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Sobre a Deficiência Visual

     

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Governo garante que ninguém fica a perder com a nova Prestação Social para a Inclusão

Cristina Oliveira da Silva | ECO-online
 

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Com a nova Prestação Social para a Inclusão desaparecem o subsídio mensal vitalício e a pensão social de invalidez. Governo garante que ninguém será penalizado.

O Governo vai lançar um novo apoio para pessoas com incapacidade superior a 60% e espera que esta prestação chegue a 120 mil pessoas em 2017. Com a criação da nova Prestação Social para a Inclusão serão eliminados o subsídio mensal vitalício e a pensão social de invalidez, mas o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social garante que ninguém ficará a perder. “É a garantia base”, afirmou Vieira da Silva aos jornalistas esta terça-feira.

Os atuais beneficiários dos subsídios a eliminar serão transferidos “automaticamente” para a nova prestação, “que tem um valor mais alto”, disse o ministro. Mas além destas, “poderá haver outras pessoas que façam o requerimento para aderir” e, por isso, o Governo não tem um valor fechado do número de potenciais beneficiários. “Cremos que, em 2017, cerca de 120 mil pessoas terão acesso a estas prestações e que esse valor possa subir 30 ou 40 mil, em 2018“, indicou Vieira da Silva.

O novo regime será sujeito a discussão pública e deverá chegar ao terreno até ao início do último trimestre do próximo ano, embora a implementação seja faseada. A medida vai representar um acréscimo de despesa na ordem dos 60 milhões de euros, em 2017, e de 150 milhões de euros, em 2018.

Quem tem direito?
Poderão aceder à nova prestação social pessoas entre os 18 e os 55 anos de idade com incapacidade superior a 60%. Mas depois de atribuído o apoio, este não fica limitado aos 55 anos, sendo a prestação paga de forma definitiva, esclareceu o ministro do Trabalho. Nestes casos, os potenciais beneficiários deverão requerer a prestação à Segurança Social.

Só os atuais beneficiários de subsídio mensal vitalício e pensão social de invalidez — cerca de 70 mil — é que serão transferidos de forma automática para a nova prestação, já que aqueles subsídios serão extintos.

Em que consiste o apoio?
“A Prestação Social para a Inclusão tem uma componente de base que se dirige a todas as pessoas que tenham uma incapacidade atestada pelo devido documento que seja superior a 60%, ainda que existam dois patamares”, explicou Vieira da Silva.

Num primeiro, é garantida uma prestação de 260 euros por mês a pessoas com incapacidade superior a 80%. Este montante será pago independentemente de existirem ou não rendimentos de trabalho. É assim considerada uma componente de “cidadania plena”, frisa Vieira da Silva, já que é uma prestação garantida independentemente de qualquer outra condição.

"Aquelas pessoas que têm uma incapacidade superior a 80% terão uma proteção um pouco mais forte já que está garantida uma prestação social definitiva e permanente que será cerca de 3.200 euros anuais e que é superior às prestações que hoje existem na área de deficiência.”

Vieira da Silva, Ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social


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Para graus de incapacidade entre 60 e 79% também haverá um apoio mas, neste caso, o valor dependerá do nível de rendimentos que a pessoa recebe. Neste segundo patamar, a prestação pode ser paga desde que os rendimentos fiquem aquém do valor a partir do qual já são pagos impostos, o que corresponde a um limiar de 607 euros.

O ministro da Segurança Social explica que o objetivo é facilitar a acumulação de “alguns rendimentos de trabalho com proteção social”, algo que atualmente é “mais difícil”. Esta fase está programada para 2017, ainda que esteja prevista mais para o final do ano.

Já em 2018 entrará em vigor uma nova etapa da prestação, com um complemento que se destina a combater a pobreza. Este será sujeito a condição de recursos, o que significa que o valor a pagar terá em consideração os rendimentos do beneficiário e do seu agregado familiar. Porém, existem algumas especificidades. Desde logo, a pessoa com deficiência conta por dois na escala de equivalência, o que significa que, quando o rendimento total do agregado familiar for dividido pelos seus elementos, será tido em conta um rendimento per capita menor, o que pode originar uma prestação maior. Além disso, só são contabilizados 50% dos rendimentos de trabalho da pessoa com deficiência. E por fim, a prestação de base poderá contar apenas parcialmente.

É o rendimento que resultar de tudo isto que será levado em consideração para calcular o valor do complemento. A referência é o limiar de pobreza (420 euros) e, portanto, o complemento destina-se a, em conjunto com outros rendimentos, colocar os beneficiários neste patamar.
 

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[28.Dez.2016]
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THE PRESENT: uma curta-metragem de animação com 3 minutos e mais de 50 prémios
 


'The Present' percorreu mais de 180 festivais de cinema em todo o mundo, nos quais “limpou” mais de 50 prémios. Esta curta-metragem de animação, uma das melhores que vimos nos últimos tempos, foi criada por Jacob Frey antes de terminar o curso em realização de animação no Institute of Animation, Visual Effects and Digital Postproduction do Filmakademie Baden-Wuerttemberg, em 2014.

Conta a história de um rapaz, agarrado aos videojogos, que recebe como presente um cachorrinho que não tem uma perna. Primeiro, os dois não se entendem, com o miúdo a rejeitar o pequeno animal pela sua deficiência física.

'The Present' baseia-se numa pequena tira cómica do brasileiro Fabio Coala e é o segundo trabalho de sucesso de Jacob Frey, em colaboração com a sua colega Anna Matacz. Juntos, criaram em 2009 uma curta intitulada Bob, que percorreu mais de 250 festivais de cinema em todo o mundo (disponível no Vimeo em SD). O pequeno filme passou por vários festivais de cinema de animação do mundo, incluindo o MONSTRA (Lisbon Animated Film Festival), tendo sido exibido no Cinema IDEAL em Junho do ano passado.

 

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[21.Dez.2016]
publicado por MJA


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PCP propõe novo regime da educação especial e criação de Instituto Nacional de Educação Inclusiva

Maria Lopes | Público

20 de Dezembro de 2016
 

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Comunistas querem organizar o sistema de auxílio à educação especial de uma forma verticalizada, reduzir número de alunos por turma e aumentar condições de inclusão na escola pública.

O assunto ainda está a ser alvo de debate parlamentar num grupo de trabalho que anda a fazer audições desde o início do ano, mas o PCP avançou há dias com um projecto de lei para um novo regime jurídico da educação especial, cuja principal medida passa pela criação de um Instituto Nacional da Educação Inclusiva (INEI) que coordenará os serviços de apoio à educação de crianças e jovens com necessidades educativas especiais.

Segundo a proposta comunista, o INEI funcionaria na dependência do Ministério da Educação, e passaria a dirigir e coordenar a rede de Centros de Recursos para a Inclusão (que já existem) de base concelhia ou inter-concelhia, e apoiar os Gabinetes de Apoio à Inclusão nas instituições do ensino superior. Com um organismo assim verticalizado seria mais fácil operacionalizar um modelo orgânico mais eficiente, célere e eficaz. Ao mesmo tempo, serviria para agregar uma séria de responsabilidades e competências que hoje estão dispersas por serviços dos ministérios da Educação e do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, descreveu ao PÚBLICO a deputada do PCP Diana Ferreira.

Se o partido já defende a redução do número de alunos por turma, isso torna-se ainda mais exigente no caso de existirem alunos com necessidades educativas especiais (NEE): que ficariam limitadas a um máximo de 15 crianças no pré-escolar, 1.º e 2.º ciclos do ensino básico, e cursos profissionais do 3º. Ciclo e do ensino secundário; e a 17 alunos no 3º. Ciclo e nos cursos científico-humanístico e artísticos do ensino secundário. E nenhuma destas turmas poderia ter mais de dois alunos com NEE.

Outra medida da proposta é a criação, em cada agrupamento de escolas ou escola não agrupada, de um Departamento de Educação Especial.

Também se prevê, se o programa educativo individual do aluno o incluir, que as aulas de turmas com alunos com NEE sejam dadas por uma dupla pedagógica com o professor da turma ou disciplina e um professor de educação especial. Diana Ferreira desconhece o número exacto de alunos com NEE existentes na escola pública, mas no início do ano lectivo a Fenprof anunciou que fez um inquérito às escolas e concluiu que há cerca de oito mil turmas do ensino básico que têm mais de dois estudantes com NEE, violando a lei que estabeleceu esse limite.

A proposta comunista prevê ainda a obrigatoriedade de formação de professores, a constituição de equipas multidisciplinares nas escolas, assim como a adaptação das condições de acesso à escola, dos edifícios, equipamentos, materiais pedagógicos e currículos para uma melhor inclusão destes alunos no meio escolar. Está também previsto o alargamento de financiamento e da acção social escolar e defende-se que a legislação laboral deve consagrar o direito aos pais e encarregados de educação de um maior crédito de horas para participarem no processo educativo das crianças.

A categorização dos alunos com NEE é feita por referência à Classificação Internacional de Funcionalidade e Saúde, estabelecida pela OMS – Organização Mundial de Saúde, mas desde 2008, por força de um decreto que passou a considerar somente os alunos com necessidades especiais de carácter permanente, registaram-se grandes cortes nos apoios estatais e a problemas na distribuição dos alunos, que levou muitos à segregação em unidades especializadas, em vez de conduzir à sua inclusão no meio escolar, aponta o PCP.
 

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[21.Dez.2016]
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Santa Reads Braille

by Jeff Frcho | November 16, 2016
 

Merry Christmas displayed in print and Braille with white Christmas trees in the background.


During the holiday season, there’s so much going on it’s easy to forget that it can be a very visual experience for most. That’s why it’s so important to remember to include as many people as we can.

Those who live with visual impairments unfortunately know what it feels like to be left out a little too well. Here at Braille Works, we were inspired to change that.

Last Christmas we had the amazing opportunity to help Santa Claus by sending his letters in Braille and large print to kids who are blind or visually impaired. The effort was branded “Santa Reads Braille” and it turned out to be a huge success! Over 300 children from all over America received a Braille letter from Santa.

Every kid already knows that Santa reads Braille, they don’t need to be convinced of that. We’re just stepping in to help prove it to them.

Why, you might ask? We really believe that everyone deserves to be included, especially with something as fun as a letter from Santa Claus.

Do you have a child or student in your life who reads Braille or large print? Would they enjoy getting a letter from Santa they could read for themselves?

Visit BrailleWorks.com today to get started. Just tell us who you are and where you want the letter delivered, and we’ll take care of the rest. You can help Santa reach even more kids across America this year by sharing the Santa Reads Braille program with family and friends. The Braille and large print letters will be delivered free of charge, just in time for Christmas Day.

From our family to yours, we wish you a Merry Christmas and a Happy New Year!

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[4.Dez.2016]
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Era uma vez... um livro para as crianças que não vêem

Bárbara Duarte Mota | Público

3 de Dezembro de 2016
 

A Associação Nacional de Intervenção Precoce lançou o primeiro livro multissensorial. A expectativa é que haja uma segunda edição, mas para isso é preciso financiamento.
 

O papel ganha vida e formas. A conversa sai das folhas para as mãos. É assim que o primeiro livro multissensorial consegue dar às crianças com deficiência visual que não saibam ler em braille a oportunidade de conhecer a história que nestas páginas é contada. Chama-se O que vês, o que vejo… e foi lançado no mês passado, pela Associação Nacional de Intervenção Precoce (ANIP). Foi produzido pela editora francesa Les Doigts Qui Rêvent, que trabalha na produção de livros tácteis deste género. Este é o primeiro a chegar a Portugal.

O objectivo, explica Viviana Ferreira, psicóloga e directora técnica na ANIP, é “que as crianças até aos 6 anos, que não sabem ler ainda em braille, tenham a oportunidade de, através das ilustrações tácteis, dos bonecos com braços que saltam da folha e se mexem, de um sol que se empurra da esquerda para a direita e de um girassol que gira”, fazer “uma leitura da imagem, tendo em conta aquilo que o texto lhe propõe.”

| Governo compromete-se a incluir livros
para invisuais no Plano Nacional de Leitura |

Acima de tudo, reforça a psicóloga, que coordena o projecto, este livro tem uma grande componente de inclusão: “Queremos um livro que promova a partilha, o encontro de perspectivas da criança que veja e da criança com cegueira tal como o texto sugere.” Este livro retrata, assim, uma conversa entre duas crianças sobre um dia comum. Está lá o mar, em relevo, a lã de uma camisola, um coração, o pôr-do-sol e em tudo as crianças podem tocar.

Para já, porém, a ANIP só conseguiu imprimir 100 exemplares da obra. “A produção do livro andou entre os 90 e os 100 euros, porque foi feito com materiais especiais e à mão, o que encarece os custos”, explica a psicóloga. O próprio braille “é feito de um material diferente do dos livros normais, que abatem ao final de algum tempo. Este é feito com uma resina para nunca vai abater e ser mais suave ao toque”.

Preço mais acessível

Ao contrário do que acontece com as edições da Les Doigts Qui Rêvent, “onde os livros custam entre os 70 e 90 euros”, a ANIP quis fazer um preço mais baixo, porque “cá esses preços são incomportáveis para os pais, que já têm muitas despesas associadas à doença dos filhos”. Está à venda por 35 euros e já existem poucos disponíveis.

“A adesão positiva das pessoas ao livro dá-nos confiança para chegar a um financiador e dizer que há mais pessoas que o querem mas que já acabaram estes 100. Se houver financiamento seguramente que nos aventuremos numa segunda edição”, explica.

O financiamento para este projecto chegou através do Prémio BPI Capacitar ao qual o Centro de Apoio à Intervenção Precoce na Deficiência Visual, que é uma das estruturas desta associação, se candidatou em 2014. Receberam uma menção honrosa que lhes permitiu criar a Oficina de Literacia Emergente para a Cegueira, onde a associação tinha “um orçamento limitado”, que “nem foi suficiente” para cobrir a produção.

“Não queríamos que fosse mais um recurso que só tivesse braille e umas ilustrações em relevo.” No entanto, o braille está presente porque “as crianças com cegueira devem ter contacto com o braille, não para o saber ler, mas para perceber que aquilo são letras que representam palavras e conceitos para depois mais tarde quando aprenderem o braille em contexto do primeiro ciclo entendam”, destacou Viviana Ferreira.

Percebendo a importância que as histórias têm na infância, esta oficina quis criar algo que fosse mais do que “um livro em branco, amontoado de folhas” para as crianças com deficiência visual. Pensemos nos contos infantis. O que é que vemos? Cor, muitos desenhos criados à medida da idade delas, pouco texto com palavras simples. Imaginemos agora uma criança com cegueira e que ainda não aprendeu a ler em braille. Como vai poder ler? Tem de ser a “tocar” a história que ela vai poder “ler”.

Texto editado por Pedro Sales Dias

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[4.Dez.2016]
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Governo quer quotas de emprego no privado para pessoas com deficiência

por Lusa| 3Dez

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A secretária de Estado da Inclusão quer criar quotas de emprego no setor privado para as pessoas com deficiência e exigir o cumprimento destas no setor público, para combater o problema que mais afeta esta população. Em entrevista à agência Lusa, a propósito do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, que hoje se assinala, a secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, falou dos problemas que afetam esta população e dos próximos passos do Governo nesta área. "Neste momento é fundamental focarmo-nos na temática da empregabilidade", o "problema mais acentuado que temos", mas também na inclusão pela educação, que teve uma "evolução muito positiva" nos últimos 20 anos, mas que precisa "permanentemente de melhorias", disse Ana Sofia Antunes.

Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/cm-ao-minuto/detalhe/governo-quer-quotas-de-emprego-no-privado-para-pessoas-com-deficiencia

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[3.Dez.2016]
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3 de Dezembro de 2016
Dia Internacional das Pessoas com Deficiência
 

Cartazes vencedores do 'Concurso Cartaz 3 de Dezembro' promovido pelo INR
Pedro Santos de Oliveira Luís Almeida Silva Adelino Geraço e Fernando Antero Adelino Geraço e Fernando Antero
2015 2014 2013 2012
Brandart, Agência de Publicidade Joana Margarida Ribeiro  Hélder Manuel Gomes da Costa João Pestana
2011 2010 2009 2008

O Dia Internacional das Pessoas com Deficiência comemora-se anualmente a 3 de dezembro. Esta celebração realiza-se desde 1998, ano em que a Organização das Nações Unidas avançou com a convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência.

A data tem como principal objetivo a motivação para uma maior compreensão dos assuntos relativos à deficiência e a mobilização para a defesa da dignidade, dos direitos e do bem-estar destas pessoas.

Cada ano, o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, tem um tema específico, que pauta as atividades e eventos deste dia. Em 2016 o tema é "Alcançando 17 metas para o futuro que queremos", que chama atenção para os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU e como estes objetivos podem criar um mundo mais inclusivo e equitativo para as pessoas com deficiência.

Em Portugal as variadas instituições realizam distintas atividades para celebrar o dia, tais como seminários, concursos de frases e ideias, almoços de gala, corridas, entrega de prémios, espetáculos de teatro, dança e cinema, entre outros, apelando à participação da população. As atividades levadas a cabo neste dia têm como fim de consciencializar a população da importância da integração das pessoas portadoras de deficiência na sociedade. As comemorações nacionais deste dia estão a cargo do Instituto Nacional para a Reabilitação (INR), I.P.

fonte: Calendarr Portugal

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[1.Dez.2016]
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Curso Livre em Braille (formação avançada)

Universidade Lusófona
 

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A ULHT oferece um curso de braille - formação avançada, como resultado e na sequência do alcance das diferentes áreas de investigação do mestrado em comunicação alternativa e tecnologias de apoio, fundado em 2005 e a funcionar na ecati/ulht desde 2006. este curso de formação avançada assenta na investigação aprofundada, desenvolvimento e aplicação das teorias comunicacionais, metodologias estratégicas e boas práticas para a educação, formação e inclusão de pessoas cegas, com baixa visão e surdocegas, que privilegia o domínio "comunicação e linguagem" na área da braillologia e que está científica e tecnologicamente apetrechado para o desenvolvimento literácito, sensorial e sociocognitivo, sociocomunicacional, do relacionamento e interação, autonomia e independência, inclusão e qualidade de vida de crianças, adolescentes, jovens, adultos e seniores, privados da modalidade sensorial da visão ou gravemente limitados na sua utilização.

O curriculum científico do curso tem o seu enfoque no sistema braille (como meio natural de leitura e escrita das pessoas cegas e surdocegas) aplicado à língua portuguesa e a outras línguas, bem como às diferentes grafias, incluindo a científica, com o necessário enquadramento inclusivo nas diversas literacias, como a digital/web e e-learning. Cientes de que a braillologia deverá constituir uma disciplina integrada na formação de diversos profissionais na educação, reabilitação e inserção social de pessoas cegas, muito em especial na dos professores de educação especial/ensino inclusivo e rigoroso ensino do Sistema Braille em escolas de referência e/ou na criteriosa produção e utilização deste sistema por parte de profissionais e técnicos nos diversos serviços e áreas de produção e utilização do braille, foi preparado este curso de formação avançada para habilitar os cursandos com as competências e proficiência consubstanciadas no âmbito e objetivos, conteúdo programático e referências abaixo explanados.

Direção do Curso: Augusto Deodato Guerreiro

+ informações em: http://www.ulusofona.pt/formacao-livre/braille
 

Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
Campo Grande, 376
1749-024 Lisboa - Portugal
Tel: 217 515 500
info@ulusofona.pt

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[29.Nov.2016]
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III Conferência Deficiência Visual e Reabilitação "Prevenção Visual e Inclusão"

7 dez 2016 - 14:00 a 18:00

Auditório da ESTeSL
 

III Conferência Deficiência Visual e Reabilitação  "Prevenção Visual e Inclusão"


A Área Científica de Ortóptica, da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL), e a Associação de Retinopatia de Portugal promovem no dia 7 de dezembro de 2016, no Auditório da ESTeSL/ESEL, a III Conferência subordinada ao tema Deficiência Visual e Reabilitação - "Prevenção Visual e Inclusão", no âmbito do dia Internacional da Pessoa com Deficiência.

A inscrição é gratuita, mas obrigatória através do formulário disponível online

Programa

14h00 – Abertura do Secretariado
14h30 – Sessão de abertura

João Lobato - Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL - IPL)
Rui Manuel Fontinha Vasconcelos - Associação de Retinopatia de Portugal (ARP)
Manuel de Oliveira - Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL - IPL)

14h45 – Painel I – Prevenção da Deficiência Visual – Desafios e Estratégias

Cegueira Evitável - Vision 2020, The Right to Sight - Parcerias para o Desenvolvimento - Salomé Gonçalves - Instituto de Oftalmologia Dr. Gama Pinto (IOGP)

Causas da deficiência visual na sociedade contemporânea – Estratégias de Intervenção - Maria Emilia Oliveira e Pedro Miguel Lino - Instituto de Oftalmologia Dr. Gama Pinto (IOGP)

O Rastreio da Retinopatia Diabética - Uma Estratégia para a Prevenção da Cegueira - Carolina Santos -Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT)

Moderador – Manuel de Oliveira -Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL - IPL)

16h15 – Pausa

16h30 – Painel II - Políticas de Inclusão do Jovem com Deficiência Visual

Olhar o Escolar Ver o Integrar - Lurdes Veiga - Agrupamento de Escolas Dr. Ginestal Machado - Santarém

Desafios e oportunidades de uma estudante com baixa visão - Paula Monzelo - Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL - IPL)

Programas de Reabilitação nas Pessoas com Cegueira Adquirida - Ana Magalhães - Centro de Reabilitação Nossa Senhora dos Anjos (CRNSA)

A Inclusão dos jovens com deficiência visual: uma questão de direitos - Ana Patrícia Santos - Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P. (INR, I.P.)

Moderador – Rui Manuel Fontinha Vasconcelos - Associação de Retinopatia de Portugal (ARP)

18h00 – Encerramento

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[24.Nov.2016]
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Congresso Internacional Escola Inclusiva

3 Dezembro 2016 - 08:30

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Tema - Escola Inclusiva: Educar e Formar para a Vida Independente
Local - Casa das Histórias Paula Rego (Cascais)

Programa

08:30 – Registo dos participantes

09:30 – Mesa de abertura
• Secretário de Estado da Educação, João Marques da Costa
• Presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos Carreiras
• Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Artur Santos Silva (a confirmar)
• Diretor do Centro de Formação de Escolas de Cascais, José Marcelino
• Vice-Presidente da Direção da CERCICA, Rosa Maria Lucas Neto

10:15 – Conferência “Advancing Inclusive Education: Transformative Steps on the Path”
Gordon L. Porter, Inclusive Education Canada, Education Training Group, University of New Brunswick

11:00 – Coffee break

11:30 – Conferência “Educação Inclusiva: resistir pela escola que queremos”
David Rodrigues, Associação de Professores de Educação Especial, Centro de Investigação do IE/UL, Conselho Nacional de Educação
Moderador: Pedro Cunha, Direção-Geral da Educação

12:15 – Debate

12:45 – Almoço livre

14:00 – Conferência “Formação de professores para a inclusão”
Teresa Leite, Escola Superior de Educação de Lisboa, Conselho Nacional de Educação

15:00 – Painel “Escola Inclusiva de 2ª Geração”
Luísa Ucha, Secretaria de Estado da Educação - Grupo de Trabalho Escola Inclusiva
Manuela Tender, Assembleia da República - Grupo de Trabalho Educação Especial (a confirmar)
Moderadora: Filomena Pereira, Direção-Geral da Educação

16:00 – Debate

16:30 – Mesa de encerramento
• Vereador da Câmara Municipal de Cascais, Frederico Pinho de Almeida
• Diretor do Centro de Formação de Escolas de Cascais, José Marcelino
• Vice-Presidente da Direção da CERCICA, Rosa Maria Lucas Neto


Inscrições através do email cercica@cercica.pt

1 a 20 de novembro – 20,00€
21 de novembro a 2 de dezembro – 30,00€

A conferência terá tradução bilingue (PT/EN) e língua gestual.
 

fonte: http://www.acapo.pt/agenda

 

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[23.Nov.2016]
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A pasteleira invisual que confeciona doces premiados

Jornal de Notícias

19.Nov.2016
 

Manuela Bulhão

 

Na cozinha da associação Aurora Social, em Ponta Delgada, Manuela Bulhão dedica-se há duas décadas "de corpo e alma" à confeção de doces, muitos dos quais já lhe valeram prémios, apesar de ser invisual desde os 21 anos.

Hoje com 58, Manuela Bulhão, invisual devido a um problema hereditário, trabalha na área da cozinha da Aurora Social, associação de promoção de emprego apoiado, em São Miguel (Açores), desde que a instituição abriu, há 21 anos.

"Sou da casa e das mais velhas. Sempre estive na área da cozinha", disse Manuela Bulhão, em declarações à Lusa, contando que foi perdendo a visão gradualmente e atualmente só vê sombras.

Porém, nunca baixou os braços.

"Sempre fui persistente, venho todos os dias da Lomba da Maia [concelho da Ribeira Grande] de transportes públicos e há muitas barreiras, mas nada é impossível. Primeiro há que ganhar a coragem", referiu.

Na cozinha da Aurora Social, instituição que confeciona refeições e doçaria para o exterior, Manuela Bulhão partilha o fogão com quatro colegas e faz de tudo um pouco.

"Se é preciso ir para o fogão, vou para o fogão. Se é preciso outras coisas, faço, e se é preciso arranjar peixe, também faço", descreveu, sublinhando que o facto de ser invisual não a impede de fazer nada, até porque conhece "os cantos à casa".

Raramente usa a sua bengala - apenas no trajeto entre a sua residência e a paragem do autocarro e no percurso para o trabalho.

Para Manuela, o principal obstáculo na cozinha "é quando há uma coisa fora dos lugares". Ainda assim, raramente pede ajuda aos colegas.

"Apenas para pesar os ingredientes é que tenho que pedir ajuda, porque em casa tenho uma balança falante. Mas, depois faço o bolo rápido e ligeiro", disse.

Das suas mãos já saíram doces premiados em concursos regionais, com receitas criadas pela própria.

"O primeiro prémio que ganhei foi com o pudim de feijão e depois o pudim de castanhas e ainda o de massa sovada", contou.

Além de pudins, confeciona bombons de nozes, rebuçados de ovos, nozes recheadas e toucinho-do-céu.

"Provo os meus doces, acabo por não os ver, mas é como se os visse sabendo que as pessoas vão gostar daquilo que confeciono. É como se os visse", confessou, explicando que a decoração fica a cargo de uma colega.

Por vezes, "os doces não saem muito bem, mas vou experimentando e é como todas as pessoas", disse, recordando que no caso do premiado pudim de castanhas experimentou "e deu certo".

A cozinheira, natural da Lomba da Maia, adiantou que já está a idealizar novas receitas para novos pudins e bolos, porque gosta de estar "sempre a inovar e a apreender". Os programas televisivos sobre culinária são os seus preferidos.

Por altura do Natal, Manuela Bulhão não tem mãos a medir para dar conta de tantas encomendas que chegam à instituição.

"Mas, eu gosto do que faço. Ainda há quem me pergunte porque vou de tão longe, sem ver, para Ponta Delgada trabalhar e que necessidade tenho de sair de casa. Eu nunca me acomodei em casa e enquanto eu puder saio para trabalhar, nem que seja para ser útil a mim mesma", salientou.

 

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[19.Nov.2016]
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Centro de Marcha e Corrida de Torres Novas com treinos para deficientes visuais

João Baptista | O Ribatejo 

28 de Outubro de 2016
 

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A partir de novembro, o Centro de Marcha e Corrida de Torres Novas vai promover treinos específicos para deficientes visuais, num ação pioneira ao nível dos centros atualmente em funcionamento.

Os treinos irão decorrer nesta fase inicial às terças e quintas, das 18h às 19h30, no Estádio Municipal Dr. António Alves Vieira. O objetivo é, com o decorrer da atividade, transitar para dois percursos urbanos já identificados e «amigáveis» no que se refere a obstáculos e acessibilidade.

Desta forma, o Município de Torres Novas, através do seu Centro de Marcha e Corrida, pretende promover a prática desportiva para todos, fomentando também uma melhor integração da pessoa portadora de deficiência.

De salientar que o Centro de Marcha e Corrida de Torres Novas, criado em 2014, conta atualmente com 38 atletas inscritos, distribuídos por 3 pólos no concelho – Piscinas Municipais Fernando Cunha, Pedrogão, Casais Castelos (este ultimo a iniciar a sua atividade no dia 4 de Novembro). Tem como principais objetivos promover e incentivar a prática regular de atividade física da população, combater o sedentarismo e aumentar a oferta no que a possibilidades de prática de atividade física diz respeito.
 

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[15.Nov.2016]
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Governo compromete-se a incluir livros para
invisuais no Plano Nacional de Leitura

Lusa | DN

28 DE OUTUBRO DE 2016

 

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Esta decisão surge depois de o presidente da ANIP ter apontado como falhas no PNL o facto de não abranger crianças invisuais e crianças em idade pré-escolar

A secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, comprometeu-se esta sexta-feira, em Coimbra, a incluir livros em braille e de leitura tátil no Plano Nacional de Leitura (PNL), embora sem assumir datas.

"Comprometi-me a começar agora a reunir para ver como vamos incluir [aqueles livros no PNL] e havemos de conseguir", disse a governante à agência Lusa, no final da sessão solene das V Jornadas Deficiência Visual e Intervenção Precoce, que decorreram no Hospital Pediátrico de Coimbra.

A promessa de Ana Sofia Antunes acabou por ir ao encontro do desafio lançado pelo presidente da Associação Nacional de Intervenção Precoce (ANIP), Luís Borges, que apontou duas falhas no PNL: o facto de não abranger crianças invisuais e não abranger as crianças em idade pré-escolar.

"Foi um desafio que me foi lançado hoje, que faz todo o sentido", salientou a governante, que considera a medida um "passo fundamental para o desenvolvimento de qualquer criança com limitações sensoriais, nomeadamente ao nível da visão".

Na sessão solene, a secretária de Estado da Inclusão disse que o Governo tudo fará para que se possa incluir no PNL um conjunto de títulos e "que as questões financeiras não sejam justificação para que se continue a adiar esta iniciativa".

