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  Sobre a Deficiência Visual

 

Cílios e Pálpebras

- anomalias -

 Triquíase
 

  1. Triquíase - Marcelo Xavier
  2. Alterações de cílios - Fabiana Araújo &Antonio Cruz
  3. Ptose palpebral - Instituto de Olhos de Belo Horizonte
  4. Blefaroplastia

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Triquíase

Marcelo Xavier


É uma alteração de orientação na qual os cílios perdem o direcionamento normal (afastando-se do olho) e tendem a tocar a superfície ocular. Frequente, unilateral ou bilateral, sempre adquirida, que causa irritação persistente e que se agrava com o piscar. Pode ocorrer isoladamente ou estar associada à cicatrização da margem palpebral como aquela causada pela blefarite crônica, Herpes-zóster oftálmico e tracoma.

Alguns autores classificam a magnitude dessa patologia segundo o número de cílios envolvidos. Assim, na triquíase maior, mais do que 5 cílios tocam o olho e na triquíase menor 5 cílios ou menos se encontram mal posicionados.


SINAIS

  1. Mau posicionamento posterior dos cílios, surgindo de seus sítios normais de origem
  2. O trauma do epitélio corneano causa inicialmente erosões epiteliais punctatas, seguidas por ulceração corneana e formação de panuus em casos severos e de longa duração.


DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

1. Pseudotriquiase, que é secundária ao entrópio. Em alguns casos a inversão da pálpebra pode ser intermitente, e a condição pode ser confundida com triquiase verdadeira e tratada de modo inadequado.

2. Cílios metaplásicos, que originam-se dos orifícios das glândulas meibomianas. Esses ocorrem em pacientes com conjuntivite cicatricial em estágio tardio tais como penfigóide cicatricial, síndrome de Stevens-Johnson e lesão química.

3. Distiquíase, onde uma fileira secundária de cílios, parcial ou completa, surge dos orifícios das glândulas meibomianas ou ligeiramente posterior a eles. Os cílios aberrantes tendem a ser mais finos, mais curtos e menos pigmentados que os cílios normais. A distiquíase é uma condição congênita incomum, que pode aparecer de forma esporádica ou ser herdada de modo dominante. Uma pequena porcentagem dos pacientes têm a síndrome distiquíase-linfoedema caracterizada por linfoedema crônico, cistos aracnóides espinhais e defeitos cardíacos congênitos.
 

TRATAMENTO

  1. A epilação com pinça é simples e eficaz, mas as recorrências dentro de poucas semanas são comuns.
  2. A eletrólise é útil quando há poucos cílios isolados. É, no entanto, um procedimento tedioso e freqüentemente são necessários múltiplos tratamentos para obter um resultado satisfatório.
  3. A crioterapia é muito eficaz na eliminação de muitos cílios simultaneamente. Com um crióforo especial é aplicado um ciclo duplo a -20C.

Complicações potenciais:

  1. Despigmentação da pele em indivíduos de pele escura.
  2. Depressão superficial da margem palpebral.
  3. Lesão das glándulas meibomianas que pode afetar de modo adverso o filme lacrimal pré-corneano.

4. A ablação a laser é indicada quando apenas alguns poucos cílios dispersos necessitam de tratamento.

  1. Os parâmetros iniciais do laser são: 50 jim (mira), 0,2 s (tempo) e 1.000-1.200 mW (intensidade)
  2. O laser é disparado na raiz do cílio e forma-se uma pequena cratera.
  3. O tamanho do spot é então aumentado para 200 pm, e a cratera é aprofundada até alcançar o folículo.
  4. Cerca de doze aplicações são necessárias, e a maioria dos pacientes fica curada com uma ou duas sessões.

5. A cirurgia envolvendo ressecção ou excisão lamelar anterior pode estar indicada para uma área restrita de triquíase resistente a outros métodos de tratamento.


