Sobre a Deficiência Visual  
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 notícias 2015
 

 

GNR de Viseu distribui  livros em braille,
com conteúdos de segurança

Diário de Coimbra

31 Dezembro 2015

 

A GNR de Viseu anunciou que vai distribuir livros em braille, com conteúdos de segurança, aos cegos do distrito com mais de 50 anos, numa iniciativa que prevê ainda o aconselhamento para a prevenção de burlas. Segundo o responsável pelas relações públicas da GNR de Viseu, José Machado, a acção conta com a colaboração da delegação de local da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), que foi “fundamental para identificar os invisuais do distrito”.
 

publicado por MJA 
[28.Dez.2015]
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Exposição 'Diálogo no Escuro'

 

“Caminhar com um amigo no escuro é melhor
que caminhar sozinho na claridade.”
(Helen Keller)

A exposição
O conceito da exposição 'Diálogo no Escuro' é mostrar como é o mundo sem o sentido da visão. Os visitantes são conduzidos por guias deficientes visuais através de salas totalmente escuras e especialmente construídas, em que cheiro, som, vento, temperatura e textura apresentam as características de ambientes cotidianos como parques, ruas, mercearias, cidades e cafés.

Interação
Os visitantes aprendem a interagir sem a visão, usando seus outros sentidos. Através dessa inversão de papéis, as rotinas diárias tornam-se uma nova experiência. Pessoas que podem ver são levadas para fora do seu ambiente familiar. Os guias com deficiência visual proporcionam segurança e sentido de orientação aos visitantes.

Compreensão
Durante e após a visitação, o público tem a oportunidade de fazer perguntas que normalmente não tem a chance de fazer a uma pessoa com deficiência visual reduzindo as barreiras de ambos os lados e ajudando a compreensão mútua. Como uma “plataforma de comunicação”, a ênfase não é sobre deficiência visual, mas sim sobre a importância da compreensão, empatia e solidariedade.

O passeio em si dura pouco mais de uma hora, mas os efeitos podem durar uma vida.

Histórico
A pedra fundamental para a empresa social Diálogo no Escuro foi lançada em 1986, quando o premiado filósofo Andreas Heinecke trabalhava como jornalista e escritor para uma empresa de radiofusão na Alemanha. Um dia, ele foi designado para organizar um treinamento para um jornalista de 28 anos que perdera a visão em um acidente de carro.

Inicialmente confrontado com o sentimento de pena, Andreas começou a perceber que sua compaixão era equivocada. Ele descobriu que ser deficiente visual é uma outra forma de vida, pois contém grande quantidade de recursos. Para sua surpresa, foi o colega deficiente visual que lhe mostrou como lidar com mudanças fundamentais na vida, obrigando-o a questionar o que torna uma vida verdadeiramente valiosa. Ele ficou fascinado com o mundo das pessoas que convivem com uma deficiência visual e ficou chocado com a discriminação contra elas. Isso inspirou o conceito de superar barreiras e promover o intercâmbio entre pessoas com deficiência visual e que possuem plena visão, que é a idéia básica de Diálogo no Escuro.

Desde então, ele se dedicou a encontrar novas formas de diminuir as lacunas em toda a divisão humana através de um encontro humano direto. Andreas tem um PhD em Filosofia e é professor de empreendedorismo Social na European Business School, na Alemanha. Ele foi premiado várias vezes pelo seu trabalho e é reconhecido mundialmente por suas realizações.

Objetivos
A exposição tem como objetivo mudar a mentalidade das pessoas sobre deficiência e diversidade, além de aumentar a tolerância sobre o “outro”.

  • Em 2014, um total de 581.759 pessoas viveram a experiência de Diálogo no Escuro.
  • Foram realizadas 24 exposições ao redor do mundo.
  • A exposição gerou emprego para 441 deficientes visuais.

 

+ info: http://www.dialogonoescuro.com.br/

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[28.Dez.2015]
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Menino cego percorre 120 km para ir à escola

JN

FERNANDO PIRES | 28.12.2015


 

Diogo Santos, sete anos, sofre de amaurose congénita de Leber, uma forma hereditária de perda de visão. Um caso raro que acontece à nascença. Perdeu a visão nessa altura.

Nos primeiros cinco anos, frequentou o infantário da cidade, mas desde o ano letivo 2014/2015, altura em que passou para o primeiro ciclo, Mirandela deixou de ter capacidade de resposta, porque não existe uma escola de referência nem foi colocada qualquer professora especializada em Braille.

O Estado criou uma rede de escolas de referência para a inclusão de alunos cegos ou baixa visão. Na região transmontana, só havia duas: ou o Agrupamento de Escolas Abade de Baçal, em Bragança, ou Diogo Cão, em Vila Real, escola sobre a qual recaiu a escolha.

A rotina diária foi completamente alterada. Diogo levanta-se todos os dias às sete horas para, meia hora depois, estar à porta de casa pronto a viajar até Vila Real, onde frequenta a escola, numa turma com mais 25 alunos. São cerca de 60 quilómetros de táxi. "A escola contratou uma empresa para levar o Diogo e outra menina de Cabanelas", conta o pai, Miguel Ângelo.

O regresso acontece cerca das 17.30 horas, com a chegada a casa às 18.15 horas. São 120 quilómetros diários. "Chega sempre muito cansado e temos menos tempo para conviver porque à noite tem de deitar-se cedo para descansar", conta Isabel Pereira, a mãe do Diogo. No entanto, apesar do cansaço, "a sua ambição em aprender ajuda a ultrapassar tudo", conta o pai.

Pai e mãe confessam que os primeiros meses de escola foram muito difíceis, mas agora começam a adaptar-se. "Temos a noção que esta situação pode aguentar-se até ao 12.º ano, mas como ele gosta e toda a comunidade escolar tem sido fantástica, temos de aguentar", dizem.

Foi lá que aprendeu Braille, o alfabeto convencional cujos carateres são indicações por pontos em alto-relevo que Diogo distingue por meio do tato."Aqui está o mês de outubro de 2016", descreve, com orgulho, num trabalho de casa.

Recentemente, o Agrupamento de Escolas Diogo Cão fez a entrega de diplomas a alguns alunos que ingressaram no quadro de mérito e excelência pelo seu percurso académico. Diogo foi um dos distinguidos. "Não estava a contar, só me disseram no dia anterior", conta.

A família não esconde o orgulho com a distinção. "Não foram muitos os alunos a receberem esse diploma e o facto de ele ter resultados brilhantes, com todas as limitações e o sacrifício que tem diariamente, faz-nos sentir muito orgulhosos", refere o pai.
 

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[28.Dez.2015]
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Aplicativos auxiliam rotina de pacientes
que convivem com problemas de visão

postado por Malu Silveira

16 de dezembro de 2015
 


Com o objetivo de melhorar a qualidade de vida de pacientes que convivem com algum tipo de deficiência visual no Brasil, a empresa global farmacêutica Novartis desenvolveu três aplicativos – ViaOptaNav, ViaOpta Daily e ViaOptaSim – com diferentes funções que auxiliam a rotina de quem enfrenta dificuldades para enxergar.

O ViaOptaNav é capaz de identificar informações sobre instalações específicas de acessibilidade em torno dos usuários com deficiência visual, como pavimentação tátil, cruzamentos e semáforos com som. A ferramenta ainda determina a sua posição exata e encontra destinos ou pontos de referência próximos, localizando, por exemplo, farmácias, hospitais e bancos.

Já o ViaOpta Daily reúne seis diferentes funções para ajudar no dia a dia, como previsão do tempo, lupa, detector de cores e o reconhecimento de pessoas e itens de uso diário, tais como dinheiro e objetos. Com ajuda do dispositivo, o usuário aponta a câmera para uma direção e, após alguns segundos, a narração irá informar o que está em sua frente, auxiliando-o a se localizar em ambientes desconhecidos.

As duas ferramentas ganharam versões em português e estão habilitados com tutoriais de áudio, proporcionando mais independência e confiança para a realização das tarefas como leitura, identificação de objetos e instalações de acessibilidade. Outra novidade é que os apps foram adaptados para relógios inteligentes, como o AppleWatch, permitindo ao usuário navegar com orientação de voz e vibração de seu acessório.

Profissionais
O ViaOptaSim simula oito doenças oculares, entre elas Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI)3 – principal causa de perda de visão em idosos – e Edema Macular Diabético (EMD), doença que mais causa cegueira em idade produtiva, ambas condições tratáveis e potencialmente reversíveis. O app auxilia os profissionais de saúde a educar os pacientes sobre deficiência visual.
 

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[17.Dez.2015]
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A mulher cega que mudou de personalidade
e de repente conseguiu ver

SARAH KAPLAN

(Exclusivo PÚBLICO/The Washington Post)

14/12/2015
 

Uma mulher com múltiplas personalidades é cega em certos casos mas não noutros.
O que se passará no seu cérebro que possa explicar esta bizarra situação?

Há mais de uma década que B.T. não via nada. Na sequência de um acidente traumático quando era nova, os médicos tinham-lhe diagnosticado uma “cegueira cortical”, causada por lesões nos centros cerebrais do processamento visual. Portanto, arranjara um cão-guia e habituara-se à escuridão.

Para além disso, B.T. tinha de lidar com outros problemas de saúde – nomeadamente, mais de dez personalidades completamente diferentes que se disputavam o controlo do seu corpo. E foi enquanto procurava tratamento para a sua perturbação de identidade dissociativa que recuperou de repente a capacidade de ver. Mas não foi enquanto B.T., uma alemã de 37 anos, mas na “pele” de um rapaz adolescente que ela por vezes “vestia”.

Após meses de terapia, todas as personalidades de B.T., excepto duas, recuperaram a visão. E como B.T. oscilava entre personalidades, a sua vista ligava-se e desligava-se como um interruptor eléctrico na sua mente. O mundo aparecia para depois voltar a mergulhar na escuridão.

Num artigo na revista Psych, os médicos de B.T. explicam que a sua cegueira não foi causada por lesões cerebrais, como fora inicialmente diagnosticado. Trata-se, pelo contrário, de algo mais parecido como um problema psicológico e não fisiológico.

O estranho caso de B.T. revela muitas coisas acerca da extraordinária força da mente – sobre como ela pode controlar o que vemos e quem somos.

À procura de respostas
Para perceber o que acontecera a B.T. (que é apenas identificada pelas suas iniciais no artigo), os seus terapeutas – os psicólogos alemães Hans Strasburger e Bruno Waldvogel – retraçaram toda a sua história clínica até ao diagnóstico inicial de cegueira cortical. O seu processo clínico daquela altura mostra que ela fora submetida a uma série de testes de visão – com a ajuda de lasers, óculos especiais, raios de luz a atravessar a sala – e que tudo isso confirmara a sua aparente cegueira. Como não tinha lesões nos olhos, concluiu-se que os problemas de visão de B.T. eram devidos a lesões cerebrais causadas pelo seu acidente (o relatório não especifica exactamente o que ocorreu nesse acidente).

Waldvogel não tinha qualquer razão para duvidar daquele diagnóstico quando B.T. lhe foi referida, 13 anos mais tarde, para o tratamento da sua perturbação de identidade dissociativa (que antes era conhecida pelo nome de transtorno de personalidade múltipla). B.T. apresentava mais de dez personalidades, cada uma delas de idade, género, hábitos e temperamento variáveis. Até falavam línguas diferentes: algumas comunicavam apenas em inglês, outras apenas em alemão, algumas em ambas as línguas (B.T. tinha passado uns tempos num país anglófono em criança, mas vivia na Alemanha).

Quatro anos após o início da psicoterapia, uma coisa estranha aconteceu: logo após uma sessão, enquanto se encontrava num dos seus vários estados de rapaz adolescente, B.T. viu uma palavra na capa de uma revista. Era a primeira palavra que lia visualmente em 17 anos.

No início, a vista recuperada de B.T. restringia-se ao reconhecimento de palavras inteiras nessa personalidade específica. Quando inquirida, respondia que nem sequer conseguia ver as letras isoladas que compunham as palavras, mas apenas as próprias palavras. Mas a sua visão foi-se expandindo gradualmente, abrangendo primeiro processos de ordem superior (como a leitura) e a seguir processos de ordem inferior (como o reconhecimento de padrões), até a maioria das suas personalidades se tornarem capazes de ver a maior durante parte do tempo. Quando B.T. alternava entre personalidades visuais e invisuais, a alternância correspondente afectava a sua visão.

Foi então que Waldvogel começou a ter dúvidas sobre as causas da perda de visão da doente. Parecia pouco provável que uma lesão cerebral susceptível de provocar cegueira cerebral pudesse sofrer uma cura instantânea depois de tanto tempo. E mesmo se fosse esse o caso, nada explicava como é que a visão de B.T. continuava a ligar-se e desligar-se. Claramente, qualquer coisa de diferente estava a acontecer.

Uma das explicações – a de que B.T. estaria a mentir acerca da sua incapacidade visual – foi refutada quando lhe foi feito um electroencefalograma. É que, quando B.T. se encontrava nos seus dois estados invisuais, o seu cérebro não apresentava nenhuma das respostas eléctricas aos estímulos visuais características das pessoas que vêem – apesar de os olhos de B.T. estarem abertos e de ela estar a olhar directamente para os estímulos.

Waldvogel e Strasburger pensam que a cegueira de B.T. é psicogénica (de origem psicológica e não física). Alguma coisa aconteceu – talvez relacionada com o acidente – que fez com que o seu corpo reagisse cortando as suas capacidades visuais. Mesmo hoje, duas das suas identidades retêm esse mecanismo de defesa.

“Esses estados poderão representar uma hipótese de recuar”, disse Strasburger ao site de neurociências Brain Decoder. “Em situações particularmente intensas do ponto de vista emocional, a doente sente por vezes o desejo de cegar, para assim ‘não precisar de ver’”.

Não é assim tão invulgar que o cérebro de uma pessoa a impeça de ver, mesmo quando os seus olhos funcionam normalmente, dizem os investigadores. Quando os nossos dois olhos vêem imagens ligeiramente diferentes – por exemplo quando olhamos de lado –, o nosso cérebro elimina uma dessas imagens para evitar que fiquemos confusos devido a essa contradição. O cérebro também intervém no processamento visual quando focamos o olhar em objectos específicos do nosso campo de visão.

O poder do cérebro
A origem da “filtragem” de informação que impedia B.T. de ver todas as coisas para as quais olhava poderá residir no núcleo geniculado lateral, uma espécie de centro de retransmissão neural que envia a informação visual, via os circuitos sinápticos, para os processadores de informação cerebrais.

Porém, talvez o mais interessante seja o que a história de B.T. nos diz sobre a perturbação de identidade dissociativa (PID), a síndrome que parece estar na base da sua perda de visão.

Embora a PID esteja listada na “bíblia” da psiquiatria – o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – desde 1994 (tendo sido reconhecida sob a designação de “transtorno de personalidade múltipla” durante uma década e meio antes disso), o seu diagnóstico ainda suscita bastante cepticismo tanto entre os peritos como entre os doentes. Antes de se tornar um diagnóstico psiquiátrico, a PID foi conhecida durante anos, juntamente com uma série de outras perturbações psiquiátricas, como “histeria”, um termo que nos dá uma ideia da forma como eram vistas a doença e as suas vítimas.

Os críticos modernos fazem notar a ausência de consenso em termos de critérios de diagnóstico e de tratamento e responsabilizam as histórias sensacionalistas sobre doentes com PID, tais como no telefilme “Sybil”, de 1976, por terem gerado uma “epidemia” de diagnósticos de PID. Nos anos 1990, inúmeros doentes processaram psiquiatras por os terem submetido a tratamentos duvidosos contra o transtorno de personalidade múltipla que afirmavam nunca ter padecido – e muitos começaram a acreditar que a PID não era tratada pelos psiquiatras, mas antes induzida pelo poder da sugestão.

No mínimo, pensa-se que a PID possa ser apenas um produto da fragmentação do pensamento a altos níveis – um colapso que ocorre quando o cérebro tem de lidar com emoções complexas.

Mas Strasburger e Waldvogel afirmam que os seus resultados sugerem que a PID pode acontecer a níveis muito mais básicos – a níveis biológicos. Afinal de contas, não eram apenas funções cognitivas de alto nível, como a leitura, que a doença de B.T. afectava. Mesmo coisas básicas como a percepção da profundidade eram difíceis para ela. E os médicos de B.T. podiam visualizar directamente toda a actividade que decorria no seu cérebro no electroencefalograma.

Este estudo de caso mostra que a PID “é uma síndrome legítima, de base psico-fisiológica, de stress psicológico”, disse ao Brain Decoder Richard Kluft, professor de psiquiatria clínica da Escola de Medicina da Universidade Temple (EUA) que não participou no estudo. A doença não é apenas um produto da cultura e das sugestões dos psiquiatras, salientou. Tal como no caso de B.T., “representa uma tentativa da mente para compartimentar a sua dor”.

Exclusivo PÚBLICO/The Washington Post
 

publicado por MJA 
[14.Dez.2015]
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Estratégia Nacional para a Deficiência
não protege crianças da violência

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3 de Dezembro

Redação / DC



Alerta é da Agência Europeia dos Direitos Fundamentais

As crianças com deficiência estão mais expostas a maus-tratos, adverte a Agência Europeia dos Direitos Fundamentais, que refere que a Estratégia Nacional para a Deficiência em Portugal reconhece esse risco, mas não define objetivos para a combater.

A análise da Agência Europeia dos Direitos Fundamentais (FRA, na sigla em inglês) surge num relatório divulgado a propósito do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, que se assinala hoje.

De acordo com a FRA, apesar de as leis internacionais, europeias e nacionais reconhecerem o direito à proteção contra todos os tipos de violência, as crianças com deficiência têm mais probabilidade de sofrer maus-tratos, desde abusos sexuais a 'bullying' na escola, seja em casa ou em instituições.

“As crianças com deficiência enfrentam barreiras significativas para usufruírem dos seus direitos fundamentais. São frequentemente excluídas da sociedade, vivendo algumas vezes em instituições ou outras instalações longe das suas famílias”, lê-se no relatório.

Acrescenta que é-lhes negado o acesso a serviços básicos, como saúde e educação, e permanece o estigma e a discriminação, bem como a violência sexual, física e psicológica.

Relativamente a Portugal, a FRA aponta que a Estratégia Nacional para a Deficiência (ENDEF 2011-2013) reconhece que as pessoas com deficiência são alvo de discriminação e aponta as crianças como um grupo particularmente vulnerável, ao mesmo tempo que sugere a criação de um sistema nacional de intervenção precoce de apoio a crianças com deficiência intelectual.

“No entanto, o documento não refere quaisquer medidas específicas de prevenção ou combate da violência contra crianças com deficiência”, diz a FRA.

Por outro lado, na sequência de entrevistas realizadas em Portugal, a agência europeia dá conta de casos em que o peso que recai sobre as famílias ou cuidadores pode contribuir para situações de violência doméstica.

Outro fator de risco que surge no estudo tem a ver com o facto de algumas famílias verem a deficiência como um constrangimento, e a investigação revelou que a vergonha e a desilusão levam alguns pais a isolar os filhos.

Um representante português disse que a perceção negativa da deficiência faz com que as pessoas “sintam vergonha e humilhação quando existe um membro na família com deficiência, principalmente se for uma criança”.

Foi também identificado em Portugal que os pais são por vezes aconselhados, por funcionários das escolas, a colocarem os filhos em escolas ou instituições específicas para pessoas com deficiência, devido à pressão feita pelos pais das restantes crianças.

No seu relatório, a FRA aproveita para pedir aos Estados membros que adotem medidas legais que protejam os menores, defendendo que “as crianças com deficiência devem viver sem medo numa sociedade em que estejam plenamente integradas”.

O relatório, que vai ser apresentado na conferência do Dia das Pessoas com Deficiência, prevista para os dias 07 e 08 de dezembro, conclui defendendo a luta contra a discriminação e a segregação, a coordenação do trabalho dos profissionais implicados e a promoção da prevenção como aspetos que poderiam melhorar a proteção das crianças com deficiência.

 

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[13.Dez.2015]
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Portugal contraria convenção da ONU
sobre pessoas com deficiência

3/12/2015

António Cotrim/LUSA


As pessoas com uma deficiência intelectual ou psicossocial, surdez-mudez ou cegueira podem ser impedidas, em Portugal, de exercer os seus direitos, como votar, casar ou gerir bens, contrariando a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

A denúncia é feita pelo Observatório da Deficiência e Direitos Humanos (ODDH) por ocasião do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, que se comemora esta quinta-feira, e surge no seguimento de um relatório que foi enviado à Comissão dos Direitos das Pessoas com Deficiência das Nações Unidas.

Mais conhecido como regime de interdição, esta disposição do Código Civil “consiste na coartação do exercício de direitos de determinadas pessoas que demonstrem incapacidade [em] poder governar a sua pessoa e os seus bens”, lê-se na página da internet do Instituto Nacional de Reabilitação (INR).

De acordo com o INR, “podem ser interditos todos aqueles que possuam uma anomalia psíquica, surdez-mudez ou cegueira”.

Por outro lado, este regime de interdição pode ser pedido quer pelos progenitores, cônjuges, curador, qualquer parente em linha de sucessão ou o Ministério Público.

Em declarações à agência Lusa, a coordenadora do ODDH apontou que o regime de interdição é normalmente pedido por familiares de pessoas com deficiência com receio que elas possam ser exploradas, desbastar património ou incorrer em algum tipo de situação de risco.

“Para prevenir isso preferem que elas fiquem com esse estatuto, como uma espécie de inimputáveis”, salientou Paula Campos Pinto, estimando que haja um número elevado de pessoas nesta situação apesar de desconhecer quantas ao certo.

Na opinião da responsável, este regime retira às pessoas com deficiência a possibilidade de exercerem os seus direitos, remetendo-os para um estatuto de menores.

“Não podem votar, não podem vender os seus bens, não podem adquirir outros bens, assinar qualquer tipo de contrato. Ficam numa situação equiparada a menores”, sublinhou Paula Campos Pinto.

Segundo a coordenadora do ODDH, esta disposição legal vai contra o que está definido na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que defende a criação de sistemas próprios para estas pessoas, de modo a que elas sejam devidamente apoiadas, “e não ser-lhes pura e simplesmente retirado o exercício da sua cidadania”.

Paula Campos Pinto apontou que esta é uma área preocupante porque está “muito distante daquilo que a convenção preconiza”.

“Há aqui necessidade de uma revisão ao nível da legislação, que seja acompanhada da criação de estruturas de apoio para que estas pessoas, que tenham mais dificuldades, tenham onde recorrer para o apoio à decisão e não lhe sejam apenas coartados os direitos como atualmente acontece”, defendeu.

A coordenadora do ODDH explicou que Portugal está obrigado a apresentar regularmente relatórios à Comissão dos Direitos das Pessoas com Deficiência, no seio da ONU, desde que assinou e ratificou a Convenção das Pessoas com Deficiência.

Paralelamente, a sociedade civil, no caso o ODDH, pode também apresentar o seu relatório, designado relatório sombra, onde dá conta das situações preocupantes em termos de aplicação da convenção.

Para além do regime de interdição, o ODDH aponta também lacunas ao nível das acessibilidades, mas também da educação, onde há um “grande desfasamento” entre a legislação e a sua aplicação, no que diz respeito aos recursos disponíveis.


fonte:  Observador


 

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[3.Dez.2015]
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Bruxelas propõe regras sobre acessibilidade
de deficientes a serviços e produtos

Agência Lusa

2/12/2015


A Comissão Europeia propôs que sejam adotados requisitos comuns de acessibilidade a pessoas com deficiência a produtos e serviços essenciais, como os transportes e a caixa multibanco.

A Comissão Europeia propôs que sejam adotados requisitos comuns de acessibilidade a pessoas com deficiência a produtos e serviços considerados essenciais, como os transportes e a caixa multibanco, entre outros.

Os serviços e produtos em causa foram escolhidos em consulta com os cidadãos, organizações da sociedade civil e empresas e entre eles contam-se as caixas automáticas (ATM) e os serviços bancários, os computadores pessoais, os telefones e equipamentos de televisão, os serviços de telefonia e audiovisuais, os transportes, os livros eletrónicos e o comércio eletrónico.

A diretiva (lei europeia) hoje proposta deverá fomentar a inovação e multiplicará a oferta de produtos e serviços acessíveis para os cerca de 80 milhões de pessoas com deficiência na União Europeia (UE).

Na elaboração dos requisitos, foi considerada a necessidade de garantir a proporcionalidade, em particular para as pequenas e as microempresas, com a inclusão de uma “cláusula de bom senso” para evitar que os requisitos de acessibilidade tenham encargos desproporcionados, estando também previstas medidas de conformidade menos rigorosas para as microempresas.

As pessoas com deficiência passarão a dispor de uma maior oferta de produtos e serviços acessíveis a preços mais competitivos.

A melhoria da oferta destes produtos e serviços pode também beneficiar os cidadãos mais velhos que têm necessidades semelhantes em matéria de acessibilidade, bem como pessoas que se deparem com dificuldades decorrentes de um acidente, uma doença temporária ou um ambiente onde as condições de luz ou ruído, por exemplo, não sejam as melhores.

Cerca de 80 milhões de cidadãos da UE são, em maior ou menor grau, afetados por uma deficiência.

Em virtude do envelhecimento demográfico, prevê-se que este número venha a aumentar para 120 milhões até 2020, segundo a Comissão Europeia.

fonte: Observador

 

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[2.Dez.2015]
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Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

- dia 3 de Dezembro -

Portal da Saúde
 

Inclusão, acesso e capacitação dão o mote às comemorações da efeméride, dia 3 de dezembro, na Gulbenkian, em Lisboa.

No dia 3 de dezembro comemora-se o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, efeméride que tem por objetivo sensibilizar a população mundial para a necessidade de construir uma sociedade inclusiva e para todos.

Em Portugal, o Instituto Nacional para a Reabilitação, entidade responsável pelas comemorações nacionais da data, promove, no dia 3 de dezembro, quinta-feira, um evento sob o tema adotado pela Organização das Nações Unidas (ONU) "A inclusão importa: acesso e capacitação para todos" (Inclusion matters: access and empowerment for people of all habilities)

O tema da iniciativa, a decorrer no auditório 2 da Fundação Calouste de Gulbenkian, em Lisboa, visa chamar a atenção para os direitos das pessoas com deficiência, no âmbito da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

De acordo com informação disponibilizada ONU, cerca de 15 por cento da população mundial vive com algum tipo de deficiência.

O Dia Internacional das Pessoas com Deficiência foi instituído pela Organização das Nações Unidas, em 1992, e coincide com o dia em que foi adotado o Programa de Ação Mundial para as Pessoas com Deficiência pela Assembleia-Geral da ONU, em 1982.

 

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[2.Dez.2015]
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GNR assinala Dia das Pessoas com Deficiência

Por Lusa

2 Dezembro
 

A GNR indicou esta quarta-feira que vai assinalar, na quinta-feira, o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência com a realização de diversas ações de sensibilização em todo o país para promover "os direitos e garantias" destas pessoas.

Em comunicado, a GNR refere que as ações de sensibilização são dirigidas à comunidade escolar, com o intuito de lhes transmitir valores no âmbito da cidadania relacionados com a não discriminação às pessoas com deficiência, a adoção de comportamentos no sentido de evitarem ser vítimas de crimes, e, aos seus cuidadores, para melhor compreenderem os objetivos do Programa de Apoio a Pessoas com Deficiência.

Segundo a Guarda Nacional Republicana, estas ações têm origem no Programa de Apoio a Pessoas com Deficiência, criado pela corporação em 2014 e que visa promover "os direitos e garantias de condições de vida dignas às pessoas com deficiência".

O programa procura envolver, de forma proactiva, "os cidadãos para atender, compreender, respeitar as necessidades e diferenças de cada um, permitindo a igualdade de oportunidades, e para prevenção de situações de negligência, violência e maus-tratos a pessoas com deficiência".

A GNR realiza também, na quinta-feira, sessões de cinoterapia e hipoterapia em vários pontos do país, iniciativa que contribui "ativamente nos processos terapêuticos e de ensino-aprendizagem" das pessoas com deficiência. Aquela força de segurança adianta que este é um "recurso terapêutico inovador, onde profissionais das áreas de psiquiatria, pedagogia, fisioterapia e psicologia contam com a ajuda de cães e cavalos que agem como coterapeutas e auxiliam os profissionais de saúde a trabalharem a fala, o equilíbrio, a expressão de sentimentos e a motivação".

fonte: Correio da Manhã
 

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[2.Dez.2015]
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Fita ajuda cegos a detetarem obstáculos

Exame Informática

Paulo Matos

20/11/2015

 

A Sentiri dá feedback háptico para ajudar as pessoas que não conseguem ver a desviarem-se de obstáculos, sendo que também pode ser conectada a um smartphone para tirar proveito do Google Maps e definir um trajeto seguro.

Criada pela empresa Chaotic Moon, a Sentiri é uma fita para a cabeça equipada com sensores que ajuda as pessoas impossibilitadas de ver a andar sem bater obstáculos graças a feedback háptico. O dispositivo recorre a infravermelhos para detetar objetos e possui vários níveis de vibração que ajudam o utilizador a conseguir contornar os obstáculos que vão aparecendo pelo caminho.

A Sentiri pode ser conectada a um smartphone e tirar partido de uma aplicação como o Google Maps para se definir um trajeto em que a tecnologia, teoricamente, consegue levar em segurança uma pessoa do ponto A ao ponto B, revela o Engadget.

Apesar da Sentiri ter sido pensada para cegos, a Chaotic Moon prevê que, no futuro, ela também possa ser usada para fins militares. Contudo, a empresa ainda não tem prevista a data de lançamento nem o preço deste dispositivo.

Pode saber mais sobre o projeto Sentiri no vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=hErXdT7prQM

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[2.Dez.2015]
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Ana Sofia Antunes, a primeira secretária de Estado cega

Expresso

25.11.2015

 

A socialista não conseguiu ser eleita para a bancada parlamentar do PS nas últimas legislativas. Agora, chega ao Governo de Costa com um objetivo definido: “Representar as pessoas com deficiência”, independentemente das suas opções partidárias.

Durante o último período de campanha eleitoral, a imprensa anunciou que as legislativas trariam à Assembleia da República, pela primeira vez, uma deputada cega. Apesar de se encontrar numa posição elegível na lista socialista para o círculo de Lisboa, Ana Sofia Antunes ficou a um lugar de entrar no Parlamento, mas com o novo Governo de António Costa consegue fazer História: é a primeira secretária de Estado cega.

A nova responsável para a Inclusão de Pessoas com Deficiência tem 34 anos, é formada em advocacia e trabalhou durante vários anos na Câmara de Lisboa. Ana Sofia Antunes assessorou o vereador da Mobilidade na autarquia, Nunes da Silva, e também foi lá que exerceu funções de assessoria jurídica. Atualmente, a socialista preside à Associação dos Cegos e Amblíopes e é provedora do cliente na EMEL (Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa).

O convite de António Costa para integrar a lista de candidatos ao Parlamento pelo círculo de Lisboa foi “agridoce”, revelou a agora secretária de Estado numa entrevista concedida ao “Diário de Notícias” em agosto passado. “É um momento de alegria, mas também de tristeza: porque é que isto só está a acontecer em Portugal agora?”, defendeu, considerando o atraso de Portugal nestas matérias “constrangedor”.

Na mesma entrevista, Ana Sofia Antunes explicava também que o lugar que ambicionava conseguir na bancada parlamentar socialista serviria para chamar a atenção para os obstáculos que as pessoas com deficiência enfrentam, causa que poderá abraçar a partir desta quinta-feira, como secretária de Estado para a Inclusão de Pessoas com Deficiência. “Não faria sentido nenhum, tendo esta oportunidade, não constituir como minha principal prioridade o trabalho em prol das pessoas com deficiência”, esclareceu, na altura.

O trabalho que Ana Sofia Antunes desenvolveu na Câmara de Lisboa - o seu plano de acessibilidade pedonal para a capital teve grandes apoios por parte de António Costa - e a sua posição no que toca à representação de pessoas com deficiência podem ser trunfos para a nova legislatura. É que a nova secretária de Estado não considera que a sua cor partidária seja “relevante” para alcançar os objetivos: “As pessoas sentem-se representadas por uma pessoa com deficiência, independentemente da bancada”.
 

publicado por MJA 
[25.Nov.2015]
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6 Pontos a Dançar, Contos vão Contar

CAIPdv

 

A Oficina de Literacia Emergente para a Cegueira (OLEC) - 6 Pontos a Dançar, Contos vão Contar - é um projeto em curso, distinguido e apoiado por uma Menção Honrosa do Prémio BPI Capacitar 2014, que almeja ser um serviço especializado, impulsionador do acesso e disseminação de materiais no domínio da literacia emergente na cegueira.

Para acompanhar este projeto, visite o nosso blog - "6 pontos a dançar, contos vão contar - Oficina de Literacia Emergente para a Cegueira (OLEC)", em:
https://caipdvolec.wordpress.com/


CAIPDV - Centro de Apoio à Intervenção Precoce na Deficiência Visual
www.facebook.com/pages/Caipdv-Anip/606333976112185
TEL.: 239 928 126 | TLM.: 965 224 961
 

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[25.Nov.2015]
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Jovem cria pulseira inteligente que dá autonomia a cegos

F123 – A tecnologia que possibilita

18 Nov

 

Uma pulseira inteligente desenvolvida por um jovem mexicano promete dar mais autonomia a quem tem deficiência visual. A Sunu Band registra o entorno a partir de tecnologia sonar e transmite por vibrações a presença de obstáculos em seu caminho, ajudando o usuário a seguir seu trajeto.

Criado por Marco Trujillo apenas como um projeto acadêmico, o protótipo foi testado por crianças cegas, que foram capazes de superar várias provas, como sair de um labirinto.

Os pais de alguns dos garotos se entusiasmaram com os resultados, resolveram investir no projeto e convencer o jovem a levá-lo adiante. Trujillo, então, abriu uma startup, a Sunu, para aperfeiçoar a pulseira e viabilizar sua produção. Quase quatro anos depois, o produto está pronto para ir para o mercado, com custo de lançamento de 199 dólares (cerca de R$ 750).

“O funcionamento é como o de um sensor de estacionamento, mas com vibração em vez de bips”, explica Trujillo.

A pulseira fica na mão oposta à usada pela bengala-guia. Movimentos leves permitem direcionar o ultrassom, como se fosse uma lanterna. O dispositivo avalia o ambiente e, a partir de amostras de eco 30 vezes por segundo, produz uma vibração de maior ou menor intensidade, dependendo da distância do objeto que o produziu. Desta forma, o cego pode interpretar as vibrações e desviar dos obstáculos ao seu redor.

A adaptação ao dispositivo é rápida, afirma o empreendedor. “Nos testes realizados, constatamos que a curva de aprendizagem é mais curta do que a das bengalas.”
 

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[24.Nov.2015]
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Empregabilidade Jovem
- sessões de formação -

ACAPO
 


Estão abertas as inscrições para 4 sessões de formação sobre Empregabilidade Jovem, orientadas por Irina Francisco e Alexandre Almeida.

Datas e horários:

  • 28 de novembro, 14h/18h, Lisboa;
  • 5 de dezembro, 14h/18h, Coimbra;
  • 18 de dezembro, 14h/18h, Porto;
  • 19 de dezembro, 09:30h/13:30h, Braga.


Prazos de inscrição:
- Lisboa - 26 de novembro;
- Coimbra - 3 de dezembro;
- Porto e Braga - 16 de dezembro.

Destinatários:
Jovens com deficiência visual e idades compreendidas entre os 18 e os 30 anos, desempregados ou à procura do primeiro emprego.

