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SOBRE A DEFICIÊNCIA VISUAL

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ϟ Ensino à distância não está adequado a alunos com problemas de visão

6 Maio | Açoriano Oriental

Rui Jorge Cabral

O arranque do 3.º período escolar com o ensino à distância nos Açores também causou alguns constrangimentos aos alunos invisuais e com visão reduzida.

Em causa estão, por exemplo, atividades desadequadas a alunos com deficiência visual ou a sobrecarga de trabalho.

Conforme explica o presidente da direção da Delegação dos Açores da ACAPO, Pedro Resendes, os alunos com baixa visão “ao estarem muito tempo ao computador, sentem mais dificuldades e cansaço nas vistas”. Pedro Resendes alerta também para a sobrecarga que o ensino à distância implica para um aluno invisual ou com visão reduzida.

A Delegação dos Açores da ACAPO já pediu esclarecimentos à Direção Regional da Educação, no sentido dos alunos com deficiência visual terem um maior acompanhamento nesta fase do ensino à distância.

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8.Mai.2020
publicado por MJA


 

ϟ O Amor de Mãe não é cego

NotíciasMagazine | Sónia Graça


Andreia pega na bengala e percorre quilómetros com o filho pela mão. Luziana deixou o emprego, emigrou e tornou-se mãe a tempo inteiro. Uma tem 27 anos; a outra, 37. Nasceram praticamente cegas. São mestres no toque e têm o coração em sentido. A história de duas mulheres que, todos os dias, quebram barreiras e preconceitos - em nome do amor aos filhos.
 

“Faço tudo pelo meu filho”

O mundo está fechado em casa, com medo do novo coronavírus. Andreia também, com uma pequena diferença: está habituada a enfrentar o que não vê. Nasceu com maculopatia e tem apenas 5% de visão, mas corre o mundo todos os dias por causa do filho, de três anos. A pandemia, para ela, é mais um obstáculo: “Tenho medo, porque ele é pequenino. Mas não entro em pânico. Se me trancar em casa, perco mesmo a visão…”. Antes da pandemia, ia para todo o lado. Sem medo, só com uma bengala retrátil e o amor a empurrá-la para a frente. Agora, quando tem de sair, põe a máscara e o desinfetante na mala. Fábio fica com o pai ou a avó. “Só o levo a dar uma voltinha de manhã, nas redondezas.” Quando o filho lhe pergunta porque não vai à creche, ela responde: “Está lá um bicho muito grande, escondido…”.

Andreia Varela tem 27 anos e engravidou aos 24, na sequência de um namoro “às escondidas”. Ficou “aflita”, mas como sempre quis “ser mãe e ter um lar”, agarrou o destino com as mãos. É ela quem cuida do filho, praticamente sozinha. Nos últimos meses, a “Notícias Magazine” testemunhou vários momentos da sua luta diária.

O dia rompeu claro, em São Domingos de Rana (Cascais). Faltam cinco para as nove e Andreia está pronta para sair: põe a mochila às costas do filho, pede-lhe que apague as luzes, agarra na bengala e…aí vão eles. De casa até à paragem são cerca de dez minutos a pé. O caminho é tortuoso, cheio de postes; os passeios, estreitos; e o trânsito, frenético. “No início, quando vim morar para aqui, pensei que não ia ser capaz de andar com ele.…É tão confuso! Quando chove muito, prefiro ir de táxi.” Andreia leva o filho pela mão direita e, com a esquerda, vai rodando a bengala de um lado para o outro, para detetar os obstáculos. Aprendeu a usá-la ainda adolescente e, desde que foi mãe, nunca a dispensa. É uma espécie de escudo protetor. Diz que, assim, “os carros param sempre”.

O passo é ligeiro, mas firme. Andreia parece saber de cor o trajeto – percorreu-o vezes sem conta, com a ajuda de uma assistente social e de uma ex-professora, sua amiga. “Aqui, é a passadeira. Consigo sentir pelo desnível.” Escrupulosa, só atravessa quando deixa de ouvir o roncar dos motores. E vai trocando de lugar com o filho, para que ele fique sempre no lado interior do passeio, arredado da estrada. Quando começa a subida em direção à igreja, Fábio choraminga e pede colo. Tem só dois aninhos e a mãe compreende: “Cansa-se e faz birra”. Mais duas passadeiras e eis a paragem. O autocarro chega em cinco minutos. Ao ouvir o barulho, Andreia levanta-se e pergunta a quem está à volta se é o 462. Ao subir, pede ao motorista que a avise quando chegar ao bairro da Adroana. Sentam-se nos primeiros bancos. “O Fábio adora andar de autocarro. E já vai reconhecendo os sítios.”

A viagem dura 25 minutos. Depois, é preciso andar mais dez, da paragem até à creche. À tarde, a volta repete-se. “Já estou habituada”, diz Andreia. Estamos em maio e tem sido assim nos últimos seis meses, desde que se mudou para um apartamento de renda social, em São Domingos de Rana, onde vive, sozinha, com o filho. Natural de Cabo Verde, veio para Portugal com 14 anos e sempre viveu em freguesias do concelho de Cascais.

Só consegue ver vultos a poucos palmos de distância e distinguir o dia da noite, mas vai muito para além do que vê. Na rua, as pessoas estacam, perplexas, ao ver esta mulher, com ar de menina, a abrir caminho com a bengala e o filho ao colo. “Fazem muitos comentários, mas muitos não fazem o que eu faço. Um dia, o segurança de um hospital até me disse que não devia andar sozinha com um bebé, porque era perigoso”, conta, indignada: “Sou cega, mas tenho braços, pernas, boca, ouvidos… Faço tudo pelo meu filho”.

Discriminação social

“A maior dificuldade de uma mãe com deficiência visual é, provavelmente, sentir-se discriminada socialmente”, afirma Anabela Miranda, psicóloga clínica. “Para a população em geral, o sentido da visão é muito importante na noção de segurança e credibilidade que se associa a um cuidador”, razão pela qual estas mães veem habitualmente “subestimadas as suas capacidades e competências”. Anabela Miranda trabalha há 17 anos na ACAPO (Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal) e considera que, para a maioria das mulheres que acompanha, a maternidade é “um misto de objetivo de vida cumprido, com sentimentos de frustração e ansiedade, devido aos desafios diários originados pelo sentimento de descrença da sociedade e, muitas vezes, também da família e dos amigos”.

No entanto, garante a especialista, estas mães são “muito protetoras e fazem um esforço muito grande para assegurar os cuidados da criança de forma autónoma”. Quando soube que estava grávida, Andreia ficou “aflita”, pois “não trabalhava, vivia em casa da mãe e pensava que não conseguia cuidar de um bebé”. Então, foi para o Centro de Reabilitação Nossa Senhora dos Anjos – entidade que trabalha com pessoas cegas e de baixa visão -, onde fez um curso de preparação para a maternidade: aprendeu como dar banho a um bebé, mudar a fralda, tratar da roupa.…

Nos primeiros meses de vida do filho, Andreia continuou a viver com a mãe e os irmãos, no bairro da Adroana. E essa ajuda foi importante. “Amamentar não foi fácil, no início. Ele perdeu peso, fiquei ansiosa.…Mas a minha mãe reforçou-me a alimentação e comecei a ter muito leite. E foi até aos dois anos e três meses!”

Isto vai ela recordando enquanto descasca batatas, cebolas e cenouras para a sopa. Reencontramo-la numa sexta-feira de junho. Andreia reservou a tarde para ir passear com o filho a Cascais. O emprego em part-time dá-lhe tempo para ser mãe: tem o 9.º ano, um curso profissional de telefonista-rececionista e, há ano e meio, começou a trabalhar como mediadora na Escola Básica da Alapraia, onde ajuda alunos com necessidades especiais nas aulas de informática apoiada.

Fábio vê desenhos animados no quarto, mesmo ao lado da cozinha. De vez em quando, monta no triciclo e dá um giro pela casa, soltando gritinhos de contentamento. “Costumo ligar-lhe a televisão quando estou mais atarefada”, revela a mãe. “Mas ele é calminho, deixa-me fazer tudo sossegada.” Mesmo assim, ela não facilita: mandou instalar grades nas janelas dos quartos – a da sala já tinha – e, na cozinha, optou por um fogão elétrico, “menos perigoso”.

A panela já está ao lume. Andreia pica os legumes e depois tritura. “Ele come muito bem. Habituei-o a comer sopa desde os cinco meses.” Na cozinha, ela não se enrasca. “Arrumo a carne, o peixe e os legumes em gavetas diferentes. Os iogurtes dele ponho na prateleira de cima.” O mais difícil é controlar os prazos – vai arrumando na despensa por ordem de chegada, mas precisa que alguém confirme. O mesmo acontece com as cartas da água, da luz e do gás. “Há um aparelho que lê texto. Faz-me muita falta, mas é tão caro…… Ando sempre com cartas na mala para pedir a alguém que as leia.”

Chama-se leitor autónomo o aparelho que converte texto em voz – mas o modelo mais barato custa cerca de dois mil euros. Há muita tecnologia de apoio para cegos – até identificadores de cor, que rondam os 200 euros -, mas não está ao alcance de Andreia, que vive com a Prestação Social para a Inclusão (cerca de 430 euros), cerca de 300 euros do emprego, mais 30 euros do abono de família. O pai de Fábio – também ele cego e com quem Andreia viveu durante alguns meses – dá uma ajuda mensal para as despesas do filho. E fica com ele, pelo menos, um fim de semana por mês.

“Inversão de papéis”

Fábio corre para a mãe assim que a vê. Está contente, assim mascarado de abelha. Andreia abraça-o e pergunta pela festa. Estamos em fevereiro, é Carnaval. Desde setembro, quando ele fez três anos, vai a pé buscá-lo à nova creche, que fica a cinco minutos de casa. Pelo caminho, vai pedindo: “Fábio, os postes…”. E ele avisa quando se aproxima algum.

“Nos filhos de pessoas com cegueira e baixa visão, verifica-se, desde muito cedo, o sentimento de responsabilidade por ajudarem os pais”, nota a psicóloga Anabela Miranda. E “não é raro ver-se quase uma inversão de papéis” – por exemplo, quando fazem de “guias em deslocações” ou ajudam na “leitura e organização de informação”. Cabe à mãe, adverte, “ir dando hábitos de independência progressiva à criança”.

Fábio está mais crescido. “Já não usa fralda de dia e lava os dentes sozinho, com a escova elétrica que lhe comprei”, diz Andreia. No banho, também já colabora. Enquanto ela enche a pequena banheira de plástico, medindo a temperatura com a mão, ele vai-se despindo sozinho. Mas quando a mãe o senta, ele choraminga. “Os bebés é que fazem birra.… Queres ser um bebé?” E logo ele: “Eu não sou um bebé!” Andreia termina em três minutos, apanha a toalha que pôs a jeito, embrulha-o e leva-o para o quarto. Ao espalhar o creme, percebe que as borbulhas que surgiram há dias se mantêm.

