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 Sobre a Deficiência Visual

Sistemas Técnicos e Tácticos no Goalball

Alessandro Tosim, Alaércio Perotti Jr, M.ª Teresa Leitão & Regina Simões
 

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Goalball (Londres, 2012)

 

Resumo | O presente estudo tem por intenção discorrer sobre os sistemas técnicos e táticos do goalball. Trata-se de um esporte paraolímpico, criado em 1946, para pessoas com deficiência visual. Devido ao grande desenvolvimento da modalidade no território nacional, estamos criando situações de estudo da modalidade no âmbito acadêmico, já que pouco se produz sobre o goalball neste universo. Para o desenvolvimento deste trabalho realizámos revisão de literatura e relatos de experiência enquanto técnicos da modalidade.


INTRODUÇÃO

O esporte moderno teve a sua origem no século XIX e tem evoluído e se difundido por todo o mundo, acompanhando o desenvolvimento da sociedade. Com o passar do tempo várias modalidades esportivas foram criadas e aperfeiçoadas, atingido na nossa atualidade uma grande valorização da sociedade. No entanto, segundo Winnick (2004), o esporte voltado para as necessidades especiais das pessoas com deficiência é um fenômeno recente e que recebeu uma atenção significativa no século XX, apesar de a Educação Física ser oferecida tanto para pessoas com deficiência visual como para outras deficiências no século XIX.

Nos últimos anos, a atenção e o interesse dedicado à Educação Física e aos esportes adaptados tem aumentado. Suas práticas são empregadas com a finalidade de aprimoramento das capacidades físicas, melhoria da auto-estima, da auto-imagem, uma melhor interação social, auto-realização entre outras. Esporte adaptado, conforme Winnick (2004), designa o esporte modificado ou criado para suprir as necessidades especiais das pessoas com deficiência. Pode ser praticado em ambientes integrados, em que as pessoas com deficiência interagem com pessoas sem deficiencia, ou em ambientes segregados apenas pessoas com deficiência. Desta forma, alguns exemplos de esporte adaptados seria o basquete em cadeira de rodas criado para pessoas com lesão medular (tetraplégicos e paraplégicos), futebol-7 esporte criado para pessoas com paralisia cerebral, e o Goalball, jogo criado para pessoas com deficiência visual.

Os esportes coletivos como o goalball é um meio comum para fazer com que pessoas com deficiência participem de exercícios físicos. Desta forma devem ser estimulados jogos e esportes para as pessoas com sério comprometimento da visão. Entretanto é necessário que sejam realizadas algumas adaptações nos esportes para possibilitar a participação dos indivíduos cegos.

A deficiência visual é uma das deficiências consideradas mais comuns, afetando um importante órgão sensorial, a visão. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que cerca de 48% da população mundial apresenta algum grau de deficiência visual. Segundo Craft & Lieberman (2004), a maioria dos cegos ainda possui alguma visão remanescente, provavelmente um em cada quatro pessoas com deficiência visuais sendo totalmente cega.

As pessoas com deficiência visual têm em comum o comprometimento do sistema visual, contudo o profissional da Educação Física precisa ter consciência que existem outras características que as diferenciam em suas necessidades educacionais especiais (MUNSTER; ALMEIDA, 2005).

O profissional da Educação Física ao trabalhar com pessoas com necessidades especiais deve primeiramente atuar no campo conceitual. Um conceito inadequado, incompleto ou irreal à realidade do grupo a ser atendido será um fator inibidor e um viés negativo da atuação do profissional com esta população. Assim conhecer os nossos alunos é o primeiro passo para a eficácia do nosso trabalho (MENECAL, 1994).

A pessoa com deficiência visual é uma pessoa normal que não enxerga ou possui visão subnormal, mas pode apresentar desfasagens no seu desenvolvimento afetivo-social, cognitivo e motor em função da diminuição de suas possibilidades de experimentação concreta, de um relacionamento familiar e/ou social inadequados e de intervenções educacionais não apropriadas (MENESCAL, 2001).

