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 Sobre a Deficiência Visual


Vermelho como o Céu

Cristiano Bortone (2006)

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Diálogo entre Mirco, que acaba de chegar à escola especial, e Felice. Mirco tenta explicar como são as cores a Felice, que já nasceu cego:
 

Mirco: Ouça... O que as crianças fazem por aqui?

Felice: Nada demais. Comemos, estudamos e dormimos... Quase me esqueci! Fazemos uma viagem uma vez por ano para visitar um santuário. Mirco... Você enxerga?

Mirco: Sim. E desde quando você é assim?

Felice: Desde que nasci. Como são as cores?

Mirco: São lindas.

Felice: Qual é a sua predileta?

Mirco: O azul.

Felice: Como é o azul?

Mirco: É como quando se anda de bicicleta e o vento te bate na cara. Ou também é como o mar. O marrom... Sinta isto. É como a casca desta árvore. Sente como é áspera?

Felice: Muito áspera! E o vermelho?

Mirco: O vermelho... É como o fogo. Como o céu no pôr-do-sol.


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Filme: Rosso come il cielo (Itália, 2006)



Emotivo e emocionante, como só o cinema italiano sabe fazer. Assim é "Vermelho como o Céu", filme que conta a história real de Mirco (Luca Capriotti), um garoto de dez anos que fica cego num acidente doméstico e é obrigado a frequentar uma escola especial, longe dos pais e dos antigos colegas.

À primeira vista – sem trocadilhos –, o tema da cegueira infantil poderia sugerir um filme melodramático e choroso, mas esse, felizmente, não é o caminho seguido pelo realizador Cristiano Bortone. Pelo contrário, Bortone trata o tema com lirismo e extrai de seu jovem elenco (quase todo formado por crianças realmente cegas) óptimos momentos de bom humor. Como tudo é ambientado na Itália dos anos 70, o sub-tema que permeia a trama é o autoritarismo, aqui travestido na figura do director da escola especial, um homem amargo – ele próprio também cego – que não acredita na capacidade produtiva e criativa do deficiente visual. Como se percebe, há várias formas de cegueira.

Numa segunda análise, "Vermelho Como o Céu" é um filme sobre transições. O protagonista é obrigado a adaptar-se ao mundo da escuridão, ao mesmo tempo em que cresce, em todos os sentidos, como pessoa. Enquanto isso, lá fora, a própria Itália é compelida a mudar as leis sobre os estudantes deficientes, como o filme explica no final. Também sem querer desvendar o final da trama, o destino verídico deste menino, quando adulto, também é dos mais poéticos.

Além de uma belíssima declaração de amor ao cinema, "Vermelho Como o Céu" resgata a tradição humanista e passional de um tipo de cinema italiano que não tem medo de chorar. Não por acaso, ele foi eleito o melhor filme pelo Júri Popular da 30.ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.  Celso Sabadin e blog  Homovisualis


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Festivais e Prémios:

♦ Academia de Cinema Italiana (David Di Donatello) - Vencedor do Prêmio David of the Youth - Melhor Filme
♦ Ale Kino! - International Young Audience Film Festival - Melhor Filme
♦ Cinekid - Melhor Filme
♦ Durban International Film Festival - Melhor Filme
♦ Flaiano Film Festival - Prêmio do Público de Melhor Filme
♦ Flanders International Film Festival - Prêmio do Público de Melhor Filme
♦ Hamburg Film Festival - Melhor Filme
♦ Montréal International Children´s Film Festival - Melhor Filme
♦ Real to Reel Film and Video Festival - Melhor Filme
♦ Sydney Film Festival - Prêmio do Público de Melhor Filme
♦ Mostra Int´l de Cinema de São Paulo - Prêmio do Público de Melhor Filme Estrangeiro
 


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[7.Dez.09]
Publicado por MJA