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 Sobre a Deficiência Visual

Grafia Braille para a Língua Portuguesa − Braille Integral

Instituto Benjamin Constant
 

Aquele que não sabe ler é como um cego - Alexei Radakov
He Who Cannot Read is Like a Blind Man - Alexei Radakov

 

Introdução

Cap. I - Sistema braille
  1. Definição
  2. Identificação dos pontos
  3. Sinais simples e compostos
  4. Referencial de posição
  5. Ordem braille
  6. Escrita braille
  7. Aplicação à Língua Portuguesa
Cap. II - O Código braille para a grafia da Língua Portuguesa

   1. Valor dos sinais
      1.1 Alfabeto
      1.2 Letras com diacríticos
      1.3 Pontuação e sinais acessórios
      1.4 Sinais usados com números
      1.5 Sinais exclusivos da escrita braille
   2. Observações e Normas de Aplicação
      2.1 Sinal de maiúscula
      2.2 Números e sinais com eles usados
      2.3 Itálico e outras variantes
      2.4
Pontuação e outros sinais acessórios
 
 

Capítulo III - Disposição do Texto Braille

  1. Títulos e Subtítulos
  2. Referências ao texto
  3. Parágrafos
  4. Destaque de textos
  5. Textos em verso
  6. Estrofes
  7. Versos num texto em prosa
  8. Separadores de páginas
  9. Paginação
  10. Sinal de transpaginação
  11. Notas ao texto

Apêndices
  1. Escrita braille em contexto informático
  2. Outros idiomas: Alemão, Espanhol, Francês, Inglês, Latim, etc
  3. Outros alfabetos: Grego Clássico, Alfabeto Hebraico, Alfabeto Russo
  4. Sinais convencionais usados em Esperanto

 

INTRODUÇÃO

 

A Grafia Braille para a Língua Portuguesa consiste no conjunto do material signográfico e das instruções/recomendações orientadoras da sua utilização na escrita. O conhecimento completo do respectivo código e a sua correcta utilização devem constituir um objectivo permanente para todos, porque a boa qualidade gráfica dos textos exerce nos leitores uma saudável influência educativa, facilitando a assimilação de padrões propiciadores da melhoria do nível de desempenho, quer na leitura, quer na escrita. A matéria desta Grafia está exposta em 3 capítulos, que compreendem 56 secções e em 4 apêndices:

O 1.º capítulo, “Sistema Braille”, integra 7 secções. Nelas se define e apresenta este Sistema, assim como se procede à sua caracterização.

O 2.º capítulo “O Código Braille para a Grafia da Língua Portuguesa”, é composto por 2 partes:

1.“Valor dos Sinais”: inclui apenas a secção 8, em que se apresentam os quadros do material signográfico.

2. “Observações e Normas de Aplicação”: estende-se da secção 9 à 44 e incorpora as regras que enquadram o emprego dos sinais constantes dos quadros apresentados na secção 8, contém alguns diacríticos necessários à escrita de palavras em outras línguas e na própria Língua Portuguesa e insere recomendações sobre a criação de sinais não previstos nesta Grafia.

O 3.º capítulo, intitulado “Disposição do Texto Braille”, expõe, da secção 45 à 56, as normas sobre esta matéria. Vários exemplos ajudam a interpretar as normas e ilustram a sua aplicação.

Quatro apêndices completam esta publicação:

Apêndice 1: inclui um conjunto de símbolos e de regras referentes à escrita em contexto informático.

Apêndice 2: nele figuram conjuntos de símbolos braille empregados em alemão, dinamarquês, espanhol, francês, inglês, italiano, latim e sueco, não coincidentes com os portugueses ou inexistentes na Língua Portuguesa.

Apêndice 3: nele se encontram os alfabetos grego, hebraico e russo ou cirílico moderno.

Apêndice 4: apresenta alguns sinais convencionais usados em esperanto e em outras línguas.


 

A Nova Grafia Braille para a Língua Portuguesa

 

Capítulo I - O sistema braille


1 - Definição

O sistema de escrita em relevo conhecido pelo nome de “Braille” estrutura-se a partir das combinações dos seis pontos (123456). Este conjunto matricial de
6 pontos chama-se, por isso, sinal fundamental.   Conjunto matricial

O espaço por ele ocupado, ou por qualquer outro sinal, denomina-se célula braille ou célula braille e, quando vazio, é também considerado por alguns especialistas como um sinal, passando assim o Sistema a ser composto com 64 sinais.