Objetivos:
• Partilhar experiências de procura de emprego;
• Identificar competências pessoais e profissionais;
• Valorizar os pontos fortes e aprender a contornar os pontos fracos;
• Construir um bom currículo;
• Conhecer as estratégias mais eficazes de procura de emprego;
• Refletir criticamente sobre como abordar a deficiência visual no currículo e na entrevista de emprego.


Formulário de inscrição aqui:
https://docs.google.com/forms/d/1-ev9tnRw9nEpB3XQa9gi-bSFgq4Ept2OCFcTGqQXkeM/viewform
 

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[22.Nov.2015]
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Humanos geneticamente modificados?
Daqui a dois anos é possível

TVI 24

Redação / SFE


Editas Medicine, uma empresa de biotecnologia, pretende utilizar métodos avançados de engenharia genética para tratar a cegueira

Uma empresa de biotecnologia privada, a Editas Medicine, anunciou que pretende iniciar os primeiros testes utilizando uma técnica inovadora e, assim, criar seres humanos geneticamente modificados. A tecnologia tem como objetivo tratar uma doença rara que provoca a cegueira, noticia o The Telegraph.

Katrine Bosley, a presidente-executiva da Editas Medicine, anunciou numa conferência dos EUA, que a empresa pretende iniciar a experimentação da tecnologia em pacientes cegos daqui a dois anos, em 2017.

Os cientistas da Editas Medicine acreditam que se usarem a CRISPR, uma inovadora tecnologia de edição genética, irão conseguir editar o ADN de doentes que sofram de Amaurose Congénita de Leber (ACL), uma doença rara e degenerativa que impede que a retina funcione normalmente. A doença provoca uma perda grave de visão desde o nascimento e, com o passar dos anos pode levar à cegueira total.

A técnica CRISPR, também conhecida como Repetições Palindromicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas, tem sido usada por muitos cientistas e funciona como uma espécie de “tesoura molecular” que remove áreas mutantes do ADN.

Darren Griffin, professor de Genética na Universidade de Kent, na Inglaterra, acredita que a tecnologia é uma esperança para pessoas que sofram de alguma anomalia genética.

"A tecnologia CRISPR está a oferecer uma série de aplicações interessantes, incluindo opções de tratamento para doenças genéticas”.

Mas a técnica CRISPR gera alguma controvérsia porque muda o código genético das pessoas, fazendo com que seja transmitido aos descentes nessa “nova forma”. Alguns críticos também temem que as mudanças genéticas possam ter consequências inesperadas para outras partes do genoma e, além disso, levar os pais a querer ter o bébé perfeito, escolhendo as características físicas que eles podem vir a ter.

Se os planos da Editas Medicine avançarem, a empresa será o primeiro laboratório do mundo a conseguir modificar os genes de um ser humano e eliminar milhares de doenças hereditárias causadas por erros de genes, tais como a doença de Huntington e a fibrose cística.

 

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[14.Nov.2015]
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Salão na Itália ensina mulheres cegas
a cuidar da própria beleza sozinhas

BBC Brasil

Erika Zidko

2 novembro 2015

 

"A aparência conta. E muito. Afinal, vivo em um mundo de pessoas que enxergam", diz a deficiente visual Florinda Trombetta.

Um salão de cabeleireiros em Milão, a capital da moda italiana, oferece cursos de beleza para mulheres cegas que querem cuidar da própria aparência sozinhas. A ideia nasceu da amizade entre a proprietária do centro de beleza, Tiziana Ghislotti, com uma deficiente visual.

"Um dia eu estava na academia de ginástica secando meus cabelos e a Tiziana se aproximou oferecendo ajuda para enxugá-los. A princípio fiquei um pouco ofendida, porque apesar de ser cega, posso usar o secador sozinha. Mas logo depois, a sua naturalidade e simpatia me conquistaram", conta à BBC Brasil Florinda, de 34 anos, funcionária de uma Consultoria de Recursos Humanos.

Meses depois, enquanto dava conselhos à amiga sobre como escovar os cabelos em casa, Tiziana percebeu que poderia ser útil a outras deficientes visuais. A partir daí, ela elaborou os cursos gratuitos realizados no próprio salão, duas vezes ao mês, depois do expediente.

"Não é um trabalho fácil, é um desafio para mim e para as minhas assistentes. Até conhecê-las, a gente não fazia ideia das inúmeras dificuldades que as pessoas cegas enfrentam cotidianamente para realizar até mesmo os gestos mais simples. Mas no final, quem ganha somos nós, que passamos a conhecer uma realidade diferente", afirma Tiziana, que é proprietária de um dos salões de beleza mais movimentados da cidade.

Durante os encontros, que duram cerca de três horas, cada assistente se dedica a duas alunas. As instruções para penteados e maquiagens são personalizadas, com base no tipo de cabelo e de pele, biotipo, estilo de vida e, naturalmente, gosto pessoal. "Elas se cuidam muito, querem se informar sobre os produtos, sobre a moda. São mulheres que trabalham, são dinâmicas e esportivas. É importante que elas tenham em quem confiar", afirma Tiziana, que tem 40 anos de profissão.


A aparência conta
Para Florinda, que perdeu a visão aos 20 anos por causa de uma doença degenerativa, é importante manter um bom aspecto.

"Sei que todos me olham porque sou diferente, porque caminho com uma bengala branca. E já que sou constantemente alvo de atenção, quero que me vejam não apenas como deficiente, mas como alguém de boa aparência. Afinal, vivo num mundo de pessoas que enxergam."

Ela afirma que estar bem penteada e com as mãos cuidadas a fazem sentir-se bem. "No curso aprendi um segredo precioso para enxugar os cabelos com o secador sem que eles se armem. E funciona realmente. As sugestões que nos dão são muito válidas. Agora, quando chego ao escritório, os colegas notam e elogiam cada pequena diferença no meu visual."

Florinda passou a praticar esportes depois de perder a visão. Ela e o marido, com quem é casada há 9 anos e que também é cego, participaram da Paraolimpíada de Londres, em 2012. Ele, como campeão de beisebol, ela de canoagem. Recentemente, Florinda aprendeu a esquiar. "Faço descida livre. É adrenalina pura".

"Sou muito esportiva e não abro mão do que posso fazer com autonomia para ficar mais bonita, como pentear-me e vestir-me bem. E apesar de ter um pouco de dificuldade em me maquiar, uso um pouco de base, rímel e um brilho nos lábios."


Confiança
Também para Giovanna Gossi, de 49 anos e cega desde a infância por causa de um glaucoma congênito, a aparência conta. E muito. "Para quem não pode se ver no espelho, a preocupação com o próprio aspecto é ainda maior", diz a telefonista de um instituto financeiro.

"Não vejo o meu rosto e, portanto, tenho que confiar nas pessoas".

No curso, além de técnicas específicas para escovar ou amarrar cabelos finos, ela recebeu sugestões de maquiagem e conselhos para substituir alguns cosméticos por produtos mais fáceis de serem utilizados, como trocar a base líquida pelo pó compacto.

"Nas aulas, desenvolvemos um método que agradou a todas. Basta passar o pincel no estojo de pó três vezes e iniciar a aplicação abaixo das bochechas, de dentro para fora, duas vezes em cada lado do rosto, depois espalhar pela testa, descer passando pelo nariz até o queixo, sem deixar nenhuma parte de fora, e esfumaçá-lo no início do pescoço", ensina.


Combinando cores
Também em Milão, Giovanna e outras deficientes visuais fizeram um curso com uma personal shopper de quem receberam dicas de como comprar roupas adequadas a cada fisionomia e estilo, além de aulas de postura e lições sobre como caminhar de salto alto. "É claro que quando você corre para pegar o 'tram' (espécie de bonde sobre trilhos, comum em Milão), vai tudo por água abaixo", brinca.

Exigente e atenta às novidades da moda, Giovanna recorre a uma amiga na hora de ir às compras e combinar cores. "Não posso usar somente preto e branco porque são cores que, juntas, ficam sempre bem. Há muitos outros tons que podem ser misturados".

E embora o namorado não seja deficiente visual, Giovanna diz não confiar no seu gosto.
"Jamais vou sair para comprar roupas com ele", conta. "Qualquer coisa que eu vista, até uma camisa de homem, o comentário dele é sempre o mesmo. 'Belíssima!'".
 

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[11.Nov.2015]
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Curar a cegueira em minutos e por 50 euros? Sim, é possível!

Sábado

Nuno Paixão Louro

09 Novembro 2015

 

É possível curar a cegueira provocada pelas cataratas, em cinco minutos e gastando menos de 50 euros? A resposta vem do Nepal. É que um oftalmologista nepalês já fez com que mais de 100.000 doentes recuperassem a visão, através de um método revolucionário.

O sistema usado pelo doutor Sanduk Ruit é reconhecido pela conceituada publicação científica American Journal of Ophthalmology e consiste em operar as cataratas através de micro-cirurgias, com recurso apenas a um microscópio e um bisturi.

As cataratas são extraídas do olho do paciente e é-lhe colocada uma lente. Não há suturas e o doente apenas precisa de 24 horas de descanso para recuperar.

Este procedimento, pela sua rapidez, eficiência (equivalente à dos equipamentos mais modernos) e baixo custo já é ensinado em algumas universidades dos Estados Unidos, sendo conhecido como Método Nepal. Este reconhecimento fez com que Ruit tenha conquistado maior credibilidade.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, há cerca de 20 milhões de vítimas de cataratas cegas em todo o mundo, a maior parte delas nos países menos desenvolvidos.

Com o objectivo de mudar a vida a estes milhões de doentes, Ruit e o também oftalmologista Geoffrey Tabin, lançaram o projecto Cure Blindness Himalayan Cataract Project para angariar fundos e assim poderem prosseguir com a missão de erradicar a cegueira reversível.
 

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[10.Nov.2015]
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Encontro nacional "A deficiência e o
(no) exercício da profissão docente"


FENPROF

 

Num projeto em parceria FENPROF-CNOD (Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes), co-financiado pelo INR (Instituto Nacional de Reabilitação), vai realizar-se no próximo dia 21 de novembro, em Lisboa, um encontro nacional subordinado ao tema "A deficiência e o (no) exercício da profissão docente".

A iniciativa decorerrá na Escola Secundária D. Pedro V e o programa da manhã inclui uma sessão de abertura (10h30), com comunicações de Ana Simões (FENPROF) e Jorge Silva (CNOD) e depois, a partir das 11h00, três conferências, seguida de um período de debate:
 

  • "O Professor cego: pedagogia e suplência multissensorial”, por Deodato Guerreiro
  • “Tecnologias Acessíveis e de Apoio em Contextos Educativos“, por Francisco Godinho
  • “Estudos internacionais sobre docentes com deficiência – Revisão da Literatura” Paula Campos Pinto e Patrícia Neca

Após o intervalo para almoço, o encontro prosseguirá com um espaço aberto ao testemunho de docentes, que falarão das suas experiências e das suas reflexões. Entre outras, estão previstas intervenções de Ana Paula Figueiredo, Carla Badalo, Isabel Camalhão, Joaquim Cardoso, Joaquim Lagartixa e Lurdes Gonçalves.

Na sessão de encerramento intervirão Mário Nogueira (Secretário Geral da FENPROF), José Reis (Presidente da CNOD) e José Madeira Serôdio (Presidente do INR).

Serão creditadas seis horas como formação de curta duração para todos os docentes de qualquer grupo de recrutamento.

O prazo das inscrições para este encontro nacional termina a 13 de novembro. / JPO


 

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[5.Nov.2015]
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Surf Adaptado na Nazaré

ACAPO


Já experimentou o surf? Acha que a deficiência visual o(a) impede? Inscreva-se junto da Delegação de Leiria da ACAPO e venha surfar nas águas da Nazaré. A atividade está prevista para 14 de novembro.

Contacte a Delegação pelo telefone 244 849 850 ou pelo e-mail leiria@acapo.pt.

 

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[1.Nov.2015]
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O que perdeu Ray e a minha Mãe não?

 

vídeo de João Osório Vassalo
 http://www.youtube.com/watch?v=xy7wEHfWET8

 

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[31.Out.2015]
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Facebook procura desenvolver "app" para invisuais

JN

17 Outubro 2015

 

Tendo noção do quão visual é o "feed" de notícias no Facebook, a empresa encontra-se agora a trabalhar numa solução que permita aos invisuais "ver" as imagens que os amigos partilham.

"Se pensar o quanto o feed de notícias é visual - e provavelmente é grande parte - e a frequência com que as pessoas fazem um comentário ou dizem algo sobre o que é partilhado, mas sem dizer realmente o que está na foto", consegue perceber-se a necessidade da aplicação que os engenheiros da Facebook estão a desenvolver, diz primeiro engenheiro cego daquela rede social, Matt King.

O Facebook liga 1500 milhões de pessoas em todo o mundo, mas é complicado de acompanhar para aqueles que são invisuais. "Então, para alguém como eu [invisual], é um pouco como, ok, o que se está a passar aqui? Do que é que estão a discutir?", acrescenta King, em declarações ao site "TechCruch", especializado em tecnologia.

De momento, os invisuais têm acesso a "screen readers", ferramenta que permite identificar o que o ecrã mostra, o que permite perceber o que é escrito na rede, mas não tem qualquer efeito nas fotos que são mostradas.

Para combater isso, procuram desenvolver um objeto de reconhecimento, baseado em inteligência artificial, para ajudar os invisuais a ter uma ideia do que está nas fotos que as pessoas partilham na rede. Numa mensagem áudio que começa com "esta imagem poderá conter", a ferramenta descreveria tópicos da mesma. Por exemplo, numa foto de um pôr do sol numa praia a descrição poderia ser natureza, nuvens, exterior.

King confessa que a aplicação ainda está longe de ser vista como um produto final. "Pode não estar a 100% ainda, mas mesmo que esteja apenas a meio, o nível de comprometimento e a alegria que tenho é como ir de 0% para 50% do que é possível", diz.

"É um passo enorme, mas apenas vai ficar melhor daqui para a frente. Considero que a boa vontade da Facebook em investir em áreas como esta realmente excitante e apenas mais uma forma de ligar as pessoas com deficiências a uma grande experiência", acrescenta o engenheiro.

King, que se encontra a trabalhar na rede social há apenas quatro meses, confessa que tem noção que a tecnologia relacionada com os "screen readers" ainda está pouco desenvolvida. Porém, procura melhorar a experiência na rede, e mesmo na web, para aqueles que não conseguem ver o que os rodeia.

 

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[17.Out.2015]
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Português, atleta, campeão internacional e... cego

Por Daniela Vilar Santos

Correio da Manhã

13.10.2015

 

É cego desde nascença, pratica atletismo há 20 anos e já conquistou sete medalhas de ouro em campeonatos do Mundo e da Europa. Nuno Alves começou a treinar quando saiu do campo para ir viver para a cidade. "Faltava-me um bocadinho de actividade física para libertar a adrenalina", contou ao CM o atleta natural de Tourém.

É na pista que Nuno se esquece que a cegueira o diferencia dos demais atletas. "A única coisa que penso é que tenho de ganhar aos outros e mais nada. Tento ouvir a informação do guia sobre os adversários e penso chegar à meta o mais rápido possível".

Com 40 anos, quando não está a correr, o medalhado é assistente operacional e trabalha na Fundação para a Ciência e Tecnologia. Sente-se triste "por não poder ser atleta a tempo inteiro", já que o que recebe por mês por ser atleta paralímpico está longe de chegar. É que em Portugal "não se vê o desporto para deficientes da mesma maneira que outros desportos", o que influencia o desempenho face aos adversários de outros países.

No entanto, não é por isso que Nuno deixa de acordar muito cedo, e de se deitar tarde, para poder conciliar os treinos e o trabalho. Nota-se que é uma pessoa de objetivos - as medalhas conquistadas são as primeiras a falar por ele, nesse campo - e o próximo é o campeonato do mundo.


Ouro, hino e lágrimas

"A primeira vez que fui campeão do mundo senti-me realizado e emocionado por pôr o hino a tocar por Portugal". Foi em 2007, em São Paulo, recorda o atleta.

Ricardo Abreu também é atleta, neste caso atleta guia, ou seja, acompanha Nuno em todos os treinos e provas. Fá-lo há três anos, altura em que deixou o seu percurso individual para começar os treinos específicos para exercer a sua tarefa. "É uma função muito gratificante e vivo as vitórias como se fossem minhas", diz com orgulho.

Já Nuno, refere-se a Ricardo sempre com um sorriso no rosto. Explica que o guia tem de ter um nível muito elevado para estar à altura deste tipo de desafio, mas não só: "também tem de ser um amigo. Nós passamos muitas horas por semana juntos e estar acompanhado por uma pessoa com quem temos boa relação é determinante".

"Nuno não é cego"

O Clube de Atletismo de Pedro Pessoa na Sobreda, em Almada, que este ano começa a época com 60 atletas, é o clube que Nuno escolheu para continuar a praticar desporto. Para Pedro Pessoa, presidente e treinador, "Nuno não é cego".

O responsável desportivo sublinha que há um trabalho diário para que o atleta tenha os melhores resultados possíveis. "Todos os exercícios que faço com os outros tento fazer com ele. Nunca o exclui. Uma vez fomos correr para a praia e eu disse-lhe logo que não fosse encostado a mim. Dei-lhe duas opções: ou vais para dentro de água ou vais para a areia seca. E deixei-o ir à vontade. Deixei-o livre".


"Não há mais cegos em Portugal? Eu treino-os!"

O treinador garante que não recebe qualquer apoio do Estado português por ter um atleta invisual. "Ter o Nuno no clube, ou não ter, é igual a nível de apoios". Mas não é isso que o trava, pelo contrário. O que o motiva é de tal ordem grande que não hesitou em aproveitar a reportagem do CM para deixar um convite: "Eu posso treinar mais cegos. Será que não há cegos em Portugal? Em Almada não há cegos? Não há miúdos? Eu aceito-os".

Campeão da Europa de 5 mil metros e vice-campeão de 1500 metros, Nuno recebeu o Prémio de Mérito Desportivo do Estado Português em setembro. O prémio monetário é para dividir entre o treinador, o atleta e o clube, mas o presidente decidiu diferente, para melhor, entenda-se.

Pedro Pessoa deliberou, juntamente com a direção que o acompanha, que o dinheiro destinado ao clube será dividido pelos atletas guias, Ricardo Abreu e João Montes (outro guia que acompanha Nuno, mas apenas nalguns treinos). "Este prémio só nos é atribuído pelos prémios que o Nuno tem ganho. É igual para os atletas sem deficiência. Se não ganhasse, não recebia nada", justifica o presidente.


Mais esforço, menos apoio

O Comité Paralímpico de Portugal confirmou ao CM que o valor da bolsa de alto rendimento mensal, para atletas do escalão 1, como é Nuno Alves, é de 518€. Já o Comité Olímpico confirmou que um atleta olímpico, do mesmo escalão, recebe 1375€/mês. O mesmo desporto, os mesmos treinos e as mesmas conquistas. A diferença está, neste caso, nos menos 857€ a que Nuno não tem direito, simplesmente por... ser cego.
 

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[11.Out.2015]
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Services for visually impaired elderly persons in Europe
 

A Research Study organized by the International Council for Education and Rehabilitation of People with Visual Impairment (ICEVI-EUROPE ) and the European Blind Union (EBU), in cooperation with the Vrije Universiteit Amsterdam, regarding the availability of services for visually impaired elderly persons in Europe.


PDF para ler ou descarregar:
http://www.icevi-europe.org/aging/report-european-services-vi-elderly.pdf

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[11.Out.2015]
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Coimbra recebe rastreios à saúde ocular


Notícias de Coimbra

Outubro 9, 2015

 

No âmbito do Dia Mundial da Visão, que este ano se celebra a 8 Outubro, a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) organiza a 1ª “Semana da Visão” em Portugal.

De 8 a 15 de Outubro, a SPO irá promover uma série de iniciativas que alertam para os problemas visuais dos portugueses. O principal objetivo é sensibilizar a população para as causas de cegueira que é possível prevenir, incentivando esta prevenção.

Maria João Quadrado, presidente da SPO, afirma que “as pessoas preocupam-se cada vez mais com um estilo de vida saudável, mas muitas esquecem ou desconhecem a necessidade de cuidar da saúde dos seus olhos. A grande maioria das deficiências visuais podem ser evitadas e/ou tratadas. As principais, como a miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia podem ser corrigidos com óculos, lentes de contato ou cirurgia refrativa. Outros problemas como a catarata, a degenerescência macular da idade, a retinopatia diabética e o glaucoma podem levar a perda da visão quando não detetados atempadamente”.

Entre as várias iniciativas que a SPO vai dinamizar na Semana da Visão, a presidente destaca os rastreios. “O rastreio para a prevenção da cegueira é das estratégias com melhor relação custo-benefício e a observação regular pelo oftalmologista é o mais indicado. As crianças devem ser observadas aos 3 anos, de forma a detetar defeitos que passam despercebidos aos pais”.

Os cuidados com a visão devem manter-se ao longo da vida. “Aos 40-50 anos, quando surge a presbiopia, deve consultar-se um oftalmologista e iniciar o despiste de glaucoma. Em idades mais avançadas é obrigatória a observação anual para despiste de catarata, glaucoma e degenerescência macular da idade. O envelhecimento da população significa que o risco de desenvolver deficiência visual relacionada com a idade é cada vez maior. Cerca de 65 por cento das pessoas com deficiência visual têm 50 anos ou mais e em Portugal temos vindo a assistir a um aumento de casos de baixa visão por degenerescência macular da idade e retinopatia diabética. Nestas situações é obrigatório o exame oftalmológico anual”, defende Maria João Quadrado.

O Dia Mundial da Visão tem como objetivo lembrar que as principais causas de cegueira no mundo podem ser prevenidas e/ou tratadas se as populações tiverem acesso a cuidados de saúde adequados. Neste dia (8 de Outubro) iniciam-se na baixa do Porto os rastreios ao público com divulgação de vários folhetos informativos sobre algumas das patologias cujo tratamento pode fazer alterar o percurso para a perda de visão. No dia 12 de Outubro, os rastreios e ações de sensibilização chegam a Coimbra e a semana encerra a 15 de Outubro com as ações de rua a decorrerem no centro de Lisboa (ver mais informação abaixo).

Durantes estas ações, as estátuas que existem nas praças onde irão realizar-se os rastreios, estarão vendadas, simbolizando o combate à cegueira promovido durante esta “Semana da Visão”.

A cada cinco segundos há um adulto a ficar cego no mundo, enquanto a cada minuto o mesmo acontece com uma criança. O Programa da Visão 2020 pretende a prevenção das doenças evitáveis até 2020, de forma a oferecer a todos o direito à visão.

Horas e locais dos rastreios:

12 de Outubro (Das 9h às 18h) – Coimbra – Praça da República
15 de Outubro (Das 9h às 18h) – Lisboa – Praça do Comércio
 

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[10.Out.2015]
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Dia Mundial da Visão: Da escuridão à luz

8 de Outubro de 2015
 

Poucas coisas são mais assustadoras do que deixar de ver. O Dia Mundial da Visão, comemorado esta quinta-feira, é o pretexto para conhecermos uma sumidade entre os oftalmologistas

Só quem nunca cegou pode julgar que é exagero chamar "santo" a um oftalmologista.

Para Abel Rodrigues Fernandes, a palavra até peca por defeito. Dos 60 aos 65 anos, Abel viveu na escuridão quase total. E hoje, meses depois de recuperar a visão, ainda se emociona quando recorda os tempos em que via menos de cinco por cento. "Ninguém imagina o que é a pessoa pensar que ficará cega para sempre. Eu estava louco!", conta o dono do restaurante Fortaleza da Luz, perto de Lagos.

Uma doença da córnea obrigou-o a fazer dois transplantes, que correram mal, e a sua situação foi-se degradando. "Vivia com medo de tudo. Não andava sozinho e temia não chegar a conhecer a cara dos meus netos." Até que uma sobrinha lhe marcou consulta com Joaquim Murta, diretor do serviço de oftalmologia do Centro Hospitalar de Coimbra e coordenador na clínica Idealmed. O olho esquerdo estava perdido, por causa da tensão ocular que lhe comprimia o nervo ótico. Mas, para o olho direito, Joaquim Murta prometia a cura, através de uma técnica inovadora, desenvolvida pela sua equipa: o transplante ultrafino, que recorre a um laser de femtossegundo, que corta através da libertação de um gás, com extrema precisão. Assim há menos rejeição e uma maior taxa de sucesso. "Logo que saí da sala de operações comecei a ver normalmente. Eu tinha os pensos, mas espreitei por um buraquinho e percebi que via tudo o que estava à minha volta", recorda Abel. "Hoje vejo 100% do olho direito. Voltei a ser eu próprio. Conduzo, faço a minha vida. Aquela operação devolveu-me tudo."

Joaquim Murta está habituado à gratidão dos doentes. "Em oftalmologia, há uma grande perceção do que se faz. Está tudo à mostra, tudo se quantifica." Também está habituado ao pioneirismo. O centro que dirige acaba de ser referenciado como o único em Portugal com capacidade para operar tumores oculares. Até há pouco tempo, os doentes tinham de ser encaminhados para um hospital suíço. "O tratamento é uma quimioterapia suprasseletiva [extremamente localizada], que exige uma equipa multidisciplinar, bem treinada", nota.

Com exceção de duas situações muito específicas, "não há nada que se faça no estrangeiro que não façamos aqui", sublinha o médico. "Coimbra é um exemplo a nível europeu. Só haverá outro instituto na Europa (em Inglaterra) com as mesmas características: temos bons clínicos, condições para a investigação e uma relação estabelecida entre a clínica e a investigação básica. Tudo isto em conexão com redes internacionais. E aí é que se faz a diferença." Mas ainda há muito a fazer para melhorar a saúde visual dos portugueses.

"Mais de metade dos oftalmologistas só faz privada. Além disso, estão mal distribuídos. Por isso estamos a trabalhar numa rede de referenciação que permita encaminhar os doentes de acordo com as necessidades." E há ainda um caminho que tem de ser feito pela Ciência. ""Muitas doenças nomeadamente da retina ou do nervo ótico ainda não se conseguem tratar convenientemente" admite o especialista. "No entanto , fruto de intensa investigação, muito se tem avançado nos últimos anos possibilitando recuperar doentes que outrora estavam condenados à cegueira". Raras vezes a expressão "luz ao fundo do túnel" faz tanto sentido.


Pelos seus olhos
Alguns problemas podem ser prevenidos, ou tratados, se diagnosticados a tempo. Diabéticos, hipertensos, maiores de 65 anos e pessoas com problemas de tiroide devem ser vigiadas por um oftalmologista; crianças até aos 2 anos têm também de ser avaliadas (mesmo que pelo pediatra); aos 45 anos, recomenda?-se igualmente uma consulta


Ler mais: http://visao.sapo.pt/dia-mundial-da-visao-da-escuridao-a-luz=f832822#ixzz3nzjjSiF2

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[8.Out.2015]
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“Mata-frades” de olhos vendados alerta para combate à cegueira


Diário de Coimbra

Outubro 6, 2015


A estátua de Joaquim António de Aguiar (conhecido por “Mata-frades”), no Largo da Portagem, vai estar de olhos vendados na próxima segun­da-feira, um gesto que simboliza o combate à cegueira. A acção decorre no âmbito da 1.ª Semana da Visão, organizada pela Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO), entre esta quinta-feira – Dia Mundial da Visão – e 15 de Outubro.
 

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[8.Out.2015]
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ACAPO organiza as 3.ªs  Olimpíadas do Braille

- 17 de Outubro 2015 -

 

Estão abertas, até 9 de outubro, as inscrições para as 3.ªs Olimpíadas do Braille, a decorrer no próximo dia 17 do referido mês, no Auditório da Estação do Metropolitano do Alto dos Moinhos, em Lisboa.

Mais uma vez, estão previstos quatro escalões de participação, de acordo com as seguintes faixas etárias:

  • 1.º escalão: participantes com deficiência visual dos 8 aos 12 anos;
  • 2.º escalão: participantes com deficiência visual dos 13 aos 20 anos;
  • 3.º escalão: participantes com deficiência visual e idade superior a 20 anos;
  • 4.º escalão: participantes sem deficiência visual.

Aos três primeiros classificados de cada escalão, será atribuído um voucher para aquisição de produtos tiflotécnicos, cujo valor difere consoante a classificação dos participantes.

O sistema de leitura e escrita Braille, quando corretamente utilizado, constitui um meio fulcral para a melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência visual, facultando-lhes o acesso à palavra escrita e, com ele, a melhoria da sua autonomia. Pensando no Braille nos dias de hoje, apesar dos meios tecnológicos existentes, continua a ser inquestionável o seu papel como potenciador do acesso à educação, cultura, informação, lazer e, consequentemente, a uma plena participação social. Conhecer e utilizar corretamente o sistema Braille é pois um processo evolutivo e contínuo, tanto melhor alcançável se a ele se dedicar algum empenho pessoal. Nessa linha de pensamento, a ACAPO está certa de ter contribuído para estimular o uso deste sistema, ao dinamizar o concurso as “Olimpíadas do Braille”, que teve a sua primeira edição em 2011.

Este concurso é bienal, assegurando-se assim que os seus objetivos tenham continuidade no tempo, recompensando-se o cada vez maior interesse e domínio demonstrados no que toca a este sistema de leitura e escrita para pessoas cegas, tanto por aqueles que são os seus utilizadores habituais como por quem, por necessidade profissional ou interesse pessoal, a ele se dedica.

Já na sua terceira edição, este concurso tem vindo a registar grande aceitação, ajudando a ACAPO a concretizar dois dos seus grandes objetivos: divulgar o sistema de leitura e escrita Braille e garantir, através da sua valorização, a autonomia das pessoas com deficiência visual.


OBJETIVOS:

a) Promover o Braille como sistema universal de leitura e escrita para as pessoas com deficiência visual e como instrumento de trabalho para quem com elas conviva;
b) Dar visibilidade ao sistema Braille enquanto facilitador da autonomia pessoal e do desenvolvimento social, cultural e profissional;
c) Estimular e incentivar a utilização do sistema Braille;
d) Reconhecer a prioridade da utilização do Braille na vida quotidiana da pessoa com deficiência visual;
e) Estimular e incentivar o gosto pela escrita e pela leitura tátil;
f) Revelar competências ao nível das regras de escrita em Braille;
g) Incrementar o entusiasmo por uma leitura tátil, rápida e fluente;
h) Combater o estigma associado à leitura tátil, enquanto sistema característico de um determinado grupo de pessoas;
i) Promover o convívio tiflológico, fomentando a partilha de saberes e de experiências entre os participantes;
j) Aproximar a comunidade em geral deste sistema de leitura e escrita;
k) Promover o uso do sistema Braille por pessoas sem deficiência visual mas que, por motivos profissionais ou lúdicos, possam vir a interessar-se pela sua utilização;
l) Mobilizar um conjunto de saberes sobre personalidades com deficiência visual que se destacaram na sociedade do seu tempo;
m) Dar a conhecer a vida da ACAPO no percurso feito ao longo de vinte e cinco anos.


Consulte o Regulamento e inscreva-se.

Para mais informações, contacte o Departamento de Relações Externas da ACAPO, pelo telefone 213 244 500 ou pelo e-mail rp.dn@acapo.pt.  Projeto cofinanciado pelo Programa de Financiamento a Projetos do INR I.P.

fonte: ACAPO

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[5.Out.2015]
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Cientistas pretendem curar perda de visão com células estaminais

Expresso

29.09.2015

 

Experiência poderá resultar na cura da Degenerescência Macular Relacionada com a Idade, apontada como a causa mais comum de perda de visão nas pessoas acima de 55 anos

Uma equipa de investigadores está a levar a cabo uma experiência que tem como principal objetivo curar a perda de visão recorrendo a células estaminais.

Na primeira cirurgia realizada no mês passado no Hospital Oftalmológico de Moorfields, da Universidade de Londres, foram transplantadas na parte posterior da retina de uma mulher de 60 anos, uma capa de células pigmentadas (o epitélio pigmentário retinal) fundamentais para a visão, produzidas em laboratório a partir de células estaminais de um embrião criado num tratamento de fertilização in vitro. Os resultados são aguardados com grande expectativa.

“Só lá para o Natal é que saberemos como é que estará a visão da doente que já foi operada, e por quanto tempo irá mantê-la, mas já sabemos que as células parecem estar saudáveis e posicionadas no local certo”, contou à BBC o professor Peter Coffey, que lidera o “The London Project to Cure Blindness” (Projeto Londrino para a Cura da Cegueira).

Este projeto científico já tem cerca de dez anos e pretende reverter a perda de visão em doentes com Degenerescência Macular Relacionada com a Idade (DMRI). Esta doença afeta a área central da retina (mácula) e provoca uma perda da visão central, na maior parte dos casos nos dois olhos, dificultando a leitura, a identificação de cores e de rostos. Como a visão periférica não é atingida, os doentes não cegam por completo. A DMRI é apontada como a causa mais comum de perda de visão nas pessoas acima de 55 anos.

Nesta fase do projeto serão operados dez doentes com DMRI exsudativa. Esta forma da doença, a mais grave, caracteriza-se pelo desenvolvimento de vasos sanguíneos defeituosos na mácula que sangram causando danos importantes e rápidos. Estes doentes serão acompanhados durante um ano para verificar os resultados da intervenção.

 

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[30.Set.2015]
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TECNOBLIND: O protagonismo das pessoas
com deficiência visual no trabalho


TecnoBlind


Acaba de surgir uma Organização Não Governamental que pretende atuar em todo o Brasil, via internet, oferecendo cursos à distância, atuando na defesa da acessibilidade na Web e promovendo eventos periódicos com assuntos relativos à deficiência visual. É a TECNOBLIND. Venha conhecer!

Nosso evento de inauguração será no dia 17 de outubro, sábado, à partir das 19 horas. E o tema será "O protagonismo das pessoas com deficiência visual no trabalho".

Inscreva-se no site http://www.tecnoblind.org.br/trabalho2015  - O evento será aberto a qualquer interessado e você poderá participar estando em qualquer lugar com acesso à internet. Sabemos que ainda há muito por fazer no contexto da pessoa com deficiência visual no trabalho. A resistência das empresas, ausência de acessibilidade no ambiente laborativo e a falta de preparo dos gestores são assuntos que carecem de ampla discussão e aprimoramento.

Participe dessa discussão e ajude a construir uma sociedade mais inclusiva no que diz respeito ao acesso e manutenção da pessoa com deficiência no mercado de trabalho. Contaremos com palestrantes de reconhecida atuação na área e os participantes poderão interagir por meio de perguntas e manifestações.

Após as palestras e discussões, a Diretoria da TECNOBLIND promoverá um cafezinho virtual onde serão apresentados os objetivos da entidade e colheita de idéias e sugestões para a nossa atuação. A interação com as pessoas com deficiência visual é fundamental para a evolução das ações da Tecnoblind. Por isso sua presença é fundamental. Não deixe de participar!

Programação
Dia 17 de outubro de 2015

• 19h00 - Mesa de abertura;
• 19h10 - O prejuizo da terceirização para as pessoas com deficiência;
• 19h30 - A atuação das instituições de e para cegos na inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho;
• 19h50 - A legislação relativa às pessoas com deficiência no trabalho;
• 20h10 - O subaproveitamento das pessoas com deficiência no funcionalismo público;
• 20h30 - A experiência de uma pessoa com deficiência na iniciativa privada;
• 20h40 - Espaço para perguntas e discussões;
• 21h00 - Apresentação da entidade pela diretoria;
• 22h00 - Encerramento.

Acesse a página do evento e inscreva-se.
http://www.tecnoblind.org.br/trabalho2015

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[30.Set.2015]
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Cortes de 30 milhões deixam Educação Especial sobrecarregada

NOTÍCIAS AO MINUTO

28/09/15



A escola pública tem poucos docentes para dar resposta às necessidades e os pais deixaram de receber subsídios para recorrer a apoios no privado. Há cinco mil professores do quadro e 1.200 contratados para mais de 78 mil alunos com necessidades educativas especiais.