Fonte: OftalmoBlogPalpebras
 

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[4-Nov-12]
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Alterações de cílios

Fabiana Athayde Araújo & Antonio Velasco de Cruz
 

INTRODUÇÃO
É curioso notar que, embora o espectro de alterações ciliares seja considerável e extremamente freqüente na prática oftalmológica, a literatura sobre o assunto é esparsa e confusa. A terminologia usada para a denominação de problemas ciliares não é consensual entre os especialistas oculoplásticos e alguns termos, como ptose ciliar, usados na literatura americana(1-2), não são aceitos de maneira unânime.

O objetivo que norteou a realização desse trabalho foi o desejo de sistematizar os problemas ciliares vistos no setor de oculoplástica do Departamento de Oftalmologia e Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP. A importância de um levantamento desse tipo está ligada não só ao aspecto didático, de ensino para residentes, como também ao plano assistencial, na medida que a correta caracterização dos diferentes tipos de problemas ciliares permite uma melhor adequação das propostas terapêuticas. Para esse fim, foi usada a classificação de anomalias ciliares adotada no referido setor e que, face a falta de uniformidade terminológica, encontra-se abaixo detalhada.


Classificação de anomalias ciliares


1 - Anomalias constitucionais

1.1 - De número

1.1.1 - Politricose: aumento do número de cílios(3).

1.1.2 - Madarose: perda ou queda de cílios, levando à diminuição do número de cílios na pálpebra. Tem o mesmo significado de alopécia ciliar quando a madarose é total(3). Quando parcial, o termo madarose é mais utilizado. A madarose é usualmente a expressão de um problema orgânico, entretanto, há casos funcionais nos quais a perda de cílios decorre de auto-agressão. É a tricotilomania(4).

1.2 - De tamanho

1.2.1 - Tricomegalia: crescimento excessivo, acarretando aumento no comprimento final do cílio(3). Essa condição talvez decorra de uma desregulação do ciclo de crescimento ciliar(5). A anomalia oposta, cílios pequenos, não é usualmente distinguida com um termo específico. A tricomegalia pode fazer parte ou não da hipertricose, que é uma condição congênita ou adquirida caracterizada por aumento do tamanho dos pêlos de todo o corpo(3).

1.3 - De orientação ou direcionamento

1.3.1 - Triquíase: esse termo denota alteração de orientação na qual os cílios perdem o direcionamento normal (afastando-se do olho) e tendem a tocar a superfície ocular. É de natureza cicatricial, sempre adquirida, podendo ser mais ou menos limitada(6,3,7-8). Alguns autores classificam a magnitude dessa patologia segundo o número de cílios envolvidos. Assim, na triquíase maior, mais do que 5 cílios tocam o olho e na triquíase menor 5 cílios ou menos se encontram mal posicionados(9-11).

1.3.2 - Ptose ciliar: expressão recente, introduzida na literatura americana para denotar anomalia de orientação, caracterizada por abaixamento global dos cílios ou de importantes segmentos dos mesmos(1-2). A ptose ciliar é sempre um problema de atonia da lamela anterior, causando perda da função do músculo de Riolan e, portanto, abaixamento mais ou menos acentuado dos cílios. É um termo aplicado basicamente para a pálpebra superior.

1.3.3 - Retração ciliar: termo usado para descrever a condição oposta à ptose ciliar, ou seja, retração da lamela anterior e conseqüente exagero na curvatura ciliar. Também se refere à pálpebra superior(12).

1.3.4 - Cilia incarnata ou pili incarnati: anomalia de crescimento caracterizada pelo direcionamento horizontal do cílio que permanece sob a epiderme. Quando o cílio aparece sob a conjuntiva tarsal, fala-se em cilium incarnatum internum. Mais raramente, o crescimento pode-se dar para dentro da pele, condição denominada de cilium inversum(3).

1.3.5 - Pili torti: condição congênita caracterizada pela presença de cílios tortuosos na pálpebra superior e inferior(3).

