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Lara de Lemos

fotografia de
Lee Mclaughlin, 1973
Há quanto tempo
somos este tatear!
Emílio Moura
- Caminhamos cegos.
Em extremo.
Apalpando o caminho
os sinais de trânsito
a superfície áspera, hostil
dos muros.
- Há ameaças nos caibros
no câncer nos andaimes no ódio nas ciladas dos anúncios luminosos.
- Prosseguimos cegos.
Um medo comum, denso Ambíguo, cotidiano é o pão nosso.
- É o osso que roemos
no escuro.
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CEGOS
Lara de Lemos
in Adaga Lavrada
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981 - p. 48
[2.Jun.2014]
Publicado por
MJA
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