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Fotografia Táctil

Exposição de Paulo Abrantes

3 a 11 Janeiro 2008

Galeria Municipal do Entroncamento

publicado por MJA
[29.Dez.08]

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Tour de braille

Revista Gegenwart

Dezembro 2008

A Associação Alemã de Cegos e Amblíopes tomou a iniciativa de realizar durante o próximo ano uma série de actividades sob a designação genérica de “Tour de braille” e destinadas a homenagear Louis Braille por ocasião dos 200 anos do seu nascimento.

O “Tour de braille” arranca oficialmente a 4 de Janeiro na Embaixada da França em Berlin, com a presença de S. Ex.ª o Embaixador, com um programa em torno da escrita braille.

Após esta realização festiva, o “Tour de braille” vai prolongar-se até Novembro com paragem em 200 estações de leitura por toda a República Federal Alemã. Apela-se a todos quantos sabem ler braille em voz alta a encher de vida estas estações, dando asas à imaginação.

Pode ler-se na estação de metro, no jardim, na piscina ou na igreja, a qualquer hora. Datas especiais como o dia de S. Valentim a 14 de Fevereiro, o dia mundial da poesia a 21 de Março ou o dia mundial do livro infantil a 2 de Abril oferecem uma boa oportunidade para a leitura.

Só em conjunto, com o empenho e o entusiasmo de todos os leitores de braille, será possível pôr em prática e divulgar amplamente esta grandiosa digressão de braille. Todos os organizadores alemães são apoiados pelo portal Tour de braille e ainda pela disponibilização de materiais destinados à comunicação.

publicado por MJA  [29.Dez.08] ã


Humor «cego»

28 Dezembro

No vídeo abaixo vocês poderão ver a situação absurda por que um deficiente visual passou ao procurar uma casa de banho.

É claro que é um filmezinho humorístico, mas serve para mostrar um pouco das dificuldades que os deficientes visuais enfrentam todos os dias. Falta de letreiros e informações em braile, dificuldades para circular com um cão-guia em certos lugares e muito mais.

http://br.youtube.com/watch?v=WUao9lJxWKc


Fonte: Lucas in Melhores da Web

publicado por MJA  [28.Dez.08] ã


BlindTube: Imagine o que não se pode ver

Pollyanna Diniz

Diario de Pernambuco

Audiodescrição é um dos recursos que torna a arte mais acessível aos deficientes visuais e, na prática, é uma ação muito simples de inclusão social.

Ligue a televisão. Escolha um filme ou episódio de novela. Feche os olhos. Tente acompanhar a história, a dramaticidade do enredo. Depois de alguns instantes, você vai notar: quando os atores estão falando, é possível imaginar a cena que não se pode ver. Mas é só aparecer um silêncio, um instante em que a atriz esteja apenas olhando pela janela, para que o quadro criado na sua mente seja interrompido. A experiência, que depois de você abrir os olhos provavelmente estará terminada, não é momentânea para 1,2 milhões de pessoas cegas em todo o país. O número de deficientes visuais - quem tem uma acuidade visual menor, mas não necessariamente não enxerga - chega a 4 milhões. Os dados são de um estudo divulgado pelo Centro Brasileiro de Oftamologia.

Agora, entre no site www.blindtube.com. É só clicar em algum dos filmes disponibilizados na página. Como aprendizado, assista ao vídeo de olhos cerrados. Além do áudio dos atores, a descrição das cenas também está presente. Mesmo sem o som da conversa, dá para saber o que acontece e, aí sim, apreender o contexto da história. O nome desse recurso é áudio-descrição. Para os deficientes visuais, a concretização da imagem. No teatro, funciona como as rubricas do roteiro, que informam quem entra em cena, a ação do artista.

O curta-metragem Cão Guia, de 1999, foi um dos primeiros no país a disponibilizar a áudio-descrição. Era a primeira ação de muitas outras que tornariam as artes mais acessíveis aos deficientes visuais. "Um dos personagens do vídeo é uma mulher cega. Então, fizemos laboratório no Instituto Benjamim Constant. Quando o filme terminou, foi exibido em vários festivais, inclusive o de Munique, que era temático", conta a produtora Lara Pozzobom.

Seguindo o modelo alemão, em 2003, a equipe que fez o curta decidiu montar o Assim Vivemos, festival de cinema que acontece de dois em dois anos, no Rio de Janeiro e em Brasília. Apenas filmes que tratam sobre acessibilidade são exibidos. E mais: todosos vídeos que participam das edições do evento - mais de 100 filmes até agora- são acessíveis: tem legenda completa e áudio-descrição. Depois, veio a idéia do blindtube. O site de entretenimento, ainda em versão experimental, está disponibilizando gratuitamente sete filmes com áudio-descrição. Além disso, a irmã de Lara, a atriz Graciela Pozzobom (que interpretou a cega do filme Cão Guia, se especializou em áudio-descrição. "Ninguém fazia isso no país. Começamos de uma forma muito intuitiva e depois percebemos que estávamos seguindo os mesmos padrões internacionais", revela Lara.

Na prática, o recurso de inclusão dos deficientes visuais funciona de uma forma muito simples. Ao chegar ao teatro ou ao cinema, as pessoas com dificuldade de enxergar recebem fones de ouvido, sem fio. Os mesmos usados em palestras de tradução simultânea. "É uma ação muito simples, mas de uma importância social muito grande. Muita gente deixa de ir ao cinema, ao teatro, porque acha que não vai compreender e, o pior, que vai atrapalhar as outras pessoas. O que não acontece com a áudio-descrição, oferecida apenas para quem necessita", explica o professor Francisco Lima, coordenador do Centro de Estudos Inclusivos da UFPE.

Visitem  o Blindtube - portal acessível de entretenimento - e divirtam-se com os filmes disponíveis.

Fonte: http://www.blindtube.com.br/entrevistas.asp?entrevista=6

publicado por MJA [15.Dez.08] ã


“Tolerância zero” para estacionamento
nos passeios em Coimbra

José João Ribeiro

Diário de Coimbra

“Tolerância zero: estacionar sem incomodar” é a campanha da Rede Social de Coimbra, que decorre este mês e no próximo ano, e que é apresentada hoje, às 10h30, no Salão Nobre da Câmara Municipal.

Para hoje de manhã está prevista a distribuição de desdobráveis informativos pelos utentes das junto da comunidade em geral na zona envolvente da edilidade de Coimbra.

A iniciativa tem como objectivo alertar a população para a problemática da mobilidade na via pública, nomeadamente para a necessidade de supressão de barreiras e obstáculos que é sentida especialmente por pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.

Assim, e para que aquele objectivo seja cumprido, proceder-se-á a uma sensibilização e intervenção reforçada no que diz respeito às ilegalidades praticadas pelos cidadãos, principalmente aos estacionamentos irregulares de viaturas nos passeios e passadeiras.

O projecto conta com a colaboração das entidades que constituem o grupo de trabalho “Acessibilidades” da Rede Social de Coimbra e que são a Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC), Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos (SMTUC), Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM), Obra Social de Torre de Vilela, GNR, PSP e Divisão de Acção Social e Família da Câmara Municipal de Coimbra. Foram convidados a participar no projecto a Polícia Municipal e a Divisão de Trânsito da autarquia de Coimbra.    

Fonte: http://www.diariocoimbra.pt/19930.htm

publicado por MJA [10.Dez.08] ã


Dia Internacional das Pessoas com Deficiência
assinala-se hoje

SOL

3.12.08

O Dia Internacional das Pessoas com Deficiência assinala-se hoje, quando a maioria destes cidadãos continua excluída do exercício de direitos e é discriminada no acesso em condições de igualdade ao ensino, emprego, habitação e transportes

A afirmação é da Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes (CNOD), que, em comunicado, refere que as promessas de combate à exclusão social e de promoção de uma sociedade inclusiva não têm tido tradução prática em Portugal, na adopção de políticas públicas que garantam «a satisfação efectiva das necessidades específicas» das pessoas com deficiência.

Segundo a CNOD, os portugueses portadores de deficiência vivem o dia-a-dia com falta de acessibilidades, maiores gastos com a saúde, maior dificuldade na obtenção de posto de trabalho e no acesso ao ensino.

Portugal foi dos primeiros países a assinar em 2007 a convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os direitos das pessoas com deficiência, mas falta ainda a sua ratificação em sede parlamentar.

Fonte do gabinete do ministro do Trabalho e da Solidariedade, Vieira da Silva, disse à Agência Lusa que a convenção seguiu para a Assembleia da República logo após a assinatura em Nova Iorque, em Março de 2007, mas aguarda ainda agendamento para ratificação.

O Dia Internacional das Pessoas com Deficiência realiza-se desde 1998, por iniciativa da ONU, e tem como principal objectivo a motivação para uma maior compreensão dos assuntos relativos à deficiência e a mobilização para a defesa da dignidade, dos direitos e do bem-estar destas pessoas.

Lusa / SOL

SOL convida instituições

Nesta quadra natalícia, o semanário SOL pretende ajudar as instituições de solidariedade a divulgar junto da população portuguesa os bens de que mais carecem

http://sol.sapo.pt/Solidariedade/Noticias/
Interior.aspx?content_id=117242

 

Fonte: http://sol.sapo.pt/Solidariedade/Noticias/Interior.
aspx?content_id=118627&tab=community

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publicado por MJA [3.Dez.08]


Células do olho regeneraram pela primeira vez
constituintes da retina em ratinhos vivos

Nicolau Ferreira

Público

25.11.2008

A retina do olho é fundamental para a visão: recolhe a luz, decifra a cor e transforma os estímulos luminosos em nervosos para que o cérebro decifre a informação e monte uma imagem. É por isso que quando algo corre mal e este tecido se danifica, por doença ou por ferimento, podemos ficar cegos. Infelizmente a retina dos mamíferos não se regenera se for danificada mas, pela primeira vez, cientistas norte-americanos conseguiram pôr um tipo de células da retina a produzir outras células no olho de ratinhos vivos – uma luz ao fim do túnel para combater certos tipos de cegueira.

Quando os olhos dos peixes e das aves são feridos, as células de Müller têm um papel importante porque regeneram naturalmente o tecido. “Este tipo de célula existe em todos os vertebrados”, disse em comunicado Thomas A. Reh, último autor do artigo publicado na revista “Proceedings of the Natural Academy of Sciences”. “Por isso a fonte celular da regeneração está presente na retina humana”, acrescentou o biólogo, professor na Universidade de Washington.

As células de Müller têm normalmente funções de suporte das outras células nervosas que se encontram na retina. Nos peixes, quando este tecido é danificado, estas células começam a dividir-se, tornam-se mais simples e diferenciam-se em outras células nervosas, regenerando a retina. As aves também têm esta capacidade, embora esteja menos desenvolvida. Mas no homem (como em todos os mamíferos), as células deixam de proliferar quando somos bebés, e quando o olho é ferido podem reagir e aumentar de tamanho mas não se dividem nem se transformam em outras.

Vários grupos já conseguiram estimular estas células a proliferar e a diferenciar-se in vitro, utilizando factores de crescimento que reactivam certos genes que estavam silenciados.

Agora, os investigadores da Universidade de Washington conseguiram fazer o mesmo em ratinhos vivos. Os cientistas injectaram nos roedores uma substância para destruir células nervosas da retina e, seguidamente, injectaram factores de crescimento. As células de Müller responderam aos estímulos e começaram a dividir-se, transformando-se primeiro em células não especializadas e depois diferenciando-se em células amácrinas – que também existem na retina.

A maioria das novas células morreram nos primeiros dias, mas algumas duraram um mês. Embora seja normal que uma percentagem das células do sistema nervoso morra quando o tecido se está a desenvolver, os cientistas especulam que as novas células necessitam de “estabelecer ligações com as outras células para sobreviverem”, diz o artigo. Apesar de ainda haver muito pela fente, o feito abre portas para novas terapias de doenças e problemas relacionados com a visão.

[Artigo da revista "Proceedings of the Natural Academy of Sciences"]

Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1351186&idCanal=13

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publicado por MJA [25.Nov.08]


Primeiro filme português inclusivo para
surdos e cegos estreia hoje em Leiria

MLE

Lusa


Leiria, 25 Nov 08 (Lusa) - O primeiro filme português adaptado para pessoas com limitações sensoriais, "Atrás das nuvens", estreia hoje em Leiria, numa sessão de cinema inclusivo com interpretação em Língua Gestual Portuguesa, legendagem e audio-descrição para invisuais.

"Este é um filme inclusivo, porque não exclui ninguém. É uma oportunidade para que cidadãos com deficiência visual ou auditiva possam assistir a cinema juntamente com cidadãos sem deficiência que, se quiserem, podem utilizar uma venda para 'verem' o filme sem efectivamente o verem", explica à Agência Lusa Manuel Oliveira, da Ordem dos Enfermeiros, que promove um conjunto de iniciativas em Leiria no âmbito do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, assinalado a 03 de Dezembro.

"Atrás das nuvens" é a segunda aposta da Lusomundo em cinema inclusivo, depois de "O nascimento de Cristo", de Catherine Hardwicke, em 2007.

"Este é o primeiro filme português que reúne estas características especiais", sublinha Saúl Rafael, do marketing da Lusomundo.

"A nossa primeira intenção é fazer responsabilidade social directa na nossa área de negócio. Trata-se de utilizar o nosso produto e dotá-lo de características especiais que permitam o acesso a todos os que normalmente não têm essa possibilidade. Depois, se conseguirmos potenciar o negócio, nomeadamente junto das comunidades de cegos e surdos, melhor ainda", refere.

Esta versão de "Atrás das nuvens" é destinada "a todos os cidadãos", realça Saúl Rafael. Porque a audio-descrição "faculta a descrição do que está a acontecer", o que pode ser igualmente útil", acrescenta o responsável da Lusomundo.

"Esta é mais uma ideia para que cidadãos com deficiência tenham o máximo de autonomia, para que tenham uma vida normal sem suporte de ninguém", diz o representante da Ordem dos Enfermeiros.

O cinema, como outras formas de arte, não está habitualmente acessível a pessoas com deficiência sensorial, porque "durante muitos anos a sociedade ignorou estes cidadãos".

O acesso ao cinema como veículo de cultura é, por isso, "algo fundamental", sublinha Manuel Oliveira. "Há, por exemplo, software que facilita a tradução de livros, mas a nível visual e auditivo há grandes carências nestes suportes. E a cultura é um direito de todos nós".

"Atrás das nuvens" pode ainda revelar-se, "em contexto de prática clínica, uma forma de nos proporcionar uma melhor comunicação com cidadãos com este tipo de deficiências", destaca Manuel Oliveira, lembrando "a quase inexistência de dispositivos técnicos" para o efeito.

"Este filme pode ajudar os profissionais de saúde a repensar, para, no futuro, garantirmos uma melhor comunicação nos espaços da saúde", acrescenta o enfermeiro.

Lançado em 2007, "Atrás das nuvens", de Jorge Queiroga, conta com Nicolau Breyner, Ruben Silva e Sofia Grilo no elenco e conta a história de um rapaz de nove anos, num filme sobre redenção e laços de família.

Esta versão inclusiva é lançada em DVD a 04 de Dezembro. Ainda de acordo com Saúl Rafael, a empresa prevê em 2009 lançar três novos DVD de cinema inclusivo.

Em Leiria, a estreia de "Atrás das nuvens" está marcada para hoje no Teatro Miguel Franco, numa sessão com início às 21:00 de hoje.

Fonte: http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/bc23ed0dd51a2f1
c98d808.html

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publicado por MJA [25.Nov.08]


Cegueira da diabetes com porta para a cura

Diário de Noticias

12-11-2008

Inovação - Investigadores da Universidade de Coimbra identificaram os mecanismos de morte celular que dão lugar à retinopatia diabética, a maior causa de cegueira a nível mundial. Isso permitirá novo fármaco para combater a doença

Morte neuronial é anterior às alterações nos vasos da retina

Um grupo de investigadores da Universidade de Coimbra identificou mecanismos de morte celular que desenvolvem a retinopatia diabética, doença que é a principal causa de cegueira a nível mundial na população adulta. A descoberta abre caminho ao desenvolvimento de um novo fármaco para impedir os problemas de visão causados pela diabetes, e travar esta doença neurodegenerativa antes de se revelar, revelou à Lusa o coordenador da investigação, Paulo Santos.

"Esta descoberta representa um novo paradigma para esta área da medicina porque, até aqui, era assente que os danos na visão provocados pela diabetes se deviam única e exclusivamente a alterações vasculares no vaso da retina", refere uma nota de imprensa da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

A investigação, financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, prova que o fenómeno da morte de neurónios e consequentes problemas de visão provocados pela diabetes é muito anterior às alterações nos vasos da retina, acrescenta. "A doença perturba o funcionamento do ATP (a molécula que fornece energia e que funciona como neurotransmissor), o que gera a libertação de uma substância nociva responsável pela morte dos neurónios", explicou Paulo Santos, docente do Departamento de Zoologia da FCTUC.

Ao descobrir e identificar os mecanismos "é agora possível desenvolver uma molécula capaz de bloquear a libertação dessa substância responsável pela morte das células, ou, em caso de libertação, anular a sua acção, sendo possível evitar ou retardar a perda das capacidades visuais dos diabéticos". A metodologia aplicada na investigação, desenvolvida ao longo dos últimos três anos, envolveu testes in vivo (em modelos animais) e in vitro. Os investigadores induziram a diabetes, isolaram a retina e estudaram todo o complexo processo até à morte dos neurónios.

"Esta pode ser uma das vias a utilizar para travar a propagação da doença. É uma porta que se abre", referiu o investigador à agência Lusa, salientando que se trata de uma patologia que é a principal causa de cegueira na população adulta mundial, e muito incapacitante mesmo que não chegue ao nível extremo. Em Portugal há cerca de 500 mil diabéticos, e a maioria deles desenvolvem a retinopatia diabética. - LUSA

http://dn.sapo.pt/2008/11/12/ciencia/cegueira_
diabetes_porta_para_a_cura.html

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publicado por MJA [13.Nov.08]


"Mamã"

Leo Burnett

ETB

Colombia - 2006

Criado por Leo Burnett da Colômbia para a Empresa de Telecomunicacões de Bogotá [ETB], este spot publicitário é uma comovente homenagem a todas as mães.

http://www.youtube.com/watch?v=u1kj6WBoXeg

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publicado por MJA [9.Nov.08]


Empresas reconhecem que trabalhadores cegos
são os mais difíceis de integrar

Catarina Gomes

Público
05.11.2008

No inquérito feito em 63 PME os deficientes motores são os mais escolhidos para empregos, seguidos dos deficientes auditivos

A um inquérito feito a 63 pequenas e médias empresas do país revela que a grande maioria "consideram definitivamente não-integrável ou dificilmente integrável um homem ou uma mulher cegos", logo a seguir surgem as pessoas surdas e, por fim, os deficientes motores. Mais de metade diz que não tem qualquer tipo de cuidado específico com a integração de pessoas com deficiência. O estudo foi desenvolvido no âmbito de uma parceria que juntou várias entidades e foi financiada por fundos comunitários do programa Equal.

O inquérito pôs lado a lado vários candidatos a emprego, entre um jovem com o 6.º ano e sem experiência, um ex-recluso, um ex-toxicodependente e uma pessoa portadora de deficiência, as empresas consideram que os deficientes são mais dificilmente integráveis. Somente 31 por cento das empresas tinham colaboradores com deficiência, maioritariamente com deficiência motora (metade), seguidos dos deficientes auditivos (19,4 por cento), 8,3 por cento com deficiência intelectual e nenhuma tinha contratado invisuais. O Censo de 2001 sinalizou a existência de 5,6 por cento de deficientes em Portugal, destacando-se os cegos (1,6 por cento), seguido dos deficientes motores (1,3 por cento) e auditivos (0,8 por cento.

Já se sabe que "nenhuma empresa" cumpre as quotas de trabalhadores com deficiência, refere José de Barros, presidente da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra, que coordenou o estudo integrado no projecto europeu Respon&Ability. Diz a lei que as empresas privadas devem contratar pessoas com deficiência até dois por cento do total de trabalhadores, cinco por cento na administração pública. O objectivo do inquérito era encontrar boas práticas nesta área e incentivar a contratação destes trabalhadores. Para a maioria das empresas, "a deficiência é um obstáculo", constata-se. Uma das principais razões alegadas é o facto de não terem a empresa "preparada para ter acessibilidade (física) para trabalhadores com deficiência", mas José de Barros acredita que o estigma e o duvidar da capacidade do trabalhador pesam muito.

