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 Sobre a Deficiência Visual

Educação Física e Desportos Adaptados

Joseph P. Winnick
 

imagem FPDD - atleta cego

 

Índice:
 

Introdução
1. Conceito de deficiência
2. Conceito de Deficiência Visual
3. A Deficiência Visual ― implicações frente à aprendizagem motora
4. A Educação Física para Deficientes Visuais
5. Desporto para Deficientes Visuais
6.
Desportos na Natureza ou Desportos de Aventura

7. Modalidades Desportivas praticadas por deficientes visuais
    Goalball
    Atletismo
    Ciclismo
    Judo
    Hipismo
    Futsal
    Natação
    Xadrez
8. Conclusão
9.
Bibliografia

 

Introdução

O desporto abre um vasto campo de descobertas, experiências e pesquisas com relação a quase todas as ciências existentes na sociedade. Reconhecendo a escassez bibliográfica sobre o assunto «actividade desportiva para pessoas portadoras de deficiência visual», assim como o reduzido numero de profissionais da área, quer seja por falta de interesse ou de conhecimento especifico gerador de estimulo académico para esse fim, fomos levados a reflectir sobre contribuições simples, concretas, que atingissem grande número de profissionais da área, expondo-lhes práticas que pudessem trazer subsídios que revelassem a ampla viabilidade da prática de actividades motoras desportivas por parte de deficientes visuais.

Ao realizar este trabalho constatamos, que os problemas que impedem os deficientes visuais de desenvolver actividades motoras são de ordem social e cultural e vão desde o não cumprimento de normas ou leis que os amparam, até ao desconhecimento do valor e da prática dessas actividades pelos próprios deficientes visuais.

Consciencializar os deficientes visuais das suas possibilidades, revelar aos interessados os passos por nós analisados e que podem ser seguidos para obtenção de conquistas no campo da realização e desenvolvimento de actividades desportivas pelos deficientes visuais, é o que pretendemos ao desenvolver este trabalho. Portanto, revelar, direccionar e incentivar a prática de vivência motora, enquanto actividade desportiva, para deficientes visuais, caracterizarão nossas pretensões ao realizar este trabalho.

Nossa meta é então realizar um trabalho que auxilie e incentive aqueles que se dedicam ou pretendem se dedicar ao preparo de deficientes visuais no campo da actividade física, através de actividades motoras gerais e desportivas, consciencializando-os , e aos próprios deficientes visuais, da possibilidade de grandes conquistas nesse campo.

Num primeiro passo, para que melhor e compreenda os apontamentos que delinearemos no decorrer deste trabalho, faz-se necessário, um entendimento da deficiência, definindo-a e classificando-a de maneira que possamos inter-relacioná-la com o desenvolvimento da actividade motora e certos princípios indicadores para a sua aprendizagem. Em seguida torna-se fundamental reflectir sobre as dificuldades comuns enfrentadas pela pessoa portadora de deficiência visual na concepção dos seus direitos e deveres.

Quando falamos de pessoas com deficiência visual incluem-se tanto as pessoas cegas que não vêem nada, ou apenas têm uma ligeira percepção de luz. Como deficientes visuais, que seriam os indivíduos que com a maior correcção possível podiam ver ou distinguir embora com dificuldade, alguns objectos a uma distância muito curta.

No que diz respeito aos direitos e deveres das pessoas portadoras de deficiências, a abordagem actual, chamada de "autonomia pessoal" (Barr, 2004), prima a garantia do exercício dos direitos de cada pessoa, independentemente de deficiência ou não. Com esses parâmetros, o problema reside no ambiente e na sociedade em que os recursos de acessibilidade estão habilitados. As pessoas com deficiência visual são, em primeiro lugar, as pessoas e, como tal, sujeito a plena utilização e usufruição de educação, emprego, saúde, lazer, cultura e desporto.

Este grupo de pessoas dentro do sistema educacional actual, tem os mesmos direitos que qualquer outro estudante para uma formação abrangente, é um direito que protege todos os estudantes. Todos os intervenientes no processo educativo devem ter como objectivo permitir a participação activa destes alunos nestas aulas. No momento em que exclui ou reduz a participação activa da criança na aula de Educação Física, está a ser negada uma fonte de relacionamento e de formação, que tem direito.


1. Conceito de deficiência

Amaral (1996), ao analisar a definição de «deficiência» proposta pela Organização Mundial de Saúde em 1987, considera como salto qualitativo o desmembramento desse conceito em três subconceitos: deficiência (impairment), incapacidade (disability) e desvantagens (handicap). Segundo a autora , «deficiência» refere-se a uma perda ou anormalidade de estrutura ou função; «incapacidade», à restrição de actividades em decorrência de uma deficiência; e «desvantagem», à condição social de prejuízo resultante de deficiência e/ou incapacidade. A autora aborda, porém, a questão da deficiência como um fenómeno global, distribuído em dois subfenómenos: deficiência primária, que engloba os subconceitos de «deficiência» e «incapacidade» da Organização Mundial de Saúde (OMS) e deficiência secundaria, relacionada ao subconceito de «desvantagem» da OMS. Amaral considera que as «deficiências» e « incapacidades» existem, não são apenas socialmente construídas; exemplos disso são o olho lesado (deficiência) e o não ver (incapacidade), a medula lesionada (deficiência) e o não andar (incapacidade).