Segundo o Jornal de Notícias, os sindicatos apontam cortes nos recursos humanos e subsídios atribuídos aos país para procurarem ajuda no privado a rondar os 30 milhões, quando a verba em 2014 foi de 198.232.208 euros.

Na escola pública os professores têm dezenas de alunos a seu cargo e ficam limitados a poucas horas de apoio individual. Por outro lado, também os centros de recursos de inclusão (CRI), que dão apoio às escolas, ameaçaram suspender os seus serviços na semana passada.

A lei dita que as turmas que integram crianças com Necessidades Educativas Especiais tenham um número mais reduzido de alunos, mas, de acordo com a Fenprof, a lei não está a ser respeitada. Muitas chegam até a ter mais alunos com NEE do que o previsto, denuncia Mário Nogueira.
 

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[29.Set.2015]
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Clássicos infantis ganham versão para deficientes visuais

por QSocial

6.12.2015

 

Quem não se encanta com os clássicos “A Bela Adormecida”, “Branca de Neve”, “Chapeuzinho Vermelho”, “Cinderela”, “João e Maria”, “João e o Pé de Feijão”, “Os Três Porquinhos”, “Peter Pan”, “Robin Hood” e “Rapunzel”?

A novidade agora é que crianças com deficiência visual poderão ter acesso a adaptações dessas histórias em formato inclusivo. Os exemplares são impressos em braille e fonte ampliada e têm imagens em relevo, além de serem ilustrados com cores vibrantes.

Há também um CD com a leitura das histórias com ou sem audiodescrição (recurso que transforma imagens em palavras), com efeitos sonoros e lúdicos, que têm como objetivo estimular os diferentes sentidos dos pequenos leitores.

A Fundação Dorina Nowill para Cegos imprimiu 3.000 kits da Coleção Clássicos Acessíveis, que chegarão gratuitamente a bibliotecas, escolas públicas e instituições que atuam com pessoas com deficiência visual em todo o país. Brevemente, eles também estarão à venda no site da ONG.

“É um projeto inédito que permite que a criança cega ou com baixa visão leia sozinha, com amigos ou parentes, que a leitura aconteça de pai para filho, de professor para aluno”, afirma Ana Paula Silva, coordenadora de acesso ao livro da fundação. “É uma quebra de barreiras e uma forma de incluir por meio dos contos de fadas”, completa

 

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[17.Set.2015]
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Eleições acessíveis - AR 2015


INR

 

No sentido de promover o direito ao voto dos cidadãos com deficiência, nas eleições da Assembleia da República no dia 4 de outubro, foi preparado um folheto, elaborado em leitura fácil, e um vídeo, que inclui legendagem e interpretação em língua gestual portuguesa.

Estes materiais são o resultado de um esforço conjunto do Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P. (INR, I.P.), a Comissão Nacional de Eleições (CNE), a Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), a Federação Nacional de Cooperativas de Solidariedade Social (FENACERCI), a Federação Portuguesa das Associações de Surdos (FPAS) e a Federação Portuguesa para a Deficiência Mental (HUMANITAS).

Nestes ficheiros encontrará informação sobre o que é uma eleição, quem pode votar, como confirmar a sua situação eleitoral, como votar, entre outras informações relacionadas com a participação das pessoas com deficiência na vida política.


Para mais informação sobre as eleições regionais, consulte:

Folheto em leitura fácil:
http://www.cne.pt/sites/default/files/dl/ar2015_folheto_eleitores_com_deficiencia.pdf

Vídeo com legendagem e LGP - http://www.cne.pt/video/5504

Comissão Nacional de Eleições - http://www.cne.pt/


 

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[18.Set.2015]
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VISÕES. O INTERIOR DO OLHO HUMANO

Visitas técnicas guiadas:

Centro Cirúgico de Coimbra

 

De Abril a Setembro, o Centro Cirúgico de Coimbra assegura um conjunto de visitas guiadas à exposição VISÕES. O INTERIOR DO OLHO HUMANO. Não perca a oportunidade de aprofundar os seus conhecimentos sobre esta área científica absolutamente fascinante.

Falam da vida que existe nesse interior escondido. Falam do estilo de vida de cada um, do ADN que herdaram, das lesões que tiveram de enfrentar….

São duas formas de produção de conhecimento e estão presentes nas imagens desta mostra. A exposição ajuda-nos a ultrapassar a deformação cultural que nos leva a julgar que Arte e Ciência nunca se encontram. Não é verdade. Arte e Ciência têm a mesma missão (criar), recorrem ao mesmo instrumento (talento) e são as duas únicas vias de descoberta da verdade livre. Esta exposição exemplifica este encontro perfeito entre Arte e Ciência.

Reúne um leque de fotografias reais, captadas no interior do olho humano, acabando por se relevar um instrumento de comunicação inovador entre Ciência e Arte. São histórias de sucesso da medicina e da Oftalmologia portuguesa, mas não só, porque a física, a matemática, a arquitetura, a engenharia de estruturas, ou simplesmente, a estética estão presentes e existem, obrigatoriamente, dentro de cada olho humano.

Esta exposição integra o Ano Internacional da Luz.

VISITAS TÉCNICAS GUIADAS | 15H00

- 25 Abril: António Travassos
- 23 Maio: Sofia Travassos
- 27 Junho: José Galveia
- 25 Julho
- 26 Setembro

As visitas serão asseguradas por António Travassos, José Galveia, Sofia Travassos, Robert ven Velze do Centro Cirúrgico de Coimbra.

 

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[17.Set.2015]
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Alga cega pode ser responsável pela cura da cegueira


por Redação em | 14.09.2015


Canal tech


Uma alga que vive no meio da água e da sujeira pode ser responsável por devolver aos cegos a capacidade de enxergar. A Chlamydomonas reinhardtii tem uma estrutura simples, é unicelular, possui duas caudas parecidas com chicotes circundando seu corpo e ainda uma estrutura parecida com um olho, que nem chega a ser um olho de fato, que ela usa para encontrar luz e, assim, realizar a fotossíntese.

Apesar da simplicidade, esse organismo vem sendo apontado como possível responsável pela cura da cegueira. Isto porque, assim como acontece em um olho humano, a estrutura que a alga utiliza para "enxergar" faz uso de proteínas fotossensíveis. Entre elas, uma em especial chama a atenção: a canal-rodopsina-2 (ChR2). Transplantada para um olho humano, ela poderia devolver a ele a capacidade de enxergar novamente.


A ChR2 já funciona

Algo que anima os cientistas e também aqueles que desejam ter a cegueira curada é o fato da proteína canal-rodopsina-2 já ter sido utilizada com sucesso em pesquisas semelhantes. Atualmente, neurocientistas empregam a ChR2 em células cerebrais para tornar neurônios sensíveis à luz — um processo chamado de optogenética.

A proteína foi usada em laboratório para implantar memórias falsas em ratos e teve as suas características de fotossensibilidade estimuladas por meio do uso de fibras ópticas. O resultado foi que os pequenos animais demonstraram ter lembranças de algo que não haviam vivido de fato, criando um resultado semelhante ao do filme “A Origem”, de Christopher Nolan.


Pesquisa em evolução

As pesquisas e testes realizados pela RetroSense foram licenciadas por Zhuo-Hua Pan, um pesquisador especializado em olhos da Universidade Estadual de Wayne. Ele estuda como restaurar a visão depois que cones e bastonetes morreram, que é o que acontece em pessoas com retinite pigmentosa.

Quando se pensa em doenças genéticas de humanos, o óbvio é imaginar a utilização de outros genes humanos para tentar curá-las. Entretanto, proteínas humanas são muito sensíveis, demandando a implementação conjunta com outras diversas proteínas. Assim, os cientistas teriam que inserir um conjunto de genes dentro de um ser humano, algo visto como quase impossível pelos pesquisadores.

A partir daí, em 2003, Pan divulgou um artigo científico no qual indicava o uso das proteínas canal-rodopsina-2 retiradas de algas Chlamydomonas reinhardtii. Com a necessidade de usar uma proteína e um gene, as características da ChR2 se mostraram ideais e os cientistas começaram a inseri-las em células de mamíferos.

“Funcionou perfeitamente, mesmo no começo”, revelou Pan à revista Wired. “Era, basicamente, muita, muita sorte”, complementa o especialista.


Testes em humanos devem começar em breve

Recentemente, o órgão do governo dos Estados Unidos que regulamenta a produção e venda de remédios e alimentos, a Foods and Drugs Administrarion (FDA, uma espécie de Anvisa de lá), autorizou a RetroSense a iniciar os primeiros testes da nova técnica em seres humanos.

A empresa planeja recrutar 15 pacientes cegos acometidos da doença ocular genética retinite pigmentosa. Ela causa a degeneração da retina e quem a tem vai perdendo a visão de forma gradual — ou seja, pelo menos por enquanto, cegos de nascença não serão cobaias do experimento. De acordo com a RetroSense, os testes devem começar já no último trimestre de 2015.

Assim como os cientistas que fizeram os neurônios de ratos sensíveis à luz, os pesquisadores da RetroSense também vão implantar a ChR2 nos neurônios retinianos para torná-los fotossensíveis. A diferença está no meio de transporte da proteína: aqui, eles usarão um vírus em vez de fibra óptica.

A ideia de utilizar vírus em tratamentos genéticos para curar doenças genéticas não é exatamente novidade. Isso já foi tentado inúmeras vezes, com estes organismos servindo de veículo para carregar genes saudáveis até o local da doença. A diferença aqui é que o gene em questão não vem de outro ser humano, mas sim de uma alga.


Indo direto ao ponto

O olho é uma estrutura bastante complexa e confusa, repleto de camadas e microrganismos. Assim, a RetroSense mira apenas a última camada dos neurônios retinianos, chamados de células ganglionares da retina. Pela lógica, torná-los fotossensíveis pode superar as camadas anteriores danificadas pela doença e corrigir o problema da cegueira.

O resultado esperado não é, logo de cara, uma visão 100% plena e funcional. Os ratos de laboratório nos quais este método foi testado aparentemente enxergavam feixes de luz. Algo assim é esperado nos humanos que servirem de cobaia, ao menos em um primeiro momento.

O fato é que a optogenética está caminhando firme rumo à sua implementação em seres humanos. Depois de mais de 15 anos de pesquisa, em breve teremos as primeiras respostas de pessoas que tiveram ChR2 implementadas em suas retinas. A torcida é para que os resultados sejam positivos.

Fonte: Wired

 

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[14.Set.2015]
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Segundo pesquisa, iPad pode ajudar
crianças com deficiência visual


Saúdevisual


Os ipads têm um aplicativo chamado Baby Finger, em que as crianças podem tocar imagens Muriel Sanders, pesquisador da Universidade do Kansas, EUA, acredita que o iPad pode ajudar a melhorar as vidas e perspectivas de crianças com deficiência visual cortical (DVC), uma doença neurológica severa resultante de danos cerebrais e que impede seus portadores de processarem informações visuais.

Com a tela brilhante, o iPad é uma espécie de réplica de uma caixa de luz - mas sua interatividade, som e cor são muito mais atraentes para as crianças.

Alguém com disfunção cortical visual grave vai gastar muito tempo olhando para as luzes. Elas podem simplesmente sentar e olhar para uma luz dentro de uma casa ou para fora da janela. Até podem lançar brevemente um olhar a algo que passa, mas não olham para o rosto de pessoas e nem para objetos. Por isso essas pessoas parecem ser cegas.

Os iPads – que parecem uma caixa de luz – têm um aplicativo chamado Baby Finger, em que as crianças podem tocar imagens e formas coloridas que aparecem no fundo branco.

Assim como o iPhone já está sendo usado com crianças com autismo para ajudá-las a ajustar a sobrecarga sensorial, há um grande potencial para usar o dispositivo como ferramenta de ensino para crianças com deficiência visual. Ele não só pode ser usado para ajudá-las a interagir com a tela, como também pode ensiná-las a controlar as coisas que veem.

Os pais das crianças com DVC foram os primeiros a notar o potencial do iPad como ferramenta terapêutica para seus filhos. A perspectiva de uso do aparelho para esse fim começou a se espalhar pela internet, mas nenhuma pesquisa formal foi realizada ainda.

Uma intervenção precoce em crianças com DVC não é apenas crucial para seu desenvolvimento, mas também pode ajudá-las a ter uma visão melhor à medida em que crescem.

Sanders frisou que esta é apenas uma pequena amostra e ainda falta uma pesquisa formal para documentar o poder do iPad para ajudar estas crianças.

“Usando o iPad, os meninos não só podem interagir com a tela, mas podemos ensinar através de uma série de passos a controlar as coisas nessa tela”, considerou a médica, que agora procura financiamento para realizar uma pesquisa mais profunda.

Durante os testes iniciais, Muriel contou com a colaboração de especialistas do Junior Blind of America, uma instituição que se dedica a trabalhar com crianças cegas.


 

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[13.Set.2015]
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Cegos trocaram as bengalas pelas tesouras
e foram ao Douro à vindima

LUSA | Observador

7/9/2015

 

Cegos e amblíopes foram ao Douro à vindima: pousaram as bengalas, pegaram nos baldes e tesouras e tatearam as videiras para cortarem uvas.

Fernando Gabriel, 74 anos, toca a videira, desvia as folhas e procura os cachos das uvas. Segue à risca as instruções dadas pelo monitor da Quinta da Avessada, no planalto de Favaios, concelho de Alijó. “Temos que procurar os cachos. Explicaram para se pôr a mão por baixo, para cortar em cima e deitar no balde”, afirmou à agência Lusa. Fernando é cego desde os 18 anos, trabalhou como telefonista, está reformado e fez questão de vir com o grupo da delegação do Porto da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) à procura de uma nova experiência.

Com a ajuda da mulher, Teresa Gonçalves, avança para uma outra videira. Às vezes encontra os cachos emaranhados e é “mais trabalhoso” encontrar o pé da uva, onde coloca a tesoura, mesmo encostada ao dedo, e corta.

“Uma das recomendações que nos fizeram foi de chegarmos com os 10 dedos ao final”, gracejou.

Esta foi também a primeira vez que Maria do Céu Francisco, 57 anos, vindimou. “Correu bem. Consegui apanhar um balde dos grandes de uvas, não é aquele pequenino, dos outros grandes”, frisou. Ficou cega aos três anos e foi muito protegida pela mãe, que nunca a deixou trabalhar.

“Mexer nas folhas, pegar o cacho na mão, ser eu a cortar, saber que esse cacho vai dar vinho para outras pessoas beberem, é uma coisa muito importante. Eu achava o vinho muito caro, mas agora, vendo o trabalho que ele dá, acho que o preço está muito justo”, sublinhou.

O casal Francisco, 48 anos, e Alexandra Figueiredo, 41 anos, aventurou-se nesta vindima com a ajuda da filha que ia saltitando entre os dois para ajudar e dar algumas instruções. “Está a ser muito interessante. Estou a gostar muito”, sublinhou Francisco.

Para além da visão reduzida, Susana Monteiro, de 34 anos, tem uma deficiência motora no braço direito que a obriga a sentir e cortar apenas com a mão esquerda. “Correu bem. Eu parto para as coisas sempre com um pensamento positivo, tentando não bloquear e não complicar as coisas só por complicar”, frisou.

Susana faz parte da direção da ACAPO e referiu que, quando sentiu perda de visão, deixou de sair de casa sozinha. Hoje já o faz outra vez e disse que é feliz, como qualquer outra pessoa.

“Recusamo-nos a ficar isolados, a ficar em casa. Nós não somos os cegos e os coitadinhos. Somos pessoas que temos mobilidade reduzida e há coisas que nós não fazemos, mas lutamos para que sejamos autónomos e fazemos muitas atividades”, afirmou Paula Costa, de 48 anos e presidente da delegação do Porto da ACAPO.

Este grupo já experimentou conduzir jipe e, depois da vindima, segue-se o caiaque.

Paula perdeu 95% da visão há 10 anos. “Quando vamos para as vinhas, para uma aldeia, para o monte, vemos a paisagem. Quando perdemos a visão não vemos a paisagem mas, se calhar, sentimos o resto que as pessoas com visão não sentem, que é o barulho dos pássaros, os ruídos, os cheiros”, explicou. Nesta experiência na vinha, destacou o barulho das tesouras, o toque das folhas, o sabor das uvas.

A Quinta da Avessada recebe milhares de turistas durante o ano. No período de vindima o número de visitantes praticamente duplica nesta unidade que possui uma enoteca, onde se conta a história do Douro e se desvendam os segredos da produção de vinho e do moscatel de Favaios.

“É a primeira vez que estamos a ter cegos a cortar uvas. Cortaram 20 bombos de uvas em 45 minutos, ninguém cortou os dedos e ficaram todos muito satisfeitos”, salientou o proprietário, Luís Barros. A equipa da quinta preparou-se para um cuidado extra com este grupo mas, segundo o responsável, “não foi preciso”. “Eles conseguem-se orientar muito bem e cortaram muito melhor do que algum pessoal do campo”, brincou.

A vindima foi acompanhada pelos sons do acordeão e do bombo e ainda houve tempo para um baile improvisado.
 

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[7.Set.2015]
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Em Coimbra, cirurgia inédita no mundo pôs um doente a ver

Público

Catarina Rocha

04/09/2015
 


Às mãos de António Travassos chegam doentes de todo o mundo, à procura de um tratamento para os seus casos considerados sem solução. Cego dos dois olhos, Martinho Santos Martins foi um deles. Hoje sorri de felicidade.

Cinco horas e 18 minutos foi o tempo que três médicos do Centro Cirúrgico de Coimbra levaram a fazer uma cirurgia inédita, a primeira em todo o mundo, que ao doente valeu a luz do dia. A troca de uma parte do olho foi feita como uma simples mudança peças de uma engrenagem que já não funciona… mas de um olho para o outro. Dois dias após a intervenção, o doente a quem tinha sido diagnosticada uma cegueira irreversível já conseguia contar os cinco dedos de uma mão à distância de um metro.

“Se a cegueira é curável, só há uma solução: é fazer tudo aquilo que podemos para curar o doente. Essa é a nossa missão”, diz António Travassos, cirurgião oftalmologista fundador do Centro Cirúrgico de Coimbra, que não pousou o bisturi quando, em Dezembro de 2014, Martinho Santos Martins ali entrou com uma cegueira bilateral. “Estava completamente deprimido quando chegou, e hoje só consegue sorrir. Mesmo com os olhos ainda tapados, o senhor só sorria.”

O doente de Bragança, com 69 anos, foi submetido, no final de Julho deste ano, a uma translocação (ou deslocação) do segmento anterior do olho, uma cirurgia nunca realizada com sucesso até hoje. António Travassos, o cirurgião principal, conseguiu o “enxerto perfeito”. Ou seja, recortou um círculo perfeito para poder transplantar toda a córnea (a parte da frente do olho que cobre a íris e a pupila) e ainda uma coroa circular de esclera (a região branca do olho) do olho esquerdo para o olho direito.

O resultado surpreendeu até o médico, que nunca deu certezas de cura ao doente. Depois da cirurgia, Martinho Santos Martins, que ao entrar no bloco operatório não controlava as lágrimas, percorria então os corredores do Centro Cirúrgico de Coimbra de forma autónoma, e com a visão recuperada no olho direito de 1/10 (do ponto de vista legal, a cegueira existe quando o melhor olho tem uma acuidade inferior a esse valor).

Apesar de todas as dificuldades ao longo do tempo, a esperança nunca abandonou o doente que desde cedo conviveu com a cegueira. O olho direito, se não o atraiçoam as memórias da infância, nunca tinha tido visão. A zona da córnea encontrava-se esbranquiçada (leucocórnea), o que impedia Martinho Santos Martins de ver desse olho. Mais tarde na vida, uma trombose no olho esquerdo roubou-lhe a única janela para o mundo.

Foi operado em França, onde esteve emigrado, e tentou ainda tratamentos em Espanha, mas nada trouxe a visão a Martinho Santos Martins. A cegueira era irreversível para os médicos que o observavam – com a excepção de António Travassos, a quem recorreu, já quase sem esperança, no final de 2014.

“Com o exame de visometria, concluímos que o olho direito do doente, embora estando cego, tinha uma acuidade de visão de 2/10, porque as estruturas da parte posterior estavam funcionais”, diz António Travassos. Este foi o motivo que levou o médico a avançar confiante para a cirurgia, mas sempre com a ameaça de ter de extrair o olho.

Houve uma primeira cirurgia em Coimbra, que consistiu em trocar a córnea do olho esquerdo – o olho que estava também cego pela trombose mas que tinha a córnea saudável – para o olho direito, com a córnea esbranquiçada desde a infância. E para o olho esquerdo transplantou-se a córnea de um dador. “Conseguimos resultados, do ponto de vista anatómico, para o olho esquerdo, e do ponto de vista funcional para o olho direito [que conseguiu agora recuperar a visão]”, diz António Travassos. “Nada fazia prever o que aconteceu depois”, diz ainda o médico.

Após esta primeira cirurgia, o inesperado por todos surgiu: o doente teve uma rejeição da sua própria córnea no olho direito. “Ninguém esperava que o melting da córnea acontecesse após a cirurgia. O doente tinha recuperado a visão e voltou a perdê-la.” O melting da córnea é uma reacção auto-imune rara, que consiste na inflamação da córnea, como se derretesse até à sua perfuração.

“Em vez de retirarmos o olho, resolvemos esperar que tudo estabilizasse, para encontrar uma solução.” E foi isto que a equipa de médicos fez. Após algum tempo, surgiu então a hipótese de uma nova cirurgia devolver a visão a Martinho Santos Martins.

A técnica nunca tinha sido realizada em parte nenhuma do mundo, mas António Travassos, famoso por resolver situações aparentemente sem solução, avançou para a sala de operações. “Nunca pude dar esperanças ao doente. Mesmo antes de entrar em cirurgia tive de lhe dizer que havia a hipótese de ter de se eviscerar o olho. Entrou no bloco sem controlar as lágrimas.”

A segunda cirurgia, na qual participaram ainda os oftalmologistas José Galveia e Sofia Travassos, filha de António Travassos, teve os seguintes passos: transportou-se toda a córnea (que o doente já tinha recebido de um dador) e a coroa circular de esclera do olho esquerdo para o olho direito, aquele que tinha tido a reacção auto-imune. Por isso se designa translocação. Quanto à córnea que foi rejeitada, voltou para o olho esquerdo, aquele que se mantém cego.

A coroa de esclera funcionou como uma espécie de aba para se deslocar toda a córnea, sem se alterar o ângulo da câmara anterior. A manutenção do ângulo da câmara anterior evitou complicações, como o desenvolvimento de hipertensão ocular, que levariam ao insucesso da intervenção. O caso clínico bem sucedido terá os seus resultados publicados no Atlas de Oftalmologia RL- Eye, uma edição do Centro Cirúrgico de Coimbra.

“Esta cirurgia prova que nunca devemos desistir de fazer o melhor por cada doente e, neste caso específico, tínhamos de tentar proporcionar melhor qualidade de vida, porque este era um caso em que a alternativa era deixar manter o doente na cegueira”, diz António Travassos. “É uma verdadeira lição. A lição de que não devemos retirar um olho que tenha ainda percepção luminosa. É sempre possível pensar de maneira diferente.”

Geralmente, os doentes com a córnea esbranquiçada ficam sem tratamento, ou são submetidos a uma cirurgia para substituir parte da córnea por matéria orgânica inerte e transparente (queratoprótese). Mas esta nunca foi uma hipótese ponderada por António Travassos: “Em toda a minha vida, vi quatro doentes com queratoprótese. Todos eles sofreram inúmeras complicações e voltaram a cegar.”

Com a cirurgia da translocação de uma parte dos olhos feita há mais de um mês, o doente não teve até agora qualquer tipo de complicações. “Em oftalmologia também se fazem milagres”, diz Martinho Santos Martins, citado num comunicado do centro. E o prognóstico é que possa ir recuperando gradualmente alguma visão. “Conseguimos ainda manter o olho esquerdo que, apesar de não ter visão, de um ponto de vista anatómico e estético era importante”, diz o médico. “Se nesta fase não tivermos complicações, a probabilidade de as termos no futuro é mínima.”

“Continuar a sonhar”

António Travassos fundou o Centro Cirúrgico de Coimbra há 16 anos, e hoje recebe lá doentes de pelo menos 44 países. “As pessoas andam por todo o lado e quando começam a ficar desesperadas chegam aqui ao centro.”

Dos países árabes chega uma grande parte destes doentes, geralmente pessoas com um estatuto económico e social muito elevado. “Uma vez operei uma irmã de um rei sem saber quem era. Mas, para mim, o que interessava era que tinha ali uma doente como todos os outros”, conta António Travassos. “Há pouco tempo tive também o caso de um doente árabe que não recebeu um visto de Portugal para vir ao centro tratar-se. Isto é muito estranho, sobretudo quando se quer desenvolver o turismo de saúde.”

A tecnologia de ponta que usa, como bisturis de diamante, permite-lhe aperfeiçoar cada vez mais a sua arte. A gravação em 3D das cirurgias é outro aspecto inédito do seu trabalho. “Em Dezembro de 2009 só se falava no filme 3D ‘Avatar’, e eu pensei: por que não aplicar isto na cirurgia?” Com a ajuda da empresa Sony, que cedeu o equipamento, começou a filmar todas as intervenções cirúrgicas, o que resulta hoje em mais de três milhões e meio de imagens. “Hoje temos memória futura. Não podemos chegar a conclusões científicas [só] com o que os outros escreveram. Temos de documentar, é assim que se faz ciência.”

Com mais de 60.000 cirurgias realizadas, o médico de 65 anos fez parte da sua formação nos Estados Unidos, onde praticou cirurgia em macacos. “Foi na altura um privilégio, porque os macacos eram muito caros.” Quando, em 1981, regressou a Portugal para integrar os Hospitais da Universidade de Coimbra, encontrou casos complicadíssimos para começar a sua carreira. “São hoje os meus grandes amigos, os doentes daquela época, pelos quais lutei para lhes devolver a visão.”

Hoje, no Centro Cirúrgico de Coimbra, António Travassos salva da escuridão os milhares de doentes que todos os anos lhe chegam ao consultório. “Há sempre uma aprendizagem contínua. Esta é a luta contra a cegueira. E a possibilidade de pormos os doentes a ver é que nos faz andar nesta loucura constante de continuar a sonhar.”


 

publicado por MJA 
[5.Set.2015]
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Investigadora de Coimbra estuda novas formas
de combate à retinopatia diabética

por Dn.pt com Lusa

2 Set 2015

 

Raquel Santiago foi contemplada com uma bolsa da Bayer HealthCare para estudar novas estratégias de combate à retinopatia diabética, uma das principais causas de cegueira a nível mundial.

Segundo a UC, Raquel Santiago vai receber uma bolsa do "Global Ophthalmology Awards Program" (GOAP), no valor de 50 mil dólares (44 mil euros), para desenvolver o estudo "Gerir a inflamação na retinopatia diabética por bloqueio do recetor A2A de adenosina".

"Estudos anteriores desenvolvidos pela equipa da investigadora demonstraram que o bloqueio deste recetor previne a ativação das células da microglia (células do sistema imunitário) e a morte de células da retina", refere a instituição, em comunicado.

Raquel Santiago, citada na nota, explica que "em situações normais, as células da microglia estão constantemente a vigiar o microambiente que as rodeia, tendo um papel muito importante na homeostasia do sistema nervoso central, mas na diabetes as suas funções estão modificadas, promovendo a resposta inflamatória que pode contribuir para a morte celular na retina".

Segundo a investigadora, o seu estudo pretende verificar se ao bloquear o recetor A2A de adenosina é possível travar a morte das células da retina e, desta forma, a progressão da doença.

A equipa de Raquel Santiago prepara-se para iniciar um conjunto de experiências em modelos animais de diabetes, que serão tratados com um bloqueador de recetores A2A de adenosina, para estudar como reage a retina e se as células da microglia ficam menos reativas.

De acordo com o comunicado da UC, estima-se que, após 20 anos com diabetes, cerca de 90 por cento dos doentes com diabetes tipo 1 e mais de 60 por cento dos doentes com diabetes tipo 2 sofrem de retinopatia diabética.

"Se for possível encontrar uma terapêutica que permita o tratamento numa fase mais inicial, o impacto na qualidade de vida do doente com retinopatia diabética será muito elevado", salienta Raquel Santiago, considerando que "os atuais tratamentos são dirigidos às fases avançadas da patologia, extremamente invasivos e pouco eficazes".

A investigadora do Instituto de Imagem Biomédica e Ciências da Vida (IBILI) da Faculdade de Medicina da UC recebe o prémio no dia 19, em Nice (França), durante o EURETINA - Congresso Europeu das doenças da retina.
 

publicado por MJA 
[2.Set.2015]
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Descoberto gene que coordena
desenvolvimento correcto do olho

LUSA / Notícias ao minuto

2 Set. 2015

 

Cientistas descobriram, numa experiência com ratos, que o Meis1 é um dos genes implicados no desenvolvimento correto do olho, durante a fase embrionária, pelo que qualquer disfunção no gene pode gerar microftalmia (globo ocular mais pequeno).

Os resultados da investigação, publicados na revista Development, revelam que o gene Meis1 coordena a expressão de um grande número de genes, por sua vez responsáveis pela formação, pelo desenvolvimento e pela diferenciação da retina neural nos estádios iniciais de formação do olho, assim como de outras partes do organismo.

"Vimos que a falta do gene Meis1 reduzia muito a formação do esboço do olho. Uma só cópia alterada era suficiente para o conseguir", afirmou, citada hoje pela agência noticiosa Efe, uma das coordenadoras da investigação, Paola Bovolenta, do Centro de Biologia Molecular "Severo Ochoa", em Madrid, Espanha.

Posteriormente, através de análises genómicas, a equipa identificou "os genes alterados na ausência de Meis1" e viu que o gene "coordena um número muito grande de genes implicados no desenvolvimento do olho, que tem um papel fundamental na formação deste órgão e que as suas mutações podem gerar microftalmia", adiantou Paola Bovolenta.

A microftlamia é uma malformação congénita, pouco frequente, que faz com que o olho não se desenvolva bem e que a criança nasça com um ou os dois globos oculares mais pequenos do que o normal e com diversos graus de incapacidade visual, que podem chegar à cegueira.

A anomalia é responsável direta por 11 por cento dos casos de cegueira infantil nos países desenvolvidos, salienta a Efe.

O defeito pode ser hereditário, aparecer de forma espontânea ou ser gerado por agentes externos (como o medicamento Talidomida, comercializado na década de 60 e que provocou uma série de casos de malformações nos fetos). Na maior parte das situações, a microftlamia tem origem em mutações genéticas.

Segundo a investigadora Paola Bovolenta, a microftalmia "também pode vir acompanhada por defeitos na face, no ouvido ou no sistema muscular", uma vez que é provocada "por mutações em genes que são importantes para o desenvolvimento de tecidos distintos".

No estudo participaram igualmente cientistas do Centro Helmholtz de Munique, na Alemanha, e da Universidade da Austrália Ocidental.
 

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[2.Set.2015]
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Invisuais podem ir ao mar em
segurança numa praia do Funchal

Açoriano Oriental /Lusa / Nacional

30 de Ago de 2015



A Câmara Municipal do Funchal colocou este domingo em funcionamento os equipamentos que permitem a acessibilidade em segurança ao mar para pessoas invisuais e com dificuldades de locomoção, na praia Formosa, na zona oeste do concelho.

O presidente da autarquia, Paulo Cafôfo, realçou a importância do projeto na construção de uma "sociedade inclusiva", mas também tendo em conta alguns "fatores de mercado", como o facto de grande parte dos turistas que visitam a Madeira serem idosos, com dificuldades de locomoção próprias da idade, que passam agora a dispor de melhores condições de acesso ao mar.

Este foi um dos seis projetos selecionados pelo orçamento participativo, em que a Câmara Municipal recolheu dezenas de propostas apresentadas por cidadãos. No total, vão ser investidos 300 mil euros, sendo que projeto de acessibilidade ao mar para pessoas com necessidades motoras especiais absorve a maior fatia.

O projeto inicial, da autoria de Hernâni Silva, destinava-se apenas a pessoas com dificuldades motoras, mas a autarquia alargou o seu âmbito, instalando equipamentos que permitem o acesso ao mar também para invisuais e que são únicos ao nível nacional.

O sistema consiste, basicamente, num aparelho de pulso e três boias sinalizadoras que prestam informações ao banhista, orientando-o sobre o caminho a seguir para entrar e sair da água. Por outro lado, existem duas cadeiras flutuáveis, uma cadeira de aproximação ao mar e muletas adaptadas para as pessoas com dificuldades de locomoção.

Hernâni Silva, que usa cadeira de rodas para se deslocar, explicou que a ideia do projeto nasceu no âmbito de um grupo que há muitos anos reivindica melhores acessibilidades.

No caso do acesso ao mar, ele próprio, que se descreve como "amante da praia", era forçado a deslocar-se às piscinas naturais do Porto Moniz, no norte da ilha, para poder ir a banhos em segurança.

"Alguma coisa estava mal. Com mar a toda a volta, não se justificava que não houvesse uma praia com as devidas acessibilidades na zona do Funchal, uma infraestrutura melhorada", salientou.
 

publicado por MJA 
[1.Set.2015]
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Novo smartwatch - Dot - transforma mensagens em braille

Visão

6 de Agosto de 2015

A invenção teve origem numa empresa startup sul-coreana que tem como objetivo tornar as novas tecnologias mais acessíveis a todos

Um dos grandes problemas que a comunidade cega enfrenta é ter de ouvir as mensagens recebidas no telemóvel em alta voz. Além de ser uma solução pouco privada, pode tornar-se incomodo para as pessoas em redor. O Dot, uma criação de uma startup sul-coreana, que é, ao mesmo tempo, um smartwatch, uma pulseira fitness e até um leitor de e-books, permite que os seus utilizadores leiam as suas mensagens discretamente.

Dot aparenta ser um relógio, mas, em vez do vulgar mostrador tem buracos perfurados com ímanes no seu interior que sobem conforme o conteúdo das mensagens, em braille. Quando o utilizador recebe uma mensagem de texto, os "dots" correspondentes surgem em braille e basta passar o dedo por cima do mostrador para ler a mensagem.

"Até agora, se recebesses uma mensagem no iOS [o sistema operativo da Apple] da tua namorada, por exemplo, terias que ouvir a Siri lê-la naquela voz, o que é impessoal," disse o CEO da Dot, Eric Ju Yoon Kim, à Tech in Asia. "Não preferirias lê-la tu próprio e ouvir a voz da tua namorada dizê-lo na tua cabeça?"

Outra característica que diferencia este produto da tecnologia existente é o seu preço. Em geral, produtos tecnológicos que respondem às necessidades particulares dos deficientes físicos têm preços muito elevados. Um computador portátil, por exemplo, que consegue retransmitir mensagens em braille pode custar mais de 2750 euros, enquanto que o Dot custará apenas 275 euros.

O Dot será lançado em Dezembro e sincronizará com aparelhos iOS e Android via Bluetooth.


 

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[6.Ag.2015]
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Quase 80% dos diabéticos sem rastreio à
retinopatia, alguns ficam cegos

por Lusa

6 Agosto 2015


Cerca de 80 por cento dos diabéticos não têm acesso ao rastreio anual à visão, acabando muitos deles com retinopatia que, em alguns casos, termina em cegueira, denunciou hoje o diretor do Programa Nacional para a Diabetes (PND). José Manuel Boavida falava à agência Lusa a propósito de um conjunto de recomendações da Assembleia da República com vista ao reforço das medidas de prevenção, controlo e tratamento da diabetes.

Uma das recomendações é "o reforço do rastreio sistemático da diabetes e, em especial, da retinopatia diabética, entre os grupos populacionais que apresentem risco acrescido de desenvolvimento dessa doença, junto dos cuidados primários ou de outras instituições de proximidade".

