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 Sobre a Deficiência Visual

Vinculação conjugal e Estilos parentais em Pais de filhos com e sem Deficiência Visual

Andreia Carvalho Vaz

excerto

 

Corneliu Baba, 1906-1997 (pormenor)

 

Introdução
I - Enquadramento conceptual
1.1 – Família e Conjugalidade
1.2 – Vinculação Conjugal
1.3 – Da Conjugalidade à Parentalidade
1.4 – Estilos Parentais Educativos
1.5 – Crianças com Necessidades Educativas Especiais
1.6 – A Baixa-Visão
1.7 – A Criança com Baixa-Visão e a sua Família
1.8 – Estudos Empíricos
II – Metodologia
Desenho da Investigação
2.1 – A Questão Inicial
2.2 – Mapa Conceptual
2.3 – Objectivos gerais e específicos
2.4 – Hipóteses
III – Resultados
3.1 - Análise descritiva dos resultados obtidos
IV - Discussão de Resultados
V - Conclusão
Referências Bibliográficas


Introdução

O conceito de família tem sido investigado de forma sistemática e muitos estudos têm sido realizados no sentido de compreender os modelos de funcionamento da família. No entanto poucos estudos, nomeadamente em Portugal, têm sido realizados com o objectivo de compreender o funcionamento das famílias que tenham crianças com deficiência visual. Muitas questões como o tipo de reacção dos pais quando têm um filho com deficiência visual, as consequências que tal facto poderá ter na relação do casal e como é que os pais interagem com os seus filhos, motivaram esta investigação.

Assim, com este estudo, pretende-se comparar os estilos de vinculação e os estilos parentais adoptados por pais que tenham filhos com e sem deficiência visual e dar um contributo para a investigação e conhecimento nesta área nomeadamente sobre o papel do psicólogo no seio destas famílias.


I – Enquadramento Conceptual

1.1 – Família e Conjugalidade

A família é considerada como um espaço privilegiado para a elaboração e realização de aprendizagens de várias dimensões significativas de interacção, assim como os contactos corporais, a linguagem, a comunicação e relações interpessoais. É também o espaço de vivência de relações afectivas profundas como a filiação, a fraternidade, o amor e a sexualidade num conjunto de afectos e emoções positivas e negativas, que na sua elaboração, dão corpo ao sentimento de pertença a determinada família e não a outra (Alarcão, 2002). No entanto, a família é também, um grupo institucionalizado, relativamente estável, e que constitui uma importante base da vida social (Alarcão, 2002). Do ponto de vista sistémico, “a família é uma rede complexa de relações e emoções que não são passíveis de ser pensadas com os instrumentos para o estudo dos indivíduos isolados (…) a simples descrição de uma família não serve para transmitir a riqueza e complexidade relacional desta estrutura” (Gameiro, 1992 cit. por Relvas, 2004).

O desenvolvimento familiar reporta-se à mudança da família enquanto grupo, assim como à mudança dos seus membros individuais. O ciclo vital da família é a sequência de transformações na organização familiar, em função do cumprimento de determinadas tarefas. Estas tarefas, relacionam-se com as características individuais dos seus elementos, os quais sofrem pressão social para o desempenho adequado das mesmas, que são essenciais à continuidade funcional do sistema família (Relvas, 2004).

O sistema familiar organiza-se em unidades sistémico-relacionais que se denominam sub-sistemas. O sub-sistema individual é composto pelo indivíduo que, para além do seu estatuto e funções familiares, tem, também, funções e papéis noutros sistemas. O sub-sistema conjugal é composto por marido e mulher, sendo que a complementaridade e a adaptação recíproca são aspectos importantes do seu funcionamento. A boa gestão da simetria entre ambos permitirá que cada elemento mantenha a sua individualidade. Uma das funções deste sub-sistema é a de desenvolver fronteiras e limites que protejam o casal da intrusão de outros elementos, para que sejam satisfeitas as suas necessidades psicológicas, outra função é que este é fundamental para o crescimento dos filhos, sendo um modelo relacional das crianças para futuras relações de intimidade (Alarcão, 2002). Deste modo, a conjugalidade reporta-se à função conjugal dos elementos que formam o casal (Relvas, 2004).


1.2 – Vinculação Conjugal

A teoria da vinculação está entre as mais abrangentes e compreensivas teorias em psicologia, tendo em consideração aspectos biossociais e o curso de vida, para explicar como as relações se formam, são mantidas e se dissolvem e como os relacionamentos influenciam, às vezes, permanentemente, as pessoas envolvidas neles (Bowlby, 1979, cit. por Rholes & Simpson, 2004). A teoria da vinculação aborda estas questões a partir de uma variedade de perspectivas, incluindo fisiológicas, emocionais, cognitivas e comportamentais. A teoria articula construções e processos que são relevantes para a compreensão dos elementos de desenvolvimento social, comportamento interpessoal, exercício das relações, ajustamento psicossocial e distúrbios clínicos (Rholes & Simpson, 2004). Assim, a teoria da vinculação enfatiza, a importância dos processos de proximidade e intimidade no desenvolvimento e na manutenção da confiança e do sentido de segurança nas relações amorosas (Crespo, 2007 cit. por Benkovskaia, 2008).

O amor romântico preenche um conjunto de necessidades psicológicas, por exemplo o companheirismo, a necessidade de amar e ser amado, do nosso reconhecimento através dos outros, da satisfação sexual, de apoio emocional. O grau em que estas necessidades são ou não satisfeitas permitirá determinar o tipo de vinculação de um cônjuge ao outro (Moura, 2003 cit. por Benkovskaia, 2008).

Foi nos trabalhos de Hazan e Shaver (1987) que a vinculação no adulto ganhou ênfase. Esta baseia-se na ideia central da teoria de Bowlby, que postula que a ligação da mãe ao bebé vai fundamentar o modelo das relações futuras da criança, promovendo expectativas acerca de ele próprio, dos outros e do mundo (denominadas modelos representacionais ou modelos internos dinâmicos), susceptíveis de influenciar a competência social e o desenvolvimento emocional ao longo da vida do sujeito. Estes modelos internos dinâmicos podem ser modificados de acordo com as experiências relacionais posteriores (Bowlby, 1969, 1973, 1980; Ferreira & Pinho, 2009).

