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 Sobre a Deficiência Visual

As Atividades de Vida Diária (AVD) na Família e na Escola

Helena Saraiva, Célia Ribeiro & Cristina Simões

excerto

Um homem cego na cozinha
Um homem cego na cozinha
RESUMO: Ao longo dos tempos, a educação de crianças e jovens com Necessidades Educativas Especiais (NEE), onde se incluem os alunos com cegueira, foi assumindo várias feições decorrentes de fatores de ordem social, política, económica, religiosa, científica, até que, chegados aos nossos dias, a escola tem como grandes linhas orientadoras os pressupostos da inclusão. Na sociedade contemporânea, esta deve ter como valor supremo a formação de cidadãos autónomos e independentes, contribuindo para a construção de uma coletividade mais justa. Tendo como base este quadro de referências, a escola e a família enfrentam novos desafios através da exigência de um trabalho interativo e colaborativo.  Através de um estudo de tipo qualitativo, pretendemos conhecer a importância que os pais e/ou encarregados de educação e os professores de Educação Especial (EE) atribuem às Atividades de Vida Diária (AVD) no desenvolvimento do aluno com cegueira, sem outras problemáticas associadas, e se há colaboração entre a família e a escola na construção da sua independência pessoal. Embora, a população alvo deste estudo, sejam quatro crianças/jovens com cegueira, a população inquirida foram os pais e/ou encarregados de educação e os professores de EE. A técnica de recolha de dados utilizada foi a entrevista semiestruturada.  Das conclusões retiradas, muito genericamente, podemos referir que, embora seja atribuída grande importância pelos inquiridos às AVD, esta área é pouco trabalhada na escola e na família, especialmente na utilização de técnicas específicas, pelo que não se observa uma efetiva colaboração na sua implementação.


INTRODUÇÃO
A família e a escola são os primeiros espaços sociais de desenvolvimento de qualquer criança ou jovem. Nestes encontra estímulos e exemplos nos quais vai basear os seus comportamentos. Deste modo, o envolvimento da escola e da família afigura-se-nos um fator determinante na inclusão social dos alunos com cegueira.

O ser humano percebe o mundo através dos sentidos, pelo que a perda das capacidades de um órgão sensorial com a relevância da visão não diminui por si só as potencialidades da pessoa (Ochaita & Rosa, 1995). Esta perda pode mesmo ser atenuada pela estimulação dos demais sentidos (Borges & Macário, 2007; Bruno & Mota, 2001; Horton, 2000), não representando, deste modo, um obstáculo para que qualquer pessoa com cegueira se relacione de forma construtiva consigo mesma e com o mundo envolvente (Bruno & Mota, 2001).

A educação de qualquer criança/jovem deve ter como fundamento a sua preparação para a vida pós-escolar, a qual inclui uma ocupação e uma vida independente. Esta preparação deve compreender para a pessoa com cegueira, não só a aquisição de capacidades no campo académico, mas também aquelas que lhe permitem uma relação satisfatória consigo mesma e com os outros, através da independência pessoal e social (Bruno & Mota, 2001; Pereira, 2008).

Educar crianças e jovens com alterações derivadas de uma limitação sensorial como a cegueira, deve significar torná-las aptas a participar nas atividades habituais da comunidade envolvente. Para tal, as competências adquiridas através da área das AVD têm um papel especialmente relevante.

Durante vários anos, a ausência de iniciativas, a fragmentação dos serviços, a inexistência de investigação, a carência de estruturas e de estudos interdisciplinares comprometeram o desenvolvimento da pessoa com cegueira no nosso país. No entanto, o conceito de escola inclusiva vem reforçar o direito de todos os alunos frequentarem o mesmo tipo de ensino, na medida em que preconiza que os objetivos educacionais e o plano de estudos são os mesmos para todos independentemente das diferenças individuais de natureza física, sensorial, cognitiva ou social que possam existir. A escola, conforme refere Baptista (2011, p.79), “pode ser um lugar acolhedor, basta que saiba conhecer bem os seus alunos para lidar com cada um em função das suas caraterísticas e necessidades”.

Presentemente, com a importância atribuída à escola na sua vertente inclusiva, a eficácia da intervenção com alunos com NEE, designadamente aqueles com cegueira, está indubitavelmente ligada ao trabalho que os profissionais desenvolvem com as famílias, esperando-se, por parte destes, competências para trabalharem com o aluno e a família na sua interação com os vários contextos sociais em que se inserem (Correia, 2008a).