Segundo José Manuel Boavida, apesar da importância dos rastreios para controlo da retinopatia diabética junto desta população doente, apenas 20 por cento (%) das pessoas com diabetes têm garantido o seu rastreio anual, segundo os últimos dados, que são de 2013.

O especialista lamenta esta fraca cobertura, justificando que "um rastreio é muito mais barato do que a observação médica".

Este rastreio é feito com recurso a aparelhos colocados para o efeito nos centros de saúde e onde os utentes podem ir avaliando anualmente o estado da sua visão e eventuais complicações associadas à diabetes.

Para o diretor do PND, "há claramente aqui uma responsabilidade direta das Administrações Regionais de Saúde (ARS)", que acusa de "inoperância".

José Manuel Boavida garante que os ganhos são imensos, até porque dos 150 mil diabéticos rastreados só cerca de dez por cento precisa de ir a uma consulta de oftalmologia.

"Isto quer dizer que 90 por cento dos doentes ficaram descansados, pois o seu olho não precisava de consulta. E assim evitámos que a situação progredisse", adiantou.

Para José Manuel Boavida, a recomendação do Parlamento é "um puxão de orelhas ao Ministério da Saúde, no sentido em que há um conjunto de medidas absolutamente básicas e necessárias".

O médico recordou que "a retinopatia diabética só dá queixas quando a situação se torna praticamente irreversível. Se as situações forem detetadas precocemente nunca chegarão a existir. Deixará de haver cegueira por causa da diabetes e a diabetes é a principal causa de cegueira na população adulta".

Para o presidente do PND, por causa da "inércia" de quem decide, "muitas pessoas têm perdido a visão".

Além da cegueira, outra das consequências da retinopatia diabética é a subvisão, a qual impede que os doentes consigam "fazer a sua vida com autonomia".

Devido à "falta de rastreio, não só os diabéticos perdem a visão, como têm de fazer mais tratamentos muito mais caros, injeções no olho, operações. Enfim, custos muito maiores do que o próprio rastreio. É tapar o sol com a peneira".
 

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[6.Ag.2015]
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Uma mulher cega vai chegar a deputada:
"Uma alegria mas também uma tristeza - porquê só agora?"

DN

por João Pedro Henriques

Entrevista a Ana Sofia Antunes, candidata a
deputada do PS pelo círculo de Lisboa


>> Como é que surgiu esta ideia de ser candidata a deputada pelo PS?

Surgiu como um convite por parte de António Costa que eu, depois de ponderar devidamente, aceitei.

>> Trabalhou muito com ele na Câmara Municipal de Lisboa?

Não muito diretamente com ele. Mas assessorei durante vários anos o vereador da Mobilidade na Câmara de Lisboa, o professor Nunes da Silva, e fazia assessoria jurídica na câmara. Em função da minha área de interesse, o facto de ser uma pessoa com uma deficiência e de estar muito ligada ao movimento das pessoas com deficiência, fiz sempre muita pressão na câmara com um plano de acessibilidade pedonal, que teve grande apoio e incentivo de António Costa. Era outra das minhas tarefas. O executivo era dirigido por António Costa, com o qual trabalhei muito, embora indiretamente, ao nível da revisão da regulamentação da câmara, em 2012 e 2013.

>> E a cidade está agora bem equipada?

Isso ainda é um bocadinho uma miragem, mas temos agora bons instrumentos para começar a fazer obra física, é isso que interessa. Não podemos avançar para a obra sem planificação, mas toda a planificação serve de muito pouco se não tomarmos a decisão de fazer o que interessa, que é obra física no espaço público. Há coisas que já começaram a ser feitas nas passadeiras - rebaixamentos e sinais sonoros, por exemplo -, mas temos de reconhecer que ainda há muito para fazer.

>> Os direitos dos deficientes serão o seu principal cavalo de batalha na Assembleia da República?

Obviamente que sim, por todas as razões. Sou uma pessoa com uma deficiência visual congénita [de nascença]. Não faria sentido nenhum, tendo esta oportunidade, não constituir como minha principal prioridade o trabalho em prol das pessoas com deficiência. Sinto uma grande alegria porque nunca uma pessoa com uma deficiência fora indicada para a Assembleia da República nem para qualquer outro cargo de relevo, de eleição ou nomeação. É um momento de alegria, mas também de tristeza: porquê só agora. Porque é que isto só está a acontecer em Portugal agora?

>> E tem alguma explicação para isso? Passará por alguma incapacidade de o movimento associativo dos deficientes se organizar de forma eficaz e constituir um grupo de pressão com poder?

Não creio que isso passe pela incapacidade de organização dos deficientes. A nossa capacidade de organização não é diferente da que existe nos outros países europeus. Não estamos atrás deles, pelo contrário. Mas há muitos anos que há ministros deficientes noutros países - como a Suécia ou Inglaterra ou a Grécia -, e já nem sequer falamos em deputados, que são imensos. Já houve países com presidentes da República com deficiência. Obviamente que a pressão tem de ser feita, mas tem de ser aberto espaço para os deficientes e esse espaço não existe na representação política, como não tem existido em diversos outros níveis da vida social.

>> Sente alegria nas pessoas que conhece no associativismo de defesa dos deficientes?

A notícia ainda não foi muito divulgada mas da parte das pessoas que me conhecem há um sentido de alegria.

>> E independentemente das opções partidárias?

Não noto que isso seja relevante. As pessoas sentem-se representadas por uma pessoa com deficiência, independentemente da bancada.

>> É jurista. O que é premente fazer no ordenamento legislativo português em defesa dos deficientes?

A grande prioridade para os deficientes é sentirem que têm uma vida digna. E isto não é uma questão legal, é uma questão social. Isto está na mente das pessoas, na forma como se aceitam umas às outras. A possibilidade de uma pessoa sentir que tem uma vida digna passa por vários aspetos. Olhe, por exemplo, pela educação. As pessoas sentem que há cada vez mais restrições a educação para deficientes. A educação especial fornecida pelo Estado recuou brutalmente: professores de apoio que existiam foram retirados, houve equipamentos que deixaram de funcionar, escolas de referência deixaram de funcionar. E quando o Estado diz que vai apostar em escolas de referência porque não tem meios para equipar condignamente todas as escolas, e assim só aposta nalgumas. Se vamos selecionar só algumas, então teremos de fazer espaços de privilégio. Não posso dizer a uma criança de Vila Real que tem de fazer 70 quilómetros por dia para aceder a uma escola de referência, e depois esta escola não tem o apoio que devia ter. E não falamos só de escola básica. Continua a revelar o nosso terceiro-mundismo o facto de os apoios educativos para crianças com deficiência se limitarem ao ensino obrigatório. Em 2015, um deficiente que entre numa universidade está na maior parte dos casos por sua conta. E no acesso ao emprego. Se falamos em níveis altíssimos de desemprego jovem [um terço, é o número normalmente usado], então para os jovens com deficiência esse valor pode triplicar. Em 2012, um estudo da ACAPO revelava 60% de desemprego entre jovens cegos. Isto passa por uma mudança de mentalidades - mas também uma necessária revisão dos mecanismos de apoio a empresas que contratem pessoas com deficiência. Tudo isso tem de ser revisto. E no Estado também: o decreto-lei 29/2001 obriga a que uma em cada três vagas sejam ocupadas contratando-se uma pessoa com deficiência. Não foram poucos os casos em que para se contratar quatro pessoas se abriam dois concursos para duas pessoas cada, porque abaixo de três vagas não é necessário cumprir a quota. Essa lei foi muito contornada.

>> Diria que a sua intervenção terá um pendor quase suprapartidário?

Esta causa não é de esquerda nem de direita - é uma causa. Mas eu sou uma mulher de esquerda. E senti neste programa do PS uma preocupação com as condições de vida das pessoas com deficiência - e acredito nisso, pelo trabalho que fiz com António Costa na Câmara de Lisboa. Acredito que ele é o homem com a garra necessária para assumir esta cruzada, para pagar estas múltiplas dívidas de consciência.

>> Mas dá um tempo a António Costa? Acha que ao fim de um ano pode chegar à conclusão de que isto é mais do mesmo e ir embora?

Não acredito que tenha de chegar a esse ponto. Pelo menos nesta fase ainda não acredito. Acredito que à frente desta lista está uma pessoa com capacidades para se ir mais além e para nos representar nesta luta, para nos dar abertura para trabalharmos os instrumentos legais de que precisamos.
 

publicado por MJA 
[27.Jul.2015]
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La cataracte soignée par une molécule cousine du cholestérol

Fabien Goubet

 

La chirurgie ne sera peut-être bientôt plus la seule solution pour soigner cette affection qui rend opaque le cristallin. Une approche thérapeutique inédite recourt à une molécule cousine du cholestérol, le lanostérol, qui est directement injectée dans l’œil

Si en lisant cet article vous voyez apparaître un voile dans votre champ de vision et que la lumière agresse votre rétine, c’est peut-être que la cataracte vous guette. Pour l’heure, la seule option thérapeutique passe par la case chirurgie. Mais des travaux publiés ce jeudi 23 juillet dans la revue Nature laissent entrevoir une nouvelle approche pour soigner ce trouble ophtalmique, basée sur un traitement médicamenteux à base de lanostérol, un précurseur du cholestérol.

La cataracte est provoquée par une opacification du cristallin, lentille située juste derrière l’iris. Le rôle de ce dernier est double, «concentrer les rayons lumineux sur la rétine et «faire l’autofocus» en changeant de forme», explique Damien Gatinel, chirurgien à la Fondation ophtalmologique Adolphe de Rothschild (Paris). Sa transparence s’explique par la nature particulière des cellules qui le constituent: leur milieu interne, le cytoplasme, est dépourvu d’organites, la machinerie cellulaire dont font partie le noyau et les mitochondries. Contrairement à celui de toutes les autres cellules connues, leur cytoplasme est donc totalement homogène et rempli d’une famille de protéines appelées les cristallines. Parfaitement ordonnées les unes par rapport aux autres, ce sont elles qui assurent la transparence en laissant passer la lumière sans que celle-ci subisse de dispersion.

Mais le moindre grain de sable dans ce somptueux agencement, fruit de millions d’années d’évolution, met à mal la transparence du cristallin. Le vieillissement, les rayons ultraviolets ou encore certaines anomalies génétiques altèrent en effet la structure des cristallines qui s’agrègent entre elles et dispersent les rayons lumineux: le cristallin devient opaque et c’est la cataracte. La seule issue à ce jour consiste en une intervention chirurgicale où l’on retire le cristallin de sa capsule pour le remplacer par une lentille synthétique en matériau biocompatible.

Sans cette intervention, la cataracte entraîne la cécité. Près d’un cas de cécité sur deux dans le monde est dû à une cataracte non opérée, d’après l’Organisation mondiale de la santé. Pour les pays en développement, où cette chirurgie demeure rare, un traitement médicamenteux de la cataracte prendrait tout son sens. Un pas dans cette direction vient d’être fait par une équipe sino-américaine. Ling Zhao, de l’Université du Sichuan, et ses collègues sont en effet parvenus à soigner les yeux de chiens atteints de cataracte sans aucune chirurgie, simplement par injection d’une solution à base de lanostérol, un précurseur biologique du cholestérol et d’autres stéroïdes.

Le lanostérol est une molécule que les scientifiques connaissaient déjà pour sa relation avec la cataracte. Certains enfants ne possédant pas ou peu de lanostérol (en raison d’une mutation génétique qui altère son processus de fabrication) souffrent de cataracte dès leur plus jeune âge. L’équipe de Ling Zhao a dès lors voulu vérifier si cette molécule avait un quelconque effet sur le cristallin et en particulier sur l’agencement des cristallines. Ils ont pour cela collecté les cristallins de lapins atteints de cataracte et les ont laissé barboter dans une solution de lanostérol. Résultat, au bout de six jours, une grande partie de la transparence des cristallins a pu être restaurée.

Poursuivant les expérimentations in situ, Ling Zhao et ses collègues ont injecté une solution contenant du lanostérol dans les yeux de chiens – bien vivants, cette fois – atteints de cataracte. Même constatation: au bout de quelques semaines, le cristallin des chiens est redevenu beaucoup plus transparent qu’il ne l’était avant le traitement.

Par quel mécanisme le lanostérol a-t-il «rajeuni» le cristallin? Une chose est sûre: la molécule a désagrégé les amas de cristallines qui se sont convenablement réordonnées, comme l’ont confirmé des observations microscopiques in vitro. Mais comment, les auteurs l’ignorent. Cela pourrait venir des propriétés chimiques du lanostérol. De nature dite amphipathique, il possède à la fois des parties insolubles et des parties solubles dans l’eau, «ce qui lui permettrait de solubiliser petit à petit les agrégats protéiques, avance Ling Zhao dans Nature. Le lanostérol joue un rôle clé dans l’inhibition des agrégations de cristallines et dans la formation de la cataracte.»

Cette découverte pourrait déboucher sur un traitement pharmacologique qui constituerait une intéressante alternative à la chirurgie, concluent les auteurs. «De nombreux facteurs génétiques ou métaboliques contribuent à l’apparition de la cataracte. Rien ne garantit que le lanostérol puisse guérir toutes les formes de cataracte connues», tempère Francine Behar-Cohen, directrice médicale de l’Hôpital ophtalmique Jules-Gonin à Lausanne. La spécialiste y voit toutefois un intérêt: un médicament éviterait la cataracte secondaire, une opacification de la capsule du cristallin qui survient généralement suite à l’implantation de la lentille synthétique.

Les travaux sur le potentiel thérapeutique du lanostérol devront donc être poursuivis, notamment pour vérifier s’ils sont confirmés chez l’homme. Et aussi pour trouver un mode d’administration plus simple, le lanostérol ayant ici été encapsulé dans un nanovecteur injecté dans la pupille à l’aide d’une seringue, et ce à de multiples reprises.

Autre point à vérifier, l’impact du lanostérol sur la souplesse du cristallin, signale Francine Behar-Cohen. Car la cataracte s’accompagne d’une rigidification du cristallin qui peine alors à faire la mise au point. Egalement rigides, les lentilles artificielles obligent les patients à conserver une presbytie résiduelle (difficulté à s’accommoder à la vision de près) après l’opération. «Si le lanostérol permet aussi de redonner sa souplesse au cristallin, cela pourrait retarder l’apparition de la presbytie chez de nombreux patients», indique Damien Gatinel.

En désagrégeant des amas de protéines, le lanostérol pourrait en outre être utilisé dans d’autres maladies où l’agglutination des protéines pose problème. C’est le cas de la maladie d’Alzheimer, dans laquelle se forment dans le cerveau des plaques d’amyloïdes à l’origine des troubles neurologiques.

http://www.letemps.ch/
 

publicado por MJA 
[22.Jul.2015]
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Terapia genética com vírus cura cegueira
ao tratar olhos e cérebro ao mesmo tempo

Giovanna Rossin

17/07/2015


Novas evidências a respeito da terapia genética aplicada em pessoas que sofrem de cegueira demonstraram que essa técnica também é capaz de reorganizar o cérebro dos pacientes – fortalecendo as vias neurais e melhorando ainda mais a capacidade deles de enxergar. A constatação foi feita por um grupo de cientistas da Universidade da Pensilvânia que já havia observado resultados positivos com a técnica anteriormente.

Por meio de um estudo iniciado em 2007, dez voluntários cegos que sofriam de amaurose congênita de Leber, uma doença genética que provoca a degeneração progressiva da retina, receberam a injeção de um vírus inofensivo em um dos olhos. Todos os pacientes da amostra tinham mutações em um gene chamado RPE65. O vírus agiu inserindo “cópias” saudáveis de RPE65, que foram colocados na retina.

Meses depois, como reportou a New Scientist, alguns voluntários que antes tinham dificuldade em notar uma mão acenando a meio metro de seu rosto conseguiram ler várias linhas em um gráfico. Outros foram capazes até de andar por entre obstáculos em ambiente com baixa luminosidade – algo que seria impossível antes da terapia.

O que ainda não estava claro sobre a terapia eram seus efeitos sobre outros aspectos da visão – sobretudo quão bem as vias neurais associadas à visão haviam se recuperado, mesmo após a função da retina ter melhorado. As conexões no cérebro relativas à visão são compostas por milhões de neurônios conectados. Tais conexões permanecem estimuladas (fortalecidas) quando recebem sinais sensoriais, mas podem, por outro lado, ficar fracas e desorganizadas quando subutilizadas, podendo levar à cegueira.

Então, cerca de três anos depois da terapia, a equipe realizou uma técnica avançada de ressonância magnética para analisar partes específicas do cérebro. As digitalizações revelaram que as vias neurais associadas com o olho tratado estavam semelhantes às de pessoas que não tinham nenhum problema de visão. Quando comparadas com as vias neurais do olho não tratado, as vias sadias estavam mais “fortes”.

Uma constatação, no entanto, surpreendeu os cientistas. Como a maioria dos voluntários estavam na faixa dos 20 anos (um deles tinha 45), eles esperavam que fosse mais difícil verificar alguma mudança cerebral, já que após uma certa idade na infância (por volta dos sete anos) o cérebro diminui drasticamente sua plasticidade, ou capacidade de se remodelar conforme novas experiências, apresentando resistência para alterar tais vias neurais.

“Pode ser que exista uma época crítica de plasticidade cerebral acelerada, mas mostramos que isso não significa que você perde a capacidade de reestruturar vias como um adulto", disse Manzar Ashtari, neurocientista líder da pesquisa.

A descoberta é importante porque atesta que a plasticidade neuronal tem, em ao menos alguma instância, influência na melhoria da visão. A equipe agora busca aprovação da Administração Federal de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos para a terapia genética ser usada como remédio prescrito para a amaurose congênita de Leber – seria, então, a primeira droga de terapia gênica aprovada daquele país.

Fonte: New Scientist e Live Science
 

publicado por MJA 
[18.Jul.2015]
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Castelo Branco recebe ação sobre cancro
da mama para mulheres cegas e amblíopes

Lusa - 09 Jul, 2015


A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), através do Núcleo Regional do Centro, promove no sábado em Castelo Branco uma ação de educação para a saúde sobre cancro da mama para mulheres cegas e amblíopes, foi hoje anunciado.

Em comunicado, a LPCC refere que a iniciativa decorre nas instalações da delegação de Castelo Branco da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), no sábado, pelas 15:00, e é dinamizada por Natália Amaral, médica e membro da direção da LPCC.

Esta ação, destinada às utentes e sócias da ACAPO, pretende garantir o direito à informação sobre o cancro em condições adequadas às suas necessidades específicas às pessoas com deficiência ou incapacidade visual (cegos ou amblíopes) ao acesso.

O objetivo passa por sensibilizar todas as mulheres, independentemente da sua condição, para a importância do diagnóstico precoce e para a realização do rastreio do cancro da mama que a LPCC promove.

O projeto de Educação para a Saúde sobre Cancro da Mama para Mulheres Cegas e Amblíopes, surge depois de a LPCC constar a inexistência em Portugal de programas de informação e sensibilização para a prevenção e diagnóstico do cancro da mama, para pessoas cegas e com baixa visão.

O cancro da mama é o tipo de cancro mais comum entre as mulheres (não considerando o cancro da pele) e corresponde à segunda causa de morte por cancro na mulher.

Em Portugal, anualmente são detetados cerca de 6.000 novos casos deste tipo de cancro e 1.500 mulheres morrem com esta doença.


fonte: http://www.rtp.pt/
 

publicado por MJA 
[16.Jul.2015]
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"Amor e Sexualidade"
Júlio Machado Vaz debate com os associados da ACAPO

Sábado, dia 18 de julho às 15h00


Associados e utentes da Delegação do Porto da ACAPO vão estar à conversa com Júlio Machado Vaz, conceituado médico psiquiatra e sexólogo português.

Num ambiente informal e descontraído, o evento proporcionará um esclarecedor debate sobre “amor e sexualidade”, contribuindo para a quebra de muitos dos tabus que ainda possam existir sobre estes temas.


fonte: ACAPO
 

publicado por MJA 
[17.Jul.2015]
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Investigadores portugueses desenvolvem app
que identifica risco de cegueira em diabéticos

tek.sapo.pt/

13-07-2015

 

A EyeFundusScope está entre 24 soluções desenvolvidas por alunos do centro de investigação Fraunhofer AICOS e foi pensada especificamente para doentes com diabetes, que afeta um número crescente de portugueses.

A aplicação usa o telemóvel para identificar lesões na retina e possíveis alterações na visão (retinopatia diabética), ainda em estágio inicial e pretende ajudar a prevenir a patologia ocular que representa a maior causa de cegueira a nível global.

A solução desenvolvida por alunos de mestrado do centro de investigação faz a aquisição de imagens do fundo do olho por meio de um adaptador ótico acoplado a um smartphone e depois trabalha a informação, usando algoritmos de visão e aprendizagem computacional. Desta forma, a aplicação Android estima o risco a que um determinado paciente está sujeito.

O comunicado do centro de investigação Fraunhofer AICOS explica que a retinopatia diabética é uma patologia ocular que tem origem na desregulação fisiológica provocada pela diabetes. Esta patologia é a maior causa de cegueira a nível global e estima-se que cerca de 90% dos pacientes diabéticos sofram dela há mais de 20 anos.

A falta de sintomas normalmente complica a sua deteção em estágios iniciais, que é essencial para evitar alterações irreversíveis na visão.

Esta é uma das soluções desenvolvidas pelos alunos de mestrado deste centro de investigação que recebe alunos de várias faculdades, permitindo-lhes desenvolver o seu trabalho de investigação em ambiente profissional e incentivando a criação de soluções tecnológicas de utilidade prática.

Entre os 24 projetos que foram desenvolvidos no último ano há ainda outra solução para doentes com diabetes. Um conjunto de sensores e uma outra aplicação para smartphone foram utilizados para analisar a marcha dos doentes diabéticos, permitindo identificar lesões dos nervos (neuropatia) e com isto prevenir danos nos pés e melhorar o diagnóstico e tratamento dos pacientes.
 

O projeto Sensores de pressão plantar (Early Detection of Peripheral Neuropathy in Diabetes Patients) consistiu no desenvolvimento do algoritmo e na identificação das metodologias mais apropriadas para a deteção da neuropatia diabética, diferenciando, com precisão, diabéticos com e sem neuropatia através da análise da marcha de vários pacientes.

O recurso a sensores de pressão plantar e acelerómetros permitiu extrair para a análise 57 parâmetros relacionados com a intensidade e duração das pressões plantares, centro de pressão, velocidade, comprimento da passada, variabilidade, entre outras.
 

publicado por MJA 
[15.Jul.2015]
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Aprenda Línguas com a ACAPO/Cambridge School
 


Aprenda gratuitamente inglês, francês ou alemão com a ACAPO e a Cambridge School. Cursos em Almada, Coimbra, Funchal, Lisboa e Porto. Inscrições abertas a partir das 10h desta terça-feira - 7 de Julho.

Mais informações pelo telefone 213 244 528.

publicado por MJA 
[6.Jul.2015]
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Cirurgias para mudar cor dos olhos podem causar cegueira

A Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) alerta para os riscos associados às cirurgias estéticas para mudança da cor dos olhos.

Notícias Ao Minuto | 29-6-2015

 

A Academia Brasileira de Oftalmologia (ABO), a Academia Americana de Oftalmologia (AAO) e a Associação Pan-Americana de Oftalmologia (PAAO) foram as primeiras a faze soar o alerta e agora é a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) a informar sobre os riscos associados às cirurgias estéticas para mudança da cor dos olhos.

Segundo a informação avançada num comunicado, estes procedimentos são “de caráter meramente estético”, e têm por base “a aplicação repetida de laser na íris ou a colocação intraocular de um implante entre a íris e a córnea pretendem transformar olhos castanhos em olhos azuis”. Contudo, “a aplicação de laser sobre uma íris castanha, a camada superficial de melanina é destruída, deixando-a com uma tonalidade azulada, isto é, com menos concentração de melanina”, alerta a associação nacional.

“Os implantes de íris alteram a cor dos olhos através da colocação de um objeto estranho dentro do olho. Estes implantes não estão aprovados pelo Infarmed para uso intraocular pelo que a sua utilização é proibida no nosso país”, revela.

Redução irreversível da visão, pressão intraocular aumentada, glaucoma, catarata, lesão corneana (que pode levar à necessidade de um transplante de córnea), uveítes e inflamação intraocular são alguns dos riscos associados a estas cirurgias estéticas.
 

publicado por MJA 
[29.Jun.2015]
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Crianças cegas escolhem cores pelo
olfato e fazem exposição na Jordânia

Muhammad Hamed | Reuters

22/06/2015

 

Cegos conseguem pintar e escolher cores?

A resposta é sim. Na Jordânia, a Real Academia promove atividades que ensinam crianças deficientes visuais a pintar e desenhar. E até a escolher quais cores desejam usar em seus trabalhos.

Os jovens e crianças aprendem a distinguir as cores com a ajuda do olfato, já que os materiais têm cheiros diferentes para cada tonalidade.

O resultado das aulas de arte ganharam uma exposição no país. Nos trabalhos da mostra, é possível ver cores vibrantes e desenhos retratando pessoas, barcos e paisagens.
 

publicado por MJA 
[29.Jun.2015]
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Tablet para deficientes visuais usa bolhas
para gerar textos em braile e imagens 3D

Gabriel Garcia  |  INFO

26/06/2015

Uma empresa austríaca apresentou o primeiro tablet em braile, usando uma tecnologia que cria relevo tátil para mostrar gráficos e mapas para deficientes visuais e pessoas com visão reduzida.

A tela do Blitab cria pequenas bolhas líquidas para gerar texto ou imagens em braile e relevo tátil, enquanto a tecnologia correspondente permite que arquivos de textos sejam convertidos em brailes a partir de pen-drives, browsers ou etiquetas NFC.

A fabricante, Blitab Technology, afirma que a tecnologia “revolucionária” pode inaugurar a era digital para os deficientes visuais. A empresa planeja desenvolver um smartphone em braile, como próximo passo.

“Criamos o primeiro tablet tátil para deficientes visuais”, afirma Slavi Slavev, diretor de tecnologia e cofundador da Blitab Technology. “O que estamos fazendo é criar uma tecnologia completamente nova que produz braile de forma inédita sem qualquer elemento mecânico”.

“Queremos resolver uma grande questão, que é a alfabetização de pessoas cegas. A tecnologia é bastante escalável, então podemos produzir imagens e coloca-las em qualquer representação tátil na forma de mapas e gráficos, figuras geométricas, servindo como uma ferramenta educacional para pessoas cegas”.

Outros aparelhos atualmente no mercado são mecânicos e permitem que apenas uma linha de braile seja gerada de cada vez. Eles também custam o triplo do Blitab, que sai por 2 500 euros, cerca de 6 mil reais.

“Atualmente, existem soluções que são extremamente caras”, afirma Slavev. “Esses aparelhos foram desenvolvidos há 40 anos e, como ninguém ofereceu qualquer inovação desde então, isso é tudo o que existe no mercado”.

O Blitab atualmente está em estado de protótipo e busca investidores. Caso a rodada de financiamento dê certo, a startup quer começar a vender o produto a partir de setembro de 2016.

“Acreditamos que as pessoas com deficiência visual devam ser incluídas na era digital na qual vivemos, com smartphones e tablets, mas também garantindo que elas tenham capacidade de fazer tudo que pessoas que enxergam fazem, como navegar na internet, ler e baixar livros”, afirma Slavev.

Fonte: Blitab

publicado por MJA 
[27.Jun.2015]
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Implante trata doenças que podem causar cegueira

 

Um implante intraocular desenvolvido pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HCFMRP), da Universidade de São Paulo (USP), se mostrou eficaz para tratar doenças que podem provocar cegueira e para melhorar a visão dos pacientes, anunciou nesta terça-feira o centro universitário.

O implante tem aproximadamente o tamanho da ponta de um lápis e é formado pela associação de um componente biodegradável (PLGA) associado a um medicamento, neste caso, a dexametasona.

Implantado dentro do olho, a inovação libera gradativamente o medicamento, o que garante que o fármaco se dissolva no olho durante um período de seis meses sem necessidade do uso diário de colírios ou medicamentos orais.

Fruto de dez anos de pesquisa, a novidade foi testa com sucesso em dez pacientes que participaram do estudo clínico no HCFMRP. Os resultados mostraram que a inovação atua em doenças vasculares da retina que levam à redução da visão e, em casos mais avançados, à cegueira, informou a universidade em comunicado.

A técnica foi desenvolvida por uma equipe comandada pelo oftalmologista Rubens Siqueira especialmente para tratar uveíte, retinopatia diabética, toxoplasmose ocular, degeneração macular (relacionada à idade), retinite por citomegalovírus e endoftalmite.

O trabalho contou ainda com a participação da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Está previsto para janeiro o início da segunda fase do estudo. Nesta etapa o implante será testado em 50 pacientes.

O professor Rodrigo Jorge, que também participa da pesquisa, declarou que, uma vez aprovado, o tratamento poderá beneficiar vários pacientes portadores diversas doenças da retina, que afetam principalmente a população mais idosa, entre 50 e 70 anos.

Ainda de acordo com o professor, essas doenças atingem cerca de 30 milhões de pessoas atualmente no Brasil.

A ideia inicial é de que o tratamento seja destinado a doenças da retina, porém o implante poderá futuramente ser utilizado também no tratamento de doenças em outros órgãos e tecidos do corpo.

O Brasil ainda não possui qualquer tecnologia similar. Nos Estados Unidos e na Europa, no entanto, um dispositivo semelhante, chamado de OZURDEX, custa cerca de R$ 6,2 mil, mas a venda ainda não foi liberada no Brasil.

O preço da nova tecnologia ainda não foi definido. Contudo, o professor Rubens Siqueira acredita que a grande vantagem do produto nacional com relação ao estrangeiro será o custo mais baixo e a maior facilidade de implantação no olho, pois foi desenvolvido com um diâmetro menor que o produto importado.

O implante intraocular também beneficiará à medicina veterinária. Além do tratamento oftalmológico, ele poderá atuar em outras doenças, utilizando o mesmo sistema de liberação de fármacos.

Uma das vantagens é a facilidade de aplicação, nos animais domésticos. Já nos selvagens, criados em zoológicos ou criadouros, onde a contenção para tratamento pode apresentar risco de morte para algumas espécies, os sistemas de liberação de fármacos podem ser decisivos para manutenção da visão ou cura de doenças.

Outro benefício é a possibilidade de liberar apenas a quantidade exata de medicamento, permitindo maior eficiência no controle de doenças. Doenças oculares representam até 80% dos casos de oftalmopatias diagnosticados em caninos, felinos, equinos e bovinos.

Os resultados do estudo foram apresentados neste ano durante o Congresso Internacional da Sociedade Americana de Especialistas em Retina, que aconteceu em Toronto, no Canadá.

fonte: http://info.abril.com.br/
 

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[10.Jun.2015]
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Uma em cada 30 crianças do concelho
de Braga sofre de ambliopia

Paula Maia

Correio do Minho
2015-06-09


Uma em cada 30 crianças do concelho de Braga é portadora de Ambliopia moderada a grave, caracterizada pela diminuição da acuidade visual de um ou dos dois olhos. A patologia é também conhecida por ‘olho preguiçoso’, devido ao facto do mesmo não se ter desenvolveu adequadamente na infância.

Os dados são do Projecto Pimpolho, um projecto pioneiro a nível nacional, que resulta de uma parceria entre o Hospital e Câmara Municipal de Braga e que envolveu, de Maio de 2014 a Maio de 2015, 881 de 71 Jardins-de-Infância públicos e privados do concelho, com idades compreendidas entre os 3 e os 4 anos de idade. Os resultados deste estudo foram apresentados ontem, no Hospital de Braga, pelos promotores da iniciativa.

Semanalmente, durante este ano, 30 crianças foram avaliadas numa consulta oftalmológica de prevenção da Ambliopia. Sandra Guimarães, médica do Serviço de Oftalmologia do Hospital de Braga e responsável pelo projecto, explicou que este é um processo de avaliação “não invasivo” e essencial para a detecção deste problema que passa muitas vezes despercebido a pais e educadores.

Das 881 crianças avaliadas, 42 foram detectadas com Ambliopia. Destes, 29 eram casos de Ambliopia moderada a grave e 19 de Ambliopia ligeira. Além desta patologia, foram ainda detectados outras patologias associadas à visão.

Todas as crianças portadoras de Ambliopia estão a ser acompanhadas pela unidade bracarense.

Sandra Guimarães refere que se não for detectada e tratada na infância, a patologia pode afectar para sempre a saúde e qualidade d e vida das crianças. Sendo tratável até aos 60 meses, o tratamento torna-se menos eficaz depois desta faixa etária. “O ideal é a criança ser tratada antes dos cinco anos de idade”, diz a médica, acrescentando que o tratamento pode atingir os 100% quando respeitado este período. Se tal não aconteceu pode acarretar cegueira, baixa visão ou visão subnormal, não passível de se corrigida para o resto da vida.

Refira-se que, a nível mundial, a prevalência da doença é de 1,4%, sendo a causa principal de baixa visão e cegueira na criança.

João Ferreira, presidente da Comissão Executiva do Hospital de Braga, referiu que esta é mais uma das iniciativas de resultam da parceria com a autarquia bracarense no âmbito da prevenção. “É nossa responsabilidade zelar pela saúde do concelho. Seremos sempre parceiros, com a câmara e outras entidades, que pretendam levar a cabo iniciativas do género”.

O presidente da câmara de Braga, que também marcou presença na apresentação deste primeiro ano do Projecto Pimpolho, frisou que a iniciativa constituiu uma boa ilustração do espírito de parceria entre a câmara e o hospital.

Ricardo Rio disse ainda que o projecto “é também uma demonstração do compromisso que as entidades têm para como bem-estar da população”, enaltecendo o papel do Hospital de Braga que investiu recursos neste projecto que não tem qualquer retorno económico.

O autarca sublinhou também o carácter “verdadeiramente inovador” do projecto que é único no país e que, além da Ambliopia, permite detectar outras patologias associadas à visão.
 

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[9.Jun.2015]
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Angola: Surto de oncocercose já cegou
20 pessoas em município de Luanda


05 de Junho de 2015 | Por Lusa

Notícias ao minuto.


Uma equipa de 25 profissionais de saúde foi deslocada para o município da Quiçama, na província de Luanda, para investigar um surto de oncocercose que já provocou cegueira a mais de duas dezenas de pessoas.

De acordo com informação oficial divulgada pela direção de saúde pública do Governo Provincial de Luanda, estão no terreno enfermeiros, médicos, epidemiologistas e técnicos do programa de luta antivectorial.

Além do tratamento aos doentes afetados em 2015, esta equipa de profissionais de saúde pública está igualmente a recolher amostras, nomeadamente da água, para posterior análise no Laboratório Nacional de Saúde Pública.

Transmitida por uma mosca preta, denominada "zimúlio", a oncocercose é geralmente encontrada em regiões próximas de rios e com vegetação abundante, provocando igualmente infeções na pele, que se manifestam pela despigmentação e prurido persistente, sendo conhecida precisamente por "cegueira dos rios", pela sua consequência mais gravosa.

De acordo com dados da Programa Africano de Luta Contra a Oncocercose (APOC), esta doença coloca em risco - pela cegueira - mais de 2,5 milhões de pessoas em 44 municípios de Angola, sendo endémica em nove das suas 18 províncias.

O Governo angolano tem em execução oito projetos sob direção comunitária, que cobrem mais de 3.240 comunidades endémicas, apoiadas pela Organização Mundial de Saúde e o APOC.

Entre 2005 e 2010, Angola beneficiou de uma contribuição financeira do APOC, para combater esta doença, na ordem dos 1,3 milhões de dólares (1,1 milhões de euros).
 