Sem assumir datas, Ana Sofia Antunes acrescentou que "se deve avançar, neste momento, com alguma rapidez, para conseguir ter à disposição destes leitores de primeira maré aquilo que eles precisam: o incentivo para começarem a ler e prenderem-se à leitura".

Organizadas pela ANIP, as V Jornadas Deficiência Visual e Intervenção Precoce, que decorreram no Hospital Pediátrico de Coimbra, foram dedicadas ao tema da literacia emergente para a cegueira.

Num dos painéis da manhã, foi apresentado o livro infantil "O que vês, o que vejo...", que será editado num formato de edição pioneiro em Portugal - álbum tátil ilustrado de acordo com o modelo háptico, numa abordagem multissensorial mais próxima do contexto percetivo das crianças invisuais.

Para a coordenadora da iniciativa, Viviana Ferreira, que integra o Centro de Apoio à Intervenção Precoce na Deficiência Visual, o objetivo passa por produzir alguns materiais que promovam oportunidades de literacia emergente para a cegueira, mas que a maior preocupação é o financiamento.

"Falamos para uma população muito reduzida - a cegueira é uma doença de baixa incidência - e, por isso, os números não são muito atrativos para quem financia, porque se tivermos financiamento nós conseguimos desenvolver trabalho para que estas crianças tenham acesso a recursos que promovam a literacia antes da entrada para a escola", sublinhou.
 

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[30.Out.2016]
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Nunca vi os meus filhos

Rosa Ruela | Visão

22.10.2016

Foi num lar para raparigas cegas, onde trabalhou, que Helena aprendeu a descascar batatas e a fazer tudo o resto sozinha na cozinha
Foi num lar para raparigas cegas, onde trabalhou, que Helena aprendeu a
descascar batatas e a fazer tudo o resto sozinha na cozinha. Foto: Marcos Borga


Ter pais que não veem é estranho para quem não passa por isso. De início, as perguntas não se fazem esperar, acabando todas por ir parar à mesma dúvida: "Como é que os vossos pais fazem as coisas?" A resposta não podia ser mais simples "fazem como faríamos de olhos fechados." Mas claro que tem mais que se lhe diga.

A jardineira está quase pronta e a mesa para o jantar posta quando Marta e Márcia começam a contar o que ouviram ao chegarem à nova escola. Nos primeiros dias, os colegas disparavam perguntas: Quem é que cozinha lá em casa? A mãe consegue comer sozinha, pentear-se, escolher a roupa? E o pai trabalha em quê? "De início, estranham muito", conta Marta, a mais espevitada das gémeas, de 12 anos. "É sempre: 'Como é que os vossos pais fazem as coisas?' Numa das vezes, respondi: 'Experimenta passar o dia todo de olhos fechados e já sabes'." Na cozinha do apartamento na Pontinha, nos arredores de Lisboa, para onde Helena Cristina e José Manuel foram ao casar, em 1999, sente-se um cheiro delicioso agora que a carne de vaca ficou tenra depois de a panela de pressão se engasgar. Os silvos tinham acompanhado os últimos minutos dos trabalhos de casa, feitos na sala, sem nunca se sobreporem à voz pausada de José Manuel. Marta treinava a pronúncia em Francês e Márcia despachava exercícios de Matemática com a ajuda do pai. "Dois vezes três ao quadrado é doze, filha? Pensa melhor..." Márcia, de grinalda na cabeça assumidamente para a fotografia, poderia seguir uma carreira na moda mas já se decidiu pela Medicina.

Embora vá fazendo figuração em telenovelas tal como a irmã, que sonha ser atriz, agarra-se aos estudos para gozo de José Manuel, que venceu umas Olimpíadas de Matemática no 12.º ano e hoje dá formação na área, na Acapo (Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal).
 

VER A TELENOVELA A QUATRO

Os estudos são uma prioridade nesta casa, conclui-se ao ouvir Helena e o marido contarem à vez que terminaram cursos superiores com grande sacrifício, ela de Gestão de Recursos Humanos e Organização Estratégica, ele de Psicologia. Das filhas não esperam menos do que licenciaturas porque sabem que não lhes falta cabeça e eles cá estão para lhes criar as oportunidades. "Mesmo para seres atriz, Marta", lembra Helena, quando se sentam os quatro a ver Amor Maior, a novela da SIC em que as miúdas hão de aparecer, "vais estudar muito." [Helena e José Manuel gostam de televisão. Distinguem as vozes, imaginam as cenas, e só pedem ajuda às filhas quando há um momento mais silencioso.] Helena sempre acreditou que é importante ter um diploma. Ao fim de vários anos a tentar engravidar, pensou na adoção mas, antes de avançar, quis ir para a universidade.

"Achava que dificilmente me deixariam adotar e que seria menos problemático se fosse licenciada." Nascera com apenas 10% de visão, por causa de uma retinose pigmentar (degeneração progressiva da retina) e agora já só vê contrastes e vultos. Conhecendo a sociedade portuguesa, haveria poucas hipóteses de a considerarem elegível. E não ajudava o facto de o marido ser também ele cego.

Quando decidiram ser pais, os dois fizeram testes genéticos que não foram conclusivos. Mas, mesmo que a criança nascesse sem problemas de visão, o facto de ambos não verem quase nada era suficiente para ouvirem repetidamente a frase "É melhor não terem filhos." Só quando Helena ficou grávida de gémeas, no final do 1.º ano do curso, tudo mudou. "Face ao facto consumado, as pessoas apoiaram a nossa decisão; se não desisti da faculdade foi porque os meus colegas me incentivaram." Doze anos depois, Marta e Márcia provam que os medos eram injustificados. As duas pré-adolescentes oferecem-se para ajudar nas tarefas domésticas e não deixam nada desarrumado para que os pais não tropecem em alguma coi- sa, mas, de resto, são iguais a tantas outras, com as vaidades, inseguranças e manhas típicas da idade.

"Por enquanto, ainda têm muito que aprender para me enganarem", ri-se Helena, depois de contar que sabe logo o que andam a fazer as filhas quando ficam caladas. "Estão no telemóvel ou a ver televisão sem som, há sempre algo que as denuncia."

Não servirá este artigo para se concluir que tanto faz os pais verem ou não, mas a maioria das vezes conseguir levar a bom termo a dupla tarefa de criar e educar é sobretudo uma questão de adaptação. Nunca o dito popular "A necessidade faz o engenho" se aplicou tão bem, pensámos quando Helena, José Manuel, Sara, Lurdes, Isabel e Paulo partilharam alguns dos truques a que recorrem no dia a dia.

Pedir para alguém fazer marcas com cortes nas seringas para evitar enganos nas dosagens dos medicamentos foi um dos que surgiu logo no início das entrevistas. Pelo caminho aprendemos também que existem balanças de cozinha falantes ou aparelhos que identificam as cores. E que a memória ainda é a grande aliada de quem não vê uns laços nas mangas de uma camisa e, bingo!, na loja alguém disse que esta é branca.

 

Sempre que pode, Sara enfia a filha no canguru e dá um pequeno passeio nas imediações da sua casa, na Azambuja
Sempre que pode, Sara enfia a filha no canguru e dá um pequeno passeio
 nas imediações da sua casa, na Azambuja. Foto: Marcos Borga


Sempre que tem dúvidas, Sara Tadeu usa o seu Colorino para confirmar a cor da roupa que vai vestir a Luana, 1 ano acabado de fazer.

"Gosto que ela ande sempre arranjadinha", diz. O aparelho, que parece um pequeno comando de televisão e diz em voz alta as cores, também é útil quando hesita na cor de uma sombra de olhos. Nasceu com a visão muito limitada porque a mãe contraiu rubéola durante a gravidez, mas ainda viu cores e sombras até aos 23 anos e hoje continua a adorar maquilhar-se.

Antes de enfiar a filha num canguru para ir com ela até um jardim perto de casa, na Azambuja, Sara demora-se ao espelho a aplicar contorno do rosto e iluminador. Escolheu uma saia e uma blusa bege, "discretas, para a fotografia", e há de sair de bengala branca aberta e saltos altos. Faz tudo como sempre fez quando via alguma coisa; só precisa de ajuda para ir e vir do trabalho (dá apoio psicológico aos trabalhadores da Jerónimo Martins), por falta de transportes.

Quando pensou que estava na hora de ela e o marido, Hadiley, que é amblíope, serem pais, sabia ser um ato de coragem. Não se lembrou de que moravam num 2.º andar e que iriam ter de manter as janelas apenas entreabertas e tapar as tomadas do apartamento, mas assustou-a a falta de autonomia porque não têm familiares na vizinhança e nenhum pode conduzir.

Hadiley trabalha longe, na CUF Descobertas, e é federado do Sporting (pratica goalball, uma modalidade criada para cegos). Entre o trabalho e o desporto passa muitas horas fora de casa. Sempre que está sozinha com a filha, Sara não se aventura mais longe do que a loja de congelados da esquina; para ganhar alguma independência, já decidiu que, mal Luana comece a andar, vai comprar "uma daquelas trelas que os estrangeiros usam".


VENHAM DAÍ OS CARROS DA GOOGLE

A locomoção é uma dor de cabeça para a maioria destes pais.

Helena e José Manuel, outra vez eles, compraram um carro em segunda mão e pediram a uma vizinha para levar e trazer as gémeas da escola. Mas todos os outros entrevistados viram-se obrigados a adaptar as rotinas depois de terem filhos, quase sempre incluindo mais horas de transportes públicos.


OS OUTROS E O MEDO DE FALHAR

 

Aos 13 anos, Alexandra já seria capaz de ir sozinha para casa, mas Lurdes faz questão de ir buscá-la todos os dias ao colégio
Aos 13 anos, Alexandra já seria capaz de ir sozinha para casa, mas Lurdes
faz questão de ir buscá-la todos os dias ao colégio. Foto: Marcos Borga


Lurdes Dias, Lu, chegou ao cúmulo de escolher o colégio da filha pela proximidade ao seu local de trabalho. O substantivo é nosso porque, para esta telefonista quase licenciada em Ciências da Comunicação, nada mais natural do que a prioridade ser a localização, à boca de uma estação de metro. "Defendo a escola pública, mas tive de optar pelo privado por causa da minha dificuldade de locomoção", há de confessar, de olhos azuis muito abertos, numa esplanada de um café no centro de Lisboa.

Aos 13 anos, Alexandra já seria capaz de ir sozinha para casa, mas Lu gosta de lhe fazer companhia e aproveitar a viagem para conversar com a filha. Apanham o metro até ao interface do Campo Grande e, daí, uma camioneta que as leva até à zona de Camarate e isto todos os dias da semana, a não ser que Manuel, que não tem qualquer deficiência visual, lhes possa dar boleia.

Lurdes e Manuel conheceram-se quando eram adolescentes, numa colónia de férias. Aos 18, começaram a namorar e, entre o início do namoro e o casamento, ela começou a perceber que ia ficar cega.

Manuel sabia ao que ia. Sabia que Lu nascera com glaucoma congénito e só fizera uma vida escolar normal até ao 9.º ano. Daí para a frente, tudo se complicou, mas ainda conseguiu entrar na universidade. Só que há vinte e tal anos a tecnologia estava muito atrasada ainda não se encontravam disseminados programas de computador de voz, por exemplo.

Manuel também sabia que a futura mulher não tinha vontade de ser mãe pelo medo de pôr no mundo uma criança que pudesse vir a sofrer o que ela sofrera. "Não queria que um filho meu travasse as lutas que eu travei e travo", justifica Lurdes. Mas ele queria tanto ser pai que avançaram depois de os testes genéticos concluírem que tinham as mesmas hipóteses de um casal sem qualquer deficiência.

Lu nunca chegou a ver a cara de Alexandra porque estava completamente cega ("já nem via luz") quando ela nasceu. Aceitou isso bem, mas sentiu "a insegurança habitual de uma mãe de primeira viagem" aumentada pelos comentários de quem a rodeava. "As pessoas perguntavam-me muito como é que eu ia ser capaz, e só por causa dessa pergunta fiquei com medo de falhar", recorda.

Se de início ganhou fobia às fraldas com cocó porque receava não limpar bem a filha, a primeira vez que lhe deu papa foi épica. "Com uma mão tentava ver onde estava a boca e com a outra fazia pontaria com a colher. O processo está fotografado: vê-se papa por todo o lado menos na boca dela", ri-se, hoje. E quando Alexandra começou a andar, arranjou um truque para perceber rapidamente onde estava: "Prendia um pequeno guizo à fralda, como os gatinhos!", goza. "Agora, parece ridículo, mas na altura deu-me muito jeito." Entretanto, foi treinando o ouvido e ficando mais atenta às traquinices da filha, a quem lembrava constantemente que não via. Comer bolachas às escondidas era mato Lurdes já disfarçava a vontade de rir mas a miúda quase morreu de espanto um dia em que estavam a acampar, entrou calçada na tenda e a mãe ralhou porque sentira areia no chão. "Mas tu não és cega?!" Sim, Lurdes é cega e faz questão de andar sempre de bengala aberta e de ser ela a conduzir a filha, embora nos últimos anos já lhe peça informações. "Ensinei-lhe a solidariedade e o espírito de entreajuda porque, tal como eu, há muitas outras pessoas condicionadas."


AJUDAR O PAI A ESTUDAR
 

Rui gosta de aprender os caminhos para poder ajudar os pais, ambos cegos
Três vezes por semana, Paulo e Isabel tentam assistir ambos ao treino de
 futebol do filho. E, ao fim de semana, não perdem o jogo. Não conseguem
 ver o que se passa no campo do Sportivo de Loures. Foto: Marcos Borga


Uns dias antes, ao vermos Rui chegar ao campo de futebol relvado do Grupo Sportivo de Loures, onde treina três vezes por semana, tínhamos fixado a maneira segura com que encaminhara os pais para a bancada, um de cada lado. "Comecei cedo a tentar fazer o melhor para que não batessem em coisas e para os ajudar", conta.

Rui era muito pequeno quando teve a noção de que Isabel e Paulo eram cegos. Com um ano e pouco, já apanhava a chupeta do chão se os via à procura, e pegava-lhes na mão para mostrar alguma coisa que queria. Agora, aos 12 anos, sabe todos os caminhos e habituou-se a descrever aos pais o que acontece à sua volta.

Como passam a melhor parte do dia longe os pais trabalham em Lisboa, ela na Fundação Portugal Telecom, na área da responsabilidade social, e ele nas Finanças, como inspetor tributário, valoriza os tempos a três. Gosta que assistam aos treinos e ao jogo de futebol semanal, e, em casa, oferece-se para dividir tarefas. Nos últimos tempos, dá-lhe gozo recortar e colar notícias da época em que o pai era atleta paralímpico (correu os mil e os 5 mil metros pela última vez em Atenas, em 2004).

Quando Paulo leva trabalho para casa, ajuda a conferir a papelada, e, se o pai tem de estudar, pergunta-lhe a matéria. Ter filhos fazia parte do projeto de vida de casados de Isabel e Paulo.

Como ela tem retinose pigmentar e ele glaucoma, duas doenças hereditárias, fizeram testes genéticos. O resultado 50/50 levou-os a avançar. "Se nos dissessem que era muito provável um filho nosso vir a sofrer de alguma das nossas doenças, se calhar não arriscávamos", admite Isabel. "Mas felizmente tivemos sorte, o Rui saiu bem." Quando entrou na escola, os professores estranharam de início mas foi só porque já sabia ler quase corretamente. Tinha-se posto a copiar para o computador os nomes dos jogadores dos cromos de futebol e o software de voz fez o resto. Ser filho de cegos não é obrigatoriamente uma desvantagem.

 

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[25.Out.2016]
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Ensino especial vai ter planos individuais e mais tempo em sala

Pedro Sousa Tavares | DN

23 DE OUTUBRO DE 2016

 

Escola pública conta com cerca de 70 mil alunos com necessidades educativas especiais

O Ministério da Educação vai criar novas regras para o ensino especial que passam, por exemplo, por criar planos específicos para estes alunos quando as abordagens tradicionais falham ou obrigar as escolas a incluí-los mais tempo nas salas de aula com os restantes colegas. A chamada "escola inclusiva 2.0" é uma reforma ao decreto-lei 3/2008, que regula a educação especial desde há quase uma década, e tem como objetivo garantir uma "escola em que as crianças não estão apenas integradas, mas incluídas em sala de aula, em ambiente de aprendizagem com os colegas, sem desinvestimentos nos apoios necessários", adiantou ao DN o secretário de Estado da Educação, João Costa.

Na prática, explica Luísa Ucha, coordenadora do grupo de trabalho que deverá em novembro fazer chegar ao governo as propostas de alteração legislativa, o objetivo é criar abordagens "que permitam a cada aluno atingir o seu potencial". Isso passa por "centrar na escola" e na sala de aula o trabalho com os alunos, num trabalho "multidisciplinar, envolvendo família, professores e técnicos", que permita, por exemplo, "caso as abordagens convencionais não resultem, elaborar planos específicos para cada aluno". Passa também pela redução do tempo passado por alunos com necessidades educativas especiais nas chamadas "unidades especializadas", que foram criadas para facilitar a integração destes estudantes no ensino regular. Novidades que surgem numa semana em que o Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil - CADin debateu problemas de desenvolvimento como o espetro do autismo e a hiperatividade e défice de atenção, numa conferência que termina hoje em Lisboa, no ISCTE (ver texto ao lado).

Numa altura em que cerca de 70 mil alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE) estão integrados nas escolas regulares, sendo já residual o número de estudantes em escolas especiais, o peso dado por muitas escolas a estas unidades tem sido motivo de críticas. Por exemplo, num relatório sobre Portugal divulgado em abril, o Comité da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência contestou o tempo excessivo que muitos estudantes passam nestes espaços, separados dos colegas.

O governo já deu um sinal a este respeito, exigindo que os alunos com NEE passem pelo menos 60% do seu tempo letivo integrados na sala de aula para que as escolas possam beneficiar da redução do número de alunos por turma. E preveem-se mais novidades para estes serviços especializados nas diferentes deficiências. "Estas unidades foram muito importantes na altura em que trouxemos os alunos todos para as escolas, porque a escola precisa de recursos", diz Luísa Ucha, ressalvando não "estar em causa" a continuidade destas estruturas. "Mas agora há uma evolução, que resulta do conhecimento do tipo de trabalho, da análise crítica que as pessoas fazem do que a criança aprende dentro e fora da unidade", explica. Não quer dizer que dentro da escola não se possam dar apoios e respostas mais individualizados", ressalva. "Agora, passar o dia dentro da unidade não é boa resposta".

Ao DN, o Ministério da Educação garante também que "nunca" esteve em cima da mesa a extinção destes serviços. Mas admite que está em discussão "a necessidade de existirem respostas mais flexíveis do que a simples colocação de alunos nas unidades de apoio especializadas, melhorando o leque de respostas inclusivas. Estas unidades devem ser consideradas como centros de recursos para promover competências e aprendizagens numa perspetiva de inclusão e não uma alternativa a essa inclusão". David Rodrigues, presidente da pró-inclusão - Associação de Professores de Educação Especial, concorda que este tem sido um obstáculo à real inclusão dos alunos: "Há unidades que realmente funcionam como sendo unidades de inclusão, no sentido de que proporcionam aos alunos oportunidades de inclusão e outras que não funcionam. Tornam-se um pouco guetos dentro das escolas", diz.

As alterações ao decreto 3/2008 não se esgotam nestes temas. Luísa Ucha explica que as propostas ainda não estão fechadas, mas já estão definidas "à partida" algumas prioridades, integradas no objetivo de procurar respostas "individualizadas" eficientes para todos os alunos: "Não queremos dar muito enfoque à deficiência ou à Necessidade Educativa Especial mas a outra coisa: às medidas de apoio à aprendizagem que permitam que determinado estudante aprenda. O objetivo da escola é ensinar". Medidas comuns a todos os alunos, como a anunciada flexibilização dos currículos, também são encaradas como essenciais.
 

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[23.Out.2016]
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Viver cego atrás das grades

Sónia Simões | Observador

16 Outubro 2016

Afonso Monteiro, 36 anos, é invisual e cumpre uma pena de nove anos e três meses de cadeia por tráfico de droga, posse de arma ilegal e roubo com violência. Como é ser cego e estar preso?


Já estava preso quando a luz se apagou. Foi isso mesmo, parecia uma luz a apagar-se para sempre, descreve Afonso Monteiro. Os últimos 10% de visão do olho direito fugiram-lhe e apagaram-lhe da memória imagens como as da cara da própria filha, ainda pequena. “Não conheço a cara dos meus filhos”, atira, na sala vazia de visitas, o recluso com o número 238 da cadeia de Vale de Judeus, em Alcoentre. A partir daquele momento, todos os dias, Afonso aprendeu a ser cego na prisão.

São quase 11h00. Foi preciso passar por um apertado procedimento de segurança à entrada da cadeia de Vale de Judeus e percorrer um caminho labiríntico, e silencioso, até chegar à fria sala de visitas. É aqui que, aos sábados e domingos, os reclusos de Vale de Judeus recebem por uma hora amigos e familiares. As paredes são brancas, com uma fina risca vermelha, e estão despidas. As cadeiras estão arrumadas por cima das mesas como se o seu uso fosse raro. Não existe um único quadro ou informação. Apenas a imagem do exterior através da janela gradeada.

Neste ambiente austero, ouve-se um leve som de uma bengala a tocar no chão. É a guia de Afonso Monteiro, 36 anos. Chega acompanhado do pai, também ele condenado e preso por tráfico de droga. O pai é retirado pelos guardas porque a autorização que a Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais concedeu não permite que ele escute ou sequer participe na conversa. “Porta-te bem”, diz-lhe o pai, antes de abandonar a sala. Estamos sozinhos.

Afonso Monteiro está nervoso. Cumpre uma pena de nove anos e três meses de prisão por tráfico de droga e posse de uma arma proibida por lei, mas mesmo assim sente-se intimidado. Os seus passos são ainda curtos e inseguros. Quando está sem o pai sente que não tem chão e nem a bengala guia o salva. “Eu uso isto para não bater com a cabeça, mas o meu pai não gosta de ver-me com isto”. Sem ele, sente-se sempre numa sala às escuras.


Eu uso a bengala guia para não bater com a cabeça, mas o meu pai não gosta de ver-me com isto”, diz Afonso.

Ajudamo-lo a sentar-se e explicamos porque estamos ali. Como é cumprir uma pena de prisão completamente às escuras? Sem ver? As respostas começam por sair amiúde. Palavras meio gagas. Até que os nervos o libertam aos poucos. Recua ao ano do acidente, o de 2009. Estava na zona de Aveiro, para onde foi viver depois de uma infância passada em Coimbra, quando foi apanhado no meio de uma rixa entre ciganos. Alguém abriu fogo com uma caçadeira e os estilhaços do chumbo atingiram-no na cara e na vista. Chegou a ser operado mais que uma vez, mas a visão do lado esquerdo perdeu-se para sempre, enquanto a do lado direito ficou com 10% de capacidade. “Conseguia ver um pouco”, diz. O suficiente para manter alguma independência.

Afonso diz que naquele ano tinha sido pai de uma menina, que fará agora sete anos. Ainda guardou a imagem da última vez que lhe viu a face, tinha ela meses. Mas até essa memória se perdeu. Fugiu com a visão. O rapaz nasceu pouco mais de um ano depois. Já não lhe viu a cara. Hoje conhece-lhes apenas a voz, porque insiste em falar com eles frequentemente por telefone. Naquele ano, o do acidente, Afonso decidiu mudar-se com a família para Coimbra para “estar mais perto dos médicos”. Chegou a ter consultas semanais, na tentativa de recuperar a visão. Até que, em 2011, foi apanhado pela polícia num processo por tráfico de droga. E acabou preso. “Foi a 18 de maio”, recorda Afonso, que não deixou escapar as datas da memória.

Os registos criminais consultados pelo Observador não coincidem com o seu relato. Mas é frequente que assim seja. A versão dos reclusos raramente coincidem com o papel do tribunal. No papel apreciado pelo Tribunal de Execução de Penas — que avalia o comportamento do recluso na prisão — Afonso perdeu a visão durante um acidente de viação ocorrido em 2009. Dois anos depois seria detido por tráfico de droga e posse de arma proibida e, como já tinha antecedentes criminais, acabou em prisão preventiva à espera de julgamento. O juiz julgou-o dois anos depois e não foi condescendente com a sua incapacidade física. “Não quis saber de eu ser cego, condenou-me e pronto”, queixa-se Afonso.

A pena foi fixada em sete anos e seis meses de cadeia, mas em 2014 o tribunal somaria a esta pena duas outras que estavam suspensas e que tinham sido aplicadas anos antes a Afonso por apropriação e roubo com violência. A sentença total acabou por bater nos nove anos e três meses de cadeia. E terão sido estes antecedentes a levarem o juiz a ser inflexível.

Os mesmos registos mostram que foi em 1997, tinha Afonso 17 anos, que ele foi detido pela primeira vez por roubo e condução ilegal. Desta vez seria condenado e preso na cadeia de Leiria. “Aqui foi mais fácil estar na prisão, porque eu via e fazia tudo sozinho”. Nas palavras de Afonso, porém, as contas com a Justiça são outras. Estava já cego quando “alguém” lhe pôs uma coisa nas mãos “para entregar a uma pessoa”. “Não sabia que era droga. Eram umas gramas”, admite. E só percebeu que o tinham “tramado” quando foi detido. E já tinha sido arguido noutros processos? “Não. Só há muitos anos fui apanhado sem carta e cumpri pena na cadeia de Leiria”, insiste.

Afonso foi detido em 2011 e só foi transferido da cadeia de preventivos, em Aveiro, para a cadeia de Paços de Ferreira quando foi condenado. Foi aqui que as últimas imagens que conseguia captar através de um olho se perderam, deixando-o à mercê da gratidão de outros reclusos. “Tinha amigos que me ajudavam a ir ao balneário e ao refeitório.” Foram mais de três anos a viver de favores dentro da prisão. Favores que dificilmente podia pagar, até que pediu à Direção Geral dos Serviços Prisionais autorização para ser transferido para Vale de Judeus, onde o pai também cumpre uma pena por tráfico de droga e onde o poderia ajudar no dia-a-dia.

Tinha amigos que me ajudavam a ir ao balneário e ao refeitório”, diz Afonso.

A cadeia de Vale de Judeus é uma cadeia com classificação de segurança “Alta”, segundo a informação dos Serviços Prisionais, e com um elevado grau de complexidade de gestão. É que aqui estão presos reclusos que cumprem penas elevadas. Grande parte mais de seis anos de cadeia. Os reclusos têm celas individuais com casas de banho sem chuveiro. A direção da prisão abriu uma exceção e colocou na cela do pai de Afonso outra cama — permitindo a transferência. Os dois estão na Ala A da cadeia, maioritariamente ocupada por reclusos que trabalham e “se portam bem”, nas palavras de Afonso.

É naquele espaço, ali confinados, que todos os dias pai e filho tomam o pequeno-almoço. “O meu pai prepara café”, conta Afonso. Depois de tratar da sua higiene pessoal, o pai ajuda-o a chegar à escola e segue para as oficinas da prisão. A professora Marina, prossegue Afonso, conseguiu “arranjar um aparelho” para ele aprender a ler braille. “Antes do acidente sabia ler e escrever, depois esqueci tudo”, argumenta. “Por isso estou ainda no primeiro ano.” Além desta ocupação, Afonso foi destacado ainda para fazer as limpezas das salas de aulas. “Foi o melhor que me podiam ter arranjado”, confessa. Aqui consegue sentir-se útil e explorar o espaço usando os outros sentidos. “Era esse o nosso objetivo, que ele começasse a sentir-se mais autónomo. Até para segurança dele dentro da prisão, porque se acontece alguma coisa, uma briga entre reclusos por exemplo, como é que ele se salva?”, interroga ao Observador uma fonte prisional.

Contactado pelo Observador, o presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, explica que estes casos são raros. Por uma questão de segurança, um recluso com mobilidade reduzida é sempre colocado nas enfermarias das prisões para poder ter acompanhamento permanente de uma equipa médica. Jorge Alves recorda o caso de uma reclusa da cadeia feminina de Santa Cruz do Bispo, que necessitava deslocar-se ao exterior de cadeira de rodas. “Foi preciso contratar uma auxiliar para acompanhá-la. Assim como foi necessário contratar um transporte adequado, porque as nossas carrinhas não têm condições para isso”, conta. A própria Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais desconhece quantos reclusos nas cadeias portuguesas sofrem de mobilidade reduzida e precisam de condições especiais. “Esta Direção Geral está, neste momento, a proceder ao levantamento do número de reclusos com necessidades especiais, sendo que, nos casos existentes, cada estabelecimento prisional procura encontrar as respostas adequadas às circunstâncias e às especificidades das pessoas”, responderam os serviços ao Observador.

Esta Direção Geral está, neste momento, a proceder ao levantamento do número de reclusos com necessidades especiais, sendo que nos casos existentes, cada estabelecimento prisional procura encontrar as respostas adequadas às circunstâncias e às especificidades das pessoas”, responderam os serviços ao Observador.

Afonso sabe que pode correr riscos na prisão por não ver. E que não passa 24 horas ao lado do pai para garantir que este veja por si e que o salvaguarde de tudo. Mas à medida que se adapta à vida sem visão, vai também apurando outros sentidos. Ouve melhor, por exemplo. E isso transtorna-o. Afonso não consegue descrever o espaço em que se encontra, se é grande ou pequeno, em que direção é a sua cela ou a escola. Mas consegue descrever a cadeia como um local com muito “barulho”.

A prisão tem capacidade para cerca de 500 reclusos. As paredes altas e os corredores profundos alimentam os ecos. E isso perturba. “Fico completamente descontrolado”, conta. Por isso pediu para não almoçar no refeitório nem estar presente entre grandes grupos. É o pai quem lhe traz o almoço todos os dias para a cela.