Pedro Costa Pereira, que é da associação e faz a ponte com o meio laboral, afirma que às vezes bastam pequenas adaptações que pode ser a empresa mas também o Instituto de Emprego e Formação profissional a custear. Dá o exemplo de um deficiente motor com conhecimentos de informática a quem caberia fazer a gestão de stock de um armazém. A adaptação constou da aplicação de códigos de barras nos artigos, uma vez que o uso de aparelhos de leitura óptica lhe facilitava os movimentos. Na amostra duas empresas destacaram-se pela positiva: a InCentea, em Leiria, e a Ceramed, em Lisboa.

19,9%
Taxa de pessoas com deficiência em Portugal em idade laboral (entre os 16 e os 64 anos), segundo dados do Eurostat de 2005. Os homens representam 18,3 por cento e as mulheres 21,5 por cento.

Fonte: http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=
%2Fmain%2Easp%3Fid%3D14948204

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publicado por MJA [5.Nov.08]


Hospital de Viseu com novo aparelho oftalmológico

Jornal do Centro

17-10-2008

O serviço de oftalmologia do Hospital São Teotónio de Viseu foi reforçado com um novo aparelho de rastreio. O equipamento "Visioscreener" foi oferecido pela companhia farmacêutica Merck Sharp & Dohme e permite diagnosticar precocemente doenças dos olhos em crianças do pré-escolar e escolar do distrito.

O principal objectivo é evitar que as crianças venham mais tarde a confrontar-se com doenças oftalmológicas graves, as quais arrastam, por seu turno, dificuldades de aprendizagem, devidas a diagnósticos menos rigorosos. O novo equipamento vai dar continuidade a um trabalho que já foi iniciado na parte sul do distrito de Viseu e que será alargado à área norte.

Desde Fevereiro o Hospital Cândido Figueiredo, em Tondela, iniciou uma parceria com o Serviço de Oftalmologia da unidade hospitalar de Viseu, para realizar rastreios à visão das crianças dos concelhos de Tondela, Carregal do Sal e Santa Comba Dão (área de influência do Hospital de Tondela). 200 crianças já foram consultadas tendo sido detectadas algumas patologias sérias. O objectivo é diminuir o tempo de espera para as primeiras consultas dos utentes da área de cobertura do Hospital de Tondela.

Fonte: LERPARAVER

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publicado por MJA [26.Out.08]


Semanários alemães lançam
revista quinzenal para cegos


Portal IMPRENSA


Os semanários alemães Stern e Die Zeit lançaram, nesta quarta-feira (15), uma publicação conjunta para cegos, escrita em Braille e com periodicidade quinzenal,
informou o site Diário Digital.

A nova revista, com uma tiragem de 500 exemplares, incluirá uma seleção de artigos das últimas edições de ambos os semanários.

A publicação será editada em dois formatos: em papel, com 52 páginas, e em versão digital, que será distribuída através de e-mail.

http://portalimprensa.uol.com.br/portal/ultimas_noticias/
2008/10/15/imprensa23367.shtml

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publicado por MJA [15.Out.08]


Bárbara Guimarães fecha os olhos pela ACAPO

Destak

Vera Valadas Ferreira

14 de Outubro

Amanhã, que se celebra o Dia Mundial da Bengala Branca, Bárbara Guimarães protagonizará um "desfile" distinto daquele que teve como palco a 31.ª edição da ModaLisboa, realizada no passado fim-de-semana. Se então foram as vestes de José António Tenente, seu estilista fétiche, que deram que falar, amanhã à tarde, quando forem 19h00 a apresentadora da SIC, estará munida apenas de uma bengala e uma venda para os olhos.

Tendo por objectivo alertar para os obstáculos existentes nas cidades e que prejudicam a mobilidade dos deficientes visuais, Bárbara tentará contornar as barreiras arquitectónicas a encontrar num curto trajecto lisboeta. Entre a PasteIaria Mexicana (Avenida Guerra Junqueiro) e o Fórum Lisboa (Avenida de Roma), Bárbara Guimarães "fechará os olhos" pela ACAPO (Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal). A este momento tão especial segue-se, pelas 21h15, a exibição da película "Ensaio Sobre a Cegueira" - a adaptação cinematográfica da obra homónima de José Saramago, com realização do brasileiro Fernando Meireles (o mesmo da "Cidade de Deus").

A ocasião - que contará com a presença da secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz - promove «a reflexão e o debate sobre a problemática da deficiência visual, designadamente sobre as crenças infundadas que lhe estão muitas vezes associadas», explica a ACAPO.

Também através das suas delegações de Leiria, Coimbra e Viana do Castelo, a ACAPO propõe várias actividades, de pequenos percursos sensoriais a jogos de tacto e olfacto. Tudo experiências que deixam explícitas ao cidadão comum as dificuldades sentidas pelos invisuais cada vez que saem à rua.

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publicado por MJA [14.Out.08]


Dia Mundial da Bengala Branca em Leiria

Diário de Leiria

Marilene Pinheiro
10-10-2008

"Despertar para 'uma visão diferente' será o ponto de partida para 'uma acção mais consciente'". É desta forma que a delegação de Leiria da ACAPO se propõe assinalar o Dia Mundial da Bengala Branca, no próximo dia 15. Entre quarta-feira e sábado, a zona histórica da cidade vai servir de palco a um conjunto de actividades onde os participantes sem deficiência visual "serão convidados a experienciar as actividades propostas de olhos vendados, de forma a descobrirem, através de outros sentidos, novas sensações, e a perceberem as dificuldades" que os deficientes visuais enfrentam no dia-a-dia, explica a ACAPO.

Imagina-se a jantar, pintar, dançar, e andar de bicicleta e de cavalo de olhos vendados? Pois é isso mesmo que a associação vai propor, durante os quatro dias que vão assinalar o Dia Mundial da Bengala Branca.

No dia 15, realiza-se um jantar, num restaurante da Rua Direita. A partir das 20h00, os participantes "vão poder 'saborear' uma variedade de estímulos, de olhos vendados, que passam, não apenas pelo paladar, mas também pelos aromas, sons e texturas, de forma a descobrirem ou redescobrirem ensações, e, paralelamente, a perceberem contingências e especificidades inerentes à deficiência visual", sublinha a organização. Para participar neste jantar, limitado a 35 inscrições e que custa 25 euros por pessoa, é aconselhável fazer reserva atrás dos números 244 832 033 ou 934 125 449.

Na quinta, sexta e sábado, as actividades vão dividir-se pelo Largo 5 de Outubro (frente ao banco de Portugal), Orfeão Velho, Parque do Marachão, e Quinta do Pinheiro Manso (ACAPO disponibiliza transporte), e vão decorrer entre as 14h00 e as 18h00.

No Largo 5 de Outubro, onde vai estar um stand da ACAPO, vão realizar-se ateliers de artes plásticas, e onde será possível contactar com o alfabeto Braille, e praticar jogos sensoriais, entre outras actividades.

Já o Orfeão Velho vai acolher a realização de workshops de dança criativa, intitulados 'Corpos (con)sentidos, um de pintura e ainda um de DJ.

No parque do Marachão vai ser possível andar de bicicleta e participar em jogos de goalball, uma modalidade praticada por atletas cegos ou com baixa visão, e cujo objectivo é lançar a bola sonora com as mãos, para marcar golo na baliza adversária. Haverá ainda demonstrações de Sumo, um desporto de luta de um contra um.

Finalmente, na Quinta do Pinheiro Manso, vai ser possível praticar equitação.

Estas iniciativas surgem no âmbito do plano de actividades da delegação de Leiria da ACAPO, que dá assim continuidade ao tema 'Uma Visão Diferente.', colóquio realizado em 2005.


Bengala Branca é símbolo da igualdade e da cegueira

A Bengala Branca, símbolo da igualdade é o emblema da cegueira, e converteu-se num sinal de independência, liberdade e confiança. A sua utilização permite ao deficiente visual movimentar-se livremente. Se o deficiente visual souber como utilizar a bengala, pode realizar as suas tarefas diárias com facilidade.


in http://www.diarioleiria.pt/18576.htm

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publicado por MJA [10.Out.08]


Dia Mundial da Bengala Branca em Coimbra

CorreioACAPO-googlegroups


Enquadrada nas comemorações do Dia Mundial da Bengala Branca e, com o objectivo de sensibilizar a opinião pública para as questões da acessibilidade e da mobilidade das pessoas com deficiência visual, a Delegação de Coimbra da ACAPO vai realizar uma jornada no próximo dia 15 de Outubro de 2008, constando do seguinte:

10h00 às 18h00 junto à Câmara Municipal de Coimbra
- Percurso de simulação de obstáculos na via pública
- Realização de trajectos para experimentação da situação de ser "guiado" de acordo com as técnicas de guia adequadas ao apoio a pessoas cegas
- Experimentação da situação de guia de uma pessoa cega
- Jogos de descoberta de objectos através do tacto e de identificação de produtos através do olfacto

11h00 Recepção dos convidados com visita guiada ao stand

11h30 Conferência de imprensa

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publicado por MJA [10.Out.08]


Portugal mais acessível

SOL

8 Outubro 08

A Carris vai oferecer até ao final do ano mais quatro carreiras exclusivamente equipadas com autocarros com rampas de acesso para cadeiras de rodas, anunciou hoje a secretária de Estado dos Transportes. Ana Paula Vitorino, que falava na conferência «Portugal mais acessível», afirmou que as novas carreiras se somam às 10 já existentes em Lisboa, onde circulam exclusivamente autocarros com rampa de acesso e lugar para fixação de cadeira de rodas. Assim, a quota de veículos da Carris adaptados às necessidades dos deficientes motores, ou pessoas com incapacidades temporárias, deverá situar-se, no final do ano, nos 35 por cento. «A frota de autocarros da Carris, em Dezembro de 2007, era constituída por 745 veículos, dos quais 220 dispunham de rampa de acesso e um lugar para fixação de cadeira de rodas, correspondendo a uma quota de 29,5 por cento», referiu.

Além das novas carreiras, a secretária de Estado anunciou também que o Metropolitano de Lisboa vai ter um sistema de encaminhamento para pessoas com deficiência visual. Sem indicar um calendário para a aplicação do sistema, Ana Paula Vitorino explicou que está a ser desenvolvido em articulação com a ACAPO, o Instituto Nacional de Reabilitação (INR) e a empresa responsável pelas infra-estruturas rodoviárias, Refer, para ser aplicado a toda a rede do metropolitano lisboeta. Entre as medidas facilitadoras da mobilidade dos cidadãos com deficiência, a secretária de Estado apontou ainda a aquisição e instalação de máquinas de venda automática com acessibilidade para clientes em cadeira de rodas, nas estações da CP de Lisboa, um serviço já disponibilizado no Porto.

A adaptação de grande parte do material circulante da Carris, Metropolitano do Porto e STCP às necessidades especiais de mobilidade dos cidadãos com deficiência ou incapacidades temporárias foi um dos exemplos da actuação pública destacados pela secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz. Em declarações à agência Lusa, à margem da conferência, a secretária de Estado reconheceu que «há ainda muito por fazer» em matéria de acessibilidades para os deficientes, mas considerou «injusto para milhares de pessoas que se têm dedicado» o discurso pessimista de que «nada foi feito». Para além de todos os passos dados pelo Estado, Idália Moniz elogiou o trabalho feito pelo sistema bancário e pelo sector da grande distribuição na melhoria das condições de acesso para as pessoas com deficiência, dando como exemplos a remoção de barreiras arquitectónicas na maior parte das grandes agências bancárias ou a informação em Braille disponível na maior parte dos grandes supermercados.

À saída da conferência, o ministro do Trabalho e Solidariedade Social tinha já destacado aos jornalistas o papel que o Estado tem tido na promoção das acessibilidades dos deficientes, idosos e cidadãos com incapacidades temporárias aos espaços públicos e nos transportes, mas também às tecnologias de informação.

«Nos edifícios públicos têm vindo a ser desenvolvidas intervenções, por vezes pequenas, mas que têm melhorado muito a acessibilidade dos cidadãos», afirmou Vieira da Silva, sustentando ainda que, no caso das novas tecnologias de informação, 80 a 90 por cento dos sítios na Internet dos serviços públicos têm mecanismos de acesso para deficientes. Mesmo assim, reconheceu que «pode ser feito muito mais» para garantir a acessibilidade aos cidadãos deficientes, sobretudo nos novos edifícios. Aliás, para Vieira da Silva a remoção das barreiras à acessibilidade «é um trabalho que nunca está concluído» porque logo que tenham sido eliminados todos os obstáculos, novos surgirão, fruto das transformações económicas e sociais permanentes.

A conferência «Portugal mais acessível» destinava-se a fazer um balanço da aplicação do Plano Nacional para a Promoção da Acessibilidade (PNPA), aprovado em conselho de ministros em Janeiro de 2007 e destinado a assegurar a acessibilidade no espaço público e no meio edificado e promover a acessibilidade nos transportes e nas tecnologias de informação.


Lusa/SOL

in http://sol.sapo.pt:80/PaginaInicial/Sociedade/
Interior.aspx?content_id=112327

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publicado por MJA [8.Out.08]


Saramago desvaloriza polémica de
«Ensaio Sobre a Cegueira»


3 Outubro 08

Diário Digital


«A estupidez não escolhe entre cegos e não cegos», afirmou José Saramago, reagindo à polémica em torno da estreia do filme «Ensaio Sobre a Cegueira», nos EUA. «Não é uma polémica, porque precisa de dois interlocutores», desvalorizou.

A Federação Nacional de Cegos norte-americanos considerou que o filme retrata os invisuais «como incapazes de fazer seja o que for», pelo que pede que a obra seja retirada e que os protestos encham as 75 salas de cinema onde será exibido.

«É uma associação de cegos que decidiu ter uma opinião sobre um filme que, infelizmente, não consegue ver», declarou Saramago à TSF, acrescentando que se trata de «uma manifestação de mau humor, assente sobre coisa nenhuma».

Para o Nobel da Literatura português, tanto o filme, realizado pelo brasileiro Fernando Meirelles, responsável por «Cidade de Deus», como o livro «Ensaio Sobre a Cegueira» estão perfeitamente actuais, «sobretudo nos dias agitados que os EUA atravessam».

Contudo, o director executivo da Federação Nacional de Cegos, John Paré, retrata a longa-metragem como «um absurdo», que considera os invisuais «como viciados ou criminosos», levando, «provavelmente, a que os cegos tenham menos oportunidades e até à perda de empregos».

O responsável rejeita a ideia de que o filme é uma alegoria, alegando que «pode gerar medo e repulsa contra os cegos», já muito discriminados nos EUA, onde cerca de 70% das pessoas com este tipo de deficiência está desempregado.

Apesar da polémica com a versão cinematográfica, o livro, que chegou ao mercado norte-americano em 1998, vendeu mais de meio milhão de exemplares, sem gerar qualquer tipo de repulsa.


in http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=14&id_news=352001

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publicado por MJA [3.Out.08]


Centro de Recursos TIC
para a Educação Especial
em Coimbra

O Centro de Recursos TIC para a Educação Especial, sedeado no Agrupamento de Escolas Dr.ª Maria Alice Gouveia em Coimbra, tem como objectivo avaliar alunos com Necessidades Educativas Especiais, de carácter prolongado, para efeitos de utilização de tecnologias de apoio e adequação do equipamento/ajuda técnica à sua situação particular, com vista a garantir a inclusão destes alunos no processo de ensino aprendizagem.

Realiza Serviços de:

  • Avaliação de alunos
  • Monitorização do processo de intervenção
  • Formação/informação(Enc. Ed., AAE. Prof.. Outros )
  • Divulgação de materiais
  • Organização de workshops
  • Acompanhamento de processos de videoconferência

Contactos:
Tel 239 792 770
E-mail: centrorecursos.emag@gmail.com
Web  http://centrorecursos.emag.googlepages.com/

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publicado por MJA [30.Set.08]


Células encapsuladas para o tratamento da
retinose pigmentar e da degeneração macular seca

Rui Oliveira

Lerparaver

15 Setembro 08


A empresa de biotecnologia norteamericana Neurotech Farmacêutica, voltada para o desenvolvimento de medicamentos para doenças crônicas da retina anunciou no dia 3 Setembro de 2008 que o FDA, Federal Drug Agency, agência que regula a liberação de medicamentos nos Estados Unidos deu autorização para o exame, em caráter de urgência e prioridade, do produto NT-501 para o tratamento da perda visual nos casos de Retinose Pigmentar e Degeneração Macular do tipo seca. O produto NT-501 consiste num implante intra-ocular de polímero, que contém células que vão liberando progressivamente a proteína terapêutica Fator Neurotrófico Ciliar (CNTF). O medicamento é liberado na parte posterior do olho através da tecnologia da Célula Encapsulada. O CNTF, fator neurotrófico conhecido, recupera as células fotoreceptoras da retina que estão perdendo sua função e as protege da degeneração. Ted Danse, Presidente e CEO da Neurotech declarou que "estamos nos preparando para anunciar excelentes resultados da fase II-3 dos testes clínicos com pacientes com Retinose Pigmentar e da fase II dos testes clínicos com degeneração macular seca no inicio de 2009.

O fato de termos recebido autorização para o exame em caráter de urgência e prioridade pelo FDA para o NT-501 é importante para o desenvolvimento do produto, pois nos permite acelerar nossos dois programas de testes, com vistas a proporcionar opções de tratamento há muito aguardados por pacientes com essas doenças graves". O programa de exame em caráter de urgência e prioridade do FDA, conhecido como Fast Track Program, autoriza a avaliação, de forma acelerada, de um medicamento que demonstra potencial para atender a uma necessidade da medicina para o tratamento de doenças graves ou que causam a morte dos pacientes. Com esse programa, a agência reguladora FDA busca acelerar o desenvolvimento e a avaliação do produto, visando a sua liberação. O FDA pode também aceitar, em caráter provisório, demandas de comercialização prévias à obtenção do registro final do produto.

Sobre os testes clínicos realizados pela Neurotech com o NT-501: Pacientes com Retinose Pigmentar - os estudos para pacientes com RP encontram-se na Fase II-3 dos testes clínicos com o medicamento NT-501 e compreendem dois grupos de pacientes: 1) pacientes com RP no estágio inicial da doença (60 pessoas estão participando deste estudo) 2) pacientes com RP no estágio avançado da doença (60 pessoas estão participando deste estudo) Ambos os testes são randomizados, multicêntricos, duplo-cego, com controle através de doses simuladas (sham controlled dose). Cada paciente recebe um implante em um olho contendo dose alta ou baixa de NT-501. Recebe também um tratamento simulado no outro olho. A eficácia do experimento é avaliada pelo campo visual, nos pacientes com RP na fase inicial, e pela acuidadade visual nos pacientes com RP em estágio avançado.

Pacientes com Degeneração Macular Seca - 48 pacientes em estágio avançado de degeneração macular seca, também conhecida como atrofa geográfica estão sendo testados com NT-501. Cada paciente recebe num olho apenas uma dose alta ou baixa de NT-501 através do implante intra-ocular ou recebe um tratamento simulado. O estudo é randomizado, multicêntrico, duplo-cego e com controle simulado. A eficácia do experimento é avaliada pela melhoria da acuidade visual do paciente.

Sobre as doenças

Retinose Pigmentar (RP) é uma doença hereditária que causa a degeneração progressiva dos cones e bastonetes, células fotorreceptoras da retina. Esta degeneração leva à perda da visão, podendo causar cegueira. Os sintomas da RP aparecem em geral nos jovens e a doença afeta aproximadamente 100 pessoas nos Estados Unidos e cerca de 1 milhão de pessoas no mundo. Até o momento não há cura nem tratamento efetivo para a RP.

Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) é uma doença crônica, progressiva, que atinge a mácula (parte da retina responsável pela visão central) e leva à perda da visão central. A DMRI é a principal causa da perda visual nos idosos no mundo desenvolvido. Há duas formas de DMRI: seca e exudativa. A DMRI seca é a forma mais comum de degeneração macular, e representa aproximadamente 90% de todos os casos. No estágio avançado, a DMRI seca pode levar à degeneração das células fotorreceptoras e das células do epitélio pigmentar da retina, constituindo-se na chamada atrofia geográfica, que afeta cerca de 1 milhão de pessoas nos Estados Unidos. Não existe no momento tratamentos efetivos para a atrofia geográfica.

Sobre a Tecnologia da Célula Encapsulada

O principal produto tecnológico da empresa Neurotech Farmacêutica é a Tecnologia da Célula Encapsulada (TCE), que permite a administração de substâncias terapêuticas na parte posterior do olho. O medicamento é liberado de forma gradual e seu efeito é prolongado.

Implantes de Tecnologia da Célula Encapsulada consistem em células modificadas geneticamente para produzir uma proteína terapêutica. Elas são colocadas numa cápsula, dentro de uma membrana semi-permeável. As características difusoras da membrana visam promover a sobrevivência da célula por um longo período, permitindo o influxo de oxigênio e nutrientes ao mesmo tempo em que previne o contato direto das células encapsuladas com os elementos celulares e moleculares do sistema imunológico. As células encapsuladas produzem continuamente a proteína terapêutica que é lançada pelo implante no local determinado. Esta tecnologia possibilita a administração de fatores terapêuticos na retina de forma controlada e continuada, ultrapassando a barreira sanguínea da retina.

Sobre a Neurotech Farmacêutica

Além do produto NT-501 a Neurotech está testando outros produtos para o tratamento da Degeneração Macular Relacionada à Idade exudativa e do edema macular decorrente de diabetes. Todos os produtos da Neurotech usam a tecnologia da célula encapsulada, exclusiva da empresa, que permite a administração de produtos biotecnológicos diretamente na parte posterior do olho, vencendo o maior obstáculo, que é o acesso à parte posterior do olho para o tratamento das doenças retinianas.

Informação veiculada pela Neurotech em 03/09/2008 e divulgada pela Retina Internacional.

Fonte: Retina Internacional e Neurotech Pharmaceuticals de 8 de Setembro 2008

in http://www.lerparaver.com/node/8005

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publicado por MJA [19.Set.08]


Formação especializada em Educação Especial
no domínio da Visão

Escola Superior de Educação de Coimbra

O curso de formação especializada em educação especial no domínio da Visão procura qualificar para o exercício de funções de apoio, acompanhamento e integração socioeducativa de indivíduos com necessidades educativas especiais (NEE).

Este curso está organizado de forma a proporcionar aos formandos uma especialização no domínio oferecido, a saber, problemas de visão. Este domínio corresponde a uma das vertentes definidas pelo Ministério da Educação na organização das áreas de intervenção e colocação dos educadores / professores de Educação Especial no sistema educativo.

O Curso encontra-se creditado pelo  Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua, pelo que a sua conclusão  com aproveitamento confere um diploma de formação especializada no domínio referido, que habilita para o exercício de funções no âmbito da Educação Especial.

Encontram-se abertas inscrições até ao próximo dia 19 de Setembro

DestinatárioS

O curso destina-se a educadores de infância, professores do 1º, 2º e 3º ciclos do ensino básico e professores do ensino secundário, que sejam profissionalizados e tenham, à data de admissão no curso, pelo menos 5 anos de serviço docente. Terá a duração de 280 horas. 

http://ndsim.esec.pt/pagina/fe/eedv/pagina.php?id=76

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publicado por MJA [15.Set.08]


Curso de Pós-Graduação em EE - Domínio da Visão

Escola Superior de Educação de Coimbra

Este curso visa proporcionar formação no âmbito das filosofias e práticas de acompanhamento e inclusão socioeducativa de indivíduos com necessidades educativas especiais (NEE), centrando-se preferencialmente nas patologias do foro da visão.

A frequência com aproveitamento do curso dá direito a um diploma de pós-graduação em educação especial no domínio da visão, a emitir pela ESEC. Este diploma não corresponde, no entanto, ao diploma de formação especializada (regulado pelo Decreto-Lei 95/97), pelo que não confere habilitação para o exercício de funções específicas no âmbito da Educação Especial.

Destinatários

O curso destina-se a educadores de infância, professores dos 1º, 2º e 3º ciclos do ensino básico e professores do ensino secundário, licenciados, independentemente da sua situação profissional e tempo de serviço. Poderão eventualmente ser admitidos outros candidatos licenciados, após análise caso a caso. Terá a duração de 230 horas

http://ndsim.esec.pt/pagina/pg/eev/pagina.php?id=22

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publicado por MJA [15.Set.08]


Jantar às escuras em Lisboa

LERPARAVER

13 Setembro 2008


Catarina Sacramento foi conhecer o primeiro restaurante da cidade onde se pode comer às escuras.

Tudo começou em Berlim. O Unsicht Bar (que significa 'sem ver') foi o pioneiro da ideia de oferecer aos clientes uma experiência radicalmente nova: jantar na escuridão total. O sucesso foi estrondoso e, claro, depois dele vieram outros, como o Dans Le Noir, em Paris, ou o Opaque, em Los Angeles.

Em Lisboa, não havia até agora nada do género. Leram bem: até agora. Porque a partir de quinta-feira já há: no restaurante Bem-Me-Quer, na Praça do Chile.

Paula Cascais, proprietária deste restaurante vegetariano, sempre gostou de converter a cozinha num terreno aberto à criatividade, mas confessa que este é o projecto mais arrojado em que se lançou. 'Adorava fazer essa experiência, mas como não tive oportunidade de ir a Berlim, fiquei com vontade de proporcioná-la aos meus clientes', explica. A descoberta do admirável mundo novo da gastronomia molecular foi a alavanca que faltava: ficou maravilhada com as possibilidades que podia acrescentar à cozinha. 'É a sequência lógica da comida vegetariana, faz todo o sentido.' Somando 1 + 1, nasceu a ideia de criar aquilo a que chama 'jantares sensoriais': todas as quintas e sextas-feiras uma das salas do primeiro andar fica reservada exclusivamente para este efeito. 'É uma experiência radical, mas não tem apenas um lado lúdico', diz Paula Cascais. Ao privar os seus clientes daquele que é considerado o mais importante dos sentidos, tem dois objectivos: por um lado, estimular os restantes sentidos, obrigando-os a estar mais despertos durante a refeição; por outro, é também um convite às pessoas para se colocarem na pele de alguém que não vê 'e sensibilizá-las para essa outra forma de estar na vida', afirma. Tal como acontece no restaurante berlinense, também aqui a empregada que serve às mesas nestes jantares é cega.

O seu nome é Ana Serôdio e acolheu a ideia com todo o entusiasmo. É a ela que compete ir trazendo os vários pratos, mas antes disso, guiar os clientes, quando chegam, até aos seus lugares na sala escura; explicar-lhes a posição dos objectos na mesa e descrever-lhes o que vão comer. Sem revelar tudo, claro, para não estragar a surpresa.

O menu (de degustação) inclui uma entrada, três sopas, três pratos e três sobremesas, e foi concebido por Paula Cascais em parceria com a Cooking Lab, especialmente para convocar todos os sentidos neste jogo de identificar não só os sabores, mas os cheiros, os sons, as temperaturas, as texturas. 'Os alimentos têm capacidade de despertar emoções', afirma Paula. E em troca paga-se 40 euros (sem bebidas).

Apesar de sabermos que, à partida, quem se submete à experiência já está mentalizado para não chorar nem chamar pela mamã, também é verdade que a coisa pode correr mal. E se uma pessoa entrar em pânico e quiser sair da sala? E se precisar de ir à casa de banho? Está tudo pensado. Não é preciso desatar aos berros e fazer os outros engasgar-se com o susto; basta chamar a Ana, que ela também está lá para isso. Outro pormenor importante: nada de tentar fazer batota e acender isqueiros ou telemóveis: estão ambos proibidos na sala escura. Na divisão ao lado também se pode provar o mesmo menu, mas às claras. 'A comida pode ser a mesma, mas a experiência é completamente diferente', garante.

A expectativa entre os clientes habituais já é muita e ao almoço não se fala de outra coisa. Se o êxito for tão grande como tem sido na Europa, a câmara escura pode vir a transferir-se para a sala maior, no rés-do-chão. A ver vamos (ou não). Jantares sensoriais.

Restaurante Bem-Me-Quer.
Av. Almirante Reis, 152, R/c e 1º esq.
Quintas e sextas ao jantar (por marcação).
Preço: 40€.
Reservas: 21 847 6678

http://www.lerparaver.com:80/node/7998

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publicado por MJA [19.Set.08]


Prémio Champalimaud:
Eles querem perceber como se vê

10 de Setembro de 2008

Público

O maior prémio científico do mundo foi ontem entregue a dois investigadores americanos que descobriram como a visão transforma as cores numa linguagem que o cérebro consegue perceber.

Se Jeremy Nathans e King-Wai Yau fossem militares em vez de serem cientistas, o seu peito pareceria o dos marechais soviéticos: não sobraria sobre a farda nem um pedacinho livre de insígnias, de condecorações, fitinhas, emblemas e estandartes. E isso não é por o currículo de qualquer um deles ser extenso, nem pelas múltiplas publicações, nem sequer pelos prémios que já receberam. É pela importância fundamental das descobertas feitas por ambos no campo da visão, que os colocaram na vanguarda de uma das áreas mais competitivas da ciência e da medicina a nível mundial.

King-Wai Yau, 59 anos, cidadão americano nascido na China mas formado nos EUA, e Jeremy Nathans, 50 anos, pertencem há muitos anos à categoria dos monstros sagrados. Jeremy Nathans é filho do prémio Nobel Daniel Nathans, já falecido, que chegou a ser presidente da Universidade Johns Hopkins, premiado em 1978 pelo seu trabalho sobre enzimas de restrição, moléculas que permitem cortar o ADN aos pedacinhos e cuja descoberta permitiu a explosão da engenharia genética.

Numa das suas páginas na Internet, Jeremy conta que o basquetebol foi a grande paixão da sua adolescência, mas que se apaixonou perdidamente pela ciência quando aos 20 anos ouviu duas conferências sobre visão. "Fui a correr - literalmente a correr - para a biblioteca", escreve, para aprender tudo o que havia sobre o tema.

Nathans e Yau trabalham na mesma instituição, a prestigiadíssima Universidade Johns Hopkins, em Baltimore (EUA), e na mesma área científica, mas não trabalham juntos - ainda que há cinco anos atrás tenham juntado esforços para estudar uma doença de origem genética, uma forma de degenerescência macular hereditária. Os seus trabalhos abordam aspectos básicos da visão mas desde ângulos diferentes. E foram ambos ontem galardoados com o maior prémio científico do mundo, o Prémio Champalimaud de Visão, no valor de um milhão de euros, atribuído pela Fundação Champalimaud.

"Interessamo-nos os dois pelo início do processo de visão, mas com perspectivas diferentes", explica Yau. "Ambos tentamos perceber como é que a luz nos permite ver, mas estudamos passos diferentes do processo de visão. Imagine uma célula solar fotovoltaica. Há duas fases no seu funcionamento: há um primeiro passo onde a luz é absorvida por um composto [existente na superfície da célula solar] e há um segundo passo onde essa energia luminosa é convertida em energia eléctrica. No olho as coisas passam-se de forma semelhante. A energia luminosa também tem de ser convertida em electricidade porque o nosso cérebro funciona com electricidade. O dr. Nathans tem-se dedicado ao primeiro passo e fez grandes descobertas sobre a forma como a luz é absorvida pela retina. Eu tenho estudado o segundo passo, a transformação da luz em electricidade, que é a única linguagem que o cérebro compreende." A descoberta fundamental de Nathans, feita há cerca de vinte anos, consistiu na identificação dos genes que codificam os três pigmentos existentes na retina que absorvem as cores vermelho, verde e azul. Estes pigmentos correspondem aos três tipos de foto-receptores em forma de cones que existem na retina humana, que são as estruturas responsáveis pela visão das cores. Ao seu lado existe outro tipo de foto-receptores, em forma de bastonetes, muito mais abundantes (uns 100 milhões contra cinco milhões de cones) e que permitem a visão a preto e branco - ou seja, distinguem apenas níveis de luz.

Os genes do daltonismo

"We got lucky", diz modestamente Nathans a propósito da sua descoberta, mas a sorte não parece ter tido um grande papel na descoberta, que o próprio admite que envolveu "muito trabalho, ao longo de cinco ou seis anos". "Sabíamos há séculos que havia três pigmentos [na retina] que permitiam que os seres humanos vissem a cores - o que não acontece noutros mamíferos", explica Nathans. "Um deles é sensível ao vermelho, outro ao verde e outro ao azul. Mas a grande questão era: qual a estrutura destas moléculas e como funcionam? Isso não se sabia. Depois de muito trabalho, conseguimos, não isolar as próprias moléculas, mas isolar os genes que as codificam. Com os genes na mão pudemos ir averiguar (e esta era uma velha questão) se havia alterações nesses genes que pudessem ser responsáveis pelas variações na percepção da cor que afectam a nossa espécie e que são muito comuns. E a resposta é sim. Há uma quantidade de alterações nos genes que codificam os compostos sensíveis à luz que são muito comuns nos seres humanos e que causam o chamado daltonismo de que sete por cento dos homens sofrem. Esse foi o nosso trabalho inicial."

O trabalho de Yau não foi menos fundamental, apesar de o próprio sublinhar repetidamente que a sua equipa foi apenas uma entre muitas a trabalhar na área, que muitos contribuíram para os seus resultados e que ele, pessoalmente, teve apenas "a sorte de estar no sítio certo no momento certo". "O processo de transformação da luz, uma vez absorvida pela retina, em electricidade é muito elaborado", diz Yau. "O processo é confuso porque há muitas proteínas envolvidas, muitos passos, que foi muito difícil integrar num quadro lógico. O que nós conseguimos fazer foi pegar num emaranhado de resultados confusos e transformá-los num quadro lógico. Conseguimos colocar as diferentes proteínas no seu sítio respectivo e perceber o que elas faziam e como as suas funções se encadeavam. Isto é importante porque, quando se percebem os pormenores do processo, podemos começar a olhar para as doenças. Todas as proteínas que foram descobertas e cuja função foi identificada - cerca de uma dúzia no total - estão envolvidas em doenças. Cada uma delas pode causar problemas múltiplos. Basta que uma não funcione correctamente para que ocorram problemas sérios: da cegueira total a uma degenerescência celular que pode degradar de forma séria a visão."

Cada vez mais clínicos

Este trabalho - tal como o de Nathans - não deu origem imediata a tratamentos que tenham permitido evitar formas de cegueira. Mas permitiu adquirir um conhecimento dos processos patogénicos de base fundamental para o desenvolvimento de qualquer estratégia de prevenção ou tratamento e as próximas décadas verão certamente avanços clínicos baseados nos trabalhos dos galardoados com o Prémio Champalimaud deste ano. Nathans confessa, aliás, que os seus interesses são "cada vez mais clínicos". Uma das linhas de investigação que está actualmente a desenvolver consiste não só em tentar identificar os genes individuais defeituosos das pessoas com doenças da retina hereditárias mas no estudo da resposta fisiológica da retina quando esta sofre uma doença ou outras agressões.

"A nossa ideia, em termos simples, mas que penso que são correctos, é a seguinte", explica Nathans: "A retina tem uma capacidade intrínseca para se auto-reparar, possui mecanismos de reparação. Quando partimos um osso, o ortopedista põe gesso e a fractura vai-se reparando. Mas o milagre não está no gesso, está no facto de o osso conseguir reparar-se a si próprio. A mesma coisa acontece quando cortamos a pele e talvez aconteça em todos os tecidos do corpo. Mas sabemos que acontece na retina. O que descobrimos (em experiências realizadas em animais) foi que qualquer tipo de agressão ou stress a que a retina seja exposta desencadeia uma resposta molecular que parece ter como objectivo a reparação dos danos sofridos. Aquilo de que nós temos a ingénua esperança é de que essa resposta geral possa ser controlada e usada para fins terapêuticos." Nathans não espera que esta abordagem permita encontrar a cura para nenhuma doença da visão - pelo menos para já -, mas espera que um dia se possa controlar o processo de auto-reparação da retina e usá-lo para retardar a evolução de algumas doenças.

"Há doenças que já são de evolução lenta", diz Nathans. "Uma pessoa com degenerescência macular pode levar dez anos até perder completamente a visão. Imagine-se que conseguimos retardar esse processo e fazê-lo durar vinte ou trinta anos! Seria um benefício enorme em termos de saúde pública." Um dos factores que os investigadores acham particularmente excitantes na investigação da visão é o facto de ela permitir cruzamentos - às vezes inesperados - com outras áreas. O trabalho de Yau, por exemplo, cruzou-se a dada altura com o olfacto, quando o investigador constatou que a forma como as células nervosas do nariz detectam os odores e os transformam em impulsos eléctricos para serem interpretados pelo cérebro apresentava grande semelhança com o que se passava na visão - apesar de, no caso do olfacto, existirem não três ou quatro tipos de receptores mas cerca de mil. "Há uma semelhança notável entre os dois processos", diz Yau, "e que não é puramente conceptual. As moléculas envolvidas são muito semelhantes - podemos dizer que são primas, ou mesmo irmãs. Isto reforça a ideia de que tipos de células muito diferentes no nosso corpo usam processos muito semelhantes." Nathans, por sua vez, que se interessa pelos genes que determinam a formação de certos padrões biológicos - o desenvolvimento da retina ou dos neurónios, por exemplo -, acabou por ver que alguns destes genes determinam a forma como os pêlos dos animais se orientam no espaço - se deitam num certo sentido e não noutro.

Ratos com cores

A evolução da visão é outro dos interesses recentes de Nathans, que tenta perceber a forma como a visão tricromática dos humanos (que partilham com os grandes primatas) terá evoluído a partir de sistemas mais simples. "Os mamíferos inferiores (cães, gatos, ratos, etc.) possuem uma visão de tipo daltónico, uma visão simplificada da cor, baseada em apenas dois sensores e não três", explica Nathans. "Nós tentámos recriar o passo evolutivo seguinte através de engenharia genética. Alterámos geneticamente um rato de forma a proporcionar-lhe uma visão da cor baseada em três sensores, como os seres humanos. O resultado, extraordinário, foi que o rato passou a discriminar as cores exactamente da mesma maneira que um humano. E isto apesar de nada ter sido alterado no seu cérebro. A única coisa diferente é que possui três tipos de sensores, como os humanos. Isto significa que há uma plasticidade intrínseca no cérebro dos mamíferos que faz com que inputs adicionais (provavelmente dos mais diversos tipos: olfactivos, auditivos, visuais) possam ser usados imediatamente pelo animal." O que falta saber sobre a visão? Nathans e Yau sorriem e suspiram. Apesar do dinamismo do estudo da visão, falta saber... quase tudo. "Não fazemos ideia de como o cérebro constrói sentido a partir das informações visuais que recebe", refere Nathans. "Uma pessoa consegue reconhecer uma cara numa fracção de segundo mas nenhum computador consegue fazer isso. Nem sabemos como é que o nosso cérebro integra todas as informações de forma e cor, movimento e profundidade. Há ainda muitas grandes questões à espera de resposta."

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publicado por MJA [10.Set.08]


 

Prémio Champalimaud para cientistas
da Johns Hopkins University

IOL Portugal Diário

9 Set 2008

Distinção no valor de um milhão de euros e é a maior do mundo na área da visão

Os cientistas Jeremy Nathans e King-Wai, da Universidade norte-americana Johns Hopkins, recebem esta terça-feira o prémio António Champalimaud de Visão 2008, por terem conseguido «descobertas fundamentais nos mecanismos de funcionamento da visão», anunciou a Fundação Champalimaud.

De acordo com a Fundação, o Prémio António Champalimaud de Visão 2008 distingue um conjunto de descobertas fundamentais que vieram mostrar como a luz é convertida pela retina nos sinais nervosos que são a base da visão humana.

O trabalho liderado por Jeremy Nathans, professor de Biologia Molecular, Genética e Oftalmologia, veio «revelar as sequências genéticas que codificam os pigmentos visuais humanos, tendo identificado os seus mecanismos de acção e a forma como mutações nestes genes originam patologias da retina».