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[5.Jun.2015]
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Escolas regulares não têm recursos
para crianças com deficiência
- Observatório da Deficiência -

Lusa | SAPO notícias

29 Mai, 2015


A maioria das escolas regulares tem falta de recursos para as crianças com necessidades especiais, alertou hoje o Observatório da Deficiência, apontando que, quando os recursos não chegam ou tardam, é o futuro educativo destas crianças que fica comprometido.

A 01 de junho comemora-se o Dia Internacional da Criança e, aproveitando o destaque dado nesta data aos mais pequenos, o Observatório da Deficiência e dos Direitos Humanos (ODDH) alerta para as dificuldades que se têm registado na aplicação da legislação sobre a educação inclusiva e para a falta de recursos humanos e materiais adequados.

"Aquilo que se verifica, na prática, é que estes recursos chegam tardiamente ou nunca chegam e, portanto, isto compromete seriamente o sucesso educativo destas crianças", defendeu a coordenadora do ODDH, em declarações à Lusa.

De acordo com Paula Campos Pinto, dados e estudos feitos pelo Observatório mostram que "tem havido alguma dificuldade" na aplicação da legislação, já que, apesar de ser "bem conseguida", muitas vezes não é acompanhada pela "dotação de recursos humanos e materiais adequados".

"As crianças estão colocadas nas escolas, mas quando essas escolas não dispõem dos recursos, quer do ponto de vista humano, quer do ponto de vista material para promover, por exemplo, a interação destas crianças com outras crianças, para auxiliar os professores nas turmas para que possam receber estas crianças e saber trabalhar com elas, quando isto não acontece, ou não acontece no `timing` adequado, compromete todo o processo", sublinhou a investigadora.

Por isso, alertou, "acaba por ser uma inclusão que é apenas física, mas que não se traduz em resultados positivos para o progresso académico destas crianças".

Em causa fica também a inclusão social destas crianças, uma dimensão igualmente importante da sua presença na escola, e que, não sendo concretizada, traz muitas vezes "anticorpos" e "alguma rejeição".

"Quer por parte das outras crianças e dos outros pais, quer até por parte do corpo docente e quer muitas vezes também das próprias famílias de crianças com deficiência que acabam por pensar que é melhor que elas se mantenham em instituições segregadas, porque aí, ao menos, recebem uma atenção adequada", apontou Paula Campos Pinto.

A investigadora lembrou que falta pouco para se começar a pensar no arranque do próximo ano letivo e pediu, por isso, que tudo seja organizado de forma mais atempada.

"[Que] os professores sejam colocados logo no início do ano, os recursos cheguem às escolas na altura devida, que as crianças possam ter as terapias de que necessitam ao longo do ano para que essa inclusão seja uma realidade e seja efetiva e se traduza em resultados positivos para as crianças", apelou.

Outro dos pontos destacados pelo ODDH tem a ver com a falta de dados estatísticos e de estudos sobre estas temáticas e sobre a situação das crianças com deficiência em Portugal, alertando a investigadora para o facto de esta ausência de dados impedir que sejam desenhadas políticas públicas mais ajustadas à realidade.

Para o ODDH, falta também um Plano Nacional específico para acompanhar os direitos das crianças com deficiência, alertando que, desde que a Estratégia Nacional de Deficiência chegou ao fim, em 2013, não foi criada outra até agora.
 

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[4.Jun.2015]
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Tabaco (também) faz mal à vista

Por: Redação / CM

TVI 24


Médica oftalmologista Sara Pinto alertou na TVI24 para as doenças oculares que podem resultar da exposição às substâncias nocivas do tabaco.

Que fumar faz mal quase todos sabem, mas que faz mal à visão poucos imaginam, alertou a médica oftalmologista Sara Pinto, nesta sexta-feira, na TVI24.

“Não parece que as pessoas estejam muito alertadas, mas é muito importante estar, porque o tabaco ao ter substâncias nocivas que entram dentro do nosso organismo vão ser distribuídas por todo o corpo e também no olho. O olho é um órgão muito rico em vasos, muito vascularizado, portanto muito suscetível às alterações provocadas pelas substâncias nocivas do tabaco”, explicou.

Fumar pode, segundo a clínica, agravar doenças como a diabetes ocular e a deiscência macular, uma das principais responsáveis pela cegueira no mundo ocidental.

“Um dos principais efeitos do tabaco é atuar ao nível dos pequenos vasos, o que faz com que todas as doenças do olho, que são provocadas por alterações dos pequenos vasos, sejam mais suscetíveis e até agravadas pelo facto de as pessoas fumarem, como é o caso da diabetes, da deiscência macular, que muitas pessoas não conhecem”, afirmou Sara Pinto.

Não há, porém, uma “relação definida” entre a quantidade de fumo e a cegueira, no entanto “sabe-se que o tabaco é um fator predisponente”, esclareceu a oftalmologista, que não deixa de fora os fumadores passivos nem os espaços onde é permitido fumar, “que aumentam a exposição e o risco”.


Um em cada quatro portugueses fuma

Segundo um inquérito Eurobarómetro, um em cada quarto portugueses (25%) é fumador. Comparando com 2012, são mais dois pontos percentuais. Desde essa altura, 12% deixaram de fumar.

O inquérito, que foi divulgado em Bruxelas, indica, ainda, que quase dois terços (63%) dos portugueses nunca fumaram. Os homens (34%) fumam mais do que as mulheres (18%), em linha com a média da UE: 31% e 22%, respetivamente.

Na União Europeia (UE), a média de fumadores é, atualmente, de 26%. É na faixa 25-39 anos que se concentra a maior percentagem de fumadores portugueses (38%), seguindo-se a dos 40-54 (35%), a dos 15-24 (22%) e mais de 55 anos (13%).

Os cigarros de maço são o produto de tabaco mais fumado, fazendo as preferências diárias de 83% dos consumidores portugueses, seguindo-se os de enrolar, para 16%. Um outro dado é que a maioria dos fumadores em Portugal (55%) começou na faixa entre 15 e os 18 anos, 21% começaram a fumar antes dos 15 anos e 20% entre os 19 e os 25.
 

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[29.Mai.2015]
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Dia 1 de Junho é dia Mundial da Criança

e para assinalar este dia a ACAPO Coimbra vai apresentar no âmbito da Feira Cultural de Coimbra uma peça de teatro intitulada "Sentinela e Pé de Chumbo!" que se irá realizar no Coreto do Parque Manuel Braga às 14h30.

 

Na Floresta, repleta de animais, flores, árvores e cor, vivem 8 anões muito divertidos, a quem a Branca de Neve vai usualmente visitar. No entanto, há uns tempos para cá, novos habitantes chegaram à floresta…os terríveis e assustadores Gigantes!

Mas o Gigante Pé de Chumbo, ou vulgarmente conhecido por Gigante O Fraco, é um gigante diferente de todos os outros, pois não gosta de assustar nenhum anão, e aliás, deseja ser amigo de um deles! Depois de várias tentativas hilariantes mas falhadas desta amizade proibida, o Pé de Chumbo consegue finalmente aproximar-se de um anão… O Sentinela! Daí nasce uma forte amizade entre ambos, que os leva a descobrirem-se a si mesmos, muito graças à ida ao País das Cores, onde as cores ganham vida e, apesar das constantes zaragatas entre elas, mostram como a sua harmonia se traduz numa bela mensagem.

Toda esta amizade é um processo de descobrimento das capacidades e limitações de cada um, percebendo que todos temos o nosso valor e que a amizade, o carinho e a partilha são elementos fundamentais no desenvolvimento pessoal. A chave será sempre a esperança, não devendo nunca desistir dos nossos objetivos e ambições, pois o “sonho comanda a vida”. Ver não será só com o olhar mas sim com todos os sentidos e até mesmo com o coração! Ser diferente não é ser fraco ou inferior, é, pelo contrário, um ato de grande coragem – é preciso ter coragem para se assumir como diferente – e ser diferente pode ser algo muito bom. Afinal quem faz o mundo avançar ao longo da história?

Convidamos todos os pequenos e até mesmo os graúdos a virem ver o trabalho incrível que os utentes e associados da ACAPO têm vindo a desenvolver !
 

publicado por MJA 
[26.Mai.2015]
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Deficiência visual, depressão e morte


Optometric Physician


Os mecanismos pelos quais a deficiência visual aumenta o risco de mortalidade são mal compreendidos, segundo a opinião de pesquisadores estadunidenses que buscaram avaliar os efeitos diretos e indiretos da auto-avaliação da deficiência visual sobre o risco de mortalidade, através de mecanismos mentais, práticas de bem-estar e cuidados preventivos.

Usando os dados completos de 12.987 participantes adultos na Pesquisa 2000 Medical Expenditure Panel (MEPS) com ligação à taxa de mortalidade, pesquisadores utilizaram duas variáveis latentes que representam tanto o bem-estar mental quanto os cuidados preventivos precários para examinar as vias de efeito múltiplo de auto-avaliação sobre as causas de mortalidade entre os portadores de deficiência visual.

A conclusão foi que os cuidados preventivos mal realizados não estavam relacionados com o aumento de mortalidade e que o bem-estar mental diminui o risco de mortalidade entre portadores de deficiência visual .

Ou seja, portadores de deficiência visual aumentam o risco de mortalidade direta e indiretamente através do impacto adverso que a cegueira causa sobre o bem estar mental. Com este resultado, os pesquisadores sugerem que seja uma prioridade da saúde pública diagnósticos mais precisos e tratamento da depressão - e outras condições de saúde mental - em pessoas que vivem com deficiência visual.

Um exemplo da importância deste tipo de prioridade vêm do Canadá, onde cientistas examinaram se pacientes com doenças oculares relacionadas à idade tais como degeneração macular (DMRI) ou glaucoma são mais propensos a mostrar sinais de depressão, comparados com um grupo de adultos mais velhos com boa visão.

Eles recrutaram 315 pacientes (81 com DMRI e 91 com glaucoma) das clínicas de oftalmologia de um hospital de Montreal a partir de setembro de 2009 até Dezembro de 2011. Eles avaliaram os sintomas depressivos utilizando a Avaliação de Espaço de Vida. Além disso, os pesquisadores utilizaram regressão logística para a saúde, levaram em conta questões demográficas e fatores sociais.

Eles observaram que 78 pessoas preencheram os critérios para a depressão (25%) e que todos os grupos com doença ocular foram mais prováveis de ficarem deprimidos do que o grupo saudável. O tempo de vida pareceu mediar a relação entre a doença do olho e depressão.

Tanto nos casos de aumento de mortalidade quanto nos de depressão, além da interligação entre eles, fica notório a importância da maior atenção das famílias, dos médicos e da sociedade para as necessidades da boa saúde mental e dos desafios de mobilidade de pacientes com doença ocular.

 

in http://www.saudevisual.com.br/noticias/175-depressao-e-morte
 

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[21.Mai.2015]
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Redacção sobre as cores das flores


Uma criança cega precisa escrever uma redação sobre as cores das flores. O vídeo mostra o desafio do menino para conseguir cumprir a tarefa. A tradução para o português foi feita para o blog "Assim como Você", de Jairo Marques.


link para o vídeo:
 http://www.youtube.com/watch?v=s6NNOeiQpPM

 

publicado por MJA 
[19.Mai.2015]
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BONECAS PARA CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA

por Thamirys Teixeira

Vila mulher


A falta de visibilidade é uma das muitas razões pelas quais as pessoas com deficiência (PcD) acabam sofrendo com o preconceito e a exclusão social. Para ajudar na inclusão social e na autoaceitação de crianças com deficiência, uma marca de brinquedos decidiu inovar.

Trata-se das 'Makie Dolls', da marca Makies . Elas são bonecas personalizadas de acordo com a deficiência ou característica da criança. A marca criou a linha em resposta a uma recente campanha no Facebook intitulada de '#ToyLikeMe' (brinquedo como eu, em português). A hashtag pedia que as empresas criassem brinquedos inclusivos e mais parecidos com as crianças reais. Muito legal, não é?

As Makie Dolls são da Grã Betanha, feitas por encomenda e custarão um preço salgado: cerca de 69 libras, o equivalente a 326 reais. As características e acessórios são criadas por meio da tecnologia de impressão 3D.

Os ativistas da campanha '#ToyLikeMe' ficaram felizes com a iniciativa, porém não pretendem parar com os esforços. A ideia é que grandes empresas como Mattell, Playmobil e Lego também criem brinquedos mais parecidos com as crianças portadoras de deficiência.
 

publicado por MJA 
[16.Mai.2015]
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Jogo de computador ajuda pessoas com problemas oculares


Boas Notícias

19 de Março de 2015
 

Um jogo de computador criado pela Universidade de McGill, no Canadá, promete ajudar aqueles que sofrem de problemas oculares, como a ambliopia, também conhecida como 'olho perguiçoso' .

De acordo com o comunicado da Ubisoft, empresa especializada no desenvolvimento e comercialização de jogos de computador e parceira da Universidade de McGill, o 'Dig Rush' "submete os olhos a vários níveis de contraste que surgem no jogo".

Estes exercícios ajudam a treinar o cérebro e melhorar a perceção visual, através de uns óculos 3D e um tablet. O médico pessoal de cada paciente/jogador pode recomendar um ajustamento das definições de acordo com as necessidades de cada um.

"Esta terapia foi testada clinicamente e permite aumentar, significativamente, a acuidade visual das crianças e adultos que sofrem deste problema. Com a autorização da Ubisoft, estamos capazes de ajudar os médicos a apoiar e acompanhar o progresso dos seus doentes", explica Joseph Koziak, CEO da Amblyotech, outra empresa parceira do projeto, citado pelo mesmo comunicado.

Durante os testes do jogo, desenvolvido na Universidade McGill, no Canadá, conseguiu ver-se uma "grande melhoria na visão de crianças e adultos".

Brevemente, o 'Dig Rush', ainda na fase experimental, vai começar a ser vendido nos Estados Unidos, embora a Amblyotech preveja que o produto chegue em breve a mais países do mundo.

A ambliopia é uma doença que afeta cerca de três por cento das crianças em todo o mundo, sendo uma das principais causas que levam à cegueira.
 

publicado por MJA 
[14.Mai.2015]
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Miopia: a culpa é da falta de sol

SAMUEL SILVA | 10/05/2015

Público


Em pouco mais de dez anos, a incidência desta doença entre estudantes universitários em Portugal praticamente duplicou. O facto de a população PASSAR cada vez menos tempo ao ar livre é um dos factores que explicam o aumento da incidência deste problema de visão.

Estamos a VER cada vez pior. Passamos oito (ou mais) horas dentro de portas, no trabalho ou na escola; o TEMPO livre é escasso e muito dele é passado com os olhos postos em livros ou nos ecrãs, cada vez mais pequenos, de televisões, computadores, tablets e smartphones; e os momentos de lazer vividos ao ar livre são ainda mais raros. Esta combinação de factores EXPLICA o facto de a miopia se ter convertido numa uma epidemia global. Em Portugal, os poucos estudos existentes mostram que a doença tem crescido de forma galopante ao longo da última década entre os mais jovens.

“Esta é uma doença de países desenvolvidos”, explica o investigador da Universidade do Minho (UM) Jorge Jorge, que lidera o Laboratório de Investigação em Optometria Clínica Experimental, um dos poucos laboratórios científicos nacionais que se tem dedicado ao estudo da miopia. O aumento da prevalência desta patologia começou a ser notada em meados do século XX, com o aumento da escolaridade obrigatória. Por isso, durante muito tempo, a investigação sobre esta doença concluiu que havia uma correlação forte entre o número de horas que as crianças passavam a ler e a estudar e a existência deste problema de visão.

O que não se conhecia era a explicação para isto acontecesse. Até que, em 2008, uma equipa da Universidade Nacional da Austrália, em Camberra, mostrou que é a falta de actividade ao ar livre o principal factor que potencial o seu desenvolvimento. “A exposição à luz ajuda à libertação de dopamina, um neuro-transmissor que PROTEGE o olho”, explica Maria João Quadrado, presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO). Por outro lado, o facto de as crianças passarem muito mais tempo em actividades no interior, faz com que utilizem muito mais a visão central e menos a visão periférica, o que também contribuiu para que não haja um crescimento simétrico do globo ocular, explica a mesma responsável.

O principal foco das investigações têm sido as crianças e os jovens, porque é nestas idades que a doença de desenvolve mais. Todavia, os estudos mais recentes têm sublinhado também a existência da chamada miopia tardia, que surge em adultos, mas cujas causas são exactamente as mesmas: o contacto escasso com a luz solar.

A equipa da universidade australiana que descobriu este efeito está agora a DESENVOLVER um novo trabalho, a partir do qual já concluiu que, para que haja um efeito protector da luz solar na saúde dos nosso olhos, será preciso passar pelo menos três horas por dia com mais de 10 mil lux (unidade de medida para a luz) de iluminação. “A iluminação nas nossas casas ou das escolas anda nos 500, 600. Valores como estes só se conseguem ao ar livre”, explica Jorge Jorge. “Se pensarmos quanto tempo por dia os nossos filhos estão ao sol ou a apanhar luz solar directa, se calhar concluímos que não estão nenhuma ou que estão menos de uma hora”, acrescenta o mesmo especialista.

São muito recentes os dados sobre a prevalência da miopia em PORTUGAL. Um trabalho divulgado no mês passado pelo grupo de Jorge Jorge na UM mostra um “aumento brutal” da miopia entre os estudantes universitários. Nos últimos 12 anos, o número de estudantes do primeiro ano das licenciaturas da Escola de Ciências da UM que sofre de miopia praticamente duplicou, passando de uma taxa de 22%, em 2002, para 42%, quando o estudo foi repetido no ano passado.

“Este é um trabalho dedicado a uma população específica e, provavelmente, na população geral o valor será ligeiramente menor”, avisa Jorge, sublinhando, ainda assim, a “importância de PERCEBER este aumento bastante grande” da prevalência da patologia em pouco mais de uma década.

Entretanto, este laboratório da UM começou também a ESTUDARa miopia em populações mais jovens, em escolas da região, e encontrou um cenário de progressão gradual da incidência da doença ao longo da vida. Entre as crianças com 6 a 8 anos de idade, a prevalência de miopia é inferior a 5%, “um valor residual”, segundo Jorge Jorge. Mas, de acordo com os mesmos dados preliminares do estudo – referentes ao ano lectivo 2013/2014 –, entre os adolescentes o número de míopes sobe já para os 20%.

E este é um número que não para de AUMENTAR nos anos seguintes, como a investigação do Laboratório de Investigação em Optometria Clínica Experimental da UM vem demonstrando. O primeiro grupo de alunos, que foi testado em 2002, foi acompanhado ao longo dos três anos de curso. A prevalência de miopia entre eles aumentou 5 pontos percentuais durante esta fase da sua vida académica, fixando-se nos 27% no final da licenciatura.

O laboratório prevê começar no próximo ano o primeiro trabalho a larga escala, que considerará toda a população portuguesa e que vai permitir traçar o primeiro retrato do estado da miopia em Portugal. Os dados destes primeiros trabalhos permitem desde já CONCLUIRque o país “está a assistir a um fenómeno que já se verifica noutros países, nomeadamente nos países asiáticos, onde tem havido uma grande incidência de prevalência da miopia”, comenta Jorge Jorge.

Um artigo publicado em Março na revista Nature alertava que esta doença estava a TOMAR “proporções epidémicas”. As estimativas então publicadas apontavam que, até ao final desta década, cerca de 2,5 mil milhões de pessoas de todo o mundo terão miopia – ou seja, mais de um terço da população mundial. A Organização Mundial de Saúde prevê também que reste número possa duplicar até 2050, sendo a prevalência superior nos países ditos desenvolvidos.

Neste momento, na Europa e nos Estados Unidos, cerca de metade dos jovens têm este problema, o que é o dobro dos valores que eram registados há 50 anos. Todavia, em nenhuma outra região do globo há tantos míopes como na Ásia. Há 60 anos, o número de chineses com este problema de visão não ultrapassava os 20%, hoje a patologia afecta 90% dos adolescentes. Em Seul, capital da Coreia do Sul, 96,5% dos rapazes com 19 anos têm miopia. E as taxas de prevalência estão sempre acima dos 80% em Singapura, Hong Kong e Taiwan, tendo duplicado ao longo do último meio século.

A miopia é aquilo que popularmente se descreve como ver mal ao longe. “Um olho míope é um olho mais comprido do que o normal e, por isso, a imagem é focada mais à frente, o que dificulta a visão”, explica a presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, Maria João Quadrado.

Se num nível menos grave, este é um problema sem grandes repercursões na vida de uma pessoa, desde que compensado com o uso de óculos ou lentes de contacto, a partir de um terminado número de dioptrias, habitualmente oito, passa a considerar-se a miopia muito alta, à qual se "associam complicações graves”, segundo Maria João Quadrado. Cerca de 20% de míopes têm este nível elevado da doença, estando assim mais expostos ao aparecimento de cataratas, glaucoma e descolamentos de retina que, em casos extremos, podem provocar cegueira.

“Há pessoas que ficam incapacitadas de conduzir ou de desempenhar determinados tipos de profissões”, acrescenta Jorge Jorge. Por isso é que este especialista alerta para o perigo de, “dentro de 20 anos”, a miopia vir a tornar-seum “problema de saúde pública em Portugal, com custos elevados”. Neste momento, a nível mundial, são gastos cerca de 2 mil milhões de euros anuais em formas de compensação da miopia, de acordo com a Agência Internacional de Prevenção da Cegueira.

Actualmente, a forma mais comum de intervenção em caso de miopia é corrigir os seus efeitos, através de óculos, lentes de contacto ou cirurgia (laser ou implantação de lente intra-ocular). Mas a investigação dos últimos anos tem permitido ABRIR um novo campo com a criação de técnicas de retenção da progressão de miopia. Estes meios ópticos “têm características que impedem o crescimento do olho”, afirma Jorge Jorge. As técnicas que têm tido melhores resultados passam pelo uso de lentes de contacto que permitem moldar a imagem da retina periférica e eliminar o estímulo de crescimento que o olho até ali tinha.

Estas terapias são “ligeiramente mais caras” do que o tradicional uso de óculos e ainda desconhecidas da população, começando apenas agora a ENTRAR em Portugal, através de algumas clínicas. Mas, estima Jorge Jorge, será possível em poucos anos que esta seja uma técnica oferecida com muita frequência, tal como já acontece em países asiáticos.

Porém, antes do remédio, tem de estar a prevenção, DEFENDE o cientista. Por um lado, há uma responsabilidade que cabe às próprias famílias. “Ao fim-de-semana, em vez de LEVAR os filhos a passear no shopping, é melhor levá-los a passear na praia ou no parque, garantindo que estão ao ar livre e recebendo o número de horas necessárias de luz solar”, defende.

Há também uma responsabilidade que é da escola. O laboratório de Jorge Jorge começou a fazer um trabalho de mapeamento das condições existentes nas escolas da região, que espera poder alargar a todo o país – se o FINANCIAMENTO a que se candidataram da Fundação para a Ciência e Tecnologia for aprovado. “As salas de aula precisam de ter mais luz, melhor iluminação e janelas com mais luz a entrar. Mas também é preciso aumentar o tempo dos intervalos e obrigar os alunos a irem para fora brincar, em vez de ficarem nos corredores a jogar no telemóvel”, propõe. A inspiração é um projecto-piloto lançado recentemente na China, em que existem turmas para as quais foi aumentado o número de horas de exposição solar, com a criação de uma disciplina de Ar: “Durante uma hora e meia têm que vir cá para fora. Não estão a fazer nada, estão a apanhar luz do sol”.
 

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[11.Mai.2015]
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Campanha do Dia das Mães da Huggies

ACAPO
 

A Huggies (marca de fraldas infantis) criou uma ação que permite a mães cegas conhecerem os seus filhos e verem-nos de um modo especial. Com a ajuda do aparelho de ecografia e de uma impressora 3D, o rosto do bebé é reproduzido para que a mãe possa tocar no filho. A campanha conta ainda com uma versão com audiodescrição pensada precisamente para as pessoas com deficiência visual.

Tatiana Guerra foi uma das escolhidas para PARTICIPAR da Campanha do Dia das Mães da Huggies deste ano! Ela é a estrela da Campanha “Conhecendo Murilo”.
 

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[10.Mai.2015]
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'Duvidavam que eu pudesse cuidar
dos meus filhos', diz mãe cega

Marina Holanda | 10/05/2015


Laura Freitas é mãe de dois meninos e possui deficiência visual. Com dupla jornada, ela fala que sempre se sentiu igual a muitas mães.

Laura Freitas tem deficiência visual desde que nasceu e enfrenta o desafio de ser mãe há 14 anos, quando teve o primeiro filho. Ela conta que as dificuldades não são muito diferentes das mulheres que enxergam. “Duvidavam que eu pudesse cuidar dos meus filhos por ser cega. As pessoas ficam curiosas e se reprimem em perguntar, mas eu gosto de responder. Sei que eu posso. É importante que as pessoas também saibam. Sempre acreditei que eu ia conseguir. E eu amo ser mãe! Foi o melhor presente que Deus me deu” afirma.

Com 32 anos, Laura é mãe de Gabriel, 14 anos, e Vinícius, de 8 anos. Trabalha como revisora de braile no Centro de Referência em Educação e Atendimento Especial do Ceará (Creaece), em Fortaleza. Ela diz que está afastada por falta de material. “Trabalho de dois a três períodos. A dificuldade maior é não ter com quem deixar os meus filhos”. Para isso, recorre muitas vezes ao auxílio da mãe Marta.

A cegueira de Laura é hereditária. “Eu nasci assim”, afirma. Ela explica que a sua adaptação com foi 'desde sempre'. No caso de pessoas que já enxergaram um dia, mas que depois perderam a visão, a adaptação é diferente. “Sempre me senti igual”, disse.

Diferenças e adaptações

Na casa de Laura, os objetos permanecem distribuídos sempre no mesmo lugar para facilitar a localização e locomoção dela. “Na minha casa, eu sou independente. Gosto de cozinhar, fazer sobremesas...”, conta.

Acompanhada do mais novo, ela destaca o que há de especial na sua relação com os filhos. “Filho de cego é mais atencioso, mais responsável. Eles têm o cuidado de avisar quando vão sair de perto de mim, diferente de quando estão com a avó, ficam mais livres”, explica.


Táticas

“O que eu encontro de mais diferente, é que no início, muitas coisas eu precisava perguntar. Coisas relativas a cores em atividades da escola, ou medições. Uma das táticas que eu tinha, quando eu ia dar remédio ao bebê, por exemplo, era aproximar o conta-gotas do meu ouvido para escutar quantas gotas estavam caindo. Ia no instinto. No segundo filho, já foi mais fácil.”

A realidade das mães cegas são distintas e variam em cada caso. Segundo a experiência de Laura com outras mulheres do Creaece, há mães com deficiência visual que se tornam muito dependentes da ajuda de outras pessoas e que terminam por se acomodar a essa condição. “Eu ando e saio só, porque eu quis assim. Incentivo eu tive pouco. Se eu fosse rica, eu tinha era mais [filhos]!” conta Laura entre risos. “Eu digo pra ela que nós somos duas mulheres sofredoras, mas fortes” completa Marta, mãe de Laura.

FONTE: http://g1.globo.com/
 

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[10.Mai.2015]
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Emprego: novo programa para apoiar pessoas com deficiência

TVI24 / SS

23 de Abril 2015


O Governo vai suportar até metade os custos de adaptação dos postos de trabalho para funcionários que adquiram deficiência e vai compensar os patrões pela menor produtividade desses trabalhadores, aprovou esta quinta-feira o Conselho de Ministros.

As medidas fazem parte do “Programa de Emprego e Apoio à Qualificação das Pessoas com Deficiência e Incapacidade” e, de acordo com o documento, o Governo pretende apoiar até 50% os custos de adaptação do posto de trabalho em relação às empresas que mantenham nos seus quadros funcionários que “adquiram deficiência ou incapacidade no decurso da vida profissional”.

Em matéria de emprego apoiado, o Governo vai ajudar as empresas com os custos da menor produtividade dos trabalhadores com deficiência ou capacidade de trabalho reduzida.

Quer isto dizer que, “tendo por referência um valor indexado ao IAS [Indexante dos Apoios Sociais] ”, que está atualmente em 419,22 euros, o Governo vai atribuir “uma percentagem do salário negociado pelo empregador com o trabalhador”, que será tanto maior quanto a incapacidade do funcionário. “Este modelo permite que possam ser abrangidos alguns trabalhadores com capacidade intelectual e possibilidade de acesso a profissões mais qualificadas, considerando o desenvolvimento tecnológico."

Relativamente às medidas de apoio à integração, manutenção e reintegração no mercado de trabalho, onde se insere o apoio à adaptação do posto de trabalho, o Programa inclui outras medidas.

Por um lado, o Governo quer que as entidades formadoras façam o acompanhamento pós-colocação dos formandos que, no final da formação, fiquem empregados por 12 meses, “beneficiando dos apoios previstos para os centros de recursos”.

Por outro lado, este acompanhamento pós-colocação é alargado às empresas que mantenham ao serviço trabalhadores que adquiram deficiência na vida adulta e profissional.

De acordo com a informação do Programa, as ações de apoio à colocação têm a duração de um ano.

Relativamente às medidas previstas para a qualificação profissional, o Governo pretende que as pessoas que tenham adquirido deficiência em adultos possam ser abrangidas pela formação inicial com vista a uma requalificação profissional e conseguirem permanecer no mercado de trabalho.

Prevê igualmente “uma fase de recuperação e atualização de competências” para quem tenha uma deficiência adquirida ou precise de uma nova qualificação ou reforço das competências profissionais por via do agravamento da sua deficiência.

O “Programa de Emprego e Apoio à Qualificação das Pessoas com Deficiência e Incapacidade” traz também a marca “Entidade Empregadora Inclusiva”, que substitui o Prémio de Mérito, e visa promover “a distinção pública de práticas de gestão abertas e inclusivas” por parte das entidades empregadoras, ao mesmo tempo que quer sensibilizar a opinião pública para a problemática da empregabilidade das pessoas com deficiência.

Esta marca não inclui nenhum prémio monetário, vai ser atribuída de dois em dois anos e poderão candidatar-se os empregadores dos setores público, privado, cooperativo e da economia social.

Esta distinção está igualmente prevista para as pessoas com deficiência que tenham criado a sua própria empresa ou emprego.
 

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[5.Mai.2015]
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Ver com a ponta dos dedos

SOL

Patrícia Cintra

28/04/2015


Ganhou um prémio atribuído pelo Instituto Nacional de Reabilitação, uma menção honrosa internacional como projecto de mestrado e agora apresenta-se finalmente ao público. Falamos da Mensagem, em Braille, um projecto que começou na Escócia, pela mão do designer Bruno Brites, e que é apresentado este sábado, no Festival IN, na FIL, a tempo das celebrações dos 80 anos da obra.

«Temos com os livros uma relação mais emocional do que de acesso à informação»

«O cego era eu», conta Bruno Brites quando começou a aventura pelo mundo dos livros em Braille. A primeira etapa desta viagem começou no Duncan and Jordanstone College of Art and Design, na Escócia, para onde Bruno rumou em 2010, para fazer o Mestrado em Design. Na mala levava uma pergunta: «Sendo eu um designer gráfico, um agente de comunicação, até que ponto seria possível comunicar na ausência dos sentidos? Estamos habituados a comunicar visualmente mas e se de repente não pudermos comunicar dessa forma?».

A partir daí, nunca mais sossegou. Primeiro tentou explorar criativamente o Braille com conceitos de bolds, itálicos, diferentes tamanhos de letras (ou melhor, de pontos). Mas aí deparou-se com a primeira dificuldade: «Não dava para explorar tipograficamente o Braille no interior do livro, porque se eles já são grandes, iam ficar enormíssimos - um único livro do Harry Potter pode ter 50 volumes em Braille. Mas se em vez disso explorasse a estética do livro, as capas, o ser mais apelativo ao toque, o criar uma relação emocional, isso sim podia dar margem de trabalho».

Regressado a Portugal, já com uma menção honrosa no International Design Awards para a sua tese de mestrado, juntou-se à ACAPO - Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal e à Casa Fernando Pessoa. Foi aí que 'pescou' a Mensagem. «Essa resiliência que está muito associada à Mensagem, escrita em 1934, foi o que quisemos transpor para aqui. Era o livro certo para entregar este projecto ao mundo. E sendo o Braille um veículo de acesso ao conhecimento, foi juntar 2+2 e criar este movimento inclusivo à boleia do Fernando Pessoa».

O resto da história foi o design e a emoção a falar mais alto. «Os nossos colaboradores disseram que a cortiça é um material muito agradável de ler, por que é suave e quente, em oposição à cerâmica, que é suave, mas fria, o que acabou por fazer também uma ligação com a simbologia da terra vs. mar, vindo a cortiça literalmente da terra e ter esse lado mais quente, e a cerâmica estar associada ao mar e ao desconhecido. Depois temos a representação simbólica do barco com um ponto em madeira». Mas até aí chegar, Bruno debateu-se com a dúvida de como se representa um barco para uma pessoa cega. «Muitas vezes não existe essa percepção conceptual e abstracta do que é um barco e nós não queríamos cair no erro comum de fazer uma imagem a duas dimensões achando que a pessoa cega vai perceber que aquilo é um barco. E nesse sentido achámos que o melhor era ir por esse caminho do abstracto e simbólico».

E porque quer ser um livro inclusivo, a cultura táctil convive tranquilamente com a cultura visual. A obra divide-se em duas partes, uma em Braille e outra escrita a negro, com referências sobre onde está cada poema nas duas metades do livro. Foram aliás as suas características de inclusão e acessibilidade que lhe garantiram no ano passado o Prémio Engenheiro Jaime Filipe atribuído pelo Instituto Nacional de Reabilitação. De resto, todos os processos de encadernação são artesanais e por isso não é de estranhar que esta seja uma edição especial, limitada a 30 exemplares. Mas mesmo assim não é para estar fechada a sete chaves. Alguns livros já estão disponíveis para consulta na ACAPO, na Casa Fernando Pessoa, na Fundação Calouste Gulbenkian, no Instituto Nacional para a Reabilitação e na Biblioteca Nacional.

Com 160 mil pessoas com deficiência visual em Portugal e 20 mil cegas, das quais apenas duas mil sabem ler Braille, poder-se-ia pensar que estamos a falar de uma obra para um nicho. Mas é precisamente essa ideia que Bruno quer desconstruir. «Claro que há gadgets tecnológico que podem facilitar a leitura a pessoas cegas mas isto tem consequências em hábitos de leitura e ao nível da dinamização da parte cognitiva do cérebro. Da mesma maneira que nós, normovisuais, não vamos deixar de ler livros só porque temos televisão ou computador. Temos essa afectividade e relação emocional com os livros, mais até emocional do que de acesso a informação. Se isso faz sentido para nós, por que não faz sentido para as pessoas cegas?».
 

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[30.Abr.2015]
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Implante de infravermelhos devolve visão a cegos

Notícias Ao Minuto

28 de Abril de 2015
 

Com o implante de um chip fotovoltaico na zona da retina é possível usar luz de infravermelhos para aumentar a capacidade de visão em cegos.

A Pixium Vision, empresa de investigação tecnológica na área da visão, está a desenvolver um dispositivo que ajuda a devolver parte da visão a quem seja vítima de cegueira, recorrendo apenas a óculos especiais e a um implante na retina.

Este implante trata-se de um pequeno chip fotovoltaico, que recebe imagens em infravermelhos através dos óculos, que não só estimula o cérebro como também ajuda a carregar todo o dispositivo.

Até agora foram feitos testes em ratos de laboratório e conseguiu-se restabelecer a visão em 20/250, sendo que de acordo com o Engadget a eficácia em humanos deve situar-se em 20/120. O que serve para que o utilizador deste dispositivo já não seja considerado cego de acordo com os critérios estabelecidos pelos EUA.
 

