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 Sobre a Deficiência Visual

A Educação Precoce da Criança Cega

Obra Social de la Caja de Pensiones de Espanha

bebé cego com a mãe
 


Tenho um mês

Mamã, gosto de ouvir a tua voz, gosto que me toques quando me dás de comer, quando me mudas de roupa, quando brincas comigo. As tuas carícias dão-me muito prazer. Devagarinho acaricia-me as faces, as pernas, as costas e todo o corpo.

Gosto muito de me sentar no teu colo porque noto a tua ternura, o teu calor e o teu hálito suave sobre a minha bochechinha.

Como eu gosto, mamã, que me agarres nos teus braços com o amor que só tu me sabes dar e que eu noto através dos teus braços e da tua pele. Pega-me muitas vezes ao colo e diz-me ao mesmo tempo essas palavras tão bonitas junto ao meu ouvido.

Quando me alimentas ao peito ou ao biberão, fá-lo calmamente, não me agarres com demasiada força e deixa-me um braço livre para que eu possa mover a minha mão e tocar na tua. Mas, antes de mais delicia-te ao alimentares-me, já que para mim é um dos momentos melhores do dia.


Tenho dois meses

Deitado de barriguinha para baixo sinto-me muito bem e se tu me falas à altura dos meus ouvidos levantarei a cabeça para procurar-te. Também procurarei levantar a cabeça se fizeres sons agradáveis com uma roca ou uma campainha.

Se ao entrares no meu quarto me falas logo, eu notarei a tua presença imediatamente.

Se estou agitado e choro, acaricia-me para que possa sentir-te perto de mim. Agarra-me nos teus braços e diz-me coisas. Assim não tenho medo, pois a tua voz tranquiliza-me.

Começo já a sorrir, mas se tu não me animas os meus sorrisos são escassos. Fala-me, ri e faz-me cócegas. Gosto muito que m'as faças na barriguita e no pescoço.

Se me alimentares com biberão, faz com que o agarre com as minhas mãos, pois isso me ajudará a encontrá-las e a brincar com elas.

Assusto-me tanto! Se fizerem um ruído forte ou se me agarrarem bruscamente assusto-me e ponho-me a chorar desconsoladamente. Agarra-me, pois, com suavidade e protege-me dos ruídos fortes.

Mamã, não sei ainda explicar-me com as expressões da minha face, mas sei expressar-me com as mãos. Observa-me amiúde e aprenderás a interpretar todos os meus desejos e necessidades.


Tenho três meses

Já posso articular sons. Brinca comigo e põe as minhas mãos sobre a tua boca repetindo tu esses sons. Assim poderei ir-me dando conta, a pouco e pouco, de onde saem esses sons.

Quando me agarras nos braços, um tempinho, já posso segurar a cabeça, mas prefiro pôr a minha face contra a tua. Assim desta forma, podes falar e cantar docemente ao meu ouvido.

Fala-me, agarra-me nos braços. Gosto de ouvir a tua voz e de sentir a suavidade da tua pele.

Posso conhecer muitas coisas com a boca. Passa o teu dedo por ela.

Pendura diferentes objectos e brinquedos no berço, mas ajuda-me com a tua mão a procurá-los e a encontrá-los.

Gosto muito, mamã, de brincar contigo, os dois deitados ao comprido na cama grande ou no chão, enquanto me dizes coisas bonitas e me chamas para que eu levante a cabeça e faça força com os braços.

Como eu gosto de chapinhar no banho! Mas gostarei também algum dia de tomar banho contigo, mamã, e com o papá, já que eu tenho que aprender pouco a pouco, como sois.

Se me pões uma pulseira com guizo no pulso, o seu ruído fará com que procure a minha mão e brinque com ela. A pouco e pouco a reconhecerei.


Tenho quatro meses

Dá-me brinquedos que eu possa levar à boca, lamber... Também gosto de ter um pequeno trapézio com bolinhas que façam barulho, pendurado no meu berço. Assim poderei agarrá-lo se me tiveres ensinado como fazê-lo.

