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 SOBRE A DEFICIÊNCIA VISUAL

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EDEMA MACULAR

Edema macular


índice de artigos: 

  1. Edema Macular  Dr. Manuel Monteiro Pereira novo
  2. Tratamento do Edema Macular Não Diabético  Dr. António Ramalho novo


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Edema Macular

Manuel Monteiro Pereira
 

Edema - mácula

O edema da mácula, vulgarmente, conhecido como edema macular pode ter uma grande repercussão na visão. A mácula é uma estrutura anatómica, situada na região central da retina, temporalmente e ligeiramente inferior em relação ao disco ótico. O termo mácula significa mancha devido ao seu aspeto mais escuro no exame fundoscópico. A região central da mácula é deprimida e denominada de fóvea.

A mácula possui um importante papel na visão central. Uma vez afetada, os doentes podem ter perdas de visão muito graves.


O que é edema macular?

Estamos perante um edema macular quando há presença de líquido (soro) no interior da retina. Este edema ocular pode ter vários aspetos, nomeadamente difuso ou sob a forma de cistos (favo de mel), consoante a sua origem.

Quando existe perda da acuidade visual afirmamos que estamos perante um edema macular cistóide significativo.


Edema macular – causas

O edema macular pode ter várias causas. São várias as doenças que podem provocar edema macular, como por exemplo:

  • Pós cirurgia de catarata (edema macular cistóide) também chamado de edema de mácula de Gass;
  • Retinopatia diabética;
  • Pós cirurgia de glaucoma ou vitreorretinianas;
  • Degenerescência macular da idade (DMI);
  • Buracos maculares;
  • Membranas epirretinianas;
  • Coriorretinopatia serosa central;
  • Telangiectasias retinianas justa foveal idiopática;
  • Maculopatias hereditárias distróficas;
  • Vasculopatia coroidea polipoidal idiopática;
  • Oclusões vasculares da retina;
  • Retinopatia hipertensiva;
  • Pós traumatismos oculares;
  • Uveítes; Etc.

Perante um quadro de edema macular, é fundamental o diagnóstico preciso da etiologia (causa), de forma a programar a melhor forma de tratamento.


Edema macular - sintomas

Na presença de edema macular, os sintomas percecionados pelos doentes podem variar conforme a patologia subjacente. Contudo, na maioria das vezes, estão presentes os seguintes sintomas:

  • Alterações na visão central;
  • Visualização de escotomas (manchas pretas no campo de visão);
  • Alteração do campo visual;
  • Alteração na forma dos objetos (metamorfopsias);
  • Alteração na visão das cores.

Os doentes com síndrome de Irvine-Gass (edema macular cistóide) apresentam, geralmente, boa acuidade visual inicial, seguida de perda gradual.

O edema macular clinicamente significativo, de início pode ser completamente assintomático (sem sintomas).

Os doentes com degenerescência macular relacionada com a idade, podem apresentar queixas de distorção visual (especialmente nas linhas retas). Veja mais informação nos sintomas de cada uma das doenças relacionadas com o edema da mácula.


Edema de mácula- diagnóstico

De modo a efetuar o diagnóstico de edema de mácula, o oftalmologista pode realizar os seguintes exames:

  • Tomografia de coerência ótica (OCT), por vezes conhecido como oct macular;
  • Teste da acuidade visual;
  • Exame de fundo ocular;
  • Campimetria;
  • Grelha de Amsler;
  • Angiografia Fluoresceínica.


Edema macular diabético

O edema macular diabético é uma complicação causada pela diabetes. Entre as possíveis complicações oftalmológicas da diabetes, aquela que gera maior preocupação e risco de cegueira é mesmo o edema macular diabético. O edema macular diabético apresenta-se como consequência da retinopatia diabética, uma doença que atinge os vasos sanguíneos da retina e é resultante dos valores de glicemia elevados (excesso de açúcar no sangue).

Para saber o que é retinopatia diabética, as causas, sintomas, estadíos, tratamento e como prevenir a doença, ver aqui: Retinopatia Diabética.


O edema macular diabético é uma doença grave que se não for diagnosticada e tratada de forma atempada e adequada, pode levar a perdas de visão significativas e no limite conduzir à cegueira. A hiperglicemia, promove o aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos, que leva ao acúmulo de líquido e depósitos de proteínas na retina e/ou mácula levando ao edema macular. O fator de crescimento vascular (VEGF) é uma proteína que provoca a permeabilidade vascular que vai enfraquecendo as junções entre as células das paredes dos vasos sanguíneos. À medida que as junções enfraquecem, os líquidos dentro dos vasos sanguíneos vazam para o tecido retiniano incluindo a mácula, formando o edema macular diabético.

