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2016
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Governo garante que ninguém fica a perder com a nova Prestação Social para a InclusãoCristina Oliveira da Silva
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O Dia Internacional das Pessoas com Deficiência comemora-se anualmente a 3 de dezembro. Esta celebração realiza-se desde 1998, ano em que a Organização das Nações Unidas avançou com a convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência.
A data tem como principal objetivo a motivação para uma maior compreensão dos assuntos relativos à deficiência e a mobilização para a defesa da dignidade, dos direitos e do bem-estar destas pessoas.
Cada ano, o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, tem um tema específico, que pauta as atividades e eventos deste dia. Em 2016 o tema é "Alcançando 17 metas para o futuro que queremos", que chama atenção para os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU e como estes objetivos podem criar um mundo mais inclusivo e equitativo para as pessoas com deficiência.
Em Portugal as variadas instituições realizam distintas atividades para celebrar o dia, tais como seminários, concursos de frases e ideias, almoços de gala, corridas, entrega de prémios, espetáculos de teatro, dança e cinema, entre outros, apelando à participação da população. As atividades levadas a cabo neste dia têm como fim de consciencializar a população da importância da integração das pessoas portadoras de deficiência na sociedade. As comemorações nacionais deste dia estão a cargo do Instituto Nacional para a Reabilitação (INR), I.P.
fonte: Calendarr Portugal
publicado por
MJA
[1.Dez.2016]

Universidade Lusófona
ULHT oferece um curso de braille - formação avançada, como resultado e na sequência do alcance das diferentes áreas de investigação do mestrado em comunicação alternativa e tecnologias de apoio, fundado em 2005 e a funcionar na ecati/ulht desde 2006. este curso de formação avançada assenta na investigação aprofundada, desenvolvimento e aplicação das teorias comunicacionais, metodologias estratégicas e boas práticas para a educação, formação e inclusão de pessoas cegas, com baixa visão e surdocegas, que privilegia o domínio "comunicação e linguagem" na área da braillologia e que está científica e tecnologicamente apetrechado para o desenvolvimento literácito, sensorial e sociocognitivo, sociocomunicacional, do relacionamento e interação, autonomia e independência, inclusão e qualidade de vida de crianças, adolescentes, jovens, adultos e seniores, privados da modalidade sensorial da visão ou gravemente limitados na sua utilização.
O curriculum científico do curso tem o seu enfoque no sistema braille
(como meio natural de leitura e escrita das pessoas cegas e surdocegas)
aplicado à língua portuguesa e a outras línguas, bem como às diferentes
grafias, incluindo a científica, com o necessário enquadramento
inclusivo nas diversas literacias, como a digital/web e e-learning.
Cientes de que a braillologia deverá constituir uma disciplina integrada
na formação de diversos profissionais na educação, reabilitação e
inserção social de pessoas cegas, muito em especial na dos professores
de educação especial/ensino inclusivo e rigoroso ensino do Sistema
Braille em escolas de referência e/ou na criteriosa produção e
utilização deste sistema por parte de profissionais e técnicos nos
diversos serviços e áreas de produção e utilização do braille, foi
preparado este curso de formação avançada para habilitar os cursandos
com as competências e proficiência consubstanciadas no âmbito e
objetivos, conteúdo programático e referências abaixo explanados.
Direção do Curso: Augusto Deodato Guerreiro
+ informações em:
http://www.ulusofona.pt/formacao-livre/braille
publicado por
MJA
[29.Nov.2016]

III Conferência Deficiência Visual e Reabilitação "Prevenção Visual e Inclusão"
7 dez 2016 - 14:00 a 18:00
Auditório da ESTeSL
A Área Científica de Ortóptica, da Escola Superior de Tecnologia da
Saúde de Lisboa (ESTeSL), e a Associação de Retinopatia de Portugal
promovem no dia 7 de dezembro de 2016, no Auditório da ESTeSL/ESEL, a
III Conferência subordinada ao tema Deficiência Visual e Reabilitação -
"Prevenção Visual e Inclusão", no âmbito do dia Internacional da Pessoa
com Deficiência.
A inscrição é gratuita, mas obrigatória através do
formulário disponível online
Programa
14h00 – Abertura do Secretariado
14h30 – Sessão de abertura
João Lobato - Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL -
IPL)
Rui Manuel Fontinha Vasconcelos - Associação de Retinopatia de Portugal
(ARP)
Manuel de Oliveira - Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa
(ESTeSL - IPL)
14h45 – Painel I – Prevenção da Deficiência Visual – Desafios e
Estratégias
Cegueira Evitável - Vision 2020, The Right to Sight - Parcerias para o
Desenvolvimento - Salomé Gonçalves - Instituto de Oftalmologia Dr. Gama
Pinto (IOGP)
Causas da deficiência visual na sociedade contemporânea – Estratégias
de Intervenção - Maria Emilia Oliveira e Pedro Miguel Lino - Instituto
de Oftalmologia Dr. Gama Pinto (IOGP)
O Rastreio da Retinopatia Diabética - Uma Estratégia para a Prevenção da
Cegueira - Carolina Santos -Administração Regional de Saúde de Lisboa e
Vale do Tejo (ARSLVT)
Moderador – Manuel de Oliveira -Escola Superior de Tecnologia da
Saúde de Lisboa (ESTeSL - IPL)
16h15 – Pausa
16h30 – Painel II - Políticas de Inclusão do Jovem com Deficiência
Visual
Olhar o Escolar Ver o Integrar - Lurdes Veiga - Agrupamento de Escolas
Dr. Ginestal Machado - Santarém
Desafios e oportunidades de uma estudante com baixa visão - Paula
Monzelo - Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL -
IPL)
Programas de Reabilitação nas Pessoas com Cegueira Adquirida - Ana
Magalhães - Centro de Reabilitação Nossa Senhora dos Anjos (CRNSA)
A Inclusão dos jovens com deficiência visual: uma questão de direitos - Ana Patrícia Santos - Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P. (INR, I.P.)
Moderador – Rui Manuel Fontinha Vasconcelos - Associação de
Retinopatia de Portugal (ARP)
18h00 – Encerramento
publicado por
MJA
[24.Nov.2016]

3 Dezembro 2016 - 08:30
Tema - Escola Inclusiva: Educar e Formar para a Vida Independente
Local -
Casa das Histórias Paula Rego (Cascais)
Programa
08:30 – Registo dos participantes
09:30 – Mesa de abertura
• Secretário de Estado da Educação, João Marques da Costa
• Presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos Carreiras
• Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Artur Santos Silva (a
confirmar)
• Diretor do Centro de Formação de Escolas de Cascais, José Marcelino
• Vice-Presidente da Direção da CERCICA, Rosa Maria Lucas Neto
10:15 – Conferência “Advancing Inclusive Education: Transformative Steps
on the Path”
Gordon L. Porter, Inclusive Education Canada, Education Training Group,
University of New Brunswick
11:00 – Coffee break
11:30 – Conferência “Educação Inclusiva: resistir pela escola que
queremos”
David Rodrigues, Associação de Professores de Educação Especial, Centro
de Investigação do IE/UL, Conselho Nacional de Educação
Moderador: Pedro Cunha, Direção-Geral da Educação
12:15 – Debate
12:45 – Almoço livre
14:00 – Conferência “Formação de professores para a inclusão”
Teresa Leite, Escola Superior de Educação de Lisboa, Conselho Nacional
de Educação
15:00 – Painel “Escola Inclusiva de 2ª Geração”
Luísa Ucha, Secretaria de Estado da Educação - Grupo de Trabalho Escola
Inclusiva
Manuela Tender, Assembleia da República - Grupo de Trabalho Educação
Especial (a confirmar)
Moderadora: Filomena Pereira, Direção-Geral da Educação
16:00 – Debate
16:30 – Mesa de encerramento
• Vereador da Câmara Municipal de Cascais, Frederico Pinho de Almeida
• Diretor do Centro de Formação de Escolas de Cascais, José Marcelino
• Vice-Presidente da Direção da CERCICA, Rosa Maria Lucas Neto
Inscrições através do email
cercica@cercica.pt
1 a 20 de novembro – 20,00€
21 de novembro a 2 de dezembro – 30,00€
A conferência terá tradução bilingue (PT/EN) e língua gestual.
fonte: http://www.acapo.pt/agenda
publicado por
MJA
[23.Nov.2016]

19.Nov.2016
Na cozinha da associação Aurora Social, em Ponta Delgada, Manuela Bulhão
dedica-se há duas décadas "de corpo e alma" à confeção de doces, muitos
dos quais já lhe valeram prémios, apesar de ser invisual desde os 21
anos.
Hoje com 58, Manuela Bulhão, invisual devido a um problema hereditário,
trabalha na área da cozinha da Aurora Social, associação de promoção de
emprego apoiado, em São Miguel (Açores), desde que a instituição abriu,
há 21 anos.
"Sou da casa e das mais velhas. Sempre estive na área da cozinha", disse
Manuela Bulhão, em declarações à Lusa, contando que foi perdendo a visão
gradualmente e atualmente só vê sombras.
Porém, nunca baixou os braços.
"Sempre fui persistente, venho todos os dias da Lomba da Maia [concelho
da Ribeira Grande] de transportes públicos e há muitas barreiras, mas
nada é impossível. Primeiro há que ganhar a coragem", referiu.
Na cozinha da Aurora Social, instituição que confeciona refeições e
doçaria para o exterior, Manuela Bulhão partilha o fogão com quatro
colegas e faz de tudo um pouco.
"Se é preciso ir para o fogão, vou para o fogão. Se é preciso outras
coisas, faço, e se é preciso arranjar peixe, também faço", descreveu,
sublinhando que o facto de ser invisual não a impede de fazer nada, até
porque conhece "os cantos à casa".
Raramente usa a sua bengala - apenas no trajeto entre a sua residência e
a paragem do autocarro e no percurso para o trabalho.
Para Manuela, o principal obstáculo na cozinha "é quando há uma coisa
fora dos lugares". Ainda assim, raramente pede ajuda aos colegas.
"Apenas para pesar os ingredientes é que tenho que pedir ajuda, porque
em casa tenho uma balança falante. Mas, depois faço o bolo rápido e
ligeiro", disse.
Das suas mãos já saíram doces premiados em concursos regionais, com
receitas criadas pela própria.
"O primeiro prémio que ganhei foi com o pudim de feijão e depois o pudim
de castanhas e ainda o de massa sovada", contou.
Além de pudins, confeciona bombons de nozes, rebuçados de ovos, nozes
recheadas e toucinho-do-céu.
"Provo os meus doces, acabo por não os ver, mas é como se os visse
sabendo que as pessoas vão gostar daquilo que confeciono. É como se os
visse", confessou, explicando que a decoração fica a cargo de uma
colega.
Por vezes, "os doces não saem muito bem, mas vou experimentando e é como
todas as pessoas", disse, recordando que no caso do premiado pudim de
castanhas experimentou "e deu certo".
A cozinheira, natural da Lomba da Maia, adiantou que já está a idealizar
novas receitas para novos pudins e bolos, porque gosta de estar "sempre
a inovar e a apreender". Os programas televisivos sobre culinária são os
seus preferidos.
Por altura do Natal, Manuela Bulhão não tem mãos a medir para dar conta
de tantas encomendas que chegam à instituição.
"Mas, eu gosto do que faço. Ainda há quem me pergunte porque vou de tão
longe, sem ver, para Ponta Delgada trabalhar e que necessidade tenho de
sair de casa. Eu nunca me acomodei em casa e enquanto eu puder saio para
trabalhar, nem que seja para ser útil a mim mesma", salientou.
publicado por
MJA
[19.Nov.2016]

João Baptista | O Ribatejo
28 de Outubro de 2016
A partir de novembro, o Centro de Marcha e Corrida de Torres Novas vai
promover treinos específicos para deficientes visuais, num ação pioneira
ao nível dos centros atualmente em funcionamento.
Os treinos irão decorrer nesta fase inicial às terças e quintas, das 18h
às 19h30, no Estádio Municipal Dr. António Alves Vieira. O objetivo é,
com o decorrer da atividade, transitar para dois percursos urbanos já
identificados e «amigáveis» no que se refere a obstáculos e
acessibilidade.
Desta forma, o Município de Torres Novas, através do seu Centro de
Marcha e Corrida, pretende promover a prática desportiva para todos,
fomentando também uma melhor integração da pessoa portadora de
deficiência.
De salientar que o Centro de Marcha e Corrida de Torres Novas, criado em
2014, conta atualmente com 38 atletas inscritos, distribuídos por 3
pólos no concelho – Piscinas Municipais Fernando Cunha, Pedrogão, Casais
Castelos (este ultimo a iniciar a sua atividade no dia 4 de Novembro).
Tem como principais objetivos promover e incentivar a prática regular de
atividade física da população, combater o sedentarismo e aumentar a
oferta no que a possibilidades de prática de atividade física diz
respeito.
publicado por
MJA
[15.Nov.2016]

Lusa | DN
28 DE OUTUBRO DE 2016
Esta decisão surge depois de o presidente da ANIP ter apontado como
falhas no PNL o facto de não abranger crianças invisuais e crianças em
idade pré-escolar
A secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana
Sofia Antunes, comprometeu-se esta sexta-feira, em Coimbra, a incluir
livros em braille e de leitura tátil no Plano Nacional de Leitura (PNL),
embora sem assumir datas.
"Comprometi-me a começar agora a reunir para ver como vamos incluir
[aqueles livros no PNL] e havemos de conseguir", disse a governante à
agência Lusa, no final da sessão solene das V Jornadas Deficiência
Visual e Intervenção Precoce, que decorreram no Hospital Pediátrico de
Coimbra.
A promessa de Ana Sofia Antunes acabou por ir ao encontro do desafio
lançado pelo presidente da Associação Nacional de Intervenção Precoce
(ANIP), Luís Borges, que apontou duas falhas no PNL: o facto de não
abranger crianças invisuais e não abranger as crianças em idade
pré-escolar.
"Foi um desafio que me foi lançado hoje, que faz todo o sentido",
salientou a governante, que considera a medida um "passo fundamental
para o desenvolvimento de qualquer criança com limitações sensoriais,
nomeadamente ao nível da visão".
Na sessão solene, a secretária de Estado da Inclusão disse que o Governo
tudo fará para que se possa incluir no PNL um conjunto de títulos e "que
as questões financeiras não sejam justificação para que se continue a
adiar esta iniciativa".
Sem assumir datas, Ana Sofia Antunes acrescentou que "se deve avançar,
neste momento, com alguma rapidez, para conseguir ter à disposição
destes leitores de primeira maré aquilo que eles precisam: o incentivo
para começarem a ler e prenderem-se à leitura".
Organizadas pela ANIP, as V Jornadas Deficiência Visual e Intervenção
Precoce, que decorreram no Hospital Pediátrico de Coimbra, foram
dedicadas ao tema da literacia emergente para a cegueira.
Num dos painéis da manhã, foi apresentado o livro infantil "O que vês, o
que vejo...", que será editado num formato de edição pioneiro em
Portugal - álbum tátil ilustrado de acordo com o modelo háptico, numa
abordagem multissensorial mais próxima do contexto percetivo das
crianças invisuais.
Para a coordenadora da iniciativa, Viviana Ferreira, que integra o
Centro de Apoio à Intervenção Precoce na Deficiência Visual, o objetivo
passa por produzir alguns materiais que promovam oportunidades de
literacia emergente para a cegueira, mas que a maior preocupação é o
financiamento.
"Falamos para uma população muito reduzida - a cegueira é uma doença de
baixa incidência - e, por isso, os números não são muito atrativos para
quem financia, porque se tivermos financiamento nós conseguimos
desenvolver trabalho para que estas crianças tenham acesso a recursos
que promovam a literacia antes da entrada para a escola", sublinhou.
publicado por
MJA
[30.Out.2016]

Rosa Ruela | Visão
22.10.2016
Ter pais que não veem é estranho para quem não passa por isso. De
início, as perguntas não se fazem esperar, acabando todas por ir parar à
mesma dúvida: "Como é que os vossos pais fazem as coisas?" A resposta
não podia ser mais simples "fazem como faríamos de olhos fechados." Mas
claro que tem mais que se lhe diga.
A jardineira está quase pronta e a mesa para o jantar posta quando Marta
e Márcia começam a contar o que ouviram ao chegarem à nova escola. Nos
primeiros dias, os colegas disparavam perguntas: Quem é que cozinha lá
em casa? A mãe consegue comer sozinha, pentear-se, escolher a roupa? E o
pai trabalha em quê? "De início, estranham muito", conta Marta, a mais
espevitada das gémeas, de 12 anos. "É sempre: 'Como é que os vossos pais
fazem as coisas?' Numa das vezes, respondi: 'Experimenta passar o dia
todo de olhos fechados e já sabes'." Na cozinha do apartamento na
Pontinha, nos arredores de Lisboa, para onde Helena Cristina e José
Manuel foram ao casar, em 1999, sente-se um cheiro delicioso agora que a
carne de vaca ficou tenra depois de a panela de pressão se engasgar. Os
silvos tinham acompanhado os últimos minutos dos trabalhos de casa,
feitos na sala, sem nunca se sobreporem à voz pausada de José Manuel.
Marta treinava a pronúncia em Francês e Márcia despachava exercícios de
Matemática com a ajuda do pai. "Dois vezes três ao quadrado é doze,
filha? Pensa melhor..." Márcia, de grinalda na cabeça assumidamente para
a fotografia, poderia seguir uma carreira na moda mas já se decidiu pela
Medicina.
Embora vá fazendo figuração em telenovelas tal como a irmã, que sonha
ser atriz, agarra-se aos estudos para gozo de José Manuel, que venceu
umas Olimpíadas de Matemática no 12.º ano e hoje dá formação na área, na
Acapo (Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal).
VER A TELENOVELA A QUATRO
Os estudos são uma prioridade nesta casa, conclui-se ao ouvir Helena e o
marido contarem à vez que terminaram cursos superiores com grande
sacrifício, ela de Gestão de Recursos Humanos e Organização Estratégica,
ele de Psicologia. Das filhas não esperam menos do que licenciaturas
porque sabem que não lhes falta cabeça e eles cá estão para lhes criar
as oportunidades. "Mesmo para seres atriz, Marta", lembra Helena, quando
se sentam os quatro a ver Amor Maior, a novela da SIC em que as miúdas
hão de aparecer, "vais estudar muito." [Helena e José Manuel gostam de
televisão. Distinguem as vozes, imaginam as cenas, e só pedem ajuda às
filhas quando há um momento mais silencioso.] Helena sempre acreditou
que é importante ter um diploma. Ao fim de vários anos a tentar
engravidar, pensou na adoção mas, antes de avançar, quis ir para a
universidade.
"Achava que dificilmente me deixariam adotar e que seria menos
problemático se fosse licenciada." Nascera com apenas 10% de visão, por
causa de uma retinose pigmentar (degeneração progressiva da retina) e
agora já só vê contrastes e vultos. Conhecendo a sociedade portuguesa,
haveria poucas hipóteses de a considerarem elegível. E não ajudava o
facto de o marido ser também ele cego.
Quando decidiram ser pais, os dois fizeram testes genéticos que não
foram conclusivos. Mas, mesmo que a criança nascesse sem problemas de
visão, o facto de ambos não verem quase nada era suficiente para ouvirem
repetidamente a frase "É melhor não terem filhos." Só quando Helena
ficou grávida de gémeas, no final do 1.º ano do curso, tudo mudou. "Face
ao facto consumado, as pessoas apoiaram a nossa decisão; se não desisti
da faculdade foi porque os meus colegas me incentivaram." Doze anos
depois, Marta e Márcia provam que os medos eram injustificados. As duas
pré-adolescentes oferecem-se para ajudar nas tarefas domésticas e não
deixam nada desarrumado para que os pais não tropecem em alguma coi- sa,
mas, de resto, são iguais a tantas outras, com as vaidades, inseguranças
e manhas típicas da idade.
"Por enquanto, ainda têm muito que aprender para me enganarem", ri-se
Helena, depois de contar que sabe logo o que andam a fazer as filhas
quando ficam caladas. "Estão no telemóvel ou a ver televisão sem som, há
sempre algo que as denuncia."
Não servirá este artigo para se concluir que tanto faz os pais verem ou
não, mas a maioria das vezes conseguir levar a bom termo a dupla tarefa
de criar e educar é sobretudo uma questão de adaptação. Nunca o dito
popular "A necessidade faz o engenho" se aplicou tão bem, pensámos
quando Helena, José Manuel, Sara, Lurdes, Isabel e Paulo partilharam
alguns dos truques a que recorrem no dia a dia.
Pedir para alguém fazer marcas com cortes nas seringas para evitar
enganos nas dosagens dos medicamentos foi um dos que surgiu logo no
início das entrevistas. Pelo caminho aprendemos também que existem
balanças de cozinha falantes ou aparelhos que identificam as cores. E
que a memória ainda é a grande aliada de quem não vê uns laços nas
mangas de uma camisa e, bingo!, na loja alguém disse que esta é branca.
Sempre que pode, Sara enfia a filha no
canguru e dá um pequeno passeio
nas imediações da sua casa, na Azambuja. Foto: Marcos Borga
Sempre que tem dúvidas, Sara Tadeu usa o seu Colorino para confirmar a
cor da roupa que vai vestir a Luana, 1 ano acabado de fazer.
"Gosto que ela ande sempre arranjadinha", diz. O aparelho, que parece um
pequeno comando de televisão e diz em voz alta as cores, também é útil
quando hesita na cor de uma sombra de olhos. Nasceu com a visão muito
limitada porque a mãe contraiu rubéola durante a gravidez, mas ainda viu
cores e sombras até aos 23 anos e hoje continua a adorar maquilhar-se.
Antes de enfiar a filha num canguru para ir com ela até um jardim perto
de casa, na Azambuja, Sara demora-se ao espelho a aplicar contorno do
rosto e iluminador. Escolheu uma saia e uma blusa bege, "discretas, para
a fotografia", e há de sair de bengala branca aberta e saltos altos. Faz
tudo como sempre fez quando via alguma coisa; só precisa de ajuda para
ir e vir do trabalho (dá apoio psicológico aos trabalhadores da Jerónimo
Martins), por falta de transportes.
Quando pensou que estava na hora de ela e o marido, Hadiley, que é
amblíope, serem pais, sabia ser um ato de coragem. Não se lembrou de que
moravam num 2.º andar e que iriam ter de manter as janelas apenas
entreabertas e tapar as tomadas do apartamento, mas assustou-a a falta
de autonomia porque não têm familiares na vizinhança e nenhum pode
conduzir.
Hadiley trabalha longe, na CUF Descobertas, e é federado do Sporting
(pratica goalball, uma modalidade criada para cegos). Entre o trabalho e
o desporto passa muitas horas fora de casa. Sempre que está sozinha com
a filha, Sara não se aventura mais longe do que a loja de congelados da
esquina; para ganhar alguma independência, já decidiu que, mal Luana
comece a andar, vai comprar "uma daquelas trelas que os estrangeiros
usam".
VENHAM DAÍ OS CARROS DA GOOGLE
A locomoção é uma dor de cabeça para a maioria destes pais.
Helena e José Manuel, outra vez eles, compraram um carro em segunda mão e pediram a uma vizinha para levar e trazer as gémeas da escola. Mas todos os outros entrevistados viram-se obrigados a adaptar as rotinas depois de terem filhos, quase sempre incluindo mais horas de transportes públicos.
OS OUTROS E O MEDO DE FALHAR

Aos 13 anos, Alexandra já seria capaz de
ir sozinha para casa, mas Lurdes
faz questão de ir buscá-la todos os dias ao colégio. Foto: Marcos Borga
Lurdes Dias, Lu, chegou ao cúmulo de escolher o colégio da filha pela
proximidade ao seu local de trabalho. O substantivo é nosso porque, para
esta telefonista quase licenciada em Ciências da Comunicação, nada mais
natural do que a prioridade ser a localização, à boca de uma estação de
metro. "Defendo a escola pública, mas tive de optar pelo privado por
causa da minha dificuldade de locomoção", há de confessar, de olhos
azuis muito abertos, numa esplanada de um café no centro de Lisboa.
Aos 13 anos, Alexandra já seria capaz de ir sozinha para casa, mas Lu
gosta de lhe fazer companhia e aproveitar a viagem para conversar com a
filha. Apanham o metro até ao interface do Campo Grande e, daí, uma
camioneta que as leva até à zona de Camarate e isto todos os dias da
semana, a não ser que Manuel, que não tem qualquer deficiência visual,
lhes possa dar boleia.
Lurdes e Manuel conheceram-se quando eram adolescentes, numa colónia de
férias. Aos 18, começaram a namorar e, entre o início do namoro e o
casamento, ela começou a perceber que ia ficar cega.
Manuel sabia ao que ia. Sabia que Lu nascera com glaucoma congénito e só
fizera uma vida escolar normal até ao 9.º ano. Daí para a frente, tudo
se complicou, mas ainda conseguiu entrar na universidade. Só que há
vinte e tal anos a tecnologia estava muito atrasada ainda não se
encontravam disseminados programas de computador de voz, por exemplo.
Manuel também sabia que a futura mulher não tinha vontade de ser mãe
pelo medo de pôr no mundo uma criança que pudesse vir a sofrer o que ela
sofrera. "Não queria que um filho meu travasse as lutas que eu travei e
travo", justifica Lurdes. Mas ele queria tanto ser pai que avançaram
depois de os testes genéticos concluírem que tinham as mesmas hipóteses
de um casal sem qualquer deficiência.
Lu nunca chegou a ver a cara de Alexandra porque estava completamente
cega ("já nem via luz") quando ela nasceu. Aceitou isso bem, mas sentiu
"a insegurança habitual de uma mãe de primeira viagem" aumentada pelos
comentários de quem a rodeava. "As pessoas perguntavam-me muito como é
que eu ia ser capaz, e só por causa dessa pergunta fiquei com medo de
falhar", recorda.
Se de início ganhou fobia às fraldas com cocó porque receava não limpar
bem a filha, a primeira vez que lhe deu papa foi épica. "Com uma mão
tentava ver onde estava a boca e com a outra fazia pontaria com a
colher. O processo está fotografado: vê-se papa por todo o lado menos na
boca dela", ri-se, hoje. E quando Alexandra começou a andar, arranjou um
truque para perceber rapidamente onde estava: "Prendia um pequeno guizo
à fralda, como os gatinhos!", goza. "Agora, parece ridículo, mas na
altura deu-me muito jeito." Entretanto, foi treinando o ouvido e ficando
mais atenta às traquinices da filha, a quem lembrava constantemente que
não via. Comer bolachas às escondidas era mato Lurdes já disfarçava a
vontade de rir mas a miúda quase morreu de espanto um dia em que estavam
a acampar, entrou calçada na tenda e a mãe ralhou porque sentira areia
no chão. "Mas tu não és cega?!" Sim, Lurdes é cega e faz questão de
andar sempre de bengala aberta e de ser ela a conduzir a filha, embora
nos últimos anos já lhe peça informações. "Ensinei-lhe a solidariedade e
o espírito de entreajuda porque, tal como eu, há muitas outras pessoas
condicionadas."
AJUDAR O PAI A ESTUDAR
Três vezes por semana, Paulo e Isabel
tentam assistir ambos ao treino de
futebol do filho. E, ao fim de semana, não perdem o jogo. Não conseguem
ver o que se passa no campo do Sportivo de Loures. Foto: Marcos Borga
Uns dias antes, ao vermos Rui chegar ao campo de futebol relvado do
Grupo Sportivo de Loures, onde treina três vezes por semana, tínhamos
fixado a maneira segura com que encaminhara os pais para a bancada, um
de cada lado. "Comecei cedo a tentar fazer o melhor para que não
batessem em coisas e para os ajudar", conta.
Rui era muito pequeno quando teve a noção de que Isabel e Paulo eram cegos. Com um ano e pouco, já apanhava a chupeta do chão se os via à procura, e pegava-lhes na mão para mostrar alguma coisa que queria. Agora, aos 12 anos, sabe todos os caminhos e habituou-se a descrever aos pais o que acontece à sua volta.
Como passam a melhor parte do dia longe os pais trabalham em Lisboa, ela na Fundação Portugal Telecom, na área da responsabilidade social, e ele nas Finanças, como inspetor tributário, valoriza os tempos a três. Gosta que assistam aos treinos e ao jogo de futebol semanal, e, em casa, oferece-se para dividir tarefas. Nos últimos tempos, dá-lhe gozo recortar e colar notícias da época em que o pai era atleta paralímpico (correu os mil e os 5 mil metros pela última vez em Atenas, em 2004).
Quando Paulo leva trabalho para casa, ajuda a conferir a papelada, e, se o pai tem de estudar, pergunta-lhe a matéria. Ter filhos fazia parte do projeto de vida de casados de Isabel e Paulo.
Como ela tem retinose pigmentar e ele glaucoma, duas doenças hereditárias, fizeram testes genéticos. O resultado 50/50 levou-os a avançar. "Se nos dissessem que era muito provável um filho nosso vir a sofrer de alguma das nossas doenças, se calhar não arriscávamos", admite Isabel. "Mas felizmente tivemos sorte, o Rui saiu bem." Quando entrou na escola, os professores estranharam de início mas foi só porque já sabia ler quase corretamente. Tinha-se posto a copiar para o computador os nomes dos jogadores dos cromos de futebol e o software de voz fez o resto. Ser filho de cegos não é obrigatoriamente uma desvantagem.
publicado por
MJA
[25.Out.2016]