2 - Identificação dos pontos

Para facilmente se identificarem e se estabelecer exactamente a sua posição relativa, os pontos são numerados de cima para baixo e da esquerda para a
direita. Os três pontos que formam a coluna ou fila vertical esquerda,  Conjunto matricial , têm
os números 1, 2, 3; aos que compõem a coluna ou fila vertical direita,  Conjunto matricial,
cabem os números 4, 5, 6.

2.1 Os números dos pontos dos sinais braille escrevem-se consecutivamente, com o sinal de número apenas antes do primeiro ponto de cada célula.

EXEMPLOS:

Conjunto matricial


2.2 - Uma célula vazia é identificada pelo numeral 0.

EXEMPLO: O sinal de igualdade Conjunto matricial (2356), entre palavras, deve ser representado entre células vazias, assim: 0 2356 0.

3 - Sinais simples e compostos

Os sinais do Sistema Braille recebem designações diferentes, consoante o espaço que ocupam.

3.1 - Os que ocupam uma só célula denominam-se sinais simples.

EXEMPLOS: 
Conjunto matricial

3.2 - Aqueles em cuja constituição figuram os pontos 1 e/ou 4, mas em que NÃO entram os pontos 3 nem 6, chamam-se sinais superiores.

EXEMPLOS:
Conjunto matricial

3.3 - Aqueles que são formados sem os pontos 1 e 4 chamam-se sinais inferiores.

EXEMPLOS:
Conjunto matricial

3.4 - Os que são constituídos por qualquer conjunto dos pontos 1, 2, 3, dizem-se sinais da coluna esquerda.

EXEMPLOS:
Conjunto matricial

3.5 - Os que são constituídos por qualquer conjunto dos pontos 4, 5, 6, dizem-se sinais da coluna direita.

EXEMPLOS:
Conjunto matricial

3.6 - Chamam-se sinais compostos os que se obtêm combinando dois ou mais sinais simples.

EXEMPLOS:
Conjunto matricial


4 - Referencial de posição

Quando na transcrição de códigos, tabelas, etc., um sinal inferior ou da coluna direita aparece isolado (entre células vazias) e há possibilidade de o confundir com outro sinal, coloca-se junto dele o sinal fundamental Conjunto matricial (123456) que, neste caso, vale apenas como referencial de posição.

EXEMPLOS:
Conjunto matricial

5 - Ordem braille

Os 63 sinais simples do Sistema Braille, adiante apresentados numa seqüência denominada ordem braille, distribuem-se sistematicamente por 7 séries:

Conjunto matricial


5.1 - A 1ª série é constituída por 10 sinais, todos superiores, pelo que é denominada série superior. Serve de base às 2ª, 3ª e 4ª séries, bem como de modelo à 5ª.

5.2 - A 2ª série obtém-se juntando a cada um dos sinais da 1ª o ponto 3.

5.3 - A 3ª série resulta da adição dos pontos 3 e 6 aos sinais da série superior.

5.4 - A 4ª série é formada pela junção do ponto 6 a cada um dos sinais da 1ª.

5.5 - A 5ª série é toda formada por sinais inferiores, pelo que também é chamada série inferior, e reproduz formalmente a 1ª.

5.6 - A 6ª série não deriva da 1ª e desenvolve-se pelos pontos 3, 4, 5, 6, e consta apenas de 6 sinais.

5.7 - A 7ª série, que também não se baseia na 1ª, é formada unicamente pelos 7 sinais da coluna direita. A sua ordem de sucessão determina-se com o auxílio da mnemónica “ablakba”.


6 - Escrita braille

A escrita braille se faz ponto a ponto na régua braille ou letra a letra na máquina braille ou no computador.

6.1 - A escrita nas pautas e nas réguas, que ainda se usam frequentemente, faz-se da direita para a esquerda, para que ao voltar o papel, a leitura se efectue da esquerda para a direita.

6.2 - Nas máquinas braille, utilizadas com mais frequência, as teclas correspondentes aos pontos 1, 2, 3 ficam à esquerda do espaçador, e à direita ficam as correspondentes aos pontos 4, 5, 6. As teclas contam-se do centro para os extremos e ao escrever primem-se simultaneamente as que são necessárias à formação de cada sinal. A escrita aparece voltada para cima, em posição de leitura imediata.


7 - Aplicação à Língua Portuguesa

O Sistema Braille é o processo de escrita em relevo mais adoptado em todo o mundo e se aplica não só à representação dos símbolos literais, mas também à dos matemáticos, químicos, fonéticos, informáticos, musicais, etc.