A investigação da equipa de King Wai Yau, professor de Neurociências e Oftalmologia, «demonstrou como a absorção de luz por estes pigmentos gera os sinais eléctricos que formam a visão e que regulam os nossos ritmos biológicos», realça a Fundação.

O prémio, no valor de um milhão de euros, é o maior atribuído no mundo nesta área e pretende reconhecer «realizações científicas excepcionais que impliquem transformações na compreensão, diagnóstico, tratamento e/ou prevenção de doenças e distúrbios da visão».

No ano passado, o prémio foi entregue ao «Aravind Eye Care System», em Madurai, Índia.

A Fundação Champalimaud foi criada em 2004 por testamento do empresário português António Champalimaud, com uma dotação de 500 milhões de euros.

http://diario.iol.pt/sociedade/champalimaud-visao
-ciencia-premio-champalimaud-iol-jornal/989311-4071.html

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publicado por MJA [9.Set.08]


Ao Alcance das Mãos - Informação Táctil
nos Museus e Centros de Ciência

JPS

4 Set 08

No próximo dia 29 de Setembro terá lugar no auditório do Pavilhão do Conhecimento-Ciência Viva o primeiro seminário sobre informação táctil nos museus e centros de ciência.

Como podem os museus e centros de ciência optimizar a visita de cidadãos cegos e com baixa visão? O que existe e o que ainda falta nesses espaços para que este público sinta que vale a pena visitá-los e revisitá-los?

Vários especialistas, investigadores e profissionais de museus, nacionais e estrangeiros, debaterão estas e outras questões, analisando também o que já foi feito em Portugal nesta matéria e o que se pode fazer no futuro, recorrendo a parcerias com instituições representativas dos cidadãos cegos e com baixa visão.

O seminário é dirigido aos profissionais dos museus e ao público em geral interessado nesta temática. As inscrições estão abertas, estando limitadas à capacidade do auditório (150 pessoas).

Haverá tradução simultânea em inglês, francês e português.

No âmbito deste seminário estará patente uma exposição de fotografia táctil, da autoria do fotógrafo Paulo Abrantes.

http://odivelas.com:80/activenews_view.asp?articleID=4667

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publicado por MJA [9.Set.08]


 

Histórias de Paralímpicos

Correio da Manhã

31 Agosto 2008

Bento Amaral ficou tetraplégico, aos 25 anos, à boleia de uma onda na praia. Já numa cadeira de rodas, quis terminar o curso de Engenharia e, mais tarde, voltar a fazer vela. O atleta será um dos 35 a representar Portugal em Pequim

Decidiu que tinha chegado o dia em que iria passar a andar de cadeira de rodas - mas nenhum momento da vida é fácil para sentar os sonhos. Muito menos aos 26 anos. As pessoas reparavam que tinha um andar diferente - deixou de correr e até tropeçava caminhando apenas. Só que Bruno Valentim estava com alento ao decidir dar movimento à vida. Queria acompanhar os amigos à discoteca, ao centro comercial, ao café, e não podia ser uma doença neuromuscular degenerativa a pará-lo. Nem hoje é desculpa. Aos 42 anos, o atleta de boccia vai representar Portugal nos Jogos Paralímpicos de Pequim, China.

Há quatro anos, nos Paralímpicos de Atenas, Grécia, os portugueses trouxeram duas medalhas de ouro, cinco de prata e cinco de bronze. Este ano, teremos 35 atletas a competir em sete modalidades - atletismo, natação, boccia, equitação, ciclismo, remo e vela -, entre os dias 6 e 17 de Setembro.

Boccia joga-se num campo rectangular em equipas de três, ou a pares ou individualmente. A bola branca é o alvo e o objectivo é cada jogador (ou equipa) aproximar as suas bolas coloridas desta. Para Bruno Valentim o desporto não era novidade - até ao 9.º ano praticou mais de dez desportos, incluindo natação, andebol e equitação; e foi também, aos 13 anos, que a doença se começou a manifestar. Quando, em 1996, o jogo do boccia deixa de ser exclusivo para pessoas com paralisia cerebral, ele foi convidado. 'Finalmente, ao fim de 15 anos, podia voltar a praticar desporto.' Nunca deixou de trabalhar e estudar. Com dois pós-doutoramentos, é professor de Ciências Naturais do ensino básico e secundário, no Porto. E foi convidado para investigador auxiliar no Centro de Geologia da Universidade do Porto.

Bruno tem deficiência motora ao nível dos braços, das pernas e do tronco. No boccia é dos melhores. 'Nunca perdi um pódio até agora, em cerca de 40 competições.' Do que assistiu dos Jogos Olímpicos, considera que 'as duas medalhas [a de ouro de Nelson Évora e a de prata de Vanessa Fernandes] são o resultado do sucesso de uma delegação com 72 pessoas'. Ele próprio vai tentar não falhar a medalha. À partida para Pequim, o atleta revela que ganha uma bolsa de 400 euros (durante 12 meses) e um prémio superatleta de 150 euros, este último pago pela Federação de Desporto para Deficientes.

A possibilidade de vir a sofrer problemas na coluna devido a má formação congénita num braço fez Leila Marques mergulhar na piscina pela primeira vez aos três anos. Aos 13 estreou-se na alta competição e em poucas 'braçadas' estava no pódio. Em 2000 bateu o recorde mundial de pista curta dos 100 metros bruços. Dos campeonatos do Mundo de 2002 e 2006 trouxe duas medalhas de bronze individuais e uma de prata nas estafetas e, nos Paralímpicos, conseguiu o quinto lugar. Para Pequim, o sonho é voltar aos primeiros lugares.

Aos 27 anos, o dia-a-dia de Leila inclui cinco horas de treinos repartidos pela piscina e o ginásio e outras tantas nos corredores do Centro de Saúde de Loures, onde está prestes a terminar a especialidade de Medicina Geral e Familiar. 'Acredito que, por ter uma deficiência, estou mais sensibilizada para lidar com pessoas com incapacidades temporárias ou permanentes. Sempre quis ajudar os outros. Acho que colhi o melhor exemplo de dedicação e entrega dos técnicos que durante anos cuidaram de mim no Centro de Reabilitação de Alcoitão', recorda.

Leila compreende bem o esforço que os companheiros dos Olímpicos fizeram: 'Os que tinham de trazer medalhas - como a Vanessa Fernandes e o Nelson Évora - conseguiram-no. A Naide teve um momento de azar mas muitos outros bateram recordes nacionais e individuais e todos eles mereciam mais carinho por parte dos portugueses nesta altura'.

Também convencido que os 'atletas portugueses vão para os Olímpicos e Paralímpicos para dar o seu melhor' está Carlos Lopes - homónimo do primeiro português a ganhar o ouro nos Olímpicos. Não é cego de nascença. Piorou a partir dos 15 anos. 'Em certas fases foi desesperante. Há um momento em que teimamos em não aceitar as coisas. Mas depois há também o momento em que aceitamos viver com o que temos.' Aos 18 anos, já Carlos andava de bicicleta à noite guiado apenas por um forte clarão que indicava os postes de iluminação. Os pais evitavam falar da sua doença e ele viveu-a solitariamente.

'Não existe o dia em que deixo de ver completamente. O momento que associo a ser cego foi quando comprei a minha primeira bengala, aos 21 anos' - conta Carlos Lopes. Foi também nesse ano que o então estudante universitário contactou mais de perto com pessoas com deficiência visual. As mesmas que o convidaram à prática desportiva. Daí até ser o atleta mais medalhado de sempre passaram 18 anos. Sempre acompanhado pela Gucci, a sua cadela guia, aos 39 o atleta - para quem não ver é mais uma característica sua - vai correr pela última vez (será a quinta) nos Paralímpicos. Vai parar não pela idade. Este ano já bateu o seu recorde pessoal dos 100 metros. É porque acumula a sua profissão de psicólogo, na área de orientação escolar e profissional, com a presidência da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal.

Dois anos mais novo que Carlos, Augusto Pereira tem uma paixão desmesurada pelo ciclismo. Conta o seu treinador, Henrique Santos, que dias antes da prova em Colorado, EUA, no Mundial de 1998, Augusto olhou para a maneta da bicicleta e, preocupado, achou que estava torta. Tentou endireitá-la e partiu-a. Foi, pela primeira vez na sua carreira desportiva, vice-campeão. Sofre de paralisia cerebral mas nasceu com vontade de vencer.

Augusto vive em Ílhavo, Aveiro, onde é carpinteiro no Centro de Acção Social. Trabalha todo o dia e ainda arranja forças para 60 a 80 km de pedalada. Quer fazer o mesmo que José Azevedo e Cândido Barbosa. 'Até lhe ofereceram um equipamento completo do Benfica. E ele ficou todo orgulhoso. Vestiu-o logo no dia seguinte' - recorda o treinador que o acompanha há 15 anos.

Sara Duarte também sofre de paralisia cerebral. E, na sua vida, os cavalos surgiram, aos sete anos, como terapia (hipoterapia). Desde menina que se habituou a lutar por melhorar a sua condição física. O que tem conseguido graças também à ajuda da mãe, que é especialista em educação especial. Aos 24 anos, Sara passou para o 3.º ano do curso de Farmácia. 'Tem sobretudo dificuldades nas aulas práticas', explica Maria de Lurdes Cardiga, responsável pela Comunicação do Centro Equestre João Cardiga, onde a atleta treina.

Por duas vezes vencedora da Taça de Portugal de Paradressage (ou equitação adaptada), em 2007 e 2008, Sara esteve 15 dias na localidade alemã de Aachen a treinar, no maior centro hípico do Mundo, para os Paralímpicos.

Todos os nossos atletas são a prova de que com esforço se vence as vicissitudes da vida. Bento Amaral sofreu um acidente quando tudo o resto lhe sorria. Não praticava surf como os outros: com prancha. 'Apanhava boleia' das ondas da Leça da Palmeira. Num dos saltos bateu com a cabeça no fundo e partiu a quinta vértebra cervical. Tinha 25 anos. Seis meses hospitalizado obrigaram-no a adaptar-se à sua nova condição: estava tetraplégico.

Bento adaptou à cadeira de rodas e voltou a sair à noite com os amigos. Um ano após o acidente, fez a cadeira que lhe faltava para acabar o curso de Engenharia Alimentar. Ia poder realizar o sonho de ser enólogo - tal como é, aos 39 anos, provador de vinhos no Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto.

Parecia condenado a não voltar a fazer vela. O seu desporto de infância. Até que, em 2001, conheceu o australiano fabricante de barcos de vela adaptados a pessoas com deficiência. E começou a treinar no Clube de Vela Atlântico de Leixões, apenas ao fim-de-semana, três a quatro horas. No seu barco, Bento posiciona-se ao centro, preso por um cinto de segurança, e controla-o através de uma alavanca mecânica. Nos Paralímpicos compete em dupla com Luísa Silvano, de 49 anos. Tudo na vida do velejador se adaptou à sua nova condição. A família foi fundamental e hoje conta com o irmão como seu treinador e a mulher como sua companheira. 'Apesar das dificuldades, consigo ser feliz e espero que outras pessoas, em circunstâncias iguais, também possam ser.'

http://www.correiodamanha.pt/noticia.aspx?contentid=3D392636-A410-4E82-828E-C06A54897CDA&channelid=00000019-0000-0000-0000-000000000019

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publicado por MJA [9.Set.08]


Andar às cegas na cidade:
Cabinas, buracos, lixo, obras, tudo transforma
a caminhada dos cegos num ziguezague

Jornal de Notícias

17-Ag-2008

Ricardo Paz Barroso

O JN acompanhou dois cegos num percurso de centenas de metros em Lisboa, na Avenida da Liberdade e suas imediações. As armadilhas são várias, os perigos reais e as consequências dolorosas e só não vê quem não quer...

O ponto de encontro com João Moniz e Abílio Oliveira - um cego e um amblíope que trabalham em Lisboa - estava marcado junto à boca do metro da Avenida da Liberdade, relativamente próximo da delegação de Lisboa da Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), da qual os dois integram a direcção. A cidade estava tranquila, apenas se viam turistas e muitos lugares de estacionamento vagos. Estava prometido um passeio com escassos 400 metros de percurso, para mostrar o calvário por que passam os deficientes visuais na capital. João e Abílio garantem que esta zona "até nem é das piores da capital".

Logo ali apanhámos umas das várias armadilhas de que se queixam os deficientes visuais: Um posto público com dois telefones separados apenas por uma barreira de plástico que não chega ao chão, ou seja, indetectáveis pela bengala. "Há seis meses, circulava por uma estação de metro que não conhecia bem e ia junto à parede quando choquei forte com a cabeça numa estrutura destas, o que me magoou ao ponto de fazer sangue", lembrou João Moniz, 33 anos, telefonista numa grande superfície em Lisboa, e presidente da delegação lisboeta da ACAPO.

"Ou quando as cabinas telefónicas estão no meio de passeios apertados, o que nos obriga a ir para o alcatrão, sem que consigamos ver se há carros", completa Abílio Oliveira, 43 anos, telefonista, mas na Câmara de Lisboa, e secretário da delegação presidida por João Moniz. Também uma placa de publicidade, que chega a ocupar meia largura do passeio público, foi alvo de críticas e testes destes dois deficientes visuais, pois a bengala também não as detecta no imediato.

Ao descer a avenida, um pouco antes da Rua das Pretas, de novo um obstáculo: Uma volumosa placa de cimento ocupa o passeio na íntegra, com vigas de ferro a segurar a fachada há muito abandonada, já que o miolo do prédio ruiu há anos. Além da parte estética incompreensível para uma zona nobre da cidade, aquela solução provisória de segurança obriga a circular pela rua. "Já estamos mais ou menos a habituados a estas eventualidades permanentes", brincou Abílio Oliveira, que estima em 160 mil o número de deficientes visuais em Portugal.

Mas há outras armadilhas detectáveis num tão curto passeio pela avenida. O lixo que se acumula em certos passeios; os dejectos dos animais que os donos não apanham do chão; as rodas de cimento que evitam o estacionamento em certas zonas ("essas dão queda garantida", diz João Moniz) e placas de trânsito à altura das cabeças, que já provocaram muitos acidentes. João Moniz deixa-nos com interrogações prementes: "E de quem é a culpa desses acidentes? E se um dia há ferimentos graves?"

 

http://jn.sapo.pt:80/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Lisboa&Concelho=Lisboa&Option=
Interior&content_id=980503

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publicado por MJA [9.Set.08]


Governo moçambicano lança
edição da Constituição em braile

Lusa

14-Ag-08

Maputo, 14 ago (Lusa) - O presidente moçambicano, Armando Guebuza, lançou nesta quinta-feira a primeira edição da Constituição do país em braille, que possibilitará a milhares de deficientes visuais moçambicanos conhecerem melhor os seus direitos e deveres.

Em Moçambique, existem atualmente 700 mil pessoas com problemas visuais, 200 mil das quais são completamente cegas, mas 500 sabem ler perfeitamente em braile, disse à Agência Lusa o presidente da Associação dos Cegos e Amblíopes de Moçambique, José Tole.

Armando Guebuza considerou que o lançamento da Constituição da República de Moçambique em braile reflete "o compromisso do governo com as políticas de inclusão e de criação de condições que promovam a igualdade de direitos e de oportunidade para todos os cidadãos".

Para o presidente, deficientes visuais são mais freqüentemente alvo de discriminação, autodiscriminação e automarginaliza-ção.

"Sintamo-nos animados pelos resultados que este lançamento representa e avancemos para traduzir em diversas línguas especializadas outros documentos de importância vital no aprofundamento da cidadania e da consciência de pertencimento e de participação dos cidadãos na construção do país", disse o líder, em Maputo.

A Constituição em braile, elaborada com a ajuda de especialistas, é de autoria do Ministério da Mulher e da Ação Social de Moçambique.

 

http://www.agencialusa.com.br:80/index.php?iden=18318

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publicado por MJA [9.Set.08]


As bonecas deficientes podem ajudar as crianças?

Bárbara Wong
Público
14.07.2008

Têm os olhos amendoados, a língua ligeiramente de fora, as mãos sapudas. São bonecas com síndroma de Down. Uma brincadeira de mau gosto ou uma maneira de promover a diferença? As opiniões dividem-se.

Podem ser louras, mas não têm umas pernas sem fim, nem cintura de vespa. Não são Barbies, nem Bratz com roupas e pinturas glamorosas. Têm os olhos grandes e amendoados, algumas têm-nos salientes; os narizes são arrebitados, as orelhas pequenas e coladas à cabeça, a boca aberta e com a língua meio de fora. São bonecas que se parecem com crianças com síndroma de Down. Mas não estão sozinhas no mercado. Existem umas que são carecas, como os meninos que fazem quimioterapia. Outras andam de cadeira de rodas, de muletas ou usam um cão guia porque são cegas. São bonecas com deficiências, a pensar nos meninos que são diferentes, mas não só.

A Diferenças - Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21 e a Raríssimas - Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras rejeitam este tipo de brinquedos. "As meninas olham e admiram o perfeito, o ideal, a Barbie que não existe. Porquê retirar-lhes também o sonho de se reportarem nelas, como acontece com as meninas sem deficiência?"; pergunta Paula Costa, presidente da Raríssimas.

O ideal é serem oferecidas às crianças sem deficiência para perceberem que há diversidade, defendem os investigadores David Rodrigues e Teresa Brandão, da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa (FMH/UTL).

Mas, entre as associações que acompanham crianças deficientes não há consenso. Em Espanha, a Federação Espanhola das Instituições para o Síndroma de Down (Down España) apoiou e acompanhou o desenvolvimento da Baby Down, uma boneca que representa um bebé, de fralda, que pode ser comprada com o cabelo louro, castanho ou ruivo e na versão feminina ou masculina.

A ideia foi de Pedro Cubells, da Des.toys, uma empresa espanhola de brinquedos, que sempre sonhou com uma boneca assim. A Baby Down está à venda em todas as lojas e distribuidores especializados de brinquedos, mas também pode ser comprada pela Internet (www.babydown.es). Neste primeiro ano foram vendidas cerca de cinco mil bonecas e a Des.toys doa 40 por cento do lucro da fabricação à Down España.

"Temos recebido feed-back de pessoas de várias nacionalidades que elogiam, apoiam e incentivam esta iniciativa", informa Pedro Cubells, por e-mail, acrescentando que também já houve reacções negativas.

Há alguns anos, Helga Parks imaginou uma boneca com Trissomia 21, começou a fabricá-las e a vende-las pela Internet (www.downsyndromedolls.com), desde 2001. Parks foi mais longe e criou bonecas carecas a que chamou Chemo Friends, uma alusão às crianças que fazem quimioterapia; e ainda um ursinho, o Anatomical Teddy, a quem se podem tirar os órgãos internos - a pensar nas crianças que vão ser operadas.

Mas há mais. Na Carolina do Sul, Donna Moore, uma mulher que perdeu a visão gradualmente, decidiu dedicar a sua vida à causa do síndroma de Down através da produção de bonecas em tudo semelhantes às crianças com Trissomia 21, pode ler-se no seu site (www.downicreations.com). À venda na Internet, há oito modelos de bonecas, com roupas cheias de rendas e de corte antiquado. As primeiras bonecas que Moore criou chamam-se Kathryn, Elizabeth e Timothy, nasceram todas em 1997.

São bonecas de colecção, mais caras que a Baby Down (19 euros) ou que as de Helga Parks (cerca de 30 euros) e quem as compra recebe um certificado de autenticidade. O portal de Donna Moore prevê ainda que quem quiser deixe um donativo para que as crianças deficientes, com rendimentos mais baixos; os hospitais e escolas possam receber uma daquelas bonecas que podem custar mais de 110 euros.

A verdade é que estas bonecas estão a tornar-se populares nos EUA, no Reino Unido e um pouco por todo o mundo. Pedro Cubells apresentou este ano, na feira dos brinquedos no Brasil, a Baby Down e foi um sucesso. "Talvez se fabrique lá para distribuir por toda a América Latina", espera.

