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nistagmo
 

 
vídeo YouTube: nistagmo congénito

 


Nistagmo

Portal de Oftalmologia


Definição

O termo nistagmo ou nistagmus é usado para descrever os movimentos oculares oscilatórios, rítmicos e repetitivos dos olhos. É um tipo de movimento involuntário dos globos oculares, geralmente de um lado para o outro e que dificulta muito o processo de focagem de imagens. Os movimentos podem ocorrer de cima para baixo ou até mesmo em movimentos circulares e podem surgir isolados ou associados a outras doenças.

Os nistagmos variam de caso a caso e podem ser classificados de acordo com a manifestação clínica. Os principais tipos são: fisiológico, congénito, spasmus nutans, nistagmo do olhar, nistagmo vestibular, nistagmo por distúrbio neurológico, nistagmo voluntário e nistagmo histérico. Em geral, provocam incapacidade de manter fixação estável e significativa ineficiência visual, especialmente para visão à distância. Estima-se que os nistagmos afetam 1 em cada 1000 nascidos vivos.

As oscilações do nistagmo podem dar-se num ou em ambos os olhos, numa ou em todas as posições. O nistagmo congénito raramente surge logo ao nascimento e é mais frequente entre as 8 e as 12 semanas de vida. Se não for detectado nos primeiros meses de vida, deve ser um nistagmo adquirido.


Causas

O nistagmo pediátrico difere muito do nistagmo iniciado na fase adulta. Na infância, o nistagmo pode ter causas relacionadas com um defeito do olho ou na relação de comunicação entre o olho e o cérebro. Aparece, ainda, associado a cataratas, glaucoma, desordens de retina, albinismo e a pacientes com síndrome de Down. Alguns tipos de nistagmo podem ser hereditários, outros são de causa desconhecida.

O nistagmo adquirido, que se desenvolve ao longo da vida, pode ser um sintoma de esclerose múltipla ou estar associado a lesão neurológica aguda nas vias motoras oculares localizadas no tronco cerebral ou cerebelo, labirintites e maculopatias entre outras doenças.


Tratamentos

Nas crianças, é importante um apoio educacional adequado com o objetivo de melhorar o processo de focalização de imagens e de se fazer um bom condicionamento visual. Indica-se boa ergonomia de ambientes em casa, aumento de letras em computadores e ainda um trabalho específico voltado para esse problema.

A terapêutica para o nistagmo ainda é limitada atualmente, mas muito pode ser feito para melhorar a visão de quem tem esse problema.

Pode-se recorrer à ortóptica (oclusão alternada), tratamento óptico (com uso de prismas) para corrigir o mau posicionamento da cabeça e substituição dos óculos por lentes de contato (para prevenir outros problemas oftalmológicos).

Há ainda o tratamento medicamentoso, através de substâncias estimuladoras do sistema neurotransmissor inibitório ou depressoras do sistema neurotransmissor excitatório. Novos estudos existem sobre a aplicação da toxina botulínica, mas sem resultados comprovados até o momento.

O tratamento cirúrgico do nistagmo consegue a melhoria da acuidade visual através de procedimentos específicos nos músculos dos olhos.


Fonte: Portal da Oftalmologia


Actualizado por MJA [31-Jan-12]


Como eu trato o Nistagmo


Dr. Luís Eduardo Morato


Apesar do ininterrupto movimento dos olhos, os portadores de nistagmo não se queixam de oscilopsia (percepção ilusória de movimento do ambiente) e quase sempre têm um ponto ou área em que os movimentos oscilatórios são minimizados (zona de bloqueio ou null position), o que pode variar um pouco para cada olho.

Esses pacientes podem assumir uma posição viciosa da cabeça (torcicolo) com o intuito de situar os olhos na posição em que as condições visuais mais se aproximam do normal.

Outros mecanismos de bloqueio, são o posicionamento dos olhos em posições extremas e em convergência (o que explica a melhor acuidade visual para perto).

Ao contrário da zona de bloqueio, na qual a actividade electromiográfica diminui, existe nas referidas manobras, um aumento da actividade muscular.

A associação do nistagmo com estrabismo, em particular com a esotropia precoce com limitação de abdução, é frequente. Essa situação foi inicialmente descrita por Ciancia em 1962 e denominada de síndrome do nistagmo bloqueado.

As oscilações induzidas pela oclusão monocular e caracterizadas por um movimento em sacudida com a fase lenta no sentido do olho coberto, são denominadas de nistagmo latente. Os movimentos são bilaterais e simétricos, similares em amplitude e frequência e atribuídos a distúrbio congénito oculomotor.

Relata-se a ocorrência em associação com esotropia congénita e desvio vertical dissociado (DVD).

A terapêutica para o nistagmo tem-se mostrado limitada. No passado, a busca pela melhor acuidade visual, passou pela ortóptica (oclusão alternada) e por métodos pleópticos (pós imagem seguida de apresentação de objectos reais).

Actualmente o tratamento medicamentoso emprega substâncias estimuladoras do sistema neurotransmissor inibitório (ácido gamma-amino-butírico/GABA) ou depressoras do sistema neurotransmissor excitatório (glutamato). Recentemente a utilização da toxina botulínica incrementou o arsenal terapêutico mas ainda não apresentou resultados consistentes.

Em relação ao tratamento óptico, o mais difundido é o uso de prismas. Isto se dá com duas finalidades: corrigir o mau posicionamento da cabeça, resultante de uma posição de bloqueio distinta da posição primária (bases prismáticas colocadas para o mesmo lado) e estimulação da convergência (bases deslocadas temporalmente).

A substituição dos óculos por lentes de contacto é outra alternativa terapêutica. Holanda de Freitas e cols. e Dell Osso e cols. constataram melhoria da acuidade visual nos pacientes assim tratados. Uma possível explicação para este facto é o permanente e correcto posicionamento do centro óptico da(s) lente(s), relativamente ao(s) do(s) olho(s).

O tratamento cirúrgico do nistagmo objectiva a melhoria da acuidade visual e a eliminação do torcicolo. Na maior parte das vezes realiza-se a cirurgia proposta por Kestenbaum e por Anderson, ou seja, por meio de retrocessos e ressecções movem-se os quatro músculos rectos horizontais com o intuito de transferir a zona de bloqueio para a posição primária do olhar. Numerosos autores têm proposto o amplo retrocesso desses músculos (mais amplo para os músculos rectos laterais ) com o objectivo de aumentar o tempo de permanência da imagem na fóvea.

Há, ainda, outra variante cirúrgica que visa provocar uma divergência artificial nos pacientes que requerem convergência para a fusão, a qual diminui o nistagmo (Procedimento de Cuppers).
 

Fonte: Conselho Brasileiro de Oftalmologia
 

Actualizado por MJA
[31-Jan-12]