Necessito de conhecer outros lugares além do meu berço. Coloca-me no chão ou numa cadeira adequada à minha idade, onde os meus pés não fiquem pendurados e eu tenha um tabuleiro para colocar os brinquedos. Assim não cairão.

Um dos momentos mais agradáveis do dia é o banho. O meu corpo sente sensações novas: calor, a água que me cobre, que escorre pelas minhas mãos, pela minha cara... Que alegria ao descobrir que posso chapinhar e brincar com a água. Qualquer dia poderei tomar banho convosco. As sensações que me proporciona o vosso corpo são diferentes das da água. Desta forma, amparado pelos vossos braços, começarei a reconhecer tanto o corpo da mamã como o corpo do papá. Depois do banho, mamã, dá-me uma massagem suave por todo o corpo. Não deixes de o fazer, pois para mim é um momento de grande alegria. Ao mesmo tempo fala-me com voz doce ou canta-me uma canção.

Começo a tocar nos brinquedos que encontro com as minhas mãos. Pendura-os ao centro do berço para que facilmente os agarre e não chegue a ter as mãos vazias, para que encontre sempre algo divertido com que brincar.

Começo a rir, mas tens que me ajudar para que isso aconteça mais vezes, fazendo-me muitas cócegas e rindo ao mesmo tempo comigo.

Se me colocares de lado num cadeirão ou sofá, eu já serei capaz de me voltar de cara para cima. Festeja o acontecimento comigo.


Tenho cinco meses

Já como papas! Mostra-me onde está o prato, deixa-me tocar-lhe e pôr a mão lá dentro. Se eu gostar da comida é possível que a leve à boca.

Se estou acordado não me deixes só muito tempo. Leva-me ao compartimento onde tu estejas ou onde se encontra toda a família. Assim poderei ouvir as vossas vozes e poderão falar comigo.

Fala-me com frequência, dando entoação a tudo o que disseres. Eu ainda não entendo as tuas palavras, mas reconheço o tom da tua voz.

Põe-me no chão de barriguinha para baixo, com brinquedos à minha volta. Brinquemos juntos para encontrá-los e façamos ruídos com eles. Põe-me na mão brinquedos com música ou que façam barulho; agora já posso agarrá-los e levá-los à boca. Se, ao princípio o não fizer, ajuda-me tu a fazê-lo, enquanto me vais explicando.

Também podes pôr-me de costas em cima de uma bola grande de praia, agarrando-me as pernas e dobrando-as sobre a minha barriga. Então faz rodar suavemente a bola em todas as direcções e eu tentarei levantar a cabeça e assim me preparo para brevemente me sentar. Procura que não me canse. Ao mesmo tempo canta sempre as mesmas canções e diz as mesmas palavras ao fazer cada um dos movimentos.

Põe-me de lado num sofá com as costas apoiadas, coloca-te em frente de mim e chama-me, canta ou mostra-me um brinquedo sonoro, para que eu sozinho me volte para baixo para tocar-te ou agarrar o brinquedo. Isto será um grande esforço para mim, por isso terás que ajudar-me com uma mão a dar-me a volta para que eu perceba o que tenho que fazer.

Tenho que mover-me sozinho e portanto têm que incitar-me a fazê-lo. Podereis deitar-me na vossa cama de barriga para baixo. Então tu mamã, chama-me de um lado da cama e tu papá empurras suavemente as minhas pernas para que eu me desloque.

Quanto mais cedo experimentar o prazer do movimento, mais seguro me sentirei. Se quiserem podemos brincar a um jogo muito importante para mim. Mamã passa-me suavemente dos teus braços para os do papá como se fosse uma bola, entre cantigas e risos.

Tenho que aprender a estender a mão para procurar o brinquedo que faz ruído. Isto é difícil para mim, porque ao princípio não sei de onde vem o som. Faz-me muitos jogos que façam ruído e ajuda-me a dirigir a minha não para o brinquedo sonoro que eu já conheço.

Começo a perceber que no mundo além do papá e da mamã, existem outras pessoas. Entretenham-se a fazer-me conhecê-las e que estas por sua vez aprendam a brincar comigo.

