar-te sobre como a sociedade pode ser mais inclusiva e como os pequenos ajustes fazem uma grande diferença na vida de quem enfrenta as barreiras invisíveis. IA/Google
 

Como Louis Braille revolucionou um sistema de escrita

Mary Winston Nicklin
National Geographic Portugal

Há duas centenas de anos, o filho de um correeiro de uma aldeia rural francesa criou um inovador método de escrita táctil para pessoas cegas, composto por pontos em relevo. Braille tinha apenas 15 anos.

Onde estaríamos sem a escrita? Desde as suas origens há mais de 5.000 anos na antiga Mesopotâmia, a história da escrita ecoa a história da humanidade. Os gregos e os romanos criaram alfabetos únicos, os chineses desenvolveram caracteres complexos e actualmente lemos romances, jornais e publicações nas redes sociais. Um alicerce da civilização humana, a escrita é fundamental para o estado de direito e acumulação de conhecimento e cultura. No entanto, as pessoas cegas só tiveram acesso à escrita no século XIX.

Entre 1824 e 1825, Louis Braille criou um sistema composto por pontos em relevo que poderiam ser lidos com as mãos. Inicialmente ignorada, esta invenção viria a ser adoptada universalmente no século XX, abrindo um novo mundo de aprendizagem para as pessoas com deficiência visual. Num discurso proferido na Sorbonne no centenário da morte de Braille, Helen Keller disse: “Nós, os cegos, temos uma dívida tão grande para com Louis Braille como a humanidade para com Gutenberg.”

Mas houve precedentes. A mudança de atitude anterior ao nascimento de Braille contribuiu para abrir o caminho para a tolerância. A Carta sobre os Cegos, do filósofo Denis Diderot, de 1749, defendeu que as pessoas cegas tinham a mesma capacidade intelectual que as pessoas com visão. As primeiras escolas para cegos abriram em França e Inglaterra no final do século XVIII, mas o sistema de escrita de Braille proporcionou-lhes um meio para interagirem com textos e partituras.

Um acidente transformador
O mais novo de quatro filhos, Braille nasceu em 1809 na aldeia de Coupvray, 35 quilómetros a leste de Paris. O seu pai, Simon-René, era correeiro, uma profissão com elevada procura. A família vivia confortavelmente e também cultivava vinhas para produção de vinho. Luxos como um forno de pão podem ser actualmente vistos na casa da família, transformada no Museu Louis Braille na década de 1950. O ponto central do museu é a reprodução da oficina do pai de Braille, onde ele sofreu o acidente que viria a causar a sua perda de visão, mudando o seu destino – e o rumo da história. Braille era uma criança curiosa de três anos e esgueirou-se às escondidas para a oficina, para brincar com as ferramentas que via o pai usar. Quando tentou fazer um furo no cabedal com um furador, a ferramenta escorregou e furou-lhe o olho. Este ferimento horrível causou uma infecção que se espalhou para ambos os olhos, deixando-o cego aos cinco anos, uma vez que os antibióticos ainda não tinham sido descobertos.

Um acidente trágico
Os seus pais, consternados, não queriam que o destino do filho ficasse traçado numaépoca em que as pessoas com deficiência visual eram tratadas como sub-humanas e frequentemente ridicularizadas pela sua deficiência. Nas ruas de França, os cegos desfilavam com trajes ridículos ou resignavam-se a pedir esmola. O ensino público ainda não era obrigatório em França, mas os pais de Braille estavam cientes da importância da alfabetização. Para ajudar o filho, Simon-René pregou pregos para desenhar as formas das letras do alfabeto em painéis e pediu ao abade Jacques Palluy que desse aulas a Braille. Aos sete anos, Braille já frequentava a escola local, onde era o único aluno cego. O seu professor ficou espantado com sua inteligência e comportamento alegre – características que foram admiradas pelos seus amigos de ao longo de toda a sua vida. Alguns anos mais tarde, Braille obteve uma bolsa de estudo para prosseguir os seus estudos no Instituto Real para os Jovens Cegos, a primeira escola do género e que ainda hoje funciona, sob a designação de Instituto Nacional para os Jovens Cegos, ou INJA. Aos 10 anos, foi o aluno mais novo do instituto. O mais espantoso de tudo foi que a sua família, que era tão unida, o deixou sair de casa. “A mãe e o pai poderiam facilmente tê-lo mantido na aldeia”, explica Farida Saïdi-Hamid, curadora do Museu Louis Braille. “Iriam escrever o seu destino sem saber.” O apoio da família seria uma constante para Braille e ele regressaria a Coupvray para descansar e recarregar baterias ao longo de toda a sua vida.

Uma oportunidade de aprendizagem
Fundado pelo educador pioneiro Valentin Haüy, o instituto foi inovador na sua metodologia e abordagem. Os alunos aprendiam uma variedade de temas académicos e um ofício manual. Haüy criara uma forma de estampar livros com letras em relevo, que as crianças conseguiam ler com as pontas dos dedos, embora com grande dificuldade. A escola seria a salvação e o fim de Braille, depois foi provavelmente ali que ele contraiu a tuberculose que acabou por matá-lo. O edifício, situado no pólo estudantil de longa data de Paris, o Bairro Latino, era sujo, húmido e desgastado. Até fora utilizado como prisão durante a revolução francesa. No entanto, apesar das más condições e dos castigos, por vezes, severos aplicados às crianças que quebravam as regras, Braille prosperou, fazendo amigos e alcançando a excelência nos estudos. Os professores repararam na sua notável inteligência e qualidade espiritual. O seu amigo Hippolyte Coltat escreveu mais tarde: “a amizade com ele era um dever escrupuloso, bem como um sentimento de ternura. Ele teria sacrificado tudo por ela, o seu tempo, a sua saúde, as suas posses.”

Ouvido para a música
A paixão de Braille pela música nasceu no instituto, onde músicos profissionais davam aulas e os alunos, mostrados a tocar nesta ilustração de 1903, se juntavam à orquestra. Ele ganhou o prémio de violoncelo no seu quinto ano, desenvolveu talento para o piano e inventou um método táctil para ler e escrever música. Enquanto organista, tocou em igrejas de várias paróquias, complementando o seu parco rendimento de professor.