Pedro Sousa Tavares | DN
23 DE OUTUBRO DE 2016
Escola pública conta com cerca de 70 mil alunos com necessidades
educativas especiais
O Ministério da Educação vai criar novas regras para o ensino especial
que passam, por exemplo, por criar planos específicos para estes alunos
quando as abordagens tradicionais falham ou obrigar as escolas a
incluí-los mais tempo nas salas de aula com os restantes colegas. A
chamada "escola inclusiva 2.0" é uma reforma ao decreto-lei 3/2008, que
regula a educação especial desde há quase uma década, e tem como
objetivo garantir uma "escola em que as crianças não estão apenas
integradas, mas incluídas em sala de aula, em ambiente de aprendizagem
com os colegas, sem desinvestimentos nos apoios necessários", adiantou
ao DN o secretário de Estado da Educação, João Costa.
Na prática, explica Luísa Ucha, coordenadora do grupo de trabalho que
deverá em novembro fazer chegar ao governo as propostas de alteração
legislativa, o objetivo é criar abordagens "que permitam a cada aluno
atingir o seu potencial". Isso passa por "centrar na escola" e na sala
de aula o trabalho com os alunos, num trabalho "multidisciplinar,
envolvendo família, professores e técnicos", que permita, por exemplo,
"caso as abordagens convencionais não resultem, elaborar planos
específicos para cada aluno". Passa também pela redução do tempo passado
por alunos com necessidades educativas especiais nas chamadas "unidades
especializadas", que foram criadas para facilitar a integração destes
estudantes no ensino regular. Novidades que surgem numa semana em que o
Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil - CADin debateu problemas de
desenvolvimento como o espetro do autismo e a hiperatividade e défice de
atenção, numa conferência que termina hoje em Lisboa, no ISCTE (ver
texto ao lado).
Numa altura em que cerca de 70 mil alunos com Necessidades Educativas
Especiais (NEE) estão integrados nas escolas regulares, sendo já
residual o número de estudantes em escolas especiais, o peso dado por
muitas escolas a estas unidades tem sido motivo de críticas. Por
exemplo, num relatório sobre Portugal divulgado em abril, o Comité da
ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência contestou o tempo
excessivo que muitos estudantes passam nestes espaços, separados dos
colegas.
O governo já deu um sinal a este respeito, exigindo que os alunos com
NEE passem pelo menos 60% do seu tempo letivo integrados na sala de aula
para que as escolas possam beneficiar da redução do número de alunos por
turma. E preveem-se mais novidades para estes serviços especializados
nas diferentes deficiências. "Estas unidades foram muito importantes na
altura em que trouxemos os alunos todos para as escolas, porque a escola
precisa de recursos", diz Luísa Ucha, ressalvando não "estar em causa" a
continuidade destas estruturas. "Mas agora há uma evolução, que resulta
do conhecimento do tipo de trabalho, da análise crítica que as pessoas
fazem do que a criança aprende dentro e fora da unidade", explica. Não
quer dizer que dentro da escola não se possam dar apoios e respostas
mais individualizados", ressalva. "Agora, passar o dia dentro da unidade
não é boa resposta".
Ao DN, o Ministério da Educação garante também que "nunca" esteve em
cima da mesa a extinção destes serviços. Mas admite que está em
discussão "a necessidade de existirem respostas mais flexíveis do que a
simples colocação de alunos nas unidades de apoio especializadas,
melhorando o leque de respostas inclusivas. Estas unidades devem ser
consideradas como centros de recursos para promover competências e
aprendizagens numa perspetiva de inclusão e não uma alternativa a essa
inclusão". David Rodrigues, presidente da pró-inclusão - Associação de
Professores de Educação Especial, concorda que este tem sido um
obstáculo à real inclusão dos alunos: "Há unidades que realmente
funcionam como sendo unidades de inclusão, no sentido de que
proporcionam aos alunos oportunidades de inclusão e outras que não
funcionam. Tornam-se um pouco guetos dentro das escolas", diz.
As alterações ao decreto 3/2008 não se esgotam nestes temas. Luísa Ucha
explica que as propostas ainda não estão fechadas, mas já estão
definidas "à partida" algumas prioridades, integradas no objetivo de
procurar respostas "individualizadas" eficientes para todos os alunos:
"Não queremos dar muito enfoque à deficiência ou à Necessidade Educativa
Especial mas a outra coisa: às medidas de apoio à aprendizagem que
permitam que determinado estudante aprenda. O objetivo da escola é
ensinar". Medidas comuns a todos os alunos, como a anunciada
flexibilização dos currículos, também são encaradas como essenciais.
publicado por
MJA
[23.Out.2016]

Sónia Simões | Observador
16 Outubro 2016

Afonso Monteiro, 36 anos, é invisual e cumpre uma pena de nove anos e três meses de cadeia por tráfico de droga, posse de arma ilegal e roubo com violência. Como é ser cego e estar preso?
Já estava preso quando a luz se apagou. Foi isso mesmo, parecia uma luz
a apagar-se para sempre, descreve Afonso Monteiro. Os últimos 10% de
visão do olho direito fugiram-lhe e apagaram-lhe da memória imagens como
as da cara da própria filha, ainda pequena. “Não conheço a cara dos meus
filhos”, atira, na sala vazia de visitas, o recluso com o número 238 da
cadeia de Vale de Judeus, em Alcoentre. A partir daquele momento, todos
os dias, Afonso aprendeu a ser cego na prisão.
São quase 11h00. Foi preciso passar por um apertado procedimento de
segurança à entrada da cadeia de Vale de Judeus e percorrer um caminho
labiríntico, e silencioso, até chegar à fria sala de visitas. É aqui
que, aos sábados e domingos, os reclusos de Vale de Judeus recebem por
uma hora amigos e familiares. As paredes são brancas, com uma fina risca
vermelha, e estão despidas. As cadeiras estão arrumadas por cima das
mesas como se o seu uso fosse raro. Não existe um único quadro ou
informação. Apenas a imagem do exterior através da janela gradeada.
Neste ambiente austero, ouve-se um leve som de uma bengala a tocar no
chão. É a guia de Afonso Monteiro, 36 anos. Chega acompanhado do pai,
também ele condenado e preso por tráfico de droga. O pai é retirado
pelos guardas porque a autorização que a Direção Geral de Reinserção e
Serviços Prisionais concedeu não permite que ele escute ou sequer
participe na conversa. “Porta-te bem”, diz-lhe o pai, antes de abandonar
a sala. Estamos sozinhos.
Afonso Monteiro está nervoso. Cumpre uma pena de nove anos e três meses
de prisão por tráfico de droga e posse de uma arma proibida por lei, mas
mesmo assim sente-se intimidado. Os seus passos são ainda curtos e
inseguros. Quando está sem o pai sente que não tem chão e nem a bengala
guia o salva. “Eu uso isto para não bater com a cabeça, mas o meu pai
não gosta de ver-me com isto”. Sem ele, sente-se sempre numa sala às
escuras.
Eu uso a bengala guia para não bater com a cabeça, mas o meu pai não
gosta de ver-me com isto”, diz Afonso.
Ajudamo-lo a sentar-se e explicamos porque estamos ali. Como é cumprir
uma pena de prisão completamente às escuras? Sem ver? As respostas
começam por sair amiúde. Palavras meio gagas. Até que os nervos o
libertam aos poucos. Recua ao ano do acidente, o de 2009. Estava na zona
de Aveiro, para onde foi viver depois de uma infância passada em
Coimbra, quando foi apanhado no meio de uma rixa entre ciganos. Alguém
abriu fogo com uma caçadeira e os estilhaços do chumbo atingiram-no na
cara e na vista. Chegou a ser operado mais que uma vez, mas a visão do
lado esquerdo perdeu-se para sempre, enquanto a do lado direito ficou
com 10% de capacidade. “Conseguia ver um pouco”, diz. O suficiente para
manter alguma independência.
Afonso diz que naquele ano tinha sido pai de uma menina, que fará agora
sete anos. Ainda guardou a imagem da última vez que lhe viu a face,
tinha ela meses. Mas até essa memória se perdeu. Fugiu com a visão. O
rapaz nasceu pouco mais de um ano depois. Já não lhe viu a cara. Hoje
conhece-lhes apenas a voz, porque insiste em falar com eles
frequentemente por telefone. Naquele ano, o do acidente, Afonso decidiu
mudar-se com a família para Coimbra para “estar mais perto dos médicos”.
Chegou a ter consultas semanais, na tentativa de recuperar a visão. Até
que, em 2011, foi apanhado pela polícia num processo por tráfico de
droga. E acabou preso. “Foi a 18 de maio”, recorda Afonso, que não
deixou escapar as datas da memória.
Os registos criminais consultados pelo Observador não coincidem com o
seu relato. Mas é frequente que assim seja. A versão dos reclusos
raramente coincidem com o papel do tribunal. No papel apreciado pelo
Tribunal de Execução de Penas — que avalia o comportamento do recluso na
prisão — Afonso perdeu a visão durante um acidente de viação ocorrido em
2009. Dois anos depois seria detido por tráfico de droga e posse de arma
proibida e, como já tinha antecedentes criminais, acabou em prisão
preventiva à espera de julgamento. O juiz julgou-o dois anos depois e
não foi condescendente com a sua incapacidade física. “Não quis saber de
eu ser cego, condenou-me e pronto”, queixa-se Afonso.
A pena foi fixada em sete anos e seis meses de cadeia, mas em 2014 o
tribunal somaria a esta pena duas outras que estavam suspensas e que
tinham sido aplicadas anos antes a Afonso por apropriação e roubo com
violência. A sentença total acabou por bater nos nove anos e três meses
de cadeia. E terão sido estes antecedentes a levarem o juiz a ser
inflexível.
Os mesmos registos mostram que foi em 1997, tinha Afonso 17 anos, que
ele foi detido pela primeira vez por roubo e condução ilegal. Desta vez
seria condenado e preso na cadeia de Leiria. “Aqui foi mais fácil estar
na prisão, porque eu via e fazia tudo sozinho”. Nas palavras de Afonso,
porém, as contas com a Justiça são outras. Estava já cego quando
“alguém” lhe pôs uma coisa nas mãos “para entregar a uma pessoa”. “Não
sabia que era droga. Eram umas gramas”, admite. E só percebeu que o
tinham “tramado” quando foi detido. E já tinha sido arguido noutros
processos? “Não. Só há muitos anos fui apanhado sem carta e cumpri pena
na cadeia de Leiria”, insiste.
Afonso foi detido em 2011 e só foi transferido da cadeia de preventivos,
em Aveiro, para a cadeia de Paços de Ferreira quando foi condenado. Foi
aqui que as últimas imagens que conseguia captar através de um olho se
perderam, deixando-o à mercê da gratidão de outros reclusos. “Tinha
amigos que me ajudavam a ir ao balneário e ao refeitório.” Foram mais de
três anos a viver de favores dentro da prisão. Favores que dificilmente
podia pagar, até que pediu à Direção Geral dos Serviços Prisionais
autorização para ser transferido para Vale de Judeus, onde o pai também
cumpre uma pena por tráfico de droga e onde o poderia ajudar no
dia-a-dia.
Tinha amigos que me ajudavam a ir ao balneário e ao refeitório”, diz
Afonso.
A cadeia de Vale de Judeus é uma cadeia com classificação de segurança
“Alta”, segundo a informação dos Serviços Prisionais, e com um elevado
grau de complexidade de gestão. É que aqui estão presos reclusos que
cumprem penas elevadas. Grande parte mais de seis anos de cadeia. Os
reclusos têm celas individuais com casas de banho sem chuveiro. A
direção da prisão abriu uma exceção e colocou na cela do pai de Afonso
outra cama — permitindo a transferência. Os dois estão na Ala A da
cadeia, maioritariamente ocupada por reclusos que trabalham e “se portam
bem”, nas palavras de Afonso.
É naquele espaço, ali confinados, que todos os dias pai e filho tomam o
pequeno-almoço. “O meu pai prepara café”, conta Afonso. Depois de tratar
da sua higiene pessoal, o pai ajuda-o a chegar à escola e segue para as
oficinas da prisão. A professora Marina, prossegue Afonso, conseguiu
“arranjar um aparelho” para ele aprender a ler braille. “Antes do
acidente sabia ler e escrever, depois esqueci tudo”, argumenta. “Por
isso estou ainda no primeiro ano.” Além desta ocupação, Afonso foi
destacado ainda para fazer as limpezas das salas de aulas. “Foi o melhor
que me podiam ter arranjado”, confessa. Aqui consegue sentir-se útil e
explorar o espaço usando os outros sentidos. “Era esse o nosso objetivo,
que ele começasse a sentir-se mais autónomo. Até para segurança dele
dentro da prisão, porque se acontece alguma coisa, uma briga entre
reclusos por exemplo, como é que ele se salva?”, interroga ao Observador
uma fonte prisional.
Contactado pelo Observador, o presidente do Sindicato Nacional do Corpo
da Guarda Prisional, explica que estes casos são raros. Por uma questão
de segurança, um recluso com mobilidade reduzida é sempre colocado nas
enfermarias das prisões para poder ter acompanhamento permanente de uma
equipa médica. Jorge Alves recorda o caso de uma reclusa da cadeia
feminina de Santa Cruz do Bispo, que necessitava deslocar-se ao exterior
de cadeira de rodas. “Foi preciso contratar uma auxiliar para
acompanhá-la. Assim como foi necessário contratar um transporte
adequado, porque as nossas carrinhas não têm condições para isso”,
conta. A própria Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais
desconhece quantos reclusos nas cadeias portuguesas sofrem de mobilidade
reduzida e precisam de condições especiais. “Esta Direção Geral está,
neste momento, a proceder ao levantamento do número de reclusos com
necessidades especiais, sendo que, nos casos existentes, cada
estabelecimento prisional procura encontrar as respostas adequadas às
circunstâncias e às especificidades das pessoas”, responderam os
serviços ao Observador.
Esta Direção Geral está, neste momento, a proceder ao levantamento do
número de reclusos com necessidades especiais, sendo que nos casos
existentes, cada estabelecimento prisional procura encontrar as
respostas adequadas às circunstâncias e às especificidades das pessoas”,
responderam os serviços ao Observador.
Afonso sabe que pode correr riscos na prisão por não ver. E que não
passa 24 horas ao lado do pai para garantir que este veja por si e que o
salvaguarde de tudo. Mas à medida que se adapta à vida sem visão, vai
também apurando outros sentidos. Ouve melhor, por exemplo. E isso
transtorna-o. Afonso não consegue descrever o espaço em que se encontra,
se é grande ou pequeno, em que direção é a sua cela ou a escola. Mas
consegue descrever a cadeia como um local com muito “barulho”.
A prisão tem capacidade para cerca de 500 reclusos. As paredes altas e
os corredores profundos alimentam os ecos. E isso perturba. “Fico
completamente descontrolado”, conta. Por isso pediu para não almoçar no
refeitório nem estar presente entre grandes grupos. É o pai quem lhe
traz o almoço todos os dias para a cela.
A rotina é sempre a mesma. Além dos períodos de aulas e de limpeza,
Afonso diz que é livre para ir até ao terraço o tempo que quiser.
Naquela manhã, apenas três reclusos circulavam à volta do grande pátio
que separa a ala onde se encontram os serviços administrativos e a sala
de visitas, da ala dos reclusos. Não são permitidas fotografias naquela
zona por uma questão de segurança, advertem os guardas prisionais.
Afonso só fica fechado com o pai entre as 13 e as 14 horas e entre as
19h00 e as 8h00. Nesse período as celas são trancadas. “À noite oiço a
televisão para me distrair. Gosto da telenovela. Só me deito pelas
onze”. Vive assim, cada dia, sem nunca esperar pelo fim de semana,
porque não tem visitas. “A minha família vem às vezes, de dois em dois
meses, porque está longe. A minha mãe está presa em Tires, a minha
mulher fugiu… Era ainda muito nova. Ainda esperou três anos, mas depois
foi embora… Os meus filhos são pequenos. Mas tenho tios e primos”.
A minha família vem às vezes, de dois em dois meses, porque está
longe”, diz Afonso.
Terá sido este o cenário que levou o juiz do Tribuna de Execução de
Penas a recusar-lhe qualquer período de liberdade condicional depois da
avaliação feita na metade da pena cumprida. Na verdade, Afonso está mais
acompanhado na cadeia, onde está o pai, do que cá fora.
A reclusão torna-se ainda mais difícil porque nem sequer pode praticar
Desporto. “Não posso fazer qualquer esforço físico, porque tenho a
retina do olho descolada e fico a sentir-me mal”, justifica. Um problema
que os médicos, segundo ele, lhe dizem poder ser corrigido com uma
intervenção cirúrgica quando sair em liberdade. Afonso continua a ir às
consultas a Coimbra, e a alimentar a esperança que um dia aquele olho
lhe vá permitir voltar a ver. Até lá, conta o tempo que lhe falta da
pena.
Não se importa de ser fotografado, desde que o ajudem a deslocar-se e a
colocar-se na posição que pretenderem. A conversa termina e chamam-se os
guardas, que vêm acompanhados do pai de Afonso. “Portou-se bem ele?”,
pergunta o pai. E abandonam os dois a fria sala de visitas.
Texto de Sónia Simões, fotografia de Hugo Amaral.
publicado por
MJA
[16.Out.2016]

15 de Outubro 2016
O Dia Internacional da Bengala Branca foi instituído em 1970, em Paris,
por iniciativa da Federação Internacional dos Cegos. Tem como objectivo divulgar as
conquistas das pessoas com deficiência visual no exercício de seu direito de transitar
nos lugares públicos e se locomover nos seus ambientes de trabalho, de
forma independente e segura. Reconhece a sua independência e a sua plena participação na sociedade.
Actividades da Delegação da ACAPO | Coimbra:
Às 15 h - Tertúlia no Café Santa Cruz
moderada pelo Jornalista Rui Avelar com a participação de:
- Carlos Cidade - vereador da CMC
- Eng. Luís Santos - SMTUC
- Polícia Municipal de Coimbra
- Bruno Martins
- Escola de Cães-Guia
- Prof. Júlio Paiva
- Carlos lopes
Participação do Grupo de Fado de Coimbra 'Raízes de Coimbra'
publicado por
MJA
[14.Out.2016]

Dia Mundial da Visão
13 de Outubro de 2016
O tema do Dia Mundial da Visão 2016 é
"Juntos Somos Mais Fortes" ("Stronger Together").
O Dia Mundial da Visão comemora-se a 13 de outubro em 2016.
A data, criada pela Organização Mundial da Saúde e celebrada anualmente
na segunda quinta-feira de outubro, chama a atenção para os perigos à
visão, como a cegueira e a deficiência visual.
Neste dia realizam-se rastreios visuais gratuitos em todas as lojas
óticas acreditadas, assim como conferências, caminhadas, angariações de
fundos para o pagamento operações dispendiosas, concursos de fotografia,
entre outras atividades. O objetivo geral destas iniciativas do Dia
Mundial da Visão é prevenir problemas visuais, proteger e tratar da
visão das pessoas.
Dados sobre a visão
- 285 milhões de pessoas sofrem de deficiência visual moderada ou grave;
- 90% destas pessoas vivem em paises em desenvolvimento;
- 65% destas pessoas têm mais de 50 anos;
- Cerca de 40 milhões de pessoas são cegas;
- A cada 5 segundos uma pessoa fica cega no mundo;
- 80% da deficiência visual é evitável, podendo ser prevenida ou
tratada.
Algumas iniciativas da Retina Portugal:
13 de Outubro
De Olhos nos Olhos
Ação de sensibilização, informação e rastreio visual em 2 espaços
comerciais de Lisboa
15 de Outubro
Encontro Nacional de Pessoas com Deficiência Visual
2ª Iniciativa que promove o conhecimento, o convívio e a partilha de
cidadãos com deficiência visual. Este ano no Hotel INATEL Luso.
publicado por
MJA
[11.Out.2016]

OE/2017: Vai aumentar a isenção de IRS para as pessoas com deficiência

A parcela do rendimentos de pessoas com deficiência isenta de IRS vai
subir dos atuais 10% para 15%. A medida consta da proposta do OE.
O Orçamento do Estado de 2017 vai trazer uma alteração ao regime de
tributação dos deficientes. A medida não está ainda fechada, mas a
versão que está a ser estudada prevê uma descida de 90% para 85% dos
rendimentos sujeitos a IRS. Dito de outra forma: as pessoas portadoras
de deficiência vão passar a ter uma parcela de 15% do seu rendimento que
fica isenta de IRS.
Ao que tudo indica, manter-se-á sem alterações o valor máximo de
rendimentos que pode ficar isento de tributação, e que está atualmente
balizado nos 2500 euros. Desta forma, a medida traduzir-se-á num
desagravamento fiscal das pessoas com salários mais baixos. Ao que foi
possível apurar, esta mudança vai abranger os rendimentos das categorias
A e B (trabalho dependente e independente, respetivamente), mas deverá
deixar de fora os da categoria H (pensões).
Esta proposta surge 10 anos depois de o regime ter sofrido uma forte
alteração, com a retirada deste regime do Estatuto dos Benefícios
Fiscais para um esquema de deduções à coleta. Até 2007, o regime
isentava de tributação 50% dos rendimentos auferidos por deficientes
titulares de rendimentos de trabalho dependente e de atividades
empresariais e 30% dos rendimentos de pensões. Daquele ano em diante
passou a ser atribuída uma dedução à coleta, estipulando-se ainda uma
isenção de tributação de 10% do rendimento. Este novo regime de
tributação foi aprovado apenas para vigorar no ano de 2007, mas acabaria
por ser sucessivamente prolongado, até 2015, ano em que foi integrado no
a lei, com a reforma do IRS.
publicado por
MJA
[11.Out.2016]

Jaime é quase cego, mas Pedro mostra-lhe a beleza do caminho
SAPO Viagens
11 Outubro 2016
Jaime Oliveira, que tem uma capacidade de visão quase nula, decidiu
fazer este ano o caminho alternativo até Fátima, pelos campos, serras e
estradas secundárias. É Pedro quem lhe vai mostrando "a beleza" do
percurso.
Jaime segura no braço de Pedro, o seu guia na viagem, enquanto caminham
por uma estrada de terra batida, em Alvorge, Ansião, onde o silêncio
apenas é interrompido pelo chilrear dos pássaros e o zumbir de moscas e
abelhas.
"Não há mais belo do que isto", comenta Jaime Oliveira, de Gaia, que
partiu com Pedro Diogo do Porto para fazer pela primeira vez a
peregrinação até Fátima, pelo caminho alternativo.
Pelo percurso, passam por aldeias, há quem lhes ofereça "o
pequeno-almoço", ouvem "bons dias" e "boas tardes", apanham figos e
amoras e falam das suas experiências. Tudo sem pressa, com tempo para
observar a paisagem em redor, descrita por Pedro a Jaime.
"É a primeira vez que o Pedro está a guiar um cego e faz uma descrição
imensa", conta à Lusa o estreante por estes caminhos, agradecido pelas
imagens de plantas, de flores ou de lugares abandonados que lhe vão
sendo traçadas pelo seu colega de viagem.
As paisagens "lindas" que vão encontrando são motivo para fotografias
que Jaime tira e amplia "500 vezes" para conseguir ver os pormenores dos
locais por onde passam.
Jaime, que lida com a quase cegueira "há sete anos" devido a um
glaucoma, não conhecia Pedro e acabou por ser a necessidade a juntá-los
no percurso, feito longe da nacional número 1 (N1) e dos seus perigos.
"Fiz contactos por telefone, falei com várias organizações e o preço que
pediam pela viagem era exorbitante e todos faziam o circuito pela
estrada nacional, que é perigosíssima", refere, explanando que surgiu
posteriormente a possibilidade de fazer o caminho com Pedro Diogo,
habituado ao percurso e que faz a viagem "por devoção" e de forma
absolutamente voluntária.
Jaime é bastante crítico em relação à peregrinação que milhares de
portugueses fazem todos os anos até Fátima.
Pelas estradas principais, "a maioria chega a Fátima e cai para o lado.
Fazem disto uma correria", nota, considerando que para um cego o caminho
pela nacional torna-se ainda mais perigoso.
"Eu não consigo aperceber-me se os carros se aproximam de nós. Só sinto
a deslocação de ar e nós [os cegos] sentimos o triplo. É um susto
terrível, assustador", relata, recordando os poucos quilómetros que
tiveram de fazer pela N1 e em que tinha de "ir em fila indiana", não
podia agarrar o braço de Pedro e não podia falar.
Se tivesse de o fazer durante vários dias, seria "terrível. Ia estar com
o coração nas mãos", comenta.
Por outro lado, pelos campos, há "a verdura e o silêncio" que se torna
especial quando a noite chega, realça, queixando-se apenas da falta de
promoção do caminho.
Para Pedro Diogo, este percurso alternativo "é seguro, introspetivo e
mais tranquilo".
Apesar de não conhecer Jaime no início da viagem, o percurso tem
permitido "uma partilha gratificante" das experiências e dificuldades de
cada um, salienta.
"É na partilha que o caminho tem interesse".
fonte:
http://viagens.sapo.pt/
publicado por
MJA
[11.Out.2016]