A rotina é sempre a mesma. Além dos períodos de aulas e de limpeza, Afonso diz que é livre para ir até ao terraço o tempo que quiser. Naquela manhã, apenas três reclusos circulavam à volta do grande pátio que separa a ala onde se encontram os serviços administrativos e a sala de visitas, da ala dos reclusos. Não são permitidas fotografias naquela zona por uma questão de segurança, advertem os guardas prisionais.

Afonso só fica fechado com o pai entre as 13 e as 14 horas e entre as 19h00 e as 8h00. Nesse período as celas são trancadas. “À noite oiço a televisão para me distrair. Gosto da telenovela. Só me deito pelas onze”. Vive assim, cada dia, sem nunca esperar pelo fim de semana, porque não tem visitas. “A minha família vem às vezes, de dois em dois meses, porque está longe. A minha mãe está presa em Tires, a minha mulher fugiu… Era ainda muito nova. Ainda esperou três anos, mas depois foi embora… Os meus filhos são pequenos. Mas tenho tios e primos”.

A minha família vem às vezes, de dois em dois meses, porque está longe”, diz Afonso.

Terá sido este o cenário que levou o juiz do Tribuna de Execução de Penas a recusar-lhe qualquer período de liberdade condicional depois da avaliação feita na metade da pena cumprida. Na verdade, Afonso está mais acompanhado na cadeia, onde está o pai, do que cá fora.

A reclusão torna-se ainda mais difícil porque nem sequer pode praticar Desporto. “Não posso fazer qualquer esforço físico, porque tenho a retina do olho descolada e fico a sentir-me mal”, justifica. Um problema que os médicos, segundo ele, lhe dizem poder ser corrigido com uma intervenção cirúrgica quando sair em liberdade. Afonso continua a ir às consultas a Coimbra, e a alimentar a esperança que um dia aquele olho lhe vá permitir voltar a ver. Até lá, conta o tempo que lhe falta da pena.

Não se importa de ser fotografado, desde que o ajudem a deslocar-se e a colocar-se na posição que pretenderem. A conversa termina e chamam-se os guardas, que vêm acompanhados do pai de Afonso. “Portou-se bem ele?”, pergunta o pai. E abandonam os dois a fria sala de visitas.


Texto de Sónia Simões, fotografia de Hugo Amaral.

 

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[16.Out.2016]
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Dia Mundial da Bengala Branca

15 de Outubro 2016

 

Homem cego com bengala branca


O Dia Internacional da Bengala Branca foi instituído em 1970, em Paris, por iniciativa da Federação Internacional dos Cegos. Tem como objectivo divulgar as conquistas das pessoas com deficiência visual no exercício de seu direito de transitar nos lugares públicos e se locomover nos seus ambientes de trabalho, de forma independente e segura. Reconhece a sua independência e a sua plena participação na sociedade.


Actividades da Delegação da ACAPO | Coimbra:

  • Das 10h às 16h - Jornada de Sensibilização na Praça 8 de Maio
     
  • Às 15 h - Tertúlia no Café Santa Cruz moderada pelo Jornalista Rui Avelar com a participação de:
    - Carlos Cidade - vereador da CMC
    - Eng. Luís Santos - SMTUC
    - Polícia Municipal de Coimbra
    - Bruno Martins
    - Escola de Cães-Guia
    - Prof. Júlio Paiva
    - Carlos lopes

    Participação do Grupo de Fado de Coimbra 'Raízes de Coimbra'
     

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[14.Out.2016]
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Dia Mundial da Visão
13 de Outubro de 2016
 

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O tema do Dia Mundial da Visão 2016 é
"Juntos Somos Mais Fortes" ("Stronger Together").


O Dia Mundial da Visão comemora-se a 13 de outubro em 2016.

A data, criada pela Organização Mundial da Saúde e celebrada anualmente na segunda quinta-feira de outubro, chama a atenção para os perigos à visão, como a cegueira e a deficiência visual.

Neste dia realizam-se rastreios visuais gratuitos em todas as lojas óticas acreditadas, assim como conferências, caminhadas, angariações de fundos para o pagamento operações dispendiosas, concursos de fotografia, entre outras atividades. O objetivo geral destas iniciativas do Dia Mundial da Visão é prevenir problemas visuais, proteger e tratar da visão das pessoas.


Dados sobre a visão

- 285 milhões de pessoas sofrem de deficiência visual moderada ou grave;
- 90% destas pessoas vivem em paises em desenvolvimento;
- 65% destas pessoas têm mais de 50 anos;
- Cerca de 40 milhões de pessoas são cegas;
- A cada 5 segundos uma pessoa fica cega no mundo;
- 80% da deficiência visual é evitável, podendo ser prevenida ou tratada.


Algumas iniciativas da Retina Portugal:

13 de Outubro
De Olhos nos Olhos
Ação de sensibilização, informação e rastreio visual em 2 espaços comerciais de Lisboa

15 de Outubro
Encontro Nacional de Pessoas com Deficiência Visual
2ª Iniciativa que promove o conhecimento, o convívio e a partilha de cidadãos com deficiência visual. Este ano no Hotel INATEL Luso.

 

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[11.Out.2016]
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OE/2017: Vai aumentar a isenção de IRS para as pessoas com deficiência

DN | Lucília Tiago

11.10.2016

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A parcela do rendimentos de pessoas com deficiência isenta de IRS vai subir dos atuais 10% para 15%. A medida consta da proposta do OE.

O Orçamento do Estado de 2017 vai trazer uma alteração ao regime de tributação dos deficientes. A medida não está ainda fechada, mas a versão que está a ser estudada prevê uma descida de 90% para 85% dos rendimentos sujeitos a IRS. Dito de outra forma: as pessoas portadoras de deficiência vão passar a ter uma parcela de 15% do seu rendimento que fica isenta de IRS.

Ao que tudo indica, manter-se-á sem alterações o valor máximo de rendimentos que pode ficar isento de tributação, e que está atualmente balizado nos 2500 euros. Desta forma, a medida traduzir-se-á num desagravamento fiscal das pessoas com salários mais baixos. Ao que foi possível apurar, esta mudança vai abranger os rendimentos das categorias A e B (trabalho dependente e independente, respetivamente), mas deverá deixar de fora os da categoria H (pensões).

Esta proposta surge 10 anos depois de o regime ter sofrido uma forte alteração, com a retirada deste regime do Estatuto dos Benefícios Fiscais para um esquema de deduções à coleta. Até 2007, o regime isentava de tributação 50% dos rendimentos auferidos por deficientes titulares de rendimentos de trabalho dependente e de atividades empresariais e 30% dos rendimentos de pensões. Daquele ano em diante passou a ser atribuída uma dedução à coleta, estipulando-se ainda uma isenção de tributação de 10% do rendimento. Este novo regime de tributação foi aprovado apenas para vigorar no ano de 2007, mas acabaria por ser sucessivamente prolongado, até 2015, ano em que foi integrado no a lei, com a reforma do IRS.

 


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[11.Out.2016]
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Jaime é quase cego, mas Pedro mostra-lhe a beleza do caminho

SAPO Viagens

11 Outubro 2016

 

Peregrinos percorrem caminho alternativo para Fátima
Foto LUSA


Jaime Oliveira, que tem uma capacidade de visão quase nula, decidiu fazer este ano o caminho alternativo até Fátima, pelos campos, serras e estradas secundárias. É Pedro quem lhe vai mostrando "a beleza" do percurso.

Jaime segura no braço de Pedro, o seu guia na viagem, enquanto caminham por uma estrada de terra batida, em Alvorge, Ansião, onde o silêncio apenas é interrompido pelo chilrear dos pássaros e o zumbir de moscas e abelhas.

"Não há mais belo do que isto", comenta Jaime Oliveira, de Gaia, que partiu com Pedro Diogo do Porto para fazer pela primeira vez a peregrinação até Fátima, pelo caminho alternativo.

Pelo percurso, passam por aldeias, há quem lhes ofereça "o pequeno-almoço", ouvem "bons dias" e "boas tardes", apanham figos e amoras e falam das suas experiências. Tudo sem pressa, com tempo para observar a paisagem em redor, descrita por Pedro a Jaime.

"É a primeira vez que o Pedro está a guiar um cego e faz uma descrição imensa", conta à Lusa o estreante por estes caminhos, agradecido pelas imagens de plantas, de flores ou de lugares abandonados que lhe vão sendo traçadas pelo seu colega de viagem.

As paisagens "lindas" que vão encontrando são motivo para fotografias que Jaime tira e amplia "500 vezes" para conseguir ver os pormenores dos locais por onde passam.

Jaime, que lida com a quase cegueira "há sete anos" devido a um glaucoma, não conhecia Pedro e acabou por ser a necessidade a juntá-los no percurso, feito longe da nacional número 1 (N1) e dos seus perigos.

"Fiz contactos por telefone, falei com várias organizações e o preço que pediam pela viagem era exorbitante e todos faziam o circuito pela estrada nacional, que é perigosíssima", refere, explanando que surgiu posteriormente a possibilidade de fazer o caminho com Pedro Diogo, habituado ao percurso e que faz a viagem "por devoção" e de forma absolutamente voluntária.

Jaime é bastante crítico em relação à peregrinação que milhares de portugueses fazem todos os anos até Fátima.

Pelas estradas principais, "a maioria chega a Fátima e cai para o lado. Fazem disto uma correria", nota, considerando que para um cego o caminho pela nacional torna-se ainda mais perigoso.

"Eu não consigo aperceber-me se os carros se aproximam de nós. Só sinto a deslocação de ar e nós [os cegos] sentimos o triplo. É um susto terrível, assustador", relata, recordando os poucos quilómetros que tiveram de fazer pela N1 e em que tinha de "ir em fila indiana", não podia agarrar o braço de Pedro e não podia falar.

Se tivesse de o fazer durante vários dias, seria "terrível. Ia estar com o coração nas mãos", comenta.

Por outro lado, pelos campos, há "a verdura e o silêncio" que se torna especial quando a noite chega, realça, queixando-se apenas da falta de promoção do caminho.

Para Pedro Diogo, este percurso alternativo "é seguro, introspetivo e mais tranquilo".

Apesar de não conhecer Jaime no início da viagem, o percurso tem permitido "uma partilha gratificante" das experiências e dificuldades de cada um, salienta.

"É na partilha que o caminho tem interesse".

 

fonte: http://viagens.sapo.pt/
 

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[11.Out.2016]
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Cinema Cego | Blind Cinema

Teatro na Culturgest
Direção e conceito: Britt Hatzius

destaque

O público está vendado no escuro de uma sala de cinema. Atrás de cada fila de espectadores está uma fila de crianças que, em voz baixa, descrevem um filme que só elas conseguem ver. Acompanhadas pela banda-sonora (que não tem diálogo), as descrições sussurradas são uma tentativa frágil, fragmentária e por vezes esforçada mas corajosa por parte das crianças de atribuir sentido ao que veem no ecrã.

Baseado no método de audiodescrição, 'Blind Cinema' é, enquanto acontecimento ao vivo, uma experiência em que o ato de ver um filme se torna um investimento partilhado: um ato colaborativo da imaginação entre crianças que veem e adultos vendados. É bem-vinda a noção de que tentar encontrar as palavras certas para descrever e tentar fixar as imagens criadas na mente será sempre uma aproximação. Dizer por palavras de modo a partilhar experiências implica uma luta, que parece estar mais próxima das crianças que estão em plena descoberta dos limites e potencialidades da linguagem.

Cada grupo de crianças verá o filme pela primeira vez. Assim, cada apresentação envolve um novo grupo de crianças de Lisboa com idades entre os 9 e os 11 anos.

Britt Hatzius trabalha com fotografia, vídeo, cinema e performance, explorando ideias em volta da linguagem, interpretação e o potencial para discrepâncias, ruturas, desvios e (in)comunicação.
 


Culturgest
Pequeno Auditório (lotação reduzida)
7, 8 e 9 Novembro, 2016 - às 19h | Duração: 40 min.
Informações e reservas: Bilheteira Culturgest
tel. 21 790 51 55 | culturgest.bilheteira@cgd.pt
 

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[1.Out.2016]
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Escolas públicas perderam 70% de
técnicos para educação especial

LUSA

24/09/2016

 

Escolas públicas perderam 70% de técnicos para educação especial
Entre 2010 e 2015 verificou-se uma diminuição do pessoal
especializado nos estabelecimentos de ensino.
 

As escolas públicas perderam quase 70% dos técnicos para trabalho com alunos com necessidades educativas especiais (NEE) entre 2010 e 2015, revela o relatório do Estado da Educação 2015, do Conselho Nacional de Educação (CNE), divulgado neste sábado.

Segundo o relatório, a maior diminuição foi no número de psicólogos, que de 1584 em 2010-2011 passaram a 489 em 2014-2015. De uma forma geral, entre terapeutas ocupacionais, terapeutas da fala, fisioterapeutas, psicólogos e intérpretes e formadores de língua gestual, as escolas públicas do território continental perderam em cinco anos quase 70% de técnicos especializados no trabalho com alunos com NEE, passando de 2988 para 931 profissionais.

"Apesar do número de alunos com NEE ter aumentado no ensino regular, o número de técnicos afetos à educação especial [...] tem vindo a diminuir significativamente todos os anos", nota o relatório do CNE.

Ler + no Público.

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[24.Set.2016]
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V Jornadas
Deficiência Visual & Intervenção Precoce
– Literacia Emergente para a Cegueira -

Org.: Associação Nacional de Intervenção Precoce em
colaboração com a Consulta de Baixa Visão do Hospital Pediátrico de Coimbra

28 de Outubro 2016
 

capa do livro 'O que vês, o que vejo' de Inês Mota Marques

 

local:
Auditório do Hospital Pediátrico de Coimbra
Av. Afonso Romão - Hospital Pediátrico de Coimbra (Piso 0)
3000-602 COIMBRA


PROGRAMA

28 de Outubro 2016

09:00 > Abertura do Secretariado
09:30 > PAINEL 1 | A GIGANTESCA PEQUENA COISA
A literacia emergente como direito fundamental de todas as crianças
Moderador: António Nogueira [Coordenador da Formação em Bibliotecas Escolares - Rede de Bibliotecas Escolares]

  • Fernanda Leopoldina Viana [Prof.Associada - Instituto de Educação Univ. Minho]
  • Serafim Queirós [Direção Geral dos Estabelecimento Escolares | DSR Norte]
  • OLEC [Equipa Técnica - CAIPDV | ANIP]

10:30 > Apresentação do Livro Infantil: “O QUE VÊS, O QUE VEJO…”
Moderadora: Leonor Carvalho [Diretora de Serviços - ANIP]

  • Phillipe Claudet [Diretor - Les Doigts Qui Rêvent (LDQR) | Talant - FRANÇA]
  • Viviana Ferreira [Diretora Técnica - CAIPDV | ANIP]
  • Inês Mota Marques [Autora - CAIPDV | ANIP]
  • Madalena Moniz [Ilustradora]


11:15 > Intervalo | Coffee-break
11:30 > SESSÃO SOLENE

  • Luís Borges [Presidente da ANIP]
  • Representante do BPI
  • Ana Sofia Antunes [Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência]
  • Jorge Alves [Vereador da Câmara Municipal de Coimbra]
  • José Francisco Caseiro [Presidente da Delegação de Coimbra da ACAPO]

12:00 > PAINEL 2 | TUDO É SEMPRE OUTRA COISA
Ilustrações hápticas: adaptação de livros infantis para a cegueira
Moderadora: Alice Liberto [Professora Especializada no domínio Visão - Agrupamento de Escolas Grão Vasco de Viseu]

CONFERÊNCIA - Phillipe Claudet [Diretor - Les Doigts Qui Rêvent (LDQR) | Talant - FRANÇA]

13:00 > ALMOÇO

14:00 > PAINEL 2 | TUDO É SEMPRE OUTRA COISA (CONT)

CONFERÊNCIA (cont.) - Phillipe Claudet [Diretor - Les Doigts Qui Rêvent (LDQR)]
16:00 > Intervalo


16:15 > PAINEL 3 | COM O TEMPO
A literacia emergente nos contextos naturais
Moderadora: Catarina Paiva [Oftalmologista Pediátrica, Responsável pela Consulta de Baixa Visão do Hospital Pediátrico de Coimbra | CHUC]

  • Alice Henriques [Educadora de Infância - ELI Tondela] e Paula Silva [Educadora de Infância - Santa Casa da Misericórdia de Tondela]
  • Pais participantes nos Ateliers: “Seis Pontos a Dançar, Contos vão Contar“
  • Perspectiva das Crianças acompanhadas pelo CAIPDV [Projeto OLEC]

17:00 > ENCERRAMENTO
Viviana Ferreira [Diretora Técnica do CAIPDV]
*
As V Jornadas de Deficiência Visual & Intervenção Precoce dirigem-se a: Famílias, Profissionais de Intervenção Precoce, Educadores de Infância, Profissionais a trabalhar na área da Deficiência Visual e Terapeutas.


secretariado:
ANIP - Departamento de Formação Av Afonso Romão
Hospital Pediátrico de Coimbra (Piso 0)
3000-602 COIMBRA -  Tel: 239 483 288 | Tlm: 965 224 960
formacao@anip.net
www.anip.net
www.facebook.com/ANIP.pt

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[20.Set.2016]
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António Costa promete médicos de família para todos os portugueses e nova prestação na deficiência

LUSA | Jornal de Negócios

17 Setembro 2016
 

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O secretário-geral do PS afirmou hoje que o Governo estabeleceu como meta que, no final de 2017, todos os portugueses tenham acesso a médico de família e prometeu que adotará a prestação única para a pessoa com deficiência.

Este objectivo foi assumido por António Costa no encerramento da ‘rentrée' política do PS, em Coimbra, num discurso que dedicou em larga medida a questões sociais como a qualificação, o acesso à educação e à saúde, a inclusão e o combate às discriminações, sobretudo no que respeita a pessoas com deficiência.

Com o fundador do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e também presidente honorário do PS sentado na plateia, António Arnaut, o líder socialista sustentou a tese de que o seu Governo iniciou funções com cerca de 1,2 milhões de portugueses sem médico de família, número que se reduzirá no início de 2017 para cerca de 500 mil.

"Não estamos conformados e vamos continuar a trabalhar para daqui a um ano podermos dizer que deixou de haver portugueses sem acesso a médico de família", declarou, antes de prometer igualmente novas valências ao nível de Unidades de Saúde Familiares, sobretudo no que respeita à saúde oral.

Ainda em matéria de Estado social, o primeiro-ministro referiu que já existem desde o princípio do ano mais 684 camas destinadas a cuidados continuados e que, em breve, ao nível da concertação social, "arrancará a discussão sobre a estratégia de combate à pobreza infantil".

Na sua intervenção, o secretário-geral defendeu que, atualmente, o principal combate contra a discriminação social é a que atinge cidadãos com deficiência.

O primeiro-ministro falou então "numa prestação única para as pessoas com deficiência, com uma base comum, mas com uma segunda componente que tome em linha de consideração as necessidades específicas de cada um".

"Um adulto, por exemplo, já não precisa de uma componente de apoio para a educação, e um idoso pode precisar de cuidados reforçados na saúde. Por isso, para sermos mais eficazes, temos de ter uma base diferenciada de apoios em função das necessidades específicas de cada pessoa com deficiência", justificou.

António Costa falou ainda numa terceira componente dessa prestação única, que "deverá variar em função do rendimento, porque também entre as pessoas com deficiência é preciso combate as desigualdades com origem no rendimento e apoiar mais quem mais precisa".

"A prestação única é uma ambição histórica de todas as associações representativas de pessoas com deficiência, apoiando-se mais quem mais necessita, quem mais necessidades apresenta ao nível de apoios específicos e quem menores rendimentos dispõe. Esta será uma mudança estrutural para deixarmos de ter uma sociedade de incluídos sem deficiência e de excluídos com deficiência", acrescentou.

 

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[18.Set.2016]
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Messi joga futebol de olhos tapados

Goal.com

08/09/2016


Por iniciativa da Unicef, Messi enfrentou jogadores especiais antes do início dos Jogos Paralímpicos 2016.

Os Jogos Paralímpicos 2016 começaram nesta quarta-feira, 7, e a palavra superação é um vocábulo constante na vida desses atletas. Mas enfrentar o melhor jogador de futebol do mundo não é uma tarefa que aconteça todos os dias.

Embaixador da Boa Vontade da Unicef, o craque do Barcelona recebeu os jogadores do team espanhol de futebol para cegos e encarou o desafio de jogar como os visitantes.

Messi e os seus companheiros do Barça - Busquets, Masip, Rakitic e Sergi Roberto - jogaram uma partida com os jogadores da seleção espanhola de futebol para cegos. Duas equipas, um duelo. De um lado o Barcelona, com os jogadores de olhos vendados. Do outro a seleção paralímpica espanhola de futebol para cegos.
 


BARCELONA X SELEÇÃO ESPANHOLA DE FUTEBOL PARAOLIMPICO DE CEGOS


 

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[17.Set.2016]
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Vírus zika é associado a inflamação intraocular em adultos

Agência O Globo

22/06/2016


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Caso foi publicado na edição desta quarta-feira da
'The New England Journal of Medicine'

A conjuntivite não é o único tipo de inflamação no olho que pode ser causada pelo vírus zika em adultos. Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) identificaram o vírus também como causa de uma inflamação mais grave, dentro do olho (intraocular), a chamada uveíte. O caso foi publicado na edição desta quarta-feira da 'The New England Journal of Medicine', uma das mais importantes publicações do mundo da área médica.

"Vimos que o vírus é capaz de vencer as barreiras de proteção do olho e chegar dentro dele. A conjuntivite é uma inflamação de um tecido superficial. A uveíte é potencialmente mais grave, pois pode vir a gerar catarata ou aumento da pressão ocular", explica o professor João Marcello Furtado, do Departamento de Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Cirurgia da Cabeça e Pescoço da FMRP.

A identificação do caso é essencial para as avaliações feitas por clínicos gerais e oftalmologistas em seus consultórios. Ao receber pacientes com inflamação intraocular, eles podem incluir a zika no rol das doenças que causam o problema. Se ocorrer de maneira prolongada, o aumento da pressão ocular pode levar ao desenvolvimento de glaucoma. Por isso, o tratamento deve ser iniciado de imediato.

Já haviam sido identificadas alterações oculares causadas pela zika congênita, aquela em que os bebês em gestação podem desenvolver lesões graves e permanentes. No caso identificado pelos pesquisadores, porém, o paciente é um homem de 40 anos, saudável, que teve sintomas compatíveis com os causados pelo zika. Ele é morador de Ribeirão Preto, que registra muitos casos de dengue, e recebeu atendimento médico em janeiro passado. "Tínhamos começado a descrição da zika e o exame de sangue confirmou a doença. Como ele estava também com o olho vermelho, fizemos uma punção no olho e colhemos o líquido intraocular, chamado humor aquoso. A amostra deste líquido também continha material genético do vírus zika", diz Furtado.

Por enquanto não é possível saber qual o percentual de pacientes com zika podem desenvolver uveíte. Não existe remédio específico para tratamento da inflamação. Segundo Furtado, a inflamação no olho direito do paciente era leve oito dias depois do início dos sintomas. Uma semana depois, surgiu inflamação moderada no olho esquerdo, mais intensa e a visão do paciente piorou 50%, de acordo com a tabela de acuidade visual. O tratamento foi feito com colírio a base de corticoide, tratamento padrão para inflamações intraoculares. Uma semana depois do início da medicação a inflamação foi controlada e a visão do paciente voltou ao normal.

Além de Furtado, participaram da pesquisa o professor Benedito Antônio Lopes da Fonseca e o oftalmologista Tomás Teixeira Pinto, do Hospital das Clínicas da FMRP, e Taline Klein e Danillo Espósito, do Laboratório de Virologia da faculdade. As uveítes podem ser causadas por agentes infecciosos como vírus, bactérias ou protozoários ou por doenças autoimunes.
 

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[11.Set.2016]
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Prémio Champalimaud vai para cientistas que estudam os “cabos” que ligam os olhos ao cérebro

Público | ANDREA CUNHA FREITAS

06/09/2016



Três dos premiados 2016


Um milhão de euros para distribuir por quatro cientistas que querem manter, regenerar e reparar as ligações no complexo circuito entre os nossos olhos e o cérebro. Christine Holt, Carol Mason, John Flanagan e Carla Shatz são os premiados.


Para que consiga ver estas palavras, algo de muito complexo acontece no seu cérebro numa fracção de segundo. É preciso que um complicado sistema com ligações, células, neurónios, proteínas funcione. Alguns estudos, desenvolvidos nas últimas duas décadas, têm conseguido explicar certos momentos desta enigmática viagem no cérebro que começa nos olhos e podem ser essenciais para novas terapias para problemas de visão e também para doenças neurodegenerativas. Quatro cientistas que conseguiram avanços importantes nesta área recebem esta terça-feira o Prémio António Champalimaud de Visão 2016 de um milhão de euros.

No desenvolvimento do embrião há células especializadas nos olhos que começam a enviar um fino cabo a partir do olho até ao cérebro que, no final, formará o nervo óptico. Quando falamos em nervo óptico parece que é uma só estrutura mas, na verdade, este nervo é feito de milhões de minúsculos axónios, os “cabos” nos neurónios que transmitem os impulsos nervosos a outros neurónios. Essas são as estruturas que levam a informação visual dos olhos até ao cérebro e que fazem com que sejamos capazes de ver.

A incrível viagem dos axónios

Durante a “instalação” deste complexo sistema de cabos e ligações, ainda no útero, os axónios passam por várias regiões cerebrais, viram à direita e à esquerda, passam por cruzamentos e rotundas até à meta – os alvos (sinápticos) no nosso cérebro.

“Uma enorme façanha de navegação” feita com muita precisão e que nos faz pensar que estes axónios têm uma espécie de GPS, como sublinha Christine Holt, investigadora na Universidade de Cambridge, do Reino Unido, e agora premiada. “O que estamos a tentar descobrir é como se orientam, o que é que guia estes axónios e os mantém no caminho certo para os alvos correctos”, resume a investigadora que adianta ainda que nos últimos 20 anos já se percebeu, por exemplo, que nesta viagem há algumas zonas importantes que atraem ou repelem os axónios. A investigação de Christine Holt debruça-se sobre os mecanismos (que podem ser moléculas) existentes nestas zonas e que guiam os axónios. “Se aquela molécula não estiver lá ou existir numa quantidade reduzida temos um problema grave de visão”, explica. A cientista também percebeu que o axónio é capaz de sintetizar novas proteínas em resposta a alguns sinais, revelando “uma impressionante capacidade de adaptação destas estruturas”.

Para já, os cientistas tentam perceber os mecanismos deste complexo sistema. Mas o objectivo é depois podermos interferir neste emaranhado de cabos e fios para corrigir problemas. “Se não soubermos como funciona o motor do carro não podemos repará-lo. Estamos a tentar perceber como tudo está montado e só depois vamos conseguir intervir. Esperamos que a nossa investigação venha a ter um impacto na reparação de danos causados por trauma, por exemplo. Outro aspecto será a possibilidade de intervir no campo da neuro-regeneração para doenças neurodegenerativas porque percebemos que alguns destes mecanismos que estamos a estudar são importantes para manter o axónio a funcionar depois de ele estar instalado e ligado”, refere Christine Holt ao PÚBLICO.

Os “semáforos”

Carol Mason, outra das vencedoras do prémio, também investiga o desenvolvimento do sistema visual na Universidade de Columbia, Estados Unidos. O seu trabalho centra-se sobretudo num momento especial da instalação deste sistema chamado “quiasmo óptico” e que, de forma simplista, consiste numa zona em que os axónios formam umas rotundas e um cruzamento no nosso cérebro.

“Para conseguirmos ver todo o campo visual, metade das células nervosas de um olho passam para o outro lado do cérebro no quiasmo óptico e a outra metade cresce para o mesmo lado do cérebro. O que estudamos é a forma como as células nervosas fazem esta navegação dual, ou seja, cruzam ou não cruzam o quiasmo óptico. Percebemos que há sinais no quiasmo óptico que funcionam quase como semáforos (que neste caso são moléculas) que dizem às células para atravessar ou não e que as células também têm receptores (moléculas) que interpretam estes sinais”, explicou ao PÚBLICO.

Em doenças como o glaucoma, em que assistimos à morte ou graves danos de células nervosas ou mesmo outro tipo de casos, como lesões traumáticas, acidentes vasculares cerebrais ou doenças neurodegenerativas, a grande questão é como fazer com que as células regenerem. “Uma maneira de estimular o crescimento de células nervosas no cérebro adulto poderá passar por restaurar a acção dos receptores identificados na fase de desenvolvimento embrionário [e que nessa etapa ajudam os neurónios a crescer]”, explicou ao PÚBLICO. “Conseguir que as células nervosas regenerem e restaurem as ligações no cérebro adulto é o sonho”, resume.

A maquinaria molecular

John Flanagan, que trabalha na Universidade de Oxford, em Inglaterra, também está empenhado em esclarecer como todo o sistema é criado e ligado no cérebro durante o desenvolvimento embrionário. “Conseguimos identificar alguns mecanismos moleculares importantes que “dizem” às células quando crescer e que podem servir para resolver problemas no cérebro adulto”, diz ao PÚBLICO, adiantando que estes mecanismos são sinais extracelulares e que o próprio axónio da célula tem uma “maquinaria” que responde a esses sinais.

Carla Shatz é outra das cientistas premiadas mas que não está presente na entrega do milhão de euros do Instituto Champalimaud pois esta terça-feira recebe também o Prémio Kavli de Neurociência, ou seja, mais uma milhão de euros mas a dividir por três investigadores. A cientista da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, que soma prémios e milhões, passou a carreira a tentar decifrar o que acontece durante o desenvolvimento do cérebro, particularmente na região que recebe informação dos olhos. Entre outros avanços, descobriu que os neurónios expressam genes que antes se pensava serem exclusivos de células do sistema imunitário. A investigação de Carla Shatz e da sua equipa será relevante para esclarecer o funcionamento do cérebro e perturbações do desenvolvimento como o Autismo e a Esquizofrenia, mas também para perceber como é que o sistema nervoso e imunitário interagem.

