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 Sobre a Deficiência Visual

O Desenvolvimento do Bebé Cego e a Importância do Papel da Intervenção Precoce

Marta Isabel Martins Gomes

excerto

Blind Child - Robert Dowling
Blind Child - Robert Dowling
 
1. Cegueira e Efeitos no Desenvolvimento
2. Cegueira e Relação Mãe-bebé
3. A Intervenção Precoce (IP)
3.1. O Percurso da Intervenção Precoce
3.2.Importância da Intervenção Precoce
3.3. A Intervenção Precoce em Portugal

 

1. Cegueira e efeitos no desenvolvimento

De acordo com os dados revelados pela Organização Mundial de Saúde (WHO, 2019), existem, no mundo, pelo menos 2,2 mil milhões de pessoas têm uma deficiência visual ou cegueira. A designação de deficiência visual considera quer o dano parcial, quer o dano total neste sistema, o qual pode ter várias causas, nomeadamente traumatismo, doença, malformação ou subnutrição, podendo ser congénita, adquirida ou hereditária (Sousa & Piscalho, 2016).

Uma pessoa cega, sem nenhuma doença associada, poderá ter um impacto no desenvolvimento biológico, diferenciando-se no ritmo o que se traduzirá num deslocamento mais lento. No entanto, a cegueira pode condicionar o desenvolvimento como um todo: na locomoção, no equilíbrio, nos reflexos de proteção, na coordenação motora, na orientação e na mobilidade (Farias, 2006).

O período sensório-motor, até aos dois anos de idade, envolve a evolução da preensão, da linguagem, da noção do objeto e do vínculo mãe-bebé. O desenvolvimento da criança promovido pelas aquisições através do movimento, favorecem o pensamento e a linguagem, e relação com o ambiente e com as pessoas, em particular com a progenitora. Neste período, a criança deve estar exposta a ambientes com estímulos auditivos e táteis que, em conjunto, promovem os processos de locomoção, apoiando na construção da inteligência prática, na noção do objeto e na aquisição da fala (Farias, 2006).

A ausência da visão pode estar na origem do atraso da habilidade motora, de tal forma que o bebé não eleva a cabeça para alcançar algo que lhe chame a atenção e, consequentemente, permaneça imóvel durante algum tempo. Isto pode também criar restrições ao nível da sua verbalização pelo facto de esta ter como base a experiência sensorial, gerando perturbações relativamente à aquisição do seu significado (Sousa, Piscalho, 2016). Para colmatar a ausência da coordenação visuomotora, a criança cega desenvolve competências através de elementos percetivo-sensoriais, cinestésico, olfativo, gustativo, auditivo e tátil (Sousa & Piscalho, 2016).


2. Cegueira e relação mãe-bebé

Um dos primeiros aspetos a ser afetado por essa deficiência é claramente o vínculo entre a mãe e o bebé, que poderá ter consequências no desenvolvimento da personalidade da criança cega, bem como no estabelecimento de relações afetivas que se intensificam no oitavo mês de vida, altura em que o bebé receia a presença de estranhos e procura a figura materna. As atividades táteis, como o toque durante o banho, a muda de roupa, a troca de olhares, a amamentação, bem como a fala, não só chamam a atenção da criança como despertam o seu interesse para a interação com pessoas e objetos (Gagliardo & Nobre, 2001).

A visão é o sentido que permite ao bebé interpretar informações emocionais percebidas, transmitidas pelas expressões faciais dos adultos (Pérez-Pereira & ContiRamsden, 1999, Cit. In Alves & Meira, 2005). É através da visão que a criança interage com os que o rodeiam e se orienta através de elementos ambientais importantes para o seu desenvolvimento e para a sua sobrevivência (Ramsden, 1999). Só a partir dos 3 meses de vida é que o bebé ganha intenções comunicativas. O sorriso é a primeira resposta que surge à visão do rosto humano posicionado à sua frente, sendo um meio de contacto social, procurando através do contacto visual ler a intensão do outro (Gómez et al., 1995, Cit. In Mauro Magalhães, 1997).