Hazan e Shaver (1987) examinaram as influências da vinculação na criança na vinculação amorosa do adulto e colocaram a hipótese de que os estilos de vinculação na criança, propostos por Ainsworth, poderiam ser utilizados/aplicados nas relações entre adultos (Hazan & Shaver, 1987). Assim, adultos com vinculação segura caracterizam-se pela facilidade em estabelecer relações e a confiar no parceiro, não se preocupam com a possibilidade de serem abandonados, nem com a possibilidade dos outros se aproximarem demasiado. Os relacionamentos são caracterizados pela confiança, felicidade e amizade. Indivíduos com vinculação segura relataram os seus pais como sendo mais responsivos. Nas relações sociais acreditam que os outros são bem intencionados.

Adultos evitantes caracterizam-se pela dificuldade em estabelecer relações, a confiar no parceiro e a depender dele. Os seus relacionamentos são marcados pelo ciúme e medo, ficam nervosos quando alguém se aproxima deles e consideram que os parceiros querem estabelecer maior intimidade do que aquela com a qual a pessoa se sente confortável.

Por fim, adultos com vinculação ansiosa/ambivalente têm a percepção de que os outros apresentam relutância no estabelecimento de relações, preocupam-se com o facto de os outros gostarem deles ou não, gostam de estar mais próximos dos seus parceiros e os relacionamentos são marcados por altos e baixos emocionais, ciúme e preocupação obsessiva com o seu parceiro (Hazan & Shaver, 1987).

A partir dos trabalhos iniciais de Hazan e Shaver (1987) e Main (1985) sobre a aplicação da teoria da vinculação no adulto, Bartolomew (1991) sistematizou a definição de modelos internos dinâmicos de Bowlby numa classificação em quatro categorias da vinculação no adulto (Bartholomew & Griffin, 1994. Nesta classificação, quatro padrões de vinculação foram definidos em termos da intersecção de duas dimensões subjecentes, a positividade do modelo do Self e a positividade do modelo dos outros, sendo eles, vinculação segura, vinculação preocupada, vinculação evitante amedrontada e vinculação evitante desligada. A positividade do modelo do Self indica o grau no qual o indivíduo internalizou o sentimento da sua auto-estima, e por isso, espera que os outros lhe respondam positivamente (Bartholomew & Griffin, 1994). A positividade do modelo dos outros indica o grau no qual os outros são geralmente esperados como sendo disponíveis e responsivos. Este modelo distingue-se dos trabalhos anteriores, pois diferencia dois padrões que são marcados pela hesitação do sujeito para se tornar íntimo das outras pessoas, sendo um o evitante amedrontado (Bartholomew & Griffin, 1994).

Cada um dos padrões de vinculação referidos é caracterizado por modelos distintos de regulação emocional e comportamento interpessoal. Os indivíduos com vinculação evitante amedrontada são bastante dependentes dos outros para a validação da sua auto-estima e têm a percepção de que não merecem o cuidado dos outros em quem não se pode confiar, enquanto os indivíduos evitantes desligados evitam a proximidade com os outros, devido às suas expectativas negativas acerca dos outros. As pessoas preocupadas têm um profundo senso de indignidade. As pessoas seguras são caracterizadas por um sentimento de auto-estima e conforto com a intimidade nas relações íntimas (Bartholomew & Griffin, 1994).


1.3 – Da conjugalidade à parentalidade

Com o nascimento do primeiro filho surge um novo sub-sistema, o parental, e também novas funções e tarefas e uma reorganização relacional, intra e inter-familiares assim como inter-sistémicas (Alarcão, 2002). O sub-sistema parental é, habitualmente constituído, pelos mesmos membros do sub-sistema conjugal, assumindo funções executivas, visando a educação e protecção das crianças. Mediante as relações pais-filhos, as crianças aprendem o sentido de autoridade e de pertença familiar (Alarcão, 2002).

Assim, a parentalidade reporta-se a um conjunto de acções das figuras parentais com o objectivo de promover o desenvolvimento da criança, tendo como recursos a família e a comunidade onde se inserem (Cruz, 2005).


1.4 – Estilos Parentais Educativos

Em investigação a parentalidade é considerada como um determinante importante para o desenvolvimento de várias áreas do funcionamento da criança.

Estudos demonstram que a parentalidade está relacionada com o rendimento escolar, a socialização, a auto-estima e os problemas de comportamento nas crianças (Burchinal, Peisner-Feinberg, Pianta & Howes, 2002; Johnson, Cowan & Cowan, 1999; Lindahl, 1998; Macoby & Martin, 1983; Patterson, Reid & Dishion, 1992, cit. por Gadeyne, Ghesquière & Onghena, 2004). Os modelos ecológicos incluem todos os tipos de variáveis familiares e definem a parentalidade como um mediador entre o desenvolvimento da criança e os factores familiares considerados (Belsky, 1984; Bronfenbrenner, 1986; Dishion, French & Patterson, 1995, cit. por Gadeyne et. al, 2004).

Relativamente à parentalidade diversas variáveis podem ser consideradas, no entanto, dar-se-á maior ênfase aos estilos parentais que são definidos por Darling e Steinberg (1993) como sendo um conjunto de atitudes que os pais comunicam aos seus filhos de forma a criar um clima emocional.

Os primeiros trabalhos sobre estilos parentais examinaram uma miríade de dimensões incluindo a capacidade de resposta e a indiferença (Baldwin, 1948; Freud, 1933; Rogers, 1960; Sears et. al, 1957; Schaefer, 1959), a democracia e o autoritarismo (Baldwin, 1948), o envolvimento emocional ou ausência deste (Baldwin, 1948), o controlo e a ausência deste (Schaefer, 1939), a aceitação e a rejeição (Symonds, 1939), o domínio e a submissão (Symonds, 1939) e a restrição e a permissividade (Becker, 1964) (cit. por Spera, 2005). Nos estudos referidos, os autores chegaram à conclusão de que pais que educavam os seus filhos com afecto, responsividade, democracia tinham filhos com níveis mais elevados de competência e adaptação social (Spera, 2005).

