Ξ  

 

 Sobre a Deficiência Visual

Universo Táctil

Mara Olympia de Campos Siaulys

 

Blind Children Feel an Elephant - Sue Coe, 2008
Blind Children Feel an Elephant - Sue Coe, 2008

 

«O tacto é o principal sentido para a pessoa cega
e as mãos são os seus olhos.»


O nascimento de Lara, minha filha caçula, em 17 de Julho de 1978, imprimiu novo rumo à minha vida. Na época, meus filhos estavam com oito e nove anos e bem encaminhados. Eu lecionava Geografia, queria voltar a estudar, procurar métodos diferentes de trabalho e novas formas de motivação para meus alunos. Tudo mudou completamente quando nasceu Lara, que ficou cega em decorrência da retinopatia da prematuridade.

A cegueira era um campo completamente novo para mim e aprender tudo sobre ela, rapidamente, passou a ser a prioridade naquele momento. Precisava entender um mundo onde não existia a visão, onde os sentidos do tacto, audição, olfato e paladar predominavam.

Naquela época as informações não estavam tão divulgadas como hoje e tudo era bastante complicado.

Procurar uma forma de me comunicar com Lara, ajudando-a a se desenvolver, passou a ser um objetivo muito importante a ser alcançado. Como não sabia nada sobre este assunto,comecei do zero, buscando um caminho para iniciar de alguma maneira nossa comunicação.

No início usei somente a intuição, mas depois fui aprendendo com leituras, estudando, perguntando. Procurava brinquedos e inventava brincadeiras, conversávamos, explicava-lhe tudo o que acontecia na casa para que pudesse participar. Dessa forma ela foi se desenvolvendo, fomos nos integrando, vencendo as dificuldades e aprendendo com nossa convivência.

Há pouco tempo, retornando de uma viagem, minha filha trouxe-me um presente: uma daquelas bonecas russas em cujo interior existem muitas outras, de vários tamanhos, encaixadas uma dentro da outra e com a qual brincávamos muito quando ela era pequena. Ela disse-me: mãe, este presente é para você lembrar aquele tempo e saber que ele foi muito importante para meu aprendizado e minha vida. Tenho certeza de que essa convivência foi ótima para nós duas e aprendi muito com ela.

Acompanhar o desenvolvimento de Lara, interagir com ela e apoiá-la nesses vinte e três anos foi gratificante, principalmente em vista do que conseguimos: sua excelente integração social.

Quando foi possível, voltei à faculdade, fiz pedagogia, especializei-me e trabalhei durante muitos anos com crianças cegas e de baixa visão. Há dez anos fundamos Laramara, Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual.

Nos dezoito anos em que trabalhei e convivi com elas, percebi como brincar é fundamental para as crianças com deficiência visual, em todas as idades, desde bebês até adolescentes.

Constatei não existirem brinquedos adaptados para tornar seu aprendizado significativo e alegre, brinquedos que facilitem a aquisição de conceitos e habilidades, preparando os sentidos, promovendo a interação, comunicação e socialização. Vi que é importante para uma criança cega ter contato com o Braille desde muito pequena, através de brinquedos, da mesma forma que as crianças que enxergam têm com as letras comuns. E comecei a adaptar brinquedos e materiais que servissem para as brincadeiras de todas as crianças, as que enxergam e as que não enxergam. Continuo nesta atividade até os dias de hoje. Atualmente produzimos em Laramara cerca de cem brinquedos e materiais adaptados, dos quais noventa e um foram por mim desenvolvidos.

A convivência com pessoas cegas no meu dia-a-dia e o interesse profissional que tenho pelo tema da cegueira me levaram a estudar e procurar conhecer este assunto da forma mais abrangente possível, pois considero-o da maior importância para todos nós que trabalhamos nesta área.
 

O tacto é o principal sentido para a pessoa cega e as mãos são seus olhos.