Por outro lado, afirma ela, a ideia de «desvantagem» se relaciona predominantemente às contingências sociais. Sustenta, assim, que as alterações no processo de desenvolvimento da pessoa com deficiência se devem, principalmente, aos preconceitos, estereótipos e estigma, enfim, aos fenómenos psicossociais relacionados à questão da deficiência e que podem gerar deficiências secundárias. Portanto, estas aparecem como consequência de um processo inadequado de educação e de incentivo ao desenvolvimento da pessoa com deficiências primárias. Isso é particularmente observável no caso da deficiência visual.


2. Conceito de Deficiência Visual

Segundo Veitzman (2000), muitas doenças oculares crónicas causam um deficit visual permanente e irreversível, afectando a qualidade de vida do paciente. A deficiência visual abrange uma situação de diminuição da visão, mesmo após tratamento clínico e/ou cirúrgico e uso de lentes convencionais.

A autora faz distinções entre definições de vários termos usados na deficiência visual, colocando que a baixa visão equivale a um comprometimento importante da função visual, entretanto não equivale à cegueira, termo que só deve ser usado quando o indivíduo possui total ausência da visão.

Veitzman (2000) também estuda, como Amaral (1996), os conceitos de deficiência, incapacidade e desvantagem, segundo a Classificação Internacional das Deficiências, Incapacidades e Desvantagens, elaborada pela OMS, que define a deficiência como toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatómica. A referida autora considera a incapacidade como toda a restrição ou falta (devida a uma deficiência) da capacidade de realizar uma actividade na forma ou na medida em que se considera normal para um ser humano. E desvantagem, para Veitzman (2000), é uma situação de menor prontidão (capacidade) do individuo, em função da sua deficiência. A autora afirma que um novo paradigma foi proposto em 1997 pela OMS, ao representar a Classificação Internacional das Deficiências, Incapacidades e Desvantagens com uma nova conceituação, que dá ênfase ao apoio, capacidades, contextos ambientais e potencialidades do individuo, em vez de enfatizar sua incapacidade e limitações.

Veitzman (2000) define a deficiência visual como uma « disfunção (impairment) com alterações funcionais que incluem as limitações de acuidade visual, campo visual, sensibilidade aos contrastes e visão de cores causadas por uma doença ocular». O critério usado por Veitzman (2000) foi o estabelecido para fins epidemiológicos, segundo a OMS, que determina que a classificação da funcionalidade da visão de um individuo será obtida a partir dos valores de acuidade visual no melhor olho, com a melhor correcção óptica. A autora afirma ainda que a OMS classifica a deficiência visual em categorias, que compreendem desde uma perda visual leve até a ausência total de visão. E acrescenta: « A baixa visão LEVE está compreendida entre 20/60 a 20/80 pés; a MODERADA, entre 20/80 e 20/160 pés; a SEVERA, entre 20/200 e 20/400 pés; e a PROFUNDA entre 20/500 a 20/1000 pés. A cegueira, para fins epidemiológicos, está compreendida na faixa de acuidade visual inferior a 20/400.»


3. A Deficiência Visual ― implicações frente à aprendizagem motora

Faz sentido, para complementar este estudo, assegurarmo-nos de alguns dados que nos tragam informações mínimas mas suficientes e necessárias sobre a «deficiência visual».

A deficiência, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), define-se como:

«... uma anomalia da estrutura ou da aparência do corpo humano e do funcionamento de um órgão ou sistema, seja qual for sua causa; em principio, a deficiência constitui uma perturbação de tipo orgânico» (in Melo, 1991).

Ora, certas anomalias no sistema de visão, resultam em limitação ou incapacidade para o desempenho normal das pessoas em função das actividades directas e indirectas, pois vivemos num não só de informações visuais mas também de estímulos visuais intensos.

Pode-se, então, definir a Deficiência Visual como «... um impedimento total ou a diminuição da capacidade visual decorrente da imperfeição no órgão ou no sistema visual» (SE/CENP, 1993).

Quanto às formas de classificação da Deficiência Visual, variam conforme o objectivo a que se destinam, mas todas se baseiam em elementos clínicos. Essa analise é fundamental para o nosso trabalho, uma vez que , mesmo considerando a proposta de aprendizagem desportiva, aqui , num prisma essencialmente educacional, percebemos que a classificação ao nível educacional e desportivo possui interpretações diferenciadas.

Podendo, considerar a Deficiência Visual sob três aspectos: Legal, Educacional e Desportivo.

Legal: Tem, principalmente, o objectivo de oferecer garantias ao Deficiente quanto às possibilidades de formação, de trabalho, etc., estabelecendo seus direitos como cidadão. A classificação de deficientes, sob o aspecto legal, varia de acordo com a Constituição do país.

Educacional: Sob o aspecto educacional, a classificação dos Deficientes Visuais está vinculada, de forma genérica, à alfabetização. São, assim, classificados como Cegos, aqueles que só poderão ser alfabetizados através do sistema «Braille»; os Sub-Normais, aqueles em que o resíduo visual possibilita a aprendizagem a tinta. Há, no entanto, casos em que o resíduo visual é tão restrito que se torna necessária a utilização de «Braille».