No seguimento destes trabalhos iniciais Diana Baumrind (1966, 1971, 1978, 1989), que tinha como objectivos avaliar o impacto das práticas parentais em várias dimensões da vida do indivíduo, realizou observações extensivas e entrevistas com pais que conduziram à mais conhecida e influente abordagem tipológica dos estilos parentais. Através de vários estudos Baumrind identificou três tipos de estilos parentais: autoritativo, autoritário e permissivo.

Para Baumrind (1966) os pais autoritativos são afectuosos e responsivos, educando os seus filhos com carinho, apoiando as suas explorações e interesses. Estes pais exercem um controlo firme mas de forma racional valorizando tanto a obediência como a autonomia dos seus filhos. Encorajam a troca de ideias solicitando que a criança lhe explique o porquê do seu não conformismo. Utilizam o reforço positivo, regras claras e consistentes.

Os pais cujo estilo é autoritário não são afectuosos nem responsivos com os seus filhos, sendo intolerantes e rigorosos e esperando a obediência dos seus filhos usando punições e reforços negativos quando estes se comportam mal. Estes pais expressam expectativas através de regras e ordens, não comunicando aos seus filhos a lógica existente para as regras, não encorajam a troca de ideias acreditando que a criança tem que aceitar a sua palavra para o que está certo (Baumrind, 1966; Spera, 2005).

Os pais que apresentam um estilo permissivo são moderados na capacidade de resposta às necessidades dos seus filhos. No entanto, são negligentes no que respeita às expectativas que têm acerca dos seus filhos, bem como em relação à tolerância do seu comportamento, delegando poucas responsabilidades na criança, não permitindo que ela se auto-regule. Usam o reforço positivo, sendo despreocupados em relação à socialização das crianças (Baumrind, 1966; Spera, 2005).

No seguimento dos estudos de Baumrind, Maccoby e Martin (1983) conciliaram a abordagem de Baumrind com tentativas anteriores de definir o comportamento parental, tendo por base duas dimensões do mesmo, a responsividade e a exigência.

Assim, os pais autoritativos apresentam níveis elevados de afecto e responsividade e níveis elevados de controlo de forma racional, os pais autoritários apresentam níveis elevados de controlo e níveis baixos de capacidade de resposta, afecto e comunicação bidireccional e os pais permissivos apresentam níveis moderadamente elevado em medidas como a responsividade e níveis baixos em medidas como o controlo. Os mesmos autores adicionaram uma quarta dimensão à tipologia de Baumrind, o indulgente. Estes descrevem que os pais indulgentes são similares aos pais permissivos em relação a variáveis como o controlo, mas são diferentes em relação à responsividade e afecto para com os seus filhos. Assim, pais indulgentes têm níveis baixos de capacidade de resposta, afecto e controlo (Maccoby & Martin, 1983 cit. por Spera, 2005).

Depois da documentação consistente destes estilos Baumrind (1991) reduziu os estilos parentais em duas dimensões, responsividade e exigência. A responsividade refere-se aos comportamentos parentais que intencionalmente fomentam a individualidade e a auto-estima nos seus filhos. A exigência refere-se às directivas que os pais fazem aos seus filhos para eles se integrarem na família e na sociedade (Spera, 2005).

Outro tipo de abordagem aos estilos parentais é o modelo integrativo de Darling e Steinberg (1993). Segundo os autores para perceber a influência dos estilos parentais no desenvolvimento da criança é preciso ter em conta três factores, os principais objectivos relacionados com a socialização, as práticas parentais que são utilizadas para ajudar a criança ou jovem a atingir os seus objectivos e o clima emocional e relacional no qual a socialização irá ocorrer. Assim, os autores distinguem práticas parentais (comportamentos com objectivo específico através dos quais os pais expressam os deveres parentais) de estilos parentais (conjunto de atitudes que são comunicadas aos filhos e que no conjunto criam um clima emocional no qual os pais irão actuar de determinada forma) e postulam que a partir da avaliação dos estilos parentais é possível perceber as práticas educativas dos pais (Darling & Steinberg, 1993).

O modelo integrativo (Fig. 1 abaixo) postula que os atributos e características dos pais, sendo influenciados pelos objectivos da socialização, vão ser de dois tipos, os estilos parentais e as práticas parentais (setas 1 e 2). As práticas parentais têm um efeito específico no desenvolvimento da criança/jovem (seta 3). Em contraste estilos parentais influenciam o desenvolvimento da criança, principalmente através da influência moderadora que têm sobre a relação entre as práticas parentais e o desenvolvimento da criança/jovem (seta 4) e através da influência sobre a abertura da criança para a socialização parental (seta 5).

Por sua vez, a abertura da criança/jovem para a socialização também modera a influência que as práticas parentais têm no desenvolvimento da criança/jovem (seta 6).
 

Figura 1: Modelo Integrativo de Darling e Steinberg (1993)
Figura 1: Modelo Integrativo de Darling e Steinberg (1993)

 

1.5 – Crianças com necessidades educativas especiais

Ao longo do século XX, a evolução de conceitos e de práticas relativas ao atendimento educativo de crianças e jovens com deficiência, tem evoluído de forma semelhante a vários níveis. Desde a iniciativa privada à intervenção do Estado, desde as instituições de assistência à criação de estruturas educativas e desde as políticas de segregação às medidas de integração escolar. Numa primeira fase, no início do século, o pressuposto de que as crianças e jovens com deficiência deviam ser protegidas defendia a sua inserção em estruturas que a colectividade prevê para o conjunto dos seus membros. Numa segunda fase, nos princípios da década de 60, assistiu-se ao desenvolvimento de preocupações educativas e à progressiva importância prestada pelos departamentos oficiais dos ministérios da Segurança Social, Educação e Saúde às crianças e jovens com deficiência. Numa terceira fase, passou-se a dar ênfase às posições desenvolvimentalistas e interaccionistas que conduziram à adopção de um "modelo ecológico" onde se fez sentir a importância que era necessário atribuir à própria criança, à sua individualidade, ao seu poder e capacidade para desempenhar um papel activo e estruturante nas interacções que estabelece com o meio (Pereira, 1996).