Na sua aplicação à Língua Portuguesa, quase todos os sinais conservam a sua significação original. Apenas algumas vogais acentuadas e outros símbolos se representam por sinais que lhe são exclusivos.


 

Capítulo II

O CÓDIGO BRAILLE PARA A GRAFIA DA LÍNGUA PORTUGUESA

1 - Valor dos Sinais

Os sinais que se empregam na escrita corrente de textos em Língua Portuguesa têm a significação seguinte:

1.1 ALFABETO


Alfabeto

Obs.: O c com cedilha é representado pelo sinal  Cedilha  (12346).

Obs.: As letras k, w e y encontram-se frequentemente em textos portugueses, embora não pertençam ao alfabeto português.

1.2. LETRAS COM DIACRÍTICOS


LETRAS COM DIACRÍTICOS


1.3 PONTUAÇÃO E SINAIS ACESSÓRIOS


PONTUAÇÃO E SINAIS ACESSÓRIOS

1.4 SINAIS USADOS COM NÚMEROS


SINAIS USADOS COM NÚMEROS

 

1.5 SINAIS EXCLUSIVOS DA ESCRITA BRAILLE

SINAIS EXCLUSIVOS DA ESCRITA BRAILLE

 


 

2 - Observações e Normas de Aplicação

Os sinais do Código Braille empregam-se geralmente em conformidade com os preceitos da ortografia oficial e com os textos que representam. No entanto, devem ter-se em conta as observações e normas de aplicação que se seguem.

2.1 - SINAL DE LETRA MAIÚSCULA

As letras maiúsculas representam-se pelas minúsculas precedidas imediatamente do sinal SINAL DE LETRA MAIÚSCULA (46), com o qual formam um símbolo composto.

EXEMPLOS:

SINAL DE LETRA MAIÚSCULA


Para indicar que todas as letras de uma palavra são maiúsculas, utiliza-se o sinal SINAL DE LETRA MAIÚSCULA (46 46) antes da primeira.

EXEMPLO:
SINAL DE LETRA MAIÚSCULA


Quando o número de palavras com todas as letras maiúsculas é superior a três, pode empregar-se antes da primeira o sinal composto SINAL DE LETRA MAIÚSCULA (25 46 46) e antes da última o sinal composto SINAL DE LETRA MAIÚSCULA (46 46).

EXEMPLO:

SINAL DE LETRA MAIÚSCULA


As siglas, constituídas por iniciais maiúsculas, representam-se antepondo-lhes o sinal composto siglas (46 46).

EXEMPLOS:

siglas

 

Quando, no original em tinta, as iniciais das siglas são seguidas de ponto abreviativo, antepõe-se a cada uma delas o sinal simples siglas (46).

EXEMPLO:
siglas


 

2.2 - NÚMEROS E SINAIS COM ELES USADOS


Os caracteres da 1ª série, precedidos do sinal Números e Sinais Com Eles Usados (3456), representam os algarismos de um a zero. Quando um número é formado por dois ou mais algarismos, só o primeiro é precedido deste sinal.

EXEMPLOS:

Exemplos


O sinal Números e Sinais Com Eles Usados (2) representa a vírgula e o ponto que em tinta se empregam para, num numeral decimal, separar a parte inteira da parte decimal.

EXEMPLOS:
Exemplos

O ponto 3 representa o ponto separador de classes. É corrente, contudo, só efetuar tal separação em números constituídos por mais de quatro algarismos, na parte inteira ou na parte decimal.

EXEMPLOS:
Exemplos

Os números ordinais representam-se pelos caracteres da 5ª série, precedidos do sinal Números e Sinais Com Eles Usados (3456) e seguidos de uma das terminações o, a, os, as.

EXEMPLOS:
Exemplos

Quando números ou letras e números se articulam numa só sucessão, os números são sempre precedidos do sinal Números e Sinais Com Eles Usados (3456) e as letras devem ficar claramente distintas em relação aos algarismos. A articulação de números com as dez primeiras letras do alfabeto exige que estas sejam precedidas do sinal de letra latina minúscula Números e Sinais Com Eles Usados (5).

a) Números articulados com números:


Exemplos

b) Números articulados com letras maiúsculas:

Exemplos

c) Números articulados com letras minúsculas:


Exemplos

d) Letras articuladas com números:

Exemplos

Na escrita de frações, os sinais Números e Sinais Com Eles Usados (256) e Números e Sinais Com Eles Usados (5 256) representam o respectivo traço horizontal.