Momento eureka
O catalisador da invenção de Braille deu-se em 1821. O capitão Charles Barbier, oficial de artilharia, criaria um meio de “escrita nocturna” para o exército francês transmitir e executar ordens sob o manto da escuridão. Convencido do seu mérito para as pessoas cegas, Barbier transformou este código de pontos e traços num sistema de base fonética que apresentou aos alunos. Havia falhas linguísticas – a sonografia reduzia a linguagem a sons, por isso a ortografia não era exacta e não havia pontuação –, mas Braille teve uma epifania. Um sistema de pontos seria um método fácil e eficiente para as pessoas com deficiência visual lerem e escreverem. Ele passou os quatro anos seguintes a trabalhar nesse código. No instituto, fazia directas depois de as aulas terminarem. Mesmo quando estava de férias em Coupvray, os aldeões diziam que viam o rapaz sentado numa colina com um estilete e um papel na mão. Aos 15 anos, conseguiu criar aquela que viria a tornar-se conhecida como a escrita braille. A base do sistema eram células de seis pontos dispostos ao longo de duas colunas e três filas. Cada combinação de pontos em relevo representa uma letra do alfabeto. Era elegante na sua simplicidade e lógica. Os alunos da escola adoptaram rapidamente o seu uso – permitido oficiosamente pelo director François-René Pignier. Braille reconheceu humildemente a sua dívida para com Barbier no seu livro Processo para Escrever as Palavras, a Música e o Cantochão por meio de Pontos, para Uso dos Cegos e disposto para Eles, publicado em 1829: “Se sublinhámos as vantagens do nosso método em relação ao dele, temos de dizer, em sua homenagem, que foi o seu método que nos deu a nossa ideia.”

A Batalha pelo Braille
Apesar de Pignier ter promovido o braille e endereçado cartas ao governo, o sistema não foi imediatamente aceite. A ordem estabelecida, ditada pelas pessoas com visão, era resistente à mudança e favorecia o uso uniforme de um sistema de escrita. Braille tornou-se professor no instituto aos 19 anos. Aos 26 anos, foi diagnosticado com tuberculose, tendo passado longas temporadas de convalescença na sua casa em Coupvray. Entretanto, intrigas políticas na escola levaram à saída de Pignier. O seu substituto, Pierre-Armand Dufau, recusou peremptoriamente o uso do braille, chegando a queimar livros e a castigar alunos apanhados a usá-lo. Graciosamente, Braille persistiu na sua luta pela aceitação do seu novo sistema de escrita. Uma carta que escreveu a Johann Wilhelm Klein, fundador de uma escola para pessoas cegas em Viena, em 1840, mostra os seus humildes esforços de persuasão ao descrever mais uma invenção, o decaponto, um meio para as pessoas cegas e com visão comunicarem entre si: “Ficaria muito feliz se os meus pequenos métodos pudessem ser úteis para os seus alunos e se este espécimen for, a seus olhos, a prova da elevada consideração que tenho por ser, meu senhor, o seu respeitoso e muito humilde servo, Braille.” O reconhecimento chegou finalmente em 1844, na inauguração das novas instalações da escola na Boulevard des Invalides. Por esta altura, Dufau já mudara de ideias em relação ao braille, devido à insistência do director adjunto, Joseph Guadet. Após um discurso sobre o sistema de pontos em relevo, os alunos demonstraram o seu uso, transcrevendo e lendo versos. Guadet escreveu mais tarde: “Braille era modesto, demasiado modesto... as pessoas à sua volta não o valorizavam… Talvez tínhamos sido os primeiros a atribuir-lhe o seu merecido lugar aos olhos do público, quer por termos utilizado o seu sistema de forma mais generalizada na nossa instrução musical ou por darmos a conhecer todo o significado da sua invenção.”

Ligando os pontos
Louis Braille não viveu tempo suficiente para assistir àadopção universal do braille. Morreu a 6 de Janeiro de 1852, na companhia do seu irmão e amigos. Nenhum jornal publicou a notícia da morte do homem a quem Jean Roblin, o primeiro curador do Museu Louis Braille, chamou “o apóstolo da luz”. Alunos angariaram dinheiro para o escultor parisiense François Jouffroy fazer um busto em mármore baseado na máscara funerária de Braille. Em 1878, em Paris, o congresso global para pessoas surdas e cegas propôs uma norma internacional de braille. O braille foi oficialmente adoptado pelas pessoas de expressão inglesa em 1932 e os esforços pós-guerra da UNESCO unificaram adaptações na Índia, em África e no Médio Oriente. É impossível sobrestimar o legado profundo de Braille. No centenário da sua morte, os feitos de Braille foram finalmente celebrados numa homenagem nacional. O seu corpo foi exumado do cemitério de Coupvray e transferido para o Panteão de Paris, o local de repouso dos grandes cidadãos de França. (As suas mãos permaneceram numa urna decorada com flores de cerâmica na sua sepultura em Coupvray.) O desfile pelas ruas de Paris incluiu centenas de pessoas cegas, de braço dado, algumas com óculos escuros, batendo com bengalas brancas nas pedras da calçada. Contudo, a luta continua 200 anos após a invenção da escrita braille. É uma luta para preservar não só a memória de Louis Braille, tema de surpreendentemente poucas biografias, como o uso do seu sistema na era digital. As crianças com deficiência visual estão, cada vez mais, a aprender com ecrãs e programas de áudio, mas os neurocientistas dizem que a escrita é fundamental para o raciocínio, as ligações cerebrais e a aprendizagem. Os benefícios cognitivos da escrita têm uma importância fundamental. Estudos mostraram que quando uma pessoa cega lê braille através do tacto, o córtex visual fica iluminado. Perante a escassez de professores de braille em todo o mundo, a alfabetização em braille desceu a pique e o seu próprio futuro está em perigo. Saïdi-Hamid, curadora do Museu Louis Braille há quase 17 anos, compara a sua luta para defender o braille com um “combate para defender a própria inteligência”. Sublinhando a “personalidade extraordinária” de Braille, disse Saïdi-Hamid, “ele sempre encarou a sua deficiência como uma força e não como uma limitação”. Tal como Braille lutou durante a sua vida, a luta tem de continuar. Seis milhões de pessoas usam o braille actualmente. O seu futuro está assegurado num mundo de alta tecnologia. A escrita pode ser facilmente convertida para formatos digitais e pode ser lida e escrita nos ecrãs tácteis de computadores ou tablets. Um utilizador de braille experiente consegue ler 200 palavras por minuto (a maioria das pessoas com visão consegue ler 250). Embora a alfabetização em braille esteja a diminuir, será necessária para um futuro no qual o envelhecimento da população fará aumentar o número de pessoas cegas e com deficiência visual. O seu poder como sistema universal que pode ser utilizado por qualquer pessoa independentemente do seu background linguístico, fez com que o seu criador francês alcançasse o estatuto de herói internacional.