A psicologia dos sistemas familiares sugere que um conhecimento das características da família, das relações interactivas, das tarefas e do percurso familiar é importante para definir a relação individual pais-profissionais, tendo em conta os interesses da criança, dos restantes membros da família e dos profissionais. De acordo com esta escola de pensamento, a relação família-profissionais implica uma abordagem individualizada uma vez que as famílias apresentam características distintas que resultam da sua organização específica: estrutura familiar, nível cultural, estatuto sócioeconómico, zona residencial, além de características individuais ligadas a outros factores como, por exemplo, a saúde (Pereira, 1996).

Para McPherson, Arango, Lauver, Fox, Newacheck, Perrin, Shonkoff, e Strickland, (1998) crianças com necessidades especiais são todas aquelas crianças que têm, ou que tenham um risco aumentado de ter, uma condição crónica física, de desenvolvimento, comportamental e emocional ou que necessitem de mais cuidados de saúde do que as crianças em geral.

A administração educativa inglesa postula que o termo necessidades educativas especiais inclui alunos com capacidades de diferentes níveis, que demonstrem dificuldades na aprendizagem e cognição, comunicação e interacção, nos aspectos físicos e sensoriais e/ou comportamentais, emocionais e de desenvolvimento social.

Por sua vez, a OCDE desenvolveu um conceito operativo tripartido “DDD” para a realização de estudos comparados sobre Necessidades Educativas Especiais: categoria A (Deficiências) que abarca os alunos cujas necessidades educativas decorrem de uma causa orgânica ou biológica identificada (ex: hipoacústicos); categoria B (Dificuldades) que abarca os alunos cujas necessidades educativas não parecem residir numa causa orgânica, nem num factor de desvantagem social (ex: sobredotados, problemas de comportamento ou disléxicos); categoria C (Desvantagens) que abarca os alunos cujas necessidades educativas decorrem de factores sócio-económicos, culturais ou linguísticos (ex: imigrantes) (Ministério da Educação, 2005).


1.6 – A baixa visão

A baixa visão ou visão subnormal descreve uma condição da função visual, intermediária entre a visão normal e a cegueira. Esta é secundária a um acontecimento irreversível do sistema visual, no qual o uso de correcção óptica não é suficiente para uma melhor resolução visual. O doente com baixa visão tem dificuldade em resolver determinadas actividades tendo isso, um impacto negativo sobre a funcionalidade do indivíduo (Sampaio & Haddad, 2009).

Faye (1990 cit. por Sampaio & Haddad, 2009) definiu, de forma didáctica, três grupos de perfil de resposta visual, tendo em conta a interacção da doença com a funcionalidade visual (correlação clínico-funcional). Como primeiro perfil considerou a diminuição da transparência dos meios ópticos do sistema ocular, em que as principais causas são as cataratas, opacidades vítreas, lesões e opacidades corneais, ceratocone e irregularidades no filme lacrimal. Como segundo perfil considerou o defeito de campo visual central, em que as principais causas são a degeneração macular relacionada à idade, retinocoroidites maculares, distrofias de cones, doença de Stargardt e lesões das vias ópticas. Faye considerou ainda como terceiro perfil, os defeitos de campo visual periférico, sendo as principais causas os casos avançados de glaucoma, retinose pigmentar, casos de retina fotocoagulada e doenças neurológicas.

Em todos os casos descritos a reabilitação do paciente é constituída por uma actuação interdisciplinar que é direccionada para a obtenção do máximo aproveitamento da visão e, consequentemente, de todos os ganhos daí decorrentes, desde o desenvolvimento global da criança com baixa visão até à exploração segura do ambiente pelo indivíduo (Sampaio & Haddad, 2009).


1.7 – A criança com baixa visão e a sua família

Sendo a visão um dos sentidos mais importantes para a interacção, assimilação e aprendizagem, se esta estiver ausente ou prejudicada, a criança precisará de outras ajudas para assimilar e organizar a informação que é captada pelos outros órgãos sensoriais sendo estes, o seu caminho para a interacção e comunicação. A criança necessita que o seu ambiente seja modificado, organizado e planeado com estratégias específicas para o uso dos outros sentidos na aprendizagem (Siaulys, 2009). Segundo Siaulys (2008) a criança deve participar e agir para conhecer o mundo, ter autonomia e independência para realizar as suas actividades quotidianas, tendo acesso a materiais adequados às suas necessidades. No entanto, como a baixa visão é, muitas vezes, confundida com défices de atenção, preguiça e deficiência mental, por parte de pais e professores, as dificuldades da criança serão acrescidas (Siaulys, 2009).

Na deficiência visual congénita a família e as pessoas próximas vão influenciar a criança com atitudes que vão da superprotecção ao isolamento da criança. Frequentemente o sentimento de culpa, raiva e rejeição pela situação, pode levar à separação do casal havendo transferência de responsabilidades de um elemento do casal para o outro. Estas atitudes poderão influenciar a auto-estima, autoconfiança da criança que terão repercussões no seu desenvolvimento neuropsicomotor (Brilliant, 1999 cit. por Filho, 2009).

Na deficiência visual adquirida a nova situação pode gerar ou exacerbar conflitos no relacionamento familiar pela mudança de responsabilidades que a nova situação evoca (Filho, 2009). Alguns estudos referem que casamentos em que existe uma criança com deficiência apresentam um elevado número de divórcios, desarmonia familiar, deserção do marido (Gath, 1977; Murphy, 1982; Reed & Reed, 1965).  No entanto, estudos não concordantes com os anteriores sugerem que, em alguns casos, a presença de uma criança com deficiência pode exercer um impacto positivo no casamento, havendo casais que sentem que o seu casamento se fortaleceu (Summers, 1987) (cit. por Pereira, 1996). Segundo Gallagher, Beckman, e Cross, (1983) o stress parental parece aumentar com a idade da criança deficiente.

