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 SOBRE A DEFICIÊNCIA VISUAL

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Contribuições do Soroban | Ábaco para o Ensino de Matemática

André Ferreira de Lima


O Cobrador de impostos está a usar um ábaco para calcular a quantia a cobrar | Baixo-relevo romano do séc. III


O Soroban ou Ábaco é um contador numérico facilitador para o professor mediar o saber matemático em sala de aula, aquele é mais útil ainda no caso de crianças cegas ou com baixa visão. É preciso destacar que para o uso do soroban, a criança já deve ter tido experiência em diversos jogos que possibilitam a compreensão do conceito de número.

As contribuições que o soroban oferece à matemática são muitas, no entanto, delimitaremos nesse trabalho apenas as quatro operações fundamentais da matemática, assim, a maneira como se utiliza e as funções de cada componente deste instrumento ficarão para outro momento, as razões se refere ao fato de que nos estenderíamos fugindo dos objetivos pretendidos por nós.

Na introdução das quatro operações o professor poderá lançar mão de situações simples do cotidiano das crianças, então, “nos contadores mecânicos os alunos representarão quantidades sugeridas pelo professor, simulando brincadeiras que já se configuram como operações mais simples”. (Fernandes, 2006, p.74), essa atividade promoverá à criança o entendimento sobre o valor das contas no eixo das unidades, dezenas, centenas e ordens superiores.

O trabalho com o soroban no uso das operações é valioso, pois favorece alguns métodos tradicionais utilizados pelos professores no ensino desse tema. Na sequência apresentaremos alguns dos mitos quebrados com o soroban:

  • “vai um”, expressão largamente usada no ensino fundamental para referir-se a troca do agrupamento de dez em situação de adição;
  • “pula uma ordem” para registro do produto do segundo algarismo de uma multiplicação;
  • “empréstimo” na subtração, quando alguma ordem do minuendo é menor do que a respectiva do subtraendo;
  • “abaixa um algarismo” para continuar a divisão. (FERNANDES, 2006, p.75).

A subtração pode ser apresentada de maneira que o aluno entenda seu significado, isto é, retirar, comparar e completar. O professor pode levar para a sala de aula uma sacola contendo balas, ele explica para a turma a quantidade de balas disponíveis, pedindo que os alunos registrem no soroban esse valor, em seguida o educador distribuirá metade das balas para as meninas pedindo que todos registrem a quantidade retirada, posteriormente, com a mediação daquele e o devido conhecimento por parte dos estudantes das práticas operacionais do soroban, o professor pedirá que seja efetuado a operação no soroban para saber quantas balas restaram.

Na adição devemos conscientizar para o fato de que ela representa a ideia de juntar. Para uma melhor compreensão, a expressão dezena deverá ser substituída por “um grupo de dez”. Veja a seguinte situação:

Escolhe-se uma das extremidades do contador e representa-se o número 15 por uma conta que vale um grupo de 10 no segundo eixo e 5 contas soltas no eixo à direita do número anterior. É preciso juntar ou acrescentar mais 9 contas às 15 já representadas. Como se pode fazer? (FERNANDES, 2006, p.75).

Uma situação proveitosa é quando o aluno coloca mais uma conta na ordem onde cada conta vale 10 e retira uma conta da ordem onde cada conta vale 1, isto é, das unidades. Isso é mais significativo do que o aluno entender o “vai um”. O professor ainda pode questionar o estudante sobre os seguintes tópicos:

Se o aluno não demonstrar ter essa compreensão, o professor poderá questioná-lo da seguinte forma: “Será que cabem mais 9 onde já existem 5 unidades? Por que não cabem? E onde tem 9? Tem 9 dentro da conta que representa um grupo de 10? Podemos acrescentar uma conta que vale 10 para somar 9? Por quê?”. (FERNANDES, 2006, p.75).

O conceito de multiplicação deve ser introduzido a partir das seguintes ideias, adição de parcelas iguais, noção de proporção e áreas, essa última pode ser utilizada pelos alunos cegos e com baixa visão. Na multiplicação, o multiplicador e multiplicando devem ser registrados, para isso, é preciso respeitar a unidade de referência e os separá-los por hastes vazias, sempre a esquerda do soroban, já o resultado deve ser registrado à direita.
 

Exemplo de multiplicação: 3x74=222.

Como exemplo faremos a multiplicação de 74 vezes 3, veja os passos:

I) registrar o multiplicando 74, pular uma haste e registrar o multiplicador 3;

II) multiplicar 3 X 7, isto é, o produto por dezenas e registrar no lado direito 21, acrescentado 1 na haste das dezenas e 2 na haste das centenas, que equivale a 210;

III) multiplicar 3 X 4, ou seja, o produto das unidades por unidades e registrar o resultado 12 no lado direito do soroban;

IV) obter o resultado final 222.

 

Na divisão conforme Azevedo (2002), devemos trabalhar as noções de repartição equitativa e medida, sendo que, a primeira é entendida como uma dada quantidade sendo repartida igualmente; já na segunda, o objetivo é descobrir quantas vezes uma quantidade (medida) cabe em outra ou pode ser dela retirada.

