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Intervenção Fonoaudiológica e Deficiência Visual- percepções de profissionais de equipe interdisciplinar -
Mayla Monteiro & Rita Montilha
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N = 21 |
| Características Profissionais |
ƒ |
% |
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Categoria Profissional |
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Terapia Ocupacional |
7 |
33,3 |
| TOTAL |
21 |
100,0 |
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Tipo de vínculo com a Instituição |
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Docente |
12 |
57,1 |
| TOTAL |
21 |
100,0 |
Em relação à existência de atendimento fonoaudiológico na equipe de atuação, a maioria referiu que há fonoaudiólogos
compondo a equipe interdisciplinar na habilitação/reabilitação de portadores de deficiência visual. Em relação ao tipo de
atendimento desenvolvido pelo fonoaudiólogo, 72,7% dos profissionais referiam que o fonoaudiólogo realiza avaliação e atendimentos
regulares (Tabela 2).
Tabela 2
Existência e tipo de trabalho
fonoaudiológico na equipe de atuação
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N = 21 |
| Existência |
ƒ |
% |
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Sim |
12 |
57,1 42,8 100,0 |
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|
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N = 12 |
| Tipo |
ƒ |
% |
|
Avaliação e atendimento fonoaudiológico |
8
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66,6 16,7 16,7 100,0 |
As principais atividades realizadas pela fonoaudiologia conhecidas por estes profissionais que responderam ao questionário referiram-se a aspectos de
motricidade oral e alterações de fala e linguagem (38% em ambos) (Tabela 3).
Os profissionais responderam como sendo a fala e linguagem (52,3%) seguidos de motricidade oral (33,3%), os aspectos que conheciam, referentes a atuação da Fonoaudiologia, que poderiam auxiliar portadores de deficiência visual. Destaca-se também a proporção de profissionais que relataram não conhecer os aspectos em que a Fonoaudiologia poderia auxiliar estas pessoas (33,3%).
Tabela 3
Conhecimento do funcionamento do trabalho realizado
pela Fonoaudiologia durante a estimulação e/ou reabilitação
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N = 21 |
| Conhecimento (Respostas múltiplas) | ƒ | % |
|
Aspectos de motricidade oral TOTAL |
8 8 4 4 4 2 5 35 |
38,0 38,0 19,0 19,0 19,0 9,6 23,8 100,0 |
Em relação à percepção de melhoras ao final da estimulação e/ou reabilitação, os profissionais apontaram uma melhora
global no processo (28,5%), seguido do desenvolvimento linguístico (19,0%). Destaca-se também a proporção de profissionais que
relataram não saber se ocorreram melhoras ou não no aspecto fonoaudiológico ao final da estimulação (38,0%) (Tabela 4).
Tabela 4
Percepções de melhoras ao final da estimulação
e/ou reabilitação no aspecto fonoaudiológico
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N = 21 |
| Percepções (Respostas múltiplas) | ƒ | % |
|
Melhora global
|
6 4 3 2 1 1 8 25 |
28,5 19,0 14,2 9,5 4,8 4,8 38,0 100,0 |
A maioria opinou como sendo muito importante (47,6%) a intervenção fonoaudiológica a portadores de deficiência visual (Tabela 5).
Tabela 5
Opinião acerca da importância da intervenção
fonoaudiológica com portadores de deficiência visual
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N = 21 |
| Opinião (Respostas múltiplas) | ƒ | % |
|
Muito importante TOTAL |
10 7 -- 4 21 |
47,6 33,4 -- 19,0 100,0 |
Em relação à inserção da Fonoaudiologia no processo de estimulação e/ou reabilitação os profissionais destacaram como sendo o desenvolvimento global (38%) o principal aspecto em que a Fonoaudiologia poderia auxiliar.
Em relação à Fonoaudiologia como sendo um auxiliar no aprimoramento/desenvolvimento de outros aspectos do processo de estimulação e/ou reabilitação, os profissionais opinaram como a melhora na leitura e escrita o principal auxílio (33,3%), seguido da melhora da comunicação (23,8%) (Tabela 6).