1.4 - De pigmentação

1.4.1 - Poliose: perda da melanina ciliar levando à descoloração ou mesmo embranquecimento do cílio. Pode ser congênita ou adquirida, superior ou inferior(3).

1.5 - De espessura

1.5.1 - Afinamento: a presença de cílios mais finos que o usual, do tipo lanugo, não é distinguida por um termo específico. Neste trabalho utilizar-se-á o termo "mais fino", ou, simplesmente, cílio fino.

1.6 - De posição

1.6.1 - Cílio ectópico: os raros casos descritos foram de tufos ciliares originados da lamela anterior em posição francamente anômala(13).

1.7 - Do número de fileiras

1.7.1 - Distiquíase: essa condição designa uma dupla fileira de cílios, anormalmente posicionada atrás da linha cinzenta, usualmente, nos orifícios das glândulas de Meibomius. Poucas palavras em oftalmologia são mais deturpadas que a distiquíase. Ela é freqüentemente confundida com triquíase e, às vezes, pronunciada erroneamente como "distriquíase". Parte dessa confusão certamente advém do fato de o prefixo da palavra não ser o latino dis (dificuldade), mas, sim, o grego di (duplo). O sufixo grego stichos completa a palavra, significando fileira(3). Para alguns, como Duke-Elder, o termo deveria ser aplicado unicamente para casos congênitos(3). Modernamente, no entanto, usa-se a expressão distiquíase adquirida para designar o crescimento de neocílios na lamela posterior em pacientes com seqüelas de patologia indutora de metaplasia das glândulas de Meibomius, como tipicamente ocorre na síndrome de Steven-Johnson(6). Os termos "tristiquíase e tetrastiquíase" são usados para designar condições congênitas caracterizadas pela presença de, respectivamente, três e quatro fileiras anômalas de cílios(14).

2 - Parasitoses
Os cílios podem ser parasitados por fungos (Trichorrhexis nodosa e Monilethrix)(3) ou mais comumente por piolhos, dentre os quais o Pediculus humanus capitis (piolho vulgar do couro cabeludo) e o Phthirus pubis, que tipicamente é sexualmente transmitido. Ambas as espécies podem, eventualmente, infestar os cílios em casos de parasitose intensa(15).

3 - Tumores
Tumores de origem ciliar incluem: tricoepitelioma, tricoadenoma, tricofoliculoma, triquilemoma e pilomatrixoma. Todos são benignos e extremamente raros(16).


DISCUSSÃO
Apesar da grande diversidade de patologias ciliares existentes, foi pequena a variedade das anomalias ciliares encontradas em nosso serviço, pois apenas uma condição - a tri-quíase - foi responsável isoladamente, ou em associação a outras patologias, por 94,9% dos casos analisados no presente estudo. Os 5,1% de casos restantes distribuíram-se em somente 3 outras condições (cílio ectópico incarnatum internum, poliose e madarose). Isso pode ter decorrido do fato de algumas anomalias ciliares serem extremamente raras e/ou a maioria delas ser assintomática, não levando o paciente ao oftalmologista. De maneira similar, pode-se aventar a hipótese de a triquíase ser altamente sintomática, o que leva os pacientes portadores dessa condição a procurarem auxílio médico com mais freqüência.

Assim, os dados epidemiológicos levantados no presente estudo referem-se, basicamente à triquíase. A análise da figura 1 (distribuição dos pacientes portadores de anomalias ciliares, segundo a faixa etária) revela que, se o caso de cílio ectópico incarnatum não for levado em consideração por ser uma anomalia congênita, o intervalo de classe modal foi de 70 a 80 anos. Os problemas ciliares adquiridos foram, portanto, virtualmente inexistentes antes dos 30 anos e a prevalência desse tipo de patologia aumentou significativamente com a idade. Esses dados são corroborados por outros trabalhos nos quais a faixa etária encontrada foi semelhante (9-11,17-18).

