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 SOBRE A DEFICIÊNCIA VISUAL

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Meios de Comunicação e Deficiência: Manual de Estilo

II Seminário sobre Discapacidad e Informatión (Madrid, 1987)
 

Cartaz vencedor do 'Concurso Cartaz 3 de Dezembro' promovido pelo INR em 2015

 

1 - MOSTRE O LADO POSITIVO DA DEFICIÊNCIA

Muitos nos dias de hoje, focalizam em primeiro lugar as limitações e dificuldades de alguém com deficiência. A própria população ao ver uma delas, inicialmente tem a associação de idéias daquilo que aquela pessoa não é capaz de fazer. Por isso, a proposta deste primeiro item, é para que foquem a informação de produções jornalísticas ou publicitárias na capacidade da pessoa, conduzindo a entrevista nos êxitos e nas qualidades humanas, evitando enfoques desnecessários ou prolongados sobre aparelhos otorpéticos (cadeiras de rodas, muletas, bengalas...). Também podemos evitar mencionar a deficiência em uma reportagem informativa de origem normal, como por exemplo: “O diretor da escola municipal, João de Souza, 34, portador de deficiência física, anunciou ontem o início do ano letivo”. Essa citação não tem nada haver com história que estamos escrevendo, sendo que a frase poderá ser simplesmente assim: “O diretor da escola municipal, João de Souza, 34, anunciou ontem o início do ano letivo”.


2 - DÊ ATENÇÃO ÀS SOLUÇÕES

Uma vez que esses profissionais atuam no mundo das comunicações, sabem melhor do que ninguém como é limitado em jornais, rádios e televisão, tendo que disputar com outras matérias e profissionais. Então, nada mais justo que ocupar esse espaço com temas úteis e de interesse público, veiculando matérias de prevenção e tratamento de enfermidades que podem se converter em deficiência. Importante ainda, divulgar serviços disponíveis, recursos de tratamentos, lazer e participação no contexto social de interesse a quem tem deficiência, seus familiares e amigos. Serão informações que poderão ser veiculadas, por exemplo, em campanhas de utilidade pública.


3 - PERMITA QUE AS PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA FALEM POR SI MESMA

Esta aqui um erro cometido constantemente. Quantas vezes assistimos os jornalistas chegarem em entidades e instituições para produzir suas matérias e só entrevistaram diretores e especialistas, nem se quer olham para o lado das pessoas com de deficiência.Ouem entrevistas coletivas onde estão ambas as partes, as perguntas quase nunca seus dirigidas a quem têm limitações. Recomenda-se sempre que possível, permita as com deficiência, inclusive a mental, falem por sim mesma. Sempre que forem produzir matérias nesta área, consulte pessoas com deficiência e suas entidades representativas.


4 - USE O TERMO “PESSOA COM DEFICIÊNCIA”

Os termos utilizados para representar ou descrever as pessoas com deficiência são uma de nossas principais preocupação. A maneira como organizamos as palavras, podem gerar sentidos duplos sendo mensagens positivas ou negativas. Segundo o “Mídia e Deficiência: Manual de Estilo”, considerando que as pessoas não são circunstâncias, evitemos rotulá-las com “os deficientes, os epilépticos, os poliomoelícos, dentre outros”, substituindo para “gente (pessoa) que tem deficiência (epilepsia, paralisia cerebral, seqüela de pólio, dentre outras”. Evitemos também, frases que possam rebaixar estas pessoas. (Mas a questão da terminologia é bem mais ampla que possa parecer. Tanto que decidimos enfocá-la com mais profundidade nos próximos artigos).


5 - EVITE A IMAGEM DE GUETO

Geralmente, essas pessoas aparecem em abordagens específicas sobre deficiência; mas sempre que possível, apresente-as como parte integrante da população em geral, o que pode ser feito em situações de inclusão social com outras pessoas de sua idade e comunidade, cidadãos colaborando e produzindo. Podem ser focalizadas como figurantes e em papéis secundários, o que vale relembrar aquela dica anterior de evitar descrições desnecessárias, além de não centralizar a atenção em suas deficiências. Uma boa forma de apresentá-las em situações comuns, é mostrar empregadores e empregados com deficiência, trabalhando também em cargos e/ou funções consideradas incomuns a essas pessoas. Muito importante evitar citas as diferenças entre as pessoas, o que poderá agrupálas em guetos e atitudes segregacionistas, tais como “fulano é uma delas”; pelo contrário, podemos nos beneficiar e enriquecer nossas produções com atitudes inclusivas, tais como “fulano é um de nós”.Opróprio documento do CVI/RJ recomenda: “Inclua estas pessoas na publicidade, já que o número delas está em torno de 15 milhões, sem contar seus familiares e amigos que comem, vestem, compram e consumem os produtos anunciados”.