O trabalho com a divisão através do soroban, deve-se dar oportunidade de os primeiros registros serem efetuados pelos alunos, a partir disso, eles terão condições de manusear o contador numérico e entender gradativamente o algoritmo.

Os procedimentos de divisão no soroban são análogos aos da multiplicação, isto é, tanto o dividendo quanto o divisor devem ser registrados respeitando a unidade de referência e separados por hastes, sempre à esquerda do soroban, já o quociente ficará registrado do lado direito e o resto ficará no lugar do dividendo.
 

Exemplo de divisão: 173/5=34x5+3

Por exemplo, façamos a divisão de 173 por 5, veja os passos:

I) mostrar que 173 = 100 + 70 + 3, primeiro divide-se 1 centena, em seguida 7 dezenas e, por último, as unidades;

II) como uma centena dividida por 5 unidades resulta em 0 centenas, então trocamos 1 centena por 10 dezenas e juntar com as 7 da ordem inferior, formando 17 dezenas;

III) devemos dividir 17 dezenas por 5, resultando 3. Já que 3 X 5 = 15, para encontrar o resto, basta subtrair 15 de 17, chegando-se resto igual a 2, isto é, 17=3x5+2;

IV) continuar a divisão “descendo” o 3, isto é, juntando-se as duas dezenas de resto com as três unidades de ordem imediatamente inferior, formando-se 23 unidades que dividiremos por 5, obtendo resultado 4 e resto 3;

V) então, a divisão de 173 por 5 é 34 e resto 3.


Considerações Finais

Os recursos tecnológicos não são somente aqueles dotados de alto desempenho, modernidade, diversos atrativos, distintas funções e atual, são também os que produzem os mesmos resultados citados, porém, desempenhando uma função de cada vez. É o caso do soroban, um contador numérico utilizado por pessoas cegas, de baixa visão e videntes. Além desses instrumentos possibilitarem a inserção desses indivíduos no processo educativo, eles auxilia na compreensão de alguns procedimentos utilizados nos algoritmos das operações dos sistemas de numeração, promove a agilidade de cálculos mentais e melhora o raciocínio lógico.

Situar a evolução do soroban nesse trabalho foi de suma importância, pois isso possibilitou às pessoas perceberem que tal instrumento passou por diversas adaptações até chegar ao modelo que conhecemos. Também destacamos os principais responsáveis por essas melhorias, eles procuravam oferecer uma condição de vida melhor para as pessoas cegas, e para isso, é necessário disponibilizar uma educação de qualidade.

As potencialidades do soroban na matemática são imensas, temos a certeza de que esse trabalho é apenas uma contribuição mínima, sabemos dos variados estudos nessa linha de pesquisa, mas ainda é pouco, pois são minoria as escolas que dispõem desse contador mecânico, muito menos são os professores que conhecem as vantagens do soroban. Em fim, deixamos o espaço aberto para prosseguimento nessa área e aceitamos as críticas e os elogios à respeito do corrente trabalho.


Referências Bibliográficas

  • AZEVEDO, Orlando C. S de. Operações Matemáticas com o Soroban. Disponível em: http://www.ucb.br/sites/100/103/TCC/22006/OrlandoCesarSiadedeAzevedo.pdf. Acessado em: 9 de Set. de 2012.
  • CARNAÚBA. Lúcio Mauro. Uso e ensino do Soroban adaptado para deficientes visuais. Adaptação da apostila do Cape. Disponível em: www.deosasco.com.br/REC_PARALELA/ApostSoro.doc. Acessado em 11 de Agos. 2012.
  • EVES, Howard. Introdução à história da matemática. São Paulo: Unicamp, 2008, 843p.
  • FERNANDES, Cleonice Terezinha. A construção do conceito de número e o présoroban. Brasília: MEC/SEESP, 2006. Disponível em: http://www.eeava.uneb.br/moodle/course/view.php?id=8. Acessado em 11 de Agos. 2012.
  • LIBRE. Enciclopedia. Disponível em: http://es.wikepedia.org.
  • PEIXOTO, Jurema L. B. e outros. SOROBAN Uma ferramenta para compreensão das quatro operações. I Ed. Itabuna/Bahia: Via Litterarum, 2009, 63 p.
  • SOUZA, Roberta N. S. de. Soroban – Uma ferramenta para ajudar a pensar, contribuindo na inclusão de alunos portadores de necessidades visuais. In: VIII ENEM, 2004. Recife-PE Disponível em: http://www.sbem.com.br/files/viii/pdf/03/MC84642289968.pdf. Acesso em 9 de Set. 2012.

 

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excerto do artigo:
'O SOROBAN COMO INSTRUMENTO DE CÁLCULO PARA OS DEFICIENTES VISUAIS'
autor: André Ferreira de Lima
fonte: http://www.alemdavisao.com/home/
 

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23.Set.2020
Maria José Alegre