As pessoas cegas precisam ser estimuladas precocemente, da maneira mais adequada possível a desenvolver outras habilidades, como a motora, auditiva e tátil, para elaborar conceitos sobre o mundo que a cerca para evitar as desfasagens citadas, sendo que muitas delas podem se tornar irreversíveis.

O conhecimento das classificações para pessoas que apresentam deficiência visual é imprescindível, uma vez que determinará a potencialidade de cada deficiente visual e as possibilidades de progresso nas atividades motoras programadas, desde que se empreguem estratégias adequadas, diferenciadas, conforme a faixa de deficiência em que se enquadra (ALMEIDA, 1995).
 

CAUSAS DA DEFICIÊNCIA VISUAL

As causas da deficiência visual podem ser congênitas quando ocorre antes ou durante o nascimento, sendo que neste caso a pessoa não apresenta a memória visual ou adquirida quando ocorre após a infância.

A seguir apresentaremos algumas das causas da cegueira:

Retinoblastoma: um tipo de câncer que freqüentemente leva à remoção do olho.

Glaucoma: causado por um distúrbio na drenagem do fluído intra-ocular. O conseqüente aumento de pressão pode acabar levando à cegueira total.

Catarata: a perda da transparência característica da lente, tornando o cristalino opaco.

Retinose pigmentar: doença hereditária e progressiva na qual ocorre inicialmente a cegueira noturna, seguida pela possibilidade de perda da visão periférica.

Degeneração macular: causa perda da acuidade visual e um ponto cego central no campo visual.

Fibroblasia retrolental: causada pela alta concentração de oxigênio nas incubadoras.

Descolamento de retina: é o desprendimento da retina da superfície interna do globo ocular.

Erros de refração: alterações no cumprimento do eixo óptico podem levar a distorção na imagem, muitas vezes passíveis de correção ótica ou cirúrgica.

Miopia: É causada em condições em que os raios de luz se concentram na frente da retina , quando os olhos estão em repouso e olhando para um objeto a uma distância de 20 ou mais pés; uma lente côncava pode refocalizar a imagem sobre a retina.

Retinopatia diabética: Tanto o diabetes juvenil quanto o aparecimento na maturidade podem dar lugar à retinopatia diabética, uma doença dos vasos retinianos que se tornou uma das causas principais da cegueira no mundo ocidental. A incidência e gravidade da retinopatia aumenta com a duração do diabetes, e a retinopatia é mais grave se o diabetes é mal controlado nos primeiro anos após seu aparecimento.

Traumatismos oculares: são causas comuns que podem causas a deficiência visual, desencadeados por agentes mecânicos (perfurações ou lacerações) ou não mecânicos (queimadura por agentes químico, térmicos, elétricos, radioativos, etc.). A gravidade do trauma e possíveis seqüelas variam conforme a extensão da lesão.

Toxoplasmose: trata-se de uma doença causada pelo toxoplasma gondii, que é parasita das células de vários tecidos do organismo humano.

Rubéola: durante o terceiro trimestre da gestação, as complicações da rubéola podem causar limitação no aproveitamento visual.

Meningite: É a inflamação das meninges, que são as membranas que recobrem e protegem o tecido nervoso do encéfalo e da medula espinhal. Há três meninges: a pia-mater, as aracnóides e a dura-mater; nas aracnóides existem lacunas intercomunicáveis que cotêm o líquido cefalorraquidiano, muito importante para o diagnóstico da meningite.
 

DEFINIÇÃO E CLASSIFICAÇÃO ESPORTIVA INTERNACIONAL DE DEFICIÊNCIA VISUAL

O termo deficiente visual refere-se a uma situação irreversível de diminuição da resposta visual. É considerado um deficiente visual para efeito legal qualquer pessoa que apresente uma acuidade visual igual ou inferior a 20% ou uma limitação nos campos de visão, quando o diâmetro máximo do campo visual compreende uma distância angular inferior a 20º (20/200), em ambos os casos na melhor vista depois da correção.

