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 Sobre a Deficiência Visual

A Inclusão dos Deficientes Visuais na Escola Regular

Fabiana Santos


Blind Man’s Bluff - fotografia de Evgen Bavcar - 1997
Blind Man’s Bluff - fotografia de Evgen Bavcar - 1997

 

A educação de pessoas com deficiência visual ainda tem sido alvo de grandes discussões nos dias atuais. Isso por que alguns ainda defendem a idéia de que deficientes visuais devem estudar em escolas especializadas, ou seja, escolas equipadas e preparadas para recebê-los e educá-los.

Essa idéia é defendida tanto por educadores e administradores de escolas, quanto por pais e familiares dos deficientes visuais. A justificativa das escolas decorre do fato de que não estão preparadas para atender tal grupo de pessoas, pois, estas necessitam de alguns equipamentos especiais e, além disso, a maioria dos professores não estão preparados didaticamente para recebê-los.

Os pais, por não abandonarem a superproteção, quando não mantêm seus filhos reclusos em suas próprias casas, afirmam que nas escolas regulares seus filhos não terão a atenção merecida, além, de que serão alvo de discriminação por parte dos demais alunos.

De certa forma, é bem verdade que os profissionais da educação, ainda não estão devidamente preparados para receber alunos deficientes visuais ou mesmo com qualquer outra deficiência, nas escolas regulares de ensino, problema esse que pode ser solucionado pelo interesse dos próprios profissionais em descobrir mais acerca das limitações que possuem algumas pessoas e, assim, tentar aprender com elas o que podem fazer para melhor ensiná-las e ajudá-las.

Em relação aos materiais especializados necessários para que a pessoa com deficiência visual seja educada, deve-se requerer junto ao Estado tal providência, pois este tem o dever de proporcionar educação a todos de modo igual.

Quando o assunto é a família, podemos ter aqui um grande problema, como alguns pais que acham que devem manter seus filhos deficientes visuais dentro de suas casas, pois como não podem ver, não há necessidade de que saiam à rua. Atitudes como a super proteção da criança, não a deixando exercer atividades cotidianas, buscando mantê-la longe de perigos e obstáculos diversos, deve ser evitada.

Existem sim muitos obstáculos no mundo, porém podem ser transpostos, além do que, não são só deficientes visuais que enfrentam dificuldades em sua caminhada. As dificuldades existem para todos e de nada vale se esconder, isso só vai retardá-las, podendo se apresentar de modo mais gravoso quando a criança resolver enfrentá-las.

Alunos com deficiência visual devem ser educados como todos os demais, freqüentando uma escola regular e convivendo com os mais variados alunos para que aprendam juntos a conviver com a limitação um do outro, considerando que todos nós temos algum tipo de “deficiência”, ou seja, dificuldade.
 

O começo, com certeza, não será fácil para o aluno com deficiência visual.

Ele terá dificuldades até que a escola, de modo geral, possa se adaptar a ele e ele à escola, mas, é nessa hora que o professor deve entrar em ação, conversando primeiramente com o aluno e depois com o restante da classe sobre a deficiência e explicando de acordo com o nível de entendimento da respectiva série.

Após a conversa com o professor, o aluno com deficiência visual ficará mais tranqüilo e o professor terá uma idéia de como, pelo menos começar o seu trabalho frente a este aluno e, após o esclarecimento de dúvidas sobre a deficiência visual, os demais alunos estarão mais abertos a um novo relacionamento, pois, descobrirão que o aluno deficiente visual em quase nada se diferencia deles, tendo apenas uma limitação sensorial que pode ser compensada por outros sentidos e que este precisará da compreensão e do auxílio de todos.

É realmente um desafio abrigar alunos com deficiência visual na escola regular, porém, nada é impossível quando se tem educadores dispostos a fazer este trabalho, deixando de lado as opiniões já formadas como, por exemplo, “não vai dar certo” ou “não vou conseguir”, ou ainda, “ele não vai conseguir”.

