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INTRODUÇÃO
René Maheu, diretor geral da UNESCO, numa mensagem de abertura do Ano
Internacional do Livro, escreveu: "O livro como um instrumento de uso
diário, um meio para desenvolvimento de carácter, ou um veículo para
lazer e repouso, é parte vital para uma vida feliz e dignificada."
Esses três usos do livro, fundamentais para todas as pessoas, incluem
também aquelas com deficiência da visão.
É através da leitura que as pessoas podem adquirir os conhecimentos
básicos e o aperfeiçoamento profissional que as capacitam
a tornarem-se membros integrantes da sociedade.
E também através do livro que a pessoa acompanha a evolução
literária e científica, amplia seus conhecimentos e aperfeiçoa-se . É o
livro que fornece os elementos necessários ao desenvolvimento
da imaginação e abertura de novos horizontes.
A importancia e a necessidade desse veículo fundamental para uso dos
cegos preocupou a humanidade através dos tempos e a aplicação dos
recursos oferecidos pela evolução tecnológica e científica, vem
favorecendo a constante ampliação de meios e métodos de comunicação para
os deficientes da visão.
Entre todos os sistemas de leitura e escrita para cegos que foram
inventados desde os primórdios da civilização, o sistema braille
inventado por Louis Braille em 1824 é o sistema de leitura e escrita que
tem substituIdo com maior eficiência e facilidade a palavra impressa e
escrita em tinta. Esse sistema tomou o tato como substituto da visão na
leitura.
A palavra em braille significa para a pessoa cega o que a palavra em
tinta significa para a pessoa que vê.
O sistema braiIle representa o meio de comunicação que lhes permite
expressar-se e obter informação na forma impressa, podendo ser usado
inclusive pela pessoa cega-surda.
Através desse meio de comunicação as pessoas cegas têm recursos para
formar conceitos sobre ortografia, disposiçoes gráficas com: sentenças,
parágrafos, pontuação, quadros informativos, esquemas, etc...
A experiência da leitura visual ou tátil não pode ser substituída pela
audição de textos lidos por qualquer outra pessoa.
Estar apto a escrever os seus pensamentos, em tinta ou em braille,
possibilita à mente humana ter um espelho à sua frente.
A palavra escrita, lida em silêncio ou em voz alta de acordo com a
atitude subjetiva indicada pela qualidade e intensidade tônica da
palavra falada, possibilita à inteligência condições de penetração de
seu conteúdo, obtendo o máximo de objetividade quando se quer resolver
um problema difícil.
"Sem livros, os cegos não podem realmente aprender", disse uma vez a
seu pai, Louis Braille.
Braille teria sido ainda mais correto se dissesse que sem estarem
aptos a usar a palavra e outras expressões escritas, as pessoas cegas
não poderiam funcionar como verdadeiros membros da sociedade.
LOUIS BRAILLE
A maioria dos indivíduos sabe que as pessoas cegas utilizam um sistema
especial de leitura tátil e escrita. Mas o que ninguém poderá deixar de
saber é que esse sistema tem o nome de seu inventor LOUIS BRAILLE que é
hoje profundamente distinguido por sua criação.
A sua história é a de um homem que conseguiu muito lentamente o
reconhecimento do valor de sua obra. Durante a maior parte da vida de
Louis Braille seu sistema só foi conhecido na escola onde ele estudou e
foi professor.
As pessoas relutaram muito em mudar os metodos insatisfatórios usados
para educar as pessoas cegas. Foi somente no fim de sua vida que o uso
do sistema Braille começou a expandir-se. E mesmo assim, a significancia
de sua realização permaneceu obscura para o mundo durante muitos anos.
Louis Braille nasceu em quatro de janeiro de 1809, na pequena cidade
francesa de Coupvray pertencente ao distrito de Seine-Marne que se situa
cerca de quarenta e cinco quilômetros da cidade de Paris.
Seu pai, Simon René Braille, era um conceituado seleiro na região e
sustentava a família com o fruto de seu trabalho, de maneira simples mas
confortável. Sua mãe, Monique Baron, foi uma jovem simples de fazenda
que veio a Coupvray para casar-se com Simon em 1792, dezessete anos
antes do nascimento de Louis Braille.
O casal têve quatro filhos: em setembro de 1793, Catherine Joséphine;
em março de 1795, Louis Simon; em janeiro de 1798; Marie Céline; e onze
anos mais tarde Louis Braille.
Seu pai tinha então, quarenta e quatro anos de idade e costumava dizer
orgulhosamente do último filho, que ele seria o arrimo de sua velhice.
Como todo filho caçula, Louis recebeu sempre profundo carinho de seus
pais e irmãos. Demonstrou desde cedo ser uma criança dócil e inteligente
e seu pai acreditava que quando o filho primogênito deixasse o lar,
Louis passaria a ser seu auxiliar no trabalho de seleiro.
Desde que pôde dar seus primeiros passos Louis acostumou-se a brincar
na oficina de seu pai com os pequenos retalhos de couro usado na
confecção das selas.