Ora, a criança invisual ou com baixa visão fica privada dessas oportunidades, porque vê reduzidas as suas respostas às expressões do cuidador. Desta forma, os estímulos auditivos e táteis substituem a exploração e a interação. Vários estudos sugerem que há uma diminuição da atenção visual e responsividade vocal da mãe devido à inexistência de contato olho a olho (Rogers & Puchalsky, 1984; Rowland, 1984; Warren, 1994; Cit. in Alves & Meira, 2005).

O olhar tem importância no comportamento vinculativo e na relação emocional, isto porque os olhares têm diferentes significados. A ausência do mesmo pode ser interpretado pela mãe como sendo reflexo de rejeição ou de depressão, o que acarreta uma menor afetividade entre mãe-bebé, o que tende a comprometer o processo de vinculação entre ambos, além de que a mãe evita o seu bebé (Fraiberg, 1977, Cit. In Alves & Meira, 2005). Assim, a dinâmica relacional passa a estar assente em sentimentos negativos e positivos, condicionando o seu desenvolvimento harmonioso (Sousa, Piscalho, 2016). A mãe, que, segundo estes autores, é a figura mais presente e diretamente envolvida no trabalho de Intervenção Precoce, precisa por vezes de apoio psicológico, no sentido de reestruturar essa díade.

Quando confrontados com o nascimento de um filho com deficiência visual, os pais, podem sentir sentimentos de rejeição, negação, culpa e podem proteger o seu bebé em demasia, procuram mais a solução médica, e por vezes não aceitam que a Intervenção Precoce (IP), aliada ao acompanhamento oftalmológico, seja o mais indicado (Gagliardo & Nobre, 2001).

Para Gagliardo e Nobre (2001), a ausência de apoio da IP pode comprometer ainda mais o desenvolvimento motor, cognitivo, de linguagem, comprometendo a evolução socio afetiva dessa criança, contribuindo para o surgimento de deficiências secundárias e comportamentos estereotipados, fazendo com que ela não use o corpo para explorar o ambiente, ou as mãos para manipular os objetos, movimentos sem função como balancear o corpo, movimentos com a cabeça ou fala fora de um contexto, necessitando da intervenção precoce.

Torna-se de extrema importância sublinhar que os problemas citados não resultam diretamente da cegueira dos bebés, mas antes de um conjunto alargado de fatores, nomeadamente a experiência afetiva perante o nascimento do filho cego, as dificuldades em aceitar tal deficiência, as expectativas paternas negativas acerca do futuro do filho e o afastamento dos pais devido ao bebé não ser igual em termos desenvolvimentais ao bebé normovisual. Deste modo, é importante apoiar os pais no desenvolvimento de respostas adequadas aos comportamentos do bebé, ou seja, saber que existem formas alternativas de interação social para serem aplicadas sem a visão, como é o caso do uso do tato, da motricidade e da focalização (Ais et al., 1980; Urwin, 1984).

Para se compreender de forma mais detalhada este efeito na interação mãe-bebé cego torna-se importante fazer referência ao estudo desenvolvido por Medeiros e Salomão (2012). Os autores verificaram que a comunicação predominante por parte da mãe diz respeito às diretivas sendo influenciado pela idade e linguagem da criança. O contacto físico vem complementar os termos diretivos, ou seja, a mãe toca fisicamente no bebé para o informar da sua presença, por exemplo, a mãe pega na mão do bebé para o aproximar do objeto recorrendo à expressão “olha, olha aqui”. Conclui-se, deste estudo, que os resultados fornecem uma melhor compreensão dos episódios interativos entre mãe e bebé, destacando-se a atenção conjunta.

3. A Intervenção Precoce (IP)

A perturbação da visão afeta a adaptação da criança ao seu meio ambiente. Nesta circunstância, a IP, na sua interdisciplinaridade (educadores de infância, terapeutas e psicólogos, por exemplo), pode auxiliar a criança deficiente visual a construir a sua própria identidade. Para tal, são necessárias estratégias específicas, como a seleção de materiais adequados e o desenvolvimento de atividades ajustadas, para facilitar a aquisição de habilidades que promovam a sua saúde e fortaleçam a adaptação ao meio considerando a família, as suas prioridades e necessidades.

