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 Sobre a Deficiência Visual

Adequações Curriculares na Baixa Visão

Glória Romagnolli
 

inclusão
 

Adequações Curriculares: conjunto de ajustes que favorecem o acesso de todos os alunos à proposta curricular do Ensino regular. Podem se constituir de pequenos e de grandes ajustes nos objetivos educacionais, nos conteúdos programáticos, nos procedimentos e estratégias,no processo de avaliação e na temporalidade.

O Ministério de Educação, através da publicação "Saberes e Práticas da Inclusão: Desenvolvendo competências para o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos cegos e de alunos com baixa visão" de Maria Salete Fábio Aranha. Brasília: MEC/SEESP , 2006", orienta sobre as adequações curriculares, conforme descrito a seguir:


1- Adequações para o aluno com Baixa Visão que favorecem o acesso ao currículo

  • Prover o aluno de baixa visão com meios de comunicação compatíveis com as suas possibilidades: material ampliado (livros, provas, atividades em geral), uso do computador, softwares educativos em tipos ampliados, livro falado, computador com sintetizador de voz e periféricos adaptados e outros recursos tecnológicos.
  • Proporcionar ao aluno com deficiência visual, os materiais adaptados às suas necessidades educacionais: Lápis 6B, caderno com as pautas reforçadas e se necessário duplas, caneta de ponta porosa preta e de cores contrastantes, régua com contraste,entre outros.
  • Incentivar e possibilitar o uso dos auxílios ópticos prescritos pelo médico oftalmologista: óculos, lupas e telescópios. O auxílio deve ser apresentado para a classe como um avanço tecnológico e de grande valia. A falta de correção óptica pode levar o aluno a ter um rendimento escolar insuficiente, dificultando sua inclusão.
  • Posicionar o aluno na sala de aula em lugar bem iluminado e próximo ao quadro. Recomenda-se sentar na primeira carteira da fila central, se necessário, colocar uma luminária iluminando as atividades que o aluno está fazendo.


2 – Adequações nos Conteúdos Curriculares e nos Métodos de Ensino

Para que o sistema educacional contemple as necessidades especiais dos educandos com baixa visão, também são necessárias adaptações de objetivos (mudanças no conteúdo e no processo de avaliação) e adaptações no método de ensino ( didático-pedagógicas).


2.1-Adequações nos conteúdos curriculares e no processo avaliativo:

  • Adequar objetivos, conteúdos e critérios de avaliação, considerando as características individuais do aluno
  • Considerar que o aluno com baixa visão pode atingir os objetivos comuns ao grupo em um período de tempo maior, para isso, variar a temporalidade dos objetivos, conteúdos e critérios de avaliação.
  • Eliminar conteúdos e critérios de avaliação para os alunos com baixa visão que, em função da sua deficiência, dificultem o alcance dos objetivos definidos para o seu grupo, sem comprometer sua escolarização e promoção escolar.


2.2- Adequações metodológicas e didáticas:

Compreendem os métodos de ensino, as técnicas e estratégias adotadas, a organização dos alunos, o processo de avaliação.Entre elas:

