- Preparação da turma para receber colegas com deficiência -

imagem da curta metragem
brasileira 'Eu Não Quero Voltar Sozinho' dirigida por Daniel Ribeiro
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I. Aceitação sem imposição
Apesar de a inclusão de crianças com necessidades educacionais especiais na
rede regular de ensino ser um direito garantido pela Constituição Federal, isso
não é suficiente para garantir a construção e o desenvolvimento de um sistema
educacional inclusivo. Para tanto, é necessário que a comunidade escolar se
disponha a aceitar e a participar desse processo, que é mais complexo do que
somente inserir a criança com deficiência, fisicamente, numa sala de aula comum.
Antes de se iniciar um trabalho com alunos com deficiência em classes comuns
do sistema regular de ensino, é necessário que se desenvolva um trabalho de
sensibilização e acolhimento para a convivência na diversidade com os demais
alunos, enfatizando a importância das diferenças entre indivíduos, de maneira
geral.Promova actividades de simulação, durante as quais, os alunos
poderão vivenciar uma deficiência. As
simulações favorecem a ampliação
perceptual do que é conviver com características e consequências de
deficiências. Essas experiências permitem que eles percebam as dificuldades das
pessoas com deficiência e como elas eventualmente podem se sentir.
As actividades apresentadas foram realizadas e aprovadas por
professores de classes comuns, em conjunto com professores de classes especiais.
II. COMO É SER UM DEFICIENTE VISUAL?
Objectivo - Ajudar as
crianças a perceberem como é «precisar de ajuda» e como oferecer e dar ajuda a
uma pessoa com deficiência visual.
Material - Vendas
pretas para todo o grupo.Procedimento - Divida
o grupo em pares, sendo que enquanto uma criança representará a pessoa cega, a
outra será o acompanhante. Após um certo tempo, a dupla deverá inverter os
papéis, de forma que aquele que representou a criança cega, será agora o
acompanhante, enquanto que aquele que foi o acompanhante, será agora a criança
cega. Explique claramente que todos os alunos terão a oportunidade de
vivenciarem os dois papéis: o de criança cega e o de acompanhante.
Explique que o papel do acompanhante é estar ao lado do "cego"
para oferecer ajuda e dar essa ajuda quando for solicitada, ou aceita. Explique
que é importante perguntar se ele
precisa de ajuda e de que forma essa ajuda pode ser dada.
Os pares serão orientados a realizar diversas actividades, tais como:
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ler um
material escrito na biblioteca da escola,
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tomar água no bebedouro,
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pedir uma
informação na secretaria,
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dar um passeio no pátio da escola,
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utilizar o
banheiro,
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etc.
Discussão - Em
pequenos grupos formados pelos pares originais, discuta as seguintes questões:
1. Como
você se sentiu simulando uma pessoa com deficiência?
2. Você
acha que ficou mais atenta para perceber os sons e sentir os objectos?
3. Como
você se sentiu simulando o acompanhante?
4. Como
acompanhante, quais as coisas que você fez para ajudar seu colega "cego" ?
5. Seu colega "cego" concorda com você?
6. Você
sentiu mudança na sua atitude quando estava vivenciando ser "cego" e quando
estava sendo acompanhante?7. Qual
a melhor forma que você e seu companheiro "cego" encontraram para fazer as
actividades juntos?8. Foi
mais difícil ser o "cego" ou o acompanhante? Por quê?
Explique aos alunos que a simulação de caminhada que acabaram de
fazer é parecida com a actividade de orientação e mobilidade, que os alunos cegos
têm com educadores especiais, para aprenderem a se locomover com segurança e
confiança. III. ADIVINHE PELO TACTO
Objectivo -
Proporcionar aos alunos conhecimentos sobre a sensibilidade táctil, mostrando a
eles como uma pessoa com deficiência visual desenvolve o sentido do tacto.
Material - Sacola de
papel, uma colecção aleatória de objectos, tais como: um lápis, uma maçã, um
livro, uma xícara, etc. Faça seis cartões de cartolina com botões colados (como
na figura) para representar o alfabeto Braille.