No esporte para cegos, é empregada uma classificação internacional que é respeitada em todas as competições de que participam deficientes visuais. Segundo a United States Association for Blind Athletes (USABA) para as competições esportivas os deficientes visuais são classificados em: B1, B2 e B3.

Todos atletas cegos são diferenciados pela letra B (blind, cego), enquanto o número representa o grau da perda da visão, quanto menor o número maior a perda da visão.

B1 – são aquelas pessoas que não percebem a luz em nenhum olho, até aquelas que percebem a luz, mas não podem reconhecer a forma de uma mão a qualquer distância ou em qualquer posição.

B2 – são aquelas pessoas que podem reconhecer a forma de uma mão até aquelas que tenham um grau de visão 2/60 ou um campo de visão de um ângulo menor que 5 graus.

B3 – são as pessoas que têm uma agudez visual de mais de 2/60 até aquelas com uma agudez visual de 6/60 ou um campo de visão de um ângulo maior de 5 graus e menor de 20 graus.
 

O ESPORTE E A PESSOA COM DE DEFICIÊNCIA VISUAL

O esporte competitivo, de alto rendimento, praticado pelas pessoas com deficiência visual é hoje uma realidade nacional e internacional. No Brasil, o esporte competitivo, ou de alto rendimento, é gerido pela Confederação Brasileira de Desportos para Cegos – CBDC. Entre os esportes praticados por pessoas com deficiência visual encontram-se o atletismo, a natação, o judô, o futebol e o goalball que é foco do presente estudo. A pratica de esportes para pessoas com deficiência visual deve estar alicerçado em uma proposta pedagógica que considere os aspectos técnicos relativos a modalidade envolvida e sua função educacional para um desenvolvimento pleno do potencial humano (MUNSTER; ALMEIDA, 2005).


BREVE HISTÓRICO DO GOALBALL

O Goalball é um esporte coletivo criado em 1946 pelo austríaco Hans Lorenze e o alemão Sett Haindell, com o intuito de reabilitar soltados que ficaram lesionados do órgão da visão no período de guerra. Diferente da maioria dos esportes paraolímpicos que foram adaptados dos esportes convencionais, o goalball não sofreu nenhuma adaptação, ou seja, foi criado especificamente para a pessoa com deficiência visual. É disputado em uma quadra de 18 metros de comprimento por 9 metros de largura; Possui três jogadores, sendo estes: um pivô, um ala esquerdo e o ala direito, O gol tem 9 metros de largura por 1,30 metros de altura; A bola possui 1.250 gramas com oito guisos dentro; Todas as regras são em inglês, para dar uma universalização da modalidade.

Atualmente, a modalidade vem crescendo muito no território brasileiro, sendo realizados campeonatos em âmbito estadual e nacional, contando com aproximadamente 40 times, tanto no masculino quanto no feminino.

Devido a grande evolução da modalidade, bem como do desenvolvimento dos atletas e dos técnicos, surge a necessidade de se comentar de uma forma mais acadêmica sobre este esporte, já que pouco tem sido produzido sobre os aspectos técnicas e táticos da modalidade. Portanto, este trabalho tem por objetivo descrever sobre essas funções específicas do goalball.

Para ter um melhor desenvolvimento do nosso trabalho, falaremos sobre o Modelo didático de uma Unidade de Treinamento e será realizado por meios de revisão de literatura e relatos das experiências adquiridos em vivências com atletas e também em competições de goalball.
 

GOALBALL

O goalball é um dos esportes paraolímpicos brasileiros que mais cresce atualmente, sendo um jogo dinâmico e cativante tanto para atletas quanto para os técnicos.

Após alguns anos atuando como técnico da modalidade, resolvemos criar um Modelo Didático de uma Unidade de Treinamento que se trata de como direcionamos um treino de goalball, desde a parte inicial até a parte final e, para poder desenvolver este modelo, o professor deve planejar situações de aprendizagem que levem estes alunos a participarem ativamente de todo o processo.