Tenho os pés para descobrir. Brinca comigo, toca os meus pés, dá-lhes umas carinhosas palmaditas e sopra sobre eles para que sintam o teu hálito quente, enquanto vais dizendo o seu nome. Se passares uma escova suave sobre a planta do pé, desde os dedos até ao tornozelo, eu gostarei muito. Quando já tiver feito diversos jogos com os dois pés, continua ajudando-me com cada pé separadamente. Para atrair a minha atenção para um pé determinado podes pôr-me uma pulseira com guizo no tornozelo.


Tenho seis meses

Põe-me perto de mim diversos brinquedos que eu possa agarrar e levar à boca. Assim começarei a tocar-lhes e a saber como são. É necessário que os encontre sempre no mesmo lugar, no tabuleiro da minha cadeirinha.

Tenho que começar a orientar-me no meu quarto. Um despertador, um objecto sonoro nos cantos podem ser de grande ajuda.

Que divertido é ter uma roca na minha mão! Agarro-a com força e agito-a para ouvir o som.

Também agarro o biberão, sinto o calor do leite, o seu peso... e, quando como papas segura a minha mão e põe-na dentro do prato para que saiba como são.

"Palmas, palminhas olaré quem tem!". Esta e outras cantigas de que tanto gosto para brincar com as minhas mãos, bater palmas... É tão divertido!

Tu bates na mesa com um objecto, eu tenho outro na mão, e, de repente faço o mesmo que tu, mamã, bato com força... Muito bem, estou imitando, que contente que estás! A tua alegria faz-me feliz.

Pum! O brinquedo que eu tinha nas mãos caiu sobre a mesa. Eu não sei ainda o que se passou. Para que eu aprenda, deves repetir a mesma acção: pum! deixar cair o objecto ao pé da minha mão. Então tu apanha-lo e dá-mo para que eu toque de novo no brinquedo, enquanto me explicas o que fazes. Repete esta acção várias vezes ao dia, mas sempre fazendo como um jogo, pois eu levarei muito tempo a perceber o que se está passando.


Tenho sete meses

Gosto muito de estar no parque porque posso fazer força com os braços quando encontro as barras. É melhor que o meu parque seja quadrado e de madeira, para que possa reconhecer as esquinas.

Mas não me deixes muito tempo no parque. É melhor que esteja no chão sobre uma manta. No chão tenho mais espaço para descobrir e brincar.

Com a bola grande cheia de ar podemos brincar muito. Se m'a pões nas costas ou no peito ou se me sentas nela... tenho umas sensações muito divertidas e isto ajuda-me a perder o medo.

Coloca-me sobre o teu corpo e rolemos os dois pelo chão, dá-me segurança e ajuda-me a conhecer-te.

Quando brincares comigo às "palmas, palminhas" ou me cantares cantigas, põe-me sobre os teus joelhos. Sinto-me muito feliz e conheço melhor as tuas mãos.

Ah! Como gosto que me dês banho! Sinto a água quando cai sobre o meu corpo, o som que faz quando a agitas, o seu calor. Aproveita quando me deres banho para tocar-me suavemente e fazer-me cócegas.

Quando estou limpo e seco, deves dar-me ligeiras massagens pelo meu corpo todo. Com cuidado, pouco a pouco, e se o fizeres com óleo ainda gostarei mais.

Se me deres uma bolacha ou um pedaço de pão, só o levarei à boca se antes me tiveres ensinado a fazê-lo.

Quando estiver a brincar sozinho e me quiseres agarrar, diz-me algumas palavras antes, porque eu não te vejo e poderia assustar-me muito.

"Cu-Cu!" Quando a mamã me pega ao colo, tu papá, escondes-te atrás dela e fazes com que te procure. Também podemos esconder-nos tu e eu mamã, dentro da cama grande, debaixo do lençol. Então o papá chama-nos, destapa-nos e dá-nos um grande abraço.

Todos os dias vamos ao parque. Como eu gosto de sair, passear e ouvir as vozes de outras pessoas, especialmente das crianças que estão perto!

