Sobre a Deficiência Visual  
   ║início ║notícias ║a saúde
║dos olhos
║textos
║didácticos
║a cegueira
║na literatura
║a cegueira
║vista pelo
║cinema

║arte e
║cegueira

║legislação
║e ajudas

║contactos

 

hits counter

Doenças Degenerativas da Retina
 


   visão de um doente com Stargardt

 

 


Җ

DISTROFIAS DA RETINA

Retina Portugal

 

O que são as Distrofias da Retina?

As Distrofias de Retina, Coróide e Vítreo (DRCV) são afecções oculares que têm em comum o facto de provocarem a diminuição lenta e progressiva da visão. São bilaterais, hereditárias e manifestam-se depois do nascimento como resultado de uma alteração genética.

  1. A Retina
  2. As Distrofias da Retina, Coróide e Vítreo
  3. Os Sintomas das Distrofias de Retina
  4. Como se transmitem as Distrofias de Retina
  5. Medicamentos prejudiciais à Retina
  6. Simulação de perda de visão: Retinite Pigmentar Típica
  7. Simulação de perda de visão: Retinite Pigmentar Inversa
  8. Resumo das perspectivas terapêuticas

 

I. A Retina

A retina situa-se na camada mais interna do globo ocular. É uma camada celular transparente e delicada que varia em espessura desde aproximadamente 0,5 mm na retina periférica e 0,4 mm na zona posterior ao equador. Na região do pólo posterior (a área da mácula) a retina tem aproximadamente 0,2 mm de espessura ao redor de uma área de 0,2 mm2.

A retina sensorial consiste em dez estratos contendo três tipos de tecidos: neuronal, glial, e vascular. A componente neuronal consiste nas células fotoreceptoras. Aqui são convertidos sinais luminosos em impulsos nervosos que são integrados por um circuito que envolve as células horizontais, bipolares, amácrinas, e ganglionares. Estes impulsos são transmitidos pela camada de fibras nervosas que constituem o nervo óptico, ao longo das vias ópticas ao córtex visual, situado na parte posterior do cérebro.

A camada dos fotorreceptores é composta por dois tipos de células, os bastonetes e os cones, sendo os primeiros mais numerosos, cerca de 120 milhões em cada olho. Estas células distribuem-se principalmente pela periferia da retina, permitem-nos ver em condições de baixa luminosidade dando uma vaga impressão dos objectos, contudo não nos permitem distingui-los. O outro tipo de células são os cones, que povoam principalmente a região central da retina conhecida por mácula, cada olho possui aproximadamente 6 milhões destas células. Estas permitem-nos ver sob condições de alta luminosidade e são responsáveis pela visualização de cores e pela acuidade visual, ou seja, são estas células que permitem a visão de detalhe dos objectos.


II. As Distrofias da Retina, Coróide e Vítreo

As Distrofia da Retina, Coróide e Vítreo (DRCV) são afecções oculares que têm em comum o facto de provocarem a diminuição lenta e progressiva da visão. São bilaterais, hereditárias e manifestam-se depois do nascimento como resultado de uma alteração genética.

A - Distrofias da Retina

As Distrofias da Retina incluem um número grande de doenças de carácter hereditário com alterações oculares mas algumas são acompanhadas de manifestações sistémicas. Todas são caracterizadas por uma degeneração progressiva dos fotorreceptores e do epitélio pigmentado. O termo Retinopatia Pigmentada (RP) é frequentemente usado como sinónimo para esta classe de doenças. São exemplos de Distrofias da Retina as seguintes doenças:

  • Retinitis Pigmentosa (RP)
  • RP tipica
  • RP monocular
  • RP inversa
  • RP em sector
  • RP paravenosa
  • RP sem pigmento
  • Sindroma de Usher
  • Sindroma de Bardet-Bield
  • Anaurosis congénita de Leber
  • Retinitis albipuntada progressiva
  • Retinitis albipuntada estacionária
  • Azoor
  • Distrofia progressiva de cones
  • Distrofia estacionária de cones
  • Atrofia óptica de Leber
  • Enfermidade de Stargardt
  • Fundus Flavimaculatus
  • Distrofia Viteliforme de Best
  • Degeneração macular relacionada com a idade


B - Distrofias da Coróide

São alterações da camada vascular do olho. Dada a proximidade da coróide com a retina, quando uma das duas é afectada a outra também sofre em maior ou menor grau. São exemplos de distrofias da coróide:

  • Coroideremia
  • Atrofia Gyrata

C - Distrofias do Vítreo

Pela inter-relação entre o vítreo e a retina, é muito difícil que quando uma das duas seja afectada a outra não sofra alterações. Contudo, nesta categoria de doenças, encontramos o predomínio das alterações que ocorrem a nível do vítreo. Entre as mais frequentes temos:

  • A Retinosquisis Juvenil
  • A Distrofia Vitreoretiniana de Wagner e Stickler
  • A Distrofia Vitreoretiniana de Goldmann Favre
  • A Vitreoretinopatia Familiar Exudativa.


III. Os Sintomas das Distrofias de Retina

Os sintomas apresentados pelos portadores de distrofias oculares estão directamente relacionadas com o conjunto de células fotorreceptoras afectadas pela doença. As pessoas afectadas por distrofias que atingem principalmente os bastonetes, como a Retinopatia Pigmentada Típica e a Coroideremia, apresentam os seguintes sintomas:

  • Redução do campo visual periférico, ou visão tubular;
  • Redução ou ausência de percepção visual em baixas condições de luminosidade, mais conhecida por cegueira nocturna.
  • Os pacientes podem apresentar durante anos, boa acuidade visual e até mesmo boa discriminação das cores, visto que os cones se mantêm em boas condições.
  • No caso das distrofias que afectam principalmente a visão central, como a Distrofia dos cones, a doença de Stargardt, entre outras, os doentes apresentam os seguintes sintomas:
  • Redução da acuidade visual e em casos mais avançados ausência de visão central
  • Má discriminação das cores
  • Fotofobia e dificuldades em adaptação a mudanças de luminosidade. Nestes casos, é comum os pacientes preferirem a visão em baixas condições de luminosidade


IV. Como se Transmitem as Distrofias de Retina

Introdução
Já foi dito antes que as DRCV são doenças genéticas, isto é, estas doenças ocorrem devido à presença de um ou mais genes defeituosos presentes no material genético que foi transmitido pelo pai e/ou pela mãe.

O nosso material genético é constituído por ADN. Nele existem cerca de 150000 genes. O ADN está contido nos cromossomas e determina todas as nossas características físicas. Os cromossomas estão presentes no núcleo de todas as nossas células. Cada célula possui 23 pares de cromossomas. Existem 22 pares de cromossomas idênticos, designados por autossomos e um par de cromossomas sexuais. No caso das mulheres, estes cromossomas são idênticos e designam-se por XX. Os homens possuem cromossomas diferentes, um X e um outro designando por Y.

Uma criança herda metade dos cromossomas do pai e outra metade da mãe, consequentemente, metade das características de cada um. A mãe produz o óvulo que será fecundado pelo espermatozóide do pai. Estes tipos de células carregam metade do número normal de cromossomas, ou seja, 23 (as demais células carregam 23 pares ou seja 46 cromossomas).

O cromossoma sexual do espermatozóide pode ser X ou Y, enquanto que o óvulo é sempre X, sendo, por isso, o sexo da criança determinado pelo tipo de cromossoma sexual que o espermatozóide transporta. Uma vez o óvulo fecundado pelo espermatozóide, dá-se origem a uma célula completa (com os 23 pares de cromossomas) conhecida por célula ovo ou zigoto. É a partir desta célula que acontece um dos fenómenos mais espectaculares da natureza, em que se formam todos os órgãos e tecidos (inclusive a retina) dando origem a um novo indivíduo.

A RP pode ser determinada pela presença de um ou dois genes anormais, sendo, por isso, a sua transmissão feita de três formas: Autossómica Dominante, Autossómica Recessiva, Recessiva Ligada ao cromossoma X.

Autossómica Dominante
Esta forma de transmissão deve-se à existência de um gene anormal em um dos autossomas. O que quer dizer que todas as pessoas afectadas têm normalmente um dos pais afectados, neste caso o filho de uma pessoa afectada terá 50% de hipóteses de vir a ser afectado. Se o filho de uma pessoa afectada não herdar o gene afectado, não dará origem a descendentes afectados. (ver fig. 5). No entanto podem existir formas diferentes de expressar o gene afectado, e haver pessoas que tenham a doença mas só apresentem pequenos sinais desta. Diz-se neste caso tratar-se de uma expressividade variável.

Autossómica Recessiva
Neste caso, ambos os progenitores são portadores de um gene anormal sem que, contudo, apresentem os sintomas da doença. Para a doença aparecer deverão os dois genes (o gene dos dois pares de cromossomas iguais) estar defeituosos. O portador de um gene afectado e o outro são não apresentará a distrofia.

Haverá uma probabilidade de 25% (1 em 4) dos descendentes de um casal com estas características virem a sofrer da patologia em causa. Por outro lado, uma pessoa que sofra de uma DRCV, devido a este tipo de transmissão, se procriar com uma pessoa saudável, não terá nenhum descendente com os sintomas da doença. Contudo todos serão portadores do gene.

Ligada ao cromossoma X.
Neste tipo de transmissão, o gene anormal está no cromossoma sexual X. As mulheres portadoras não sofrem dos efeitos da doença pois o outro gene do outro cromossoma X, estando são, permite o funcionamento normal da retina. Os homens apresentam sempre os sintomas da doença quando portadores do gene afectado, pois só possuem um cromossoma X. Existem dois casos a considerar:

No caso em que o homem sofre de uma DRCV, todos os seus descendentes masculinos serão saudáveis, uma vez que, neste caso o homem transmite sempre o cromossoma Y que não está afectado. Por outro lado, todas as suas filhas serão portadoras do gene defeituoso, contudo, como vimos antes, dificilmente estas apresentam os sintomas da doença.

No caso em que a mãe é a portadora sã, as filhas terão 50% de probabilidades de serem portadoras não afectadas e os filhos terão 50% de probabilidades de serem doentes.

Alguns dados estatísticos:
De acordo com o estudo epidemiológico realizado em Cuba pela equipa do Professor Orfilio Pelaz, nasce um portador de uma distrofia ocular para cada 3500 nascimentos. E dentro destes, 32.4% são portadores de Distrofias Autossómica Dominante, 35.3% de Autossómica Recessiva, 4.3% Ligada ao Cromossoma X e 28% dos casos não é possível detectar a herança genética


V. Medicamentos prejudiciais à Retina: O que todos devem saber

Existem medicamentos prejudiciais à retina que os afectados por doenças degenerativas da retina devem evitar. Não se auto-medique e alerte o seu médico para a contra-indicação dos seguintes medicamentos:

  • Anticoncepcionais (devido à acção sobre as hormonas);
  • Anti-palúdicos (quininos);
  • Vasoconstritores (descongestionantes nasais);
  • Antistamínicos (podem causar visão nublada, diplopia ou mesmo decréscimo lacrimal);
  • Viagra;
  • Tranquilizantes (Librax, Diazepan ou similares);
  • Outros medicamentos como relaxantes musculares, corticóides, diuréticos e outros devem ser tomados criteriosamente.

O aconselhamento e a identificação genética são fundamentais, quer para a prevenção das doenças degenerativas da retina, quer para a aplicação de futuras terapias.

O uso de óculos com filtros adequados é recomendado a todos os afectados.


VI.  Fases da PERDA DE VISÃO POR RP TÍPICA

  • 1.º - Redução do campo visual devido à afecção dos bastonetes.
  • Depois - Acentuada redução do campo visual motivada pela progressão da afecção dos bastonetes. Mantém-se a visão central com boa qualidade.
  • Por fim - Além do redução do campo visual. Nas fases mais adiantas da RP, é comum também serem afectados também os comes. O que tem como consequência a redução da acuidade visual e má discriminação das cores.


VII.  Fases da PERDA DE VISÃO POR RP INVERSA

  • 1.º - O surgimento de ilhas centrais, redução da acuidade visual e aumento da foto fobia. São consequências da afecção dos cones.
  • Depois - Com o progredir da doença, as ilhas centrais tendem a alastrar, a acuidade visual e a discriminação de cores degradam-se.
  • Nas fase mais adiantada desta doença, o paciente tende a ter apenas noção de vulto em condições de alta luminosidade.


VIII.  Perspectivas Terapêuticas

Novidades nas pesquisas que visam o tratamento das Doenças Degenerativas da Retina

Estamos a viver tempos de muita esperança. São muitos os testes clínicos em andamento visando tratar e curar as doenças degenerativas da retina. Os grandes avanços na genética e na terapia celular nos aproximam cada vez mais de nossos desejos: chegar ao tratamento da retinose pigmentar, da doença de stargardt, da síndrome de usher, da amaurose congênita de leber e da degeneração macular seca e exudativa, entre outras degenerações retinianas. Os testes clínicos que estão sendo feitos com pessoas, envolvem 3 fases: a primeira testa a segurança do medicamento ou da terapia e cobre um pequeno grupo de pacientes; a segunda fase testa segurança e eficácia e tem lugar em vários centros de pesquisa, envolvendo muitos pacientes. A fase 3 já se dá com maior nível de segurança e eficácia e busca ter resultados numéricos maiores e em geral cobre vários paises.Destacamos os ais importantes:


Testes clínicos com a Terapia da Célula Encapsulada para RP e DMRI

Realizados pela empresa Neurotech nos Estados Unidos, essa terapia consiste na aplicação de um agente de sobrevivência neuronal, o CNTF(ciliary neurotrophic factor - células que foram geneticamente transformadas para produzir o fator terapêutico) que reduziu a degeneração retiniana causada pela Retinose Pigmentar, em modelos animais e agora está sendo usado em pacientes com retinose pigmentar. Uma pequena cápsula de cerca de meio centímetro é colocada dentro do olho, liberando CNTF gradualmente. Esse fator produz a sobrevivência dos neurônios das células fotoreceptoras por um longo período(18 meses). A Neurotech está testando a segurança e a eficácia dessa terapia, tendo já concluído a Fase I com pacientes, encontrando-se na fase II/III em três centros clínicos.

Estão em andamento 3 testes clínicos usando os fatores neurotróficos ECT e CNTF:

  1. Os testes para a Degeneração Macular Relacionada com a Idade (tipo seca) – DMRI SECA estão na fase II, com 48 pacientes.
  2. 3.   Os dois testes para a retinose pigmentar, encontram-se na Fase II, envolvendo 60 pacientes. Um está trabalhando com pacientes no estágio inicial da doença e outro com pacientes na fase avançada da doença. Este teste clínico não exige controle do genótipo do paciente. Até o momento não houve efeitos adversos ligados ao implante da cápsula e aos procedimentos cirúrgicos. Os testes incluem também um número pequeno de pacientes com síndrome de Usher e coroideremia.

Teste clínico com o medicamento FENRETINIDE para DMRI atrófica. A empresa americana Sirion Therapeutics está na fase II do teste clínico com pacientes com DMRI atrófica, envolvendo vários centros de pesquisa. Acredita-se que com o sucesso dessa terapia, ela poderá ser estendida aos pacientes com DOENÇA DE STARGARDT. (ver mais informação na pagina da Foundation Fighting Blindness). Ver também buscando por “fenretinide AMD” .


Prótese retiniana (olho eletrônico)

Existem cerca de 30 grupos de pesquisa nessa área. Há quatro tipos de implantes sendo pesquisados:

1) a prótese subretiniana (Dr. Alan Chow em Chicago), que suspendeu os testes, por falta de resultados e falência da empresa Optobionics, que financiava o teste. Na Alemanha contudo, 8 pacientes vêm sendo testados pelo dr. Eberhart Zrenner com a prótese subretiniana, apresentando bons resultados;
2) a prótese epiretiniana, é colocada junto ao epitélio pigmentar da retina. A empresa Second Sight, dos Estados Unidos está na fase II de testes, com muitos centros de pesquisa;
3) prótese no nervo óptico; e
4) prótese no córtex cerebral.


Medicamentos Antioxidantes

1) Para a Retinose Pigmentar (RP) – o dr. Theo Van Veen, na Suécia, preparou o medicamento RETINACOMPLEX, para combater o stress oxidativo que contribui para o agravamento da degeneração dos fotoreceptores. Foram testados, com bom resultados, modelos animais com Retinose Pigmentar. Mais informações podem ser obtidas pela internet (www.retinacomplex.com).

2) Para a Retinose Pigmentar (RP) - A Foundation Fighting Blindness (Estados Unidos) vem apoiando pesquisa sobre suplementos nutritivos com Vitamina A Palmitato combinada ao Acido Graxo DHA Omega 3 (docosahexanoic acid) na expectativa de que esta dieta suplementar reduza a perda de visão de pacientes com RP. Fontes de Omega 3 incluem:  salmão, atum, sardinha.

3) Para Degeneração Macular Relacionada com a Idade (DMRI): o estudo AREDS 1, do início da década, mostrou a eficácia do uso de antioxidantes, zinco, luteina e zeaxantina para pacientes com DMRI neovascular ou atrofia geográfica. Na segunda fase, AREDS 2, estão sendo testados a administração de luteína, zeaxantina e/ou omega 3 (ácidos grassos poliinsaturados (DHA e EPA) para DMRI e catarata. O estudo abrange 4.000 pessoas em 82 clínicas durante 5 anos de acompanhamento de pacientes.

4) Para Degeneração Macular Relacionada com a Idade (DMRI) pesquisa financiada pela Foundation Fighting Blindness na Universidade de Harvard, Estados Unidos mostrou que uma dieta rica em gordura está associada a uma perda de visão mais rápida nos casos de DMRI. Por outro lado, dietas envolvendo consumo de peixes e nozes, ricos em ácidos graxos omega 3 levam à preservação da visão por mais tempo.


Novos Genes Identificados

Mais de 130 genes foram identificados pelos geneticistas, com mutações que levam às doenças degenerativas da retina. A identificação destes genes é um passo importante para compreender o desenvolvimento dessas doenças e é fundamental para o desenvolvimento das terapias de reposição genética e biofarmacêutica. Cientistas ligados à Foundation Fighting Blindness encontraram variações em três genes em 74% dos casos de Degeneração Macular Relacionada com a Idade (DMRI). Essa descoberta traz novas possibilidades de tratamentos efetivos, mostrando o papel da herança genética na DMRI.