Artigo publicado originalmente em inglês em
nationalgeographic.com , 5 de Agosto de 2025

Δ

MJA | 3.Jan.2026


 

Calendários em Braille nos diferentes países: Espanha, Portugal e Brasil

María García

ACAPO - Calendários em Braille 2026
imagem: Calendário 2026 da ACAPO

Agora que estamos a chegar ao final do ano comemorativo dos duzentos anos do sistema Braille, e tendo acabado de receber os calendários de Portugal e do Brasil, gostaria de aproveitar esta oportunidade para partilhar convosco como são produzidos os calendários em Braille nos dois países europeus que me são muito queridos: Espanha e Portugal, e no Brasil, país do qual acredito que nós, na Europa, temos muito a aprender, tanto em geral como no mundo dos cegos em particular. Não sei se outros países europeus também têm organizações ou instituições dedicadas ao mundo dos cegos que produzem calendários em Braille, mas penso que é uma iniciativa muito boa e por isso quis aproveitar o final do ano para a partilhar com a família Braille 200.

1.º Calendário em Braille em Espanha.

É produzido há muitos anos pela Organização Nacional dos Cegos de Espanha (Once), que o envia a todos os seus membros no início de cada ano. Até à data, ainda não recebi o calendário de 2026, mas como geralmente não há alterações, irei descrever o calendário produzido para o ano passado, 2025.

É um calendário relativamente grande, com cerca de meia folha de papel, concebido para ser colocado sobre uma mesa, como acontece com muitos calendários impressos a tinta. As páginas são encadernadas em espiral na parte superior. A primeira linha de cada página mostra os dias da semana abreviados em Braille, começando por segunda-feira e terminando em domingo. Nas linhas seguintes, os números correspondentes a cada dia da semana aparecem em Braille completo (Grau 1) por baixo do dia da semana correspondente. Por exemplo, no calendário de 2026, vemos que o número 1 aparece abaixo de quinta-feira, e assim sucessivamente. Esta informação também está escrita a tinta para que o calendário possa ser consultado e utilizado por pessoas com visão normal.

Em cada página seguinte à página correspondente a cada mês, encontram-se algumas reflexões ou pensamentos da ONCE. Não sei quais serão os temas deste ano, 2026, que está a começar agora, mas normalmente são reflexões e pensamentos relacionados com a inclusão, a integração social, as atividades desenvolvidas pela ONCE, etc. Infelizmente, cada mês não inclui os feriados ou qualquer outra informação que possa ter interesse. Na minha opinião, embora ache uma ótima iniciativa da ONCE produzir um calendário em Braille, acho que é demasiado grande e foi pensado mais para divulgar o trabalho da ONCE a pessoas videntes do que para ser utilizado por pessoas cegas, pois, por ser um calendário de mesa, considero-o impraticável e demasiado grande para ser consultado e manuseado diariamente. Também acho que estas reflexões e pensamentos estão mais direcionados para pessoas videntes do que para pessoas cegas. Seria mais interessante incluir outro tipo de informação, como resumos ou recensões de alguns dos livros que a ONCE gravou no último ano, ou alguma atividade ou informação de interesse para pessoas cegas que tenham realizado. No entanto, insisto que é uma iniciativa muito boa e, na minha opinião, muito louvável.

2.º Calendário em Braille em Portugal.

Este é o meu favorito e, na minha opinião, o melhor, mais útil e mais interessante dos três. É produzido pela Área de Leitura para Deficientes Visuais da Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa, uma das várias bibliotecas em Portugal que produzem livros para cegos em formato áudio, Braille impresso, digital ou RTF.

O calendário tem aproximadamente o tamanho de um iPhone SE 2020, ou seja, é muito pequeno, cerca de um terço de uma folha de papel, e o seu formato é como o de um livro, com as páginas dobradas ao meio e agrafadas. Na minha opinião, isto torna-o muito mais prático do que um calendário de secretária e permite que seja transportado para todo o lado, para que a pessoa cega o possa consultar sempre que desejar.

A capa indica em Braille “Calendário Civil 2026”. Na página seguinte, encontram-se as informações de contacto do Espaço de Leitura para Deficientes Visuais da Biblioteca Nacional de Portugal: morada, número de telefone, email, etc.

A seguir, em cada página, a primeira linha contém as abreviaturas dos dias da semana, tal como no calendário espanhol, com a particularidade de que em Portugal, como veremos no calendário brasileiro, a semana começa ao domingo e termina ao sábado. Trata-se de uma inflação do calendário criado na sua época pelo imperador romano Teodósio. Nas linhas seguintes da página, tal como no calendário espanhol, os números dos dias da semana estão escritos em Braille (Grau 1), cada um abaixo do dia da semana a que corresponde.

Contudo, ao contrário do calendário espanhol, quando um dia da semana é feriado, em vez do número do dia correspondente, aparece a letra F, indicando que se trata de um feriado, exceto em três casos particulares que, devido à sua importância, são indicados especificamente: Natal, indicado com um N; Domingo de Páscoa, indicado com a letra P; e o Dia de Carnaval, que, devido à sua importância em Portugal, é indicado com a letra C. Todos os outros feriados são indicados com a letra F. Considero este aspeto muito importante, pois permite aos utilizadores verificar quais os dias que são feriados em cada ano.

O calendário está escrito em sistema interpunct, pelo que no verso de cada página existe outra página onde, pelo menos para o ano de 2026, consta a resenha de um livro publicado em Braille pela Biblioteca Nacional de Portugal durante o ano de 2025. Também acho isto muito interessante porque chama a atenção para livros que talvez não tenhamos notado durante o ano, mas que possam ser do nosso interesse.