Cinema Cego | Blind Cinema
O público está vendado no escuro de uma sala de cinema. Atrás de cada fila de espectadores está uma fila de crianças que, em voz baixa, descrevem um filme que só elas conseguem ver. Acompanhadas pela banda-sonora (que não tem diálogo), as descrições sussurradas são uma tentativa frágil, fragmentária e por vezes esforçada mas corajosa por parte das crianças de atribuir sentido ao que veem no ecrã.
Baseado no método de audiodescrição, 'Blind Cinema' é, enquanto acontecimento ao vivo, uma experiência em que o ato de ver um filme se torna um investimento partilhado: um ato colaborativo da imaginação entre crianças que veem e adultos vendados. É bem-vinda a noção de que tentar encontrar as palavras certas para descrever e tentar fixar as imagens criadas na mente será sempre uma aproximação. Dizer por palavras de modo a partilhar experiências implica uma luta, que parece estar mais próxima das crianças que estão em plena descoberta dos limites e potencialidades da linguagem.
Cada grupo de crianças verá o filme pela primeira vez. Assim, cada
apresentação envolve um novo grupo de crianças de Lisboa com idades
entre os 9 e os 11 anos.
Britt Hatzius trabalha com fotografia, vídeo, cinema e performance,
explorando ideias em volta da linguagem, interpretação e o potencial
para discrepâncias, ruturas, desvios e (in)comunicação.
≡
Culturgest
Pequeno Auditório (lotação reduzida)
7, 8 e 9 Novembro, 2016 - às 19h | Duração: 40 min.
Informações e reservas: Bilheteira Culturgest
tel. 21 790 51 55 |
culturgest.bilheteira@cgd.pt
publicado por
MJA
[1.Out.2016]

Escolas públicas perderam 70% de
técnicos para educação especial
LUSA
24/09/2016
Entre 2010 e 2015 verificou-se uma
diminuição do pessoal especializado nos estabelecimentos de ensino.
As escolas públicas perderam quase 70% dos técnicos para trabalho com
alunos com necessidades educativas especiais (NEE) entre 2010 e 2015,
revela o relatório do Estado da Educação 2015, do Conselho Nacional de
Educação (CNE), divulgado neste sábado.
Segundo o relatório, a maior diminuição foi no número de psicólogos, que
de 1584 em 2010-2011 passaram a 489 em 2014-2015. De uma forma geral,
entre terapeutas ocupacionais, terapeutas da fala, fisioterapeutas,
psicólogos e intérpretes e formadores de língua gestual, as escolas
públicas do território continental perderam em cinco anos quase 70% de
técnicos especializados no trabalho com alunos com NEE, passando de 2988
para 931 profissionais.
"Apesar do número de alunos com NEE ter aumentado no ensino regular, o
número de técnicos afetos à educação especial [...] tem vindo a diminuir
significativamente todos os anos", nota o relatório do CNE.
Ler + no
Público.
publicado por
MJA
[24.Set.2016]

V Jornadas
Deficiência Visual & Intervenção Precoce
– Literacia Emergente para a Cegueira -
Org.: Associação Nacional de Intervenção Precoce em
colaboração com a Consulta de Baixa Visão do Hospital Pediátrico de
Coimbra
28 de Outubro 2016

local:
Auditório do Hospital Pediátrico de Coimbra
Av. Afonso Romão - Hospital Pediátrico de Coimbra (Piso 0)
3000-602 COIMBRA
PROGRAMA
28 de Outubro 2016
09:00 > Abertura do Secretariado
09:30 > PAINEL 1 | A GIGANTESCA PEQUENA COISA
A literacia emergente como direito fundamental de todas as crianças
Moderador: António Nogueira [Coordenador da Formação em Bibliotecas
Escolares - Rede de Bibliotecas Escolares]
10:30 > Apresentação do Livro Infantil: “O QUE VÊS, O QUE VEJO…”
Moderadora: Leonor Carvalho [Diretora de Serviços - ANIP]
11:15 > Intervalo | Coffee-break
11:30 > SESSÃO SOLENE
12:00 > PAINEL 2 | TUDO É SEMPRE OUTRA COISA
Ilustrações hápticas: adaptação de livros infantis para a cegueira
Moderadora: Alice Liberto [Professora Especializada no domínio Visão -
Agrupamento de Escolas Grão Vasco de Viseu]
CONFERÊNCIA - Phillipe Claudet [Diretor - Les Doigts Qui Rêvent (LDQR) | Talant - FRANÇA]
13:00 > ALMOÇO
14:00 > PAINEL 2 | TUDO É SEMPRE OUTRA COISA (CONT)
CONFERÊNCIA (cont.) - Phillipe Claudet [Diretor - Les Doigts Qui
Rêvent (LDQR)]
16:00 > Intervalo
16:15 > PAINEL 3 | COM O TEMPO
A literacia emergente nos contextos naturais
Moderadora: Catarina Paiva [Oftalmologista Pediátrica, Responsável pela
Consulta de Baixa Visão do Hospital Pediátrico de Coimbra | CHUC]
17:00 > ENCERRAMENTO
Viviana Ferreira [Diretora Técnica do CAIPDV]
*
As V Jornadas de Deficiência Visual & Intervenção Precoce dirigem-se a: Famílias,
Profissionais de Intervenção Precoce, Educadores de Infância,
Profissionais a trabalhar na área da Deficiência Visual e Terapeutas.
secretariado:
ANIP - Departamento de Formação Av Afonso Romão
Hospital Pediátrico de Coimbra (Piso 0)
3000-602 COIMBRA - Tel: 239 483 288 | Tlm: 965 224 960
formacao@anip.net
www.anip.net
www.facebook.com/ANIP.pt
publicado por
MJA
[20.Set.2016]

António Costa promete médicos de família para todos os portugueses e nova prestação na deficiência
LUSA | Jornal de Negócios
17 Setembro 2016

O secretário-geral do PS afirmou hoje que o Governo estabeleceu como meta que, no final de 2017, todos os portugueses tenham acesso a médico de família e prometeu que adotará a prestação única para a pessoa com deficiência.
Este objectivo foi assumido por António Costa no encerramento da
‘rentrée' política do PS, em Coimbra, num discurso que dedicou em larga
medida a questões sociais como a qualificação, o acesso à educação e à
saúde, a inclusão e o combate às discriminações, sobretudo no que
respeita a pessoas com deficiência.
Com o fundador do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e também presidente
honorário do PS sentado na plateia, António Arnaut, o líder socialista
sustentou a tese de que o seu Governo iniciou funções com cerca de 1,2
milhões de portugueses sem médico de família, número que se reduzirá no
início de 2017 para cerca de 500 mil.
"Não estamos conformados e vamos continuar a trabalhar para daqui a um
ano podermos dizer que deixou de haver portugueses sem acesso a médico
de família", declarou, antes de prometer igualmente novas valências ao
nível de Unidades de Saúde Familiares, sobretudo no que respeita à saúde
oral.
Ainda em matéria de Estado social, o primeiro-ministro referiu que já
existem desde o princípio do ano mais 684 camas destinadas a cuidados
continuados e que, em breve, ao nível da concertação social, "arrancará
a discussão sobre a estratégia de combate à pobreza infantil".
Na sua intervenção, o secretário-geral defendeu que, atualmente, o
principal combate contra a discriminação social é a que atinge cidadãos
com deficiência.
O primeiro-ministro falou então "numa prestação única para as pessoas
com deficiência, com uma base comum, mas com uma segunda componente que
tome em linha de consideração as necessidades específicas de cada um".
"Um adulto, por exemplo, já não precisa de uma componente de apoio para
a educação, e um idoso pode precisar de cuidados reforçados na saúde.
Por isso, para sermos mais eficazes, temos de ter uma base diferenciada
de apoios em função das necessidades específicas de cada pessoa com
deficiência", justificou.
António Costa falou ainda numa terceira componente dessa prestação
única, que "deverá variar em função do rendimento, porque também entre
as pessoas com deficiência é preciso combate as desigualdades com origem
no rendimento e apoiar mais quem mais precisa".
"A prestação única é uma ambição histórica de todas as associações
representativas de pessoas com deficiência, apoiando-se mais quem mais
necessita, quem mais necessidades apresenta ao nível de apoios
específicos e quem menores rendimentos dispõe. Esta será uma mudança
estrutural para deixarmos de ter uma sociedade de incluídos sem
deficiência e de excluídos com deficiência", acrescentou.
publicado por
MJA
[18.Set.2016]

Messi joga futebol de olhos tapados
Goal.com
08/09/2016
Por iniciativa da Unicef, Messi enfrentou jogadores especiais antes
do início dos Jogos Paralímpicos 2016.
Os Jogos Paralímpicos 2016 começaram nesta quarta-feira, 7, e a palavra superação é um vocábulo constante na vida desses atletas. Mas enfrentar o melhor jogador de futebol do mundo não é uma tarefa que aconteça todos os dias.
Embaixador da Boa Vontade da Unicef, o craque do Barcelona recebeu os jogadores do team espanhol de futebol para cegos e encarou o desafio de jogar como os visitantes.
Messi e os seus companheiros do Barça - Busquets, Masip, Rakitic e Sergi
Roberto - jogaram uma partida com os
jogadores da seleção espanhola de futebol para cegos. Duas equipas, um
duelo. De um lado o Barcelona, com os jogadores de olhos vendados. Do
outro a seleção paralímpica espanhola de futebol para cegos.
BARCELONA X SELEÇÃO ESPANHOLA DE FUTEBOL PARAOLIMPICO DE CEGOS
publicado por
MJA
[17.Set.2016]

Vírus zika é associado a inflamação intraocular em adultos
22/06/2016
A conjuntivite não é o único tipo de inflamação no olho que pode ser
causada pelo vírus zika em adultos. Pesquisadores da Faculdade de
Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) identificaram o vírus também como
causa de uma inflamação mais grave, dentro do olho (intraocular), a
chamada uveíte. O caso foi publicado na edição desta quarta-feira da
'The New England Journal of Medicine', uma das mais importantes
publicações do mundo da área médica.
"Vimos que o vírus é capaz de vencer as barreiras de proteção do olho e
chegar dentro dele. A conjuntivite é uma inflamação de um tecido
superficial. A uveíte é potencialmente mais grave, pois pode vir a gerar
catarata ou aumento da pressão ocular", explica o professor João
Marcello Furtado, do Departamento de Oftalmologia, Otorrinolaringologia
e Cirurgia da Cabeça e Pescoço da FMRP.
A identificação do caso é essencial para as avaliações feitas por
clínicos gerais e oftalmologistas em seus consultórios. Ao receber
pacientes com inflamação intraocular, eles podem incluir a zika no rol
das doenças que causam o problema. Se ocorrer de maneira prolongada, o
aumento da pressão ocular pode levar ao desenvolvimento de glaucoma. Por
isso, o tratamento deve ser iniciado de imediato.
Já haviam sido identificadas alterações oculares causadas pela zika
congênita, aquela em que os bebês em gestação podem desenvolver lesões
graves e permanentes. No caso identificado pelos pesquisadores, porém, o
paciente é um homem de 40 anos, saudável, que teve sintomas compatíveis
com os causados pelo zika. Ele é morador de Ribeirão Preto, que registra
muitos casos de dengue, e recebeu atendimento médico em janeiro passado.
"Tínhamos começado a descrição da zika e o exame de sangue confirmou a
doença. Como ele estava também com o olho vermelho, fizemos uma punção
no olho e colhemos o líquido intraocular, chamado humor aquoso. A
amostra deste líquido também continha material genético do vírus zika",
diz Furtado.
Por enquanto não é possível saber qual o percentual de pacientes com
zika podem desenvolver uveíte. Não existe remédio específico para
tratamento da inflamação. Segundo Furtado, a inflamação no olho direito
do paciente era leve oito dias depois do início dos sintomas. Uma semana
depois, surgiu inflamação moderada no olho esquerdo, mais intensa e a
visão do paciente piorou 50%, de acordo com a tabela de acuidade visual.
O tratamento foi feito com colírio a base de corticoide, tratamento
padrão para inflamações intraoculares. Uma semana depois do início da
medicação a inflamação foi controlada e a visão do paciente voltou ao
normal.
Além de Furtado, participaram da pesquisa o professor Benedito Antônio
Lopes da Fonseca e o oftalmologista Tomás Teixeira Pinto, do Hospital
das Clínicas da FMRP, e Taline Klein e Danillo Espósito, do Laboratório
de Virologia da faculdade. As uveítes podem ser causadas por agentes
infecciosos como vírus, bactérias ou protozoários ou por doenças
autoimunes.
publicado por
MJA
[11.Set.2016]

Prémio Champalimaud vai para cientistas que estudam os “cabos” que ligam os olhos ao cérebro
Público
| ANDREA CUNHA FREITAS
06/09/2016
Para que consiga ver estas palavras, algo de muito complexo acontece no
seu cérebro numa fracção de segundo. É preciso que um complicado sistema
com ligações, células, neurónios, proteínas funcione. Alguns estudos,
desenvolvidos nas últimas duas décadas, têm conseguido explicar certos
momentos desta enigmática viagem no cérebro que começa nos olhos e podem
ser essenciais para novas terapias para problemas de visão e também para
doenças neurodegenerativas. Quatro cientistas que conseguiram avanços
importantes nesta área recebem esta terça-feira o Prémio António
Champalimaud de Visão 2016 de um milhão de euros.
No desenvolvimento do embrião há células especializadas nos olhos que
começam a enviar um fino cabo a partir do olho até ao cérebro que, no
final, formará o nervo óptico. Quando falamos em nervo óptico parece que
é uma só estrutura mas, na verdade, este nervo é feito de milhões de
minúsculos axónios, os “cabos” nos neurónios que transmitem os impulsos
nervosos a outros neurónios. Essas são as estruturas que levam a
informação visual dos olhos até ao cérebro e que fazem com que sejamos
capazes de ver.
A incrível viagem dos axónios
Durante a “instalação” deste complexo sistema de cabos e ligações, ainda
no útero, os axónios passam por várias regiões cerebrais, viram à
direita e à esquerda, passam por cruzamentos e rotundas até à meta – os
alvos (sinápticos) no nosso cérebro.
“Uma enorme façanha de navegação” feita com muita precisão e que nos faz
pensar que estes axónios têm uma espécie de GPS, como sublinha Christine
Holt, investigadora na Universidade de Cambridge, do Reino Unido, e
agora premiada. “O que estamos a tentar descobrir é como se orientam, o
que é que guia estes axónios e os mantém no caminho certo para os alvos
correctos”, resume a investigadora que adianta ainda que nos últimos 20
anos já se percebeu, por exemplo, que nesta viagem há algumas zonas
importantes que atraem ou repelem os axónios. A investigação de
Christine Holt debruça-se sobre os mecanismos (que podem ser moléculas)
existentes nestas zonas e que guiam os axónios. “Se aquela molécula não
estiver lá ou existir numa quantidade reduzida temos um problema grave
de visão”, explica. A cientista também percebeu que o axónio é capaz de
sintetizar novas proteínas em resposta a alguns sinais, revelando “uma
impressionante capacidade de adaptação destas estruturas”.
Para já, os cientistas tentam perceber os mecanismos deste complexo
sistema. Mas o objectivo é depois podermos interferir neste emaranhado
de cabos e fios para corrigir problemas. “Se não soubermos como funciona
o motor do carro não podemos repará-lo. Estamos a tentar perceber como
tudo está montado e só depois vamos conseguir intervir. Esperamos que a
nossa investigação venha a ter um impacto na reparação de danos causados
por trauma, por exemplo. Outro aspecto será a possibilidade de intervir
no campo da neuro-regeneração para doenças neurodegenerativas porque
percebemos que alguns destes mecanismos que estamos a estudar são
importantes para manter o axónio a funcionar depois de ele estar
instalado e ligado”, refere Christine Holt ao PÚBLICO.
Os “semáforos”
Carol Mason, outra das vencedoras do prémio, também investiga o
desenvolvimento do sistema visual na Universidade de Columbia, Estados
Unidos. O seu trabalho centra-se sobretudo num momento especial da
instalação deste sistema chamado “quiasmo óptico” e que, de forma
simplista, consiste numa zona em que os axónios formam umas rotundas e
um cruzamento no nosso cérebro.
“Para conseguirmos ver todo o campo visual, metade das células nervosas
de um olho passam para o outro lado do cérebro no quiasmo óptico e a
outra metade cresce para o mesmo lado do cérebro. O que estudamos é a
forma como as células nervosas fazem esta navegação dual, ou seja,
cruzam ou não cruzam o quiasmo óptico. Percebemos que há sinais no
quiasmo óptico que funcionam quase como semáforos (que neste caso são
moléculas) que dizem às células para atravessar ou não e que as células
também têm receptores (moléculas) que interpretam estes sinais”,
explicou ao PÚBLICO.
Em doenças como o glaucoma, em que assistimos à morte ou graves danos de
células nervosas ou mesmo outro tipo de casos, como lesões traumáticas,
acidentes vasculares cerebrais ou doenças neurodegenerativas, a grande
questão é como fazer com que as células regenerem. “Uma maneira de
estimular o crescimento de células nervosas no cérebro adulto poderá
passar por restaurar a acção dos receptores identificados na fase de
desenvolvimento embrionário [e que nessa etapa ajudam os neurónios a
crescer]”, explicou ao PÚBLICO. “Conseguir que as células nervosas
regenerem e restaurem as ligações no cérebro adulto é o sonho”, resume.
A maquinaria molecular
John Flanagan, que trabalha na Universidade de Oxford, em Inglaterra,
também está empenhado em esclarecer como todo o sistema é criado e
ligado no cérebro durante o desenvolvimento embrionário. “Conseguimos
identificar alguns mecanismos moleculares importantes que “dizem” às
células quando crescer e que podem servir para resolver problemas no
cérebro adulto”, diz ao PÚBLICO, adiantando que estes mecanismos são
sinais extracelulares e que o próprio axónio da célula tem uma
“maquinaria” que responde a esses sinais.
Carla Shatz é outra das cientistas premiadas mas que não está presente
na entrega do milhão de euros do Instituto Champalimaud pois esta
terça-feira recebe também o Prémio Kavli de Neurociência, ou seja, mais
uma milhão de euros mas a dividir por três investigadores. A cientista
da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, que soma prémios e
milhões, passou a carreira a tentar decifrar o que acontece durante o
desenvolvimento do cérebro, particularmente na região que recebe
informação dos olhos. Entre outros avanços, descobriu que os neurónios
expressam genes que antes se pensava serem exclusivos de células do
sistema imunitário. A investigação de Carla Shatz e da sua equipa será
relevante para esclarecer o funcionamento do cérebro e perturbações do
desenvolvimento como o Autismo e a Esquizofrenia, mas também para
perceber como é que o sistema nervoso e imunitário interagem.
Christine Holt, Carol Mason, John Flanagan e Carla Shatz têm muito em
comum. Querem esclarecer o que se passa no cérebro durante o seu
desenvolvimento para conseguirmos ver e, assim, perceber como podemos
intervir quando surgem problemas na idade adulta. Escolheram o caminho
feito de um emaranhado de "cabos" que parte dos olhos. Têm o mesmo
sonho, a mesma visão. E agora têm também um milhão de euros para
dividir.
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MJA
[6.Set.2016]