Esta é uma afirmativa aceita por todos e totalmente válida. Sabemos que a educação de uma criança cega só pode ser bem sucedida se houver muito precocemente condições para que ela desenvolva o tacto, usando as mãos não só como um instrumento de execução das ações, mas também de percepção dos objetos e do ambiente. É um longo caminho, bem trabalhoso, mas compensador, o da preparação do tacto, que deve ser iniciado quando a criança ainda é bebê.

Ele assegurará sua plena integração familiar, escolar e social. E o resultado pode ser visto nas muitas crianças que têm acesso a recursos e educação adaptados às suas necessidades.

A experiência vivida por Helen Keller, surda-cega desde a idade de dois anos e que pôde se comunicar e se integrar ao ambiente, transformando-se em uma pessoa ativa e participante, mostrou-nos que, quando os outros sentidos estão prejudicados, a pele e o tacto podem compensar essas deficiências num grau extraordinário. O isolamento de Helen Keller pela ausência da visão e audição foi vencido pelos esforços de Ane Sullivan, que lhe abriu o mundo da comunicação simbólica com o aprendizado do alfabeto digital. Sem ele ela jamais seria a grande escritora e conferencista que o mundo admirou.

O mais antigo e sensível órgão de nosso corpo, a pele, recobre-o em toda a extensão formando uma camada muito fina e protetora. É através da pele que estabelecemos o primeiro contato com o mundo, ao sair do ventre materno. A parte exterior da pele, a epiderme, exposta ao meio ambiente, contém grande número de terminações nervosas: os receptores táteis, que captam estímulos de calor, frio, toque, pressão e dor, formando o sistema tátil. A sensação tátil permite que o organismo perceba e apreenda o ambiente ao transmitir ao cérebro as informações que por ele serão decifradas, captando ao mesmo tempo sinais do nosso mundo interno.

O tacto é o mais delicado e o primeiro sentido a se desenvolver no embrião humano. Quando o feto tem menos de seis semanas e apenas dois centímetros e meio de comprimento, reage com um leve curvar do pescoço e afasta-se da fonte de estimulação ao receber uma carícia no lábio superior ou nas abas do nariz. Nesse estágio do desenvolvimento, o embrião ainda não tem olhos ou orelhas, mas sua pele já está altamente desenvolvida.

A pele e o sistema tátil são fundamentais para nossa vida. Podemos viver sem enxergar ou ouvir e completamente desprovidos de olfato e paladar, mas não sobreviveremos sem as funções desempenhadas pela pele.

O tacto é um sentido difuso por todo o nosso corpo, porém as mãos e as pontas dos dedos são as partes com maior sensibilidade, sendo seus mais importantes instrumentos, e, muitas vezes, nos dão informações mais precisas até do que as visuais. O desenvolvimento da motricidade fina permite que as mãos reconheçam forma, grandeza, textura, peso, espessura, consistência e temperatura dos objetos, facilitando nossa percepção do ambiente. Ao nos aproximarmos dos objetos, tocá-los, pegá-los, manipulá-los, lançá-los e empurrá-los, realizamos as funções sensório-motoras básicas, que nos permitem atuar sobre eles, dispondo-os no espaço de acordo com nossa vontade e ter as sensações necessárias para uma compreensiva e precisa informação.

A informação por meio do tacto só ocorrerá efetivamente se for possível o movimento das mãos sobre o objeto já que as sensações táteis só poderão ser recebidas pelo manuseio e contato direto da superfície cutânea com os objetos. O tacto não atua à distância como a audição e o olfato. O deslocamento do corpo no ambiente é fundamental para completar a informação obtida pela mãos. O uso do tacto oferece algumas limitações; objetos muito grandes ou muito pequenos, inacessíveis ou que ofereçam perigo deverão ser conhecidos por explicações verbais ou por meio de réplicas.

A consciência cinestésica - conhecimento do próprio corpo, percepção de seus próprios movimentos corporais - é fundamental para que a sensação tátil se processe adequadamente, daí o nome de sentido tátil-cinestésico.

Chamamos de Integração Sensorial a habilidade que tem o cérebro de organizar as informações recebidas pelos órgãos dos sentidos, dando respostas através de atividades motoras e de usar as informações no dia-a-dia. As informações ou sensações que chegam ao cérebro através da visão, da pele, das mãos, do ouvido, do olfato, do paladar e de todo o corpo permitem que, logo após o nascimento, comecemos a interagir com o ambiente, compreendendo-o e pouco a pouco nos adaptando a ele.