3.º Calendário Braille no Brasil.

É produzido pelo Instituto Bengmin Constant, no Rio de Janeiro. O seu formato e tamanho são quase idênticos aos do calendário português, embora seja ligeiramente maior.

Tal como no calendário português, a primeira linha de cada mês mostra os dias da semana de forma abreviada, começando pelo domingo e terminando no sábado, e as linhas seguintes mostram os números dos dias correspondentes em Braille completo (Grau 1). No entanto, neste caso, ao contrário do calendário português, os feriados não são assinalados nestas linhas; em vez disso, é simplesmente indicado o dia do mês correspondente a cada dia da semana.

Também está escrito no sistema Interponto e, neste caso, aparecem as seguintes informações no verso de cada página: algum feriado importante para esse mês. Por exemplo, em fevereiro, surge o Carnaval; em dezembro, o Natal; e em abril, curiosamente, em vez da Segunda-feira de Páscoa, surge a Sexta-feira Santa. Não entendo o porquê. Aparecem também alguns feriados celebrados no Brasil, como o Dia dos Tiradentes, que homenageia um bandido que, por algum motivo, tem um feriado no Brasil. Mas suponho que seja porque existem várias religiões no Brasil e talvez esta informação seja importante para algumas delas, ou porque a consideram especialmente importante. Após as férias, o verso de cada página mostra o dia e a hora da lua cheia, da lua crescente e da lua minguante.

Além disso, ao contrário dos dois calendários anteriores, a última página deste calendário mostra os dias e as horas de início de cada uma das quatro estações do ano: inverno, primavera, verão e outono. Mas atenção, devemos ter em conta que o Brasil está no hemisfério sul, pelo que as estações do ano e as suas datas não coincidem com as nossas na Europa.

Por fim, o calendário inclui ainda os dados de contacto do Instituto Benjamin Constant: endereço de e-mail e número de telefone.

Ao contrário do calendário português, este calendário não inclui qualquer referência às atividades ou livros publicados por este instituto, o que considero uma pena. Por isso, prefiro o calendário português, que considero o mais completo, útil e interessante dos três, mas esta é, obviamente, apenas a minha opinião pessoal.

Em suma, penso que a existência de calendários em Braille, nas suas diferentes formas, é uma iniciativa maravilhosa, pelo que achei importante partilhá-la convosco. Espero que gostem e gostaria de aproveitar esta oportunidade para desejar a toda a família Braille 200 um Feliz Ano Novo de 2026. Que Deus nos conceda saúde e que continuemos a trabalhar em conjunto na defesa e promoção do Braille, mesmo depois de já ter passado o bicentenário da sua criação.

texto: María García
tradução: Google/IA

Δ

MJA | 1.Jan.2026 


 

Ebooks e audiobooks com acesso gratuito em nova plataforma das bibliotecas públicas: BiblioLED

Agência Lusa | 27 janeiro 2025
Expresso FB

O catálogo inicial é constituído por "uma coleção nacional de 1500 títulos disponibilizada a todas as bibliotecas da RNBP e por 25 coleções regionais apenas acessíveis aos utilizadores em cada Rede Intermunicipal e Rede Metropolitana de Bibliotecas

Um novo serviço das bibliotecas públicas que permite aceder gratuitamente através de uma plataforma a livros digitais e audiolivros em todo o país fica disponível 'online' a partir das 15h de hoje, numa iniciativa da Direção-Geral do Livro.

Designada BiblioLED, esta biblioteca pública digital destina-se a todos os utilizadores inscritos nas bibliotecas municipais integradas na Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNBP).

O objetivo deste novo serviço é "fomentar os hábitos de leitura, promover serviços de qualidade nas bibliotecas municipais, promover a literacia digital e facilitar o acesso a livros digitais e audiolivros, em complemento ao serviço presencial já oferecido pelas 445 bibliotecas", de acordo com a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB).

O catálogo inicial é constituído por "uma coleção nacional de 1500 títulos disponibilizada a todas as bibliotecas da RNBP e por 25 coleções regionais apenas acessíveis aos utilizadores em cada Rede Intermunicipal e Rede Metropolitana de Bibliotecas".

Os conteúdos disponíveis, em formato de livro digital e de audiolivro, com títulos de ficção e não ficção, são maioritariamente em língua portuguesa.

O serviço vai estar permanentemente acessível - 24 horas por dia, sete dias por semana - por meio de 'smartphones', 'tablets', leitores 'online' e 'e-readers', a partir de qualquer lugar, sendo possível ajustar o modo de leitura, modificando o tipo e o tamanho da letra, o espaçamento entre linhas e a cor do fundo.

Para aceder, basta ao leitor estar inscrito numa biblioteca municipal da RNBP, que tenha aderido ao serviço da BiblioLED.

Δ

MJA | 31.Dez.2025


 

Tertúlia | Dia Mundial do Braille – “Pontos de Encontro”

Associação Bengala Mágica

No âmbito das comemorações do Dia Mundial do Braille (4 de janeiro), a Associação Bengala Mágica promove, no próximo dia 5 de janeiro de 2026, uma tertúlia dedicada à reflexão e partilha sobre a importância do Braille enquanto ferramenta fundamental de autonomia, acessibilidade e inclusão das pessoas com deficiência visual.

Sob o tema “Pontos de Encontro”, esta sessão reunirá utilizadores de Braille que irão partilhar experiências e perspetivas sobre o papel deste sistema de leitura e escrita em áreas como a educação, a saúde, a cultura e a participação cívica.

A moderação estará a cargo de Irina Francisco, membro da Direção da Associação Bengala Mágica.

🗓 Data: 5 de janeiro de 2025
🕕 Horário: 18h00 – 20h00
💻 Formato: Online
📍 Plataforma: Zoom

Inscrição: https://forms.gle/dKRcYgQ9M22bmQAMA

Δ

MJA | 30.Dez.2025


 

Visão Residual Permite a Pessoas com Degeneração Macular Julgar Com Segurança a Aproximação de Veículos

NR/ HN/ AlphaGalileo
25 de Dezembro 2025

Um estudo internacional inovador descobriu que indivíduos com perda significativa da visão central são capazes de avaliar o movimento de veículos que se aproximam com uma precisão quase equivalente à de pessoas com visão normal. Esta investigação, que colocou participantes mais velhos com degeneração macular relacionada à idade (DMI) em cenários de trânsito simulados em realidade virtual, contraria algumas expectativas intuitivas sobre as limitações impostas por esta condição ocular comum. Os resultados, recentemente publicados na revista de acesso aberto PLOS One, sugerem que a visão residual desempenha um papel mais crucial do que se poderia antecipar para tarefas complexas e diárias, como a de decidir o momento seguro para atravessar uma rua.