Miguel Vieira: aprender a cair sem ir ao tapete
NUNO SOUSA
05/09/2016
Aos 20 anos, foi obrigado a desconstruir o mundo tal como o conhecia.
Tijolo a tijolo, e com a ajuda do desporto, soube reerguer-se. E fê-lo
com tanta disciplina e perseverança que já colocou o judo português no
mapa paralímpico.
Tudo começou sem praticamente nada. Um monte de serradura espalhado no
chão, uma lona de plástico por cima e uns sacos de areia distribuídos em
redor, para evitar que o tatami improvisado se desmanchasse. Em
Sambizanga, na malha urbana de Luanda, a cultura do improviso está tão
desenvolvida como em tantos outros bairros por essa África fora. Haja
vontade, entusiasmo e tudo o resto se arranja. Foi assim, num pavilhão
que nunca foi digno desse nome, que Miguel Vieira e o judo se conheceram
há mais de duas décadas. A relação, armadilhada pela vida, haveria de
ficar em banho-maria uns anos mais tarde, mas apenas para ser retomada
com o compromisso renovado, já fortalecida pela distância.
“Estou, Miguel. Fala novamente do jornal PÚBLICO, recorda-se? Já está de
saída para o treino da tarde? É que estamos quase a chegar ao hotel”. A
sessão da manhã atrasou-se um pouco, e com ela o almoço, e com ele o
descanso. Respeitamos a ordem natural das coisas, logicamente, e
aguardamos pelo fim da sesta. Quando o judoca surge finalmente no lobby,
já temos um quarto de hora de conversa adiantada com Jerónimo Ferreira,
mestre, mentor, impulsionador da carreira de um atleta que já ganhou,
por direito próprio, um lugar na história do paralimpismo português.
Foi talento à primeira vista. Quando Miguel Vieira surgiu nas
instalações do Clube Judo Total, na Ameixoeira, em Lisboa, em 2012, os
decanos da modalidade fizeram instantaneamente o diagnóstico: “Assim que
o vimos a evoluir no tapete, pusemos logo uma espécie de cruzinha, como
que a dizer: ‘Este é o tal’”. Era uma relação biunívoca: o clube
agradecia um atleta com capacidade para servir de possível
porta-estandarte, o “ex” e futuro judoca precisava de alguém que lhe
reavivasse a memória e lhe ensinasse um novo caminho para chegar ao
destino de sempre.
Há duas dimensões de judo distintas no percurso de Miguel Vieira porque
há duas dimensões da vida que foi obrigado a assimilar. Uma realidade
até aos 20 anos e uma volta de 180 graus a partir de então. Mas vamos
por partes, começando por recuar até aos subúrbios da capital de Angola
e a uma infância como tantas outras, influenciada pelas tendências
familiares. Um dos irmãos de Miguel experimentara a modalidade e não
havia razão para não tentar perceber de onde vinha o apelo. Mesmo que
ainda hoje não consiga identificar com exactidão o que o atraiu, a
verdade é que se deixou levar.
“Treinava apenas com calças, porque na altura era muito caro termos um
kimono. Nós comprávamos as calças, que eram feitas por alfaiates, e só
tínhamos uma t-shirt e o cinto, que amarrávamos à volta do tronco e da
cintura para podermos fazer a pega. Destruíamos muitas t-shirts”, conta,
como se estivesse, ainda hoje, a reviver o momento.
A aventura continuou durante a adolescência, já estrategicamente
encaixada nas sobras dos compromissos com a escola e com o trabalho, até
que subitamente lhe puxaram o tapete. Uma doença ocular turvou-lhe a
visão e, quando deu por ela, estava a viajar para Portugal para ser
operado e submetido a tratamento. Foram várias as cirurgias, foi longo o
período de convalescença, mas os resultados não foram animadores. Corria
o ano de 2005, o ano em que Miguel cegou.
Saem-lhe em catadupa as palavras quando viaja de volta até aos instantes
que ninguém quer viver: “No momento em que ceguei, a primeira coisa que
me veio à cabeça, honestamente, foi: ‘Ceguei, prefiro morrer’. Todos me
vão olhar de lado, apontar, desprezar. Fiquei muito frustrado. Entrei em
depressão, não queria ninguém ao meu lado. Não queria ouvir os meus
irmãos, não queria ouvir o meu pai, a única pessoa que ouvia era a minha
mãe. Eu não comia, só chorava, muito”. É desarmante a frontalidade com
que desfia os pormenores de uma caminhada sem chão.
Foram meses de angústia, de desamparo. Um jovem acabado de chegar à
maioridade, sozinho num país alheio, entregue à sua sorte, que era tão
pouca. Houve períodos de revolta, de agressividade, de desnorte. “No
momento em que pus os pés no avião, despedi-me dos meus pais e dos meus
irmãos e nessa altura pensei: ‘Vou para uma terra incerta e vou ter de
ser pai e mãe de mim mesmo, eu é que tenho de cuidar de mim’. A
adaptação a Portugal não foi fácil. Tive situações delicadas. Já caí na
linha do metro…” É curta a pausa que faz no discurso, mas é suficiente
para recuperar o fôlego - e para tentarmos encaixar tudo de uma só vez.
Enquanto conversamos, já longe do hotel, sentados no Pavilhão
Multidesportos Mário Mexia, em Coimbra, há um outro judoca que se
aproxima de Miguel para lhe desejar felicidades: “Boa sorte para os
Jogos”, atira. Há kimonos de diferentes tamanhos espalhados pelos
corrimãos que contornam as bancadas do recinto, há o burburinho típico
de uma concentração de atletas, há esforço e ilusão a rodos neste treino
de conjunto organizado pela Federação Portuguesa de Judo. Para muitos, é
mais um estágio. Para Miguel, é a rampa de lançamento para o Rio de
Janeiro.
Foi sinuoso o caminho para lá chegar, à epopeia dos Jogos Paralímpicos.
Mas foi, acima de tudo, rápido como um relâmpago, se tivermos em conta
que, durante sete anos, de 2005 a finais de 2012, o afastamento do
desporto foi total. “Nesse período, estava a fazer um curso de
telefonista, depois comecei a trabalhar na Agência Portuguesa do
Ambiente e ainda estava a terminar o 12.º ano. Quando acabei o 12.º ano,
não consegui entrar na faculdade. Foi então que andei na Internet à
procura de um clube para treinar”, contextualiza.
Com a ajuda da Associação Distrital de Lisboa, foi encaminhado para o
Clube Judo Total e, subitamente, as portas que pareciam fechadas
começaram a abrir-se. Na cabeça, tinha ainda presentes as bases da
prática da modalidade e a verdade é que foi como andar de bicicleta:
ali, naquele espaço onde as diferenças se esbatem, encontrou a roda que
faltava para voltar a equilibrar-se. Tinha de fazer uma espécie de
reciclagem de conhecimentos, sim, tinha de adaptar-se às novas
circunstâncias, mas cedo percebeu que o kimono, o primeiro completo que
vestia, se lhe colava à pele.
A partir daí, foi arregaçar as mangas e ir à luta, romper fronteiras por
tatamis nunca antes experimentados. Tornou-se rapidamente no primeiro
judoca português a participar numa competição internacional para cegos
e, em 2013, arrebatou a medalha de ouro num Open realizado na Lituânia,
na categoria -66kg. “Foi o meu melhor momento. Deu-me aquela sensação de
estar no pódio, com a bandeira do país a subir e a ouvir o hino a
tocar”.
Ele, que nem sequer tinha a alta competição na cabeça quando retomou o
desporto, via-se agora projectado para cima, com as expectativas a
incharem e as exigências a apertarem. Segunda, quarta e sexta-feira, a
rotina impõe uma sessão de ginásio de manhã e treino no clube à tarde;
terça e quinta-feira é a vez de cumprir trabalho técnico-táctico no
Jamor de manhã, seguindo-se uma sessão na federação à tarde. Nos
períodos de estágio, assinala, chega a submeter-se a três treinos
diários.
“Eu treino muito, muito, muito… Há exercícios que não consigo fazer
porque preciso mesmo da visão: saltar, por exemplo, ou fazer uma
cambalhota ou um mortal, em que tenho de ter a noção da distância a que
está o chão, são exercícios que por mais que eu tente… Às vezes até
consigo, mas não posso correr o risco de me lesionar”. É um regime de
atleta profissional com os apoios de um atleta amador.
Miguel não é propriamente de se queixar, mas também não é de meias
palavras. Deixa claro que sente diferenças significativas, sim, quando
fala com os adversários nas provas internacionais. “Eu, se vou treinar,
preciso de alimentação, manutenção, essas coisas, e tem de ser tudo por
conta do atleta. É preciso haver gosto e vontade, porque se pensarmos
nos apoios… Todos reclamam, até os que têm muito, imagine agora nós que
não temos praticamente nada. Eu treino com atletas olímpicos e há muita
diferença entre uma bolsa olímpica e paralímpica. No entanto, quando
treinamos, é igual”, expõe.
De facto, é. Visto das bancadas, sem se conhecer a sua história, Miguel
é um atleta sem limitações aparentes. Ainda que esteja dependente do
contacto [uma palavra-chave no judo], revela agilidade, força,
perspicácia na defesa e arrojo no ataque, sempre à procura da melhor
pega. Nesta terça-feira de Agosto, é João Machado, medalhado de bronze
no último Campeonato do Mundo para surdos, realizado na Turquia, quem
lhe serve de parceiro de trabalho. “Como é o Miguel durante o treino?”,
perguntamos-lhe. “Porta-se bem, mas às vezes é um bocado preguiçoso”,
brinca, em tom provocatório. Miguel, acostumado ao companheirismo
genuíno, limita-se a sorrir.
Ligeiramente à margem do tatami, mas sempre em registo de vigilância,
mantém-se Vespa. Foi ela que conduziu o único representante português no
judo paralímpico do hotel até ao pavilhão e ali ficará, à espera do
momento em que terá de cumprir o percurso inverso. Por estas bandas, a
sociável cadela de pêlo preto que acompanha Miguel Vieira de sol a sol é
uma presença familiar. Para todos os outros, é um adereço bem-vindo.
Para o dono, é algo mais.
Ela significa os meus olhos e às vezes parece-me que ela faz mais por
mim do que eu por ela. A Vespa não é tudo para mim, mas é uma peça
fundamental, é o meu complemento. Aquilo que eu perdi, ela traz-me de
volta: a minha orientação, a minha autonomia, a minha rapidez. Há sítios
a que eu não conseguia ir, porque precisava sempre de alguém, e agora
não, pego na Vespa e vamos embora”, expõe, enquanto a companheira de
todas as lutas abana a cauda aos seus pés.
Pela cumplicidade entre os dois, ninguém diria, mas a verdade é que
estão juntos apenas desde Dezembro do ano passado, altura em que a
escola de cães-guia apresentou a Vespa ao seu novo habitat. “Nós
adaptámo-nos com facilidade. Ela é muito apegada às pessoas, mas
principalmente a mim”, acrescenta, sentindo necessidade de lhe colar
mais um rótulo: "É uma amiga, sim”.
Miguel Vieira vai entrar na Arena Carioca 3, no Rio, com o estatuto de
20.º judoca do ranking mundial na sua classe, algo que não lhe passava
sequer pela cabeça quando, ainda adolescente, se entretinha a comprar
partes de bicicletas e a montá-las com as próprias mãos, peça a peça.
“Era eu que as preparava para mim e para os meus irmãos”. Era um período
em que o ciclismo também lhe ocupava os tempos livres, mas sem o mesmo
impacto que havia causado a experiência nas artes marciais.
Dentro do pavilhão e fora dele, há um fio condutor que tem acompanhado
os últimos anos da vida do luso-angolano. Uma peça-chave num puzzle que
tem sido construído a várias mãos. Ou, se quisermos uma metáfora
diferente para definir a importância de Jerónimo Ferreira, podemos usar
esta: “Costumo dizer que o veículo não anda sem um motorista. Na
vertente desportiva, o meu treinador é o meu guia. É um amigo e, às
vezes, brinco com ele e digo-lhe: ‘Tu deves ter feito um filho que não
sabes, tu és branco e tens um filho preto’”, parodia, sem esquecer
outros três mestres (Fernando Seabra, Ricardo Valentim e Filipe
Figueiredo) com os quais partilha regularmente o tatami.
Deveria haver um outro kimono no balneário do Multidesportos de Coimbra
reservado para o treino da tarde, mas a preparação por conta própria tem
destas coisas, é permeável a um esquecimento pontual. Miguel terá de
usar o mesmo que suou durante a manhã, o que significa que terá de se
acostumar ao toque húmido do tecido. Mas para quem teve de ajustar-se
bruscamente a uma nova realidade, para quem teve de aculturar-se à
pressa num país que também lhe tem erguido alguns muros, este é apenas
um detalhe. “Às vezes sinto-me um pouco dividido”, assume, quando
questionado sobre se lhe passa pela cabeça representar o território onde
nasceu. “Mas tenho muito orgulho em combater por Portugal e tenho noção
da responsabilidade. Dou sempre tudo o que tenho”.
E o atleta de 31 anos tem mais para dar para lá dos ippons, dos wazaris
e dos yukos. Para além de apontar a uma futura carreira em Psicologia do
Desporto, criou há uns anos uma banda a que chamou Miguel Vieira
Afrogospel e através da qual expressa a sua faceta evangélica. Um activo
imaterial que carrega para onde quer que vá e que estará seguramente ao
seu lado no Rio, independentemente do resultado: “Se não houver um Deus
connosco, não faz sentido. Ainda há um Deus que me tem dado força para
superar todas as adversidades”.
publicado por
MJA
[6.Set.2016]

Entidades públicas e privadas obrigadas a atendimento prioritário a partir de dezembro
Manuel Almeida
LUSA | Agência Lusa
29/8/2016
No final de dezembro todas as entidades públicas e privadas com
atendimento presencial têm de prestar atendimento prioritário às
pessoas com deficiência, idosas, grávidas ou com crianças de colo.
No final de dezembro todas as entidades públicas e privadas com
atendimento presencial têm de prestar atendimento prioritário às pessoas
com deficiência, idosas, grávidas ou com crianças de colo, sob pena de
serem multadas com coima até mil euros.
A nova legislação foi publicada, esta segunda-feira, em Diário da
República e entra em vigor 120 dias após a data da publicação, o que, à
partida, significa que a partir do dia 27 de dezembro todas as entidades
públicas e privadas têm de obedecer às novas regras.
De acordo com o que está definido no decreto-lei, “todas as entidades
públicas e privadas que prestem atendimento presencial ao público” ficam
obrigadas a “prestar atendimento prioritário às pessoas com deficiência
ou incapacidade, pessoas idosas, grávidas e pessoas acompanhadas de
crianças de colo”.
Todas as pessoas a quem for recusado o atendimento prioritário podem
chamar as autoridades policiais, não só para que tome nota da
ocorrência, mas sobretudo para impor a obrigatoriedade.
O decreto-lei define também contraordenações para as entidades que não
cumpram o atendimento prioritário, que passa a ser punível com coima
entre 50 a 500 euros quando a entidade infratora for uma pessoa
singular, e de 100 a mil euros se for uma pessoa coletiva.
De fora desta obrigatoriedade ficam as situações de atendimento
presencial ao público feitas através do serviço de marcação prévia.
Não estão obrigadas a fazer atendimento prioritário as entidades
prestadoras de cuidados de saúde quando esteja em causa “o direito à
proteção da saúde e do acesso à prestação de cuidados de saúde”.
Nessas situações, “a ordem do atendimento deve ser fixada em função da
avaliação clínica a realizar”.
Fora desta obrigação estão também as conservatórias ou outras entidades
de registo “quando a alteração da ordem de atendimento coloque em causa
a atribuição de um direito subjetivo ou posição de vantagem decorrente
da prioridade de registo”.
O decreto-lei entende por pessoas com deficiência as pessoas que tenham
um grau de incapacidade igual ou superior a 60%, reconhecido por
atestado multiúsos, e apresentem dificuldades específicas que lhes
possam “limitar ou dificultar a atividade e a participação em condições
de igualdade”.
Pessoa idosa são todos os que tenham idade igual ou superior a 65 anos e
tenham “evidente alteração ou limitação das funções físicas ou mentais”.
Relativamente às pessoas acompanhadas por crianças de colo, a nova
legislação é válida apenas para crianças até aos dois anos de idade.
Por outro lado, caso haja uma situação de conflito, em que várias
pessoas tenham direito ao atendimento prioritário, o atendimento deve
fazer-se por ordem de chegada.
fonte:
Observador
publicado por
MJA
[1.Set.2016]

Serviço gratuito ajuda pessoas com deficiência a encontrar emprego
30/7/2016
Sediada no bairro de Campo de Ourique, a Operação de Emprego para Pessoas com Deficiência (OED) é um serviço gratuito destinado a pessoas com deficiência, inscritas nos centros de emprego em Lisboa. Em 26 anos, a Operação de Emprego para Pessoas com Deficiência (OED) conseguiu 1.037 integrações profissionais
Ser portador de deficiência ainda é um obstáculo para quem procura
emprego, mas Paulo e Catarina conseguiram ultrapassá-lo com a ajuda da
Operação de Emprego para Pessoas com Deficiência (OED), que, em 26 anos,
conseguiu 1.037 integrações profissionais.
Sediada no bairro de Campo de Ourique, em Lisboa, a OED é um serviço
gratuito destinado a pessoas com deficiência, inscritas nos centros de
emprego da cidade, apoiando a sua integração no mercado de trabalho.
Paulo Gomes, 33 anos, é uma das 2.157 pessoas que a OED já apoiou e que,
segundo o jovem surdo, foi uma ajuda fundamental para conseguir o
emprego que tem hoje, operador de arquivo na TB Files.
“Fui a algumas empresas, enviei currículos, mas assim que as pessoas
viam que era surdo punham logo o currículo de parte”, conta o jovem à
agência Lusa.
Quando já estava a ficar desalentado, um amigo falou-lhe da OED e
decidiu inscrever-se neste serviço, resultante de um protocolo entre a
Câmara de Lisboa, o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP)
e a Fundação LIGA.
Na procura de emprego, Paulo, que tem o 12.º ano, contou com o apoio da
técnica da OED Isabel Livério, que fez a ponte entre o candidato e a
empresa.
“A empresa achou bastante interessante este desafio e fez-nos uma oferta
de emprego”, conta Isabel Livério.
Ao fim de um ano de estágio, o jovem foi contratado por mais um ano, o
que o deixou “muito satisfeito”. “Até agora, as coisas têm corrido bem,
faço tudo e não tenho qualquer tipo de limitação”, conta.
Para o responsável da área logística da TB Files, Paulo Carvalho, a
contratação de Paulo foi “uma mais-valia para a empresa”, onde está
“completamente integrado”.
“Tem uma atenção e uma responsabilidade de trabalho bastante elevada” e
“não tem qualquer limitação, desde conduzir o empilhador, até carregar
caixas, identificar processos e retificar erros, ao nível de uma pessoa
sem limitações”, salienta Paulo Carvalho.
Licenciada em Publicidade e Marketing, Catarina Gouveia, 27 anos, também
sentiu dificuldades na procura de emprego, como contou à Lusa: “Tinha
acabado o meu curso há pouco tempo e comecei à procura de emprego, mas
não estava a ser nada fácil”.
Foi a várias entrevistas, mas a má formação genética nos braços
constituía um entrave à sua contratação: “Já não ia em pé de igualdade e
acabou por ser um percurso muito estafante”, conta a jovem, que teve
conhecimento da OED por um familiar.
A OED fez a prospeção de emprego, apresentou algumas propostas e
Catarina foi às entrevistas, que já eram “um bocadinho diferentes”,
porque o empregador já sabia que era uma candidata com algumas
limitações.
Foi com este apoio que Catarina chegou à empresa BlastingFM, onde está
há um ano. “Tem sido muito positivo”, disse, confessando que ali começou
a “ter autonomia e a ganhar confiança”.
Sobre a integração na empresa, diz que foi “muito boa”: “As barreiras
foram colmatadas, não olharam para a minha limitação, mas para as minhas
potencialidades”.
Para a engenheira e administradora da BlastingFM, Filipa Menezes, o
trabalho da Catarina tem sido exemplar.
“O facto de a Catarina ter terminado o estágio e ter continuado connosco
só afirma que ela está na empresa por mérito próprio”, afirma Filipa
Menezes.
“Ao longo deste ano, o que eu concluo é que as pessoas com deficiência,
não têm deficiências” e “são capazes de desempenhar uma função” como
qualquer outro, sustenta.
Da experiência que tem na OED, Isabel Livério diz que, apesar de ainda
haver “alguma resistência” por parte das empresas em contratar pessoas
com deficiência, “as coisas têm melhorado muito”.
“Quando a OED lhes bate à porta e veem que há esta possibilidade de
serem apoiadas”, durante todo o processo e após a contratação, as
empresas “avançam de uma forma mais fácil”, afirma.
A coordenadora da OED, Sara Pestana, acrescenta que um dos “grandes
objetivos” do serviço é sensibilizar “as empresas para o valor do
trabalho dessas pessoas”.
“O que interessa é perceber o que a pessoa consegue fazer, o seu perfil,
os seus interesses e depois encontrar uma função adequada” às suas
competências, explica Sara Pestana.
A contratação destas pessoas ainda é muitas vezes encarada “como uma
responsabilidade social”, mas o que queremos “é que a pessoa com
deficiência seja um trabalhador como qualquer outro”, frisou.
Em 26 anos, a OED realizou 89.699 contactos com empregadores, 10.129
ações de acompanhamento da integração e 2.502 entrevistas de emprego.
Dados do IEFP avançados à agência Lusa indicam que, no primeiro semestre
do ano, 1.075 pessoas com deficiência estavam incluídas em programas de
emprego, 1.968, em formação profissional, e 8.473, em reabilitação
profissional.
fonte:
Observador
publicado por
MJA
[1.Set.2016]

Touca vibra para ajudar os nadadores cegos
18/05/2016

Esta touca vibra para ajudar os nadadores
cegos
A Blind Cap, desenvolvida pela Samsung em parceria com o Comité Paralímpico de Espanha, quer mudar a forma como os nadadores cegos são avisados para dar a volta no fim da piscina.
Nas competições paralímpicas, quando um nadador cego se aproxima do fim
da piscina, o treinador ou um “steward” avisa-o que está na hora de dar
a volta através de um toque na cabeça. Para pôr um fim a este método,
utilizado desde que a natação para cegos se tornou desporto paralímpico,
em 1960, a Samsung criou uma touca que vibra quando os atletas chegam ao
fim da pista.
Em parceria com o Comité Paralímpico de Espanha, a marca sul-coreana
desenvolveu uma aplicação para “smartphones” Android a partir da qual os
treinadores podem avisar os seus atletas de que está na hora de dar a
volta e completar mais uma piscina. A Blind Cap vibra ligeiramente assim
que o treinador activa a aplicação e a comunicação é feita via
Bluetooth.
De acordo com o vídeo, esta touca inteligente também recolhe informações
sobre o desempenho do nadador. Para já, a Blind Cap está a ser testada
pela equipa paralímpica espanhola e já foi submetida ao Comité Olímpico
Internacional para aprovação.
Na página da
aplicação da Blind Cap, na loja da Google, os atletas
espanhóis são convidados a utilizar a aplicação para testes.
publicado por
MJA
[15.Jun.2016]

Luva para cegos e capacete para ciclistas
na Mostra Nacional de Ciência
Agência Lusa
29/5/2016

A luva háptica Tacid foi criada por
Steve Hoefer para funcionar como se fosse um sonar
para cegos e pessoas com problemas de visão, acrescentando um "sexto
sentido" para que
estas pessoas possam desviar de óbstaculos em seu caminho.
De segunda a quarta-feira, a X Mostra Nacional de Ciência vai apresentar
trabalhos de biologia, ciências do ambiente, engenharias, química, entre
outras áreas científicas.
Uma luva para cegos que ‘deteta’ obstáculos, através de sensores
sonoros, ou um capacete de ciclista que os ‘sinaliza’, numa situação de
perigo, são dois dos projetos concebidos por jovens, patentes na X
Mostra Nacional de Ciência.
A exposição, que reúne cem projetos de várias áreas científicas,
realizados maioritariamente por estudantes do ensino secundário,
decorre, de segunda a quarta-feira, no Museu Nacional de História
Natural e da Ciência, em Lisboa, sob organização da Fundação da
Juventude.
Alunos da Escola Secundária de Oliveira do Bairro, no distrito de
Aveiro, desenvolveram um protótipo de uma luva para cegos, a partir de
uma luva de karaté, para melhorar a sua qualidade de vida, autonomia e
independência.
Na prática, a luva tem incorporado dois sensores de ultrassons para
detetar obstáculos e desníveis. Sempre que são detetados, geram-se sons
audíveis, para cada um dos sensores, e, simultaneamente, são produzidas
vibrações na mão.
O sinal sonoro é produzido de acordo com a proximidade, ou não, do
obstáculo ou desnível. A luva pode ‘detetar’ obstáculos a uma distância
máxima de quatro metros e desníveis até um metro.
Estudantes da Escola Profissional de Espinho conceberam um capacete
‘inteligente’ para ciclistas, um capacete de ciclista convencional, mas
com um dispositivo, com sensores, que, ao permitirem acompanhar a
posição e o andamento do ciclista, conseguem detetá-lo, em caso de
paragem repentina ou queda.
O dispositivo estará ligado ao telemóvel do ciclista, que, nestas
situações, enviará uma mensagem para um número pré-definido, alertando
para a possibilidade de um acidente. O dispositivo poderá facultar ainda
informação sobre a localização da pessoa.
O capacete tem, ainda, duas luzes que indicam a intenção de o ciclista
mudar de direção, bastando-lhe para tal inclinar a cabeça no sentido
pretendido.
O uso da casca de banana para diminuir a concentração de corantes e
metais pesados, nos esgotos industriais, ou o crescimento de feijões em
águas com diferentes origens são outras experiências que constam na
mostra.
No certame vão estar também patentes, a convite da Fundação da
Juventude, projetos de estudantes de Moçambique, Brasil e Espanha.
Biologia, ciências do ambiente, engenharias e química são as áreas
científicas que concentram maior número de projetos, com os distritos de
Castelo Branco, Aveiro e Leiria a lideraram a lista de participações
nacionais.
No último dia da mostra, serão anunciados os premiados do 24.º Concurso
para Jovens Cientistas e Investigadores.
fonte: Observador
publicado por
MJA
[30.Mai.2016]

Alunos com deficiência devem
poder escolher curso pela vocação
20 Maio 2016
A secretária de Estado da Inclusão defende que é preciso evoluir no
sentido dos estudantes com deficiência poderem escolher o curso em
função das suas motivações. Ana Sofia Antunes falava em Aveiro na
abertura do seminário dedicado ao tema "Inclusão - Boas Práticas no
Ensino Superior".
* O sucesso está muitas vezes conexo
com o sítio onde decide estudar *
"Temos ainda grandes desafios. É fundamental que os alunos com
necessidades educativas especiais tenham a possibilidade de escolher o
seu percurso académico em função das suas próprias motivações, sem
estarem condicionados pelas condições que encontram em cada
universidade", disse Ana Sofia Antunes.
A secretária de Estado salientou que "o sucesso está muitas vezes conexo
com o sítio onde decide estudar", mas lembrou que "há um caminho
importante já feito" porque "há 20 anos, apenas havia a opção por um
número restrito de cursos e hoje há cada vez mais alunos com percursos
diversificados".
"Temos ainda realidades muito diversas e o nível de acompanhamento
depende da sensibilidade e mobilização das universidades e institutos
para as questões da deficiência",referiu.
Ana Sofia Antunes defendeu que o acompanhamento tem de ser feito, desde
logo, no ensino secundário, "porque se mal orientado nas opções isso vai
condicionar o seu percurso" e admitiu que ao nível dos pré-requisitos de
acesso ao ensino superior também há trabalho a ser feito no sentido de
estes não condicionarem as escolhas dos alunos com necessidades
educativas especiais.
* O direito ao conhecimento é
para todos e o direito
à opção do que se quer aprender é inalienável *
A secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Maria
Fernanda Rollo, disse que a inclusão "é um projeto de cidadania que deve
ser claramente assumido pelo ensino superior".
"O direito ao conhecimento é para todos e o direito à opção do que se
quer aprender é inalienável. Não podemos abdicar disso e temos de
trabalhar para que as universidades possam acolher todos sem distinção",
disse.
Maria Fernanda Rollo partilhou da preocupação de que o acompanhamento
vocacional dos estudantes com necessidades educativas especiais deve
feito no ensino secundário, observando que "cerca de 10 mil alunos
nessas condições estão a acabar secundário, verificando-se ainda que
apenas um em cada três frequenta o ensino superior na idade em que
devia".
A secretária de Estado deixou ainda um repto para que o ensino superior
olhe para o desafio da inclusão não apenas no acolhimento, mas também na
produção de investigação nesses domínios".
O reitor da Universidade de Aveiro, Manuel Assunção, realçou "o papel
múltiplo que cabe às universidades, não apenas na criação de condições
para os estudantes com necessidades especiais, mas também na formação
dos colegas "como processo de crescimento da cidadania".
Manuel Assunção sumariou várias medidas que a Universidade de Aveiro tem
vindo a adotar no sentido da inclusão e anunciou que vai passar a ter um
piso tátil na sua zona mais nobre, para facilitar a orientação, com o
apoio de uma empresa privada.
publicado por
MJA
[25.Mai.2016]

Cegueira e amputações são drama crescente entre diabéticos
RTP |
Arlinda Brandão18 Mai, 2016
A maioria dos casos de cegueira em Portugal por causa da diabetes pode
ser evitada, como revelou o presidente da Associação Protetora dos
Diabéticos, Luís Gardete Correia.
Apesar de não haver números oficiais de pessoas cegas por causa da
diabetes, a Direção-Geral da Saúde não hesita em apontar a doença como a
principal causa de cegueira no país.
O diretor do Programa Nacional para a Diabetes, José Manuel Boavida,
lamenta que muitos destes casos não tenham sido evitados por não ter
ainda avançado no país um rastreio anual à população diabética e acusa
as administrações regionais de saúde pelos sucessivos atrasos.
Um despacho do Ministério da Saúde dá às administrações regionais até ao
final do ano para avançarem com o rastreio à retinopatia diabética.
Também o pé diabético é motivo de preocupação. Há pelo menos quatro
amputações por dia em Portugal por causa da diabetes. Metade dos casos
podia ser evitado se já tivesse avançado a via verde do pé diabético,
prevista há mais de quatro anos.
José Manuel Boavida defende na Antena 1 que as cerca de 1.500 amputações
por ano provocadas pelo pé diabético podiam baixar para metade se fossem
criadas equipas especializadas em todos os hospitais.
Pretende-se evitar que nos hospitais qualquer serviço de urgência possa
submeter de imediato uma pessoa a uma amputação sem que seja chamada a
equipa especializada.
publicado por
MJA
[18.Mai.2016]

Governo estuda prestação única para a deficiência
10 Maio 2016

O Governo espera incluir a prestação social única para a deficiência no
Orçamento do Estado para 2017, segundo indicou a secretária de Estado
Ana Sofia Antunes.
A prestação única para a deficiência está ainda em fase "de análise e de
estudo de vários modelos", mas a secretária de Estado da Inclusão das
Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, tem a "expectativa" de que
esta medida seja já incluída no Orçamento do Estado para 2017.
Apesar de já terem sido incluídas "um conjunto de iniciativas já neste
orçamento", estas não são suficientes, sendo que a prestação social
única para a deficiência poderá "reforçar um pouco os rendimentos das
pessoas com deficiência", disse à agência Lusa a secretária de Estado.
De acordo com a governante, esta medida visa responder, "acima de tudo",
às pessoas "com uma situação de maior debilidade, em razão do
desemprego, discriminação e pobreza".
"É importante dar aqui um rendimento extra", sublinhou, recordando que
"muitas pessoas com deficiência viviam exclusivamente da pensão social
de invalidez, que tinha um valor exclusivo de 200 euros. 200 euros não
tiram ninguém de uma situação de pobreza e muito menos permitem fazer
face a despesas específicas que advêm somente da situação de
deficiência".
A secretária de Estado falava à agência Lusa à margem da cerimónia de
inauguração do centro de atividades ocupacionais (CAO) do Centro de
Apoio a Deficientes Profundos João Paulo II, em Fátima, concelho de
Ourém.
Ana Sofia Antunes realçou que o país já tem uma "resposta bastante
completa" a nível de CAO - espaços destinados a pessoas com graus de
funcionalidade "inferiores a 30%".
Para a governante, o problema que se enfrenta prende-se com "situações
concretas de pessoas com deficiência encaminhadas para os CAO e que,
provavelmente, não precisavam de estar neste tipo de resposta".
Nesse sentido, o Governo vai começar no segundo semestre "uma
reavaliação de situações que estão enquadradas em CAO e que poderão ser
estimuladas para outro tipo de atividade", avançou.
Face à possibilidade de encaminhar alguns desses utentes para
"candidaturas a atividades socialmente úteis" ou para o mercado de
trabalho, através dos incentivos à contratação de pessoas com
deficiência, será possível "flexibilizar algumas vagas" nos centros de
ocupação para casos mais profundos "que eventualmente possam ainda estar
sem resposta", notou.
O CAO do Centro de Apoio a Deficientes Profundos João Paulo II custou
cerca de "650 mil euros", sendo "fundamental para algumas das pessoas
com deficiência" que estão naquele espaço, sublinhou o presidente da
União das Misericórdias de Portugal (UMP), Manuel de Lemos.
O centro de atividades ocupacionais conta com 60 vagas, num espaço com
salas de relaxamento, ludoteca, fisioterapia, ginásio e outros espaços
para terapia ocupacional.
publicado por
MJA
[14.Mai.2016]