De lembrar que a avaliação clínica de acuidade visual, não só serve como factor de elegibilidade do aluno ao atendimento educacional especializado, como também possibilita a determinação de outros elementos imprescindíveis para o ensino, escolha de estratégias e conteúdo das aulas.

Desportiva: Tratando-se da classificação sob o aspecto desportivo, os Deficientes Visuais são classificados em: B-1, B-2 e B-3 (B = blind = cego ou deficiente visual), com fundamento nas regras da Internacional Blind Sport Associations IBSA (1993).

B-1: nenhuma percepção de luz em qualquer dos olhos, até a percepção de luz, mas incapacidade de reconhecer o formato de uma mão a qualquer distância ou em qualquer direcção;

B-2: da capacidade de reconhecer o formato de uma mão até à acuidade visual de 2/60 e/ou campo visual menor que 5 graus.

B-3: da acuidade visual acima de 2/60 até acuidade visual de 6/60 e/ou campo visual de mais de 5 graus e menos de 20 graus.

► Todos os Deficientes Visuais, considerando o melhor olho, com a melhor correcção, ou seja, todos os atletas que utilizam lentes de contacto ou lentes correctivas deverão usá-las para enquadramento nas classes, quer pretendam competir usando-as, ou não.

O conhecimento das classificações enumeradas anteriormente é imprescindível, uma vez que determinará a potencialidade de cada Deficiente Visual e as possibilidades de progresso nas actividades motoras programadas, desde que se empreguem estratégias adequadas, diferenciadas, conforme a faixa de deficiência em que se enquadra.

Segundo Hugonnier, Clayette (1989), a capacidade visual do aluno abrange ainda: a visão binocular, a visão das cores; a adaptação às diferentes luminosidades e a capacidade de resistência à ofuscação, além da acuidade visual (distância) e o campo visual.

A perda de visão binocular implica em perda da visão do relevo e distúrbios na avaliação das distâncias, o que pode acarretar um trama para atiradores, arremessadores, etc., e causar grandes dificuldades para o exercício de certas actividades como : subir degraus, saltar obstáculos, alcançar objectos (bolas, bastões etc.), lançar objectos em locais pré determinados.

Importante, nestes casos, é conhecer as técnicas que podem levar aquele que não tem ou perdeu a visão binocular a um processo de adaptação, diante dos obstáculos que a vida colocou no seu caminho.

No adulto, segundo Huggonnier-Clayette (1989), estima-se um período de 1 a 18 meses para que haja tal adaptação. Ainda segundo o mesmo autor, quanto mais jovens, mais fácil será a adaptação. Exemplo: «um olho foi perdido desde a infância ou desde a 1.ª infância: os distúrbios da visão do relevo e da distância estão praticamente ausentes: a adaptação produziu-se ao mesmo tempo em que se desenvolvia a própria visão e a inteligência».

O conhecimento de tais dados é muito importante alertando-nos sobre a necessidade de, uma vez percebida a perda da visão binocular ou monoftalmia, buscarmos as melhores formas de minimizar tal perda.

Também com relação aos distúrbios da visão das cores e os acometimentos do sentido luminoso, é preciso lembrar que as discromatopsias congénitas, que vão da ausência total da visão das cores aos distúrbios leves, como a anomalia tipo Dalton (daltonismo), necessitam ser observadas com a devida atenção, para que os seus portadores sejam introduzidos em actividades concretas com as suas deficiências, para que não se vejam marginalizados e sintam progresso no seu desenvolvimento.

Quanto aos distúrbios do sentido luminoso, destacamos o albinismo (sensibilidade excessiva à luz) e a cegueira nocturna (sensibilidade à baixa luminosidade). Também para os portadores dessas deficiências devem ser criadas condições que não os prejudiquem, mas que lhes permitam o exercício de actividades motoras e consequentemente de desenvolvimento.

Não se deve, por exemplo, oferecer a um albino, uma bola muito clara, num campo muito claro, sob um dia também muito claro. Ou levar um portador de cegueira nocturna (hemeralopia) a explorar materiais escuros em locais de fraca luminosidade.

Cuidados semelhantes deverão ser dispensados aos portadores de hipermetropia forte, em que o olho é achatado com base em diâmetros menores que 3,5cm, prejudicando a visão de longe ou mesmo, tratando-se de crianças, para ver de perto. Estes casos exigem também o emprego de estratégias especiais, tais como as que não exigem lançamentos distantes em alvos estáticos e de pouco destaque ou recepção de materiais em movimento rápido na altura do rosto.

A mesma atenção, em suas devidas proporções, deve ser dada aos portadores de miopia ( olho ovalado em diâmetro maior que 3,5 cm) e o astigmatismo ( deformidade da córnea).

É bom lembrar ainda, que a acuidade visual atinge o seu nível de desenvolvimento máximo por volta dos quatro ou cinco anos de idade, o que nos leva a reflectir sobre a importância das actividades motoras serem experimentadas e integradas o mais cedo possível, visto que várias deficiências visuais acentuam-se com a idade.

A Educação Física pode, pois, através de estratégias adequadas, exercer um papel importante no desenvolvimento dos deficientes visuais, aproveitando ao máximo os resíduos visuais de que dispõe acrescentando assim, à ideia de actuarmos sobre as potencialidades da pessoa portadora de deficiência, como nos diz José Luiz Rodrigues (1991).