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[30.Abr.2015]
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Concurso Onkyo Braille 2015
 

O concurso europeu de ensaios, Onkyo Braille, está de regresso. Gerido pela União Europeia de Cegos, com o patrocínio das empresas Onkyo Corporation e Braille Mainichi, este concurso tem como objetivo promover o uso do Braille como um fator chave para o acesso das pessoas cegas à informação e sua inclusão social. Este ano, os autores são convidados a abordar o tema principal – a importância do Braille– sob diferentes pontos de vista:

  • O papel do Braille na promoção da participação das pessoas com deficiência visual na vida política, económica, cultural, social e familiar;

  • O Braille na era da tecnologia;

  • O futuro do Braille;

  • As vantagens e desvantagens do Braille, entre outros.

Os autores dos trabalhos são ainda encorajados a serem criativos nas suas abordagens, podendoutilizar diversos estilos, como uma carta, um poema ou uma entrevista.

Podem submeter os seus trabalhos a concurso, todos os utilizadores de Braille,incluindo as pessoas sem deficiência visual, que residam num país europeu ou em Israel, independentemente da idade.

Os trabalhos devem respeitar um limite de 1000 palavras (10% de tolerância) e ser remetidos até ao dia 30 de abril, obrigatoriamente em língua portuguesa, e opcionalmente em língua inglesa para o endereço Avenida D. Carlos I, nº 126, 9.º andar, 1200-651 Lisboa ou para o e-mail relacoesinternacionais@acapo.pt. Cada candidato não poderá submeter mais do que um trabalho a apreciação.

Os trabalhos serão pré-selecionados por um júri nacional e enviados ao painel dejurados da União Europeia de Cegos, responsável pela seleção final e atribuição dos prémios. Um ano mais, os prémios a concurso são bastante aliciantes, com valores que podem ir desde os 500 aos 2000 dólares.

Para obter mais informações contacte o Departamento de Relações Internacionais da ACAPO.

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[25.Abr.2015]
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Diagnóstico precoce e preciso pode erradicar a cegueira


Paranashop

24 de abril de 2015


“Hoje, só fica cego quem perder o timing do tratamento”. A declaração é do médico oftalmologista Paulo Augusto de Arruda Mello Filho, participante do 40º Congresso da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo – Retina 2015 -, evento internacional encerrado nesta segunda-feira, 20 de abril, em Florianópolis. Entre as muitas causas para a perda total de visão, o diabetes é fator de extrema relevância, e que, segundo o especialista, “virou epidemia, em função da má alimentação e do sedentarismo”, características do estilo de vida atual.

Mas existem outras causas que prejudicam a saúde dos olhos, como degeneração macular relacionada à idade, obstruções dos vasos da retina e glaucoma. Todas doenças que, se identificadas a tempo, podem ser controladas com o tratamento. Especialmente ao se levar em conta as avançadas pesquisas científicas e as surpreendentes inovações tecnológicas para o setor, que estão permitindo resultados mais favoráveis e menor risco de progressão para a cegueira.

Entre as mais importantes alternativas, um tratamento revolucionário com medicamento aplicado dentro do olho. “É um procedimento rápido, seguro, indolor, feito com injeção”, explica Paulo Mello, referindo-se ao Ozurdex ®, um implante intravítreo de dexametasona, indicado para tratamento do edema da mácula após oclusão do ramo de veia retiniana ou de oclusão de veia retiniana central. É indicado para tratar de processos inflamatórios do fundo do olho.

Outra iniciativa fundamental é o Jetrea ®, um medicamento recém aprovado no Brasil, lançado agora durante o Retina 2015 e que permite tratamento até então somente possível com procedimento cirúrgico. “É uma nova e espetacular ferramenta para terapias da perda de visão grave, em pacientes com tração vitreomacular e com buraco de mácula inicial”, celebra o médico André Vieira Gomes, palestrante no evento e presidente da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (SBRV). Trata-se de uma enzima que, ao ser injetada, age diretamente na gelatina do olho – o vítreo –, ajudando a fechar o buraco macular, e reduzindo os sintomas causados pela tração vitreomacular.


Retinografia


Se os medicamentos superam expectativas com seus resultados, as máquinas atualmente disponíveis também se tornam essenciais. “Temos ao nosso dispor equipamentos que permitem a fotografia da retina num ângulo muito grande, e também capazes de realizar tomografia com alta resolução”, comemora André Gomes. O oftalmologista cita os aparelhos de retinografia e de angiografia como essenciais para os diagnósticos cada vez mais precisos, com uma elevada definição de imagens digitais – o que facilita amplamente os procedimentos médicos necessários.

“Já podemos contar com uma série de computadores de alta performance e com instrumentos que nos permitem atuar de forma mais impactante. São uma nova geração de equipamentos, inclusive microscópios, utilizados para a melhora dos resultados cirúrgicos”, enfatiza André Gomes que também é professor na USP (Universidade de São Paulo).

Ele exalta a importância da reunião científica para disseminar conhecimento, com debates dinâmicos e acompanhados por apresentações imponentes – como aconteceu agora, durante o Retina 2015. “Conseguimos realizar um evento com extrema organização, sofisticado, e de grande importância”, finaliza o oftalmologista, revelando a enorme satisfação de ver a Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo como a terceira melhor organização do setor no mundo – ficando atrás apenas para a americana ASRS (American Society of Retina Specialists) e a europeia Euretina (European Society of Retina Specialists).


fonte: http://paranashop.com.br/

 

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[24.Abr.2015]
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Cego e duplo amputado plantam 10 mil árvores

Correio da Manhã

18.04.2015

 

Dupla de homens chineses tem história comovente: Um é cego, o outro não tem os dois braços. No entanto, nada disso os deixa inválidos. Em dez anos, plantaram juntos 10 mil árvores para proteger a comunidade onde vivem das cheias.

Estes dois homens, Jia Haixia e Jia Wenqi, amigos desde a infância, complementam-se um ao outro de forma perfeita ao trabalharem, enquanto são os olhos e os braços de cada um.

Há 13 anos que os dois fazem no seu dia-a-dia uma caminhada para um terreno de oito hectares na China rural. Usam um martelo e uma vara metálica e plantam o máximo de árvores possível. A forma como trabalham em equipa faz com que consigam plantar mais do que seria normal.

"Eu sou as mãos dele, ele é os meus olhos", afirma Haixia. "Fazemos uma boa equipa", acrescenta o homem de 54 anos que perdeu a visão em 2000 depois de um acidente fabril. Wenqi teve os seus braços amputados aos três anos de idade quando tocou num cabo elétrico desprotegido e sofreu um choque elétrico de alta voltagem.


 

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[18.Abr.2015]
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NetFlix começa a exibir filmes e séries
em versões para cegos

abril de 2015
 

No Netflix tem trabalhado bastante para melhorar continuamente a experiência dos nossos usuários ao assistir a filmes e shows, incluindo o fornecimento de um conteúdo mais acessível para pessoas com deficiência em todos os seus dispositivos. Com o sucesso estonteante de Demolidor, que narra a história de um herói cego, a empresa decidiu que iria expandir o seu repertório para deficientes visuais, adicionando áudio-descrições em determinados títulos, a começar pela aclamada série do herói da Marvel.

A áudio-descrição é uma faixa de narração que descreve o que está acontecendo na tela, incluindo ações físicas, expressões faciais, figurinos, cenários e mudanças de cena. Os usuários poderão escolher narração de áudio, como quem escolhe a trilha sonora em um idioma diferente.

Nas próximas semanas, mais títulos serão adicionados, incluindo as temporadas atuais e anteriores de House of Cards, Orange is the New Black, Unbreakable Kimmy Schmidt e da série aventura épica Marco Polo. O Netflix está ativamente empenhado em aumentar o número de traduções de filmes e séries para áudio-descrição, especialmente em outros idiomas no futuro.

A jogada é uma excelente ideia por parte do serviço de streaming, e ela não poderia ter chegado em melhor hora.
 

publicado por MJA 
[16.Abr.2015]
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VII Jornadas Científico-Técnicas da ASPREH

"O IMPACTO DA TECNOLOGIA NA REABILITAÇÃO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL"

17, 18 e 19 Abril 2015
 

A Associação de Profissionais de Reabilitação de Pessoas com Deficiência Visual (ASPREH), em colaboração com a Universidade do Minho, com a Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, a Área Metropolitana do Porto e o Lions Clube Internacional, convidam-no(a) para as VII Jornadas Científico-Técnicas da ASPREH 2015, que terão lugar nos dias 17, 18 e 19 de abril de 2015.

Local:
Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
Rua Dr. Plácido Costa, 91 – 4200.450 Porto

Programa:

17 Abril | 2015
16:00 – 20:00 Realização de 5 cursos de formação acreditados pelo Conselho Científico-Pedagógico de Formação Contínua de Professores de 12 horas (0,48 créditos), limitado a 25-30 participantes/curso.

Cursos de Formação:
“A comunicação com pessoas surdocegas”
“A utilização da tecnologia de consumo como ajuda visual”
“Determinação de parâmetros críticos da leitura”
“Tecnologia adaptativa em Orientação e Mobilidade” (VAGAS PREENCHIDAS)
“Conteúdos digitais acessíveis: powerpoint, word, html e ePub. O que há de comum e o que os distingue?”


18 Abril | 2015
10:00 – 12:00 Assembleia de sócios da ASPREH
13:00 – 14:00 Receção aos participantes e entrega da documentação
14:00 – 14:30 Cerimónia de abertura
14:30 – 16:30 Mesa 1: Paradigmas da tecnologia moderna
– Ramón Hirujo (ASPREH) Viabilidade dos implantes retinais
– Jorge Fernandes (Fundação para a Ciência e a Tecnologia) O potencial dos acervos bibliográficos digitais para as pessoas com incapacidade para ler ou manusear material impresso
– Paulo Rocha (Hospital de São João) Sistemas de ampliação
16:30 – 17:00 Intervalo para café
17:00 – 19:00 Mesa 2: Contextos e limites da oftalmologia
– Amândio Rocha-Sousa (Hospital de São João) Percursos e recursos das Deficiências Visuais
– Cristina Freitas (Hospital de Braga) Prognóstico das causas mais comuns das deficiências visuais
– Vasco Miranda (Hospital de Santo António) Compreender a Baixa Visão em Idade Pediátrica
19:00 Encerramento dos trabalhos
19:30 – 22:30 Jantar turístico

19 Abril | 2015
08:30 Abertura do secretariado
09:00 – 10:30 Mesa 3: Suportes tecnológicos à mobilidade
– Benito Codina (Universid de La Laguna) Programa de voluntariado universitário em habilidades de deslocação “Mira por mis Ojos”
– Joaquin Herrera (ASPREH) Aplicações e dispositivos como ajudas na deslocação das pessoas cegas
– Mário Sequeira (RTP) Ver a RTP, Ouvindo
10:30 – 11:00 Intervalo para café
11:00 – 12:30 Mesa 4: Tecnologia como fator de inclusão
– António Filipe Macedo (Universidade de Minho) Aspetos psicofísicos da leitura
– Begoña Coco (Facultad de Ciencias de la Salud de la UEMC) Fatores preditivos do êxito de um programa de reabilitação visual na leitura para pacientes com limitações no campo central
– Carlos Mourão Pereira (KU Leuven) Invisibilidade: consciência multi-sensorial inclusiva
12:30 – 13:30 Comunicações livres
13:30 Cerimónia de encerramento


Informações adicionais e inscrição em:
https://aspreh2015.wordpress.com/

 

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[16.Abr.2015]
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Miguel Seabra vence Grande Prémio Bial
de Medicina por trabalho sobre cegueira

Público

Nicolau Ferreira

08/04/2015
 

Investigação nas últimas duas décadas sobre a coroideremia, responsável por 4% dos casos de cegueira no mundo, dá ao presidente demissionário da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e a sua equipa prémio de 200.000 euros.

É uma doença genética rara, afecta principalmente os homens e os primeiros sinais surgem logo na infância, com a perda da visão nocturna. Depois dos 50 anos, as pessoas estão praticamente cegas. Nos últimos 20 anos, Miguel Seabra, presidente demissionário da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), e a sua equipa dedicaram-se a estudar a coroideremia, que causa uma degeneração da retina. Além de descobrirem a sua causa, ajudaram a desenvolver uma terapia genética que está actualmente a ser testada e tem tido bons resultados. Por estes avanços, o cientista é distinguido esta quarta-feira com o Grande Prémio Bial de Medicina 2014, no valor de 200.000 euros.

A cerimónia de entrega tem lugar na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Além de Miguel Seabra, que chefia o grupo da unidade de Mecanismos Moleculares da Doença, no Centro de Investigação de Doenças Crónicas (CEDOC), em Lisboa, a candidatura inclui as investigadoras Tatiana Tolmacheva, do Imperial College de Londres, no Reino Unido, Sara Maia e Cristiana Pires, ambas do CEDOC.

“[O prémio] representa o reconhecimento científico do trabalho efectuado ao mais alto nível, dado o [seu] prestígio”, considera Miguel Seabra, numa resposta dada ao PÚBLICO por escrito na terça-feira. O investigador começou a trabalhar neste tema há quase 25 anos, primeiro nos Estados Unidos e depois no Imperial College.

Na altura, sabia-se pouco sobre a doença, responsável por 4% dos casos de pessoas cegas a nível mundial e que surge numa em cada 50.000 pessoas. “Conheciam-se as manifestações clínicas, sabia-se que se tratava de uma doença genética, transmitida através do cromossoma sexual feminino X”, conta Miguel Seabra. Em 1992, deu-se o primeiro passo. “Descobrimos que os doentes não têm a proteína REP-1, produzida a partir do gene CHM, cujas mutações causam a coroideremia. A falta de REP-1 nas células da retina impede-as de transportar de um modo eficiente os nutrientes necessários e de excretar os produtos tóxicos. As células acabam por morrer, resultando em cegueira para o indivíduo.”

Estes resultados permitiram desenvolver um diagnóstico da doença e uma terapia genética que introduz o gene activo nas células da retina. Os resultados dos primeiros ensaios clínicos, em 2014, foram positivos. “Todos os olhos [dos doentes] injectados tiveram melhorias ou a estabilização da visão”, explica o investigador, referindo que, se os ensaios clínicos futuros tiverem resultados semelhantes, “a terapia pode ser oferecida a todos os doentes”.

Esta é a 16ª edição do prémio bienal do grupo farmacêutico português para “incentivar a investigação médica e promover a divulgação”, segundo a instituição. Além do grande prémio, o Prémio Bial de Medicina Clínica 2014, de um montante de 100.000 euros, foi atribuído a uma equipa liderada por Jorge Polónia, médico e investigador da Universidade do Porto, sobre o impacto do sal na saúde dos portugueses.

Houve ainda duas menções honrosas, no valor de 10.000 euros cada. Uma atribuída à equipa de Tiago Bilhim, da Universidade Nova de Lisboa, por uma técnica pouco invasiva para tratar a hiperplasia benigna da próstata, o tumor benigno mais frequente nos homens com mais de 60 anos. A outra foi dada à equipa de José Castillo, da Universidade de Santiago de Compostela (Espanha), pelo desenvolvimento de uma terapêutica que permite minimizar as lesões provocadas pela morte de células do cérebro em caso de AVC ou de doenças neurodegenerativas. Com Ana Gerschenfeld.
 

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[8.Abr.2015]
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Cientistas desenvolvem lentes de contacto telescópicas

Observador

19/3/2015
 

Uma equipa de cientistas em Lausana, na Suíça, desenvolveu lentes de contacto inteligentes que através de um tecnologia telescópica permitem ampliar a visão cerca de 3 vezes.

Uma equipa de cientistas da Escola Politécnica Federal de Lausana (EPFL), na Suíça, está a desenvolver lentes de contacto inteligentes com uma tecnologia telescópica, capazes de ampliar a visão cerca de três vezes e destinadas a melhorar a visão de quem sofre de degeneração macular relacionada com a idade (AMD), diz a CNN.

Uma fina camada telescópica feita de espelhos e filtros será incorporada nas lentes com cerca de 1.55 milímetros de espessura. Desta forma, quando a luz entra no olho, é projetada nos vários espelhos, permitindo aumentar a visão. O design das lentes é baseado num ‘telescópio’ atualmente implementável na retina de pacientes de AMD, um tipo de tratamento mais invasivo que as lentes.

A degeneração macular relacionada com a idade (AMD) é uma doença que provoca a perda de visão central, devido ao dano gradual da retina e é a terceira principal causa de cegueira do mundo. A “AMD é o maior problema onde a magnificação é uma ajuda visual comprovada”, afirma Eric Tremblay, cientista no EPFL, na Suíça, segundo a CNN.

Com um par de óculos complementar às lentes, os pacientes poderão fazer a transição entre visão ‘regular’ e ‘ampliada’, através de uma tecnologia LCD incorporada nos óculos. O mecanismo regista o movimento do olho e literalmente “num piscar de olhos”, é possível alterar a polarização das lentes, permitindo ampliar o campo de visão.

O mais recente protótipo das lentes foi revelado pela equipa em fevereiro, mais ainda está a ser trabalhado pela equipa.
 

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[6.Abr.2015]
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Bizarro: seres humanos com visão noturna

30.03.2015

Hype science
 

Uma equipe de biohackers da Califórnia conseguiu com sucesso uma sensação temporária de visão noturna através da injeção de um simples coquetel químico diretamente no olho. Incrivelmente, a solução lhes permitiu ver quase 50 metros no escuro por um breve período de tempo.

O grupo, chamado de Ciência para as Massas, queria ver se uma espécie de clorofila química – clorina e6 (ou CE6) – criaria o efeito esperado. Esta mistura química é encontrada em alguns peixes de águas profundas e muitas vezes usada para tratar o câncer e a cegueira noturna.

Em 2012, uma mistura que, quando absorvida pela retina, agiria para induzir a visão noturna foi patenteada. Ela daria a capacidade de ver objetos próximos em condições de pouca luz.

Os detentores da patente alegaram que a substância era segura para uso no tratamento de uma condição conhecida como cegueira noturna, mas também para melhorar a visão noturna em pessoas saudáveis. Os hackers do Ciência para as Massas basicamente usaram esta mesma fórmula, mas criaram a sua própria mistura através da adição de insulina e dimetilsulfóxido (o que aumenta a permeabilidade) à solução salina (normalmente, apenas insulina é usada em conjunto com CE6 e a solução salina). O composto funciona influenciando as hastes sensíveis à luz da retina a trabalharem no escuro.

O bioquímico Gabriel Licina se ofereceu para ser a cobaia. 50 microlitros de CE6 foram injetados nos seus olhos. “Para mim, foi um rápido borrão preto-esverdeado em toda a minha visão, e em seguida, se dissolveu em meus olhos”, conta Licina.

E então eles esperaram. Os efeitos deveriam começar a funcionar dentro de uma hora. Após este tempo, eles foram para um campo escuro e testaram os novos superpoderes de Licina.

E funcionou. Tudo começou com formas, penduradas a cerca de 10 metros de distância. Em pouco tempo, eles foram capazes de aumentar as distâncias, e Licina ainda reconheceu símbolos e identificou objetos em movimento.

“Em outro teste, colocamos pessoas de pé numa floresta”, diz ele. “A 50 metros, poderíamos descobrir onde elas estavam”. Licina teve uma taxa de sucesso de 100%. O grupo de controle, que não foi dosado com CE6, só acertou em um terço das vezes.
•Rato é primeiro animal a ganhar sexto sentido biônico: visão noturna

O aumento da amplificação de luz pode ter efeitos adversos sobre a estrutura celular do olho se usado ​​de forma inadequada, e alguns dos materiais utilizados nesta mistura não devem ser administrados em seres humanos ou animais. Os autores afirmam que o objetivo do estudo foi “apenas para fins informativos e de investigação”.

Há muitas aplicações possíveis. Além de tratar doenças, a CE6 poderia ser usada para melhorar a visão noturna em soldados, patrulheiros noturnos, policiais, motoristas, trabalhadores de fábrica e qualquer outra pessoa envolvida em trabalho, viagens e diversão depois que o sol se põe.
 

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[31.Mar.2015]
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Projecto português cria plataforma digital
móvel para dar mais autonomia a cegos

Público

RITA NETO

30/03/2015

 

Plataforma CE4BLIND pretende ajudar à leitura de textos, ementas de restaurantes ou ao reconhecimento de embalagens alimentares.

O Inesc Tec - Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores - Tecnologia e Ciência (Inesc Tec) do Porto, juntamente com a Universidade do Texas e a Acapo — Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal, está a desenvolver uma plataforma digital móvel para garantir uma maior autonomia dos invisuais nas suas actividades diárias.

A plataforma CE4BLIND pretende tirar partido dos últimos avanços tecnológicos ao nível dos dispositivos móveis e câmaras miniaturizadas, permitindo aos cegos e às pessoas com capacidade de visão reduzida mais facilidades nas actividades quotidianas.

João Barroso, investigador do Inesc Tec e responsável pelo projecto, explica que com a CE4BLIND será possível "a leitura automática de texto de livros, revistas, ementas de restaurantes ou o reconhecimento de embalagens alimentares", tudo com "recurso a técnicas de visão por computador". No projecto vão ainda ser exploradas novas formas de interpretação de dados 3D de objectos estáticos e em movimento, o que irá permitir uma melhor percepção do mundo real.

Actualmente existem diversos meios adaptados às necessidades das pessoas cegas e/ou com capacidade de visão reduzida, desde smartphones, que possibilitam o reconhecimento de objectos através de uma fotografia, a tablets com teclados braille.

A plataforma em desenvolvimento será concebida de forma a não ser necessário alterar as rotina dos invisuais, através de uma interface natural, e será usada por um grupo de utilizadores de uma forma adaptada às suas características e limitações.

No âmbito da parceria, a Universidade do Texas, em Austin, Estados Unidos, fica responsável pela ligação do projecto às empresas e pela colocação no mercado de produtos inovadores na área de apoio aos cidadãos com necessidades especiais. Já a Acapo vai disponibilizar recursos humanos para a realização de testes extensivos com a plataforma.

O projecto CE4BLIND é o mais recente na área. Em 2008 surgiu o projecto SmartVision, que fornecia ao utilizador invisual instruções para chegar a um determinado destino. Seguiu-se o Blavigator, onde se desenvolveu uma bengala electrónica que sinaliza obstáculos.

Texto editado por Cláudia Bancaleiro

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[30.Mar.2015]
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Com a revolução digital, “os dedos passaram
a ser os olhos” de quem não vê

Público

ANDREIA SANCHES

27/03/2015
 

Acapo assinala 25 anos e faz o balanço do que mudou na vida de quem tem deficiência visual. Mas “ainda há muito trabalho a concretizar da parte de quem programa e disponibiliza serviços online”.

Quando começou a estudar, Ana Sofia Antunes usava uma máquina de braille, “com um professor de apoio, no ensino básico, que raramente aparecia”. Na faculdade, começou por andar com um gravador às costas, gravava as aulas, como tinham de fazer todas as pessoas com deficiência visual como ela, e ouvia em casa, onde escrevia em braille os apontamentos. “Nessa altura, tinha um telemóvel, um tijolo, que tinha teclas mas que não tinha nenhum sistema de voz — que permitisse ler SMS ou responder. Só podia receber e fazer chamadas. E todos os números para os quais queria ligar tinham de estar decorados na minha cabeça.” No 2.º ano da universidade, os pais gastaram uma fortuna para que tivesse um computador portátil. Adquirir tecnologia adaptada era caríssimo. Não foi assim há tanto tempo. E, no entanto, de lá para cá aconteceu uma “verdadeira revolução”.

O balanço é feito por Ana Sofia Antunes, 33 anos, formada em Direito, presidente da direcção nacional da Acapo — Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal, a propósito dos 25 anos da associação. Actualmente, existem múltiplas aplicações que contribuem para a autonomia “e consequente integração das pessoas com deficiência visual” na sociedade. “Hoje tenho um iPhone com o qual escrevo mensagens. Posso pegar nele e consultar a meteorologia, posso, com ele, fazer o reconhecimento de um objecto — quando vou à dispensa, lá em casa, se não consigo distinguir dois produtos porque as caixas são iguais, fotografo-as e peço ao iPhone para fazer o reconhecimento do objecto e ele vai dizer-me se a caixa é de salsichas ou cogumelos...”

Há aplicações para smartphones que informam em alta voz, mal se aponta para uma nota, se ela é de 5 euros, 20 ou 50; que “dizem” qual a cor da camisola que está pendurada no guarda-fatos; que “lêem” rótulos de embalagens e outras que lêem livros e jornais; que mostram a localização de um hospital, através de programas de GPS adaptados a cegos e a pessoas com baixa visão. Ana Sofia já não tem que decorar números de telefone, porque eles estão gravados, numa lista que lhe é acessível. “São muitos os ganhos”, diz, explicando que hoje, o trabalho da Acapo também passa muito por promover workshops aos seus associados sobre a utilização das novas tecnologias. “Mas mesmo no âmbito da tecnologia, ainda há muitas barreiras que persistem”, lamenta.

De tudo isto se falou nesta sexta-feira, em Lisboa, num encontro promovido pela Acapo com jornalistas, a propósito dos 25 anos da associação — a escritura de constituição da Acapo tem a data de 20 de Outubro de 1989, mas foi a 3 de Março de 1990 que tomaram posse os primeiros órgãos nacionais. As celebrações do aniversário prosseguem até ao próximo mês de Outubro.

“Estão a acontecer coisas revolucionárias”, segundo Jorge Fernandes, do departamento para a sociedade da informação da Faculdade de Ciências e Tecnologia, também presente no encontro desta sexta-feira. Uma das mais recentes é esta: os tablets passaram a trazer de raiz teclados braille. Fernandes exemplificou como se faz: ao tocar no ecrã, o software identifica e posiciona automaticamente as teclas por debaixo dos dedos (são seis as que compõem o caracter em braille). Um sistema de voz vai informado que caracteres estão a ser criados com a combinação escolhida por Jorge Fernandes: “J” — ouve-se. “O”, “R”, “G” “E”. Resume o especialista: “Os dedos passaram a ser os meus olhos.”

“Ainda há muito trabalho a concretizar da parte de quem programa e disponibiliza informação e serviços online”, diz a presidente da direcção nacional. Desde logo, num tempo em que tudo está em constante mudança, é preciso que a preocupação com a acessibilidade acompanhe o ritmo. “Temos muitas vezes muitos dissabores porque, por vezes, um site de informação que até já foi acessível introduz uma mudança de design qualquer ou uma nova funcionalidade e, por um passo simples, a acessibilidade que até existia para pessoas com deficiência visual perde-se.”

Outro exemplo referido: as máquinas de bilhetes no Metro de Lisboa deixaram de ser acessíveis para cegos depois das últimas alterações introduzidas. Restam as bilheteiras físicas que nem sempre estão abertas. “É uma pena, porque não era assim”, diz Graça Gerardo, vice-presidente da direcção nacional.

O acesso aos livros é outra preocupação da Acapo. Alguns sites de algumas editoras estão preparados para que cegos possam comprar livros, mas não para que os possam ler — o que obriga à solução arcaica de “scannear” os livros para que possam ser sujeitos a um programa de reconhecimento de texto. A Acapo alerta ainda para a necessidade de Portugal “ratificar o Tratado de Marraquexe”, que visa facilitar a transcrição de livros em formatos acessíveis (braille, áudio, etc.) e o seu intercâmbio entre diferentes países, “aumentando assim, exponencialmente, a bibliografia para pessoas com deficiência visual”.

 

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[28.Mar.2015]
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Cegos não conseguem abrir contas
em bancos, denuncia a Acapo

ANDREIA SANCHES

27/03/2015

Público
 

“Para os bancos nacionais todos os cegos estão interditos", diz a Acapo. Banco de Portugal diz que está disponível para com a Acapo, ou qualquer outra associação, fazer a análise da situação e resolver eventuais problemas.

São cada vez mais as queixas de associados da Acapo — Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal “que se vêem impedidos de celebrar contratos de abertura de conta bancária e outros”. A denúncia foi feita nesta sexta-feira, pela direcção nacional da associação, num encontro com jornalistas, em Lisboa.

A associação diz mesmo que vai “recorrer aos meios judiciais que tem ao seu dispor para proteger os seus associados” contra o que considera ser uma prática discriminatória.

“Os bancos recusam que uma pessoa cega abra uma conta”, diz na Ana Sofia Antunes, presidente da direcção nacional da Acapo. Alegam que não conseguem garantir que essa pessoa tome conhecimento do conteúdo dos documentos que lhe são dados a assinar e que as pessoas cegas não sabem ler. “Mas as pessoas sabem ler e sabem escrever, só que não é com o código utilizado pelas pessoas que estão nos bancos”, prossegue.

A actuação dos bancos, pelo menos de alguns, estará relacionada, segundo Ana Sofia Antunes, com novas orientações, emitidas recentemente, do Banco de Portugal (BdP). Contactado pelo PÚBLICO o BdP faz saber através do gabinete de comunicação que "está inteiramente disponível para, em conjunto com a ACAPO e/ou com qualquer outra associação similar, analisar a situação relatada e, sendo o caso, adotar as medidas necessárias tendentes à sua eliminação".

Acrescenta contudo a seguinte nota: "No que se refere às normas regulamentares do Banco de Portugal sobre prevenção do branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo (Aviso nº 5/2013, de 18 de Dezembro) e, em particular, aos requisitos ali previstos para abertura de contas bancárias, julgamos não preverem as mesmas quaisquer procedimentos que possam inibir ou dificultar o relacionamento das instituições de crédito com as pessoas portadoras de deficiência visual."

A Acapo conta outra realidade, onde as dificuldades estão bem presentes. “As pessoas cegas sabem ler e são os bancos que não disponibilizam formas de aceder aos conteúdos, nomeadamente em formato electrónico, nem tão pouco autorizam os seus funcionários a fazer uma leitura presencial” dos documentos, diz a dirigente da Acapo.

“Os bancos exigem a presença de notário ou advogado para reconhecimento presencial de assinaturas e termo de autenticação dos documentos assinados pelas pessoas cegas, o que acarreta custos que os particulares têm de suportar.”

Nalguns casos, prossegue a Acapo, exige-se uma “assinatura a rogo” — ou seja, alguém assina pela pessoa com deficiência visual, perante notário. Isto, “mesmo quando as pessoas cegas sabem assinar”.

Na prática, diz a Acapo, aplica-se às pessoas cegas o regime de interdição previsto no Código Civil — que diz no seu artigo 138 que

“podem ser interditos do exercício dos seus direitos todos aqueles que por anomalia psíquica, surdez-mudez ou cegueira se mostrem incapazes de governar suas pessoas e bens”. Em suma: “Para os bancos nacionais todos os cegos estão interditos.”

Para a Acapo, isto viola o direito internacional e nacional, nomeadamente a Convenção sobre os direitos das Pessoas com Deficiência e a Constituição da República Portuguesa.
 

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[27.Mar.2015]
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‘Aos olhos de um cego’ & 'Feche os olhos para ver melhor'

- livros de Sérgio Sá - 

 

Aos olhos de um cego:
Inclusão e convivência com o deficiente visual
Sérgio Sá


‘Aos olhos de um cego’ o mundo pode ser rico de sons, sabores, toques e aromas. Reconhecer o sentido desses sentidos é educar-se para uma nova e expressiva forma de viver. Sérgio Sá, cego de nascença, propõe aos que convivem com um deficiente visual – e mais especialmente aos pais e educadores – uma abordagem sinestésica do mundo, na qual cada sentido tem o seu papel e seu grau de importância para uma educação integral. São orientações para o dia a dia de quem vê ou de quem não vê, das quais ambos podem retirar boas lições de convivência.


FECHE OS OLHOS PARA VER MELHOR
Os limites dos sentidos e os sentidos dos limites
Sérgio Sá

O desenvolvimento de nossos próprios sentidos e a descoberta de novos limites para suas expansões, é a proposta central que apresenta este livro de Sérgio Sá. São reflexões e relatos de experiências vividas pelo autor, em um depoimento sensível e tocante sobre sua condição de deficiente visual e sua relação com o mundo.

Cego de nascença, Sérgio teve sua sensibilidade trabalhada com cuidado e carinho, esculpida por uma família atenta e preocupada em “adequá-lo” à vida numa sociedade tão preconceituosa quanto repressora. O fio condutor da obra está na sugestão que o autor nos faz para que criemos novas maneiras de ver, ouvir, sentir, lidar com o mundo. Para isso, devemos reavaliar o potencial de nossos recursos físicos – tato, audição, olfato e paladar -, mentais e espirituais – nossa capacidade de perdoar, de compreender, de julgar sem condenar.

Temas como a integração social do deficiente físico, a supervalorização da imagem nos dias atuais, conflitos entre individualismo e auto-estima se apresentam de maneira simples e instigante: “A cultura da imagem, tão forte, capaz de anestesiar os sentidos, (…) leva-nos a renunciar a multiplicidade. Agora sei que não é preciso apenas ver para crer; podemos também ouvir para acreditar, cheirar para compreender, sentir o paladar para aprender, tocar para interagir!”


+ sobre Sérgio Sá
 

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[23.Mar.2015]
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VER PELA ARTE – Audição da Páscoa


No próximo dia 26 de março, 5ª feira, às 19h00, na Galeria Fernando Pessoa, no Centro Nacional de Cultura, o Coro do projeto Ver pela Arte, constituído por crianças, jovens e adultos com deficiência visual na sua maioria, apresenta a Audição da Páscoa.

O programa Ver pela Arte, coordenado pelo Centro Nacional de Cultura, tem como objetivos a aprendizagem de música por alunos com deficiência visual abrindo, ao mesmo tempo, caminho a que o ensino da música a deficientes visuais seja apoiado e impulsionado nas escolas do país.

Lançado no presente ano letivo, este projeto-piloto é apoiado pelo programa CIDADANIA ATIVA, conta com a parceria da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) e o apoio da Faculdade de Motricidade Humana.

As aulas decorrem na Escola de Música de Nossa Senhora do Cabo, em Linda-a-Velha e participam crianças a partir dos 6 anos, jovens e adultos com deficiência visual.

O projeto abrange Formação Musical, Cultura Musical, História da Música e Cultura das Artes, instrumento, Musicografia Braille, Estágio coral em formato de workshop integrado na disciplina de Coro e desenvolvimento de competências psicomotoras para a aprendizagem da Música.

Sendo a música uma arte acessível a todos, esta iniciativa incita à partilha plena destes alunos com colegas de visão normal, promove competências sociais potenciadoras de uma cidadania plena e consciente e atenua desigualdades no acesso à informação e à cultura.

As mais-valias desta iniciativa incluem ainda a criação de uma biblioteca de partituras em braille e de um Manual de Boas Práticas nesta área.

A entrada é livre e faz-se pelo Largo do Picadeiro, nº 10, 1º andar.
 

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[22.Mar.2015]
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Tens entre 15 e 17 anos e gostarias de
melhorar os teus conhecimentos de inglês?


A ONCE – Organização Nacional de Cegos Espanhóis – vai, uma vez mais, proporcionar aos jovens associados efetivos da ACAPO a frequência gratuita num curso intensivo de inglês no Centro de Recursos Educativos da organização espanhola, em Pontevedra (Espanha).

O curso, com uma carga letiva de 60 horas, irá decorrer entre 27 de julho e 7 de agosto. Os interessados em apresentar a sua candidatura devem respeitar quatro pré-requisitos:

  • ter entre 15 e 17 anos, durante o período do curso;

  • possuir um nível intermédio/intermédioalto de língua inglesa;

  • dispor de um domínio suficiente de leitura e escrita emBraille, tinta ou informática; e

  • apresentar adequadas técnicas de orientação e mobilidade.

A seleção do candidato será efetuada mediante o seu desempenho numa prova, oral e escrita, que permitirá avaliar os conhecimentos de inglês. Para obter informações adicionais ou para apresentar a sua candidatura contacte o Departamento de Relações Internacionais através do telefone 213 244 528 ou do e-mail relacoesinternacionais@acapo.pt.