Avaliar problemas de visão custa 28 euros por criança. Pais não pagam porque é no SNS
ALEXANDRA CAMPOS
07/05/2016
Ao Estado fica por cerca de 28 euros por criança o rastreio da saúde
visual de mais de cinco mil bebés em centros de saúde, que acaba de
arrancar nos centros de saúde do Porto e arredores. Os pais não pagam
nada. Mas este é apenas o início do alargamento da oferta do Serviço
Nacional de Saúde (SNS) em duas das áreas mais carenciadas em Portugal
(oftalmologia e saúde oral). Áreas tão carenciadas que obrigam a maior
parte das pessoas a recorrer ao sector privado e por isso foram eleitas
como prioritárias pelo Governo.
“Hoje é um dia bom para o SNS. Foi alargado o leque de competências”,
sublinhou o secretário de Estado adjunto e da Saúde, Fernando Araújo,
esta sexta-feira, no centro de saúde de Rio Tinto, em Gondomar, na
apresentação pública do projecto-piloto de rastreio da saúde visual, que
arrancou em Abril. O projecto já permitiu fazer exames a quase meia
centena de crianças (31 deram positivo e foram encaminhadas para
consulta hospitalar).
Ao longo deste ano vão ser abrangidas as crianças dos Agrupamentos de
Centros de Saúde (ACES) do Porto Ocidental, Porto Oriental, de Gondomar,
Maia e Valongo. A verba destinada ao projecto é de 150 mil euros no
primeiro ano, mas o objectivo é bem mais ambicioso: ir alargando o
rastreio de base populacional a todo o país, de forma a que todas as
crianças passem a ser chamadas para avaliações da sua saúde visual,
pelos centros de saúde, pelo menos duas vezes até completarem cinco
anos.
Como as crianças são sujeitas a uma primeira avaliação até aos dois
anos, no projecto-piloto estão a ser convocados todos os bebés nascidos
em 2014. O fotorrastreio permite detectar a ambliopia, designação para o
chamado “olho preguiçoso”, que ocorre quando a visão num olho não se
desenvolve de forma adequada, o estrabismo, a miopia, a hipermetropia e
o astigmatismo.
Se for detectado algum destes problemas, a criança é encaminhada para
uma consulta de oftalmologia num dos dois hospitais públicos (o São
João, no Porto, e o Santo António, em Lisboa) incluídos no projecto. Não
será necessário esperar meses a fio, como ainda acontece em muitos
hospitais, porque está é uma das especialidades mais carenciadas no SNS.
O rastreio visual precoce é fulcral, porque, se detectada a tempo, a
ambliopia pode ser revertida e evitada uma eventual cegueira. O que é
habitual acontecer? Muitos pais só se apercebem de que os filhos têm
problemas de visão quando estes chegam à escola e se queixam.
Nas escolas, por vezes também são feitos rastreios visuais, mas a maior
parte das vezes estes são promovidos por empresas de ópticas que têm
intuitos comerciais, explica Rosário Varandas, do colégio da
especialidade de oftalmologia da Ordem dos Médicos.
Como uma tecnologia inovadora, o rastreio é feito com a prata da casa e
com uma espécie de máquina fotográfica gigante portátil, um
auto-refractómetro. São enfermeiros dos centros de saúde (treinados para
o efeito) que fazem o exame aos olhos das crianças. Gravados numa base
de dados, os resultados são enviados para centros de leitura nos dois
hospitais públicos.
Em simultâneo, avança também um projecto-piloto para a detecção precoce
da degenerescência macular da idade (DMI), que é a causa mais frequente
de cegueira acima dos 55 anos nos países mais evoluídos, como lembrou
Maria João Quadrado, presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia.
Estes exames vão ser associados ao rastreios, que já são efectuados há
vários anos nos centros de saúde, da retinopatia diabética. O
equipamento também é simples, uma câmara móvel, e, em quatro semanas, os
doentes com diagnóstico positivo devem ser enviados para consulta
hospitalar.
A periodicidade do exame é anual e não representa custos adicionais.
Calcula-se que, a partir de 1 de Julho, sejam rastreados 37.412
diabéticos com mais de 55 anos dos quatro ACES do Porto, Maia, Valongo e
Gondomar.
Até ao final de Junho, como tinha sido prometido, avançam também os
primeiros projectos-piloto de saúde oral. Nesta primeira fase, serão
contratados médicos dentistas para dois centros de saúde alentejanos
(Portel e Montemor-o-Novo) e mais 11 da região de Lisboa e Vale do Tejo
(Monte de Caparica, Moita, Fátima, Salvaterra de Magos, Cartaxo, Rio
Maior, Azambuja, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Lourinhã, Mafra,
Ericeira). Foram escolhidos por já terem equipamentos e higienistas
orais, mas os edifícios ainda estão a ser adaptados para o efeito,
explicou o secretário de Estado.
publicado por
MJA
[7.Mai.2016]

SNS vai garantir duas avaliações oftalmológicas a todas as crianças até fazerem cinco anos
SOL | Marta F. Reis
03/05/2016
Governo determinou esta semana o reforço da oferta de saúde visual, uma
das áreas em que o SNS dá menos resposta.
Todas as crianças vão passar a ser chamadas para rastreio da saúde
visual pelos centros de saúde pelo menos duas vezes até completarem
cinco anos. Um despacho publicado esta semana revela que o Serviço
Nacional de Saúde vai implementar um rastreio de base populacional para
avaliação da saúde visual infantil. As crianças serão chamadas para uma
primeira avaliação aos dois anos de idade e, para uma segunda, entre os
quatro e cinco anos. Caso tenham algum problema, serão encaminhadas para
uma consulta de oftalmologia no hospital. E a espera não poderá ser de
meses como acontece quase sempre nesta especialidade a menos se que se
trate de um problema urgente: os hospitais terão de dar resposta a estes
casos em quatro semanas.
O diploma avança que esta nova oferta do Serviço Nacional de Saúde vai
começar a ser testada em experiências-piloto na região Norte, em centros
de saúde do Porto, Gondomar, Maia e Valongo e nos hospitais de S. João e
Santo António.
Até novembro os serviços têm de ter tudo organizado para começar a
chamar todas as crianças de dois anos. Uma preocupação central será o
despiste precoce da ambliopia, o chamado “olho preguiçoso”. Esta
condição aumenta o risco de perda visual no outro olho se não for
devidamente acompanhada.
O diploma reforça os cuidados em torno da saúde visual no Serviço
Nacional de Saúde, com o governo a sublinhar que “expandir e melhorar a
capacidade da rede dos cuidados de saúde primários” passa também pela
ampliação da cobertura do SNS na área da saúde visual.
Além da atenção dirigida às crianças, haverá um reforço do despiste da
Degenerescência Macular da Idade (DMI), em particular nos diabéticos,
que têm maior risco de desenvolver esta condição que pode levar à
cegueira. Os utentes serão chamados aos centros de saúde para rastreio
e, caso este dê positivo, serão também encaminhados para consulta
oftalmologia no SNS num centro de referência num prazo de quatro
semanas.
A oftalmologia é das áreas em que os hospitais têm maiores listas de
espera para consulta. Os dados disponíveis no Portal do SNS revelam que
em doentes com prioridade normal, a espera chega a ser de765 dias no
Hospital de Seia que pertence à Unidade Local de Saúde da Guarda. São
mais de dois anos. Os hospitais de Chaves, Covilhã, Barreiro-Montijo,
Loures, Santarém, Caldas da Rainha, Alcobaça, Leiria, Pombal e Águeda
têm todos mais de um ano de espera.
publicado por
MJA
[4.Mai.2016]

Terapia genética reverte perda de visão em pacientes com doença hereditária
29/04/16
RIO — Com o uso da terapia genética, cientistas da Universidade de Oxford, na Inglaterra, conseguiram reverter a perda de visão em pacientes vítimas da coroideremia, doença hereditária que provoca a degeneração da corióide, estrutura do olho localizada entre a camada esclerótica e a retina. A expectativa é que a técnica possa ser utilizada para tratar formas mais comuns de cegueira hereditária, como a retinite pigmentosa e degeneração macular.
A nova técnica envolve a injeção de um vírus no olho do paciente para distribuir bilhões de genes saudáveis que irão substituir o gene específico da coroideremia. Os resultados dos primeiros testes com humanos foram publicados nesta quinta-feira na revista “New England Journal of Medicine”. Dos seis pacientes que passaram pela terapia há quatro anos, apenas um, que recebeu doses menores, apresentou declínio na visão.
Para o controle do experimento, os pacientes receberam a injeção em apenas um dos olhos. A expectativa dos cientistas era que a terapia impedisse ou desacelerasse a perda de visão, entretanto, dois pacientes apresentam melhora significativa na visão do olho tratado, apesar do declínio do olho não tratado neste período. Outros três mantiveram a visão no olho tratado.
— Existiram questionamentos recentes sobre a eficácia da terapia genética a longo prazo, mas agora nós temos provas inequívocas que os efeitos de uma única injeção do vetor são sustentáveis — disse Robert MacLaren, líder dos estudos. — Mesmo uma pequena melhora na visão central desses pacientes pode dar-lhes considerável independência.
O pesquisador explica que a terapia genética aproveita as propriedades infecciosas do vírus para inserção de DNA em uma célula, sendo que o DNA do vírus é removido e substituído por DNA programado em laboratório para corrigir determinada falha no material genético do paciente.
— Restaurar a visão de forma permanente em pessoas com cegueira hereditária seria uma conquista médica notável — disse Stephen Caddick, diretor de Inovação na Wellcome Trust, financiadora da pesquisa. — Esta é a primeira vez que vemos o que parece ser uma mudança permanente na visão apenas após uma rodada de tratamento. É um passo real em direção a uma era em que a terapia genética faça parte do tratamento rotineiro desses pacientes.
O advogado aposentado Jonathan Wyatt, de 68 anos, foi o primeiro paciente do mundo a receber o tratamento. Ele sofre com problemas de visão desde os 20 anos de idade, mas, após a terapia, foi capaz de dobrar o seu nível de visão no olho esquerdo, que recebeu a injeção do vírus.
— Eu me sinto com sorte, privilegiado e honrado de fazer parte deste
fantástico grupo de pesquisa. Eu sinto que apesar de eu ser a carne no
sanduíche, minha vida está fazendo uma contribuição para ajudar outros —
disse Wyatt. — Me tornou mais independente, eu acho que eu seria mais
dependente, teria mais preocupação em pegar os trens por minha conta.
publicado por
MJA
[2.Mai.2016]

Como se faz a VISÃO braille
Cesaltina Pinto
27.04.2016
Depois de uma interrupção de alguns anos, a VISÃO braille volta a circular e, desta vez, acompanhada da VISÃO JÚNIOR. Contámos-lhe aqui os processos, antigos e precisos, da transcrição do alfabeto romano para o braille.
Apesar de todas as inovações tecnológicas, que facilitaram o acesso dos
invisuais á informação, o papel ainda é querido e procurado. Daí que
tenha regressado a parceria da VISÃO com a
Santa Casa da Misericórdia do Porto, para o regresso à circulação da
edição em braille da revista.
“Recebíamos muitas solicitações para reativar esta publicação”, explicou
João Belchior, diretor do CPAC - Centro Professor Albuquerque e Castro,
onde funciona a gráfica especializada na produção de materiais braille.
Debaixo da alçada da Misericórdia do Porto, este departamento tem já um
longo espólio de edição e, nos últimos anos, tem investido também na
produção de materiais infantis de dupla leitura, que podem ser usados
por norma visuais e por cegos. Criaram também revistas próprias, como a
Enigma, de passatempos para cegos.
E agora, de novo, a VISÃO, mais a sua extensão JUNIOR. A primeira terá
950 exemplares por edição e será de periodicidade mensal. A segunda
andará pelos 750 exemplares e será publicada de dois em dois meses. A
maioria estará disponível em várias instituições e bibliotecas
nacionais. Mas cerca de um terço circulará por 34 países diferentes,
nomeadamente os países de expressão portuguesa.
Bernardino Pacheco foi o nosso guia nesta viagem à gráfica que
transcreve e imprime cerca de 80 páginas braille com oito artigos da
VISÃO.
1. SELECIONAR OS ARTIGOS E TRANSCREVER
Há 27 anos que Teresa Mesquita faz a transcrição para os seis pontos do
alfabeto braille, que conhece de cor e salteada. Vai teclando com as
duas mãos, de modo a passar as palavras do papel para as placas de
alumínio, já dobradas à medida. Socorre-se da ajuda de uma máquina muito
antiga, que Bernardino Pacheco, o responsável gráfico, assegura ser
única no país. Quando se engana, Teresa tem de apagar o erro com martelo
e punção, duas ferramentas de apoio. Com este processo, a VISÃO demora
oito ou nove horas a imprimir, quando através de um processo informático
demoraria 15 dias.
2. REVISÃO
Já depois de transcrito, o artigo é lido várias vezes, corrigindo erros
e omissões. Pelo menos uma vez, a revisão é feita em simultâneo a partir
do papel e do braille, para que se faça o confronto e fique assegurado
que não falta nada. Se houver correções a fazer, o processo volta à
chapa de alumínio e de novo à revisão. António Santos, invisual, revê
textos há 33 anos (tem 58). Dá-lhe gozo o que faz, porque sempre gostou
muito de ler. Também já lê muito do que está no digital, com uma
aplicação do telemóvel que lhe lê de viva voz os artigos.
3. IMPRESSÃO
A máquina, data de 1972, mas “continua a ser altamente funcional”, como
diz Bernardino Pacheco. Foi adaptada para braille, com ausência de
tinta, para que a pressão sobre as chapas consiga o relevo necessário do
alfabeto braille no papel, sem furar. O papel é especial, com uma
gramagem superior ao normal.
4. DOBRAGEM E MONTAGEM
As folhas são dobradas, manualmente. São depois colocadas numa mesa
grande em montes que correspondem a um número de páginas. E, de seguida,
ordenadas folha a folha, até ao nº 80, a totalidade de páginas que
geralmente tem a VISÃO braille. Por vezes, é preciso uma dezena de
pessoas para fazer este trabalho tão minucioso e cuidado, para que a
VISÃO chegue aos seus leitores em condições impecáveis. Só depois é
agrafado e devidamente embalado em plástico de bolhas, seguindo para a
distribuição, feita gratuitamente pelos CTT.
fonte:
sapo.pt
publicado por
MJA
[27.Abr.2016]

"Um grande número” de pessoas com deficiência está privado de direitos básicos
Público | ANDREIA SANCHES
22/04/2016
Opor-se a um tratamento ou a um aborto. Gerir património. Ter uma vida
independente. Casar-se. Peritos da ONU avaliaram pela primeira vez como
são respeitados direitos fundamentais das pessoas com deficiência em
Portugal. Muitas vezes não são.
O Relatório final do Comité dos Direitos das Pessoas com Deficiência
relativo a Portugal foi divulgado nesta sexta-feira. Inclui
recomendações que resultam de uma avaliação feita num período em que,
explica-se, as “medidas de austeridade” e os cortes nos recursos
disponíveis afectaram desde a educação das crianças com deficiência, até
ao nível de vida das famílias.
Os peritos também tomam nota dos esforços realizados pelo Estado “para
mitigar o impacto das medidas de austeridade nas pessoas com
deficiência”, mas constatam que deficientes que não tiveram hipótese de
contar com o apoio da família acabaram “obrigados a viver em situação de
indigência e pobreza extrema”.
Embora não haja dados oficiais, continua a existir em Portugal
esterilização forçada de adultos com deficiência. Alguns, “legalmente
incapacitados”, continuam a ser alvo, “contra sua vontade”, de
interrupções da gravidez e de terapias electroconvulsivas. “Um grande
número” está, de resto, sujeito a regimes de interdição ou inabilitação
“e vê-se privado do exercício de certos direitos, como votar, casar-se,
constituir família ou gerir bens e propriedades”. Estes factos são
vistos com “preocupação” pelo comité das Nações Unidas, que esteve a
avaliar como aplica Portugal a Convenção sobre os Direitos das Pessoas
com Deficiência.
O comité sugere que o Estado português crie “sistemas de apoio” para que
as pessoas com deficiência possam “tomar decisões” que permitam o
exercício efectivo dos seus direitos. Diz que o país deve alterar os
“regimes legais de tutela total e parcial” (a revisão dos regimes de
interdição ou inabilitação chegou a ser considerada prioritária no ano
passado, pelo Conselho de Ministros, mas não avançou). E que deve ainda
“adoptar todas as medidas possíveis para assegurar que se respeita o
direito ao consentimento livre, prévio e informado de tratamentos
médicos”.
Os peritos pedem que seja também revista a legislação que permite que as
pessoas “portadoras de anomalia psíquica” possam ser sujeitas a
internamento compulsivo.
O relatório final do Comité dos Direitos das Pessoas com Deficiência
relativo a Portugal foi divulgado nesta sexta-feira. Inclui
recomendações que resultam de uma avaliação feita num período em que,
explica-se, as “medidas de austeridade” e os cortes nos recursos
disponíveis afectaram desde a educação das crianças com deficiência, até
ao nível de vida das famílias.
Tudo isto num país onde, constata, as queixas que as pessoas com
deficiência apresentam por discriminação — seja de que tipo for — são na
sua maioria arquivadas.
Houve progressos
O comité de 18 peritos independentes avaliou, pela primeira vez, como
cumpre o país as normas estabelecidas pela Convenção sobre os Direitos
das Pessoas com Deficiência (ratificada por Portugal em 2009). A
Convenção reafirma princípios universais como a dignidade, igualdade e
não discriminação e define as obrigações gerais dos Governos relativas à
integração das várias dimensões da deficiência nas suas políticas.
Foi um longo processo, esta avaliação. Em 2012, o Governo português fez
chegar ao comité um relatório onde fazia um ponto de situação: quadro
legal, programas específicos de apoio, respostas educativas.
Depois, o Observatório da Deficiência e Direitos Humanos português e
outras organizações da sociedade civil transmitiram os seus contributos
aos peritos. No final do mês passado, uma delegação, que integrou a
secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia
Antunes, esteve no comité, em Genebra, a responder a questões colocadas.
E, nesta sexta-feira, o relatório final foi divulgado no site das Nações
Unidas.
Os peritos tomam nota dos esforços realizados pelo Estado “para mitigar
o impacto das medidas de austeridade nas pessoas com deficiência”, mas
constatam que deficientes que não tiveram hipótese de contar com o apoio
da família acabaram “obrigados a viver em situação de indigência e
pobreza extrema”
O comité começa por congratular-se com “os progressos alcançados em
alguns sectores relacionados com os direitos das pessoas com
deficiência” em Portugal. A adopção de um programa nacional de saúde
mental é uma das medidas que merece aplausos.
Vida independente?
Assim, dizem, o país deve criar “serviços de apoio para a vida
independente e instituições de acolhimento que respeitem os direitos das
pessoas com deficiência, a sua vontade e as suas preferências”. E devem
“ser criados subsídios monetários que permitam às pessoas com
deficiência desempregadas e carentes de apoio familiar ter um nível de
vida adequado”.
O comité pede ainda a Portugal que crie uma “estratégia nacional para a
vida independente”. Sobre este ponto, recorde-se a descrição que o
Observatório da Deficiência e Direitos Humanos português fez chegar à
ONU: não há, em Portugal, um quadro legal para a figura do serviço de
assistente pessoal; o Estado português paga aproximadamente 950 euros
mensais às instituições com as quais tem acordos de cooperação para as
pessoas com deficiência serem institucionalizadas em lares residenciais,
mas, “se as pessoas com deficiência quiserem viver sozinhas e
necessitarem de acompanhamento permanente, têm direito a receber apenas
88,37 euros, o montante correspondente ao subsídio por assistência de
3.ª pessoa”; por falta de alternativas, “muitos adultos com deficiência
vivem em lares de idosos”.
No capítulo da Educação, o comité lembra que a grande maioria dos
estudantes com deficiência frequenta escolas regulares, o que é
positivo. Mas que “há falta de apoios” a estes alunos e que houve
“cortes nos recursos humanos e materiais” disponíveis para os mesmos,
cortes esses que “comprometem o direito e a possibilidade de uma
educação inclusiva e de qualidade”.
Os peritos criticam ainda as chamadas “escolas de referência para
estudantes surdos, surdo-cegos, cegos e para estudantes com autismo”,
considerando que “são uma forma de segregação”.
Os recursos disponíveis para estes alunos, concluem, devem aumentar.
No capítulo do trabalho sugere-se a revisão da legislação laboral. O
comité está “preocupado com desigualdade e as condições de trabalho das
pessoas com deficiência” que vivem em Portugal.
No final do mês, depois de responder às questões dos peritos, a
secretária de Estado Ana Sofia Antunes prometeu “para os próximos meses”
uma regulamentação do Código do Trabalho, “que promova a justiça no
trabalho para as pessoas com deficiência” e anunciou um “Livro Branco”
que fornecerá um retrato das pessoas com deficiência no país. Reconheceu
ainda “a necessidade de introduzir melhorias no regime de protecção”
destas pessoas, afirmando que “o mesmo se encontra em fase de revisão”.
Participação é fundamental
“Registamos com agrado as recomendações do comité ao Estado Português”,
diz Paula Campos Pinto, do Observatório da Deficiência e Direitos
Humanos. De resto, elas tocam muitas das questões que tinham sido
levantadas nos documentos que o observatório fez chegar ao comité,
“nomeadamente a necessidade de abandonar uma visão assistencialista e
medicalizada da deficiência e criar apoios para a vida independente, de
cumprir e fazer cumprir a legislação existente em torno das
acessibilidades, de dotar as escolas dos meios humanos e materiais
fundamentais para promover a educação inclusiva e de regulamentar os
apoios a prestar pelas universidades aos alunos com deficiência”.
Paula Campos Pinto sublinha ainda a necessidade referida pelo comité de
o país "adoptar uma nova estratégia para a deficiência que promova a
coordenação das políticas neste sector”. E a “importância da
participação activa das pessoas com deficiência e suas organizações
representativas” que “devem estar envolvidas no desenho, implementação e
avaliação de todas as políticas que lhes dizem respeito”.
publicado por
MJA
[23.Abr.2016]

Descobrir a história e o património de Tentúgal pelo tacto
16-Abril-2016
Foi uma experiência diferente, de descoberta e de emoções, para
visitantes e também para os “guias”. «Um exercício que nos ajudou, a nós
próprios, a fazer novas descobertas sobre Tentúgal», sintetiza Olga
Cavaleiro, responsável da Confraria da Doçaria Conventual de Tentúgal, a
propósito da visita que um grupo de associados da ACAPO – Associação dos
Cegos e Amblíopes de Portugal efectuou a Tentúgal, com o propósito de
descobrir a história, o património e a gastronomia da vila. Uma
experiência pioneira, na cadência das visitas guiadas que a confraria
iniciou há cerca de seis anos e que representou, salienta Olga
Cavaleiro, um «desafio para os confrades», que se empenharam na sua
preparação, «procurando valorizar todos os outros sentidos, além da
visão». Um plano gisado para «um grupo pequeno», que começou na Igreja
da Misericórdia.
publicado por
MJA
[16.Abr.2016]

February 2016
To live and study abroad is the dream of many students all over Europe.
They are curious to learn about new cultures and new ways of thinking.
The Erasmus+ programme offers them wide opportunities to reach their
goals. Beside their studies they learn new things, the way they collect
new information, make new connections, organise their time, and identify
with new lifestyles All these experiences are very gratifying and the
students will certainly enjoy the benefits in the future. Erasmus+
offers opportunities to use skills to grow as a person with a global
mind set.
(by Cláudia Vale Da Silva thoughts -
http://ec.europa.eu/programmes/erasmus-plus/index_en.htm)
Students with disabilities such as a visual impairment would like to
have the same opportunities. The Erasmus+ programme is open to all
students in Europe. In order to obtain a clear picture of the
possibilities and barriers of exchange programs for university students
with visual impairments (VI), the European Blind Union (EBU) and the
International Council for Education and Rehabilitation of People with
Visual Impairment, Europe (ICEVI-Europe) has set up a research group.
publicado por
MJA
[12.Abr.2016]

Bebé de 4 meses vê a mãe pela primeira vez
08/04/2016
Este é provavelmente o momento adorável da semana. Talvez até do mês. Aconselhamos a ir buscar um lenço de papel para limpar as lágrimas porque é capaz de precisar. E não é caso para menos. Ora veja:
Isto porque é quase impossível ficar indiferente a este vídeo, onde se
vê o (enorme) sorriso do pequeno Leo ao ‘ver’ a mãe pela primeira vez.
O bebé de quatro meses sofre de albinismo óculo-cutâneo, um problema de
saúde raro que afeta a cor dos olhos, da pele, do cabelo e a visão,
lê-se no Daily Mail.
Os pais de Leopold, David e Erin, contam que juntaram vários familiares
em sua casa para assistirem ao momento em que colocaram os óculos ao
bebé pela primeira vez. E garantem que ninguém conseguiu conter as
lágrimas.
“O Leo olhou para a minha mulher e viu-a pela primeira vez”, conta
David, acrescentando que até teve dificuldades em agarrar a câmara de
tão emocionado que estava.
publicado por
MJA
[9.Abr.2016]