1. A CEGUEIRA E A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO
O desenvolvimento humano é organizado, sobretudo, pelos processos de maturação do organismo, porém é o contato do indivíduo com o seu meio, nomeadamente com outros sujeitos sociais, que lhe permite o desabrochar de processos internos conducentes à aprendizagem (Vygotsky, 1987). Indo ao encontro da perspetiva do autor referido, julgamos que no processo de aprendizagem, depois de desenvolver a noção da relação sujeito ambiente, a criança precisa de se tornar um sujeito ativo sobre este, pois a sua atividade é também a expressão da sua autonomia. É através das interações, isto é, das trocas com o meio envolvente físico e humano, que a criança integra aquilo de que necessita para crescer, adquirir novos conhecimentos e se desenvolver (Piaget & Inhelder, 1979; Vygotsky, 1987). Assim, consegue o domínio das capacidades cognitivas, que conduzem ao conhecimento da realidade (Vayer & Roncin, 1994). Este processo, pelas suas caraterísticas muito específicas, faz com que o desenvolvimento cognitivo da pessoa com ausência de visão seja diferente do da pessoa normovisual (Ochaita & Rosa, 1995).

As crianças aprendem naturalmente observando e imitando o adulto (Bruno, 2001; Lobato, n.d.). A capacidade de imitar apoia-se na construção do real através de experiências significativas, o que segundo as autoras referidas, com as crianças com cegueira não acontece. No entanto, a imitação é possível mesmo na ausência da visão, apesar de não ser uma aprendizagem fácil (Bruno, 1997; 2001). A aprendizagem destas crianças terá que ser efetuada recorrendo a outras formas de perceção que devem, por isso, ser exploradas e potencializadas (Bruno, 1997; 2001; Ochaita & Rosa, 1995; Pereira, 2008).

É através da visão que colhemos a maior parte da informação que nos chega do meio envolvente, pelo que a pessoa com cegueira tem dificuldades acrescidas na formação de conceitos (Bruno & Mota, 2001; Horton, 2000; Pereira, 2008). Eles precisam de tatear um objeto nos seus pormenores e no seu conjunto, para organizarem uma imagem mental.

A inclusão social é fundamental, pois pouco adiantará à pessoa cega adquirir muitos saberes teóricos ou aptidões, se não for capaz de desempenhar adequadamente as atividades quotidianas exigidas para cooperar de forma adaptada em cada grupo. O não desempenho adequado das AVD poderá ser um fator comprometedor da aceitação e consequente inclusão social (Aranha, 2005; Bruno & Mota, 2001).
 

2. AS ATIVIDADES DE VIDA DIÁRIA
Para que as pessoas cegas sejam eficazes nos seus desempenhos diários, precisam de desenvolver estratégias e metodologias que as capacitem da forma mais adequada possível na realização das suas AVD.

Entendemos AVD como sendo um conteúdo curricular específico do processo de habilitação e reabilitação de crianças e jovens com deficiência visual e são o conjunto de atividades que visam o desenvolvimento pessoal e social nas múltiplas tarefas quotidianas, tendo em vista a independência, autonomia e socialização do aluno (Pereira, 2008, p.79).

As AVD têm como principal propósito, levar a pessoa com deficiência visual a desenvolver, de forma autónoma, tarefas que lhe permitam participar ativamente no ambiente em que vive (Bruno & Mota, 2001; Pereira, 2008). A criança cega não desenvolve espontaneamente estas aptidões, devendo ser exercitada diariamente no sentido de conseguir a maior autonomia nas atividades relacionadas com a casa, com a higiene pessoal, com outros cuidados consigo mesma e com os serviços domésticos. Estas ações devem ser aprendidas gradualmente e de forma natural, inicialmente no seu ambiente familiar, com a ajuda e orientação de técnicos especializados em intervenção precoce e depois noutros ambientes educativos que gradualmente levarão a criança/jovem a adquirir capacidades gradativas de autossuficiência e bem-estar (Brambring (2007; Bruno & Mota, 2001; Martin & Bueno, 1997; Pereira, 2008).
 

3. PROBLEMÁTICA DO ESTUDO
A problemática deste estudo enquadra-se num pressuposto muito atual, que visa a urgência da sociedade, através de duas das suas instituições elementares, a família e a escola, capacitarem a criança/jovem com cegueira, para a sua inclusão na sociedade. Basilar neste processo de inclusão é o trabalho organizado em conjunto entre a escola e as famílias.

Ao longo desta investigação, a análise da literatura permitiu-nos observar que as AVD são uma área privilegiada para o estabelecimento da interação com o meio circundante e consequente autonomia pessoal e social da pessoa com cegueira. Neste âmbito e devido às caraterísticas apresentadas por estas pessoas, será importante perceber de que forma, através de uma estimulação na área das AVD na família e na escola, constroem o seu conhecimento e independência.

A pessoa com cegueira apresenta limitações na aprendizagem das AVD, pelo que o estudo que nos propomos desenvolver traduzir-se-á nas seguintes questões de partida:

Qual a importância que os pais e/ou encarregados de educação e os professores de EE atribuem às Atividades de Vida Diária (AVD) no desenvolvimento do aluno com cegueira, sem outras problemáticas associadas, e qual colaboração entre a família e a escola na construção da sua independência pessoal.


DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Relativamente ao conhecimento sobre a idade de início do trabalho organizado e com técnicas específicas na área das AVD, conferimos que os pais e/ou encarregados de educação iniciaram este trabalho desde muito cedo e os professores de EE acrescentam que este se deve iniciar na intervenção precoce, ou desde que a cegueira é detetada, para um melhor desenvolvimento e maior autonomia. Perspetiva esta corroborada por alguns autores (Aranha, 2005; Barraga, n.d.; Bruno & Mota, 2001; Horton, 2000; Leonhardt, 1992; Martin & Bueno, 2003; Pereira, 2008), que referem nos seus estudos a importância do programa de AVD se iniciar o mais precocemente possível.

Comparando as respostas dos professores de EE e dos pais e/ou encarregados de educação, verificamos que ambos atribuem uma grande importância às AVD para a autonomia futura da pessoa cega. Esta opinião é concomitante com Aranha (2005) e Bruno e Mota (2001) que referem que, se a pessoa com cegueira não desempenhar de forma adequada as atividades diárias para que possa participar ativamente no seu grupo social, a sua inclusão ficará comprometida. Neste sentido, importa igualmente salientar a opinião de um professor de EE e a do autor Wagner (2004), por referirem que deve ser atribuída às AVD a mesma importância que uma área académica. Verificamos também que os respondentes, indo ao encontro das ideias de Barraga (n.d.), Bruno e Mota (2001), Horton (2000), Leonhardt (1992), Pereira (2008) e Wagner (2004), têm consciência que esta é uma área que precisa ser desenvolvida pelo aluno com cegueira de forma consistente e sistemática, pois estas crianças/jovens desenvolvem se como as outras.

No que concerne à regularidade do trabalho na área das AVD, relacionando as opiniões dos professores de EE e dos pais e/ou encarregados de educação, verificamos, numa perspetiva global, que ambos trabalham pouco as competências relacionadas com esta área, embora dois pais refiram que o fazem diariamente, o que num universo de sete respondentes nos parece pouco. Deste modo, verificamos que as práticas não estão em conformidade com o que os inquiridos pensam ser o mais correto, ou seja, é lhes atribuída muita importância mas, por falta de tempo, as AVD são pouco trabalhadas, ou são mais trabalhadas no fim de semana. Ainda nesta ótica, um professor refere que as AVD são trabalhadas “a um nível pouco formal; deveriam ser trabalhadas mais formalmente na escola e por vezes não são (…)”. Firmando estas ideias, Bruno e Mota (2001), Coín e Enriquez (2003) e Pereira (2008) referem que o programa de AVD deve ser executado diariamente de forma explícita, com atividades de complexidade progressiva e desenvolvidas de forma sistemática. No que concerne às estratégias utilizadas para a autonomia na higiene e arranjo pessoal, verificamos que na família estas são adequadas a cada caso específico, embora, seja também referida a técnica da localização. Averiguamos que existe autonomia nesta categoria, com exceção dos aspetos que possam envolver perigo, como o arranjo das unhas; a autonomia é conseguida, sobretudo, através da utilização do tato. Este dado vem reforçar a opinião de vários autores (Barraga, n.d.; Cobo, Rodríguez & Bueno, 1994; Horton, 2000; Leonhardt, 1992; Ochaita & Rosa, 1995; Pereira, 2008; Sánchez, 1996), que nos dizem que grande parte da informação que a pessoa cega adquire é conseguida através do tato. Aferimos, também, que a independência é maior em relação a tudo o que pode ser identificado através deste órgão sensorial e decresce significativamente em relação ao que nem sempre é reconhecido por meio deste, como a identificação da roupa suja.

Em relação aos professores de EE, verificamos que normalmente não trabalham na escola esta área das AVD, por saberem que os alunos já têm alguns hábitos adquiridos na família. Tal como referido por Pereira (2008, p.81), esta área deve “ser desenvolvida por um lado, pela família com orientação do professor, e por outro, pelo professor, aproveitando os recursos da escola”. Podemos depreender que não é dada grande relevância ao trabalho de técnicas específicas e não são dadas orientações à família neste sentido, existindo mesmo algum desconhecimento de aspetos relacionados com a higiene e arranjo pessoal.

No que se refere ao trabalho organizado entre professores de EE e famílias, para uma maior autonomia na área das AVD, verificamos que todos os respondentes o consideram importante para promover uma maior independência nos educandos. Nesta ótica, julgamos importante transcrever algumas frases dos inquiridos, pela pertinência que têm para este estudo e por irem ao encontro do referido; “acho que sim, devia ser obrigatório, porque há coisas que eu não sei qual a melhor maneira de trabalhar (…) é importante para ele ser mais autónomo e mais independente”; “(…) as AVD estão presentes no nosso dia a dia (…) tem que haver alguma articulação entre a escola e a família, uma sequência e complementaridade para maior autonomia do aluno (…)”. Como podemos verificar, a importância deste trabalho prende se também com a continuidade e aprofundamento em casa do trabalho feito na escola, mas para que tal aconteça é importante haver orientação e acompanhamento, através de um trabalho coordenado escola família e vice versa.