Nesse aspeto, torna-se essencial a intervenção precoce, com o propósito de promover o desenvolvimento adequado e a saúde da criança cega (Sousa & Piscalho, 2016).

3.1. O Percurso da Intervenção Precoce

Da década de 60 à década de 80 do século XX, houve uma grande evolução no paradigma da IP. Passou-se então de um paradigma centralizado nos défices da criança com uma natureza biomédica e terapêutica (Pinto, Serrano, Grande et al., 2016) para um paradigma de IP de segunda geração, em que as práticas não se centram apenas na criança mas também no contexto familiar e comunitário, a qual passa a estar associada a um processo de capacitação e responsabilidade nas tomadas de decisão (Dunst, Trivette, & Deal, 1988).

Com base nesse pensamento, a operacionalização da intervenção precoce passou a ser feita de acordo com três princípios básicos: (1) a família, no seu todo, passou a ser o foco dos serviços; (2) os resultados da ação dos serviços refletem, por consequência, as preocupações dos profissionais que a compõem; (3) os profissionais são envolvidos no processo como os principais decisores (Boavida, Espe-Sherwindt, Borges, 2000). Na década de 90, surge a terceira geração de programas de intervenção precoce. A partir desse momento, chegamos à conceptualização atual de intervenção precoce (Pinto, Serrano, Grande et al., 2016).


3.2.Importância da Intervenção Precoce

A importância da IP na primeira infância tem sido largamente reconhecida, não apenas pela investigação (Boavida, Espe-Sherwindt, Borges, 2000, Boavida, Carvalho, 2003, Pinto, Grande, Aguiar, et al., 2012, Pinto, Serrano, Grande, et al., 2016), mas pelos 6 próprios pais, interessados diretos, pelos técnicos no terreno, pelos legisladores, por todos os que diretamente participam da sua implementação.

Em termos neurobiológicos, a investigação confirma que a receptividade da criança é mais elevada nos primeiros anos, colocando-se aqui o papel da neuroplasticidade. A Neuroplasticidade é o facto do sistema nervoso aceitar modificações celulares, metabólicas ou anatómicas, passíveis de ser alteradas pela própria experiência (Pinto, Serrano, Grande et al., 2016). Como salientam Pinto, Serrano, Grande et al. (2016), quer a genética, quer o ambiente contribuem para o desenvolvimento neurológico e para o comportamento decorrente. Em razão desse conhecimento científico adquirido, a fase de vida inicial da criança é crítica e sensível relativamente ao ambiente, até porque a interferência deste é exercida, desde logo, muito precocemente. Efetivamente, as experiências do bebé são, portanto, consequentes para o seu desenvolvimento emocional, intelectual e físico. De acordo com o exposto, os conhecimentos neurobiológicos adquiridos através da investigação científica foram importantes para o desenvolvimento da intervenção precoce, cujo desenvolvimento passou a orientar-se pela necessidade de melhorar o contexto de vida das crianças elegíveis para acompanhamento, no sentido de evitar que sequelas resultantes de certo tipo de ambiente prevalecessem no seu desenvolvimento (Pinto, Serrano, Grande et al., 2016).

Desta forma, a concetualização da intervenção precoce, os seus objetivos, fundamentos neurobiológicos e a relação destes com os fatores ambientais foram largamente ponderados, nomeadamente pelos principais modelos que suportam as suas práticas recomendadas, como o modelo bioecológico de Bronfenbrenner e Morris (2007) e o modelo transacional de Sameroff e Fiese (2000) nomeadamente, bem como pela abordagem centrada na família, formulada por Dunst, Trivette e Deal (Pinto, Serrano, Grande et al., 2016). Esses modelos têm tido um contributo importante na compreensão dos próprios mecanismos que estão na base da intervenção precoce e na compreensão do seu impacto individual, familiar e social, fornecendo as linhas orientadoras que permitem a definição de políticas e organização dos sistemas e serviços de intervenção precoce (Pinto, Serrano, Grande et al., 2016).

