Marco António de Queiroz

Teclado adaptado para a Baixa Visão
Muitas pessoas se perguntam como cegos conseguem digitar no teclado de
um computador. A maioria imagina que possuímos um teclado especial em Braille ou, ainda,
que nos utilizamos de computadores com softwares do tipo "comando de voz", que
nos obedecem ao mandarmos executar tarefas, ou seja, sem utilizar o teclado.
Existem, realmente, teclados especiais para vários tipos de
deficiência, inclusive a nossa. Para nós, porém, não constituem uma grande vantagem,
na maioria das vezes, nem pequena, já que o teclado comum, o de todos os computadores,
nos oferece todas as condições de digitação que necessitamos para realizar tal tarefa.
Para começar, percebam que todo teclado, por convenção internacional
de datilografia proveniente das antigas máquinas com esse nome, possuem pontos de
referência em posições estratégicas para uma boa localização tátil do teclado.
Dessa forma, as letras "f" e
"j" possuem um ponto em relevo que, quase
sempre, não são observados pelas pessoas que não sejam profissionais de digitação ou
pessoas muito rápidas nesse serviço. Assim, caso já não o tenha feito antes, você
pode sentir que nas teclas dessas letras há um ponto pequeno e, em geral, da cor da
tecla, na parte central inferior, perfeitamente perceptível pelos dedos. Utilizamo-nos
deles para colocarmos os indicadores e, a partir daí, encontrarmos todas as teclas que
necessitarmos.
Com as mãos nas teclas alfabéticas centrais a partir dos indicadores
na "f" e "j", dedos médios na "d" e "k", anelares
na "s" e "l", mínimos na "a" e "ç" e,
finalmente, com os dedos polegares na barra de espaço, podemos alcançar as outras
facilmente. Por exemplo, subindo-se uma carreira do teclado com o dedo médio esquerdo
alcançarei o "e" e se continuar mais uma carreira nessa subida, chegarei ao
"3". Posso também abaixar o dedo indicador direito e encontrarei o
"m", ou no teclado básico, teclar o "h" indo uma tecla para a
esquerda do "j".
Na parte direita do teclado, a existência desse ponto na tecla
"f" e "j" se repete na tecla "5" do teclado numérico, que
nos posiciona nessa parte do teclado em específico.
Como podem notar, como as teclas nunca fogem de suas posições, não
existe mistério em um cego digitar em um micro computador. Com o auxílio dos leitores de
ecrã/sintetizadores de voz, softwares sonoros que podem, segundo nossa configuração, ir
dizendo cada letra que está sendo digitada naquele momento, a tarefa torna-se fácil.
Caso escutar letra a letra seja especialmente aborrecido para o sujeito, este pode
desconfigurar tal propriedade, digitar tudo e ir corrigindo os erros depois, escutando
tudo de uma vez e parando nos erros audíveis para consertá-los. Tais softwares ainda
podem ler, além do ecrã inteiro e letra por letra, palavra por palavra ou linha por
linha, abrindo o leque de opções.
Existem pessoas que enxergam que são lentas na digitação, como
outras muito rápidas. Connosco ocorre o mesmo. Tudo é uma questão de prática,
necessidade e habilidade pessoal.
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publicado
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MJA
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