O período de inscrições decorre até ao dia 27 de março.
 

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[22.Mar.2015]
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O código que pode tratar a cegueira
 

Escrito por Redação Portogente

 

Enxergar cores e formas é uma habilidade que muitos perdem em consequência, por exemplo, de doenças degenerativas, diabetes e ou acidentes. De acordo com a Sociedade Brasileira de Oftalmologia, estima-se que existam 37 milhões de cegos no mundo. Como o anúncio de um milagre, matéria publica no site da BBC anuncia que está próximo o fim da cegueira. Vejamos do que se trata. Enquanto você olha para esta página, seus olhos fazem coisas interessantes.

A corrente de luz a partir das palavras e imagens está saltando no globo ocular e caindo sobre células fotorreceptoras na retina. Esta informação visual é repassada para as células de saída e, em seguida, transmitida para o cérebro como uma espécie de código, onde é reconstruído para fazer a composição das letras nesta frase que você está lendo agora.

Doenças degenerativas dos olhos, no entanto, podem causar estragos sobre este processo, diz a neurocientista Sheila Nirenberg, do Weill Medical College da Universidade de Cornell, Nova Iorque, EUA. Quando elas danificam a retina, a imagem na frente de você nesse processo nunca fica mais longe do que o globo ocular; a cadeia está quebrada.

Isso é o que faz com que a tecnologia que Nirenberg construiu seja bastante notável. Ela encontrou uma maneira de transmitir um código visual diretamente para o cérebro, ignorando as células danificadas no olho. Em outras palavras, ela pode ajudar os cegos a ver.


in bbc.com/

 

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[21.Mar.2015]
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Movimento "Mais para Todos" vai ajudar 16 mil pessoas

Público

Adriana Neves

18/03/2015

 

O movimento de responsabilidade social "Mais para Todos" conseguiu angariar mais de um milhão de euros e anunciou esta quarta-feira os projectos vencedores.

Deficiência Visual:
Em Castelo Branco, a proposta Campanha ABC da Deficiência Visual, da Associação de Cegos e Amblíope, pretende promover e dinamizar, junto da comunidade escolar, campanhas de divulgação sobre a deficiência visual. Com esta iniciativa, espera-se que todos os jovens passem a compreender a colaborar mais com os colegas cegos.

 

publicado por MJA 
[20.Mar.2015]
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‘Do que sinto mais falta é da escuridão’

Damon Rose

Da BBC News

02/03/2015



Damon Rose é um jornalista da BBC que  perdeu a visão na infância e, hoje, vê luzes coloridas a todo momento. "Do que sinto mais falta é da escuridão", afirma.

"As pessoas normalmente acham que as pessoas cegas vivem em uma escuridão completa, mas na minha experiência isso está longe da ser verdade.

Eu acho que isso vai soar estranho vindo de uma pessoa que não enxerga, mas quando as pessoas me perguntam o que eu mais sinto, a minha resposta é sempre "escuridão".

Deixe-me explicar. Eu pertenço a um grupo muito pequeno de pessoas que não têm visão alguma. Sou de fato cego. Sou um "total", como costumávamos dizer na escola.

Eu perdi minha visão há 31 anos, graças a uma cirurgia mal feita, e no certificado de registro da deficiência há três letras, hoje desbotadas, NLP - ausência de percepção luminosa, na sigla em inglês.

O pressuposto lógico é que, quando a visão é extinta, a pessoa fica na escuridão. Se você mergulhar debaixo dos cobertores na cama você não vê nada. Se fechar os olhos, tudo fica preto. Então cegueira significa escuridão? Faz sentido, certo? Aparentemente, não.

Embora eu tenha tido a ligação entre meus olhos e meu cérebro cortada, o mundo não ficou preto. Todas as metáforas, analogias e floreios literários sobre cegueira e escuridão devem deixar de ser usados, porque eu estou dizendo que é longe de ser escuro. É exatamente o oposto.

O que substitui a visão colorida e 3D quando a perdemos? A resposta - pelo menos no meu caso - é luz. Muita luz. Brilhante, colorida, em constante mudança, muitas vezes perturbadora.

Nem sei como começar a explicar... Vou tentar. Agora eu estou vendo um fundo marrom escuro, na frente e no meio tem uma luminescência turquesa. Na verdade, acaba de mudar para verde ... agora está azul brilhante, com manchas amarelas, e tem um laranja ameaçando entrar e cobrir tudo.

O resto do meu campo de visão é ocupado por formas geométricas, rabiscos e nuvens que eu nunca conseguiria descrever - menos ainda antes que elas mudassem de novo. Daqui a uma hora, tudo estará diferente.

Se eu tentar bloquear toda essa distração, fechando meus olhos, não funciona. Isso nunca vai embora.

Tenho saudades daqueles momentos pacíficos de quase escuridão: caminhar durante a noite olhando para as luzes da rua, as sombras em uma sala com uma lareira acesa, ou viajar para casa tarde no carro do meu pai vendo olhos de gato brilhando no meio da estrada.

Para mim, escuro passou a significar calma, e como esses fogos de artifício "embutidos" na minha cabeça nunca vão embora, eu descrevo o que eu tenho como uma espécie de zumbido visual.

Quando fiquei cedo eu achava que as luzes coloridas eram um sinal de que meus olhos estavam tentando funcionar novamente. Isso me deu um pouco de esperança e eu fiquei completamente fascinado. Eu costumava sentar e ficar olhando para aquilo. Agora eu sei que é meu cérebro tentando compensar o fato de que ele não recebe mais nenhuma imagem.

Algumas pessoas de fé já tentaram me dizer que eu estou vendo a vida após a morte, e eu nunca sei como responder a isso. Mas o que eu nunca fui capaz de descobrir é se outras pessoas que não têm nenhuma percepção luminosa também veem o que eu vejo.

E, partindo do princípio de que enxergar completamente e dirigir um carro não são opções, eles também anseiam por um pouco de escuridão?"

fonte: GLOBO

publicado por MJA 
[2.Mar.2015]
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Olho biónico permite recuperar visão parcial

EuroNews
 

Chris James recuperou parte da visão, graças a um olho biónico. Este homem sofre de retinite pigmentosa, uma doença genética incurável. James é um dos pacientes que participou no ensaio clínico de um implante, conhecido como "olho biónico", realizado no Hospital John Radcliffe, em Oxford.

Através de uma operação, um chip foi implantado na cabeça do paciente. O chip, semelhante ao utilizado nas câmaras dos telemóveis, permite a conversão da luz que passa através dos olhos em impulsos elétricos, que o cérebro pode interpretar como imagens.

Para já, Chris pode apenas distinguir os contornos de objetos que estão a uma curta distância dos olhos, mas os médicos esperam que ele se adapte a uma nova informação sensorial e que seja, eventualmente, capaz de reconhecer rostos.

Já tinham sido feitas outras experiências com olhos biónicos, uma tecnologia que está a progredir rapidamente, dando uma nova esperança aos pacientes.
 

publicado por MJA 
[26.Fev.2015]
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Mulheres cegas detectam cancro
da mama antes de exame clínico

Abby D'Arcy

Da BBC News em Duisburg, Alemanha

23 fevereiro 2015


Exames para detectar câncer de mama estão sendo feitos por mulheres cegas na Alemanha. A ideia já existe há alguns anos, e uma pesquisa inédita sugere que pessoas cegas podem, de fato, detectar tumores mais cedo do que aquelas que enxergam.

Esta ideia simples, mas surpreendente, passou pela cabeça de um médico alemão uma manhã enquanto ele estava tomando banho: mulheres cegas poderiam fazer seu trabalho muito melhor do que ele?

"Três minutos é o tempo que eu tenho para fazer exames clínicos das mamas", diz o ginecologista baseado em Duisburg Frank Hoffmann. "Isso não é suficiente para encontrar pequenos nódulos no tecido mamário, o que é crucial para detectar o câncer de mama cedo."

Pessoas treinadas para ler em braille têm o tato altamente desenvolvido. Por isso, Hoffmann supôs que as mulheres cegas e com deficiência visual seriam mais qualificadas do que qualquer outra pessoa para realizar exames de mama em seus pacientes.

A evidência agora é inequívoca, diz ele. Em um estudo ainda não publicado, realizado com a Universidade de Essen, mulheres cegas conseguiram detectar quase um terço a mais de nódulos que outros ginecologistas.

Hoffmann treinou pessoas cegas para fazer exames

"Mulheres que fazem autoexame podem sentir tumores de 2 cm ou maiores", diz Hoffmann. "Os médicos costumam encontrar tumores entre um centímetro e dois centímetros, enquanto os examinadores cegos encontraram nódulos com tamanhos entre 6 mm e 8 mm. Isso faz uma diferença real. Esse é o tempo que um tumor leva para se espalhar pelo corpo."


Experiência
Na Alemanha e no Reino Unido, mamografias regulares são oferecidas apenas a mulheres com 50 anos ou mais - mas, em ambos os países, o câncer de mama é a maior causa de morte de mulheres entre 40 e 55 ano, e na Alemanha, a idade das mulheres afetadas está caindo.

Hoffmann diz que fundou sua organização, Discovering Hands, para salvar vidas pela detecção precoce. Ele desenvolveu um curso para treinar mulheres cegas para se tornarem examinadoras médicas táteis (MTEs, na sigla em inglês), e agora existem 17 trabalhando em clínicas em toda a Alemanha.

Uma delas, Filiz Demir, atende cerca de sete mulheres por dia, realizando exames que podem durar até 45 minutos - o que seria pouco usual para um ginecologista.

Há pouco mais de um ano, Demir trabalhava em uma agência de viagens. Mas, quando ela completou 35 anos, sua visão se deteriorou lentamente, e fazer seu trabalho tornou-se cada vez mais difícil. Ela pediu demissão e aprendeu braille, mas não conseguia sequer ser chamada para entrevistas de emprego.

"A cegueira era minha maior deficiência naquela época", diz ela. "Agora, minha deficiência tornou-se minha força. Eu não sou dependente de ninguém e posso ajudar os outros. É um ótimo sentimento."

Curiosa para saber como Demir e suas colegas trabalham, eu decidi fazer um exame.

Usando tiras de fita marcadas com coordenadas em braille, o MTE faz uma "grade" sobre o peito. Ela examina lentamente por esta grade de modo que possa indicar a localização precisa se encontrar um nódulo.

Demir faz uma análise detalhada, mas os 30 minutos passam voando. É um ambiente descontraído e relaxante, nem um pouco desconfortável e há ampla oportunidade de fazer perguntas.

Depois de sete meses neste trabalho, Demir claramente se mostra aliviada por ter encontrado principalmente tumores benignos. Apenas algumas semanas atrás ela encontrou o primeiro maligno, que a balançou um pouco.

Mas é a minha vez de ser pega de surpresa quando ela remove as tiras em Braille e cuidadosamente me diz que encontrou algo. Um nódulo de cada lado, na verdade. Se eu fosse uma paciente regular na clínica, eu teria ido para a próxima sala para um ultrassom. Infelizmente, tive de levar essa informação para meu ginecologista em Berlim, onde fui encaminhada para um ultrassom e uma mamografia.

Depois de algumas semanas de espera por uma consulta, o ultrassom finalmente ficou pronto e não mostrou nada. O radiologista me disse que não fazia sentido fazer uma mamografia - e sugeriu que o examinador provavelmente só sentiu um pouco das minhas costelas.

O conselho de Hoffmann em situações do tipo é repetir o exame com o MTE algumas semanas mais tarde, na primeira metade do ciclo menstrual. Se um nódulo ainda puder ser detectado "a mamografia faz sentido", diz ele.

É exatamente esse ciclo de check-ups que podem levar a alarmes falsos, angústia e cirurgias desnecessárias, de acordo com o professor Gerd Gigerenzer, diretor do Instituto Max Planck para o Desenvolvimento Humano.

"Conheço muitas mulheres que ficaram assustados com alarmes falsos. Algumas fizeram biópsia, que não mostrou nada, mas vivem suas vidas de mamografia em mamografia."

Há pouco consenso sobre os benefícios dos programas de detecção de câncer de mama e se exames regulares realmente salvam vidas. Gigerenzer adverte explicitamente contra eles, e não se anima com a ideia de que agora é possível detectar nódulos menores.

Especialistas alertam que detecção precoce pode descobrir cânceres clinicamente irrelevantes. "Quanto mais precisas forem as técnicas de diagnóstico, mais cânceres clinicamente irrelevantes serão detectados", diz ele. "Isto pode levar a cirurgias e radioterapias desnecessárias. Neste caso, a detecção precoce só prejudica."

O método Discovering Hands, segundo ele, está fora de julgamento até que a equipe possa fornecer provas que comprovem que a técnica de fato reduz a mortalidade. Um estudo sobre o assunto está previsto para ser concluído e publicado ainda este ano.

Paciente
Enquanto isso, uma das pacientes de Hoffmann, Heike Gothe, me diz que deve sua vida a uma dessas examinadoras. Ainda tendo que lidar com a morte prematura de seu marido por doença, Gothe assumiu o comando do negócio da família, uma pequena empresa de exportação internacional de sucesso. Mas não demorou muito para que ela recebesse seu próprio diagnóstico.

"Eu tinha sentido um caroço no meu seio direito e fui ver o médico", diz Gothe. "Eles confirmaram o que eu tinha encontrado e, em seguida detectaram um pequeno nódulo no lado esquerdo, com apenas 2 milímetros de tamanho. Ele nem sequer apareceu na ultrassonografia ou mamografia, apenas o MTE cego sentiu."

O encontro deste pequeno tumor pode ter salvado sua vida. Ambos os tumores foram diagnosticados como malignos, mas com quimioterapia e radioterapia, ela superou o câncer. Gothe é uma batalhadora, mas ela credita sua energia e positividade a estes exames feitos por um MTE a cada seis meses. Segundo Gothe, é assim que ela consegue dormir à noite e tocar seu negócio.

"O medo aparece de vez em quando", diz Gothe. "E só consigo lidar com isso porque sei que estou em boas mãos."

Algumas companhias de seguros alemães também estão convencidas. Seis delas agora cobrem os custos para os seus pacientes fazerem esses exames clínicos das mamas.

Enquanto novos MTES ocupam cargos permanentes em clínicas por toda a Alemanha e na Áustria, o fundador do Discovering Hands, Frank Hoffmann, está em negociações com Israel e Colômbia. Ele vê oportunidades ainda mais longe.

"Estou convencido", diz ele, "de que, especialmente em países que não são tecnicamente tão avançados como a Alemanha, este modelo poderia melhorar a qualidade de normas médicas muito dramaticamente."
 

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[24.Fev.2015]
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III SEMINÁRIO ONLINE DA ONCB - A INDEPENDÊNCIA E A AUTONOMIA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA VISUAL:
LOCOMOÇÃO, AUTOCONFIANÇA E PROTAGONISMO

28/03/2015 – Sábado


A independência e a autonomia das pessoas com deficiência visual foram historicamente abaladas e, em alguns momentos, inviabilizadas, por sociedades as quais relacionavam, equivocadamente, a falta da visão com a capacidade de ir e vir, viver e residir só e desenvolver outras ações da vida diária.

Consciente desse contexto histórico e de sua influência ainda nos dias de hoje, a Organização Nacional de Cegos do Brasil pretende abordar, nesse evento, a importância de construir e aplicar um programa adequado de orientação e mobilidade, ter conhecimentos das alternativas de atendimento, da importância dessa habilidade para a auto estima, empoderamento e inclusão da pessoa cega em todos os espaços que acabam, muitas vezes, por perpassar pela condição de locomoção independente.

Data: 28/03/2015 – Sábado.

Programação

  • 20h30 – Mesa de abertura;

  • 20h40 –A mobilidade e independência da pessoa com deficiência visual: Prof. João Álvaro de Moraes Felipe;

  • 21h00 – O contexto de um professor de Orientação e mobilidade com deficiência visual: Vantagens e desvantagens para o orientando: Prof. Nelson santos Cauneto;

  • 21h20 – A orientação familiar no processo de autonomia e independência da pessoa com deficiência visual: Psicóloga Carla Azevedo;

  • 21h40 – Depoimento: Tornando-me autônoma e independente após os 50 anos: Vanilda da Rosa;

  • 22h00 – Espaço para perguntas;

  • 22h30 – Encerramento.

Inscreva-se – Vagas limitadas!

O Seminário será realizado por meio do Teamtalk e as inscrições podem ser feitas no site da ONCB, diretamente no link http://www.oncb.org.br/independencia.

O evento será transmitido em tempo real pela rádio Mundo Cegal e poderá ser acompanhado no link: mundo Cegal.
 

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[24.Fev.2015]
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Lentes de contacto com zoom
(basta um “piscar de olhos”)

Por Jornal i

20 Fev 2015
 

Já imaginou poder fazer zoom com os seus olhos? Sim, já é possível e apenas num “piscar de olhos” (literalmente), segundo um artigo da revista Galileu.

A inovação consiste numas lentes de contacto telescópicas, desenvolvidas no Instituto Federal Suíço de Tecnologia. Foram desenvolvidas especialmente para doentes com degeneração macular, ou seja, que perdem a visão gradualmente.

Segundo o artigo, são maiores que as lentes convencionais e cobrem a “parte branca” dos olhos. São constituídas por espelhos pequenos de alumínio em forma de “anel” em volta do centro do olho. Estes espelhos aumentam a partir do momento em que os olhos são atingidos pela luz (tal e qual como uma lente de uma câmara). Assim, o mundo parecerá cerca de 2,8 vezes maior do que é na realidade.

As novas lentes devem ser utilizadas com uns óculos electrónicos. Se piscar uma vez, faz “zoom”, se piscar duas volta tudo ao normal. Ou seja, se piscar um dos olhos, o fluxo de luz aumenta, se piscar o outro, pode modificar a configuração para que a luz passe normalmente para o olho, novamente.

Os investigadores testaram-na apenas mecanicamente. A lente revelou uma falha no fluxo de ar, que já foi solucionada. Agora apenas resta que os cientistas realizem os testes em seres humanos.
 

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[20.Fev.2015]
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Turismo dispõe de nova certificação de acessibilidade

smart Cities

2015-02-18
 

O sector do turismo vai dispor de uma nova Certificação de Acessibilidade, a mais recente novidade da multinacional alemã TÜV Rheinland, que vai estar em destaque na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), entre os dias 25 de Fevereiro e 1 de Março. Este ‘selo’ é uma forma de auxiliar as unidades hoteleiras a melhorar as suas instalações e ofertas, tornando-as “acessíveis a todo o tipo de público”.

A certificação “permitirá aos operadores hoteleiros distinguir a sua oferta dos demais concorrentes bem como a captação de novos públicos”, explica a empresa em comunicado. Isto porque concede especial atenção “a pessoas com deficiência motora, visual, auditiva ou cognitiva ou, ainda, a crianças, pais com bebés, mulheres na fase final de gravidez e pessoas idosas”.

De salientar que, em Portugal, o potencial de negócio do Turismo Acessível ascende a mais de 500 milhões de euros. Já na Europa, o seu valor bruto superou os 352 milhões de euros em 2012, projectando-se “um aumento significativo nos próximos anos”. Segundo dados da União Europeia, prevê-se um crescimento dos fluxos turísticos no segmento das pessoas com necessidades especiais, espelhado num salto de 783 milhões de viagens, em 2012, para cerca de 862 milhões em 2020.

A questão da acessibilidade é, de resto, um dos principais focos do Turismo de Portugal, assente na estratégia “Tornar Portugal num destino acessível para Todos”, que visa manter o estatuto do país nas questões de acolhimento e hospitalidade — destacadas como pontos fortes em Inquéritos Anuais de Satisfação do Turista. 
 

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[19.Fev.2015]
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ABRIR PORTAS À DIFERENÇA

Fundação Inatel


O programa «Abrir portas à diferença» é desenvolvido no sentido de promover a possibilidade, a cidadãos portugueses portadores de deficiência permanente, independentemente da sua idade, de viajarem por todo o território continental, prevendo a estadia em regime de pensão completa em unidades hoteleiras da Fundação INATEL.

Estes poderão aceder ao programa mediante o contato efetuado pela Fundação INATEL junto do Instituto da Segurança Social, I.P., do Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P. e de associações representativas dos cidadãos portadores de deficiência e incapacidade física.

Objectivos
Proporcionar a integração e o desenvolvimento psíquico, físico e social, permitindo o acesso ao gozo de férias organizadas a um número significativo de pessoas, independentemente da sua idade, constituindo um importante instrumento de promoção da igualdade de oportunidades e de inclusão social.

Destinatários
Cidadãos portugueses, independentemente da idade, com deficiências e incapacidades em grau igual ou superior a 60% e respetivos acompanhantes.
O acesso ao programa carece de candidatura junto dos serviços da Fundação INATEL. A candidatura poderá ser coletiva, apresentada por instituições ou associações representativas dos cidadãos com deficiências e incapacidades ou individual, quando o candidato se apresenta em nome individual.

Valores de inscrição
Os custos do programa são suportados pela entidade financiadora e pelos participantes.
Considerando a necessidade de salvaguardar a vocação social e integradora do programa, estabeleceu-se uma taxa única de pagamento para o participante e uma outra para o acompanhante, promovendo o crescente acesso aos cidadãos com deficiências e incapacidades.

Valor a pagar*:
Participante (associado) 110,00€
Participante (não-associado) 130,00€
Técnicos especializados de acompanhamento aos participantes ou acompanhantes familiares (associado) 130,00€
Técnicos especializados de acompanhamento aos participantes ou acompanhantes familiares (não-associado) 150,00€

(1) Quarto individual: 10,00€ / noite = 50,00€ / 5 noites.
(2) Acresce valor de transporte, quando solicitado pela instituição ou pelos Participantes, entre o local de partida e a unidade hoteleira de destino. Neste caso, os custos inerentes à contratação dos referidos meios de transporte são da responsabilidade da instituição ou dos Participantes, de acordo com os valores apresentados pelas empresas transportadoras.

Programa
Ao inscreverem-se, os grupos terão a oportunidade de usufruírem de um conjunto de atividades lúdicas ajustado aos mesmos e às diferentes realidades culturais e turísticas de cada região onde se realize.

No programa estão incluídos os seguintes serviços:

Estada com a duração de 6 dias e 5 noites;
Alojamento em unidades hoteleiras INATEL, em regime de pensão completa;
Atividades diversas de caráter cultural e recreativo;
Acompanhamento permanente por animador sociocultural.

Quando solicitado por entidade coletiva ou instituição que requer a inscrição, o transporte em autocarro próprio, nos percursos entre o ponto de origem da viagem (ou aeroporto selecionado) e a unidade hoteleira de destino poderá ser facultado pela organização, sendo a primeira a responsável pelos custos inerentes.
 

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[16.Fev.2015]
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É cega mas tirou 20 valores na tese de mestrado:
‘Sofrimento emocional na deficiência visual’

15 de Fevereiro de 2015

Por Notícias Ao Minuto


Jovem de 26 anos tem apenas 5% de visão num olho e 1% no outro. Ainda assim, tirou 20 valores na tese de mestrado.

Caracterizam-na desde cedo como “a mulher que vai além do impossível”. O Jornal de Notícias foi conhecer Ana Sofia Teixeira, uma jovem de 26 anos cuja ambição faz inveja até aos melhores.

Esta estudante da Universidade de Aveiro é filha de dois primos direitos. Uma incompatibilidade sanguínea fez com que nascesse com tignite pigmentar, mais conhecida como cegueira noturna. Atualmente, tem apenas 5% de visão num olho e 1% no outro.

Mas nem isso a impediu de alcançar o sucesso. Ambiciosa desde tenra idade, ingresso na universidade e recentemente conseguiu tirar 20 valores na tese de mestrado, dedicada ao tema ‘Sofrimento emocional na deficiência visual’.

Foi, inclusivamente, a esforçar a vista nos estudos que perdeu parte da capacidade de ver. Para a ajudar, usava uma ‘lupa TV’, que ampliava os documentos impressos e, mais tarde, no computador.

A tese foi feita ao mesmo tempo que desenvolvia um estágio curricular e outro extracurricular. Mas Ana Sofia não se fica por aqui. Vai continuar na universidade a fazer uma investigação adicional ao trabalho desenvolvido.
 

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[15.Fev.2015]
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Cegueira aproxima e apaixona a feitura da rádio

RTP

João Torgal

13 Fev, 2015

Ruben Portinhas é cego e faz da rádio um dos grandes sonhos da vida. Não vê mas pode falar e a rádio é a vida de Ruben Portinhas. Começou com o "bichinho" de informar tudo o sabia na rua, registado com um pequeno gravador que mais tarde deu lugar à paixão e necessidade de frequência escolar.

Apesar do poder da imagem e da informação interactiva, a rádio e o som continuam a despertar grandes paixões. Um mundo mágico, com uma importância especial para quem não vê.

O repórter João Torgal visitou um invisual licenciado em comunicação que desde miúdo têm uma paixão genuína e persistente por ouvir e por fazer rádio.
 

reportagem aqui: http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=804597&tm=8&layout=123&visual=61
 

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[15.Fev.2015]
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ÓCULOS INTELIGENTES PARA CEGOS

MMO

6 Fevereiro 2015
 

Pode parecer um desenho animado, mas isto pode mudar a vida de pessoas com problemas de visão. Imagens como estas são vistas por pessoas que utilizam os óculos inteligentes desenvolvidos pela Universidade de Oxford, no Reino Unido. Os óculos foram projectados para ajudar pessoas com problemas graves de visão. O projecto é liderado por Stephen Hicks. A equipa de investigação utiliza câmeras de modo a aumentar a visão.

O cientista assegura que trabalham também com pessoas consideradas cegas, melhorando a percepção que têm de profundidade.

“Os óculos são uma parte do trabalho que temos vindo a desenvolver nos últimos três anos e procuramos maneiras de melhorar a visão remanescente das pessoas. Usando uma combinação de câmeras e um dispositivo somos capazes de tornar os objectos que estão próximos mais fáceis de ver, para evitar obstáculos e também permitir o reconhecimento facial”, informa Hicks.

Os óculos estão dotados de câmeras tridimensionais, que podem detectar a estrutura e a posição de objectos que estejam próximos. O programa informático usa, depois, essa informação para bloquear o fundo e destacar apenas o que está mais próximo ao utilizador.

O cientista relata que “transformamos isso num desenho animado de alto contraste que introduzimos no interior de um par de óculos, então podemos combinar a visão normal da pessoa com a visão avançada que mostramos aqui. Isso permite que a pessoa use a visão remanescente como se faz na generalidade, de modo a ver melhor o mundo.”

Na Europa, existem cerca de 30 milhões de pessoas cegas e amblíopes. Esta tecnologia pode ser útil para aqueles que têm alguma visão remanescente.

Os óculos não substituem a visão perdida, mas ajudam o utilizador a ter uma melhor percepção espacial. Os cientistas asseguram que estes óculos inteligentes permitem à pessoa maximizar a visão remanescente, através de imagens adicionais, permitindo-lhes obter mais informação sobre objectos e pessoas que estejam no seu ângulo de visão.

Os dispositivos podem ser adquiridos por cerca de 700 euros.

 

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[12.Fev.2015]
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Fundação Calouste Gulbenkian:
Candidaturas abertas - Educação Especial

5-02-2015
 

No âmbito do Programa Gulbenkian Qualificação das Novas Gerações, a Fundação Calouste Gulbenkian continua a apoiar atividades e ações inovadoras que promovam a educação, designadamente no âmbito da intervenção precoce, reabilitação e integração escolar e social das crianças e jovens com necessidades educativas especiais.

Estes projetos devem identificar, projetar e desenvolver experiências concretas, que permitam criar condições para uma efetiva melhoria da qualidade das aprendizagens destas crianças e jovens.

Estão abertas de 2 de Fevereiro a 5 de Março 2015 as candidaturas de apoio a atividades e ações destinadas a promover a educação, no âmbito da intervenção precoce, reabilitação e integração escolar e social de crianças e jovens com necessidades educativas especiais, contemplando, especialmente, as seguintes iniciativas:

a) Ações de formação para professores, educadores e outros profissionais ligados à educação;

b) Ações de formação para pais e encarregados de educação de crianças e jovens com necessidades educativas especiais, promovidas por Associações de Pais, ou outras instituições, preferencialmente ligadas a instituições de ensino.

c) Aquisição de equipamentos para melhoria da qualidade do atendimento e da aprendizagem do público-alvo.

Mais informações em http://www.gulbenkian.pt/Institucional/pt/Apoios/ApoioProjetos?a=1640
 

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[5.Fev.2015]
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PANAYIOTIS KOUROUBLI
Ministro da Saúde e Segurança Social
do novo governo grego

Jornal de Negócios


Panayiotis Kouroubli - Ministro da Saúde e Segurança Social do novo governo grego - é cego desde os 10 anos devido à explosão acidental de uma granada do exército alemão. Foi deputado do Pasok até 2011, saindo contra a austeridade.

É deputado pelo Syriza desde 2012 e fica à frente de um dos ministérios que mais cortes sofreu.

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[31.Jan.2015]
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Bainhe vai voltar a ver graças a voluntários portugueses

por Luís Fonseca

agência Lusa | RR

28-01-2015

 

Na Guiné-Bissau, há muita cegueira evitável. Muitos ficam cegos por causa de problemas para os quais já há solução. Contra esta realidade, um grupo de voluntários portugueses empreende a "Missão Visão".

Bainhe Chaque ri-se às gargalhadas quando lhe perguntam como está, porque vai poder voltar a ver o que o rodeia: "Já não tenho idade para me meter com mulheres, mas se passarem por mim vou poder olhar para elas".

Aos 64 anos e sem gastar um tostão, o guineense acabou de ser operado às cataratas, já em estado agravado, como quase todos os casos diagnosticados na Guiné-Bissau: acabam em cegueira, mas podem ser revertidos.

No país é muito difícil ter acesso a serviços de saúde. São raros e, quando há, poucos têm dinheiro para os pagar ou informação para lá chegar – a maioria da população é analfabeta.

"Muitas pessoas ficam cegas por causa de problemas para os quais já há solução", explica à Lusa o médico oftalmologista Dionísio Cortesão.

Ele e outros dez médicos e enfermeiros são voluntários: pagaram as viagens de avião de Portugal para a Guiné-Bissau, bem como todas as outras despesas para ficar 11 dias a dar consultas e a realizar cirurgias no Hospital de Cumura, nos arredores de Bissau.

É a quinta "Missão Visão", que funciona sob a alçada da fundação católica João XXIII e que, ano após ano, angaria consumíveis e reúne médicos e enfermeiros através do "passa a palavra".

Em oito dias de voluntariado, a equipa já tinha operado cerca de 70 pessoas e prestado quase 700 consultas. E havia ainda mais dois dias pela frente.

"Cerca de quatro quintos dos doentes que operamos têm menos de 10% de visão em cada olho ou são totalmente cegos", descreve Dionísio Cortesão.


"Quero é ver bem"
Na Guiné-Bissau este grupo de médicos depara-se com problemas comuns, como glaucoma, ou outros mais raros, como o tracoma, uma inflamação crónica que podia ser evitada com um antibiótico no tempo certo.

Mas a doença que se destaca "são as cataratas, aqui num grau muito mais dramático" daquilo a que os médicos estão acostumados a observar na Europa e com um impacto muito mais grave na vida dos pacientes.

É o caso de Amadu Balde, 75 anos, que perdeu quase toda a visão.

"Mal consigo ver quem está à minha frente", conta, depois da consulta onde foi encaminhado para cirurgia. "Não tenho medo nenhum de ser operado. Quero é ver bem."

As intervenções são feitas num bloco operatório do Hospital de Cumura, no mesmo piso térreo das consultas, duas portas ao lado, onde à equipa portuguesa se juntam médicos guineenses.

"Aprendemos a usar esta tecnologia mais avançada", refere Seco Indjai, médico da Guiné-Bissau que não perde a oportunidade de trabalhar com os colegas portugueses. "Temos muita cegueira evitável e acho que isso pelo menos vamos conseguir resolver" graças às indicações que recebeu, realçou.


"Transformar vidas"
A formação no exercício da actividade poderá fazer com que um dia se cumpra o sonho do líder da missão, o oftalmologista Luís Gonçalves.

"O meu sonho era daqui a algum tempo poder vir cá, à Guiné, e não precisar de fazer cirurgia nenhuma por estarem os colegas de cá a trabalhar. E eu venho passar umas férias", descreveu.

Enquanto isso não acontece, outras missões repletas de trabalho diário vão seguir-se. Esta quinta-feira à tarde é tempo de fazer o balanço e um inventário que servirá para preparar a missão do próximo ano.

Os médicos oftalmologistas prometem regressar para "transformar vidas".
 

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[29.Jan.2015]
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Museu do Prado: proibido não tocar,
estas obras são para cegos

Notícias de Almeirim

23-01-2015


Pela primeira vez o museu adapta seis obras-primas para que os invisuais possam ‘vê-las’ na exposição “Hoje toca o Prado”.

Através do tacto, os visitantes apreciarão as diferentes texturas e volumes que compõem as obras. Velàsquez, Goya, Da Vinci, El Greco, Van der Hamen e Correggio são os pintores escolhidos para esta exposição de acesso gratuito para cegos.

“Finalmente sei o que é um primeiro plano”, conta Ander Soriano segundo o testemunho de um invisual, depois de ‘tocar’ e ‘visualizar’ uma fotografia.

Soriano, director geral da empresa Estudios Durero e parte fundamental da materialização das obras para esta exposição (patente de 20 de Janeiro a 28 de Junho, no Museu do Prado, Madrid), aberta a todo o tipo de públicos (os mais novos desfrutam dela em especial), conta muitos anos a tornar possível que cegos possam desfrutar da arte. Das muitas histórias curiosas que guarda e que mais o emocionou, é aquela em que um homem lhe disse que finalmente sabia o que era um primeiro plano.

“Não somos pioneiros”, disse Fernando Pérez, o comissário da exposição que se concretizou graças ao Museu do Prado e à Fundação AXA, em colaboração com a ONCE - Organização Nacional de Cegos Espanhóis. É evidente o entusiasmo de Pérez com a mostra (e ainda mais é gratuita para os cegos e acompanhantes quando solicitado) e a vontade de fazer mais e mais.

O pioneiro foi o Museu de Belas-Artes de Bilbau, que realizou há cinco anos uma iniciativa como esta. Andre Soriano, parte também do projecto, conta em 20 minutos porque seleccionaram determinados quadros, neste caso, “Noli me tangere”, de Correggio; “La Gioconda “ de Leonardo da Vinci; “A forja de Vulcano” de Velàsquez; “O Cavaleiro com a mão no peito” de El Greco; “Natureza-morta com alcachofras, flores e recipientes de vidro” de Van der Hamen; e “O Guarda-sol” de Goya:

“São mais acessíveis devido ao tamanho e aos detalhes. Se tem muitos detalhes é muito complexo conjugá-los com os volumes e os relevos, que é a forma como fazemos estas réplicas”. Há um tamanho ideal? “ Sim, com a ONCE definimos o formato que seria ideal para tocar e percorrer com as mãos: 1,80×1,20m.

Imaginem o Guernica, teriam que reduzi-lo e adaptá-lo, o que não é impossível, fiz o cálculo, seria de 0,80×3m”, responde Soriano, o que leva cinco anos desenvolvendo a técnica que possibilita que os cegos ‘vejam quadros’. “Faz-se estudando a imagem e definindo o volume com camadas e texturas relevadas. É uma técnica de impressão digital com acumulação de tintas”, explica o especialista.