É necessário facilitar ao bebê o desenvolvimento de sua integração sensorial, pois isto é fundamental para que ele se integre e se adapte ao ambiente, aprenda, tenha uma vida ativa, com muitos movimentos e brincadeiras. Se houver qualquer problema no sistema nervoso central impedindo o processamento normal da informação, análise, organização e integração das sensações, poderão ocorrer alterações de comportamento e dificuldades na adaptação da criança.

Para as pessoas cegas o sentido tátil-sinestésico é de importância fundamental e durante toda a vida esse será um recurso privilegiado de informação e conhecimento.

Sendo a visão a forma principal de comunicação e interação no ambiente, de observação e aprendizado para a criança, sua falta dificulta o desenvolvimento, sendo necessária uma cuidadosa preparação dos outros sentidos. Eles lhe trarão informações que, integradas e sintetizadas pelo cérebro, dar-lhe-ão a compreensão do ambiente. Este preparo, o acesso a recursos e materiais adaptados às suas necessidades, a vivência de experiências significativas, a autonomia e segurança para o movimento no ambiente e sua exploração são fundamentais para a educação da criança cega.

Todas as atividades, desde as mais simples até as mais complexas deverão ser ensinadas à criança cega, pois são funções que ela não pode imitar usando a visão: sentar, engatinhar, andar, comer, vestir, brincar. É dessa forma que ela poderá aprender posturas, conceitos, habilidades, adquirir linguagem e comunicação, ter autoconfiança e se desenvolver plenamente.

É fundamental que a preparação dos sentidos se inicie o mais cedo possível, uma vez que seu desenvolvimento não ocorre espontaneamente. A interação, a comunicação, a independência para a movimentação no espaço e realização de atividades rotineiras pela criança vão criar condições para que ela prepare seus sentidos, aprenda, adquira linguagem e se integre.

O período sensório-motor, que vai dos 0 aos 24 meses, é a época mais importante para o bebê interagir no ambiente, conhecer pessoas, ter curiosidade e vontade de procurar, tocar e manipular objetos. Nessa fase as mãos adquirem um papel fundamental, transformando-se num importante órgão de percepção, ajudando o bebê a compreender a permanência do objeto, o entendimento de seu uso e função, as relações entre os objetos, o conhecimento do próprio corpo, a aquisição de conceitos espaciais e muitos outros. É preciso que nesta fase a criança seja sempre informada, por meio de pistas sonoras ou pelo toque, da presença do objeto ao alcance de sua mão; ajudada a localizar os objetos nos diferentes pontos do espaço, para assim desenvolver a busca tátil dirigida; motivada a utilizar suas mãos para descobrir o mundo, interessar-se por ele e compreendê-lo. Desta forma vai juntar as mãos na linha média, desenvolver a coordenação bimanual, a preensão, a coordenação ouvido-mão, a coordenação motora fina, a busca de objetos, a exploração do ambiente.

É através da sensação tátil, de poder tocar o rosto e o corpo da mãe, ao ser carregado, manuseado e acariciado que o bebê vai saber distinguir o seu corpo do corpo de outras pessoas, entender a diferenciação entre o eu e o outro, o eu e o objeto.

O conhecimento do próprio corpo e de sua posição e movimentos no espaço é fundamental para que a criança possa se movimentar com independência. Tocando seu próprio corpo e conhecendo cada parte dele, vai preparando suas mãos para tocar outras pessoas e objetos, bem como explorar o ambiente. Conhecer o próprio corpo e realizar as atividades comuns do dia-a-dia são pontos importantes para o desenvolvimento e integração dos sentidos tátil-cinestésico, auditivo, olfativo e gustativo.

A criança deve usar todo o corpo para sentir o ambiente: pisar descalça nos ambientes internos e externos, estar ao ar livre para sentir o frio, o calor, o vento, a chuva, pisar e brincar com areia na praia, ter contato com vegetais, flores, etc.

