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Ida Mara Freire

The Blind Leading the Blind - Peter Buggenhout, escultura
#13, 2009
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(...) Quando ia oferecer sacrifícios aos deuses, em honra
de sua vitória, Hércules mandou pedir à esposa uma túnica branca, para usar na cerimónia. Dejanira, achando a ocasião oportuna para experimentar o feitiço,
embebeu a túnica no sangue de Nessus. Naturalmente, teve o cuidado de eliminar
os sinais de sangue, mas o poder mágico permaneceu e, logo que a túnica se
aqueceu ao contacto de Hércules, o veneno penetrou em seu corpo, provocando-lhe
terríveis dores. Frenético, Hércules, agarrou Licas, que levara a túnica fatal,
e atirou-o ao mar. Ao mesmo tempo, procurava arrancar do corpo a túnica
envenenada, mas esta saía com pedaços de sua carne, em que se colara. (...)
(BULFINCH, 1999, p.182)
O que é a cegueira? O que é ser cego? Quem define o que
é a cegueira? Essas perguntas podem parecer desgastadas, ou mesmo
ultrapassadas. Mas, leitor, poderia me dizer o que é cegueira para você, que
poderá estar lendo esse texto, em Braille, a tinta, ou ouvindo por meio do
programa DOSVOX, ou de uma fita cassete? Se cada um de vocês responder a essa
pergunta, tenho a sensação de que todos terão uma resposta muito própria sobre o
que é a cegueira. Afinal, será que as pessoas que enxergam definem a
cegueira do mesmo modo que as pessoas que não enxergam? As pessoas que
enxergam, vêem as coisas do mesmo modo? E quem não vê, não vê nada ou nunca
viu? É possível encontrar nas respostas a essas perguntas o surgimento de
algumas crenças generalizadas, por exemplo, quem vê sabe tudo, e quem não vê
não sabe nada. Essa atitude remete à noção de fé perceptiva proposta por Merleau-Ponty (2000), que constata nessa noção uma obscuridade:
Vemos as coisas mesmas, o mundo é aquilo que vemos -
fórmulas desse género exprimem uma fé comum ao homem natural e ao filósofo desde
que abre os olhos, remetem para uma camada profunda de "opiniões" mudas
implícitas em nossa vida. Mas essa fé tem isto de estranho: se procurarmos
articulá-la numa tese ou num enunciado, se perguntarmos o que é este nós, o que
é este ver e o que é esta coisa ou este mundo, penetramos num labirinto de
dificuldades e contradições (p.15).
Meu intuito nesse texto é descrever como a cegueira vem
sendo definida, interpretada, estudada, procurando um sentido que muitas vezes
as próprias palavras velam. Sei, que assim procedendo estarei revelando minhas
próprias concepções e ideias sobre a cegueira. Porém, aprendo que é na
experiência do diálogo que se constitui um terreno comum entre mim e o outro.
Como examina Merleau-Ponty (1994):
Meu pensamento e o seu formam um só tecido, meus ditos e
aqueles do interlocutor são reclamados pelo estado da discussão, eles se inserem
em uma operação comum da qual nenhum de nós é o criador. Existe ali um ser a
dois, e agora outrem não é mais para mim um simples comportamento em meu campo
transcendental, aliás nem eu no seu, nós somos, um para o outro, colaboradores
em uma reciprocidade perfeita, nossas perspectivas escorregam uma na outra, nós
coexistimos através de um mesmo mundo (p.474).
Portanto, o que se indaga aqui não é somente o que é a
cegueira, mas como e por quem ela é percebida. As definições denotam uma
percepção de si, do outro e do mundo e "aderem ao meu corpo como a túnica de Nessus" (MERLEAU-PONTY 2002, p.171). Este autor (2002) se refere à túnica de
Nessus para descrever a universalidade do sentir, esclarece que "é sobre
essa que repousa nossa identificação, a generalização de meu corpo, a percepção
do outro" (p.171).
Neste texto esboço a tentativa de buscar uma compreensão
da cegueira, partindo primeiramente, das definições utilizadas no contexto
educacional. Concomitantemente, tentarei explicitar os aspectos favoráveis e
desfavoráveis imbricados nestas interpretações, confrontando-as com
narrativas sobre a experiência com a cegueira.
