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 Sobre a Deficiência Visual

 

NEUROPATIAS ÓPTICAS
 

Diagrama do olho humano mostrando o nervo óptico
G = nervo óptico    |     H = retina
 


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Neuropatias ópticas

Angela Maestrini


O termo neuropatia óptica se refere a distúrbios que envolvem toxicidade ou isquemia do nervo óptico. O termo neurite óptica se refere a condições inflamatórias ou desmielinizantes. O diagnóstico diferencial das neuropatias e das neurites ópticas abrange as seguintes condições:

  • desmielinização (idiopática, esclerose múltipla);

  • vascular (neuropatia óptica isquêmica, arterite de células gigantes, hipertensão, diabetes mellitus, lupus eritematoso sistêmico, sífilis);

  • compressiva (tumor orbitário, meningioma, adenoma hipofisário, aneurismas);

  • infiltrativa (carcinoma, linfoma, pseudotumor inflamatório);

  • inflamatória (granulomatosa, piogênica);

  • hereditária (neuropatia óptica de Leber, degeneração espinocerebelar);

  • tóxica (tabagismo, alcolismo, drogas, nutricional).

 

Neuropatia óptica

a) Neuropatia óptica isquêmica (NOIA)

É uma doença associada ao suprimento arterial ciliar posterior da cabeça do nervo óptico. É caracterizada por perda súbita da visão (defeito altitudinal ou escotoma central) por oclusão vascular. Embora os sintomas sejam unilaterais inicialmente, o segundo olho acaba sendo invariavelmente afetado. À oftalmoscopia observa-se edema pálido do disco óptico e atenuação dos vasos retinianos. De 5 a 30% dos pacientes apresentam arterite de células gigantes (forma arterítica), porém a maioria dos pacientes apresenta outras doenças com envolvimento vascular, como hipertensão arterial, diabetes mellitus, aterosclerose, enxaqueca (forma não arterítica). A doença acomete indivíduos de uma faixa etária mais elevada e estudos recentes sugerem que está relacionada a morbidade e mortalidade elevadas por acidente vascular cerebral e por infarto agudo do miocárdio. O tratamento inclui o controle dos fatores de risco e o uso de antiagregantes plaquetários.


b) Neurite óptica

É uma causa comum de perda súbita da visão em adultos jovens, podendo atingir qualquer segmento do nervo óptico. A baixa acuidade visual pode variar de discreta a uma perda total da visão, sendo geralmente acompanhada de dor à movimentação ocular. Outros sintomas e sinais podem incluir: escotoma central, fotofobia, alteração da visão de cores e defeito pupilar aferente. Em 90% dos pacientes, a alteração é uniocular e a recuperação da visão se dá em 4 a 6 semanas. Na papilite, observa-se edema hiperêmico do disco óptico na fase aguda, podendo estar presentes hemorragias peripapilares. Na neurite retrobulbar, o disco óptico pode estar normal. Palidez da papila e atrofia óptica se desenvolvem em 70% dos pacientes. Pode haver associação com esclerose múltipla, principalmente nas forma retrobulbar.


A investigação de rotina nos pacientes com neuropatia óptica são:

  1. história (tabagismo, alcoolismo, história familiar);

  2. exame clínico (acuidade visual, aspecto do disco óptico, defeito pupilar aferente);

  3. outros exames: (hemograma completo, velocidade de hemossedimentação, glicemia, função hepática, sorologia para sífilis, tomografia computadorizada do encéfalo, órbita e nervos ópticos, ressonância eletromagnética, potencial evocado visual, eletrorretinografia, punção lombar).

O risco de desenvolvimento de esclerose múltipla após um episódio de neurite óptica é variável (30-50% em adultos e 5-17% em crianças). Alguns fatores aumentam o risco: sexo masculino, idade acima de 20 anos, neurite óptica bilateral, bandas oligoclonais no líquido céfalo-raquidiano).