  • Promover a aprendizagem cooperativa é importante que o aluno seja agrupado com os colegas que mais se identifique.
  • Utilizar-se de procedimentos, técnicas e instrumentos de avaliação diferentes dos usados para a classe,quando necessário, sem prejudicá-lo em relação aos objetivos educacionais estabelecidos para ele.
  • Disponibilizar apoio físico, verbal, visual e outros ao aluno com baixa visão, possibilitando a realização das atividades escolares e do processo avaliativo. O apoio deverá ser oferecido pelo professor regente, de sala de recursos, itinerante ou pelos próprios colegas.
  • Introduzir atividades complementares individuais que propiciem ao aluno alcançar os objetivos comuns ao grupo, que podem ser realizadas na própria sala de aula, na sala de recursos ou no centros de atendimento.
  • Eliminar atividades que o aluno esteja impossibilitado de executar, substituindo-a por outras que tenha condições de realizar.
  • Substituir objetivos e conteúdos curriculares que não possam ser alcançados pelo aluno, em razão de sua deficiência, por objetivos e conteúdos acessíveis, básicos e significativos para o aluno.
  • Encorajar, estimular e reforçar a participação, a comunicação, a iniciativa e o desempenho do aluno.O professor deve sempre estimulá-lo verbalmente, as expressões faciais ou gestuais à distância podem não ser percebidas.
  • Conceder-lhe tempo suficiente para a realização das tarefas e avaliações,considerando que o aluno com baixa visão é mais moroso para completar suas atividades escolares.
  • Diversificar as condições de acesso aos conteúdos, alternando cópia do quadro, com conteúdos ditados e auxílio dos colegas. Conceder-lhe mais tempo para tomar notas e acompanhar o raciocínio, bem como tempo para descanso visual.
  • A utilização de lupas e telescópios auxilia a aprendizagem, mas são recursos que tornam morosa a leitura e cópia de impressos e da lousa, podendo causar fadiga visual.
  • Com o objetivo de evitar a fadiga visual, devem-se organizar as atividades escolares, permitindo momentos de descanso ocular: leitura e escrita alternada com perguntas orais, atividades na lousa e escrita no caderno,com trabalhos em artes ou aulas de educação física
  • Conteúdos complexos, envolvendo raciocínio matemático, devem ser explicados individualmente para o aluno, em uma distância que ele consiga enxergar e acompanhar toda explicação.
  • Providenciar, junto à Direção da escola, a ampliação dos materiais impressos e dos recursos tecnológicos necessários ao processo de ensinoaprendizagem do aluno com baixa visão.
  • Incentivar a participação nas atividades acadêmicas possibilitando maior integração com os colegas,por exemplo,a tarefa de entregar atividades dá-lhe a oportunidade de ver quem está na sala e como está sua carteira em relação aos demais colegas.


ADEQUAÇÕES NA SALA DE AULA

Para a inclusão do aluno com baixa visão na classe regular de ensino, são necessárias adaptações que favoreçam condições de participação, facilitem o aprendizado e melhorem seu desempenho acadêmico. As principais são: Posicionamento em sala de aula e adaptação de materiais.


1- Posicionamento em sala de aula

Normalmente, a primeira carteira da fila central da sala de aula, em frente à lousa, é a melhor posição para o aluno com baixa visão. Caso enxergue menos ou seja cego de um dos olhos, provavelmente, terá que sentar um pouco mais à direita ou à esquerda .

Se usa algum sistema telescópico para longe (telelupa) deverá sentarse a uma distância fixa do quadro negro ( cerca de 2 metros), conforme orientações de seu oftalmologista e/ou do professor especialista.

Quando forem dadas demonstrações, procurar fazê-las no centro do quadro., se precisar, deixe o estudante com baixa visão ficar perto ou ao lado da explicação.Em alguns casos, faz-se necessária a demonstração no caderno do aluno.

Algumas patologias não permitem o uso de telescópio e mesmo os alunos que o utilizam podem ter fadiga visual ao usá-lo por um longo período, nestas situações, o professor deve utilizar-se de outros recursos que permitam a apropriação dos conteúdos pelos alunos com deficiência visual:

  • Ler em voz alta, pausadamente, o que estiver escrevendo no quadro negro. O aluno poderá anotar como se fosse um ditado.
  • Entregar ao aluno a cópia das anotações passadas na lousa, ampliadas de acordo com suas necessidades.
  • Permitir que os colegas o auxiliem, ditando em voz baixa o conteúdo do quadro negro, para que possa copiá-lo.
  • Possibilitar momentos de “descanso ocular”, tais como, leitura e escrita alternadas com perguntas orais, cópia de livro, tarefas em grupo, entre outras. Quando estiver com fadiga visual é recomendável que feche os olhos por alguns momentos.
  • Quando dirigir-se ao aluno com baixa visão, chame-o pelo nome.