No ano de 1812, não se sabe exatamente em que dia e mês, o pequeno
Louis brincava na oficina como de costume. Em dado momento apanhou um
dos instrumentos de retalho do couro e experimentou imitar o trabalho de
seu pai. Ao tentar perfurar um pedaço de couro com a sovela ponteaguda e
afiada, aproximou-a do rosto. O couro era rijo e o pequeno forçava para
cortar. Em dado momento a sovela resvalou e atingiu-lhe o olho esquerdo,
causando grave hemorragia.
Simon René tomou o garoto nos joelhos e com um pouco de água fresca
lavou o olho machucado. Uma velha senhora, conhecida por suas curas,
preparou e aplicou compressas estancando a hemorragia.
Um pequeno livro intitulado "Medicina Popular" escrito pelo Dr.
Leopold Turk muito reconhecido na época, dá-nos conhecimento do
tratamento dado a um olho ferido naquele tempo: "O quarto deve
permanecer no escuro e o olho deve ser coberto com compressas de água
fria. Em caso de hemorragia, aplicações de sanguessugas ao redor do
olho, dieta e uma dose de calomelano são os métodos usualmente
empregados neste caso e em todos aqueles no qual o olho tenha recebido
ferimentos sérios".
O médico de Coupvray também foi chamado para tratar o garoto, mas a
sua prescrição também foi inadequada. Não havia auxÍlio médico positivo
para eliminar o centro da infecção. Veio a conjuntivite e depois a
oftalmia. Alguns meses mais tarde a infecção atingiu o outro olho e a
cegueira total adveio quando Louis estava com cinco anos. Seus pais
ainda tentam tratamentos. Procuraram consultar um oculista num hospital
da cidade vizinha de Meaux. Mas todos os esforços foram em vão, a
infecção generalizada havia destruido ambas as córneas.
Em 1815 o velho abade que havia batizado Louis Braille morreu. O novo
cura indicado, Abade Jacques Palluy, tornou-se grande amigo da família.
Muito interessado no bem estar dos seus paroquianos dedicou especial
atenção ao garoto cego que demonstrava muita inteligência e vivacidade.
E foi graças ao abade Palluy que Louis Braille pouco a pouco começou a
desenvolver sua natureza investigadora e familiarizar-se com o mundo. O
abade levava o garoto ao velho presbitério e no seu interior ou entre as
árvores de seus jardins, procurava ensiná-lo. A orientação cristã
recebida em sua primeira infancia marcou toda sua vida através de seu
amor, sua bondade e sua humildade.
Em 1816 o Conselho da Cidade de Coupvray realizou um concurso para
admitir um professor. Foi admitido por sua boa reputação moral e
educação o senhor Antoine Brecheret, que contava vinte e um anos de
idade.
Logo após a chegada de Brecheret, o abade Palluy pediu-lhe para
ensinar Louis Braille. Durante dois anos o garoto freqüentou a escola de
Brecheret. Um colega da vizinhança acompanhava-o no caminho de ida à
escola e volta ao lar.
Braille decorava e recitava as lições que ouvia, confundindo o
professor com sua extrema vivacidade. Brecheret observando-o reconheceu
logo sua inteligência brilhante: O Abade PaIluy preocupava-se sempre com
o futuro da criança. Como orientá-lo quan do crescesse? Como dirigir sua
educação?
Um acontecimento precipitou uma solução. No ano de 1817 por ordem do
Prefeito um novo sistema de ensino estava sendo experimentado em várias
escolas. Antoine Brecheret descobriu-lhe vários defeitos pedagógicos e
recusou-se adotar o sistema notificando o Prefeito de Coupvray. Em
resposta, o Prefeito proibiu-o de continuar lecionando transferindo-o
temporariamente para estudar o sistema na cidade de Melun.
Ao retornar em 1818, Brecheret introduziu novo sistema em Coupvray com
resultados satisfatórios. Entretanto, o abade Palluy não mostrou
entusiasmo pelo sistema, influenciando os alunos a transferirem-se para
a escola da cidade vizinha onde o ensino era tradicional.
Os pais de Louis Braille preocupados com a situação, pediram ao Abade
para encontrar uma solução para a educação de seu filho. Abade PalIuy
começou a investigar.
Antoine Brecheret, durante seus estudos em Paris, tinha ouvido falar
de uma instituição para cegos. Interessado nisso o Abade Palluy procurou
o Marquês D'Orvilliers, que era latifundiário na região, e reconhecido
por sua grande generosidade, tendo já atendido vários pedidos do Abade.
O Marquês ouviu o Abade com muita atenção, pois ele conhecia o garoto.
Lembrou-se também que em 1786 na corte de Versalhe, Valentin Haüy
apresentou ao rei e à rainha um garoto cego educado por ele. Ele próprio
havia encorajado e auxiliado Haüy no seu projeto de fundar a primeira
escola para cegos em Paris. E o rei e a rainha destinaram fundos para
criar a Instituição Real para Jovens Cegos de Paris.
O Marquês concordou, então, em dar sua proteção ao garoto e escreveu
ao diretor da instituição para pedir sua admissão.
O Abade foi encontrar os pais de Louis, contando-lhes o sucedido.
Estes preocuparam-se com a possibilidade de ter seu filho fora de casa.