Terapia de Reposição Genética

1) para a Amaurose Congénita de Leber (gene RPE65) - estão sendo realizados, em parceria, no Instituto de Oftalmologia da Universidade da Califórnia (dr. Robin Ali) e no Hospital Moorfields em Londres, testes clínicos com pacientes ( fase I). Na pesquisa inglesa, com três jovens com Leber, um paciente já apresentou melhora na visão na fase I. Os testes continuam e vão incluir doses maiores da terapia e a inclusão de crianças no teste clínico. A Foundation Fighting Blindness dos Estados Unidos está financiando esse estudo e também o da Universidade da Pensilvânia, que deve começar brevemente. Essa terapia genética, realizada com 50 cães cegos devido à Amaurose Congênita de Leber, teve sucesso, com a melhoria da visão dos animais e mostrou estabilidade nos resultados (a visão dos cães não regrediu).

2) para Amaurose Congénita de Leber de tipo recessivo(gene RPGRIP) – pesquisadores ligados à Foundation Fighting Blindness (EU) desenvolveram uma terapia de reposição genética para recuperar os fotorreceptores de camundongos com Amaurose Congênita de Leber de tipo recessivo, resultante de uma mutação no gene RPGRIP. O tratamento recuperou os fotorreceptores dos animais que tiveram sua função retiniana normalizada.

3) Terapia genética usando fator neurotrófico para a DMRI seca e exudativa. A empresa GENVEC está usando um adenovirus modificado como vetor do gene que carrega o fator derivado do epitélio pigmentar (PEDF), uma proteína que tem o papel de agente anti-neovascular e fator de sobrevivência dos neurônios. Os testes clínicos da Genvec estão em fase I-II para 50 pacientes com DMRI exudativa, sem ter encontrado efeitos adversos até o momento.

4) Síndrome de Usher 1B – pesquisadores da Foundation Fighting Blindness estão desenvolvendo uma terapia para Usher 1B, a forma mais comum de doença que combina perda de visão e de audição. Um modelo animal Usher 1B, está sendo tratado na Universidade da Califórnia em San Diego e em Los Angeles, com a administração do gene normal Usher 1B no olho do animal. O objetivo é prevenir a degeneração retiniana colocando uma cópia do gene USH1B normal nas células da retina, de modo a produzir uma proteína normal que previna a degeneração da retina.

5) Síndrome de Usher 3 – na Universidade da Califórnia em Berkeley, pesquisadores estão desenvolvendo, através da engenharia genética, um modelo de camundongo com Usher 3. Esse modelo animal vai permitir testes clínicos de terapia genética para Usher 3.

6) Doença de Stargardt – O Instituto de Pesquisa da Neurovisão (National Neurovision Research Institute, NNRI) , ligado à Foundation Fighting Blindness nos Estados Unidos estabeleceu parceria com a companhia de produtos biofarmacêuticos britânica Oxford Biomédica, para desenvolver a terapia de reposição genética para tratar a doença de Stargardt e outras doenças degenerativas causadas por um defeito no gene ABCA4. O objetivo do projeto StarGen™ é dar início à Fase I do teste clínico.

7) Coroideremia - pesquisadores da Faculdade de Medicina do Imperial College de Londres estão investigando a terapia genética para o tratamento da coroideremia, causada por uma mutação no gene REP-1. O grupo de pesquisa está avaliando a segurança e a eficácia de dois tipos de vetores virais, através da engenharia genética, para levarem um gene normal à retina de camundongos.

8) Retinosquisis – uma terapia genética visando o tratamento da retinoschisis ligada ao cromossoma X (XLRS - X-linked retinoschisis) está sendo pesquisada por cientistas do Canadá, Alemanha e Estados Unidos. Modelos animais ratinhos, com retinoschisis estão sendo testados com terapia genética para deter a perda da visão.

Os testes clínicos com células tronco estão ainda na fase de testes com modelos animais e os cientistas ainda não têm previsão de tempo até que possam testar em pessoas.

Uma equipe de pesquisadores de vários países conseguiu restaurar a visão de ratinhos com retinose pigmentar através do transplante de células fotorreceptoras imaturas. Essas células transplantadas tornaram-se células retinianas e integraram-se à retina do animal. Pesquisadores da Foundation Fighting Blindness, usaram células do cordão umbilical e do tecido neural para restaurar a visão de modelos animais com doenças degenerativas da retina (ratinhos)


http://www.retinaportugal.org.pt/dist_retina/index.htm

Fonte: Retina Internacional

ir para o TOPO da página
actualizado por MJA
[28.Abr.13]


Җ

Acromatopsia ou "cegueira de cores"

ABC-med
 

 Acromatopsia total
Acromatopsia total

 

O que é acromatopsia?

Na retina humana existem células fotorreceptoras: os cones e os bastonetes. As primeiras são responsáveis pelo reconhecimento das cores, enquanto que as outras pelo reconhecimento da luz. Os portadores de acromatopsia possuem defeitos nos cones e, assim, não conseguem enxergar as cores ou as enxergam imperfeitamente. Na acromatopsia, popularmente conhecida como “cegueira de cores”, além da incapacidade para perceber cores há também uma acuidade visual insatisfatória em níveis elevados de iluminação, como a luz do sol. Em geral os pacientes percebem tudo em tons de cinza. Alguns pacientes de acromatopsia são capazes de enxergar precariamente certas cores e essa condição é então denominada discromatopsia.


Quais são os tipos de acromatopsia existentes?

  • Acromatopsia completa: os indivíduos com acromatopsia completa (completa impossibilidade de discriminar as cores) normalmente têm uma série de outras alterações oftalmológicas, como
    -> diminuição da acuidade visual na luz do dia,
    -> hemeralopia (cegueira ante a luz do sol),
    -> nistagmo (oscilações repetidas e involuntárias rítmicas de um ou ambos os olhos) e
    -> fotofobia (hipersensibilidade ou aversão a qualquer tipo de luz) severa.

  • Acromatopsia incompleta (ou discromatopsia): os sintomas da acromatopsia incompleta são semelhantes aos da acromatopsia completa, mas de uma forma reduzida.

  • Acromatopsia adquirida: associada com danos ao diencéfalo, mais comumente por tumores.

  • Acromatopsia cerebral: é uma forma de daltonismo adquirido, causado por danos ao córtex cerebral, geralmente traumáticos.

  • Acromatopsia congênita: devida ao mau funcionamento genético da fototransdução retiniana. A fototransdução é a transformação de energia luminosa em sinais elétricos biologicamente reconhecíveis, que se processa no segmento externo dos cones e bastonetes.


Quais são as causas da acromatopsia?

Na maior parte das vezes, trata-se de um distúrbio congênito raro, de natureza genética, de caráter autossômico recessivo. Mais raramente, pode ser adquirido por danos cerebrais.


Quais são os principais sinais e sintomas da acromatopsia?

A síndrome é primeiramente observada em crianças em torno de seis meses de idade, por sua fotofobia e/ou nistagmo. Com o passar da idade o nistagmo torna-se menos perceptível e os outros sintomas da síndrome tornam-se mais ressaltados. A acuidade visual e a estabilidade dos movimentos dos olhos em geral, melhora durante os primeiros 6 ou 7 anos de vida, mas o distúrbio da visão de cores permanece. Outro sintoma, menos sabido e menos mencionado pelos pacientes, é a falta de conhecimento da tridimensionalidade do seu sistema visual e habitualmente eles não experimentam as características estereográficas das cenas visuais. As formas congênitas da doença são consideradas estacionárias e não pioram com a idade.


Como o médico diagnostica a acromatopsia?

O oftalmologista deve basear seu diagnóstico no quadro clínico relatado pelo paciente, já que o exame de fundo de olho não mostrará anormalidades. Contudo, um teste de cores pode contribuir para o diagnóstico e uma eletroretinografia (exame que avalia a função da retina utilizando eletrodos que captam a atividade elétrica dela, em resposta a estímulos luminosos) pode ajudar a selar o diagnóstico, revelando ausência de resposta dos cones e resposta normal dos bastonetes. O campo visual estará normal ou modificado muito ligeiramente.


Como o médico trata a acromatopsia?

A acromatopsia não tem cura; contudo, os sintomas podem ser controlados. A diminuição da luminosidade que atinge os olhos pode auxiliar no controle das manifestações clínicas.

Quais são os cuidados que deve ter um paciente com acromatopsia?

  • Usar lentes escuras quando em presença de claridade.

  • Usar chapéu ou boné que possam ofuscar a luz do sol.

  • Não enveredar por atividades profissionais que requeiram grande acuidade visual.

 

fonte: ABC-med, 2015

actualizado por MJA
[6.Jun.15]
ir para o TOPO da página


Җ

Amaurose Congênita de Leber


The Foundation Fighting Blindness

 

  1. O que é a amaurose congênita de Leber?
  2. Quais são os sintomas?
  3. É uma doença hereditária?
  4. Existem outras doenças relacionadas?
  5. Que tratamento está disponível?

 

1. O que é a amaurose congênita de Leber?

Amaurose congênita de Leber (ACL) é uma doença degenerativa da retina hereditária caracterizada pela perda grave de visão desde o nascimento. Uma variedade de outras anormalidades relacionados com o olho, incluindo movimentos oculares inadequados e e sensibilidade à luz também podem ocorrer. Alguns pacientes com LCA também possuem anormalidades do sistema nervoso central.


2. Quais são os sintomas?

Os pacientes com ACL tem sua visão muito reduzida desde o nascimento. Nos primeiros meses de vida, os pais geralmente notam nos bebês uma falta de resposta visual e movimentos oculares incomuns, conhecido como nistagmo. Exames oftalmológicos em crianças com ACL podem revelar retinas normais. No entanto, uma eletrorretinografia (ERG), exame que mede a função visual, detecta pouca ou nenhuma atividade na retina, indicando muito pouca função visual. Este exame é a chave para estabelecer o diagnóstico da ACL.

No início da adolescência, várias mudanças nas retinas de pacientes com ACL se tornam aparentes. Os vasos sanguíneos tornam-se frequentemente estreitos e afiliados. Uma variedade de alterações de cor podem também ocorrer no epitélio pigmentado da retina.

Embora a aparência da retina sofra alterações significantes com a idade, a visão geralmente permanece estável ao longo da vida adulta. Prognóstico a longo prazo visual permanece a ser definido. A acuidade visual em pacientes com ACL é geralmente limitada no nível de contar os dedos ou detecção de movimento de mãos ou luzes brilhantes. Alguns pacientes também são extremamente sensíveis à luz (fotofobia).

Muitas crianças com ACL frequentemente pressionam em seus olhos com os punhos ou dedos. Os olhos também costumam ter aspecto anormais (não gosto desta forma anormais- acho agressiva) pode ser: “ter seu aspecto alterado” (afundamento ou profundidade alterada). Ceratocone (córnea em forma de cone) e cataratas também têm sido associados a esta doença.

Em alguns casos, a ACL é relacionada com complicações do sistema nervoso central, tais como atraso do desenvolvimento, epilepsia, e deficiência de habilidade motora. Como a ACL é relativamente rara, a frequência das complicações do sistema nervoso central são desconhecidas.
 

3. É uma doença hereditária?

A ACL é transmitida hereditariamente com padrão de herança autossômico recessivo. Neste tipo de herança, ambos os pais, chamados transportadores, têm um gene para a doença emparelhado com um gene normal. Cada um de seus filhos tem uma chance de 25% (ou 1 chance em 4) de herdar os dois genes (um de cada progenitor) necessários para causar a doença. Os transportadores não são afetados por terem apenas uma cópia do gene. Só é possível determinar quem é portador de ACL após o nascimento de uma criança.


4. Existem outras doenças relacionadas?

Inicialmente, a ACL pode ser confundida com outras doenças degenerativas da retina como a retinose pigmentar, cegueira noturna e acromatopsia por exemplo . Apesar do nome semelhante, a ACL não deve ser confundida com atrofia óptica de Leber. Um exame oftalmológico completo, incluindo testes que medem a função da retina e uma documentação precisa do histórico familiar pode distinguir a ACL entre essas doenças relacionadas.


5. Que tratamento está disponível?

Os cientistas identificaram 14 genes com mutações que podem causar cada ACL. Estes genes são responsáveis ​​por cerca de 75% de todos os casos da doença. Com base nesta informação, os cientistas estão melhor embasados para desenvolver metodos de prevenção e tratamentos.

Os estudos clínicos de terapia genética causada por mutações no gene RPE65 estão começando agora. É a mesma terapia que deu visão para 50 cães, incluindo o mundialmente famoso Lancelot, que nasceu cego por ACL. Estes estudos fornecem extraordinária promessa para o tratamento da ACL causada por RPE65 e, eventualmente, ACL causada por outras variações genéticas.

Pacientes com ACL podem se beneficiar do uso de tecnologias assistivas para pessoas com baixa visão.


Referências: The Foundation Fighting Blindness, 2012.
 

actualizado por MJA
[28.Abr.15]

ir para o TOPO da página


Җ

AMAUROSE CONGÉNITA DE LEBER

Dr.ª Flávia Guimarães Paschoalino


Introdução e Conceito

A Amaurose Congénita de Leber (ACL) é a designação para um grupo de distrofias retinianas de acometimento precoce, de carácter hereditário, caracterizada por deficiência visual moderada a severa identificada nos primeiros meses de vida, nistagmo, respostas pupilares pobres e ERG extinto ou muito diminuído. A partir do locus alterado são descritas 5 formas da doença: Na maior parte dos casos a transmissão é de modo autossómico recessivo, apesar de casos descritos com transmissão dominante, e a heterogeneidade dos achados descritos na literatura reforça a impressão de que não de trata de uma entidade única. São descritos vários achados associados à ACL, oculares, renais e neurológicos entre outros.
 

Critérios diagnósticos

Alguns critérios são utilizados nos trabalhos publicados para caracterizar os pacientes com ACL: 

  • Cegueira ou deficiência visual severa nos 6 primeiros meses de vida ou no 1.° ano de vida,
  • ERG extinto ou muito reduzido (fotópico e escotópico)
  • Fundus de aspecto normal ou com alterações pigmentares mínimas e/ou estreitamento arteriolar modesto
  • Ausência de outras desordens multissistémicas ou retinianas

 

Características clínicas oftalmológicas

Durante os primeiros meses de vida os pacientes desenvolvem nistagmo ou "roving eyes". Os reflexos fotomotores freqüentemente encontram-se diminuídos ou abolidos, sendo também comuns o sinal oculodigital e o enoftalmo secundário. 

Na avaliação do paciente nos primeiros meses de vida a oftalmoscopia pode apresentar um aspecto normal, ou quase normal. Com o tempo é comum o aparecimento de outras alterações como atenuação vascular, atrofia NO (principalmente após 1ano); alterações pigmentares tipo espículas ósseas, acometimento macular tipo granular ou colobomatoso, lesões numulares pigmentadas de polo posterior e periferia. Lambert e cols. sugerem um subgrupo de pacientes com ACL, retardo mental, acuidade visual mais baixa e aparecimento mais precoce de alterações pigmentares tipo "espículas ósseas".

A acuidade visual, quando pode ser avaliada, varia de 20/200 a ausência de percepção luminosa; raramente é melhor que 20/200 (6% 20/50 ou menor). O ERG apresenta-se extinto ou com amplitude diminuída nos componentes fotópico e escotópico, associado ou não ao PEV extinto ou com amplitude diminuída.

Outros achados oculares são hipermetropia (em geral maior que 3D), estrabismo, ceratoglobo, catarata, ceratocone, blefarofimose, microcórnea, buftalmo, oftalmoplegia externa, fotofobia não relacionada com as alterações corneanas. 

 

Características clínicas neurológicas

Não existe na literatura consenso quanto ao binómio disfunções do SNC e ACL. 

Tipicamente a criança com cegueira congénita apresenta hipotonia, atraso na aquisição dos marcos do desenvolvimento motor e dificuldades de orientação e mobilidade que podem resultar exclusivamente da privação sensorial em períodos críticos do desenvolvimento, sem outras disfunções associadas do SNC. 

Nos portadores de ACL, entretanto, embora estes sejam achados esperados devido à deficiência visual, são também descritos defeitos estruturais do SNC. Alguns destes achados não apresentam relação clara com o retardo mental, o atraso neuromotor ou ainda com o quadro oftalmoscópico - dilatação ventricular moderada, alargamento de sulcos, malformações cerebrais menores diversas - mas outras alterações são contudo mais importantes - hipoplasia do vermis cerebelar ou do cerebelo, encefalocele, micropoligiria e imaturidade de neurônios corticais . Inversamente, também são descritos portadores de ACL, inicialmente com diagnóstico de retardo mental que mais tarde demonstraram inteligência normal.

Uma das implicações do acometimento neurológico e psicomotor na ACL diz respeito às suas possibilidades educacionais.

Nickel e Hoyt constataram que apesar das alterações neurológicas encontradas elas não necessariamente determinam retardo mental ou impossibilidade de aprendizado. Todos os 31 pacientes de seu estudo eram "educáveis"sendo 1 portador de retardo mental, mas outros autores encontraram variabilidade quanto ao retardo psicomotor. 

Casteels e cols. constataram que dos 14 pacientes classificados como portadores de ACL, 10 apresentavam performance escolar normal com o Braille e 11 tinham desenvolvimento adequado para a idade. Os demais (3) apresentaram retardo psicomotor severo e alterações cerebelares que entretanto conduzem a outros diagnósticos - Sd. Joubert, Sd. Lhermitte-Duclos e malformação de Dandy-Walker. 

Noble e Carr encontraram em 1/3 de seus casos algum grau de retardo psicomotor enquanto Schroeder e cols. verificaram retardo mais severo que o esperado devido à deficiência visual; retardo mental estava presente em 23% do total de casos . Vaizey e cols. constataram retardo mental moderado a severo em 11 dos 21 pacientes avaliados (n=30) e Lambert e cols encontraram esta alteração em 13% de seus pacientes.

Os resultados de Steinberg e cols. reforçam a hipótese de que os portadores de ACL são capazes de um funcionamento cognitivo normal, apesar de seu fraco desempenho em testes de QI, devendo por isso ser adequadamente estimulados e educados para o desenvolvimento de seu potencial.

O valor do EEG para a documentação de lesões de SNC é questionável já que pacientes com deficiência visual importante podem apresentar padrões anormais; excepções são sinais focais ou desordem convulsiva documentada. 