“Quando está doente, é mais complicado”, confessa. “E se tem febre à noite, fico aflita. Sinto com a mão, mas não consigo ter a certeza. Um termómetro falante também me faz falta.” Às vezes, pede ajuda à mãe, ou faz uma videochamada para a pediatra, mas quando é mais grave, prefere ir logo para o hospital.

Nessa noite, Fábio não conseguiu adormecer por causa da comichão na pele. Andreia chamou um táxi e só voltou para casa no dia seguinte. O filho teve uma reação alérgica, e a médica prescreveu-lhe um antibiótico, mas teve o cuidado de escrever, na receita, que a mãe devia administrá-lo com uma colher doseadora, pois não consegue usar seringas.


“Mais perceção do que visão”

Luziana tem 37 anos e mais dois filhos do que Andreia. Nasceu com glaucoma, mas nunca se deu por vencida: teve uma filha, depois outra, até que cegou por completo há três anos. Na mesma altura, soube que estava grávida do terceiro filho. E ficou “assustada”, pois tinha sido mãe há apenas nove meses. Mas, “quando há amor, tudo é possível”. Deixou o emprego, emigrou e tornou-se mãe a tempo inteiro.

Natural do Brasil, Luziana Oliveira veio para Portugal com o companheiro e as duas filhas, em janeiro de 2018, juntando-se aos pais e irmãos, que já cá vivem há duas décadas. E foi aqui que nasceu o filho mais novo, há dois anos. “Passo a mão no rosto dele e consigo desenhá-lo na minha mente. É lindo!” Conhecemo-la em Queluz-Belas, no apartamento arrendado onde vive desde então. Gael tinha sete meses de vida. “Sei que tem de ser limpo. Então, faço as vezes que forem necessárias até ter a certeza.” A muda da fralda é descomplicada: Luziana passa a primeira toalhita, depois outra e uma terceira, certificando-se com os dedos de que está limpo. “Na verdade, isto depende mais da perceção do que da visão.”

Desde que chegou a Portugal, tem sido mãe a tempo inteiro. A pequena Tauani foi logo para a creche, mas o irmão ficou com ela quase até hoje. Luziana não sai de casa senão para ir ao médico com os meninos, ou no fim de semana, quando o companheiro a leva a passear. Gabriel é o sustento da família. Para ela, que foi sempre independente (deu aulas de informática e foi secretária), a mudança foi radical.

Luziana tinha apenas 20 anos quando engravidou pela primeira vez. E criou a filha praticamente sozinha, apesar de ter apenas 3% de visão. “A minha mãe é muito forte. Mesmo com todas as dificuldades, sempre tratou de mim, sem ajuda: levava-me à escola, cozinhava, dava-me banho, ajudava-me nos trabalhos de casa…”, recorda Ana, hoje com 17 anos. A filha mais velha de Luziana – fruto de uma anterior relação – veio para Portugal na mesma altura e, nos primeiros tempos, chegou a viver com a mãe, o padrasto e os irmãos. “Quando digo que tenho dois irmãos pequenos e que ela cuida deles como cuidou de mim, e muito bem, ninguém acredita.”

Jogo do gato e do rato

“Tauani! Onde é que se meteu esta menina?” São oito da manhã, mas Luziana está acordada desde as cinco. A filha ciranda pela casa, arrastando um guarda-chuva. Depois, esconde-se na casinha de madeira, que o pai construiu para ela e para o irmão. Luziana está habituada a este jogo do gato e do rato. “Quando faz uma asneira, foge e esconde-se. Só que eu escuto os passos dela e vou atrás. Fica muito quietinha, nem respira. Então, ligo o sexto sentido e quando me aproximo, ela foge outra vez.”

Passaram vários meses. Estamos em fevereiro de 2020 e Luziana continua em casa, a cuidar dos filhos. Só que este é um mês de viragem. Gael, com quase dois anos, foi finalmente para a creche, o que significa que ela tem agora mais tempo para se dedicar à mobilidade – o primeiro passo para voltar ao mercado de trabalho. Já comprou uma bengala e pediu ajuda à ACAPO para ter aulas. “No Brasil, nunca usei, mas agora tem de ser.”

As manhãs são sempre uma “correria”. Luziana concentra-se num de cada vez. Primeiro, Tauani: leva-a para a casa de banho e lava-lhe o rabinho no bidé. “Evito ao máximo as toalhitas. Prefiro água e sabão.” Antes da fralda, uma camada generosa de creme. A filha colabora, levantando as perninhas ou os braços, à medida que a mãe a veste. Luziana tem as fraldas e os cremes numa caixa debaixo da cama, sempre à mão de semear. Antes de a pentear, já ela se escapuliu para a sala. É a vez do irmão, que ainda dorme no quarto ao lado. “Bom dia, meu amor!” Gael estica os braços, agarra-se ao pescoço da mãe e fica com o rosto colado no dela. “Eles já percebem que tenho algo diferente: mexem muito na minha cara e nos olhos. E dão beijinhos.”

A campainha toca. A carrinha da creche chegou. Tauani é a primeira a sair. Mas o irmão fica a um canto da sala. “Gael, onde estás?” Com o casaco numa mão e o perfume na outra, Luziana tateia o ar, de um lado para o outro. Ele continua quedo e mudo. Ela continua a chamar baixinho até lhe deitar a mão. Ele fica agarrado ao pescoço da mãe até se despedirem.

Agora, só regressam às 16.30 horas, mas o trabalho de casa não pára. Assim que saem, Luziana tira um frango do congelador para o jantar e vai ao quarto buscar a roupa para lavar. De novo, é pelo tato que distingue tudo. “Sinto o tamanho e a textura. Peço ao Gabriel para me ajudar com as cores, para organizar os pares. E tenho um pequeno truque: na máquina, ponho logo uma meia dentro da outra, para facilitar.” A seguir, descalça-se e põe-se a varrer – diz que, assim, “sente” que está a limpar. No fim, borrifa uma mistura de lixívia e detergente sobre o chão e os tapetes.

Trancas nas portas e gavetas

Senta-se e respira. Faz unss ovos mexidos e dedilha o telemóvel. A pausa acaba às 16.30 horas. Eles vêm com fome. A mãe distribuiu bolachas e corta um pedaço de banana para o mais pequeno, que “gosta muito de comer”. Mas a irmã fica-se pelo biberão. “Na creche, ela come, mas, em casa, só a papa e pouco mais.…Está a ser difícil de gerir.” Quando eles adoecem, Luziana põe o “instinto” a funcionar: “Primeiro, tento nunca perder a calma. Depois, uso as mãos para sentir se têm febre ou cólicas. Faço soro caseiro, até para a diarreia. Se o Gabriel está em casa, peço-lhe que vá controlando a febre com o termómetro. Mas só se for constante é que é sinal de alarme.”

Hora do banho. Luziana enche a pequena banheira de plástico que põe dentro da banheira. “Controlo melhor assim, com eles sentados.” Tauani põe-se a chapinhar, contente. Com uma esponja, a mãe espalha uma noz de gel nas mãos e no corpo. “Não lavo o cabelo todos os dias e não faço muita espuma, para a pele não ficar ressequida.” Quatro minutos bastam. O pior é tirá-la: Tauani chora enquanto a mãe apanha a toalha. Sorrateiro, num cantinho, Gael estica-se todo para enfiar as mãos na água assim que a mãe se desvia. Mas ela, calejada, despeja logo a banheira. Ele resmoninha, ansioso pela sua vez.

Sete da tarde. “A esta hora, já estou morta…”, desabafa, sentada no chão. Mas é preciso jantar. Na cozinha, põe a panela ao lume e corta alhos, cenouras e brócolos. E corta uns pedacinhos do frango para reforçar a sopa. Gael agarra-se-lhe às pernas. No quarto, a irmã arrasta uma mesinha, para se empoleirar à janela. “Aquela menina não se emenda.” Luziana está atenta ao mínimo ruído: “Eu vejo com os ouvidos. Estou sempre à escuta”. Tauani já se empoleira nas cadeiras ou na bicicleta para chegar à bancada da cozinha: ora saca o frasco das bolachas, ora liga o micro-ondas (agora, sempre desligado da tomada). Por isso, os pais puseram trancas em todos os armários da cozinha, incluindo na gaveta dos talheres, nas portas dos eletrodomésticos e nos roupeiros dos quartos. E, para seu alívio, as janelas da casa já tinham grades.

Outro dia, enquanto a mãe cozinhava, a petiz espremeu um frasco inteiro de creme sobre a cómoda, no quarto. “É difícil, muito cansativo…”, suspira Luziana. “Gostava de ver para poder evitar estas travessuras, ou algum perigo que estejam a correr. E sei que nunca vou poder andar com os dois, sozinha, na rua.”

“Amor e paciência de sobra”

Tauani entra na cozinha e vai direita à mãe; sem dizer uma palavra, puxa-lhe a mão e dá-lhe o biberão. Luziana não vê, mas percebe logo – e vai buscar o leite e a farinha. A menina tem quase quatro anos e ainda não fala: suspeita-se que possa ter autismo, mas os pais ainda aguardam um diagnóstico conclusivo. Luziana mantém contacto permanente com a terapeuta do desenvolvimento, que acompanha a filha na creche. “Esta situação angustia-me muito, mas eu tenho amor e paciência de sobra. Nasci para ser mãe.”

São quase nove da noite e Gabriel ainda não chegou. O costume: sai cedo e vem tarde. A sopa está pronta. Luziana (a)prova e Gael também. E, num instante, amolece ao colo da mãe. Ela leva-o para o quarto e Tauani vai atrás. Enquanto dá de mamar ao mais pequeno, tenta acalmar a irmã, que saltita na cama. Luziana levanta-se e vai buscar um candeeiro de purpurina. Ao ver aquela luz brilhante, a menina aquieta-se. “Está a sorrir, vidrada. Parece uma santinha…”, adivinha a mãe. Quem disse que o amor é cego?

fonte: https://www.noticiasmagazine.pt | 04/05/2020

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6.Mai.2020
publicado por MJA


 

ϟ Ana Sofia Antunes - uma mãe cega: "Não me sinto limitada em nada"

Notícias magazine

Entrevista à secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência

Ana Sofia Antunes, 38 anos, a primeira governante cega em Portugal, fala da sua experiência como mãe de Clara, de 16 meses, e das medidas de apoio aprovadas desde que, no final de 2015, assumiu a Secretaria de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência.

Muitas pessoas pensam que as mulheres cegas não conseguem cuidar de um bebé ou de uma criança pequena. Os seres humanos têm a capacidade de se adaptar e de desenvolver, ao longo da vida, mecanismos para substituir o que lhes falta. Uma mãe cega cuida de um bebé com as mãos e com os outros sentidos. O que não nos chega através da visão chega através do tato, do cheiro, do ouvido. Sou cega de nascença e não me sinto limitada em nada, como mãe. E também nunca senti preconceito. O que sinto, às vezes, é uma admiração fora do normal da parte das pessoas.

