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Conceitos - Aquisição Básica
para a Orientação e Mobilidade


Prof.ª Ivete De Masi
 


Enquanto as pessoas videntes formam e comprovam muitos conceitos informalmente, as pessoas com deficiência visual necessitam de uma apresentação estruturada dos mesmos para assegurar um desenvolvimento adequado dos fundamentos a eles relacionados (WELSH; BLASH, 1980).

Conceitos básicos relacionados à Orientação e Mobilidade são necessários para a pessoa com deficiência visual movimentar-se com segurança e eficiência. O conhecimento corporal, por exemplo, é fundamental, devendo-se dar especial atenção a: esquema corporal, conceito corporal, imagem corporal, planos do corpo e suas partes, lateralidade e direcionalidade.

Esses conceitos devem ser enriquecidos com outros da mesma importância, como: posição e relação com o espaço, forma, medidas e ações, ambiente, topografia, textura e temperatura.

De acordo com GARCIA (2001) é necessário ressaltar que a criança cega tem poucas oportunidades de explorar seu corpo e o ambiente que a rodeia. Sua passividade e falta de curiosidade podem ser atribuídas ao medo de se mexer e à falta de motivação para explorar o espaço em que vive.

Essa insegurança é proveniente da falta de estímulo e faz com que a criança com deficiência visual apresente um processo de desenvolvimento mais lento. Assim, os programas de atendimento devem ser individualizados e terem como referência o estudo de caso, no qual sejam adequadamente investigados os aspectos bio-psico-sociais, condições sensório-motoras e história de vida. A partir desses dados devem ser oferecidas atividades variadas para propiciar o desenvolvimento das habilidades para perceber e discriminar similaridades no processo perceptual que são fundamentais para a formação de conceitos (WELSH, 1980).

São identificados três níveis de realização para a formação de conceitos, segundo SCHEFFER (1995):

  • concreto: habilidade para identificar características específicas de um objeto,
  • funcional (experiência): para identificar o que o objeto faz e o que se pode fazer com o objeto,
  • abstracto: síntese das maiores características do objeto.

O professor deve ser capaz de identificar a extensão e a variedade de conceitos que parecem faltar em muitas crianças com deficiência visual e a terminologia que pode confundir esta criança. E importante, no entanto, que sejam enfatizados aqueles conceitos que são mais significativos para a mobilidade.


FORMAÇÃO DE CONCEITO CORPORAL

Formar conceitos de espaço e objetos no espaço depende em grande parte do relacionamento do objeto com o observador. O indivíduo percebe objetos a partir de um ponto de vista egocêntrico, usando os termos acima, abaixo, em frente, lado esquerdo, direito o que depende do desenvolvimento da consciência corporal. Esta, envolve a imagem corporal, o conceito e a concepção corporal - elementos essenciais e independentes para a percepção das relações espaciais.

  • Imagem corporal: experiência subjetiva do próprio corpo que envolve sentimentos acerca de si mesmo: atraente, baixo, obeso, musculoso, proporcional, gracioso, etc, com base em fatores emocionais, interações e aspirações sociais e valores culturais. A auto-imagem pode diferir consideravelmente da imagem real. O adolescente pode ter apenas uma pequena mancha, mas achar que todo o seu rosto está coberto com horrorosas espinhas que todos percebem.
  • Conceito corporal: conhecimento do próprio corpo, adquirido por um processo de aprendizagem consciente, que inclui a habilidade de identificar partes do corpo: pernas, braços, joelhos, nariz, orelhas, cabelo, etc, sua localização e funções.
  • Concepção do corpo: que é inconsciente e muda constantemente, também chamadas sensações proprioceptivas, serve para tomar conhecimento do corpo: posição dos músculos, relação das partes do corpo entre si e com a força de gravidade.

O equilíbrio da pessoa depende da concepção corporal. Se estiver perturbada, haverá dificuldade em fazer movimentos coordenados como andar, sentar-se ou inclinar-se.

Os conceitos corporais formam a base dos conceitos espaciais e direcionais, fatores centrais no processo de orientar-se e na mobilidade.

A imagem corporal equivale ao conceito corporal.