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1.º cartão:
letras a b c d e
2.º cartão: letras f g h i j
3.º cartão: letras k l m n o
4.º cartão: letras p q r s t
5.º cartão: letras u v w x y
6.º cartão: letra z
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ALFABETO BRAILLE: Em 1825, na França,
um jovem cego, Louis Braille, inventou um sistema de leitura e escrita para uso
de pessoas cegas. |
Procedimento:
1. Divida
os alunos em grupos de três ou quatro.
2. Estimule
os alunos a sentirem, com os olhos vendados, os objectos que estão dentro da
sacola.3. Cada
um deverá identificar um objecto dentro da sacola.
4. Peça
a cada um dos alunos que descreva como conseguiu identificar o objecto, ou seja,
se a identificação foi possível pela forma, textura, cheiro, etc.
5. Coloque
os cartões de cartolina dentro de uma outra sacola e passe-a entre os alunos,
pedindo para que cada um deles descreva o que percebeu no cartão.
6. Os
alunos devem continuar a sentir os cartões dentro da sacola, até que todos
tenham identificado e descrito a localização dos botões em relevo.
Discussão - Tire os cartões da sacola
e identifique as letras representadas no alfabeto Braille. Explique aos alunos
que eles acabaram de vivenciar a forma como as pessoas cegas desenvolvem o
sentido do tacto para serem capazes de ler o alfabeto Braille e de perceber o
mundo à sua volta. Discuta com o grupo as seguintes questões:
1. Foi
fácil identificar os objectos dentro da sacola? Por quê?
2. Foi
fácil identificar os cartões? Por quê?
3. Quais
as dicas que diferenciam um cartão Braille do outro?
4. Você
acha que o alfabeto braille é um código secreto usado pelas pessoas cegas?
IV. COMO O DEFICIENTE VISUAL USA A BENGALA
Objectivo - Simular o
uso da bengala longa para aprender a realizar actividades de orientação e
mobilidade com pessoas com deficiência visual.
Material - Vendas
para os olhos e guarda-chuvas ou sombrinhas para cada aluno.
Procedimento:
1. Divida
os alunos em grupos de quatro, designando um deles para simular a pessoa cega,
um para ser o acompanhante e dois outros para serem observadores.
2. Demonstre
o uso da bengala longa, segurando a sombrinha a sua frente em direcção ao chão e
movimentando-a lateralmente, em forma de arco, enquanto caminha.
3. Coloque
um aluno à sua frente, segure em seu cotovelo direito e caminhem juntos.
4. Diga
para os alunos caminharem em pares da mesma forma como você demonstrou.
5. Selecione
uma direcção para eles caminharem. Um deles usará a venda nos olhos e a bengala
longa e o outro será o acompanhante.
6. Oriente
cada observador para anotar num papel as situações em que a bengala ajudou.
Discussão - Quando todos os grupos
tiverem voltado, proponha a seguinte discussão:
Para o cego:
1. Como a bengala
ajudou você?2. Quais as coisas
que você conseguiu perceber com a bengala longa ?
Para o acompanhante:
1. Como a bengala o
ajudou?2. Você se sentiu
mais relaxado porque seu companheiro estava usando a bengala? Por quê?
Para os observadores:
1. Como a pessoa cega
usou a bengala?2. Ela parecia mais
confiante ou tímida?3. Se você fosse a
pessoa cega, você usaria a bengala de forma diferente?
4. Você acha que a
bengala deu mais confiança à pessoa cega?
5. Quando usada
adequadamente (isto é, quando a bengala é segurada em frente à pessoa e movida
para os lados), a bengala longa pode ser de extrema ajuda para a pessoa cega. Se
você fosse cego, gostaria de ter uma?
6. Se você tivesse
uma bengala longa como você a usaria?