O tratamento da neurite óptica é ainda controverso, sendo que a muitos pacientes obtêm uma recuperação espontânea completa. Estudos multicêntricos recentes mostram que o tratamento endovenoso com metilprednisolona acelera a recuperação visual e pode proporcionar uma melhor acuidade visual final. Prednisona oral isolada, além de ineficaz, parece aumentar o risco de recorrência.


Papiledema

É uma condição caracterizada por edema e hiperemia do disco óptico, causada por bloqueio do fluxo axoplásmico por aumento da pressão intracraniana. Está relacionado com patologias de base graves como lesões expansivas cerebrais ou orbitárias (tumores), hemorragias intracranianas, hidrocefalia, e outras patologias sem aumento da pressão intracraniana (hipertensão arterial maligna, obstrução venosa da retina). O disco óptico apresenta-se edemaciado, elevado, hiperemiado, com as margens mal definidas, ausência da escavação fisiológica, hemorragias peripapilares podem estar presentes. A acuidade visual pode estar normal nas fases iniciais. Quando há aumento da pressão intracraniana, a lesão é freqüentemente bilateral e o paciente deve ser encaminhado para uma investigação neurológica.


Atrofia óptica

É caracterizada por um disco óptico pálido e plano, baixa acuidade visual, podendo ocorrer defeito pupilar aferente. Representa, em geral, estágio avançado ou final de processo patológico ocorrido em alguma região ao longo do nervo óptico. Freqüentemente a atrofia é mais acentuada no setor temporal.

São causas primárias de atrofia óptica: neurite óptica, neuropatia óptica isquêmica, drogas e toxinas (tabaco, etambutol), infecções (sífilis, herpes zoster), tumores do nervo óptico, compressão do nervo óptico (tumor de hipófise, lesões orbitárias, traumatismo, metabólicas (deficiência de vitaminas B12 e B1), hereditárias (atrofia óptica de Leber, outras doenças neurodegenerativas).

Causas secundárias incluem: a atrofia óptica que se segue à resolução de papiledema prolongado, estágios finais de doenças oculares como retinose pigmentar, coroidites, glaucoma.


Referências Bibliográficas

  1. DANTAS, A.M., SPIELMANN, A., LALANNE, M., CORBE, C., SPIELMANN, A. Neuro-oftalmologia. Ed. Cultura Médica, Rio de Janeiro, 1a ed., 1999, 578 p.

  2. DODSON, P.M., GIBSON, J.M., KRITZINGER, E.E. Clinical retinopathies. Chapman & Hall Medical, London, 1a ed., 1995, 174 p.

  3. KANSKY, J.J. Clinical Ophthalmology. Butterworth-Heinemann, Oxford, 4a ed., 1999, 673 p.

  4. MELLO, P.A.A. Glaucoma. Princípios gerais e tratamento. Ciba Vision Co., Rio de Janeiro, 1a ed., 1999, 221 p.

  5. SUSANNA Jr., R. Glaucoma. Ciba Vision Co., Rio de Janeiro, 1a ed., 1999, 298 p


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publicado por MJA



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Neuropatia Óptica de Leber

Grupo Retina São Paulo


Esta doença hereditária afeta tipicamente Inícions de 10 a 30 anos de idade. Apresenta-se com diminuição da acuidade visual severa e indolor em um dos olhos. O exame oftalmológico revela, nesta fase, alterações do reflexo pupilar e do campo visual, podendo ocorrer também alterações no fundo do olho (pseudoedema do disco óptico, telangiectasia peripapilar e tortuosidade das arteríolas de tamanho médio). O olho contralateral é afetado geralmente dentro de semanas ou meses, quando o primeiro olho passa a mostrar palidez do disco óptico, com perda da telangiectasia peripapilar. Recuperação parcial da visão tem sido notada em aproximadamente 15% dos pacientes.