O edema macular diabético pode e deve ser prevenido dadas as causas que lhe estão associadas. Veja mais informação em causas, diagnóstico e prevenção do edema macular diabético.


Edema macular cistóide

Edema macular cistóide é um termo usado para descrever a formação de espaços cheios de líquido no interior das camadas da retina na mácula. Normalmente, os neurónios da mácula estão alinhados. Quando a mácula é distorcida pelo edema, ocorrem alterações visuais, tais como metamorfopsias ou diminuição da visão central. Episódios frequentes ou prolongados de edema macular cistóide podem danificar, irreversivelmente, as células da retina.


Edema macular cistóide - causas

O edema macular cistoide, pode ter várias causas associadas. Conheça de seguida as principais causas.

Edema macular cistóide após cirurgia catarata

A maioria dos casos de edema macular cistóide é após cirurgia de catarata ou cirurgia intra-ocular, mesmo sem ter havido complicação cirúrgica. O edema macular cistóide significativo é na atualidade raro, afetando cerca de 1% dos doentes operados. O trauma cirúrgico leva à produção de substâncias inflamatórias (prostaglandinas e citocinas) que levam, por sua vez, à alteração das ligações das células endoteliais dos capilares e exsudação de líquido subsequentemente. Em 90% dos casos, os doentes voltam a recuperar acuidades visuais de 20/40 ou superior.

Oclusão da veia central da retina

Qualquer veia da retina ocluída vai sofrer aumento da pressão no seu interior, levando ao extravasamento de fluido para os espaços intercelulares da mácula, provocando edema macular.

Tração na retina

As membranas formadas na superfície retiniana, aquando da sua contração, podem separar as camadas da retina e consequentemente causar inflamação na mácula, levando à formação de edema macular cistóide.

Uso de medicamentos

O uso de alguns medicamentos têm sido associados ao edema da mácula, como é o caso da niacina (anti colesterolemia). Outro medicamento de uso oftalmológico (Latanoprost) utilizado no tratamento do glaucoma, tem sido associado também ao edema macular cistóide.

Outras causas

Certos tumores do olho como é o caso do melanoma ou do hemangioma, têm sido associados ao edema da mácula. A radiação prévia ao olho ou orbitária podem também provocar retinopatia e edema macular cistóide. Outras causas como citomegalovírus, retinite pigmentar, doença de Coats, entre outras, podem também estar na origem do edema macular cistoide.


Edema macular - tratamento

De modo a ser efetuado um tratamento eficaz do edema macular, é necessário que seja realizado o diagnóstico o mais precocemente possível.

O tratamento do edema macular depende da sua etiologia (causas) e extensão. Muitas causas de edema macular respondem ao tratamento da doença de base, por exemplo, o edema macular cistóide associado ao citomegalovírus (CMV), é tratado com agentes antivirais.

A Síndrome de Irvine-Gass é tipicamente tratada, utilizando uma combinação de esteróides tópicos (por exemplo, prednisolona 1%) e drogas anti-inflamatórias não-esteróides (AINEs) tópicas (por exemplo, cetorolac) ao longo de vários meses. O edema persistente, pode justificar acetazolamida ou uma injeção de triancinolona. Ocasionalmente, estes doentes, precisam de efetuar uma cirurgia para remover o vítreo (vitrectomia).

Alguns doentes com doença vascular da retina, podem beneficiar de fotocoagulação com laser e todos os doentes com doença inflamatória necessitam de anti-inflamatórios para controlar a doença subjacente.

Mais recentemente, os benefícios do tratamento com os anti-fator de crescimento vascular endotelial (anti-VEGF), têm sido usados no edema macular cistóide secundário à oclusão da veia central da retina. Os primeiros resultados são promissores, mas os efeitos a longo prazo / benefícios não são ainda conhecidos e o resultado de vários ensaios é aguardado.

Quase todos os doentes com edema macular clinicamente significativo precisam de fotocoagulação com laser. Este tratamento limita os danos, na medida em que reduz o risco de perda visual (em 50%), em vez de recuperar a visão, o que acontece apenas num pequeno número de doentes. Modalidades de tratamento mais recentes, incluem acetonido de triancinolona intravítrea, agentes anti-VEGF intravítreas, além de outros produtos em estudo. É importante uma gestão sistémica rigorosa da diabetes, hipertensão arterial e hiperlipidemia nestes doentes. Eventualmente, alguns doentes podem beneficiar com a remoção cirúrgica do vítreo (vitrectomia).

No caso da degeneração macular relacionada com a idade, alguns doentes respondem à terapia fotodinâmica se preencherem determinados critérios clínicos (o primeiro é a necessidade de ter uma visão de 6/60 ou superior). Infelizmente, apenas uma minoria dos pacientes cumpre esses critérios.