Mas quando perceberam as vantagens que ele teria em sua educação,
fizeram milhares de planos para o futuro do filho. Logo receberam uma
carta do Dr. Guillié, diretor da Instituição Real para Jovens Cegos. A
diretoria da escola havia decidido admitir o jovem Louis Braille, ele
tinha recebido uma bolsa de estudos e sua entrada estava marcada para 15
de fevereiro de 1819.
Na madrugada desse dia Louis partiu com seu pai, com destino a Paris e
quatro horas mais tarde entrava na Instituição. Uma nova vida começava
para ele.
O senhor Demeziere que aguardava na entrada, guiou pai e filho à
presença do Diretor, Dr. Guillé que descreveu-lhes como seria a vida do
garoto na escola. Simon René Braille despediu-se de seu filho voltando a
Coupvray.
Pouco a pouco Louis Braille, que era então o mais jovem estudante, foi
se ajustando à escola, aos professores, aos supervisores e aos colegas.
"O ensino consistia em fazer os alunos repetirem as explicações e
textos ouvidos. Alguns livros escritos no sistema de Valentin Haüy,
método oficial de leitura para cegos, permitia leitura suplementar.
Apesar de em pequeno número, esses livros eram os únicos existentes".
Louis Braille era um ótimo estudante e dedicou-se profundamente aos
estudos. A recreação era parte importante na vida da escola e Louis
Braille participava com entusiasmo. Gostava de música clássica e como os
professores do Conservatório vinham dar aulas gratuitas na Instituição,
dedicou-se ao estudo que consistia em ouvir e repetir o que era ouvido.
As condições nao eram ideais, mas Braille tornou-se um excelente
pianista e mais tarde o talentoso organista do órgão de Notre Dame des
Champs.
O Dr. Guillié mostrou ao pai de Louis apenas o lado bom da escola. Mas
a situação financeira era catastrófica, as instalações eram úmidas e
frias, completamente inadequadas. A disciplina era extremamente rígida e
os alunos recebiam desde punições físicas até isolamento a pão e água.
Louis Braille não escapou às punições.
Apesar de todas as dificuldades, no fim do período escolar Braille
recebeu um certificado de mérito por sua habilidade em cortar e fazer
chinélos. Braille pôde então voltar para seu lar onde permaneceu os dois
meses de férias. Foi uma alegria rever seus pais, falar de seus estudos
e novos amigos, rever o Abade Palluy, Sr. Brecheret e o Marquês
D'Orvilliers.
Em outubro com a reabertura das aulas Louis dedicou-se ainda mais aos
estudos progredindo sempre rapidamente.
No início de 1821 Dr. Guillié foi demitido da Instituição e tomou seu
lugar o Dr. Pignier que tornou-se um grande amigo e incentivador de
Louis Braille.
Em 21 de agosto de 1821 Braille participou emocionado dos tuição que
ele havia fundado. Nessa ocasião estiveram reunidos o fundador da
primeira escola para cegos e o futuro inventor de um sistema de leitura
e escrita para cegos.
As dificuldades enfrentadas por Louis Braille em seus estudos o
levaram desde cedo a preocupar-se com a possibilidade de criação de um
sistema de escrita e o interesse de outras pessoas, como Barbier,
ofereceram uma série de circunstancias para que Louis Braille criasse o
seu sistema.
Charles Barbier de la Serre, Capitão de Artilharia do exército de
Louis XIII encontrava dificuldade em transmitir ordens durante a noite.
Elaborou, então, um sistema de sinais em relevo, os quais combinados
permitiam a transmissão das ordens militares. Assim, no escuro, os
subordinados decifravam pelo tato as ordens superiores. Esse sistema que
se denominou "escrita noturna" consistia na combinação de pontos e
traços em relevo que significavam ordens como: "Avance", etc. Com o uso
do sistema Barbier pensou na possibilidade de seu processo ser para a
comunicação entre pessoas cegas. Transformou-o então num sistema de
escrita para cegos que denominou "Grafia Sonora".
Através da "grafia sonora" qualquer sentença podia ser escrita, mas
como o sistema era fonético, as palavras não podiam ser soletradas. Um
grande número de sinais era usado para uma única palavra, o que tornava
a decifração longa e difícil. Foi esta fase de sua invenção que Barbier
apresentou no fim do ano de 1820 para o Dr. Guillié. Dr achou o sistema
muito complicado e desencorajou Barbier, que entretanto prometeu voltar.
Porém em sua nova visita ao Instituto, Barbier foi recebido pelo novo
Diretor Dr. Pignier, pois o Dr. Guillié havia sido demitido. Dr. Pignier
também resistiu por achar o sistema complicado, mas na segunda visita de
Barbier alguns dias mais tarde, ele prometeu submeter o sistema aos seus
professores e alunos. Assim fez o Dr. Pignier, e todos mostraram-se
muito interessados, experimentaram ler palavras e deram opiniões. Alguns
acharam o método complicado, mas todos concordaram que o sistema devia
ser adotado.
Na semana seguinte Barbier recebeu uma carta comunicando que o sistema
seria adotado na instituição como "método auxiliar de ensino".