O que está a ser mais desafiante, para si? O mais desafiante tem sido conjugara maternidade como trabalho e uma agenda muito preenchida. A maternidade tem desafios próprios: é o primeiro filho e tudo assusta, mas nunca me senti incapaz. E, do ponto de vista médico, fui sempre tratada com absoluta normalidade. Às vezes, a pediatra da minha filha pergunta-me como vou fazer quando ela começar a andar, porque os miúdos são um "terror". De facto, tenho muito receio quando tiver de andar com ela na rua, porque se se afastar dois metros, deixo de a ver. Vou usar aquelas guias que ligam a mãe ao bebé, o que ainda não é muito bem visto em Portugal, mas nos países nórdicos usa-se muito e sei que me dará muita segurança.

Estas mães queixam-se muito do preço elevado da tecnologia de apoio. Os leitores autónomos, por exemplo, custam dois mil euros. O sistema de atribuição de produtos de apoio financia, na totalidade, a atribuição desses equipamentos a pessoas com deficiência. Têm de ir a um centro prescritor da Segurança Social e indicar o equipamento que lhes faz falta. Depois, a instituição elabora um relatório e uma prescrição, que a pessoa entrega à Segurança Social, acompanhados de três orçamentos possíveis. Ou seja, a pessoa vai a três lojas onde se vendem esses equipamentos e pede três orçamentos. Não é um processo imediato: há uma espera de, pelo menos, seis meses. Mas é 100% financiado. É difícil fazermos mais do que isso, porque não controlamos os preços.

Usa algum destes aparelhos no dia a dia? Sim. Tenho um identificador de cores, porque, com o avançar dos anos, perdi a capacidade de as distinguir; uma balança com voz, para preparara comida; um etiquetador com voz, para identificar medicamentos e produtos de higiene; seringas específicas, com várias marcações, para ser mais precisa na preparação dos biberões; um termómetro para medira temperatura da água do banho, que só usei duas ou três vezes, porque comecei a testar a olho. Algo que procurei muito, mas não existe - o que me angustia - é um conta-gotas, não há um equivalente para cegos. Em suma, tinha condições para comprar estes aparelhos, mas admito que são caros.

De que valores estamos a falar? O valor concreto do complemento depende do rendimento do agregado e pode atingir, no máximo, 700 euros. Outro recurso que lançámos recentemente: os Centros de Apoio à Vida Independente, para apoiar pessoas com todo o tipo de deficiência. Ao todo, são 35. Em fevereiro deste ano, estavam a ser apoiadas 831 pessoas com deficiência, das quais cerca de 37% afirmam ter limitações de visão. Estes centros são coordenados por diferentes instituições, como a ACAPO e a FENACERCI, e o financiamento é assegurado por nós, através de fundos comunitários (cerca de 35 milhões de euros).

Como funciona esse apoio, na prática? A pessoa candidata-se a umas horas de assistência e o centro disponibiliza um assistente, que a ajudará nas tarefas diárias, em regra, até 40 horas semanais (em casos excecionais, até 24 horas, sete dias por semana). Uma pessoa cega precisará de ajuda para organizara roupa, ver se o processo de lavagem e engomadoria correu bem, organizar as coisas na cozinha O assistente pode fazer tudo o que a pessoa sinta que lhe é difícil ou mesmo impossível fazer. A ideia é promover a sua autonomia.®  
 

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5.Mai.2020
publicado por MJA


 

ϟ Covid-19. Comité Paralímpico pede atenção para os cegos

Mário Aleixo | RTP


O Comité Paralímpico de Portugal (CPP) alertou o primeiro-ministro António Costa, para os riscos que os cegos correm face à propagação do novo coronavírus e defendeu uma revisão na redistribuição de receitas dos jogos sociais.

O Comité Paralímpico de Portugal (CPP) alertou o primeiro-ministro António Costa, para os riscos que os cegos correm face à propagação do novo coronavírus e defendeu uma revisão na redistribuição de receitas dos jogos sociais.

O CPP apresentou em comunicado as “as preocupações do desporto paralímpico no que diz respeito à retoma da atividade desportiva” apresentadas ao chefe do Governo, na reunião tida juntamente com o Comité Olímpico de Portugal (COP) e a Confederação do Desporto de Portugal (CDP).

Neste encontro, em São Bento, o presidente do CPP, José Manuel Lourenço, alertou para a “necessidade de serem acauteladas medidas especiais considerando as especificidades do desporto paralímpico e os riscos associados ao facto de muitos dos atletas desta dimensão estarem inseridos em grupos de risco”.

“O presidente do CPP apresentou como exemplo desta realidade os atletas cegos que têm a necessidade de tocar, de forma constante, em objetos e superfícies potencialmente contaminadas”, lê-se no comunicado do organismo paralímpico, realçando a necessidade de serem asseguradas condições para o transporte de atletas, guias e técnicos assistentes desportivos.

José Manuel Lourenço defendeu ainda a necessidade de assegurar a viabilidade económica do setor e a garantia de manutenção dos postos de trabalho, considerando “oportuna a revisão das regras de distribuição das receitas dos jogos sociais e apostas desportivas para que através da redistribuição criteriosa do valor disponível seja possível fazer mais e melhor no universo desportivo”.

Tal como os Jogos Olímpicos, os Jogos Paralímpicos Tóquio2020 foram adiados devido à pandemia de covid-19, para o período entre 24 de agosto a 5 de setembro de 2021.

Além dos presidentes de CPP, COP, José Manuel Constantino, e CDP, Carlos Paula Cardoso, participaram na reunião o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, o secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Paulo Rebelo, e o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales.

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1.Mai.2020
publicado por MJA


 

ϟ Ser cego, sem tacto: como a pandemia encolheu o mundo de quem não vê

Mariana Correia Pinto | 6 de Abril de 2020 | Público

Ser cego, sem tacto: como a pandemia encolheu o mundo de quem não ...
Paulo Pimenta (fotografia)

O novo coronavírus tornou o tacto proibido, a proximidade um perigo, o volume do mundo diferente. Como se orientam, agora, as pessoas cegas? Como imaginam as cidades sem gente? ACAPO fala numa reaprendizagem e já adoptou medidas

Henrique Santos guarda o mapa da cidade na cabeça. Percorre-a todos os dias, sozinho, e conhece-lhe de cor a calçada irregular, as ruas mais ou menos estreitas, os caixotes do lixo e semáforos no caminho, os bancos de pedra e recantos de serenidade. Mas o mapa de Henrique desenhou-se antes da pandemia global e da revolução geográfica por ela imposta – e agora, nas mesmas ruas, praças ou avenidas, quase sem gente nem ruído, já nada lhe parece o mesmo. De repente, viu-se transportado para outro lugar, “silencioso e vazio”, bem longe do Porto. “É como se estivesse numa aldeia”, diz: “É uma nostalgia tremenda para quem se habituou a ver a cidade louca.” Henrique Santos é cego. Mas conjuga o verbo ver. Usa-o a toda a hora. “A gente não vendo, vê”, tenta explicar, rosto virado ao sol. “Apenas vemos de outra maneira.”

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30.Abr.2020
publicado por MJA


 

ϟ Confederação pede audiodescrição para cegos no #Estudo Em Casa

LUSA | 21/04/20
 

Visão | Covid-19: Confederação pede audiodescrição para cegos no ...


A Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) pediu hoje que as aulas do programa #Estudo Em Casa, que arrancou na segunda-feira na RTP Memória, incluam audiodescrição para os alunos cegos.

Em comunicado, a CNIPE lamentou a ausência nas primeiras aulas do projeto de audiodescrição para os alunos cegos, sublinhando que a "escola inclusiva não pode deixar de o ser agora".

De acordo com a Confederação, as primeiras aulas só tiveram em consideração os alunos surdos.

"A audiodescrição ou descrição de imagens, esquemas, mapas e frases, é essencial para estes alunos poderem acompanhar o raciocínio lógico do encadeamento do que vai sendo dito, uma vez que a informação visual da matéria complementa, significativamente, o que é dito pelo professor", sublinha a CNIPE.

A Confederação refere que no atual contexto, não é recomendável remeter para os pais a descrição de toda a informação visual, justificando que "a maioria dos pais não domina os conteúdos abordados ou, se os domina, receia induzir o filho em erro".

Não é recomendável também, segundo a CNIPE, porque "uma audiodescrição feita por um adulto em casa enquanto o professor fala/explica a matéria é extremamente confuso para o aluno e mesmo para o audiodescritor".

Segundo a CNIPE, a limitada duração de cada aula implica também uma concentração de conteúdos num curto espaço de tempo.

Por isso, a CNIPE pede que seja revisto o modo de operacionalização das aulas com a inclusão da audiodescrição nas próximas gravações.

O programa #Estudo Em Casa arrancou na segunda-feira na RTP Memória com um conjunto suplementar de recursos educativos, criado pelo Ministério da Educação e que conta com 112 docentes de seis escolas públicas, duas privadas e da ciberescola.


fonte: Notícias ao minuto

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27.Abr.2020
publicado por MJA


 

ϟ Google lançou um novo teclado para o Android! Este é destinado aos invisuais

Filipe Alves | 10 abril 2020 | 4GNews

A Google lançou hoje um teclado destinado a todos os invisuais. Este teclado é totalmente diferente daquilo que estás habituado a escrever num smartphone. O teclado requer que o utilizador vá clicando em determinados pontos de forma a criar letras para as palavras. Ainda assim, não é muito diferente dos teclados para smartphones (hardware) que os invisuais tem no mercado.

Este é o novo teclado da Google para invisuais:

novo teclado da Google para invisuais

O novo teclado está implementado no serviço "TalkBack Accessibility Service" que pode ser baixado na Google Play Store de forma gratuita. O utilizador precisa apenas de ter um smartphone Android com a atualização Android 5.0 Lollipop ou superior para ativar a funcionalidade nas definições.

Para já, o teclado "Braille" está apenas em Inglês

Infelizmente o teclado ainda não está preparado para ser utilizado mundialmente. Para já só os utilizadores de língua inglesa é que o podem utilizar. Espera-se, contudo, que mais línguas sejam atualizadas nos próximos tempos.

Quase todas as funcionalidades estão disponíveis

Ainda que o teclado pareça seriamente confuso para quem nunca utilizou tal formato, a Google promete uma utilização simples para invisuais e que muitas funcionalidades estarão disponíveis. Como por exemplo, criar parágrafos, apagar letras e palavras ou usar teclados externos.

São poucas as empresas a investir soluções para invisuais

É de valorizar o esforço da Google em melhorar o sistema para pessoas com deficiência visual. Infelizmente há poucas empresas dedicadas ao tema e aqueles que se dedicam nem sempre tem a atenção que merecem.

Esperemos que este novo teclado estimule o mercado a desenvolver novas formas de ajudar a aproximar a tecnologia de quem precisa.

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19.Abr.2020
publicado por MJA


 

ϟ Distância na rua e o toque são preocupações para os cegos

Agência Lusa | 03 abr 2020 | Observador


A Associação dos Cegos e Amblíopes alerta para as maiores preocupações dos cegos na atual situação: distância a que estão as outras pessoas e a necessidade de tocar em objetos para se orientarem.