Não podemos deixar de enfatizar, entretanto, a importância das medidas preventivas. Sabe-se que:

«... com relação às regiões em desenvolvimento, as estimativas da cegueira infantil é de uma para três mil crianças, e de uma para quinhentas quando se trata de visão Sub Normal. Calcula-se que os dados estimados poderiam ser reduzidos pelo menos à metade, se fossem conhecidas as causas e tomadas as medidas preventivas eficientes.» (SE/CENP, 1993).

Portanto, este desenvolvimento do Deficiente Visual deve ser continuo, o que não implica que será crescente. É exemplo lembramos que mesmo fora de qualquer estado patológico como cita Huggonnier-Clayette (1989), «... a acuidade visual diminui com a idade, para atingir fisiologicamente 6/10 em torno dos oitenta anos», percentagem oftalmológica esta mais reduzida que o de uma criança de 4 anos com dentro dos padrões considerados normais (8/10), segundo o mesmo autor. Porém, uma pessoa com oitenta anos normalmente possui um melhor aproveitamento da visão do que aquela criança, retrato das experiências adquiridas e resguardadas pelos outros resíduos visuais. Experiência semelhante, espera-se daqueles alunos que perderam a capacidade visual de forma intensa e procuram dar continuidade ao seu desenvolvimento motor, o que pode ser observado pelo deslocamento seguro desses alunos Deficientes Visuais em ginásios, escolas, academias, ruas ou vários locais a que, inclusive, não necessariamente estejam habituados.


4. A Educação Física para Deficientes Visuais

Grande parte das pessoas com problemas visuais têm tendência a não desenvolver habilidades essenciais à vida em razão do comprometimento na capacidade da visão, afectando principalmente as áreas de orientação e mobilidade. É importante lembrar que o trauma da cegueira causa inicialmente um desequilíbrio emocional, levando o indivíduo a uma perda da consciência corporal. Dentro do processo de desenvolvimento motor, a «locomoção» segundo Cruickshank & Johnson apud Seabra (1995, p. 08), «representa uma das mais sérias restrições impostas aos deficientes visuais na sua capacidade de mover -se livremente no espaço». A Educação Física é uma das disciplinas, que possui condições de reverter esta situação.

De acordo com Almeida (1995):

«A Educação Física pode, pois, através de estratégias adequadas, exercer papel importante no desenvolvimento dos deficientes visuais, aproveitando ao máximo os resíduos visuais de que dispõe acrescentando assim, à ideia de actuarmos sobre as dificuldades e também sobre as potencialidades da Pessoa Portadora de Deficiência Visual.» Almeida (1995, p 14).

A Educação Física não só pode, como deve apresentar a estas pessoas, o significado de cada movimento, os músculos e articulações trabalhados e toda a beleza contida em cada gesto e em cada passo dado. Devemos mostrar-lhes que os seus corpos presentes no mundo são sensíveis e inteligentes, sendo estes capazes de sobreviverem a todas as dificuldades e preconceitos impostos por uma sociedade que ainda não «visualiza» as suas potencialidades.

Para Sacks (1995), a pessoa cega pode construir uma identidade baseada no seu «problema» fazendo uma vida como qualquer outro indivíduo na sociedade. Para ele «... os cegos podem, à sua maneira, construir um mundo completo e suficiente, ter uma "identidade cega" completa e nenhum sentimento de incapacidade ou inadequação, e que o "problema" da sua cegueira e o desejo de curá-la, por conseguinte, é nosso e não deles».

A orientação funcional da educação motora tem como objectivo principal, fazer do corpo um instrumento perfeito de adaptação do indivíduo ao seu meio físico e social, não podendo desconsiderar jamais as condições de organização do meio ambiente em que vivem. Conforme estabelece Locke e Lambdin apontados por Almeida (1995),: «o confronto ― cooperação entre aluno e meio, conforme a sincronia das conquistas, poderá possibilitar espaços para uma maior participação do aluno e inclusive maior autonomia quanto ao seu desenvolvimento motor».

Para Merleau-Ponty (1971, p 241) falar de percepção é falar do corpo como ele afirma «meu corpo é a textura comum de todos os objectos e ele é, pelo menos em relação ao mundo percebido o instrumento geral de minha compreensão. O mundo percebido é o conjunto dos caminhos de meu corpo». O deficiente visual mais do que qualquer indivíduo compreende o mundo ao seu redor através de seu corpo.

Com os ajustes necessários e a estimulação adequada é possível criar uma metodologia de ensino para inúmeras actividades desportivas destinadas às pessoas com deficiência visual.

Winnick (2004, p. 182), cita uma frase de um atleta chamado Tim Willis que resume com propriedade o que estamos à procura com este trabalho: «Não ver não significa falta de visão». Com base nisto, percebemos que o grande desafio dos professores está no planeamento adequado e coerente na forma de ensinar, para que as pessoas cegas e com baixa visão possam participar activamente nas aulas de Educação Física e em outras práticas possíveis como os desportos na natureza.

De acordo com Winnick (2004), as actividades de aventura como ele costuma chamar voltada para pessoas com deficiência, teve início por volta de 1971 e apresentou um crescimento considerável nos últimos 30 anos. Nesta época já se acreditava que tais actividades poderiam estimular «o desenvolvimento de confiança individual e colectiva, cooperação, confiança, coragem, independência e competência ». Winnick (2004 p.472).