Actualmente a viver nos EUA, Helga Parks, de origem alemã, já sofreu na pele as reacções negativas às suas criações. Alguém escreveu num blog: "Tudo aquilo roça o mau gosto". Foi por causa deste comentário que a criadora pôs uma declaração de intenções no início do seu portal na Internet, escreve o Times On line. "Estes brinquedos podem ser importantes para que as crianças com síndrome de Down construam a sua auto-estima", defende. "As crianças com deficiência podem sentir-se mais integradas na sociedade", defendem alguns produtores de brinquedos, citados pelo Daily Mail. "Elas sabem que não são iguais e precisam de se identificar com qualquer coisa, como todas as outras crianças", declara Donna Moore.

"Não é preciso dizer-lhes, elas sabem muito bem que são diferentes e não querem ser", responde Paula Costa, da Raríssimas. Para esta mãe de uma criança diferente, oferecer um boneco com traços de Down é o mesmo que "marcá-la" ou "dizer-lhe, indirectamente: Tu és diferente, só podes ter um dia um bebé como tu."

"Não queremos promover a diferença, mas promover a sua beleza e fazer-lhes saber podem ser diferentes por foram, mas por dentro somos todos iguais. Eles têm os mesmos sonhos e as mesmas esperanças", contrapõe Donna Moore, no britânico Daily Mail.

Teresa Brandão, professora do Departamento de Educação Especial e Reabilitação da FMH/UTL, aponta que muitas crianças com síndroma de Down não vão sequer aperceber-se que aquele boneco é diferente dos outros ou que é parecido consigo. "Antes dos sete ou oito anos não têm ainda noção do eu e do outro, porque têm a maturidade de uma criança de três ou quatro anos. Quando perceberem esses conceitos já não têm idade para brincar", explica.

Para esta especialista e para o investigador David Rodrigues estes brinquedos "devem ser dados a todas as crianças". "São uma vantagem educativa porque representam a diferença", defende Teresa Brandão que considera que podem ser usados nas creches e jardins-de-infância para falar com as outras crianças. "Serão úteis para quem não tem deficiências, para a educação das crianças em geral", acrescenta David Rodrigues que alargaria a oferta a bonecos gordos ou de outras etnias para que todas as crianças aprendam a lidar com a diferença.

"Todos diferentes, todos iguais", lembra Paula Costa que considera fundamental que as crianças sem deficiência olhem para os que são diferentes "com naturalidade". Apesar de tudo, a presidente da Raríssimas preferia que estas bonecas "não existissem".

Fonte: http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain%2Easp%3Fid%3D13695917

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publicado por MJA [14.Jul.08]


 

Primeira adolescente cega com cão-guia

Correio da Manhã

Rui A. Chaves

30 Junho

Chama-se Sofia Santos, tem 17 anos, é cega de nascença, fruto de uma malformação congénita, e partiu sábado para o Canadá, onde vai receber formação e um cão, que fará dela a primeira invisual portuguesa adolescente com um cão-guia.

A jovem vai passar o próximo mês numa quinta dos arredores de Montreal, capital do Quebec (província daquele país), onde vai conhecer e aprender a lidar com quem será o seu maior companheiro num futuro próximo: o cão que os especialistas canadianos entenderem como o mais adequado para a sua personalidade e estilo de vida.

Em causa estão as diferentes características de cada cão e não esta ou aquela raça, uma vez que são poucas as que servem para cães-guia de cegos: labrador, golden retriever e uma outra raça canadiana.

"Vou ter maior autonomia e segurança", exclamou a jovem, em declarações ao CM, admitindo já gozar de uma considerável independência: "Faço tudo sozinha em casa, escrevo ao computador [lê com programa de voz] e também vou para a escola ou passeio em Lisboa pelos meus próprios meios".

Foi aliás a sua mobilidade (sobe as escadas de casa a correr) que contribuiu para que Sofia tivesse sido a escolhida entre os "apenas três candidatos" ao cão-guia, oferecido por uma parceria entre a ACAPO (Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal) e a congénere europeia Mira Europe.

É com alguma pena que a jovem reconhece no reduzido número de candidatos o "excessivo proteccionismo dos pais". Talvez também por isso os cães-guia existentes em Portugal, treinados numa única escola no Norte do País, sejam todos destinados a cegos adultos.

Sofia, que já tomou conhecimento com o método de trabalho dos cães-guia, confia numa adaptação rápida e até espera beneficiar de uma segurança acrescida, uma vez que os cães-guia, em posição de trabalho (com o arnês colocado) não deixam outras pessoas aproximarem-se do dono.

"Toda a família vai ter de se adaptar",reforça a mãe Adelina Santos, lembrando ter criado Sofia "tal e qual como o irmão mais velho, de 22 anos, e a irmã adoptiva mais nova (cinco anos)".

 

Fonte: http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=10569075-F9DD-470A-866B-08E8FA9B946F&channelid=00000010-0000-0000-0000-000000000010

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publicado por MJA [7.Jul.08]


Requisição on line de manuais escolares
em formatos acessíveis 

Encontra-se disponível a aplicação informática para requisição on line de manuais escolares em formatos acessíveis a alunos com necessidades educativas especiais de carácter permanente.

As escolas devem entrar com o utilizador (código GEPE o mesmo utilizado para apreciação e adopção de manuais escolares) e respectiva palavra-chave.

Contactos para informações:

Tel: 21 393 46 02 / 21 393 46 08
e-mail: centro.recursos@dgidc.min-edu.pt

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publicado por MJA [27.Jun.08]


Triatlo Aventura de Mortágua

ABAADV

A ABAADV - Associação Beira Aguieira de Apoio ao Deficiente Visual, dando cumprimento ao artigo 2 dos seus Estatutos, que estabelece como objectivo da Associação “promover por todos os meios ao seu alcance, em cooperação com entidades públicas ou privadas, o apoio e integração social, cultural e profissional do deficiente visual”, propõe-se realizar - no dia 12 de Julho de 2008 pelas 15 horas, em Mortágua, com o início no lugar de Valongo, Barragem da Aguieira e final junto à Câmara Municipal de Mortágua - uma prova desportiva a que deu o nome de TRIATLO AVENTURA DE MORTÁGUA.

O I Triatlo Aventura de Mortágua é constituído por uma estafeta de 3 modalidades: Canoagem, BTT e Corrida em que cada equipa é composta por 5 atletas (2 para a Canoagem, 1 para o BTT e 2 para a Corrida). Cada dupla é constituída por 1 atleta cego ou com os olhos vendados e 1 atleta normovisual, sendo a prova de BTT realizada por 1 atleta normovisual.

Admite-se portanto, que um atleta com visão possa vendar os olhos e participar. Esta possibilidade de competir, limitando a capacidade do participante, através de uma venda, é um convite à utilização dos outros sentidos, para responder à sensação de vulnerabilidade durante esta actividade em grupo, competindo com os outros que não vêem.

Para mais informações e inscrições:

ASSOCIAÇÃO BEIRA AGUIEIRA DE APOIO AO DEFICIENTE VISUAL
ESCOLA DE CÃES GUIA PARA CEGOS – MORTÁGUA
Chão de Vento, n.º 15 - 3450-333 Sobral MRT
Telefone: 231 920978 Fax: 231 920979
email: geral@caesguia.org

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publicado por MJA [20.Jun.08]


Infarmed manda retirar silicone
que provocou cegueira

Público

17.06.2008

Um lote do óleo de silicone Siluron 1000, utilizado em vitrectomia para substituição temporária do vítreo (substância gelatinosa e transparente que enche o fundo do globo ocular por detrás do cristalino), vai ser retirado do mercado, informou ontem o Infarmed.

De acordo com a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, a decisão foi tomada pela Oftaltec, distribuidora do medicamento, na sequência de quatro incidentes ocorridos no território nacional - com o lote SIL 1280607 do óleo de silicone fabricado pela Fluoron, GmbH - que provocaram a cegueira temporária.

No mesmo comunicado, lê-se que o distribuidor do Siluron 1000 está a levar a cabo a "recolha voluntária deste dispositivo médico", tendo informado também o fabricante dos incidentes registados.

As unidades hospitalares foram já avisadas da quarentena a que fica sujeito o lote SIL 1280607.

Fonte:http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain%2Easp%3Fid%3D13401070

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publicado por MJA [17.Jun.08]


A visão dos cegos

Diferenças na utilização do cérebro,
observadas entre leitores de Braille,
trazem nova luz ao estudo
do processamento mental da linguagem.

Alda Rocha

Quando lemos palavras como Sol ou estrela, que imagem mental associamos a estes sons e a estes significados? Depende um pouco da forma como os construímos mentalmente, mas não há dúvida de que sempre que lemos estas palavras, o nosso cérebro vai ao «sítio» das imagens para localizar as que lhes correspondem.

E quando o leitor é cego? A expectativa é que as áreas do cérebro envolvidas na leitura sejam diferentes, no entanto, para surpresa dos investigadores, os cegos congénitos, quando estão a ler Braille, usam as mesmas áreas «visuais» do cérebro que as outras pessoas que perderam a visão em diferentes fases da vida - e que por isso dispõem de memórias visuais que podem ser associadas ao uso de muitas palavras -, mas fazem-no de forma diferente.

Esta conclusão é sustentada por um estudo desenvolvido pela Universidade de Vanderbilt, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica Human Brain Mapping, um resultado que ajuda a perceber melhor a relação entre o pensamento e a linguagem e a forma como o nosso cérebro se adapta às lesões.

Há cerca de duas décadas, a maioria dos neurocientistas achava que um cérebro adulto tinha muito pouca capacidade para se reorganizar na sequência de lesões graves ou depois do sistema nervoso periférico - que lhe fornece a informação sensorial - ser afectado. No entanto, desde há alguns anos que se percebeu que tanto os cérebros adultos como os cérebros em desenvolvimento dispõem de maior flexibilidade do que se pensava, uma capacidade que pode ser avaliada precisamente pelo estudo da organização mental de pessoas que perderam a visão em idade precoce.

«Sabíamos que o desenvolvimento do sistema visual ocorre nos primeiros anos de vida. Por isso, decidimos avaliar se a existência ou não de referências visuais, no início da infância, condiciona as zonas do córtex cerebral que são activadas, quando pessoas com grandes deficiências visuais lêem Braille», disse ao EXPRESSO Peter Melzer, um dos cientistas que conduziu a investigação.

Já em 1996 um cientista japonês, N. Sadato, dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, captou imagens obtidas por Tomografia de Emissão de Positrões (PET, da sigla em inglês), de cérebros de diversos indivíduos cegos, que mostravam actividade em zonas do córtex cerebral, enquanto liam Braille. Contudo, não se conseguiu perceber que percentagem desta actividade podia representar activação de memórias do córtex visual que os indivíduos tinham adquirido antes de terem cegado ou, por outro lado, uma readaptação de áreas «visuais» do cérebro que aprenderam a lidar com informação táctil.

Para tentar responder a esta questão, a equipa de Peter Melzer e Ford F. Ebner, ambos professores de Psicologia, com o apoio do Departamento de Radiologia de Vanderbilt, usaram imagens obtidas por Ressonância Magnética Funcional (FMRI), uma técnica que identifica as áreas do cérebro que são activadas medindo as alterações induzidas no fluxo sanguíneo.

Foram recrutados cinco homens e cinco mulheres, metade dos quais cegos de nascimento, enquanto os restantes perderam a visão precocemente. Foi-lhes pedido que lessem e descansassem, de modo a que os investigadores pudessem perceber que áreas eram activadas em resposta ao estímulo inicial (leitura) e outras áreas que eram activadas por uma espécie de nível superior de processamento.

«Surpreendentemente, não encontrámos grandes diferenças na activação do córtex. É espantoso que áreas similares sejam activadas durante a leitura de Braille independentemente de as pessoas terem ou não experiência de visão», afirmou Peter Melzer.

Mas encontraram diferenças intrigantes no comportamento activador, ou seja, na relação entre a duração da activação de áreas visuais específicas e a tarefa. No grupo de cegos congénitos, a activação de uma região no lobo temporal posterior, que está envolvida no processamento verbal fonológico - que ajuda a manter os padrões fonéticos e as regras de pronunciação do discurso - estava mais fortemente correlacionada com a leitura do que estava no grupo com alguma experiência visual. Por outro lado, no grupo com alguma experiência visual foi observada uma maior correlação entre uma região adjacente, associada com a análise semântica - permite avaliar o significado das palavras - e a tarefa pedida.

Os cientistas especulam que um curto período de visão pode dificultar mais o acesso a certas áreas do córtex visual, depois da cegueira, do que a sua inexistência, o que pode ajudar a justificar o facto de os cegos congénitos tenderem a ser muito melhores leitores de Braille do que aqueles que perdem a visão mais tarde.

O estudo fornece novas pistas para a possibilidade de existir um tipo de imagística mental que não depende da informação proveniente do mundo físico, dado que os cegos congénitos referiram ter associações não-visuais com algumas palavras, e as áreas cerebrais que estão envolvidas no processamento das palavras sugerem que esta imagística não-visual está relacionada com a linguagem.

Fonte: FUTURO Ciência

in LERPARAVER [2005]

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publicado por MJA [22.Mai.08]


Olhar Táctil

fotografias de Paulo Abrantes

Local: Museu da Guarda
Inauguração: 17 de Maio – 17 H
Data: 18 de Maio a 15 de Junho de 2008

Se os Museus, pelas suas funções específicas, constituem espaços privilegiados de reflexão e entendimento sobre questões patrimoniais e culturais, as exposições constituem momentos de excelência.

O Museu da Guarda particulariza este meio de comunicação. Ao assumir essa função estabelece, de uma forma eficaz, o diálogo com a comunidade realizando exposições temporárias no âmbito das suas colecções, da história regional e nacional, e ainda no quadro das comemorações internacionais.

Porém outras há em que se pretende possibilitar à cidade e à região aproximações ás modernas linguagens e correntes estéticas. É neste sentido que o Museu da Guarda acolhe uma nova linguagem fotográfica que permite às pessoas invisuais acederem à interpretação de imagens através do sentido táctil. Intitulada Olhar Táctil, da autoria de Paulo Abrantes, esta exposição remete-nos para um imprescindível meio de inclusão: a proximidade entre as “diferenças”.


Museu da Guarda
Rua General Alves Roçadas, 30
6300-663 Guarda - Portugal
Telefone +351 271 213 460
Fax +351 271 223 221
mguarda@ipmuseus.pt  
http://museudaguarda.imc-ip.pt

Horário: De Terça-feira a Domingo
Manhã – 10h00–12h30
Tarde – 14h00–17h30

http://museudaguarda.imc-ip.pt:80/pt-PT/exposicoes/futuras/ContentDetail.aspx?id=407

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publicado por MJA [16.Mai.08]


Site de pornografia para cegos é um sucesso

Paula Cosme Pinto

Expresso

Os clipes sonoros, com descrições pormenorizadas de cenas de sexo, são feitos por internautas voluntários.

29 Abril 2008: "Porn for the Blind", em português "Pornografia para Cegos". É este o nome de uma "associação sem fins lucrativos", que criou um site de "conteúdos para adultos" direccionado para pessoas com deficiências visuais. O sucesso é garantido: só no mês de Abril a página recebeu mais de 150 mil visitas.

O site norte-americano dedica-se a oferecer descrições em formato áudio de filmes pornográficos disponíveis na web. De acordo com uma notícia avançada pelo site da BBC, os clipes sonoros são feitos por voluntários, que descrevem as cenas de sexo com detalhes sobre as personagens e os cenários para que o internauta invisual possa imaginar o vídeo em questão.

Embora o site tenha sido criado em 2006, a sua audiência só começou a ser mais significativa a partir de Agosto de 2007, altura em que ficou disponível um software que permite a qualquer internauta gravar as descrições dos filmes. Segundo os fundadores da página, "os voluntários são pessoas comuns que querem contribuir com uma diferença positiva no mundo".

Até hoje a equipa do "Porn for the Blind" ainda não teve de censurar nenhuma das gravações. Quanto ao público-alvo, os criadores da página garantem que a crítica tem sido "positiva" e que até já há pedidos para o futuro: "os utilizadores querem mais vozes femininas e mais picantes".

Fonte: http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/306454

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publicado por MJA [13.Mai.08]


Mais de 100 empresários jantaram "às escuras"
para sentir dificuldades de invisuais

NYM
Lusa

Lisboa, 24 Abril - As mãos desajeitadas transformam-se em olhos, a ementa é desconhecida e teima em "fugir" dos talheres. Mais de cem personalidades jantaram quarta-feira "às escuras" e "sofreram na pele" algumas dificuldades enfrentadas por invisuais no dia-a-dia.

O primeiro jantar do género em Portugal, promovido pela Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) e pelos centros Dolce Vita, realizou-se no piso subterrâneo do centro comercial Monumental em Lisboa, fechado em forma de "caixa-forte negra" para que não existisse luz.

As ementas em braille provocaram a primeira reacção de estranheza e desconforto, enquanto se aproveitou a entrada ainda com as luzes acesas. As instruções são simples como as do cinema: telemóveis e aparelhos com luz têm de ser desligados.

Antes desta experiência, algumas indicações da apresentadora da noite, Bárbara Guimarães, que explica como proceder durante o jantar para que não aconteçam "desastres".

Mas o verdadeiro desafio começa quando o prato principal é entregue, ainda tapado, nas mesas e se desligam as luzes para que se aproveite a refeição.

Entre as tampas que vão rasando algumas cabeças e as pessoas procuram os talheres, alguém exclama feliz: "Encontrei uma batata". Outra pessoa com uma voz triunfante exclama: "Ah, isto é carne". Enquanto alguns se vêem envolvidos numa "luta" entre talheres e a comida, há quem desista: "Já tou a comer à mão".

Entre dúvidas sobre a composição da refeição, algumas cotoveladas e "desistências dos talheres" também há quem não se adapte e faça alguma "batota", aproveitando as luzes dos telemóveis para situar a comida perdida.

Quando as luzes se acendem, o sucesso da experiência mede-se pela quantidade de comida desaparecida do prato e que não "voou" para o colo de ninguém.

A experiência é apenas parcial já que apenas de tempos a tempos a luz volta a desaparecer mas as dificuldades mantêm-se. O desafio impressiona: "O que vale é que isto são só dez minutos", diz alguém em jeito de desabafo.

É sem luz que Ana Sofia Sousa, invisual e trabalhadora da ACAPO, declama um poema de Alberto Caeiro escrito em braille, e que o cantor Luís Represas toca e canta uma música do seu repertório e alguns músicos dão um tom clássico à refeição.

No meio de gargalhadas, desastres e brincadeiras a experiência "foi um sucesso" e "é para repetir" afirma José Esteves, presidente da ACAPO.

"Pretendemos sensibilizar para que tenhamos uma sociedade que nos integre melhor, que nos receba melhor, para que consigamos ser cidadãos como os outros", afirmou José Esteves.

"Nós somos todos potencialmente cegos. Eu com 21 anos conduzia", sublinhou.

Idália Moniz, Secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, alertou para que os programas e incentivos do governo sejam mais utilizados e para a falta de informação.

"O estigma só se vence com informação. Os invisuais têm uma grande dificuldade em arranjar trabalho e quando arranjam agarram-se a ele com toda a força. Não faltam, não chegam atrasados, são até mais esforçados e com as novas tecnologias podem fazer de tudo. É preciso perder a ideia comum de que os cegos só dão é bons telefonistas", acrescentou.

O jantar foi buscar o modelo a uma cadeia de restaurantes chamada "Dans Le Noir", em que os empregados são cegos e os jantares são sempre servidos às escuras, sendo para repetir nos restantes centros comerciais da cadeia, espalhados pelo país.

Fonte: http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=341924&visual=26

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publicado por MJA [5.Mai.08]


Jovem britânico quase cego recupera a
visão graças a terapia genética

Teresa Firmino

Público

29.04.2008

[O mesmo procedimento cirúrgico foi aplicado noutros doentes na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, mas sem grandes melhorias]

Aos 18 anos, Steven Howarth estava quase cego, devido a uma doença degenerativa. Já demorava uma eternidade só para dar uns passinhos, com receio de esbarrar nalguma coisa. Há seis meses, uma equipa de cientistas britânicos conseguiu resgatá-lo da cegueira total a que estaria destinado, graças a uma nova terapia genética.