Apolo (2004) diz que um bom plano didático de treinamento deve seguir as seguintes características;
 

  • Coerência: as atividades devem ser planejadas e ter perfeita coesão entre si, de modo que não caminhem em direções distintas; pois de sua unidade e correlação é que se dependerá o alcance dos objetivos propostos;
  • Seqüência: No qual deve haver uma integração gradual entre as distintas atividades, do início ao fim, sendo que nada deve ficar mal entendido ou explicado;
  • Flexibilidade: deve permitir a inclusão de temas ocasionais, ou seja, não previstos, e de todas as questões que enriqueçam os conteúdos por desenvolver, bem como permitir alterações dos elementos previstos de acordo com a necessidade e interesse dos alunos/atletas.
  • Precisão e objetividade: no qual os enunciados devem ser claros, objetivos e precisos. Não se pode haver de forma alguma dupla interpretação.

Para que se possa ter um bom planejamento e haja uma boa prática educativa no goalball, atingindo os objetivos propostos com qualidade e excelência, é necessário que se conheça os alunos/atletas, que se tenha claro os objetivos, e principalmente, se os objetivos podem ser os mesmos para todos eles, já que atuam como uma equipe.

Após termos definido o plano didático, já podemos relatar sobre o modelo aqui proposto por nós, que é subdividido em duas etapas.
 

(1) Os exercícios técnicos individuais:

• Exercícios preventivos;
• Exercícios neuro-coordenativos;
 

(2) Os exercícios táticos de jogo (individual e por equipe):

• Tático global;
• Exercícios corretivos.
 


OS EXERCÍCIOS TÉCNICOS INDIVIDUAIS

• Exercícios preventivos: são exercícios realizados antes e após o treinamento, como uma forma de aquecimento ou volta calma. Trata-se de uma preparação do corpo para a parte principal do treinamento ou para o resfriamento do corpo após o treinamento.

Como forma de aquecimento, realizamos alongamentos e exercícios isométricos de membros superiores e inferiores. Esta forma de aquecimento tem sido relatada como o melhor meio de preparar o indivíduo para o início da prática além de poder prevenir lesões musculares nos atletas.

Como forma de resfriamento do corpo no final de um treinamento, optamos por realizar apenas os alongamentos.

• Exercícios neuro-coordenativos: trata-se de exercícios em que realizamos movimentos específicos da modalidade, sendo estes correspondentes a técnica individual defensiva ou ofensiva.

A técnica pode ser definida como todo gesto ou movimento realizado pelo atleta que lhe permite dar continuidade e desenvolvimento ao jogo. É descrita como uma série infindável de movimentos realizados durante uma partida, tendo como base os fundamentos do jogo. As técnicas individuais empregadas durante a prática do jogo, são adaptadas às condições e situações do jogo e ao tipo somático do jogador, utilizando a forma mais funcional e econômica para alcançar seu objetivo no jogo. O padrão técnico de cada indivíduo é fundamentalmente influenciado pelos componentes de equilíbrio, ritmo, coordenação geral e coordenação espaço-temporal, enfim, de suas vivências e experiências motoras de um modo geral (FERREIRA, 2000).

Já para Bompa (2005), a técnica é a maneira específica de realizar um exercício físico, ou seja, o conjunto de procedimentos que, por meio de sua forma e conteúdo, assegura e facilita o movimento. Para se ter sucesso no esporte, os atletas precisam de técnicas perfeitas: a realização de exercícios de maneira mais eficiente e racional. Quanto melhor a sua técnica, menos energia o atletas necessita para alcançar o resultado desejado, por isso, a técnica é considerada simplesmente a forma de um determinado movimento, mas a forma está sempre ligada ao conteúdo. Portanto, é necessário analisar o movimento sobre dois ângulos: a forma e o conteúdo.

Podemos citar no goalball a técnica defensiva como a forma correta de se posicionar para o ato da defesa e o movimento correto na finalização da defesa; A técnica ofensiva como a forma correta de segurar a bola e o arremesso da bola propriamente dito, sendo este dividido em empunhadura da bola, deslocamento do corpo, alavanca e arremesso propriamente dito. Sendo que estas formas defensivas e ofensivas são técnicas individuais, podendo ser diferenciadas por uma empunhadura, um deslocamento, um giro, entre outros.