A definição frequentemente
adoptada para determinar a habilitação das pessoas categorizadas com deficiência
visual para diversos serviços e programas educacionais se pauta em duas
características: acuidade visual: 2/200 a 20/200 e campo da visão não
maior que 20° (SCHOLL, 1983). No texto "Percepção, Acção e Conhecimento nas
Crianças Cegas", Esperanza Ochaita e Alberto Rosa (1995), partindo de uma
perspectiva da psicologia escolar, definem :
A cegueira é um tipo de deficiência sensorial e, portanto,
sua característica mais central é a carência ou comprometimento de um dos
canais sensoriais de aquisição da informação, neste caso o visual. Isto,
obviamente, tem consequências sobre o desenvolvimento e a aprendizagem,
tornando-se necessário elaborar sistemas de ensino que transmitam, por vias
alternativas, a informação que não pode ser obtida através dos olhos. (...) A
carência ou a séria diminuição da captação da informação, por um canal
sensorial da importância da visão, faz com que a percepção da realidade de um
cego seja muito diferente da dos que enxergam. Boa parte da categorização da
realidade reside em propriedades visuais que se tornam inacessíveis ao cego, mas
isto não quer dizer que careça de possibilidade para conhecer o mundo ou para
representá-lo; o que o ocorre é que , para isso, deve potencializar a
utilização dos outros sistemas sensoriais (p.183).
Verifica-se que a cegueira vem sendo apresentada como
redução ou ausência da acuidade visual. Essas noções têm guiado as
proposições presentes nos documentos oficiais e, consequentemente orientado a
formulação de políticas públicas para o trabalho e a educação das pessoas com
cegueira ou baixa visão. No entanto, me parece que no processo educacional o
modo pelo qual uma pessoa faz uso de seus sentidos nem sempre pode ser
determinado por meio de medidas objectivas. A tentativa de buscar medidas
objectivas para a definição da cegueira coloca em evidência os caminhos
teóricos que pautam estas definições e também seus autores, alguns
exemplificados neste texto. No entanto, compreendermos os pontos de vista uns
dos outros é um desafio permanente, pois o mundo que temos em comum pode ser
considerado sob infinito número de ângulos e possibilidades.
Sadao Omote (1994), por exemplo, alterca as abordagens
centradas na pessoa com deficiência, alegando que essas ignoram um ponto
central que é a construção social da deficiência. Admoesta que:
A deficiência não pode ser vista como uma qualidade
presente no organismo da pessoa ou no seu comportamento. Em vez de circunscrever
a deficiência nos limites corporais da pessoa com deficiência, é necessário
incluir as reacções de outras pessoas como parte integrante e crucial do
fenómeno, pois são essas reacções que, em última instância, definem alguém como
deficiente ou não deficiente. As reacções apresentadas por pessoas comuns face às
deficientes ou às deficiências não são determinadas única nem necessariamente
por características objectivamente presentes num dado quadro de deficiência, mas
dependem bastante da interpretação, fundamentada em crenças científicas ou não,
que se faz desse quadro (p. 67).
O que o autor nos alerta é que não se pode ignorar o
outro na vida de uma pessoa com cegueira. E isso se evidencia quando
pergunto para essa pessoa o que é a cegueira? Suas respostas mostram o
outro. A percepção do outro para quem não vê é silenciosa, não se trata de um
objecto que está diante de si, mas de um convite, às vezes um confronto, ou
ainda, um desafio para que ele se desdobre, se descentre.
Taís, uma adolescente,
narrou para mim o seguinte episódio:
Um
dia eu estava no centro [da cidade] andando com alguém, daí eu fui para casa.
Aí, na hora que encontrei uma pessoa, assim, que chegou em mim, esbarrou em
mim e nem pediu desculpa. Eu estava com a bengala, assim sei lá, bengala
dobrada... A pessoa nem chegou em mim e nem pediu desculpa. Daí, eu não
entendi mais nada... simplesmente. É, fiquei nervosa assim, e fui embora... Ali
no corrimão do terminal novo, a gente passa por ali, eles nem pedem desculpas,
a gente pede licença e ninguém dá!