Cinco componentes devem ser levados em consideração:

  • planos do corpo: habilidade de identificar a frente, costas, topo e base do corpo, em relação a superfícies externas, e objetos em relação a planos do corpo;
  • partes do corpo: identificar; movimento do corpo: movimentos toscos em relação aos planos do corpo e aos movimentos dos membros;
  • lateralidade: se a criança cega identifica com precisão as partes esquerda e direita de seu corpo e consegue mover-se de tal modo que seu lado ou mão esquerda ou direita estejam mais próximos de objetos e a maneira como consegue colocar objetos em relação a seu lado esquerdo e direito enquanto permanece num local;
  • imagem corporal, direcionalidade: como a criança identifica o lado esquerdo e direito de objetos e de pessoas.

Para a formação de conceitos corporais é importante conhecer as partes, funções, superfícies, relação de partes e de movimento do corpo.

A criança com deficiência visual terá a oportunidade de dominar esses conceitos com o auxílio do professor que ao programar as atividades deverá se preocupar em incluir os itens assinalados no quadro abaixo, de acordo com as necessidades específicas de seus alunos:

 


A criança deficiente visual deve identificar as partes do corpo e descrever suas funções:

ouvidos para ouvir sons; fala para dizer coisas; mãos para agarrar, segurar e manipular; pernas para sustentar o corpo em pé e auxiliar para caminhar, correr, etc; dentes para morder e mastigar alimentos; nariz para respirar e sentir odores.

Superfícies do corpo: anterior ou frontal, posterior ou traseira, lateral, superior ou em cima, acima, inferior ou embaixo.

Posição das partes do corpo: cabelo no topo da cabeça; joelho acima do pé; nariz no centro do rosto; antebraço entre o cotovelo e o punho; queixo abaixo da boca.

É preciso movimentar e vivenciar as partes do corpo ou superfícies do corpo pelas articulações: dobrar o braço no cotovelo, erguer os dedos do pé, curvar o corpo lentamente para frente, andar para trás, colocar as mãos nos quadris.


FORMAÇÃO DE CONCEITOS ESPACIAIS

À medida que a criança desenvolve o conhecimento do próprio corpo vai formando conceito corporal mais exato de suas posições e relações.

Para a criança com deficiência visual é particularmente importante que ela saiba relacionar o seu corpo com o espaço que a rodeia.

A construção do espaço pela criança requer longa preparação e se realiza pela liberação progressiva dos egocentrismos.

Na construção dos conceitos espaciais é necessário levar em consideração:

  1. Espaço Corporal: a consciência das posições, direções e distâncias em relação a seu corpo.
    Utilizando o seu próprio corpo como referência, a criança localiza objetos a partir de relações entre eles (corpo-objeto) e coordenação de diferentes pontos de vista.
    Posteriormente passa do egocentrismo para a descentralização.
     
  2. Espaço de Ação: a orientação para a execução de movimentos.
    Para a criança, o espaço é essencialmente um espaço de ação; ela constrói suas primeiras noções espaciais, usando os conceitos - próximo, dentro, fora, em cima, embaixo, por meio dos: sentidos (tendo a visão como percepção primordial e o tato como complementar), seus deslocamentos como rolar, rastejar, engatinhar e andar.
    O espaço é o espaço vivido, prático, organizado e equilibrado quanto à ação e comportamento.
    Aos dois anos de idade, aproximadamente, há a possibilidade de substituir uma ação ou objeto por um símbolo, imagem ou palavra. A criança começa a construir o espaço representativo: ainda não consegue representar as ações, mesmo as mais simples, antes de executá-las.
     
  3. Espaço dos Objetos: posição dos objetos quanto à direção e distância, a partir do espaço corporal perceptivo.

    O espaço representativo abrange duas fases:
    espaço intuitivo, resultante da interiorização das ações espaciais em nível perceptivo, em que as representações são estáticas e irreversíveis. A criança não é capaz de identificar relações de reciprocidade nem coordenar diferentes pontos de vista.
    espaço operatório (operação mental).
    As relações espaciais possibilitam a construção de representações espaciais, topológicas, projetivas e euclidianas.

    Pelas relações topológicas, localiza objetos no espaço, utilizando termos como vizinho de, ao lado de, dentro de, fora de e outros.
    São consideradas relações topográficas elementares: de vizinhança - elementos percebidos no mesmo campo, próximos uns dos outros. Ex.: a bola está dentro da caixa; de separação: a criança percebe que objetos, embora vizinhos, são dissociados - ocupam espaço e posição distinta e não se sobrepõem. Esta capacidade aumenta com a idade. Ex.: a bola está entre a caixa e o livro.
    Relações Projetivas: conceitos de - perto, longe, direita e esquerda, frente e atrás, que possibilitam a coordenação dos objetos entre si num sistema de referência móvel, construída pela criança ou por outro.
     