Steven Howarth sofria de amaurose congénita de Leber, uma doença genética rara descrita em 1869. Uma forma da doença é causada por mutações num gene - o RPE65 -, que conduzem à destruição gradual da retina. Estas crianças nascem com grande deficiência visual e, por volta dos 20 anos, perdem totalmente a visão, sem que exista um tratamento eficaz. Para combater esta doença genética da visão, e outras, a equipa de Robin Ali, do University College de Londres, avançou com uma operação pioneira: na parte de trás do olho, os investigadores injectaram um vírus inofensivo para os humanos, que actuou como se fosse um estafeta, entregando uma cópia normal do gene nas células da retina para obrigá-las a funcionar de forma normal.

Ao todo, três britânicos foram submetidos a este procedimento, no Hospital Oftalmológico Moorfields, em Londres, mas só Steven Howarth, o último a ser operado, teve a sorte de registar melhorias significativas, segundo relata a equipa na última edição da revista The New England Journal of Medicine (NEJM).
 
Oito meses após o início do ensaio clínico britânico, uma equipa da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, também começou a aplicar a mesma terapia genética em três norte-americanos. Publicados na mesma edição da NEJM, os resultados sugerem melhorias modestas na visão.

Voltando ao caso de Howarth, antes e após a operação, os cientistas pediram-lhe que andasse num labirinto, para simular as condições de iluminação das ruas à noite. Mesmo após a cirurgia, as suas visões periférica e nocturna não apresentavam mudanças. Mal via as luzes.

"Na primeira vez que tentámos, ele estava continuamente a esbarrar nas coisas, a desorientar-se, mas acabou por conseguir atravessar o labirinto. Seis meses após o tratamento, atravessou-o como uma pessoa normal", contou Robin Ali ao jornal The Guardian. "Obter este resultado ao fim de três doentes é extremamente excitante", acrescentou Ali à BBC on-line.

Agora, Steven Howarth já se aventura pelas ruas de Bolton, onde vive. Há pouco tempo, até começou a fazer o caminho a pé entre a estação de comboios e a sua casa, à noite. Consegue ver as luzes dos carros e dos candeeiros e até as fendas do pavimento. Para trás ficou a depressão em que estava a cair, com a perspectiva de que ficaria cego. "Quando pensava nisso, ficava mesmo em baixo. Foi um grande peso que me saiu de cima."

O próximo passo da equipa britânica é testar a terapia em doentes mais novos, nos quais se esperam melhorias mais significativas, e depois passar para outras doenças da visão. "Se tudo correr bem, é possível que daqui a dois ou três anos esteja aprovada para uso clínico", diz Robin Ali.

Terapia insere no ADN do doente uma versão saudável do gene RPE65, que quando mutado costuma levar à cegueira total.

Fonte: http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?
url=%2Fmain%2Easp%3Fid%3D13109066

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publicado por MJA [29.Abr.08]


Pernambucanos são destaque ao lado de Bill Gates

JC OnLine

06.04.2008

Elogios de Bill Gates e fortes aplausos do Fórum de Líderes de Governo das Américas, realizado este fim de semana, em Miami, Estados Unidos. Desta forma foi a recepção a um grupo de alunos pernambucanos especialmente convidado por Gates para apresentar um sistema de orientação aos deficientes visuais no evento realizado há dez anos pela Microsoft e que reuniu, até este domingo, de 200 representantes de governos, empresas, ONGs e entidades educacionais de todos os países da América Latina

O grupo é formado por Carlos Eduardo Rodrigues, Ivan Cordeiro Cardim e Madson Menezes Costa, alunos do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco. O trio foi vencedor da edição brasileira e segundo colocado na edição mundial da Imagine Cup 2006, competição realizada pela Microsoft com objetivo de encontrar soluções inovadoras para problemas sociais com o uso da tecnologia.

Criado pelos pernambucanos, o vEye inclui aparelhos de pulso que enviam estímulos vibratórios para indicar a direção a seguir para o deficiente visual e funciona integrada ao telefone celular. O usuário fala ao telefone aonde quer chegar, e as informações são processadas por meio de softwares instalados no celular, que devolve a resposta através de sinais vibratórios.

"Tudo o que é preciso é unir uma idéia a uma oportunidade para transformar o sonho em realidade", afirmou Ivan Cardim animado, contando a trajetória do projeto do sistema. "Depois que a competição terminou, fomos convidados a fazer parte do programa Imagine Cup Innovation Accelerator no qual tivemos lições sobre tecnologia e marketing. Ao voltar para o Brasil, escrevemos uma proposta de financiamento e fomos agraciados com US$ 500 mil. Agora estamos iniciando nossa empresa e procurando parceiros comerciais para lançar o produto", destacou. O fundador e presidente do Conselho de Administração da Microsoft também foi só elogios à solução. "É um sistema impressionante e muito inovador", comentou Bill Gates.

Fonte: http://jc.uol.com.br:80/2008/04/06/not_165388.php

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publicado por MJA [7.Abr.08]


Melhores acessos de deficientes a
transportes públicos na Metro do Porto

RTP Notícias

28-03-08

[Lusa] Os deficientes visuais vão ter acesso, via telemóvel, a toda informação dos sistemas de transportes públicos graças à implementação de projectos desenvolvidos pela Metro do Porto.

Numa parceria entre a Metro do Porto, Faculdade de Engenharia do Porto (FEUP) e a Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), os projectos INFOMETRO e o NAVMETRO, apresentados hoje, visam melhorar a acessibilidade aos transportes públicos.

Os projectos incluem sistemas de apoio aos clientes cegos e com deficiências visuais que, através de um telemóvel, podem ligar para uma linha gratuita e aceder a toda informação e sinalética em formato áudio, dentro e fora do sistema Metro do Porto.

Incluem ainda várias medidas que facilitam a acessibilidade em geral de pessoas com deficiência aos transportes públicos.

"Os dois projectos são sistemas que vão permitir uma grande autonomia por parte dos utilizadores, pois tivemos o cuidado para evitar qualquer tipo de barreiras arquitectónicas, criar sinalizações nos pisos para indicar as escadas, rampas e elevadores para o acesso às estações e faixas com diferenciação cromática nos bordos dos cais", afirmou, em declarações à Lusa, o arquitecto da Metro do Porto Manuel Teixeira.

Manuel Teixeira adiantou que o objectivo deste encontro "é perceber as dificuldades que existem na implementação dos projectos, para que saiam dessas salas o mais rápido possível e virem uma cultura nas empresas e na sociedade".

"Os projectos já saíram do papel, através de equipas que realizaram ensaios com clientes cegos em laboratórios da FEUP e na estação da Trindade. Já comprovámos que a arquitectura do sistema funciona com eficácia e prevemos dentro de seis meses disponibilizar os novos serviços", acrescentou o arquitecto.

Diamantino Freitas, da FEUP, disse que a Faculdade de Engenharia tem desenvolvido projectos de recursos adicionais para a acessibilidade dos deficientes desde 2000, mas que apenas a partir de 2004, através do programa Inclusão Digital, foi possível avançar com as ideias.

O director da ACAPO, Peter Colwell, afirmou que, embora este sistema seja pioneiro em Portugal, tem esperanças de que solucione as lacunas de informação e orientação dos deficientes visuais.

Diamantino Freitas adiantou que no final de Junho de 2008 espera que os protótipos já estejam avaliados, e que o próximo passo "é colocar o serviço em marcha".

Fonte: Lusa
http://ww1.rtp.pt/noticias/index.phparticle=
336080&visual=26

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publicado por MJA [6.Abr.08]


Sócrates reconhece problema com listas de espera

TVI

19-03-2008

O Governo foi hoje confrontado com o escândalo de haver cento e cinquenta mil portugueses cegos, ou quase cegos, sem acesso aos hospitais públicos, denunciado pela TVI esta segunda-feira. José Sócrates reconheceu que existe um problema e informou a oposição de que há um grupo de trabalho a estudar o assunto.

Tudo devido ao grande êxodo de doentes portugueses para Cuba. Quatro câmaras municipais abraçaram já a ideia de resolver as listas de espera de oftalmologia, no país de Fidel Castro.

Os cegos do Alandroal e Aljezur já têm viagem marcada e o presidente da Câmara de Santarém, Moita Flores, também está interessado no projecto. Em Cuba já foram operados 150 doentes do Algarve.

http://www.tvi.iol.pt/informacao/noticia.php?id=930069#

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publicado por MJA [26.Mar.08]


Curso de Formação em Educação Especial

Deficiência Visual - Grupo 930

Faculdade de Psicologia e Ciências Humanas
da Universidade de Coimbra

Cronograma

Março:
dia 29 = 9h30-12h30 e 14h-16h = Módulo 2

Abril:
dia 5 = 9h30-12h30 e 14h-16h = Módulo 1
dia 12 = 9h30-12h30 e 14h-16h = Módulo 6
dia 19 = 9h30-12h30 e 14h-16h = Módulo 6

Maio:
dia 3 = 9h30-12h30 e 14h-16h = Módulo 6
dia 10 = 9h30-12h30 e 14h-16h = Módulo 6
dia 17 = 9h30-12h30 e 14h-16h = Módulo 6
dia 24 = 9h30-12h30 e 14h-16h = Módulo 6

Junho:
dia 7 = 9h30-12h30 e 14h-16h = Módulo 3
dia 14 = 9h30-12h30 e 14h-16h = Módulo 3


Módulos

Módulo 1 – Enquadramento legal da Educação Especial

Módulo 2 – Desenvolvimento da criança e do jovem

Módulo 3 – Aplicação do referencial proposto pela CIF-CJ no processo de avaliação e de elaboração do PEI

Módulo 6 - Intervenção pedagógica com alunos cegos e com baixa visão

Turma 2

  1. Alice da Conçeição Costa Liberto - AE de Referência Grão Vasco
  2. Ana Maria Almeida Fontes - AE Silva Gaio
  3. Ana Maria Pereira Castelo Branco Albuquerque Matos - AE Silva Gaio
  4. Anabela da Conceição Fernandes - AE Vilar Formoso
  5. António Manuel dos Santos Almeida - Escola Secundária Infanta D. Maria
  6. Carla Isabel Martins Silva - AE de Sever do Vouga
  7. Carla Sofia Arêde Santos Baptista - AE Figueiró dos Vinhos
  8. Elsa Pereirinha Henriques Fonseca Gaiola - AE Manteigas
  9. Fátima Maria Martins Mendes Figueiredo - AE de Sequeira
  10. Filomena Maria Antunes Henriques - AE Álvaro Viana de Lemos
  11. Isilda Maria Estêvão dos Santos - AE Cantanhede
  12. João Carlos Moreira Luís - AE Vila Nova de Paiva
  13. João Manuel Andrade Castilho - AE de Referência Grão Vasco
  14. Margarida de Jesus Andrade Castilho - AE de Tondela
  15. Maria Angelina Baeta Carapinha Xará - AV Bento Carqueja
  16. Maria Clara Conceição Almeida Gonçalves - AE Silva Gaio
  17. Maria da Glória G. Brito Pereira - AE João Franco
  18. Maria Fátima Fontes Neves Lopes - AE Silva Gaio
  19. Maria Felisbela Costa Fernandes - AE de Vagos
  20. Maria Fernanda Atalaia Ferreira - AE de Referência João Afonso
  21. Maria Helena Duarte das Neves - AE Silva Gaio
  22. Maria Isabel de Aguilar Donas-Boto - Escola Secundária Infanta D. Maria
  23. Maria José Alegre de Meireles Martins - Escola Secundária Infanta D. Maria
  24. Maria Licínia Cintra da Silva - AE da Guia
  25. Maria Manuela Coutinho Marques Rosa - ES com 3º Ciclo do Ensino Básico Bombarral
  26. Nuno Miguel Macedo dos Santos - AE de Referência de José Saraiva
  27. Paula Cristina da Conceição Simões Rodrigues - Escola Secundária da Lousã
  28. Rosa Maria Afonso Pereira Brochado - Escolas D João II
  29. Maria de Fátima Mendes Santos Pureza - ES Infanta D. Maria


http://www.drec.min-edu.pt/default.aspx?verconteudo=207

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publicado por MJA [14 Mar.08]


Invisual discriminado em autocarro da Carris

13-03-08

RTP Notícias

Um invisual foi impedido de utilizar um autocarro da Carris, por estar acompanhado do seu cão-guia.

O motorista barrou a entrada ao invisual argumentando que o cão não usava açaimo.

link do Vídeo

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publicado por MJA [14Mar.08]


Maioria dos cegos portugueses recusa sair de casa

Patrícia Susano Ferreira

Destak

29.02.2008


Cerca de 1% da população portuguesa sofre de deficiência visual, mas a maior parte refugia-se no lar recusando-se a sair.

«Em média 1% da população nacional sofre de deficiência visual, o que numa cidade como Lisboa, com 3,5 milhões de habitantes, representa 35 mil invisuais.» No entanto, e apesar deles existirem, «é raro cruzarmo-nos com eles porque a maioria se refugia em casa».

Identificar estes casos e ajudar estas pessoas na reabilitação é neste momento a grande prioridade da ACAPO, adianta ao Destak o presidente da Associação, José Esteves Correia.

Além do isolamento, «só uma minoria dos cegos sabe ler e escrever braille, o que os isola ainda mais, impedindo que entrem em contacto com o Mundo que os rodeia».

Em Portugal, «existem entre 130 e 140 mil cegos, mas destes só 10 mil estão reabilitados», ou seja, reaprenderam a ler e a escrever em adultos, mas em braille.

No entanto, «só quem passou pelos bancos da escola já como deficiente visual é que tem a capacidade de ler e escrever braille na perfeição».

http://www.destak.pt:80/artigos.php?art=8511

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publicado por MJA [29Fev.08]


Jovens tibetanos cegos escalam uma
das montanhas mais altas do mundo

Público

22.02.08

[vídeo de apresentação]

Seis adolescentes tibetanos cegos partilham um feito extraordinário: escalaram os sete quilómetros da montanha Lhapka Ri, no ponto norte do Everest. A proeza foi documentada em vídeo e vai agora ser partilhada em forma de filme. Chama-se "Blindsight" e estreia no próximo mês nos Estados Unidos.

 Fonte: Reuters

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publicado por MJA [22Fev.08]


Provedor de justiça quer transparência e
rapidez nos subsídios de educação especial

Romana Borja-Santos

Público
20 Fevereiro

Os subsídios por frequência de estabelecimento de educação especial estão a ser atribuídos de forma pouco transparente e pouco célere, o que levou o provedor de justiça, Nascimento Rodrigues, a enviar uma recomendação aos secretários de Estado da Segurança Social e da Educação.

O documento foi enviado na sequência de várias queixas recebidas na Provedoria, a maioria delas referentes às declarações médicas e à demora na apreciação dos processos, o que atrasa o pagamento dos subsídios.

Nesse sentido, o provedor recomenda que todos os centros distritais de segurança social passem a contar com “equipas multidisciplinares na realização dos exames inerentes à comprovação do estado de redução permanente de capacidade física, motora, orgânica, sensorial ou intelectual das crianças e jovens interessados na frequência de estabelecimentos de educação especial”. Por agora, a intervenção de equipas multidisciplinares está apenas implementada em Lisboa e em alguns outros centros distritais.

Com esta medida, pretende-se que os especialistas que tenham interesse na decisão – nomeadamente por integrarem os gabinetes médicos que se propõem assegurar o apoio – não possam participar na mesma.

“A demora verificada na apreciação dos processos e no início do pagamento do subsídio de educação especial” é outra das falhas apontadas, chegando a acontecer um aluno receber o dinheiro apenas no fim do ano lectivo, uma vez que os casos também necessitam de uma declaração do estabelecimento de ensino, em como não garante ao aluno o apoio solicitado.

Nascimento Rodrigues preocupa-se “que, por carência económica, muitos encarregados de educação não possam custear particularmente os apoios, pelo que o mais certo é que as crianças e jovens fiquem a aguardar as decisões finais”.

O subsídio de ensino especial é uma prestação mensal criada em 1980 e destina-se a jovens com menos de 24 anos que tenham encargos directamente relacionados com a deficiência de que são portadores.

in http://ultimahora.publico.pt/noticia.aspx?id=1320270

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publicado por MJA [20Fev.08]


Percepções de Pintura e Azulejo

19 Fevereiro 08

No dia 20 de Fevereiro, o Museu Nogueira da Silva abre a exposição “Percepções de Pintura e Azulejo”, integrada no projecto “Outras Percepções – percursos multi-sensoriais” dirigido a pessoas com deficiência visual. Esta exposição reúne obras de pintura e azulejo pertencentes ao espólio do Museu. Uma vez que estas são artes eminentemente visuais, algumas destas obras foram adaptadas a este púbico através de uma recriação marcada pelo relevo, pela textura e pelo uso de objectos retratados na mesma. Deste modo, durante a visita, com duração prevista de 1h, para além da habitual descrição/caracterização detalhada das obras escolhidas, os visitantes poderão tocar nas recriações de algumas delas. Mais uma vez a música estará presente, bem como materiais usados no fabrico destes objectos ou que de algum modo estejam associados aos mesmos.

A exposição decorrerá até ao dia 29 de Fevereiro.

As visitas têm de ser antecipadamente marcadas através do e-mail sec@mns.uminho.pt ou do tel. 253601275. Entrada Gratuita

Museu Nogueira da Silva - Universidade do Minho
Av. Central, nº.61 - 4710-228 BRAGA
Telef. 253 601275 - Telefax 253 264036
sec@mns.uminho.pt
www.mns.uminho.pt

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publicado por MJA [19Fev.08]


Portugal tem capacidade instalada para
resolver os problemas oftalmológicos

Dica da Semana [21-2-08]

O Sistema Nacional de Saúde tem "capacidade instalada" para responder a doenças oftalmológicas, mas é necessário optimizar uma rede, na qual "cerca de 50 por cento" dos hospitais não recorreram ao sistema de combate às listas de espera, segundo especialista.

Florindo Esperancinha, membro do grupo designado pelo ex-ministro da Saúde Correia de Campos para diagnosticar a área da Oftalmologia, falava à Lusa no mesmo dia em que o município de Vila Real de Santo António anunciou ter assinado um novo protocolo com o Ministério da Saúde de Cuba para possibilitar operações a cataratas a munícipes carenciados.

Refira-se que a mesma fonte comentou que aproximadamente metade dos serviços oftalmológicos (46) não recorreu ao Sistema Integrado de Gestão de Inscritos em Cirurgia (SIGIC) quando "os profissionais estavam dispostos a fazê-lo". "Temos o relatório praticamente concluído e sabemos que se podem fazer mudanças nos modelos de funcionamento e organização dos serviços, mas são decisões que cabem às administrações dos hospitais e que em qualquer momento as podem colocar em prática", disse Florindo Esperancinha.

Ao comentar o novo protocolo assinado entre o município de Vila Real de Santo António e o Ministério da Saúde de Cuba, o especialista sublinhou a existência de soluções dentro do SNS, que passam pelo SIGIC e contratualização externa de profissionais pelos hospitais.

"Há capacidade instalada e existem recursos humanos suficientes. Não faz sentido recorrer a essas soluções externas. No SNS, nos últimos seis meses foram operados 22 mil de 23 mil casos de cataratas e entretanto surgiram outros tantos, o que indica uma lista média de espera de seis meses neste momento, sem proceder a quaisquer alterações às condições que existem no terreno", sublinhou o oftalmologista.

O especialista lembrou que este seu comentário "enquanto técnico, sem sequer contempla o sector privado". "O próprio SIGIC prevê um cheque-cirurgia quando o SNS não dá respostas num período estipulado, mas o SNS tem capacidade pode resolver a situação", lembrou.

Lusa

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publicado por MJA [18 Fev 08]


Todos os partidos da oposição acusam
Governo de desinvestir no ensino especial

Joana Ferreira da Costa

Público

16 Fevereiro

A oposição defende a necessidade de políticas inclusivas, mas acusa o Governo de impor a reforma abruptamente, sem ter garantias de resposta eficaz

A partir de Setembro, as escolas de ensino especial vão deixar de receber novas crianças com distúrbios de comportamento ou deficiência mental ligeira, que só poderão inscrever-se em escolas de referência do ensino regular. Uma decisão que o Governo justifica em nome da "inclusão", mas que ontem voltou a ser contestada no Parlamento por toda a oposição, que acusa o executivo de desinvestir no ensino especial e de deixar milhares de crianças sem apoio.

