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- Velho cego, choravas quando a tua vida
era boa, e tinhas em teus olhos o sol: mas se tens já o silêncio, o que é que tu esperas, o que é que esperas, cego, que esperas da dor?
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- No teu canto pareces um menino que nascera
sem pés para a terra e sem olhos para o mar como os das bestas que por dentro da noite cega - sem dia ou crepúsculo - se cansam de esperar.
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- Porque se conheces o caminho que leva
em dois ou três minutos até à vida nova, velho cego, que esperas, que podes esperar?
- Se pela mais torpe amargura do destino,
animal velho e cego, não sabes o caminho, eu que tenho dois olhos to posso ensinar.
FIM
Pablo Neruda inicia-se na literatura com um livro profético: "Crepusculário", publicado pela 1.ª vez em 1923, quando o iniciante Neruda ainda publicava
avulsamente em jornais e revistas, e é dividida em "capítulos".
O livro reúne os poemas escritos por ele entre os dezasseis e os dezessete anos, quando, segundo o
próprio, escrevia entre dois e cinco poemas diariamente.
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"Viejo ciego, llorabas"
poema de
Pablo Neruda
in "Crepusculário", 1923
Tradução de Rui Lage
[18.Mai.2013]
Publicado por
MJA
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