O tipo de acometimento da retina e do SNC leva a pensar em alterações precoces desencadeadas por mecanismo idêntico e durante um mesmo estágio do desenvolvimento, geneticamente determinadas.

Outros achados neurológicos descrito em associação à ACL são surdez (neurossensorial não especificada), autismo, disfunção neuromuscular, hemiparesia, microcefalia, convulsões, hidrocefalia.

Evolução da acuidade visual

Em estudos onde foi possível a avaliação seriada da acuidade visual pode-se observar melhora, piora e estabilidade, sem contudo um padrão definido de evolução.

Fulton e cols. não encontraram associação estatisticamente significativa entre o curso da acuidade visual e dados clínicos como grau de hipermetropia, severidade das anormalidades de fundo de olho e "status"complicado/não complicado.

Para se conhecer a acuidade visual - pontual ou sua evolução - de um portador de ACL, esta deve ser avaliada. 

Diagnóstico diferencial

Uma vez que o mecanismo da doença ainda não é conhecido, a ACL é um diagnóstico de exclusão, além de não ser definitivamente um facto consumado. Alguns pacientes com diagnóstico inicial de ACL posteriormente recebem outros diagnósticos (cegueira nocturna estacionária congénita, acromatopsia, retinose pigmentar infantil, Sd. Joubert, Sd. Zellweger, Dç Refsum infantil, etc) , assim como o inverso também é descrito na literatura. 

Lambert e cols. e Casteels e cols ressaltam que crianças com diagnóstico de ACL devem ser observadas quanto a atraso no DNPM e caso este ocorra mais acentuadamente que o esperado pela deficiência visual outros diagnósticos devem ser pesquisados.

Discussão

A conduta junto ao paciente com ACL será norteada pela idade do paciente e pelo motivo que o levou à consulta - investigação de nistagmo (no 1° ano de vida), desatenção visual, atraso do desenvolvimento ou reabilitação a partir de um diagnóstico de ACL. 

Na avaliação visual destes pacientes quanto mais informações - subjectivas e objectivas - obtivermos sobre o seu status visual, mais subsídios teremos no planeamento da reabilitação e no acompanhamento da doença propriamente dita. A avaliação da acuidade visual, como já foi mencionado, é importante, apesar de nem sempre conseguirmos realizá-la com os testes de olhar preferencial ou tabelas de optotipos. Podemos entretanto avaliar o desempenho visual nestes casos, observando a atenção, o interesse por objectos apresentados, o acompanhamento de objectos, da face do examinador, contacto visual, respostas como o sorriso, percepção de objectos no espaço, etc. Em casos mais difíceis podemos proceder a avaliação à penumbra, com objectos iluminados ou com brilho. 

O restante da avaliação oftalmológica deve também ser o mais completa possível, devido aos achados oculares descritos na ACL que podem corroborar o diagnóstico, interferir no desempenho visual (ceratocone, alta hipermetropia, catarata, por exemplo) ou ainda que levem a outras hipóteses diagnósticas. 

Os exames electrofisiológicos são importantes, assim como exames de imagem do SNC, entretanto um ERG extinto não determina que a estimulação visual não seja indicada. Mais recentemente o potencial evocado visual de varredura (sweep VEP) vem sendo utilizado para a estimativa da acuidade visual em crianças, mas pode ser não confiável em pacientes com nistagmo ou com o eletroencefalograma muito alterados. Crianças com deficiência visual moderada a severa tendem a apresentar melhor acuidade visual quando avaliada pela técnica de olhar preferencial.

Quanto às condutas médicas, além do tratamento de condições associadas (catarata, estrabismo, buftalmo, etc), é muito importante a atenção às ametropias presentes, principalmente a alta hipermetropia. Mesmo com respostas visuais pobres, a prescrição da correcção óptica deve ser considerada. Algumas vezes, se há uma dificuldade de acomodação podemos realizar uma hipercorrecção com a finalidade de estimulação para perto - principalmente nos bebés. 

A estimulação visual em geral não é realizada pelo oftalmologista, mas a orientação da família e o trabalho em parceria com o profissional responsável são essenciais. Diferentemente do adulto, onde as funções visuais já estão consolidadas, o lactente está num período crítico de desenvolvimento destas funções, que dependem de condições favoráveis para seu acontecimento. A criança aprende a ver com a experiência visual e é este sentido - a visão - o principal motivador do desenvolvimento global, especialmente o motor. 

Além de graves atrasos globais do desenvolvimento, o lactente com experiências visuais pobres pode ainda desenvolver mecanismos compensatórios indesejáveis como os maneirismos (sinal óculodigital, auto-estimulação sonora, desvios comportamentais), trabalhados também na estimulação. Na realidade o termo habilitação visual é mais apropriado no que diz respeito a este trabalho e quanto mais precoce seu início melhor serão o "outcome"dos portadores de ACL e seu funcionamento ao longo da vida.

Nas demais faixas etárias o trabalho de reabilitação será pautado pela visão residual e pelas necessidades do paciente, o que também dependerá do seu nível cognitivo e dos resultados da estimulação precoce. Muitas vezes a visão muito baixa impossibilita o uso de recursos ópticos, sendo necessários recursos de substituição; o treino em orientação e mobilidade também deve ser lembrado. Como a ACL pode evoluir com piora das funções visuais as necessidades dos pacientes podem se modificar ao longo do tempo. 

Conclusão

Pacientes com nistagmo, alterações do desempenho visual e sem alterações fundoscópicas podem ser portadores de ACL, mas este é um diagnóstico de exclusão. O ERG é importante no diagnóstico diferencial.

Quanto à acuidade visual, apesar de seu importante comprometimento, deve ser sempre e repetidamente avaliada - não existe um padrão esperado de sua evolução. 

Quanto ao comprometimento do SNC não existe um consenso, mas algumas alterações estruturais podem ser efectivamente encontradas. 

Quanto à capacidade cognitiva, os portadores de ACL parecem ser semelhantes a outras crianças com cegueira congénita e por isso devem ser adequadamente habilitados, apesar de casos descritos de retardo mental em graus variáveis. 
 

Dra. Flávia Guimarães Paschoalino

CBO - Conselho Brasileiro de Oftalmologia

ir para o TOPO da página


Җ

Atrofia Óptica Dominante


Retina São Paulo

 

É a neuropatia óptica hereditária mais comum. O quadro manifesta-se na primeira década de vida, com perda visual insidiosa, freqüentemente detectada em exames de rotina. Trata-se de afecção bilateral, podendo ser assimétrica, com alterações na visão de cores e no campo visual.

No fundo do olho, nota-se palidez ou escavação em cunha do disco óptico, geralmente localizada na sua porção temporal. Para o diagnóstico, devem ser descartadas doenças do sistema nervoso central, e por isso faz-se necessária investigação, através de exames de neuro-imagem. O histórico familiar também é importante, assim como o exame dos membros da família.

O prognóstico é variável, mas na maioria dos casos o quadro tende a se estabilizar ou progredir lentamente durante a vida.


fonte: Retina São Paulo, 2015.

actualizado por MJA
[28.Abr.2015]

ir para o TOPO da página


Җ

Coroideremia

The Foundation Fighting Blindness
 

  1. O que é coroideremia?
  2. Quais são os sintomas?
  3. É uma doença hereditária?
  4. Que tratamento está disponível?
  5. Existem outras doenças relacionadas?


1. O que é Coroideremia?

Coroideremia é uma doença hereditária rara que causa perda progressiva da visão devido à degeneração da retina e coróide.


2. Quais são os sintomas?

Coroideremia, anteriormente chamada degeneração tapetochoroidal, ocorre quase exclusivamente em homens. Na infância, a cegueira noturna é o sintoma mais comum. Conforme a doença progride, há perda da visão periférica e, posteriormente, a perda da visão central. A progressão da doença continua ao longo da vida do indivíduo, embora tanto a taxa e o grau de perda visual podem variar mesmo em uma mesma família.


3. É uma doença hereditária?

A coroideremia é uma doença hereditária e o gene que a carrega está localizado no cromossomo X. As mulheres são portadoras de dois cromossomos X , um dos quais pode conter o gene causador da doença. Como o outro cromossomo X não sofreu mutação genética, as mulheres não são afetadas, mas transmitem a doença para os filhos do sexo masculino, podendo passar a herança genética ou não para as filhas. Os homens com coroideremia, sempre passam o cromossomo X com a doença para as filhas e não transmitem a doença para os filhos homens, porque o pai sempre passa o cromossomo Y (não afetado) para o filho homem.


4. Que tratamento está disponível?

Recentemente, cientistas descobriram mutações em um gene no cromossomo X que causa coroideremia. Uma nova pesquisa com base nestas constatações agora impulsiona a busca por um tratamento. Os pesquisadores estão desenvolvendo uma terapia gênica para avaliação em estudos com animais. O sucesso neste estudo deverá direcionar o tratamento em etapas mais avançadas.

A coroideremia é uma das poucas doenças degenerativas da retina que podem ser detectadas no pré-natal em alguns casos. É recomendado que todos os membros de uma família com histórico da doença consultem um oftalmologista e procurem aconselhamento genético. Estes profissionais podem fornecer explicações sobre a doença eo risco de recorrência para demais membros da família.

Até que um tratamento seja descoberto, é possível buscar auxílio em ferramentas de auxílio a pacientes com baixa visão, que vão desde dispositivos ópticos, eletrônicos e motores. A grande maioria de recursos de informática já são planejados considerando o acesso de pessoas com baixa visão.


5. Existem outras doenças relacionadas?

Nas fases iniciais da coroideremia ela pode ser confundida com a retinose pigmentar (RP). Ambas têm sintomas de cegueira noturna e perda da visão periférica. No entanto, as diferenças são claras em um exame oftalmológico adequado. A doença mais semelhante clinicamente a coroideremia é a atrofia giratória da coróide e retina.


Referências: The Foundation Fighting Blindness, 2012

 

actualizado por MJA
[28.Abr.2015]

ir para o TOPO da página


Җ

Distrofias de Cones e de Bastonetes

Centro Cirúrgico de Coimbra



As distrofias de cones e bastonetes (CRD) são doenças hereditárias progressivas que causam uma deterioração progressiva das células fotorreceptoras, cones e bastonetes, e que frequentemente conduzem à cegueira.

Os sintomas incluem perda inicial da visão das cores e da acuidade visual, seguida de nictalopia e perda da visão periférica.

Há uma grande variedade de expressão fenotípica neste grupo de doenças. Os achados de fundo, numa fase inicial, incluem uma mácula normal ou uma granularidade do EPR macular. Nas fases tardias, o fundo ocular apresenta um disco ótico pálido, espículas ósseas hiperpigmentadas periféricas e alterações atróficas generalizadas da retina periférica. A atenuação dos vasos da retina evolui com a progressão da doença.

A eletrorretinografia mostra a onda isolada dos cones proporcionalmente pior do que o sinal isolado dos bastonetes, progredindo até à extinção da atividade da retina, detetável utilizando as diretrizes ISCEV.

Exemplos de genes associados à distrofia de cones e bastonetes incluem o gene ABCA4, associado com a doença de Stargardt, e o gene ALMS1 associado com a doença de Alström.
 

actualizado por MJA
[24.Jul.15]
ir para o TOPO da página


Җ

Distrofia de Cones e Bastonetes


As Doenças Raras

 

A Distrofia de Cones e Bastonetes faz parte de um grupo de doenças oculares raras que afetam tanto o cone como o bastonete da retina. Estima-se que a sua prevalência seja de 1 a 9/100.000 nascimentos. Tem uma hereditariedade autossómica dominante e autossómica recessiva ligada ao X recessivo. A idade de início é a infância.


Sinais e Sintomas

  • Diminuição da acuidade visual quando se olha para a frente (perda de visão central)
  • Perda da percepção das cores
  • Sensibilidade anormal à luz (fotofobia)
  • Perda progressiva da visão periférica
  • Cegueira noturna.


Causas

A maioria dos casos ocorre devido a mutações em qualquer um dos vários genes.


Tratamento

Actualmente, não existe nenhuma terapia que pare a evolução da distrofia cone-bastonete ou que restaure a visão. Existem poucas opções de tratamento. Deve-se evitar a luz. O uso de auxílios ópticos podem ajudar a retardar o processo degenerativo. É importante que os portadores desta patologia recebam apoio social de forma a lidarem com o impacto social e psicológico da perda da visão.


Fontes

  • Office of Rare Diseases Research
  • European Medicines Agency's
  • Rare Diseases Europe
     

actualizado por MJA
[24.Jul.15]
ir para o TOPO da página


Җ

Distrofia Macular de Sorsby


Retina São Paulo

 

A distrofia macular de Sorsby é uma doença rara na qual novos vasos sanguíneos crescem sob a fóvea resultando no acúmulo de líquido na mácula, hemorragia e perda geral de outras camadas de tecido ocular.

Geralmente os sintomas não aparecem até os 40 anos de idade. Também pode ocorrer a presença de drusas. As pessoas com distrofia macular de Sorsby podem sofrer uma rápida diminuição da visão.

O gene para esta doença foi identificado como TIMP3, que está localizado no braço longo do cromossomo 22.

 

actualizado por MJA
[28.Abr.2015]

ir para o TOPO da página


Җ

Doença de Best

Retina Internacional

 

  1. O que é a Doença de Best?
  2. Quais são os sintomas?
  3. Quando é diagnosticada?
  4. Como a doença progride?
  5. Como ele é transmitido?
  6. Pode ser tratada?

 

1. O que é a Doença de Best?
A doença de Best, também conhecida como distrofia macular viteliforme, é uma forma hereditária de degeneração macular caracterizada pela perda da visão central.


2. Quais são os sintomas?
A doença de Best afeta a mácula, a parte central da retina responsável por detalhes visuais e percepção das cores. Nos estágios iniciais, um cisto amarelo brilhante forma-se sob o epitélio pigmentar da retina (EPR). Apesar da presença do cisto, a acuidade visual pode permanecer normal ou quase normal (entre 20/30 e 20/50), durante muitos anos. Visão periférica (lateral) geralmente permanece inalterada.

Em muitos pacientes com doença de Best, o cisto eventualmente se rompe espalhando resíduos por toda a mácula. Uma vez rompido, a mácula e o RPE começam a atrofiar causando ainda mais perda da visão.

3. Quando é diagnosticada?
É geralmente diagnosticada na infância ou adolescência.

4. Como a doença progride?
A visão central tende a deteriorar-se com o passar dos anos. No entanto, a doença de Best nem sempre afeta os dois olhos da mesma forma. Muitas pessoas mantêm a visão central em um dos olhos e acuidade visual de cerca de 20/40 no olho menos afetado.

Em alguns casos, a doença de Best não progride o suficiente para provocar a perda significativa de visão central. No entanto, os especialistas ainda podem detectar a doença, usando exames que medem a função do EPR e da retina. Pacientes com doença de Best são também podem apresentar hipermetropia, a qual pode ser corrigida com o uso de óculos.

5. Como é transmitida?
A doença de Best é geneticamente transmitida na família pelo padrão de herança autossômica dominante. Neste padrão de herança, uma pessoa possui um gene da doença de Best emparelhado com um gene normal. Quando doente tem filhos com um parceiro não afetado, há uma chance de 50% de que o pai (ou mãe) transmita o gene causador da doença para a criança. O parceiro não afetado só transmite genes normais. Uma criança que não tem o gene da doença de Best não terá a doença e não poderá transmitir a doença aos seus filhos.


6. Pode ser tratada?
Atualmente, não existe um tratamento para a doença de Best. As pesquisas científicas em curso estão focadas em compreender a causa da doença de Best. Em 1998, os pesquisadores identificaram mutações num gene causador da doença Best. Agora estão estudando este gene para determinar a sua função na retina. Esta informação irá colaborar nos esforços para desenvolver tratamentos para a doença de Best.

Referências: Retina International,  2015

actualizado por MJA
[28.Abr.15]
ir para o TOPO da página


Җ

Doença de Refsum

Retina International

 

  1. O que é a doença de Refsum?
  2. Quais são os sintomas?
  3. Quando é diagnosticada?
  4. Como ele é transmitido?
  5. Pode ser tratada?

 

1. O que é a doença de Refsum?

A doença de Refsum é extremamente rara e complexa, e afeta muitas partes do corpo. A retinose pigmentar (RP) é uma característica comum da doença.

Pessoas com doença de Refsum são incapazes de metabolizar ácido fitânico. Como resultado, os níveis elevados de ácido fitânico acumulam-se no sangue e tecidos. Acredita-se que os distúrbios desta doença estejam associados aos níveis prejudiciais de ácido fitânico. Esta substância é encontrada em carnes, peixes e laticínios. O corpo também converte o fitol, encontrado em vegetais de folhas verdes, em ácido fitânico.


2. Quais são os sintomas?

O primeiro sintoma de RP é a cegueira noturna seguida de uma perda gradual da visão periférica. A cegueira noturna torna difícil a visão em lugares escuros ou mal iluminados. A RP tende a progredir lentamente em pacientes com doença de Refsum.

A catarata, é comum na RP, também é observada em pacientes com doença de Refsum. A catarata dificulta a visão por uma turvação no olho o que torna difícil para que a luz atinja a retina. Na maioria dos casos, no entanto, a catarata pode ser removidoa cirurgicamente. A dimensão da perda de visão com a doença de Refsum varia muito, pois depende dos níveis de ácido fitânico e na presença de catarataa.

Além alterações causadas na visão, os indivíduos com doença de Refsum apresentam outras complicações sensoriais. A perda de olfato (anosmia) geralmente ocorre na infância, mas pode permanecer sem ser diagnosticada até que outros sintomas mais pronunciados se tornam aparentes. A perda auditiva súbita ou gradual pode ocorrer na idade adulta, geralmente após os 30 anos.

Doenças coronárias, neuropatia periférica (doença nervosa que causa perda da sensibilidade), ataxia (problemas com equilíbrio), parestesia (formigamento ou queimação incomum sensação de pele), ictiose (pele seca e escamosa), anorexia (perda de apetite), e alterações ósseas também são comuns.


3. Quando é diagnosticada?

A doença de Refsum é normalmente diagnosticada na infância ou na adolescência, quando problemas de visão devido a RP se tornam aparentes. A perda progressiva da visão na RP começa quando os níveis prejudiciais de ácido fitânico se acumulam sob a retina.