Louis Braille rapidamente aprendeu a usar o sistema. Nas horas vagas
ele e seu amigo Gauthier praticavam, lendo e escrevendo sentenças um
para o outro. A escrita era possível com o auxílio de uma régua guia e
de um estilete.
Adquirindo maior habilidade no uso do método, Braille descobriu seus
problemas e começou a pensar em possíveis modificações.
O sistema de Barbier apresentava as seguintes dificuldades:
- não permitia conhecimento de ortografia desde que os sinais representavam
somente sons;
- não havia símbolos para pontuação, acentos, números,
símbolos matemáticos e notação musical;
- e, principalmente, a
complexidade de combinação tornava a leitura muito difícil e lenta.
Braille propôs alguns aperfeiçoamentos que foram apresentados a
Barbier pelo Dr. Pignier.
Barbier foi ao Instituto discutir as modificações e ficou surpreso ao
deparar-se com um pálido garoto de cabelos loiros. Apesar de reconhecer
o valor da proposição de Louis, Barbier defendeu fervorosamente o
fundamento de sua invenção pois não considerava necessária a ortografia
e não queria ver seu método mudado em seu fundamento básico.
Louis Braille começou então a trabalhar num sistema novo que pudesse
eliminar completamente os problemas da "Grafia Sonora". Durante muitas
noites experimentou incansavelmente sobre a régua e o estilete que ele
próprio inventou. As férias chegaram e ele as passou em seu lar
estudando o seu novo sistema.
Na reabertura das aulas em outubro de 1824, Louis Braille tinha sua
invenção pronta. Aos 15 anos de idade Braille inventou o alfabeto
braille semelhante ao que se usa hoje, e obteve 63 combinações que
representavam todas as letras do alfabeto, acentuação, pontuação e
sinais matemáticos.
Apresentou sua invenção ao Diretor, Dr. Pignier, que apreciou seu
trabalho e autorizou-o a experimentá-lo no Instituto. Os alunos
rapidamente adotaram o sistema que era simples e o Dr. Pignier já
pensava na possibilidade de substituir o sistema de Barbier.
Os alunos eram capazes de tomar notas em classe, aprender ortografia,
redigir composições, copiar livros e fazer ditados; correspondiam-se
entre si; enfim podiam registrar seus sentimentos e impressões.
Louis Braille não negligenciou seus estudos, embora continuasse sempre
trabalhando em sua pesquisa. Foi sempre um dos primeiros alunos. Em
1826, ainda estudante, começou a ensinar álgebra, gramática e geografia.
Estudou no Colégio da França, estudou órgão e deu àulas de piano.
Em 1827 seu alfabeto permitiu a transcrição de partes da "Gramática".
Em 1828, continuando seus estudos, ele aplicou seu sistema à notação
musical.
Em 1829 foi feita a primeira edição do "Método de Palavras Escritas,
Músicas e Canções por meio de Sinais, para uso de Cegos e Adaptados para
eles". No prefácio desse livro, Braille refere-se a Barbier: "Se nós
temos vantagens de nosso método sobre o seu, devemos dizer em sua honra
que seu método deu-nos a primeira idéia sobre o nosso próprio".
Em 1829 Louis Braille foi oficialmente designado professor do
instituto e ensinou gramática, matemática e geografia. Um de seus
alunos, Colt;at, tornou-se um de seus grandes amigos e mais tarde
biografo, tendo escrito o livro "Notas Históricas sobre Louis Braille"
onde narra detalhes de toda sua vida na Instituição.
Louis Braille continuou a viver na Instituição, embora sua vida social
tenha sido intensa fora dela. Dr. Pignier encorajava-o a sair com ele.
Louis Braille também era freqüentemente convidado para tocar em festas.
Apesar de sua saúde deficiente, pois contraiu tuberculose aos 26 anos,
Braille continuou a trabalhar no aperfeiçoamento de seu sistema e em
1838 publicou pequena Sinópse de Aritimética para Principiantes e em
1839, "Novo método para Representação por Sinais de Formas de Letras,
Mapas, Figuras Geométricas, Símbolos Musicais, para uso de Cegos". Este
último método consistia em escrever as letras de forma convencional,
marcando com o punção uma série de pontos em relevo. Para padronizar as
dimensões das letras, Braille determinou num quadro o número de sinais
necessários para cada letra. Esta nova invenção também foi adotada pelos
alunos e Braille chamou-a de "Grafia Pontilhada". O objetivo deste
sistema era facilitar a comunicação com os videntes.
Entretanto apesar dos esforços de Braille para aperfeiçoar e
desenvolver seu sistema, e ainda de sua aceitação pelos alunos da
Instituição, o método oficial de ensino continuava sendo as letras em
relevo de Valentin Haüy. Muitos conservadores reagiam em abandonar os
velhos métodos.
O Dr. Pignier tentou oficializar o uso do sistema braille, mas quando
começou esse trabalho foi substituido pelo Dr. Dufau que tornou-se
diretor da Instituição em 1840. Dr. Dufau foi contrario à oficialização
dizendo que o sistema Braille isolava os cegos. O Ministro Francês do
Interior, a quem coube a decisão final, opinou que os estudos de Braille
deveriam ser encorajados, mas que eles não estavam prontos para a
mudança do sistema.