EXEMPLOS:
Exemplos

No caso de números fraccionários em escrita abreviada, o numerador pode representar-se pelos sinais da 5ª série e o denominador pelos sinais da 1ª série, sem repetição do sinal de número.

EXEMPLOS:
Exemplos

Nos números mistos, a parte fraccionária segue imediatamente a parte inteira.

EXEMPLOS:

Exemplos

O cifrão Números e Sinais Com Eles Usados (56) é usado para expressar a unidade monetária de numerosos países, incluindo-se Brasil e, até 28 de Fevereiro de 2002, Portugal. Em Portugal, quando não há algarismo correspondente à unidade, o sinal Números e Sinais Com Eles Usados precede imediatamente o cifrão.

EXEMPLOS:
Exemplos

O euro é representado pelo sinal composto Números e Sinais Com Eles Usados (4 15) e precede ou segue imediatamente o número.

EXEMPLOS:
Exemplos

Os sinais compostos Números e Sinais Com Eles Usados e Números e Sinais Com Eles Usados representam, respectivamente, por cento e por mil. Estes sinais ficam sempre ligados aos números a que se referem.

EXEMPLOS:
Exemplos

O sinal composto Números e Sinais Com Eles Usados representa parágrafo e parágrafos jurídicos. Emprega-se imediatamente antes de um número e é seguido de espaço antes de uma palavra.

EXEMPLOS:
Exemplos

A representação de datas sob a forma inteiramente numérica deve obedecer às seguintes regras:

a) Os elementos constitutivos da data devem ser colocados pela ordem dia-mês-ano, utilizando-se dois algarismos para o dia, dois para o mês e dois ou quatro para o ano.

b) A representação deve ser feita com algarismos arábicos.

c) Na representação do ano não se emprega o ponto separador de classes.

d) Os elementos constitutivos da data devem ser separados por barra ou hífen.

e) O sinal de algarismo deve ser repetido antes de cada elemento.

EXEMPLOS:
Exemplos

Os sinais de operação e de relação podem transcrever-se, na generalidade dos casos, sem espaços.

EXEMPLOS:

Exemplos


A translineação das expressões far-se-á, preferentemente, após um sinal de operação ou de relação, o qual se repetirá no início da linha imediata. Quando este processo não for possível, emprega-se o sinal Números e Sinais Com Eles Usados (5) que não se repetirá na linha seguinte.

EXEMPLOS:

Exemplos

 

Se uma expressão contiver palavra ou palavras, para maior clareza ou uniformidade de representação, os sinais operatórios e de relação podem usar-se entre espaços.

EXEMPLOS:

Exemplos



Os símbolos das unidades de medida escrevem-se sem ponto abreviativo e ficam separados por um espaço dos números que, em geral, os precedem.

EXEMPLOS:

Exemplos



Na representação de amplitudes de arcos e ângulos, expressas em graus sexagesimais, o sinal Números e Sinais Com Eles Usados (356) emprega-se como símbolo da unidade grau; o sinal Números e Sinais Com Eles Usados (1256), como símbolo da unidade minuto; o sinal Números e Sinais Com Eles Usados (1256 1256), como símbolo da unidade segundo.

EXEMPLOS:
Exemplos

O sinal Números e Sinais Com Eles Usados (356) emprega-se também como símbolo da unidade grau, na representação de temperaturas, e pode ser combinado com outros símbolos.

EXEMPLOS:

Exemplos



As medidas de tempo e de arcos e ângulos se escrevem com espaços intermediários.

EXEMPLOS:


Exemplos



O sinal Números e Sinais Com Eles Usados (16) confere aos elementos que o seguem o significado de expoente ou índice superior.

EXEMPLOS:
Exemplos

O sinal Números e Sinais Com Eles Usados (34) confere aos elementos que o seguem o significado de índice inferior.

EXEMPLOS:
Exemplos

Para escrever a numeração romana empregam-se letras maiúsculas.

EXEMPLOS:
Exemplos

Quando o número é constituído por duas ou mais letras, emprega-se o sinal Números e Sinais Com Eles Usados (46 46) antes da primeira.

EXEMPLOS:
Exemplos

O traço horizontal que multiplica por mil a parte coberta do número romano, e o duplo traço que a multiplica por um milhão, representam-se, respectivamente, pelos sinais Números e Sinais Com Eles Usados (25) e Números e Sinais Com Eles Usados (25 25), colocados imediatamente depois da última letra afectada pelo(s) traço(s).