Segundo Fonseca (2003) quando os pais têm um filho com deficiência visual experimentam um choque, pois o filho real não é o filho que imaginaram, e estes têm que ser ajudados a enfrentar a situação e a reorganizar-se enquanto casal e enquanto pais. Esta reorganização passa por uma redescoberta do filho percebendo que este interage com eles. Nesta situação, o papel do psicólogo é o de prestar informação aos pais no sentido de desmistificar a problemática da deficiência visual, de seguida é necessário um acompanhamento com a criança, salientando o papel decisivo que a família terá (Fonseca, 2003). As famílias precisam de ser tratadas como tendo necessidades específicas e, portanto, requerem soluções individualizadas (Gallagher, 1983).


1.8 – Estudos empíricos

No que concerne aos estudos empíricos muitos têm sido realizados no âmbito das variáveis em estudo, embora sejam poucos os existentes em populações como a que este estudo visa abranger (pais de filhos com deficiência visual). Nesta secção serão apresentados estudos realizados sobre a vinculação no adulto, sobre os estilos parentais e sobre a relação entre as duas variáveis em amostras de pais de filhos sem deficiência visual e com deficiência visual.

Relativamente à variável vinculação conjugal, autores como Collins e Read, (1990) exploraram a relação entre os estilos de vinculação e os modelos internos dinâmicos, do Self e dos outros, e chegaram à conclusão de que o estilo de vinculação seguro está relacionado com elevada auto-estima, instrumentalidade, expressividade, confiança nos outros, crenças sobre a natureza humana e estilos de amar, e os estilos de vinculação insegura estão associados com baixa auto-estima e dificuldade em confiar nos outros, resultados que são consonantes com o modelo posteriormente desenvolvido por Bartholomew (1991). Surcinelli, Rossi, Montebarocci e Baldaro, (2010) concluíram que o estilo de vinculação seguro está associado a uma melhor saúde mental, enquanto os estilos de vinculação inseguros são caracterizados por pensamentos negativos sobre si e estão associados a níveis mais elevados de depressão e ansiedade.

No que respeita aos estilos de vinculação e o funcionamento dos relacionamentos, Moreira (2006) obteve resultados que desafiam a noção de consistência nas diferentes relações e apoiam a proposta de Bartholomew (1990), de que a representação dos outros é reflectida pelo evitamento, sendo específico, por isso, das relações, e que a preocupação reflecte as representações que a pessoa tem de si própria, sendo por isso específica da pessoa. Holland e Roisman, (2010) concluíram que uma vinculação segura prediz a qualidade observada e percebida nos relacionamentos.

Relativamente a estudo sobre estilos parentais educativos Aunola, Nurmi, Arvilommi e Pulkinnen (1999) chegaram à conclusão de que a auto-estima dos pais, o uso de uma estratégia de domínio orientada e o stress parental foram encontrados como estando associados com o estilo autoritativo, enquanto que um nível baixo de educação dos pais está relacionado com o estilo parental autoritário. Os resultados mostram que o impacto da auto-estima dos pais no estilo autoritativo e o stress parental são, em parte, mediados pelo seu uso de uma estratégia de domínio muito orientada. Carlo, McGinley, Hayes, Batenhorst e Wilkinson (2007) encontraram evidências de que as práticas parentais estão significativamente associadas com os comportamentos pró-sociais dos adolescentes. No entanto, as associações entre as práticas parentais e os comportamentos pró-sociais ocorreram principalmente através de relações indirectas com a simpatia. Weber, Selig, Bernardi, e Salvador (2006) num estudo sobre a transmissão intergeracional dos estilos parentais, chegaram à conclusão de que em 91.7% dos casos ficou demonstrada a transmissão intergeracional e que, da primeira para a terceira geração, os pais eram sensivelmente mais autoritários do que as mães que eram mais submissas. Segundo os autores estes resultados levam a crer que é necessária a divulgação das práticas educativas parentais adequadas como sendo estratégias de prevenção.

Ardito, Adenzato, Dell’osbel, Izard e Veglia (2004) verificaram que os comportamentos maternos directivos e de superprotecção adoptados pela mãe, são sentidos pelas pessoas com cegueira congénita como forma de incentivo, se acompanhados por afecto. Estes resultados, não apoiam a hipótese de que estes comportamentos têm necessariamente efeitos negativos no desenvolvimento de pessoas com cegueira congénita. Christian (2002) num estudo comparativo que realizou entre pais que tinham filhos com e sem deficiência visual chegou à conclusão de que o incentivo dos pais em relação ao desenvolvimento da criança estava ligado a comportamentos mais adaptativos quando as crianças tinham uma idade mais avançada, e que as crianças mais velhas têm capacidade cognitiva para perceber o que os pais lhes estão a transmitir, uma vez que as crianças mais novas precisam de comportamentos directivos por parte dos pais para executar as tarefas. Os estilos parentais que assumiam o controlo estão positivamente relacionados com competências adaptativas e negativamente relacionados com os problemas de comportamento, estando no entanto associados a uma diminuição da relação com os pais. Outro resultado que obteve é que a protecção dos pais estava negativamente associada com a aquisição de competências adaptativas e positivamente relacionada com os problemas de comportamento. A autora chegou também à conclusão de que as crianças com deficiência visual tinham menos amigos e que as suas relações com os pares eram mais fracas por comparação com crianças sem deficiência visual, e que os comportamentos destas podem ser consideravelmente antecipados tendo em conta os comportamentos globais e específicos dos pais.

