
-excerto-

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Resumo: A audiodescrição é uma técnica que descreve cenas ou imagens,
traduzindo o visual em palavras para pessoas com deficiência visual. Este
artigo procura trazer algumas reflexões sobre a necessidade do uso desta
técnica em ambientes educacionais, em nível de Educação Básica ou Ensino
Superior, considerando-a uma tecnologia assistiva necessária para a
atual inclusão educacional.
O
Uso da Audiodescrição nos
Espaços Educacionais
Diante da falta de rigor, em cumprir com a legislação estabelecida
do uso da audiodescrição em termos sociais, daremos ênfase ao uso desta
técnica nos espaços educacionais.
Considerando que a escola é um espaço de construção de saberes e
de formação de cidadãos, no qual se encontra uma diversidade de alunos,
entre eles, alunos com deficiência visual, e nela há uso de vídeos, figuras
e imagens, apresentações culturais em diversos momentos, é importante
destacar a necessidade da implantação dos recursos de audiodescrição.
De acordo com Silva (2015) essa técnica, mesmo sendo necessária para
que o conhecimento atinja a todos, não está presente nas escolas.
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[...] o recurso da audiodescrição, considerada uma forma de
acessibilidade para os alunos com deficiência visual são pouco
encontrados nas escolas regulares que possuem alunos com
deficiência visual. Na maioria das escolas, os vídeos educativos
não possuem audiodescrição ou professores com formação continuada
em audiodescrição para que possam orientar e auxiliar
os professores do ensino comum diante dessas situações (SILVA,
2015, pag. 05).
Com a inclusão de alunos com deficiência nas escolas regulares,
após a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação
Inclusiva – PNEE-EI (2008), as escolas se mobilizaram para se adaptarem
para o recebimento desses alunos. Desde então, o Ministério da Educação
começou a implantar nas escolas o Atendimento Educacional Especializado,
destinado aos alunos com algum tipo de deficiência. Os professores
especialistas na área da Educação Especial atuam nesta complementação
do ensino e necessitam ter conhecimentos para atuarem com alunos com
deficiências variadas. Os professores que atuam no Atendimento Educacional
Especializado com os alunos com deficiência visual, necessitam
estar preparados para trabalhar diversas técnicas e para isso, são necessárias
capacitações. De acordo com Silva (2015):
As capacitações aos professores especialistas envolvem: Escrita
Braile, Soroban, Orientação e Mobilidade, Atividades de Vida
Diária, Informática, Reeducação visual entre outras que auxiliam
estes a complementar o processo de aprendizagem dos alunos
cegos ou com baixa visão (SILVA, 2015, pag. 07).
Ao investigar a oferta de cursos de capacitação o Centro de Apoio
Pedagógico ao Deficiente Visual - CAP, um dos responsáveis em capacitar
esses professores, ressalta que a técnica em audiodescrição, não faz parte
dos conteúdos programáticos, deixando lacunas para a complementação
dos professores especialistas na área da deficiência visual. Visto
que, os professores especializados nas escolas regulares têm como uma
das suas funções, orientar demais professores, sobre meios de adaptação
curricular, adaptação de materiais e meios pedagógicos para que desenvolva
as funções psicológicas superiores dos alunos com deficiência. Assim,
orientar estes profissionais sobre o uso de vídeos, imagens e figuras,
se torna essencial para que aluno com deficiência visual complemente
seus conhecimentos, e para que essa meta seja cumprida, o uso da audiodescrição,
precisa fazer parte do conteúdo programático dos cursos
de capacitação desses professores.
Parece que descrever figuras, cenas e imagens, principalmente em
momentos na sala de aula, é algo fácil. No entanto, há que se ter alguns
cuidados, pois sendo uma técnica ou tecnologia assistiva, em que se realiza
uma tradução visual, requer estratégia e procedimentos especiais,
para que possibilite a pessoa com deficiência visual uma forma de aprender
ou conhecer, no mesmo patamar que as pessoas videntes.
Para Lima (2011), a tradução visual na forma de audiodescrição
pode ser considerada uma tecnologia assistiva, pois:
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[...] consiste em uma atividade que proporciona uma nova experiência
com as imagens, em lugar da experiência visual perdida
(no caso de pessoas cegas adventícias), e consiste em tecnologia
assistiva, porque permite acesso aos eventos imagéticos, em
que a experiência visual jamais foi experimentada (no caso das
pessoas cegas congênitas totais). Em ambos os casos, porém, é
recurso inclusivo, à medida que permite participação social das
pessoas com deficiência, com igualdade de oportunidade e condições
com seus pares videntes (LIMA, 2011, p. 09).
Nesta perspectiva, a audiodescrição sendo uma tecnologia assistiva
em que se realiza uma tradução visual, se torna uma técnica inclusiva,
a qual deveria ser utilizada também nas salas de aula da educação
básica, bem como no ensino superior. Neste sentido, percebe-se a grande
relevância da presença urgente do uso da audiodescrição na educação,
merecendo cobranças por meio de legislações, não apenas com ênfase
nas cobranças desta técnica nas redes de televisão, visto que esta é de
suma importância para as pessoas/alunos que estão desenvolvendo suas
funções psicológicas superiores, por meio de todas as formas e meios
construídos ao longo dos processos históricos socialmente construídos.
Considerações Finais
Diante do exposto, percebe-se que há leis e decretos que são formulados
e reformulados, em relação ao uso da audiodescrição em diversos
ambientes de lazer, social e educacional no contexto brasileiro. No
entanto, a aplicabilidade destas legislações tem sido pouco efetivada e
fiscalizada, o que ainda marginaliza as pessoas com deficiência visual em
relação à inclusão, tanto social como educacional.
Assim, percebe-se que em diversos momentos da aplicabilidade de
legislações brasileiras, iniciou-se em âmbito educacional, o que não poderia
ser diferente com o uso da técnica da audiodescrição, a qual é considerada
uma tecnologia assistiva, que amplia as possibilidades de acesso
aos conhecimentos e oportuniza o acesso aos processos históricos acumulados
socialmente e culturalmente pelos indivíduos, por meio de figuras,
imagens e cenas de filmes utilizados na educação básica ou universidade.
Para concluir, sugerimos que nos programas de formação continuada
de professores, seja incluído a audiodescrição, para que os professores
tenham condições de fazer a leitura desse mundo imagético e
também ensinem seus alunos a fazer esta leitura de imagens, cenários,
gráficos, mapas, entre outros.
FIM
AUTORAS:
Lísia Regina Ferreira Michels
é Doutora em Educação: Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade
Católica
de São Paulo (2007). Atualmente é professora da Universidade Federal da
Fronteira Sul
(UFFS). Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia da
Educação,
atuando principalmente nos seguintes temas: educação inclusiva, educação
especial,
desenvolvimento humano e formação de professores. E-mail:
lisia.michels@uffs.edu.br.
Mara Cristina Fortuna da Silva
é Mestre em Educação pela Universidade Federal da Fronteira Sul – Campus Chapecó
(UFFS). Atua como professora na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), e
professora
de Educação Especial da Secretaria de Educação do Estado do Paraná. Tem
experiência na área da Educação, com ênfase em Educação Especial, Deficiência
Visual,
Deficiência Intelectual, Transtornos Funcionais Específicos. E-mail:
maracris193@yahoo.com.br ou mara.silva@uffs.edu.br.
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in Audiodescrição: práticas e reflexões
Daiana Stockey Carpes
(organizadora)
Santa Cruz do Sul:
Catarse, 2016.
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