EXEMPLOS:
Exemplos



2.3 - SINAL DE ITÁLICO E OUTRAS VARIANTES TIPOGRÁFICAS


O sinal Sinal de Itálico (35) é o correspondente braille do itálico, sublinhado, negrito e da impressão em outros tipos (cursivo, normando, etc.). Antepõe-se e pospõe-se imediatamente a texto, fragmento de texto, palavra ou elemento de palavra a destacar.

EXEMPLOS:
Exemplos

Se o texto a destacar é constituído por mais de um parágrafo, o sinal Sinal de Itálico (35) antepõe-se a cada um deles e pospõe-se apenas ao último.

EXEMPLO:

Exemplos

 

Exemplos


 

2.4 - PONTUAÇÃO E SINAIS ACESSÓRIOS


Ressalvadas as excepções referidas em algumas normas desta alínea, os sinais de pontuação e acessórios não devem separar-se da palavra a que dizem respeito.

EXEMPLOS:

Exemplos


O sinal Pontuação e Sinais Acessórios (3), além de ponto final, tem o valor de ponto abreviativo, tanto no interior como no fim dos vocábulos.

EXEMPLOS:
Exemplos

Escrevem-se sem espaços intermediários as abreviaturas de expressões correntes.

EXEMPLOS:
Exemplos

Escrevem-se com espaços intermediários as abreviaturas de nomes de pessoas.

EXEMPLOS:
Exemplos

O sinal Pontuação e Sinais Acessórios (3) representa também o apóstrofo. Em caso de translineação, ele não deve ser seguido de hífen.

EXEMPLOS:
Exemplos

As reticências, representadas pelo sinal composto Pontuação e Sinais Acessórios (3 3 3), podem aparecer isoladas quando significam omissão de texto; podem também ser antecedidas ou seguidas de outros sinais.

EXEMPLOS:
Exemplos

Os parênteses e os colchetes (parênteses rectos), em contextos literários podem assumir duas formas distintas de representação: a forma simples e a forma composta.

2.4.1 - Formas simples:

Pontuação e Sinais Acessórios

Nos contextos literários, para manter a uniformidade com o Código Matemático Unificado (CMU), se empregam as formas simples em duas circunstâncias:

a) Se o sinal de abertura for seguido imediatamente por um numeral e o sinal de fechamento for precedido por um numeral.

b) Se o sinal de fechamento suceder a um numeral, geralmente indicando uma enumeração ou enumerações de itens.

EXEMPLOS:
Exemplos

2.4.2 - Formas compostas:

Pontuação e Sinais Acessórios

Estas formas compostas se empregam para evitar ambiguidades.

EXEMPLOS:
Exemplos

As aspas Aspas (236), abre e fecha, que em tinta aparecem sob a forma de vírgulas em posição natural ou invertidas, representam-se com o símbolo braille já referido; as aspas sob a forma de pequenos ângulos, simples ou duplos, têm como correspondente braille o sinal composto Pontuação e Sinais Acessórios (6 236); outras variantes de aspas são representadas pelo sinal composto Pontuação e Sinais Acessórios (56 236).

EXEMPLOS:

Exemplos

Quando num texto em colunas, se pretende usar aspas por baixo de palavra ou palavras, significando “igual, idem, a mesma coisa”, etc., usa-se em braille o sinal de aspas duplo Aspas duplas (236 236), a fim de facilitar a sua identificação.

EXEMPLOS:
Exemplos

Mesmo quando não seja possível ou prático reproduzir em braille um texto disposto em colunas, o sinal de aspas duplo pode, ainda assim, ser empregado, desde que o elemento por ele representado ocorra em início de linha e duas ou mais vezes consecutivas.

EXEMPLOS:
Exemplos

O travessão pode ser antecedido ou seguido de outros sinais; mas deve ficar sempre isolado em relação a palavras anteriores e seguintes.

EXEMPLOS:
Exemplos

O sinal Pontuação e Sinais Acessórios (246 135) representa um círculo e serve para destacar certa forma de enumeração.

EXEMPLOS:
Exemplos

O & (e comercial) representa-se por meio do sinal E comercial (12346), que deve ficar sempre entre espaços.

EXEMPLOS:
Exemplos

Os sinais Pontuação e Sinais Acessórios (6 2) e Pontuação e Sinais Acessórios (456) representam, respectivamente, a barra e a barra vertical. Em geral, não há espaços antes ou depois das barras, sendo que a barra vertical deve ser seguida de, pelo menos, meia célula em branco.

