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 Sobre a Deficiência Visual

 

Retinopatia do Prematuro
 

imagem: exame dos olhos de um bebé prematuro
 

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Retinopatia da Prematuridade

Hospital da Luz, Lisboa


A retinopatia da prematuridade é uma doença vascular que afeta a retina imatura do recém-nascido prematuro.

Ao nascimento, a retina do prematuro tem ainda poucos vasos, aumentando a vascularização à medida que o bebé se vai desenvolvendo. Quando a retina do bebé prematuro é exposta a níveis de oxigénio mais elevados do que os presentes no ambiente intrauterino, por exemplo durante a ventilação assistida, esta exposição perturba o processo normal de vascularização, originando uma doença com uma gravidade variável, desde ligeira até à cegueira. A retinopatia da prematuridade é a doença ocular mais frequente em Neonatologia, sendo uma das complicações do recém-nascido de muito baixo peso (inferior a 1500 g).

Uma vez presente, a retinopatia pode evoluir com agravamento progressivo, ou, nas formas mais ligeiras da doença, em que as lesões são mais periféricas, regredir espontaneamente; é o que acontece na maioria dos casos. Nos estadios mais graves pode existir indicação terapêutica para fotocoagulação com laser.


Vigilância da Retinopatia da Prematuridade

A vigilância da retinopatia da prematuridade inclui a realização de um exame oftalmológico aos recém-nascidos com um peso ao nascer inferior a 1500g, com uma idade gestacional inferior a 32 semanas, ou com um peso ao nascer superior a 1500g mas que sejam submetidos a terapêutica com oxigénio suplementar durante um período prolongado.

O primeiro exame oftalmológico deve ser efetuado às quatro a seis semanas de vida, ou 31 a 33 semanas de idade pós-concecional. As datas de realização dos exames subsequentes devem ser estipuladas pelo médico em função da gravidade das lesões encontradas.

Mesmo após a regressão da retinopatia o recém-nascido prematuro tem um risco acrescido de outras alterações oftalmológicas, como o estrabismo, a miopia, e o astigmatismo. Assim, as crianças que nascem prematuramente devem ser vigiadas ao longo do período de desenvolvimento visual, por exemplo entre os 6 meses e 1 ano, entre os 2 e os 2,5 anos, e entre os 3,5 e os 4 anos.
 

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[19-Dez-2017]
publicado por MJA


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Entendendo a Retinopatia da Prematuridade

Lígia Beatriz Bonotto
 

retprem1.jpg (7988 bytes)
foto do fundo de olho normal adulto. A retina está toda desenvolvida.
 

  1. Entendendo a Retinopatia da Prematuridade
  2. Estádios da doença
  3. Quem se deve preocupar com a doença. Qual a melhor época para o exame
  4. Quem precisa se submeter ao tratamento
  5. Como é o tratamento.
     

1. Entendendo a Retinopatia da Prematuridade

A Retinopatia da Prematuridade é uma alteração no crescimento da retina, que está indiretamente ligada à idade gestacional e peso ao nascimento do prematuro.

Isto é, quanto mais prematuro e menor o peso de bebê, maior a probabilidade de aparecerem as alterações da prematuridade na retina. A hipóxia ou a hiperóxia, transfusão de sangue e as infecções podem aumentar a possibilidade do desenvolvimento da doença.

Segundo o esquema internacionalmente reconhecido, a retina é dividida em 3 zonas.

retprem2.jpg (4225 bytes)
LOCALIZAÇÃO

ZONA 1 - corresponde a um círculo, tendo como raio 2 vezes a distância do nervo óptico à mácula, tendo o nervo óptico como o centro.

ZONA 2 - estende-se das bordas da Zona 1 e seu raio corresponde à distância do nervo ótico até à "ORA SERRATA" nasal.

ZONA 3 - corresponde à retina temporal restante. A retina cresce durante o desenvolvimento do bebé, do centro para a periferia. A última zona a ser atingida é a 3. Por isso, muitos prematuros examinados encontram-se na zona 2 ou 3 quando o médico oftalmologista os examina pela primeira vez. Quando o bebé é muito prematuro pode estar com a retina ainda na zona 1. A retina atinge a "ORA SERRATA" temporal em torno da 42ª semana de gestação.