Porém os desportos oferecidos quase sempre não ofereciam grandes dificuldades em termos de sistematização. Os que envolviam um risco aparente como os que são realizados em altura, eram considerados pela maioria dos professores como desportos não ortodoxos para grupos especiais.

Hoje sabemos que é possível oferecer actividades de aventura para pessoas com deficiência visual através de programas estruturados com base nas ferramentas pedagógicas que a Educação Física dispõe.


5. Desporto para Deficientes Visuais

Em Portugal , a Associação Nacional de Desporto para Deficientes Visuais é uma associação sem fins lucrativos e desenvolve a sua actividade no âmbito do desporto para deficientes visuais.

A ANDDVIS possui âmbito nacional e representa os clubes desportivos nela filiados que integrem praticantes desportivos com deficiência visual, bem como praticantes desportivos filiados a título individual.

A associação tem por objecto fomentar, promover e desenvolver o desporto para deficientes visuais.

O papel do profissional de Educação Física é fundamental na integração destas pessoas, mas só mais recentemente os professores se têm preocupado com actividades físicas adaptadas para este público e, não menos importante, com a concepção da inclusão social e maior divulgação e popularização do desporto.

Os deficientes ou portadores de necessidades especiais, como indivíduos, têm as mesmas necessidades básicas de uma pessoa dita "normal". Mesmo com uma aparência física diferente dos outros, eles também querem ter sucesso, reconhecimento, aprovação, e serem desejados.

Conforme Freitas e Cidade (1997) e Duarte e Lima (2003), os deficientes ficam excluídas de uma participação activa na sociedade, em razão de obstáculos físicos: portas demasiadamente estreitas para permitirem a passagem de uma cadeira de rodas; escadas e degraus inacessíveis em edifícios, autocarros, comboios e aviões; telefones e interruptores de luz colocados fora do seu alcance, instalações sanitárias que não podem utilizar. Também se vêem excluídas por outros tipos de barreiras, como por exemplo, na comunicação oral, quando não se leva em conta as necessidades das pessoas portadoras de deficiências auditivas, ou na informação escrita, quando se ignoram as necessidades dos deficientes visuais.

Estas barreiras são o resultado da ignorância e da indiferença; existem, embora muitas delas pudessem ser evitadas, com poucos gastos, mediante um planeamento cuidadoso. Embora em alguns países existam leis especiais e tenham sido realizadas campanhas de educação do público visando a eliminação de tais barreiras, o problema continua a ser crucial.

Soler (2005) afirma que o desporto traz muitos benefícios, proporcionando o desenvolvimento global destas pessoas, tornando possível reconhecer suas habilidades e integrá-los na sociedade, uma vez que isso proporciona elevação da auto-estima. O convívio com outras pessoas que enfrentam as mesmas dificuldades traz para os deficientes a superação das suas dificuldades (físicas e psicológicas), a melhoria dos seus relacionamentos amorosos, costuma ser difícil ou até impossível que as pessoas deficientes mantenham relacionamentos estreitos e íntimos com as outras pessoas "deficientes" e ficam à margem do casamento e da paternidade, mesmo que não haja razão nenhuma para isso. Segundo Admas (1985), os efeitos sociais e psicológicos que acompanham alguns deficientes podem criar maiores problemas do que propriamente a incapacidade física. Através da prática desportiva tem-se observado uma melhoria significativa da socialização do deficiente e motivação necessária para participarem na comunidade com mais ímpeto para produzir, trabalhar e assumir papeis de liderança na comunidade.

Segundo Soler (2005), os desportos servem para aumentar o sentimento de autonomia. Os jogos servem para explorar o mundo que o rodeia, reforça a convivência, o alto grau de liberdade faz com que os relacionamentos fiquem mais saudáveis por esse motivo deve-se tentar criar jogos de encontro e não de confronto. O equilíbrio corpo e alma actuam como um circuito auto-regulável de tensões e relaxamento, produz normasvalores e atitudes, possibilita as fantasias, induz a novas experiências, torna as pessoas mais livres.

Cada pessoa tem o direito de escolher a actividade que melhor se adapta, atendendo às suas expectativas e objectivos. Com os deficientes não deve ser diferente, porém deve se observar sempre as suas limitações a fim de minimizar as limitações ou dificuldades impostas por sua deficiência.

A pessoa deficiente só deve participar numa actividade motora se houver interesse da sua parte (factor intrínseco) e se as condições de factores externos forem a seu favor (factores extrínsecos). Por vezes é difícil, respeitar este «slogan» de «Desporto para todos», visto que, nem todas as localidades possuem condições, tanto a nível financeiro como humano para disponibilizar igualdade no que diz respeito á prática de desporto.


6. Desportos na Natureza ou Desportos de Aventura

Os desportos de aventura surgem espontaneamente por volta da década de 60 e desenvolvem-se dos anos 70 em diante, em grande parte devido a novos valores sociais que surgiam na época em uma sociedade pós-moderna.

Pode-se dizer que os desportos na natureza surgiram na ruptura das práticas desportivas convencionais, provenientes de modalidades olímpicas.