Christine Holt, Carol Mason, John Flanagan e Carla Shatz têm muito em comum. Querem esclarecer o que se passa no cérebro durante o seu desenvolvimento para conseguirmos ver e, assim, perceber como podemos intervir quando surgem problemas na idade adulta. Escolheram o caminho feito de um emaranhado de "cabos" que parte dos olhos. Têm o mesmo sonho, a mesma visão. E agora têm também um milhão de euros para dividir.
 

publicado por MJA 
[6.Set.2016]
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Miguel Vieira: aprender a cair sem ir ao tapete

NUNO SOUSA

Público

05/09/2016
 

(foto Paulo Pimenta)


Aos 20 anos, foi obrigado a desconstruir o mundo tal como o conhecia. Tijolo a tijolo, e com a ajuda do desporto, soube reerguer-se. E fê-lo com tanta disciplina e perseverança que já colocou o judo português no mapa paralímpico.

Tudo começou sem praticamente nada. Um monte de serradura espalhado no chão, uma lona de plástico por cima e uns sacos de areia distribuídos em redor, para evitar que o tatami improvisado se desmanchasse. Em Sambizanga, na malha urbana de Luanda, a cultura do improviso está tão desenvolvida como em tantos outros bairros por essa África fora. Haja vontade, entusiasmo e tudo o resto se arranja. Foi assim, num pavilhão que nunca foi digno desse nome, que Miguel Vieira e o judo se conheceram há mais de duas décadas. A relação, armadilhada pela vida, haveria de ficar em banho-maria uns anos mais tarde, mas apenas para ser retomada com o compromisso renovado, já fortalecida pela distância.

“Estou, Miguel. Fala novamente do jornal PÚBLICO, recorda-se? Já está de saída para o treino da tarde? É que estamos quase a chegar ao hotel”. A sessão da manhã atrasou-se um pouco, e com ela o almoço, e com ele o descanso. Respeitamos a ordem natural das coisas, logicamente, e aguardamos pelo fim da sesta. Quando o judoca surge finalmente no lobby, já temos um quarto de hora de conversa adiantada com Jerónimo Ferreira, mestre, mentor, impulsionador da carreira de um atleta que já ganhou, por direito próprio, um lugar na história do paralimpismo português.

Foi talento à primeira vista. Quando Miguel Vieira surgiu nas instalações do Clube Judo Total, na Ameixoeira, em Lisboa, em 2012, os decanos da modalidade fizeram instantaneamente o diagnóstico: “Assim que o vimos a evoluir no tapete, pusemos logo uma espécie de cruzinha, como que a dizer: ‘Este é o tal’”. Era uma relação biunívoca: o clube agradecia um atleta com capacidade para servir de possível porta-estandarte, o “ex” e futuro judoca precisava de alguém que lhe reavivasse a memória e lhe ensinasse um novo caminho para chegar ao destino de sempre.

Há duas dimensões de judo distintas no percurso de Miguel Vieira porque há duas dimensões da vida que foi obrigado a assimilar. Uma realidade até aos 20 anos e uma volta de 180 graus a partir de então. Mas vamos por partes, começando por recuar até aos subúrbios da capital de Angola e a uma infância como tantas outras, influenciada pelas tendências familiares. Um dos irmãos de Miguel experimentara a modalidade e não havia razão para não tentar perceber de onde vinha o apelo. Mesmo que ainda hoje não consiga identificar com exactidão o que o atraiu, a verdade é que se deixou levar.

“Treinava apenas com calças, porque na altura era muito caro termos um kimono. Nós comprávamos as calças, que eram feitas por alfaiates, e só tínhamos uma t-shirt e o cinto, que amarrávamos à volta do tronco e da cintura para podermos fazer a pega. Destruíamos muitas t-shirts”, conta, como se estivesse, ainda hoje, a reviver o momento.

A aventura continuou durante a adolescência, já estrategicamente encaixada nas sobras dos compromissos com a escola e com o trabalho, até que subitamente lhe puxaram o tapete. Uma doença ocular turvou-lhe a visão e, quando deu por ela, estava a viajar para Portugal para ser operado e submetido a tratamento. Foram várias as cirurgias, foi longo o período de convalescença, mas os resultados não foram animadores. Corria o ano de 2005, o ano em que Miguel cegou.

Saem-lhe em catadupa as palavras quando viaja de volta até aos instantes que ninguém quer viver: “No momento em que ceguei, a primeira coisa que me veio à cabeça, honestamente, foi: ‘Ceguei, prefiro morrer’. Todos me vão olhar de lado, apontar, desprezar. Fiquei muito frustrado. Entrei em depressão, não queria ninguém ao meu lado. Não queria ouvir os meus irmãos, não queria ouvir o meu pai, a única pessoa que ouvia era a minha mãe. Eu não comia, só chorava, muito”. É desarmante a frontalidade com que desfia os pormenores de uma caminhada sem chão.

Foram meses de angústia, de desamparo. Um jovem acabado de chegar à maioridade, sozinho num país alheio, entregue à sua sorte, que era tão pouca. Houve períodos de revolta, de agressividade, de desnorte. “No momento em que pus os pés no avião, despedi-me dos meus pais e dos meus irmãos e nessa altura pensei: ‘Vou para uma terra incerta e vou ter de ser pai e mãe de mim mesmo, eu é que tenho de cuidar de mim’. A adaptação a Portugal não foi fácil. Tive situações delicadas. Já caí na linha do metro…” É curta a pausa que faz no discurso, mas é suficiente para recuperar o fôlego - e para tentarmos encaixar tudo de uma só vez.

Enquanto conversamos, já longe do hotel, sentados no Pavilhão Multidesportos Mário Mexia, em Coimbra, há um outro judoca que se aproxima de Miguel para lhe desejar felicidades: “Boa sorte para os Jogos”, atira. Há kimonos de diferentes tamanhos espalhados pelos corrimãos que contornam as bancadas do recinto, há o burburinho típico de uma concentração de atletas, há esforço e ilusão a rodos neste treino de conjunto organizado pela Federação Portuguesa de Judo. Para muitos, é mais um estágio. Para Miguel, é a rampa de lançamento para o Rio de Janeiro.

Foi sinuoso o caminho para lá chegar, à epopeia dos Jogos Paralímpicos. Mas foi, acima de tudo, rápido como um relâmpago, se tivermos em conta que, durante sete anos, de 2005 a finais de 2012, o afastamento do desporto foi total. “Nesse período, estava a fazer um curso de telefonista, depois comecei a trabalhar na Agência Portuguesa do Ambiente e ainda estava a terminar o 12.º ano. Quando acabei o 12.º ano, não consegui entrar na faculdade. Foi então que andei na Internet à procura de um clube para treinar”, contextualiza.

Com a ajuda da Associação Distrital de Lisboa, foi encaminhado para o Clube Judo Total e, subitamente, as portas que pareciam fechadas começaram a abrir-se. Na cabeça, tinha ainda presentes as bases da prática da modalidade e a verdade é que foi como andar de bicicleta: ali, naquele espaço onde as diferenças se esbatem, encontrou a roda que faltava para voltar a equilibrar-se. Tinha de fazer uma espécie de reciclagem de conhecimentos, sim, tinha de adaptar-se às novas circunstâncias, mas cedo percebeu que o kimono, o primeiro completo que vestia, se lhe colava à pele.

A partir daí, foi arregaçar as mangas e ir à luta, romper fronteiras por tatamis nunca antes experimentados. Tornou-se rapidamente no primeiro judoca português a participar numa competição internacional para cegos e, em 2013, arrebatou a medalha de ouro num Open realizado na Lituânia, na categoria -66kg. “Foi o meu melhor momento. Deu-me aquela sensação de estar no pódio, com a bandeira do país a subir e a ouvir o hino a tocar”.

Ele, que nem sequer tinha a alta competição na cabeça quando retomou o desporto, via-se agora projectado para cima, com as expectativas a incharem e as exigências a apertarem. Segunda, quarta e sexta-feira, a rotina impõe uma sessão de ginásio de manhã e treino no clube à tarde; terça e quinta-feira é a vez de cumprir trabalho técnico-táctico no Jamor de manhã, seguindo-se uma sessão na federação à tarde. Nos períodos de estágio, assinala, chega a submeter-se a três treinos diários.

“Eu treino muito, muito, muito… Há exercícios que não consigo fazer porque preciso mesmo da visão: saltar, por exemplo, ou fazer uma cambalhota ou um mortal, em que tenho de ter a noção da distância a que está o chão, são exercícios que por mais que eu tente… Às vezes até consigo, mas não posso correr o risco de me lesionar”. É um regime de atleta profissional com os apoios de um atleta amador.

Miguel não é propriamente de se queixar, mas também não é de meias palavras. Deixa claro que sente diferenças significativas, sim, quando fala com os adversários nas provas internacionais. “Eu, se vou treinar, preciso de alimentação, manutenção, essas coisas, e tem de ser tudo por conta do atleta. É preciso haver gosto e vontade, porque se pensarmos nos apoios… Todos reclamam, até os que têm muito, imagine agora nós que não temos praticamente nada. Eu treino com atletas olímpicos e há muita diferença entre uma bolsa olímpica e paralímpica. No entanto, quando treinamos, é igual”, expõe.

De facto, é. Visto das bancadas, sem se conhecer a sua história, Miguel é um atleta sem limitações aparentes. Ainda que esteja dependente do contacto [uma palavra-chave no judo], revela agilidade, força, perspicácia na defesa e arrojo no ataque, sempre à procura da melhor pega. Nesta terça-feira de Agosto, é João Machado, medalhado de bronze no último Campeonato do Mundo para surdos, realizado na Turquia, quem lhe serve de parceiro de trabalho. “Como é o Miguel durante o treino?”, perguntamos-lhe. “Porta-se bem, mas às vezes é um bocado preguiçoso”, brinca, em tom provocatório. Miguel, acostumado ao companheirismo genuíno, limita-se a sorrir.

Ligeiramente à margem do tatami, mas sempre em registo de vigilância, mantém-se Vespa. Foi ela que conduziu o único representante português no judo paralímpico do hotel até ao pavilhão e ali ficará, à espera do momento em que terá de cumprir o percurso inverso. Por estas bandas, a sociável cadela de pêlo preto que acompanha Miguel Vieira de sol a sol é uma presença familiar. Para todos os outros, é um adereço bem-vindo. Para o dono, é algo mais.
 


Miguel com Vespa (foto Paulo Pimenta)

 

“Ela significa os meus olhos e às vezes parece-me que ela faz mais por mim do que eu por ela. A Vespa não é tudo para mim, mas é uma peça fundamental, é o meu complemento. Aquilo que eu perdi, ela traz-me de volta: a minha orientação, a minha autonomia, a minha rapidez. Há sítios a que eu não conseguia ir, porque precisava sempre de alguém, e agora não, pego na Vespa e vamos embora”, expõe, enquanto a companheira de todas as lutas abana a cauda aos seus pés.

Pela cumplicidade entre os dois, ninguém diria, mas a verdade é que estão juntos apenas desde Dezembro do ano passado, altura em que a escola de cães-guia apresentou a Vespa ao seu novo habitat. “Nós adaptámo-nos com facilidade. Ela é muito apegada às pessoas, mas principalmente a mim”, acrescenta, sentindo necessidade de lhe colar mais um rótulo: "É uma amiga, sim”.

Miguel Vieira vai entrar na Arena Carioca 3, no Rio, com o estatuto de 20.º judoca do ranking mundial na sua classe, algo que não lhe passava sequer pela cabeça quando, ainda adolescente, se entretinha a comprar partes de bicicletas e a montá-las com as próprias mãos, peça a peça. “Era eu que as preparava para mim e para os meus irmãos”. Era um período em que o ciclismo também lhe ocupava os tempos livres, mas sem o mesmo impacto que havia causado a experiência nas artes marciais.

Dentro do pavilhão e fora dele, há um fio condutor que tem acompanhado os últimos anos da vida do luso-angolano. Uma peça-chave num puzzle que tem sido construído a várias mãos. Ou, se quisermos uma metáfora diferente para definir a importância de Jerónimo Ferreira, podemos usar esta: “Costumo dizer que o veículo não anda sem um motorista. Na vertente desportiva, o meu treinador é o meu guia. É um amigo e, às vezes, brinco com ele e digo-lhe: ‘Tu deves ter feito um filho que não sabes, tu és branco e tens um filho preto’”, parodia, sem esquecer outros três mestres (Fernando Seabra, Ricardo Valentim e Filipe Figueiredo) com os quais partilha regularmente o tatami.

Deveria haver um outro kimono no balneário do Multidesportos de Coimbra reservado para o treino da tarde, mas a preparação por conta própria tem destas coisas, é permeável a um esquecimento pontual. Miguel terá de usar o mesmo que suou durante a manhã, o que significa que terá de se acostumar ao toque húmido do tecido. Mas para quem teve de ajustar-se bruscamente a uma nova realidade, para quem teve de aculturar-se à pressa num país que também lhe tem erguido alguns muros, este é apenas um detalhe. “Às vezes sinto-me um pouco dividido”, assume, quando questionado sobre se lhe passa pela cabeça representar o território onde nasceu. “Mas tenho muito orgulho em combater por Portugal e tenho noção da responsabilidade. Dou sempre tudo o que tenho”.

E o atleta de 31 anos tem mais para dar para lá dos ippons, dos wazaris e dos yukos. Para além de apontar a uma futura carreira em Psicologia do Desporto, criou há uns anos uma banda a que chamou Miguel Vieira Afrogospel e através da qual expressa a sua faceta evangélica. Um activo imaterial que carrega para onde quer que vá e que estará seguramente ao seu lado no Rio, independentemente do resultado: “Se não houver um Deus connosco, não faz sentido. Ainda há um Deus que me tem dado força para superar todas as adversidades”.

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[6.Set.2016]
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Entidades públicas e privadas obrigadas a atendimento prioritário a partir de dezembro

Manuel Almeida

LUSA | Agência Lusa

29/8/2016

 

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No final de dezembro todas as entidades públicas e privadas com atendimento presencial têm de prestar atendimento prioritário às pessoas com deficiência, idosas, grávidas ou com crianças de colo.


No final de dezembro todas as entidades públicas e privadas com atendimento presencial têm de prestar atendimento prioritário às pessoas com deficiência, idosas, grávidas ou com crianças de colo, sob pena de serem multadas com coima até mil euros.

A nova legislação foi publicada, esta segunda-feira, em Diário da República e entra em vigor 120 dias após a data da publicação, o que, à partida, significa que a partir do dia 27 de dezembro todas as entidades públicas e privadas têm de obedecer às novas regras.

De acordo com o que está definido no decreto-lei, “todas as entidades públicas e privadas que prestem atendimento presencial ao público” ficam obrigadas a “prestar atendimento prioritário às pessoas com deficiência ou incapacidade, pessoas idosas, grávidas e pessoas acompanhadas de crianças de colo”.

Todas as pessoas a quem for recusado o atendimento prioritário podem chamar as autoridades policiais, não só para que tome nota da ocorrência, mas sobretudo para impor a obrigatoriedade.

O decreto-lei define também contraordenações para as entidades que não cumpram o atendimento prioritário, que passa a ser punível com coima entre 50 a 500 euros quando a entidade infratora for uma pessoa singular, e de 100 a mil euros se for uma pessoa coletiva.

De fora desta obrigatoriedade ficam as situações de atendimento presencial ao público feitas através do serviço de marcação prévia.

Não estão obrigadas a fazer atendimento prioritário as entidades prestadoras de cuidados de saúde quando esteja em causa “o direito à proteção da saúde e do acesso à prestação de cuidados de saúde”.

Nessas situações, “a ordem do atendimento deve ser fixada em função da avaliação clínica a realizar”.

Fora desta obrigação estão também as conservatórias ou outras entidades de registo “quando a alteração da ordem de atendimento coloque em causa a atribuição de um direito subjetivo ou posição de vantagem decorrente da prioridade de registo”.

O decreto-lei entende por pessoas com deficiência as pessoas que tenham um grau de incapacidade igual ou superior a 60%, reconhecido por atestado multiúsos, e apresentem dificuldades específicas que lhes possam “limitar ou dificultar a atividade e a participação em condições de igualdade”.

Pessoa idosa são todos os que tenham idade igual ou superior a 65 anos e tenham “evidente alteração ou limitação das funções físicas ou mentais”.

Relativamente às pessoas acompanhadas por crianças de colo, a nova legislação é válida apenas para crianças até aos dois anos de idade.

Por outro lado, caso haja uma situação de conflito, em que várias pessoas tenham direito ao atendimento prioritário, o atendimento deve fazer-se por ordem de chegada.


fonte: Observador
 

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[1.Set.2016]
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Serviço gratuito ajuda pessoas com deficiência a encontrar emprego

SERGEI ILNITSKY/EPA | Agência Lusa

30/7/2016

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Sediada no bairro de Campo de Ourique, a Operação de Emprego para Pessoas com Deficiência (OED) é um serviço gratuito destinado a pessoas com deficiência, inscritas nos centros de emprego em Lisboa. Em 26 anos, a Operação de Emprego para Pessoas com Deficiência (OED) conseguiu 1.037 integrações profissionais


Ser portador de deficiência ainda é um obstáculo para quem procura emprego, mas Paulo e Catarina conseguiram ultrapassá-lo com a ajuda da Operação de Emprego para Pessoas com Deficiência (OED), que, em 26 anos, conseguiu 1.037 integrações profissionais.

Sediada no bairro de Campo de Ourique, em Lisboa, a OED é um serviço gratuito destinado a pessoas com deficiência, inscritas nos centros de emprego da cidade, apoiando a sua integração no mercado de trabalho.

Paulo Gomes, 33 anos, é uma das 2.157 pessoas que a OED já apoiou e que, segundo o jovem surdo, foi uma ajuda fundamental para conseguir o emprego que tem hoje, operador de arquivo na TB Files.

“Fui a algumas empresas, enviei currículos, mas assim que as pessoas viam que era surdo punham logo o currículo de parte”, conta o jovem à agência Lusa.

Quando já estava a ficar desalentado, um amigo falou-lhe da OED e decidiu inscrever-se neste serviço, resultante de um protocolo entre a Câmara de Lisboa, o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e a Fundação LIGA.

Na procura de emprego, Paulo, que tem o 12.º ano, contou com o apoio da técnica da OED Isabel Livério, que fez a ponte entre o candidato e a empresa.

“A empresa achou bastante interessante este desafio e fez-nos uma oferta de emprego”, conta Isabel Livério.

Ao fim de um ano de estágio, o jovem foi contratado por mais um ano, o que o deixou “muito satisfeito”. “Até agora, as coisas têm corrido bem, faço tudo e não tenho qualquer tipo de limitação”, conta.

Para o responsável da área logística da TB Files, Paulo Carvalho, a contratação de Paulo foi “uma mais-valia para a empresa”, onde está “completamente integrado”.

“Tem uma atenção e uma responsabilidade de trabalho bastante elevada” e “não tem qualquer limitação, desde conduzir o empilhador, até carregar caixas, identificar processos e retificar erros, ao nível de uma pessoa sem limitações”, salienta Paulo Carvalho.

Licenciada em Publicidade e Marketing, Catarina Gouveia, 27 anos, também sentiu dificuldades na procura de emprego, como contou à Lusa: “Tinha acabado o meu curso há pouco tempo e comecei à procura de emprego, mas não estava a ser nada fácil”.

Foi a várias entrevistas, mas a má formação genética nos braços constituía um entrave à sua contratação: “Já não ia em pé de igualdade e acabou por ser um percurso muito estafante”, conta a jovem, que teve conhecimento da OED por um familiar.

A OED fez a prospeção de emprego, apresentou algumas propostas e Catarina foi às entrevistas, que já eram “um bocadinho diferentes”, porque o empregador já sabia que era uma candidata com algumas limitações.

Foi com este apoio que Catarina chegou à empresa BlastingFM, onde está há um ano. “Tem sido muito positivo”, disse, confessando que ali começou a “ter autonomia e a ganhar confiança”.

Sobre a integração na empresa, diz que foi “muito boa”: “As barreiras foram colmatadas, não olharam para a minha limitação, mas para as minhas potencialidades”.

Para a engenheira e administradora da BlastingFM, Filipa Menezes, o trabalho da Catarina tem sido exemplar.

“O facto de a Catarina ter terminado o estágio e ter continuado connosco só afirma que ela está na empresa por mérito próprio”, afirma Filipa Menezes.

“Ao longo deste ano, o que eu concluo é que as pessoas com deficiência, não têm deficiências” e “são capazes de desempenhar uma função” como qualquer outro, sustenta.

Da experiência que tem na OED, Isabel Livério diz que, apesar de ainda haver “alguma resistência” por parte das empresas em contratar pessoas com deficiência, “as coisas têm melhorado muito”.

“Quando a OED lhes bate à porta e veem que há esta possibilidade de serem apoiadas”, durante todo o processo e após a contratação, as empresas “avançam de uma forma mais fácil”, afirma.

A coordenadora da OED, Sara Pestana, acrescenta que um dos “grandes objetivos” do serviço é sensibilizar “as empresas para o valor do trabalho dessas pessoas”.

“O que interessa é perceber o que a pessoa consegue fazer, o seu perfil, os seus interesses e depois encontrar uma função adequada” às suas competências, explica Sara Pestana.

A contratação destas pessoas ainda é muitas vezes encarada “como uma responsabilidade social”, mas o que queremos “é que a pessoa com deficiência seja um trabalhador como qualquer outro”, frisou.

Em 26 anos, a OED realizou 89.699 contactos com empregadores, 10.129 ações de acompanhamento da integração e 2.502 entrevistas de emprego.

Dados do IEFP avançados à agência Lusa indicam que, no primeiro semestre do ano, 1.075 pessoas com deficiência estavam incluídas em programas de emprego, 1.968, em formação profissional, e 8.473, em reabilitação profissional.


fonte: Observador

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[1.Set.2016]
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Touca vibra para ajudar os nadadores cegos

Público

18/05/2016

 
Esta touca vibra para ajudar os nadadores cegos

 

A Blind Cap, desenvolvida pela Samsung em parceria com o Comité Paralímpico de Espanha, quer mudar a forma como os nadadores cegos são avisados para dar a volta no fim da piscina.

Nas competições paralímpicas, quando um nadador cego se aproxima do fim da piscina, o treinador ou um “steward” avisa-o que está na hora de dar a volta através de um toque na cabeça. Para pôr um fim a este método, utilizado desde que a natação para cegos se tornou desporto paralímpico, em 1960, a Samsung criou uma touca que vibra quando os atletas chegam ao fim da pista.

Em parceria com o Comité Paralímpico de Espanha, a marca sul-coreana desenvolveu uma aplicação para “smartphones” Android a partir da qual os treinadores podem avisar os seus atletas de que está na hora de dar a volta e completar mais uma piscina. A Blind Cap vibra ligeiramente assim que o treinador activa a aplicação e a comunicação é feita via Bluetooth.

De acordo com o vídeo, esta touca inteligente também recolhe informações sobre o desempenho do nadador. Para já, a Blind Cap está a ser testada pela equipa paralímpica espanhola e já foi submetida ao Comité Olímpico Internacional para aprovação.

Na página da aplicação da Blind Cap,  na loja da Google, os atletas espanhóis são convidados a utilizar a aplicação para testes.
 

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[15.Jun.2016]
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Luva para cegos e capacete para ciclistas
na Mostra Nacional de Ciência

Agência Lusa

29/5/2016
 

Luva háptica Tacit (Foto: Reprodução)
A luva háptica Tacid foi criada por Steve Hoefer para funcionar como se fosse um sonar
para cegos e pessoas com problemas de visão, acrescentando um "sexto sentido" para que
estas pessoas possam desviar de óbstaculos em seu caminho.

 

De segunda a quarta-feira, a X Mostra Nacional de Ciência vai apresentar trabalhos de biologia, ciências do ambiente, engenharias, química, entre outras áreas científicas.

Uma luva para cegos que ‘deteta’ obstáculos, através de sensores sonoros, ou um capacete de ciclista que os ‘sinaliza’, numa situação de perigo, são dois dos projetos concebidos por jovens, patentes na X Mostra Nacional de Ciência.

A exposição, que reúne cem projetos de várias áreas científicas, realizados maioritariamente por estudantes do ensino secundário, decorre, de segunda a quarta-feira, no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa, sob organização da Fundação da Juventude.

Alunos da Escola Secundária de Oliveira do Bairro, no distrito de Aveiro, desenvolveram um protótipo de uma luva para cegos, a partir de uma luva de karaté, para melhorar a sua qualidade de vida, autonomia e independência.

Na prática, a luva tem incorporado dois sensores de ultrassons para detetar obstáculos e desníveis. Sempre que são detetados, geram-se sons audíveis, para cada um dos sensores, e, simultaneamente, são produzidas vibrações na mão.

O sinal sonoro é produzido de acordo com a proximidade, ou não, do obstáculo ou desnível. A luva pode ‘detetar’ obstáculos a uma distância máxima de quatro metros e desníveis até um metro.

Estudantes da Escola Profissional de Espinho conceberam um capacete ‘inteligente’ para ciclistas, um capacete de ciclista convencional, mas com um dispositivo, com sensores, que, ao permitirem acompanhar a posição e o andamento do ciclista, conseguem detetá-lo, em caso de paragem repentina ou queda.

O dispositivo estará ligado ao telemóvel do ciclista, que, nestas situações, enviará uma mensagem para um número pré-definido, alertando para a possibilidade de um acidente. O dispositivo poderá facultar ainda informação sobre a localização da pessoa.

O capacete tem, ainda, duas luzes que indicam a intenção de o ciclista mudar de direção, bastando-lhe para tal inclinar a cabeça no sentido pretendido.

O uso da casca de banana para diminuir a concentração de corantes e metais pesados, nos esgotos industriais, ou o crescimento de feijões em águas com diferentes origens são outras experiências que constam na mostra.

No certame vão estar também patentes, a convite da Fundação da Juventude, projetos de estudantes de Moçambique, Brasil e Espanha.

Biologia, ciências do ambiente, engenharias e química são as áreas científicas que concentram maior número de projetos, com os distritos de Castelo Branco, Aveiro e Leiria a lideraram a lista de participações nacionais.

No último dia da mostra, serão anunciados os premiados do 24.º Concurso para Jovens Cientistas e Investigadores.
 

fonte: Observador

 

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[30.Mai.2016]
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Alunos com deficiência devem
poder escolher curso pela vocação

JN

20 Maio 2016
 


A secretária de Estado da Inclusão defende que é preciso evoluir no sentido dos estudantes com deficiência poderem escolher o curso em função das suas motivações. Ana Sofia Antunes falava em Aveiro na abertura do seminário dedicado ao tema "Inclusão - Boas Práticas no Ensino Superior".
 

* O sucesso está muitas vezes conexo
com o sítio onde decide estudar *

"Temos ainda grandes desafios. É fundamental que os alunos com necessidades educativas especiais tenham a possibilidade de escolher o seu percurso académico em função das suas próprias motivações, sem estarem condicionados pelas condições que encontram em cada universidade", disse Ana Sofia Antunes.

A secretária de Estado salientou que "o sucesso está muitas vezes conexo com o sítio onde decide estudar", mas lembrou que "há um caminho importante já feito" porque "há 20 anos, apenas havia a opção por um número restrito de cursos e hoje há cada vez mais alunos com percursos diversificados".

"Temos ainda realidades muito diversas e o nível de acompanhamento depende da sensibilidade e mobilização das universidades e institutos para as questões da deficiência",referiu.

Ana Sofia Antunes defendeu que o acompanhamento tem de ser feito, desde logo, no ensino secundário, "porque se mal orientado nas opções isso vai condicionar o seu percurso" e admitiu que ao nível dos pré-requisitos de acesso ao ensino superior também há trabalho a ser feito no sentido de estes não condicionarem as escolhas dos alunos com necessidades educativas especiais.
 

* O direito ao conhecimento é para todos e o direito
à opção do que se quer aprender é inalienável *

A secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Maria Fernanda Rollo, disse que a inclusão "é um projeto de cidadania que deve ser claramente assumido pelo ensino superior".

"O direito ao conhecimento é para todos e o direito à opção do que se quer aprender é inalienável. Não podemos abdicar disso e temos de trabalhar para que as universidades possam acolher todos sem distinção", disse.

Maria Fernanda Rollo partilhou da preocupação de que o acompanhamento vocacional dos estudantes com necessidades educativas especiais deve feito no ensino secundário, observando que "cerca de 10 mil alunos nessas condições estão a acabar secundário, verificando-se ainda que apenas um em cada três frequenta o ensino superior na idade em que devia".

A secretária de Estado deixou ainda um repto para que o ensino superior olhe para o desafio da inclusão não apenas no acolhimento, mas também na produção de investigação nesses domínios".

O reitor da Universidade de Aveiro, Manuel Assunção, realçou "o papel múltiplo que cabe às universidades, não apenas na criação de condições para os estudantes com necessidades especiais, mas também na formação dos colegas "como processo de crescimento da cidadania".

Manuel Assunção sumariou várias medidas que a Universidade de Aveiro tem vindo a adotar no sentido da inclusão e anunciou que vai passar a ter um piso tátil na sua zona mais nobre, para facilitar a orientação, com o apoio de uma empresa privada.
 

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[25.Mai.2016]
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Cegueira e amputações são drama crescente entre diabéticos

RTP | Arlinda Brandão

18 Mai, 2016



As doenças associadas à diabetes são uma preocupação crescente em Portugal, como constatou num trabalho de investigação a jornalista da Antena 1 Arlinda Brandão.


A maioria dos casos de cegueira em Portugal por causa da diabetes pode ser evitada, como revelou o presidente da Associação Protetora dos Diabéticos, Luís Gardete Correia.

Apesar de não haver números oficiais de pessoas cegas por causa da diabetes, a Direção-Geral da Saúde não hesita em apontar a doença como a principal causa de cegueira no país.

O diretor do Programa Nacional para a Diabetes, José Manuel Boavida, lamenta que muitos destes casos não tenham sido evitados por não ter ainda avançado no país um rastreio anual à população diabética e acusa as administrações regionais de saúde pelos sucessivos atrasos.

Um despacho do Ministério da Saúde dá às administrações regionais até ao final do ano para avançarem com o rastreio à retinopatia diabética.