Talvez, a indignação de Taís
diga respeito a esse outro que ela sente em si. O fato desse outro não
exprimir com palavras, ou mesmo um toque afectuoso, um pedido de desculpa,
faz com que ela vivencie a opacidade da percepção do outro sobre si mesma.
Ela sente o outro, porém o outro silencia o que sente por ela. Deste modo, a
cegueira se define nas reacções do outro.
Monbeck (1974), examinando o
encontro entre pessoas que enxergam com aquelas que não, primeiramente,
verificou que pena e simpatia são as reacções mais comuns por parte daqueles que
enxergam em relação à pessoa que não enxerga. Explicita que a piedade
demonstrada às pessoas cegas muitas vezes é desproporcional em relação às
limitações impostas ao indivíduo pela cegueira. Infelizmente, as limitações actuais, os reais problemas de ser cego, são geralmente desconhecidos ou
incompreendidos pela maioria das pessoas. O que se constata sobre isso é que o
fato de se viver sem visão é negligenciado em favor de uma gama imensa e diversa
de mal-entendidos e interpretações equivocadas. Em relação às atitudes actuais
sobre a cegueira, essas são provenientes da nossa herança cultural. Igualmente,
muitas dessas atitudes são identificadas em outras culturas, indicando, assim,
algumas experiências humanas em comum, no que diz respeito às nossas reacções com
a cegueira e com a pessoa cega. Deste modo, atitudes do passado podem
desempenhar um papel de reforçar as experiências de hoje em relação à cegueira,
como também a predisposição individual para certas reacções.
A relação de negação presente entre pessoas que
enxergam e pessoas que não enxergam poderia transparecer como uma
transformação da pessoa em um objecto. Merleau-Ponty (1994), constata que:
O olhar de outrem só me transforma em objecto se nós dois
nos retiramos para o fundo de nossa natureza pensante, se nós dois olhamos de
modo inumano, se cada um sente suas acções, não retomadas e compreendidas, mas
observadas como acções de um insecto (p.484).
Vejamos se retomarmos aqui o episódio de Taís, e
atentarmos para sua queixa, "a gente pede licença e ninguém dá..." podemos
observar que, nas palavras de Merleau-Ponty (1994:
(...) a objectivação de cada um pelo olhar do outro só é sentida como penosa
porque ela toma o lugar de uma comunicação possível. (...) A
recusa de comunicação ainda é um modo de comunicação. A liberdade proteiforme,
a natureza pensante, o fundo inalienável, a existência não-qualificada, que
marcam os limites de toda simpatia em mim e em outrem, suspendem a comunicação,
mas não a anulam. Se lido com um desconhecido que ainda não disse uma só
palavra, posso acreditar que ele vive em um outro mundo no qual minhas acções e
meus pensamentos não são dignos de figurar. Mas que ele diga uma palavra ou
apenas faça um gesto de impaciência, e ele já deixa de me transcender : então é
esta voz, são estes os seus pensamentos, eis portanto o domínio que eu
acreditava inacessível. Cada existência só transcende definitivamente as outras
quando permanece ociosa e assentada em sua diferença natural (p. 484).
Neste caso, há de assumir que somos parte de um mesmo
tecido, Merleau-Ponty (2002) refere-se a mordida do mundo, para explicitar a
percepção "outro-eu-mundo", tecido de uma mesma carne. Essa aderência
incomoda, causa dor, como narrado na história de Hércules. Será esta a
constituição intersubjectiva entre quem vê e quem é visto?
Em 1974, Berthold Lowenfeld
proferiu uma palestra na Filadélfia, intitulada "What is Blindness?"1 [O que
é cegueira?] Em seu texto Lowenfeld buscou, também, conhecer as
definições dos especialistas e profissionais com cegueira, actuantes na
reabilitação e nas áreas educacional e social.
Admite que esses profissionais, em virtude de suas próprias experiências
com a cegueira, são mais qualificados para falar sobre
os problemas do cego e da cegueira, do que muitos profissionais não-cegos que estão ou se colocam em
posição de tomada de decisões. O autor sintetiza que as interpretações de
psicólogos e sociólogos cegos mostram que eles consideram a cegueira uma
redução que requer adaptação, ajustamento, reorganização ou reprogramação.