  4. Espaço Geométrico: orientação a partir das experiências concretas, utilizando os conceitos geométricos para elaboração de mapas mentais, a partir de algum sistema de coordenação ou direção, aplicável em diferentes áreas.

    A criança evolui da orientação corporal para a geométrica, estabelecendo as direções norte, sul, leste e oeste, num espaço tridimensional ou numa superfície plana (planta da casa ou mapa).
    O espaço perceptivo se constrói em contato com o objeto e o representativo, na sua ausência.
    Essa construção requer concepções geométricas dos elementos da figura (linha, ângulos), que não são elaborados por crianças menores de oito anos.
     
  5. Espaço Abstrato: capacidade de manejo dos conceitos para elaboração de rotas, traçados de plantas, mapas e outros.

    A criança com deficiência visual tem dificuldade de construir os conceitos espaciais, o que interfere diretamente na orientação e mobilidade. Geralmente ela tem dificuldade de sair de si mesma e compreender o mundo que a rodeia.

    Os conceitos espaciais são excelentes auxiliares na orientação e mobilidade. O professor mediador deve levar o aluno cego a realizar atividades que facilitem sua compreensão e interiorização:
    Anterior - frente, em frente de, em face de, de frente, para frente, diante, à frente.
    Posterior - atrás, por trás, posterior, para trás, depois.
    Superior - em cima, acima, sobre, par acima, alto, ascendente.
    Inferior - de baixo, abaixo, sob, para baixo, baixo, descendente, debaixo de, por baixo de.
    Lateral - direito, esquerdo, lateralmente a, ao longo de, ao lado de.
    Proximidade - próximo, próximo a, ao lado de, afastado de, distante, longe, rente, perto de, aqui, lá, em oposição a.
    Interno - para dentro de, dentro, no interior de, dentro de, interno, para o interior.
    Externo - fora, externamente, fora de, externo, exterior.
    Outros - sentido horário, anti-horário, oposto, através de, paralelo, perpendicular, ao redor de, na direção de, de cabeça para baixo, meio, entre, no meio, centro, sobre, distante, anterior, posterior, superior, inferior, interior, adjacente, medial, mediano, pontos cardeais: norte, sul, leste, oeste; colaterais: nordeste, noroeste, sudeste, sudoeste.

    Os conceitos de forma são extremamente importantes, quando o aluno deficiente visual começa a identificar objetos e utilizá-los para locomoção, como configurações da sala de aula, da escola, da rua, padrões de grades, edifícios e outros. As formas mais importantes para orientação e mobilidade são:
    Primária - círculo, retângulo, quadrado, triângulo, ovalóide.
    Secundária - esfera, cilindro, cubo (cúbico), pirâmide (sólidos geométricos), cone.
    Termos descritivos - retangular, esférica, circular, quadrangular.
    Objetos Específicos - em forma de pêra, coração, anel, caixa.
    Letras usadas para descrever formas e intersecções - I, H, L, O, S, T, V, U, X, Y.
    Linhas Geométricas - paralelas, retas, diagonais, perpendiculares, curvas, quebradas.


FORMAÇÃO DE CONCEITOS DE MEDIDA

Os conceitos de medida também são extremamente importantes na vida diária e para a orientação e mobilidade independente da criança ser ou não portadora de deficiência visual.
 


Em mobilidade é importante compreender vários termos relacionados às ações para ordens, descrever e manter a orientação dos alunos.


FORMAÇÃO DE CONCEITOS ESPACIAIS QUE INDICAM AÇÕES OU MOVIMENTOS

Voltas - volta de 45°; (Vi), de 90°; (ângulo reto), volta de 180°; (½), 360°; volta inteira ou completa.

Ação - movimento, apressar-se, arrastar-se, engatinhar, rolar, estender-se, curvar-se, deitar-se, sentar-se, ficar em pé, agachar-se, ajoelhar-se, debruçar-se.

Posição - desviar-se, virar, andar, correr, saltitar, saltar, subir, marchar, pular, movimentos: para frente, para trás, diagonal, para cima, para baixo, paralelo, pôr, colocar, agarrar, empurrar, puxar, balançar.