Sucintamente, verificamos em relação aos resultados obtidos que, embora a literatura nos transmita a informação de que há técnicas específicas (Bruno & Mota, 2001; Fraiberg, 1989; Martin & Bueno, 2003; Pereira, 2008) e a legislação também (Decreto-lei n.º 3/08, de 7 de janeiro), os pais embora manifestem interesse na sua aplicação, nem sempre o fazem, por falta de orientação.

CONCLUSÃO
O estudo efetuado permitiu-nos perceber que através de um programa de AVD a pessoa com cegueira pode ter acesso ao conhecimento de forma real, construindo-o no dia a dia, consciencializando-se do que faz e das suas implicações.

Os dados obtidos demonstram que as famílias e os professores de EE têm consciência da importância das AVD para a autonomia do aluno com cegueira. No entanto, também concluímos que as atuações na prática não são congruentes com as suas afirmações, pois pudemos averiguar que as AVD são pouco trabalhadas na escola e na família, ficando algumas vezes relegadas para o fim de semana, ou “para quando é necessário”. No entanto, a revisão da literatura refere que as AVD devem ser trabalhadas diariamente, com grau de complexidade crescente, permitindo que o aluno tenha contacto com técnicas e procedimentos indutores de boas práticas (Bruno, 1997; Bruno & Mota, 2001; Coín & Enriquez, 2003; Martin & Bueno, 2003; Pereira, 2008).

Relativamente às dificuldades colocadas na família e na escola em relação às AVD, ficamos a saber que estas envolvem maior dificuldade na família, onde o trabalho executado é menos sistemático, menos orientado e com recurso a escassas técnicas específicas.

As famílias ajudam os seus educandos a ultrapassar as dificuldades na área das AVD quase que intuitivamente, por falta de orientações metódicas relacionadas com técnicas e estratégias de atuação que deveriam resultar do regular acompanhamento do professor de EE. Neste sentido, Bruno (1997) salienta que “o professor, em conjunto com a família, deverá propor uma programação pedagógica, tendo em vista o enriquecimento de experiências e vivencias” (p.51) acrescentando ainda que “só o ambiente escolar não é suficiente para isso” (p.51). Por falta de orientações regulares, a família sente se um pouco desprotegida na forma de ajudar e orientar os seus educandos, fazendo o, mas nem sempre da maneira mais correta.

Em relação à articulação escola família, tanto os pais e/ou encarregados de educação como os professores de EE a consideram muito importante, para haver continuidade e complementaridade de trabalho e, como consequência, maior autonomia do aluno. No entanto, apesar da relevância atribuída, concluímos que os professores de EE precisam de efetivar mais na prática a organização e orientação de um trabalho específico na família.

Ao falarmos em colaboração escola família, corroborando as opiniões de Bruno e Mota (2001), Correia (2008b), Correia e Serrano (1997), Marujo, Neto e Perloiro (2002), Pereira (1998, 2008), pensamos que o que faz sentido são as noções de parceria, de partilha de responsabilidades e de participação, assentes na ideia de que o sucesso educativo de todos os alunos com cegueira, só é conseguido com a colaboração de todos.

Perante tudo o que foi referido ao longo desta investigação, apraz-nos dizer que, o trabalho com as famílias e o estímulo ao seu maior envolvimento na educação dos filhos ou educandos constitui um fator decisivo no processo de autonomia e inclusão dos alunos com cegueira.


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O ALUNO COM CEGUEIRA. AS ATIVIDADES DE VIDA DIÁRIA NA FAMÍLIA E NA ESCOLA
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Autoras: Helena Saraiva: Mestre em Ciências da Educação, Especialização em Educação Especial. Docente de Educação Especial. E-mail: saraivalena@gmail.com | Célia Ribeiro: Doutorada em Psicologia, Área de Especialidade em Psicologia Pedagógica. Professora Auxiliar da Universidade Católica Portuguesa – Viseu. E-mail: cribeiro@crb.ucp.pt | Cristina Simões: Doutoranda em Educação Especial. Docente de Educação Especial. E-mail: cristinasimoes.qv@gmail.com
Publicação: Universidade Católica Portuguesa -  Gestão e Desenvolvimento, 22 (2014), 191-208
https://doi.org/10.7559/gestaoedesenvolvimento.2014.263

texto integral pdf: https://revistas.ucp.pt/

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9.Set.2026
Maria José Alegre