Também o pé diabético é motivo de preocupação. Há pelo menos quatro amputações por dia em Portugal por causa da diabetes. Metade dos casos podia ser evitado se já tivesse avançado a via verde do pé diabético, prevista há mais de quatro anos.

José Manuel Boavida defende na Antena 1 que as cerca de 1.500 amputações por ano provocadas pelo pé diabético podiam baixar para metade se fossem criadas equipas especializadas em todos os hospitais.

Pretende-se evitar que nos hospitais qualquer serviço de urgência possa submeter de imediato uma pessoa a uma amputação sem que seja chamada a equipa especializada.
 

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[18.Mai.2016]
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Governo estuda prestação única para a deficiência

JN

10 Maio 2016


 

O Governo espera incluir a prestação social única para a deficiência no Orçamento do Estado para 2017, segundo indicou a secretária de Estado Ana Sofia Antunes.

A prestação única para a deficiência está ainda em fase "de análise e de estudo de vários modelos", mas a secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, tem a "expectativa" de que esta medida seja já incluída no Orçamento do Estado para 2017.

Apesar de já terem sido incluídas "um conjunto de iniciativas já neste orçamento", estas não são suficientes, sendo que a prestação social única para a deficiência poderá "reforçar um pouco os rendimentos das pessoas com deficiência", disse à agência Lusa a secretária de Estado.

De acordo com a governante, esta medida visa responder, "acima de tudo", às pessoas "com uma situação de maior debilidade, em razão do desemprego, discriminação e pobreza".

"É importante dar aqui um rendimento extra", sublinhou, recordando que "muitas pessoas com deficiência viviam exclusivamente da pensão social de invalidez, que tinha um valor exclusivo de 200 euros. 200 euros não tiram ninguém de uma situação de pobreza e muito menos permitem fazer face a despesas específicas que advêm somente da situação de deficiência".

A secretária de Estado falava à agência Lusa à margem da cerimónia de inauguração do centro de atividades ocupacionais (CAO) do Centro de Apoio a Deficientes Profundos João Paulo II, em Fátima, concelho de Ourém.

Ana Sofia Antunes realçou que o país já tem uma "resposta bastante completa" a nível de CAO - espaços destinados a pessoas com graus de funcionalidade "inferiores a 30%".

Para a governante, o problema que se enfrenta prende-se com "situações concretas de pessoas com deficiência encaminhadas para os CAO e que, provavelmente, não precisavam de estar neste tipo de resposta".

Nesse sentido, o Governo vai começar no segundo semestre "uma reavaliação de situações que estão enquadradas em CAO e que poderão ser estimuladas para outro tipo de atividade", avançou.

Face à possibilidade de encaminhar alguns desses utentes para "candidaturas a atividades socialmente úteis" ou para o mercado de trabalho, através dos incentivos à contratação de pessoas com deficiência, será possível "flexibilizar algumas vagas" nos centros de ocupação para casos mais profundos "que eventualmente possam ainda estar sem resposta", notou.

O CAO do Centro de Apoio a Deficientes Profundos João Paulo II custou cerca de "650 mil euros", sendo "fundamental para algumas das pessoas com deficiência" que estão naquele espaço, sublinhou o presidente da União das Misericórdias de Portugal (UMP), Manuel de Lemos.

O centro de atividades ocupacionais conta com 60 vagas, num espaço com salas de relaxamento, ludoteca, fisioterapia, ginásio e outros espaços para terapia ocupacional.
 

publicado por MJA 
[14.Mai.2016]
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Avaliar problemas de visão custa 28 euros por criança. Pais não pagam porque é no SNS

ALEXANDRA CAMPOS

07/05/2016

Ao Estado fica por cerca de 28 euros por criança o rastreio da saúde visual de mais de cinco mil bebés em centros de saúde, que acaba de arrancar nos centros de saúde do Porto e arredores. Os pais não pagam nada. Mas este é apenas o início do alargamento da oferta do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em duas das áreas mais carenciadas em Portugal (oftalmologia e saúde oral). Áreas tão carenciadas que obrigam a maior parte das pessoas a recorrer ao sector privado e por isso foram eleitas como prioritárias pelo Governo.

“Hoje é um dia bom para o SNS. Foi alargado o leque de competências”, sublinhou o secretário de Estado adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, esta sexta-feira, no centro de saúde de Rio Tinto, em Gondomar, na apresentação pública do projecto-piloto de rastreio da saúde visual, que arrancou em Abril. O projecto já permitiu fazer exames a quase meia centena de crianças (31 deram positivo e foram encaminhadas para consulta hospitalar).

Ao longo deste ano vão ser abrangidas as crianças dos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) do Porto Ocidental, Porto Oriental, de Gondomar, Maia e Valongo. A verba destinada ao projecto é de 150 mil euros no primeiro ano, mas o objectivo é bem mais ambicioso: ir alargando o rastreio de base populacional a todo o país, de forma a que todas as crianças passem a ser chamadas para avaliações da sua saúde visual, pelos centros de saúde, pelo menos duas vezes até completarem cinco anos.

Como as crianças são sujeitas a uma primeira avaliação até aos dois anos, no projecto-piloto estão a ser convocados todos os bebés nascidos em 2014. O fotorrastreio permite detectar a ambliopia, designação para o chamado “olho preguiçoso”, que ocorre quando a visão num olho não se desenvolve de forma adequada, o estrabismo, a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo.

Se for detectado algum destes problemas, a criança é encaminhada para uma consulta de oftalmologia num dos dois hospitais públicos (o São João, no Porto, e o Santo António, em Lisboa) incluídos no projecto. Não será necessário esperar meses a fio, como ainda acontece em muitos hospitais, porque está é uma das especialidades mais carenciadas no SNS.

O rastreio visual precoce é fulcral, porque, se detectada a tempo, a ambliopia pode ser revertida e evitada uma eventual cegueira. O que é habitual acontecer? Muitos pais só se apercebem de que os filhos têm problemas de visão quando estes chegam à escola e se queixam.

Nas escolas, por vezes também são feitos rastreios visuais, mas a maior parte das vezes estes são promovidos por empresas de ópticas que têm intuitos comerciais, explica Rosário Varandas, do colégio da especialidade de oftalmologia da Ordem dos Médicos.

Como uma tecnologia inovadora, o rastreio é feito com a prata da casa e com uma espécie de máquina fotográfica gigante portátil, um auto-refractómetro. São enfermeiros dos centros de saúde (treinados para o efeito) que fazem o exame aos olhos das crianças. Gravados numa base de dados, os resultados são enviados para centros de leitura nos dois hospitais públicos.

Em simultâneo, avança também um projecto-piloto para a detecção precoce da degenerescência macular da idade (DMI), que é a causa mais frequente de cegueira acima dos 55 anos nos países mais evoluídos, como lembrou Maria João Quadrado, presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia. Estes exames vão ser associados ao rastreios, que já são efectuados há vários anos nos centros de saúde, da retinopatia diabética. O equipamento também é simples, uma câmara móvel, e, em quatro semanas, os doentes com diagnóstico positivo devem ser enviados para consulta hospitalar.

A periodicidade do exame é anual e não representa custos adicionais. Calcula-se que, a partir de 1 de Julho, sejam rastreados 37.412 diabéticos com mais de 55 anos dos quatro ACES do Porto, Maia, Valongo e Gondomar.

Até ao final de Junho, como tinha sido prometido, avançam também os primeiros projectos-piloto de saúde oral. Nesta primeira fase, serão contratados médicos dentistas para dois centros de saúde alentejanos (Portel e Montemor-o-Novo) e mais 11 da região de Lisboa e Vale do Tejo (Monte de Caparica, Moita, Fátima, Salvaterra de Magos, Cartaxo, Rio Maior, Azambuja, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Lourinhã, Mafra, Ericeira). Foram escolhidos por já terem equipamentos e higienistas orais, mas os edifícios ainda estão a ser adaptados para o efeito, explicou o secretário de Estado.
 

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[7.Mai.2016]
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SNS vai garantir duas avaliações oftalmológicas a todas as crianças até fazerem cinco anos

SOL | Marta F. Reis

03/05/2016
 

SNS vai garantir duas avaliações oftalmológicas a todas as crianças até fazerem cinco anos

 

Governo determinou esta semana o reforço da oferta de saúde visual, uma das áreas em que o SNS dá menos resposta.

Todas as crianças vão passar a ser chamadas para rastreio da saúde visual pelos centros de saúde pelo menos duas vezes até completarem cinco anos. Um despacho publicado esta semana revela que o Serviço Nacional de Saúde vai implementar um rastreio de base populacional para avaliação da saúde visual infantil. As crianças serão chamadas para uma primeira avaliação aos dois anos de idade e, para uma segunda, entre os quatro e cinco anos. Caso tenham algum problema, serão encaminhadas para uma consulta de oftalmologia no hospital. E a espera não poderá ser de meses como acontece quase sempre nesta especialidade a menos se que se trate de um problema urgente: os hospitais terão de dar resposta a estes casos em quatro semanas.

O diploma avança que esta nova oferta do Serviço Nacional de Saúde vai começar a ser testada em experiências-piloto na região Norte, em centros de saúde do Porto, Gondomar, Maia e Valongo e nos hospitais de S. João e Santo António.

Até novembro os serviços têm de ter tudo organizado para começar a chamar todas as crianças de dois anos. Uma preocupação central será o despiste precoce da ambliopia, o chamado “olho preguiçoso”. Esta condição aumenta o risco de perda visual no outro olho se não for devidamente acompanhada.

O diploma reforça os cuidados em torno da saúde visual no Serviço Nacional de Saúde, com o governo a sublinhar que “expandir e melhorar a capacidade da rede dos cuidados de saúde primários” passa também pela ampliação da cobertura do SNS na área da saúde visual.

Além da atenção dirigida às crianças, haverá um reforço do despiste da Degenerescência Macular da Idade (DMI), em particular nos diabéticos, que têm maior risco de desenvolver esta condição que pode levar à cegueira. Os utentes serão chamados aos centros de saúde para rastreio e, caso este dê positivo, serão também encaminhados para consulta oftalmologia no SNS num centro de referência num prazo de quatro semanas.

A oftalmologia é das áreas em que os hospitais têm maiores listas de espera para consulta. Os dados disponíveis no Portal do SNS revelam que em doentes com prioridade normal, a espera chega a ser de765 dias no Hospital de Seia que pertence à Unidade Local de Saúde da Guarda. São mais de dois anos. Os hospitais de Chaves, Covilhã, Barreiro-Montijo, Loures, Santarém, Caldas da Rainha, Alcobaça, Leiria, Pombal e Águeda têm todos mais de um ano de espera.
 

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[4.Mai.2016]
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Terapia genética reverte perda de visão em pacientes com doença hereditária

Extra

29/04/16
 

RIO — Com o uso da terapia genética, cientistas da Universidade de Oxford, na Inglaterra, conseguiram reverter a perda de visão em pacientes vítimas da coroideremia, doença hereditária que provoca a degeneração da corióide, estrutura do olho localizada entre a camada esclerótica e a retina. A expectativa é que a técnica possa ser utilizada para tratar formas mais comuns de cegueira hereditária, como a retinite pigmentosa e degeneração macular.

A nova técnica envolve a injeção de um vírus no olho do paciente para distribuir bilhões de genes saudáveis que irão substituir o gene específico da coroideremia. Os resultados dos primeiros testes com humanos foram publicados nesta quinta-feira na revista “New England Journal of Medicine”. Dos seis pacientes que passaram pela terapia há quatro anos, apenas um, que recebeu doses menores, apresentou declínio na visão.

Para o controle do experimento, os pacientes receberam a injeção em apenas um dos olhos. A expectativa dos cientistas era que a terapia impedisse ou desacelerasse a perda de visão, entretanto, dois pacientes apresentam melhora significativa na visão do olho tratado, apesar do declínio do olho não tratado neste período. Outros três mantiveram a visão no olho tratado.

— Existiram questionamentos recentes sobre a eficácia da terapia genética a longo prazo, mas agora nós temos provas inequívocas que os efeitos de uma única injeção do vetor são sustentáveis — disse Robert MacLaren, líder dos estudos. — Mesmo uma pequena melhora na visão central desses pacientes pode dar-lhes considerável independência.

O pesquisador explica que a terapia genética aproveita as propriedades infecciosas do vírus para inserção de DNA em uma célula, sendo que o DNA do vírus é removido e substituído por DNA programado em laboratório para corrigir determinada falha no material genético do paciente.

— Restaurar a visão de forma permanente em pessoas com cegueira hereditária seria uma conquista médica notável — disse Stephen Caddick, diretor de Inovação na Wellcome Trust, financiadora da pesquisa. — Esta é a primeira vez que vemos o que parece ser uma mudança permanente na visão apenas após uma rodada de tratamento. É um passo real em direção a uma era em que a terapia genética faça parte do tratamento rotineiro desses pacientes.

O advogado aposentado Jonathan Wyatt, de 68 anos, foi o primeiro paciente do mundo a receber o tratamento. Ele sofre com problemas de visão desde os 20 anos de idade, mas, após a terapia, foi capaz de dobrar o seu nível de visão no olho esquerdo, que recebeu a injeção do vírus.

— Eu me sinto com sorte, privilegiado e honrado de fazer parte deste fantástico grupo de pesquisa. Eu sinto que apesar de eu ser a carne no sanduíche, minha vida está fazendo uma contribuição para ajudar outros — disse Wyatt. — Me tornou mais independente, eu acho que eu seria mais dependente, teria mais preocupação em pegar os trens por minha conta.
 

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[2.Mai.2016]
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Como se faz a VISÃO braille

Cesaltina Pinto

27.04.2016
 

 

Depois de uma interrupção de alguns anos, a VISÃO braille volta a circular e, desta vez, acompanhada da VISÃO JÚNIOR. Contámos-lhe aqui os processos, antigos e precisos, da transcrição do alfabeto romano para o braille.

Apesar de todas as inovações tecnológicas, que facilitaram o acesso dos invisuais á informação, o papel ainda é querido e procurado. Daí que tenha regressado a parceria da VISÃO com a Santa Casa da Misericórdia do Porto, para o regresso à circulação da edição em braille da revista.

“Recebíamos muitas solicitações para reativar esta publicação”, explicou João Belchior, diretor do CPAC - Centro Professor Albuquerque e Castro, onde funciona a gráfica especializada na produção de materiais braille. Debaixo da alçada da Misericórdia do Porto, este departamento tem já um longo espólio de edição e, nos últimos anos, tem investido também na produção de materiais infantis de dupla leitura, que podem ser usados por norma visuais e por cegos. Criaram também revistas próprias, como a Enigma, de passatempos para cegos.

E agora, de novo, a VISÃO, mais a sua extensão JUNIOR. A primeira terá 950 exemplares por edição e será de periodicidade mensal. A segunda andará pelos 750 exemplares e será publicada de dois em dois meses. A maioria estará disponível em várias instituições e bibliotecas nacionais. Mas cerca de um terço circulará por 34 países diferentes, nomeadamente os países de expressão portuguesa.

Bernardino Pacheco foi o nosso guia nesta viagem à gráfica que transcreve e imprime cerca de 80 páginas braille com oito artigos da VISÃO.


1. SELECIONAR OS ARTIGOS E TRANSCREVER
Há 27 anos que Teresa Mesquita faz a transcrição para os seis pontos do alfabeto braille, que conhece de cor e salteada. Vai teclando com as duas mãos, de modo a passar as palavras do papel para as placas de alumínio, já dobradas à medida. Socorre-se da ajuda de uma máquina muito antiga, que Bernardino Pacheco, o responsável gráfico, assegura ser única no país. Quando se engana, Teresa tem de apagar o erro com martelo e punção, duas ferramentas de apoio. Com este processo, a VISÃO demora oito ou nove horas a imprimir, quando através de um processo informático demoraria 15 dias.

2. REVISÃO
Já depois de transcrito, o artigo é lido várias vezes, corrigindo erros e omissões. Pelo menos uma vez, a revisão é feita em simultâneo a partir do papel e do braille, para que se faça o confronto e fique assegurado que não falta nada. Se houver correções a fazer, o processo volta à chapa de alumínio e de novo à revisão. António Santos, invisual, revê textos há 33 anos (tem 58). Dá-lhe gozo o que faz, porque sempre gostou muito de ler. Também já lê muito do que está no digital, com uma aplicação do telemóvel que lhe lê de viva voz os artigos.

3. IMPRESSÃO
A máquina, data de 1972, mas “continua a ser altamente funcional”, como diz Bernardino Pacheco. Foi adaptada para braille, com ausência de tinta, para que a pressão sobre as chapas consiga o relevo necessário do alfabeto braille no papel, sem furar. O papel é especial, com uma gramagem superior ao normal.

4. DOBRAGEM E MONTAGEM
As folhas são dobradas, manualmente. São depois colocadas numa mesa grande em montes que correspondem a um número de páginas. E, de seguida, ordenadas folha a folha, até ao nº 80, a totalidade de páginas que geralmente tem a VISÃO braille. Por vezes, é preciso uma dezena de pessoas para fazer este trabalho tão minucioso e cuidado, para que a VISÃO chegue aos seus leitores em condições impecáveis. Só depois é agrafado e devidamente embalado em plástico de bolhas, seguindo para a distribuição, feita gratuitamente pelos CTT.

fonte: sapo.pt
 

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[27.Abr.2016]
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"Um grande número” de pessoas com deficiência está privado de direitos básicos

Público | ANDREIA SANCHES

22/04/2016


Opor-se a um tratamento ou a um aborto. Gerir património. Ter uma vida independente. Casar-se. Peritos da ONU avaliaram pela primeira vez como são respeitados direitos fundamentais das pessoas com deficiência em Portugal. Muitas vezes não são.

O Relatório final do Comité dos Direitos das Pessoas com Deficiência relativo a Portugal foi divulgado nesta sexta-feira. Inclui recomendações que resultam de uma avaliação feita num período em que, explica-se, as “medidas de austeridade” e os cortes nos recursos disponíveis afectaram desde a educação das crianças com deficiência, até ao nível de vida das famílias.

Os peritos também tomam nota dos esforços realizados pelo Estado “para mitigar o impacto das medidas de austeridade nas pessoas com deficiência”, mas constatam que deficientes que não tiveram hipótese de contar com o apoio da família acabaram “obrigados a viver em situação de indigência e pobreza extrema”.

Embora não haja dados oficiais, continua a existir em Portugal esterilização forçada de adultos com deficiência. Alguns, “legalmente incapacitados”, continuam a ser alvo, “contra sua vontade”, de interrupções da gravidez e de terapias electroconvulsivas. “Um grande número” está, de resto, sujeito a regimes de interdição ou inabilitação “e vê-se privado do exercício de certos direitos, como votar, casar-se, constituir família ou gerir bens e propriedades”. Estes factos são vistos com “preocupação” pelo comité das Nações Unidas, que esteve a avaliar como aplica Portugal a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

O comité sugere que o Estado português crie “sistemas de apoio” para que as pessoas com deficiência possam “tomar decisões” que permitam o exercício efectivo dos seus direitos. Diz que o país deve alterar os “regimes legais de tutela total e parcial” (a revisão dos regimes de interdição ou inabilitação chegou a ser considerada prioritária no ano passado, pelo Conselho de Ministros, mas não avançou). E que deve ainda “adoptar todas as medidas possíveis para assegurar que se respeita o direito ao consentimento livre, prévio e informado de tratamentos médicos”.

Os peritos pedem que seja também revista a legislação que permite que as pessoas “portadoras de anomalia psíquica” possam ser sujeitas a internamento compulsivo.

O relatório final do Comité dos Direitos das Pessoas com Deficiência relativo a Portugal foi divulgado nesta sexta-feira. Inclui recomendações que resultam de uma avaliação feita num período em que, explica-se, as “medidas de austeridade” e os cortes nos recursos disponíveis afectaram desde a educação das crianças com deficiência, até ao nível de vida das famílias.

Tudo isto num país onde, constata, as queixas que as pessoas com deficiência apresentam por discriminação — seja de que tipo for — são na sua maioria arquivadas.

Houve progressos

O comité de 18 peritos independentes avaliou, pela primeira vez, como cumpre o país as normas estabelecidas pela Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ratificada por Portugal em 2009). A Convenção reafirma princípios universais como a dignidade, igualdade e não discriminação e define as obrigações gerais dos Governos relativas à integração das várias dimensões da deficiência nas suas políticas.

Foi um longo processo, esta avaliação. Em 2012, o Governo português fez chegar ao comité um relatório onde fazia um ponto de situação: quadro legal, programas específicos de apoio, respostas educativas.

Depois, o Observatório da Deficiência e Direitos Humanos português e outras organizações da sociedade civil transmitiram os seus contributos aos peritos. No final do mês passado, uma delegação, que integrou a secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, esteve no comité, em Genebra, a responder a questões colocadas. E, nesta sexta-feira, o relatório final foi divulgado no site das Nações Unidas.

Os peritos tomam nota dos esforços realizados pelo Estado “para mitigar o impacto das medidas de austeridade nas pessoas com deficiência”, mas constatam que deficientes que não tiveram hipótese de contar com o apoio da família acabaram “obrigados a viver em situação de indigência e pobreza extrema”

O comité começa por congratular-se com “os progressos alcançados em alguns sectores relacionados com os direitos das pessoas com deficiência” em Portugal. A adopção de um programa nacional de saúde mental é uma das medidas que merece aplausos.

Vida independente?

Assim, dizem, o país deve criar “serviços de apoio para a vida independente e instituições de acolhimento que respeitem os direitos das pessoas com deficiência, a sua vontade e as suas preferências”. E devem “ser criados subsídios monetários que permitam às pessoas com deficiência desempregadas e carentes de apoio familiar ter um nível de vida adequado”.

O comité pede ainda a Portugal que crie uma “estratégia nacional para a vida independente”. Sobre este ponto, recorde-se a descrição que o Observatório da Deficiência e Direitos Humanos português fez chegar à ONU: não há, em Portugal, um quadro legal para a figura do serviço de assistente pessoal; o Estado português paga aproximadamente 950 euros mensais às instituições com as quais tem acordos de cooperação para as pessoas com deficiência serem institucionalizadas em lares residenciais, mas, “se as pessoas com deficiência quiserem viver sozinhas e necessitarem de acompanhamento permanente, têm direito a receber apenas 88,37 euros, o montante correspondente ao subsídio por assistência de 3.ª pessoa”; por falta de alternativas, “muitos adultos com deficiência vivem em lares de idosos”.

No capítulo da Educação, o comité lembra que a grande maioria dos estudantes com deficiência frequenta escolas regulares, o que é positivo. Mas que “há falta de apoios” a estes alunos e que houve “cortes nos recursos humanos e materiais” disponíveis para os mesmos, cortes esses que “comprometem o direito e a possibilidade de uma educação inclusiva e de qualidade”.

Os peritos criticam ainda as chamadas “escolas de referência para estudantes surdos, surdo-cegos, cegos e para estudantes com autismo”, considerando que “são uma forma de segregação”.

Os recursos disponíveis para estes alunos, concluem, devem aumentar.

No capítulo do trabalho sugere-se a revisão da legislação laboral. O comité está “preocupado com desigualdade e as condições de trabalho das pessoas com deficiência” que vivem em Portugal.

No final do mês, depois de responder às questões dos peritos, a secretária de Estado Ana Sofia Antunes prometeu “para os próximos meses” uma regulamentação do Código do Trabalho, “que promova a justiça no trabalho para as pessoas com deficiência” e anunciou um “Livro Branco” que fornecerá um retrato das pessoas com deficiência no país. Reconheceu ainda “a necessidade de introduzir melhorias no regime de protecção” destas pessoas, afirmando que “o mesmo se encontra em fase de revisão”.

Participação é fundamental

“Registamos com agrado as recomendações do comité ao Estado Português”, diz Paula Campos Pinto, do Observatório da Deficiência e Direitos Humanos. De resto, elas tocam muitas das questões que tinham sido levantadas nos documentos que o observatório fez chegar ao comité, “nomeadamente a necessidade de abandonar uma visão assistencialista e medicalizada da deficiência e criar apoios para a vida independente, de cumprir e fazer cumprir a legislação existente em torno das acessibilidades, de dotar as escolas dos meios humanos e materiais fundamentais para promover a educação inclusiva e de regulamentar os apoios a prestar pelas universidades aos alunos com deficiência”.

Paula Campos Pinto sublinha ainda a necessidade referida pelo comité de o país "adoptar uma nova estratégia para a deficiência que promova a coordenação das políticas neste sector”. E a “importância da participação activa das pessoas com deficiência e suas organizações representativas” que “devem estar envolvidas no desenho, implementação e avaliação de todas as políticas que lhes dizem respeito”.
 

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[23.Abr.2016]
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Descobrir a história e o património de Tentúgal pelo tacto

Diário de Coimbra

16-Abril-2016


 

Foi uma experiência diferente, de descoberta e de emoções, para visitantes e também para os “guias”. «Um exercício que nos ajudou, a nós próprios, a fazer novas descobertas sobre Tentúgal», sintetiza Olga Cavaleiro, responsável da Confraria da Doçaria Conventual de Tentúgal, a propósito da visita que um grupo de associados da ACAPO – Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal efectuou a Tentúgal, com o propósito de descobrir a história, o património e a gastronomia da vila. Uma experiência pioneira, na cadência das visitas guiadas que a confraria iniciou há cerca de seis anos e que representou, salienta Olga Cavaleiro, um «desafio para os confrades», que se empenharam na sua preparação, «procurando valorizar todos os outros sentidos, além da visão». Um plano gisado para «um grupo pequeno», que começou na Igreja da Misericórdia.
 

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[16.Abr.2016]
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Erasmus+  Mobility of Students with Disability

February 2016


Erasmus

 

To live and study abroad is the dream of many students all over Europe. They are curious to learn about new cultures and new ways of thinking. The Erasmus+ programme offers them wide opportunities to reach their goals. Beside their studies they learn new things, the way they collect new information, make new connections, organise their time, and identify with new lifestyles All these experiences are very gratifying and the students will certainly enjoy the benefits in the future. Erasmus+ offers opportunities to use skills to grow as a person with a global mind set.
(by Cláudia Vale Da Silva thoughts - http://ec.europa.eu/programmes/erasmus-plus/index_en.htm)


Students with disabilities such as a visual impairment would like to have the same opportunities. The Erasmus+ programme is open to all students in Europe. In order to obtain a clear picture of the possibilities and barriers of exchange programs for university students with visual impairments (VI), the European Blind Union (EBU) and the International Council for Education and Rehabilitation of People with Visual Impairment, Europe (ICEVI-Europe) has set up a research group.


-> State-of-the-art report on the accessibility of exchange programs for students with visual impairment: http://www.euroblind.org/

 

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[12.Abr.2016]
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Bebé de 4 meses vê a mãe pela primeira vez

JORNAL I

08/04/2016

 

Este é provavelmente o momento adorável da semana. Talvez até do mês. Aconselhamos a ir buscar um lenço de papel para limpar as lágrimas porque é capaz de precisar. E não é caso para menos. Ora veja:

 

 

 

Isto porque é quase impossível ficar indiferente a este vídeo, onde se vê o (enorme) sorriso do pequeno Leo ao ‘ver’ a mãe pela primeira vez.

O bebé de quatro meses sofre de albinismo óculo-cutâneo, um problema de saúde raro que afeta a cor dos olhos, da pele, do cabelo e a visão, lê-se no Daily Mail.

Os pais de Leopold, David e Erin, contam que juntaram vários familiares em sua casa para assistirem ao momento em que colocaram os óculos ao bebé pela primeira vez. E garantem que ninguém conseguiu conter as lágrimas.

“O Leo olhou para a minha mulher e viu-a pela primeira vez”, conta David, acrescentando que até teve dificuldades em agarrar a câmara de tão emocionado que estava.


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[9.Abr.2016]
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Governo vai criar balcões de atendimento só para pessoas com deficiência

LUSA | Público

30/03/2016


Medida é uma entre várias que Portugal levou ao Comité das Nações Unidas dos Direitos das Pessoas com Deficiência, que está a avaliar a situação portuguesa nesta área.

A secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência chefiou a delegação portuguesa a Genebra DANIEL ROCHA (ARQUIVO)
A secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência chefiou
a delegação portuguesa a Genebra DANIEL ROCHA (ARQUIVO)


A criação de balcões de atendimento especializados em questões de deficiência, contratação de intérpretes de língua gestual no Serviço Nacional de Saúde ou medidas fiscais mais vantajosas são algumas das propostas que o Governo quer implementar nos próximos anos.

As medidas surgem na sequência da primeira avaliação de Portugal pelo Comité das Nações Unidas dos Direitos das Pessoas com Deficiência à implementação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

Portugal está sob avaliação e na terça-feira e hoje teve lugar, em Genebra, na Suíça, a primeira sessão de avaliação, já que esta é a primeira vez, desde a ratificação da convenção em 2009, que Portugal é submetido a este processo de monitorização.

A secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, que chefiou a delegação portuguesa, anunciou que "Portugal está fortemente empenhado em garantir a mais elevada protecção de todos os direitos humanos".

Nesse sentido, sublinhou que é intenção do Governo lançar para os próximos anos uma série de medidas, sendo uma dessas medidas os Balcões da Inclusão, ou seja, postos de atendimento especializados em questões da deficiência que estarão disponíveis em todos os serviços da Segurança Social.

Por outro lado, pretende contratar intérpretes da língua gestual para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), bem como criar medidas fiscais mais vantajosas para as pessoas com deficiência, além do lançamento do sistema de apoio à vida independente.

De acordo com a secretária de Estado, outra das prioridades "para os próximos meses" é a regulamentação do Código do Trabalho, com vista a uma promoção da justiça no trabalho para as pessoas com deficiência.

Ana Sofia Antunes frisou que a inclusão de quotas para pessoas com deficiência na administração pública está regulamentada por lei desde 2001, faltando, no entanto, que seja uma realidade.

Defendeu, nesta matéria, que a administração pública seja um exemplo para que o regime de quotas possa ser alargado ao sector privado.