O tratamento com anti-VEGF, tem vindo a tornar-se a medicação de primeira escolha. Os resultados do tratamento do edema macular com anti –VEGF são universalmente conhecidos pela positiva.


Edema macular cistóide – tratamento

No edema macular cistóide, o tratamento é em tudo semelhante ao do edema macular, uma vez que as etiologias são as mesmas.


Edema macular diabético - tratamento

No edema macular diabético, o tratamento passa antes de tudo, por um bom controle metabólico. O edema macular diabético ocorre como resultado do aumento da permeabilidade vascular, devido às alterações histológicas, resultando em comprometimento da barreira hemato-retiniana interna e a fuga de componentes do plasma para a área circundante.

Neste tipo de edema da mácula, o tratamento com laser árgon, quando bem utilizado, tem evidenciado resultados muito positivos.

Os tratamentos mais recentes do edema macular diabético passam pelo uso dos anti-angiogénicos e corticóides de administração dentro da cavidade vítrea com resultados reconhecidos em todo o mundo.


Edema macular – como prevenir?

Neste texto focamos a atenção nas causas, nos sintomas e em como tratar o edema macular.

Na presença da doença ou se tem fatores de risco deve ter uma atitude preventiva, de modo a retardar ou evitar a doença. Um controlo eficaz da glicemia, da tensão arterial e do colesterol pode retardar ou parar o processo em doentes diabéticos, por exemplo.

Para saber tudo sobre formas de prevenção, veja mais informação em cada uma das doenças relacionadas com o edema macular, como a degeneração macular, retinopatia diabética, etc.

A consulta regular no oftalmologista é também de primordial importância para uma vigilância apertada da doença.

 

O Prof. Doutor Manuel Monteiro é médico oftalmologista no Porto, Professor de Oftalmologia e Doutorado em Oftalmologia Cirúrgica.

fonte: http://www.saudebemestar.pt/

 

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[16.Nov.2017]
publicado por MJA
 


 

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Tratamento do Edema Macular Não Diabético

Dr. António Ramalho

 

INTRODUÇÃO

O edema macular é uma das principais causas de baixa da acuidade visual no Ocidente. O edema macular resulta dum desequilíbrio em que a taxa de filtração através dos capilares ultrapassa a capacidade de reabsorção do líquido intersticial. Ou seja, a acumulação de líquido extracelular não é compensada pela capacidade normal de reabsorção do epitélio pigmentar retina, autoregulação do débito sanguíneo e compliance tissular.


ETIOLOGIA DO EDEMA MACULAR

   PÓS-CIRURGIA
Pós Cirurgia Catarata
Pós Yag-laser (capsulotomia posterior)
Pós Cirurgia Glaucoma
Pós Cirurgia Desc. Retina
Pós Panfotocoagulação na R.Diabética

   VASCULAR
Retinopatia Diabética
Oclusão venosa e arterial retiniana
Telangiectasias retinianas
Retinopatia Hipertensiva
Retinopatia Radiação

   INFLAMAÇÃO
Vasculites
Retinopatia Birdshot
Pars Planite
Toxoplasmose
Sarcoidose
Outras retinites

   DISTROFIAS RETINIANAS
Retinopatia pigmentar
Atrofia girata
Fundus Flavimaculatus
Edema Macular autossómico dominante
Retinosquisis Juvenil ligada ao X
Edema macular quistico infantil

   SUBRETINIANA
NVSR coroideia
Epiteliopatia retiniana difusa
Melanoma coroide

   MECÂNICA
Membranas pré-retinianas
Sind. Tracção Vitreoretiniana

   TÓXICA
Epinefrina. Latanoprost. Ác.nicotinico


TRATAMENTO

1) ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTERÓIDES
• inibem a cilo-oxygenase

2) CORTICÓSTEROIDES
• Inibem a fosfolipaseA2, reduzindo deste modo a libertação de ácido
INJECÇÃO INTRAVÍTREA DE ACETÓNIDO DE TRIAMCINOLONA C24H31F06

3) DIURÉTICOS
• Acetazolamida
• Inibidores anidrase carbónica

4 ) ANTI-VEGF
PEGAPTANIB ( MACUGEN)
RANIBIZUMAB (LUCENTIS)
BEVACIZUMAB (AVASTIN)

5) OUTRAS MOLÉCULAS
ANTICORPOS MONOCLONAIS ANTI-TNF
CICLOSPORINA A

6) OXIGÉNIO HIPERBÁRICO

7) NOVAS FÓRMULAS
RETISERT (FLUOCINOLONA)

 

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excerto do texto
TRATAMENTO DO EDEMA MACULAR NÃO DIABÉTICO de António Ramalho.

 

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[16.Nov.2017]
publicado por MJA