Tudo dependerá do empenho de ambos. Professor e aluno sempre terão que estar dialogando para saber o que é melhor, e assim os dois lados estando de acordo conseguirão traçar pontos de partida a cada novo tema, atividade, avaliação etc.

Administradores de escolas também devem trabalhar para que haja a melhor inclusão possível, conversando com os professores para que juntos desenvolvam meios que proporcionem a participação do aluno com deficiência visual em tudo o que se fizer na escola.

O trabalho é árduo, porém satisfatório. Quando ao final de cada série, o aluno, os pais e os professores virem que todo o trabalho e dedicação contribuíram para o fim desejado.

Já se tem notícia de algumas escolas que recebem alunos com deficiência visual em suas dependências, porém, os professores ainda não sabem como lidar com eles e as escolas não dispõem de instrumentos necessários ao seu aprendizado e portanto não se chega a lugar algum.

De nada adiantará trazer um aluno com deficiência visual para ser educado junto aos demais alunos da pré-escola enquanto todos aprendem qual o formato da letra “A”, este fica sem fazer nada, pois, o professor não sabe o que fazer para que ele tenha a mesma noção vista pelos demais.

Por esse motivo, já está na hora dos profissionais da educação se preocuparem em aperfeiçoar seus currículos, se especializando na educação de pessoas A inclusão do deficiente visual na escola regular: um espaço a ser conquistado com necessidades especiais e, também, das escolas buscarem auxílios governamentais no sentido de adquirir os instrumentos dos quais necessitam para poder proporcionar educação aos deficientes visuais.

A inclusão de portadores de deficiência visual no ensino regular e mesmo no ensino superior depende da conscientização do Estado, dos educadores, dos pais e da sociedade de modo geral, a fim de que todos em conjunto se comprometam em transformar sonhos em realidade.


Conceito e importância de uma sala de recursos

Alunos que não enxergam, possuem algumas necessidades especiais, e como vimos, não devem ser educados separadamente, mas sim, freqüentar escolas regulares tendo suas necessidades supridas por uma sala de recursos.

Estas salas de recursos funcionam dando suporte ao aluno e ao professor de uma sala comum, devendo servir como um complemento às ministrações trazidas à turma, sanando dificuldades e eliminando eventuais dúvidas provenientes da deficiência visual do aluno cego ou com baixa visão.

Vale ressaltar que não se trata de uma sala especial, mas de uma extensão da sala comum que será freqüentada pelo aluno deficiente visual fora do horário normal de aula. Pois para que aconteça a verdadeira inclusão, não basta estudar na mesma escola estando em salas diferenciadas, deve haver uma junção de todos os alunos para que se relacionem entre si, em todos os aspectos.

Os professores que tiverem em sua sala um aluno com deficiência visual, também devem freqüentar as salas de recurso a fim de que acompanhem o desempenho de seu aluno e aprendam o que fazer para melhor ensiná-lo e para integrá-lo ao resto da classe.

Na sala de recursos deve haver materiais e equipamentos que possibilitem o aprendizado dos alunos com deficiência visual (cegos ou com baixa visão), havendo, também, um professor especializado, ou seja, um professor formado em Educação Especial que domine o Sistema Braille e todos os instrumentos necessários à educação de tais alunos.

O professor especializado será um elo de ligação entre a escola e a família do aluno com a deficiência visual, devendo sempre manter contato com os pais e com o professor da sala comum, para que ambos acompanhem seu progresso. Este professor não poderá interferir no conteúdo da aula cuja administração será uma tarefa exclusiva do professor da sala regular.