EXTENSÃO: este crescimento natural pode ser interrompido e a quantidade de retina envolvida em extensão é descrita em horas (Ex.: 1 às 3h são duas horas contínuas da doença).


2. Estádios da doença

ESTAGIAMENTO


Estágio 1- É uma linha demarcatória entre a retina vascular e a avascular [área que está se desenvolvendo, onde os vasos retinianos ainda não atingiram].

 

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Estágio 2- A linha demarcatória vai aumentando e tornando-se uma prega.

 

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Estágio 3 - inclui a neovascularização e/ou a formação de vasos extra-retinianos.

 

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Estágio 3 - Esta figura do estágio 3, mostra detalhe da tortuosidade vascular. A tortuosidade e/ou hemorragias na retina são classificadas como PLUS DISEASE, e significa que a doença está ativa, em progressão.

 

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                      4a                                                   4b
Estágio 4 - Descolamento subtotal da retina mais as características do estágio 3.

Este estágio ainda divide-se em:
- Estágio 4a: a mácula está colada.
- Estágio 4b: a mácula está descolada.

 

Na  maioria dos casos as alterações regridem espontaneamente. Nesta figura mostramos uma regressão com importante tração dos vasos retinianos. Isto pode deslocar a mácula de sua posição, tendo conseqüências para a visão do bebé. Por isso é sempre importante medir a acuidade visual nos prematuros. Pode ser necessário o acompanhamento no setor de baixa visão.

 

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Estágio 5: Retina Totalmente Descolada.

 

3. Quem deve se preocupar com a doença e qual a melhor época para o exame


Os Pais dos prematuros (que nasceram com 1.600g ou menos, e com idade gestacional abaixo de 36 semanas de gestação) devem trazer seus filhos para exame oftalmológico.

Qual é a melhor época para o exame?

O ideal é fazer o 1º EXAME na 4ª ou 7ª semana de vida pós-parto.


4. Quem precisa se submeter ao tratamento

Na maioria dos casos a regressão espontânea da retinopatia da prematuridade é o curso normal da doença. Mas as crianças que têm estágio 3, tortuosidade vascular numa extensão de 5h contínuas ou 8h descontínuas, necessitam de tratamento (CRIOTERAPIA ou ENDOLASER). O importante para os pais é saber que, se o oftalmologista surpreende a retinopatia no estágio 3, tem grandes esperanças de tratar sem deixar seqüelas visuais importantes.

Este período delicado do desenvolvimento da retina acontece até o 3º ou 4º mês do nascimento. Por isso só um exame não garante a prevenção. E  o  primeiro exame após este período não previne mais o descolamento de retina (ele já poderá ter ocorrido).

Nossa conduta é observar a criança até o 6º mês (acompanhamento do crescimento da Retina até a "Ora Serrata").


5. Como é o tratamento?

No ESTÁGIO 3 com extensão de 5 horas contínuas ou 8 horas (ou mais) descontínuas, é indicada a CRIOTERAPIA OU ENDOLASER. A crioterapia é um tratamento feito com um aparelho especialmente desenvolvido para estes fins, onde é usada uma "caneta" com gelo seco na ponta, que é aplicado na parte externa da esclera. Este procedimento, por motivos ainda em estudo, estaciona a progressão da doença. É mais utilizado quando a lesão é mais externa (na zona 3). Nas zonas mais internas (2 e 1), o melhor seria usar o Endolaser que tem o mesmo efeito da Crioterapia, porém, neste caso, aplica-se o laser dentro do olho e não através da esclera como na Crioterapia. Por isso é mais fácil chegar nas zonas mais internas. Mas a crioterapia resolve bem, caso o serviço só disponha desta modalidade de tratamento. O mais importante é identificar em tempo útil a criança que necessita do tratamento.

Nos ESTÁGIOS 4 e 5  é indicada a RETINOPEXIA; uma cirurgia delicada de recolocação da retina descolada, no leito original novamente. Mesmo com a melhor técnica, com todo esmero do oftalmologista especialista em cirurgias de retina, o prognóstico visual da criança fica gravemente comprometido. Estas crianças devem ser logo encaminhadas para o setor de BAIXA VISÃO, para iniciarem a estimulação visual precoce. Os familiares devem estar atentos a todos os retornos solicitados, para mapeamentos e observação do grau, pois a miopia normalmente é alta. Existe também a necessidade de retirar a faixa que o retinólogo utilizou para aproximar a retina do seu leito original. A Retinopexia não garante a possibilidade de ocorrer um novo descolamento...
 