Em relação à sintomatologia, a maioria dos pacientes com patologia ciliar foi sintomática (91,5%), e o principal sintoma, quer nos pacientes mono ou polissintomáticos, foi a sensação de corpo estranho. Esse sintoma também foi a queixa mais freqüente de pacientes com triquíase em outros estudos(10-11). Outras queixas menos referidas foram lacrimejamento, secreção, sensação de olho seco e ardor.

Foi freqüente a duração prolongada das queixas (maior que 20 anos, em 33,9%), indicando a permanência dos problemas ciliares por longos períodos de tempo. Nos pacientes com triquíase, isso pode ser explicado devido ao fato de as causas que levam os cílios a perderem sua orientação normal e tocarem o olho serem, em geral, decorrentes de patologias crônicas. Outras explicações plausíveis seriam a dificuldade do paciente ter acesso a um profissional especializado e a própria dificuldade de erradicação dos cílios em triquíase.

Mais de uma patologia ciliar pode ser encontrada em uma mesma pálpebra e, provavelmente, o fator etiológico que leva ao aparecimento dessas patologias também é coincidente. Neste estudo, pudemos encontrar associações de triquíase e distiquíase adquirida; triquíase e poliose; triquíase, poliose e ptose ciliar; e madarose e poliose.

O caso do cílio ectópico incarnatum internum, rara patologia congênita, ocorreu em uma criança de 4 anos de idade cuja mãe detectara o cílio patológico no tarso superior de olho direito, quando a criança tinha cerca de um ano e meio. A principal queixa era prurido constante naquele olho e por 2 anos e meio a mãe epilava o cílio pelo menos uma vez a cada 2 ou 3 meses. À biomicroscopia, esse olho apresentava, além do cílio de cor e espessura normais que nascia do tarso a cerca de 2 mm da margem palpebral, apenas ceratite superior discreta, o que ratificava o quadro descrito pela mãe. Essa criança fora tratada inicialmente com ressecção em cunha do segmento de tarso onde o cílio emergia, havendo recidiva do mesmo 3 meses após o procedimento cirúrgico. Esse fato nos levou a aventar a hipótese de que apesar de esse cílio emergir da face interna do tarso, seu bulbo ciliar deveria estar presente na pele ou músculo orbicular e, ao invés de crescer direcionando-se para a superfície da pele, provavelmente crescia invertido, direcionando-se para o tarso. Sendo assim, um segundo procedimento cirúrgico foi realizado, ressecando-se, em pentágono, todo o segmento palpebral que continha o cílio patológico, não havendo mais recidiva do quadro.

Os outros dois casos de anomalia ciliar não associados à triquíase estiveram associados a enfermidades sistêmicas, sendo que o paciente com poliose isolada tinha doença de Graves e a paciente com madarose ciliar e poliose apresentava Lúpus Discóide com acometimento da margem palpebral, quadro já anteriormente descrito(19). Esse fato indica que, na ausência de mau posicionamento ciliar, anomalias de cor são sugestivas de processo patológico subjacente e, portanto, devem alertar o oftalmologista para um aprofundamento da semiologia. O mesmo pode ser dito em relação à madarose ciliar que sempre esteve associada a outras condições patológicas.

Uma vez que a triquíase foi a patologia ciliar predominante, ela tornou-se objetivo de um detalhamento mais específico.

Várias são as causas que podem levar ao mau direcionamento dos cílios observado na triquíase e já amplamente descritas na literatura. Dentre elas pode-se citar as inflamações crônicas da margem palpebral (meibomite, blefarite), dermatoses (elastose actínica, eczema, atopia, hanseníase, herpes zoster), doenças conjuntivais cicatrizantes (tracoma cicatricial, síndrome de Steven-Johnson, penfigóide ocular, queimaduras químicas e físicas) e anomalias cicatriciais da borda palpebral associadas ou não a cirurgias prévias(6,3,17-18,9,20,11).