OS EXERCÍCIOS TÁTICOS DE JOGO (INDIVIDUAL E POR EQUIPE)

Para uma equipe ter bons resultados é necessário que os atletas apresentem além de uma boa técnica, uma boa tática (do latim = taktika) que pode ser definida como modo de se organizar.

De acordo com Bompa (2005), o treinamento tático é o meio pelo qual os jogadores absorvem os métodos e possíveis formas de preparar e organizar as ações de ataque e de defesa para alcançar um objetivo (por exemplo: marcar um gol, atingir uma determinada “performance”, ou obter a vitória). Esse treinamento pode seguir teorias geralmente aceitas, porém é específico para cada esporte. Equipes ou jogadores realizam ações de ataque e defesa em um jogo, de acordo com o plano tático preestabelecidos. Tais ações táticas devem fazer parte de uma estrutura estratégica do jogo. Durante uma partida, os jogadores aplicam todas as suas habilidades e capacidades biopsicomotoras, de acordo com as condições reais e práticas de um confronto com o adversário. A base para um plano tático de sucesso, em qualquer tipo de esporte, é um alto nível da técnica.

No entanto, podemos relatar que a técnica é um fator limitante para as manobras táticas, ou que a tática depende da técnica do jogador.

Nos exercícios táticos de jogo dividiremos esta etapa em duas:

  • tático global específico e
  • tático global setorial
     

SISTEMA TÁTICO ESPECÍFICO:

Trata-se da forma como cada equipe irá se posicionar na execução da defesa e do ataque.


SISTEMA DEFENSIVO:

A equipe ou um jogador evita com o corpo ou com alguma das partes do corpo, que a bola entre em seu arco, seja ficando em posse de bola, ou apenas tocando-a, ou deixando-a tocar, de modo que evite o gol adversário, quando em ataque (APOLO, 2004).

Está dividido em três sistemas: Individual (no qual o aluno/atleta executa a defesa sozinho), zona (no qual 2 atletas executam juntos a defesa. Ex: ala direito e pivô; ala esquerdo e pivô), misto (trata-se de uma divisão das duas defesas, ou seja, o pivô sabe que a bola está indo em direção ao ala esquerdo e somente o informa do direcionamento da bola).

Atualmente, o goalball é uma modalidade que se decide predominantemente de acordo com o sistema defensivo, pois uma defesa bem postada em quadra é essencial para a equipe.
 

SISTEMA OFENSIVO:

Está dividido em três sistemas: central (o aluno/atleta executa o arremesso no centro da quadra), Diagonal (o aluno/atleta executa o arremesso em diagonal. Ex: ele está do lado direito da quadra e faz o arremesso do outro lado da quadra, ou seja do seu lado esquerdo), lateral ou paralela (o ala esquerda executa o arremesso paralelo a sua linha lateral, fazendo com que a bola se direcione no canto do defensor).
 

SISTEMA TÁTICO SETORIAL:

Trata-se da forma como o atleta irá realizar uma penalidade ou uma saída de bola.

A penalidade tem que ser executada da maneira mais correta possível, pois ela poderá decidir um jogo. Sendo assim, é necessário que o atleta tenha em mente uma cobrança tática para converter em gol. Podemos dar como exemplo o atleta receber a bola no lado direito da quadra se deslocar para o lado esquerdo e realizar o arremesso, desta forma enganará o defensor; ou receber a bola do lado direito e executar o arremesso em diagonal.

A saída de bola é uma das melhores formas para se realizar um bom arremesso, já que o atleta receberá a bola em mãos, sendo assim ele terá várias opções de arremesso, sendo estes: direcionar a bola para o melhor arremessador, ou arremessar na paralela, diagonal, arremessar girando, entre outras propostas.
 

EXERCÍCIOS CORRETIVOS:

Após todos os treinamentos técnicos e táticos, comumente realizamos os jogos coletivos durante os quais procuramos aplicar todo treinamento que foi previamente realizado.