4. Como ele é transmitido?

A doença de Refsum é geneticamente transmitida por famíliares no padrão de herança autossômico recessivo. Neste tipo de herança, ambos os pais, chamados transportadores, têm um gene para a doença emparelhado com um gene normal. Cada um de seus filhos, então tem uma chance de 25% (ou 1 chance em 4) de herdar os dois genes da doença de Refsum (um de cada progenitor) necessários para causar o transtorno. Os transportadores não são afetados, porque eles tem apenas uma cópia do gene. Neste momento, é difícil determinar quem é portador da doença de Refsum até o nascimento de uma criança afetada. No entanto, os níveis ligeiramente elevados de ácido fitânico têm sido detectados em algumas pessoas possíveis portadores da doença de Refsum.


5. Pode ser tratada?

Uma dieta pobre em alimentos que contenham ácido fitânico e fitol podem deter a progressão da RP e diminuir a gravidade de outras complicações associadas com a doença de Refsum. Para ajudar a controlar estas complicações, é importante que os pacientes mantenham o seu peso corporal. A perda de peso liberta ácido fitânico armazenado no tecido do corpo e aumenta os sintomas associados à doença. Os pacientes devem ser supervisionados por um médico para monitorar os níveis sanguíneos de ácido fitânico e ajustar dietas alimentares quando necessário. O médico também pode prescrever medicamentos para estimular o apetite.

Indivíduos com doença de Refsum devem passar regularmente por avaliações cardiológicas. Além disso, um neurologista pode avaliar e monitorar os indivíduos com neuropatia periférica e ataxia. Cremes e loções podem ajudar a amenizar e controlar problemas de pele.

A pesquisa científica em curso está direcionada para identificar o gene que provoca a doença de Refsum a desenvolver melhores tratamentos.


Referências: Retina International,  2015.
 

actualizado por MJA
[28.Abr.15]
ir para o TOPO da página


Җ

Doença de Stargardt

Retina Brasil
 



O que é a doença de Stargardt?

A Doença de Stargardt é a forma mais comum de degeneração macular juvenil congênita. A perda de visão progressiva associada à doença de Stargardt é causada pela morte de células fotorreceptoras na porção central da retina denominada mácula.

A retina é o tecido sensível à luz que reveste o fundo do olho. As células fotorreceptoras da retina são responsáveis por proporcionar a visão pela transmissão de informações do campo visual para o cérebro. A mácula é responsável pela visão central de alta definição que nos permite realizar com clareza tarefas como ler, assistir televisão e identificar as expressões das pessoas.

A diminuição da visão central é uma característica da doença de Stargardt. A visão lateral é geralmente preservada.  A doença de Stargardt normalmente se desenvolve durante a infância e adolescência. Também está envolvida na doença de Stargardt uma região abaixo da mácula chamado a epitélio pigmentado da retina.


Quais são os sintomas?

O sintoma que leva a maioria das pessoas a um oftalmologista é a alteração na visão central. Um médico, ao olhar para a retina de uma pessoa com doença de Stargardt verá manchas amareladas características sob a mácula. Estas manchas podem se estender para fora em forma de anel.

Estas manchas são depósitos de lipofuscina, um subproduto gorduroso da atividade celular normal. Na doença de Stargardt, a lipofuscina se acumula de forma anormal.

Também ocorre a diminuição na percepção das cores. Isto porque as células fotorreceptoras responsáveis pela percepção de cor estão concentradas na mácula.


A rapidez com que a visão desaparecer?

A progressão dos sintomas da doença de Stargardt é variável. A acuidade visual (a capacidade de distinguir detalhes e formas) pode diminuir lentamente no início, acelerar, e depois nivelar.

Um estudo de 95 indivíduos com doença de Stargardt mostrou que uma vez a acuidade visual de 20/40 é atingida, há muitas vezes rápida progressão da perda de visão adicional até que atinja 20/200. (A visão normal é 20/20. Uma pessoa com 20/40 vê a 20 metros o que alguém com visão normal vê a 40 metros). Aos 50 anos, cerca de 50% das pessoas envolvidas no estudo tinham acuidade visual de 20/200 ou pior.

Praticamente todos os pacientes com doença de Stargardt têm uma acuidade visual no intervalo de 20/200 a 20/400. A perda da visão não é corrigível com óculos de grau, lentes de contato ou cirurgia refrativa.


Existe tratamento disponível?

Os pesquisadores estão planejando o estudo clínico de um tratamento que prevê uma versão saudável do gene ABCA4 nas células da retina para restabelecer a produção da proteína normal. Eles também estão otimistas com vários medicamentos que podem desacelerar a perda de visão, reduzindo o acúmulo da lipofuscina.

últimos avanços  aqui: Fighting Blindness Foundation, jan-2013

Como há evidências de que a luz solar pode influenciar no acúmulo da lipofuscina na retina, geralmente é recomendado o uso de óculos bloqueadores dos raios UV. Para as pessoas que já têm perda visual significativa, já existem ferramentas de acessibilidade disponíveis.


Há algumas doenças relacionadas?

A doença de Stargardt é também conhecido como distrofia macular de Stargardt  ou flavimaculatus fundus. Além da doença de Stargardt recessiva, existem outras formas mais raras herdadas com traços dominantes ao invés de recessivos.


Fonte: The Foundation Fighting Blindness, 2012.
 

ir para o TOPO da página

actualizado por MJA
[Abr.2013]


Җ

Doença de Stargardt


Dr. Eduardo Silva

[Fac. Medicina - Universidade de Coimbra]


A doença de Stargardt é a distrofia macular da infância mais comum com uma prevalência de 1:10.000 indivíduos. A doença tem início tipicamente na primeira década de vida tendo como primeira manifestação uma diminuição da acuidade visual.

Em estádios mais precoces, a mácula apresenta discretas alterações a nível do EPR com aparecimento de manchas (flecks) amareladas, pisciformes na mácula, seguindo-se um padrão de bronze-batido relacionado com a generalização das alterações retinianas, atrofia do epitélio pigmentado da retina e dos fotorreceptores. A angiografia fluresceínica revela o característico silêncio coróideu.

Esta doença, usualmente, tem um padrão hereditário autossómico recessivo associada a mutações no gene ABCA4 que codifica uma proteína transportadora, expressa na membrana externa dos cones e bastonetes. A disfunção do transportador ABCA4 resulta na acumulação de N-retinilideno-N-retiniletanolamina no EPR sob a forma de depósitos de lipofuscina, responsáveis pela destruição desta camada retiniana e degeneração dos fotorreceptores.

Actualmente, não há tratamento definitivo para a doença de Stargardt mas estudos promissores com Isotretinoina, N-(4-hidroxifenil) retinamida, retinilamida (Ret-NH2) e terapia genética (Stargen) são as novas apostas futuras para o tratamento desta distrofia macular.
 

Fonte: Excertos Adaptados de Doenças Raras de A a Z - Eduardo Silva: FEDRA, 2010
 

ir para o TOPO da página
actualizado por
MJA
[Abr.2013]


Җ

Neuropatia Óptica de Leber


Retina São Paulo

 

Essa doença hereditária atinge tipicamente homens de 10 a 30 anos de idade. Apresenta-se com diminuição da acuidade visual severa e indolor em um dos olhos. Nessa fase, o exame oftalmológico revela alterações do reflexo pupilar e do campo visual, podendo ocorrer também alterações no fundo do olho (pseudoedema do disco óptico, telangiectasia peripapilar e tortuosidade das arteríolas de tamanho médio). O olho contralateral é afetado geralmente dentro de semanas ou meses, quando o primeiro olho passa a mostrar palidez do disco óptico, com perda da telangiectasia peripapilar. Recuperação parcial da visão tem sido notada em aproximadamente 15% dos pacientes.

A Neuropatia Óptica de Leber está relacionada a uma mutação no DNA mitocondrial. Apenas as mulheres transmitem a doença, mas comumente não desenvolvem os seus sintomas. Nem todos os homens com comprometimento funcional das suas mitocôndrias apresentam perda visual, levando a dificuldades na elucidação do histórico familiar.


Referências: Retina São Paulo, 2015.

actualizado por MJA
[28.Abr.15]
ir para o TOPO da página


Җ

Retinopatia Pigmentar

Centro Cirúrgico de Coimbra


A retinopatia pigmentar (RP) é um grupo de doenças hereditárias da retina que são caracterizadas por perda progressiva da visão periférica, fraca visão noturna (nictalopia), ou deficiente visão com luz excessiva, podendo mais tarde causar perda da visão central.

Há vários tipos de RP causados por diferentes mutações genéticas, cujos padrões de transmissão podem ser dominantes ou recessivos. A RP é tipicamente uma distrofia das células fotorrecetoras nas quais um defeito genético causa a morte celular, principalmente dos bastonetes, e mais raramente dos cones e do epitélio pigmentado da retina (EPR).

Os sintomas começam geralmente, entre os 10 e os 30 anos e a progressão da doença é variável, apresentando visão em túnel nas fases avançadas.

A fundoscopia revela atrofia do EPR, hiperpigmentação na periferia da retina e um disco ótico médio. A presença de células no vítreo é frequente e alguns doentes desenvolvem edema macular cistóide. As alterações do pigmento macular conferem uma aparência em “bull’s eye”.


Doenças Sistémicas Associadas
com Retinopatia Pigmentar:

As doenças sistémicas associadas com retinopatia pigmentar incluem um grande espectro de doenças com diversificados achados cromossómicos, metabólicos e morfológicos:

  • Síndroma de Alport
  • Síndroma de Bardet-Biedl
  • Síndroma Kearns-Sayre
  • Mucopolissacaridoses
  • Doença de Refsun
  • Síndroma de Usher
  • Síndroma de Waardenburg

Todas as doenças deste grupo são degenerescências ou distrofias, determinadas geneticamente, e em todas a progressiva degenerescência dos fotorrecetores causa defeitos no campo visual, problemas de visão noturna e de visão central.


fonte: atlasrleye

ir para o TOPO da página

actualizado por MJA
[28.Abr.2013]


Җ

Retinose pigmentar

Retina Brasil


O que é a retinose pigmentar?
Quais são os sintomas?
Como é herdada?
Quais são os tratamentos disponíveis?
O diagnóstico já está disponível?
Existem outras doenças relacionadas?
 

O que é a retinose pigmentar?
Retinose pigmentar (RP) refere-se a um grupo de doenças hereditárias, que causam a degeneração da retina, região do fundo do olho humano. Ela é responsável pela captura de imagens a partir do campo visual. Pessoas com RP apresentam um declínio gradual em sua visão, porque as células fotorreceptoras (cones e bastonetes) morrem. Formas da RP e doenças relacionadas incluem a síndrome de Usher, amaurose congênita de Leber, distrofia de cones e bastonetes, síndrome de Bardet-Biedl, doença de Refsum, entre outras.


Quais são os sintomas?
Os sintomas dependem como os bastonetes e cones são inicialmente afetados. Na maioria das formas de RP, os bastonetes são afetados primeiro. Devido aos bastonetes estarem mais concentrados nas porções perifericas da retina e são estimulados pela luz fraca, a sua degeneração afeta a visão periférica e noturna. Quando os cones, mais centralmente localizados, são afetados perde-se a percepção de cores e visão central.

A cegueira noturna é um dos sintomas iniciais e mais freqüentes da RP. Pessoas com degeneração nos cones apresentam primeiramente a diminuição da visão central e capacidade de discriminar as cores.

A RP é tipicamente diagnosticada em adolescentes e adultos jovens. É uma doença progressiva. A taxa de progressão e grau de perda visual varia de pessoa para pessoa. Em famílias com RP ligada ao cromossomo X, os homens são mais frequente e severamente afetados. As mulheres que carregam o traço genético apresentam a perda de visão com menos frequência.


Como é RP herdado?
Estima-se que 100.000 pessoas nos EUA possuem RP, principalmente causada por genes mutantes herdados de um ou ambos os pais. Genes mutados transmitem instruções erradas para as células fotorreceptoras, dizendo-lhes para produzir uma proteína incorretamente (em excesso ou em escassez). As células precisam a quantidade adequada de proteínas específicas, a fim de funcionar corretamente. Existem muitas mutações genéticas diferentes na RP. Na síndrome de Usher, por exemplo, pelo menos 14 genes causadores de doenças já foram identificados.

As mutações genéticas podem ser passadas de pais para filhos através de um dos três padrões de herança genética – autossômica recessiva, autossômica dominante ou ligada ao cromossoma X. Nos autossômicos recessivos, os pais que carregam o gene, mas não têm sintomas podem ter filhos afetados e outros não. Da mesma forma, na RP autossômica dominante, um pai afetado pode ter filhos afetados e não afetados. Em famílias com RP ligada ao cromossoma X, apenas os homens são afetados. As mulheres carregam o traço genético, mas não desenvolvem a perda severa da visão.

Se um membro da família é diagnosticado com RP, recomenda-se fortemente que os outros membros da família também passem pela avaliação de um especialista diagnosticar adequadamente uma eventual doença degenerativa da retina. Discutir padrões de herança e planejamento familiar com um especialista também pode ser útil.


Quais são os tratamentos disponíveis?
Existem muitas pesquisas sobre a RP que representaram importantes avanços clínicos. A terapia nutricional com ácido de vitamina A e ácido docosahexaenóico (DHA) surgiu como um tratamento eficaz para muitos pacientes. As terapias genéticas estão progredindo em ensaios pré-clínicos. Tecnologias para o desenvolvimento de agentes terapêuticos para bastonetes e cones estão sendo estudados em estudos clínicos de fases II / lll. O microchip para melhorar a função da retina já está sendo implantado em pessoas e estudos continuam sendo desenvolvidos para melhorar a qualidade da visão que esse recurso pode trazer num futuro não muito distante.

Apesar de não existir um tratamento para a RP, é importante saber que os cuidados com baixa visão são muito úteis para manter a independência dos pacientes. Especialistas no assunto podem fazer recomendações sobre mecânica, óptica, eletrônica e outras tecnologias baseadas em produtos voltados para pessoas com baixa visão.


O diagnóstico já está disponível?
Já existem testes genéticos disponíveis para RP. Eles ajudam a avaliar o risco de transmissão da doença de pais para filhos. Eles também ajudam com a realização de um diagnóstico preciso. Um paciente adequadamente diagnosticado ainda é a melhor forma de se beneficiar de novas descobertas, desenvolvimento de pesquisas e abordagens de tratamento.

No entanto, nem todos os genes que causam a RP foram descobertos. Se uma pessoa optar por realizar os testes genéticos, há cerca de 50% de chance de se diagnosticar o gene causador da doença.


Existem outras doenças relacionadas?
Outras doenças hereditárias compartilham alguns dos sintomas clínicos da RP. O mais comum é a síndrome de Usher, onde a audição e a visão são afetados.


Fonte: The Foundation Fighting Blindness, 2012
 

ir para o TOPO da página

actualizado por MJA
[28.Abr.2013]


Җ

Retinosquise juvenil

Retina Internacional

 

  1. O que é a retinosquise juvenil?
  2. Quais são os sintomas?
  3. Como ele é transmitido?
  4. Pode ser tratada?

 

1. O que é a retinosquise juvenil?

Retinosquise juvenil é uma doença hereditária diagnosticada na infância que causa a perda progressiva da visão central e periférica (lateral), devido à degeneração da retina.


2. Quais são os sintomas?

Retinosquise juvenil, também conhecido como retinosquise ligada ao X, ocorre quase exclusivamente em homens. Embora a doença comece no nascimento, geralmente os sintomas são visíveis após os 10 anos de idade. Cerca de metade dos pacientes diagnosticados com retinosquise juvenil notam inicialmente um declínio na visão. Outros sintomas iniciais da doença incluem a incapacidade de ambos os olhos para se concentrar em um objeto (estrabismo) e movimentos involuntários dos olhos (nistagmo).

A perda de visão associada com retinosquise juvenil é causada pela divisão da retina em duas camadas. Esta separação da retina afeta a mácula, porção central da retina responsável pela visão de detalhes e percepção de cores. No exame, a fóvea (centro da mácula) apresenta estrias. Os espaços criados pelas camadas separadas muitas vezes são preenchidos com bolhas e vasos sanguíneos danificados que podem causar o vazamento de sangue para dentro do corpo vítreo (a massa, transparente e incolor de material gelatinoso que preenche o olho). A presença de sangue no corpo vítreo provoca uma deterioração visual adicional. O corpo vítreo degenera e pode, eventualmente, separar-se da retina. A retina inteira também pode separar-se as camadas de tecidos subjacentes. A extensão e o nível de perda de visão variam muito entre os pacientes com retinosquise juvenil. A visão central é quase sempre afetada. A perda da visão periférica (lateral) ocorre em cerca da metade dos casos. Alguns pacientes mantem uma visão útil até a idade adulta, enquanto outros apresentam um rápido declínio durante a infância.


3. Como é transmitido?

A retinosquise juvenil é geneticamente transmitida para a família pelo padrão de herança ligado ao cromossomo X. Neste tipo de herança, o gene da doença está localizado no cromossomo X. As mulheres tem dois cromossomos X e podem transportar o gene da doença em um deles. Como elas tem uma versão saudável do gene no seu outro cromossomo X, as mulheres tipicamente não são afetadas por doenças tais como a retinosquise juvenil.

Os homens tem apenas um cromossomo X (emparelhado com um cromossomo Y) e, portanto, são geneticamente suscetíveis a doenças ligadas ao X. Homens afetados por uma doença ligada ao X sempre passam o gene no cromossomo X para suas filhas, que se tornam portadoras. No entanto, nunca passam um gene da doença ligada ao X aos seus filhos porque os pais passam o cromossomo Y para os filhos. Mulheres portadoras tem 50% de chance (ou 1 chance em 2) de passar o gene da doença ligada ao X para suas filhas, que se tornam portadoras, e chance de 50% de passar o gene para seus filhos, que serão afetados pela doença.


4. Pode ser tratada?

Atualmente, não há nenhum tratamento para retinosquise juvenil. No entanto, em alguns casos, uma cirurgia pode reparar a retina. As pesquisas científicas em curso estão focadas em identificar o gene que causa a retinosquise juvenil como o primeiro passo no desenvolvimento de meios de prevenção e tratamento.


Referências: Retina International, 2015

actualizado por MJA
[28.Abr.15]
ir para o TOPO da página


Җ

Síndrome de Bardet-Biedl

The Foundation Fighting Blindness

 

  1. O que é a síndrome de Bardet-Biedl?
  2. Quais são os sintomas?
  3. É uma doença hereditária?
  4. Existe tratamento disponível?
  5. Existem outras síndromes correlatas?