A distância das pessoas que estão na rua e a necessidade de tocar nos objetos para se orientarem são alguns dos problemas que preocupam os cegos na atual situação de pandemia de Covid-19, segundo a ACAPO.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da ACAPO – Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal, Tomé Coelho, contou, a propósito dos efeitos da pandemia da Covid-19, que os cegos estão a tentar adaptar-se à nova vivência, sendo que as pessoas com deficiência visual pela sua especificidade têm de ter mais cuidados, que nem sempre conseguem controlar.

“O isolamento social é difícil para pessoas que não veem porque se tivermos que sair em situações de emergência não conseguimos controlar a distância das pessoas que estão à frente ou atrás de nós. É complicado. As pessoas cegas servem-se das mãos para tudo, para se orientarem, para tocar nas coisas para sabermos o que são“, disse.

No entanto, quem precisar e o pedir pode receber em casa alimentos e medicamentos.

“Se alguém precisar temos um projeto-piloto. Os centros de apoio a pessoas cegas, onde os nossos assistentes estão disponíveis para irem fazer as compras que as pessoas necessitem. Temos tido alguns pedidos, mas não muitos porque recorrem a familiares e amigos”, disse.

Tomé Coelho adiantou também que existem parcerias com as juntas de freguesia e câmaras municipais que ajudam também.

“Neste momento, a ACAPO não está a prestar apoio presencial, mas temos sempre as linhas de contacto direto e todos os nossos técnicos estão disponíveis para ajudar em qualquer pedido de solicitação que chegue e se não conseguirmos encaminharemos para as estruturas de suporte nas juntas de freguesia e câmaras municipais. Mas nunca ficam sem apoio”, disse.

De acordo com a Direção Geral da Saúde, a “Covid-19 transmite-se por contacto próximo com pessoas infetadas pelo vírus, ou superfícies e objetos contaminados”.

Tomé Coelho adiantou também que a partir desta sexta-feira vai estar disponível para quem o desejar um leitor de écran que permite acesso à internet, aos meios informáticos, por 90 dias e de forma gratuita.

“Queremos contribuir para minimizar o isolamento das pessoas. Estabelecemos uma parceria com o representante do leitor de écran que permite acesso à internet, aos meios informáticos, para que fossem cedidas licenças gratuitas deste software do leitor de écran e outro de ampliação de carateres a partir de hoje, por 90 dias e sem qualquer custo”, disse.

Questionado sobre se tem conhecimento de algum caso confirmado de covid-19, Tomé Coelho disse que até ao momento só foram reportados à ACAPO dois casos suspeitos de infeção, um dos quais entretanto já deu negativo o outro está a aguardar resultados.

“Quando nos contactam com qualquer suspeita nós encaminhamos para as autoridades de saúde”, disse.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infetou mais de um milhão de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 50 mil.
 

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8.Abr.2020
publicado por MJA


 

ϟ Incluir as pessoas com deficiência nas respostas à COVID-19

FAPPC, 19 de março de 2020

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Especialistas nacionais e internacionais das áreas da saúde e da deficiência estão a solicitar aos diferentes governos que implementem urgentemente ações de resposta direcionadas às pessoas com deficiência, às suas famílias e ao setor dos serviços e instituições que prestam apoio a esta população, tendo em conta a COVID-19.

Contexto
As pessoas com deficiência, em especial nas situações mais complexas, são especialmente vulneráveis na pandemia de COVID-19. Verifica-se um risco acrescido de doença e morte devido a condições de saúde subjacentes:

  • O setor de saúde está subdimensionado para atender às necessidades de cuidados de saúde das pessoas com deficiência;
  • O setor de serviços e as instituições de apoio direcionados para as pessoas com deficiência estão subdimensionados, face às necessidades de cuidados.
  • As informações e as orientações prestadas sobre a COVID-19 e sobre o que fazer podem não ser de fácil acesso e/ou serem dificilmente compreensíveis por algumas pessoas com deficiência. Por exemplo, algumas delas podem mesmo ter mais dificuldade em entender a razão da interrupção das suas rotinas diárias.

As entidades governamentais têm tido especial preocupação e uma resposta direcionada para o setor de assistência a idosos, o que ainda não se verificou para o setor da deficiência. Ambos os setores têm muitas semelhanças, incluindo ambientes congregados, uma força de trabalho de assistência maioritariamente precária e frequentemente com pouca formação, e o facto das famílias e dos prestadores de cuidados enfrentarem frequentemente dificuldades significativas na prestação de cuidados. Assim, recomenda-se que os governos tomem medidas imediatas que incluam:

1. Aumentar rapidamente a capacidade das entidades e das instituições do sector da saúde para lidar com as pessoas com deficiência:

  • Garantir que todas as instituições que prestam serviços relacionados com o COVID-19, incluindo os testes de diagnóstico, estejam completamente acessíveis, e que isto seja claramente comunicado às pessoas com deficiência e aos seus cuidadores;
  • Reforçar a disponibilidade de consultas por videoconferência ou por telefone, que incluam os apoios de saúde especializados orientados para as pessoas com deficiência;
  • Criar uma linha direta dedicada à pessoas com deficiência, às suas famílias e aos serviços e instituições de apoio à deficiência;
  • Prever e garantir o acesso ao apoio necessário às pessoas com deficiência com situações clínicas mais complexas, principalmente quando em quarentena;
  • Tornar a informação acessível e disseminá-la através das organizações e das instituições de apoio a deficientes, órgãos de defesa e população em geral (incluindo sistemas de comunicação específicos, como língua gestual e sistemas pictóricos de comunicação, bem como todos os idiomas da comunidade).

2. Aumentar rapidamente a capacidade de atendimento a pessoas com deficiência. O Governo, para garantir os serviços urgentes e essenciais de apoio à pessoa com deficiência, deve:

  • Providenciar para que os serviços e instituições de prestação de cuidados a pessoas com deficiência, como os setores de saúde e assistência a idosos, tenham acesso prioritário e sem nenhum custo a equipamentos de proteção individual, incluindo máscaras, desinfetantes para as mãos, etc.
  • Rápido reforço das orientações dadas aos cuidadores de instituições para deficientes, nomeadamente das unidades residenciais, para o controle de infeção;
  • Aumentar a capacidade de articulação com bombeiros, polícia e outras forças de segurança, para que estas possam ser mobilizadas rapidamente e para que, sempre que adequado, sejam mobilizados os recursos e apoios necessários;
  • Proporcionar uma forte coordenação local para triar os serviços e instituições de apoio à deficiência tendo em conta que, à medida que os seus trabalhadores sejam infetados ou expostos à infeção, os serviços mais urgentes sejam mantidos abertos; • Tendo em conta que pode haver necessidade de prestar serviços adicionais, principalmente face ao possível encerramento de instituições, ou impedimento das famílias em prestar cuidados, garantir a disponibilidade de recursos financeiros orientados para os prestadores de cuidados e instituições que possam necessitar de aumentar rapidamente a sua atividade;
  • Desenvolver uma reserva de pessoas que permita um recrutamento rápido para prestar cuidados a pessoas com deficiência;
  • Apoiar as famílias e os cuidadores de pessoas com deficiência que necessitem de se ausentar do trabalho para cuidar de seus familiares. Isto pode incluir o pagamento temporário a outros cuidadores ou outros membros da família que prestem cuidados à pessoa com deficiência;
  • Fornecer uma compensação financeira aos trabalhadores das instituições de deficientes que, por incapacidade temporária necessitem de se autoisolar, quer por estarem doentes quer por estarem em quarentena preventiva, minimizando a possibilidade de colocarem as pessoas com deficiência em risco de infeção;
  • Garantir a continuidade da prestação de apoio às pessoas com deficiência com necessidades mais complexas, em especial nas situações familiares mais vulneráveis;
  • Garantir que os serviços e as instituições que prestam apoios especializados não essenciais permaneçam financeiramente sustentáveis, tendo em conta a suspensão temporária das suas atividades;
  • Desenvolver um plano coordenado, implementado através das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens, bem como de idosos, para lidar com o potencial aumento da violência, abuso e negligência contra pessoas com deficiência, devido ao isolamento social e à interrupção das atividades de vida diárias;
  • Fornecer apoio de emergência às famílias que cuidam de pessoas com alterações comportamentais, que possam representar um risco para a pessoa com deficiência e / ou membros da família;
  • Garantir que as pessoas com deficiência que ainda não têm apoio das instituições a elas direcionadas, mas vulneráveis ao COVID-19, recebam os apoios de que necessitam.

Para evitar a morte de pessoas com deficiência nas próximas semanas e meses é necessário agir tendo em conta os diferentes níveis de intervenção: do Governo aos cuidadores familiares, passando pelos serviços e instituições que apoiam pessoas com deficiência.

FAPPC, 19 de março de 2020 (Adaptação para Portugal de “People with disability and COVID-19”. Centre of Research Excellence in Disability and Health, Melbourne, Australia. 16 March 2020 www.credh.org.au)
fonte: FEDERAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES PORTUGUESAS DE PARALISIA CEREBRAL

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21.Mar.2020
publicado por MJA


 

ϟ Português cego e seu cão guia a viajar sozinhos pela Europa!

Jorge Paiva


Cego e seu cão guia no acesso à sala de um restaurante
 

Era uma vez alguém que em 2015 ficou cego! Então fez seis operações, apreendeu a usar bengala, até que um dia recebeu um cão guia. Essa pessoa sou eu e o cão é o Zangão com quem recuperei a liberdade!

Um Projeto inovador e inédito: Quem é cego e tem cão guia sabe o que este passou a significar em termos de mobilidade, autonomia, independência, integração e convívio com os demais! Mas agora, de forma alegre e divertida, com apoio da Escola de Cães-Guia para Cegos, vamos dar o passo em frente!

E então? Como se imagina, são muitos os problemas de acessibilidade aos transportes, locais públicos e em geral nos percursos na via pública, por parte de pessoas cegas. Hoje em dia, a presença de um cão guia resolve a quase totalidade destes problemas mas, quando se pretende viajar para o estrangeiro, o desconhecimento do espaço físico envolvente e a alteração de condições institucionais e legais, torna esta tarefa bem mais complexa.

Após alguns anos a deslocar-me de forma autónoma, sem suporte de outras pessoas, com cão guia em Portugal e uma viagem a Marrocos, é minha convicção que, com apoio das novas tecnologias de acessibilidade e informação, nomeadamente dispositivos móveis, eu, cego total, poderei com o meu cão Zangão, deslocar-me sozinho, de comboio e avião pela Europa, alojar-me em hotéis e frequentar restaurantes e eventos, de forma totalmente independente e segura.

Pretendo com isto também e sobretudo chamar a atenção para as dificuldades de acessibilidades dos diferentes destinos, de forma integrada numa realidade europeia, bem assim como mostrar como as pessoas cegas se podem deslocar, por motivos pessoais, profissionais e de lazer, de forma independente e autónoma.

É isto que vamos fazer: Com o apoio da ABAADV – Escola de Cães-Guia para Cegos, uma viagem pela Europa com o meu cão guia. Vai ser criado um blog e um perfil Instagram onde serão reportados todos os episódios relevantes da viagem e das pessoas e locais com os quais nos cruzaremos.