Caberá ao professor de uma sala de recursos:

  • apoiar o professor da sala regular, tirando dúvidas tanto suas quanto dos demais alunos sobre a cegueira, podendo, inclusive, assistir às aulas juntamente com a classe fazendo sugestões sobre a melhor forma a ser aplicada pelo professor a fim de facilitar o entendimento do aluna com deficiência visual;
  • elaborar materiais didáticos, de acordo com o comprometimento visual que o aluno apresente: se o aluno for totalmente cego, deverá ter à sua disposição um material em Braille, mas, se este tiver baixa visão, será necessário que um laudo médico constate o quanto ele pode ver e, assim, se faça uma adequação ao material, ampliando-se a letra até o ponto em que possa ser vista nitidamente;
  • participar na elaboração das atividades e das avaliações junto ao professor da classe comum, tornando possível que o aluno com deficiência visual participe de todas elas junto ao resto da turma, não ficando de fora de nada do que vier a acontecer;
  • desenvolver junto ao coordenador pedagógico da escola e junto ao professor da sala comum, um trabalho de orientação aos pais, informando-os acerca do progresso educacional de seus filhos, bem como, sobre os métodos de ensino utilizados para que a família possa de certa forma contribuir para o aprendizado da criança, auxiliando-a em casa;
  • finalmente, cabe ao professor especializado, conversar com o coordenador pedagógico para que ele utilize seus conhecimentos, fazendo com que a proposta pedagógica da escola, possa abarcar a todos os alunos, inclusive os que têm deficiência visual.

 

O professor de uma sala de recursos desempenha um papel muito importante no que se refere à educação de um aluno com deficiência visual, porém, de nada valerão seus esforços se não houver à sua disposição e à disposição dos alunos cegos ou com baixa visão, os instrumentos necessários para viabilizar o ensino especializado.

São instrumentos imprescindíveis à escolarização dos deficientes visuais completamente cegos: as máquinas Braille, regletes (1) e impressoras Braille. São eles que possibilitam a confecção da escrita em alto-relevo o que fará com que os alunos mencionados tenham acesso ao mesmo conteúdo proposto na aula, seja na lousa ou em livros didáticos.

(1) Instrumento comum para a escrita em Braille. Espécie de prancheta com orifícios em baixo relevo, onde com uma punção são marcados os pontos que compõe as palavras.

Já os alunos com baixa visão, dependendo do resíduo visual que possuem, não precisam se valer do Sistema Braille para aprender, por isso, se faz necessária a identificação do quanto eles podem enxergar, para ver se sua visão pode ser melhorada com o uso de óculos ou lupas ou ainda com a ampliação de letras na fonte que melhor se adéqüe a visão que possuem.

Alguns recursos também são relevantes numa sala de atendimento especializado, são eles: as lupas eletrônicas e as lupas manuais, para a ampliação de textos a fim de que possam ser lidos pelos alunos com baixa visão, além de softwares com síntese de voz para microcomputador de mesa e portátil (notebook), através dos quais os alunos poderão ter acesso à informática, podendo consultar a internet, bem como, ler textos e livros escaneados, podendo, também, confeccionar seus trabalhos e avaliações.

A sala de recursos, também chamada de sala de apoio, corresponde a uma forma de se promover a inclusão plena do alunado com deficiência visual no que diz respeito à educação, tendo como principais atividades:
 

  • proporcionar ao alunado com deficiência visual, conhecimentos complementares dos quais necessitará para conviver no mundo das pessoas que enxergam, tais como o aprendizado do Sistema Braille e do Sorobã (2), orientações para se locomoverem sozinhos, atividades da vida diária, como por exemplo, como devem arrumar seus materiais e escolher suas roupas, desenvolver a educação sensorial, isto é, adaptá-lo ao uso dos demais sentidos etc.; (2) Instrumento que permite o acesso à matemática através do tato.
  • promover a adaptação dos materiais didáticos, como por exemplo, os gráficos e mapas, tornando-os passíveis de serem compreendidos facilmente pelos alunos com deficiência visual;
  • disponibilizar livros em Braille ou em letras ampliadas, além de, trabalhar na confecção de um arquivo de materiais escaneados que poderão ser lidos pelo aluno através do computador com os softwares de voz;
  • colocar à disposição do aluno todos os materiais e instrumentos dos quais necessita para sua escolarização como por exemplo: máquinas e impressoras Braille, livros em Braille, Sorobã, papel especializado, canetas ponta porosa, livros com letras ampliadas, papel com pautas próprias para o uso do aluno com baixa visão, lupas etc.;
  • prestar todo auxílio ao aluno que mostrar dificuldade, atuando de modo a complementar o que é ensinado na sala comum.