De acordo com a governante, a protecção das pessoas com deficiência é uma preocupação central do sistema de segurança social, frisando que existem várias prestações pecuniárias com vista a proteger crianças, jovens e adultos com deficiência, quer de carácter contributivo, quer não contributivo, que são complementadas por uma rede de estabelecimentos e serviços com respostas sociais dirigidas especificamente a estas pessoas.

Ana Sofia Antunes reafirmou que é intenção do Governo lançar várias medidas "verdadeiramente promotoras de inclusão", mas que para esse objectivo ser concretizado é preciso conhecer a realidade das pessoas com deficiência, saber onde estão e "o que é necessário para melhorar a sua situação".

Revelou que o Governo está a preparar um Livro Branco que faça um retrato da situação actual e do qual irá resultar a Agenda Nacional para as Pessoas com Deficiência, medida a implementar durante a actual legislatura.

Apesar das várias medidas anunciadas, a secretária de Estado admitiu que é necessário melhorar o regime de protecção, adiantando que este está em fase de revisão e tem três objectivos essenciais: melhorar a protecção social, retirar as pessoas com deficiência da situação de pobreza e promover a empregabilidade.
 

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[7.Abr.2016]
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Facebook vai permitir a cegos "ver" fotografias

Tomásia Sousa | TVI24

5 Abril 2016


Facbook
Nova tecnologia gera uma descrição automática para
cada fotografia que o utilizador selecionar, lendo em
voz alta o que aparecer no feed de notícias


O Facebook apresentou esta terça-feira uma nova funcionalidade, que permite às pessoas cegas “ver” as imagens publicadas naquela rede social.

Com uma comunidade de mais de 39 milhões de utilizadores cegos e outros 246 milhões com problemas de visão, o Facebook resolveu melhorar a expriência dessas pessoas e desenvolveu um sistema que usa a inteligência artificial para descrever as imagens de forma mais detalhada. Na prática, a nova aplicação gera uma descrição automática para cada fotografia que o utilizador selecionar.

Para já, o software está preparado para reconhecer cerca de 80 atividades e objetos comuns e apenas está disponível para os utilizadores do Facebook que usam “sreen readers” no sistema iOS, mas deverá alargar-se a outras plataformas. Por enquanto, a aplicação também só está disponível em inglês e num número limitado de países

Designada de “automatic alternative text”, esta tecnologia reconhece pontos específicos nas fotos e transmite essas informações aos sistemas conhecidos como “screen readers”, que lêm em voz alta o que aparecer no feed de notícias.

Até então, o que o utilizador ouvia era apenas o nome da pessoa que tinha feito a publicação. Agora, é possível ouvir, por exemplo, “a imagem pode conter três pessoas sorrindo num ambiente externo”.
 

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[6.Abr.2016]
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Programador cego desenvolve app para ajudar invisuais

Boas Notícias

31 março, 2016

 

 

 

Saqib Shaikh, programador da Microsoft, é cego desde os sete anos. Agora, usou as suas competências para criar uma aplicação que ajuda pessoas com o mesmo problema de visão a interpretar o ambiente em seu redor.

Saqib, que reside em Londres e trabalha na Microsoft há 10 anos, é o mentor da Seeing AI, uma aplicação para smartphones e óculos inteligentes capaz de narrar ao utilizador aquilo que se passa à sua volta.

Através da Seeing AI, o utilizador pode identificar as pessoas com quem está a conversar, com a aplicação a revelar o sexo do interlocutor, sendo que a app também consegue ler as expressões faciais indicando o estado emocional das pessoas (se estão a sorrir ou se estão tristes, por exemplo).

A aplicação, que ainda não está disponível ao público, também guia, por exemplo, o utilizador na hora de fotografar o menu de um restaurante para, de seguida, ler em voz alta as opções disponíveis.
"Adoro fazer coisas que melhorem a vida das pessoas e sempre sonhei desenvolver uma aplicação que nos dissesse o que se passa à nossa volta", conta Saqib no vídeo divulgado pela Microsoft.

"Sei que esta solução parece ficção científica, eu nunca pensei que isto fosse possível, mas a inteligência artificial está cada vez mais evoluída e penso que isto é apenas o princípio", garante.

A aplicação foi desenvolvida com as ferramentas de inteligência artificial da Microsoft Cognitive Services, uma divisão da empresa que desenvolve "aplicações com algoritmos poderosos utilizando apenas algumas linhas de código. As aplicações são compatíveis com vários dispositivos e plataformas como iOS, Android e Windows", explica a empresa. E são mais fáceis de configurar.

 

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[3.Abr.2016]
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Gala apresenta Escola de Cães-guia de Mortágua

Diario Coimbra

11-03-2016

Resultado de imagem para cão-guia


Promete ser um momento de emoções, mas também de descoberta. Falamos da gala que a Escola de Cães-guia para Cegos de Mortágua (ABBADV) promove, amanhã à tarde, no Conservatório de Música de Coimbra.

São muitas as razões para celebrar, a começar pela primeira “incursão” feita em Coimbra, a entrega de diplomas às “duplas” cego-cão guia formadas no ano passado, o agradecimento às famílias de acolhimento e às empresas e entidades que têm dado o seu apoio a este projecto único no país, dedicado à formação e treino de cães que ajudam quem não vê a descobrir um mundo novo.

Mas há também um espectáculo para ver, ou melhor, ouvir e sentir, uma vez que aos participantes são convidados a vendar os olhos, partilhando uma experiência de escuridão.

Um espectáculo que, juntamente com a mostra gastronómica, pretende “aquecer” o ambiente de uma cerimónia mais formal e protocolar. A direcção da ABBADV explica que a experiência foi testada, pela primeira vez, no ano passado, em Mortágua, e o espectáculo “Vi(r)ver sem ver”, concebido pelo maestro Ricardo Vicente, «esgotou por completo» o Centro de Animação Cultural, nas duas sessões.
 

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[11.Mar.2016]
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Células estaminais podem regenerar
tecido ocular em crianças com cataratas

Porto Canal | Lusa

9 mar 2016

cataract



Londres, 09 mar (Lusa) - As terapias baseadas em células estaminais demonstraram ser efetivas para regenerar o tecido ocular em crianças com cataratas e reparar a córnea em animais que perderam a visão, segundo estudos publicados hoje na Nature.

Os estudos descrevem novas técnicas para devolver a transparência à córnea e ao cristalino, o que pode evitar transplantes ou implantes artificiais, procedimentos com algum risco para o paciente.

As cataratas, a primeira causa de cegueira no mundo, tratam-se habitualmente com uma operação em que se substitui o cristalino por uma lente intraocular artificial.

Em crianças com cataratas congénitas, o êxito daquela intervenção é limitado, dado que a operação pode criar uma certa distorção na linha de visão difícil de corrigir com óculos, porque o olho continua em desenvolvimento.

Cientistas dos Estados Unidos e do Reino Unido desenvolveram uma técnica para devolver a transparência ao cristalino sem necessidade de o substituir.

Os cientistas explicam, no estudo, que a técnica é menos invasiva que o procedimento habitual e consiste em retirar uma parte do tecido danificado, mas deixam intactas as células estaminais.

O procedimento foi testado em 12 crianças com menos de dois anos.

Segundo os resultados, o cristalino das 12 crianças regenerou-se em três meses e sem complicações em todos os casos.

Num outro estudo, os cientistas demonstraram que é possível cultivar células do epitélio em laboratório e transplantá-las para olhos de mamíferos.

Os cientistas experimentaram o método em coelhos com a visão danificada para comprovar que se pode utilizar com êxito para reverter danos na córnea.

O estudo sugere que este pode ser o primeiro passo para desenhar a experiência em humanos, o que pode evitar transplantes da córnea.

MSE // JPS  | Lusa


Ler + aqui:  Blindness breakthrough: Stem cells used to treat cataracts in children by re-growing functional lenses by Hannah Osborne (March 9, 2016)
 

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[10.Mar.2016]
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O que você deve saber sobre
o uso de lentes de contato

26/02/2016

 

Úlceras de córnea  decorrentes do mal uso das lentes de contato (Foto: Divulgação/ Associação Paraense de Oftalmologia)
Úlceras de córnea decorrentes do mau uso das lentes de contato


Estudos americanos comprovam que uma das principais causas de transplante de córnea no mundo são as sequelas de doenças oculares ocasionadas pelo uso inadequado das lentes de contato. Segundo estudos europeus, pessoas que usam lentes de contato sem avaliação adequada de médicos oftalmologistas possuem 5 vezes maiores chances de apresentarem algum tipo de complicações oculares.

A adaptação é dinâmica. O que está bem pode mudar. Por isso, é preciso que o médico oftalmologista que adaptou, faça o acompanhamento clínico periódico. É tão importante para preservar a saúde ocular, que o Conselho Federal de Medicina decretou a adaptação de lentes de contato como um ato médico, pessoal e intransferível, e que continua enquanto o usuário fizer uso das mesmas. O médico avalia, testa, adapta e acompanha. E se responsabiliza apenas pelas lentes que ele adapta.


texto integral da notícia aqui: http://g1.globo.com

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[7.Mar.2016]
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App promete ajudar deficientes visuais
a "verem" o mundo

Exame

3 Março 2016

 
O app Aipoly Vision: ferramenta faz uma leitura de elementos
através da câmera do celular e os descreve em um áudio


São Paulo - Muito se fala sobre a tecnologia como a grande vilã das relações pessoais, aquela que veio para acabar de vez com a proximidade "real" entre as pessoas, e em certa medida, dependendo do ponto de referência, os avanços tecnológicos de fato podem mesmo ser causadores de pequenas catástrofes como um transformar a boa e velha conversa de bar em um monólogo.

É inegável, no entanto, que dominar a técnica é, desde sempre, a melhor forma de facilitar a vida do ser humano.

Um exemplo de como utilizar a tecnologia para este fim é o Aipoly Vision, um aplicativo que promete ajudar deficientes visuais a "enxergarem" o mundo a sua volta.

Compatível com dispositivos iOS, a ferramenta faz uma leitura de elementos através da câmera do celular e os descreve em um áudio aos usuários.

A promessa do app é reconhecer e transmitir os objetos para ajudar no dia a dia de pessoas cegas com um intervalo de tempo de três segundos, como demonstrado no vídeo abaixo.

O app é gratuito e, por enquanto, só está disponivel para download em iOS.
 

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[5.Mar.2016]
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Pessoas com deficiência vão beneficiar
de desconto de 75% nos comboios

Agência Lusa | Observador

4/3/2016
 

CP (Lusa)

 

Pessoas com deficiência vão beneficiar de um desconto de 75%, na compra de bilhetes para viajar nos comboios, após acordo a assinar esta sexta, entre o Instituto Nacional para a Reabilitação e a CP.

As pessoas com deficiência vão beneficiar de um desconto de 75%, na compra de bilhetes em segunda classe para viajar nos comboios, através de um acordo a assinar hoje, entre o Instituto Nacional para a Reabilitação e a CP.

Os acompanhantes das pessoas com deficiência vão também poder beneficiar de um desconto de 25% nas viagens, segundo um comunicado do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS).

O “Desconto para Pessoas com Deficiência” prevê que “os cidadãos com deficiência possam beneficiar de um desconto de 75% na compra de títulos de transporte para realizar viagens, em qualquer percurso em segunda classe, dos comboios Alfa Pendular, Intercidades, Regionais, Inter-regionais e Urbanos da CP”, adianta o ministério.

A iniciativa tem como objetivo garantir às pessoa com deficiência, a igualdade de oportunidades a que têm direito, procurando minimizar as desvantagens resultantes das suas incapacidades, nomeadamente, as relativas à sua autonomia e mobilidade.

A medida, com um prazo de um ano, sendo renovável sucessivamente por iguais períodos, abrange as pessoas com deficiência com um grau de incapacidade igual ou superior a 80%, e os deficientes das Forças Armadas.

“Relativamente ao protocolo anterior com a CP, alterou-se o paradigma que privilegiava o desconto ao acompanhante, em detrimento da pessoa com deficiência (25%), que agora vê este valor aumentado para 75%.”, adianta o ministério, numa nota enviada à agência Lusa.

Outra das “grandes alterações” em relação ao protocolo anterior é o alargamento deste benefício a todos os comboios da CP, “o que contrasta com a situação anterior, em que só eram consideradas as viagens de longo curso”.

Na base deste acordo estiverem os princípios orientadores do Instituto Nacional para a Reabilitação (INR), que se baseiam “na garantia de igualdade de oportunidades, no combate à discriminação e na valorização das pessoas com deficiência” e o compromisso da CP com “o desenvolvimento de uma política de cidadania empresarial, nomeadamente em matéria de responsabilidade social”.

A medida teve também em consideração as orientações e recomendações da União Europeia, as medidas aplicadas por outros Estados-membros nesta área e a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

Na assinatura do acordo entre o Instituto Nacional para a Reabilitação e a CP – Comboios de Portugal vão estar presentes a secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, e o secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme W. d’Oliveira Martins.
 

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[4.Mar.2016]
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O rapaz que nunca foi ao cinema
e nunca viu os Óscares

Laurinda Alves

Observador

1/3/2016



Plateia de pessoas cegas numa sessão de cinema
com audiodescrição


A verdade nua e crua é que nas universidades quase não há respostas para cegos. E por isso é que não há lá cegos: são postos de lado à partida e vêem-se ‘às aranhas’ para cumprirem o que lhes é exigido

Só quem passa ou passou pela experiência da cegueira sabe como é inquietante não ver nada, não distinguir contornos nem cores, não saber como é a luz do dia nem conhecer as estrelas da noite, não poder ver a cara dos que ama nem o sorriso de um pai ou de um filho. Muito menos um desenho feito por ele, com amor. Amanhecer e anoitecer são abstracções mais ou menos sensoriais. O mar é um mistério profundo que apenas se pode sentir escutando-o, tocando-o ou mergulhando nele. Ruas, avenidas, estradas e passeios são conceitos aprendidos à custa de passos criteriosamente estudados e medidos entre muitos obstáculos. Semáforos são uma ajuda, mas só quando têm som, porque os outros passam despercebidos ou são tropeços entre o vaivém ensurdecedor de carros e autocarros. Perder a visão pode ser muito assustador. Aterrador, mesmo.

Quem vê e sempre viu nem se apercebe do que é não ver nada. Passa ao lado de uma realidade dura e adversa. Há, até, quem se atreva a dar passos para evitar cruzar o caminho de um cego. Vi isso uma vez numa plataforma de comboios. Eu estava de carro, presa numa fila de transito na estrada que fica num nível mais abaixo da estação, e vi esta cena: um cego de passos prudentes e queixo levantado, interrogativo, como que à procura de alguém, a varrer o ar à direita e à esquerda com a sua bengala, tentando encontrar o ponto certo para atravessar a linha do comboio. Avançava devagar, com passos cada vez mais hesitantes, mas não viu um homem em sentido contrário fintando em silêncio a sua bengala e afastando o corpo para passar ao lado sem dizer uma palavra. Só para não ter que o ajudar. O homem fez isso por ser a única pessoa naquela plataforma para além do cego, e certamente seguro de que ninguém o veria. O cego não viu, realmente, mas tenho a certeza de que soube que alguém passou por ele e o evitou. Eu confesso que nunca tinha assistido a nada tão chocante que envolvesse um cego. Nunca esperei um gesto tão cobarde de alguém que só por saber que vê sem ser visto, opta por desviar o caminho e passar ao largo. Mesmo sabendo que o cego estava a tentar atravessar uma linha de comboio.

Vi toda a cena sentindo-me impotente para ajudar, pois estava enfiada num carro, refém do trânsito, na estrada que corre paralela ao rio Tejo, perto de Alcântara. Nem eu nem os que viram o que eu vi, pudemos ajudar aquele cego. E ele ali continuou às cegas, naquele filme mudo, numa solidão incrível que continuei a ver enquanto pude, através do espelho retrovisor. Não cheguei a saber se foi ajudado porque acabou por desaparecer no meu horizonte.

Pouco tempo depois desta cena tristíssima conheci em Fontainebleau um dos fundadores da cadeia de restaurantes Dans Le Noir?, um conceito radical que hoje em dia já se estende a várias capitais da Europa, mas não só. Fiz um curso no INSEAD e o autor deste conceito radical era meu colega de turma. Explicou-me aquilo que muitos sabem porque já conhecem, já ouviram falar ou até já experimentaram, e se resume a ir a um restaurante onde só trabalham cegos e não se vê nada. Absloutamente nada. A ideia é essa mesma: proporcionar uma experiência de cegueira a pessoas que vêm. Soa inquietante e é realmente estranho, mas ajuda a ver a e perceber muita coisa. Nos restaurantes da cadeia Dans Le Noir? as pessoas chegam a uma zona ainda iluminada, onde são convidadas a deixar tudo o que brilha ou tenha luz. Relógios, telemóveis, tablets, porta-chaves com lanternas e afins, ficam guardados na recepção. Depois de serem simpaticamente despojadas destes objectos, as pessoas são conduzidas para uma zona de penumbra que antecede a escuridão total. Pousando a mão no ombro dos empregados do restaurante, seguem em confiança. A partir do momento em que entram no escuro total, a confiança tem que ser radical.

Tal como num restaurante comum, são encaminhados para mesas num espaço onde há mais mesas e onde outras pessoas já estão sentadas a conversar, a comer ou à espera de serem servidas. A estranheza começa por estarmos num lugar onde não se vê rigorosamente nada, mas onde se ouve e percebe absolutamente tudo. Sem nos fazerem tropeçar, com uma arte e uma gentileza admiráveis, os empregados sentam-nos à mesa e perguntam o que queremos tomar. E anotam. Ou memorizam, para ser mais exacta. Discretamente desaparecem de cena, deixando-nos na mesa, como fazem todos os empregados em todos os restaurantes do mundo. E nós olhamos à volta, tentando ver alguma coisa, fazendo um esforço enorme para descobrir o menor brilho, um vestígio de luz ou o contorno de qualquer coisa. E nada. Uma escuridão total e completa. Então começamos a usar os outros sentidos e percorremos a mesa como os dedos para a sentir e definir o seu tamanho, tentando perceber onde acaba, e agitamos os braços como náufragos, como se estivéssemos a nadar no ar, fazendo gestos absurdos se fossem vistos à luz, tentando encontrar e segurar a mão de quem nos acompanha. Há um susto inicial que faz disparar o coração e acelera a respiração. Tentamos ficar calmos e proceder com naturalidade. Fazemos caretas que ninguém vê, torcemos o pescoço e olhamos indiscretamente para todos os lados. Não vemos, mas sabemos que também não somos vistos e isso dá-nos alguma tranquilidade e até margem para sermos como as crianças curiosas que olham em todas as direcções e revistam lugares e pessoas de alto a baixo. Não se vê nada e nenhuma luz vai voltar nas próximas horas e, por isso, o melhor é habituarmo-nos. Começamos a entrar no espírito, rimos dos nossos medos e, devagar, volta uma certa calma. As coisas melhoram quando nos trazem as bebidas e enunciam os pratos do dia.

A escolha por sugestão do empregado cego, ou por vontade própria, é sempre um momento alto. Escolhemos. Voltamos a ficar sozinhos enquanto nas outras mesas se ouvem vozes descombinadas, risos, gargalhadas, barulho de talheres e copos. Nada ali parece diferente do mundo lá fora, excepto na escuridão. Alguns conversam, outros namoram, grupos de amigos fazem brindes e há quem se levante e passe entre as mesas com aparente desembaraço para ir à casa de banho, que é em si mesmo outra experiência de confiança total.

Os empregados vão e voltam com passos leves e firmes. Pousam e levantam copos e pratos com extraordinária facilidade enquanto nós, ainda meio atordoados pelo escuro e tocados pela descontração do ambiente, começamos a aterrar ali e a conseguir conversar com naturalidade entre as entradas e o resto. Neste restaurante só trabalham cegos e é espantoso o que pessoas invisuais conseguem fazer num espaço como este, onde a decoração é o menor dos problemas. E quem diz a decoração, diz a cor das toalhas, o design dos pratos e tudo o que habitualmente nos faz escolher ambientes e criar tendências. Ali o que nos puxa e prende é podermos estar atentos ao essencial. Ouvir o outro, escutar o que nos diz, conversar, sentir a proximidade dos que estão à nossa volta e, acima de tudo, confiar. Confiar que o prato está bem cozinhado e devidamente servido; que o vinho é aquele que pedimos; a salada está bem lavada; a carne vem médio-mal passada e o peixe no ponto. Confiar que mesmo sem luz absolutamente nenhuma conseguiremos ver o essencial. E realmente vemos. Quando descontraímos e nos deixamos ir, quando finalmente baixamos as defesas e aceitamos a escuridão total, passamos a ver melhor. É inexplicável, mas é mesmo assim. E é por isso que aquela sensação inquietante que nos assalta ao início e nos faz querer fugir (podemos assumir isso sem problema, acho eu), se atenua à medida que o tempo passa e a refeição avança, seguindo o seu ritmo natural.

Muita coisa acontece no coração e atravessa o pensamento enquanto dura esta experiência de cegueira, mas uma é comum a todos: ninguém sai daquele restaurante igual. Ninguém sai como entrou, quero dizer.

À saída, a luz cega-nos e as pessoas parecem-nos subitamente estranhas. Ver outra vez a cara das pessoas, a maneira como estão vestidas e como se comportam parece esquisito. Por breves segundos quase apetece ficar na experiência do essencial que é essa confiança radical.

Vem tudo isto a propósito do ISOLEARN um encontro recente que reuniu universitários cegos e surdos na Gulbenkian, mas também um grupo consistente de especialistas em ensino especial, empreendedorismo e inclusão social. Tratava-se de discutir as questões que têm a ver com um ensino superior de maior qualidade e mais inclusivo, e durante um dia inteiro foram analisados estudos, estatísticas e dados relativos à realidade nacional. Estive lá e ouvi tudo com atenção. Senti o embaraço que muitos sentiram ao ver projectados num ecrã gigante os números baixíssimos de jovens cegos e surdos que chegam às universidades. Que vergonha viver num país que não se preocupa com estes jovens. Que desgosto ver que as políticas dos políticos nunca os elegem como prioridade imediata. Que drama nunca nada ser feito a pensar neles, naquilo que é mais urgente e mais mais falta lhes faz.

Tomando como exemplo os jovens universitários que estiveram na Gulbenkian e os testemunhos que deram, conseguindo falar com leveza e humor de situações pesadas e nada divertidas, recordo os exemplos da rapariga de Medicina e do rapaz cego que estuda Direito e já sabe muito sobre leis, mas nunca foi ao cinema nem viu os Óscares esta semana. Não sabe como é a cara do Leonardo DiCaprio nem como conseguiu sobreviver no filme que finalmente lhe deu o Óscar. Este e outros rapazes e raparigas chegam às universidades depois de anos a penar em escolas secundárias, muitos deles sem outros apoios para além da família, dos amigos, dos bons professores e daquelas senhoras mais queridas que há sempre nos serviços administrativos e se compadecem com a falta de ajudas e subsídios.

Na Universidade, seja ela qual for, raramente encontram manuais, sebentas e material de estudo compatível com a maneira como aprendem. Muitos deles são pioneiros porque chegam a faculdades onde nunca houve nenhum cego antes deles, e isso obriga os serviços, mas também alguns professores, a descerem do pedestal das suas cátedras para inovarem e inaugurarem novos métodos pedagógicos. O problema é que nem todos colaboram, e mesmo os que ajudam sabem que tudo isto demora eternidades e cria uma erosão interior brutal nos alunos. A esmagadora maioria dos jovens invisuais não dispõe de materiais de estudo em formato digital que possam depois ser convertidos por programas de computador que verbalizam ficheiros e lhes permitem copiar, editar, sublinhar, ‘ver’ e tornar a rever as matérias. A verdade nua e crua é que nas universidades quase não há respostas para cegos. E por isso é que não há lá cegos. Os invisuais são postos de lado à partida e vêem-se ‘às aranhas’ (eles dizem ‘às aranhas’ quando nós dizemos ‘às cegas’) para conseguirem cumprir o que lhes é academicamente exigido. Ser cego e ter uma licenciatura, Mestrado ou Doutoramento é uma verdadeira proeza olímpica. Alguns conseguem, mas muitos desistem. Ou nem tentam. E é pena.

Nós, os que vemos, devíamos olhar para esta realidade com outros olhos. E fazer as mesmas manifestações, debates e petições que fazemos por outras causas, a exigir medidas imediatas de apoio a estes e outros jovens. Hoje falei dos cegos, mas a realidade dos surdos é ainda pior porque gera mais exclusão e, por isso mesmo, carece de uma atenção ultra especializada que implica custos com tradutores de língua gestual, entre outras exigências imperativas de sobrevivência. Estes jovens não podem ficar fora do sistema educativo. Nem podem continuar a viver dependentes do amor e boa vontade de mães, pais, amigos, colegas, professores e senhoras queridas da secretaria que voluntariamente se dispõem a ficar horas a fio, noite após noite, a digitalizar, folha por folha, séries inteiras de manuais que podem chegar a ter 600 páginas. Todos os jovens com necessidades especiais deviam ter o acesso ao ensino facilitado, seja em questões de acessibilidades ou materiais de estudo. E todos devíamos fazer, pelo menos uma vez na vida, uma experiência de cegueira para percebermos alguns básicos essenciais. Enquanto tratarmos os nossos invisuais como se não existissem, ou não tivessem necessidades especiais, estamos a dar corpo ao manifesto popular que diz que o pior cego é aquele que não quer ver.
 

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[1.Mar.2016]
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Com varas ou à mão, cegos experimentam a apanha da azeitona no Douro

LUSA | Sapo

31 de Janeiro de 2016
 

Com varas ou à mão, cegos experimentam a apanha da azeitona no Douro
 

Uns trocaram as bengalas pelas varas, mais pequenas ou maiores, e bateram na oliveira para deitar a azeitona para a lona estendida no chão. Outros optaram por tirar o fruto diretamente dos ramos e ainda houve quem se tenha ajoelhado para apanhar a azeitona da lona, separando-a das folhas, para meter dentro dos baldes.

"É uma experiência espetacular, nova. Nunca tinha vindo à apanha da azeitona, nem sabia como era feita. Mesmo não vendo está a ser excelente", afirmou à agência Lusa Jaime Oliveira, que foi de Vila Nova de Gaia para o planalto de Favaios, no concelho de Alijó, distrito de Vila Real.

A Quinta da Avessada abriu as portas no sábado para um grupo de meia centena de cegos e amblíopes para a apanha da azeitona, mas já em setembro alguns deles aqui tinham estado para vindimar.

"Já fizemos cá a apanha da uva e era muito mais simples porque nós, com o tato, conseguimos sentir onde estavam as uvas e os cachos. Aqui é um pouco mais difícil. Com a vara não conseguimos saber onde estamos a bater, a perceção é um pouco diferente. Conseguimos saber que estamos a bater na árvore, mas especificamente na azeitona não sabemos", explicou Jaime Oliveira, que há sete anos perdeu grande parte da sua visão.

Mais fácil foi, continuou, "ripar a azeitona porque se sente a diferença entre a folha e a azeitona": "Mesmo sendo ela pequenina, nós temos a sensibilidade na mão, onde está a azeitona".

Este foi também um presente de aniversário para este "novo agricultor do Douro", que fez 55 anos durante a atividade promovida pela delegação do Porto da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO).

O ambiente foi de festa no olival, com música de acordeão e de bombo à mistura e, entre gargalhadas, alguns gritavam "cuidado com as cabeças".

"Estive a varejar com o pau. Estive a apanhar a azeitona, a ripar, tenho as mãos cheias da gordura do azeite, mas estou muito contente", salientou Maria do Céu Francisco, 57 anos e residente em Santo Tirso.

E à pergunta sobre o que sentiu, esta "trabalhadora" respondeu: "liberdade".

"Liberdade porque quando a gente pega em qualquer coisa está sempre com medo de dar em alguém e aqui a gente dava, dava e sentimo-nos à vontade. Só tinha de ter cuidado para não acertar na cabeça de ninguém, mas não acertei, por acaso, muitas vezes o pau dos outros é que dava no meu", contou.

Para Maria do Céu, este é um "trabalho muito duro" e, por isso, "realmente o azeite merece o valor que tem".

Os namorados José Rodrigues, 41 anos, e Carla Vieira, 29, lideraram o grupo no caminho para o olival, com a vara às costas e sempre a dançar. Trabalharam com entusiasmo e José fez questão de ensinar a Carla o que fazer, já que esta não foi a primeira vez que apanhou azeitona.

"Foi rever uma experiência. Estive a varejar, a escolher a azeitona porque não pode ir com folhas, tem que ir tudo separado, e a pôr dentro do cesto", referiu.

Paula Costa, 49 anos e presidente da delegação do Porto da ACAPO, salientou que o grupo gostou da experiência e explicou que "muitos nem sequer tinham a noção da oliveira, da rama, da azeitona na oliveira, do varejar a azeitona".

Estas pessoas, frisou, recusam-se a ficar em casa. "Nós somos cegos, amblíopes, mas podemos fazer tudo ou quase tudo que o normal visual faz. Mas em casa, fechados, nunca", frisou a responsável, que perdeu 95% da visão há 10 anos.

Também Jaime Oliveira fez questão de deixar a mensagem: "Só não vemos, o resto funciona tudo e com os outros sentidos conseguimos superar a incapacidade da visão".

Depois da vindima e da azeitona, o grupo vai regressar à Avessada em março para a matança do porco. Esta quinta recebe milhares de turistas durante todo o ano.

PLI // ROC
 

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[24.Fev.2016]
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Marido planta um campo enorme de
flores para alegrar a esposa cega

Sandra Santos / Corriere

18 de Fevereiro de 2016

 


Na cidade de Shintomi , no Japão, há um jardim em flor: uma grande extensão rosa de Shibazakura com milhares de flores que atraem dezenas de turistas. A história do jardim na pequena fazenda em Shintomi é tocante. Lá vivem Sr. e Sra Kuroki que são casados desde 1956. Eles dedicaram uma vida inteira no trabalho com vacas. Um trabalho muito difícil. Eles criaram dois flhos que, agora são adultos. Após a aposentadoria, o casal queria organizar uma viagem para visitar quase todo o Japão.