"Tic-tac" faz o despertador. Deves pô-lo perto do meu ouvido e fazer com que lhe toque com a mão. Qualquer objecto sonoro me estimulará a que o agarre e lhe toque. Brincamos com diversos objectos. Põe-mos na minha mão mas pede-mos em seguida e tira-mos. Assim vou aprendendo a reconhecê-los.


Tenho oito meses

Agora já posso estar sentado longos momentos. Quando estiver na minha cadeira dá-me uma caixa com brinquedos dentro; quando me tiveres mostrado tentarei agarrá-los e deitá-los fora. Assim irei habituando o meu tacto e o meu ouvido e aprenderei a combiná-los. Também poderás colocar uma campainha na mesa. Ao princípio não sei por onde devo agarrá-la, mas conseguirei se me ensinares.

Agora que começo a reconhecer os objectos que toco podes atar uma fitinha no meu pulso e pendurares nela um brinquedo ou outra coisa que irás mudando e de que me irás dizendo o nome. Assim aprenderei a procurá-lo e a conhecê-lo.

Gosto muito que brinquem comigo e que me falem. Muitas vezes, tento responder e articulo sons. Cada dia me interessam mais as coisas de casa, mas também gosto muito de passear e ir ao parque.

Tenho que começar a mastigar. Não tritures toda a minha comida. Corta-a em pedacinhos pequenos. Assim poderei tocar-lhes e agarrá-los com os meus dentes.

Um jogo de que gosto muito é o de repetir sílabas "da-da" "pa-pa" que podes estimular repetindo-as para fazer-me compreender como podemos comunicar.

Senta-me no chão com diversos brinquedos ao meu lado e duas tampas ou tachos de alumínio que façam muito barulho. Dar-me-ei conta de que os brinquedos podem cair dentro do tacho quando me ensinares a pôr as mãos em cima e dentro deles. Tira tu primeiro o brinquedo de dentro para que eu perceba o que acontece depois de o teres repetido muitas vezes.

Tenho um objecto na mão, tu pões um lenço em cima e fazes que com a outra mão que tenho livre consiga sozinho retirar o lenço.

Tu tens uma campainha na mão e eu outra. Fá-la soar e espera um momento observando o que faço. Se permaneço quieto, acompanha a minha mão e faz soar a campainha. Repete o jogo várias vezes com este e outros brinquedos sonoros. Não deixes de ir explicando e sobretudo mostra a tua alegria.

Começo a sentir medo quando oiço vozes e dou por outros braços que não são os vossos. Este medo será passageiro se, com carinho, me fizerem notar quem são as outras pessoas e, ao mesmo tempo, me mostrarem o vosso grande amor por mim.

Quando eu tiver uma bolacha na mão podes pedir-ma e fazer o jogo tão divertido "dás? dás?" para que eu possa ir aprendendo que as coisas se recebem, mas também se dão.


Tenho nove meses

Posso começar a gatinhar, mas às vezes, não consigo sozinho. Quando quiseres pega-me antes suavemente. Mamã, pega-me e ajuda-me!

Já estou mais crescido. Quando me dás papa, meto as mãos dentro do prato, mas se me deres uma colher eu agarro-a e não a deixo cair.

Quando eu estiver sentado no chão com as pernas abertas, põe entre elas alguns brinquedos que irás puxando até aos meus pés para que me incline e consiga agarrá-los sem cair.

Ah! agora já sei o que se pretende com o jogo anterior. Até o podemos fazer ainda mais divertido. Coloca os brinquedos à minha direita e depois à minha esquerda e chama a minha atenção para que eu os encontre sozinho.

Gosto muito de rastejar convosco, dar cambalhotas, andar de gatas; com isso faço-me forte e divirto-me. Não tenham medo que me magoe! Depressa conhecerei bem os móveis da casa se não os mudares de sítio. A vossa alegria perante as minhas novas descobertas ajudar-me-á a não ser um menino medroso.

Conseguirei orientar-me melhor se me explicares todos os obstáculos para que possa superá-los sozinho; se pelo contrário andar sempre ao colo, perco as referências espaciais.

