excerto

RESUMO: o presente artigo tem como objetivo apresentar uma revisão bibliográfica dos estudos nacionais acerca do ensino
curricular para cegos. Foi realizada uma busca sistemática em três bases de dados: Google Acadêmico, Scielo e Lilacs, de estudos
publicados no período de 2004 a 2014, que tivessem em seu título um dos seguintes descritores: alunos cegos; alunos deficientes
visuais; crianças cegas; crianças deficientes visuais. Foram localizados 188 estudos e 56 selecionados dentro dos critérios estabelecidos.
Fez-se a leitura integral desses e definiram-se cinco categorias de análise: tipo de estudo; participantes; tipo de abordagem; tipo de
discussão e matrizes curriculares. Para cada categoria, foram estabelecidas subcategorias. Ao total 26 subcategorias foram descritas.
Os resultados indicam que o Google Acadêmico é a base de dados com maior número de títulos encontrados (188/156); a Scielo
apresenta melhor eficiência na relação encontrado x selecionado (12/10). Nas subcategorias de análise, as maiores frequências são
identificadas nos estudos empíricos (22); junto a crianças (19); de análises qualitativas (21); na matriz curricular de Educação
Física (sete) e na subcategoria relacionamento social (16). Contudo, os estudos são convergentes em apontar que as principais
dificuldades no ensino às pessoas cegas se referem a deficiências na formação de professores, onde, normalmente, não são discutidos
métodos de ensino e produção de material para trabalhar com essa população específica. Em conclusão, além de realizar um
mapeamento dos estudos que têm sido conduzidos junto a alunos cegos nos últimos dez anos, este artigo aponta para lacunas na
literatura e direciona futuras investigações na área.
A sistematização dos estudos mostrou que há uma variedade de áreas de conhecimento
que vêm se preocupando com o ensino para pessoas cegas, assim como, com o seu desenvolvimento
psicossocial. Contudo, há duas preocupações – ineficiência na formação de professores,
materiais e procedimentos de ensino – expressas em cerca de 30% das publicações que parecem
indicar que, mesmo com todos os esforços apresentados, ainda não se possui competências e
habilidadessuficientes para uma intervenção adequada a essa população, o que compromete os
ideais de uma educação inclusiva.
Nesta direção, entende-se que problemas no ensino-aprendizagem têm ocorrido, em maior escala, com os alunos das “classes inclusivas”. Em pesquisas de
referências pode-se questionar os critérios de busca, definições de períodosde busca, bases de dados entre outros. Tudo
isso é passível de questionamentos. Contudo, os dados são reveladores acerca das problemáticas
que os professores de alunos cegos vêm enfrentando em seus cotidianos.
Outrossim, um dado, que não foi tratado, mas que pode ser abstraído nesta investigação
é que cerca de 70% das teses, dissertações e trabalhos apresentados em eventos
científicos não geraram publicações em revistas indexadas. Há de se refletir acerca das
variáveis geradoras e mantenedoras dessa situação, e questiona-se: o que têm impedido professores e
pesquisadores a publicarem suas investigações científicas? Há uma série de aspectos que podem
ser apontados.
Uma possível análise de contexto que pode ser considerada é o que Léda e Mancebo
(2009) vem discutindo acerca da precarização do trabalho docente. Há de se criar
alternativas e estratégias de enfrentamento desse quadro. Uma possibilidade de enfrentamento
aponta para a apresentação de teses e dissertações em formato de artigos prontos para serem
submetidos à publicação. Isto, além de responder a uma demanda atual, indicaria a disposição
dos pesquisadores em comunicar os achados científicos.
Novos estudos de revisão da literatura poderão abarcar teses, dissertações e
monografias a fim de aprofundar a discussão da questão em tela. Outro bloco de investigação
poderá abranger trabalhos produzidos e publicados em eventos científicos e/ou em outra
forma de divulgação. Outra possibilidadede delimitação poderá ser em trabalhos que
possuam objetivos terminais de investigaro desenvolvimento de novos procedimentos de ensino a
alunos cegos.
Finalmente, apesar de todas as limitações e possíveis falhas, considera-se que
estudos nesta direção podem auxiliar a apresentação de um panorama geral de quanto, sobre o
quê e onde os estudos têm sido desenvolvidos e onde estão sendo publicados.
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Estudos Nacionais Sobre o Ensino para Cegos: uma Revisão Bibliográfica
excerto | Resumo e Conclusão-
autoras:
FIGUEIREDO, R.M.E. - Universidade Federal do Maranhão. Departamento de
Psicologia, São Luís , MA, Brasil. rosanaeleres@ig.com.br &
KATO, O.M. - Universidade Federal do Pará. Núcleo de Teoria e Pesquisa do
Comportamento, Belém, PA, Brasil.
omk@ufpa.br
in Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v. 21, n. 4, p. 477-488, Out.-Dez., 2015
texto integral da obra: http://dx.doi.org/10.1590/S1413-65382115000400011
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