Lowenfeld constata que, embora a cegueira represente uma demanda especial na
vida do individuo, a continuidade de sua existência e sua própria personalidade
não foram consideradas por tais interpretações. Identifica que quem tem se
ocupado com esses aspectos são os estudiosos não-cegos. Uma primeira
interpretação vincula a cegueira com a tragédia e o desastre. O autor
critica os escritos do padre Thomas J. Carrol que, corroborado por Dr. Louis
S. Cholden, um psiquiatra, referem-se ao sentido de cego deixar morrer a
pessoa vidente e ser renascida como uma pessoa cega. Ele encontrou um ponto
comum entre aqueles que pesquisam e escrevem sobre a cegueira, todos
estudiosos, videntes ou não-videntes, reconhecem que a falta ou perda da visão
é uma diminuição sensorial severa que afecta a pessoa como um todo. Salienta
que a contribuição que os estudiosos videntes oferecem nessa discussão sobre
a condição da cegueira pode ser valiosa, mas parcialmente entendida. Pois, uma
compreensão total da cegueira escapa do vidente que não pode se colocar
completamente na experiência e na posição activa de uma pessoa cega.
As interpretações acima delineadas confirmam uma
indicação de Lowenfeld, de que em torno do termo cegueira gravita, primeiro,
o grau de visão residual; segundo, a idade em que ocorreu a cegueira;
terceiro, o tempo transcorrido desde que ocorreu a cegueira , e a causa e o
tipo de cegueira. Examinando criticamente a abordagem psicológica da
cegueira, Vygotsky (1983) expõe que como em qualquer ciência, é possível
equivocar-se de diferentes maneiras, mas para avançar em direcção à verdade só é
possível por uma via. Sua ideia se resume em apresentar a cegueira, não somente
como a falta da visão, ou deficiência de um órgão em particular, mas deve-se
considerar que esta provoca uma grande reorganização de todas as forças do
organismo e da personalidade. A cegueira, ao criar uma formação peculiar da
personalidade, reanima novas forças, muda as direcções normais das funções do
organismo e de uma maneira criadora e orgânica, refaz e transforma a
psique e
a persona. Portanto, a cegueira não é somente uma deficiência, uma incapacidade,
mas, em um certo sentido, uma fonte de manifestação das capacidades, uma força.
Por mais estranho e paradoxal que seja.
Parece-me então que para definir a cegueira faz-se necessário ir além
daquilo que é dado. Devo me propor conhecer a história daquele corpo como um
entrelaçamento do meu próprio corpo. A história de sua vida perpassa a
história da minha vida, configurando-se um modo peculiar de ser no mundo.
Um ser singular, contribuindo para a pluralidade do mundo. Um ser não-visual,
que não usa a visão como sentido prioritário para conhecer o mundo. A cegueira
deixa de ser objecto e passa a ser uma experiência perceptiva. Trata-se mais
de lidar com a invisibilidade que com a escuridão. A cegueira está para quem
não vê , assim como a invisibilidade está para quem vê.
Apresentar a cegueira como uma experiência me possibilita apresentar minha
vida aberta ao outro. Quando entrevisto pessoas com cegueira, sinto que minha
fala é acolhedora. Quando indago: "poderia me falar sobre sua experiência com a
cegueira?" Ao introduzir minha fala dessa maneira, a
comunicação acontece, o
outro fala de sua experiência de vida, nessa fala faz que eu me reconheça
nele, e ele em mim. Somos um no mundo, com a túnica de Nessus sobre nós, a
universalidade do sentir nos adere.
Jussara, uma amiga ceramista, me escreveu:
A minha experiência com a cegueira não é traumática e nem dramática. A
princípio, quando me descobri cega, é claro que foi difícil, não conseguia
entender a minha condição, por que eu? Mas a partir do momento em que comecei
a fazer minha reabilitação as coisas foram clareando e aos poucos fui notando
que as emoções, sentimentos, vibrações e percepções estavam se aguçando de tal
forma, que não ver não era mais um problema. Foi quando redescobri a arte em
minha vida, então logo tudo transformou-se e hoje posso dizer que sou realizada
e cheia de projectos. Sei que isso não acontece com todos, conheço pessoas que
recusam a cegueira e se transformam em pessoas amargas. Outras, mesmo com seus
olhos em perfeito funcionamento, não conseguem perceber, sequer o outro ao seu
lado. Quem será realmente o cego?