É uma viagem de 26 dias, com o percurso Porto, Barcelona, Paris, Roma, Berlim, Estocolmo, Oslo, Bruxelas, Madrid, Lisboa e Porto, prioritariamente de comboio. Ficar no mínimo 20 a 30 horas em cada cidade, podendo aproveitar para interagir com eventos públicos como teatro, desporto ou música. Viajar prioritariamente entre o final da tarde e o início da manhã do dia seguinte.

É um projeto incrível que pretende promover os valores acima referidos, contribuir para desfazer mitos sobre a presença destes animais fantásticos em locais públicos e divulgar o cão guia como um meio incrível e locomoção e orientação. Vamos lá?!

Sobre o promotor
O meu nome é Jorge Paiva. Sou gestor, licenciado em economia pela Faculdade de Economia do Porto e trabalho como consultor fiscal e analista financeiro. Em 2015 fiquei cego, passei por um percurso de seis intervenções com várias técnicas médicas, todas sem resultado. Aprendi então a usar bengala para cegos e candidatei-me a utilizador de cão guia, tendo conseguido o meu cão Zangão em Junho de 2017.

Desde então e progressivamente, a minha mobilidade, independência e autonomia recuperou-se totalmente.

Então, entre 2017 e 2019 fiz muitas viagens com o meu cão, por quase todo o País e com umas férias em Marrocos, tendo constatado que, com apoio de tecnologias de localização e espírito de iniciativa, não existem limitações à mobilidade de pessoas cegas. Foi assim que, a par da minha atividade profissional, germinou a ideia de fazer uma viagem pela Europa para divulgar e promover estes valores, apostando para tal no apoio institucional e divulgação da mesma, em algumas das principais capitais europeias.

O meu percurso profissional pode ser conferido aqui.

Orçamento e Calendarização
O Projeto está orçamentado em 3.675,63€ propondo-se o Promotor a financiar o remanescente do valor aqui solicitado, assumindo assim o seu comprometimento pessoal no mesmo. Este deverá decorrer entre 12 de Junho e 7 de Julho, salvo algum ajustamento de alguns dias, com partida e chegada à Cidade do Porto. O destino dos fundos é, viagens de comboio pela Europa, alojamento, alimentação e transportes nas cidades de passagem e interação com entidades e eventos locais.

Documentos
Apoio Institucional da Escola de Cães-Guia para Cegos
pdf • 397.28 KB

 

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12.Mar.2020
publicado por MJA


 

ϟ Portaria de rácios vai mudar. Escolas com alunos com deficiência vão ter direito a mais auxiliares

Ana Kotowicz | Observador |14 fev 2020


Ministério já tinha avisado que ia mexer na portaria que define o número de auxiliares que cada escola tem de ter. Uma das novidades vai ser o peso acrescido das crianças com necessidades especiais.

As escolas que tenham alunos com necessidades educativas especiais vão ter direito a ter mais funcionários. Esta é uma das mudanças na portaria de rácios, o diploma que define quantos assistentes operacionais tem cada escola, avançou o Ministério da Educação ao Observador. Mexer na fórmula que define quantos funcionários tem cada estabelecimento de ensino é um pedido antigo dos diretores e que atualmente leva em conta o número de alunos, a existência de pavilhões gimnodesportivos e a oferta educativa, entre outros. [....]

Em dezembro, o ministro da Educação já tinha anunciado que a portaria iria ser alterada, sem adiantar pormenores e, em janeiro, durante a discussão do Orçamento do Estado — onde a medida já estava consagrada — foram aprovadas propostas de alteração do Bloco de Esquerda, PAN e Iniciativa Liberal sobre esta matéria. A novidade que saiu da discussão foi o governo passar a ter um prazo para a revisão da portaria estar pronta: junho de 2020. Com este limite temporal é garantido que quaisquer alterações à lei só irão ter influência no funcionamento das escolas no próximo ano letivo de 2020/21.

O Observador questionou o Ministério da Educação sobre que alterações estão a ser ponderadas e a resposta foi que qualquer alteração terá especial enfoque nos alunos com necessidades educativas especiais. Na fórmula atual, estes estudantes equivalem a 1,5 alunos e o número de estudantes é um dos fatores que determina o número de auxiliares em cada escola. Filinto Lima, presidente da ANDAEP, associação que representa os diretores de escolas públicas, por várias vezes defendeu que o peso destes alunos deveria ser superior.

O que o gabinete de Tiago Brandão Rodrigues não esclareceu é quanto mais vão pesar estes alunos na fórmula de cálculo ou que outras mudanças poderão vir a ser feitas. “A revisão irá considerar a adequação às características dos estabelecimentos escolares e das respetivas comunidades educativas, com especial enfoque nas necessidades de acompanhamento dos alunos abrangidos por medidas no âmbito da Educação Inclusiva”, esclarece o ministério na sua resposta, referindo que esta é uma das marcas do OE 2020 para a área da Educação.

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14.Fev.2020
publicado por MJA


 

ϟ Colónia de férias para jovens e crianças cegas

Camp Abilities

 


Estão abertas as inscrições para o 'Camp Abilities Portugal 2020', colónia de férias para jovens e crianças cegas. Vimos por este meio solicitar a divulgação pelos professores da área, famílias e jovens com deficiência visual. Obrigado!

Informação Detalhada
Em Julho de 2015, a AAMA realizou, pela primeira vez em Portugal, o Camp Abilities Portugal, a adaptação de um modelo americano de colónias de férias para jovens com deficiência visual, que teve como motor de inovação o facto de os monitores serem também crianças e jovens, mas sem qualquer deficiência. Este é um programa único no nosso país.

A missão desta colónia é a INCLUSÃO, através da actividade desportiva, de crianças com deficiência visual e crianças ditas normais. Por um lado, os participantes com deficiência visual têm oportunidade de, num ambiente seguro, experimentar diversos desportos, actividades físicas e interagir em ambientes diferentes. Por outro lado, os jovens sem deficiência convivem e ajudam outros com deficiência visual, o que lhes permite conhecer de uma forma muito próxima as suas dificuldades, mas, também, o seu enorme potencial.

Fazer do mundo um lugar onde não haja exclusão depende de todos. Conceber e lutar pela realização deste projeto é a nossa contribuição.

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13.Fev.2020
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ϟ  A única Companhia de Ballet de Cegos do mundo é brasileira

Por Revista Ecos da Paz | Fev. 6, 2020

 

“Nunca diga não à um desafio, pois são desses desafios que partem os maiores ensinamentos que nós temos nas nossas vidas.” Esta frase foi dita pelos pais da fisioterapeuta e bailarina clássica Fernanda Bianchini, quando eles frequentavam como voluntários o Instituto para Cegos Padre Chico em São Paulo.

Em 1995 Fernanda era uma jovem voluntária de 15 anos, quando foi surpreendida com o convite de uma das religiosas do instituto para ensinar ballet clássico para os alunas cegas.

O desafio foi aceito, mesmo sem experiência de trabalhar como professora. E no primeiro dia de aula, ao dar as instruções sobre determinado passo de dança, Fernanda pediu para que imaginassem que saltavam para fora e para dentro de um balde, mas uma de suas alunas mostrou-lhe mais um desafio: entrar no mundo dos cegos, afinal ela nunca tinha “visto” um balde.

Fernanda percebeu que era primordial entender todas as limitações das suas alunas para depois lhes apresentar o mundo do ballet. A partir desta troca mútua que ela criou um método próprio de ensino.

O Desafio da criação

Seu método pioneiro teve êxito e é ensinado no Brasil e no exterior para ambos os sexos. O aprendizado da dança clássica se dá por meio do toque e da repetição de movimentos.

Quem tem contato com o trabalho percebe a sensibilidade artística que se construiu a partir do conhecimento e dedicação da bailarina que, desde então, guiou centenas de deficientes a inúmeras conquistas.

Fernanda destaca que enquanto bailarina, nunca dançou certos repertórios e tão pouco viajou em turnê como os seus alunos estão fazendo. Este grupo de bailarinos já participou de apresentações na Argentina, Inglaterra, Alemanha e nos EUA. E traz na lista de repertório Copélia, Quebra-Nozes e Dom Quixote.

O voluntariado da jovem de 15 anos deu origem a Associação Fernanda Bianchini – Ballet para Cegos (ABF), criada formalmente em 2003, e que atende cerca de 400 pessoas, de crianças até a terceira idade.

A grande maioria dos alunos é de deficientes visuais, mas a associação atende também os outros tipos de deficientes: físicos e intelectuais. Existe também o desenvolvimento de uma metodologia para ministrar aulas de Ballet Clássico para cadeirantes.

Atualmente, a ABF conta com 13 professores de dança, entre eles, as deficientes visuais Geyza Pereira da Silva e Verônica Batista, formadas na própria entidade, e a gestora Fernanda Bianchini, que trabalha como voluntária.

Para promover saúde e bem-estar aos bailarinos, a grade de atividades da Associação conta com exercícios de Pilates e fisioterapia. Essas aulas são extensivas a qualquer pessoa que queira ingressar nos grupos, mas são pagas, porque a arrecadação serve para ajudar a manter a instituição. No vídeo abaixo, confira a dimensão de um trabalho que vem mudando a forma de ver o mundo.

A manutenção da entidade se dá por meio de apoios corporativos, doações de empresas, participação em eventos, além das palestras de Fernanda Bianchini, que apresenta a metodologia de ensino para pessoas com deficiência visual e histórias de seus alunos, com objetivos motivacionais. Doações de pessoas físicas e mensalidades de alunos pagantes são outras formas de manutenção.

Fernanda costuma dizer que uma bailarina deve sempre olhar para as estrelas, ainda que não as enxergue.
 

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6.Fev.2020
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ϟ OE2020: Proposta de Os Verdes sobre acessibilidade digital aprovada por unanimidade

MadreMedia / Lusa | 3 fev 2020

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Os deputados aprovaram hoje por unanimidade uma proposta do Partido Ecologista Os Verdes (PEV) que visa promover o acesso à informação e aos serviços das pessoas com deficiência ou incapacidade.

A medida integra o leque de propostas de alteração ao Orçamento do Estado para 2020 (OE2020) que hoje começaram a ser votadas na especialidade, pela Comissão parlamentar de Orçamento e Finanças (COF).

O texto da proposta, que mereceu o voto favorável de todos os partidos, prevê que ao longo de 2020 o Governo tome as “medidas necessárias e adequadas para que seja garantida a acessibilidade digital aos organismos públicos, para que o acesso à informação e aos serviços seja assegurado a pessoas com deficiência ou incapacidade”.

“O desenvolvimento e expansão das tecnologias digitais veio potenciar a autonomia, inclusão e participação social da generalidade das pessoas com deficiência ou incapacidade, na medida em que essas tecnologias estão cada vez mais presentes num conjunto muito vasto de realidades do dia-a-dia”, referem Os Verdes, acrescentando a necessidade de que o Governo “garanta a acessibilidade digital a pessoas com deficiência ou incapacidade, de modo a que os ‘sites’ sejam inclusivos e possam ser usados de igual maneira por pessoas com e sem deficiência”.

fonte: 24.sapo.pt/

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3.Fev.2020
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ϟ Guia Prático: Os Direitos das Pessoas com Deficiência em Portugal

INR


O Guia Prático: Os Direitos das Pessoas com Deficiência em Portugal [PDF | 22 MB | 106 páginas] é uma medida Simplex + que reúne informação de várias áreas de interesse e respetivos serviços públicos em Portugal, visando promover a autonomia e a cidadania das pessoas com deficiência e facilitar a tomada de decisão e a promoção de inclusão.