Partindo do pressuposto de que alunos deficientes visuais tenham algumas necessidades especiais, para tornar possível seu aprendizado, as salas de recursos são de grande importância por poderem proporcionar a verdadeira inclusão desses alunos na escola regular.

A escola que não tem uma sala de recursos e recebe alunos com deficiência visual, está despreparada para acolhê-lo, isto porque não terá como dar suporte a esse aluno, visto que o professor de uma sala regular não está preparado o suficiente para dar a devida assistência que a situação pede.

Por esse motivo, se faz notória a importância de uma sala de recursos em todas as escolas regulares, não basta que se pregue a inclusão sem que se façam as respectivas adequações, adquirindo os meios necessários ao atendimento especializado que virá ao encontro do ensino ministrado pelo professor comum, não em forma de substituição deste, mas, de modo a poder complementá-lo, utilizando-se dos métodos corretos a fim de que a educação de deficientes visuais, saia da teoria e venha produzir efeitos satisfatórios.


A relação entre o professor e o aluno com deficiência visual

Grande é a preocupação do professor do ensino regular ao se deparar com um aluno com deficiência visual. Isso se dá pelo fato de o mesmo não estar preparado ou ainda, acostumado com as necessidades especiais que os mesmos demandam, daí a necessidade de haver um professor especializado para acompanhá-lo, bem como, de uma sala de recursos para auxiliá-lo, conforme já comentado.

Porém, mesmo com a presença de um professor especializado, o professor da sala comum, onde o aluno com deficiência visual estuda, é o principal responsável por sua educação, uma vez que, este foi designado para ensinar a turma como um todo.

Os professores especializados apenas darão o apoio necessário ao aluno, preparando materiais específicos e preenchendo as lacunas que, porventura, sejam deixadas nas ministrações das aulas.

Alguns professores podem pensar que não estão preparados para educar um aluno com deficiência visual ou achar que estes merecem maior atenção, o que não é verdade. A eles deve ser dispensada a mesma atenção dada a um aluno normal, pois, em nada ele se diferencia das demais crianças, dispensando qualquer cuidado excessivo.

Atitudes como, por exemplo, adotar formas de avaliação diferenciadas ou aprovar o aluno sem que ele tenha notas suficientes para tanto, não são bem vindas. Isso faz com que os alunos com deficiência visual se sintam menosprezados, subestimados e incapazes de aprender.

Desse modo, todos devem ser tratados de igual forma, alunos deficientes visuais ou não, devem ser a todo tempo avaliados e sujeitos à reprovação de acordo com seu desempenho escolar, sem que haja privilégios.

As atividades, as provas, os questionários, os testes, os gráficos, os mapas, os trabalhos de casa e as avaliações de modo geral, devem ser encaminhadas pelo professor da sala regular ao professor especializado para que este possa adaptar o material dispondo-o em Braille ou em caracteres ampliados para a utilização dos deficientes visuais, antes da aula em que os materiais serão apresentados à classe.

Durante a ministração da aula o aluno deficiente visual deve ocupar um lugar onde ele possa ouvir e compreender bem as palavras do professor, visto que, por não enxergar ele deve estar atento a tudo o que for dito, devendo, também, estar a par do que for escrito na lousa, bastando que, para isso, o professor leia tudo o que anotar no quadro.

Alunos com visão subnormal devem ficar mais próximos à lousa ou ainda, próximos à janela a fim de que possam ver melhor, sendo sempre incentivados pelo professor a utilizar a visão da qual dispõem, conversando sempre com o aluno sobre a iluminação, tendo em vista que o ambiente não pode estar nem muito claro, nem muito escuro, o que pode atrapalhar a visualização.