EXEMPLOS:
Exemplos

Se as barras ocorrerem em final de linha, torna-se necessário repeti-las no início da linha imediata.

EXEMPLOS:
Exemplos

As setas horizontais para a direita Seta para a direita (25 135), para a esquerda Seta para a esquerda (246 25) e de sentido duplo Sentido duplo (246 25 135) empregam-se isoladamente e, se ocorrerem no fim de uma linha, não se repetem no início da linha seguinte.

EXEMPLOS:
Exemplos

O sinal restituidor do significado original de um símbolo braille representa-se por Pontuação e Sinais Acessórios (56). Emprega-se em contexto estenográfico, imediatamente antes de palavras para indicar que todos os seus caracteres têm o valor original.

Quando necessário, emprega-se igualmente para fazer cessar um significado atribuído a novos sinais, criados em conformidade com o disposto na secção 43, restituindo assim a qualquer sinal o seu significado próprio.

Na escrita de textos em línguas estrangeiras emprega-se a Grafia Braille dos respectivos idiomas. (V. Apêndices.) Porém, em palavras estrangeiras isoladas e pouco frequentes, ou ainda na grafia de palavras portuguesas que contenham vogais acentuadas para as quais não haja sinal braille correspondente neste Código, antepõem-se às letras os diacríticos seguintes:

Pontuação e Sinais Acessórios


Sempre que em alguma obra a transcrever ocorram sinais cuja grafia não haja sido prevista e normalizada neste Código, deve o transcritor atribuir-lhes o correspondente sinal braille, evitando toda a possibilidade de confusão com os sinais e as normas aqui determinados. Os sinais que tiverem de ser criados deverão ser objecto de nota de rodapé em que se indique o seu significado, quando se empreguem pela primeira vez; sendo muitos estes sinais, devem figurar em lista própria e em página(s) exclusiva(s) no início do volume onde se encontram.


 

Capítulo III

Disposição do texto braille

 

Na transcrição para braille deve seguir-se o mais possível a disposição de qualquer texto em tinta, tendo sempre em conta, no entanto, as especificidades da leitura tátil.

1 - Títulos e subtítulos

Os títulos, subtítulos, etc. devem ficar bem destacados em relação aos respectivos textos. O destaque pode ser-lhes conferido através de uma ou mais linhas em branco ou de traço para sublinhar, processos que substituem, com vantagem, o itálico e a caixa alta, correntemente usados nas edições em tinta.

EXEMPLOS:

Exemplos

Os títulos, subtítulos, etc. não devem ser escritos em página diferente daquela em que os respectivos textos começam; pelo contrário, devem ser seguidos de, pelo menos, duas linhas de texto.

Um texto só deve terminar num princípio de página, se nela figurarem, pelo menos, duas linhas de texto. A observância deste preceito é de particular importância, se na mesma página começar novo texto, pois assim se evitará tomar por título deste o final do texto anterior.

2 - Referências ao texto

Especiais cuidados devem ser tomados para a inserção de referências no final de textos. Assim, autores, obras de onde os textos foram extraídos, etc., nunca deverão ficar em página diferente daquela em que o texto terminar.

3 - Parágrafos

Os parágrafos devem ser claramente destacados. A abertura pode variar, mas tem de fazer-se pelo menos no terceiro espaço.

O parágrafo americano, que consiste em não fazer qualquer abertura e deixar uma linha em branco entre parágrafos, embora muito utilizado em tinta, não é recomendável em braille, por provocar a descontinuidade do texto e prejudicar a economia de espaço.

Quando há necessidade de economizar espaço (em apontamentos, publicações periódicas, etc.), pode usar-se o “parágrafo compacto”. O sinal de pontuação pelo qual um parágrafo termina é seguido de três espaços em branco; o novo parágrafo principia a seguir, na mesma linha, e a linha imediata começa, pelo menos, no terceiro espaço.

EXEMPLOS:

Exemplos


O processo de parágrafo compacto não se aplica circunstancialmente quando o início de cada parágrafo não puder ser claramente assinalado pela reentrância da linha imediata e quando os parágrafos estiverem referenciados com números, letras, etc. Faz-se então a abertura do parágrafo conforme se estabelece no número 48 e retoma-se depois o parágrafo compacto.

4 - Destaque de textos

As caixas em que se destacam pequenos textos podem e devem ser reproduzidas em relevo, utilizando para isso linhas horizontais e verticais.