Outros estudos focaram a importância nas relações entre a vinculação conjugal e os estilos parentais. Jin Yu e Gamble (2008) no estudo que realizaram, obtiveram evidências de um efeito directo da qualidade do relacionamento conjugal na qualidade do relacionamento entre irmãos; e relações bidireccionais entre os relacionamentos entre irmãos e os estilos parentais. Rholes, Simpson, Blakely, Lanigan e Allen (1997) concluíram que pessoas com vinculação preocupada ou ansiosa ambivalente tinham modelos negativos de parentalidade e de relações pai-filho. Estes resultados indicam que os modelos internos dinâmicos da parentalidade e da relação pai-filho são formados antes do casamento e do nascimento do primeiro filho e que estes modelos estão sistematicamente associados com os estilos de vinculação nas relações adultas. Os resultados também sugerem, que os padrões de vinculação insegura entre a criança e os pais podem ser influenciados pelos modelos do cuidador em relação à parentalidade e à relação pai-filho. Noutro estudo Rholes, Simpson e Friedman (2006) também chegaram à conclusão de que pais com um estilo de vinculação preocupado experienciaram níveis mais elevados de stress após o nascimento do seu filho e perceberam a parentalidade com menos satisfação e pessoalmente menos gratificante.

Nosko, Tieu, Lawford e Pratt (2011) na realização de um estudo longitudinal chegaram à conclusão de que existem associações entre as relações pai-filho, quando os jovens tinham 17 anos, e o tema das histórias que contavam quando os jovens tinham 26 anos, e que estas relações foram mediadas pelos estilos de vinculação (mais seguro e menos evitante). Mills-Koonce, Appleyard, Barnett, Deng, Putallaz e Cox (2011) obtiveram evidências de que mães evitantes eram menos sensíveis com as suas crianças do que mães seguras. Estes resultados sugerem que a associação entre a vinculação insegura e os estilos parentais é moderada pelo stress psicossocial.

Paley, Kanoy, Cox, Burchinal, Harter e Margand (2005) obtiveram que, famílias com pais que tinham vinculação insegura mostraram menos interacções positivas e mais negativas em 24 meses, mas apenas quando em período pré-natal houve maiores níveis de interacção negativa no casamento.

Ao longo deste enquadramento realçou-se a importância das variáveis da conjugalidade e da parentalidade e o modo como elas se relacionam. Agora, importa explicar e perceber o desenho da presente investigação, quais os seus objectivos, participantes e metodologia utilizada. Essa explicação será feita no capítulo seguinte.


II – Metodologia

Desenho da Investigação

2.1 – A Questão Inicial

Na presente investigação pretende-se compreender as relações existentes entre variáveis da conjugalidade e da parentalidade, respectivamente vinculação conjugal e estilos parentais, em pais de filhos com e sem deficiência visual. Para isso, realizou-se um estudo comparativo entre as duas amostras.

A questão inicial que se coloca e que foi o ponto de partida para o desenrolar da investigação, é a de saber se existem diferenças na vinculação conjugal e nos estilos parentais educativos entre pais de filhos com e sem deficiência visual.

2.2 – Mapa conceptual

A investigação apresenta como variáveis dependentes a vinculação conjugal e os estilos parentais educativos, pretendendo comparar o estilo de vinculação conjugal e os estilos parentais educativos entre pais que não tenham filhos com deficiência visual e pais que tenham filhos com deficiência visual. Pretende também estudar a relação que o estilo de vinculação ao cônjuge tem no exercício das práticas educativas parentais.


Fig. 2 - Psicologia da Família
Figura 2 - Psicologia da Família


2.3 – Objectivos gerais e específicos

O presente estudo insere-se na temática da conjugalidade e da parentalidade e, tendo em conta a questão inicial, tem como objectivos gerais conhecer as possíveis diferenças existentes ao nível da vinculação conjugal e estilos parentais em pais de filhos com e sem deficiência visual, e perceber a relação existente entre os dois conceitos (vinculação conjugal e estilos parentais).

Decorrentes dos objectivos gerais assumem-se como objectivos específicos:

  1. Comparar os estilos de vinculação existentes em pais que tenham filhos com e sem deficiência visual;
  2. Comparar os estilos educativos parentais praticados por pais de filhos com e sem deficiência visual;
  3. Perceber a relação existente entre a vinculação conjugal e o estilo educativo parental em ambas as amostras;

2.4 – Hipóteses

Para alcançar os objectivos propostos importa colocar algumas questões de partida que nos permitam prever os resultados obtidos através das análises estatísticas, tendo em conta a revisão de literatura apresentada anteriormente.

Assim como primeira hipótese de investigação espera-se a existência de diferenças em relação ao estilo de vinculação entre pais de filhos com deficiência visual e pais de filhos sem deficiência visual, tendo como base os estudos de Gath, 1977; Murphy, 1982; Reed e Reed, 1965 (cit. por Pereira, 1996), que referem que a presença de uma criança com necessidades educativas especiais pode influenciar de forma negativa o casamento, havendo um elevado número de divórcios, desarmonia familiar e abandono por parte do marido.

Como segunda hipótese espera-se a existência de diferenças em relação ao estilo parental educativo entre pais de filhos com deficiência visual e pais de filhos sem deficiência visual, tendo por base os estudos de Ardito et. al (2004) e Christian (2002) em que referem a superprotecção dos pais de crianças que tenham deficiência visual.

Como terceira hipótese assume-se a correlação entre a vinculação conjugal e os estilos parentais adoptados.

De acordo com a literatura espera-se que existam resultados diferentes entre pais que tenham filhos com e sem deficiência visual, nomeadamente que o estilo de vinculação e o estilo parental sejam mais positivos nos pais que têm filhos sem deficiência visual.


III – Resultados

Apresentam-se agora os resultados que se obtiveram após análise estatística dos dados. A amostra foi recolhida por conveniência, uma que vez que para participarem os sujeitos tinham que preencher determinados requisitos que foram abordados anteriormente. Pelo facto de a amostra ser de conveniência, a análise inferencial apresentada tem, apenas, o objectivo de dar pistas sobre o estilo de vinculação e o estilo parental em pais de filhos com e sem deficiência visual. Uma vez que nos instrumentos que foram utilizados, os itens não estavam formulados todos no mesmo sentido, ou seja, uns eram formulados no sentido positivo e o número máximo na escala representava o mais positivo, e outros eram formulados no sentido negativo em que o número máximo na escala representava o mais negativo, houve a necessidade de inverter as cotações dos itens negativos, para que todos os itens fossem cotados no sentido positivo e para se poder determinar as variáveis globais do estilo de vinculação e do estilo parental como a média das respostas aos seus itens, sendo que quanto mais próxima do valor máximo mais positivo seria o estilo de vinculação e o estilo parental.