Governo vai criar balcões de atendimento só para pessoas com deficiência
LUSA | Público
30/03/2016
Medida é uma entre várias que Portugal levou ao Comité das Nações Unidas
dos Direitos das Pessoas com Deficiência, que está a avaliar a situação
portuguesa nesta área.
A criação de balcões de atendimento especializados em questões de
deficiência, contratação de intérpretes de língua gestual no Serviço
Nacional de Saúde ou medidas fiscais mais vantajosas são algumas das
propostas que o Governo quer implementar nos próximos anos.
As medidas surgem na sequência da primeira avaliação de Portugal pelo
Comité das Nações Unidas dos Direitos das Pessoas com Deficiência à
implementação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência.
Portugal está sob avaliação e na terça-feira e hoje teve lugar, em
Genebra, na Suíça, a primeira sessão de avaliação, já que esta é a
primeira vez, desde a ratificação da convenção em 2009, que Portugal é
submetido a este processo de monitorização.
A secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana
Sofia Antunes, que chefiou a delegação portuguesa, anunciou que
"Portugal está fortemente empenhado em garantir a mais elevada protecção
de todos os direitos humanos".
Nesse sentido, sublinhou que é intenção do Governo lançar para os
próximos anos uma série de medidas, sendo uma dessas medidas os Balcões
da Inclusão, ou seja, postos de atendimento especializados em questões
da deficiência que estarão disponíveis em todos os serviços da Segurança
Social.
Por outro lado, pretende contratar intérpretes da língua gestual para o
Serviço Nacional de Saúde (SNS), bem como criar medidas fiscais mais
vantajosas para as pessoas com deficiência, além do lançamento do
sistema de apoio à vida independente.
De acordo com a secretária de Estado, outra das prioridades "para os
próximos meses" é a regulamentação do Código do Trabalho, com vista a
uma promoção da justiça no trabalho para as pessoas com deficiência.
Ana Sofia Antunes frisou que a inclusão de quotas para pessoas com
deficiência na administração pública está regulamentada por lei desde
2001, faltando, no entanto, que seja uma realidade.
Defendeu, nesta matéria, que a administração pública seja um exemplo
para que o regime de quotas possa ser alargado ao sector privado.
De acordo com a governante, a protecção das pessoas com deficiência é
uma preocupação central do sistema de segurança social, frisando que
existem várias prestações pecuniárias com vista a proteger crianças,
jovens e adultos com deficiência, quer de carácter contributivo, quer
não contributivo, que são complementadas por uma rede de
estabelecimentos e serviços com respostas sociais dirigidas
especificamente a estas pessoas.
Ana Sofia Antunes reafirmou que é intenção do Governo lançar várias
medidas "verdadeiramente promotoras de inclusão", mas que para esse
objectivo ser concretizado é preciso conhecer a realidade das pessoas
com deficiência, saber onde estão e "o que é necessário para melhorar a
sua situação".
Revelou que o Governo está a preparar um Livro Branco que faça um
retrato da situação actual e do qual irá resultar a Agenda Nacional para
as Pessoas com Deficiência, medida a implementar durante a actual
legislatura.
Apesar das várias medidas anunciadas, a secretária de Estado admitiu que
é necessário melhorar o regime de protecção, adiantando que este está em
fase de revisão e tem três objectivos essenciais: melhorar a protecção
social, retirar as pessoas com deficiência da situação de pobreza e
promover a empregabilidade.
publicado por
MJA
[7.Abr.2016]

Facebook vai permitir a cegos "ver" fotografias
Tomásia Sousa | TVI24
5 Abril 2016
Nova tecnologia gera uma descrição automática para
cada
fotografia que o utilizador selecionar, lendo em
voz alta o que aparecer no feed de
notícias
O Facebook apresentou esta terça-feira uma nova funcionalidade, que
permite às pessoas cegas “ver” as imagens publicadas naquela rede
social.
Com uma comunidade de mais de 39 milhões de utilizadores cegos e outros
246 milhões com problemas de visão, o Facebook resolveu melhorar a
expriência dessas pessoas e desenvolveu um sistema que usa a
inteligência artificial para descrever as imagens de forma mais
detalhada. Na prática, a nova aplicação gera uma descrição automática
para cada fotografia que o utilizador selecionar.
Para já, o software está preparado para reconhecer cerca de 80
atividades e objetos comuns e apenas está disponível para os
utilizadores do Facebook que usam “sreen readers” no sistema iOS, mas
deverá alargar-se a outras plataformas. Por enquanto, a aplicação também
só está disponível em inglês e num número limitado de países
Designada de “automatic alternative text”, esta tecnologia reconhece
pontos específicos nas fotos e transmite essas informações aos sistemas
conhecidos como “screen readers”, que lêm em voz alta o que aparecer no
feed de notícias.
Até então, o que o utilizador ouvia era apenas o nome da pessoa que
tinha feito a publicação. Agora, é possível ouvir, por exemplo, “a
imagem pode conter três pessoas sorrindo num ambiente externo”.
publicado por
MJA
[6.Abr.2016]

Programador cego desenvolve app para ajudar invisuais
Boas Notícias
31 março, 2016
Saqib Shaikh, programador da Microsoft, é cego desde os sete anos.
Agora, usou as suas competências para criar uma aplicação que ajuda
pessoas com o mesmo problema de visão a interpretar o ambiente em seu
redor.
Saqib, que reside em Londres e trabalha na Microsoft há 10 anos, é o
mentor da Seeing AI, uma aplicação para smartphones e óculos
inteligentes capaz de narrar ao utilizador aquilo que se passa à sua
volta.
Através da Seeing AI, o utilizador pode identificar as pessoas com quem
está a conversar, com a aplicação a revelar o sexo do interlocutor,
sendo que a app também consegue ler as expressões faciais indicando o
estado emocional das pessoas (se estão a sorrir ou se estão tristes, por
exemplo).
A aplicação, que ainda não está disponível ao público, também guia, por
exemplo, o utilizador na hora de fotografar o menu de um restaurante
para, de seguida, ler em voz alta as opções disponíveis.
"Adoro fazer coisas que melhorem a vida das pessoas e sempre sonhei
desenvolver uma aplicação que nos dissesse o que se passa à nossa
volta", conta Saqib no vídeo divulgado pela Microsoft.
"Sei que esta solução parece ficção científica, eu nunca pensei que isto
fosse possível, mas a inteligência artificial está cada vez mais
evoluída e penso que isto é apenas o princípio", garante.
A aplicação foi desenvolvida com as ferramentas de inteligência
artificial da Microsoft Cognitive Services, uma divisão da empresa que
desenvolve "aplicações com algoritmos poderosos utilizando apenas
algumas linhas de código. As aplicações são compatíveis com vários
dispositivos e plataformas como iOS, Android e Windows", explica a
empresa. E são mais fáceis de configurar.
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MJA
[3.Abr.2016]

Gala apresenta Escola de Cães-guia de Mortágua
11-03-2016
Promete ser um momento de emoções, mas também de descoberta. Falamos da
gala que a Escola de Cães-guia para Cegos de Mortágua (ABBADV) promove,
amanhã à tarde, no Conservatório de Música de Coimbra.
São muitas as razões para celebrar, a começar pela primeira “incursão”
feita em Coimbra, a entrega de diplomas às “duplas” cego-cão guia
formadas no ano passado, o agradecimento às famílias de acolhimento e às
empresas e entidades que têm dado o seu apoio a este projecto único no
país, dedicado à formação e treino de cães que ajudam quem não vê a
descobrir um mundo novo.
Mas há também um espectáculo para ver, ou melhor, ouvir e sentir, uma
vez que aos participantes são convidados a vendar os olhos, partilhando
uma experiência de escuridão.
Um espectáculo que, juntamente com a mostra gastronómica, pretende
“aquecer” o ambiente de uma cerimónia mais formal e protocolar. A
direcção da ABBADV explica que a experiência foi testada, pela primeira
vez, no ano passado, em Mortágua, e o espectáculo “Vi(r)ver sem ver”,
concebido pelo maestro Ricardo Vicente, «esgotou por completo» o Centro
de Animação Cultural, nas duas sessões.
publicado por
MJA
[11.Mar.2016]

Células estaminais podem
regenerar
tecido ocular em crianças com cataratas
Porto Canal | Lusa
9 mar 2016
Londres, 09 mar (Lusa) - As terapias baseadas em células estaminais
demonstraram ser efetivas para regenerar o tecido ocular em crianças com
cataratas e reparar a córnea em animais que perderam a visão, segundo
estudos publicados hoje na Nature.
Os estudos descrevem novas técnicas para devolver a transparência à
córnea e ao cristalino, o que pode evitar transplantes ou implantes
artificiais, procedimentos com algum risco para o paciente.
As cataratas, a primeira causa de cegueira no mundo, tratam-se
habitualmente com uma operação em que se substitui o cristalino por uma
lente intraocular artificial.
Em crianças com cataratas congénitas, o êxito daquela intervenção é
limitado, dado que a operação pode criar uma certa distorção na linha de
visão difícil de corrigir com óculos, porque o olho continua em
desenvolvimento.
Cientistas dos Estados Unidos e do Reino Unido desenvolveram uma técnica
para devolver a transparência ao cristalino sem necessidade de o
substituir.
Os cientistas explicam, no estudo, que a técnica é menos invasiva que o
procedimento habitual e consiste em retirar uma parte do tecido
danificado, mas deixam intactas as células estaminais.
O procedimento foi testado em 12 crianças com menos de dois anos.
Segundo os resultados, o cristalino das 12 crianças regenerou-se em três
meses e sem complicações em todos os casos.
Num outro estudo, os cientistas demonstraram que é possível cultivar
células do epitélio em laboratório e transplantá-las para olhos de
mamíferos.
Os cientistas experimentaram o método em coelhos com a visão danificada
para comprovar que se pode utilizar com êxito para reverter danos na
córnea.
O estudo sugere que este pode ser o primeiro passo para desenhar a
experiência em humanos, o que pode evitar transplantes da córnea.
MSE
// JPS | Lusa
publicado por
MJA
[10.Mar.2016]

O que você deve saber sobre
o uso de lentes de contato
26/02/2016

Úlceras de córnea decorrentes do mau uso das lentes de
contato
Estudos americanos comprovam que uma das principais causas de
transplante de córnea no mundo são as sequelas de doenças oculares
ocasionadas pelo uso inadequado das lentes de contato. Segundo estudos
europeus, pessoas que usam lentes de contato sem avaliação adequada de
médicos oftalmologistas possuem 5 vezes maiores chances de apresentarem
algum tipo de complicações oculares.
A adaptação é dinâmica. O que está bem pode mudar. Por isso, é preciso que o médico oftalmologista que adaptou, faça o acompanhamento clínico periódico. É tão importante para preservar a saúde ocular, que o Conselho Federal de Medicina decretou a adaptação de lentes de contato como um ato médico, pessoal e intransferível, e que continua enquanto o usuário fizer uso das mesmas. O médico avalia, testa, adapta e acompanha. E se responsabiliza apenas pelas lentes que ele adapta.
texto integral da notícia aqui:
http://g1.globo.com
publicado por
MJA
[7.Mar.2016]

App promete ajudar deficientes visuais
a "verem" o mundo
3 Março 2016
O app Aipoly Vision: ferramenta faz uma leitura de elementos através da câmera do celular e os descreve em um áudio
São Paulo - Muito se fala sobre a tecnologia como a grande vilã das
relações pessoais, aquela que veio para acabar de vez com a proximidade
"real" entre as pessoas, e em certa medida, dependendo do ponto de
referência, os avanços tecnológicos de fato podem mesmo ser causadores
de pequenas catástrofes como um transformar a boa e velha conversa de
bar em um monólogo.
É inegável, no entanto, que dominar a técnica é, desde sempre, a melhor
forma de facilitar a vida do ser humano.
Um exemplo de como utilizar a tecnologia para este fim é o Aipoly
Vision, um aplicativo que promete ajudar deficientes visuais a
"enxergarem" o mundo a sua volta.
Compatível com dispositivos iOS, a ferramenta faz uma leitura de
elementos através da câmera do celular e os descreve em um áudio aos
usuários.
A promessa do app é reconhecer e transmitir os objetos para ajudar no
dia a dia de pessoas cegas com um intervalo de tempo de três segundos,
como demonstrado no vídeo abaixo.
O app é gratuito e, por enquanto, só está disponivel para download em
iOS.
publicado por
MJA
[5.Mar.2016]

Pessoas com deficiência vão
beneficiar
de desconto de 75% nos comboios
Agência Lusa | Observador
4/3/2016
Pessoas com deficiência vão beneficiar de um desconto de 75%, na
compra de bilhetes para viajar nos comboios, após acordo a assinar esta
sexta, entre o Instituto Nacional para a Reabilitação e a CP.
As pessoas com deficiência vão beneficiar de um desconto de 75%, na
compra de bilhetes em segunda classe para viajar nos comboios, através
de um acordo a assinar hoje, entre o Instituto Nacional para a
Reabilitação e a CP.
Os acompanhantes das pessoas com deficiência vão também poder beneficiar
de um desconto de 25% nas viagens, segundo um comunicado do Ministério
do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS).
O “Desconto para Pessoas com Deficiência” prevê que “os cidadãos com
deficiência possam beneficiar de um desconto de 75% na compra de títulos
de transporte para realizar viagens, em qualquer percurso em segunda
classe, dos comboios Alfa Pendular, Intercidades, Regionais,
Inter-regionais e Urbanos da CP”, adianta o ministério.
A iniciativa tem como objetivo garantir às pessoa com deficiência, a
igualdade de oportunidades a que têm direito, procurando minimizar as
desvantagens resultantes das suas incapacidades, nomeadamente, as
relativas à sua autonomia e mobilidade.
A medida, com um prazo de um ano, sendo renovável sucessivamente por
iguais períodos, abrange as pessoas com deficiência com um grau de
incapacidade igual ou superior a 80%, e os deficientes das Forças
Armadas.
“Relativamente ao protocolo anterior com a CP, alterou-se o paradigma
que privilegiava o desconto ao acompanhante, em detrimento da pessoa com
deficiência (25%), que agora vê este valor aumentado para 75%.”, adianta
o ministério, numa nota enviada à agência Lusa.
Outra das “grandes alterações” em relação ao protocolo anterior é o
alargamento deste benefício a todos os comboios da CP, “o que contrasta
com a situação anterior, em que só eram consideradas as viagens de longo
curso”.
Na base deste acordo estiverem os princípios orientadores do Instituto
Nacional para a Reabilitação (INR), que se baseiam “na garantia de
igualdade de oportunidades, no combate à discriminação e na valorização
das pessoas com deficiência” e o compromisso da CP com “o
desenvolvimento de uma política de cidadania empresarial, nomeadamente
em matéria de responsabilidade social”.
A medida teve também em consideração as orientações e recomendações da
União Europeia, as medidas aplicadas por outros Estados-membros nesta
área e a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência.
Na assinatura do acordo entre o Instituto Nacional para a Reabilitação e
a CP – Comboios de Portugal vão estar presentes a secretária de Estado
da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, e o
secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme W. d’Oliveira
Martins.
publicado por
MJA
[4.Mar.2016]

O rapaz que nunca foi ao cinema
e nunca viu os Óscares
Laurinda Alves
1/3/2016

Plateia de pessoas cegas numa sessão de cinema
com audiodescrição
A verdade nua e crua é que nas universidades quase não há respostas para cegos.
E por isso é que não há lá cegos: são postos de lado à partida e vêem-se ‘às
aranhas’ para cumprirem o que lhes é exigido
Só quem passa ou passou pela experiência da cegueira sabe como é inquietante não
ver nada, não distinguir contornos nem cores, não saber como é a luz do dia nem
conhecer as estrelas da noite, não poder ver a cara dos que ama nem o sorriso de
um pai ou de um filho. Muito menos um desenho feito por ele, com amor. Amanhecer
e anoitecer são abstracções mais ou menos sensoriais. O mar é um mistério
profundo que apenas se pode sentir escutando-o, tocando-o ou mergulhando nele.
Ruas, avenidas, estradas e passeios são conceitos aprendidos à custa de passos
criteriosamente estudados e medidos entre muitos obstáculos. Semáforos são uma
ajuda, mas só quando têm som, porque os outros passam despercebidos ou são
tropeços entre o vaivém ensurdecedor de carros e autocarros. Perder a visão pode
ser muito assustador. Aterrador, mesmo.
Quem vê e sempre viu nem se apercebe do que é não ver nada. Passa ao lado de uma
realidade dura e adversa. Há, até, quem se atreva a dar passos para evitar
cruzar o caminho de um cego. Vi isso uma vez numa plataforma de comboios. Eu
estava de carro, presa numa fila de transito na estrada que fica num nível mais
abaixo da estação, e vi esta cena: um cego de passos prudentes e queixo
levantado, interrogativo, como que à procura de alguém, a varrer o ar à direita
e à esquerda com a sua bengala, tentando encontrar o ponto certo para atravessar
a linha do comboio. Avançava devagar, com passos cada vez mais hesitantes, mas
não viu um homem em sentido contrário fintando em silêncio a sua bengala e
afastando o corpo para passar ao lado sem dizer uma palavra. Só para não ter que
o ajudar. O homem fez isso por ser a única pessoa naquela plataforma para além
do cego, e certamente seguro de que ninguém o veria. O cego não viu, realmente,
mas tenho a certeza de que soube que alguém passou por ele e o evitou. Eu
confesso que nunca tinha assistido a nada tão chocante que envolvesse um cego.
Nunca esperei um gesto tão cobarde de alguém que só por saber que vê sem ser
visto, opta por desviar o caminho e passar ao largo. Mesmo sabendo que o cego
estava a tentar atravessar uma linha de comboio.
Vi toda a cena sentindo-me impotente para ajudar, pois estava enfiada num carro,
refém do trânsito, na estrada que corre paralela ao rio Tejo, perto de
Alcântara. Nem eu nem os que viram o que eu vi, pudemos ajudar aquele cego. E
ele ali continuou às cegas, naquele filme mudo, numa solidão incrível que
continuei a ver enquanto pude, através do espelho retrovisor. Não cheguei a
saber se foi ajudado porque acabou por desaparecer no meu horizonte.
Pouco tempo depois desta cena tristíssima conheci em Fontainebleau um dos
fundadores da cadeia de restaurantes Dans Le Noir?, um conceito radical que hoje
em dia já se estende a várias capitais da Europa, mas não só. Fiz um curso no
INSEAD e o autor deste conceito radical era meu colega de turma. Explicou-me
aquilo que muitos sabem porque já conhecem, já ouviram falar ou até já
experimentaram, e se resume a ir a um restaurante onde só trabalham cegos e não
se vê nada. Absloutamente nada. A ideia é essa mesma: proporcionar uma
experiência de cegueira a pessoas que vêm. Soa inquietante e é realmente
estranho, mas ajuda a ver a e perceber muita coisa. Nos restaurantes da cadeia
Dans Le Noir? as pessoas chegam a uma zona ainda iluminada, onde são convidadas
a deixar tudo o que brilha ou tenha luz. Relógios, telemóveis, tablets,
porta-chaves com lanternas e afins, ficam guardados na recepção. Depois de serem
simpaticamente despojadas destes objectos, as pessoas são conduzidas para uma
zona de penumbra que antecede a escuridão total. Pousando a mão no ombro dos
empregados do restaurante, seguem em confiança. A partir do momento em que
entram no escuro total, a confiança tem que ser radical.
Tal como num restaurante comum, são encaminhados para mesas num espaço onde há
mais mesas e onde outras pessoas já estão sentadas a conversar, a comer ou à
espera de serem servidas. A estranheza começa por estarmos num lugar onde não se
vê rigorosamente nada, mas onde se ouve e percebe absolutamente tudo. Sem nos
fazerem tropeçar, com uma arte e uma gentileza admiráveis, os empregados
sentam-nos à mesa e perguntam o que queremos tomar. E anotam. Ou memorizam, para
ser mais exacta. Discretamente desaparecem de cena, deixando-nos na mesa, como
fazem todos os empregados em todos os restaurantes do mundo. E nós olhamos à
volta, tentando ver alguma coisa, fazendo um esforço enorme para descobrir o
menor brilho, um vestígio de luz ou o contorno de qualquer coisa. E nada. Uma
escuridão total e completa. Então começamos a usar os outros sentidos e
percorremos a mesa como os dedos para a sentir e definir o seu tamanho, tentando
perceber onde acaba, e agitamos os braços como náufragos, como se estivéssemos a
nadar no ar, fazendo gestos absurdos se fossem vistos à luz, tentando encontrar
e segurar a mão de quem nos acompanha. Há um susto inicial que faz disparar o
coração e acelera a respiração. Tentamos ficar calmos e proceder com
naturalidade. Fazemos caretas que ninguém vê, torcemos o pescoço e olhamos
indiscretamente para todos os lados. Não vemos, mas sabemos que também não somos
vistos e isso dá-nos alguma tranquilidade e até margem para sermos como as
crianças curiosas que olham em todas as direcções e revistam lugares e pessoas
de alto a baixo. Não se vê nada e nenhuma luz vai voltar nas próximas horas e,
por isso, o melhor é habituarmo-nos. Começamos a entrar no espírito, rimos dos
nossos medos e, devagar, volta uma certa calma. As coisas melhoram quando nos
trazem as bebidas e enunciam os pratos do dia.
A escolha por sugestão do empregado cego, ou por vontade própria, é sempre um
momento alto. Escolhemos. Voltamos a ficar sozinhos enquanto nas outras mesas se
ouvem vozes descombinadas, risos, gargalhadas, barulho de talheres e copos. Nada
ali parece diferente do mundo lá fora, excepto na escuridão. Alguns conversam,
outros namoram, grupos de amigos fazem brindes e há quem se levante e passe
entre as mesas com aparente desembaraço para ir à casa de banho, que é em si
mesmo outra experiência de confiança total.
Os empregados vão e voltam com passos leves e firmes. Pousam e levantam copos e
pratos com extraordinária facilidade enquanto nós, ainda meio atordoados pelo
escuro e tocados pela descontração do ambiente, começamos a aterrar ali e a
conseguir conversar com naturalidade entre as entradas e o resto. Neste
restaurante só trabalham cegos e é espantoso o que pessoas invisuais conseguem
fazer num espaço como este, onde a decoração é o menor dos problemas. E quem diz
a decoração, diz a cor das toalhas, o design dos pratos e tudo o que
habitualmente nos faz escolher ambientes e criar tendências. Ali o que nos puxa
e prende é podermos estar atentos ao essencial. Ouvir o outro, escutar o que nos
diz, conversar, sentir a proximidade dos que estão à nossa volta e, acima de
tudo, confiar. Confiar que o prato está bem cozinhado e devidamente servido; que
o vinho é aquele que pedimos; a salada está bem lavada; a carne vem médio-mal
passada e o peixe no ponto. Confiar que mesmo sem luz absolutamente nenhuma
conseguiremos ver o essencial. E realmente vemos. Quando descontraímos e nos
deixamos ir, quando finalmente baixamos as defesas e aceitamos a escuridão
total, passamos a ver melhor. É inexplicável, mas é mesmo assim. E é por isso
que aquela sensação inquietante que nos assalta ao início e nos faz querer fugir
(podemos assumir isso sem problema, acho eu), se atenua à medida que o tempo
passa e a refeição avança, seguindo o seu ritmo natural.
Muita coisa acontece no coração e atravessa o pensamento enquanto dura esta
experiência de cegueira, mas uma é comum a todos: ninguém sai daquele
restaurante igual. Ninguém sai como entrou, quero dizer.
À saída, a luz cega-nos e as pessoas parecem-nos subitamente estranhas. Ver
outra vez a cara das pessoas, a maneira como estão vestidas e como se comportam
parece esquisito. Por breves segundos quase apetece ficar na experiência do
essencial que é essa confiança radical.
Vem tudo isto a propósito do ISOLEARN um encontro recente que reuniu
universitários cegos e surdos na Gulbenkian, mas também um grupo consistente de
especialistas em ensino especial, empreendedorismo e inclusão social. Tratava-se
de discutir as questões que têm a ver com um ensino superior de maior qualidade
e mais inclusivo, e durante um dia inteiro foram analisados estudos,
estatísticas e dados relativos à realidade nacional. Estive lá e ouvi tudo com
atenção. Senti o embaraço que muitos sentiram ao ver projectados num ecrã
gigante os números baixíssimos de jovens cegos e surdos que chegam às
universidades. Que vergonha viver num país que não se preocupa com estes jovens.
Que desgosto ver que as políticas dos políticos nunca os elegem como prioridade
imediata. Que drama nunca nada ser feito a pensar neles, naquilo que é mais
urgente e mais mais falta lhes faz.
Tomando como exemplo os jovens universitários que estiveram na Gulbenkian e os
testemunhos que deram, conseguindo falar com leveza e humor de situações pesadas
e nada divertidas, recordo os exemplos da rapariga de Medicina e do rapaz cego
que estuda Direito e já sabe muito sobre leis, mas nunca foi ao cinema nem viu
os Óscares esta semana. Não sabe como é a cara do Leonardo DiCaprio nem como
conseguiu sobreviver no filme que finalmente lhe deu o Óscar. Este e outros
rapazes e raparigas chegam às universidades depois de anos a penar em escolas
secundárias, muitos deles sem outros apoios para além da família, dos amigos,
dos bons professores e daquelas senhoras mais queridas que há sempre nos
serviços administrativos e se compadecem com a falta de ajudas e subsídios.
Na Universidade, seja ela qual for, raramente encontram manuais, sebentas e
material de estudo compatível com a maneira como aprendem. Muitos deles são
pioneiros porque chegam a faculdades onde nunca houve nenhum cego antes deles, e
isso obriga os serviços, mas também alguns professores, a descerem do pedestal
das suas cátedras para inovarem e inaugurarem novos métodos pedagógicos. O
problema é que nem todos colaboram, e mesmo os que ajudam sabem que tudo isto
demora eternidades e cria uma erosão interior brutal nos alunos. A esmagadora
maioria dos jovens invisuais não dispõe de materiais de estudo em formato
digital que possam depois ser convertidos por programas de computador que
verbalizam ficheiros e lhes permitem copiar, editar, sublinhar, ‘ver’ e tornar a
rever as matérias. A verdade nua e crua é que nas universidades quase não há
respostas para cegos. E por isso é que não há lá cegos. Os invisuais são postos
de lado à partida e vêem-se ‘às aranhas’ (eles dizem ‘às aranhas’ quando nós
dizemos ‘às cegas’) para conseguirem cumprir o que lhes é academicamente
exigido. Ser cego e ter uma licenciatura, Mestrado ou Doutoramento é uma
verdadeira proeza olímpica. Alguns conseguem, mas muitos desistem. Ou nem
tentam. E é pena.
Nós, os que vemos, devíamos olhar para esta realidade com outros olhos. E fazer
as mesmas manifestações, debates e petições que fazemos por outras causas, a
exigir medidas imediatas de apoio a estes e outros jovens. Hoje falei dos cegos,
mas a realidade dos surdos é ainda pior porque gera mais exclusão e, por isso
mesmo, carece de uma atenção ultra especializada que implica custos com
tradutores de língua gestual, entre outras exigências imperativas de
sobrevivência. Estes jovens não podem ficar fora do sistema educativo. Nem podem
continuar a viver dependentes do amor e boa vontade de mães, pais, amigos,
colegas, professores e senhoras queridas da secretaria que voluntariamente se
dispõem a ficar horas a fio, noite após noite, a digitalizar, folha por folha,
séries inteiras de manuais que podem chegar a ter 600 páginas. Todos os jovens
com necessidades especiais deviam ter o acesso ao ensino facilitado, seja em
questões de acessibilidades ou materiais de estudo. E todos devíamos fazer, pelo
menos uma vez na vida, uma experiência de cegueira para percebermos alguns
básicos essenciais. Enquanto tratarmos os nossos invisuais como se não
existissem, ou não tivessem necessidades especiais, estamos a dar corpo ao
manifesto popular que diz que o pior cego é aquele que não quer ver.
publicado por
MJA
[1.Mar.2016]