O movimento através do ambiente requer compreensão do corpo, dos conceitos espaciais básicos, do que existe no ambiente, podendo ser ponto de referência para descrições gerais sobre o movimento.


FORMAÇÃO DE CONCEITOS AMBIENTAIS

As listas de conceitos ambientais são extensas, entretanto, só foram arrolados aqueles que estão diretamente relacionados ao percurso e à orientação e mobilidade. Alguns são específicos da área geográfica como toalete, vaso sanitário e outros; são conceitos ambientais de objetos, relacionados à locomoção das pessoas:



 

FORMAÇÃO DE CONCEITOS AMBIENTAIS TOPOGRÁFICOS

Os conceitos topográficos servem para a compreensão do ambiente e como pontos de referência, indicando, por exemplo, como atingir uma inclinação no meio do quarteirão para localizar a calçada.
 


FORMAÇÃO DE CONCEITOS DE TEXTURAS

Os conceitos ambientais de textura são usados em situações de mobilidade em qualquer ambiente. No uso da bengala é importante a ressonância, o som, a aderência e a técnica de toque poderá ser modificada, a partir da textura da superfície.



FORMAÇÃO DE CONCEITOS DE TEMPERATURA
 


O professor deve incluir tais conceitos em seus programas pedagógicos de acordo com a idade, vivência, interesses e necessidades das crianças. Foi levantado um grande número de conceitos envolvidos na orientação e mobilidade, mas as crianças não precisarão dominar todos eles.

Alguns conceitos poderão ser desenvolvidos por meio de atividades utilizando mapas táteis, maquetes, modelos esquematizados, miniaturas, jogos de construção, figuras geométricas bidimensionais e tridimensionais.

Os conceitos devem ser desenvolvidos por meio de vivência, ação, participação em atividades físicas, esportivas, e recreativas, com brinquedos e brincadeiras onde os movimentos básicos são amplamente contemplados como: rastejar, andar, engatinhar, escorregar, saltar, correr, rolar, trepar, puxar, empurrar, balançar e outros.


PROPORCIONANDO CONDIÇÕES PARA 0 DESENVOLVIMENTO DE CONCEITOS

Inicialmente, é importante fazer uma avaliação do aluno, verificando quais dificuldades ele apresenta e, a partir daí, organizar atividades que favoreçam a formação dos conceitos necessários.

Quando solicitado a descrever um conceito, o aluno pode fazê-lo adequadamente (verbalismo), sem conseguir aplicá-lo. Conceitos inadequados da escola não possibilitam ao aluno andar livremente, dominar seu tamanho, peculiaridades da construção e formar o mapa mental da rota a seguir. É extremamente importante que o professor avalie não apenas a compreensão verbal, mas também a resposta funcional de um conceito para elaborar programas de orientação e mobilidade para seus alunos cegos.

(...) um verbalismo pode ser o resultado de conceitos imprecisos e/ou vagos resultantes de experiência sensorial insuficiente (HARLEY, 1986:49).


SUGESTÕES DE ATIVIDADES CONCEITO DE ESPAÇO: EMBAIXO (sob)

A fim de oferecer condições para a formação de conceitos, o professor ao programar suas atividades poderá basear-se na sequência sugerida por SCHEFFER (1995), a saber:

Definição: - posição abaixo: - situada abaixo

Meta: - domínio do conceito de espaço


1 - Desenvolvimento de Experiências

Lição 1 -a pessoa consigo mesma

Local: - Sala de aula com tapete/esteira e cadeira

Por meio de demonstração e elaboração de questões dirigidas ao aluno:

a) Sentar em uma cadeira
- pôr a mão embaixo do queixo,
- pôr a mão embaixo do pé,
- movimentar as mãos de maneira que elas fiquem embaixo da cadeira.

b) Deitar de costas
- pôr as mãos embaixo da cabeça,
- pôr as mãos embaixo das costas.

c) Deitar sobre o estômago
- pôr as mãos embaixo do estômago.

Fazer com que o aluno pense a respeito de partes do corpo que possam estar embaixo das outras partes do seu próprio corpo.


Lição 2 -a pessoa como um todo e o objeto.