“A acessibilidade não é só rampas” comenta Juan Torres, cego que percorre com as suas mãos as seis obras expostas no Prado e que participou activamente na elaboração dos audioguias que acompanham o visitante durante a visita. “Está muito bem conseguido, por exemplo aprecio as texturas das diferentes peles”, disse Torres. “ E é muito importante que a ideia da acessibilidade não se limite a colocarem rampas, que a cultura esteja presente, e este é um exemplo de como se pode fazê-lo. Porque não há-de haver cultura para nós? Não estamos habituados a ter nada disto, por vezes, podíamos tocar numa escultura, mas nada mais. É uma evolução enorme ter-se chegado aqui”. Relativamente às sensações que são proporcionadas, Torres responde: “Fazes um primeiro reconhecimento, e depois já te vais orientando. A sensação é muito agradável”.

Cristina Velasco, da equipa de Estudios Durero, explica as dificuldades que uma obra como o “Jardim das Delícias”, colocaria: “É quase inacessível, as figuras são muito pequenas, está cheia de detalhes e é enorme. Os retratos são mais fáceis”.

Partilha da sua opinião, outro dos cegos da ONCE que está a visitar a exposição, José María Villenueva: “Os retratos são os mais fáceis de imaginar. Emociona-me muito “A Gioconda”, veio-me imediatamente à cabeça. Tenho 52 anos e sou cego desde 2008, já tinha visto a obra. Mas das cores não me recordo exactamente, é a única coisa de que não me lembro de toda a imagem que tenho da pintura”. Para José María seria, se pudesse escolher, Sorolla o que mais gostaria de poder ‘tocar’. “Adorava, mas claro, são muito complicados por terem muito detalhe. Entendo que uma paisagem impressionista é muito difícil”.

Destaca as virtudes do audioguia: “Primeiro conta a história do quadro e logo depois incentiva a tocá-lo”. Ander intervém, dada a importância do audioguia, para contar que quando se trata de surdos e cegos (no caso de Bilbau) levam acompanhantes que lhes guiam as mãos para tocarem as obras adequadamente.

“Alguém se preocupa connosco” Carlos Galindo, que perdeu totalmente a visão quando era muito pequeno, destaca a importância que tem para ele que alguém faça por eles, algo que não seja o básico. “ Emociona-me sentir que há alguém que se preocupa connosco. Pelas obras sinto mais curiosidade do que emoção” diz enquanto percorre as obras com as mãos, “e também uma certa surpresa”.

Não imaginava estas obras antes? São como as imaginava? “Não as imaginava”, responde com sinceridade Galindo, “A pintura é uma arte para ser vista, e isto está muito bem, mas também sei o que estou a perder. As cores, por exemplo. Nunca as verei como alguém que vê. A música, ao contrário, posso desfrutá-la na sua plenitude”.

Desde há alguns meses a esta parte, director do Museu Tiflológico da ONCE, Miguel Moreno, também está presente e descreve com absoluta precisão enquanto toca com ambas as mãos “A forja de Vulcano”: “ A textura da pele é uma maravilha. E isto é uma barba cerrada…”. E acrescenta: “ ‘A Gioconda’ ou “O Cavaleiro com a mão no peito” são mais fáceis, este é mais complicado, mas agrada-me. Digo o que sinto: sobretudo uma grande curiosidade e logo depois surge um sentimento de emoção e surpresa”.


Fonte: 20minutos.es/
 

publicado por MJA 
[28.Jan.2015]
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"Luz Interior" de Helena Flores recebe o
prémio NOVO TALENTO FNAC FOTOGRAFIA 2014

27-01-2015


O grande prémio Novo Talento FNAC Fotografia 2014  foi atribuído a Helena Flores, pelo seu trabalho LUZ INTERIOR - distinguido entre 174 portefólios.

Segundo a autora, "Luz Interior aborda o tema da cegueira. E, se para alguns, a cegueira é sinónimo de escuridão, neste trabalho deixamos a luz crescer na mão de Ana.

Ana é invisual desde o nascimento. Deixou-se fotografar enquanto explorava as esculturas contemporâneas do Parque de Serralves. E ousou mostrar como as diferenças entre ela e os outros, os normovisuais, se esbatem quando regista em desenhos a memória do que sentiu. Vemos (artifício nosso, com recurso ao negativo), como transforma o negro em linhas de claridade, como traça no papel os contornos das esculturas observadas pelos outros sentidos, provando que a imagem e a memória dependem tanto destes como da visão”.


galeria de fotos: culturafnac.pt/

 

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[27.Jan.2015]
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Um sapato com GPS foi desenvolvido por dois jovens
indianos para guiar pessoas com deficiência visual

Portal Nacional de Tecnologia Assistiva

13/01/2015


Chega de bengalas.
Um sapato com GPS foi desenvolvido por dois jovens indianos para guiar pessoas com deficiência visual. Eles já são um sucesso no país e devem ser inseridos no mercado internacional. Já há pedidos de compra de 20 países até o momento, diz a empresa. Um de seus inventores, Krispian Lawrence, assegurou à Agência Efe que desde seu lançamento foram recebidos cerca de três mil pedidos de compra, primeiro para a própria Índia e cada vez mais para o exterior.

Como funciona
Lechal, como são chamados, ou “leve-me contigo” em hindi, os calçados funcionam com palmilhas com conexão Bluetooth. Elas recebem ordens de um telefone celular no qual é estabelecido o percurso através do Google Maps.

Cada sapato vibra, para direita ou para esquerda, para indicar as curvas necessárias no trajeto marcado. Os calçados ajudam pessoas com dificuldades de visão a seguir uma rota, e tem outras tecnologias que advertem sobre os obstáculos no caminho.

O calçado foi patenteado como o primeiro a utilizar este sistema de navegação por satélite através do servidor do Google. O par, compatível com tecnologias Android, IOS e Windows, é vendido acompanhado de baterias e de um carregador universal como os utilizados para recarregar telefones celulares.

Além de marcar a rota, os aplicativos informáticos utilizados, disponíveis em vários idiomas, permitem também conhecer dados como as calorias consumidas, a distância percorrida e o tempo de percurso.

Criação
O design é obra de Lawrence e seu parceiro Anirudh Sharma, dois jovens de 30 e 28 anos, respectivamente, formados nos Estados Unidos, onde adquiriram experiência em novas tecnologias e no campo das patentes. De volta a seu país, ambos fundaram em 2011, no estado de Telangana, a empresa tecnológica Ducere Technologies. Ela conta com 50 empregados, com uma média de idade que ronda os 25 anos e tem como produto principal estes sapatos.

Preço
O calçado inteligente custa entre 100 e 150 dólares – de 260 a 400 reais – mas a companhia tecnológica colabora com ONGs que podem adquirir o produto por um valor menor.

Embora desenhados na Índia, os Lechal são fabricados na China. “Mas vamos transferir a produção para Índia assim que pudermos”, contou Lawrence.

Outros tipos
Os sapatos com GPS seguem a saga de invenções em calçado que nos últimos anosproliferaram.

Em 2012, uma empresa dos Estados Unidos, GTX, começou a vender modelos com um localizador por satélite pensados para o acompanhamento de pessoas com Alzheimer que correm o risco de se perder.

Há também dois anos, um artista britânico, Dominic Wilcox, desenvolveu sapatos com um chip no qual é gravado uma rota que depois vai indicando, por meio de luzes led, a direção a seguir no pé direito e a distância restante até o destino no esquerdo.

Wilcox se inspirou em Dorothy e sua travessia em O mágico de Oz com sapatos mágicos que o permitiram voltar para casa.

Fonte: site da BAND

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[26.Jan.2015]
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Partituras impressas em 3D podem ajudar artistas cegos

pplware

Vítor M.

Uma das vertentes da tecnologia com mais impacto na sociedade é quando esta desenvolve métodos e alternativas para colmatar incapacidades do ser humano, permitindo que os dispositivos usados possam tornar a vida das pessoas mais fácil e sem limitações.

Nesse sentido, uma equipa de investigadores da Universidade de Wisconsin começou a trabalhar num projecto muito interessante para invisuais.

Uma equipa de investigadores do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Wisconsin está a utilizar uma avançada impressora de sintetização selectiva a laser para desenvolver um projecto que consiste na criação de partituras de música em 3D, especialmente desenvolvidas para pessoas que tenham qualquer incapacidade visual.

Até ao momento, os músicos que fossem portadores de qualquer incapacidade visual estavam a utilizar partituras escritas em braille, o que por vezes omitia detalhes musicais de grande relevância.

Com este desenvolvimento, estes pormenores nunca mais serão omissos e os músicos com capacidades visuais reduzidas passarão a poder interpretar todas as notas musicais como qualquer outro artista.

A equipa de investigadores continua a melhorar este sistema contando com a ajuda da pianista Yeaji Kim, uma sul coreana, invisual, que teve um dia a ideia de criar um sistema mais preciso de partituras para pessoas cegas.

Ainda há um caminho a seguir até este sistema estar disponível ao mundo, mas, segundo a pianista, com este sistema há muito mais pormenor na leitura das partituras em relação ao tradicional método em braille.

 

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[23.Jan.2015]
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Paulo e Marisa tentam sobreviver ao desemprego e à cegueira

As Beiras

22 Janeiro, 2015

Posted by IM


Um casal de desempregados. Dois filhos com sete e cinco anos de idade. E apenas 419 euros para dar conta de todas as despesas mensais.

É neste sufoco que vivem Paulo e Marisa Leitão, ambos cegos que, no final de junho, vão perder o único rendimento do agregado familiar, o subsídio de desemprego da mulher.

Na semana passada, a família decidiu – por sugestão de uma amiga próxima – partilhar a sua situação nas redes sociais. Através de um curto texto, publicado no facebook dos dois cônjuges, expõem as dificuldades e a angústia de quem, daqui a menos de meio ano, não terá qualquer tipo de rendimento.

Ainda que tenham colocado essa possibilidade, decidiram não divulgar o seu NIB, de forma a que fique claro que a intenção passa apenas por encontrar trabalho.
 

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[22.Jan.2015]
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Be My Eyes

 

Já ouviram falar na aplicação Be My Eyes? Já são utilizadores? Esta app permite que um utilizador com deficiência visual, através de videochamada, possa solicitar assistência e a aplicação irá procurar alguém online e disponível para ajudar. Os pedidos de ajuda podem ir desde a identificação do prazo de validade num produto, à distinção entre duas embalagens idênticas ou a conhecer o nome de uma rua...

Mais informação aqui: http://bemyeyes.org/

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[19.Jan.2015]
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Organizações de pessoas com deficiência visual
unidas com a União de Cegos de Língua Portuguesa
 

Desde o dia 15 de dezembro de 2014, as pessoas com deficiência visual dos países de língua oficial portuguesa passaram a falar a uma só voz, com a constituição da União de Cegos de Língua Portuguesa (UCLP).

Criar uma organização internacional que reúna todas as associações de pessoas com deficiência visual dos países de língua oficial portuguesa era uma ambição antiga. Ana Sofia Antunes, Presidente da Direção Nacional da ACAPO, que durante um mandato de quatro anos presidirá também a recém-criada UCLP, aponta algumas reivindicações que marcarão a agenda de trabalho da organização: “a uma só voz reivindicaremos a uniformização do código Braille para a língua portuguesa e a ratificação do Tratado de Marraquexe, que visa facilitar às pessoas com deficiência visual o acesso e a livre circulação das obras publicadas, resolvendo o problema da escassez de livros”.

A constituição da UCLP decorreu durante a conferência internacional «Cooperar em Português -O Papel das Organizações Tiflológicas dos Países da CPLP na Definição e na Concretização de um Futuro Inclusivo».

Participaram nesta conferência internacional representantes de cada uma das organizações que constituem a UCLP (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe), com exceção de Timor-Leste, membros da Organização Nacional de Cegos Espanhóis (ONCE), da União Latino-americana de Cegos (ULAC), da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), do Gabinete de Conselheiros Políticos do Presidente da Comissão Europeia e diversos especialistas na área social. A Conferência, organizada em parceria com a Assembleia da República (AR) CPLP e ONCE, decorreu no auditório do edifício novo da AR.

fonte: ACAPO

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[19.Jan.2015]
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Teolinda Gersão, José Luís Peixoto e Afonso Cruz
escrevem sobre crianças especiais

Público

RITA PIMENTA

12/01/2015


Surdo-cegueira, síndrome de Cornélia de Lange e hiperactividade são as incapacidades. Não as crianças.

A colecção Meninos Especiais, da Associação Pais em Rede, tem três novos títulos: O Mundo de Carolina (texto de Teolinda Gersão e ilustração de Carolina Arbués Moreira), Martim, o Menino assim (José Luís Peixoto e Vasco Gargalo) e À Velocidade do Pensamento (Afonso Cruz e Marta Leite).
 

“Olá, sou a Carolina! Tenho treze anos. Esta é a minha irmã Joana. E esta é a minha mãe. Toco no ombro delas e no teu, para te dizer isso.” Assim começa O Mundo de Carolina. Mais adiante, há-de ficar registado: “Eu não vejo nem ouço. Mas percebo tudo” (pág. 3).

Para a escritora, esta experiência “foi uma lição de vida”, diz ao PÚBLICO. “Encontrei-me com a Carolina e a família, para perceber como interagiam, e fiquei comovida, impressionada.”

Teolinda escreve, pela voz da menina:

“A minha mãe percebe tudo o que eu digo, porque eu tenho língua e falo, só que não são palavras. Mas ela entende tudo, mesmo sem palavras. E aprendeu todos os gestos para tocar em mim e falar comigo, os mesmos gestos que eu aprendi na escola. Sabes que ela me adoptou, quando eu era pequena? Sou filha do seu coração.”

Teolinda diz, pela própria voz: “Eu quis criar uma história positiva no livro. A ligação à família, a importância da relação com o cão, o Tico. É tudo verdade: a avó, o pai, que vive noutra casa, a irmã, os abraços, a alegria e a sensibilidade. Só o episódio do incêndio é que é ficção.”

A escritora imaginou a criança a salvar a família de um incêndio. “(…) acordei porque senti um cheiro horrível a gás. Comecei a tossir e levantei-me e o Tico saltou logo e foi comigo acordar a minha mãe. Corremos todos, a tossir, para a casa dos vizinhos e telefonámos aos bombeiros. Havia uma fuga de gás em nossa casa, na cozinha, e teríamos morrido se eu não tivesse acordado” (pág. 18).

Heroína no lado de lá e de cá das páginas – foi isso que Teolinda Gersão quis transmitir neste novo livro editado pela Associação Pais em Rede.

Dos três títulos iniciais da colecção foram vendidos 7500 exemplares: Um Detetive em Cadeira de Rodas (texto de Luísa Ducla Soares e ilustração de Ana Ferreira), Um Mundo só Meu (Alice Vieira e Paulo Guerreiro), É Bom Ter Amigos (Luísa Beltrão e Tânia Bailão Lopes).


Mundo sensorial e feliz


Teolinda Gersão diz ter tomado consciência de que “as diferenças são menores do que as igualdades” entre estas crianças especiais e nós. “Continuamos a ser muito egoístas e consumistas. Mas os grandes valores são as pessoas e os afectos. Andamos esquecidos do que é essencial”, diz a escritora, e realça “a alegria, generosidade e capacidade de entrega da mãe de Carolina e de Joana”. Ambas adoptadas. “Helena Tomás é uma pessoa admirável.”

Ficou também com grande admiração por aquelas crianças, “que têm uma enorme vontade de viver e habitam num mundo muito sensorial e feliz”. Carolina não consegue articular palavras, mas já aprendeu a ler em braille e a usar a língua gestual portuguesa. É assim que comunica com o mundo.

A autora lembra que “integrar, ajudar, valorizar estas famílias faz parte do exercício pleno de cidadania da parte de quem, aparentemente, não tem incapacidades”.


Ilustrar para quem não vê

Para Carolina Arbués Moreira, foi grande o desafio de ilustrar as palavras de Teolinda e o universo de surdo-cegueira da jovem (e sua homónima) Carolina. O tempo era pouco e a responsabilidade muita. “Encontrei-me com ela, junto da sua família na Casa do Artista, e conversei bastante com a mãe, Helena (enquanto a irmã, Joana, tinha uma aula de dança). Contou-me as imensas coisas que a Carolina consegue fazer sozinha: torradas, pôr a mesa, vestir-se, tomar banho”, descreve ao PÚBLICO com entusiasmo. Elogia ainda o bom humor da menina e “a vontade de comunicar, de conhecer, de rir!”.

A ilustradora escolheu desenhar a carvão e posteriormente digitalizar e editar as imagens. Tentou ir ao encontro das necessidades da jovem. “Optei por não representar as figuras realisticamente, sugerindo uma sensação mais palpável (e talvez ambígua) sobre estas. Isto desloca-nos, distorce a noção de espaço e obriga-nos a desvendar, por entre sobreposições e texturas, o que é cada objecto e para que serve. Tal como a Carolina tem de fazer”, explica.

Com o apoio do Instituto Helen Keller, conseguiu que se fizesse uma edição especial, com o texto em braille e os desenhos impressos em relevo. “A estrela do livro não iria conseguir lê-lo sem esta solução.” Uma ideia que surpreendeu todos no dia do lançamento, 5 de Dezembro, no Museu da Electricidade, em Lisboa.

Mas a menina não ficou lá muito satisfeita por aparecer de olhos fechados “Eu não sou cega”, disse à mãe, Helena Tomás, que nos revela: “Ela continua a achar que não é cega. E também diz que não é surda. Quando sente vibrações, diz que está a ouvir.”

Com todas as suas limitações, “a Carolina sempre tenta dar a volta aos problemas”, prossegue a mãe da menina. Adoptou-a quando esta tinha cerca de dois anos e meio. Agora, tem 14.


Só um Natal a ver e ouvir

“Já se sabia que iria ter de fazer um transplante renal e sujeitar-se a diálise peritoneal. Tudo isso estava programado, não era impeditivo [da adopção]”, começa a contar. E continua, numa voz calma: “Quando ela ficou bastante doente, precisamente durante a colocação do catéter para fazer a diálise peritoneal, estava há cerca de quatro, cinco meses connosco. As coisas não correram muito bem e ela ficou no SO. Foi aí, suponho, que apanhou o tal vírus [que desencadeou a surdo-cegueira].” Tinha perto de três anos e estava ainda a decorrer o processo de adopção.

“Nesse ano, passados três/quatro meses, ela deixou de ver e de ouvir, foi gradual, mas rápido. Acabou por passar só o primeiro Natal connosco a ver e a ouvir”, recorda Helena, 52 anos e assistente comercial. A partir daí foi uma aprendizagem contínua, “inicialmente muito complicada, porque ela continuava a falar, mas não nos ouvia nem via, nós ainda não sabíamos como chegar até ela”.

Quando Carolina entrou para a escola que ainda hoje frequenta, a António Aurélio da Costa Ferreira, em Lisboa, a comunicação voltou a ser possível. Tinha quatro anos. “É uma escola pública e pertence à Casa Pia, é uma ferramenta fundamental para a minha filha.”

Crianças, jovens e adultos frequentam a António Aurélio. “Para além de outras problemáticas e deficiências, está vocacionada para a surdo-cegueira. Não tem o ensino regular, são aprendizagens adaptadas. Nesta fase, já iniciou o braille e tem outras actividades: natação, snuzlan, ateliers de pintura, de culinária. Tem um leque de actividades adaptadas para este tipo de crianças”, descreve, para concluir: “A Carolina gosta muito de lá estar.”


Sentido de justiça

Helena tem outra filha, a Joana. É mais nova, tem 11 anos e foi adoptada quando a Carolina tinha cinco. “É muito comunicativa, muito curiosa. Está numa escola regular, mas tem dificuldades de aprendizagem, défice de atenção e um pouco de hiperactividade. Às vezes, não é fácil lidar com ela”, diz.

A relação entre as irmãs é igual a tantas outras: “Tão depressa estão aos beijinhos como às turras. São sobretudo as invasões de espaço que motivam os conflitos. Mas são inseparáveis.” A Joana já “fala por gestos” com a irmã, mas, como é muito “acelerada”, a mãe tem por vezes de fazer “tradução simultânea”.

Helena Tomás enaltece o sentido de justiça de Carolina e a sua percepção do espaço e, sobretudo, do tempo. “Tem uma noção exacta dos dias, das semanas, dos fins-de-semana, até quase ao pormenor das horas.” E conta um episódio recente: “Estava numa aula de braille e disse à professora que o tempo tinha acabado. Ela tinha um bloco de 45 minutos. A professora olhou para o relógio e disse: ‘Ok. Realmente acabou o tempo’.”

Carolina já recebeu uma medalha de remo e, “há dois anos, ganhou um prémio de mérito pela independência e competências”. Com o dinheiro, quis comprar um relógio em braille. “Ela é super-inteligente e explora todas as suas capacidades”, diz a mãe, com orgulho contido.


É sempre possível comunicar

Desde há dois anos que, de 15 em 15 dias, “as meninas passam o fim-de-semana com o pai e alguns dias de férias, a avó também dá um apoio”. Helena Tomás diz que voltaria a fazer tudo. Não se arrepende das decisões que tomou. “Nunca tive qualquer depressão à conta de todas as questões que foram acontecendo. Uma coisa é ficar triste e angustiada por não conseguir resolver no imediato determinadas coisas, mas isso acontece com qualquer criança. É complicado, um pouco trabalhoso e uma responsabilidade muito grande. Mas acho que nunca me vou arrepender.”

Carolina “está toda feliz porque tem um livro com o nome dela”. Helena diz também gostar do livro: “É importante e bastante interessante para o público a que se dirige. Para as crianças conhecerem outras deficiências, que não assim tão comuns, como a surdo-cegueira. E para perceberem como é sempre possível comunicar, porque se trata mais de uma questão de comunicação, mesmo sem sentidos dos quais quase todos usufruímos.”

Talvez preferisse que O Mundo de Carolina tivesse mais histórias da filha: “Mas teria de ser um livro bem maior. No todo, ficou bem.”


A importância da música


Martim, o Menino assim tem a assinatura de José Luís Peixoto, que quis, com este texto, “homenagear” o rapaz. O autor disse ao PÚBLICO que pretendeu “celebrar o Martim e tudo o que ele traz à vida das pessoas que lhe são próximas”. Assim, deu-lhe “o palco” e transformou-o “numa estrela”.

Depois de alguma timidez inicial no contacto entre os dois – “senti-me numa espécie de blind dating, não sabia o que me esperava, ia conhecer uma família inteira” –, a cordialidade passou à cumplicidade. “Eu também dancei e pintei com ele”, conta. “No quarto do Martim há uma parede para se desenhar com giz, e ele mistura dança e desenho. A música é muito importante” para o menino.

No livro (e fora dele), Martim é assim: “Agora, enquanto estamos aqui a falar, o Martim está a dançar. Aponta para um lado, aponta para o outro, dá passos para a frente e para trás. Roda a cintura, abana a cabeça, sabe bem o que faz” (pág. 2).

José Luís Peixoto ficou impressionado com a resposta dos pais do rapaz perante as especificidades que a síndrome de Cornélia de Lange exige. “É impressionante o trabalho deles, os enormes desafios a que dão resposta no dia-a-dia. Eu também tenho filhos, mas sem necessidades especiais, e esta experiência fez-me reequacionar as queixas” à volta do exercício da paternidade.

O autor gostou muito que as ilustrações (de Vasco Gargalo) espelhassem o rosto e alegria de Martim.


Torrente de pensamentos

Para Afonso Cruz, que escreveu À Velocidade do Pensamento, o contacto com Cláudia também foi uma “excelente e gratificante experiência”. O autor diz ter sido bem aceite pela menina e ter tentado centrar-se nos gostos dela. “Daí o básquete”, conta. “Depois, quis mostrar esta coisa torrencial de passar de um pensamento para outro”, próprio da hiperactividade e que muito bem descreve na história, que decorre num jogo daquela modalidade desportiva. “(…) Para que lado é que tenho de correr? Um apito, o árbitro apitou, o que é aquilo na bancada?, parece um animal, não, é um barrete que parece um cão, só lhe falta ladrar. Os cães têm um grande olfacto e isso fascina-me, apesar de eu, passam-me a bola, sentir que, perco a bola, é aborrecido levá-los à rua, mesmo sabendo que são animais espectaculares” (págs. 11-12).

O autor diz ao PÚBLICO: “Pode até parecer invejável a cabeça conseguir vaguear por tantas coisas em pouco tempo, mas é um problema.” E exemplifica: “Querer voltar a casa e ir parar não se sabe onde.” Mas, tal como Teolinda Gersão, o escritor quis mostrar no livro o lado positivo de tudo isto: “Ouço chamarem-me outra vez, recebo a bola e encesto. Três pontos”, (pág. 20).

 

publicado por MJA 
[16.Jan.2015]
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Aplicação inovadora permite a cegos e surdos
"ver", "ouvir" e até tocar obras de arte

Sol

15/01/2015
 

Esta autonomia é de tal forma valorizada que outros museus estão a contactar o Centro Cultural Casapiano para tentar disponibilizar uma aplicação semelhante
 

Os surdos e cegos podem "ouvir" e "ver" o Centro Cultural Casapiano através de uma aplicação pioneira desenvolvida por professores e alunos da Casa Pia que dá autonomia a estes visitantes e está a receber o interesse de outros museus.

No caso de um visitante surdo, este recebe no início da visita um IPAD (tablet) com a aplicação, através da qual pode ver a explicação da peça que quer conhecer na sua língua: a gestual.

Uma das vantagens reside no facto de ser uma pessoa surda a traduzir o texto, o que torna a comunicação mais "acessível", como explicou Paulo Vaz Carvalho, especialista em língua gestual e professor no Centro de Educação e Desenvolvimento Jacob Rodrigues Pereira.

Este docente destaca o pioneirismo desta aplicação, uma vez que permite uma total autonomia a um visitante surdo.

"Nos outros museus com língua gestual, os visitantes têm de se dirigir a um local específico e obtêm uma explicação generalista da instituição. A aplicação, feita por um nativo da língua, permite ao visitante surdo passear livremente pelo museu, voltar às obras sempre que queira", disse.

Esta autonomia é de tal forma valorizada que outros museus estão a contactar o Centro Cultural Casapiano para tentar disponibilizar uma aplicação semelhante.

Para Paulo Vaz Carvalho, a grande vantagem deste projecto resulta dos seus autores serem surdos que trabalham para surdos.

"Somos a melhor turma de surdos do país", disse, sublinhando que alunos e professores do Centro de Educação e Desenvolvimento Jacob Rodrigues Pereira foram os autores do projecto e, simultaneamente, as suas "cobaias".

Paulo Vaz Carvalho disse mesmo que vários museus têm manifestado interesse nesta aplicação, destacando a sua inovação.

Também os cegos podem, através deste projecto, intitulado VOS (Ver Ouvir e Sentir), conhecer sensações únicas perante uma obra de arte, uma vez que podem tocar algumas peças.

Ao iniciar a exposição, cujo itinerário está indicado no chão (linhas guia), o visitante cego recebe um livro com a explicação das obras na língua escrita e também em braille.

Nesse livro, estão indicadas as obras que podem ser tocadas, e constam ainda imagens em relevo tácteis que visam dar uma ideia dos quadros a quem não os pode ver.

Sandra Barbosa, docente no Centro de Educação e Desenvolvimento Aurélio da Costa Ferreira, da Casa Pia de Lisboa, disse à Lusa que a ideia é pioneira e está ainda a dar os primeiros passos, mas que tem surpreendido positivamente estes visitantes, que, até agora, têm sido alunos e professores da instituição.

João Louro, director do Centro Cultural Casapiano e coordenador do projecto, disse à Lusa que não fazia sentido uma instituição como a Casa Pia, com elevado historial de respostas para cegos e surdos, que visam sempre a sua autonomia, não disponibilizar um instrumento que permita a estes visitantes usufruírem do espaço livremente.

"A visita pode começar logo em casa, pois, no caso dos surdos, a aplicação pode ser descarregada gratuitamente e o visitante ir desde logo escolhendo o que mais quer ver", adiantou.

Também a directora da instituição, Cristina Fangueiro, ressalvou o papel da Casa Pia nas deficiências sensoriais (surdez e cegueira), classificando o dia de hoje como "muito especial".

Antes da apresentação da aplicação, através de professores e alunos cegos e surdos, a instituição partilhou a história do Mundo de Carolina, um livro da autoria de Teolinda Gersão, inspirado numa aluna surdocega da Casa Pia de Lisboa, que esteve presente na iniciativa.

Lusa/SOL

publicado por MJA 
[16.Jan.2015]
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ESTAÇÃO VIANA SHOPPING DÁ A CONHECER SISTEMA BRAILLE
ATRAVÉS DA INICIATIVA “SHOPPING PONTO A PONTO”

GERSON INGRÊS

14 Janeiro 2015

 

LISBOA – No âmbito das comemorações do Dia Mundial do Braille e em parceria com a Associação Íris Inclusiva, o Estação Viana Shopping recebe uma pequena Exposição, intitulada “Shopping ponto a ponto”, iniciativa através da qual se pretende dar a conhecer o sistema de leitura e escrita Braille, sensibilizar o público em geral para a temática da inclusão social das pessoas com deficiência visual e proporcionar um contacto com algumas ferramentas e materiais associados à utilização do referido sistema.

Esta mostra estará patente até dia 19 de Janeiro, na Praça Central (piso 1). Nos dias 17 e 18 de janeiro, entre as 15H00 e as 17H30m, serão dinamizadas atividades relacionadas com a temática, permitindo um contacto mais direto e pedagógico com os materiais expostos.

 

publicado por MJA 
[15.Jan.2015]
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Exposição sobre Braille no Museu da Imprensa de Fafe


O Museu da Imprensa de Fafe acolhe, durante o mês de Janeiro, uma exposição dedicada ao Braille.

Subordinada ao tema “Janeiro mês de Louis Braille”, a exposição é a primeira de um conjunto de atividades previstas no âmbito do protocolo de colaboração entre a Câmara Municipal de Fafe e a ACAPO (Associação de Cegos e Ambliopes de Portugal).

Para o próximo dia 26 de janeiro, está agendada uma tertúlia de “Poesia em Braille”, na Casa da Cultura, às 15H00.
 

publicado por MJA 
[10.Jan.2015]
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Sites das escolas 'chumbam' na acessibilidade

Carla Marina Mendes

Destak

06 | 01 | 2015


Estudo avaliou acessibilidade de 954 sites de escolas públicas e concluiu que apenas 1% cumpre as normas.

Ter um site acessível significa permitir que todos, incluindo as pessoas com deficiência, sejam capazes de aceder a ele. E 15 anos depois da criação de uma lei que determina a existência dessa mesma acessibilidade online, um estudo da Universidade Portucalense chumba as escolas públicas lusas.

A análise feita a 954 sites conclui que apenas 1% cumpre as normas de acessibilidade. Dados que, diz Victor Henriques, autor do estudo, são pouco «encorajadores».

Um olhar mais atento aos conteúdos de sites de 305 escolas da Direção Regional de Educação do Norte, mostra mesmo que «mais de 48% dos sites das escolas não apresentam a sua oferta formativa e mais de 57% não mostram o seu plano de estudos».
 

publicado por MJA 
[7.Jan.2015]
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Dia Mundial do Braille


No dia 4 de Janeiro comemora-se o Dia Mundial do Braille, um sistema de escrita e de leitura desenvolvido por Louis Braille que, a partir do tato, facilita, entre outros objetivos, a inclusão das pessoas cegas, permitindo que estas desenvolvam um vasto número de atividades académicas, culturais e profissionais.

O braille é constituído por 64 sinais, gravados em relevo no papel, obtidos pela combinação sistemática de seis pontos que, na sua forma fundamental, se agrupam em duas filas verticais e justapostas de três pontos, à imagem de uma sena de dominó ao alto.

Cada sinal não excede o campo táctil e pode ser identificado com rapidez, pois, pela sua forma, adapta-se exatamente à polpa do dedo.

Em Portugal, existe o Núcleo para o Braille e Meios Complementares de Leitura, que funciona no âmbito do Instituto Nacional para a Reabilitação, I. P.

Este núcleo visa, por um lado, garantir a obtenção de padrões elevados de qualidade quanto à concepção, uso, aplicação, modalidades de produção e ensino do sistema braille e meios complementares de leitura para pessoas cegas; sendo que, por outro lado, pretende avaliar e controlar o sistema braille e os meios complementares de leitura.

O Dia Mundial do Braille consagra os princípios da dignidade, autonomia individual, liberdade de escolha e independência presentes na Convenção sobre os Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência.


Comemorações Dia Mundial do Braille 2015

No âmbito das Comemorações do Dia Mundial do Braille 2015, o Instituto Nacional para a Reabilitação, INR, I.P., e o Núcleo para o Braille e Meios Complementares de Leitura realizam um evento sob o tema “O Braille e os Seus Suportes Alternativos”, no próximo dia 6 de janeiro, terça-feira, às 15horas, no Auditório do INR, I.P.

fonte: http://www.inr.pt/content/1/3428/dia-mundial-do-braille
 

publicado por MJA 
[3.Jan.2015]
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Prémio Concelho mais acessível 2014

4 Dez 2014
 

Lousã, Destino de Turismo Acessível
 

No âmbito da 1.ª edição do Prémio Concelho Mais Acessível, o Instituto Nacional para a Reabilitação (INR), I.P. divulga a lista dos três primeiros classificados de cada categoria.

Categoria I - Edificado (Propriedade Municipal) / Espaço Público

  • Beja - Projeto Integrado de Beneficiação da Baixa de Beja;

  • Ílhavo - Qualificação Urbana do Casco Antigo da Cidade de Ílhavo;

  • Lousã - Lousã Acessível.

Categoria II - Lazer/ Património/ Turismo

  • Barcelos - Torre Medieval;

  • Batalha - Museu da Comunidade Concelhia da Batalha;

  • Lousã - Lousã Acessível.

Categoria III - Transportes/ Comunicação/ Tecnologia

  • Odivelas - Odivelas: Um Território para Todos;

  • Torres Vedras - Porta-a-Porta - Transporte Mobilidade Condicionada;

  • Viana do Castelo - Viana para Todos.

     

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[2.Jan.2015]
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Escola castiga menino cego e
substitui bengala por rolo de hidroginástica

SOL | 17/12/2014

 

A escola Gracemor Elementary School, no Kansas, EUA, está a ser alvo de duras críticas. Em causa está o castigo que foi aplicado a Dakota Nafzinger. Este de menino de 8 anos nasceu com uma doença chamada Anoftalmia Bilateral. Ou seja, Dakota nasceu sem os dois olhos.

A bengala que usava – que, segundo o site da Fox, era propriedade da escola – foi lhe retirada depois de alegadamente ter batido noutra criança no autocarro da escola.

Para a substituir, a escola deu-lhe um rolo velho usado para fazer hidroginástica.

“Ele já passou por tanto. Porque é que alguém faria uma coisa destas? Porque é que lhe tiraram aquilo que nós usamos todos os dias? [A bengala] são os seus olhos”, disse a mãe de Dakota à Fox, mostrando o descontentamento perante a conduta da escola.

 

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[2.Jan.2015]
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Biblioteca Municipal de Coimbra
Leitura Especial:

audiolivros para os utentes deficientes visuais
 

O projecto “Livros para os sentidos, sentido para o livro”, iniciado por José Guerra, na Biblioteca Municipal de Coimbra, em Janeiro de 2011, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, já garantiu a gravação digital em voz humana, de 126 audiolivros, distribuídos entre histórias destinadas a crianças e ficção dirigida a um público jovem-adulto e adulto.

Estas obras podem ser pedidas, sem encargos, por pessoas portadoras de deficiência visual, para serem ouvidas nos seus leitores de MP3, computadores ou telemóveis.

link para consulta dos audiolivros disponíveis


CONTACTOS:
Serviço de Leitura Especial da Biblioteca Municipal de Coimbra
Rua Pedro Monteiro — 3000-329 Coimbra
telefone: 239.702.630
email: leitura.especial@cm-coimbra.pt
Web: http://www.cm-coimbra.pt/biblioteca/b309.htm


 

publicado por MJA 
[1.Jan.2015]
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