O professor deve sempre conversar com o aluno com deficiência visual, para que juntos decidam o melhor a ser feito para que ambos se auxiliem, uma vez que, o professor tem o conhecimento, mas, a cada dia, convivendo de perto com deficientes visuais, terá que passar por novas experiências as quais se tornarão lições de vida que serão repassadas durante todo o tempo que lecionar.

No decorrer das aulas, o professor deve evitar o uso de pronomes como, isto e aquilo, pois, como não podem ver, os alunos cegos ou com baixa visão não saberão sobre o que se está falando, prejudicando, assim, o entendimento da aula.

A melhor maneira de se educar um deficiente visual é através da fala, pois eles prestam muita atenção no que lhe é dito, procurando suprir a falta da visão pela audição que passa a ser um dos sentidos mais importantes, principalmente, quando ele precisa obter e guardar alguma informação.

Dessa forma, cabe ao professor conversar com os alunos deficientes visuais que lhe foram confiados para saber quais são suas maiores dificuldades e, também, para conhecê-los melhor, descobrindo suas qualidades a fim de que estas sejam trabalhadas e se tenha o sucesso desejado.

O professor deve sempre perguntar o que achar necessário para melhor poder ajudar o aluno, mas, deve estar aberto também para responder as dúvidas que o aluno tiver, ainda que estas se mostrem absurdas. Pois o aluno que não enxerga, e principalmente, se sua deficiência visual for congênita, isto é, se ele nunca viu, ele não saberá o que é um monte, um deserto, uma planta etc.

No caso de não poder solucionar a dúvida ou o problema apresentado, o professor deve recorrer ao professor especializado, bem como, à sala de recursos, utilizando-se de todo o material, métodos e instrumentos que esta possa oferecer, para possibilitar a compreensão do que não pode ser visto.

A princípio o trabalho se revela um tanto cansativo, mas, a paciência fará com que as barreiras e dificuldades sejam rompidas e, com o passar do tempo percebe-se que tudo não passou de um processo de aprendizado, onde professor e aluno adquiriram um com o outro, experiências que levarão para toda a vida.

Vale a pena ressaltar que não se pode desistir sem tentar, pois, todos merecem a oportunidade de aprender e a ignorância pode ser transposta pela vontade de se poder ajudar, junto ao desejo de se buscar entender e aprender sobre aquilo que se ignora, como é o caso da educação de deficientes visuais.


Principais regras a serem observadas pelo professor no contato com o deficiente visual

Num primeiro contato de um professor de escola regular com um aluno com deficiência visual, muitas são as dúvidas que podem surgir acerca de como tratar, ensinar, avaliar, auxiliar etc.

Assim sendo, procuramos trazer aqui, uma relação com as principais regras que devem ser observadas pelo educador quando este tem em sua sala de aula um aluno com deficiência visual. São elas:
 