No entanto, após 30 anos de casamento, a Sra Kuroki, então com 52 anos, de repente começou a ter problemas oculares. Por causa de complicações relacionadas com a diabetes sua visão começou a diluir-se, até não enxergar mais. Com a cegueira veio a depressão, se fechou em si mesma e não saia mais. O marido, no entanto, não se deu por vencido e procurou uma maneira de trazer um sorriso de volta à sua amada.

O gesto de amor é um enorme jardim florido. Foram dois anos de trabalho e milhares de plantas. Ainda que a senhora Kuroki nao possa ver a magnifica extensão de flores, pode desfrutar do perfume das flores Shibazakura. Ela reencontrou o prazer e a vontade de sair de casa. E também o sorriso.
 

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[19.Fev.2016]
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BE quer repor apoio de Educação Especial para milhares de alunos

DN | Pedro Sousa Tavares

18 DE FEVEREIRO DE 2016
 


Subsídio entregue aos pais foi substituído por protocolo com a rede interna. Mas Bloco diz que resposta é insuficiente. Deputados discutem regresso ao modelo anterior

À primeira vista, os protagonistas desta história parecem trocados: em outubro de 2013, no governo PSD/CDS, o Instituto da Segurança Social e a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares assinaram um protocolo para integrar em serviços da rede pública, nomeadamente nos centros de recursos para a inclusão (CRI) das escolas, um conjunto de terapias que eram oferecidas por entidades externas aos alunos com necessidades especiais ou de aprendizagem. Hoje, no Parlamento, o Bloco de Esquerda apresenta um projeto de resolução para anular essa medida e regressar ao modelo anterior, em que as famílias destes estudantes recebiam subsídios de educação especial, para poderem contratar esses serviços a entidades privadas.

A explicação é dada ao DN por Joana Mortágua, do Bloco, uma das autoras do projeto de resolução: a decisão do anterior governo, diz, esbarrou na realidade da falta de capacidade de resposta da rede existente. E muitas crianças, regra geral "as mais carenciadas", acabaram por perder por completo - ou pelo menos ver drasticamente reduzido - o acompanhamento que recebiam até então: "A nossa opinião é que as escolas devem ter todas as capacidades e recursos de que as crianças necessitam", ressalva.

"O problema é que não têm. E no anterior governo, acharam que resolviam alguma coisa retirando o subsídio a milhares e milhares de crianças."

Em resposta ao DN sobre esta questão, o Ministério da Educação adiantou que está a convocar "os diferentes interlocutores relevantes para a construção de uma política setorial sobre este tema para resolver de forma articulada e consequente as lacunas que ele apresenta".

Não se sabe ao certo quantas crianças foram afetadas pela medida do anterior governo. No ano passado, a Associação de Pais e Amigos de Crianças e Jovens com Necessidades de Apoio Especializado estimou cinco a seis mil o número de estudantes a precisar deste acompanhamento, adiantando que apenas cerca de 5% continuariam abrangidos pelo subsídio.

Da mesma forma, não é fácil estimar quanto poderá custar o regresso ao modelo anterior. O valor do subsídio é variável, dependendo do apoio específico, da sua periodicidade e da condição socio-económica da família do aluno. Em 2015, de acordo com contas dos sindicatos, o conjunto das verbas para a Educação Especial terá sofrido uma quebra de 30 milhões de euros.

Acompanhamento reduzido

O que parece ser consensual é que a alternativa interna encontrada pelo anterior governo ficou muito longe de corresponder às necessidades reais: "Os apoios que o Estado proporciona às crianças com dificuldades têm sido extraordinariamente mitigados", confirmou ao DN David Rodrigues, presidente da Pró-Inclusão - Associação de Professores de Educação Especial.

"Nos centros de inclusão considera-se apoiado um jovem que tenha 45 minutos por semana de uma terapia, o que obviamente não é nem de perto nem de longe suficiente. Basta pormo-nos no papel dos pais e pensar o que seria se o nosso filho tivesse 45 minutos de fisioterapia por semana", adiantou.

Em muitos casos, com a inclusão nos CRI, alunos com apoios como terapias da fala e ocupacionais viram reduzido a um terço o acompanhamento semanal. E este não é o único problema, diz Joana Mortágua: ao substituir, "violando a lei", a forma de sinalização dos alunos, que passou a ser feita pelas escolas a que estes pertencem em vez de por um médico, muitos dos que anteriormente eram abrangidos deixaram de o ser.

Redução brutal

"A redução de 2012 para 2013 foi brutal. Estamos a falar de crianças que, de um momento para o outro, perderam o acesso a subsídios. Vamos ver se isto não terá consequências para as suas vidas", avisou. "Retirar uma terapia da fala, ocupacional, um apoio para crianças hiperativas, língua gestual, pode significar que a criança tenha as suas capacidades de aprendizagem seriamente comprometidas".

David Rodrigues considera que a intenção de transferir respostas para o interior das escolas não é, em si própria, negativa: "O que é preciso é reforçar a intervenção do Estado, de maneira também a que os apoios às crianças com necessidades educativas especiais não sejam pura e simplesmente uma relação de oferta e procura no mercado", defendeu.

E esta é também, disse ao DN Joana Mortágua, a ideia do Bloco de Esquerda, para o qual o regresso ao modelo anterior não significa que se esteja perante o fim da discussão: "Não quer dizer que não haja necessidade de se rever toda a legislação em relação à atribuição dos subsídios de educação especial, nem que o Estado e o Ministério da Educação desistam de investir na atribuição destes recursos para a escola."

O problema está no imediato, em que existe uma carência para a qual é preciso encontrar uma solução.

Repensar forma de pagamento

Caso esta iniciativa avance no Parlamento - e o PS deu, enquanto era oposição, sinais de que seria favorável à reposição dos subsídios -, terá também de ser repensada a forma como estes são pagos.

No anterior governo, para os casos em que este apoio se manteve, foi instituída a prática de passar a pagá-los diretamente às famílias, em vez das empresas prestadoras dos serviços. E consequência das dificuldades económicas pelas quais passavam, acabaram por usar o dinheiro para fazer face a outras despesas.
 

publicado por MJA 
[18.Fev.2016]
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Sobre arte, visão e percepção

'Olho Mágico – Fotografia, Cegueira e Ciência'

LUCAS BUZATTI

17/02/16


 Clique de Leonardo mostra a fotógrafa cega sob uma foto sua
 Clique de Leonardo mostra a
fotógrafa cega sob uma foto sua
 

“A visão é uma ferramenta, uma máquina, enquanto a percepção é um aprendizado, uma cultura, uma experiência que se desenvolve durante o processo de diálogo da pessoa com o mundo”. A reflexão é do artista brasiliense Leonardo Costa Braga, que lança hoje, em Belo Horizonte, seu livro “Olho Mágico – Fotografia, Cegueira e Ciência”. A obra, que recebeu o Prêmio Nacional Rede Funarte de Artes Visuais, é resultado de uma experiência multidisciplinar que mistura linguagens artísticas e pesquisas científicas na busca pelo entendimento dos limites entre visão e percepção na contemporaneidade.

O livro acompanha um DVD com vídeos-arte do projeto e audiodescrição de todas as páginas para os deficientes visuais. Tanto os vídeos como as fotografias – uma das principais linguagens artísticas utilizadas por Leonardo – foram criados a partir do relacionamento do autor com os fotógrafos cegos Josias Neto e Bê Moraes, envolvidos com o projeto de alfabetização visual do curso de extensão da faculdade de fotografia do Centro Universitário Senac, de São Paulo.

“Muita gente pergunta: ‘Mas como fotografam se são cegos?’. Ora, ninguém fotografa porque vê. Você fotografa porque quer contar uma história, quer criar, quer tornar-se consciente. Tem a ver com criatividade, com inspiração, com sentimento”, afirma Leonardo Costa Braga. Para o livro, o artista fez fotos que protagonizam Josias e Bê. “Projetei uma fotografia da Bê, de uma rosa, e a pedi para andar na frente da imagem, criando uma nova fotografia”, conta sobre uma das imagens.

Leonardo afirma que sempre foi encantado pelos cegos, o que o levou a questionar os limites da visão e da percepção. “A grande questão do livro não é arte e fotografia, necessariamente. Mas, sim, o arquétipo da visão, presente na nossa sociedade”, defende. “Estamos em uma sociedade que vê muito, mas que nunca foi tão cega. Estamos vendo mais e aprofundando menos, contaminados pela superfície da visão. Internet, celular, televisão, é tudo visual. Mas precisamos estar mais lúcidos e mais conscientes do que vemos. Estamos perdidos na visão”, filosofa.

Para entender melhor a questão, o artista se propôs a ficar quatro dias “cego” – com os olhos totalmente vedados e caminhando com o apoio de uma bengala. A experiência foi registrada numa série de vídeos, que integram o DVD. “Minha percepção foi de que enxergamos e sentimos muito mais quando fechamos os olhos”, afirma Leonardo, que trabalhou com cegos no Instituto Benjamin Constant, aos 17 anos, quando morava no Rio de Janeiro. “Sempre admirei muito os cegos. Parece que, mesmo não vendo, conseguem se relacionar melhor com os outros. São mais calmos, mais concentrados”, diz, lembrando, também, das dificuldades. “É claro que um fotógrafo cego terá mais dificuldade com foco e enquadramento. Mas ele pede ajuda e vai se acostumando. Isso não o impede de criar”, completa.

Ciência.

Outra parte importante do projeto foi desenvolver imagens com neurocientistas do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que demonstram simbolicamente como o cérebro transfere a visão para a pele, a audição e a imaginação quando os olhos não podem mais ver. “Para a ciência, a visão é uma experiência cognitiva do cérebro, e não do olho. A visão é resultado da experiência pessoal de cada um”, afirma Costa Braga.

Um dos grandes nomes da ciência brasileira que participam do projeto é Sidarta Ribeiro, que recentemente lançou na Flip seu livro “Limiar, uma Década entre Mente e Cérebro”. “Há uma pesquisa do Instituto do Cérebro que mostra que, quando a pessoa está sob o efeito da ayahuasca, tendo as chamadas ‘mirações’, se aciona o córtex visual primário, a mesma área do cérebro responsável pela visão. Ou seja, há uma diferença cientificamente comprovada entre visão e percepção”, diz o artista, lembrando que a pesquisa em questão foi publicada no jornal norte-americano “The New York Times”.

Para Leonardo, a mistura entre ciência e arte reflete os anseios dos nossos tempos. “A arte não quer mais ser só arte, a filosofia não quer mais ser só filosofia, a ciência não quer mais ser só ciência. Estamos deixando esse mundo estipulado por regras cartesianas para viver experiências mais diretas com a realidade”, conclui o artista, que vai apresentar, também, obras que marcam sua trajetória.
 

publicado por MJA 
[17.Fev.2016]
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Visita aos bastidores da Culturgest
para cegos e amblíopes


destaque


A Culturgest realiza, no dia 5 de março, uma visita aos bastidores do grande auditório destinada a cegos e amblíopes.

Neste percurso os visitantes vão descobrir (através da audição, tato, olfato e temperatura) o fosso de orquestra e os camarins do Auditório, aprender como se fazem as mudanças de cenário e os efeitos de luz e conhecer as histórias vividas pelos técnicos que diariamente trabalham nestes espaços.

  • Esta visita tem a duração de 1 hora e terá 2 sessões: às 15h e às 17h30.
  • Os ingressos têm umo valor de 5€, para o público em geral, e de 2,5€ para menores de 30 anos, maiores de 65, desempregados e sócios da ACAPO.
  • Os acompanhantes não pagam.


É obrigatória inscrição prévia para  culturgest.bilheteira@cgd.pt .

fonte: INR
 

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[17.Fev.2016]
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Apoios à Educação Especial da Fundação Gulbenkian



As candidaturas ao Concurso da Fundação Calouste Gulbenkian - Educação Especial 2016 estão abertas entre 1 de fevereiro e 4 de Março 2016.

Podem candidatar-se instituições públicas ou privadas, individualmente ou em associação, que apresentem a Concurso atividades e ações que promovam a educação, no âmbito da intervenção precoce, reabilitação e integração escolar e social de crianças e jovens com necessidades educativas especiais.

As candidaturas devem contemplar, especialmente, as seguintes iniciativas:

  • Ações de formação para professores, educadores e outros profissionais ligados à educação;
  • Ações de formação para pais e encarregados de educação de crianças e jovens com necessidades educativas especiais, promovidas por Associações de Pais, ou outras instituições, preferencialmente ligadas a instituições de ensino.
  • Aquisição de equipamentos para melhoria da qualidade do atendimento e da aprendizagem do público-alvo.

Estes projetos devem identificar, projetar e desenvolver experiências concretas, que permitam criar condições para uma efetiva melhoria da qualidade das aprendizagens destas crianças e jovens.


Consulte o Regulamento, o Anexo ao Formulário de Candidatura e submeta a sua Candidatura on-line.

fonte: INR
 

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[17.Fev.2016]
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Superior quase sem serviços de apoio a alunos com necessidades especiais

Lusa | DN

29-01-2016


Dos 291 estabelecimentos de ensino, apenas 94 têm serviços de apoio, indica o Grupo de Trabalho para o Apoio a Estudantes com Deficiências no Ensino Superior

Os alunos com Necessidades Educativas Especiais são esquecidos quando chegam ao ensino superior, onde apenas 94 instituições têm serviços de apoio ou pessoas destacadas para os ajudar, segundo um inquérito a 291 estabelecimentos de ensino.

No ano passado, o Grupo de Trabalho para o Apoio a Estudantes com Deficiências no Ensino Superior (GTAEDES), em colaboração com a Direção Geral de Ensino Superior (DGES), fez um levantamento junto das instituições públicas e privadas para perceber que apoios existiam para os alunos com necessidades especiais de aprendizagem.

A equipa contactou todos os 291 estabelecimentos de ensino superior registados e recebeu respostas de 238.

Destes, "apenas 94 instituições referiram ter uma pessoa de contacto ou um serviço para acolher estes alunos", contou à Lusa Cláudio Fernandes, da GTAEDES.

Num universo de milhares de estudantes a frequentar o ensino superior no ano letivo de 2013/2014, apenas 1.318 estavam identificados com tendo necessidades educativas especiais, segundo o inquérito que será divulgado em fevereiro a que a Lusa teve acesso.

"Estes números não querem dizer que não existam mais, simplesmente não estão é referenciados. Acredito que esta é uma pequena parte, porque se há instituições que têm serviços de apoio, existem muitas outras que não o têm", explicou Cláudio Fernandes.

Sem legislação que obrigue a ter serviços de apoio, "tudo depende da sensibilidade e da vontade política de cada instituição de ensino superior", sublinhou o especialista.

Na Faculdade de Ciências na Universidade de Lisboa, por exemplo, existe um serviço que apoia as cerca de 40 pessoas que têm este estatuto, devido a problemáticas variadas que vão desde deficiências sensoriais (visual e auditiva), doenças neurológicas, dislexia, deficiência motora ou questões do espectro do autismo.

Também a Associação CADIn, Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil, lamenta a inexistência de legislação que garanta o apoio aos estudantes quando chegam ao ensino superior.

Os últimos dados do Ministério da Educação, relativos ao ano 2014/15, indicam que existem mais de 76 mil alunos com Necessidades de Aprendizagem Específicas a frequentar a escola.

"As crianças crescem e continuam a precisar de alguns apoios. Os estudantes são esquecidos mas a educação não acaba no 12.º ano", alertou Leonor Ribeiro, cocoordenadora do núcleo idade escolar do CADIn.

A Técnica Superior de Educação Especial e Reabilitação lembra que estes estudantes são "competentes em termos cognitivos mas precisam de apoio".

Ao CADin têm chegado pedidos de ajuda por parte de professores universitários que querem apoiar os seus alunos mas acabam por se deparar com a falta de recursos para o fazer.

Por vezes, explicou, bastava haver uma adaptação ao nível da avaliação, como a cotação das provas, ou existir um sistema de tutoria.

No sábado, o CADIn vai promover a conferência "Crescer na Escola" sob o tema da Educação Especial, com o objetivo de encontrar soluções para estimular não só crianças que frequentam a escolaridade regular, como também jovens alunos que integram cursos superiores.
 

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[16.Fev.2016]
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“A Visão Depois da Cegueira” de Jorge Pina

Andreia Caturna Martins

Move noticias

7 Fevereiro, 2016
 

Ricardo Guedes e Jorge Pina durante a apresentação do livro - Foto: José Gageiro
Ricardo Guedes e Jorge Pina durante a apresentação do livro - Foto: José Gageiro


“A Visão Depois da Cegueira” verbaliza a vida de Jorge Pina que ficou cego há cerca de dez anos e titula a obra lançada a 18 de janeiro e, este sábado, apresentado no Porto pelo manequim e amigo Ricardo Guedes.

“Este livro tem como objetivo inspirar e motivar pessoas para ultrapassarem as dificuldades das suas vidas. Além disso, é uma forma de partilhar a minha história com o público”, explicou o atleta paralímpico à Move Notícias.

Jorge Pina, que perdeu a visão em 2006 quando se preparava para o mundial de boxe, acredita que muitas pessoas vão rever-se na sua história: “A mensagem que quero passar é que, com força de vontade, podemos ultrapassar os obstáculos e essa força de vontade está dentro de todos nós”.

O atleta, de 38 anos, assumiu que há um Jorge antes e outro depois da cegueira. “Agora sou mais moderado, mais consciente da vida e do mundo. Comecei a mergulhar mais dentro de mim e a ter uma visão diferente das pessoas”, acrescentou.

Apesar do otimismo com que enfrenta o dia-a-dia, não esconde que a falta de visão lhe “roubou” alguns prazeres da vida: “Sinto saudades de ver o céu, o pôr-do-sol…apreciar as pequenas coisas a que antes não dava importância. Além disso, gostava de poder acompanhar o crescimento dos meus filhos”.

Atualmente, o atletismo fez superar o abandono dos ringues, e é hora de se preparar para a participação na Maratona de Londres, com o objetivo de se apurar para os Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro.

Recorde-se Jorge Pina, em 2008, representou Portugal nos Jogos Olímpicos de Pequim, e repetiu o feito em 2012, em Londres. Em 2010, conquistou a medalha de prata na Maratona de Paris e fundou a Associação Jorge Pina, onde entusiasma os mais jovens a superarem-se.

 

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[8.Fev.2016]
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Todos Juntos Podemos Ler


A Rede de Bibliotecas Escolares, Plano Nacional de Leitura e a Direção de Serviços da Educação Especial e Apoios Sócioeducativos conceberam um projeto conjunto denominado Todos Juntos Podemos Ler, que tem como principal objetivo a criação de bibliotecas inclusivas, capazes de proporcionar oportunidades de leitura para todos os alunos.

Perante a crescente inclusão de alunos com necessidades educativas especiais nas escolas do ensino regular, as bibliotecas escolares veem-se, hoje, confrontadas com a imprescindibilidade de responder a uma população escolar com competências diversas e que requer, em muitas situações, meios tecnológicos diferenciados de acesso à leitura.

Criar bibliotecas escolares inclusivas, que assegurem reais oportunidades de leitura para todos os alunos, é talvez um dos maiores desafios colocados às bibliotecas, que se devem assumir como espaço de excelência para o desenvolvimento da literacia e como garante da igualdade de oportunidades quer em contexto sóciocultural, quer em situação de aprendizagem.

Na sequência da receção das candidaturas ao projeto 'Todos Juntos Podemos Ler', foram seleccionados, para o ano letivo de 2014/15, um conjunto de vinte agrupamentos.



fonte: http://www.rbe.min-edu.pt/np4/todos_juntos_podemos_ler.html

 

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[4.Fev.2016]
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Ana Sofia Antunes: São muitas as formas de ver

SOL

Mariana Madrinha

29-01-2016



Premissa: Ana Sofia Antunes é cega. Não há aqui nada de discriminatório. Ana Sofia Antunes é Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência. Ana Sofia Antunes chamou a atenção por ser o primeiro membro de um Governo com este tipo de deficiência. Juntamente com o seu colega Carlos Miguel, teve direito a uma chamada de capa no “Correio da Manhã” que gerou pelo menos 236 queixas à Entidade Reguladora da Comunicação Social, batendo os recordes de denúncias feitas àquela entidade. Ana Sofia Antunes, 34 anos, nasceu em Lisboa mas cresceu em Vale de Milhaços, Corroios. É licenciada em Direito, uma área de que sempre gostou, pela Universidade de Lisboa. Do seu currículo fazem parte um ano de exercício de advocacia, seis de assessoria jurídica da vereação da Câmara Municipal de Lisboa, dois anos como provedora do cliente na Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento (EMEL) e outros dois como Presidente da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal. Ana Sofia Antunes será, provavelmente (ou antes expectavelmente), até ao fim da legislatura, notícia pelo exercício do seu trabalho e não pela sua deficiência. Até agora, fez 41 audiências em 33 dias úteis e tem feito cerca de uma visita por semana a uma nova instituição. A verdade é que o voyeurismo da sociedade - e nosso -, pergunta-se: como é que uma pessoa com deficiência visual pode exercer, de forma independente, um cargo como o de secretário de Estado? Como assina despachos, faz visitas oficiais, elabora propostas de projetos de lei?

Não só pode como o faz com uma graça desarmante e um profissionalismo que só quem trabalha e se prepara consegue atingir. Fica aqui fechado o parênteses da cegueira. Obviamente que o tema voltará ao texto, até porque, falar com naturalidade de qualquer tipo de deficiência, faz parte do processo de inclusão. E esse é, no fundo, o grande desafio de Ana Sofia Antunes.

Passava pouco das 9:30 quando a secretária de Estado saiu do carro para a primeira visita do dia, o centro Hípico da Paiã, em Odivelas, vinda de Vila Franca de Xira, onde reside. A chuva, que tinha caído ininterruptamente nos dias anteriores, deu tréguas e o dia estava, apesar de frio, soalheiro.

A bengala cor de rosa espreita do carro. À espera estão já o presidente da Câmara Hugo Martins, vereadores, e o presidente da Escola Profissional Agrícola D. Dinis, onde se insere o Centro Hípico. Aqui, além de funcionarem cursos técnicos relacionados com equinos, há um programa especial a funcionar: o de hipoterapia, ou seja, equitação com fins terapêuticos para crianças com problemas cognitivos ou deficiências. A maioria dos alunos sofre de autismo e de multideficiência e frequenta o ensino público neste concelho. Há mais centros de hipoterapia no país e algumas parcerias celebradas entre, por exemplo, a Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa e a Sociedade Hípica Portuguesa. No entanto, este será exemplo único em que alunos do ensino especial da rede pública conseguem aceder a terapia com cavalos de forma gratuita - dado que muitos utentes provêm de famílias com baixos rendimentos, e até o transporte desde as escolas até à aula é assegurado pela Rodoviária de Lisboa.

Parece que é Ana Sofia Antunes a pôr as pessoas à vontade. Estende o braço ao presidente, cumprimenta os presentes que se aproximam e segue para o picadeiro coberto onde quatro alunos - João, Diogo, Rita e Wilson - intercalam a vez para montar um dos dois cavalos destinados a esta aula, Canela e Tebrito. “Canela? É por causa da cor?”, pergunta a secretária de Estado. Sim, confirmam as monitoras. Já o outro cavalo despertou-lhe a atenção pela meiguice com que servia de montada, e ri quando lhe contam que, num contexto sem crianças, o equino é até bastante rebelde.

“Já andou a cavalo?”, pergunta a responsável pela equipa multidisciplinar que coordena o projeto. “Já, muitas vezes”, responde. Neste momento, 62 alunos frequentam o Centro Hípico mas já chegaram a ser 70. A secretária de Estado sabe, por experiência adquirida no tempo de dirigente da ACAPO, que o contacto com animais “é muito importante para a auto estima”, além de “ter diversas vantagens para as diferentes áreas da deficiência”. No caso concreto da hipoterapia, “para as pessoas com deficiências motoras ou com condicionantes do ponto de vista da mobilidade tem essa dupla vertente: por um lado trabalha fisicamente os músculos e ajuda-as do ponto de vista da postura, por outro tem uma parte mais cognitiva e psicológica de trabalhar a auto confiança do miúdo.”

E contacto com os miúdos presentes nesta aula foi um ponto que Ana Sofia Antunes não descurou na visita, enquanto ouvia, em simultâneo, a explicação sobre o trabalho ali desenvolvido. Chamou todos os alunos pelos nomes - característica que parece ser sua - e fez questão de ver um bocadinho da aula de cada um. Sim, ver.


Sem medo do trabalho de campo

A primeira visita oficial de Ana Sofia Antunes aconteceu dia 2 de dezembro, menos de uma semana após a tomada de posse do novo Governo. Diz que “é no trabalho de campo que se descobrem as lacunas”, mas admite ter de controlar as saídas e recusar algumas pois também é necessário ficar no Ministério do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social a “coordenar trabalho a nível interno, a pensar, redigir propostas para diplomas legislativos e rever o trabalho que é feito pelos assessores”. Mas confessa o carinho especial que tem por este lado do trabalho, feito fora de portas. “Por um lado, sinto que estou em processo de aprendizagem, há muitas coisas das áreas que tutelo que tenho de conhecer melhor para poder fazer um bom trabalho”. Além da necessidade de conhecimento, há outro ponto que a Secretária de Estado considera essencial nestas visitas. “Sinto que de, forma transversal, uma coisa que vai perpassar ao longo deste mandato - e que sinto que é minha obrigação ir dando resposta na medida em que as minhas capacidades físicas me vão permitindo -, é a divulgação de realidades que a população em geral deve conhecer. Conhecer projetos da área da deficiência faz com que a população em geral comece a contactar com esta realidade com a maior naturalidade possível. Se eu puder, através da alguma visibilidade que tenho, ajudar a divulgar entidades para potenciar sinergias e multiplicar parcerias, é o ideal”.

O trabalho de uma entidade que Ana Sofia Antunes só agora conheceu mas considera “belíssimo” é o efetuado pela Casa Pia de Lisboa, instituição tutelada pela sua pasta. “As pessoas acham que enquanto secretária de Estado da Inclusão tenho trabalhado sobretudo na área da deficiência, mas tenho algumas responsabilidades acrescidas que me foram confiadas pelo ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social”. Para além da Casa Pia, a secretaria de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência assegura os trabalhos do Instituto Nacional para a Reabilitação, da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens, e ainda todas as matérias da área da adoção.


Visitar e não reunir

É para o Centro de Educação e Desenvolvimento (CED) de Pina Manique (Casa Pia de Lisboa), em Belém, que a agenda prossegue. Ana Sofia Antunes já tinha reunido com a presidente da instituição, Cristina Fangueiro, mas esta foi a primeira vez que visitou o espaço. À chegada, a secretária de Estado é conduzida para uma sala onde todos se sentam à volta de uma mesa oval: “Estou aqui para visitar e não para reunir”, avisa. Pede imediatamente o computador, onde vai tirando notas. Discutem-se as formas de cativar alunos para os cursos com menos procura mas que têm uma taxa de empregabilidade altíssima, como é o caso do curso de relojoaria. “Eles são muito novos quando escolhem”, assume Cristina Fangueiro. “E todos sabemos como é a adolescência”, remata Ana Sofia Antunes.

Os cursos profissionais de ótica, relojoaria (caso único na Península Ibérica), análises laboratoriais e desporto são os escolhidos para receberem a governante. Em cada sala, Ana Sofia Antunes faz perguntas aos professores e alunos, impressiona-se com o tamanho microscópico das peças dos relógios, que segura com as mãos, ou com a quantidade de alunos presentes nos cursos de desporto. O almoço é servido no restaurante pedagógico deste CED, preparado pelos alunos da área da cozinha e bar, e servido também por alunos que estudam para empregados de mesa. “Este trabalho com a Casa Pia, com os dirigentes, com os técnicos e professores que acompanham estes jovens tem sido, para mim, uma grande descoberta”, diz ao BI. “Os cursos que a instituição tem implicam um grande investimento tecnológico que é assegurado por aquela estrutura mas que dá, efetivamente, um background profissional aqueles jovens e que permite à maioria sair dali já com colocação no mercado de trabalho, o que hoje em dia é muito difícil”. Até porque, defende, nem todos os jovens são obrigados a ir para a universidade. “Acho que a sociedade está a evoluir no sentido de perceber que cada um deve ter a oportunidade de fazer as suas escolhas e de não ser vedado no percurso escolar - formativo e profissional - que venha a fazer. Durante muito tempo estivemos completamente vocacionados para a questão do ensino superior, e ele deve ser sempre uma opção para todos aqueles que o queiram, mas precisamos também de outras respostas e ali temos excelentes exemplos podem significar inclusão no mercado de trabalho”.

Duas visitas feitas, uma audiência ainda espera a secretária de Estado no ministério. Pelo caminho, aproveita para ler documentos e preparar-se para a reunião. É já no seu gabinete na Praça de Londres que nos explica as partes mais técnicas do seu trabalho. Rodeou-se de especialistas, oriundos de áreas tão distintas como a economia, o direito, a comunicação, os fundos comunitários e a mobilidade. “Um grupo pequeno mas muito coeso”, assegura. E rodeou-se também das ferramentas que lhe permitem trabalhar de forma independente. “No meu trabalho de escritório, uso um computador normal, com duas adaptações: um software leitor de ecrã, que no fundo é uma voz sintética que funciona no computador e que me lê todo o conteúdo de texto a que acedo, seja aos documentos em word, emails e qualquer acesso à internet. E depois tenho também outro programa que me ajuda bastante que é um OCR (Optical Character Recognition), que tem a especificidade de fazer automaticamente o reconhecimento de carateres e os transforma em texto. Portanto, posso gravar esse texto no formato em que entender e lê-lo de imediato. Basta pegar num papel, numa fotocópia, num ofício que chega, digitalizá-lo e lê-lo. E, basicamente, é isso. O computador mais pequeno que trago sempre comigo já anda na minha mala há muitos anos, é uma questão de gosto pessoal. No fundo é o meu bloco de notas, é onde acedo ao email e onde vou organizando as minhas ideias e o meu dia a dia. Contudo, assinar despachos ou outros documentos é algo que já fazia anteriormente. É uma ação que se treina ao longo dos anos”, conta.