Condição fundamental para o desenvolvimento pleno e harmonioso do bebê, o desenvolvimento afetivo e emocional é um aspecto a ser priorizado desde os primeiros momentos de sua vida.

A interação mãe-bebê durante a amamentação, por exemplo, momento em que a mãe transmite amor com palavras e gestos de carinho, é uma oportunidade importante para comentários sobre fatos do ambiente, objetos e pessoas. O amor, carinho e otimismo em sua vida, a aceitação por todos e a real participação na vida familiar lhe darão segurança; a interação com muitas pessoas, a brincadeira, o contato com grande variedade de objetos e brinquedos, a saída para compras, passeios e visitas, as explicações sobre o que se passa ao redor ajudá-lo-ão a ser curioso e sentir vontade de descobrir o mundo ao seu redor para melhor compreendê-lo.

Para que a criança cega possa se socializar e participar da família, da escola e da comunidade deve ser apoiada por todos, freqüentar a pré-escola, brincar, interagir, comunicar-se. Só assim estará preparada para aprender a ler e escrever, estudar, trabalhar, tornando-se um membro efetivo da sociedade. O desenvolvimento dos sentidos é fundamental nesta preparação e entre eles o tacto é seguramente um dos mais importantes.

Preparando-se, a criança cega poderá alcançar o desenvolvimento tátil-cinestésico necessário para discriminação e reconhecimento de símbolos, que representam letras e palavras e o aprendizado da escrita e leitura Braille. Vai adquirir os conceitos e as habilidades necessárias para se integrar ao ambiente, vai tornar-se mais ativa, desenvolver seu corpo e sua musculatura. Ela vai aprender a enfrentar desafios e resolver problemas, ter auto-imagem positiva, enriquecer o vocabulário, ter capacidade de representação simbólica e ampliar seu conhecimento a respeito do mundo.

Diversos trabalhos têm sido apresentados com sugestões para o desenvolvimento sensorial das crianças cegas, particularmente do sentido tátil. Lili Nielsen, no livro A mão que compreende, sugere a confecção da Arca do Tesouro, caixa com muitos objetos interessantes para a criança.

Considero os brinquedos, adaptados e adequados para o reconhecimento pelos outros sentidos que não o visual, e as brincadeiras como a maneira mais efetiva de promover o desenvolvimento sensorial. Isso justifica meu empenho no desenvolvimento de brinquedos, que são também excelentes para a interação com pais, irmãos e amigos e importante ferramenta de trabalho para os profissionais da área.

Os brinquedos que desenvolvi e os criados por colegas de trabalho foram colocados no Catálogo de brinquedos denominado BRINCAR JUNTINHOS, de Laramara, separados em nove Seções. Com ele procuramos divulgar este material em todo o país, principalmente para aqueles que trabalham na área de deficiência visual, como nossa contribuição para a educação de todas as crianças com necessidades especiais do Brasil. Eles fazem parte de nossa missão em Laramara, de proporcionar à criança deficiente visual o direito de brincar como qualquer criança, de poder estudar como qualquer jovem de sua idade, de trabalhar e constituir família como qualquer adulto. Tais direitos lhe são assegurados como a todos os seres humanos e consolidados na Declaração Universal dos Direitos do Homem.


Actividades importantes para o desenvolvimento e integração dos sentidos


1. Fortalecer a musculatura do pescoço, favorecer o giro e controle cefálico.

  • ajudar a fortalecer a musculatura do pescoço, giro e controle da cabeça. A sentar, a engatinhar, andar... e a se deslocar no espaço
  • desenvolver a preensão, o tacto para reconhecimento de formas e objetos
  • despertar a curiosidade e o desejo de conhecer, o prazer de procurar, tocar e manusear.

2. Juntar as mãos na linha média

  • coordenar as mãos e ouvido-mão - adquirir consciência corporal.
  • favorecer a abertura das mãos, sua junção na linha média, a coordenação bimanual
  • introduzir o aprendizado de cada parte do corpo, os nomes e usos.