Tabela 6
Opinião acerca de como a Fonoaudiologia pode auxiliar
no aprimoramento/desenvolvimento de outros aspectos
do processo de
estimulação e/ou reabilitação
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N = 21 |
| Opinião (Respostas múltiplas) | ƒ | % |
|
Melhora da leitura e da escrita TOTAL |
7 5 4 3 2 2 2 2 2 1 1 1 1 3 36 |
33,3 23,8 19,0 14,2 9,5 9,5 9,5 9,5 9,5 4,8 4,8 4,8 4,8 14,2 100,0 |
Discussão
A investigação foi realizada por meio de “survey”. O “survey” constitui modalidade de pesquisa frequentemente empregada no setor da saúde. Trata-se de um tipo de investigação científica em que se estuda a realidade de forma como se apresenta, sem o propósito de estabelecer relação causal entre as variáveis 13.
A maior parte dos sujeitos que respondeu ao questionário é formada por profissionais de diferentes categorias da área da saúde. Percebe-se então que a interdisciplinaridade está cada vez mais presente dentro das Instituições. A interdisciplinaridade assume grande importância na medida em que identifica e nomeia uma mediação possível entre saberes e competências e garante a convivência criativa com as diferenças. Além da função de mediador, o conceito de interdisciplinaridade vem apontar a insuficiência dos diversos campos disciplinares, abrindo caminhos e legitimando o tráfego de sujeitos concretos e de conceitos e métodos entre as diferentes áreas do conhecimento 10.
Quando questionados sobre sua ocupação, a maioria dos profissionais respondeu como sendo docentes (61,9%). Isto se deve ao fato de que o Cepre está inserido em uma Instituição de Ensino Superior ; e a maioria de seus profissionais serem docentes de curso de graduação e especialização, além de atuarem diretamente na assistência de pessoas com deficiência visual.
Neste trabalho encontramos um predomínio de profissionais que atuam com deficiência visual há uma década (57,9%). No Brasil, a reabilitação visual de pessoas com baixa visão surgiu em 1974, com a criação das primeiras clínicas de treinamento de visão subnormal 15. Mostra-se assim que os profissionais que atuam na habilitação/reabilitação da deficiência visual estão atuando há um período relativamente próximo ao início da reabilitação de deficientes visuais no Brasil.
Quando questionados sobre a existência de atividades fonoaudiológicas na sua equipe de atuação, a maioria dos profissionais respondeu positivamente (57,1%). E quando questionados quanto ao tipo de intervenção, a resposta mais frequente foi a de que havia avaliação e atendimento fonoaudiológico (72,7%). Este dado aponta que em certos lugares a Fonoaudiologia está sendo inserida no processo de habilitação e/ ou reabilitação de pessoas com deficiência visual. Porém esta inserção ainda é pequena, visto que mesmo dentro do Cepre, onde há uma equipe interdisciplinar atuando na reabilitação de pessoas com deficiência visual, apenas um fonoaudiólogo atua diretamente e, alguns outros profissionais, inseridos no serviço, referiram desconhecer a atuação da Fonoaudiologia na deficiência visual. Pode-se associar este fato à escassez de literatura disponível em relação essa temática, como já foi explicitado anteriormente.