Com varas ou à mão, cegos experimentam a apanha da azeitona no Douro
LUSA | Sapo
31 de Janeiro de 2016
Uns trocaram as bengalas pelas varas, mais pequenas ou maiores, e
bateram na oliveira para deitar a azeitona para a lona estendida no
chão. Outros optaram por tirar o fruto diretamente dos ramos e ainda
houve quem se tenha ajoelhado para apanhar a azeitona da lona,
separando-a das folhas, para meter dentro dos baldes.
"É uma experiência espetacular, nova. Nunca tinha vindo à apanha da
azeitona, nem sabia como era feita. Mesmo não vendo está a ser
excelente", afirmou à agência Lusa Jaime Oliveira, que foi de Vila Nova
de Gaia para o planalto de Favaios, no concelho de Alijó, distrito de
Vila Real.
A Quinta da Avessada abriu as portas no sábado para um grupo de meia
centena de cegos e amblíopes para a apanha da azeitona, mas já em
setembro alguns deles aqui tinham estado para vindimar.
"Já fizemos cá a apanha da uva e era muito mais simples porque nós, com
o tato, conseguimos sentir onde estavam as uvas e os cachos. Aqui é um
pouco mais difícil. Com a vara não conseguimos saber onde estamos a
bater, a perceção é um pouco diferente. Conseguimos saber que estamos a
bater na árvore, mas especificamente na azeitona não sabemos", explicou
Jaime Oliveira, que há sete anos perdeu grande parte da sua visão.
Mais fácil foi, continuou, "ripar a azeitona porque se sente a diferença
entre a folha e a azeitona": "Mesmo sendo ela pequenina, nós temos a
sensibilidade na mão, onde está a azeitona".
Este foi também um presente de aniversário para este "novo agricultor do
Douro", que fez 55 anos durante a atividade promovida pela delegação do
Porto da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO).
O ambiente foi de festa no olival, com música de acordeão e de bombo à
mistura e, entre gargalhadas, alguns gritavam "cuidado com as cabeças".
"Estive a varejar com o pau. Estive a apanhar a azeitona, a ripar, tenho
as mãos cheias da gordura do azeite, mas estou muito contente",
salientou Maria do Céu Francisco, 57 anos e residente em Santo Tirso.
E à pergunta sobre o que sentiu, esta "trabalhadora" respondeu:
"liberdade".
"Liberdade porque quando a gente pega em qualquer coisa está sempre com
medo de dar em alguém e aqui a gente dava, dava e sentimo-nos à vontade.
Só tinha de ter cuidado para não acertar na cabeça de ninguém, mas não
acertei, por acaso, muitas vezes o pau dos outros é que dava no meu",
contou.
Para Maria do Céu, este é um "trabalho muito duro" e, por isso,
"realmente o azeite merece o valor que tem".
Os namorados José Rodrigues, 41 anos, e Carla Vieira, 29, lideraram o
grupo no caminho para o olival, com a vara às costas e sempre a dançar.
Trabalharam com entusiasmo e José fez questão de ensinar a Carla o que
fazer, já que esta não foi a primeira vez que apanhou azeitona.
"Foi rever uma experiência. Estive a varejar, a escolher a azeitona
porque não pode ir com folhas, tem que ir tudo separado, e a pôr dentro
do cesto", referiu.
Paula Costa, 49 anos e presidente da delegação do Porto da ACAPO,
salientou que o grupo gostou da experiência e explicou que "muitos nem
sequer tinham a noção da oliveira, da rama, da azeitona na oliveira, do
varejar a azeitona".
Estas pessoas, frisou, recusam-se a ficar em casa. "Nós somos cegos,
amblíopes, mas podemos fazer tudo ou quase tudo que o normal visual faz.
Mas em casa, fechados, nunca", frisou a responsável, que perdeu 95% da
visão há 10 anos.
Também Jaime Oliveira fez questão de deixar a mensagem: "Só não vemos, o
resto funciona tudo e com os outros sentidos conseguimos superar a
incapacidade da visão".
Depois da vindima e da azeitona, o grupo vai regressar à Avessada em
março para a matança do porco. Esta quinta recebe milhares de turistas
durante todo o ano.
PLI // ROC
publicado por
MJA
[24.Fev.2016]

Marido planta um campo enorme de
flores para alegrar a esposa cega
Sandra Santos / Corriere
18 de Fevereiro de 2016
Na cidade de Shintomi , no Japão, há um jardim em flor: uma grande
extensão rosa de Shibazakura com milhares de flores que atraem dezenas
de turistas. A história do jardim na pequena fazenda em Shintomi é
tocante. Lá vivem Sr. e Sra Kuroki que são casados desde 1956. Eles
dedicaram uma vida inteira no trabalho com vacas. Um trabalho muito
difícil. Eles criaram dois flhos que, agora são adultos. Após a
aposentadoria, o casal queria organizar uma viagem para visitar quase
todo o Japão.
No entanto, após 30 anos de casamento, a Sra Kuroki, então com 52 anos, de repente começou a ter problemas oculares. Por causa de complicações relacionadas com a diabetes sua visão começou a diluir-se, até não enxergar mais. Com a cegueira veio a depressão, se fechou em si mesma e não saia mais. O marido, no entanto, não se deu por vencido e procurou uma maneira de trazer um sorriso de volta à sua amada.
O gesto de amor é um enorme jardim florido. Foram dois anos de trabalho
e milhares de plantas. Ainda que a senhora Kuroki nao possa ver a
magnifica extensão de flores, pode desfrutar do perfume das flores
Shibazakura. Ela reencontrou o prazer e a vontade de sair de casa. E
também o sorriso.
publicado por
MJA
[19.Fev.2016]

BE quer repor apoio de Educação Especial para milhares de alunos
DN | Pedro Sousa Tavares
18 DE FEVEREIRO DE 2016
publicado por
MJA
[18.Fev.2016]

Sobre arte, visão e percepção
'Olho Mágico – Fotografia, Cegueira e Ciência'
LUCAS BUZATTI
17/02/16

“A visão é uma ferramenta, uma máquina, enquanto a percepção é um aprendizado, uma cultura, uma experiência que se desenvolve durante o processo de diálogo da pessoa com o mundo”. A reflexão é do artista brasiliense Leonardo Costa Braga, que lança hoje, em Belo Horizonte, seu livro “Olho Mágico – Fotografia, Cegueira e Ciência”. A obra, que recebeu o Prêmio Nacional Rede Funarte de Artes Visuais, é resultado de uma experiência multidisciplinar que mistura linguagens artísticas e pesquisas científicas na busca pelo entendimento dos limites entre visão e percepção na contemporaneidade.
O livro acompanha um DVD com vídeos-arte do projeto e audiodescrição de todas as páginas para os deficientes visuais. Tanto os vídeos como as fotografias – uma das principais linguagens artísticas utilizadas por Leonardo – foram criados a partir do relacionamento do autor com os fotógrafos cegos Josias Neto e Bê Moraes, envolvidos com o projeto de alfabetização visual do curso de extensão da faculdade de fotografia do Centro Universitário Senac, de São Paulo.
“Muita gente pergunta: ‘Mas como fotografam se são cegos?’. Ora, ninguém fotografa porque vê. Você fotografa porque quer contar uma história, quer criar, quer tornar-se consciente. Tem a ver com criatividade, com inspiração, com sentimento”, afirma Leonardo Costa Braga. Para o livro, o artista fez fotos que protagonizam Josias e Bê. “Projetei uma fotografia da Bê, de uma rosa, e a pedi para andar na frente da imagem, criando uma nova fotografia”, conta sobre uma das imagens.
Leonardo afirma que sempre foi encantado pelos cegos, o que o levou a questionar os limites da visão e da percepção. “A grande questão do livro não é arte e fotografia, necessariamente. Mas, sim, o arquétipo da visão, presente na nossa sociedade”, defende. “Estamos em uma sociedade que vê muito, mas que nunca foi tão cega. Estamos vendo mais e aprofundando menos, contaminados pela superfície da visão. Internet, celular, televisão, é tudo visual. Mas precisamos estar mais lúcidos e mais conscientes do que vemos. Estamos perdidos na visão”, filosofa.
Para entender melhor a questão, o artista se propôs a ficar quatro dias “cego” – com os olhos totalmente vedados e caminhando com o apoio de uma bengala. A experiência foi registrada numa série de vídeos, que integram o DVD. “Minha percepção foi de que enxergamos e sentimos muito mais quando fechamos os olhos”, afirma Leonardo, que trabalhou com cegos no Instituto Benjamin Constant, aos 17 anos, quando morava no Rio de Janeiro. “Sempre admirei muito os cegos. Parece que, mesmo não vendo, conseguem se relacionar melhor com os outros. São mais calmos, mais concentrados”, diz, lembrando, também, das dificuldades. “É claro que um fotógrafo cego terá mais dificuldade com foco e enquadramento. Mas ele pede ajuda e vai se acostumando. Isso não o impede de criar”, completa.
Ciência.
Outra parte importante do projeto foi desenvolver imagens com neurocientistas do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que demonstram simbolicamente como o cérebro transfere a visão para a pele, a audição e a imaginação quando os olhos não podem mais ver. “Para a ciência, a visão é uma experiência cognitiva do cérebro, e não do olho. A visão é resultado da experiência pessoal de cada um”, afirma Costa Braga.
Um dos grandes nomes da ciência brasileira que participam do projeto é Sidarta Ribeiro, que recentemente lançou na Flip seu livro “Limiar, uma Década entre Mente e Cérebro”. “Há uma pesquisa do Instituto do Cérebro que mostra que, quando a pessoa está sob o efeito da ayahuasca, tendo as chamadas ‘mirações’, se aciona o córtex visual primário, a mesma área do cérebro responsável pela visão. Ou seja, há uma diferença cientificamente comprovada entre visão e percepção”, diz o artista, lembrando que a pesquisa em questão foi publicada no jornal norte-americano “The New York Times”.
Para Leonardo, a mistura entre ciência e arte reflete os anseios dos
nossos tempos. “A arte não quer mais ser só arte, a filosofia não quer
mais ser só filosofia, a ciência não quer mais ser só ciência. Estamos
deixando esse mundo estipulado por regras cartesianas para viver
experiências mais diretas com a realidade”, conclui o artista, que vai
apresentar, também, obras que marcam sua trajetória.
publicado por
MJA
[17.Fev.2016]

Visita aos bastidores da Culturgest
para cegos e
amblíopes
A Culturgest realiza, no dia 5 de março, uma visita aos
bastidores do grande auditório destinada a cegos e amblíopes.
Neste percurso os visitantes vão descobrir (através da audição, tato, olfato e temperatura) o fosso de orquestra e os camarins do Auditório, aprender como se fazem as mudanças de cenário e os efeitos de luz e conhecer as histórias vividas pelos técnicos que diariamente trabalham nestes espaços.
É obrigatória inscrição prévia para
culturgest.bilheteira@cgd.pt .
fonte: INR
publicado por
MJA
[17.Fev.2016]

Apoios à Educação Especial da Fundação Gulbenkian
As candidaturas ao Concurso da Fundação Calouste Gulbenkian - Educação
Especial 2016 estão abertas entre 1 de fevereiro e 4 de Março 2016.
Podem candidatar-se instituições públicas ou privadas, individualmente ou em associação, que apresentem a Concurso atividades e ações que promovam a educação, no âmbito da intervenção precoce, reabilitação e integração escolar e social de crianças e jovens com necessidades educativas especiais.
As candidaturas devem contemplar, especialmente, as seguintes iniciativas:
Estes projetos devem identificar, projetar e desenvolver experiências concretas, que permitam criar condições para uma efetiva melhoria da qualidade das aprendizagens destas crianças e jovens.
Consulte o
Regulamento, o
Anexo ao Formulário de Candidatura e submeta a sua
Candidatura on-line.
fonte: INR
publicado por
MJA
[17.Fev.2016]

Superior quase sem serviços de apoio a alunos com necessidades especiais
Lusa | DN
29-01-2016
Dos 291 estabelecimentos de ensino, apenas 94 têm serviços de apoio,
indica o Grupo de Trabalho para o Apoio a Estudantes com Deficiências no
Ensino Superior
Os alunos com Necessidades Educativas Especiais são esquecidos quando
chegam ao ensino superior, onde apenas 94 instituições têm serviços de
apoio ou pessoas destacadas para os ajudar, segundo um inquérito a 291
estabelecimentos de ensino.
No ano passado, o Grupo de Trabalho para o Apoio a Estudantes com
Deficiências no Ensino Superior (GTAEDES), em colaboração com a Direção
Geral de Ensino Superior (DGES), fez um levantamento junto das
instituições públicas e privadas para perceber que apoios existiam para
os alunos com necessidades especiais de aprendizagem.
A equipa contactou todos os 291 estabelecimentos de ensino superior
registados e recebeu respostas de 238.
Destes, "apenas 94 instituições referiram ter uma pessoa de contacto ou
um serviço para acolher estes alunos", contou à Lusa Cláudio Fernandes,
da GTAEDES.
Num universo de milhares de estudantes a frequentar o ensino superior no
ano letivo de 2013/2014, apenas 1.318 estavam identificados com tendo
necessidades educativas especiais, segundo o inquérito que será
divulgado em fevereiro a que a Lusa teve acesso.
"Estes números não querem dizer que não existam mais, simplesmente não
estão é referenciados. Acredito que esta é uma pequena parte, porque se
há instituições que têm serviços de apoio, existem muitas outras que não
o têm", explicou Cláudio Fernandes.
Sem legislação que obrigue a ter serviços de apoio, "tudo depende da
sensibilidade e da vontade política de cada instituição de ensino
superior", sublinhou o especialista.
Na Faculdade de Ciências na Universidade de Lisboa, por exemplo, existe
um serviço que apoia as cerca de 40 pessoas que têm este estatuto,
devido a problemáticas variadas que vão desde deficiências sensoriais
(visual e auditiva), doenças neurológicas, dislexia, deficiência motora
ou questões do espectro do autismo.
Também a Associação CADIn, Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil,
lamenta a inexistência de legislação que garanta o apoio aos estudantes
quando chegam ao ensino superior.
Os últimos dados do Ministério da Educação, relativos ao ano 2014/15,
indicam que existem mais de 76 mil alunos com Necessidades de
Aprendizagem Específicas a frequentar a escola.
"As crianças crescem e continuam a precisar de alguns apoios. Os
estudantes são esquecidos mas a educação não acaba no 12.º ano", alertou
Leonor Ribeiro, cocoordenadora do núcleo idade escolar do CADIn.
A Técnica Superior de Educação Especial e Reabilitação lembra que estes
estudantes são "competentes em termos cognitivos mas precisam de apoio".
Ao CADin têm chegado pedidos de ajuda por parte de professores
universitários que querem apoiar os seus alunos mas acabam por se
deparar com a falta de recursos para o fazer.
Por vezes, explicou, bastava haver uma adaptação ao nível da avaliação,
como a cotação das provas, ou existir um sistema de tutoria.
No sábado, o CADIn vai promover a conferência "Crescer na Escola" sob o
tema da Educação Especial, com o objetivo de encontrar soluções para
estimular não só crianças que frequentam a escolaridade regular, como
também jovens alunos que integram cursos superiores.
publicado por
MJA
[16.Fev.2016]

“A Visão Depois da Cegueira” de Jorge Pina
Andreia Caturna Martins
7 Fevereiro, 2016

Ricardo Guedes e Jorge Pina durante a apresentação do
livro - Foto: José Gageiro
“A Visão Depois da Cegueira” verbaliza a vida de Jorge Pina que ficou
cego há cerca de dez anos e titula a obra lançada a 18 de janeiro e,
este sábado, apresentado no Porto pelo manequim e amigo Ricardo Guedes.
“Este livro tem como objetivo inspirar e motivar pessoas para
ultrapassarem as dificuldades das suas vidas. Além disso, é uma forma de
partilhar a minha história com o público”, explicou o atleta paralímpico
à Move Notícias.
Jorge Pina, que perdeu a visão em 2006 quando se preparava para o
mundial de boxe, acredita que muitas pessoas vão rever-se na sua
história: “A mensagem que quero passar é que, com força de vontade,
podemos ultrapassar os obstáculos e essa força de vontade está dentro de
todos nós”.
O atleta, de 38 anos, assumiu que há um Jorge antes e outro depois da
cegueira. “Agora sou mais moderado, mais consciente da vida e do mundo.
Comecei a mergulhar mais dentro de mim e a ter uma visão diferente das
pessoas”, acrescentou.
Apesar do otimismo com que enfrenta o dia-a-dia, não esconde que a falta
de visão lhe “roubou” alguns prazeres da vida: “Sinto saudades de ver o
céu, o pôr-do-sol…apreciar as pequenas coisas a que antes não dava
importância. Além disso, gostava de poder acompanhar o crescimento dos
meus filhos”.
Atualmente, o atletismo fez superar o abandono dos ringues, e é hora de
se preparar para a participação na Maratona de Londres, com o objetivo
de se apurar para os Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro.
Recorde-se Jorge Pina, em 2008, representou Portugal nos Jogos Olímpicos
de Pequim, e repetiu o feito em 2012, em Londres. Em 2010, conquistou a
medalha de prata na Maratona de Paris e fundou a Associação Jorge Pina,
onde entusiasma os mais jovens a superarem-se.
publicado por
MJA
[8.Fev.2016]

Todos Juntos Podemos Ler
A Rede de Bibliotecas Escolares, Plano Nacional de Leitura e a Direção
de Serviços da Educação Especial e Apoios Sócioeducativos conceberam um
projeto conjunto denominado Todos Juntos Podemos Ler, que tem como
principal objetivo a criação de bibliotecas inclusivas, capazes de
proporcionar oportunidades de leitura para todos os alunos.
Perante a crescente inclusão de alunos com necessidades educativas especiais nas escolas do ensino regular, as bibliotecas escolares veem-se, hoje, confrontadas com a imprescindibilidade de responder a uma população escolar com competências diversas e que requer, em muitas situações, meios tecnológicos diferenciados de acesso à leitura.
Criar bibliotecas escolares inclusivas, que assegurem reais oportunidades de leitura para todos os alunos, é talvez um dos maiores desafios colocados às bibliotecas, que se devem assumir como espaço de excelência para o desenvolvimento da literacia e como garante da igualdade de oportunidades quer em contexto sóciocultural, quer em situação de aprendizagem.
Na sequência da receção das candidaturas ao projeto 'Todos Juntos Podemos Ler', foram seleccionados, para o ano letivo de 2014/15, um conjunto de vinte agrupamentos.
fonte:
http://www.rbe.min-edu.pt/np4/todos_juntos_podemos_ler.html
publicado por
MJA
[4.Fev.2016]

Ana Sofia Antunes: São muitas as formas de ver
SOL
Mariana Madrinha
29-01-2016

Premissa: Ana Sofia Antunes é cega. Não há aqui nada de discriminatório.
Ana Sofia Antunes é Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com
Deficiência. Ana Sofia Antunes chamou a atenção por ser o primeiro
membro de um Governo com este tipo de deficiência. Juntamente com o seu
colega Carlos Miguel, teve direito a uma chamada de capa no “Correio da
Manhã” que gerou pelo menos 236 queixas à Entidade Reguladora da
Comunicação Social, batendo os recordes de denúncias feitas àquela
entidade. Ana Sofia Antunes, 34 anos, nasceu em Lisboa mas cresceu em
Vale de Milhaços, Corroios. É licenciada em Direito, uma área de que
sempre gostou, pela Universidade de Lisboa. Do seu currículo fazem parte
um ano de exercício de advocacia, seis de assessoria jurídica da
vereação da Câmara Municipal de Lisboa, dois anos como provedora do
cliente na Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento (EMEL) e
outros dois como Presidente da Associação dos Cegos e Amblíopes de
Portugal. Ana Sofia Antunes será, provavelmente (ou antes
expectavelmente), até ao fim da legislatura, notícia pelo exercício do
seu trabalho e não pela sua deficiência. Até agora, fez 41 audiências em
33 dias úteis e tem feito cerca de uma visita por semana a uma nova
instituição. A verdade é que o voyeurismo da sociedade - e nosso -,
pergunta-se: como é que uma pessoa com deficiência visual pode exercer,
de forma independente, um cargo como o de secretário de Estado? Como
assina despachos, faz visitas oficiais, elabora propostas de projetos de
lei?
Não só pode como o faz com uma graça desarmante e um profissionalismo que
só quem trabalha e se prepara consegue atingir. Fica aqui fechado o
parênteses da cegueira. Obviamente que o tema voltará ao texto, até
porque, falar com naturalidade de qualquer tipo de deficiência, faz
parte do processo de inclusão. E esse é, no fundo, o grande desafio de
Ana Sofia Antunes.
Passava pouco das 9:30 quando a secretária de Estado saiu do carro para
a primeira visita do dia, o centro Hípico da Paiã, em Odivelas, vinda de
Vila Franca de Xira, onde reside. A chuva, que tinha caído
ininterruptamente nos dias anteriores, deu tréguas e o dia estava,
apesar de frio, soalheiro.
A bengala cor de rosa espreita do carro. À espera estão já o presidente
da Câmara Hugo Martins, vereadores, e o presidente da Escola
Profissional Agrícola D. Dinis, onde se insere o Centro Hípico. Aqui,
além de funcionarem cursos técnicos relacionados com equinos, há um
programa especial a funcionar: o de hipoterapia, ou seja, equitação com
fins terapêuticos para crianças com problemas cognitivos ou
deficiências. A maioria dos alunos sofre de autismo e de
multideficiência e frequenta o ensino público neste concelho. Há mais
centros de hipoterapia no país e algumas parcerias celebradas entre, por
exemplo, a Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa e a Sociedade
Hípica Portuguesa. No entanto, este será exemplo único em que alunos do
ensino especial da rede pública conseguem aceder a terapia com cavalos
de forma gratuita - dado que muitos utentes provêm de famílias com
baixos rendimentos, e até o transporte desde as escolas até à aula é
assegurado pela Rodoviária de Lisboa.
Parece que é Ana Sofia Antunes a pôr as pessoas à vontade. Estende o
braço ao presidente, cumprimenta os presentes que se aproximam e segue
para o picadeiro coberto onde quatro alunos - João, Diogo, Rita e Wilson
- intercalam a vez para montar um dos dois cavalos destinados a esta
aula, Canela e Tebrito. “Canela? É por causa da cor?”, pergunta a
secretária de Estado. Sim, confirmam as monitoras. Já o outro cavalo
despertou-lhe a atenção pela meiguice com que servia de montada, e ri
quando lhe contam que, num contexto sem crianças, o equino é até
bastante rebelde.
“Já andou a cavalo?”, pergunta a responsável pela equipa
multidisciplinar que coordena o projeto. “Já, muitas vezes”, responde.
Neste momento, 62 alunos frequentam o Centro Hípico mas já chegaram a
ser 70. A secretária de Estado sabe, por experiência adquirida no tempo
de dirigente da ACAPO, que o contacto com animais “é muito importante
para a auto estima”, além de “ter diversas vantagens para as diferentes
áreas da deficiência”. No caso concreto da hipoterapia, “para as pessoas
com deficiências motoras ou com condicionantes do ponto de vista da
mobilidade tem essa dupla vertente: por um lado trabalha fisicamente os
músculos e ajuda-as do ponto de vista da postura, por outro tem uma
parte mais cognitiva e psicológica de trabalhar a auto confiança do
miúdo.”
E contacto com os miúdos presentes nesta aula foi um ponto que Ana Sofia
Antunes não descurou na visita, enquanto ouvia, em simultâneo, a
explicação sobre o trabalho ali desenvolvido. Chamou todos os alunos
pelos nomes - característica que parece ser sua - e fez questão de ver
um bocadinho da aula de cada um. Sim, ver.
Sem medo do trabalho de campo
A primeira visita oficial de Ana Sofia Antunes aconteceu dia 2 de
dezembro, menos de uma semana após a tomada de posse do novo Governo.
Diz que “é no trabalho de campo que se descobrem as lacunas”, mas admite
ter de controlar as saídas e recusar algumas pois também é necessário
ficar no Ministério do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social
a “coordenar trabalho a nível interno, a pensar, redigir propostas para
diplomas legislativos e rever o trabalho que é feito pelos assessores”.
Mas confessa o carinho especial que tem por este lado do trabalho, feito
fora de portas. “Por um lado, sinto que estou em processo de
aprendizagem, há muitas coisas das áreas que tutelo que tenho de
conhecer melhor para poder fazer um bom trabalho”. Além da necessidade
de conhecimento, há outro ponto que a Secretária de Estado considera
essencial nestas visitas. “Sinto que de, forma transversal, uma coisa
que vai perpassar ao longo deste mandato - e que sinto que é minha
obrigação ir dando resposta na medida em que as minhas capacidades
físicas me vão permitindo -, é a divulgação de realidades que a
população em geral deve conhecer. Conhecer projetos da área da
deficiência faz com que a população em geral comece a contactar com esta
realidade com a maior naturalidade possível. Se eu puder, através da
alguma visibilidade que tenho, ajudar a divulgar entidades para
potenciar sinergias e multiplicar parcerias, é o ideal”.
O trabalho de uma entidade que Ana Sofia Antunes só agora conheceu mas
considera “belíssimo” é o efetuado pela Casa Pia de Lisboa, instituição
tutelada pela sua pasta. “As pessoas acham que enquanto secretária de
Estado da Inclusão tenho trabalhado sobretudo na área da deficiência,
mas tenho algumas responsabilidades acrescidas que me foram confiadas
pelo ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social”. Para além
da Casa Pia, a secretaria de Estado da Inclusão das Pessoas com
Deficiência assegura os trabalhos do Instituto Nacional para a
Reabilitação, da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção
das Crianças e Jovens, e ainda todas as matérias da área da adoção.
Visitar e não reunir
É para o Centro de Educação e Desenvolvimento (CED) de Pina Manique
(Casa Pia de Lisboa), em Belém, que a agenda prossegue. Ana Sofia
Antunes já tinha reunido com a presidente da instituição, Cristina
Fangueiro, mas esta foi a primeira vez que visitou o espaço. À chegada,
a secretária de Estado é conduzida para uma sala onde todos se sentam à
volta de uma mesa oval: “Estou aqui para visitar e não para reunir”,
avisa. Pede imediatamente o computador, onde vai tirando notas.
Discutem-se as formas de cativar alunos para os cursos com menos procura
mas que têm uma taxa de empregabilidade altíssima, como é o caso do
curso de relojoaria. “Eles são muito novos quando escolhem”, assume
Cristina Fangueiro. “E todos sabemos como é a adolescência”, remata Ana
Sofia Antunes.
Os cursos profissionais de ótica, relojoaria (caso único na Península
Ibérica), análises laboratoriais e desporto são os escolhidos para
receberem a governante. Em cada sala, Ana Sofia Antunes faz perguntas
aos professores e alunos, impressiona-se com o tamanho microscópico das
peças dos relógios, que segura com as mãos, ou com a quantidade de
alunos presentes nos cursos de desporto. O almoço é servido no
restaurante pedagógico deste CED, preparado pelos alunos da área da
cozinha e bar, e servido também por alunos que estudam para empregados
de mesa. “Este trabalho com a Casa Pia, com os dirigentes, com os
técnicos e professores que acompanham estes jovens tem sido, para mim,
uma grande descoberta”, diz ao BI. “Os cursos que a instituição tem
implicam um grande investimento tecnológico que é assegurado por aquela
estrutura mas que dá, efetivamente, um background profissional aqueles
jovens e que permite à maioria sair dali já com colocação no mercado de
trabalho, o que hoje em dia é muito difícil”. Até porque, defende, nem
todos os jovens são obrigados a ir para a universidade. “Acho que a
sociedade está a evoluir no sentido de perceber que cada um deve ter a
oportunidade de fazer as suas escolhas e de não ser vedado no percurso
escolar - formativo e profissional - que venha a fazer. Durante muito
tempo estivemos completamente vocacionados para a questão do ensino
superior, e ele deve ser sempre uma opção para todos aqueles que o
queiram, mas precisamos também de outras respostas e ali temos
excelentes exemplos podem significar inclusão no mercado de trabalho”.
Duas visitas feitas, uma audiência ainda espera a secretária de Estado
no ministério. Pelo caminho, aproveita para ler documentos e preparar-se
para a reunião. É já no seu gabinete na Praça de Londres que nos explica
as partes mais técnicas do seu trabalho. Rodeou-se de especialistas,
oriundos de áreas tão distintas como a economia, o direito, a
comunicação, os fundos comunitários e a mobilidade. “Um grupo pequeno
mas muito coeso”, assegura. E rodeou-se também das ferramentas que lhe
permitem trabalhar de forma independente. “No meu trabalho de
escritório, uso um computador normal, com duas adaptações: um software
leitor de ecrã, que no fundo é uma voz sintética que funciona no
computador e que me lê todo o conteúdo de texto a que acedo, seja aos
documentos em word, emails e qualquer acesso à internet. E depois tenho
também outro programa que me ajuda bastante que é um OCR (Optical
Character Recognition), que tem a especificidade de fazer
automaticamente o reconhecimento de carateres e os transforma em texto.
Portanto, posso gravar esse texto no formato em que entender e lê-lo de
imediato. Basta pegar num papel, numa fotocópia, num ofício que chega,
digitalizá-lo e lê-lo. E, basicamente, é isso. O computador mais pequeno
que trago sempre comigo já anda na minha mala há muitos anos, é uma
questão de gosto pessoal. No fundo é o meu bloco de notas, é onde acedo
ao email e onde vou organizando as minhas ideias e o meu dia a dia.
Contudo, assinar despachos ou outros documentos é algo que já fazia
anteriormente. É uma ação que se treina ao longo dos anos”, conta.
Uma pasta pioneira
A Secretária de Estado desdramatiza e diz não se sentir pioneira por
estar à frente de uma pasta anteriormente inexistente. “Esta pasta não
existia, de facto, no anterior Governo, embora já tenha existido
anteriormente, com uma configuração diferente, enquanto secretaria de
Estado da Reabilitação noutros governos. O facto de se ter extinto e os
assuntos da área da deficiência terem ficado dispersos por diversas
outras pastas tirou coerência em termos de tratamento sistematizado. Por
isso, não sei se estou a ser justa se disser que só eu é que estou a
fazer este trabalho. Ele já foi feito. Mas, de alguma forma, tenho que
voltar a desbravar terreno”.
No entanto, diz ter agora a confirmação de algo que já sentia
anteriormente como pessoa com deficiência.”O que notava enquanto
ativista e comprovo desde que aqui estou é que aquilo que aconteceu
dentro de portas deste ministério foi deixar estas temáticas da
deficiência para segundo ou terceiro plano e que se tornassem, como
disse o nosso ministro [Vieira da Silva], o parente pobre das políticas
sociais. E isso é uma perda enorme para o nosso sistema social,
nomeadamente para as pessoas com deficiência”.
Estes tempos iniciais têm sido “gratificantes” e “estimulantes”, mas Ana
Sofia Antunes não se esquece de que “não estamos ainda nem com dois
meses de exercício”. Por agora sente que o seu trabalho ainda gravita à
volta da delineação de um plano de ação, até porque o orçamento de
Estado ainda não saiu. “Estamos a pôr a estrutura de pé e definir
exatamente o nível de pastas de transição, ou seja, aqueles assuntos que
de alguma forma ainda mexiam”. O outro desafio será “voltar a juntar
todos os assuntos aqui, e ao mesmo tempo construir um plano de ação para
os próximos quatro anos. Dá mais trabalho porque é preciso voltar a
juntar os pedaços daquilo que foi desmembrado, mas ao mesmo tempo também
funciona como estímulo adicional porque não estamos só a fazer um
trabalho de continuidade, há uma grande renovação e áreas novas em que
queremos apostar”.
E Ana Sofia Antunes está bem ciente das áreas em que é necessário
intervir. “Todo o meu percurso enquanto pessoa que vivenciou a realidade
da deficiência neste ponto de vista da limitação visual me deu
obviamente muita informação, que só mesmo quem vivencia pode ter”, pelo
que, se tivesse que escolher uma área prioritária de intervenção, não
tem dúvidas. “Nesta fase temos muitos planos e sonhos na cabeça e
queremos conseguir concretizá-los ao máximo. Mas se tivesse que escolher
uma área prioritária para aquilo que considero que é o impacto na vida
das pessoas com deficiência, principalmente aquelas que ainda estão a
fazer o seu processo de inclusão, diria que há que combater a exclusão
social e a pobreza que lhe vem associada. E portanto é para nós uma
grande prioridade conseguir criar a prestação social única”.
Curiosamente, a última reunião do dia seria o único momento diretamente
ligado com a deficiência visual, com a Associação Beira Aguieira de
Apoio ao Deficiente Visual. “Há aqui um projeto-diploma que tem que ser
alterado, sobre a lei dos cães guia”, explica Ana Sofia Antunes. Não
resistimos à deixa e perguntamos à secretária de Estado se tem um cão
guia, além da bengala cor-de-rosa que sempre a acompanha. “Tenho, mas
não é um cão guia. É um cão cão!”.
publicado por
MJA
[1.Fev.2016]