3. Desenvolver a preensão

  • Despertar a curiosidade, a busca dirigida, o desejo de pegar.
  • desenvolver a preensão, estimulando o desejo de estender o braço, tocar e pegar por meio do som ou toque
  • despertar a vontade de procurar, pegar, apertar, raspar, chacoalhar, bater, morder
  • Iniciar o aprendizado de cores.

4. Fortalecer as mãos - reconhecer os sons.

  • ajudar no fortalecimento das mãos
  • favorecer a identificação e reconhecimento de sons do ambiente e a localização de objetos pelo som
  • iniciar o aprendizado de cores e o reconhecimento de texturas
  • estabelecer diferenças de peso.

5. Despertar o prazer e a curiosidade de buscar e pegar, o sentido de busca e direção.

  • despertar a curiosidade e o prazer de ver, buscar, fixar e seguir objetos a diferentes distâncias - desenvolver a coordenação olho-mão
  • desenvolver a preensão
  • introduzir o aprendizado das cores e discriminação de formas
  • favorecer a observação de figuras e seus detalhes
  • aprender a parear figuras e objetos concretos, comparar e parear
  • introduzir muitos objetos diferentes e favorecer a realização de ações

6. Integrar os sentidos - favorecer o desejo de manusear - representar com pintura e massinha.

  • favorecer a integração dos sentidos e a percepção de objetos pelo tacto, aroma e sabor
  • favorecer o desejo de manusear, brincar, empilhar, encaixar, enfiar contas, pintar e brincar com massinha
  • favorecer o reconhecimento dos alimentos pelo aroma, sabor, forma, textura e como prepará-los
  • desenvolver o jogo simbólico, o faz-de-conta.

7. Integrar os sentidos - aprender conceitos e adquirir habilidades.

  • favorecer o uso do tacto para o reconhecimento de texturas, forma, temperatura, grandeza, peso, consistência e materiais de que são feitos os objetos
  • desenvolver pinça, encaixe
  • introduzir o aprendizado de classificação, seqüência e seriação
  • desenvolver a memória
  • desenvolver a estruturação e organização espacial, a lateralidade
  • incentivar a jogar, atirar, retomar, correr.

8. Brincando, aprender as atividades do dia-a-dia.

  • favorecer o aprendizado a respeito de objetos usados nas atividades cotidianas de alimentação, vestuário e higiene: abotoar e desabotoar, dar laço, usar zíper... dobrar roupa, pendurar
  • introduzir o aprendizado de cada parte do corpo, os nomes e usos
  • ajudar na identificação dos objetos pelo aroma.

9. Reconhecer objetos pelo tacto.

  • incentivar a descoberta, identificação e reconhecimento de objetos, de suas características; estabelecer as diferenças e semelhanças entre eles; conhecer seus nomes, utilidade e saber como manejá-los
  • favorecer a ampliação de vocabulário... o desenvolvimento da linguagem, da comunicação.

10. Brincar de movimentar-se - ajudar no conhecimento do corpo.

  • introduzir o aprendizado de cada parte do corpo, os nomes e usos
  • desenvolver a auto-estima e auto-aceitação
  • incentivar a jogar, atirar, retomar, correr
  • despertar a curiosidade, o movimento com sentido de busca e direção
  • favorecer atividades como: saltar, agachar e levantar, rolar, pular corda, escorregar
  • ajudar no entendimento das regras do jogo e desenvolver a sociabilidade.

11. Desenvolver noção de tempo.

  • desenvolver a noção de tempo: hora, minuto, segundo, dia e noite, semanas, meses, ano
  • favorecer o aprendizado sobre o relógio e a leitura das horas
  • ajudar a estabelecer relação entre o tempo e fatos de sua própria vida
  • introduzir o conhecimento sobre fenômenos da natureza, estações do ano.