Neste Guia é disponibilizada informação sobre apoios sociais, medidas de apoio ao emprego e formação profissional, benefícios sociais e fiscais e informação prática sobre a rede de Balcões da Inclusão ou sobre como solicitar um Atestado Médico de Incapacidade Multiuso.

Este Guia é também um instrumento formativo, na medida em que esclarece sobre terminologias corretas a adotar, contribuindo para apoiar as pessoas com deficiência na concretização dos seus direitos e na sinalização de práticas de discriminação em razão da deficiência.

Pode descarregar a versão acessível pdf e a versão ebook.

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29.Jan.2020
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ϟ Artista cria livro pornô em braille na Suécia

Ricardo Shimosakai | TurismoAdaptado
 

Artista cria livro pornô em braile na Suécia

Nina Linde, de 33 anos, criou um “livro sensual em braile” para leitores cegos e apresentou a sua publicação pela primeira vez à biblioteca nacional do país. A obra traz imagens de mulheres usando brinquedos eróticos, sexo grupal, sexo gay e aparentemente é o primeiro material escrito a oferecer estímulo sexual a deficientes visuais.

Até o estilo de sexo sadomasoquista está incluído, mostrando pessoa amarrada com parceira com chicote.

O livro foi criado no ano de 2010, mas só essa semana Nina deu uma cópia oficial para a Biblioteca Nacional da Suécia. A autora afirma que, apesar da obra estar sendo rotulada como ‘pornô’, ela não deveria ser encarada desta maneira. “O livro é sobre estimulação sexual, eu não acho que pornô seja a palavra certa”, disse ela em entrevista ao portal de notícia “The Local“.

A inspiração para a produção da obra veio depois de uma visita à biblioteca de braile de Estocolmo e à percepção de que “não havia nenhum material erótico para os deficientes visuais”. “Todo mundo precisa de algum estímulo sexual”, afirmou.

O presidente da Federação Nacional da Suécia dos Deficientes Visuais, Håkan Thomsson, avalia o livro positivamente. “Eu acho que alguns imaginam que não temos sexualidade, o que não é verdade”, declarou ele ao jornal “Metro”, “Uma pessoa com deficiência visual é tão sexual quanto qualquer outra”, finalizou.

Fonte: redetv, 2015

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28.Jan.2020
publicado por MJA


 

ϟ Conheça os 10 principais Direitos das Pessoas com Deficiência em Portugal

Natacha Figueiredo | 28 Janeiro 2020

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Neste artigo conheça os principais direitos das pessoas com deficiência nas áreas da informação, atendimento, formação, emprego, transportes e acompanhamento e apoio especializado.

São muitos os obstáculos que as pessoas com deficiência encontram em Portugal no dia a dia. Embora nos últimos anos tenham existido algumas mudanças para melhorar a vida destas pessoas com incapacidade, as dúvidas ainda são muitas quanto aos seus direitos e apoios estatais.

Após o lançamento do Guia Prático: Os Direitos das Pessoas com Deficiência em Portugal por parte do Governo, explicamos-lhe os 10 principais direitos que as pessoas com incapacidade têm na sua vida quotidiana.

A importância do Atestado Médico de Incapacidade Multiuso para pessoas com deficiência

Antes de enumerar os direitos das pessoas com deficiência é fundamental saber a importância deste atestado médico. O AMIM - Atestado Médico de Incapacidade Multiuso é o documento oficial que comprova que a pessoa tem uma incapacidade após avaliação na junta médica.

É este atestado que irá indicar o valor da incapacidade global da pessoa, através de uma percentagem atribuída. Para além disso, este documento serve como comprovativo da incapacidade de uma pessoa, sendo pedido em diversas situações para fazer valer os direitos e benefícios que vamos abordar a seguir.

Como é que as pessoas com deficiência podem requerer este atestado?

O requerimento do AMIM é feito através do Centro de Saúde da sua área de residência. No entanto para pedir este atestado tem que se fazer acompanhar do requerimento de avaliação de incapacidade, relatórios médicos e todos os meios auxiliares de diagnóstico complementares que tenha até à data.

Após a entrega do requerimento, a pessoa será notificada no prazo de 60 dias da data da junta médica. Nos casos em que a deficiência ou incapacidade condicione gravemente a deslocação, existe a possibilidade da junta médica deslocar-se à residência. Após ser feito o exame de avaliação da incapacidade será comunicada a aprovação ou não do AMIM.

Conheça os 10 principais direitos das pessoas com deficiência no dia a dia

1 - Acesso a informação especializada sobre os seus direitos, benefícios e deveres

Os cidadãos com deficiência, como as suas respetivas famílias, têm direito a ter acesso a informação especializada sobre os seus direitos e benefícios em vigor. Para tal devem dirigir-se a um Balcão da Inclusão, que por norma está presente no Instituto Nacional para a Reabilitação ou nos centros distritais da Segurança Social.

É através deste balcão que pode ter acesso a informações sobre os direitos, benefícios e recursos em vigor para as pessoas com deficiência ou incapacidade. Para além disso este serviço também procede ao encaminhamento e mediação/sensibilização junto de diversos serviços e organismos, para resolver situações que sejam apresentadas por estes cidadãos.

Ler mais: Prescrição de dívidas à Segurança Social: tudo o que precisa saber

2 - Direito a atendimento prioritário

As pessoas com um grau de incapacidade igual ou superior a 60%, desde que essa tenha sido comprovado pelo AMIM, têm direito ao atendimento prioritário nos serviços de atendimento presencial, público ou privado.

Caso pretenda ter acesso ao atendimento prioritário deverá solicitar o mesmo nas áreas indicadas para tal ou perante um funcionário. Se existirem várias pessoas a requererem o atendimento prioritário, esse será feito por ordem de chegada.

O atendimento prioritário não se aplica nas seguintes situações:

Serviços com marcação prévia;
Em entidades prestadoras de cuidados de saúde, quando esteja em causa o direito à proteção da saúde e acesso à prestação de cuidados;
Em conservatórias ou outras entidades de registo, quando a alteração da ordem de atendimento possa colocar em causa a atribuição de direitos ou vantagens decorrentes da prioridade do registo.
Exceto esses casos, se o direito ao atendimento prioritário lhe for negado deve solicitar a presença da autoridade policial. Além disso, deve fazer uma queixa por escrito ao Instituto Nacional para a Reabilitação ou à entidade reguladora mais adequada.

3 - Direito a apresentar reclamações e queixas por discriminação

Tal como todos os cidadãos, uma pessoa com deficiência tem o direito a fazer uma queixa no Livro de Reclamações, mesmo que não consiga escrever a reclamação.

Segundo Decreto-Lei n.º 74/2017, de 21 de junho, o cidadão que por razões de deficiência ou incapacidade não conseguir escrever a sua reclamação, tem o dever de ser auxiliado por um responsável do estabelecimento. Esse preenchimento deve ser feito com base nas declarações orais do cidadão queixoso. O incumprimento é punível por lei com uma coima.

No caso das denúncias dos espaços onde não é garantida a acessibilidade, se forem relativas aos espaços circundantes da administração pública, devem ser feitas ao INR. Se forem respetivas a entidades da administração local devem ser feitas à Inspeção Geral de Finanças. Em relação às entidades privadas compete às câmaras municipais a fiscalização das normas impostas.

4 - Direito ao Regime do Maior Acompanhado

Este regime, previsto na Lei n.º 49/2018, de 14 de agosto, permite que uma pessoa com deficiência, que por essa razão esteja impedida de tratar de assuntos mais complicados, consiga fazer valer os seus direitos e a sua vontade através de outra pessoa designada.

O Regime do Maior Acompanhado assegura que os direitos, vontades e preferências da pessoa deficiente passam a estar isentos de conflitos de interesse e influências indevidas. O tipo de acompanhamento será sempre proporcional às circunstâncias de cada pessoa, e está sujeito a controlo periódico por uma autoridade competente e independente.

É importante salientar que o acompanhante pode ser escolhido pela pessoa com deficiência ou incapacidade. Caso a pessoa não queira escolher, cabe então ao tribunal designar o acompanhante, que por norma será um familiar da pessoa em questão. O grau de intervenção do acompanhante será também determinado pelo tribunal.

No caso de existirem problemas com o acompanhante, a pessoa poderá pedir ao tribunal a alteração do mesmo.

Nota: Em caso de dúvida deve sempre pedir esclarecimentos no Balcão da Inclusão, presencialmente ou por via telefónica.

5 - Direito ao sistema de atribuição de produtos de apoio

O sistema de atribuição de produtos de apoio tem como objetivo compensar e atenuar as limitações de atividades das pessoas com deficiência ou incapacidade temporária através da:

Atribuição gratuita e universal de produtos de apoio: Produtos, instrumentos, equipamentos ou sistemas técnicos que são usados por pessoas com deficiência, para prevenir, compensar, atenuar ou neutralizar a limitação funcional ou a participação.
Gestão da atribuição e simplificação de procedimentos exigidos pelas entidades;
Financiamento simplificado dos produtos de apoio: Para conhecer a lista de produtos de apoio que podem ser financiados deve consultar o Despacho nº7196/2016.

Nota: Todos os produtos de apoio para efeitos de saúde têm que ser prescritos pelas unidades hospitalares, indicadas pela ARS, após avaliação médica. Após aprovação os mesmos serão financiados pela Administração Central dos Serviços de Saúde. Em caso de dúvidas deve sempre contatar o Instituto Nacional para a Reabilitação.

6. - Direito a acompanhamento e apoio na área do ensino e formação

Esta provavelmente é uma das áreas que requer maior informação, pois envolve crianças desde a fase em que é detetada uma deficiência ou incapacidade até à fase adulta.

No caso das crianças com deficiência, aconselhamos os pais a consultarem o Manual de apoio à prática: Para uma educação inclusiva. A educação inclusiva é um direito de todas as crianças com deficiência. Esta visa responder à criação de condições para que todas as crianças tenham oportunidade de aprender com qualidade, bem como de participar de forma ativa na comunidade escolar.

A educação inclusiva implica a adoção de práticas pedagógicas diferenciadas, que respondam às características individuais de cada criança ou jovem, apoiando a sua aprendizagem e progresso. Para essa concretização deve ser efetuado um planeamento adatado em função do grupo e das características individuais.

As crianças e jovens que necessitam de uma educação inclusiva são acompanhadas pelo Centro de Apoio à Aprendizagem (CAA). Este constitui uma estrutura de apoio agregadora dos recursos humanos e materiais, dos saberes e competências da escola, na área de serviços de apoio à inclusão.

Transição para a vida pós-escolar

No guia apresentado pelo governo dos direitos das pessoas deficientes está previsto o acompanhamento da transição dos jovens estudantes com deficiência para a vida pós-escolar.