O decreto-lei aprovado em Janeiro pela maioria socialista e que altera os apoios especializados no pré-escolar e nos ensinos básico e secundário voltou ontem ao plenário a pedido do PSD, CDS e do PCP, com o Governo a acusar a oposição de "demagogia".

No documento da maioria socialista é definida uma rede de quatro tipos de escolas de referência para as quais as crianças com necessidades especiais devem ser encaminhadas: escolas de educação bilingue e de surdos, escolas para alunos cegos, unidades para perturbações do espectro de autismo e finalmente unidades de apoio a alunos com multideficiência.

Os partidos da oposição defendem a necessidade de políticas inclusivas, mas acusam o Governo de impor a reforma abruptamente, sem ter garantias de resposta eficaz no ensino regular.

O PSD alega que as novas regras implicam o fim dos apoios a alunos com dislexia, com distúrbios de comportamento, mas também crianças com deficiência mental moderada ou ligeira, considerando que esta "é uma das medidas mais negras do Governo".

O CDS, PCP e BE alegam também que estas crianças passam da educação especial para apoios educativos a cargo de professores sem especialização, nem formação específica. Uma retrocesso que os comunistas e bloquistas explicam com critérios economicistas.

O Governo refuta todas as acusações, acusando a oposição de "demagogia" e realçando a necessidade de uma escola inclusiva. O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, argumentou que na educação especial estão neste momento envolvidos 5861 docentes e que o número de técnicos especializados em funções cresceu 77 por cento. O governante reconheceu, contudo, que o anterior sistema não o permitiu e que o Governo vai reforçar esta formação no próximo ano lectivo em colaboração com instituições do Ensino Superior.

Nas bancadas do hemiciclo, assistindo ao debate, estiveram membros da Plataforma de Pais pelo Ensino Especial, para quem a forma como o Governo está a conduzir a reforma não faz qualquer sentido. "As crianças vão ser obrigadas a regressar às escolas do ensino regular onde muitas delas já estiveram e não encontraram resposta, porque não estão preparadas para lidar com estes problemas", disse ao PÚBLICO Fernando Magalhães. "Se as escolas de ensino especial não podem aceitar novas crianças, vão acabar por fechar e isso levará também à condenação daquelas que hoje as frequentam", lamentou.

Segundo Valter Lemos, na educação especial estão neste momento envolvidos 5861 docentes.

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publicado por MJA [16 Fev 08]


Site da Anacom adaptado a surdos, cegos e amblíopes

Diário Digital

12 Fevereiro

A entidade que regula o sector das comunicações, Anacom, vai passar a disponibilizar na sua página de Internet um sistema que permitirá o acesso aos conteúdos de texto de surdos, cegos e amblíopes.

Esta nova funcionalidade permitirá aceder de forma automática à versão áudio dos conteúdos publicados nas áreas de actualidade e sala de imprensa, e ainda aceder aos mesmos conteúdos em Braille, explicou a Anacom, numa nota divulgada hoje.

A entidade reguladora revelou que a introdução desta nova funcionalidade foi possível através de uma parceria entre a Anacom e o consórcio Robobraille, representado em Portugal pelo Centro de Inovação para Deficientes (CIDEF).

Segundo o regulador das Comunicações, o projecto Robobraille consiste numa ferramenta que permite a conversão automática de documentos electrónicos para Braille ou voz sintetizada, de forma rápida e sem custos.

Para converter conteúdos em aúdio basta enviar um e-mail para o endereço robobraille.org, enquanto para a conversão em Braille a mensagem deverá ser enviada para robobraille.org.

Este serviço é operado e mantido pelo Centro Dinamarquês para a Deficiência Visual, Crianças e Juventude.

Além da Dinamarca (e através de financiamento comunitário), o projecto estendeu-se a Portugal, Itália, Irlanda, Reino Unido, Chipre e, mais recentemente, à França e Lituânia.

Diário Digital / Lusa

http://diariodigital.sapo.pt/news.aspsection_
id=18&id_news=318223

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publicado por MJA [12 Fev 08]



Fazedores de olhos

José Manuel Fernandes

Público

8 Fevereiro

Laboratórios de investigação no quinto andar, clínica para todos nos outros quatro. E todos significa os mais ricos e os mais pobres da imensa Índia. Em Hyderabad, cidade de seis milhões de habitantes, a Fundação Champalimaud encontrou o modelo que quer trazer para o centro que vai construir em Lisboa, um modelo que casa excelência com justiça.

Quando se entra no laboratório de Geeta Vemuganti, é difícil imaginar que foi ali que a médica patologista do Instituto do Olho L.V. Prasad desenvolveu uma técnica que permite reconstituir córneas a partir de células estaminais. Em todo o mundo haverá meia dúzia de laboratórios que conseguiram realizar com sucesso aquele tipo de tratamento e um deles é o que esta indiana de olhar sereno e voz pausada dirige. No entanto, ali as bancadas de trabalho são antigas, o frigorífico onde guarda alguns materiais já conheceu melhores dias e até a pequena jarra com flores artificiais colocada junto à janela parece querer contrariar o estereótipo do centro de investigação moderno e sofisticado.

"Quando iniciámos este projecto, não fazia ideia de como o desenvolveríamos e se resultaria", explica-nos. "A ideia nasceu durante uma conversa ao café com o meu colega Virendar Sangwan, quando discutíamos o que poderia ser feito para conseguirmos que doentes com os olhos praticamente destruídos conseguissem voltar a ver."

Habitualmente, em situações em que a córnea é afectada, basta substituí-la pela córnea de um dador. O problema é quando o tecido em redor da córnea, o limbo, também é destruído, o que nesta região da Índia acontece com mais frequência do que o habitual, quer por se ter deixado degenerar uma doença, quer por serem comuns os ataques utilizando ácido em casos de vinganças pessoais. Quando se perde o limbo, perdem-se as células com capacidade de auto-regeneração que permitem manter a córnea transparente e torna-se necessário realizar igualmente transplantes desse tecido.

Rejeição mínima

"O que a nossa técnica permitiu foi utilizar um número muito pequeno das células estaminais adultas que existem no limbo para criar um tecido novo em ambiente de laboratório", explicou-nos Geeta Vemuganti, enquanto manipulava um modelo de um olho e nos mostrava os diferentes tecidos que o constituem. "Não fomos nós que inventámos a técnica, mas inovámos ao utilizar tecido amniótico para fazer crescer o tecido gerado a partir das células estaminais. Depois é só recolocar o tecido no olho e esperar que ele gere novas camadas de células com um risco mínimo de rejeição."

A seu lado, o cirurgião sorri, quando recorda que, ao iniciarem o projecto, nenhum dos dois se atreveu sequer a pedir financiamentos. Testaram as suas hipóteses, com os equipamentos que já possuíam, sem a certeza de chegar a lado algum. Mas quando, dois anos depois, em Abril de 2001, Sangwan realizou uma primeira operação com sucesso, logo se abriram as portas para os primeiros financiamentos. E, entre os doentes, alguns deles cegos há vários anos, espalhou-se a boa nova, numa formulação que detestam, mas não conseguem calar. "O doutor é o meu deus e este hospital o seu templo", nas palavras de Partha Saradhi, um dos doentes que recuperou a vista.

Quando falamos com ele no último andar do L.V. Prasad, temos de fazer um esforço para sustentar o seu olhar, mesmo quando apenas o adivinhamos por detrás de uns óculos escuros. O rosto profundamente deformado permite perceber a dimensão da sua tragédia, imaginar o dia em tudo mudou na sua vida, quando um rival no mundo dos negócios lhe atirou com ácido à cara. Foi em 1993 e só em 2005 este pequeno empresário pôde voltar a olhar para as filhas que vira pequenas e então já começavam a entrar na idade adulta.

Milagre, dizem eles

Saradhi só conseguiu recuperar a vista num dos olhos e no lugar do outro tem hoje um globo de vidro, também ele construído neste mesmo hospital. "É o suficiente para ter podido voltar a guiar", refere, enquanto abre a carteira para mostrar a carta de condução. E mais do que suficiente para ter regressado a 100 por cento ao negócio que a família mantivera e de que era apenas conselheiro. "Foi um milagre", sintetiza, regressando às formulações que o seu cirurgião abomina.

Já para Praveeen Reddy, um jovem de 22 anos que perdera a vista num acidente industrial, o seu sonho é agora montar ele mesmo um negócio para não voltar à fábrica. No seu caso, um dos olhos já foi quase totalmente recuperado, o outro espera por mais uma cirurgia, esta utilizando tecidos criados não a partir de células do limbo do olho, mas recolhidas no interior do lábio inferior, uma outra zona onde num adulto se podem encontrar células estaminais com possibilidade de regenerarem outros tecidos destruídos. A linha de investigação que explora esta nova possibilidade - no L.V. Prasat já se realizaram três transplantes com a nova técnica, contra os mais de 500 onde se recorreu apenas a células estaminais retiradas do próprio olho - é, de resto, uma das que beneficiará do investimento que a Fundação Champalimaud ali está a realizar por via da concessão de uma bolsa de um milhão de euros.

Mas para entender o tratamento quase reverencial dos médicos por parte destes doentes é necessário descer do andar dos laboratórios e perdermo-nos nos muitos serviços de uma instituição cuja produtividade é difícil de imaginar. Situada numa região da Índia onde a prevalência de doenças oftalmológicas é elevada, o instituto cresceu com base num modelo pró-activo de interacção com a comunidade e apostando na possibilidade de encontrar nos laboratórios do quinto andar soluções para os problemas com que os médicos se confrontam nos quatro pisos de enfermarias e salas de cirurgia.

"O número de tumores nos olhos que referenciamos em crianças é muito elevado", diz-nos Vemuganti. "É, em grande parte, uma consequência de persistirem, nas zonas rurais, hábitos que resultam na existência de níveis elevados de consanguinidade. A regra é casar os filhos com alguém da família, para não de dividir as propriedades e os bens, que não são muitos."

Estes hábitos, muito difíceis de combater, permitem que genes mutantes raros mas perniciosos se manifestem com mais frequência do que noutras populações de referência. "Nesta província, uma em cada 3300 crianças tem uma forma congénita de glaucoma provocada por uma mutação no gene CYP1B1", explica-nos Subhabrata Chakrabarti, um dos grandes especialistas mundiais nesta doença. "Na Arábia Saudita a prevalência é ainda maior - é de uma em 2500 crianças, entre as comunidades ciganas chega a ser de uma em 1200 crianças, quando a média na Europa e nos Estados Unidos é de apenas uma em 10 mil crianças. Face à dimensão deste problema e de outras doenças como uma degenerescência da retina conhecida por retinitis pigmentosa, esta controlada por múltiplos genes, temos vindo a trabalhar em linhas de investigação que permitem relacionar os sinais do diagnóstico com alterações genéticas precisas. Ao conhecermos essas relações, podemos dar aos médicos indicações sobre a evolução da doença."

O centro Champalimaud

Chakrabarti trabalha com duas das máquinas mais modernas da ala que agora se chama Champalimaud Translational Centre, máquinas desenvolvidas para o projecto do genoma humano e que permitem sequenciar o ADN. Elas ajudam-no a estabelecer a relação entre o genótipo de um doente (o que está nos seus genes), o fenótipo com que ele se apresenta (os sintomas da doença) e o estilo de vida que leva.

São dados preciosos para o desenvolvimento de uma outra linha de investigação, a que o director do centro, professor D. Balasubramanian, dá especial atenção: a possibilidade de se encontrarem terapias genéticas que visem a origem das próprias doenças. "Se conseguirmos identificar onde está o defeito no gene, há a possibilidade de tentar introduzir nas células afectadas - as da retina, por exemplo - o gene correcto, transportado num vírus", diz enquanto nos introduz noutro laboratório. "Há uma experiência recente num cão que teve sucesso", acrescenta, deixando que os olhos brilhem num dos raros momentos em que este homem idoso, magro e de um rigor espartano deixa escapar uma emoção. Mas não há dúvida que a disciplina que o trabalho impõe - todos os dias começam com uma reunião entre os médicos e os cientistas às sete da manhã, fechando-se a porta da sala às 7h01... - explica boa parte do sucesso do centro de investigação e da sua ligação ao hospital.

Àquela hora, quando entram, os 30 médicos e dez investigadores sabem apenas que o dia de trabalho começou, que há cirurgias e consultas marcadas, mas que, sem qualquer constrangimento, os que chegarem sem aviso não ficarão sem ser atendidos. Podem esperar mais por uma consulta, mas nenhuma fica para o dia seguinte. Tal como não ficam as cirurgias. Em média passam pelo instituto 750 doentes por dia para consultas e realizam-se 80 cirurgias. Seis dias por semana, os mesmos que cada membro do corpo clínico trabalha, sabendo apenas a que horas o dia começa, raramente a que horas termina. E, como se tudo isso não chegasse, o Instituto do Olho recebe doentes de todo o mundo, mesmo dos Estados Unidos. O que pagam - ainda assim uma fracção do que pagariam num hospital dos seus países - ajuda a suportar os custos de um hospital onde metade dos doentes são tratados sem terem sequer de pagar uma taxa moderadora.

"Aqui cada euro investido tem muito mais possibilidade de produzir mais resultados e ajudar mais pessoas do que se o canalizássemos para centros de investigação na Europa ou nos Estados Unidos", resumir-nos-ia a presidente da Fundação Champalimaud, Leonor Beleza. "Para além de que a ligação muito próxima entre a clínica e a investigação corresponde ao modelo de projectos que queremos apoiar e incentivar, ao modelo em que assentará o centro de investigação que vamos construir em Lisboa."


Copyright PÚBLICO Comunicação Social SA

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publicado por MJA [8 Fev 08]



Coimbra é um ponto negro em termos de mobilidade

Jornal de Notícias

Carina Fonseca e Manuel Correia

"A Universidade é só uma das zonas de difícil mobilidade em Coimbra", contam as amigas Ana Morais (invisual) e Vanessa Mota (deficiente motora). Buracos podem causar quedas Obstáculos são uma constante.

"Em termos de mobilidade, Coimbra inteira é um ponto negro. Mas a maioria das pessoas nem se dá conta disso, porque vê". A convicção é de Ana Morais, 25 anos, cega e ex-estudante de Jornalismo na Universidade de Coimbra (UC). A lista de problemas é longa "Carros mal estacionados, passeios com buracos, caixotes do lixo mal posicionados".

"A pessoa comum vai na sua vidinha e nem sequer pensa que deixar o carro mal estacionado pode ser um problema", continua Ana. Já chegou a passar uma "multa fictícia" "Deixei um papel num carro a dizer que era invisual e tinha ido contra ele. Mas sei que não serve de nada", lamenta. Ao lado, a amiga Vanessa Mota, deficiente motora e estudante de Psicologia na UC, de 20 anos, concorda.

Ana Morais, a fazer mestrado em Ciência Política na Universidade de Aveiro, garante que todos os sítios têm "erros", em termos de acessibilidade, para as pessoas com deficiência. Só que "Coimbra é a pior cidade para andarmos sozinhos". Já Vanessa Mota, quando questionada acerca das zonas mais complicadas para circular, diz, com suave ironia "Aqui, não estou a ver nenhum ponto cor-de-rosa". Considera que a UC "quer manter o prestígio, mas não faz muito por agarrar estudantes com dificuldades de mobilidade". E exemplifica: "Estudar em Coimbra, para mim, é muito complicado. Há pouco tempo, fui aos Serviços Médico-Universitários e tiveram de pegar em mim, porque não há acessos para cadeiras de rodas".

Vanessa Mota só utiliza as carrinhas da Câmara Municipal de Coimbra (CMC) para se deslocar. Não anda de autocarro porque, embora saiba que alguns estão equipados com plataformas, desconhece quando é que eles circulam "Não há nenhuma sinalização nos horários, por exemplo", critica.

Centro acessível precisa-se

Tornar o centro de Coimbra acessível a todos é o objectivo do Gabinete para o Centro Histórico (GCH), que contratou, há alguns meses, o arquitecto Luís Valido para "estudar" as barreiras urbanísticas perturbadoras da mobilidade. "Já fizemos algumas propostas à CMC, para eliminar barreiras nos edifícios públicos e vamos mexer com muitos pontos da cidade", explicou o presidente do GCH, Sidónio Simões. E lembrou que alguns problemas têm "soluções muito simples". Por exemplo "Basta tirar os painéis publicitários da paragem de autocarro junto ao Jardim da Manga para haver mais acessibilidade". O telefonista amblíope Emanuel Laça tem ajudado na "investigação" dos locais problemáticos.

"Não tem nexo Coimbra pertencer à rede de cidades saudáveis e não ser acessível", defendeu Sidónio Simões, à saída de uma sessão informativa sobre a acessibilidade dos cegos nos edifícios públicos. Quis tentar perceber quais os problemas daquela população "Os invisuais são as pessoas que têm de processar mais informação para conseguir circular na via pública". Para o técnico municipal, é preciso reter, também, que a cidade "é cada vez mais turística" e que "existe um turismo dedicado às pessoas com deficiência".

Sidónio Simões considera-se um "interessado na área" da mobilidade, sobretudo depois de ter constatado os obstáculos que os cidadãos com deficiência permanente ou temporária enfrentam. "Ninguém pensa nas dificuldades que as pessoas têm - só sentindo. Quando torci um pé, qualquer ressalto numa pedra me dava dores. E pensei se eu tive uma rotura muscular e é assim, como será com todos os outros?".

O director do GCH contou que 30% dos portugueses tem dificuldades de deslocação ou mobilidade reduzida temporariamente. Nessa percentagem incluem-se as crianças, os idosos ou as pessoas obesas. "Uma pessoa que transporte um carro de bebé está condicionada. E os comboios também não estão adaptados mesmo para uma grávida, é um aflição subi-los!", criticou. "O Plano Nacional de Promoção da Acessibilidade propõe que Portugal seja acessível para todos até 2015. Mas há muito a fazer", disse ainda.

http://jn.sapo.pt/2008/01/09/pais/a_cidade_inteira_
e_ponto_negro_termo.html

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publicado por MJA [6 Fev 08]


Conferência
"O Braille em Portugal"

O Gabinete de Referência Cultural - Pólo Interactivo de Recursos Especiais da Direcção Municipal de Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, informa que, no dia 7 de Fevereiro de 2008, das 11 às 13 horas, terá lugar a Conferência "«À Beira dos 200 Anos do Nascimento de Louis Braille»: O Braille em Portugal", com as intervenções dos especialistas na matéria, Dr. Filipe Oliva, Dr. Orlando Monteiro, Prof. Vítor Coelho e Deodato Guerreiro, seguida de debate.

Local: Auditório da Biblioteca Municipal "Orlando Ribeiro", Antigo Solar da Nora, Estrada de Telheiras, 1600-772 Lisboa, telefone 217549030.

Na impossibilidade de estar presente no local, poderá assistir e participar on-line, ligando-se no momento da transmissão a http://mundodavida.cm-lisboa.pt

Entrada livre

Gabinete de Referência Cultural
Av. da República, 21-1º Andar  1050-185 Lisboa
Tel.: 21 356 78 00  Fax: 21 356 78 66
E-mail: grc@cm-lisboa.pt

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publicado por MJA [29 Jan 08]


Educação Especial:
Curso de formação para 1.500 professores

Sapo/Lusa
24-01-08

Lisboa, 24 Jan (Lusa) - O curso de formação em Educação Especial, que vai abranger inicialmente cerca de 1.500 professores, vai arrancar a 01 de Março, com um custo de 600 mil euros, anunciou hoje o Ministério da Educação (ME).

Num encontro com jornalistas, o Director Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, Luís Capucha, anunciou que esta acção de formação, de 50 horas, será financiada exclusivamente pelo Programa de Desenvolvimento Educativo para Portugal (PRODEP).

"Não é em 50 horas que se forma um professor, mas é possível sensibilizá-lo para os procedimentos básicos a tomar no caso de trabalharem com crianças com, por exemplo, multideficiência. Tentaremos dar esta formação a todos num prazo razoável", afirmou Luís Capucha, acrescentando que a formação será dada por universidades e politécnicos.