Durante o desenvolvimento dos coletivos geralmente ocorrem falhas e com elas as possibilidades de correção e de aplicação das técnicas e táticas. No entanto, ocorrem os erros técnicos e táticos ofensivos e defensivos da equipe, sendo necessárias as devidas correções. Assim, os exercícios corretivos vêm para nos auxiliar e estruturar as possíveis jogadas técnicas e táticas da equipe no decorrer dos jogos.
 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pessoa que apresenta deficiência visual muitas vezes é privada da participação de atividades físicas e esportes, em decorrência de muitas vezes da falta de conhecimento, dos profissionais da área, dos procedimentos adequados para se trabalhar com esta população. Com este artigo nos propomos a oferecer subsídios para os professores de Educação Física trabalhar com a modalidade esportiva goalball, seja ela com finalidade esporte competição, lazer ou para sua inclusão em um programa de Educação Física escolar. A escolha desta modalidade foi devido ser uma modalidade esportiva praticada por pessoas com deficiência visual em todo o mundo, e sua prática pode ter como objetivo a melhora das capacidades físicas e o nível de aptidão física como o desenvolvimento de suas habilidades motoras, contribuindo, desta forma, para uma melhor qualidade de vida de seus praticantes, até uma melhor interação nas relações sociais. O professor de Educação Física tem um papel fundamental em ofertar, dar acesso e programar as atividades para o ensino do goalball de modo a garantir uma participação bem-sucedida das pessoas com deficiência visual.


REFERÊNCIAS

  • APOLO, A. Futsal: Metodologia e didática na aprendizagem. São Paulo: Phorte, 2004.
  • BOMPA, T.O. Treinando atletas de desporto coletivo. São Paulo: Phorte. 2005.
  • CRAFT, D.H.; LIEBERMAN, L. Deficiência visual e surdez. In: WINNICK, J. P. Educação FÍsica e esportes adaptados. Barueri: Manole, 2004, p. 181-205.
  • FERREIRA, R.L. Futsal e a iniciação. São Paulo: Sprint. 2000.
  • MENESCAL, A. A pessoa portadora de deficiência visual, seu corpo, seu movimento e seu mundo. In: VERENA, J.P.; TEIXEIRA, L. Educação Física e desporto para pessoas portadoras de deficiência. Brasília: MEC-SEDES, SESI-DN, 1994, p.87-98.
  • MENESCAL, A. A criança portadora de deficiência visual usando o seu corpo e descobrindo o mundo. In: MENESCAL, A. Lazer, atividades física e esportiva para portadores de deficiência. Brasília: SESI-DN, 2001, p. 135-176.
  • MUNSTER, M.V.; ALMEIDA, J.J.G. Atividade física e deficiência visual. In: GORGATTI, M.G.; COSTA, R.F. Atividade física adaptada. Barueri: Manole, 2005, p.28-75.
  • WINNICK, J.P. Introdução a Educação Física e Esportes Adaptados. In: WINNICK, J. P. Educação Física e esportes adaptados. Barueri: Manole, 2004, p. 3-20.

 

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Sistemas Técnicos e Táticos no Goalball
autores:  Alessandro Tosim - Universidade Metodista de Piracicaba – Brasil, Centro Universitário Hermínio Ometto – Brasil e Programa de Esportes e Atividades Motoras Adaptadas – Brasil; Alaércio Perotti Junior - Centro Universitário Hermínio Ometto – Brasil e Universidade de São Paulo – Brasil;    Maria Teresa K. Leitão  - Escola Superior de Educação Física -Brasil, Programa de Esportes e Atividades Motoras Adaptadas – Brasil  e Pontifícia Universidade Católica de Campinas – Brasil; Regina Simões - Universidade Metodista de Piracicaba – Brasil e Núcleo de Pesquisa em Corporeidade e    Pedagogia do Movimento – Brasil

Fonte: Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte - Ano 7, número 2, 2008

 

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31.Jul.2013
publicado por MJA