Local: - sala de aula com mesa, almofadas grandes/cadeira de balanço e carteiras.

a) Solicitar ao aluno para:

- ficar embaixo da mesa,
- ficar embaixo de um travesseiro grande ou cadeira.
Perguntar ao aluno quais os outros lugares da sala em que ele pode estar embaixo.

Local: - playground com labirinto vertical (trepa-trepa) e escorregador.

b) No playground o aluno deve:

- ficar embaixo da estrutura do labirinto vertical,
- ficar embaixo do escorregador.
Perguntar ao aluno aonde mais, nesse espaço ele é capaz de ficar embaixo.
Jogo esconde-esconde - fazer voltas embaixo dos objetos.


2 - Desenvolvimento Concreto

Objetivo: - o aluno deverá demonstrar domínio do conceito EMBAIXO pela manifestação correta de modelos e objetos.

Lição 3 -Pessoa para Objeto (manipulação)

Local: - sala de aula com mesa, caixas, livros, copo, etc.

a) o aluno tem de:
- pôr a caixa embaixo da mão,
- pôr a mão embaixo da caixa,
- pôr a mão embaixo do livro,
- pôr o livro embaixo da mão.

Perguntar ao aluno o que mais ele é capaz de pôr EMBAIXO de sua mão, entre os objetos disponíveis na sala (ex.: xícara, caixa, copo, etc).


Lição 4 - Objeto para Objeto

Local: - sala de aula com mesa, cadeira, caixa, livro, copo, etc.

a) solicitar ao aluno para:
- pôr a caixa embaixo da mesa,
- pôr o livro embaixo da cadeira,
- pôr o copo embaixo da caixa e ambos sob a mesa.
Jogo esconde-esconde com os objetos que são escondidos EMBAIXO das caixas.


3 - Desenvolvimento abstrato

Objetivo: O aluno deverá demonstrar conhecimento do conceito EMBAIXO no contexto de vida normal. Deverá também ser capaz de seguir instruções usando o conceito EMBAIXO de forma apropriada.

Local: - sala de aula

a) Pedir ao aluno para procurar a caixa de pintura no gabinete embaixo da pia da sala de aula.

b) Fazer cair um objeto da carteira do aluno. Pedir-lhe para apanhar o objeto que caiu embaixo da sua carteira.

c) Fazer com que o aluno procure um lápis embaixo de uma pilha de papéis em sua carteira e perguntar-lhe:
- Aonde você achou seu lápis?
O aluno responderá:
- Embaixo dos papéis da minha carteira.


CONCEITO DE ESPAÇO: EM CIMA (sobre)

Definição: - posição acima: - situada acima

Meta: - domínio do conceito de espaço - EM CIMA

1 - Desenvolvimento de Experiências

Lição 1 - a pessoa consigo mesma.

Objetivo: - o aluno deverá demonstrar seu conhecimento do conceito EM CIMA por meio de experiências reais com seu próprio corpo,

a) Pedir ao aluno para ficar em pé, e:

- Pôr um pé em cima do outro pé,
- Pôr a mão em cima da outra mão,
- Pôr a mão em cima do pé,
- Pôr uma parte do seu corpo em cima da outra parte (à sua escolha).

Sentado:
- Pôr a mão em cima da própria cabeça,
- Pôr um calcanhar em cima do seu dedão do pé,
- Pôr um dedo em cima do seu ombro,
- Pôr uma parte do seu corpo em cima de outra parte (à sua escolha).

Jogo: pode ser feito com música:

- "Ponha a mão em cima de sua perna,
- Ponha a mão em cima de sua cabeça,
- Ponha a mão em cima de seu pé...."
- Inverter as ordens.

Lição 2: - a pessoa como um todo e o objeto

Objetivo: - o aluno deverá demonstrar conhecimento do conceito EM CIMA, por meio de experiências reais usando objetos e seu próprio corpo.

Local: - entrada de mercearia, supermercado -calçada, cadeira, carrinho de compras.

a) Guiar o aluno para um ambiente externo e pedir a ele:
- Fique em cima da calçada
- Sente-se em cima de uma das cadeiras disponíveis para os fregueses,
- Fique em cima da parte mais baixa do carrinho de compras.
Pedir para o aluno identificar pelo menos três diferentes superfícies nas quais seus pés estão sobre. Ex.: em cima da calçada, em cima do tapete, em cima das lajotas.