Uma pasta pioneira

A Secretária de Estado desdramatiza e diz não se sentir pioneira por estar à frente de uma pasta anteriormente inexistente. “Esta pasta não existia, de facto, no anterior Governo, embora já tenha existido anteriormente, com uma configuração diferente, enquanto secretaria de Estado da Reabilitação noutros governos. O facto de se ter extinto e os assuntos da área da deficiência terem ficado dispersos por diversas outras pastas tirou coerência em termos de tratamento sistematizado. Por isso, não sei se estou a ser justa se disser que só eu é que estou a fazer este trabalho. Ele já foi feito. Mas, de alguma forma, tenho que voltar a desbravar terreno”.

No entanto, diz ter agora a confirmação de algo que já sentia anteriormente como pessoa com deficiência.”O que notava enquanto ativista e comprovo desde que aqui estou é que aquilo que aconteceu dentro de portas deste ministério foi deixar estas temáticas da deficiência para segundo ou terceiro plano e que se tornassem, como disse o nosso ministro [Vieira da Silva], o parente pobre das políticas sociais. E isso é uma perda enorme para o nosso sistema social, nomeadamente para as pessoas com deficiência”.

Estes tempos iniciais têm sido “gratificantes” e “estimulantes”, mas Ana Sofia Antunes não se esquece de que “não estamos ainda nem com dois meses de exercício”. Por agora sente que o seu trabalho ainda gravita à volta da delineação de um plano de ação, até porque o orçamento de Estado ainda não saiu. “Estamos a pôr a estrutura de pé e definir exatamente o nível de pastas de transição, ou seja, aqueles assuntos que de alguma forma ainda mexiam”. O outro desafio será “voltar a juntar todos os assuntos aqui, e ao mesmo tempo construir um plano de ação para os próximos quatro anos. Dá mais trabalho porque é preciso voltar a juntar os pedaços daquilo que foi desmembrado, mas ao mesmo tempo também funciona como estímulo adicional porque não estamos só a fazer um trabalho de continuidade, há uma grande renovação e áreas novas em que queremos apostar”.

E Ana Sofia Antunes está bem ciente das áreas em que é necessário intervir. “Todo o meu percurso enquanto pessoa que vivenciou a realidade da deficiência neste ponto de vista da limitação visual me deu obviamente muita informação, que só mesmo quem vivencia pode ter”, pelo que, se tivesse que escolher uma área prioritária de intervenção, não tem dúvidas. “Nesta fase temos muitos planos e sonhos na cabeça e queremos conseguir concretizá-los ao máximo. Mas se tivesse que escolher uma área prioritária para aquilo que considero que é o impacto na vida das pessoas com deficiência, principalmente aquelas que ainda estão a fazer o seu processo de inclusão, diria que há que combater a exclusão social e a pobreza que lhe vem associada. E portanto é para nós uma grande prioridade conseguir criar a prestação social única”.

Curiosamente, a última reunião do dia seria o único momento diretamente ligado com a deficiência visual, com a Associação Beira Aguieira de Apoio ao Deficiente Visual. “Há aqui um projeto-diploma que tem que ser alterado, sobre a lei dos cães guia”, explica Ana Sofia Antunes. Não resistimos à deixa e perguntamos à secretária de Estado se tem um cão guia, além da bengala cor-de-rosa que sempre a acompanha. “Tenho, mas não é um cão guia. É um cão cão!”.

 

publicado por MJA 
[1.Fev.2016]
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Governo arranca hoje com iniciativa
"Percursos pela Inclusão"

Por Lusa

27.01.2016
 


imagem: Ana Sofia Antunes

 

A secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência arranca hoje, no Porto, com a iniciativa "Percursos pela Inclusão", com vista a mostrar entidades que contribuem para a inclusão e para a promoção dos direitos das crianças e jovens.

Ana Sofia Antunes vai andar, numa primeira fase, pelo norte do país, passando por Porto, Vila Nova de Gaia, Viana do Castelo, Guimarães, Braga, Póvoa de Lanhoso, Vila Real e Alfândega da Fé. A iniciativa tem por tema "Respostas sociais inovadoras no âmbito da Inclusão" e esta primeira fase decorre entre o dia de hoje e 29 de janeiro.
 

publicado por MJA 
[27.Jan.2016]
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CARTA ABERTA a MARCELO REBELO DE SOUSA:
ESSE ESTACIONAMENTO NÃO É SEU!

26-01-2016
 

Se quer o meu estacionamento, fique com a minha deficiência

 

Exmo Professor Marcelo Rebelo de Sousa,

Antes de mais, damos-lhe os parabéns pelo extraordinário momento que vive na sua vida. Foi eleito Presidente da República Portuguesa. Será, a partir de dia 9 de Março, a cara, a voz e o punho de um povo com cerca de 900 anos de história. Deve estar radiante e não é para menos. Nós, não estamos nada radiantes, e não é para menos também.

Apesar de ser professor catedrático há mais de 30 anos, hoje vemo-nos obrigados a dar-lhe uma aula subordinada ao tema "cidadania e civismo". Só o fazemos porque no primeiro dia após a sua eleição, mostrou uma forte carência de conhecimentos nesse domínio. Grave para qualquer cidadão. Inqualificável para um futuro Presidente da República.

Entenda, por favor, que existem pessoas que por acidente ou doença se encontram fortemente limitadas na sua mobilidade. Devido ao reconhecimento dessa mesma realidade, foram criadas leis (veja bem como isto não deveria ser novidade para si) para atenuar as dificuldades e desvantagens que estas pessoas sentem diariamente. Agora tire apontamentos, é importante, sairá na frequência: segundo o art. 50º do Código da Estrada relativo à proibição de estacionamento, o Professor terá de pagar uma coima de 60 a 300 euros. É proibido estacionar sem dístico nos lugares reservados para pessoas com mobilidade reduzida. E mais (não pouse já a caneta): o art. 82º do código da estrada prevê relativamente à ausência de utilização de dispositivos de segurança uma coima de 120 a 600. Pois é, até chegar ao estacionamento reservado, conduziu sem cinto.

Hoje, ficamos por aqui. Já falamos de questões importantíssimas! Como trabalho de casa fica a exigência do pagamento das devidas multas, sendo que não dispensamos ainda um pedido de desculpas a todos os portugueses, em particular àqueles que vivem com diversidade funcional. Acreditamos que tenho sido um mau dia. Ainda temos esperança de um dia lhe darmos uma nota excelente.

Movimento (d)Eficientes Indignados
 

publicado por MJA 
[26.Jan.2016]
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Jovens investigadores da UC recebem bolsa para tratar a cegueira e solos contaminados

Ana Maia | DN

26-01-16

 

Fundação Calouste Gulbenkian entrega bolsa de estímulo à investigação para jovens com menos de 26 anos


João Calmeiro e João Vareda, investigadores da Universidade de Coimbra, foram distinguidos pela Fundação Calouste Gulbenkian, com Bolsas de Estímulo à Investigação no valor de 12.500 euros cada. O primeiro desenvolve um trabalho que pretende curar a cegueira, o segundo quer tratar solos contaminados com metais pesados. Os prémios destinam-se a investigadores com idade inferior a 26 anos e vão ser entregues no dia 9 de março.

João Calmeiro faz investigação no Centro de Neurociências e Biologia Celular. O trabalho recai sobre uma proteína - a canalrodopsina-2 - que poderá ser utilizada como ferramenta contra a cegueira causada por degeneração da retina, uma doença que afeta mundialmente mais de 15 milhões de pessoas.

"A nossa investigação procura dar capacidade de resposta à luz aos neurónios da retina que não têm essa capacidade naturalmente. O projeto visa alterar as propriedades de absorção de luz da proteína "canalrodopsina-2", que naturalmente responde apenas à luz de cor azul, e criar novas variantes que absorvem e respondem à luz de outras cores", o jovem investigado, que diz ser "um enorme orgulho receber este prémio de uma instituição tão prestigiada".


fonte: http://www.dn.pt/sociedade/interior/jovens-recebem-bolsa-para-tratar-a-cegueira-e-solos-contaminados-4999438.html
 

publicado por MJA 
[26.Jan.2016]
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Governo liberta 7 milhões para
qualificar pessoas com deficiência

Filomena Barros

21 Jan, 2016



A Renascença apurou que se trata de uma medida excepcional. Os destinatários são pessoas com deficiência, à procura de emprego ou desempregadas.

O Governo aprova esta quinta-feira o reforço financeiro de 125 instituições de apoio à qualificação de pessoas com portadoras de deficiência. Trata-se de uma medida excepcional, enquanto espera pelas verbas de Bruxelas.

São 7,3 milhões de euros para garantir acções de qualificação a quase oito mil formandos, entre Janeiro e Março. Os destinatários são pessoas com deficiência, à procura de emprego ou desempregadas. Há vários anos que estas acções de formação são financiadas pelo Fundo Social Europeu.

Acontece que os habituais atrasos na transição entre quadros comunitários estão a ser mais graves e o Portugal 2020 não está ainda a aceitar candidaturas, no âmbito do Programa Operacional de Inclusão e Emprego. Ou seja, até 31 de Dezembro do ano passado, as 125 entidades que prestam este serviço tiveram verbas do QREN e, a partir de 1 Janeiro, ficaram sem financiamento.

Ficaram, assim, em causa as acções de formação, os subsídios aos formandos e os salários dos técnicos das instituições. Preocupadas com a situação, quatro federações alertaram o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

A solução, apurou a Renascença junto de fontes oficiais, está numa medida de apoio excepcional e temporária que garante as verbas para os primeiros três meses do ano. O financiamento será suportado em colaboração com o Instituto de Emprego e Formação Profissional.

A expectativa é que, em Fevereiro, já seja possível apresentar candidaturas no Programa Operacional do Portugal 2020. As instituições esperam que em Abril já tenham o dinheiro enviado por Bruxelas.

 

Resolução do Conselho de Ministros n.º 4/2016  È aqui.
 

publicado por MJA 
[23.Jan.2016]
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Como tornar os locais de voto acessíveis?
A Câmara de Lisboa responde.

INÊS BOAVENTURA

15/01/2016
 

A acessibilidade da assembleia de voto mede-se no edifício onde ela está instalada mas também na envolvente a ele. 


A equipa do Plano de Acessibilidade Pedonal elaborou um guia com "boas práticas para a instalação de assembleias de voto acessíveis"

Porque “na hora de votar a acessibilidade conta, principalmente para cidadãos idosos, cegos ou com baixa visão e com mobilidade condicionada”, a equipa do Plano de Acessibilidade da Câmara de Lisboa elaborou um guia com recomendações sobre como tornar as assembleias de voto “acessíveis”.

O documento começa por fazer um enquadramento da legislação em vigor, no qual se lembra que desde 2006 “existe legislação que define as condições de acessibilidade a cumprir no âmbito do projecto e na construção de espaços públicos, equipamentos colectivos e edifícios públicos”. No caso concreto das assembleias de voto, a Lei Eleitoral da Assembleia da República define que elas “devem reunir-se em edifícios públicos, de preferência escolas, sedes de municípios ou juntas de freguesia que ofereçam as indispensáveis condições de capacidade, segurança e acesso”.

Feito o enquadramento legislativo, a equipa coordenada por Pedro Homem de Gouveia sintetiza algumas das recomendações que diferentes entidades internacionais e nacionais têm produzido sobre este tema. Entre elas as da Comissão Nacional de Eleições, que segundo se lê no documento da Câmara de Lisboa “tem vindo a aconselhar especial atenção na escolha dos locais de voto”, defendendo que “a questão da acessibilidade de todos os cidadãos às assembleias de voto, designadamente dos cidadãos portadores de deficiência e dos cidadãos com dificuldades de locomoção, deve ser o elemento preponderante na escolha dos locais a utilizar”.

Mas afinal o que faz com que uma assembleia de voto seja acessível? Para a equipa responsável pelo Plano de Acessibilidade Pedonal, tal depende não só das “condições físicas no edifício onde é instalada a assembleia de voto”, mas também da “envolvente” a esse edifício e do próprio “processo de votação”.

Começando pela envolvente da assembleia de voto, os técnicos do município notam que junto a ela deve haver “paragens/estações de transportes públicos e parque de estacionamento”, bem como “uma área reservada para largada e tomada de passageiros que permita táxis e transportes adaptados”. “Entre estes locais e a assembleia de voto deve ser assegurada a continuidade e acesso livre de obstáculos”, acrescenta-se.

Quanto à assembleia de voto propriamente dita, a equipa do plano faz recomendações sobre a entrada no edifício, que não deve ter “desníveis”, sobre as secções de voto e sobre os percursos entre elas e a entrada. Além disso, é deixada uma sugestão: a de que no átrio de entrada das assembleias de voto “estejam uma ou duas pessoas que possam conduzir ou auxiliar pessoas com mobilidade condicionada, nomeadamente idosos, pessoas que se desloquem em cadeiras de rodas e pessoas com baixa visão ou cegas, até à secção de voto respectiva”.

Na secção de voto, sublinha-se, “existem dois equipamentos cuja disposição e características podem fazer toda a diferença para a plena acessibilidade ao voto”. São eles o “conjunto mesa/urna” e “a câmara de voto”. Em ambos, a altura é uma das preocupações a ter, para garantir que é possível a sua utilização por quem se desloca em cadeira de rodas.

Nas conclusões, a equipa coordenada por Pedro Homem de Gouveia frisa que “a livre participação nas eleições pressupõe o livre acesso à assembleia de voto” e que as autarquias “têm um papel preponderante” a este nível, uma vez que é aos presidentes de câmara que cabe fixar os locais de votação. O documento agora concluído pela autarquia intitula-se Acesso ao Voto - Boas práticas para a Instalação de Assembleias de Voto Acessíveis e pretende ser uma ferramenta de trabalho ao dispor de todos os interessados.
 

publicado por MJA 
[22.Jan.2016]
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Novo tablet para cegos gera letras em braile

 Diário Digital

15.01.2016

 

Novo tablet para cegos gera letras em braile

 

Braile é um sistema de leitura que permite a deficientes visuais «ler com as mãos», identificando cada letra ou símbolo através do tacto. Livros e outros produtos em braile geralmente imprimem o seu conteúdo em alto-relevo, para que pessoas cegas possam tocar e compreender. No entanto, isso não é possível com as telas touchscreen de smartphones e tablets. Por enquanto.

Investigadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, desenvolveram um tablet (ou, em termos mais exactos, um leitor electrónico como o Kindle, da Amazon) que gera letras em braile sobre a tela. Um sistema de ar comprimido empurra pequenos pinos para a superfície, gerando o alto-relevo.

A cada virar de página, as letras realinham-se e mudam o conteúdo sobre a tela. Não é a primeira vez que esta tecnologia é usada, porém, visto que em 2013 cientistas da Índia criaram um telemóvel cujo display também ganhava relevo com o toque. No caso do «Kindle em braile», o protótipo deve ficar pronto em Setembro deste ano, segundo o jornal Daily Mail -> notícia aqui.
 

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[15.Jan.2016]
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Falta de lágrimas causa instabilidade na visão

10.01.2016

por Cláudia Machado

Mais do que um reflexo das emoções, a lágrima guarda uma função essencial para a manutenção da saúde oftalmológica: mantém os olhos devidamente lubrificados. Sem elas, são muitas as consequências para a visão.

De um simples desconforto até à dificuldade em cumprir rotinas, é forte o impacto da Síndrome do Olho Seco. Este problema pode manifestar-se através de várias sensações oculares. "Entre os sintomas estão a sensibilidade à luz, os olhos vermelhos associados a lacrimejos e a dificuldade em cumprir atividades de fixação, como a leitura, a condução ou o uso do computador e flutuações na acuidade visual [capacidade do olho distinguir formas e contornos dos objetos]", explica ao CM Maria João Quadrado, presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia.

O diagnóstico de Síndrome do Olho Seco não significa, no entanto, que o doente não consegue chorar. Na verdade, em certas circunstâncias, o olho pode ter tendência a lacrimejar mais do que o normal, chegando a produzir lágrimas em excesso. É neste campo que toma importância a composição deste líquido, já que se a camada interna da lágrima estiver em falta, esta não se fixa no olho como deveria (ver infografia). "Para além do desconforto, tem um impacto negativo nas atividades diárias dos doentes e mesmo na sua qualidade de vida", alerta a especialista.


Tratamento com lágrimas de substituição

A Síndrome do Olho Seco "tende a ser uma doença crónica, sem solução definitiva", refere Maria João Quadrado, médica oftalmologista. O tratamento desta condição "é sempre efetuado com lágrimas de substituição", que surgem na forma de gel oftalmológico e corrigem a falta de produção de lágrimas naturais pelo doente.

"Podem ainda ser utilizados colírios anti-inflamatórios, antibióticos orais ou suplementos com ácidos gordos ómega 3/ómega 6", acrescenta a especialista. Casos mais graves tratados com bloqueio das ‘comportas’

Nos casos em que a doença apresenta maior gravidade, o tratamento pode passar "pela oclusão dos pontos lacrimais", explica Maria João Quadrado. Os pontos lacrimais são a porta de saída da lágrima da zona ocular. Estão localizados no canto interior dos olhos e fazem a ligação ao saco lacrimal, encaminhando para lá as lágrimas produzidas, cumprindo o circuito natural. Posto isto, com a produção deficiente nestes doentes, bloquear estes acessos permite preservar as poucas lágrimas produzidas.

Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/
 

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[15.Jan.2016]
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O AMOR É CEGO

ÂNGELA BASTOS

08/01/2016


Legenda descritiva: à meia-luz, aparece o casal Josiane Becker e Marcos Schllosser, ela à frente e vestida com blusa azul; ele atrás,dando-lhe um beijo no lado esquerdo do rosto. Ele veste uma camisa preta com listras claras e com a mão esquerda segura uma bengala - Foto: Alvarélio Kurossu

Na infância, a escuridão da cegueira. Na vida adulta, sentimentos na velocidade da luz

A reação a um antibiótico empurrou Josiane Cristina Becker para a escuridão. Uma conversa na rede social a encaminhou ao amor. Tinha três anos quando o uso do medicamento receitado em uma farmácia causou uma infecção brutal, queimando-lhe a retina. Estava com 31 anos quando reencontrou o colega de infância Marcos Antônio Schllosser, dos tempos das primeiras atividades para crianças cegas na cidade de Santo Amaro da Imperatriz. A paixão aconteceu na velocidade da luz.

Foram dois anos de namoro. Há um ano entraram no cartório para registrar a união estável. A fase da lua de mel continua. Se faltam olhares a se cruzar, sobram toques delicados, diálogos carinhosos, gentilezas na hora de saber qual bengala é de quem. Nenhum constrangimento com declarações como ¿amor da minha vida¿, ¿se ele for embora, abre-se o meu chão¿, ¿sem ela, a vida ficaria sem graça¿.

Para eles, a paixão entre pessoas cegas é igual a de todo mundo. Capaz de provocar calor no frio, frio no verão; prazer e dor. Mas com uma diferença que nem todos enxergam: a beleza estética não conta.

– Como não enxergamos, nos baseamos na voz, na conversa, no modo como a mulher se coloca – conta ele, revisor de material em braile e também funcionário da secretaria de Saúde de Florianópolis.

Esse interesse entre cegos costuma despertar curiosidade nas pessoas que desfrutam da condição visual. Há quem pense que eles se buscam mais pelas dificuldades e semelhanças do que pelo desejo.

– Sempre respondo que, exceto o impacto visual, acontece como a um homem considerado normal – responde Shllosser, antes de enumerar o que definitivamente o deixa de quatro na mulher:

– O toque na pele, o perfume, o cheiro de cabelo lavado.

Josiane estuda Pedagogia na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Trabalha também na Fundação Catarinense para Educação Especial e usa a expressão química para falar de paixão. Para ela, a impossibilidade do visual leva a exploração de sensações que de tão boas encaminham a um sentimento mais profundo, o amor.

– Quando isso ocorre, fundem-se sensações e sentimentos. Uma mistura que dá gosto. Seja cegamente doce demais. Seja cegamente amarga demais.


MELHOR É SER VISTO COM A ALMA

Namorando ou não, outros jovens cegos falam de suas experiências.

– Sou 100% toque – confidencia o estudante do ensino médio Renan Dal Pont, 19 anos, cego total.

O que também incendeia o corpo dele é o cheiro da pessoa:

– Como não enxergo nada, o que me deixa sem saber se estou diante de uma mulher morena, alta, de cabelos curtos ou longos, magra ou gorda, eu me deixo levar por aquilo que funciona como uma espécie de bálsamo.

Se toque e cheiro são bons, diz Renan, é paixão na certa. Tanto faz a pessoa ter cegueira total ou algum resíduo de visão. Mas ele sabe: o mundo não é visto pelas lentes do amor. Muitas vezes, não é fácil conquistar uma pessoa que vê com os olhos. Melhor deixar-se contagiar por uma que vê com a alma.

O coração de Leonardo Apolinário Inácio, 23 anos, outro com cegueira total, também aponta as flechas para o toque.

– Gosto muito de sentir a mão da outra pessoa. Isso ocorre, por exemplo, quando alguém me ajuda a atravessar a rua – explica o estudante de Direito da Unisul.

Para Leonardo, esse contato pode ser mágico. A temperatura, a textura da pele, o tamanho dos dedos ajuda. Quando dá liga, é como se todas as células, as terminações nervosas e os vasos sanguíneos descarregassem uma sensação de prazer indecifrável:

– Eu acho que o amor é mesmo cego. No meu caso e de tantas outras pessoas, enxergar o outro não é importante para provocar encantamento.


fonte: http://dc.clicrbs.com.br


 

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[8.Jan.2016]
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Como ensinam os professores com deficiência?
Sara R. Oliveira
31.12.2015

Arranjam estratégias, adaptam métodos, criam materiais, pedem ajuda aos colegas para corrigir testes. Carla Badalo é cega e dá aulas desde 2001. Ana Paula Figueiredo desloca-se num andarilho e, neste momento, tem oito turmas. Lurdes Gonçalves é surda e garante que não ouvir não condiciona o seu trabalho. Três histórias contadas pelo EDUCARE.PT.


Aprendeu sem cadernos, ensina com estratégias

Carla Badalo não vê. Nasceu com um glaucoma congénito. Vê apenas claridade, nada mais. Chegou a andar com uma bengala, agora tem um cão-guia que a acompanha para todo o lado. Mas quando chega a um novo local para dar aulas, o cão-guia tem de perceber por onde pode andar, por onde tem de ir, precisa de instruções. “Não é fácil, não conheço o mundo tal e qual as outras pessoas”, diz. Mas, desde muito cedo, aprendeu que quem tem boca vai a Roma. Assim é. Procurou estratégias para contornar dificuldades. Estudou Línguas e Literaturas Modernas, Português e Francês, sem cadernos ou livros, sem ver como se escreviam as palavras. Como professora, encontrou métodos para ensinar. Em certas aulas pedia a máxima atenção aos alunos para detetarem erros que os colegas escrevessem no quadro. Quem descobrisse erros, se os houvesse, “ganhava” bolinhas, prémios pela atenção.

Carla Badalo é professora desde 2001. No primeiro ano de estágio, deu aulas de Português e Francês. Em 2011, especializou-se em Educação Especial, na componente de deficiência visual, e em 2014 tirou uma nova especialização em Desenvolvimento Cognitivo e Motor. Carla Badalo é de Sintra e dá aulas a centenas de quilómetros de casa, em Viana do Castelo, no Agrupamento de Escolas de Abelheira. Quando começou a ensinar, não tinha materiais adaptados. A situação foi melhorando. Agora tem computador com Braille e com leitura de ecrã. Antes passava a matéria em acetatos ou em fotocópias. Neste momento, está na Educação Especial, coadjuva professores de várias disciplinas na parte da deficiência visual. A Educação Especial é a sua praia.

Os alunos que têm deficiência visual precisam de acompanhamento. Precisam de ajuda em várias atividades do dia a dia. Há coisas muito importantes a ensinar, como contar dinheiro, orientação e mobilidade, treinar a visão. Carla Badalo aprendeu a adaptar-se a qualquer circunstância. O cão-guia são os seus olhos, mas ele precisa de orientações. “Não faz o trabalho por mim”. Mas quem aprendeu sem livros, sabia que era possível ensinar sem ver. E como fazia para corrigir os testes? Depois de algumas experiências, optou por pedir ou pagar, dependia da disponibilidade das colegas, para a correção das provas dos seus alunos. Um processo que fazia questão de acompanhar passo a passo, cada resposta dada. Um aluno não podia perguntar-lhe o que era aquele ponto de interrogação no teste ou por que razão aquela resposta estava mal e a professora não saber responder. “É preciso ter confiança no que se diz e no que se faz”. Se tiver de pagar essa correção, o dinheiro sai-lhe do bolso, não há qualquer comparticipação.

Carla Badalo pede atenção aos colegas que trabalham com alunos com deficiência visual. Precisam de ter alguns cuidados. “Digam como se escreve, as vírgulas, as mudanças de linha, parágrafos, onde ficam os acentos nas palavras, os pontos finais, as maiúsculas”. Não se arrepende da profissão que escolheu. Mas não fica contente quando vê que as cotas para a colocação dos docentes com deficiência não são respeitadas à letra. “Nem sempre há vagas e a tutela não tem isso em conta”. O que está escrito nem sempre é aplicado na prática.


Dar aulas sem ouvir

Lurdes Gonçalves é professora há 18 anos, mas tem apenas 12 anos de serviço contados. Neste momento, dá aulas de Língua Gestual Portuguesa a uma turma da EB1 S. Bartolomeu, em Coimbra. É surda e garante que não ouvir não condiciona o seu trabalho na profissão que tem. “As minhas aulas baseiam-se em jogos, vocabulários, tiro ‘fotos’ com os gestos ligados aos temas.” Visitas a museus são uma forma simples e eficaz de chegar às crianças. “A minha forma de ensinar adapta-se ao tipo de criança e necessidade que cada criança tem. Logo, a habituação torna-se fácil”, refere.

“Uma das minhas maiores alegrias é ver a evolução dos alunos ao longo do tempo, após muito esforço e dedicação”, afirma. Com os colegas não há complicações. Reconhece que a tutela tem lidado bem com os casos dos professores com algum tipo de deficiência até porque, no seu caso, não são necessários muitos cuidados. Mas se mandasse, haveria uma nova regra. “Se fosse ministra da Educação faria com que todos os professores soubessem ou aprendessem a Língua Gestual Portuguesa para que houvesse uma melhor comunicação com os alunos surdos”.

O assunto foi colocado na agenda pela Federação Nacional dos Professores (FENPROF) e pela Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes que, em novembro, organizaram um encontro subordinado ao tema “A deficiência e o (no) exercício da profissão docente”, que teve lugar na Secundária D. Pedro V, em Sete Rios, Lisboa. No final, destacou-se a importância de refletir sobre as soluções para melhorar e dignificar as condições de trabalho desses profissionais. Até porque, lembrou-se, da parte da Direção Geral da Administração Escolar não há resposta aos pedidos de informação sobre a realidade dos docentes com deficiência.

No site da FENPROF conta-se o que aconteceu nesse encontro. Quanto custa a um docente cego corrigir os testes dos seus alunos? Como pode um docente surdo exercer a sua atividade profissional sem ter consigo um intérprete de língua gestual? Em que condições trabalha um educador ou professor com mobilidade reduzida numa escola cheia de obstáculos arquitetónicos ou sem as necessárias adaptações de acessibilidade? Como ultrapassar dificuldades no acesso a equipamentos e materiais de apoio? Estas foram algumas das questões levantadas.

“O professor cego tem que conhecer bem a sala e a instituição em que trabalha, tem que saber usar os equipamentos, tem que deslocar-se com segurança em todos os locais do seu espaço profissional. Autonomia, independência e segurança são fundamentais”, sublinhou Deodato Guerreiro, catedrático, especialista na área das ciências da comunicação, presente no encontro. Por outro lado, Paula Campos Pinto e Patrícia Neca, do Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, anunciaram que estão a preparar uma candidatura para apoio a um projeto de investigação, mais concretamente um estudo sobre a educação inclusiva que integrará a recolha de informação sobre a perspetiva dos professores com deficiência.

“Os professores de Educação Especial não têm que substituir colegas. Nas deslocações entre escolas do agrupamento, o professor não tem que pagar do seu bolso a deslocação nem é obrigado a ter carta de condução”, referiu Mário Nogueira, secretário-geral da FENPROF, no final do encontro. “Não se deve confundir direitos legalmente estabelecidos com favores”, disse, acrescentando que, nas escolas, o que está na lei tem de ser garantido pelas direções.


texto integral: http://www.educare.pt/
 

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publicado por MJA 
[8.Jan.2016]
 


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Serviço de Leitura Especial da
Biblioteca Municipal de Coimbra

Audiolivros para utentes deficientes visuais
 

imagem: "Quando a voz de um se torna os olhos de outros"


Desde 2011 que o Serviço de Leitura para Deficientes Visuais (SLDV) da Biblioteca Municipal de Coimbra, através de um projeto financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, passou a deter os meios para a produção de livros áudio, ao abrigo do artigo 80.º do Código dos Direitos de Autor.

Estes livros, cuja leitura é feita por voluntários, são disponibilizados gratuitamente a pessoas portadoras de deficiência visual - para serem ouvidos nos seus leitores de MP3, computadores ou telemóveis - sendo a sua transferência realizada via plataformas electrónicas (WE TRANFER e MEO CLOUD) ou através do envio postal das gravações em CD ou DVD.

Os utilizadores - nacionais ou estrangeiros - devem efectuar a sua inscrição, fornecendo, para o efeito, cópia digital do Atestado Multiusos de Incapacidade e os seus dados de identificação.

link para consulta dos audiolivros disponíveis


CONTACTOS:
Serviço de Leitura Especial
Biblioteca Municipal de Coimbra
telefone: 239.702.630 - ext. 2322 ou 2320
email: leitura.especial@cm-coimbra.pt
Web: http://www.cm-coimbra.pt/biblioteca/b309.htm

 

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publicado por MJA 
[1.Jan.2016]
 


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