Louis Braille tentou também divulgar seu sistema em outros países e em
julho de 1840 escreveu para J. Wilhelm Kleim, fundador da primeira
escola para cegos de Viena. Lamentavelmente Kleim não aceitou o método
na ocasião.
Entretanto em 1843, o Instituto Real para Jovens Cegos, foi
transferido para um prédio novo. Nessa época Dr. Dufau havia mudado seu
pensamento, aceitando o sistema de Braille.
Assim, na cerimônia de inauguração do novo prédio, Louis Braille,
ficou profundamente comovido quando seu sistema foi demonstrado
publicamente e declarado aceito. Este foi o primeiro passo para a
aceitação geral. Desde então seu uso, começou a expandir-se na Europa.
Durante esses últimos anos a doença de Louis Braille foi progredindo e
sua saúde foi-se tornando mais frágil. Em 1850 pediu demissão do cargo
de professor, mas continuou dando algumas lições de piano.
Em dezembro de 1851, sofreu uma grande recaida recolhendo-se ao leito.
Faleceu no dia 6 de janeiro de 1852, confiante em que seu trabalho não
tinha sido em vão.
Louis Braille, não teve o reconhecimento de seu trabalho pelos seus
contemporaneos, a não ser pelo seu círculo restrito de amigos. Somente
cem anos mais tarde, a história do garoto de quinze anos que inventou um
sistema de seis pontos em relevo expandiu-se pelo mundo.
Em 1952, o Governo Francês transferiu seus restos mortais, da cidade
de Coupvray para o Pantheon em Paris. Merecidas homenagens lhe foram
prestadas, por representantes de quarenta nações, nessa ocasião em que
tomou seu lugar entre os grandes homens da França.
O SISTEMA BRAILLE
O braille é um sistema de leitura tátil e escrita para a pessoa cega.
O sistema braille consta do arranjo de seis pontos em relevo,
dispostos em duas colunas verticais de tres pontos. Os seis pontos formam o que
se
convencionou chamar "cela braille". Para facilitar a sua identificação,
os Pontos são numerados da seguinte forma:

do alto para baixo, coluna da esquerda: pontos 1, 2, 3 e do alto para
baixo, coluna da direita: pontos 4, 5, 6.
A diferente disposição desses seis pontos permite a formação de 63
combinações ou símbolos braille. As dez primeiras letras do alfabeto são
formadas pelas diversas combinações possíveis dos quatro pontos
superiores (1-2-4-5); as dez letras seguintes são as combinações das dez
primeiras letras, acrescidas do ponto 3 e formam a segunda linha de sinais.
A terceira linha é formada pelo acréscimo dos pontos 3 e 6 às
combinações da primeira linha.
Os símbolos da primeira linha são as dez primeiras letras do alfabeto
romano (a b c d e f g h i j). Esses mesmos sinais, na mesma ordem, assumem as
características de valores numéricos de 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 0,
quando precedido do sinal de número, formado pelos pontos 3, 4, 5, 6.
No alfabeto romano vinte e seis sinais são utilizados para o alfabeto,
dez para os sinais de pontuação de uso internacional, correspondendo aos
10 sinais da primeira linha, localizados na parte inferior da cela braille:
pontos 2-3-5-6. Os vinte e sete sinais restantes são destinados às
necessidades específicas de cada língua (letras acentuadas, por exemplo)
e para abreviaturas.

Doze anos após a invenção desse sistema, Louis Braille acrescentou a
letra "w" ao décimo sinal da quarta linha para atender às necessidades da
língua inglesa.
O sistema braille é empregado por extenso, isto é, escrevendo-se a
palavra letra por letra ou de forma abreviada, adotando-se códigos
especiais de abreviaturas para cada língua ou grupo linguístico. O
braille por extenso é denominado grau 1. O grau 2 é a forma abreviada,
empregada para representar as conjunções, preposições, pronomes,
prefixos, sufixos, grupos de letras que são comumente encontradas nas
palavras de uso corrente. A principal razão de seu emprego é reduzir o
volume dos livros em Braille e permitir o maior rendimento na leitura e
na escrita. Uma série de abreviaturas mais complexas forma o grau 3, que
necessita de um conhecimento profundo da língua, uma boa memória e uma
sensibilidade tátil muito desenvolvida por parte do leitor cego.
O tato é também um fator decisivo na capacidade de utilização do
braille.
O sistema braille aplica-se à estenografia, à música e às notações
científicas em geral, através do aproveitamento das 63 combinações em
códigos especiais.
O sistema braille é de extraordinária universalidade: pode exprimir as
diferentes línguas e escritas da Europa, Asia e da África. Sua principal
vantagem todavia, reside no fato das pessoas cegas poderem facilmente
escrever por esse sistema, com o auxílio da Reglete e do punção.
O sistema braille permitiu uma forma de escrita eminentemente prática.
A pessoa cega pode satisfazer o seu desejo de comunicação. Abriu-lhe os
caminhos do conhecimento literário, científico e musical, permitiu-lhe,
ainda, a possibilidade de manter uma correspondência pessoal e ampliou
tambem suas atividades profissionais.
Como o Braille é produzido?