A equipa de investigação, liderada pela Universidade Johannes Gutenberg de Mainz, na Alemanha, em colaboração com a Universidade Rice no Texas, Estados Unidos, e outras instituições americanas e francesas, partiu de um trabalho anterior sobre a perceção do tempo de chegada em indivíduos com visão normal. A psicóloga da perceção Patricia DeLucia, da Universidade Rice, explicou a motivação: “Existem poucos estudos que analisem especificamente os julgamentos de colisão em pessoas com deficiência visual, mesmo que tarefas como atravessar uma rua ou navegar em ambientes movimentados dependam desta capacidade”. A questão de fundo era perceber se, perante a deficiência visual, as pessoas passariam a depender mais intensamente do som, e se a combinação de visão e audição traria uma vantagem clara em relação ao uso isolado da visão.

Para responder a estas interrogações, os investigadores conceberam uma experiência que recria, em ambiente virtual, a perspetiva de um peão perante um veículo em aproximação. Daniel Oberfeld-Twistel, professor de Psicologia Experimental na Universidade de Mainz, foi responsável pela implementação do som realista do veículo no sistema. Aos participantes — um grupo com DMI em ambos os olhos e um grupo de controlo com visão normal — foi pedido que premissem um botão no instante exato em que acreditavam que o carro os alcançaria. A cena foi apresentada de três formas distintas: apenas com estímulos visuais, apenas com estímulos auditivos, ou com ambos em simultâneo. Através de estratégias avançadas de análise de dados desenvolvidas em Mainz, a equipa conseguiu dissecar quais os sinais percetivos, como o tamanho ótico aparente do veículo ou a intensidade do som, que influenciavam as decisões dos participantes.

“Graças ao nosso sistema avançado de simulação audiovisual e à análise de dados personalizada, obtivemos uma visão quase microscópica de como os peões usam informação auditiva e visual para estimar o tempo de chegada de um veículo que se aproxima”, afirmou Oberfeld-Twistel. “Isto vai além do que conhecíamos de estudos anteriores”.

Os resultados revelaram-se notáveis. De forma geral, o grupo com DMI desempenhou-se de forma muito semelhante ao grupo com visão normal na tarefa de estimar o momento de chegada. Os investigadores notaram que, em condições puramente visuais, os adultos mais velhos com DMI tenderam a basear-se um pouco mais em pistas heurísticas ou pictóricas, como o tamanho aparente do veículo. Contudo, quando tinham à sua disposição tanto a informação visual como a auditiva, a precisão entre os dois grupos manteve-se comparável. Surpreendentemente, não se verificou uma vantagem clara da combinação dos dois sentidos em relação ao uso da visão isolada, mesmo para os participantes com deficiência visual.

“Os nossos resultados indicam que mesmo uma visão central reduzida continua a fornecer informação útil para julgar objetos em aproximação”, explicou Oberfeld-Twistel. “As pessoas com degeneração macular relacionada à idade continuam a beneficiar da sua visão residual em vez de dependerem apenas de pistas auditivas”. Este dado é relevante, pois sugere que os recursos percetivos destas pessoas podem ser mais robustos do que o senso comum supõe. No entanto, o próprio investigador fez um importante caveat: o estudo utilizou cenários deliberadamente simplificados, com um único veículo a aproximar-se a uma velocidade constante.

Patricia DeLucia reforçou esta ressalva, acrescentando que “trabalhos futuros terão, portanto, de examinar se as conclusões se mantêm em ambientes mais complexos, por exemplo, com múltiplos veículos ou quando os veículos estão a acelerar”. Investigação deste género pode vir a ser fundamental para orientar desenvolvimentos nas áreas da mobilidade, reabilitação e segurança rodoviária, ajudando a conceber espaços urbanos mais inclusivos e a definir estratégias de treino mais eficazes para pessoas com baixa visão.

Para além das instituições já mencionadas, a equipa de investigação incluiu colaboradores da Universidade do Iowa, da Universidade Lamar, dos Retina Consultants of Texas, do Davies Institute for Speech and Hearing e da Universidade de Toulouse. Este trabalho foi apoiado pelo National Eye Institute dos National Institutes of Health dos Estados Unidos.

Δ

MJA | 29.Dez.2025



Inclusão na Ceia de Natal!

ACAPO


Pequenos gestos fazem toda a diferença para que todos possam viver esta época com conforto, autonomia e verdadeira participação. Aqui ficam algumas dicas práticas para familiares de pessoas com deficiência visual:

✔Sociabilização – Inclua sempre nas conversas, jogos e momentos de partilha;
✔Atividades e autonomia – Permita que participe: servir se, organizar ou distribuir pratos são formas simples de promover independência;
✔Presentes – Diga quem ofereceu o quê e descreva cada presente, dando tempo para explorar ao toque;
✔Descrição da mesa – Explique a disposição dos pratos e alimentos, para pessoas com baixa visão, use contrastes na organização;
✔Orientação de espaços – Indique onde ficam WC, cozinha ou áreas externas, usando referências claras;
✔Respeito pela autonomia – Ofereça ajuda apenas quando solicitado e valorize o ritmo e as escolhas da pessoa.

Porque a inclusão também se celebra à mesa.

Δ

MJA | 24.Dez.2025


 

'Metrobus' de Coimbra é inclusivo e seguro para pessoas cegas

Lusa
Notícias ao minuto, 20/12/2025

Locais de espera, com piso diferente, e avisos sonoros frequentes tornam o Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM) inclusivo, seguro e com condições para pessoas cegas e com baixa visão viajarem de forma autónoma.

Numa viagem de 'metrobus' com a agência Lusa, o presidente da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (Acapo) de Coimbra fez uma "avaliação muito positiva" do novo sistema.

