

1 - MOSTRE O LADO POSITIVO DA DEFICIÊNCIA
Muitos nos dias de hoje, focalizam em primeiro lugar as
limitações e dificuldades de alguém com deficiência. A própria
população ao ver uma delas, inicialmente tem a associação de
idéias daquilo que aquela pessoa não é capaz de fazer. Por isso,
a proposta deste primeiro item, é para que foquem a informação
de produções jornalísticas ou publicitárias na capacidade da
pessoa, conduzindo a entrevista nos êxitos e nas qualidades
humanas, evitando enfoques desnecessários ou prolongados
sobre aparelhos otorpéticos (cadeiras de rodas, muletas,
bengalas...). Também podemos evitar mencionar a deficiência
em uma reportagem informativa de origem normal, como por
exemplo: “O diretor da escola municipal, João de Souza, 34, portador
de deficiência física, anunciou ontem o início do ano letivo”. Essa
citação não tem nada haver com história que estamos
escrevendo, sendo que a frase poderá ser simplesmente assim:
“O diretor da escola municipal, João de Souza, 34, anunciou ontem o
início do ano letivo”.
2 - DÊ ATENÇÃO ÀS SOLUÇÕES
Uma vez que esses profissionais atuam no mundo das
comunicações, sabem melhor do que ninguém como é limitado
em jornais, rádios e televisão, tendo que disputar com outras
matérias e profissionais. Então, nada mais justo que ocupar esse
espaço com temas úteis e de interesse público, veiculando
matérias de prevenção e tratamento de enfermidades que
podem se converter em deficiência. Importante ainda, divulgar
serviços disponíveis, recursos de tratamentos, lazer e
participação no contexto social de interesse a quem tem
deficiência, seus familiares e amigos. Serão informações que poderão ser
veiculadas, por exemplo, em campanhas de
utilidade pública.
3 - PERMITA QUE AS PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA FALEM POR SI MESMA
Esta aqui um erro cometido constantemente. Quantas vezes
assistimos os jornalistas chegarem em entidades e
instituições para produzir suas matérias e só entrevistaram
diretores e especialistas, nem se quer olham para o lado das
pessoas com de deficiência.Ouem entrevistas coletivas onde
estão ambas as partes, as perguntas quase nunca seus
dirigidas a quem têm limitações. Recomenda-se sempre que
possível, permita as com deficiência, inclusive a mental, falem
por sim mesma. Sempre que forem produzir matérias nesta
área, consulte pessoas com deficiência e suas entidades
representativas.
4 - USE O TERMO “PESSOA COM DEFICIÊNCIA”
Os termos utilizados para representar ou descrever as
pessoas com deficiência são uma de nossas principais
preocupação. A maneira como organizamos as palavras,
podem gerar sentidos duplos sendo mensagens positivas ou
negativas. Segundo o “Mídia e Deficiência: Manual de
Estilo”, considerando que as pessoas não são circunstâncias,
evitemos rotulá-las com “os deficientes, os epilépticos, os
poliomoelícos, dentre outros”, substituindo para “gente (pessoa)
que tem deficiência (epilepsia, paralisia cerebral, seqüela de pólio,
dentre outras”. Evitemos também, frases que possam rebaixar
estas pessoas. (Mas a questão da terminologia é bem mais
ampla que possa parecer. Tanto que decidimos enfocá-la com
mais profundidade nos próximos artigos).
5 - EVITE A IMAGEM DE GUETO
Geralmente, essas pessoas aparecem em abordagens específicas
sobre deficiência; mas sempre que possível, apresente-as como
parte integrante da população em geral, o que pode ser feito
em situações de inclusão social com outras pessoas de sua idade
e comunidade, cidadãos colaborando e produzindo. Podem ser
focalizadas como figurantes e em papéis secundários, o que
vale relembrar aquela dica anterior de evitar descrições
desnecessárias, além de não centralizar a atenção em suas
deficiências. Uma boa forma de apresentá-las em situações
comuns, é mostrar empregadores e empregados com
deficiência, trabalhando também em cargos e/ou funções
consideradas incomuns a essas pessoas. Muito importante
evitar citas as diferenças entre as pessoas, o que poderá agrupálas
em guetos e atitudes segregacionistas, tais como “fulano é
uma delas”; pelo contrário, podemos nos beneficiar e enriquecer
nossas produções com atitudes inclusivas, tais como “fulano é
um de nós”.Opróprio documento do CVI/RJ recomenda: “Inclua
estas pessoas na publicidade, já que o número delas está em torno de
15 milhões, sem contar seus familiares e amigos que comem, vestem,
compram e consumem os produtos anunciados”.
6 - CUIDADO COM OS MITOS
Os mitos em torno da pessoa com de deficiência são antigos,
transmitidos culturalmente entre as gerações. Estereotipadas
como pessoas eternamente independentes, vivem em estado lastimoso,
perigosas, assexuadas, não agradáveis ao convívio social, dotadas de
alguma habilidade especial causada como compensação da deficiência,
entre tantos outros mitos. Mas qualquer pessoa hoje com o
mínimo de informação, ao ver tantos acontecimentos,
conquistas e o forte movimento dessa classe, sabe que essas
velhas visões não condizem com a realidade; assim, os
jornalistas também sabem disso, embora sejam pessoas comuns
e recebem como base a mesma formação cultural que as demais.