O banho pode ser muito agradável. Se fores tocando cada parte do meu corpo, eu também procurarei fazê-lo e sentir-me-ei muito feliz ao ir descobrindo como sou e ao poder comparar-me contigo.

Também posso começar a procurar um copo ou um prato que estão na mesa. Lembra-te de pô-los sempre no mesmo sítio para que seja fácil encontrá-los.

É divertido brincar ao "cu-cu", com um lenço sobre a minha cara, ou procurar a tua voz quando estás atrás do papá. Este tipo de sensações são necessárias para que eu saiba e experimente várias formas de conhecimento.


Tenho dez meses

Cada vez é mais importante para mim que me faças notar todas as diferentes sensações que o meu corpo pode experimentar, para que eu as conheça por mim próprio quanto antes. Podes continuar a dar-me aquelas massagens de que eu tanto gosto e também cócegas, mas não apenas com os dedos, mas também com lenços, fitas, cordões, a ponta da toalha...

Já distingo alguns dos meus brinquedos. Mas lembra-te de não me dares sempre os mesmos para que eu possa conhecer os seus diferentes ruídos, os húmidos e os secos, os rugosos e os lisos e possa assim estabelecer as minhas próprias referências.

Gosto de ouvir a voz de outros meninos. Quando formos ao parque, senta-me na areia ou na relva, mas perto de outros meninos que estejam a brincar.

Sempre que me deres brinquedos novos ou objectos, explica-me o que são e como são de modo que eu possa compreender.

Proporciona-me muitas e variadas formas de movimento; isto, além de me fazer forte dar-me-á muita segurança acerca das minhas possibilidades.

Os meus sapatos devem estar bem ajustados ao pé; a sola deverá ser de um material pouco grosso e que faça um pouco de ruído quando ando; assim poderei ir reconhecendo as diferentes superfícies do piso.

Continuamos e continuaremos a deitar ao chão objectos, até que eu mova a cabeça na direcção em que o objecto caiu e comece a apalpar o chão, momento que aproveitarás para ajudar-me a fazer com que a minha procura tenha êxito. Para me felicitares deves dar-me um forte abraço.


Tenho onze meses

Quando agarrar alguma comida com a mão põe-me uma colher na outra mão e devagar ajuda-me a levá-la à boca; assim trabalham as duas mãos, uma depois da outra.

Se estiver gatinhando e parar, aproxima-me uma cadeira e anima-me para que me segure e faça força como se quisesse levantar-me.

Gosto de estar de joelhos no teu colo; é uma coisa que me custa e me obriga a fazer uma grande força, mas os teus braços e a tua voz animam-me a fazê-lo.

Quando me vestires, põe algumas peças na minha mão. Enquanto brinco com elas, diz-me qual é e onde se põe ao mesmo tempo que me fazes cócegas nessa parte do corpo.

Começo a conhecer os locais, especialmente os que mais me divertem: onde brinco, onde como, o jardim onde estão outros meninos. Diz-me sempre em que local nos encontramos.

Que divertido é o banho! Deito água por cima de mim e salpico-me com ela. Põe brinquedos e panelas de diversos tamanhos dentro da água; será uma experiência muito interessante para mim.

Começo a compreender algumas palavras. Ajuda-me a relacionadas com as pessoas e as coisas. Põe as minhas mãos em contacto com o mais simples e concreto que eu possa entender. Gosto que me perguntes onde tenho o cabelo, o nariz, as mãos ou qualquer outra parte do corpo. Ensina-me como posso tocar-lhes e depois espera que faça o que me pedes.

Também me diverte que me deites no chão para que eu, em cima de ti, dê voltas e toque o teu corpo; assim irei percebendo como tu vês, que tamanho tens e a maneira como te moves.


Estou entre um ano e um ano e meio

Hoje faço um ano! A alegria que sinto deveis aumentá-la com esperança. Vamos festejar o meu aniversário com amigos e familiares. Assim demonstrarei a mim e a todos como eu sou importante para vós.