PREMATUROS  DE ESTÁGIOS 1, 2, 3 ou SEM ESTAGIAMENTO:

Os familiares devem estar atentos aos retornos que o oftalmologista solicita, porque eles podem desenvolver graus às vezes altos, necessitando de óculos. Também podem desenvolver estrabismo, e o tratamento iniciado em tempo evita problemas como a Ambliopia.


Fonte:  Oftalmopediatria

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publicado por MJA


 

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Retinopatia da prematuridade: alerta

Dr. Augusto Magalhães

Assistente Hospitalar Graduado no Serviço de Oftalmologia do Hospital de São João do Porto

A retinopatia da prematuridade é uma doença do desenvolvimento da vascularização da retina, que nos bebés que nascem prematuramente se encontra incompletamente desenvolvida. Esse desenvolvimento fora do ambiente uterino pode dar-se de forma anómala, levando a alterações capazes de destruir a estrutura do globo ocular e consequentemente à cegueira.

Quanto menor a idade de gestação e quanto menor o peso ao nascimento, maior o risco de aparecimento da doença, e potencialmente maior a sua gravidade. Estão em risco sobretudo todos os nascimentos com menos de 31 semanas de gestação e/ou com peso inferior a 1250 grs. O risco está também aumentado nos prematuros com maior instabilidade cardio-respiratória no período neo-natal.

Com a melhoria dos cuidados neo-natais, tem aumentado de forma substancial a sobrevivência de prematuros com pesos e idades gestacionais cada vez menores, o que leva necessariamente a um aumento não só da incidência de Retinopatia, mas também das formas mais graves da doença, capazes de provocar alterações graves da visão.

A Retinopatia de prematuridade é uma das principais causas mundiais de cegueira infantil; é a segunda causa nos EUA e a primeira em alguns países com economias emergentes como a China e alguns países da América latina, onde o aumento da sobrevivência dos recém nascidos de baixo peso se tem acompanhado de um aumento marcado da incidência de Retinopatia. Entre as causas de cegueira tratáveis fica em segundo lugar depois das cataratas.

As características clínicas, os factores de risco, as etapas evolutivas da doença e a sua história natural são bem conhecidas graças a múltiplos estudos multicêntricos efectuados, dos quais se destacam o “Cryo-ROP Study” e o “ETROP”. Nestes estudos ficou claramente provado que o tratamento com crioterapia ou laser é eficaz quando administrado no momento certo.

Neste contexto, assume grande importância a necessidade da criação de mecanismos que possam garantir que todas as crianças de risco sejam observadas e vigiadas durante os períodos de risco, até ao momento em que o perigo de cegueira desaparece.

Em Portugal nascem cerca de 1020 crianças por ano com muito baixo peso, em risco elevado de desenvolver a doença. Até ao ano 2000 apenas cerca de 50% eram observadas por um oftalmologista; felizmente os últimos dados revelam que cerca de 74% são observados por um oftalmologista. A incidência de Retinopatia observada é de 20,4% numa população com peso médio ao nascimento de 1157 gr.

Estes dados levam-nos a algumas reflexões. Primeiro esta cobertura é manifestamente insuficiente e intolerável num País da Europa Ocidental colocado em 28º lugar nas estatísticas do “ Human Development Report”; a necessidade de múltiplas observações a cada um destes prematuros, o que acarreta grande disponibilidade de tempo, associada à falta de recursos humanos qualificados nos hospitais com unidades neo-natais, são as maiores causas desta cobertura deficiente. A segunda reflexão tem a ver com planeamento: a tendência é para um aumento da incidência da doença em Portugal, e para o aparecimento de formas cada vez mais graves, o que levará à necessidade de maiores recursos humanos e técnicos para evitar as suas consequências. Torna-se, por isso fundamental a implementação de um programa nacional de rastreio, de registo e tratamento da doença.

As regras para a realização de um rastreio, vigilância e tratamento eficazes estão bem definidas internacionalmente: é obrigatória a observação e vigilância oftalmológica de todas as crianças que nasçam com menos de 32 semanas de gestação e/ou com menos de 1500 gramas.