Por isso, precisamos tomar cuidado com os mitos, saber evitá-los,
sempre mostrando as pessoas deficiência em situações e
atitudes que não exagerem nem suas aptidões nem suas limitações;
Lembre-se, que são pessoas normais como você; nem
coitadinho, nem super-herói!!!
7 - NÃO CARREGUE NAS TINTAS
Não existe nada mais chato para uma pessoa com deficiência,
quando ela é insistemente chamada como exemplo de força
de vontade, exemplo de luta e coisas desse gênero; mesmo
porque, ela é uma pessoa desempenhado o seu trabalho como
outra qualquer, sendo que a única diferença é que ela tem uma
deficiência, o que não lhe faz diferente, melhor ou pior que
ninguém!!! Quando forem produzir matérias sobre essas
pessoas, focalizem sempre os êxitos e dificuldades, sem
contudo, insistir na questão de serem pessoas com deficiência.
Não é necessário - até mesmo evitável - exagerar na carga
emocional dos fatos, retirando toda a pieguice e sencionalismo
que o tema e a abordagem podem suscitar. Evitem expressões
como “valente, corajoso, inspirado”, pois elas não trazem e
nem retiram atributos da personalidades dessas ou de qualquer
outra pessoa; é perigoso também as falsas comparações visando
minimizar as “marcas da deficiências”, pois estaremos correndo o
risco de produzir outros errôneos conceitos e falsas imagens mais
profundas dessas pessoas das quais a população já mantém falsos
mitos. Substituímos ainda, palavras como “simpatia, amor ao
próximo, caridade”, por “respeito, aceitação, solidariedade,
reconhecimento (de sua capacidade). Para isso, o documento
internacional recomenda novamente, que em notícias e nos
documentários só destacar se a pessoa tem uma deficiência se
tiver haver com o assunto. Isso não significa que devemos
ocultar o fato, mas sim, enxergar e valorizar o indivíduo como
pessoa, que realmente o é!
8 - VEJA TODOS OS LADOS DA QUESTÃO
Por várias vezes aqui já recomendamos mostrar as pessoas com
deficiência de forma normalizada e em situações comuns do
dia-a-dia. Isso significa apresentá-la com sua identidade total,
experimentando a dor, o prazer, o desejo e as demais coisas
que qualquer pessoa experimentam. Todos nós somos dotados
de sentimentos que derivam de atitudes criativas, de trabalho,
paternidade, sexo, educação e participação na comunidade. Por isso,
não podemos deixar de lado a realidade que essas pessoas
também são dotados de potencialidades e fragilidades que as
demais.
9 - PREFIRA INFORMAÇÃO NORMALIZADORA
Isso poderá ser feito focalizando as pessoas com deficiência,
incluindo as mentais, em situações sociais e físicas comuns a
toda comunidade, tais como, trabalhando, praticando lazer,
indo a escola, cinemas, shoppins center, fazendo compras, em
lanchonetes e restaurantes, passeios ao ar livre, namorando...
Desenvolvendo atividades da vida diária, vestindo-se sozinha,
preparando refeições, cuidando da casa e dos filhos, dentre
outras.
10 - VEICULE INFORMAÇÃO ACESSÍVEL E PERMITA O
ACESSO DAS PESSOAS À INFORMAÇÃO
Por fim, o “Mídia e Deficiência: Manual de Estilo”, recomenda:
“Leve em conta a curiosidade natural e a eventual posição embaraçosa
que pode se produzir em situações sociais que incluem pessoas com
deficiência. Quando for apropriado, ofereça exemplos sem que, de forma
positiva, esta curiosidade seja satisfeita e que se possa superar a situação
embaraçosa”.
Ξ
Durante o “II Seminário sobre Discapacidad e Informatión”, realizado pela
'Real
Patronato de
Prevención y Atención a Personas con Minusvalia', nos dias 16 e 17 de novembro de
1987 em Madrid-Espanha, foram elaboradas,
dentre outros documentos, dez propostas para que os meios
de comunicação veiculem imagens normalizadas dessas
pessoas, publicadas em “Discapacidad y Medios de
Informacion: Pautas de Estilo”. Essas recomendações
começaram a correr o mundo, sendo amplamente divulgadas.
No Brasil, elas foram apresentadas pela primeira vez no início
da década de 1990, no “Mídia e Deficiência: Manual de Estilo”,
lançado pelo Centro de Vida Independente do Rio de Janeiro -
CVI/RJ, mais tarde, em uma co-edição com a Coordenadoria
Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência - CORDE.
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fonte:
CONVERSANDO SOBRE INCLUSÃO
Emílio Figueira
Compilação de Textos Publicados na Globo.com entre 2002 e 2003
Projeto eBooks
2.ª Edição - São Paulo, 2008
Δ
15.Mar.2018
publicado por MJA |