 

1. O que é a síndrome de Bardet-Biedl?

A síndrome de Bardet-Biedl é um distúrbio complexo que afeta muitas partes do corpo, incluindo a retina. Os indivíduos com esta síndrome têm uma degeneração da retina semelhante a retinose pigmentar (RP).


2. Quais são os sintomas?

O diagnóstico da síndrome de Bardet-Biedl geralmente é confirmado ainda na infância, quando problemas visuais devido a RP são descobertos. O primeiro sintoma de RP é a cegueira noturna, que faz com que a pessoa tenha dificuldade em enxergar com baixos níveis de luz. Em seguida, a RP provoca a perda progressiva da visão periférica (lateral). Indivíduos com síndrome de Bardet-Biedl desenvolvem a perda de visão central durante a infância ou adolescência. Os sintomas de RP progridem rápido e geralmente levam à deficiência visual grave na idade adulta.

Além de RP, polidactilia (dedos extras das mãos e /ou dos pés) e obesidade são características definidoras de síndrome de Bardet-Biedl. Um diagnóstico preliminar da síndrome de Bardet-Biedl se dá geralmente quando uma criança nasce com polidactilia. Sintomas posteriores RP e obesidade podem confirmar o diagnóstico. Dedos extras geralmente podem ser removidos ainda na infância. A existência de pele extra entre os dedos também é comum. A obesidade pode estar presente na infância e é normalmente concentrada no tronco. Muitos indivíduos também mais baixos do que a média.

Aproximadamente metade de todos os indivíduos com síndrome de Bardet-Biedl possuem algum tipo de deficiência intelectual que pode variar amplamente. Os indivíduos podem também possuir anormalidades renais que afetam a estrutura e a função dos rins, podendo levar à insuficiência renal grave.

Ao atingir a idade adulta, os homens com síndrome de Bardet-Biedl podem ter genitália pequena (testículos e pênis). Devido tamanho do órgão sexual feminino é mais difícil de se avaliar. Assim, não é conhecida quantas mulheres tenham esta característica. Mulheres com síndrome de Bardet-Biedl podem apresentar ciclos menstruais irregulares.


3. É uma doença hereditária?

A síndrome de Bardet-Biedl é geneticamente compartilhado pela família dado o padrão de herança autossômico recessivo. Neste tipo de herança ambos os pais, chamados transportadores, tem um gene para a síndrome emparelhado com um gene normal. Cada um de seus filhos, então tem uma chance de 25% (ou 1 chance em 4) de herdar os dois genes de Bardet-Biedl (um de cada progenitor) necessários para causar a doença. Os transportadores não são afetados pois tem apenas uma cópia do gene. Atualmente, só é possível determinar quem é portador de síndrome de Bardet-Biedl após o nascimento de uma criança com a doença.


4. Existe tratamento disponível?

Não existem tratamentos para todas as características associadas com Bardet-Biedl. Com o agravamento da perda de visão, os pacientes devem utilizar de recursos e tecnologias assistivas para garantir sua orientação e mobilidade. Pesquisadores identificaram 12 genes que estão ligados a Síndrome de Bardet-Biedl, dando-lhes metas claras para o desenvolvimento do tratamento.

Para gerir as complicações da doença renal associada com síndrome de Bardet-Biedl, o paciente deve ser examinado por um nefrologista, um médico especializado em doenças renais.


5. Existem outras síndromes correlatas?

A síndrome de Bardet-Biedl é muitas vezes confundida com síndrome de Laurence-Moon. Pessoas com síndrome de Laurence-Moon quase sempre possuem problemas neurológicos, mas raramente apresentam polidactilia. A polidactilia é uma característica definidora de síndrome de Bardet-Biedl, enquanto que problemas neurológicos quase nunca ocorrem. A síndrome de Laurence-Moon é extremamente rara, poucos casos foram documentados. Devido à semelhança das síndromes, Bardet-Biedl é muitas vezes referida como síndroma Laurence-Moon e vice versa.

Referências: The Foundation Fighting Blindness, 2012
 

actualizado por MJA
[28.Abr.15]
ir para o TOPO da página


Җ

Síndrome de Laurence-Moon Bardet-Biedl [ LMBB ]

 Grupo Retina S. Paulo
 

Na verdade, trata-se de duas síndromes semelhantes e fáceis de serem confundidas num diagnostico clínico. A LMBB é uma doença complexa, que afeta várias partes do corpo, incluindo a retina. Ela aparece na infância, quando a retinose pigmentar é diagnosticada. Outros sintomas ajudam a definir essa síndrome:

  • polidactilia (dedos extras nas mãos ou nos pés),
  • obesidade,
  • problemas renais.

Cerca da metade dos que são afetados por essa síndrome tem dificuldades de aprendizado e de desenvolvimento emocional, podendo apresentar em alguns casos, traços de atraso mental.

A síndrome LMBB tem um padrão de herança do tipo autossômico recessivo.  Ambos os pais nesse caso são portadores do gen da LMBB ao lado de um gene normal, o que faz com que a doença não se manifeste nos pais, mas seja transmitida aos filhos.  Em cada gestação, os pais portadores do gene LMBB terão 25% de chances de terem um filho com LMBB.  Para isso é necessário que os genes da LMBB dos pais se combinem na criança formando um par de genes com mutações anormais.


Fonte: Retina São Paulo, 2015

ir para o TOPO da página


Җ

Síndrome de Usher (USH)


The Foundation Fighting Blindness

 

  1. O que é Síndrome de Usher?
  2. Como a síndrome de Usher é herdada?
  3. Quais são os tratamentos disponíveis?
  4. Há doenças relacionadas?

 

1. O que é Síndrome de Usher?

Síndrome de Usher é uma doença hereditária caracterizada pela deficiência auditiva e perda progressiva da visão. A perda da visão se dá devido à retinose pigmentar (RP), uma doença degenerativa da retina que geralmente aparece na adolescência ou início da idade adulta. O senso de equilíbrio também pode ser afetado. Os sintomas e o avanço da doença variam de pessoa para pessoa.

Pesquisadores estão estudando as causas e possíveis tratamentos para a síndrome de Usher e outras doenças degenerativas da retina. Recentemente foram conquistados excelentes progresso nas pesquisas.

Existem pelo menos três formas diferentes de síndrome de Usher:

Pessoas com síndrome de Usher tipo 1 (USH1C) geralmente nascem com perda auditiva severa e problemas com o senso de equilíbrio. Os primeiros sinais de RP – cegueira noturna e perda da visão periférica – geralmente aparecem no início da adolescência.

Na síndrome de Usher tipo 2 (USH2), recém-nascidos podem ter deficiência auditiva de moderada a severa. Os sintomas da RP normalmente começam logo após a adolescência. Os problemas visuais podem progredir mais lentamente do que no tipo 1 ea perda auditiva geralmente se mantém estável.

Um tipo mais rara, síndrome de Usher tipo 3 (USH3) foi documentada em 1995. Crianças com USH3 nascem normalmente com boa ou apenas comprometimento leve da audição. Sua audição e perda de visão é progressiva, começando por volta da puberdade. O equilíbrio também podem ser afetados.

A perda auditiva na síndrome de Usher se dá devido a uma mutação genética (alteração) que afeta as células nervosas na cóclea, órgão do ouvido interno que também é responsável pelo equilíbrio. O mesmo defeito genético também afeta as células fotorreceptoras da retina, levando à perda da visão. A retina é um tecido delicado na parte posterior do olho composto de células sensíveis à luz. Essas células, também conhecidas como bastonetes e cones – são responsáveis ​​pela conversão da luz em impulsos elétricos que são levados até o cérebro.
Voltar para o topo


2. Como a síndrome de Usher é herdada?

A síndrome de Usher é passada de pais para seus filhos através de um padrão de herança autossômico recessivo. Neste tipo de herança, duas cópias de um gene mutante, um de cada pai, são necessários para a criança ser afetada. Uma pessoa com apenas uma cópia do gene é um “portador” e raramente tem quaisquer sintomas. Profissionais especialistas em genéticas são excelentes conselheiros para discutir a hereditariedade e auxiliar no planejamento familiar, testes genéticos, e outros assuntos relacionados.

Pesquisadores estimam que cerca de 50.000 pessoas nos EUA têm síndrome de Usher. É a principal causa de surdez combinada com a cegueira no mundo. Cerca de 30% das pessoas com RP relatam algum grau de perda auditiva, e cerca de metade dos casos são diagnosticados com a síndrome de Usher. O teste genético está se tornando um aliado para ajudar as pessoas entenderem sua doença e o risco de outros membros da família serem afetados.


3. Quais são os tratamentos disponíveis?

Uma intensa pesquisa está em andamento para descobrir as causas e tratamentos para todas as formas de RP. Os pesquisadores descobriram numerosas variações genéticas que causam a síndrome de Usher, permitindo a designação de uma variedade de subtipos (isto é, 1A, 1B, IC, 1D, 1E, 1F, 1G, 2A, 2B, 2C, e 3A). A terapia genética para substituir genes defeituosos está sendo estudada em ensaios pré-clínicos.

Os pesquisadores identificaram também uma terapia nutricional para retardar a taxa de perda de visão em alguns pacientes com RP. Embora não seja uma cura, eles descobriram que palmitato de vitamina A pode retardar a degeneração da retina em algumas pessoas com RP e síndrome de Usher tipo 2. Eles também mostraram que o ácido docosahexaenóico (DHA) – um ácido contido no omega-3 – pode aumentar o efeito de vitamina A. No entanto, os benefícios adicionais do DHA foi verificado apenas durante os primeiros dois anos de terapia com vitamina A. (Somente pacientes com RP adultos e USH2 foram estudados, de modo que não se conhece o efeito em outros pacientes com Síndrome de Usher) A FFB pode fornecer mais detalhes sobre o estudo.

A Fase II/ lll do ensaio clínico está em andamento para testar a tecnologia de célula encapsulada (ECT) para a elaboração de um agente de preservação da visão (fator neurotrófico ciliar ou CNTF). Os resultados preliminares do estudo de fase I do tratamento ECT-CNTF foram bastante encorajadores. Outros agentes terapêuticos estão se mostrando muito promissores em estudos pré-clínicos.

Além disso, muitos pesquisadores estão fazendo experiências com implantes de retina artificial. Os dispositivos são colocados sobre a superfície da retina e restauram de forma rudimentar a função da visão.

Os pesquisadores também estão fazendo um excelente progresso em terapia genética para tratar a síndrome de Usher. Com a terapia genética, um gene normal é associado à retina para substituir o mutante, causador de doença. A terapia genética pode também ser usada para tratar a perda de audição.

Em ensaios clínicos de terapia genética para uma forma grave de RP conhecido como amaurose congênita de Leber, uma visão foi restaurada em adultos jovens que eram quase cego. O Sucesso deste tratamento abre as portas para o desenvolvimento de terapias genéticas para a síndrome de Usher e outras doenças da retina.

O transplante de células da retina é outra área de interesse crescente. Nestes tratamentos potenciais, transplantes substituiriam as células da retina danificadas pela RP e outras doenças degenerativas.


4. Há doenças relacionadas?

Outras doenças, algumas das quais também são hereditárias, podem resultar em surdez e surdo-mudez, mas não estão relacionadas com a síndrome de Usher. Os pesquisadores esperam que os avanços na compreensão e tratamento de outras formas de RP vai beneficiar diretamente as pessoas com síndrome de Usher, e vice-versa.

Referência: The Foundation Fighting Blindness, 2015.
 


actualizado por MJA
[28.Abr.15]
ir para o TOPO da página


Җ

Genotipagem em oftalmologia


Juliana M. Ferraz Sallum

doutora e mestre em oftalmologia pela Universidade de São Paulo (Unifesp);
fellowship no Wilmer Eye Institute, Johns Hopkins University;
especialista em geneticista clínica


 

O que é a genotipagem?

É a identificação das alterações genéticas que causam determinada doença em indivíduos de uma família. Quando a doença é de causa cromossômica, o cariótipo é o exame indicado para detecção de alterações cromossômicas. Mas quando a causa é gênica, é necessário o diagnóstico genético molecular, que pesquisa mutações em genes relacionados à doença.

Por que genotipar?

A genotipagem é indicada para aconselhamento genético, para aprimorar o diagnóstico e indicar a possibilidade do paciente participar de algumas pesquisas clínicas. Até bem pouco tempo atrás a genotipagem era usada apenas para aconselhamento genético em determinadas situações familiares. Hoje há duas novas indicações: diagnóstico e tratamento.

Para diagnóstico deve-se conhecer mais profundamente a doença para melhor entendimento das bases moleculares que a causam. Protocolos de estudos clínicos em pacientes estão avaliando novos tratamentos. E o diagnóstico molecular é critério de inclusão em alguns desses protocolos. Alguns destes tratamentos visam corrigir defeitos genéticos, por meio de terapia gênica. A abordagem pode ser ao nível do DNA, RNA ou em terapias de reposição de proteína ou substâncias que interfiram no metabolismo.

A clínica é soberana?

O direcionamento da pesquisa genética se baseia em diagnósticos clínicos precisos e na identificação do padrão de herança. Uma doença com padrões de herança diferentes pode ser causada por genes distintos, isto é, a heterogeneidade genética. A clínica guia a pesquisa molecular. Existem mais de 180 genes relacionados às distrofias de retina. A experiência em genotipagem tem auxiliado a direcionar a pesquisa molecular. Quando um caso semelhante tem seu gene identificado, esta informação facilita a pesquisa em novos casos.

O que é mutação e polimorfismo?

Ambas são variações genéticas. A mutação é mais rara, encontrada com frequência menor que 1% da população, e causa um defeito que está relacionado ao aparecimento de uma doença. O polimorfismo é uma variação mais frequente que não causa doença, mas que pode predispor ao aparecimento da doença.

As doenças monogênicas em geral são causadas por mutações. Para as poligênicas, os polimorfismos genéticos podem predispor ao aparecimento de determinada doença.

O que a genotipagem busca?

Dependendo da doença em questão procura-se:

  • Polimorfismo que confere risco para determinada doença. Ex: polimorfismos que predispõem a DMRI.
  • Mutação específica em um gene. Ex: as distrofias de córnea são causadas por mutações específicas no gene TGFβ1.
  • Mutações variadas em determinado. Ex: Doença de Stargardt, em geral, está relacionada a mutações no gene ACBA4.
  • Mutações variadas em um painel de genes. Ex: Retinose Pigmentar e Amaurose congênita de Leber podem ser causadas por vários genes cada uma. A maioria das distrofias de retina se encontra neste grupo.


Qual método molecular deve ser empregado?

O método depende do que estiver sendo procurando. Se quisermos identificar um polimorfismo ou uma mutação específica podemos testar diretamente aquele ponto do gene. O teste molecular é menos complexo. Usamos PCR e enzimas de restrição ou PCR real time ou ainda sequenciamento de um fragmento de DNA, um exon, por exemplo.

Se tivermos de pesquisar a mutação em qualquer ponto do gene está indicado sequenciar este gene inteiro. O problema é maior quando temos de sequenciar vários genes. Até bem pouco tempo atrás isso era economicamente inviável como exame clínico. Os chips de DNA eram uma possibilidade alternativa, pois testam o DNA do paciente contra uma biblioteca de mutações conhecidas. O problema é que o paciente pode ter uma mutação que não está incluída no chip e o teste é inconclusivo.

Mais recentemente, as técnicas de sequenciamento capilar (tradicional) foram aprimoradas e optimizadas. Equipamentos para sequenciamento mais modernos, chamados sequenciadores de “next generation”, estão entrando no mercado. Isso permite obter o diagnóstico nas situações em que o chip de DNA era inconclusivo.

O sequenciamento aumentou a eficiência da genotipagem. O de “next generation” permite a análise do genoma todo (genômica) ou apenas dos exons (exomas). Essas abordagens possibilitam a identificação de novos genes, o estudo de interação entre genes e de fatores modificadores da expressão dos genes (epigenômica).

A mutação identificada é sempre causadora de doença ou pode ser um polimorfismo?

A análise da patogenicidade da mutação identificada:

  • Deve-se pensar no heredograma da família, verificando-se se os afetados são portadores da mutação.
  • A mutação deve correlacionar com o padrão de herança. Por exemplo, uma mutação recessiva pode causar a doença por não produzir a proteína. Já para uma mutação dominante o efeito patogênico pode decorrer da insuficiência de apenas um alelo do gene estar funcionando, o que é chamado haploinsuficiência.
  • A análise da estrutura da proteína gerada também auxilia esta interpretação.

Existem bancos de dados sobre as mutações.

Aspectos éticos são importantes?

Os geneticistas são os profissionais preparados para avaliar as situações familiares. Todo o teste genético deve ser acompanhado de uma consulta de aconselhamento genético com o médico geneticista para explicar as implicações do resultado do teste para o paciente e seus familiares.

Quais as perspectivas para os pacientes?

Nestes últimos anos alguns protocolos clínicos de pesquisa foram propostos. E os primeiros resultados mostram melhora visual em situações bem particulares. As técnicas empregadas variam entre reposição de carotenoides e antioxidantes e terapia gênica.

A clínica continua soberana. Acompanhar os pacientes com consultas é essencial. A genotipagem é indicada para aconselhamento genético, para aprimorar o diagnóstico e para indicar a possibilidade do paciente participar de algumas pesquisas clínicas.
Isso reforça que a prova de princípio existe. Há esperança dentro desta linha de pesquisa que busca a melhora visual dos pacientes com doenças genéticas.


Algumas doenças para as quais existem testes genéticos:

  • Doença de Stargardt
  • Retinose pigmentar autossómica dominante, recessiva ou ligada ao X
  • Amaurose congénita de Leber
  • Distrofia de cones autossómica dominante ou recessiva
  • Síndrome de Bardet-Biedel
  • Distrofia macular viteliforme de Best
  • Cegueira noturna estacionária
  • Fundus albipunctatus
  • Coroideremia
  • Síndrome de Usher
  • Retinosquise ligada ao X
  • Acromatopsia
  • Atrofia óptica autossómica dominante
  • Síndrome de Waardenburg
  • Albinismo
  • Distrofia de córnea e ceratocone
  • Disgenesias mesodermicas da câmara anterior, Peters, Rieger
  • DMRI

 

Fonte: Revista Universo Visual, 2011.

actualizado por MJA
[28.Abr.15]
ir para o TOPO da página


Җ

Novos tratamentos das Degenerações da Retina


Prof. Gerald Chader

RELATÓRIO SOBRE O 16° CONGRESSO MUNDIAL
DA RETINA INTERNACIONAL
- 22 a 28 de Junho de 2010 -

 

Os novos tratamentos das Degenerações da Retina classificam-se em 2 categorias:

  • Quando a maioria ou todas as células fotorreceptoras não funcionam ou estão mortas: Neste caso, nós poderíamos usar os tratamentos que substituem as células fotorreceptoras mortas ou, pelo menos, substituir a sua função na retina – Terapias de Substituição.
  • Quando algumas células fotorreceptoras ainda estão vivas: Aqui, poderemos usar os tratamentos que prolongam a vida dos fotorreceptores e fazê-los funcionar melhor - Terapias de Resgate.
     