EXEMPLO:
Exemplos

5 - Textos em verso

A transcrição dos textos em verso começa-se na margem, procurando sempre seguir a disposição do texto em tinta. Se o verso for muito extenso e ocupar mais de uma linha em braille, o excesso não deverá começar, na linha imediata, antes do terceiro espaço.

EXEMPLOS:

Exemplos

Quando um texto tem versos que se iniciam mais à direita e versos começados mais à esquerda, aqueles não deverão iniciar-se antes do quinto espaço. Se forem muito extensos, a sua continuação não deverá ter lugar antes do sétimo espaço.

EXEMPLO:

Exemplos

6 - Estrofes

As estrofes separam-se entre si geralmente por linha em branco. No caso de poemas formados por estrofes com número variável de versos, sempre que o final de uma estrofe coincida com a última linha da página braille, deve deixar-se em branco a primeira linha da página seguinte.

7 - Versos num texto em prosa

Quando num texto em prosa ocorrem versos, deve-se dar-lhes a disposição adoptada no original.

a) Tratando-os como prosa, separados uns dos outros por barras.

EXEMPLO:
Exemplos

b) Escrevendo-os linha a linha.

EXEMPLO:
Exemplos


8 - Separadores de páginas

Na escrita em tinta empregam-se, às vezes, separadores de textos ou de partes de um texto. Nas edições braille, para o mesmo efeito, podem usar-se diversos grafismos.

EXEMPLOS:

Exemplos

9 - Paginação

Para paginar os textos braille reserva-se a primeira ou a última linha da página. O número coloca-se, geralmente, no extremo direito da linha ou no meio dela, podendo, nesta última posição, ser dispensado o emprego do sinal de número.

Sempre que se quiser aplicar ao livro braille a forma mais comum de numerar as páginas do livro em tinta, ou seja, nos extremos mais afastados da lombada, os números deverão manter, pelo menos, três espaços em branco à esquerda.

Quando sobre a página braille se indica o número da que lhe corresponde no texto em tinta – o que é sempre vantajoso nas obras didácticas – esta indicação deve figurar na mesma linha utilizada para a paginação braille, a partir da terceira célula. Se a página braille contiver texto de duas ou mais páginas do original em tinta, podem-se escrever os números da primeira e da última, ligados por hífen. (V. 55.)

Se os extremos da linha se ocupam com a paginação do livro braille e do livro em tinta, a parte central pode ser aproveitada para a inclusão de quaisquer referências; se a paginação do original não for representada e a paginação braille se faz somente nas páginas da direita, o restante da linha pode ser preenchido com texto. Num caso como em outro, é necessário manter uma distância não inferior a três espaços entre o texto e os números das páginas.

10 - Sinal de transpaginação

Sempre que o fim das páginas braille e em tinta não for coincidente, pode-se indicar a mudança de página do texto em transcrição, colocando, entre espaços, o sinal de transpaginação Exemplos (5 25).

EXEMPLOS:
Exemplos

Exemplos

Se a página em tinta terminar por uma palavra translineada, o sinal de transpaginação será colocado somente depois de toda a palavra escrita.

Quando se utilizam ambas as faces do papel e não se inclui a paginação do original em tinta, basta numerar as páginas ímpares.

11 - Notas ao texto

As notas ao texto devem escrever-se, sempre que possível, no rodapé da página braille em que ocorrem as respectivas referências.

As notas podem ser referenciadas por meio de números, letras, asteriscos, etc. Em braille, as referências colocam-se sempre entre parênteses e isoladas, por espaço em branco, relativamente à palavra ou expressão que é objecto da nota.

Nas transcrições para braille, as notas à margem devem ser convertidas em notas de pé de página. Para isso, é necessário referenciá-las, escolhendo-se um tipo de referência que permita distingui-las de outras notas de pé de página porventura existentes.

O texto das notas deve observar uma margem diferenciada de dois ou três espaços e ser separado do texto principal por uma linha de pontos que, partindo do primeiro espaço, preencha, pelo menos, um terço da linha.

Cada nota deve começar em novo parágrafo, com a indicação da respectiva referência.

Quando o texto de uma nota já não puder ser inserido no pé da página em que a referência aparece ou aí não couber integralmente, escreve-se, total ou parcialmente, no pé da página seguinte, também separado do texto principal por uma linha de pontos.

Pode acontecer que, na mesma página onde se insere total ou parcialmente uma nota com referência na página anterior, outras referências apareçam. Então, todas essas referências deverão formar uma seqüência ordenada que só terminará quando o final do texto da última nota ocorrer no final da página.