De seguida, analisou-se a normalidade da distribuição do estilo de vinculação e do estilo parental (teste de Shapiro-Wilk) e aplicaram-se na análise dos dados algumas medidas descritivas, o teste estatístico de igualdade de valores médios, denominado habitualmente como Teste t de Student e determinaram-se também os coeficientes de correlação de Spearman para estudar a relação entre algumas variáveis.

3.1 - Análise descritiva dos resultados obtidos:

No que respeita à vinculação conjugal verificou-se, que as médias não diferem muito entre mães e pais das duas amostras, sendo que a média para as mães de filhos sem baixa visão é superior à média das mães que têm filhos com baixa visão. O mesmo acontece em relação aos pais. Analisando o estilo preocupado e o estilo evitante, verificou-se, que as médias também são mais elevadas tanto em mães como em pais de filhos sem baixa visão, à excepção do estilo evitante em que a média é mais elevada em pais de filhos com baixa visão.


IV – Discussão dos Resultados

Os resultados que foram apresentados no capítulo anterior respondem à questão inicial, verificando-se que existem diferenças em relação à vinculação conjugal e aos estilos parentais em pais de filhos que tenham ou não deficiência visual.

Como foi referido anteriormente fizeram parte deste estudo duas amostras independentes, pais de filhos com deficiência visual e pais de filhos sem deficiência visual, sendo que para se proceder a um estudo comparativo teve de se equivaler as amostras em relação a vários critérios como, a idade, número de filhos, escolaridade, estatuto ocupacional, apoio familiar, religiosidade e prática da mesma. Apesar da realização destes procedimentos deve ser-se prudente em relação à generalização dos resultados, uma vez que cada família tem as suas especificidades.

No que concerne à primeira hipótese deste estudo, em que se postula a existência de diferenças em relação ao estilo de vinculação conjugal entre pais de filhos com deficiência visual e sem deficiência visual, pode dizer-se que os resultados confirmam parcialmente a mesma, uma vez que se obtiveram diferenças estatisticamente significativas entre as mães das duas amostras, mas não se obtiveram diferenças estatisticamente significativas em relação aos pais das duas amostras. Verificou-se também, que as mães da amostra 1 apresentaram médias mais elevadas, ou seja, apresentaram níveis de vinculação mais positivos do que as mães da amostra 2.

Relativamente aos pais verificou-se, que os pais da amostra 2 são um pouco mais evitantes. Estes resultados podem dever-se, ao facto de a existência de um filho com deficiência poder ter alguma influência no casamento. Segundo Gath (1977), Murphy (1982), Reeds e Reeds (1965), (cit. por Pereira, 1996) o facto de um casal ter um filho com necessidades educativas especiais pode influenciar de forma negativa o casamento, originando um maior número de divórcios. Pode levar também a conflitos e desentendimentos familiares que terminem no abandono por parte do marido. Por outro lado, segundo Gallagher et. al. (1983) o stress parental tende a aumentar com a idade do filho deficiente facto que, pode influenciar a qualidade da relação conjugal e, por esse motivo, as mães de filhos com deficiência visual apresentaram níveis mais baixos de vinculação conjugal.

Relativamente à segunda hipótese deste estudo, que postula a existência de diferenças em relação ao estilo parental entre pais de filhos com e sem deficiência visual, pode dizer-se que, à semelhança da hipótese anterior, os resultados também a confirmam parcialmente, pois verificaram-se diferenças estatisticamente significativas em relação às mães das duas amostras e não se verificaram diferenças em relação aos pais de ambas. Após a análise dos resultados verificou-se que, as mães da amostra 1 apresentaram médias mais elevadas, ou seja, apresentaram estilos parentais mais positivos que as mães da amostra 2. As mães da amostra 1 apresentaram também, valores mais elevados em relação à avaliação que fazem do estilo parental dos pais.

Os resultados obtidos podem ser resultado de comportamentos de superprotecção por parte dos pais de filhos com deficiência visual (Ardito et. al, 2004; Christian, 2002) que podem não ser benéficos para as crianças. Por outro lado, segundo o estudo de Rholes et. al (1997), pais que têm um estilo de vinculação preocupado apresentam modelos negativos de parentalidade, o que se reflecte nos comportamentos que os pais terão com os seus filhos. Ainda segundo Rholes et. al (2006) pais com níveis mais elevados de preocupação apresentam níveis mais elevados de stress após o nascimento do primeiro filho, e percebem a parentalidade como menos satisfatória e gratificante. O facto de ter um filho deficiente pode contribuir, para um aumento dos níveis de stress, devido ao choque que os pais têm quando sabem que o seu filho é incapacitado, para uma percepção negativa da parentalidade, devido aos sentimentos de culpa e por não terem o filho que sempre desejaram e, consequentemente, para estilos parentais mais negativos.

Outra questão a ter em conta é o facto de um casal ter um filho com deficiência, e as consequências que isso poderá ter não só na relação do casal, como ao nível da socialização da criança e dos pais. Para Christian (2002) comportamentos de superprotecção podem não ser benéficos para a socialização da criança, por não lhe ser dada a hipótese de exploração do ambiente e consequente autonomia. Para os pais ter um filho com deficiência visual pode acarretar níveis elevados de stress psicossocial, que pode ser visto como um moderador entre a vinculação insegura do casal e o estilo parental (Mills-Koonce et. al, 2011).