2 - Desenvolvimento Concreto

Lição 3 -a pessoa para o objeto (manipulação)

Objetivo: - o aluno deverá demonstrar conhecimento do conceito EM CIMA pela manifestação correta de modelos e objetos.

Local: - seção de verduras e legumes, padaria, mercearia ou supermercado.

a) Na seção de verduras, frutas e legumes, pedir ao aluno para:
- pôr as mãos em cima do carrinho de compras,
- pôr as mãos em cima das maçãs,
- pôr ambas as mãos em cima da alface molhada,
- pôr a ponta do dedo em cima do gelo que pode ser pego no setor de congelados,
- pôr a mão em cima das frutas ou verduras de sua escolha.

Jogo: algum jogo que envolva a experiência vivida no local visitado.

b) Na seção de padaria, pedir ao aluno para:
- pôr a mão em cima do pacote de pão-de-forma,
- pôr a mão em cima do pacote de pão francês,
- pôr a mão em cima do pacote de bolo,
- pôr a mão em cima de qualquer pacote de sua livre escolha (doce, pegajoso, etc), como também dizer o nome do alimento em questão.

Lição 4: - objeto para objeto

Objetivo: - o aluno deverá demonstrar seu conhecimento do conceito EM CIMA por meio da manipulação concreta de dois modelos ou objetos de forma que um estando em contato com o outro, um deles fique na posição EM CIMA.

Local: - delicatessen, padaria, lanchonete onde haja produtos alimentícios, no supermercado.

a) Depois de comprar um lanche, conduzir o aluno para uma mesa e cadeira próximas, pedindo para:
- pôr a bandeja em cima da mesa,
- pôr o copo em cima da bandeja,
- pôr os restos do lanche em cima da bandeja, quando terminar de comer,
- colocar um objeto de sua escolha em cima do outro.

b) Ao terminar, dirigir-se ao caixa e pedir para:
- pôr todas as frutas e verduras compradas em cima do balcão,
- pôr todos os pães juntos em cima do balcão,
- pôr o restante da mercadoria em cima do balcão,
- enquanto espera o caixa registrar os itens, pedir para o aluno pôr as mãos em cima dos últimos cinco pacotes e fazer a exploração tátil, identificando-os.

3 - Desenvolvimento Abstrato

Lição 5: - o aluno deverá demonstrar conhecimento do conceito em cima em situações do cotidiano. Ele deverá estar apto a seguir instruções, usando o conceito em cima em diferentes situações.

Local: - sala de aula - todos os itens trazidos do local de compras.

- Pedir para o aluno ajudar a colocar as compras na prateleira.
- Perguntar aonde ele pôs uma determinada mercadoria, invocando o conceito em cima.
- Deixar cair um pacote, propositadamente, e perguntar aonde ele caiu.
- A resposta do aluno deverá incluir o conceito em cima.


Atividades complementares

No intuito de oferecer atividades prazerosas à criança com deficiência visual, o professor também poderá lançar mão de outras estratégias como unidade de ensino e que envolvam aspectos relacionados no quadro abaixo, podendo nessa tarefa incluir os pais na sua realização. O importante é ter-se a informação sobre a condição de domínio ou não da construção do conceito pela criança.
 


As atividades sugeridas servem também como avaliação final da interiorização dos conceitos pelo aluno deficiente visual; a partir do perfil apresentado, o professor deverá planejar e desenvolver outras atividades que favoreçam a construção e transferência dos conceitos para diferentes situações, como ambiente familiar, escolar, da comunidade e conteúdos curriculares.

Os conceitos não dominados pelo aluno poderão também ser construídos através de atividades lúdicas, preferencialmente, em grupos com crianças não deficientes que poderão atuar como mediadoras para a formação dos mesmos, como jogos, brinquedos, brincadeiras, cantigas de roda, dramatizações, vídeos infantis e outros.

 

 

Җ

Conceitos - Aquisição Básica para a Orientação e Mobilidade (pp 35 a 55)
autora: Profª Ivete De Masi [Professora Mestre em Distúrbios do Desenvolvimento/Educação Especial pela Universidade Mackenzie, Assistente Social]
in ORIENTAÇÃO E MOBILIDADE - CONHECIMENTOS BÁSICOS PARA A INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA VISUAL
Coordenadora: Maria Glória Batista da Mota
BRASÍLIA, 2003

 

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Publicado por MJA
[24.Jun.2014]