Na actualidade, os desportos na natureza têm desempenhado um papel tanto social como educacional e têm proporcionado algumas mudanças como:

  • Ocupação do tempo livre numa sociedade tecnologicamente desenvolvida e consequentemente cada vez mais stressante;
  • Revitalização de áreas rurais, antes em completa decadência;
  • O despertar de interesses políticos e financeiros em todo o mundo, levando à criação de leis que regulamentam o acesso e utilização dos variados ambientes.

O «tempo livre» é uma expressão dos tempos modernos, que reflecte claramente o modo de vida das pessoas que tentam encontrar lacunas nas suas vidas em busca de algo que se distancie das responsabilidades quotidianas.

Estas pessoas têm vindo a descobrir nos desportos na natureza, formas rápidas de sentir novas sensações que aliviam de certo modo os sintomas do stress físico.

A prática desportiva na natureza leva os seres humanos a contemplar a fauna, a flora, além de proporcionar uma aproximação com o meio ambiente e criação de novos vínculos sociais. Deste modo, a convivência na natureza através das práticas desportivas é o principal fio condutor que contribui para que as pessoas em situação de deficiência possam não só sentir-se realizadas, mas sim perceber o quanto o desporto desenvolve aptidões, estímulos, sensações e emoções.

Conforme já ressaltou Munster (2004) a prática de desportos na natureza não é estabelecida em função do grau a que estão submetidas as pessoas em situação de deficiência, porém essas actividades devem primar pelas características individuais de cada pessoa e, portanto, de cada deficiente envolvido nessa prática. Neste contexto, cabe considerar que os limites inerentes às práticas desportivas são superados pelas pessoas com deficiências, quando comentamos: «sempre que se encara o desconhecido, ampliase os seus limites». Assim, ao caracterizar a vivência nesta prática social tive a certeza de que um dos maiores desafios dos deficientes é superar obstáculos, vencer barreiras, através da aventura, dos desportos de aventura:

  • Percorrer trilhas pelas matas;
  • Participar de Rafting (descida de rios de corredeiras em botes insufláveis, onde é possível descer quedas de água com altura média entre 50 cm a 3,5m);
  • Realizar a tirolesa.

A relação homem-natureza pode se dar a partir do momento que se concebe o desporto como um importante componente de convivência harmoniosa, capaz de estreitar distâncias, aproximar seres, romper limites.

A inclusão sócio-educacional das pessoas em situação de deficiência nas práticas sociais que envolvem a participação nos desportos na natureza, devem respeitar princípios básicos no que tange a adequação e/ou adaptação do local onde as práticas desportivas vão ocorrer. Em se tratando do deficiente, por exemplo, monitores, estagiários, professores, etc. devem observar o ambiente no que se refere o espaço físico, bem como as actividades que vão ser realizadas. Segundo Munster (2004) daí a importância de ter os seguintes cuidados:

a. ao local onde se desenvolverá a actividade: todo equipamento possui dimensões próprias e adaptar-se a esse ou aquele espaço, requer tempo. Enquanto o aluno vidente reconhece e domina o ambiente por meio do contacto visual, o portador de deficiência visual necessita interagir com o espaço, percorrendo-o em todas as dimensões possíveis;
b. aos locais que cercam o espaço da actividade: tais como os acessos de chegada e saída, balneários, bebedouros, escadarias etc. Faz-se necessário perceber que o local de «trabalho» não se resume apenas ao local de «actuação directa» reservado para o desenvolvimento motor do aluno, ou seja, uma vez que o aluno com deficiência visual tem como pontos de referência também as informações auditivas, é importante que ele tenha uma dimensão do espaço de «influência indirecta» em que irá actuar;
c. à disposição dos materiais e obstáculos comuns e inerentes ao local de trabalho: o educador deve analisar as diferentes possibilidades de utilização do espaço físico e verificar as condições de segurança do mesmo, observando se existem obstáculos desnecessários ou indesejáveis que necessitem ser removidos ou que exijam protecção, na tentativa de prevenir possíveis acidentes. O aluno deverá ser informado de toda e qualquer alteração que venha a ocorrer na disposição dos equipamentos ou materiais no espaço físico;
d. aos locais que antecedem ou sucedem o espaço onde será desenvolvida a actividade: tal como o caminho a ser percorrido durante o deslocamento.


7. Modalidades Desportivas praticadas por deficientes visuais

Existe uma variedade de desportos praticados por atletas deficientes visuais e cegos, nacional e internacionalmente. Alguns são reconhecidos pela International Blind Sport Federation (IBSA), entidade que rege o desporto internacionalmente, o qual no nosso país é gerido pela Associação Nacional de Desporto para Deficientes Visuais (ANDDVIS).

Os desportos considerados para olímpicos de verão e reconhecidos pela IBSA são: Goalball, Atletismo, Ciclismo, Judo, Natação, Hipismo. E apesar de ser reconhecido pela IBSA, mas sem constar do Programa Para olímpico, está o Futsal.

Além desses, há outros desportos praticados por deficientes visuais e cegos que não são reconhecidos pela IBSA.: Basquete, Voleibol, Vela, Esqui Aquático, Showdown (adaptação do ténis de mesa), Patinagem, Canoagem, Remo, Corrida de Orientação, Montanhismo, Xadrez, Rapel, Lutas (olímpica e greco-romana) e uma variedade de desportos de Inverno.