Na fala de Jussara é revelada sua percepção de si, do outro e do mundo.
Parece explicitar a constituição intersubjectiva proposta por Merleau-Ponty
(1994):
A subjectividade transcendental é uma subjectividade revelada, saber para si
mesma e para outrem, e a este título ela é intersubjectividade. A partir do
momento em que a existência se concentra e se engaja em uma conduta, ela cai sob
a percepção. Como qualquer outra percepção, esta afirma mais coisas do que
realmente apreende (...) Da mesma maneira, quando digo que conheço alguém ou
que o amo, para além de suas qualidades eu viso um fundo inesgotável que um dia
pode fazer estilhaçar a imagem que me faço desta pessoa. É a este preço que
existem para nós as coisas e os "outros", não por uma ilusão, mas por um ato
violento que é a própria percepção (p.485).
Se por um lado a percepção tem uma característica de nos fazer desejar
arrancar a túnica do nosso corpo, em virtude da dor que nos causa, qual será
então nosso destino, será o mesmo de Hércules? O contacto com o outro, talvez,
possa deixar de representar somente a nossa a morte, mas quem sabe, também a
nossa libertação. A dança é uma possibilidade de ser um com outro no mundo...
Mas, isso já é uma outra história.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
-
BULFINCH, T. O livro de ouro da mitologia: (a idade da fábula) histórias de
deuses e heróis. Rio de Janeiro: Ediouro,1999.
-
LOWENFELD, B. What is blindness? In: Berthold Lowenfeld on blindness
and blind people select papers. New Yorker: American Foundation for the Blind,
1991. p.221-229.
-
MERLEAU-PONTY, M. O visível e o
invisível. São Paulo: Perspectiva, 2000.
-
MERLEAU-PONTY, M. Outrem e o mundo humano. In: A fenomenologia da
percepção. São Paulo: Martins Fontes, 1994.
-
MERLEAU-PONTY, M. A percepção do outro e o diálogo. In: prosa e
o mundo. São Paulo: Cosak & Naify, 2002.
-
MÜLLER, M. J. Merleau-Ponty: acerca da expressão. Porto Alegre: Edipucrs,
2001.
-
OCHAITA, E. e ROSA, A. Percepção, acção e conhecimento nas crianças cegas. In:
COOL, C. PALACIOS, J. MARCHESI, A. (Org.). Desenvolvimento psicológico e
educação: necessidades educativas especiais e aprendizagem escolar. Porto
Alegre: Artes Médicas, 1995. v.3.
-
OMOTE, S. Deficiência e não-deficiência; recortes do mesmo tecido. Rev. Bras.
Educacção Especial. Piracicaba: 1994. v.1, n.2, p.67-68.
-
SCHOLL, G. A educação de crianças com distúrbios visuais. In: CRUICKSHANK,
W. JOHNSON, G.O. A educação da criança e do jovem excepcional. Rio de Janeiro:
Globo, 1983.
-
VYGOTSKY, L.S. Fundamentos de defectologia: obras completas. Habana:
Editorial Pueblo Y Education, 1983. v.5, p.74.
Resumo | Quem define o que é cegueira? O texto busca a compreensão
da cegueira confrontando as definições e narrativas apresentadas na literatura
especializada e no quotidiano. Tenta decifrar a relação entre a cegueira e o mito
sobre a túnica de Nessus,
primeiro
revelando a
cegueira como um
dos modos
possíveis de
perceber o mundo
e, então, que
tanto sua
definição quanto
sua experiência
são
indissociáveis
da presença do
outro em minha
corporeidade.
Ida Mara Freire é professora do Centro de Ciências da Educação da
Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. Pedagoga, realizou pós-doutorado
na University of Nottingham. É directora do Grupo de Dança Potlach de dançarinos
com e sem cegueira. Estuda e orienta pesquisas sobre percepção, corpo, dança e
cegueira.
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29.Out.2007
Publicado por
MJA
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