7. Conte para os
alunos que existem bengalas longas, médias e pequenas, adequadas para cada
pessoa, de acordo com a sua altura. O comprimento da bengala deve serigual à
distância entre o tórax da pessoa cega e o chão. Geralmente, elas são de
alumínio e são dobráveis.
V. FILMES
Há um número cada vez maior de vídeos que podem ser exibidos na
sua escola, com personagens com deficiência.
Fique atento, pois muitos passam na televisão e você pode
recomendar a seus alunos que os assistam. Esses personagens podem ser objecto de
uma discussão em grupo. Relacionamos, abaixo, alguns desses filmes:
Nota: trailers,
fichas e
sinopses de
todos os
filmes mencionados aqui:
Cinema
e Cegueira
À Primeira Vista - Virgil, um homem
que ficou cego após um acidente na infância, é convencido por Amy, que por ele
se apaixona, a fazer um novo tratamento especial. Essa cirurgia é realizada com
sucesso e ele recomeça tudo de novo, reaprendendo a enxergar à luz do dia e a
conhecer a força do amor.Além dos Meus Olhos -
Após alguns anos de casados, James e Ethel, que são cegos descobrem que não
podem ter filhos. Quando decidem adoptar uma criança, eles têm que enfrentar uma
série de barreiras legais - e provar que são capazes de cuidar de alguém.
Castelos de Gelo -
Patinadora adolescente é descoberta por famosa treinadora, que transforma a
garota em campeã mundial. No auge da fama, ela sofre acidente, que a deixa cega,
tendo de recomeçar do zero, com a ajuda do namorado.
Dançando no Escuro -
Uma imigrante checa leva uma vida cheia de dificuldades trabalhando nos Estados
Unidos, vivendo numa caravana, com seu filho de doze anos. Ao descobrir que está
perdendo a visão lentamente, tenta a todo custo esconder o fato de todos,
principalmente do seu filho, porque ela descobre, também, que a doença é
genética.Janela da Alma - Um
documentário sobre a deficiência visual, no qual dezanove pessoas com diferentes
graus - da miopia à cegueira total - falam como vêem os outros e como percebem e
sentem o mundo. Personalidades como Marieta Severo (atriz), Hermeto Pascoal
(músico), Arnaldo Godoy (vereador), Evgen Bvacar (fotógrafo e professor de
estética da Surbone), José Saramago (prémio Nobel), Wim Wenders (cineasta),
Oliver Sachs (neurologista), e muitos outras fazem surpreendentes e inesperadas
revelações sobre a visão.Perfume de Mulher -
Um ex-capitão cego e amargurado e um jovem contratado para acompanhá-lo em um tour pela Itália. Essa é a história do filme, que mostra a amizade entre os
dois. O ex-capitão descobre mulheres atractivas, usando seu apurado olfacto. O
filme mostra variados cenários da Itália para ilustrar a condição de um homem
que está condenado à cegueira, mas pouco disposto a aceitar suas limitações.
VI. ENVOLVENDO A COMUNIDADE
O próximo passo, depois da preparação da turma para receber
colegas com deficiência, é proporcionar uma reunião onde os pais e familiares
dos seus alunos possam também compartilhar desse novo conhecimento. Nessa
reunião com a família, os alunos poderão relatar as suas experiências, os
adultos com deficiência poderão falar sobre sua experiência de vida, bem como os
alunos com deficiência poderão falar sobre a mudança de atitude dos colegas de
turma, depois de passarem pelo programa anterior de sensibilização. Geralmente,
as eventuais resistências dos pais com relação ao ingresso de alunos com
deficiência na escola comum são eliminadas quando percebem que seus filhos estão
compreendendo e convivendo de modo saudável e construtivamente com a deficiência
em seu quotidiano escolar.
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excertos da obra:
Projecto Escola Viva - Garantindo o acesso e permanência de todos os alunos na
escola - 3.º Volume: Sensibilização e Convivência Autora: Maria Salete Fábio Aranha Ministério da Educação - Secretaria de Educação Especial - Brasília 2005
Δ
29.Abr.2010
publicado
por
MJA
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