Podemos inventar um jogo com uma taça e umas bolas dentro. Vais ensinar-me a metê-las e a tirá-las. E, como escorregam tanto, ajudar-me-ás a consegui-lo se me fores animando com palavras carinhosas.

Se vês que quero começar a pôr-me de pé, ajuda-me dirigindo as minhas mãos para o móvel e, se chorar, senta-me porque às vezes sucede que não sei fazê-lo sozinho. Se consigo pôr-me de pé, agarra-me debaixo dos braços para que possa dar um passo... Vocês dão-me a força e o impulso, mas esforçar-me-ei se os vir animados e alegres.

Quando me vires de pé, agarrado a algum móvel, oferece-me algo que eu goste muito e estimula-me a agarrá-lo. Verás como sem dar por isso soltarei uma mão para alcança-lo.

Também podemos brincar atirando tu um brinquedo ao chão e eu abaixo-me para apanhá-lo.

Duas cadeiras, uma em frente da outra, serão um bom espaço, que me ajudará a dar alguns passos com segurança. Depressa começarei a andar. Contudo às vezes caio, mas cada dia sinto-me mais seguro. A tua voz e as tuas mãos são uma grande ajuda e quando te oiço sinto desejo de ir ter contigo.

Começo a imitar sons e palavras. Quando o fizer responde-me e faz o mesmo que eu. Quando jogamos com as palavras, parece que estamos a conversar os dois.

Gosto muito de andar agarrado às cadeira. Os móveis que há em casa ajudam-me a pôr-me de pé.

É agradável ouvir a voz dos que estão em casa. Por ela sei que estão ao meu lado ainda que não os veja. Pouco a pouco aprendi a reconhecer pela voz a mamã, o papá, a avó, a mana.

Começo a ter maior destreza com as minhas mãos e os meus dedos. Dá-me brinquedos que eu irei reconhecendo, agarrá-los-ei e até algumas vezes posso metê-los numa caixa grande. Atirar os brinquedos ao chão é um jogo muito divertido. Cada um deles faz um ruído diferente que eu já começo a reconhecer.

Deves ensinar-me a bater dois paus um contra o outro. É muito difícil! Tenho que coordenar as duas mãos e fazer muita força.

Quando me deres brinquedos novos tem muita paciência a explicar-me como eles são. Pensa que preciso de tempo para reconhecê-los e muitas vezes canso-me antes de aprender ou ter-me divertido com eles.

Volta a brincar comigo e explica-me de novo onde tenho a boca, o nariz, os pés, as mãos. Já começo a saber, mas preciso que o repitas muitas vezes.

Lembra-te que deves procurar que eu brinque com outras crianças. A sua companhia é muito diferente da dos adultos. As suas vozes e os seus gritos são parecidos com os meus. Gostava que outros meninos se interessassem por mim.


Tenho mais de um ano e meio

Agora já ando sozinho. Quando encontro uma cadeira ou um sofá, subo e desço deles como me ensinaste. Já sei onde devo agarrar-me. Algumas vezes caio, mas não me magoo.

Quando ando, ainda não estendo as mãos para não me magoar, mas não te preocupes porque depressa aprenderei.

Gosto muito dos brinquedos, mas não tanto como de brincar com água ou com areia.

As coisas que têm rodas agradam-me para andar, especialmente aquelas que eu posso arrastar sozinho.

Algumas vezes estou inquieto. Antes de adormecer mexo-me muito, choro e não sei o que tenho. Não é estranho. Custa-me a perceber o que se passa à minha volta. O que mais me tranquiliza é sentir-te ao meu lado, com a tua voz falando-me docemente. O que mais me tranquiliza é que me ames e aceites tal como sou.

Quando ando por casa, deixa-me tocar as coisas que estão ao meu alcance. Se tu me ajudas, me explicas como são e me dizes para que servem, aprenderei a conhecê-las mais depressa. Não te esqueças que, para que eu aprenda como são as coisas pelo tacto, demoro um pouco mais do que os meninos que vêem. Tem muita paciência e confiança em mim.