O aparelho de escrita usado por Louis Braille consistia de uma
prancha, uma régua com duas linhas com janelas correspondentes às celas
braille, que se encaixa, pelas extremidades laterais, na prancha, e o
punção. O papel era introduzido entre a prancha e a régua, o que
permitia à pessoa cega, pressionando o papel com o punção, escrever os
pontos em relevo. Hoje, as regletes, uma variação desse aparelho de
escrita de Louis Braille, são ainda muito usadas pelas pessoas cegas.
Todas as regletes modernas, quer sejam modelos de mesa ou de bolso,
consistem essencialmente de duas placas de metal ou plástico, fixas de
um lado como dobradiças, de modo a permitir a introdução do papel.
A placa superior funciona como a primitiva régua e possui as janelas
correspondentes às celas braille. Diretamente sob cada janela, a placa
inferior possue, em baixo relevo, a configuração da cela braille. Ponto
por ponto, a pessoa cega, com o punção, forma o símbolo braille
correspondente às letras, números ou abreviaturas desejadas.
Na reglete escreve-se o braille da direita para a esquerda, na
seqüência normal de letras ou símbolos. A leitura é feita normalmente da
esquerda para a direita. Conhecendo-se a numeração dos pontos,
correspondentes a cada símbolo, torna-se fácil tanto a leitura quanto a
escrita feita em regletes.
Exceto pela fadiga, a escrita na reglete pode tornar-se tão automática
para o cego quanto a escrita com o lápis para a pessoa de visão normal.
Além da reglete, o braille pode ser produzido através de máquinas
especiais de datilografia, de 7 teclas: cada tecla corresponde a um
ponto e ao espaço. O papel é fixo e enrolado em rolo comum, deslizando
normalmente quando pressionado o botão de mudança de linha. O toque de
uma ou mais teclas simultaneamente produz a combinação dos pontos em
relevo, correspondente ao símbolo desejado. O braille é produzido da
esquerda para a direita podendo ser lido sem a retirada do papel da
máquina, normalmente. Há diversos tipos de máquinas de datilografia
braille, tendo sido a primeira delas inventada por Frank H. Hall, em
1892, nos Estados Unidos da América.
As imprensas braille produzem os seus livros utilizando máquinas
estereotipos, semelhantes às máquinas especiais de datilografia, sendo
porém elétricas. Essas máquinas permitem a escrita do braille em
matrizes de metal. Essa escrita é feita dos dois lados da matriz,
permitindo a impressão do braille nas duas faces do papel. Esse é o
braille interpontado: os pontos são dispostos de tal forma que impressos
de um lado não coincidam com os pontos da outra face, permitindo uma
leitura corrente, um aproveitamento melhor do papel, reduzindo o volume
dos livros transcritos no sistema braille.
Novos recursos para a produção do braille têm sido empregados, de
acordo com os avanços tecnológicos de nossa era. O braille agora pode
ser produzido pela automatização através dos recursos modernos dos
computadores.
Como o Braille é lido?
A maioria dos leitores cegos lêem, de início, com a ponta do dedo
indicador de uma das mãos esquerda ou direita. Um número indeterminado
de pessoas, entretanto, que não são ambidextras em outras áreas, podem
ler o braille com as duas mãos. Algumas pessoas, ainda, utilizam o dedo
médio ou anular, ao invés do indicador. Os leitores mais experientes
comumente utilizam o dedo indicador da mão direita, com uma leve pressão
sobre os pontos em relevo, permitindo-lhes uma ótima percepção,
identificação e discriminação dos símbolos braille.
Este fato acontece somente através da estimulação consecutiva dos
dedos pelos pontos em relevo. Essa estimulação ocorre muito mais quando
se movimenta a mão ou mãos sobre cada linha escrita num movimento da
esquerda para a direita. Alguns leitores são capazes de ler 125 palavras
por minuto com uma só mão. Alguns outros que lêem com as duas mãos,
conseguem dobrar a sua velocidade de leitura, atingindo 250 palavras por
minuto. Em geral a média atingida pela maioria de leitores é de 104
palavras por minuto. É a simplicidade do braille que permite essa
velocidade de leitura. Os pontos em relevo permitem a compreensão
instantanea das letras como um todo, uma função indispensável ao
processo da leitura.
Para a leitura tátil corrente, os pontos em relevo devem ser precisos
e o seu tamanho máximo não deve exceder a área da ponta dos dedos
empregados para a leitura. Os caracteres devem todos possuir a mesma
dimensão obedecendo os espaçamentos regulares entre as letras e entre as
linhas. A posição de leitura deve ser confortável de modo a que as mãos
dos leitores fiquem ligeiramente abaixo de seus cotovelos.