6 - CUIDADO COM OS MITOS

Os mitos em torno da pessoa com de deficiência são antigos, transmitidos culturalmente entre as gerações. Estereotipadas como pessoas eternamente independentes, vivem em estado lastimoso, perigosas, assexuadas, não agradáveis ao convívio social, dotadas de alguma habilidade especial causada como compensação da deficiência, entre tantos outros mitos. Mas qualquer pessoa hoje com o mínimo de informação, ao ver tantos acontecimentos, conquistas e o forte movimento dessa classe, sabe que essas velhas visões não condizem com a realidade; assim, os jornalistas também sabem disso, embora sejam pessoas comuns e recebem como base a mesma formação cultural que as demais.

Por isso, precisamos tomar cuidado com os mitos, saber evitá-los, sempre mostrando as pessoas deficiência em situações e atitudes que não exagerem nem suas aptidões nem suas limitações; Lembre-se, que são pessoas normais como você; nem coitadinho, nem super-herói!!!


7 - NÃO CARREGUE NAS TINTAS

Não existe nada mais chato para uma pessoa com deficiência, quando ela é insistemente chamada como exemplo de força de vontade, exemplo de luta e coisas desse gênero; mesmo porque, ela é uma pessoa desempenhado o seu trabalho como outra qualquer, sendo que a única diferença é que ela tem uma deficiência, o que não lhe faz diferente, melhor ou pior que ninguém!!! Quando forem produzir matérias sobre essas pessoas, focalizem sempre os êxitos e dificuldades, sem contudo, insistir na questão de serem pessoas com deficiência.

Não é necessário - até mesmo evitável - exagerar na carga emocional dos fatos, retirando toda a pieguice e sencionalismo que o tema e a abordagem podem suscitar. Evitem expressões como “valente, corajoso, inspirado”, pois elas não trazem e nem retiram atributos da personalidades dessas ou de qualquer outra pessoa; é perigoso também as falsas comparações visando minimizar as “marcas da deficiências”, pois estaremos correndo o risco de produzir outros errôneos conceitos e falsas imagens mais profundas dessas pessoas das quais a população já mantém falsos mitos. Substituímos ainda, palavras como “simpatia, amor ao próximo, caridade”, por “respeito, aceitação, solidariedade, reconhecimento (de sua capacidade). Para isso, o documento internacional recomenda novamente, que em notícias e nos documentários só destacar se a pessoa tem uma deficiência se tiver haver com o assunto. Isso não significa que devemos ocultar o fato, mas sim, enxergar e valorizar o indivíduo como pessoa, que realmente o é!


8 - VEJA TODOS OS LADOS DA QUESTÃO

Por várias vezes aqui já recomendamos mostrar as pessoas com deficiência de forma normalizada e em situações comuns do dia-a-dia. Isso significa apresentá-la com sua identidade total, experimentando a dor, o prazer, o desejo e as demais coisas que qualquer pessoa experimentam. Todos nós somos dotados de sentimentos que derivam de atitudes criativas, de trabalho, paternidade, sexo, educação e participação na comunidade. Por isso, não podemos deixar de lado a realidade que essas pessoas também são dotados de potencialidades e fragilidades que as demais.


9 - PREFIRA INFORMAÇÃO NORMALIZADORA

Isso poderá ser feito focalizando as pessoas com deficiência, incluindo as mentais, em situações sociais e físicas comuns a toda comunidade, tais como, trabalhando, praticando lazer, indo a escola, cinemas, shoppins center, fazendo compras, em lanchonetes e restaurantes, passeios ao ar livre, namorando... Desenvolvendo atividades da vida diária, vestindo-se sozinha, preparando refeições, cuidando da casa e dos filhos, dentre outras.


10 - VEICULE INFORMAÇÃO ACESSÍVEL E PERMITA O ACESSO DAS PESSOAS À INFORMAÇÃO

Por fim, o “Mídia e Deficiência: Manual de Estilo”, recomenda: “Leve em conta a curiosidade natural e a eventual posição embaraçosa que pode se produzir em situações sociais que incluem pessoas com deficiência. Quando for apropriado, ofereça exemplos sem que, de forma positiva, esta curiosidade seja satisfeita e que se possa superar a situação embaraçosa”.

 

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Durante o “II Seminário sobre Discapacidad e Informatión”, realizado pela 'Real Patronato de Prevención y Atención a Personas con Minusvalia', nos dias 16 e 17 de novembro de 1987 em Madrid-Espanha, foram elaboradas, dentre outros documentos, dez propostas para que os meios de comunicação veiculem imagens normalizadas dessas pessoas, publicadas em “Discapacidad y Medios de Informacion: Pautas de Estilo”. Essas recomendações começaram a correr o mundo, sendo amplamente divulgadas.

No Brasil, elas foram apresentadas pela primeira vez no início da década de 1990, no “Mídia e Deficiência: Manual de Estilo”, lançado pelo Centro de Vida Independente do Rio de Janeiro - CVI/RJ, mais tarde, em uma co-edição com a Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência - CORDE.
 

 

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fonte:
CONVERSANDO SOBRE INCLUSÃO
Emílio Figueira
Compilação de Textos Publicados na Globo.com entre 2002 e 2003
Projeto eBooks
2.ª Edição - São Paulo, 2008
 

 

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15.Mar.2018
publicado por MJA