  • inicialmente, procure saber o nome do aluno e procure conversar com ele perguntando sobre as suas limitações e quais recursos ele já utiliza e, caso não utilize nenhum, conversar com o professor especializado para que ele avalie o quadro e verifique os melhores meios para proporcionar o aprendizado.
  • O aluno com deficiência visual não é diferente. Trata-se de uma criança que apenas não enxerga como as demais, mas, ouve, sente, fala e, também, é capaz de aprender;
  • não se deve ter qualquer receio de se utilizar palavras ou expressões que se refiram à visão como, por exemplo, “vocês viram” ou “conforme já vimos”, pois, embora não possam ver, o linguajar utilizado pelos deficientes visuais, em nada se diferencia da linguagem das demais crianças;
  • para que aprendam a ler e a escrever, os alunos totalmente cegos, se utilizarão do Sistema Braille (sinais formados por combinações de pontos em alto-relevo que podem ser sentidos pelo tato), o que lhes será ensinado pelo professor especializado. Porém, os alunos que possuem baixa visão, poderão aprender utilizando-se da ampliação de letras;
  • tarefas realizadas em Braille, podem ser transcritas para letra comum pelo profissional que atua na sala de recursos, pois, este deve dominar tal escrita. Após a transcrição, devem ser encaminhadas ao professor para que ele faça a correção;
  • os alunos com deficiência visual não podem ver o quadro, por isso, tudo o que for escrito deverá ser lido para ele. Isto poderá ser feito pelo professor, logo que estiver passando a matéria, ou por um aluno que se proponha a ler para ele em voz baixa de modo a não distrair a turma;
  • ao aplicar provas aos deficientes visuais, é necessário que se façam algumas adaptações, antes da aula em que ela será aplicada, a fim de que ele possa lê-la, podendo ser feita em Braille ou com letras ampliadas dependendo da deficiência visual apresentada. Para tanto, é preciso que se mande o texto, os enunciados ou as questões que serão abordadas para que o professor especializado faça a devida adequação. Pode-se optar, também, por ler a prova ao aluno para que este responda de modo escrito ou oral, lembrando-se, antes de tudo, de conversar com ele sobre a melhor opção a ser adotada;
  • quando precisar repreender um aluno com deficiência visual, faça-o sem se preocupar. Procure tratá-lo como os demais sem privilegiá-lo ou beneficiá-lo em nada;
  • não se admire quando ele ler um texto ou fizer uma redação, pois, ele pode fazer tranqüilamente se dominar o Sistema Braille ou mesmo se valendo da ampliação de caracteres;
  • não se preocupe quando um aluno com baixa visão encostar o livro no rosto para melhor enxergar, pois isso não o prejudicará em nada;
  • evite gesticular ou apontar coisas no quadro-negro, dizendo isto ou aquilo. Lembre-se sempre de que o aluno não enxerga, e se enxerga, possui pouco resíduo visual, podendo não compreender as informações gestuais;
  • avise sempre que se ausentar da sala, e também, avise quando voltar ao ambiente a fim de que o aluno não fique falando sozinho sem perceber a sua ausência;
  • é plenamente assegurada pela lei, a entrada de cães-guias em qualquer ambiente, sendo estes adestrados para tanto. Estes cães exercem o mesmo papel da bengala, rastreando o ambiente por onde o deficiente visual passa, porém, com a diferença que o cão enxerga e tem vida. Não deixe que o distraiam quando este estiver a serviço, ou seja, guiando alguém;
  • devem ser utilizados materiais contrastantes ao se ensinar alunos com baixa visão, isto é, um texto em preto deve ser escrito em uma folha branca e uma figura escura deve ter o fundo do quadro claro. Evite usar giz de outra cor que não branco ao escrever no quadro-negro.


Estas são algumas das muitas questões que o professor aprende a desenvolver ao receber em sua turma um aluno com deficiência visual.

Diante delas, fica bem claro que é plenamente possível fazer a inclusão de um portador de deficiência visual na escola regular. Lembrando-se que a escola é só o começo da inclusão social, que será buscada e conquistada por ele dia após dia.

O objetivo é alcançar a inclusão plena, podendo receber capacitação para o trabalho, freqüentando um curso superior para que mais tarde possa exercer uma profissão e, assim, ter a vida digna a qual todos tem direito.

O professor é o responsável pelos primeiros passos rumo a essa conquista, por isso, está em suas mãos o início da socialização de pessoas que só buscam uma chance de mostrar que querem e podem aprender, ultrapassando todo e qualquer obstáculo.
 

 

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'A Inclusão dos deficientes visuais na escola regular'
autora: Fabiana Santos
in  Educação inclusiva (2008)
Cristina Maria Carvalho Delou | Eloiza da Silva Gomes de Oliveira | Fabiana Santos | Ida Beatriz Costa Velho Mazzillo | Marilia de Fátima | Cordeiro Ribeiro | Márcia Souto Maior Mourão Sá | Suely Pereira da Silva Rosa | Wladia Felix Espírito Santo

fonte: http://ucbweb.castelobranco.br/webcaf/manuais/educacao_inclusiva.pdf

 

 

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2.Nov.2015
publicado por MJA