Neste estudo, a etiologia mais freqüente foi o tracoma, aparecendo em 26 (46,4%) dos 56 pacientes com triquíase. Em outros trabalhos nacionais o tracoma também já foi apontado como a principal causa de triquíase maior (5 ou mais cílios acometidos)(9,11) porém não como causa mais importante de triquíase menor (menos de 5 cílios acometidos)(10). Figueiredo e Soares também apontaram o tracoma como a principal causa de triquíase em estudo retrospectivo que avaliou 216 pacientes com essa patologia(9). Provavelmente esse é um achado epidemiológico que deve ser contextualizado regionalmente, uma vez que é nas áreas endêmicas de tracoma que se verifica o maior número de casos de triquíase.

Dois pacientes que apresentaram tracoma como causa da triquíase, também eram portadores de hanseníase. Esses pacientes também apresentavam entrópio de pálpebras superiores e talvez essa associação tracoma-hanseníase explique o achado de casos como esses, de entrópio de pálpebras superiores em pacientes portadores de hanseníase(21).

A magnitude da triquíase foi avaliada não em termos de número de cílios acometidos, mas, sim, em relação ao número de segmentos palpebrais envolvidos (1 segmento, 2 segmentos ou distribuição difusa na pálpebra).

Os cílios em triquíase dispuseram-se de maneira diferente na pálpebra dos pacientes com associação e sem associação com o tracoma, sendo que, nos primeiros, houve maior tendência ao acometimento maior da pálpebra, ou seja,18 pacientes (69,23%) com acometimento de 2 ou 3 segmentos palpebrais e 8 pacientes (30,77%) com acometimento de apenas 1 segmento palpebral. Quando o acometimento ocorreu em um único segmento palpebral, houve predominância do segmento médio (62,5% dos casos).

Já nos pacientes sem associação com tracoma essa relação foi contrária, predominando acometimento de apenas 1 segmento palpebral, encontrado em 24 pacientes (80%).Os outros 6 pacientes (20%) apresentaram acometimento de 2 segmentos palpebrais, não havendo nenhum caso de acometimento difuso da pálpebra. Esses dados mostram claramente o grande poder de distorção de toda margem palpebral que a conjuntivite tracomatosa possui.

As inflamações crônicas da margem palpebral também foram fator causal de importante parcela dos casos de triquíase (22 casos ou 39,3%). Figueiredo e Soares e Hirai e colaboradores também apresentaram porcentagens semelhantes em seus estudos sobre triquíase (34,7% e 36%, respectivamente)(9,11). Essas taxas são, no entanto, muito variáveis, como indica o trabalho de Creppe & colaboradores que encontrou apenas 12,6% de blefarite e/ou meibomite como causa do mau posicionamento ciliar em triquíase menor(10).

Em 18 pacientes (14,3% dos casos) a causa da triquíase não pôde ser determinada, achado esse ainda um pouco maior que o verificado por Figueiredo e Soares (6%) e bem diferente do resultado do estudo sobre triquíase menor de Creppe e colaboradores (66,1%)(9-10). Como o mesmo trabalho(10) identificou um número bem menor de inflamações crônicas da margem é possível que essas disparidades digam respeito aos critérios utilizados para o diagnóstico de inflamação marginal.

Em relação à lateralidade, em 40 pacientes (71,4%) a tri-quíase foi bilateral e em 16 (28,6%) foi unilateral, resultado que mais uma vez se assemelhou ao de Figueiredo e Soares (70,83% bilateral e 29,17% unilateral), mas que contrastou com os achados de Dantas que mostrou bilateralidade em 18,8% e unilateralidade em 81,2% em um estudo de 32 pacientes portadores de triquíase(9,18). Esse achado é explicado pelo fato de o tracoma ter sido o principal fator etiológico da triquíase, uma vez que a doença age de forma semelhante em ambos os olhos, proporcionando maior bilateralidade no aparecimento da triquíase.