12. Brincar com o Braille - introduzir muitos objetos diferentes.

  • ajudar na familiarização com os pontos e as letras do Braille através das brincadeiras, do encaixe de pinos e peças
  • incentivar o conhecimento de grande variedade de materiais e objetos, o aprendizado da escrita e leitura de seus nomes
  • favorecer a ampliação do vocabulário...o desenvolvimento da linguagem, da comunicação

13. Ajudar na aquisição do conceito de número e quantidade.

  • adquirir o conceito de número e quantidade
  • ajudar no aprendizado das operações matemáticas
  • ajudar no aprendizado da escrita, dos números em Braille.

14. Incentivar a leitura.

  • favorecer o aprendizado da leitura e escrita Braille
  • incentivar a leitura de pequenas histórias
  • ajudar no aprendizado da representação bidimensional de objetos, forma, grandeza cenas e histórias
  • incentivar a utilização de objetos concretos para representar cenas e histórias
  • ajudar na comunicação por meio da escrita

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • AMIRALIAN, Maria Lúcia T. Moraes. O psicodiagnóstico do cego congênito - aspectos cognitivos. Dissertação de Mestrado, IPUSP - SP, 1986.
  • AYRES, A. Jean. La integración sensorial y el niño. México, Editorial Trillas, 1998.
  • BARRAGA, Natalie. Increased visual behavior in low vision children - movimento, exploração e conhecimento espacial. American Foundation for the Blind, 1964.
  • BRUNO, Marilda M. G.. O desenvolvimento integral do portador de deficiência visual - da intervenção precoce a integração escolar. São Paulo, Laramara - Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual, 1993.
  • BRUNO, Marilda M. G.. Deficiência Visual: reflexão sobre a prática pedagógica. São Paulo, Laramara Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual, 1997.
  • COSTALLAT, Dalila M. M. de. A psicomotricidade otimizando as relações humanas. Arte e Ciência, 2000.
  • Guia de estimulação precoce para crianças cegas, elaborado pela equipe do Instituto Nacional de Serviços Sociais, Madrid, 1986.
  • HYVARINEN, Lea. Desenvolvimento normal e anormal da visão. Setor de Reabilitação de Deficientes Visuais da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, 1998.
  • LEONHARDT, Mercè. El bebé ciego - primeira atencion - um enfoque psicopedagógico. Barcelona Masson, 1992.
  • MAZZOTTA, Marcos José da Silveira. Fundamentos de educação especial. São Paulo, 1982.
  • MONTAGN, Ashley. Tocar - o significado humano da pele. São Paulo, Summus Editorial Ltda., 1988.
  • NIELSEN, Lili. A mão que compreende.
  • ONCE, Centro de Reabilitação Visual. Myra y Pensa - projeto para o treinamento perceptivo visual de crianças cegas e com baixa visão de 5 a 11 anos. Royal National Institute for the Blind.
  • RESTREPO, Gladys Lopera, PATRONE, Angel Aguirre, CEBALLOS, Patrício Parada. Manual técnico de servicios de rehabilitación integral para personas ciegas o conbaja visión em América Latina. Montevideo, Union Latinoamericana de Ciegos - ULAC, 2000.
  • REVUELTA, Rosa Lucerga. Palmo a palmo - a motricidade fina e a conduta adaptativa aos objetos nas crianças cegas. Revista Contato - conversas sobre deficiência visual, número 2, São Paulo, Laramara - Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual, agosto de 1997.
     

Ler também:

Brincar para todos - Mara Siaulys - MEC Brasil, 2006 [10,8 MB]


Brincar para todos
por Mara Siaulys

ME Brasil, 2006

 

ϟ

MARA OLYMPIA DE CAMPOS SIAULYS
é formada em Geografia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Professora de Geografia, atuou durante 23 anos na Rede Oficial de Ensino; Formada em Pedagogia com especialização em ensino de deficientes visuais pela Universidade de São Paulo. Atuando há 16 anos na área da Educação Especial, participou da equipe técnica da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e há 10 anos está a frente de Laramara - Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual; Uma das fundadoras de Laramara e sua atual Presidente; Autora de artigos e publicações na área, dedicando-se à pesquisa, criação e produção de recursos pedagógicos e brinquedos para crianças com deficiência visual.

 

Fonte: Rede SACI, 2002
 

 

 

Δ

7.Out.2012
publicado por MJA