O BRAILLE NO MUNDO
Inventado em fins de 1824, o sistema braille foi empregado em 1825
inicialmente por Louis Braille e seus alunos do Instituto Real de Jovens
Cegos de Paris. Em 1827 foi transcrita em braille a "Gramática das
Gramáticas"; em 1829, uma outra Gramática e em 1837, pelo mesmo
Instituto, foi publicada uma história da França. Em 1829, a
administração do Instituto Real de Jovens Cegos publicou, com a intenção
de difundir e divulgar oficialmente o sistema, um livro intitulado
"Método de palavras, escritas, música e canções por meio de sinais, para
uso dos cegos e adaptados por eles". Uma nova edição desse método foi
feita em 1839 com algumas modificações. O sistema de 63 sinais que
conhecemos até hoje foi então codificado. Somente em 1847, entretanto,
devido a Política interna no próprio Instituto Real, voltou a ser
utilizado o sistema braille para a impressão de livros por essa
instituição, sendo proclamado oficialmente. Em 1856 o Instituto Real
publicou em braille o primeiro trabalho em língua estrangeira: um livro
de leitura em Português. Os recursos para essa impressão vieram como
donativo pessoal do Imperador do Brasil.
Paris finalmente venceu e o resto da França foi seguindo os seus
passos à medida que as escolas especiais eram criadas nas províncias. A
adoção do sistema hraille na Europa foi mais lenta. Em 1860 foi impresso
o primeiro livro em sistema braille, fora da França, em Lousane na
Suiça. Apesar da incontestável vantagem do braille, a completa adoção do
sistema foi uma obra que levou muitos anos.
De 1860 a 1880 o sistema braille foi adotado em toda Europa, em sua
forma original, com pequenas alterações devidas às particularidades de
cada língua. Mas a luta para introdução do sistema em outros países fora
da Europa estava longe de terminar. Na América do Norte o braille não foi
bem recebido. Somente em 1918, após quinze anos de trabalho de um comitê
especial, que a unificação foi possível. O comitê aceitou o braille
francês inicial, restabelecendo a uniformidade não só no próprio país
como entre os Estados Unidos e a Europa. Em 1932 foi feito um acordo
para o estabelecimento da unificação do sistema braille padrão da língua
inglesa.
Na Ásia, as primeiras adaptações do braille às línguas não européias
datam do período de 1870 a 1880. O braille foi adaptado inicialmente às
línguas mais conhecidas e toda a honra da introdução do braille na Ásia,
África e nos territórios mais longínquos cabe aos missionários europeus
e americanos. Nos seus postos avançados e isolados, eles procuraram dar
atendimento aos cegos que chegavam às missões e sem premeditação,
criaram as primeiras escolas para cegos nessas regiões. Para
proporcionar um ensino sistemático, os missionários fizeram o melhor que
lhes foi possível para adaptar o braille aos seus dialetos.
O braille no Extremo Oriente, teve grande dificuldade para ser
introduzido. Foi preciso muito engenho para condensar os longos
alfabetos a fim de exprimir os milhares de ideogramas utilizando as 63
combinações do sistema braille.
A introdução do braille foi então sendo feita através das adaptações
necessárias a cada língua ou dialeto, de uma forma desordenada.
Entretanto, em 1949, a Índia fez um apelo à UNESCO para que essa
organização mundial contribuisse de alguma forma positiva para a
racionalização do braille nas diversas partes do mundo.
Os sessenta e dois anos de "guerra civil" entre as diversas aplicações
do braille foram sem dúvida inevitáveis. Mas diante dessa solicitação da
Índia, o Conselho Executivo da UNESCO reconheceu a importancia
Internacional do problema, decidindo que a UNESCO deveria contribuir
ativamente para encontrar uma solução satisfatória tanto aos governos
quanto aos cegos de todo o mundo. A UNESCO aceitou o desafio e começou
os seus trabalhos sobre o sistema braille em 1 de julho de 1949,
terminando-o em 31 de dezembro de 1951.
Em março de 1950 realizou-se a Conferência Internacional de Braille, em
Paris. Para essa reunião foram convidados os especialistas em braille
representantes das diversas zonas linguísticas, especialistas na
educação de cegos e dirigentes de imprensas braille.
Os técnicos convocados pronunciaram-se a favor de um sistema braille
mundial unificado e estabeleceram os princípios sob os quais esse
sistema deveria ser baseado. O estabelecimento do braille mundial e as
modalidades de sua aplicação às principais línguas constituiu a fase
seguinte dos trabalhos. A Conferência Geral da UNESCO autorizou a
convocação de reuniões regionais para elaborar um braille uniforme para
transcrição das diversas línguas que utilizam o alfabeto árabe, dos
alfabetos norte-africanos, do Ceilão, do Egito, da Índia, do Iraque, da
Jordania, do Líbano, da Malásia, do Pakistão, da Pérsia e da Síria.
Outras conferências regionais foram realizadas também, para a unificação
do braille abreviado para o português e espanhol.
Uma das recomendações da Conferência Geral da UNESCO, da qual
participou um delegado da Fundação para o Livro do Cego no Brasil,
reunida em março de 1950 em Paris, era que fosse criado um Conselho
Mundial de Braille para promover a adoção do sistema braille unificado
para o üso normal e códigos especiais de matemática e música. O Conselho
Executivo da UNESCO levando em consideração esse pedido, autorizou em
outubro de 1951, o funcionamento provisório sob a forma de um comitê
Consultivo, do Conselho Mundial de Braille diretamente ligado à UNESCO
começando a funcionar oficialmente em 1952. A primeira comissão indicada
para estudar a criação do Conselho definiu a sua composição, as suas
funções e os seus estatutos, propondo também os membros que deveriam
fazer parte do mesmo. Atualmente o Conselho Mundial de Braille faz parte
integrante do Conselho Mundial para o Bem Estar dos Cegos, como um de
seus Comitês.