Governo arranca hoje com iniciativa
"Percursos pela Inclusão"
Por Lusa
27.01.2016
A secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência arranca hoje, no Porto, com a iniciativa "Percursos pela Inclusão", com vista a mostrar entidades que contribuem para a inclusão e para a promoção dos direitos das crianças e jovens.
Ana Sofia Antunes vai andar, numa primeira fase, pelo norte do país,
passando por Porto, Vila Nova de Gaia, Viana do Castelo, Guimarães,
Braga, Póvoa de Lanhoso, Vila Real e Alfândega da Fé. A iniciativa tem
por tema "Respostas sociais inovadoras no âmbito da Inclusão" e esta
primeira fase decorre entre o dia de hoje e 29 de janeiro.
publicado por
MJA
[27.Jan.2016]

CARTA ABERTA a MARCELO REBELO DE SOUSA:
ESSE ESTACIONAMENTO NÃO É SEU!
26-01-2016

Exmo Professor Marcelo Rebelo de Sousa,
Antes de mais, damos-lhe os parabéns pelo extraordinário momento que
vive na sua vida. Foi eleito Presidente da República Portuguesa. Será, a
partir de dia 9 de Março, a cara, a voz e o punho de um povo com cerca
de 900 anos de história. Deve estar radiante e não é para menos. Nós,
não estamos nada radiantes, e não é para menos também.
Apesar de ser professor catedrático há mais de 30 anos, hoje vemo-nos
obrigados a dar-lhe uma aula subordinada ao tema "cidadania e civismo".
Só o fazemos porque no primeiro dia após a sua eleição, mostrou uma
forte carência de conhecimentos nesse domínio. Grave para qualquer
cidadão. Inqualificável para um futuro Presidente da República.
Entenda, por favor, que existem pessoas que por acidente ou doença se
encontram fortemente limitadas na sua mobilidade. Devido ao
reconhecimento dessa mesma realidade, foram criadas leis (veja bem como
isto não deveria ser novidade para si) para atenuar as dificuldades e
desvantagens que estas pessoas sentem diariamente. Agora tire
apontamentos, é importante, sairá na frequência: segundo o art. 50º do
Código da Estrada relativo à proibição de estacionamento, o Professor
terá de pagar uma coima de 60 a 300 euros. É proibido estacionar sem
dístico nos lugares reservados para pessoas com mobilidade reduzida. E
mais (não pouse já a caneta): o art. 82º do código da estrada prevê
relativamente à ausência de utilização de dispositivos de segurança uma
coima de 120 a 600. Pois é, até chegar ao estacionamento reservado,
conduziu sem cinto.
Hoje, ficamos por aqui. Já falamos de questões importantíssimas! Como
trabalho de casa fica a exigência do pagamento das devidas multas, sendo
que não dispensamos ainda um pedido de desculpas a todos os portugueses,
em particular àqueles que vivem com diversidade funcional. Acreditamos
que tenho sido um mau dia. Ainda temos esperança de um dia lhe darmos
uma nota excelente.
Movimento (d)Eficientes Indignados
publicado por
MJA
[26.Jan.2016]

Jovens investigadores da UC recebem bolsa para tratar a cegueira e solos contaminados
Ana Maia | DN
26-01-16
Fundação Calouste Gulbenkian entrega bolsa de estímulo à investigação para jovens com menos de 26 anos
João Calmeiro e João Vareda, investigadores da Universidade de Coimbra,
foram distinguidos pela Fundação Calouste Gulbenkian, com Bolsas de
Estímulo à Investigação no valor de 12.500 euros cada. O primeiro
desenvolve um trabalho que pretende curar a cegueira, o segundo quer
tratar solos contaminados com metais pesados. Os prémios destinam-se a
investigadores com idade inferior a 26 anos e vão ser entregues no dia 9
de março.
João Calmeiro faz investigação no Centro de Neurociências e Biologia
Celular. O trabalho recai sobre uma proteína - a canalrodopsina-2 - que
poderá ser utilizada como ferramenta contra a cegueira causada por
degeneração da retina, uma doença que afeta mundialmente mais de 15
milhões de pessoas.
"A nossa investigação procura dar capacidade de resposta à luz aos
neurónios da retina que não têm essa capacidade naturalmente. O projeto
visa alterar as propriedades de absorção de luz da proteína
"canalrodopsina-2", que naturalmente responde apenas à luz de cor azul,
e criar novas variantes que absorvem e respondem à luz de outras cores",
o jovem investigado, que diz ser "um enorme orgulho receber este prémio
de uma instituição tão prestigiada".
publicado por
MJA
[26.Jan.2016]

Governo liberta 7 milhões para
qualificar pessoas com
deficiência
Filomena Barros
21 Jan, 2016
A Renascença apurou que se trata de uma medida excepcional. Os
destinatários são pessoas com deficiência, à procura de emprego ou
desempregadas.
O Governo aprova esta quinta-feira o reforço financeiro de 125
instituições de apoio à qualificação de pessoas com portadoras de
deficiência. Trata-se de uma medida excepcional, enquanto espera pelas
verbas de Bruxelas.
São 7,3 milhões de euros para garantir acções de qualificação a quase
oito mil formandos, entre Janeiro e Março. Os destinatários são pessoas
com deficiência, à procura de emprego ou desempregadas. Há vários anos
que estas acções de formação são financiadas pelo Fundo Social Europeu.
Acontece que os habituais atrasos na transição entre quadros
comunitários estão a ser mais graves e o Portugal 2020 não está ainda a
aceitar candidaturas, no âmbito do Programa Operacional de Inclusão e
Emprego. Ou seja, até 31 de Dezembro do ano passado, as 125 entidades
que prestam este serviço tiveram verbas do QREN e, a partir de 1
Janeiro, ficaram sem financiamento.
Ficaram, assim, em causa as acções de formação, os subsídios aos
formandos e os salários dos técnicos das instituições. Preocupadas com a
situação, quatro federações alertaram o Ministério do Trabalho,
Solidariedade e Segurança Social.
A solução, apurou a Renascença junto de fontes oficiais, está numa
medida de apoio excepcional e temporária que garante as verbas para os
primeiros três meses do ano. O financiamento será suportado em
colaboração com o Instituto de Emprego e Formação Profissional.
A expectativa é que, em Fevereiro, já seja possível apresentar
candidaturas no Programa Operacional do Portugal 2020. As instituições
esperam que em Abril já tenham o dinheiro enviado por Bruxelas.
Resolução do Conselho de Ministros n.º 4/2016
È
aqui.
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MJA
[23.Jan.2016]

Como tornar os locais de voto acessíveis?
A Câmara de Lisboa responde.
INÊS BOAVENTURA
15/01/2016
A acessibilidade da assembleia de voto mede-se no edifício onde ela está instalada mas também na envolvente a ele.
A equipa do Plano de Acessibilidade Pedonal elaborou um guia com "boas
práticas para a instalação de assembleias de voto acessíveis"
Porque “na hora de votar a acessibilidade conta, principalmente para
cidadãos idosos, cegos ou com baixa visão e com mobilidade
condicionada”, a equipa do Plano de Acessibilidade da Câmara de Lisboa
elaborou um guia com recomendações sobre como tornar as assembleias de
voto “acessíveis”.
O documento começa por fazer um enquadramento da legislação em vigor, no
qual se lembra que desde 2006 “existe legislação que define as condições
de acessibilidade a cumprir no âmbito do projecto e na construção de
espaços públicos, equipamentos colectivos e edifícios públicos”. No caso
concreto das assembleias de voto, a Lei Eleitoral da Assembleia da
República define que elas “devem reunir-se em edifícios públicos, de
preferência escolas, sedes de municípios ou juntas de freguesia que
ofereçam as indispensáveis condições de capacidade, segurança e acesso”.
Feito o enquadramento legislativo, a equipa coordenada por Pedro Homem
de Gouveia sintetiza algumas das recomendações que diferentes entidades
internacionais e nacionais têm produzido sobre este tema. Entre elas as
da Comissão Nacional de Eleições, que segundo se lê no documento da
Câmara de Lisboa “tem vindo a aconselhar especial atenção na escolha dos
locais de voto”, defendendo que “a questão da acessibilidade de todos os
cidadãos às assembleias de voto, designadamente dos cidadãos portadores
de deficiência e dos cidadãos com dificuldades de locomoção, deve ser o
elemento preponderante na escolha dos locais a utilizar”.
Mas afinal o que faz com que uma assembleia de voto seja acessível? Para
a equipa responsável pelo Plano de Acessibilidade Pedonal, tal depende
não só das “condições físicas no edifício onde é instalada a assembleia
de voto”, mas também da “envolvente” a esse edifício e do próprio
“processo de votação”.
Começando pela envolvente da assembleia de voto, os técnicos do
município notam que junto a ela deve haver “paragens/estações de
transportes públicos e parque de estacionamento”, bem como “uma área
reservada para largada e tomada de passageiros que permita táxis e
transportes adaptados”. “Entre estes locais e a assembleia de voto deve
ser assegurada a continuidade e acesso livre de obstáculos”,
acrescenta-se.
Quanto à assembleia de voto propriamente dita, a equipa do plano faz
recomendações sobre a entrada no edifício, que não deve ter “desníveis”,
sobre as secções de voto e sobre os percursos entre elas e a entrada.
Além disso, é deixada uma sugestão: a de que no átrio de entrada das
assembleias de voto “estejam uma ou duas pessoas que possam conduzir ou
auxiliar pessoas com mobilidade condicionada, nomeadamente idosos,
pessoas que se desloquem em cadeiras de rodas e pessoas com baixa visão
ou cegas, até à secção de voto respectiva”.
Na secção de voto, sublinha-se, “existem dois equipamentos cuja
disposição e características podem fazer toda a diferença para a plena
acessibilidade ao voto”. São eles o “conjunto mesa/urna” e “a câmara de
voto”. Em ambos, a altura é uma das preocupações a ter, para garantir
que é possível a sua utilização por quem se desloca em cadeira de rodas.
Nas conclusões, a equipa coordenada por Pedro Homem de Gouveia frisa que
“a livre participação nas eleições pressupõe o livre acesso à assembleia
de voto” e que as autarquias “têm um papel preponderante” a este nível,
uma vez que é aos presidentes de câmara que cabe fixar os locais de
votação. O documento agora concluído pela autarquia intitula-se Acesso
ao Voto - Boas práticas para a Instalação de Assembleias de Voto
Acessíveis e pretende ser uma ferramenta de trabalho ao dispor de todos
os interessados.
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MJA
[22.Jan.2016]

Novo tablet para cegos gera letras em braile
15.01.2016
Braile é um sistema de leitura que permite a deficientes visuais «ler
com as mãos», identificando cada letra ou símbolo através do tacto.
Livros e outros produtos em braile geralmente imprimem o seu conteúdo em
alto-relevo, para que pessoas cegas possam tocar e compreender. No
entanto, isso não é possível com as telas touchscreen de smartphones e
tablets. Por enquanto.
Investigadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos,
desenvolveram um tablet (ou, em termos mais exactos, um leitor
electrónico como o Kindle, da Amazon) que gera letras em braile sobre a
tela. Um sistema de ar comprimido empurra pequenos pinos para a
superfície, gerando o alto-relevo.
A cada virar de página, as letras realinham-se e mudam o conteúdo sobre
a tela. Não é a primeira vez que esta tecnologia é usada, porém, visto
que em 2013 cientistas da Índia criaram um telemóvel cujo display também
ganhava relevo com o toque. No caso do «Kindle em braile», o protótipo
deve ficar pronto em Setembro deste ano, segundo o jornal Daily Mail ->
notícia aqui.
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MJA
[15.Jan.2016]

Falta de lágrimas causa instabilidade na visão
10.01.2016por Cláudia Machado
Mais do que um reflexo das emoções, a lágrima guarda uma função essencial para a manutenção da saúde oftalmológica: mantém os olhos devidamente lubrificados. Sem elas, são muitas as consequências para a visão.
De um simples desconforto até à dificuldade em cumprir rotinas, é forte o impacto da Síndrome do Olho Seco. Este problema pode manifestar-se através de várias sensações oculares. "Entre os sintomas estão a sensibilidade à luz, os olhos vermelhos associados a lacrimejos e a dificuldade em cumprir atividades de fixação, como a leitura, a condução ou o uso do computador e flutuações na acuidade visual [capacidade do olho distinguir formas e contornos dos objetos]", explica ao CM Maria João Quadrado, presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia.
O diagnóstico de Síndrome do Olho Seco não significa, no entanto, que o doente não consegue chorar. Na verdade, em certas circunstâncias, o olho pode ter tendência a lacrimejar mais do que o normal, chegando a produzir lágrimas em excesso. É neste campo que toma importância a composição deste líquido, já que se a camada interna da lágrima estiver em falta, esta não se fixa no olho como deveria (ver infografia). "Para além do desconforto, tem um impacto negativo nas atividades diárias dos doentes e mesmo na sua qualidade de vida", alerta a especialista.
Tratamento com lágrimas de substituição
A Síndrome do Olho Seco "tende a ser uma doença crónica, sem solução definitiva", refere Maria João Quadrado, médica oftalmologista. O tratamento desta condição "é sempre efetuado com lágrimas de substituição", que surgem na forma de gel oftalmológico e corrigem a falta de produção de lágrimas naturais pelo doente.
"Podem ainda ser utilizados colírios anti-inflamatórios, antibióticos orais ou suplementos com ácidos gordos ómega 3/ómega 6", acrescenta a especialista. Casos mais graves tratados com bloqueio das ‘comportas’
Nos casos em que a doença apresenta maior gravidade, o tratamento pode
passar "pela oclusão dos pontos lacrimais", explica Maria João Quadrado.
Os pontos lacrimais são a porta de saída da lágrima da zona ocular.
Estão localizados no canto interior dos olhos e fazem a ligação ao saco
lacrimal, encaminhando para lá as lágrimas produzidas, cumprindo o
circuito natural. Posto isto, com a produção deficiente nestes doentes,
bloquear estes acessos permite preservar as poucas lágrimas produzidas.
Ler mais em:
http://www.cmjornal.xl.pt/
publicado por
MJA
[15.Jan.2016]

O AMOR É CEGO
ÂNGELA BASTOS
08/01/2016

Na infância, a escuridão da cegueira. Na vida adulta, sentimentos na velocidade da luz
A reação a um antibiótico empurrou Josiane Cristina Becker para a
escuridão. Uma conversa na rede social a encaminhou ao amor. Tinha três
anos quando o uso do medicamento receitado em uma farmácia causou uma
infecção brutal, queimando-lhe a retina. Estava com 31 anos quando
reencontrou o colega de infância Marcos Antônio Schllosser, dos tempos
das primeiras atividades para crianças cegas na cidade de Santo Amaro da
Imperatriz. A paixão aconteceu na velocidade da luz.
Foram dois anos de namoro. Há um ano entraram no cartório para registrar
a união estável. A fase da lua de mel continua. Se faltam olhares a se
cruzar, sobram toques delicados, diálogos carinhosos, gentilezas na hora
de saber qual bengala é de quem. Nenhum constrangimento com declarações
como ¿amor da minha vida¿, ¿se ele for embora, abre-se o meu chão¿, ¿sem
ela, a vida ficaria sem graça¿.
Para eles, a paixão entre pessoas cegas é igual a de todo mundo. Capaz
de provocar calor no frio, frio no verão; prazer e dor. Mas com uma
diferença que nem todos enxergam: a beleza estética não conta.
– Como não enxergamos, nos baseamos na voz, na conversa, no modo como a
mulher se coloca – conta ele, revisor de material em braile e também
funcionário da secretaria de Saúde de Florianópolis.
Esse interesse entre cegos costuma despertar curiosidade nas pessoas que
desfrutam da condição visual. Há quem pense que eles se buscam mais
pelas dificuldades e semelhanças do que pelo desejo.
– Sempre respondo que, exceto o impacto visual, acontece como a um homem
considerado normal – responde Shllosser, antes de enumerar o que
definitivamente o deixa de quatro na mulher:
– O toque na pele, o perfume, o cheiro de cabelo lavado.
Josiane estuda Pedagogia na Universidade do Estado de Santa Catarina
(Udesc). Trabalha também na Fundação Catarinense para Educação Especial
e usa a expressão química para falar de paixão. Para ela, a
impossibilidade do visual leva a exploração de sensações que de tão boas
encaminham a um sentimento mais profundo, o amor.
– Quando isso ocorre, fundem-se sensações e sentimentos. Uma mistura que
dá gosto. Seja cegamente doce demais. Seja cegamente amarga demais.
MELHOR É SER VISTO COM A ALMA
Namorando ou não, outros jovens cegos falam de suas experiências.
– Sou 100% toque – confidencia o estudante do ensino médio Renan Dal
Pont, 19 anos, cego total.
O que também incendeia o corpo dele é o cheiro da pessoa:
– Como não enxergo nada, o que me deixa sem saber se estou diante de uma
mulher morena, alta, de cabelos curtos ou longos, magra ou gorda, eu me
deixo levar por aquilo que funciona como uma espécie de bálsamo.
Se toque e cheiro são bons, diz Renan, é paixão na certa. Tanto faz a
pessoa ter cegueira total ou algum resíduo de visão. Mas ele sabe: o
mundo não é visto pelas lentes do amor. Muitas vezes, não é fácil
conquistar uma pessoa que vê com os olhos. Melhor deixar-se contagiar
por uma que vê com a alma.
O coração de Leonardo Apolinário Inácio, 23 anos, outro com cegueira
total, também aponta as flechas para o toque.
– Gosto muito de sentir a mão da outra pessoa. Isso ocorre, por exemplo,
quando alguém me ajuda a atravessar a rua – explica o estudante de
Direito da Unisul.
Para Leonardo, esse contato pode ser mágico. A temperatura, a textura da
pele, o tamanho dos dedos ajuda. Quando dá liga, é como se todas as
células, as terminações nervosas e os vasos sanguíneos descarregassem
uma sensação de prazer indecifrável:
– Eu acho que o amor é mesmo cego. No meu caso e de tantas outras
pessoas, enxergar o outro não é importante para provocar encantamento.
fonte:
http://dc.clicrbs.com.br
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MJA
[8.Jan.2016]

Como ensinam os professores com deficiência?
Arranjam estratégias, adaptam métodos, criam materiais, pedem ajuda aos colegas para corrigir testes. Carla Badalo é cega e dá aulas desde 2001. Ana Paula Figueiredo desloca-se num andarilho e, neste momento, tem oito turmas. Lurdes Gonçalves é surda e garante que não ouvir não condiciona o seu trabalho. Três histórias contadas pelo EDUCARE.PT.
publicado por
MJA
[8.Jan.2016]
Serviço de Leitura Especial da
Biblioteca Municipal de Coimbra
Audiolivros para utentes deficientes visuais

Desde 2011 que o Serviço de Leitura para Deficientes Visuais (SLDV) da
Biblioteca Municipal de Coimbra, através de um projeto financiado pela
Fundação Calouste Gulbenkian, passou a deter os meios para a produção de
livros áudio, ao abrigo do artigo 80.º do Código dos Direitos de Autor.
Estes livros, cuja leitura é feita por voluntários, são disponibilizados gratuitamente a pessoas portadoras de deficiência visual - para serem ouvidos nos seus leitores de MP3, computadores ou telemóveis - sendo a sua transferência realizada via plataformas electrónicas (WE TRANFER e MEO CLOUD) ou através do envio postal das gravações em CD ou DVD.
Os utilizadores - nacionais ou estrangeiros - devem efectuar a sua inscrição, fornecendo, para o efeito, cópia digital do Atestado Multiusos de Incapacidade e os seus dados de identificação.
link para consulta dos audiolivros disponíveis
CONTACTOS:
Serviço de Leitura Especial
Biblioteca
Municipal de Coimbra
telefone: 239.702.630 - ext. 2322 ou 2320
email:
leitura.especial@cm-coimbra.pt
Web:
http://www.cm-coimbra.pt/biblioteca/b309.htm
publicado por
MJA
[1.Jan.2016]