Não houve diferença significativa de acometimento pela triquíase em relação ao olho direito (46 pacientes) e ao olho esquerdo (49 pacientes), assim como mostraram Creppe e colaboradores(10).

Quando analisamos, entretanto, pálpebra superior e pálpebra inferior separadamente, houve diferenças significativas quando a triquíase esteve ou não associada ao tracoma. Sendo assim, dos 26 pacientes com triquíase e tracoma, o acometimento palpebral foi predominantemente superior (22 pacientes - 84,6% dos casos), enquanto que nos 30 pacientes com triquíase não associada ao tracoma o acometimento palpebral foi predominantemente inferior (28 pacientes - 93,3% dos casos). Esses resultados mostram a influência da tarsite tracomatosa na localização da triquíase associada ao tracoma, uma vez que esse processo aparece predominantemente na pálpebra superior. Já nos pacientes com triquíase não associada ao tracoma, os fatores agressores (sol, poeira, vento, poluição) talvez atuem predominantemente nas pálpebras inferiores.

Um importante resultado deste trabalho, e que se assemelha a outros da literatura, é o fato de a triquíase estar associada a dano corneano em grande número dos olhos acometidos (84 dos 96 olhos com triquíase, ou seja, 87,5% dos casos)(22,20,7).

Como era de se esperar, o dano à superfície ocular foi mais grave e com predominância de deformidades profundas e definitivas (fossetas límbicas, pannus e opacidades corneanas) nos olhos dos pacientes com triquíase associada ao tracoma, já que, nessa enfermidade, o mesmo processo inflamatório crônico que leva ao aparecimento da triquíase leva também a profundas transformações nos demais componentes do olho como filme lacrimal, conjuntiva e tarso.

A ceratite puntata foi a alteração corneana mais freqüentemente encontrada (66 dos 96 olhos com triquíase - 68,75%), o que também ocorreu em outro trabalho em que foi estudada a triquíase menor(10). Esse achado condiz com a principal queixa apresentada pelos pacientes, uma vez que as microerosões corneanas, provocadas pelo toque dos cílios patológicos, leva à exposição dos filetes nervosos da córnea, produzindo a sensação de corpo estranho.

Enfim, é importante ressaltar que algumas características ciliares morfológicas utilizadas para a definição de distiquíase, como cílios finos e mais claros(14,3). foram também verificadas nos casos de triquíase associada ou não ao tracoma. Esses dados mostraram de maneira clara que a distinção entre triquíase e distiquíase não pode ser feita por características morfológicas dos cílios. Assim, pode-se sugerir que outros critérios, como por exemplo a localização do cílio acometido na margem palpebral, possam ser utilizados para diferenciar triquíase de distiquíase: triquíase, cílios na lamela anterior, ou seja, anteriormente à linha das glândulas de Meibomius; distiquíase: cílios na lamela posterior, ou seja, no nível ou posterior à linha das glândulas de Meibomius.


excerto de:
Alterações de cílios no Hospital da Fac. Medicina de Ribeirão Preto
autores: Fabiana Athayde Martins Araújo & Antonio Velasco de Cruz
Arq. Bras. Oftalmol. vol.65 no.3 São Paulo June 2002

 

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PTOSE PALPEBRAL

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Ptose palpebral significa a queda da pálpebra superior de um ou ambos os olhos. A pálpebra superior pode cobrir uma porção significativa da córnea e da pupila de modo a prejudicar a visão. Assim, além do aspecto cosmético, a ptose torna-se também um problema funcional. O paciente, de forma inconsciente, tenta compensá-la por meio da contração da musculatura frontal elevando os supercílios e produzindo sulcos horizontais na fronte. Eventualmente, o paciente posiciona a cabeça para trás e eleva o queixo, assumindo posição de cabeça característica.