Durante este processo os jovens estudantes são incentivados e apoiados a desenvolver um planeamento do seu projeto de vida. Neste serão abordadas as opções diversas que o jovem terá após concluir a sua escolaridade. Este processo de transição requer sempre a colaboração das escolas, alunos, famílias, comunidade e do próprio mercado de trabalho.

Nota: A transição para a vida pós-escolar deve ser um processo de transição que deve ser iniciado três anos antes da idade limite da escolaridade obrigatória.

Ler mais: Regresso às aulas: guia completo de poupança para pais e filhos

Acesso e apoio ao ensino superior para jovens com deficiência

No caso dos jovens com deficiência que pretendem ter acesso ao ensino superior, existem condições especiais de acesso, que são atualizadas anualmente, através de Portaria do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Durante a fase de candidaturas, estes jovens têm acesso a um número de vagas atribuídas a estudantes com deficiência, sendo estas de 2% na primeira fase de candidatura ao ensino superior, e outros 2% na sua fase. O processo de candidatura, e os requisitos obrigatórios devem ser consultados no Contingente Especial para candidatos com deficiência, da DGES.

Os jovens com deficiência têm direito a uma bolsa de estudos?

Sim. Os jovens inscritos no ensino superior que tenham um grau de incapacidade igual ou superior a 60% de incapacidade têm direito a uma bolsa de frequência. O valor dessa bolsa corresponde ao valor da propina efetivamente paga.

As bolsas de estudo para os candidatos com deficiência é feita através do formulário online disponível em bolsas de estudos para frequência de estudantes com incapacidade. Esta bolsa pode ser acumulada com a bolsa de ação social, no caso de estudantes economicamente carenciados.

Um estudante deficiente pode fazer Erasmus?

Sim. A participação num Programa de Erasmus é um direito comum a todos os estudantes que reúnam os requisitos obrigatórios. No caso dos estudantes com deficiência devem procurar informação sobre o Programa Erasmus+.

Este programa oferece apoios financeiros complementares para os estudantes com deficiência que pretendam fazer Erasmus, sendo estes uma prioridade no programa Erasmus+. Os custos elegíveis incorridos com estes estudantes são cobertos pela subvenção europeia a 100%.

7 - Direito a medidas específicas que melhoram o acesso ao mercado de trabalho

Tal como qualquer cidadão português, as pessoas com deficiência ou incapacidade devem inscrever-se no serviço de emprego nacional, através do IEFP,IP. Este processo pode ser feito online ou presencialmente, podendo também marcar uma reunião ou entrevista.

A partir daí os profissionais especializados vão avaliar o perfil de empregabilidade da pessoa com deficiência, que pode incluir-se numa das seguintes hipóteses:

Perfil ajustado ao mercado;
Com dificuldades de empregabilidade;
Desempregada que exija apoio intensivo.
Consoante a avaliação do perfil, a pessoa passará a ter um plano pessoal de emprego. Desta forma poderá ser encaminhada para medidas ou atividades mais ajustadas para a sua situação. O apoio personalizado pode aplicar-se à área de informação, avaliação e orientação para a qualificação e emprego ou apoio à colocação. Para além disso também existe acompanhamento após a colocação da pessoa no local de trabalho.

As medidas para o acesso ao mercado de trabalho de pessoas com deficiência mais comuns são:

Contrato-Emprego;
Apoio ao empreendedorismo e à criação do próprio emprego;
Medidas de aproximação ao mercado de trabalho;
Modalidades alternativas de emprego;
Apoio técnico visando integração, manutenção e reintegração no emprego;
Metodologias específicas;
Quotas de emprego na administração pública e no setor privado.
O objetivo destas medidas é conseguir criar o máximo de condições favoráveis para a pessoa que procura emprego, como para as empresas que contratam. Durante o período de espera os candidatos com deficiência pode frequentar também formações profissionais disponíveis no centro de emprego.

8 - Direitos no local de trabalho para as pessoas com deficiência em Portugal

São muitas as dúvidas quanto aos direitos no local de trabalho em relação às pessoas com deficiência. Os direitos e deveres dos trabalhadores com incapacidade ou deficiência são quase iguais aos dos restantes trabalhadores. No entanto está previsto que:

A pessoa com deficiência pode pedir alteração de horário;
Pode pedir redução de horário;
Na função pública pode pedir horário em jornada contínua;
Pode faltar ao trabalho para realizar tratamentos sem ser prejudicada, desde que estes tratamentos não possam ser feitos fora do horário laboral;
Pode faltar ao trabalho por motivos de doença decorrente da deficiência sem ser prejudicada, não podendo assim perder a totalidade da remuneração nos três primeiros dias de incapacidade;
Solicitar a adaptação do seu posto de trabalho, desde que os encargos para a entidade patronal não seja desproporcionados. Esta adaptação pode ser feita com o apoio do IEFP,IP.
Nos três primeiros tópicos essas alterações têm que ser acordadas com a entidade empregadora. No entanto a pessoa está escusada do período de trabalho suplementar e trabalho noturno.

9 - Direitos das pessoas com deficiência em relação aos transportes

As pessoas com deficiência têm alguns direitos específicos na área dos transportes públicos, sendo a prioridade (de entrada e de lugares) o mais conhecido. No entanto este não é o único direito que têm.

Os serviços de transporte ferroviário que têm atendimento ao público estão obrigados a:

  • Estabelecer as regras de acesso não discriminatórias aplicáveis ao transporte de pessoas com mobilidade condicionada;

  • Prestar assistência às pessoas com mobilidade condicionada durante o transporte, embarque e desembarque;

  • Devem prestar assistência às pessoas com mobilidade condicionada no interior das estações até à plataforma de acesso;

  • Admitir como bagagem pessoal as cadeiras portáteis ou de rodas, ou ainda outros equipamentos relativos à mobilidade condicionada;

O operador está obrigado a adotar de imediato as medida necessárias para responder às necessidades de mobilidade dos passageiros em caso de perda ou inutilização dos equipamentos durante o transporte, sem prejuízo do direito a indemnização.
Garantir que os cães de assistência são transportados nas carruagens gratuitamente, sem ter que usar açaime;
Devem garantir em caso de supressão temporária de um serviço que o passageiro, bagagem e animal de assistência sigam viagem por outro comboio, sem qualquer acréscimo de valor e com o menor atraso possível;
Garantir assistência no caso de atrasos nas partidas e chegadas;
Disponibilizar meios para a apresentação de queixas pelos passageiros com deficiência.


Nos transportes rodoviários, os operadores estão obrigados a:

Publicar os direitos e obrigações de todos os passageiros;
Assinalar os lugares reservados por ordem prioritária;
Garantir que esses lugares, sempre que seja necessário, não estejam ocupados para os passageiros prioritários irem sentados;
Prestar aos passageiros todo o auxílio que carecem;
Permitir que os passageiros transportem os cães de assistência acompanhantes de pessoas com mobilidade condicionada de forma gratuita, sem terem que estar açaimados.

Nota: Se pretender consultar todos os direitos das pessoas com deficiência em outros meios de transporte, deverá consultar o guia referido anteriormente.

10 - Modelo de Apoio à Vida Independente para pessoas com deficiência

O Modelo de Apoio à Vida Independente é um projeto piloto que tem como obetivo melhorar a inclusão das pessoas com deficiência, tentando inverter a tendência de institucionalização ou dependência familiar dessas pessoas.

O MAVI foca-se na disponibilização de assistência pessoal através de Centros de Apoio à Vida Independente, cofinanciados pelos Fundos Europeus Estruturais e de Investimento - Portugal 2020.

A assistência pessoal fornecida engloba um serviço especializado para a realização de atividades que a pessoa com deficiência não possa realizar sozinha. Destas atividades fazem alguns exemplos como a higiene, alimentação, manutenção da saúde, cuidados pessoais, deslocações e apoio em contexto laboral.

Fazem parte do grupo de destinatários as pessoas com deficiência ou incapacidade, com idade igual ou superior a 16 anos, que possuam um grau de incapacidade certificado igual ou superior a 60%. No caso das pessoas que sofram de deficiência intelectual, mental, ou com espetro de autismo, independentemente do seu grau de incapacidade, também estão abrangidas por este modelo.

Nota: Para consultar toda a legislação deste modelo piloto, deve aceder ao Decreto-Lei n.º 129/2017, de 9 de outubro.


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28.Jan.2020
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ϟ II Congresso de Atividade Física Adaptada da Cidade do Porto | 7 e 8 Fev 2020

INR

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O II Congresso de Atividade Física Adaptada da Cidade do Porto decorrerá nos dias 7 e 8 de fevereiro de 2020, na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP).

A organização deste evento congrega vários parceiros que são intervenientes ativos e diretos na área da Atividade Física Adaptada da cidade do Porto. As sinergias entretanto estabelecidas entre todos resultaram na criação do Movimento PortoInSport. A plena inclusão do cidadão com deficiência na sociedade, utilizando como ferramenta inclusiva a prática desportiva, é o princípio que agrega todos os elementos que constituem a comissão organizadora e científica do presente congresso.

Na segunda edição deste evento, pretende-se dar continuidade ao propósito de promover oportunidades de formação especializada para estudantes e profissionais da área da Atividade Física Adaptada; estabelecer sinergias com diversas instituições da área da deficiência, tais como clubes, federações e comités paralímpicos de âmbito nacional e internacional e criar um espaço de partilha e divulgação das linhas de investigação mais atuais, no âmbito da Atividade Física Adaptada. O programa deste congresso contempla uma seleção de conferencistas e formadores de referência na área da Reabilitação e da Classificação Desportiva, conferindo assim, um caráter internacional a este segundo evento. Reforça-se, também, a aposta em novas oportunidades de formação específica em modalidades emergentes na área do Desporto Adaptado, nomeadamente o Showdown e o Polybat.

Por fim, a continuidade deste movimento através da II edição do Congresso de Atividade Física Adaptada da Cidade do Porto representa um exemplo de boas práticas no que se refere ao contributo do PortoInSport na defesa e promoção dos valores e direitos da pessoa com deficiência na sociedade.


Consulte toda a informação em: https://portoinsport.fade.up.pt/en/
 

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23.Jan.2020
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ϟ Palácio Nacional de Sintra noutros sentidos
 

Maquete do Palácio Nacional de Sintra


No próximo dia 18 de Janeiro, às 14h30, é possível conhecer “O Palácio Nacional de Sintra noutros sentidos”.

Especialmente concebida para visitantes cegos ou com baixa visão, a experiência, conduzida por um guia especializado, convida a percecionar o espaço por via da exploração sensorial, descobrindo ou redescobrindo o edifício, a sua história, as suas vivências e as suas colecções, nomeadamente, através do toque nas réplicas de algumas das peças mais significativas.

info@parquesdesintra.pt  |  +351 21 923 73 00

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15.Jan.2020
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ϟ Pessoas com deficiência chegam a esperar dois anos por apoios

Observador | 14 jan 2020


Maioria dos processos de 2019 para adaptação de viaturas continua pendente. Ministério do Trabalho e Segurança Social garante que o orçamento para estes casos foi reforçado.