No que respeita à terceira hipótese deste estudo, que postula a correlação entre a vinculação conjugal e os estilos parentais adoptados, pode-se dizer que os resultados obtidos confirmam a hipótese. Para as mães da amostra 1 o estilo parental está moderadamente correlacionado com o estilo de vinculação evitante e para as mães da amostra 2 o estilo parental está moderadamente correlacionado com o estilo de vinculação preocupado. Estes resultados demonstram que há correlação entre as variáveis e que o desempenho das funções parentais depende do estado da relação conjugal e do modo como a pessoa percepciona a parentalidade, bem como pode depender da saúde mental dos pais, uma vez que, tendo em conta o estudo de Surcinelli et. al, (2010) pessoas que tenham vinculação insegura têm maior probabilidade de desenvolver depressões e de serem mais ansiosas. Por outro lado, ter um filho deficiente torna-se uma grande responsabilidade e pode ter como consequência que as mães se centrem mais na educação e acompanhamento do seus filho, remetendo para segundo plano a sua relação conjugal.

Por sua vez, para os pais da amostra 1, o estilo parental apresenta correlações fracas com o estilo de vinculação, já para os pais da amostra 2 o estilo parental está moderadamente correlacionado com o estilo de vinculação preocupado. Estes resultados demonstram que também existe uma correlação entre as variáveis da conjugalidade e as variáveis da parentalidade, à semelhança do que acontece com as mães. O facto de esta correlação apenas se verificar nos pais da amostra 2 poderá ser explicada pela presença de um membro da família portador de deficiência e que pode causar sentimentos de culpa, raiva e transferência de culpas entre os membros do casal, o que afecta a relação conjugal. Estes sentimentos poderão conduzir a um estilo de vinculação mais negativo que pode originar o abandono (Gath, 1977; Murphy, 1982; Reeds & Reeds, 1965, cit. por Pereira, 1996) ou a falta de cuidados por parte do pai, e consequentemente, estes apresentarem estilos parentais mais negativos.

De uma maneira geral pode dizer-se, que os resultados obtidos no presente estudo, com uma amostra portuguesa, corroboram as hipóteses formuladas, embora se tivessem obtido diferenças estatisticamente significativas para as mães das duas amostras e não para os pais, tanto na variável vinculação conjugal como na variável estilos parentais. O facto de não se verificarem diferenças em relação aos resultados obtidos pelos pais, pode dever-se ao facto de estes terem uma forma diferente de encarar os seus papéis no seio da relação conjugal e parental, e pelo facto de às mulheres estar, geralmente, incumbido o papel de cuidadoras primárias, e que no seio da sociedade actual pode resultar em elevados níveis de stress que afectem as relações conjugais, podendo não se verificar o mesmo em relação aos pais.


V – Conclusão

O presente estudo permite-nos retirar algumas conclusões gerais, dando-se especial ênfase às diferenças estatisticamente significativas que se encontraram entre as mães das duas amostras relativamente às variáveis vinculação conjugal e estilos parentais, sendo que as mães de filhos com deficiência visual apresentavam médias mais baixas de vinculação conjugal e estilos parentais, ou seja, apresentavam estilos de vinculação e estilos parentais mais negativos do que as mães de filhos sem deficiência visual. O mesmo se verificou para os pais das duas amostras, embora não se tenham obtido diferenças estatisticamente significativas.

Este estudo permite, também, tirar a conclusão de que existe correlação entre as variáveis da conjugalidade e da parentalidade, embora as correlações que se obtiveram fossem moderadas tanto para as mães como para os pais das duas amostras em estudo.

O estudo realizado apresenta algumas limitações. Como primeira limitação pode referir-se que embora se tenha controlado a homogeneidade das amostras, a amostra 1 é sensivelmente maior e mais variada que a amostra 2, que sendo recolhida em pequeno número não permite um estudo tão abrangente. Assim, como segunda limitação pode destacar-se a dificuldade em encontrar indivíduos que preenchessem os requisitos para integrar a amostra 2. Como terceira limitação pode referir-se o facto de na literatura não existirem muitos estudos, essencialmente sobre as diferenças entre pais de filhos com deficiência visual e pais de filhos sem deficiência visual, que suportem teoricamente os resultados obtidos. Uma quarta limitação advém deste estudo não ser longitudinal, pelo que não se estudam as mudanças que vão existindo no seio destas famílias.

Contudo, para além das limitações referidas, o estudo poderá sugerir algumas implicações para a prática clínica. Focando-nos nos resultados obtidos e no que foi referido ao longo do primeiro capítulo, poderá ser possível, perceber o papel do psicólogo junto das famílias que têm filhos com deficiência visual, e traçar objectivos terapêuticos específicos para cada família. Estes objectivos poderão estar associados à desmistificação da doença junto dos pais, assim como fomentar a aceitação da condição do filho, mediante um novo conhecimento da criança e do parecer que esta tem sobre o seu problema. Outro objectivo do psicólogo poderá ser ajudar na procura de soluções quer a nível relacional e social do casal, como da criança, focando a família como principal apoio à criança com deficiência. Mediante o trabalho realizado com estas famílias, o psicólogo poderá desenvolver novos métodos e estratégias, quer ao nível do acompanhamento individual e familiar, quer ao nível de uma intervenção grupal, que sejam eficazes e que contribuam para o bem-estar destes indivíduos, bem como para a sensibilização de outros colegas de profissão de que há trabalho a realizar com estas famílias que sofrem mudanças a vários níveis.

Com este estudo pretende dar-se um contributo ao trabalho desenvolvido pelos investigadores sobre o tema, e sensibilizar para a importância da realização de investigações no domínio das famílias com deficiência visual.


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VINCULAÇÃO CONJUGAL E ESTILOS PARENTAIS EM PAIS DE FILHOS COM E SEM DEFICIÊNCIA VISUAL
[excerto]
Andreia Carvalho Vaz
2011
MESTRADO INTEGRADO EM PSICOLOGIA
Secção de Psicologia Clínica e da Saúde/Núcleo de Psicologia Clínica Sistémica
Dissertação orientada pela Professora Doutora Maria Teresa Ribeiro
FACULDADE DE PSICOLOGIA
UNIVERSIDADE DE LISBOA
 

Fonte da obra integral [pdf]: http://repositorio.ul.pt/handle/10451/5135

 

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29.Jun.2012
publicado por MJA