A - TERAPIAS DE SUBSTITUIÇÃO

1. APARELHOS ELETRÔNICOS – A RETINA ARTIFICIAL

O Professor Eberhart Zrenner da Alemanha informou sobre o progresso do implante retiniano. O microchip tem 3mm de diâmetro e 50 micras de espessura. Há 1500 microfotodiodos no chip que é implantado abaixo da retina. O microprocessador é implantado atrás da orelha e a ligação com a fonte de alimentação da alça periocular é sem fio.O Professor Zrenner disse que teve sucesso nos resultados com 12 pacientes que conseguiram ler letras grandes (4cm), combinação de palavras e a distinção de vários objetos como xícara, colher, fruta, etc. O vídeo também mostra um paciente percebendo a presença de duas pessoas em uma sala e conseguindo reconhecer a menor. Ele forneceu formulário para todos os pacientes de todos os países que quiserem mencionar seu interesse em participar das pesquisas.

A empresa “Second Sight” dos EUA que está pesquisando outro chip eletrônico não se manifestou no Congresso da RI, mas sim na Conferência da ARVO que aconteceu nos Estados Unidos em maio. Eles informaram que foram feitos testes em 11 centros com 32 pacientes. Após o implante do aparelho Argus2, os pacientes conseguiram localizar uma porta, andar sobre uma linha branca e detectar um quadrado numa tela de LCD.


2.CÉLULAS TRONCO

O Professor Robin Ali informou que os fotorreceptores e a função visual foram restaurados em modelos de ratos com degeneração da retina usando célula tronco embrionária. Isso foi mostrado em um vídeo com ratos nadando e percebendo uma plataforma segura. Os ratos encontraram a plataforma mais do que 70% do tempo de avaliação e também melhoraram as respostas visuais no eletroretinograma. A pesquisa estava bem no início do primeiro estágio já que a terapia funcionou somente em ratos jovens e uma fonte mais apropriada de células foi necessária. Eles também precisaram melhorar o número de células que integraram às células da retina.  O professor Ali foi o primeiro pesquisador a fazer terapia de substituição com gene humano nos testes que estão sendo feitos para Amaurose Congênita de Leber.


3. OPTOGENÉTICA:

A optogenética é um novo campo de pesquisa e é ele que controla o “ligar e desligar” dos neurônios, em outras palavras, é o que desencadeia ou interrompe certas ações dentro de uma célula. Em degenerações da retina, embora os bastonetes e cones morram, outras células como as ganglionares e bipolares permanecem vivas. Com a utilização da biologia molecular, podemos inserir uma proteína fotosensível (PHOTOSWITCH) para as células restantes e assim torná-las capazes de reagir aos sinais de luz. Um photoswitch é uma proteína que faz uma célula viva reagir eletricamente a um sinal de luz (como tomadas ópticas).

O Prof. Botond Roska apresentou sua nova pesquisa a qual foi publicada na revista SCIENCE no dia 24 de junho de 2010. Seu trabalho retrata a transferência genética do canal da rodopsina, uma proteína sensível à luz, derivada de algas, para as células restantes criarem fotosensibilidade.

O trabalho do Prof. John Flannery nessa área não foi mostrado no Congresso, mas sim na ARVO. O grupo está usando um AAV para liberar a luz projetada no receptor glumato ativado (LiGluR) para a retina em diferentes modelos de ratos de Retinose Pigmentar (RP). O LiGluR integrou-se com sucesso nas membranas celulares ganglionares da retina e eles detectaram reação à luz. Esta técnica é promissora no tratamento da retina, onde as células fotorreceptoras sofreram danos ou estão degeneradas, mas as células ganglionares da retina têm que estar ainda intactas.

O Prof. Chader disse que o trabalho com "photoswitches" está ainda começando. Somente um ou outro trabalho está mais adiantado. Os que estão usando comprimento de onda podem causar danos na retina e alguns reagem à luz vagarosamente a ponto de não serem úteis para a visão humana. No entanto, os photoswitches poderão ainda ser funcionais para a visão, se os problemas citados acima forem superados.

 

B - TERAPIAS DE RESGATE

Tratamentos que procuram prolongar a vida e a função dos bastonetes e cones:


1. FACTORES DE CRESCIMENTO

A Tecnologia de Célula Encapsulada (ECT) libera fatores de crescimento para a retina. A Dra. Weng Tao falou sobre o estado dos testes clínicos com Neurotech.

  • o efeito do CNTF na RP: Não houve mudança na Acuidade Visual, mas houve menos perda de cones no período do teste.
  • o efeito do CNTF2 na DMRI seca: Foram relatados os resultados dos testes em 51 pacientes. Houve um aumento na espessura da retina, eles mantiveram a acuidade visual quando comparados com o grupo placebo. Necessita mais estudos. Este poderá ser um tratamento para DMRI seca.


2. MODIFICADORES DAS CÉLULAS VISUAIS

Em alguns casos, como na Amaurose Congênita de Leber (LCA), a retina é incapaz de produzir a vitamina A e isso causa uma disfunção na célula fotorreceptora. Se a retina for reabastecida, o processo visual poderá ser recomeçado e a pessoa talvez enxergue novamente.

Intervenção Farmacêutica: O Professor Rob Koenekoop do Canadá falou sobre a pesquisa com o QLT que foi feita a curto prazo para testar pacientes com Amaurose Congênita de Leber com uma forma oral de 11 cis-retinal. O teste com 3 pacientes durou somente 7 dias, mas todos os 3 tiveram melhora na Acuidade Visual e melhor qualidade de vida. Exemplo: melhoraram a leitura, essa melhora continuou depois que o tratamento cessou. Uma pesquisa mais abrangente está sendo planejada.


3. ANTIOXIDANTES

A importância de suplementos nutricionais nas degenerações retinianas foi ressaltada por vários palestrantes:

  • Professor Chader: “O uso da nutrição nas degenerações retinianas foi sempre controverso. Deve ser visto com mais seriedade em relação à prevenção ou pelo menos para retardar a degeneração. Os testes clínicos actuais na Espanha mostram bons resultados e novas pesquisas estão sendo planejadas”.
  • Professor Falsini: “As mutações dos genes levam a apoptose. Os antioxidantes parecem resgatar a função dos cones e recuperar os que permaneceram vivos, retardando o curso da degeneração”.
  • Professor Theo van Veen: “A morte dos fotorreceptores leva a hiperoxia e ao estresse oxidativo”. Os antioxidantes como o RetinaComplex oferece, sem dúvida, protecção contra o stress oxidativo.


4. TERAPIA GENÉTICA

- Professor Chader: “A terapia de substituição genética é a troca de um gene imperfeito nas células vivas por um novo, uma cópia normal do gene. Esse novo gene sintetizará a proteína perdida e restaurará a função da célula fotorreceptora. A longo prazo tem se mostrado positivos os efeitos da Terapia Genética em RP em modelos animais, até mesmo em tratamentos que foram feitos em um estágio adiantado da doença, quando a perda das células fotorreceptoras já foi significativa”.

- Professora Jean Bennet: Ela falou sobre a terapia de substituição genética no gene RPE65 para a doença Amaurose Congênita de Leber. Os 4 testes internacionais tiveram sucesso na restauração da visão, mas os pacientes mais jovens tiveram melhores resultados. Ela reexaminou 31 pacientes que haviam sido tratados há 3 anos. Houve 2 acontecimentos negativos: um buraco de mácula e um descolamento da retina. A visão melhorou em 28 pacientes. Novos testes foram examinados com doses gradativas tratando pacientes mais jovens, eles também testarão o tratamento no segundo olho dos pacientes.
 

5. FUTUROS TESTES DE TERAPIA GENÉTICA

  1. Distrofia de Stargardt – o projeto Stargen está previsto para começar no final de 2010. Essa pesquisa usará lentivírus para repor o gene ABCA4. A empresa responsável pelo projeto está no processo de manufaturar o material e conduzir os testes toxicológicos.
  2. Amaurose Congênita de Leber - Uma outra forma de terapia gênica para Amaurose Congênita de Leber – LCA5, envolve o gene lebercillin. Espera-se que os testes clínicos sejam feitos em breve.
  3. Síndrome de Usher – O projeto Oxford Biomedica Ushstat que está usando o lentivírus para repor o gene MY07 no tipo Usher 1B está também em estágio avançado.
  4. Gene MERTK para o início precoce de RP – a Prova do Princípio tem sido determinada e os vetores virais estão sendo produzidos.
  5. Trabalhos pré-clínicos de outras formas de Amaurose Congênita de Leber tais como o GUCY2D e RPGRIP1 continuam sendo avaliados.
  6. Retinoschisis - Ligado ao X é uma situação onde a Retina se divide. A companhia AGTC está testando a terapia genética em modelos primatas, mas dificuldades cirúrgicas precisam ser resolvidas.
  7. Acromotopsia – O resgate dos genes usando Adeno Virus Associado está sendo investigado para 03 genes – o GNAT2, CNGA3, CNCB3 em 2 modelos de ratos e 1 cachorro. A Acuidade Visual, a sensibilidade ao contraste e a sobrevivência dos cones melhoraram.


6. RESGATE/LIBERTAÇÃO DE DROGAS SISTÊMICAS

O Prof Peter Humphries da Trinity College da Irlanda teve resultados promissores na abertura da barreira hemato retiniana levando os agentes terapêuticos para conter a degeneração. Esta terapia é muito nova e bem promissora.


Sobre DMRI - DEGENERAÇÃO MACULAR RELACIONADA COM A IDADE

Excelentes trabalhos foram expostos sobre a DMRI por vários palestrantes como Professor Joe Hollyfield, Alan Bird e Johanna Seddon. O Professor Joe Hollyfield é o co-presidente do RI SMAB e também recebeu o certificado de reconhecimento pela Retina Internacional.

Factos incontestáveis que surgiram no Congresso são que: Natureza e Alimentação combinadas são muito importantes na DMRI e que a Genética e Factores ambientais tem papel significativo.

Os indivíduos acima de 55 anos estão no grupo de risco e drusas estão presentes na doença na forma inicial. Certos fatores não são modificáveis como idade e genética, mas outros factores também são modificáveis como: dieta, ingestão de nutrientes, fumo, índice de massa corporal, nível do colesterol e hipertensão.

A Dra. Seddon aconselhou os pacientes com DMRI a incluírem na sua dieta:

  • Uma porção de espinafre de 5 a 6 vezes por semana
  • Óleo de peixe 3 vezes por semana para assegurar o ácido graxo Omega 3
  • Alimentos ricos em Vitamina D, E e C
  • Beber chá verde (rico em antioxidantes)

Fumar 25 cigarros por dia aumenta o risco de DMRI em 2,4 vezes. “Associações entre genes e factores modificadores como dieta e suplemento, fumo e aumento de peso têm mostrado que esses factores podem alterar a susceptibilidade genética e juntos podem levar à DMRI” – Dra. Johanna Seddon.

TRATAMENTOS PARA DMRI
O resultado dos testes comparativos entre Lucentis e Avastin para o tratamento da DMRI exudativa estará disponível no final de 2010 e nós estamos esperando ansiosamente por eles. Por volta de 700 outros tratamentos estão sendo examinados tais como:

- Retinostat para inserir os genes Antivascular, Angiostatin e Endostatin para DMRI e Retinopatia Diabética
- VEGF TRAP
- ACU 4429 inibidor da DMRI seca
- Pazopanib gotas para DMRI exudativa


ESTIMATIVAS

  • As doenças retinianas herdadas são a maior causa da deficiência visual e cegueira em crianças e jovens adultos no mundo ocidental. A prevalência agregada deles é 1 para 2.000 indivíduos – Dr. Frans Cremers
  • A administração de AAV foi bem tolerada e todos os pacientes mostraram melhora nas medidas objetiva e subjetiva da visão. Vários pacientes não são mais considerados cegos legalmente. O progresso maior foi observado em crianças, todas ganharam visão ambulatorial. Dra. Jean Bennet.
  • Os mecanismos de estresse oxidativo têm um papel crucial na neuro-degeneração. Pesquisa usando radical livre, incluindo combinações de antioxidantes, tem mostrado um atraso na morte da célula fotorreceptora de vários modelos animais na RP e em breve, estudos clínicos em humanos serão completados. Dr. Theo van Veen.
  • Uma modulação barreira tem sido usada para proteger as retinas de ratos contra a perda da função visual em um modelo de RP dominante. Prof Peter Humphries.
  • RdCVF não consegue somente resgatar os cones, mas também preserva significativamente suas funções. Mostra, portanto, o potencial do RdCVF para preservar a visão dos pacientes. Prof. Jose Sahel
  • A administração do CNTF pela técnica de Célula Encapsulada produziu o aumento da espessura retiniana a longo prazo e estabilizou a acuidade visual, sem sérios problemas, em olhos com atrofia geográfica por DMRI. Dra. Weng Tao.
  • Estudos recentes têm mostrado que, o transplante dos fotorreceptores pode resultar em uma melhora da função visual em modelos de ratos com degeneração retiniana e que é possível produzir células fotorreceptoras de célula tronco embrionária. Professor Robin Ali.
  • Muitos indivíduos (por volta de 70%) com DMRI têm polimorfismo nos genes, que são ou codificados ou ligados às proteínas complementares de algum sistema imune; o dano oxidativo dos lipídios na parte externa da retina, pode ser um sinal de inflamação desses tecidos que almeja o sistema imunológico atacando a mácula. Professor Joe Hollyfield.
     

Excerto do RELATÓRIO SOBRE O 16° CONGRESSO MUNDIAL DA RETINA INTERNACIONAL em Stresa, Itália - de 22 a 28 de Junho de 2010
Prof. Gerald Chader [Secretário do Comitê Científico da Retina Internacional e Membro da Retina AS SMAB]

Fonte: Relatório in Grupo Retina São Paulo - texto integral
 

actualizado por MJA
[23.Fev.2011]

ir para o TOPO da página


Җ

Os três principais padrões de herança

Retina Brasil

 

  • Autossômico recessivo
  • autossômico dominante
  • ligada ao cromossomo X


A maioria das doenças degenerativas da retina – incluindo a retinose pigmentar, doença de Stargardt, síndrome de Usher – são herdadas. Elas são causadas principalmente por variações genéticas que são passadas de um ou ambos os pais, através de um dos três padrões de herança revisados neste artigo.

(A discussão a seguir sobre os padrões de herança não é relevante para a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI)), pois o risco de DMRI está associado a uma combinação complexa de fatores genéticos e estilo de vida, chamada de herança multifatorial).


Genes e cromossomos


Os seres humanos tem cerca de 25.000 pares de genes. Os genes desempenham um papel importante na determinação de quem somos – nossa altura, cor dos cabelos, o risco de algumas doenças, e muito mais. Todos nós temos muitas variações, defeitos e alterações em nossos genes. A maioria destas variações não afetam o que somos ou a nossa saúde e bem-estar. No entanto, algumas variações genéticas, também chamadas de mutações, podem causar problemas. Algumas mutações levam à doenças, incluindo doenças degenerativas da retina.

Os genes estão localizados em estruturas chamadas cromossomos, e os seres humanos normalmente têm 23 pares de cromossomos. Nós herdamos um cromossomo de cada par (e os genes contidos em cada cromossomo) de nossa mãe e um do nosso pai. Os pares cromossômicos 1 a 22 são conhecidos como cromossomos autossômicos (não-sexuais). Os cromossomos no par 23 são conhecidos como os cromossomos sexuais, porque uma das funções é determinar o sexo que teremos.


Portadores do gene
Algumas pessoas são portadoras da doença, o que significa que eles próprios não têm a doença, mas tem o gene mutado e podem passá-lo para seus filhos.


Afetados pela doença
Quando alguém tem a doença e apresenta sintomas da mesma, eles são conhecidos como sendo afetados.


Doenças degenerativas da retina são herdadas de uma das três seguintes maneiras:

1. Herança autossômica recessiva

Para ser afetado por uma doença recessiva, uma criança deve herdar uma cópia mutante do gene de ambos os pais. Com a doença recessiva, cada pai tem uma cópia mutada e uma cópia normal do gene em causa. Como cada um dos pais tem tem apenas uma cópia mutante do gene, eles são portadores do gene e não desenvolvem a doença, eles não têm problemas de visão.

Se a criança herda apenas um gene mutante de um pai, então a criança será um portador da do gene e não será afetado pela doença e não vai sentir qualquer problema.

Se a criança herda uma cópia mutante de cada genitor, a criança poderá desenvolver a doença e a perda da visão associada.

Para doenças recessivas, há 25% de chance da criança ser afetada, e 50% de chance de que eles sejam portadores do gene, mas não sejam afetados pela doença. Há também 25% de chance de não receber nenhum gene mutado.

Doenças recessivas são mais susceptíveis de vir como uma surpresa a uma família, porque os pais de uma criança afetada são portadores não afetados, e que a doença pode não ter aparecido por várias gerações.

Exemplos de doenças degenerativas da retina recessivas incluem: retinose pigmentar (alguns tipos), doença de Stargardt (a maioria das formas), Amaurose congênita de Leber (a maioria das formas) e síndrome de Usher.


2. Herança autossômica dominante

Para ser afetado por uma doença autossômica dominante, uma criança recebe uma cópia de um gene mutante de um dos pais afetado pela doença. É provável que o pai afetado saiba que tem a doença. O outro progenitor não é afetado e nem carrega mutação neste gene.

Com doenças dominantes, há 50% de chance de que uma criança receba o gene mutado e que seja afetado pela doença. E 50% de chance da criança não receber a mutação.

Doenças dominantes tendem a aparecer em várias gerações de uma família, e muitos membros da família são afetados. Exemplos de doenças degenerativas da retina dominantes incluem: retinose pigmentar (algumas formas) e degeneração macular (algumas formas da doença de início precoce).