A lei dita que a resposta chegue em 60 dias, mas a maioria dos processos de 2019 continua pendente. Em causa estão os apoios à mobilidade para pessoas com deficiência, como cadeiras de rodas elétricas ou adaptação de viaturas, atribuídos pelo SAPA — Sistema de Atribuição de Produtos de Apoio. A notícia faz manchete no Jornal de Notícias que escreve que o Ministério do Trabalho e da Segurança Social garante que o orçamento para estes casos foi reforçado.

Segundo a tutela, estavam pendentes, na subclasse “adaptações para carros” 271 produtos para 184 beneficiários, todos casos do ano anterior. Em 2019, foram apoiados 106 produtos pedidos por 71 pessoas com deficiência. O ministério, ao JN, admite ainda que há casos residuais de 2017 e 2018 por resolver, mas acrescenta que o orçamento foi aumentado para 20,1 milhões de euros, o que representa uma subida de 46,5% em relação ao ano de 2016.

Jorge Falcato, o primeiro deputado em cadeira de rodas a ser eleito (pelo Bloco de Esquerda), afirma que há muitos casos de quem espere um ou dois anos pelos apoios, sendo os mais graves os de crianças com sistemas personalizados para correção de postura: “Dado o tempo que esperam por resposta do SAPA, quando o produto é atribuído já não serve e têm de começar tudo de novo.”

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14.Jan.2020
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ϟ Funcionalidade para pessoas com Deficiência Visual vai ser implementada em 700 táxis

SOL | Dez2019

"Há uma questão de confiança que já existe, era importante a questão formal do serviço. Nós também não gostamos que sejam os outros a dar a informação de quanto temos de pagar, aqui é o taxímetro a falar e a dizer o valor", sublinhou Carlos Silva.

A partir desta terça-feira, os Cooptáxis, com uma frota de cerca de 700 carros, vão estar abastecidos de áudio-táxis, de forma a poderem ajudar os clientes cegos e amblíopes, condição vulgarmente por 'olho preguiçoso', e que consiste na diminuição da acuidade visual de um olho ou dos dois olhos devido a problemas no desenvolvimento da visão durante a infância.

Segundo o vice-presidente da Cooptáxis, citado pela agência Lusa, esta nova funcionalidade “vai fazer a opção de taxímetro”. Carlos Silva explicou, segundo o Correio da Manhã, que “quando o cliente entra no veículo, vai ser saudado, é identificado o número do táxi, a tarifa a aplicar”. Os áudio-táxis explica mesmo o valor a pagar e “despede-se, com cortesia”, segundo o presidente.

O serviço vai ser implementado na zona da Grande Lisboa – Almada, Loures, Odivelas, Lisboa e Seixal -, onde se encontra a maioria da frota. Porém, segundo Carlos Silva, vai ser depois implementado mais tarde em Guimarães, Portimão, Faro, Tavira, Olhão, Vila Real de Santo António e Loulé.

"Já transportamos cegos há muitos anos, acabam por fidelizar-se às centrais, o operador já os conhece, há uma relação de confiança", explicou Carlos Silva, explicando à mesma publicação que o condutor será informado, previamente, de que irá transportar um cliente cego.

"Há uma questão de confiança que já existe, era importante a questão formal do serviço. Nós também não gostamos que sejam os outros a dar a informação de quanto temos de pagar, aqui é o taxímetro a falar e a dizer o valor", sublinhou.

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6.Jan.2020
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ϟ ONU - Lançamento do guia para a inclusão de pessoas com deficiência em ações humanitárias

INR  | 02-01-2020


O Comité Permanente Interagências das Nações Unidas (IASC) anunciou o lançamento do guia para a inclusão de pessoas com deficiência em ações humanitárias.

O IASC criou, em 2016, uma equipa encarregue de definir as diretrizes para a inclusão de pessoas com deficiência em ações humanitárias, que seriam compiladas num guia para orientar o trabalho de atores humanitários, governos e comunidades. A equipa integrou mais de 90 atores com atividades na área humanitária e realizou o seu trabalho de janeiro de 2017 a junho de 2019.

É de sublinhar a prioridade atribuída pelo Secretário-Geral das Nações Unidas (SGNU) à inclusão de pessoas com deficiência em distintas áreas de atuação das Nações Unidas, para além da necessidade de serem delineadas estratégias especificamente orientadas para acudir estes indivíduos em situações de crise, uma vez que os impactos são por eles sentidos de uma forma mais profunda.

Destaca-se também, com a publicação deste guia, a finalização destas diretrizes, três anos volvidos da Cimeira Mundial sobre Assuntos Humanitários, na qual se evidenciou que a questão da inclusão das pessoas com deficiência em ações humanitárias teria que se afastar do paradigma “one fits all” para, em vez disso, se atender à condição de cada indivíduo.

Por último, destacar as declarações da Vice-Diretora-Executiva da UNICEF, Charlotte Petri Gornitzka, que, durante a apresentação deste Guia, além de apelar ao estabelecimento de um método mais sistemático e coerente para esta inclusão, fez questão de louvar a recente ação humanitária em Moçambique que revelou que a aposta feita na formação e sensibilização de técnicos na área de prestação de apoio a pessoas com deficiência, contribuiu para os bons resultados que se conseguiram alcançar.

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5.Jan.2020
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ϟ Dia Mundial do Braille: instrumento essencial para milhões de pessoas

Vatican News

A ONU celebra, neste dia 4 de janeiro, o segundo Dia Mundial do Braille, para destacar a importância deste método na plena realização dos direitos fundamentais das pessoas com deficiência visuais ou visão parcial.

Dados da ONU
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, estima-se que há 36 milhões de cegos no mundo e 216 milhões com deficiência visual moderada ou grave. A ONU recorda que as pessoas com deficiência visual correm maior risco de acabar na pobreza: a perda da visão pode causar uma vida de desigualdade, saúde precária e dificuldade de acesso à educação e ao trabalho.

A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, adotada pela ONU em 2006, enfatizou o bem-estar das pessoas com problemas visuais, devido ao braile, elemento essencial para a educação, a liberdade de expressão, acesso à informação e à inclusão social.

Em 2018, a Assembleia Geral da ONU decidiu dedicar um Dia Mundial ao Braile, - dia 4 de janeiro - reconhecendo o uso da linguagem escrita como essencial para a plena realização dos direitos humanos e das liberdades fundamentais. Esta data prevê, anualmente, uma série de iniciativas de conscientização, para que todos os seres humanos tenham uma vida próspera e gratificante.

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4.Jan.2020
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ϟ A História de Louis Braille

 
Young Heroes: Louis Braille
 

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3.Jan.2020
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ϟ 4 de Janeiro | Como celebrar o Dia Mundial do Braille

Cláudia Pereira  | Educa +

Célula braille


Assinala-se a 4 de Janeiro o Dia Mundial do Braille. O sistema braille é constituído pela combinação de 6 pontos, formando 63 caracteres, que permitem representar as letras do alfabeto, pontuação, símbolos científicos e musicais, bem como símbolos informáticos. A leitura é feita de forma tátil com a ponta do dedo e requer aprendizagem. O seu criador, Louis Braille, ficou cegou aos 3 anos e aos 20 conseguiu formar um alfabeto com diferentes combinações de 1 a 6 pontos que é usado como forma oficial de escrita e de leitura das pessoas cegas.


Como celebrar o Dia Mundial do Braille

Este é de facto um dia importante, especialmente para aqueles que não conseguem ver, para os seus familiares e educadores. Se tiver um aluno cego na sala de aula faça alguns jogos para explicar a cegueira ou dinâmicas com todos os alunos, para que estes possam compreender as dificuldades reais que o colega sente.

Procure biografias de pessoas que, apesar da sua deficiência visual, alcançaram e seguiram os seus objectivos de vida.

Acima de tudo, no dia-a-dia promova a inclusão das crianças e jovens com deficiência visual, estas possuem um grande potencial, somente a sua visão está limitada.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística existem aproximadamente 160 mil pessoas com deficiência visual em Portugal.
 

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3.Jan.2020
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ϟ Seminário "A Didática do Braille”

ACAPO


A 8 de janeiro, irá realizar-se, na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, o seminário, "A Didática do Braille”. O evento tem como objetivo assinalar o Dia Mundial do Braille 2020 através da partilha de experiências e práticas, promovendo assim a reflexão sobre os diversos métodos para o ensino e aprendizagem do Braille e propor ainda metodologias pedagógicas inovadoras. O seminário é reconhecido e certificado como Ação de Curta Duração, nos termos do Despacho n.º 5741/2015, alterado pela Declaração de Retificação n.º 470/2015, de 11 de junho.

Veja o programa aqui.

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3.Jan.2020
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ϟ  Qualificação do sistema nacional de Intervenção Precoce na infância

INR | 19.12.2019

O Instituto Nacional para a Reabilitação informa que o período para submissão de candidaturas à Tipologia de Operações 3.24 – “Qualificação do sistema nacional de intervenção precoce na infância”, abertas através do AVISO Nº POISE-38-2019-24, foi prorrogado até às 18h00 do próximo dia 27 de fevereiro de 2020.

Promovido por este Instituto e cofinanciado pelo PO ISE, são elegíveis os destinatários das ações previstas no ponto 4 do presente Aviso, nomeadamente, todos os profissionais da rede de Intervenção Precoce na Infância (IPI), a exercer funções nas Equipas Locais de Intervenção (ELI), experientes ou em início de atividade, de várias especialidades e com responsabilidades sectoriais no âmbito do processo de IPI, designadamente, médicos, enfermeiros, docentes, psicólogos, terapeutas e assistentes sociais, profissionais dos Núcleos de Supervisão Técnica (NST), profissionais das Subcomissões Regionais (SCR), e profissionais do Sistema nacional de intervenção precoce na infância - Grupo de Apoio Técnico (SNIPI-GAT).
 

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2.Jan.2020
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ϟ  Quando a voz de um se torna os olhos de outro | Audiolivros para utentes com deficiência visual

Link para consulta dos audiolivros disponíveis

 

Desde 2011 que o Serviço de Leitura para Deficientes Visuais da Biblioteca Municipal de Coimbra, através de um projeto financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, passou a deter os meios para a produção de livros áudio, ao abrigo do artigo 80.º do Código dos Direitos de Autor.

Estes livros, cuja leitura é feita por voluntários, são disponibilizados gratuitamente a pessoas portadoras de deficiência visual - para serem ouvidos nos seus leitores de MP3, computadores ou telemóveis - sendo a sua transferência realizada via plataformas electrónicas (WE TRANFER e MEO CLOUD) ou através do envio postal das gravações em CD ou DVD.

Os utilizadores - nacionais ou estrangeiros - devem efectuar a sua inscrição, fornecendo, para o efeito, cópia digital do Atestado Multiusos de Incapacidade e os seus dados de identificação.
 

Audiolivros disponíveis na BMC


CONTACTOS:
Serviço de Leitura Especial
Biblioteca Municipal de Coimbra
telefone: 239.702.630 - ext. 2322 ou 2320
email: leitura.especial@cm-coimbra.pt
Web: http://www.cm-coimbra.pt/biblioteca/b309.htm

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1.Jan.2020
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