Se você acha que pode ter ptose, compare uma foto recente com outra de 10 a 20 anos atrás e você poderá ver a diferença da posição palpebral.

Os quadros de ptose podem ser subdivididos em três tipos:
 

Ptose Involucional ou Senil, Ptose Mecânica e Ptose Congênita.

É importante lembrar que um tumor ocular, afecções neurológicas ou doenças sistêmicas como a diabetes podem ser a causa de ptose palpebral.


Ptose Involucional ou Senil:

Ocorre principalmente a partir dos 60 anos de idade. Resulta da desinserção do tendão do músculo elevador da pálpebra superior da face anterior do tarso. A função do músculo elevador é boa e a prega palpebral encontra-se alta.

Esse tipo de ptose pode ocorrer em pacientes mais jovens após traumas ou cirurgias oculares, quando também pode ocorrer desinserção do músculo elevador da pálpebra.


Ptose Mecânica:
Pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais frequente nos pacientes acima de 50 anos. Ocorre pelo excesso de pele nas pálpebras (que se chama dermatocálase) que promove um aumento de peso nas pálpebras superiores causando diminuição do campo visual superior e lateral, o que interfere na qualidade da visão.

Ptose Congênita:
É a ptose que se apresenta desde o nascimento. Pode ser uni ou bilateral e permanece constante com o passar do tempo (até que a correção cirúrgica seja realizada!).

A criança com ptose congênita deve ser avaliada por oftalmologista desde o nascimento para definir a época da cirurgia. A criança que apresenta ptose importante que obstrua o eixo visual deve ser submetida à cirurgia precocemente para se evitar o risco de ambliopia. Se não há esse risco, a criança é avaliada anualmente e a decisão cirúrgica pode ser adiada por alguns anos.


Fonte: Instituto de Olhos de Belo Horizonte


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Blefaroplastia



 

A Blefaroplastia ou cirurgia das pálpebras, é um procedimento cirúrgico que remove o excesso de pele nas pálpebras superiores e nos“papos” sob os olhos (pálpebras inferiores). Se o objectivo do paciente é melhorar a aparência, a sua visão, ou ambos, esta cirurgia reconstrutiva produz geralmente efeitos muito satisfatórios, dando-lhe um olhar mais descansado e juvenil. A blefaroplastia pode ser realizada apenas numa pálpebra ou em ambas.

Por vezes, a blefaroplastia pode ser acompanhada por um procedimento conhecido por elevação da testa.


Técnicas e tipos de blefaroplastia

Existem dois tipos de blefaroplastia: transconjuntival (que envolve uma incisão por dentro da pálpebra) e transcutânea (com uma incisão que atravessa a pele exterior).

Ф A blefaroplastia transconjuntival é mais utilizada para remover tecido adiposo que forma os papos da parte de baixo do olho. Neste procedimento, a pele não é removida. Assim, o cirurgião afasta a pálpebra inferior do globo ocular, faz uma incisão por dentro da pálpebra com um bisturi ou laser, e remove ou reorganiza a gordura. A incisão pode depois ser fechada com uma ou mais suturas dissolúveis, embora nem sempre seja necessário. De um modo geral, a blefaroplastia de tipotransconjuntival funciona bem em pessoas com pele mais espessa, mais elástica – que, regra geral, se encontra em pessoas mais jovens.

Ф Na blefaroplastia transcutânea, o cirurgião corta as pálpebras do lado de fora, geralmente nas dobras das pálpebras superiores e debaixo das pestanas, pálpebras inferiores, onde as cicatrizes serão menos visiveis. Quando a flacidez e/ou queda é significativa, as incisões podem estender-se para os têmporas, onde seriam camufladas pelos chamados “pés de galinha”. Depois, o cirurgião separa a pele do músculo e do tecido adiposo, removendo o excesso de gordura e cortando a pele flácida e músculo. Ao contrário da blefaroplastia transconjuntival, a do tipo transcutâneo requer suturas para cobrir a incisão.

