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 Sobre a Deficiência Visual

Reunião de Sensibilização à Escola que vai receber um Aluno Deficiente Visual

Maria Teresa Cavaco
 

Girls reading at New York Institute for the Blind, 1926

 

AGENDA DA REUNIÃO

  1. Caracterização do aluno: dados familiares, dados médicos gerais e dados oftalmológicos, referência ao comportamento do aluno, suas capacidades e limitações.

  2. Exposição sobre as implicações pedagógicas do grau da deficiência: aluno cego ou aluno com visão reduzida.

  3. Estratégias de ensino, por disciplina, aos professores da turma.  [ ANEXO 1 ]

  4. Funções do Professor de Apoio: apoio directo e apoio indirecto. [ ANEXO 2 ]

  5. Referência à legislação: turma reduzida, aulas suplementares, avaliação, etc.

  6. O horário da Professora de Apoio naquela escola.

  7. Troca de impressões com os Professores.

  8. Sensibilização dos funcionários da escola que vão contactar com o aluno.

  9. Sensibilização dos colegas do aluno logo no início das aulas.

 

ANEXO 1

Os Professores de Matemática que têm alunos deficientes visuais integrados, não devem esquecer que:

  • os exercícios escritos no quadro devem ser lidos em voz alta;

  • é preferível um único exercício bem executado, pelo aluno, do princípio ao fim e devidamente corrigido pelo Professor, do que muitos exercícios por acabar e sem correcção;

  • os esquemas não podem ser muito concentrados;

  • o aluno deve treinar cálculo mental e recorrer a ele;

  • o Professor deve mandar ler, ao aluno em voz alta, os exercícios por ele efectuados na aula;

  • cálculos muito complicados que envolvam muitas objecções e contas demasiado grandes devem ser evitadas;

  • o professor deve ter consigo nas aulas a simbologia Matemática Braille, de modo a poder ajudar o aluno sempre que ele tenha uma dúvida ou um esquecimento;

  • material de concretização deve estar na posse do Professor de modo a poder servir-se dele quando a explicação ou compreensão da matéria assim o exigir.

 

Os Professores de Línguas Estrangeiras não devem esquecer que:

  • Numa fase de iniciação, o aluno deficiente visual deve estar na posse duma folha, com o vocabulário escrito que irá ser dado na aula;
  • Os esquemas e as Bandas Desenhadas devem ser exploradas antes da aula e até descritos em Português;
  • O caderno diário deve ser revisto todas as semanas, para evitar os erros de ortografia devido à pronúncia estrangeira;
  • a matéria escrita no quadro deve ser fornecida ao aluno, antes ou depois da aula;
     

  • as aulas suplementares são importantes para preparação das aulas e exploração de material;

 

Os Professores de Português e História não devem esquecer que

em situação de teste as perguntas que impliquem recorrer aos textos para ilustrar as respostas devem ser evitados, pois isto implica bastante tempo, o que põe os alunos deficientes visuais em desvantagem. Os mapas, gráficos e esquemas em testes de História, Geografia e outras disciplinas devem ser evitados, adaptando essas perguntas.

 

Os Professores de Ciências da Natureza e Físico Química não devem esquecer que:

  • a exploração de esquemas, gráficos, manuseamento de material do Laboratório deve ser feito com o aluno;

  • os esquemas e mapas muito concentrados não ajudam os alunos;

  • as observações ao microscópio devem ser fornecidas ao aluno em esquemas ampliados ou simplesmente descritos por um colega ou pelo próprio professor;

  • na exibição de um filme ou "slides" recorrer a um colega para explicar o que se vai desenrolando ou simplesmente o que oferece maior dificuldade de visualização;

  • nas experiências laboratoriais, recorrer o mais possível à execução directa por parte dos alunos deficientes visuais;

  • a observação e exploração directa de modelos a 3D é muito importante para estes alunos, assim como a sua integração em trabalhos de grupo;

  • nestas disciplinas muitas perguntas dos testes terão de ser adaptadas. O aluno beneficia da pergunta que implica resposta directa e não recurso a mapas, esquemas ou consulta de texto, que envolve o factor mais tempo;

  • em muitos casos, deve-se tirar uma ou mais perguntas ou dar mais tempo, para o aluno poder fazer o teste. As perguntas tiradas podem ser feitas na aula.

 

Os Professores de Educação Visual, Desenho, Trabalhos Manuais  não devem esquecer que:

  • o principal para os alunos Deficientes Visuais é o treino do tacto;

  • as cores fortes e contrastantes são fundamentais para os alunos de Visão reduzida, assim como colocar uma folha de cartolina de cor debaixo do modelo que o aluno está a trabalhar;

  • os alunos beneficiam do uso de texturas em vez de cores, principalmente os cegos a quem a cor não diz nada;

  • o lápis deve ser grosso e até substituído por caneta de feltro preta, nos cegos o lápis é substituído pela "carretilha" em cima duma borracha;

  • a observação directa e a exploração de ambientes deve ser o ponto de partida para qualquer aluno Deficiente Visual;

 

ANEXO 2

Actividades de apoio directo:

  • Treino Actividades da Vida Diária - AVD

  • Locomoção

  • Treino Braille

  • Treino de teclado e escrita em computador

  • Treino Estenografia Braille

  • Treino Simbologia Braille (Físico Química, Matemática, Música)

  • Exploração de mapas, gráficos, esquemas em relevo

  • Manuseamento de material

  • Exploração de ambientes conhecidos

  • Exploração de ambientes desconhecidos

  • Acompanhamento em matérias cuja compreensão seja difícil devido às limitações da deficiência visual

  • Organização dos cadernos diários e dos espaços

  • Acompanhamento nas visitas de estudo

  • Providenciar livros e outro material específico

  • Acompanhamento a consultas de oftalmologia juntamente com a família

  • Estimulação dos resíduos visuais

  • Treino com Auxiliares ópticos de Sub-Visão

 

Nota: A exploração da escola (salas de aula, refeitório, casas de banho, recreio, sala de convívio, bar) deve ser feita com o aluno antes das aulas começarem.

 

Actividades de Apoio Indirecto:

  • contactos com família e outros serviços

  • contactos com os professores acerca da avaliação do aluno, da evolução de capacidades ou retrocesso.

  • entrega de material pedido

  • adaptação e transcrição para Braille de testes e fichas

  • elaboração de material em relevo

  • adaptação de programas, quando necessário, juntamente com os professores

  • providenciar a distribuição aos professores de textos de apoio.
     


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M.ª Teresa Cavaco - 5 Janeiro 1993

in Caderno de Registo do Professor do Apoio à Deficiência Visual
 

 

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publicado por MJA