Já sei que às vezes tens medo que eu caia e me magoe. Deves explicar-me os perigos que há, mas não me proíbas que faça coisas, porque posso tornar-me um menino medroso. O mais importante é que confies em mim.

Lembra-te que para além das coisas de casa, gosto de conhecer tudo. Ir ao parque ouvir os outros meninos, subir escadas, andar no escorrega. Assim poderei conhecer este mundo tão grande e desconhecido para mim.

Já começo a subir escadas sem ajuda. Faço-o arrastando-me e sentando-me nos degraus ou agarrado ao corrimão. Quando descanso faço-o com os dois pés juntos, se estou de pé, pois sou muito pequeno para coordená-los. Quando faço estas coisas gosto que olhes para mim e me estimules.

Já digo algumas palavras! Ensina-me a dizer as que mais gosto: mamã, papá, etc. É importante que quando me ensinas jogos ou as coisas que há em casa, pronuncies muito claramente o nome que têm para que quando eu fale saiba o que estou dizendo.

Se vês que me ponho a repetir palavras sem nenhum sentido, distrai-me, faz-me brincar porque é sinal de que não sei o que hei-de fazer e estou aborrecido.

Gosto cada vez mais de música. É bom que a oiça de vez em quando, mas lembra-te que devo aprender a brincar, a andar, a comer... e que muitas vezes me custa. Pelo contrário, ouvir música não representa nenhum esforço para mim e acostumo-me a ela.

Há dias que estou alegre e muito activo, mas... há outros em que parece que não sei fazer nada. É que às vezes, canso-me e não quero trabalhar, nem brincar, nem fazer nada. Tem paciência, por favor, quando eu for mais crescido e pudermos falar, colaborarei mais.

Está na altura de começar a sentar-me um bocadinho cada dia no bacio, para me ir acostumando a fazer nele as minhas necessidades. Para isso naturalmente sigo um ritmo. É necessário, pois, que me observes uns dias e me sentes nele sempre à mesma hora. Não te preocupes se me custar entender-te, mas se ao contrário o consigo felicita-me. Nos primeiros dias poderás pôr o bacio no teu colo, para que eu não estranhe este objecto.

Quando estiver bom tempo, não me ponhas fraldas. Tenho que começar a sentir o chichi para poder compreender que devo pedi-lo antes de fazê-lo. Anima-me! Ainda que não perceba logo, as tuas palavras serão uma grande ajuda.


Tenho três anos

Às vezes oiço palavras que logo repito mas não sei que querem dizer. É, pois, necessário que sempre me faças entender o seu significado, tocando o objecto ou fazendo que realize aquilo que digo (pentear, cozinhar...) mas, sobretudo ensinar-me como se se tratasse de um jogo.

Estou muito contente porque já posso fazer pequenas coisas em casa... levar o pão para a mesa, um copo para a cozinha; tirar fruta do frigorífico... Quando faço estes pequenos trabalhos sinto-me mais crescido e adquiro grande segurança.

Gosto de abrir e fechar a torneira da água e encher um copo ou subir a uma cadeira para ir buscar um brinquedo; para fazê-lo, preciso que vocês, papás, me dêem confiança e segurança. Se vocês não tiverem medo, eu também não terei.

Hei-de aprender a correr, a subir pequenos desníveis, a andar de triciclo; todos estes exercícios farão com que o meu corpo fortaleça. Ajuda-me para que faça tudo isso e sobretudo para que não tenha medo.

Os jogos de imitação (com bonecos, comboios, carros) permitem-me repetir coisas que vocês fazem todos os dias. Muitas vezes, porque não vejo custa-me fazer o que fazem os outros, mas se me ensinares, aprenderei logo e fá-lo-ei sozinho.

Já estou mais crescido e um novo mundo se abre para mim. "O Jardim Infantil". Ali aprenderei a conviver com os outros, a saber que existem meninos que fazem muitas coisas de que eu gosto, e que juntos iremos crescendo com muita alegria!

 

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In «Cadernos para la Education del Deficiente Sensorial»
Editado pela "Obra Social de la Caja de Pensiones" - Espanha.

 

 

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publicado por MJA