A não observação desta regra pode, para além das questões de ordem ética, colocar problemas de ordem médico – legal aos responsáveis pelas unidades de saúde onde se dão os nascimentos. É por isso necessário criar em Portugal mecanismos capazes de garantir que todos os recém-nascidos são diagnosticados, vigiados, e tratados correctamente e em tempo útil.

Com o aparecimento de sistemas digitais capazes de registar as imagens do fundo ocular e de as enviar por uma rede informática, para centros de observação com oftalmologistas experientes na avaliação e tratamento da doença, poderá estar muito facilitada a criação de um programa nacional de rastreio, registo e tratamento da retinopatia. A qualidade e a fiabilidade dos últimos modelos com uma câmara de grande ângulo fazem destes equipamentos um precioso auxiliar na economia de tempo e de recursos humanos qualificados, que entre nós são tão deficitários.

Em Portugal existem cerca de 20 hospitais com unidade de cuidados neo-natais onde nascem mais de 20 prematuros de baixo peso por ano. A instalação de 20 unidades digitais de registo e a criação de 3 centros de observação estrategicamente localizados, permitiria a criação de uma rede nacional eficaz e capaz de garantir a observação de todas as crianças de risco.

Recomenda-se a todos os responsáveis por unidades de cuidados neo-natais com crianças de risco, a compra deste tipo de equipamentos, no sentido de garantir a observação e a decisão por um oftalmologista qualificado.


Fonte: http://www.oftalmologia-pediatrica.eu/

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[27-Nov-12]
publicado por MJA


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Retinopatia da Prematuridade

Dr.ª Catarina Franco & Dr.ª Kátia Cardoso

Polvinhos para bebés prematuros

 

Definição
A retinopatia da prematuridade (ROP) é uma doença do desenvolvimento dos vasos sanguíneos do olho (retina) que se encontram imaturos nos bebés que nascem antes do tempo (prematuros).

Frequência
Com o avanço da medicina, a sobrevivência de prematuros mais pequenos tem aumentado de forma substancial, o que tem levado ao aumento da frequência e das formas mais graves da doença.

A Retinopatia da prematuridade (ROP) é uma das principais causas mundiais tratáveis de cegueira infantil.

Causa
Nos bebés prematuros, o desenvolvimento dos vasos sanguíneos do olho fora do ambiente da barriga da mãe pode dar-se de forma incorrecta, provocando alterações capazes de destruir a retina e consequentemente cegueira.

Quanto menor o tempo de gravidez, menor o peso ao nascer e maior a instabilidade durante o internamento, maior a frequência e potencialmente mais grave será a ROP.

Sinais e Sintomas
Numa fase inicial a ROP não apresenta sinais ou sintomas evidentes, pelo que é essencial que todos os bebés de risco sejam observados por um médico oftalmologista experiente.

O que fazer
A ROP é uma doença que tem tratamento pelo que o rastreio é fundamental para diminuir as suas consequências.

A maioria dos países desenvolvidos faz rastreio a todas as crianças que nasçam com menos de 32 semanas de gestação e/ou menos de 1500 gramas.

Tratamento
O diagnóstico é realizado através de uma observação oftalmológica cuidada, feita por um médico oftalmologista.

O tratamento depende da gravidade da ROP. Algumas crianças não necessitam de tratamento, apenas de vigilância. No entanto, nos casos mais graves pode ser necessário tratamento – laserterapia e/ou injecção intraocular.

Evolução / Prognóstico
Esta patologia pode apresentar diferentes graus de gravidade. Formas ligeiras geralmente não deixam sequelas, porém a forma mais grave pode levar a cegueira. Alguns bebés que tiveram ROP podem vir a ter alta miopia, estrabismo, ou outras alterações do desenvolvimento da visão.

Prevenção / Recomendações
Durante o internamento são importantes os esforços para manter o prematuro estável, tentando assim reduzir o risco de ter ROP. O rastreio a todos os bebés de risco e o diagnóstico precoce de ROP permitem um tratamento adequado diminuindo a possibilidade das complicações, nomeadamente cegueira.


fonte: http://teste.pedipedia.org/ (2017)

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[22-12-2017]
publicado por MJA