A neuropatia óptica de Leber está relacionada a uma mutação no DNA mitocondrial. Apenas as mulheres transmitem a afecção, mas comumente não desenvolvem os seus sintomas. Nem todos os Inícions com comprometimento funcional das suas mitocôndrias apresentam perda visual, levando a dificuldades na elucidação da história familiar


Fonte: https://host4.hostseguro.com/~retinasp/doencas/leber.asp 

 

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publicado por MJA



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Distúrbios do Nervo Óptico

Manual Merck
 

Os pequenos nervos da retina (a superfície interna da parte posterior do olho) detectam a luz e transmitem impulsos ao nervo óptico. Por sua vez, este nervo transmite os impulsos ao cérebro. Um problema em qualquer ponto ao longo do nervo óptico e de seus ramos ou uma lesão nas áreas posteriores do cérebro que detectam os estímulos visuais, podem provocar alterações da visão. Os nervos ópticos seguem um trajeto incomum desde os olhos até a parte posterior do cérebro. Cada nervo divide-se e a metade de suas fibras cruzam para o lado oposto em uma área denominada quiasma óptico.

Devido a esta disposição anatômica, a lesão ao longo do trajeto do nervo óptico produz padrões peculiares de perda da visão. Quando o nervo óptico é lesado entre o globo ocular e o quiasma óptico, o indivíduo pode apresentar cegueira deste olho. No entanto, quando o problema está localizado na parte posterior do trajeto do nervo óptico, pode ocorrer perda da visão de apenas uma metade do campo visual de ambos os olhos, uma condição denominada hemianopia. Quando ambos os olhos perdem a visão periférica, a causa pode ser uma lesão do quiasma óptico. Quando ambos os olhos perdem metade do campo visual do mesmo lado (p.ex. lado direito), a causa geralmente é uma lesão no trajeto do nervo óptico localizado no lado oposto do cérebro (o lado esquerdo), causada por um acidente vascular cerebral, uma hemorragia ou um tumor.


Trajecto das Vias Visuais

O nervo óptico de cada olho divide-se e a metade das fibras nervosas de cada lado cruza para o lado oposto no quiasma óptico. Por causa dessa disposição, o cérebro recebe informações tanto do campo visual esquerdo quanto do direito através de ambos os nervos ópticos.



Papiledema

O papiledema é uma doença na qual o aumento da pressão em torno do cérebro acarreta edema do nervo óptico no ponto em que ele entra no olho. A doença, que quase sempre afeta ambos os olhos, geralmente é causada por um tumor ou por um abcesso cerebral, por um traumatismo crânio-encefálico, por uma hemorragia cerebral ou das meninges (membranas que revestem o cérebro), por um pseudotumor cerebral, pela trombose do seio cavernoso ou pela hipertensão arterial grave.

As doenças pulmonares graves também podem aumentar a pressão no cérebro, causando o papiledema. No início, o papiledema pode causar cefaleia sem afetar a visão. O tratamento depende da causa do aumento da pressão no cérebro. Para aliviar a pressão, pode ser necessário um tratamento medicamentoso ou uma cirurgia. Quando a pressão alta não é reduzida rapidamente, o nervo óptico e o cérebro poderão ser lesados de modo permanente.


Papilite

A papilite (neurite óptica) é a inflamação da extremidade do nervo óptico, no ponto onde ele entra no olho. A papilite pode ser decorrente de várias causas, embora a sua causa exata freqüentemente seja desconhecida. Nos indivíduos com mais de 60 anos, a arterite temporal é uma causa importante. A papilite também pode ser causada por distúrbios virais e imunes. Embora a papilite comumente afete apenas um olho, ela pode ocorrer em ambos. O resultado é a perda da visão, a qual pode variar de um pequeno ponto cego até a cegueira total em um ou dois dias. Algumas vezes, a perda é permanente.