Alguns médicos de cirurgia reconstrutiva preferem a blefaroplastia transconjuntival porque este é um procedimento menos invasivo e que sara mais rápido do que a abordagem transcutânea. Também permite ao cirurgião inspeccionar o resultado do procedimento, fazendo retornar as pálpebras para a posição normal e fazendo depois os ajustes necessários. Embora a blefaroplastia transconjuntival em si não remova o excesso de pele, ele pode ser combinado com excisões de pele para o conseguir.

Os cirurgiões podem realizar a blefaroplastia de ambos os tipos, com laser ou com bisturi. A blefaroplastia a laser oferece os benefícios de incisões menores e cauterização dos vasos sanguíneos, o que reduz a hemorragia durante o procedimento. A cirurgia dura entre uma e três horas, e pode ser realizada sob anestesia local ou geral.
 

Candidatos

Os melhores candidatos são pessoas em boa forma física e psicologicamente estáveis, mas que estejam insatisfeitos com a forma e disposição das suas pálpebras. Tanto homens como mulheres são candidatos adequados para o procedimento, e também não há limitações raciais ou étnicas para a realização da cirurgia. A maioria dos pacientes têm mais de 35 anos, mas como o problema de pálpebras caídas é hereditário, pode considerar-se a blefaroplastia mais jovem.

Por outro lado, por vezes, mesmo que tenha as pálpebras caídas ou inchadas, um paciente pode apresentar problemas que excluem a hipótese de se realizar a cirurgia. Estas condições incluem: problemas de tiróide, olhos secos, doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes e outras.


Riscos e Complicações da blefaroplastia

Como qualquer cirurgia, a blefaroplastia traz alguns riscos, como as infecções ou reacções à anestesia. Outros possíveis riscos específicos para esta cirurgia são:

  • Dormência temporária da pele da pálpebra;
  • Olhos secos e irritados;
  • Alterações temporárias na visão (ex: visão dupla);
  • Função da pálpebra prejudicada;
  • Cicatrizes;
  • Lesão nos músculos dos olhos;
  • Risco pequeno de cegueira devido a sangramento atrás do olho.


Deverá conversar com o seu médico sobre como estes riscos se aplicam ao seu caso. Compreender o que está envolvido na blefaroplastia e pesar correctamente os seus benefícios e riscos podem ajudá-lo a decidir se este procedimento é uma boa opção.


Pré-Operatório da blefaroplastia

Na consulta de pré-operatório, o seu médico deverá dar-lhe algumas indicações e várias prescrições. Uma indicação será para a toma de Vallium – poderá tomar um comprimido na noite antes da cirurgia se sentir dificuldade em dormir. Em princípio, também serão receitados analgésicos.

No dia da operação, deverá usar roupa larga e confortável, e é importante que tenha alguém que o possa levar até ao local onde terá lugar o procedimento, e que depois o leve de volta a casa. Deverá abster-se de tomar aspirinas no mínimo uma semana antes do procedimento. Duas indicações adicionais devem ser feitas no que respeita a lentes de contacto e maquilhagem: não devem ser utilizados no dia da cirurgia.
 

Pós-Operatório da blefaroplastia e recuperação

Poderá usar gelo para a compressão para reduzir o inchaço e hematomas e tomar analgésicos para acalmar as dores. O paciente deverá ainda evitar a prática de desporto e actividades que possam aumentar a pressão arterial ou a frequência de pulso, para evitar sangramento. Deverá ainda evitar expor a área operada ao sol, utilizar maquilhagem, usar lentes de contacto ou ler durante alguns dias. Deverá consultar o seu médico se ocorrer dor, inchaço ou sangramento anómalo, ou se notar qualquer problema de visão.

Fonte: fotosantesedepois
 

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