Observa-se que proporção acentuada dos entrevistados (66,6%) revelaram conhecimento sobre intervenção fonoaudiológica junto aos deficientes visuais. No entanto, as autoras tiveram dificuldade em categorizar as respostas, por não haver domínio da nomenclatura apropriada. Como exemplo, alguns profissionais citaram como posicionamento de língua e alimentação, alguns dos aspectos trabalhados pela Fonoaudiologia. Estes dois aspectos se enquadram na área de motricidade oral, mas não foram assim apontados por parte dos profissionais que responderam ao questionário. Em relação à alimentação, o profissional que atua junto à pessoa com deficiência visual, deve verificar a iluminação do ambiente, a possibilidade de os utensílios oferecerem contrastes entre si, os copos e xícaras em relação aos líquidos e o alimento em relação ao prato. A Fonoaudiologia junto com a terapia ocupacional pode auxiliar o paciente na melhor forma para ele se alimentar. A Fonoaudiologia indicaria os melhores alimentos, melhor posição para a realização da refeição, e a melhor utilização dos músculos da mastigação e deglutição com o intuito de coordenar a dinâmica da alimentação.
Os principais conhecimentos relacionados as atividades realizadas pela Fonoaudiologia durante a estimulação e/ou reabilitação foram referentes às alterações de motricidade oral (38%) e no processo de aquisição de linguagem e fala (38%). O diagnóstico tardio da deficiência visual priva a criança de receber a estimulação necessária ao seu desenvolvimento. Por outro lado, as crianças com baixa visão que recebem intervenção precoce têm maiores possibilidades de desenvolver seu resíduo visual. A intervenção precoce melhora a qualidade de vida da criança com baixa visão. Deste modo, tão logo seja feito diagnóstico, os pais devem ser orientados sobre a importância da intervenção precoce para o desenvolvimento da criança. 4 Sabe-se da importância de projetos de triagem visual em crianças, sejam elas normais ou com múltiplas deficiências, uma vez que seu tratamento e acompanhamento deve ser o mais precoce possível, dentro do período da plasticidade visual, favorecendo a reabilitação visual, o que estimula o desenvolvimento global da criança 16.
Com relação ao conhecimento de quais aspectos em que a Fonoaudiologia poderia auxiliar pessoas com deficiência visual, a maioria dos profissionais apontou a fala e a linguagem (52,3%), seguida pela motricidade oral (33,0%). A linguagem e a fala atuam como controladoras do ego sobre os afetos e impulsos, aumentando a possibilidade de distinção entre desejos e fantasias de um lado e a realidade do outro. No cego, além de desempenharem estas funções, a linguagem e a fala são usadas também como substitutos de “coisas” que não vê: descobre usos da fala para se orientar, para catalogar características que diferenciam as pessoas, para descobrir alguma marca pela qual um objeto possa ser reconhecido 14.
O dado citado acima aponta a Fonoaudiologia como ciência auxiliadora de portadores de deficiência visual na melhora de seu desempenho de fala e linguagem visando uma comunicação mais efetiva.
Apesar de um número diversificado de exemplos apontados pelos profissionais, alguns ainda não conhecem os aspectos em que a Fonoaudiologia poderia auxiliar as pessoas com deficiência visual, mesmo estando inseridos em Centro onde há um curso de Graduação em Fonoaudiologia. Este dado poderia sugerir que o profissional não procura por este conhecimento ou não sente necessidade do mesmo durante o processo de reabilitação no qual atua. Sem base teórica, o profissional não consegue perceber em que a Fonoaudiologia poderia levar seus conhecimentos e aprimorar a estimulação/reabilitação de pessoas com deficiência visual.
A melhora global dos pacientes (28,5%) ressalta-se na questão sobre as percepções de melhoras ao final da estimulação e/ou reabilitação no aspecto fonoaudiológico. A Fonoaudiologia, como uma ciência recente, carece de estudos que possam produzir conhecimentos técnicos e científicos capazes de expandir seu domínio de atuação em saúde pública 17.
Faz-se relevante que a Fonoaudiologia acompanhe as mudanças teórico-metodológicas do campo da Saúde Pública/Coletiva e, pautando-se por elas, participe do processo de implantação de uma política de saúde nacional, definindo seu papel e lugar junto à Promoção da Saúde da população de maneira reflexiva, consciente, responsável e atuante 18. Dentre elas, pode-se citar a atuação Fonoaudiológica na deficiência visual.