Na ocasião, o responsável não pôde garantir que os restantes 2.500 professores do grupo de recrutamento da Educação Especial (no total são cerca de 4.000) recebam todos esta formação até ao início do ano lectivo de 2009/10.

"Há variáveis que não dependem de nós, como o financiamento, por isso não posso assumir esse compromisso", explicou.

Esta primeira acção de formação, que estará concluída até 31 de Maio, dará prioridade aos professores que se encontram nos agrupamentos de referência mas sem especialização e depois aos que igualmente pertencem mas com formação. Seguir-se-ão os docentes que não pertencem aos agrupamentos de referência e sem especialização e por último aos que pertencem e já têm formação específica.

O Governo quer que até ao final do próximo ano lectivo todas as crianças com necessidades educativas especiais encontrem respostas adequadas no sistema de ensino regular.

Para isso, o novo diploma sobre necessidades educativas especiais, que procedeu à reforma do sector e foi publicado em Diário da República no início do mês, criou um conjunto de agrupamentos de referência, muitos já em funcionamento.

Ensino bilingue de alunos surdos, para alunos cegos e com baixa visão, e unidades especializadas em multideficiência e no apoio a alunos com perturbações do espectro autismo, foram as "especialidades" criadas pela tutela.

Por outro lado, a tutela quer até 2013 transformar todas as escolas de ensino especial em centros de recursos humanos e materiais e ter todos os alunos nas escolas de ensino regular, com os respectivos apoios, numa lógica de escola inclusiva.

Sobre este aspecto, Luís Capucha afirmou que na próxima terça-feira o ministério vai apresentar aos representantes do sector, como a Fenacerci e a Humanitas, uma proposta de protocolo, sem adiantar mais pormenores.

Revelou apenas que muitas das 100 escolas de ensino especial actualmente existentes já manifestaram vontade em transformar-se em centros de recursos.

"Há condições ainda a definir", afirmou Luís Capucha.

No encontro com os jornalistas, o mesmo responsável rejeitou as críticas à utilização da Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF) na sinalização de crianças com necessidades educativas especiais.

"Muitos têm mentido a respeito da utilização da CIF. Essa classificação não pode ser utilizada em termos educativos. Andam a promover um terrorismo ideológico contra o ME e a escola inclusiva. É falso que haja um desinvestimento do Governo na Educação Especial", concluiu Luís Capucha.

MLS. - Lusa

http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/1a3037bbd2b12ae57
af95b.html

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publicado por MJA [27 Jan 08]


ME apresenta reforma das
necessidades educativas especiais

Diário Digital

O Governo quer que até ao final do próximo ano lectivo todas as crianças com necessidades educativas especiais encontrem respostas adequadas no sistema de ensino regular, anunciou hoje o secretário de Estado da Educação.

Numa conferência de imprensa para apresentar o diploma que consagra a reforma das necessidades educativas especiais, Valter Lemos assumiu aquele compromisso e anunciou um conjunto de novas medidas, com uma aposta na formação de professores da Educação Especial.

«No final do próximo ano escolar não queremos ter nenhuma criança com necessidades educativas especiais fora deste quadro organizativo. Estas crianças e jovens têm o direito de frequentar uma escola inclusiva e nós temos de garantir que são dados os apoios especializados», afirmou o secretário de Estado da Educação.

O responsável especificou depois que as 2.500 crianças que ainda se encontram em instituições de educação especial nunca serão reorientadas para o ensino regular de «forma repentina ou compulsiva», mas apenas quando houver condições para as receber e com «consentimento expresso» das suas famílias.

O Ministério da Educação (ME) definiu a partir deste ano lectivo uma rede de agrupamentos de referência para o ensino bilingue de alunos surdos, outra para alunos cegos e com baixa visão, e alargou o números de unidades especializadas em multideficiência e no apoio a alunos com perturbações do espectro autismo, espalhadas pelo país.

Assim, os alunos referenciados com necessidades educativas especiais, que neste momento são cerca de 30.000, poderão ser orientados para os estabelecimentos de ensino preparados para os acolher.

Nesse sentido, o Governo está a preparar um apoio social para estes estudantes, de forma a poder compensar o transporte e o eventual alojamento por via da deslocação.

«Estamos a identificar as crianças de forma rigorosa e a colocar os recursos para que as respostas educativas sejam o mais especializadas possível», afirmou Valter Lemos.

O governante anunciou, também, a realização nos próximos meses de um curso de formação em educação especial de 50 horas para 1.500 docentes em exercício nesta área, em colaboração com as universidades e politécnicos, e outro de 100 horas sobre Língua Gestual Portuguesa (LGP) como primeira língua no currículo dos alunos surdos, para 100 docentes de LGP.

A tutela vai ainda realizar duas acções de formação, para um total de 100 professores: uma sobre o ensino de Braille e outra dirigida às equipas de apoio à escola.

«Verificámos que nos últimos anos havia deficiências de formação nas áreas que requerem um apoio especializado. Além disso, o número de professores especializados é insuficiente», reconheceu Valter Lemos, acrescentando: «A grande mudança agora é que vamos ter os professores certos com os alunos certos». Outra das medidas anunciadas hoje prende-se com os cerca de 158 alunos cegos e 519 com baixa visão, que deverão receber um computador portátil com leitor de ecrã.

Até Fevereiro deste ano o ME termina o levantamento, por escola, do número de alunos com necessidades educativas especiais de carácter permanente - que deverá diminuir -, definindo com base nesses dados o número de lugares de educação especial a criar em 2008/09.

Diário Digital / 08-01-2008

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publicado por MJA [22 Jan 08]


Concurso de Leitura "Um Livro é um Amigo"

ACAPO - Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal
Delegação Regional do Centro


17 Janeiro


Realizou-se, no passado dia 15 de Janeiro, a reunião do júri da 10ª Edição - 2007 - do concurso "Um Livro é um Amigo"  que a Delegação Regional do Centro da ACAPO vem organizando ao longo dos últimos anos, com vista a deliberação sobre a atribuição dos respectivos prémios.

O Júri, constituído pelos docentes da Universidade de Coimbra Drª Nair Castro Soares e Dr. Seabra Pereira e ainda pelo Vereador do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Coimbra, Dr. Mário Nunes, deliberou atribuir a seguinte classificação:

PREMIADOS

Conto

1º Prémio:
"Reencontros", de José Adelino Figueira Guerra - Coimbra

2º Prémio:
"Até à inutilidade das palavras", de José Manuel Rodrigues Alves - Bragança

Poesia

1º Prémio:
"Estranhas Visões", de Honório Baptista de Resende - Portimão

2º Prémio:
"Outros Tempos", de José Fernandes da Silva - Braga


A Sessão de Entrega de Prémios está agendada para o dia 23 de Fevereiro p.f., integrada numa deslumbrante viagem pelas águas do Mondego no barco "Basófias", iniciativa da qual a ACAPO dará oportunamente mais informações.

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publicado por MJA [17 Jan 08]


Deficientes acusam Governo de segregação

PortugalDiário

10 Janeiro

± Associação insurge-se contra um decreto-lei publicado segunda-feira

A Associação Portuguesa de Deficientes (APD) acusa o Ministério da Educação de promover «a segregação dos alunos com deficiência», concentrando-os em escolas de referência, noticia a agência Lusa.

Em causa está um decreto-lei publicado segunda-feira em Diário da República que estabelece o encaminhamento destes estudantes para escolas consideradas de referência nas quatro modalidades específicas de ensino especial como a educação bilingue de alunos surdos e a educação de alunos cegos ou com baixa visão, por exemplo.

Este ano lectivo estão referenciados em todo o país 21 agrupamentos de escolas para alunos cegos, assim como 40 agrupamentos e 72 escolas não agrupadas especializadas no ensino bilingue de alunos surdos.

Existem ainda 163 unidades (salas) especializadas em multideficiência e 99 em perturbações do espectro do autismo, tendo sido igualmente constituída uma rede de escolas de referência a nível da intervenção precoce.

± Decreto-lei promove a segregação

Em comunicado, a APD considera que o decreto-lei publicado segunda-feira «promove a segregação», uma vez que «a concentração dos alunos com alguns tipos de deficiência em escolas de referência e unidades especializadas pressupõe, desde logo, um tratamento desigualitário».

«Os alunos vão ser colocados longe da sua comunidade de origem e segregados dentro das escolas», lamenta a associação, considerando que esta medida contraria o princípio da escola inclusiva, que se traduz «num sistema de educação onde os alunos com necessidades especiais são educados na escola do bairro, em ambientes de salas de aula regulares, com colegas que não têm deficiências».

Assim, a APD acusa o Governo português de contrariar os princípios da Declaração de Salamanca, que subscreveu, e da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que assinou, «em nome da economia de meios».

No comunicado, a associação contesta ainda a utilização da chamada Classificação Internacional de Funcionalidade para sinalizar alunos com necessidades educativas especiais, por considerar que esta conduz a uma «categorização dos alunos que em nada se adequa ou facilita o processo de escolarização».

A Lusa tentou contactar o Ministério da Educação, o que não foi possível até ao momento.

in http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=901798

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publicado por MJA [11Jan08]


Parlamento estuda rótulos em braille

PortugalDiário

10 Janeiro

± Projecto lei do PSD desce à comissão de Ética, Sociedade e Cultura

O projecto de lei do PSD que prevê os rótulos das embalagens inscritos em braille baixou esta quinta-feira à comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura, noticia a Lusa.

A sugestão para que o diploma baixasse à comissão sem votação partiu do PS, através da deputada Maria do Rosário Carneiro, e foi justificada pela necessidade de aprofundar o debate e as soluções legais a adoptar.

A bancada socialista admite que regras quanto aos rótulos venham a ser incluídas no Código do Consumidor, em preparação pelo Governo.

Além disso, ainda segundo a deputada, faltava ao projecto do PSD um estudo para avaliar o impacto das medidas e as necessárias audições com representantes dos interesses envolvidos - consumidores, produtores, retalhistas, comerciantes.

No debate de hoje, a deputada do PSD Ana Zita Gomes afirmou que o projecto «não tem a pretensão de resolver todas as dificuldades das pessoas invisuais», mas sim «facilitar a vida a estes cidadãos» nos estabelecimentos comerciais.

O diploma dos sociais-democratas, que estará em apreciação na comissão de Ética, Sociedade e Cultura, prevê multas até 150 mil euros para as empresas que não cumprirem as regras quais à rotulagem de embalagens em Braille.

O projecto, anunciado pelo líder parlamentar social-democrata, Pedro Santana Lopes, a 14 de Dezembro, determina que os estabelecimentos comerciais deverão ter pessoas para acompanhar os invisuais nas suas compras.

in http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=901832&
div_id=291

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publicado por MJA [11Jan08]


Novo Dec-lei publicado hoje:
Escolas punidas se não derem prioridade
a crianças com necessidades especiais

Público

07.01.2008

As escolas públicas que não dêem prioridade na matrícula às crianças com necessidades educativas especiais de carácter permanente serão alvo de um processo disciplinar, enquanto as privadas perderão o paralelismo pedagógico e o co-financiamento. As sanções estão previstas num decreto-lei publicado hoje em Diário da República.

"As crianças e jovens com necessidades educativas especiais de carácter permanente gozam de prioridade na matrícula, tendo o direito, nos termos do presente decreto-lei, a frequentar o jardim-de-infância ou a escola nos mesmos termos das restantes crianças", lê-se no documento. O diploma, que define os apoios especializados a prestar na educação pré-escolar e nos ensinos básico e secundário no âmbito das necessidades educativas especiais, estabelece ainda que as escolas públicas e privadas com paralelismo pedagógico não podem rejeitar a inscrição de crianças e jovens com base na incapacidade ou nas necessidades educativas especiais que manifestem.

Será ainda elaborado um programa educativo individual para os alunos com necessidades educativas especiais de carácter permanente até 60 dias após a referenciação dos estudantes. Este programa "carece de autorização expressa do encarregado de educação", excepto se este decidir não exercer o seu direito de participação, e deverá ser revisto a qualquer momento e, obrigatoriamente, no final de cada nível de educação e ensino e no fim de cada ciclo do ensino básico.

Dos resultados obtidos por cada aluno com a aplicação das medidas estabelecidas no programa, deve ser elaborado um relatório conjuntamente pelo professor, pelo docente de educação especial, pelo psicólogo e pelos docentes e técnicos que acompanham o desenvolvimento do processo educativo do aluno. O decreto-lei apresenta ainda as modalidades específicas de educação, como a educação bilingue de alunos surdos, a educação de alunos cegos e com baixa visão, os respectivos objectivos bem como as equipas que os compõem.

± Números para este ano lectivo

No início de Setembro, o Ministério da Educação anunciou que a partir deste ano lectivo começavam a funcionar 21 agrupamentos de referência para alunos cegos e com baixa visão e 40 agrupamentos mais 72 escolas de referência no ensino bilingue de alunos surdos. Foi ainda alargado o número de unidades (salas) especializadas em multideficiência, que serão 163 no apoio a 827 jovens, bem como o número de unidades especializadas em perturbações do espectro do autismo, que a partir do próximo ano lectivo serão 99, abrangendo 494 alunos.

Foi também criada uma rede de agrupamentos de escola de referência para a intervenção precoce, que funcionará em 121 agrupamentos com 492 educadores, sendo abrangidas, segundo as estimativas da tutela, 4355 crianças.

Além disso, os agrupamentos passaram a contar com 146 terapeutas ocupacionais, da fala e fisioterapeutas, 65 formadores de língua gestual portuguesa e 58 intérpretes de língua gestual portuguesa, para um total de 269 técnicos de apoio especializado, quando em 2006/07 estavam disponíveis 153, segundo o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos.

Fonte: Lusa

in http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1315889

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publicado por MJA [10Jan08]


Escolas sem professores com formação em braille

Jornal de Notícias

5  Janeiro


A Associação de Cegos e Amblíopes (ACAPO) lamenta que, 78 anos depois da oficialização do braille em Portugal, os alunos com deficiência visual tenham iniciado o ano lectivo sem professores com formação nesta área.

Segundo a ACAPO, é imprescindível o conhecimento do braille por parte dos professores de Educação Especial, para que estes profissionais possam desempenhar adequadamente a sua função junto dos alunos e estes, por sua vez, tenham um bom percurso escolar e de forma igualitária com os restantes colegas.

A associação, lembrando o Dia Mundial do Braille, que ontem se comemorou, chama a atenção para a "autonomia e independência" que este código de escrita e leitura proporciona às pessoas com deficiência visual, pelo que "é fundamental aprendê-lo e, por conseguinte, haver quem o ensine". Acrescenta a ACAPO que, apesar da importância desta ferramenta para a autonomia, mais uma vez, neste ano lectivo, os alunos de vários níveis de ensino terem professores de apoio sem formação em Braille. A mesma organização refere que tem tentado junto do Ministério da Educação resolver o problema, propondo ser ela própria a ministrar tal formação. No entanto, alega não ter recebido qualquer resposta.

Este Dia Mundial do Braille assinalou o 199.º aniversário do nascimento de Louis Braille, francês, e que foi cego desde criança. O código que inventou é presentemente adaptado não só à escrita vocabular, em diversos alfabetos, tanto no modo integral como no modo estenográfico, como ainda à escrita da matemática, geometria, química, fonética, música e informática. O sistema é ajustável às línguas que se falam por todo o Mundo, onde existem cerca de 45 milhões de cegos e 180 milhões de amblíopes.

Em Portugal, a Biblioteca Nacional é um dos repositórios de obras literárias transcritas para braille.

Em termos de informação ao cidadão, a agência Lusa procurou saber se a União Europeia a disponibiliza em braille. Fonte da representação portuguesa no Parlamento Europeu adiantou que, se a houver, ela será "residual. Uma das responsáveis pelo Centro de Documentação da representação portuguesa da Comissão Europeia explicou que "poderá ser pedido ao Serviço Oficial de Publicações da UE legislação ou documentação específica", fornecida num suporte tecnológico que permite ao cego ter acesso à informação. A aposta dos organismos comunitários passa, neste momento, por disponibilizar online a totalidade da informação. A disponibilização electrónica é considerada por Bruxelas uma mais-valia para divulgar os documentos. Tanto mais, que a impressão em braille se torna muito mais volumosa que em qualquer outro código de linguagem.

Ontem, a Universidade de Coimbra e a Direcção Regional de Educação do Centro, com o apoio da Valormed, lançaram em Coimbra os dois primeiros volumes de uma colecção para crianças, em braille sobre reciclagem.

http://jn.sapo.pt/2008/01/05/sociedade_e_vida/escolas_
professores_formacao_braille.html

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publicado por MJA [5Jan08]


Dia Mundial do Braille: Histórias infantis
de temática ambiental para meninos cegos
apresentadas hoje em Coimbra

RTP notícias

Coimbra, 04 Jan (Lusa) - A Universidade de Coimbra e a Direcção Regional de Educação do Centro (DREC) vão hoje assinalar o Dia Mundial do Braille apresentando numa escola em Coimbra histórias infantis criadas para sensibilizar as crianças cegas para as questões ambientais.

Com o apoio da VALORMED, na Escola EB2,3 Inês de Castro de Coimbra vão hoje ser apresentados os dois primeiros volumes de uma colecção que posteriormente serão oferecidos a todos os meninos cegos do 1º e 2º ciclos do ensino básico do país.

O projecto foi desenvolvido no âmbito do grupo EQOFAR (Estudantes de Química Orgânica de Farmácia Acção Reacção) da licenciatura de Ciências Farmacêuticas, composto por estudantes e coordenado pela docente Maria José Moreno, que há algum tempo vinha desenvolvendo actividades de intervenção comunitária, em especial em escolas, na sensibilização ambiental.

Maria José Moreno é a autora desta colecção de histórias que tem como protagonistas os gémeos João e Joana, que aprendem as primeiras letras, mas no seio da sua família vão também se apercebendo da importância que a preservação do ambiente tem de ter no seu quotidiano.

"O Verdinho - as farmácias são amigas do ambiente" é o título do primeiro volume, em alusão ao "verdinho", o saco que a VALORMED deixa em cada farmácia para recolher os fármacos fora do prazo.

O segundo, também a apresentar hoje em edição Braille, tem o título "Aprender a separar para reciclar - os gémeos vão ao ecoponto".

Maria José Moreno adiantou à agência Lusa que no acto de lançamento dos dois primeiros volumes na Escola EB2,3 Eugénio de Castro entregará simbolicamente o terceiro volume para posterior edição Braille, que tem o título: "Aprender o R de reduzir - os gémeos vão ao hipermercado".

A colecção será composta por seis curtas histórias infanto-juvenis que abordam questões relacionadas com o meio ambiente, o desenvolvimento sustentável e a saúde pública, no contexto do quotidiano de uma família.

A edição em Braille, segundo a autora, surge ao contrário do que é comum, por neste caso se privilegiar uma minoria, a dos cidadãos invisuais, e só posteriormente se avançar para a edição comum, em suporte livro ou informático.

"A igualdade de oportunidades não se deve restringir ao período das comemorações", declarou a docente, ao aludir à evocação em 2007 do Ano Europeu de Igualdade de Oportunidades para Todos.

A ideia de o EQOFAR começar a criar os próprios materiais para sensibilização ambiental surgiu das queixas dos professores de não disporem de materiais de apoio para preparar previamente os seus alunos para as acções que este grupo da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra em cada uma delas desenvolvia, explicou Maria José Moreno.

Este grupo e esta docente estão já a preparar outros contos didácticos para assinalar o Ano Internacional do Planeta Terra, da UNESCO, adiantou.

De acordo com uma nota do Gabinete de Comunicação da Reitoria da Universidade de Coimbra, o EQOFAR, mais do que uma aplicação prática dos conceitos que os seus membros vão apreendendo no âmbito da licenciatura, é hoje um "caso de sucesso na interacção da universidade com a sociedade".

O Dia Mundial do Braille, que se comemora a 4 de Janeiro, evoca o nascimento de Louis Braille e a sua acção em prol da integração dos cidadãos com deficiência visual.

FF.

Fonte: LUSA - Agência de Notícias de Portugal, 2008-01-04

 


publicado por MJA
[4 Jan 08]
 

 

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