GOALBALL

Foi inventado, em 1946 pelo austríaco Hanz Lorenzen e pelo alemão Sett Reindle, com o intuito de ajudar na reabilitação de veteranos de guerra que ficaram cegos. Sua estreia em Jogos Para-Olímpicos ocorreu em Toronto, Canadá, em 1976.

 
Goalball - 15.Jul.2011 - jogo Alemanha x Japão


O Goalball é disputado em uma quadra que mede 9 metros de largura e 18 metros de comprimento, ou seja, a mesma dimensão de uma quadra de voleibol, com traves que cobrem todo o fundo da quadra. Cada equipe é composta por três atletas titulares e três reservas.

As diferentes áreas de um campo de Goalball

área de
Equipa
área de
Lançamento
área
Neutra
área
Neutra
área de
Lançamento

área de
Equipa


O Goalball é um desporto criado e praticado exclusivamente por atletas portadores de deficiência visual que participam na mesma classe, segundo as normas de classificação da International Blind Sports Federation (IBSA), como B1, B2 e B3, separados por sexo masculino e feminino.

No desenvolvimento do jogo só podem ser feitos arremessos rasteiros com a bola, cuja medida é de 76 cm de diâmetro e peso de 1,250 Kg. A cor é semelhante à bola de basquetebol, entretanto há furos que permitem a emissão de sons produzidos pelos guizos que ficam na sua parte interna.

A emissão dos referidos sons tem como função dar uma melhor noção aos atletas da trajectória da bola durante o jogo, tanto no ataque como na defesa. Vale salientar que os espectadores devem permanecer em silêncio absoluto para que os atletas tenham uma melhor concentração durante o jogo.

Ao fazerem os arremessos, os jogadores posicionam-se de pé e, geralmente, ficam agachados, ajoelhados ou deitados para executar a defesa buscando, através de deslocamentos laterais, ocupar a maior área possível da quadra.


ATLETISMO

Por ser considerado o desporto de base, visto que envolve e desenvolve os movimentos naturais do homem, como correr, saltar, arremessar/lançar, serve de base para os outros desportos. Entretanto que o referido desporto é parte fundamental para o bom desenvolvimento da aptidão física e social.


 
Brasil: Daniel Mendes - atleta paraolímpico cego

 


A ― CORRIDAS:

  • 100m
  • 200m
  • 400m
  • 800m
  • 1500m
  • 3000m
  • 5000m
  • 10000m
  • Maratona


Estafetas:

  • 4 x 100m
  • 4 x 400m


B - SALTOS:

  • No sentido horizontal: Distância e triplo
  • No sentido vertical: Altura


C - ARREMESSOS:

  • Peso


D ― LANÇAMENTOS:

  • Dardo
  • Disco


E ― PROVAS COMBINADAS

  • Pentatlo


A prova de estafetas 4 x 100 e 4 x 400m também são disputados com a finalidade de desenvolver o espírito de equipa entre os participantes, pois o Atletismo é considerado um desporto individual.


CICLISMO

Nesta modalidade os atletas devem pertencer às categorias B1, B2 e B3 do sexo masculino e feminino, individual ou por equipa. As regras são praticamente iguais as regras do ciclismo convencional, com algumas modificações.


 
Matt King: ciclista Paraolímpico cego em bicicleta tandem

A segurança, a classificação dos atletas, além das adaptações das máquinas, são algumas das especificidades da modalidade. O atleta compete em bicicleta «tandem» (com dois assentos) e com um guia, todos os competidores vão sentados no banco de trás, na condição de co-piloto.

Podem participar como piloto (guia) todos os ciclistas de qualquer categoria. A única condição é que não tenha sido convocado pela sua federação nacional para nenhum campeonato internacional nos três anos anteriores à prova. As provas são de estrada, contra relógio e velódromo (figura em baixo).


JUDO

Modalidade reservada aos atletas portadores de deficiência visual em todos os pesos e classes: B1, B2 e B3.

As regras são as mesmas da Federação Internacional de Judo, com algumas adaptações. Por exemplo, no início da luta os atletas são colocados próximo um do outro e o árbitro induz-lhes a realizarem um leve contacto para terem uma orientação espacial da distância que os separa.

 


Judo: adaptações para atletas cegos


Também não há punição para a ultrapassagem da área de combate no tatame e as advertências são feitas por meios audíveis. As competições se dividem em sete categorias de peso. A principal adaptação feita para essa modalidade é a diferença de textura do tatame que indica os limites da área de competição.


HIPISMO

Modalidade Para olímpica desde 1996, nos Jogos de Atlanta, o desporto equestre vem se afirmando definitivamente no mundo para desportivo.


Torey, uma cavaleira cega


Após classificação e qualificação realizada pela comissão técnica oficial, são admitidos para essa modalidade todos que apresentam deficit parcial ou total de algum órgão sensorial, função reduzida ou ausência de membros, amputações, limitação de função do tronco.

O adestramento é uma modalidade compatível com todas as idades, habilidades e estágios de equitação e, por esse motivo, considerado desporto arte. A beleza deste desporto está no incentivo, aprendizagem e experimentação, que fazem aguçar os sentidos e levam o indivíduo a melhorar a sua postura, propriocepção e sensibilidade.


FUTSAL

A dimensão do campo é a mesma que se utiliza para o Futsal convencional, acrescenta-se apenas uma banda lateral de um metro e vinte de altura (parede que impede a bola de sair pela lateral).