"Fazemos uma avaliação muito positiva do atual estado de desenvolvimento das acessibilidades. Ainda há aspetos, certamente, a melhorar, mas o que já temos hoje permite que pessoas cegas e com baixa visão se desloquem com rapidez, com segurança, com acessibilidade neste espaço que vai já entre Serpins e a Portagem", afirmou José Caseiro.

Desde terça-feira que o SMM liga a Portagem, em Coimbra, a Serpins, no concelho da Lousã.

Na estação Norton de Matos, em Coimbra, a cerca de 700 metros da sede da Acapo, o dirigente começou por assinalar que a entrada "está muito acessível", dando o exemplo de uma grade que permite perceber que direção tomar.

"Tentaram, com sugestão nossa, por o piso mais acessível e seguro", frisou.

Nas estações, José Caseiro destacou o piso "pitonado", que permite saber a distância do lancil do canal, e os pontos de espera, com guias direcionais, sempre na mesma localização.

"Aguardando pelas viaturas nesse ponto, em que tem umas guias no chão, sabemos que a porta do meio da viatura é aquela que vai ficar à nossa frente", afirmou.

Há também avisos sonoros frequentes nas estações a informar da aproximação dos veículos.

"Dá pelo menos dois avisos: um quando faltam quatro, cinco minutos e outro mais ou menos 30 segundos antes de a viatura chegar. E isso é muito positivo, porque sabemos que a viatura está a aproximar-se e vamo-nos preparando", detalhou o dirigente da Acapo.

Para Caseiro, "é positivo" o aviso sonoro dentro das viaturas a informar das paragens, apesar de notar que "não há uma uniformização do volume de som".

"Nalgumas está relativamente baixo e, quando as viaturas forem cheias, com a sua lotação quase máxima, será muito difícil ouvir-se o som", alertou.

Outro reparo prende-se com a dificuldade de articulação dos semáforos do SMM e dos automóveis junto à paragem da Portagem, cujo som "é muito baixo".

"Não me sinto seguro, porque, de facto, com muito barulho, é preciso estar mesmo em cima do semáforo, porque senão não conseguimos ouvi-lo", admitiu o dirigente, que adiantou que a situação já foi reportada e que, julga, "vai ter uma solução para breve".

Para Caseiro, os sinais "não podem ser todos no mesmo tom, porque depois confunde-se".

O dirigente congratulou-se com a participação da Acapo no desenvolvimento do sistema, com reuniões, testes e sugestões, lembrando a abertura das portas em todas as paragens, que não estava inicialmente previsto.

"A Metro Mondego [MM] sempre recebeu e aceitou de bom grado as nossas propostas e tenho de felicitar a empresa por esta postura de abertura, de acessibilidade e por perceberem que, de facto, é um sistema bom para todos, para quem tem e para quem não tem deficiência. E só assim é possível, de facto, isto evoluir e tornar um sistema acessível, inclusivo e dentro de uma cidade também que se deseja inclusiva", concluiu.

À Lusa, João Marrana, presidente da MM, disse que, para a empresa, o sistema de transporte público deve ser um "elemento de inclusão social" e que o trabalho com a Acapo foi "muito importante".

"Há um conhecimento da Acapo que, obviamente, é muito superior à de qualquer um de nós, ou de qualquer um dos projetistas, porque lidam diariamente com pessoas que têm essa limitação e, obviamente, que foi muito importante", afirmou.

Com as operações do SMM a iniciar, João Marrana reconheceu que "há aspetos que certamente ainda não estão totalmente afinados".

"Há ajustamentos que certamente teremos que fazer e estamos com toda a boa vontade e todo o empenho em fazê-los", garantiu.
 

Δ

MJA | 20.Dez.2025


 

A Access Lab venceu o Prémio Nacional de Turismo 2025 na categoria de Turismo Inclusivo

Rui Bandeira
Expresso | 13 dezembro 2025

A Access Lab, vencedora do Prémio Nacional de Turismo 2025, na categoria Turismo Inclusivo, tem vindo a mudar a forma como Portugal olha para a acessibilidade, ao transformar palcos, estádios, festivais e experiências turísticas em espaços onde todos — mesmo todos — podem entrar.

Nasceu em plena pandemia e, em tempo de portas fechadas, abriu janelas para a inclusão. A Access Lab, projeto que elimina barreiras físicas, sensoriais e comunicacionais para permitir o acesso de pessoas com deficiência, neurodivergência e surdas a experiências culturais, desportivas, turísticas e empresariais, é hoje presença regular em alguns dos maiores eventos de cultura e desporto do país e foi recentemente destinguido com o Prémio Nacional de Turismo 2025 na categoria de Turismo Inclusivo.

O projeto começou com uma inquietação pessoal de Tiago Fortuna, cofundador, apaixonado por cultura, e que quis saber mais sobre processos que abrissem o caminho à acessibilidade. “Sou uma pessoa com deficiência e queria olhar para isto de forma profissional e sistematizada”, conta. Pelo caminho encontrou Jwana Godinho, com quem criou a consultora que hoje trabalha para garantir o acesso de todos a eventos onde antes não tinham lugar. “O desafio maior foi mesmo a discriminação e o desconhecimento sobre a vida das pessoas com deficiência. Muitas vezes não é intencional, mas a exclusão está lá”, diz.

Construir comunidade para derrubar barreiras
A missão da Access Lab não se esgota na consultoria. Passa por criar comunidade, juntar pessoas com e sem deficiência, decisores, jornalistas e profissionais dos setores onde intervêm. “Acredito que a salvação do mundo atual terá a ver com o quão fortes são as nossas comunidades que trabalham pelo bem. Queremos envolver as pessoas em registo de paridade para tentar derrubar o mais possível de barreiras e sentimos que isso acontece nesses projetos”, explica Tiago.

Projetos com a UEFA e a Federação Portuguesa de Futebol permitem a inclusão de pessoas com deficiências em eventos desportivos

O impacto existe — e é visível. Em apenas três anos, a Access Lab já esteve presente em jogos da Seleção Portuguesa, mantém trabalho contínuo com o Sporting e com a MEO Arena e assegura acessibilidade em alguns dos maiores festivais nacionais, como o NOS Alive ou o MEO Marés Vivas. “Ter essa abertura para trabalhar nestes espaços é super importante e não podemos deixar de celebrar isso”, sublinha.