3. Herança ligada ao X

Os padrões de herança para doenças ligadas ao X são mais complexos do que os outros padrões de herança, porque o sexo de ambos os pais e seus filhos determinar se a doença pode ser transmitida aos filhos.

Veja aqui algumas informações sobre o último par de cromossomos, os cromossomos sexuais, para ajudar a explicar a herança da doença ligada ao X.

Todas as mulheres têm dois cromossomos X. Todos os homens têm um X e um Y. Quando um homem e uma mulher tiverem um filho, a mulher sempre irá passar um cromossomo X. O homem vai passar um X ou um Y. Se ele passar um X, a criança terá dois cromossomos X e será uma menina. Se ele passar um Y, a criança terá um X e um Y e será um menino.

Doenças ligadas ao X são passadas no cromossomo X. De um modo geral, os homens são afetados por doenças ligadas ao X, e as mulheres são portadores não afetadas. As mães portadoras passam doenças ligadas ao X para seus filhos.

Se uma mãe portadora de uma mutação em um gene ligado ao X tem um filho, há 50% de chance de que o filho seja afetado e outros 50% do filho não herdar o gene mutado.

Se uma mãe portadora de uma mutação em um gene ligado ao X tem uma filha, há 50% de chance de que a filha seja portadora do gene mas não desenvolva a doença e 50% de que não receba o gene mutado.

Enquanto as mulheres são geralmente portadores não afetadas de doenças da retina ligadas ao X, os pesquisadores descobriram que elas podem ter perda de visão moderada.

Exemplos de doenças degenerativas da retina ligadas ao cromossomo X incluem: retinose pigmentar (algumas formas), coroideremia e retinosquise.


fonte: Retina Brasil (acesso 2015)

 

actualizado por MJA
[28.Abr.15]
ir para o TOPO da página


Җ

Terapia genética em distrofias hereditárias de retina


Monique Côco, Sang Won Han e Juliana Sallum

 

INTRODUÇÃO

A terapia genética consiste na inserção de material genético exógeno em células de um indivíduo com finalidade terapêutica.

A transferência tem como objetivo recuperar a função de um gene, atribuir uma nova atividade genética ou potencializar a atividade dos genes ativos. Com estes objetivos, esta terapia pode ser aplicada tanto para doenças genéticas quanto para adquiridas.
 



 

O olho é um órgão peculiar para a terapia genética, pois é anatomicamente dividido em compartimentos (situação ideal para inserção precisa do vetor no tecido de interesse), imunologicamente privilegiado e com meios transparentes.

A maioria das doenças oculares tem defeitos em genes conhecidos e tem progressão lenta permitindo maior tempo para tratamento. O RetNet, Retinal Information Network - disponível em http://www.sph.uth.tmc.edu/retnet/ - é um banco de dados online sobre os genes da retina. Além disso, há um modelo animal bem caracterizado para algumas condições, facilitando a pesquisa pré-clínica.

Para a terapia genética em degenerações retinianas é desejável que o gene inserido se expresse por um longo tempo e tenha regulações apropriadas. Existem muitas degenerações retinianas monogenéticas e algumas dessas doenças são candidatas à terapia genética, pois, até o momento, ainda não há outro tratamento.

Há duas principais estratégias de tratamento para degenerações retinianas em fase de experimentação: injeção intraocular de fatores de crescimento e restauração da função por transferência de genes à células.

O gene terapêutico pode ser introduzido num indivíduo de duas formas: in vivo ou ex vivo. Na técnica in vivo a introdução do gene ocorre diretamente no organismo, enquanto que na técnica ex vivo, as células são retiradas do indivíduo, modificadas geneticamente e depois reintroduzidas.

A introdução de genes na retina pode ser realizada por várias vias, tais como: injeção intravítrea, sub-retiniana e intracameral (Figura 1).

  1. Injeção intravítrea é um método fácil e relativamente seguro, mas há complicações como hemorragia vítrea, descolamento de retina e endoftalmites. Têm sido mais utilizada para transfectar células ganglionares.
  2. Injeção sub-retiniana, com ou sem vitrectomia, que produz um desprendimento local e transitório da retina tem sido o método de escolha para acessar a camada de fotorreceptores e epitélio pigmentado da retina (EPR).
  3. Injeção intracameral é mais utilizada para células do segmento anterior do olho (endotélio corneano, epitélio pigmentado da íris, corpo ciliar).
     



 

Inicialmente, deve-se definir o cassete de expressão genética, que é uma sequência de DNA contendo as informações do gene de interesse e dos elementos regulatórios que vão controlar sua expressão. Um segundo ponto relevante consiste em se determinar o veículo (ou vetor) que carregará o cassete de expressão até à célula-alvo.

O vetor ideal possui algumas características importantes, como: baixa imunogenicidade e citotoxicidade, capacidade de expressar de forma estável e duradoura o transgene, direcionamento para tipos específicos de células ou tecidos, baixo custo, fácil manipulação e produção em larga escala e a possibilidade de regular o tempo de expressão do gene exógeno.

Até o momento não foi possível produzir este vetor ideal, mas, levando em consideração o tecido-alvo, doença, duração do tratamento, aplicação in vivo ou ex vivo, tratamento localizado ou sistêmico, resposta imunológica, tamanho do transgene e interferência de elementos regulatórios, é possível determinar o melhor vetor que carregará o material genético e o introduzirá na célula-alvo, que passará a expressá-lo.

A utilização de vetores virais para a transferência genética é o método mais comum. Outras formas incluem princípios físicos ou químicos (Quadro 2).
 

 

Um método físico bastante conhecido é a eletroporação. Neste sistema, pulsos elétricos alternados são aplicados a células que estão em contato com uma solução de DNA plasmidial. A corrente gerada é capaz de formar poros na superfície celular, facilitando a entrada do material genético nas células.

A biobalística ou "gene gun" é outro método físico importante, onde microesferas de ouro ou tungstênio cobertas com DNA são aceleradas por um gás carreador que projeta estas esferas contra células, promovendo a entrada deste DNA no núcleo das células bombardeadas.

Os métodos químicos consistem na interação entre um lipídeo catiônico (lipoplexo) ou polímero catiônico (poliplexo) e o DNA, onde a carga positiva do complexo interage com o grupamento fosfato do DNA. A internalização celular ocorre por endocitose e o vetor é degradado no citoplasma deixando a molécula de DNA livre para entrar no núcleo.


VETORES VIRAIS

Atualmente é o método mais utilizado para terapia genética devido à alta eficiência de transfecção.

Os vírus são modificados para que fiquem deficientes em replicação e capazes de transferir seu material genético para células-alvo. Isso acontece através da deleção de genes virais envolvidos na proliferação viral e substituição destes pelo gene de interesse. Genes importantes no desenvolvimento da doença também são inativados.

As famílias de vírus mais conhecidas e utilizadas em protocolos de transferência genética são: os retrovírus, adenovírus, vírus adeno-associado e herpes simples vírus.
 

Retrovírus

Lentivírus e oncorretrovírus fazem parte da família dos retrovírus. Retrovírus são vírus de RNA fita simples, transcrito para DNA pela transcriptase reversa que o vírus carrega e integrado no genoma da célula infectada. Os lentivírus têm a capacidade de transfectar células quiescentes. Já os oncorretrovírus têm preferência por células em divisão, como tumores oculares. Sua propriedade de integração ao genoma hospedeiro acentua a possibilidade de garantir a expressão estável do transgene.

No entanto, existem problemas como a integração aleatória dos retrovírus no genoma hospedeiro podendo inserir-se no meio de outro gene modificando sua expressão naquela célula. Outro problema de grande importância é a questão de segurança na manipulação de vetores virais baseados em vírus como o HIV(7-8).

Takahashi et al., constataram que o uso do HIV como vetor é útil na transfecção das células fotorreceptoras apenas em degenerações retinianas recessivas. O vetor não produziu efeitos adversos, mostrando ser seguro(7).

Bainbridge et al., descreveram a consequência do uso de lentivírus HIV na transfecção celular. De acordo com esses autores, a injeção sub-retiniana promoveu transfecção eficiente e estável do EPR e baixa transfecção das células fotorreceptoras. Porém, a injeção intravítrea foi ineficiente(8).
 

Adenovírus

Para transfecção eficiente in vivo foram elaborados vetores adenovirais. Adenovírus são pequenos vírus de DNA dupla fita. Esses vetores conseguem infectar a maioria dos tipos celulares de mamíferos, além de ser possível purificá-los em larga escala. Entretanto, o efeito citotóxico nas células infectadas causa diminuição da expressão do transgene.

Li et al., observaram que após injeção sub-retiniana, houve alta eficiência de transfecção do EPR, mas pouca transfecção das células fotorreceptoras. Observou também, que essas células podem ser melhor transfectadas se estiverem em processo de desenvolvimento ou degeneração. Em ambos os casos, os fotorreceptores são mais acessíveis ao vírus(9). O problema está no fato de algumas das degenerações retinianas terem início tardio ou o diagnóstico ser confirmado muito tempo após o nascimento.

Bennett et al., demonstraram que os vetores adenovirais podem levar o gene exógeno até as células do espaço sub-retiniano - células fotorreceptoras, células de Muller e células do EPR. A transferência genética para essas células ocorreu apenas quando o adenovírus foi injetado no espaço sub-retiniano. Observaram também regeneração e reorganização dos segmentos externos dos fotorreceptores no período de duas semanas.

Nesse mesmo estudo, Bennett et al., reportaram que a tranfecção da retina neurossensorial em camundongos adultos requer a injeção de altos títulos de adenovírus. Entretanto, há a possibilidade de toxicidade direta das células, especialmente as células adjacentes ao EPR.


Vírus Adeno-Associado (AAV)

O genoma do AAV contém uma fita simples de DNA. Nas células humanas o vírus fica latente, sua ativação ocorre na presença de um vírus auxiliador, como o adenovírus ou herpes simples vírus.

O AAV é uma atraente alternativa, pois não está associado a nenhuma doença em humanos. Pode infectar grande variedade de células, é menos imunogênico e transfecta fotorreceptores com mais eficiência que os adenovírus. Por ter tamanho reduzido, o vírus é capaz de penetrar nas camadas da retina mais facilmente.

Os vetores AAV têm como limitações sua difícil preparação em altos títulos, tamanho reduzido do inserto que o vetor consegue acomodar e necessidade de co-infecção das células com o vírus auxiliador para facilitar a conversão da simples fita de DNA em DNA dupla fita.

O primeiro caso mostrando a capacidade dos AAV em transfectar células fotorreceptores foi reportado por Ali et al. Neste estudo, após injeção sub-retiniana de partículas de AAV codificando o gene repórter LacZ em olhos de camundongos, foi demonstrado transfecção de todas as camadas da retina neurossensorial com sucesso. Sendo que a eficiência de transfecção das células fotorreceptoras com AAV foi significativamente maior que a obtida com vetores adenovirais.

Jomary et al., demostraram que além da capacidade do AAV em transfectar todas as camadas da retina neurossensorial, também era útil no tratamento das degenerações retinianas, pois, os olhos dos camundongos tratados mostraram aumento da sobrevivência de fotorreceptores e aumento da sensibilidade à luz, medida pela eletrorretinografia.
 

VETORES NÃO VIRAIS

Vetores não virais de transferência genética são mais fáceis de manipulação, produção e purificação em larga escala do que os vetores virais.

Embora estudos demonstrem que vetores não virais sejam menos eficientes, possuem a vantagem de baixa toxicidade e imunogenicidade. Também podem ser usados para aumentar a eficiência da transfecção por vetores virais como descrito por Hodgson, Solaiman, que obtiveram maior eficiência de transfecção retroviral utilizando um lipossomo catiônico.

Recentemente, estudos utilizando nanopartículas de DNA mostraram ser uma boa alternativa para o uso de lipossomos, já que são mais eficientes na transfecção, causam menos toxicidade, provando ser um útil veículo para DNA. A nanopartícula contém um segmento de DNA ou RNA empacotado em um polímero catiônico. Essas partículas penetram pela superfície celular e atingem o núcleo em curto período de tempo.

Farjo et al., observaram que dois dias após injeção intravítrea ou sub-retiniana de nanopartículas contendo o gene repórter proteína verde fluorescente (GFP- Green Fluorescent Protein) em olhos de camundongos adultos houve alta taxa de expressão do gene em vários tecidos oculares. Injeção intravítrea levou a alta expressão de GFP na retina (células ganglionares e camada plexiforme interna) e segmento anterior (córnea, trabeculado e cristalino). Com injeção sub-retiniana houve alta taxa de GFP expresso na camada nuclear externa, EPR e nervo óptico. A nanopartícula não se limitou à área de administração e não houve evidência de inflamação. Dessa forma, as nanopartículas provaram ser úteis para múltiplos tipos de doenças oculares.
 

TERAPIA GENÉTICA VISANDO NEUROPROTEÇÃO

A observação que a apoptose possa ser manipulada por fatores de crescimento sugeriu uma alternativa terapêutica para muitas doenças degenerativas, dentre elas as doenças degenerativas do olho.

O estudo de Fakrorovich et al., foi a primeira indicação de viabilidade desta técnica. Injeções de bFGF (Fibroblast Growth Factor) no olho de ratos, resultaram em longo tempo de sobrevivência dos fotorreceptores. A desvantagem do bFGF é sua grande especificidade, sendo influenciado por diferentes tipos celulares. Borhani et al., estudaram a quantidade do fator bFGF por injeção intravítrea e seus efeitos. Constataram, por exemplo, que em coelhos, altas doses desse fator poderiam causar catarata, tração vítrea e vitreorretinopatia proliferativa.

Estudo realizado por Cayouette et al., demonstrou que injeção intravítrea de CNTF (Ciliary Neurotrophic Factor) aumenta a sobrevivência dos fotorreceptores e a amplitude da resposta de bastonetes à luz na eletrorretinografia. Esses efeitos foram acompanhados por significantes mudanças na morfologia dos segmentos dos fotorreceptores e elevação do conteúdo total de rodopsina na retina.

Essa forma de tratamento tem a vantagem de ser efetiva em doenças com mutações genéticas desconhecidas. Possui a desvantagem do baixo tempo de efeito do fator neurotrófico, durando até um mês em animais.

Repetidas injeções intravítreas da proteína apresentam dificuldades e riscos como descolamento de retina ou endoftalmites.

Para evitar esse problema, a Neurotech Pharmaceuticals desenvolveu uma técnica onde células do EPR são encapsuladas em um pequeno dispositivo que lentamente libera CNTF intraocular. Esse processo foi usado pelo grupo de Aguirre em cães com retinose pigmentar por mutação no gene PDE6B e provou ser eficiente, prevenindo a grave perda de fotorreceptores.

Atualmente pesquisas clínicas utilizando o produto Neurotech estão em fase II/III para o tratamento de doenças relacionadas à retinose pigmentar.
 

RETINOSE PIGMENTAR

O termo retinose pigmentar (RP) é usado para um grupo de distrofias retinianas progressivas e hereditárias. É caracterizada por dificuldade ou ausência de adaptação ao escuro, perda de campo visual periférico, perda da acuidade visual até cegueira total, visão de cores anormal e fotofobia. O padrão de herança pode ser autossômico dominante (AD), autossômico recessivo (AR), ligado ao X recessivo ou isolado.

Há mais de 40 genes diferentes relacionados com a RP. No gene da rodopsina (RHO, 3q21-q25), que codifica o pigmento fotossensível nos bastonetes, foram descritos mais de 150 mutações responsáveis pela forma AD.

Doenças com herança AR ou ligada ao X recessiva acontecem por falta de uma função de um gene. Nesse caso, a terapia genética atua na introdução de uma cópia do gene ausente. Na herança AD, mutações em um gene específico são responsáveis pela doença. A terapia genética visa inativar o efeito desse gene defeituoso seguido de sua reposição após correção da estrutura mutada.

Nesse contexto, para evitar que a mutação heterogênea presente no gene da rodopsina cause retinose pigmentar AD, a estratégia de terapia genética, que está em estudo, envolve a supressão do gene RHO utilizando um RNA de interferência (RNAi) e a reposição do gene modificado de forma a escapar da supressão.

Essa técnica consiste na supressão dos alelos mutados. A supressão ocorre por uma sequência de nucleotídeo complementar à sequência que sofreu mutação e que está causando a doença. Após a supressão da mutação e dos alelos é realizada a reposição desse gene com o códon modificado, permitindo a correta tradução da proteína.

Recentemente a equipe de Peter Humphries obteve sucesso com esta técnica, onde realizaram pela primeira vez um experimento in vivo, podendo mostrar a eficiência desse método.

Através de injeção sub-retiniana de vetores AAV com o sistema de expressão do RNAi em olhos de camundongos, observaram a supressão de 88% do gene RHO. A funcionalidade do gene inserido contendo o códon modificado ficou demonstrada pelo eletrorretinografia (ERG).
 

DOENÇA DE STARGARDT

O gene ABCA4 (8.9 kb) está localizado no braço curto do cromossomo 1 e codifica a proteína ABCR, no segmento externo dos fotorreceptores. Com herança AR, os fenótipos causados por mutações no ABCA4 incluem RP, doença de Stargardt, distrofia de cones e bastonetes e fundus flavimaculatus.

A proteína ABCR está envolvida no transporte ativo de all-trans-retinal e fosfatidiletanolamina pela membrana dos discos intercalares dos fotorreceptores, auxiliando a eliminação desses componentes. Perda ou redução da função da proteína ABCR causa elevação de fosfatidiletanolamina no segmento externo dos cones e no EPR, que reage com all-trans-retinal formando um composto A2E tóxico. O aumento anormal de A2E predispõe à disfunção e/ou morte do EPR seguido de perda dos fotorreceptores.

Nomeado de StarGen, a terapia genética utiliza um vetor lentiviral para a transferência de um gene ABCA4 normal aos fotorreceptores.

Kong et al., conseguiram eliminar o acúmulo de lipofucsina após injeção sub-retiniana em camundongos com a técnica do StarGen, mostrando ser um método eficiente para o tratamento de doenças causadas por mutações no ABCA4.

Allocca et al., recentemente obtiveram sucesso com a alteração do vetor adeno-associado que carrega pequenos insertos de gene (4.7 kb). A alteração feita no capsídeo do vetor possibilitou a incorporação de insertos maiores que 8.9 kb, permitindo a inserção do gene ABCA4. Os resultados da pesquisa mostram significante correção dos níveis de lipofucsina (A2E), das anormalidades no EPR e na função retiniana após injeção sub-retiniana em camundongos. A atividade foi estável até seis meses, o período mais longo de tratamento descrito in vivo.
 