Equipa portuguesa de Futsal para invisuais [Julho de 2011]

Vale salientar que a IBSA recomenda que os jogos oficiais devam ser em recintos descobertos para evitar o eco.

Dentro da bola, devem conter guizos ou outro material que emita som para facilitar a orientação dos atletas.

O guarda-redes possui visão normal e por essa razão sua área de actuação é restrita: dois metros à frente e cinco metros de largura, um metro lateral de cada poste da baliza e dois metros à frente.

Havendo qualquer actuação fora dessa área é marcada a penalidade máxima.


NATAÇÃO

Constitui-se numa modalidade de desporto das mais completas, sob o ponto de vista do desenvolvimento motor. A natação não é uma actividade destinada apenas a promover alegria e prazer, ela é também encarada como importante factor de equilíbrio no exercício de outras actividades de trabalho, razão pela qual para sua prática, não existem limites nem limitados.


 
Natação para Pessoas com Deficiência Visual: Equipe da Santa Luzia de Itu


Para dar maior equilíbrio às competições, existe um sistema de classificação funcional B1, B2 e B3.

Todas as classificações se realizam a partir do melhor olho com a melhor correcção possível.

As provas são em quatro estilos: peito, costas, livre e borboleta.

As regras são as mesmas da Federação Internacional de Natação Amadora e as adaptações são feitas na largada, viragem e chegada dos atletas.

Os nadadores cegos recebem aviso do árbitro por meio de uma varinha com ponta de espuma ao se aproximarem das bordas da piscina. Os nadadores B1 devem nadar com óculos do tipo «blackout».

Estas são as provas que compõem o programa de natação para competições Nacionais e Internacionais, Masculina e Feminina:

  • 50m livres
  • 100m livres
  • 200m livres
  • 400m livres
  • 100m costa
  • 200m costa
  • 100m peito
  • 200m peito
  • 100m borboleta
  • 200m borboleta
  • 200m medley
  • 400m medley
  • Est: 4x50m livre
  • Est: 4x100m livres
  • Est: 4x50m medley
  • Est: 4x100m medley


XADREZ

É considerado o desporto rei entre os cegos, pelo grande número de praticantes e pelo alto nível alcançado nas competições nacionais e internacionais.


 
Xadrez para cegos - AVAPE

As competições de xadrez são regulamentadas pela Federação Internacional de Xadrez complementadas e adaptadas quando um ou dois jogadores são cegos.

Dentre as adaptações, uma das mais conhecidas é a permissão dada aos jogadores para poder tocarem suas peças e as dos adversário, para uma melhor orientação e elaboração da jogada.

Outra adaptação são os furos no tabuleiro e pinos nas peças.


8. Conclusão

Ao realizar este trabalho, ficamos a conhecer melhor a Educação Física Adaptada e o Desporto Adaptado, em especial para grupos com necessidades especiais visuais.

Ao longo deste trabalho, demonstramos a importância de uma análise crítica dos critérios terminológicos, conceituais e das classificações existentes na organização das actividades para pessoas cegas ou com baixa visão.

Alguns autores como Munster apud Almeida (2002), destacam a necessidade de adequação das actividades motoras às pessoas com deficiência em especial as de baixa visão que costumam ser menos ou mal estimuladas.

A Motricidade Humana que é um termo criado por Cunha, (1991) levou-nos a reflectir sobre o verdadeiro papel da Educação Física na sociedade moderna. Não podemos mais imaginar o ser humano em partes separadas de um todo. Se assim fosse, as pessoas que têm algum tipo de deficiência e por se tratar da falta de algum membro ou ineficiência de algum órgão sensorial não deveriam fazer qualquer tipo de actividade física ou intelectual.

Felizmente não somos como uma máquina repleta de engrenagens que quando uma delas falha, compromete definitivamente seu funcionamento.

Felizmente a Educação Física e o Desporto Adaptado que conhecemos hoje não segue esta linha de pensamento. Não separamos mais corpo e mente, mas trabalhamos com a infinita complexidade e pluralidade dos seres humanos. Este trabalho não seria possível se fosse imaginado somente em partes. Foi necessário compreender o conjunto para que tudo funcionasse de maneira harmoniosa.


9. Bibliografia

  • ALMEIDA, José Júlio Gavião de. Metodologia Aplicada ao deficiente visual. In curso de capacitação de professores multiplicadores em educação física adaptada. Brasília: Ministério da Educação,2002
  • MELO, C. P. Pessoas deficientes: algumas coisas que é preciso saber. São Paulo: Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa Deficiente, 1986.
  • MUNSTER, Mey de Abreu Van. Apud ALMEIDA, José Júlio Gavião: Metodologia aplicada ao deficiente visual. In Curso de professores multiplicadores em educação física adaptada. Brasília: Ministério da educação, 2002.
  • SACKS, Oliver W. Um antropólogo em Marte: sete histórias paradoxais. Tradução Bernardo Carvalho. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
  • VEIZMAN,S., Visão subnormal. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 2000.

 

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título: Educação física e desportos adaptados
autor: Joseph P. WINNICK
tradução: Fernando Augusto Lopez
título original: Adapted Physical Education and Sport
editora: Manole
ano: 2003


 

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11.Dez.2011
publicado por MJA