Através da escuta ativa da comunidade, a consultora cria respostas personalizadas e adaptadas como audiodescrição, adaptação para Língua Gestual Portuguesa, salas de pausa sensorial e também soluções tecnológicas inovadoras como o projeto Colete das Emoções no NOS Alive, que permite à comunidade surda sentir a música através das vibrações. “Podíamos limitar-nos a tornar o espaço físico mais inclusivo, mas o que nos distingue é não deixar nada pelo caminho. Explicamos como se compra a experiência, como se usufrui dela, que recursos existem e como funciona na prática”, acrescenta.

Turismo inclusivo: um caminho ainda por fazer
Quando o tema é turismo, Tiago fala sem rodeios: “Fiscalização não há. E comunicamos mal.” Para o cofundador da Access Lab, o setor continua a comunicar de forma conservadora, pouco aspiracional e sem representar verdadeiramente quem viaja. “Estas pessoas existem. São 15% da população mundial. Fazem turismo como qualquer outra pessoa — até turismo de luxo ou intercontinental.”

A receita, diz, é simples: comunicar com entusiasmo e fiscalizar melhor o que já está regulamentado. “Faltam modelos de representatividade que também não havia na cultura. No turismo, se trouxermos mais exemplos de pessoas com deficiência a participar na oferta, podemos mudar um bocadinho o paradigma”.

Este ano, a Access Lab avança para novos territórios e estreia um projeto inovador em parceria com o NOS Alive: uma aplicação baseada em Inteligência Artificial para a comunidade com deficiência visual. Mas há mais na calha. “Queremos explorar como a tecnologia pode melhorar a vida das pessoas com deficiência. E, ao mesmo tempo, trabalhar educação, literacia e comunicação. Em 2026 gostaríamos de contribuir mais diretamente para o setor do turismo, sobretudo na forma como comunica a sua oferta.”

Δ

MJA | 15.Dez.2025



Prémio Nacional de Turismo: conheça os finalistas na categoria Turismo Inclusivo

Rita Seabra Gomes
Expresso, 21 novembro 2025

A categoria Turismo Inclusivo distingue projetos comprometidos em garantir que todos os turistas, independentemente de condições físicas, sensoriais, cognitivas ou outras, possam desfrutar das riquezas culturais e naturais de Portugal, criando experiências turísticas acessíveis, acolhedoras e que criem memórias duradouras. São projetos que fomentam a confiança e fidelização do consumidor, bem como a empatia com o produto, serviço ou destino; que potenciam a inclusão dos visitantes e satisfaçam as necessidades de diferentes públicos, independentemente das suas características e perfis; e que permitam o acesso à experiência turística a uma maior diversidade de públicos, com qualidade, segurança, conforto e autonomia.

Fique a conhecer os cinco finalistas na categoria Turismo Inclusivo:

Access Lab
Empresa de consultoria e serviços, dedica-se a garantir a acessibilidade de pessoas com deficiência, neurodivergência e surdas a experiências culturais, desportivas, turísticas e empresariais. Atua eliminando barreiras físicas, sensoriais e comunicacionais, com soluções personalizadas como audiodescrição, adaptação para Língua Gestual Portuguesa e salas de pausa sensorial. Através da escuta ativa da comunidade, são criadas respostas adaptadas, que promovem espaços inclusivos e acolhedores para todos os públicos e as suas necessidades específicas, e que têm um efeito direto na inclusão social e na transformação do setor cultural e turístico, alcançando milhares de pessoas por ano em eventos de grande escala. A Access Lab contribui ainda para a capacitação de profissionais e organizações e sensibiliza o público sobre a importância da acessibilidade. Entre as soluções tecnológicas inovadoras já utilizadas destacam-se: o projeto de acessibilidade no Festival Belém Soundcheck, premiado como festival mais acessível de 2024; o Access All Areas, focado na acessibilidade no Altice Arena; o projeto Colete das Emoções no NOS Alive, que permite à comunidade surda sentir a música através das vibrações; e o projeto Game On com a UEFA para a Federação Portuguesa de Futebol, que visa a inclusão de pessoas com deficiências em eventos desportivos.

Café Joyeux
Café-restaurante solidário e inclusivo, localizado no centro de Cascais, numa casa integralmente recuperada, forma jovens-adultos com dificuldades intelectuais, cognitivas e de desenvolvimento, como trissomia 21 ou perturbações do espectro do autismo, para promover a sua integração no mercado de trabalho e oferecer formação certificada, acompanhamento personalizado e empregos dignos, em estabelecimentos na área da restauração e hotelaria. O Café Joyeuxdistingue-se pelo seu modelo de negócio social totalmente inclusivo, onde o espaço é pensado de raiz para promover a autonomia de colaboradores com necessidades especiais, incluindo equipamentos e modelo de serviço. O modelo de negócio assenta numa base de reinvestimento de lucros, com 100% das receitas reinvestidas na abertura de novos cafés-restaurantes e no desenvolvimento do projeto, permitindo expandir a missão de inclusão e criar mais postos de trabalho. Conta também com parcerias com instituições de cariz social para a contratação destes colaboradores, aplicando um modelo sustentável do ponto de vista económico e replicável permitindo crescimento e continuação da sua missão social. O espaço tornou-se um ponto de encontro para a comunidade, fomentando o espírito de solidariedade que contribui para o apoio à causa.

Festival Mais Solidário
Criado em 2022, o festival realiza-se anualmente em Castelo Branco e alia cultura, música, inclusão e solidariedade, com o objetivo de financiar a atividade social da Associação de Apoio Quatro Corações, uma Instituição Particular de Solidariedade Social que ajuda pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade, nas áreas da saúde, alimentação, educação e habitação. Num território de baixa densidade populacional, o Festival Mais Solidárioconta com uma média anual de 25 a 30 mil visitantes e mais de 300 voluntários; promove a visibilidade de instituições locais; gera impacto na restauração e hotelaria, com lotação esgotada, e fortalece o sentido de pertença da comunidade. Ao canalizar todas as receitas para apoiar pessoas em situação de vulnerabilidade, já contribuiu para mais de 850 mil refeições quentes. O festival garante ainda entrada gratuita a portadores de atestado multiusos, cria áreas específicas para pessoas com mobilidade reduzida e integra imigrantes, refugiados e cidadãos em situação de vulnerabilidade através da participação ativa em equipas e representações culturais. Esta combinação de cultura, causas sociais e envolvimento comunitário torna o evento único no panorama nacional e projeta Castelo Branco como um destino de turismo cultural responsável e acessível.

