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 Sobre a Deficiência Visual


Velho cego, choravas

Pablo Neruda

Ciego - fotografia de Memo Vasquez, 2009

 

Velho cego, choravas quando a tua vida
era boa, e tinhas em teus olhos o sol:
mas se tens já o silêncio, o que é que tu esperas,
o que é que esperas, cego, que esperas da dor?
 
No teu canto pareces um menino que nascera
sem pés para a terra e sem olhos para o mar
como os das bestas que por dentro da noite cega
- sem dia ou crepúsculo - se cansam de esperar.
 
Porque se conheces o caminho que leva
em dois ou três minutos até à vida nova,
velho cego, que esperas, que podes esperar?
Se pela mais torpe amargura do destino,
animal velho e cego, não sabes o caminho,
eu que tenho dois olhos to posso ensinar.

FIM

 


Pablo Neruda [1904 - 1973]

Pablo Neruda inicia-se na literatura com um livro profético: "Crepusculário", publicado pela 1.ª vez em 1923, quando o iniciante Neruda ainda publicava avulsamente em jornais e revistas, e é dividida em "capítulos".

O livro reúne os poemas escritos por ele entre os dezasseis e os dezessete anos, quando, segundo o próprio, escrevia entre dois e cinco poemas diariamente.
 

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"Viejo ciego, llorabas"
poema de Pablo Neruda
in "Crepusculário", 1923
Tradução de Rui Lage

 


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[18.Mai.2013]
Publicado por MJA