Por não conhecerem totalmente as áreas de atuação da Fonoaudiologia e nem todos os seus aspectos, 38,0% dos profissionais não sabiam responder a esta questão, e relataram como sendo uma melhora global sua percepção em relação ao aspecto fonoau 17 Medicina (Ribeirão Preto) 2010;43(1):11-19 Monteiro MMB, Montilha RCI. Fonoaudiologia e Deficiência Visual http://www.fmrp.usp.br/revista diológico. Isto sugere que os outros profissionais que atuam em reabilitação de pessoas com deficiência visual não possuem conhecimento a respeito da Fonoaudiologia. Observa-se que são raros os trabalhos na literatura que abordem essa temática. Sugerese o desenvolvimento de outros estudos sobre a intervenção da Fonoaudiologia na deficiência visual a fim de fornecer subsídios teóricos para sua atuação, além da sua inserção nos processos de habilitação/reabilitação em deficiência visual.
Este dado sugere que esta pode ser uma nova área em que o fonoaudiólogo poderá se inserir, trazendo seus conceitos para auxiliar no aprimoramento do processo de reabilitação de portadores deficiência visual.
A respeito da opinião da importância da intervenção fonoaudiológica em portadores de deficiência visual, a maioria dos profissionais consideram a Fonoaudiologia muito importante na habilitação/reabilitação de pessoas com deficiência visual (47,6%).
Mesmo sabendo que o trabalho integrado da Fonoaudiologia na estimulação/reabilitação de pessoas com deficiência visual é importante para uma visão integral do paciente, os profissionais que atuam em equipe de reabilitação geralmente só solicitam intervenção fonoaudiológica quando há queixa por parte do paciente ou da família ou se na opinião deles o aspecto no qual os pacientes apresentam alterações diz respeito à Fonoaudiologia.
A melhora da leitura e da escrita (33,0%), seguida da melhora da comunicação (23,8%) foram apontados como os principais aspectos de como a Fonoaudiologia pode auxiliar no aprimoramento/desenvolvimento de outros aspectos do processo de estimulação e/ou reabilitação. A comunicação escrita através da leitura e da escrita propriamente dita, reflete 56,0% e 52,0%, respectivamente, das limitações segundo a opinião de portadores de deficiência visual do estudo. Dado que ressalva a importância de atuação fonoaudiológica para a melhora da comunicação e independência de pessoas com deficiência visual.
Conclusão
Percebe-se que há conhecimento do trabalho fonoaudiológico por parte de profissionais de área da saúde e educação que atuam na habilitação/reabilitação de pessoas com deficiência visual, porém este ainda é restrito.
A maioria dos profissionais refere que são nos aspectos de motricidade oral e alterações de fala e linguagem os trabalhos da Fonoaudiologia conhecidos junto a deficientes visuais. Opinaram como sendo a melhora na leitura e escrita e a melhora da comunicação as principais contribuições da Fonoaudiologia no aprimoramento/desenvolvimento de aspectos do processo de habilitação e/ou reabilitação de deficientes visuais.
Referências Bibliográficas
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Fonoaudiologia e Deficiência Visual:
percepções de profissionais de equipe interdisciplinar
autoras:
Mayla Monteiro:
Fonoaudióloga; Mestranda do Programa “Saúde, Interdisciplinaridade e Reabilitação” do Centro de Estudos e Pesquisa em Reabilitação “Prof. Dr. Gabriel O. S. Porto” –
Faculdade de Ciências Médicas – UNICAMP - email: mamyrina@fcm.unicamp.br &
Rita Montilha: Docente do Curso de Fonoaudiologia - UNICAMP e do Centro de Estudos e Pesquisa em Reabilitação “Prof. Dr. Gabriel O. S. Porto”
– Faculdade de Ciências Médicas – UNICAMP
publicação: Medicina (Ribeirão Preto) 2010; 43(1):11-19
Fonte: http://www.fmrp.usp.br/revista
5.Abr.2013
publicado
por
MJA