MEO Kalorama
Festival cultural que combina música, arte e sustentabilidade, realizado no Parque da Bela Vista, em Lisboa, valoriza a inclusão ao criar experiências acessíveis para pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e neurodivergência. Entre as diversas medidas de acessibilidade estão rampas regulamentadas, plataformas elevadas, shuttles adaptados, WC inclusivos, interpretação em Língua Gestual Portuguesa, audiodescrição e zonas de pausa sensorial. Paralelamente, o MEO Kalorama promove a regeneração urbana e o envolvimento da comunidade local que beneficia de formação e emprego, com atuações de artistas emergentes do bairro e a participação na organização. Ações ambientais como plantação de árvores e instalação de ninhos para aves, e a sustentabilidade, através da reutilização de lonas e diminuição de resíduos, são outras dimensões centrais do evento. O festival valoriza a economia e cultura de bairros periféricos, reforçando a coesão social e turística da cidade. A responsabilidade social reflete-se em doações de materiais e equipamentos a escolas e associações, prolongando o impacto para além do festival.

Vela Solidária
Começou na associação Teia D’Impulsos, em Portimão, no Algarve, e é hoje uma entidade autónoma que promove a integração social através do desporto, e transforma a prática da vela numa experiência acessível e inclusiva. O projeto Vela Solidária alargou a sua atuação em 2021 ao adaptar embarcações para pessoas em cadeira de rodas, alterando o paradigma da prática de vela, ao conjugar inclusão social, desporto de alto nível e sustentabilidade ambiental. Através de programas regulares, cursos de iniciação, experiências abertas à comunidade e formação em parceria com a Federação Portuguesa de Vela, o projeto cria condições de participação na modalidade com igualdade e autonomia e desenvolve capacidades sociais de pessoas com diversidade funcional. Destaca-se ainda por promover o turismo náutico fora da época alta, reduzindo a sazonalidade, e pela organização de eventos internacionais de referência, como o Campeonato do Mundo de Vela Adaptada 2023, que dão visibilidade ao Algarve como destino náutico acessível e competitivo. Possuem também parcerias com a Região de Turismo do Algarve, o Instituto Português do Desporto e Juventude e o Município de Portimão para promoção da adaptação de infraestruturas, quartos de hotel e acesso a marinas. Recentemente, expandiu a abrangência territorial com parcerias em Vilamoura e Moura para formação de atletas e treinadores.

Δ

MJA | 14.Dez.2025


 

Formação sobre atividade física para crianças e jovens com deficiência visual fecha projeto internacional

Cidade hoje - SAPO | 8 de Dezembro, 2025

No âmbito do projeto internacional “Move As You Are”, a Câmara Municipal de Famalicão promove, na tarde do próximo sábado, a partir das 14h30, nas piscinas de Ribeirão, uma ação de formação sobre atividade física para crianças e jovens com deficiência visual.

A iniciativa, de cinco horas, é aberta ao público em geral, com especial foco nos técnicos e profissionais da área do desporto e do desenvolvimento da atividade física.

A inscrição é gratuita, mas obrigatória, até esta sexta-feira, através do portal do Famalicão Desportivo (www.famalicaodesportivo.pt).

O início da formação será dedicado à apresentação do projeto internacional “Move As You Are”, que decorreu entre 2024 e 2025, desenvolvido pelo Município de Famalicão, em associação com a Universidade de Atenas (Grécia), a associação Euphoria Net e a Real Eyes Sport, ambas de Itália.

A sessão vai contar com intervenções de Tiago Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional de Desporto para Deficiência Visual (ANDDVIS), e de Nuno Borges, da empresa municipal GesLoures.

Esta iniciativa marca o final do “Move as You Are”, desenvolvido pelo Município de Vila Nova de Famalicão, através do pelouro do Desporto, em parceria com instituições internacionais. O projeto envolveu um financiamento na ordem dos 25 mil euros proveniente do fundo europeu “Erasmus + Sports” da Comissão Europeia. Da criação do caderno pedagógico à elaboração do curso online de atividades desportivas para crianças com deficiência visual, passando pelas mobilidades internacionais, o “Move As You Are” teve como objetivo apoiar a inclusão social e ultrapassar as barreiras desportivas com que se deparam as crianças com deficiência visual.

Δ

MJA | 13.Dez.2025


 

TAGV e ACAPO assinam protocolo para promover acesso à cultura

Agência Lusa | 11 de dezembro de 2025

O Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) - em Coimbra - vai passar a disponibilizar espetáculos com audiodescrição, no âmbito de um protocolo assinado ontem com a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO). A iniciativa pretende promover o acesso à cultura por parte de pessoas cegas ou com baixa visão, reforçando o compromisso do Teatro com práticas inclusivas.

Durante a assinatura do protocolo, que teve lugar no Dia Internacional dos Direitos Humanos, o diretor do TAGV, Sílvio Correia Santos, afirmou que o Teatro assume “o compromisso de tornar os seus espaços e os seus conteúdos mais inclusivos”. O documento estabelece ações de divulgação, partilha de conteúdos e iniciativas de sensibilização para capacitar pessoas com deficiência e criar condições mais equitativas de acesso à programação cultural.

Entre as medidas previstas está a implementação de audiodescrição em alguns espetáculos e visitas guiadas, bem como a preparação de uma maqueta tátil que permitirá uma exploração sensorial do espaço. O protocolo contempla ainda descontos na compra de bilhetes e entrada gratuita para assistentes pessoais ou acompanhantes de pessoas com deficiência visual.

Notícia completa na edição impressa e digital de 11/12/2025 do DIÁRIO AS BEIRAS

Δ

MJA | 12.Dez.2025




Notícias em arquivo:

2004 | 2005 | 2006 | 2007 | 2008 | 2009 | 2010 | 2011 | 2012 | 2013 | 2014 | 2015 | 2016 | 2017 | 2018 | 2019 | 2020 | 2021 | 2022 | 2023 | 2024 | 2025 | 2026