SÍNDROME DE USHER

A síndrome de Usher é um grupo de desordens AR caracterizadas por perda congênita neurossensorial da audição, disfunção vestibular, associada à RP.

A Usher tipo 1 (USH1) caracteriza-se por arreflexia vestibular, surdez congênita profunda, enquanto a RP aparece na infância ou juventude. Na Usher tipo 2 (USH2) as respostas vestibulares são normais, a surdez também é congênita, mas tende a ser moderada e a RP se desenvolve na juventude. A Usher tipo 3 (USH3) caracteriza-se por respostas vestibulares variadas e perda progressiva da audição e visão na adolescência.

Os sete locus para a USH1 (USH1A até G), são localizados respectivamente nos cromossomos 14q32, 11q13.5, 11p15.1, 10q21-q22, 21q21, 10q21-q22 e 17q24-q25. Os quatro locus para a USH2 (USH2A até D) foram mapeados nos cromossomos 1q41,3p24.2-p23, 5q14 e 9q32-q34. O gene da USH3 está localizado no cromossomo 3q21-q25. Estes genes codificam as estruturas ciliares de conexão no segmento intermediário dos fotorreceptores. Mutações nestes genes causam doenças chamadas ciliopatias, dentre elas a síndrome de Usher.

O gene USH1B localizado no cromossomo 11q13.5, primeiro a ser identificado, foi denominado MYO7A (8.1 kb). Ele pertence a uma classe chamada superfamília da miosina, molécula motora que usa energia da hidrólise do ATP para mover filamentos de actina.

Estudos in vivo de análise das células do epitélio pigmentado da retina de camundongos indicam que a proteína miosina VIIa (produto do gene MYO7A) transporta melanossomos e acelera a digestão de fagossomos pelas células do EPR.

A terapia genética é um modo potencial de prevenção de cegueira na síndrome de Usher, já que esta é diagnosticada precocemente permitindo que o tratamento seja realizado antes que haja degeneração retiniana.

Entretanto, alguns dos genes afetados são muito grandes, dificultando seu transporte pelos vetores. Neste contexto, através de injeção sub-retiniana de vetor lentiviral, foi possível transportar o gene MYO7A até o EPR de camundongos. Para isso, utilizaram um promotor contendo elementos do promotor MYO7A nativo. Níveis de miosina VIIa foram obtidos nas células do EPR permitindo a mobilização dos melanossomos e digestão dos fagossomos na Usher 1B.
 

AMAUROSE CONGÊNITA DE LEBER

A amaurose congênita de Leber é um tipo de distrofia retiniana, com herança AR que causa cegueira infantil. As características frequentes constam de grave perda visual (ao nascimento ou entre os primeiros anos de vida) associada à RP, redução do campo visual (campo tubular), nistagmo, cegueira noturna, não-detectável ou grave redução das respostas à eletrorretinografia.

Atualmente, há mutações em 11 genes identificados responsáveis pela amaurose congênita de Leber: GUCY2D, RPE65, RDH12, AIPL1, C6ORF152, RPGRIP1, CRX, CRB1, CEP290, IMPDH1. Nos fotorreceptores esses genes estão envolvidos na fototransdução, proteínas estruturais dos fotorreceptores ou com fatores de transcrição. No EPR estão associados ao metabolismo da vitamina A e ciclo visual.

Estudos recentes identificaram que RPE65 (proteína presente no EPR) é a isomerase que converte 11-cis-retinal em all-trans-retinal, sendo que, na falta dessa proteína, não há formação de pigmento visual, ocorrendo acúmulo da vitamina A por bloqueio do ciclo visual.

Nesse contexto, um grupo de pesquisadores introduziu 9-cis-retinal, via oral, em camundongos, e após 48 horas, observou a formação de fotopigmento e a rápida restauração da função retiniana pela proteína RPE65. O isômero 9-cis-retinal foi utilizado por ser mais eficiente na regeneração do pigmento visual, ter maior estabilidade e maior resistência aos ácidos estomacais. Esse estudo mostrou que a intervenção farmacológica pode ser uma ferramenta útil na prevenção da cegueira nesse tipo de distrofia.

Narfström et al., obtiveram sucesso ao injetar via sub-retiniana, vetores AAV carregando o gene RPE65 em olhos de cães. Observaram que a função retiniana melhorou em menos de quatro semanas, persistindo até nove meses nos animais entre dois e onze meses de vida, sendo que acima de dois anos e meio o tratamento é ineficiente já que a degeneração retiniana está em estágio mais avançado. Pela primeira vez, reportaram o aumento nas respostas da eletrorretinografia em ambos os olhos e não apenas no olho de estudo.

Em estudo semelhante, Acland et al., obtiveram o mesmo resultado, e puderam acrescentar que a injeção intravítrea nessas mesmas condições não é eficiente, pois só transfecta células ganglionares.

Recentemente, foram publicados os resultados de dois estudos em humanos. No estudo de Bainbrigde et al., dos três pacientes submetidos à injeção sub-retiniana durante vitrectomia com vetor AAV, apenas um teve melhora da acuidade visual. Os autores sugerem que a explicação está no fato da patologia estar no estágio mais brando que nos outros pacientes e a administração ser realizada no olho amblíope.

Maguire et al., obtiveram sucesso com estudo semelhante. Também utilizaram AAV com injeção sub-retiniana e vitrectomia no olho amblíope em três pacientes. Todos tiveram melhora da acuidade visual após seis semanas, redução do nistagmo e aumento do reflexo pupilar à luz.

Nos dois estudos não houve evidência de toxicidade, inflamação e efeitos adversos ao tratamento. Os autores sugerem que o tratamento poderia ser mais eficiente se realizado em crianças onde a degeneração da retina é menor podendo melhorar a função visual.

A terapia genética age na correção de um defeito no gene que causa doenças oculares e tem se mostrado eficaz no tratamento de defeitos gênicos em modelos animais.

Estudos pré-clínicos começaram após décadas de estudos oftalmológicos e os resultados são promissores. Apesar de muitos esforços ainda serem necessários para um efetivo resultado em humanos, os recentes avanços nesta área, poderão impulsionar o desenvolvimento de novas propostas para pesquisas clínicas com terapia genética para doenças oculares hereditárias e adquiridas.

؂

título: Terapia gênica em distrofias hereditárias de retina
autoras: Monique Côco, Sang Won Han e Juliana Ferraz Sallum
Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo - Brasil (ATUALIZAÇÃO CONTINUADA) - acesso 2015
Artigo com referências aqui:
Arq. Bras. Oftalmol. vol.72 no.4 São Paulo July/Aug. 2009

 

actualizado por MJA
[24.Jul.15]
ir para o TOPO da página


Җ

Recursos de Apoio para Adultos e Crianças com DDRs


Retina Internacional


leitura com CCTV

 

Nos estágios iniciais da perda de visão a maioria dos pacientes com Doenças Degenerativas da Retina (DDRs) podem gerenciar muito bem suas tarefas visuais. No entanto, à medida que a perda da visão avança, algumas adaptações são necessárias. Há uma ampla gama de recursos, serviços e tecnologias que colaboram na rotina de pessoas com baixa visão. Esta realidade é muito mais concreta em países desenvolvidos, enquanto que nos países em desenvolvimento ainda há um longo caminho a se percorrer.

A internet tornou-se uma ferramenta muito importante na sensibilização da população sobre o assunto, promovendo debates e discussões que vão desde questões de legislação e direitos das pessoas com deficiência até o compartilhamento de experiências para tornar a vida dessas pessoas mais fácil.


Dispositivos auxiliares

Um dispositivo auxiliar pode ser tão simples como uma caneta de ponta de feltro preto ou tão complicada como um programa de computador de reconhecimento de voz capaz de escrever uma carta. Alguns são ópticos, como o uso de lentes e prismas conhecidos há centenas de anos, enquanto outros se apoiam na mais recente tecnologia.

É importante ressaltar que nenhum dispositivo auxiliar pode substituir nossa complexa visão. Portanto não há um dispositivo universalmente compatível. É necessário testar alguns, de diversos fabricantes e desenvolvedores e avaliar como é a adaptação com cada um deles.

Para um dispositivo auxiliar ser bem sucedido, três passos importantes precisam ser seguidos:

  • Avaliação precisa
  • Boa escolha de dispositivo
  • Formação na utilização do dispositivo

 

Dispositivos Ópticos

Estes são fornecidos por um especialista após cuidadosa avaliação de sua visão remanescente. As três técnicas que ele pode usar devem incorporar ampliação de tamanho, de distância ou angular.

Dispositivos de ampliação pode ser acoplados ao nosso corpo como os óculos ou manuseados como as lupas. Existem no mercado uma variedade enorme de dispositivos de ampliação que devem atender à diferentes necessidades.


Tecnologia Assistiva

O rápido avanço da aplicação e miniaturização de novas tecnologias tem ajudado na produção de programas de computador e dispositivos para pacientes de baixa visão. As opções são vastas e uma visita a um fornecedor de serviços especializados é fundamental. Para ajudar a entender o que você deve buscar aqui estão algumas descrições gerais.


Ampliação de tela e software de voz
Estes programas irão converter texto normal em um formato acessível – seja para uma versão ampliada ou uma versão de voz. Eventualmente, algumas pessoas com perda de visão devem considerar um pacote que combine as duas funcionalidades. As versões mais recentes do Windows têm ambos os elementos internos, procure o ícone de acessibilidade em seu painel de controle. Ícones do desktop podem ser ampliados, textos e e-mails ampliados ou convertidos em voz. Contraste e tamanho também são ajustáveis.


Reconhecimento de caracteres
Scanners trazem o texto para o computador para que os programas acima possam transformá-los em versões audíveis para pessoas com baixa visão. Há scanners que são portáteis e funcionam como um mouse. Quando combinado com um computador com a leitura de tela ou software de ampliação, por vezes, pode ser tudo o que uma pessoa com baixa visão precisa em seu local de trabalho. Um scanner fixo em uma estação de trabalho pode estar disponível através de uma rede de computadores a outros trabalhadores e pode ser uma solução mais rentável para os empregadores. Um scanner de Reconhecimento Óptico de Caracteres (OCR) converte texto em fala. Estas são máquinas caras, mas versáteis para aqueles sem conhecimentos de informática. O texto pode ser salvo e excluído.


Outros Dispositivos & Serviços

Conversores de voz para texto
Estes conversores precisam de configurações para reconhecer a voz, mas são de enorme benefício para pessoas com poucas habilidades nos teclados. Programas de fala para telefones são extremamente úteis para o uso de mensagens de texto ou o catálogo de endereços.

Audiolivros
Há Organizações Não Governamentais que fornece estes serviços em muitos países. No Brasil, a Fundação Dorina Nowill fornece este tipo de material. Faça-os uma consulta.

Acesso à telefonia
Alguns provedores de serviços de telefonia têm um livre serviço de informações telefônicas para os usuários com deficiência visual. Verifique com o seu provedor local.

 

ATIVIDADES DA VIDA DIÁRIA

Treinamento para Atividades da Vida Diária
Algumas organizações fornecem treinamentos para que os pacientes e cuidadores entendam e saibam como lidar com a perda de visão. São dicas úteis, treinamento e técnicas de adaptação para a casa ou local de trabalho.


Orientação e Mobilidade

Mobilidade
Ir do ponto A ao ponto B muitas vezes é a complicação mais frustrante para as pessoas com baixa visão. O uso da bengala pode ser um recurso muito útil para a independência das pessoas com baixa-visão. Várias instituições de deficientes visuais oferecem treinamento para que esse recurso seja usado com segurança.

Bengala
Há uma infinidade de modelos para diversas funcionalidades. Geralmente a bengala curta é o primeiro recurso à mobilidade utilizado por pessoas com a diminuição da visão. Para as pessoas com baixa-visão sua principal função é alertar outras pessoas para a sua perda de visão, isso muitas vezes, vai salvar-lhe do constrangimento e ridicularizarão do público desavisado da sua limitação visual. O uso eficiente e seguro de uma bengala longa requer treinamento especializado de um instrutor de mobilidade, mas para as pessoas com grave perda de visão periférica, isto pode ser uma ferramenta libertadora.

Sistemas de Posicionamento Global (GPS)
Há uma série de testes sendo realizados com o objetivo de integrar Sistemas de Posicionamento Global como um auxiliar de navegação.

Cão Guia
ONGs oferecem este serviço em alguns países, mas o estilo de vida e a aceitação cultural pode ser um fator determinante. A maioria dos provedores insistem em treinamento com bengala muito antes de um cão-guia. Geralmente é necessário treinamento na ONG e no seu ambiente doméstico.


Instruções para o dia a dia

Como parte do treinamento de mobilidade, algumas organizações fornecem treinamentos que oferecem dicas úteis sobre a formação, orientação e técnicas de adaptação para a casa ou local de trabalho.


Educação e Carreiras

Escola
A maioria das crianças com a degeneração da retina completam sua educação em escolas regulares. Para que isso seja bem sucedido o apoio de pais e professores é um pré-requisito. Crianças com deficiência grave podem se beneficiar da ajuda e atenção individual oferecidos por atendimento educacional especializado. A decisão deve ser feita pelos pais em consulta com especialistas. Cada criança deve ser considerada como um indivíduo e não há regras rígidas e rápidas para a tomada de qualquer decisão.


Dicas para Professores de crianças com degeneração da retina:

  • Garantir iluminação adequada em sala de aula em todos os momentos. Eventualmente, uma lâmpada de mesa para a criança pode ser necessária. Acender a luz imediatamente após a apresentação de filme ou vídeo.
  • Permitir que a criança escolha sentar mais próxima ou ao lado do quadro-negro.
  • Permitir tempo extra para completar tarefas e atribuições. Um problema visual, muitas vezes, atrasa as tarefas da criança consideravelmente.
  • A lenta adaptação às condições de luz causada pela Retinose Pigmentar pode fazer com que a criança leve por volta de 10 a 15 minutos para se ambientar e passar a ter alguma visão.
  • Assegurar uma explicação verbal de todas as atividades escritas no quadro ou projetadas. Uma cópia impressa do trabalho vai permitir à criança acessá-lo com um dispositivo auxiliar.
  • Permitir que a criança escreva utilize recursos especiais de caligrafia, como canetas, cadernos e livros diferenciados. Crianças com degeneração macular não pode ver as pautas do caderno adequadamente. Sempre que possível permita que a criança use seu computador.
  • Assegurar que os dispositivos necessários de assistência são fornecidos para que o aluno possa lidar com tarefas visuais.
  • Estar ciente dos problemas de segurança na sala de aula que podem ser causados por obstáculos como mochilas e lancheiras deixadas nos corredores.
  • Assegurar que os livros de texto estejam disponíveis para gravação por prestadores de serviços especializados.
  • Incentive a criança a participar de atividades extra-classe onde sua perda visual não inibem o seu sucesso, tais como natação, corrida, teatro, xadrez ou debate.
  • Incentivar o debate aberto e honesto com o aluno e com os companheiros de classe. Simuladores de baixa visão são uma boa maneira de desmistificar a perda da visão e estimular a compreensão e empatia imediata dos funcionários e estudantes.
  • Incentivar o aluno a articular as suas necessidades, mas incentivá-los a alcançar o seu potencial sem o uso de sua perda de visão como uma desculpa para não tentar.
  • Garantir orientação profissional especializada.

 

Orientação Profissional

As tecnologia de acesso abriram o mundo para pessoas com baixa visão e estereotipar a criança deve ser evitado a todo custo. Incentive a criança a desenvolver um interesse e uma paixão por algo e explorar as possibilidades de carreira que esta paixão proporciona. Vivemos em uma sociedade baseada na informação e garantir que a criança tenha bons conhecimentos de informática vai abrir este mundo para eles.

Pessoas com perda visual moderada ou até mesmo severa têm carreiras de sucesso em quase todos os campos, incluindo:

Finanças, Política, Administração, Ensino, Fonoaudiologia, Fisioterapia, programação de computadores, Psicologia, Terapia Estética, Vendas, Palestras, Direito, Relações Públicas e Jardinagem, mas a lista é interminável.

Encontrar um modelo de sucesso e mentor para a criança, muitas vezes, pode ser toda a motivação de que eles precisam.

 

Família e Relacionamentos

As doenças degenerativas da retina são mais comumente herdadas de forma recessiva. Isto significa que não há histórico de perda de visão na família e, consequentemente, nenhuma ideia do que o futuro reserva para a pessoa ou pais de uma criança afetada. Os passos normais de luto pela perda da visão é comum.


Estes são os seguintes:

  • Negação: Buscar outra opinião médica é comum, na esperança de que houve um diagnóstico errado.
  • De barganha: Curandeiros e charlatões são frequentemente procurado por uma cura milagrosa.
  • Raiva: Contra tudo e contra todos é comum. No caso dos pais de uma criança afetada essa raiva muitas vezes se transforma em buscar um culpado por carregar um gene da doença
  • Depressão: Esta é muitas vezes um efeito colateral grave e recorrente de perda de visão.
  • Aceitação: Apenas quando ela for alcançada você pode assumir o controle de sua vida novamente.

A criança com necessidades especiais muitas vezes pode colocar grande pressão sobre os outros membros da família com resultados devastadores. Sentimentos não expressos de culpa e medo às vezes podem levar a uma degradação geral da comunicação familiar. Quando um cônjuge é diagnosticado o parceiro saudável muitas vezes se sente incapacitado para lidar com a carga extra e se afasta de enfrentar esse medo. O aconselhamento familiar feito antes que isso aconteça irá evitar essas reações extremas. Após o diagnóstico de uma DDR uma sessão de aconselhamento pode ajudar a estabelecer a comunicação aberta e honesta na família.

Uma criança com degeneração da retina precisa de ser acompanhada muito sabiamente. É importante não super-proteger a criança ou deixá-los usar sua perda de visão como uma desculpa para não cumprir o seu potencial. Não negligenciar os outros irmãos também é fundamental.

O maior presente que você pode dar ao seu filho especial é uma boa auto-imagem e uma crença de que com dedicação e perseverança, ele pode alcançar as estrelas.


Tradução: Retina Brasil

 

actualizado por MJA
[21.Out.15]
ir para o TOPO da página