O indivíduo pode ou não sentir dor. Para estabelecer o diagnóstico, o médico verifica se a visão é normal em todas as áreas, examina o nervo óptico com o auxílio de um oftalmoscópio (um instrumento utilizado para examinar o interior do olho) e realiza testes para verificar se as pupilas respondem normalmente à luz. Às vezes, é necessária a realização de uma tomografia computadorizada (TC) ou de uma ressonância magnética (RM). O tratamento depende da causa. Freqüentemente, corticosteróides são administrados como tratamento inicial.


Neurite Retrobulbar

A neurite retrobulbar é a inflamação da parte do nervo óptico localizada imediatamente atrás do olho. Normalmente, ela afeta apenas um olho. Várias doenças podem causar inflamação e, conseqüentemente, lesão da área. A causa freqüentemente é a esclerose múltipla. Contudo, várias outras doenças também podem desencadear a neurite retrobulbar. Algumas vezes, a sua causa não é descoberta.

A neurite retrobulbar provoca rapidamente uma perda da visão e dor à movimentação dos olhos. Um exame com o auxílio de um oftalmoscópio revela pouca ou nenhuma alteração na porção do nervo óptico visível na parte posterior do olho. Aproximadamente 50% dos episódios de neurite retrobulbar melhoram sem tratamento, freqüentemente em 2 a 8 semanas. Entretanto, o borramento do centro do campo visual algumas vezes permanece e podem ocorrer recorrências, sobretudo quando a causa é a esclerose múltipla. Cada recorrência da doença pode piorar a perda da visão.

O nervo óptico pode ser lesado de modo permanente e, em raros casos, os episódios repetidos levam à cegueira total. O tratamento depende da causa e pode incluir o uso de corticosteróides. Algumas vezes, nenhum tratamento é instituído.


Causas da Papilite e da Neurite Retrobulbar

• Esclerose múltipla
• Doença viral
• Arterite temporal e outros tipos de inflamação das artérias (vasculite)
• Intoxicação por substâncias químicas (p.ex., chumbo e metanol)
• Tumores que se disseminaram até o nervo óptico
• reacções alérgicas a ferroadas de abelhas
• Meningite
• Sífilis
• Uveíte
• Arteriosclerose


Ambliopia Tóxica

A ambliopia tóxica é uma doença similar à neurite retrobulbar que normalmente afeta ambos os olhos. Os indivíduos alcoólicos são particularmente suscetíveis, embora a causa do distúrbio possa ser a desnutrição e não o álcool. Substâncias químicas tóxicas, como as presentes na fumaça do cigarro e o chumbo, o metanol, o cloranfenicol, os digitálicos, o etambutol e muitas outras, também podem causar a doença. A ambliopia tóxica produz uma pequena área de perda da visão no centro do campo visual que aumenta lentamente e pode evoluir até a cegueira completa. Examinando o olho com o auxílio de um oftalmoscópio, o médico observa pouca ou nenhuma alteração. Os indivíduos com ambliopia tóxica devem evitar o tabaco, o álcool ou a substância química tóxica responsável. Quando o consumo de álcool é uma causa contributiva, o indivíduo deve consumir uma dieta bem equilibrada e tomar um suplemento de complexo de vitamina B. Quando a causa é o chumbo, os medicamentos quelantes ajudam a removê-lo do organismo.

Fonte: Manual Merck
 

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publicado por MJA



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Atrofia óptica dominante

Grupo Retina São Paulo

 

É a neuropatia óptica hereditária mais comum. O quadro manifesta-se na primeira década de vida, com perda visual insidiosa, freqüentemente detectada em exames de rotina. Trata-se de afecção bilateral, podendo ser assimétrica, com alterações na visão de cores e no campo visual. No fundo do olho, nota-se palidez ou escavação em cunha do disco óptico, geralmente localizada na sua porção temporal.

Para o diagnóstico, devem ser descartadas doenças do sistema nervoso central, e por isso faz-se necessária investigação, através de exames de neuro-imagem. A história familiar também é importante, assim como o exame dos membros da família. O prognóstico é variável, mas na maioria dos casos o quadro tende a se estabilizar ou progredir lentamente durante a vida.
 

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