Todas essas resoluções, explicações e instruções sobre o uso do
braille por extenso e abreviado foram publicadas pela UNESCO em 1954 no
livro: "A escrita braille no mundo." Essa publicação encontra-se
esgotada. Em 1975 foi indicada uma nova comissão do Conselho Mundial
para o Bem Estar dos Cegos para estudar a edição desse mesmo livro,
atualizado e revisto. Sua publicação está prevista para 1977 e o
patrocínio da UNESCO já foi assegurado.
A música também é objeto de estudos desde 1929, quando da realização
da Conferência Internacional de Braille. Entretanto, foi impossível um
acordo total sobre o código de notações musicais. Nova Conferência foi
organizada pela UNESCO, Conselho Mundial para o Bem Estar dos Cegos e
Conselho Mundial de Braille, em Paris, em 1954 e da qual participou um
delegado brasileiro, da Fundaçao para o Livro do Cego no Brasil.
Como conseqüência do trabalho dos especialistas reunidos nessa
Conferencia surgiu o "Manual Internacional de Notações Musicais em
Braille". Essa publicação compilada por H. V. Spanner e publicada pelo
Conselho Mundial para o Bem Estar dos Cegos, estabeleceu normas gerais
para a transcrição de músicas para os cegos. Embora não seja de uso
universal a maioria dos países do mundo tomam-lhe como base para a
aplicação do Sistema Braille a música, em todos os seus aspectos e para
todos os seus aspectos e para todos os instrumentos.
O BRAILLE PORTUGUÊS
O braille foi adaptado à língua portuguesa em 1880 e o primeiro
sistema de abreviaturas introduzido em 1905, em Portugal.
No Brasil, o braille português por extenso, foi introduzido na
primeira escola para cegos criada em 1854, o Instituto Benjamin
Constant, do Ministério da Educação e Cultura. Essa escola foi a
primeira a utilizar o sistema braille na América Latina.
O sistema braille português usado em Portugal e no Brasil é o mesmo,
tendo havido para isso a assinatura de diversos acordos entre os dois
países. O primeiro deles, promovido pela UNESCO em Montevideu, em 1951,
estabelecia a unificação das abreviaturas grau 2 da língua portuguêsa,
tendo sido assinado por delegados brasileiros e portugueses e
referendado pelo Conselho Mundial de Braille. A edição desse mesmo livro, atualizado e revisto. Sua publicação está
prevista para 1977 e o patrocínio da UNESCO já foi assegurado.
Entretanto, a introdução das abreviaturas braille grau 2
da língua
portuguesa portaria: parágrafo 1 De n.o 4.169 de 4/12/62, que
oficializava as convenções braille para uso na escrita e leitura dos
cegos e o Código de Contrações e Abreviaturas braille, teve que ser
reexaminado. Após a publicação dessa lei, os estudos intensivos que
continuaram a ser realizados pelas Comissões criadas pela Fundação para
o Livro do Cego no Brasil, Instituto Benjamin Constant e Campanha
Nacional de Educação dos Cegos, revelaram a necessidade de incluir
algumas modificações no Código oficializado pela lei, pois o mesmo
impossibilitava o estabelecimento de novos acordos internacionais. Em
1963 foi realizada uma reunião conjunta Brasil-Portugal e novo acordo
foi assinado para uso uniforme das abreviaturas brasileiras nos dois
países. Desde essa data, os estudos continuam através de reuniões
periódicas para sua uniformização, adaptando o código de abreviaturas
braille às diretrizes impostas pelos acordos assinados entre os dois
países para uso uniforme da língua portuguesa, principalmente no que se
refere à ortografia.
As exigências do desenvolvimento atingido pela educação das pessoas
cegas no Brasil fez com que as abreviaturas braille se tornassem objeto
de estudo permanente entre Portugal e Brasil. O mesmo tem acontecido com
o Código unificado de Símbolos matemáticos e Notações Científicas. Este
código, preparado pela equipe da Espanha tem sido constantemente
estudado por todos os especialistas representantes de todos os países de
língua espanhola e portuguesa. Essa unificação do braille da língua
portuguesa e do código de matemática e notações científicas
proporcionará um intercambio muito grande entre as imprensas braille,
evitando duplicidade de publicações e trará enormes benefícios a todos
os cegos que falam a lÍngua portuguesa e se utilizam de livros
transcritos em código especiais para a matemática e obras científicas.
As Imprensas Braille do Instituto Benjamin Constant do Ministério da
Educação e Cultura e a fundação para o Livro do Cego no Brasil têm
adotado as mesmas normas e orientação para a impressão de seus livros e
revistas, utilizando o braille unificado para Portugal e Brasil.
FIM
Mais sobre Louis
Braille, neste site:
ϟ
LOUIS BRAILLE: SUA VIDA E SEU SISTEMA
autora: Jurema Lucy Venturini
Redigido por: Jurema LucyVenturini e
Terezinha Fleury de Oliveira Rossi.
Δ
4.Jan.2015
publicado
por
MJA
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