Se as notas forem extremamente frequentes ou muito extensas, também podem inserir-se no fim do capítulo ou do volume. Se for inserido no fim do volume, o texto das notas deverá então figurar em página nova e ser introduzido pelo título “notas”.


APÊNDICES
 

APÊNDICE 1

Escrita Braille em Contexto Informático



A ocorrência crescente de expressões informáticas na literatura quotidiana – endereços de Internet, correio electrónico, nomes de arquivos, etc. – gerou a necessidade de criar condições brailográficas que tornem fácil e clara sua leitura e escrita.

Para se alcançar esta finalidade, foi preparado um conjunto de símbolos e de regras para ser usado exclusivamente em contexto informático, o qual figura neste apêndice.

Por outro lado, a especificidade da simbologia didáctico desaconselha que os respectivos símbolos e regras se misturem com os demais símbolos e regras da escrita braille. Por isso, foi criado o sinal delimitador de contexto informático.



1 - Símbolos Usados em Contexto Informático

(ordem braille):

Símbolos Usados em Contexto Informático

 

2 - Observações e Normas de Aplicação:

2.1 - O sinal sinal (5 2) delimita a expressão didáctico que enquadra. No início desta, tem de ser precedido de espaço, se não ocorrer no princípio de uma linha; no fim da expressão, tem de ser seguido de espaço, caso não coincida com fim de linha.

EXEMPLOS:

Exemplos


2.2 - Considera-se til autónomo aquele que não afecta qualquer carácter. Escreve-se, portanto, explicitamente.

EXEMPLOS:

Exemplos


2.3 - O sinal sinal (46 36) representa o carácter “sublinhado” que não afeta qualquer outro carácter.

EXEMPLOS:

Exemplos


2.4 - O sinal sinal (456 36) indica o início de sublinhado e o sinal sinal (456 25) indica o fim de sublinhado seja de um carácter, seja de uma expressão.

EXEMPLOS:

Exemplos


2.5 - A barra vertical Sinais (456 123) só será precedida ou seguida de espaço se o for no original.

EXEMPLOS:
Exemplos


APÊNDICE 2

Símbolos Usados em outros Idiomas, Inexistentes em Português
ou Representados por Sinais Braille Diferentes

ALEMÃO
Alemão

DINAMARQUÊS
Dinamarquês

ESPANHOL

Espanhol

FRANCÊS

Francês

INGLÊS

Inglês


ITALIANO

Italiano

LATIM

Latim

SUECO

Sueco


 

APÊNDICE 3

Outros Alfabetos

 

1 - Alfabeto Grego Clássico

1.1 -

Alfabeto Grego Clássico


1.2 - Letras Arcaicas

Letras Arcaicas

 

1.3 - Sinais Diacríticos
O sinal Sinais Diacríticos (123456) tem aqui a função de referencial de posição.


Sinais Diacríticos



1.4 - Vogais Acentuadas

Vogais Acentuadas

2 - Alfabeto Hebraico


Alfabeto Hebraico

 

3 - Alfabeto Russo ou Cirílico Moderno
As maiúsculas e minúsculas representam-se, respectivamente, pelos sinais Alfabeto Russo ou Cirílico Moderno (45) e Alfabeto Russo ou Cirílico Moderno (5).


Alfabeto Russo ou Cirílico Moderno



Notas:
(1) O travessão significa que as letras em tinta são as mesmas que os sinais braille representam.
(2) Soa como uma semiconsoante seguida de um e semiaberto.
(3) Soa como uma semiconsoante seguida de um o semiaberto.
(4) É um i pós-vocálico.
(5) É um r simples.
(6) Soa como um h muito aspirado.
(7) O ponto 4 representa uma vírgula por cima da letra.
(8) É o sinal duro. Não tem representação em português.
(9) Soa entre i e e mudo.
(10) É o sinal brando. O h encontra-se depois de l e de n; o i depois de outras consoantes. Podem também ser grafados com uma vírgula por cima da letra ou, ainda, não ter representação.
(11) Soa como uma semiconsoante seguida de um u.
(12) Soa como uma semiconsoante seguida de um a.


APÊNDICE 4

Sinais Convencionais Usados em Esperanto e Outras Línguas

 

Sinais Convencionais Usados em Esperanto e Outras Línguas

 

FIM

 

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Fonte: Instituto Benjamin Constant - 2002

Adaptado por Equipa DV - Coimbra, 2006-2007

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5.Fev.2007
publicado por MJA