Na perspetiva bioecológica e sistémica do desenvolvimento, o futuro da criança resulta da combinação entre o que ela é e das suas experiências (Bronfenbrenner & Morris, 2007). No modelo transacional, consideram-se as interações sociais como influenciadoras desse desfecho, porque, como referido, a investigação científica apurou que o seu peso é relevante (Sameroff & Fiese, 2000). Estes modelos muito contribuíram para a constituição do quadro concetual da intervenção precoce, por permitirem compreender quais os fatores que intervêm no desenvolvimento, que depende não apenas da interação entre a criança e o cuidador, mas também entre a criança e o contexto que frequenta. Com o relevo que atribuiu às características biológicas, psicológicas e ao comportamento da criança no sistema ecológico, enfatizando a importância das interações, este modelo destacou o seu papel na alteração do contexto imediato (Pinto, Serrano, Grande et al., 2016). A par disso, Sameroff, com o modelo transacional, considerou a articulação entre o elemento biológico e o psicológico e a sua interação com o contexto social, no sentido de existir uma influência mútua (Sameroff, 2010).

Os três conjuntos (biológico, psicológico, contextual ou social), constituem os aspetos biopsicossociais da criança. Neste modelo biopsicossocial, contrário à perspetiva tradicional, não são os défices da criança o aspeto central da intervenção, que consideram também os elementos contextuais/ambientais (Pinto, Serrano, Grande et al., 2016).


3.3. A Intervenção Precoce em Portugal

Quer a história da primeira infância quer a história dos serviços de intervenção precoce em Portugal estão ligadas ao desenvolvimento nas áreas dos cuidados de saúde, políticas educativas e políticas de segurança social. Este percurso está, assim, relacionado com o aumento da disponibilidade das creches/modalidades de atendimento destinadas a crianças dos 0 aos 6 anos de idade, crianças com necessidades educativas especiais, serviços pré-escolares para crianças dos 3 aos 6 anos de idade, bem como ao desenvolvimento de legislação relativa à saúde, à educação e aos cuidados não-parentais (Pinto, Grande, Aguiar, et al., 2012).

Até à Declaração de Salamanca (Organização Educacional, Científica e Cultural das Nações Unidas, 1994), as crianças com necessidades educativas especiais eram apoiadas pelos serviços de saúde e sociais, com foco no diagnóstico. Após esta Declaração, deu-se um ponto de viragem na educação das crianças com necessidades especiais. O apoio era centrado na criança, segregado, monetizado. Só em meados da década de 80, surgem em Portugal dos primeiros programas relacionados com a intervenção precoce (Pinto, Serrano, Grande, et al., 2016).

Da colaboração com especialistas internacionais e consequente preocupação com os fatores biológicos, psicológicos, socioculturais, com o trabalho com a família, surgiu também o Programa Portage para pais, projeto de investigação-ação, de visita domiciliária. O projeto de Coimbra, baseado na intervenção ecológica centrada na família, esteve, aliás, na origem da conceção e publicação do Despacho Conjunto 891/99, de 19 de outubro, dos Ministérios da Saúde, Educação e Segurança Social, posteriormente substituído pelo Decreto-Lei 281/2009 de 6 de outubro, que criou o Sistema Nacional de Intervenção Precoce na Infância (SNIPI) (Pinto, Serrano, Grande et al., 2016).

É então em outubro de 2009 que o parlamento português aprovou nova legislação, nomeadamente o Decreto-Lei 281/99, que surge na sequência da aprovação dos direitos consagrados pela Convenção dos Direitos da Criança e na sequência do Plano de Ação para a Integração para Pessoas com Deficiência ou Incapacidade de 2006-2009, a qual teve por objetivo a criação do SNIPI (Diário da República, p. 7298). Essa legislação foi publicada um ano depois da legislação relativa à educação especial, patente no Decreto-Lei 3/2008, que visava crianças em idade pré-escolar. Neste Decreto-Lei 281/2009, a IP é considerada uma ação realizada junto de crianças que apresentam modificações nas estruturas/funções do corpo, as quais interferem no desenvolvimento esperado, sendo encarada como instrumento político favorável à participação social dos afetados na sua vida adulta, potenciando a qualidade da sua vida nesta fase (Decreto-Lei 281/2009, p. 7298).