A dificuldade visual para longe impede que veja expressões de aprovação ( como um sorriso), solicitação de participação ou outras, expresse–se sempre verbalmente com este estudante.

  • Encoraje o aluno com baixa visão a conhecer o espaço da sala de aula, a posição das carteiras onde se sentam seus colegas e a movimentar-se pela sala para obter materiais e informações.
  • Para estimular a independência do aluno com baixa visão deixe que faça as atividades sozinho sempre que possível, por outro lado é fundamental a colaboração dos colegas. Estimule a integração com seus colegas e o sentimento de auto-estima, ele deve ser encorajado a oferecer e aceitar ajuda dos colegas.
  • Para a segurança do aluno com baixa visão, as mudanças na posição da mobília da sala de aula devem lhe ser comunicadas .


2- Adaptações de Materiais

As adaptações de materiais necessárias em sala de aula referem-se à iluminação, ao contraste e à ampliação, temas que já foram abordados.

Reforçamos alguns aspectos:

A iluminação não pode causar ofuscamento e deve permitir a melhor eficiência visual possível, sempre lembrando que vai depender da patologia do aluno, o que é bom para um pode não ser para outro. O sol direto nas áreas de trabalho e superfícies brilhantes deve ser evitado para não haver ofuscamento (reflexo). O ideal é que haja orientação do professor especialista em relação a esta questão.

O contraste e a ampliação dos materiais devem ser feitos com antecedência, para que o aluno possa acompanhar as aulas. Através do professor especialista deverá obter as informações necessárias sobre o melhor tipo de fonte, tamanho, espaço entre letras e linhas e contraste adequados ao seu aluno com baixa visão.

Outro recurso de ampliação de imagem utilizado pelo aluno com baixa visão é a aproximação do material dos olhos, desde que não cause muito cansaço visual pode ser permitido. Forçar os olhos não prejudica, quanto maior o uso do olho melhor a utilização do potencial de visão.


O PROCESSO DE AVALIAÇÃO

De acordo com a concepção e proposta de avaliação do MEC (Saberes e práticas da inclusão - Desenvolvendo competências para o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos cegos e de alunos com baixa visão Brasília – 2006) a “ Educação é o processo formal de favorecimento, ao aluno, do acesso e apreensão do saber historicamente construído e sistematizado” e a escola é o espaço institucional que tem como função social, criar as condições necessárias para que este processo ocorra, com o objetivo de formar indivíduos para uma interpretação fundamentada e crítica do mundo e da sociedade.

A Avaliação é considerada um processo que tem como finalidade verificar se e quais objetivos pedagógicos estão sendo atingidos, identificar problemas na relação ensino-aprendizagem e detectar os aspectos que necessitam redirecionamento.

A Avaliação é de caráter compreensivo e não classificatório e exige a análise bidirecional da relação professor-aluno, na busca da compreensão de como um age com outro, de como é que um afeta o outro, dentro de um contexto da sala de aula, da escola e da sociedade.

Requer a verificação do que foi apreendido pelo aluno, de como se dá o seu pensar, bem como requer a identificação do que e como o professor está ensinando e quais mudanças devem ocorrer nas estratégias pedagógicas adotadas.

É atribuição de o professor pensar sobre o pensar do aluno, analisar os efeitos de sua atuação no processo de aprendizagem, redirecionando sua prática em função dos resultados encontrados. Somente assim a avaliação será um processo efetivo de diagnóstico pedagógico, compreensivo e indicador de ajustes.
 


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excerto da obra:

INCLUSÃO DE ALUNOS COM BAIXA VISÃO NA REDE PÚBLICA DE ENSINO - ORIENTAÇÃO PARA PROFESSORES
Autora: Glória Suely Eastwood Romagnolli
Orientador: Prof. Dr. Paulo Ricardo Ross
PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL- PDE
CURITIBA - 2008

http://www.diadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/1109-2.pdf

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26.Nov.2014
publicado por MJA