Neste DL a Intervenção Precoce na Infância é definida como «conjunto de medidas de apoio integrado centrado na criança e na família, incluindo ações de natureza preventiva e reabilitativa, designadamente no âmbito da educação, da saúde e da ação social; (Decreto-Lei 281/2009, p. 7299). Segundo este DL, o Governo é considerado a entidade que assegura o direito à participação e à inclusão social, pelo que quanto mais cedo se der a intervenção mais garantias existem de que estas ocorrem e mais se pode condicionar as «limitações funcionais de origem» (Decreto-Lei 281/2009, p. 7298). Ainda, o mesmo Decreto considera essencial a integração da criança tão cedo quanto possível nos serviços de saúde, nas creches, nos jardins de infância e escola, sendo instituídos três níveis de processos de acompanhamento e avaliação do desenvolvimento da criança e adequação do respetivo plano: o nível local das equipas multidisciplinares, de acordo com parcerias institucionais, o nível regional de coordenação e o nível nacional de articulação do sistema no seu todo (Decreto-Lei 281/2009, p. 7299).

Como realçam Pinto, Grande, Aguiar et al. (2012) esta legislação baseia-se em estruturas de coordenação nacional, regional e local, envolvendo, em cada nível, responsabilidade compartilhada dos Ministérios da Saúde, Educação, Solidariedade e Segurança Social, com a colaboração de Instituições Privadas de Solidariedade Social. O SNIPI só seria parcialmente constituído em setembro de 2011. São consideradas neste DL as potencialidades da criança, bem como a influência que sobre estas pode ter o ambiente, devendo as mudanças ser operadas a partir deste (Pinto, Grande, Aguiar et al., 2012). Além disto, está determinado que a intervenção deve concordar com as necessidades da família e deve apoiá-la no acesso aos serviços de saúde, educacionais, sociais e demais recursos.

Como concluem Pinto, Grande, Aguiar et al. (2012), é necessário que Portugal adote legislação e práticas que garantam a melhoria da eficácia dos sistemas incluídos no NECIS português. Os autores apontam a pertinência de uma melhor cooperação entre políticas, regulações e práticas entre setores e níveis diferentes, nomeadamente entre os níveis nacional, regional, local. A articulação entre os legisladores e os profissionais pode resultar de uma responsabilidade partilhada, bem como de objetivos comuns, que visem a proteção dos direitos das crianças e das famílias, de acordo com o que é legislativamente determinado também. Pinto, Grande, Aguiar et al. (2012) consideram particularmente profícuo o envolvimento dos pais, de forma a desenvolver a aliança entre a prática e o que o discurso científico defende, incorporando as conclusões deste no quotidiano, na vida real e comunidade, beneficiando a criança. Em virtude da legislação estabelecida, os serviços devem funcionar de acordo com as necessidades das famílias, não só prevenindo/reduzindo os atrasos no desenvolvimento, como apoiando em termos do acesso à segurança social, educação, serviços de saúde.

Em síntese, pelo contributo de toda a investigação científica realizada e da legislação consequentemente implementada, a intervenção precoce é perspetivada a partir da família (Pinto, Serrano, Grande et al., 2016, p. 46), tendo como objetivo apoiá-la no seu todo, contribuindo para que ela atinja os seus objetivos enquanto unidade, promovendo a sua autonomia, enquanto promove as capacidades da criança e o desenvolvimento dos domínios-chave, competências sociais e outras, preparando-a para uma vida normalizada e prevenindo outras incapacidades.

 

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O Desenvolvimento do bebé cego e a importância do papel da Intervenção Precoce
Dissertação de Marta Isabel Martins Gomes
-excerto-
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação
Universidade do Porto | 2022
fonte:  Repositório Aberto da Universidade do Porto 

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15.Set.2025
Maria José Alegre