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 Sobre a Deficiência Visual


O Rei Lear

William Shakespeare

tradução de Álvaro Cunhal

-excerto-

"Rei Lear e o Bobo na Tempestade" - William Dyce (1806-1864)
"Rei Lear e o Bobo na tempestade" - William Dyce (1806-1864)


Acto IV, Cena VI

Campos perto de Dover

(Entram Gloucester [cego] e Edgar, vestido de camponês.)
 

GLOUCESTER — Quando chegamos ao cimo do rochedo?

EDGAR — Estais a trepá-lo; reparai no esforço que temos de fazer.

GLOUCESTER — O piso parece-me plano.

EDGAR — Terrivelmente escarpado: escutai! Não ouvis o mar?

GLOUCESTER — Não, palavra.

EDGAR — Então é porque a dor dos olhos vos enfraqueceu os outros sentidos.

GLOUCESTER — Sim, pode ser. Até me parece que a tua voz está mudada e que falas melhor e com mais acerto.

EDGAR — Estais enganado; além do vestuário, em nada mudei.

GLOUCESTER — Parece-me que te exprimes melhor.

EDGAR — Vinde, senhor, chegámos ao local; não vos mexeis. Mete medo e dá vertigens lançar a vista lá para o fundo! Os corvos e gralhas que voam no espaço intermédio não parecem maiores que escaravelhos; a meia altura do abismo, suspenso no ar, um homem colhe funchos das rochas; terrível emprego esse! Não parece maior que a própria cabeça. Os pescadores que caminham pela praia dir-se-ia serem ratos; um grande barco ancorado não parece maior que o seu bote, o bote, maior que uma bóia, e esta tão pequena que quase escapa à vista. O murmúrio das vagas, embatendo contra um sem número de estéreis recifes, não o podemos ouvir, tão alto estamos. Não quero olhar mais; receio que a cabeça me ande à roda, a vista se me turve e me faça despenhar no espaço.

GLOUCESTER — Coloca-me no sítio onde estás.

EDGAR — Dai-me a vossa mão. Estais agora apenas a um pé da beira do abismo. Aqui, por nada deste mundo daria um pulo.

GLOUCESTER — Larga a minha mão. Aqui está outra bolsa, amigo; tem dentro uma jóia cujo valor merece que um homem pobre a aceite: que os deuses e as fadas te façam prosperar com ela! Vai-te; dize-me adeus: quero ouvir-te ir embora.

EDGAR — Então adeus, bom senhor!

GLOUCESTER — Adeus, felicidades.

EDGAR — (Aparte:) Se assim abuso do seu desespero é apenas para o curar.

GLOUCESTER — (Ajoelhando:) Ó deuses poderosos!  Renuncio a este mundo; e na vossa presença, expulsarei de mim tão grande aflição; se a pudesse suportar mais tempo sem entrar em conflito com a vossa irresistível vontade, deixaria extinguir-se a já débil chama desta minha detestada vida. Se Edgar está vivo, oh, fazei-o feliz! E agora adeus, amigo!

EDGAR — Cá vou, senhor, adeus. (Gloucester salta e cai de bruços.) A bem dizer, não sei até que ponto a imaginação é capaz de roubar o tesouro da vida, quando a própria vida condescende com o roubo; se ele estivesse onde pensava, teria duma vez deixado de pensar. Estará vivo ou morto? Senhor, amigo! Ouvis-me, senhor? Falai! É capaz de ter morrido. Não, volta a si. Quem sois, senhor?

GLOUCESTER — Vai-te, deixa-me morrer.

EDGAR — Caindo de tal altura, a não seres tão leve como as teias, as penas ou o próprio ar, ter-te-ias despedaçado como um ovo; mas tu respiras, és feito duma substância pesada, não sangras, falas, estás ileso. Dez mastros sobrepostos não perfariam a altura de que caíste a prumo: a tua vida é um milagre. Falai de novo.

GLOUCESTER — Mas eu caí ou não?

EDGAR — Do temeroso cume desta riba calcária. Olhai lá para cima; a tão grande distância não se alcança ver a gaivota, nem ouvir os seus guinchos; olhai e vereis.

GLOUCESTER — Ai de mim, não tenho olhos! Será que à desgraça já nem sequer cabe o recurso de pôr pela morte um fim a si mesma? E entretanto era uma consolação, quando se podia assim iludir a raiva do tirano e frustrar a sua orgulhosa vontade.

EDGAR — Dai-me o braço: Upa! Vá! Como vos sentis? Aguentais-vos nas pernas? Bom, segurai-vos de pé.

GLOUCESTER — Demasiado bem, demasiado bem.

EDGAR — Isto ultrapassa tudo quanto há de mais extraordinário: que coisa se afastou de vós lá no alto do rochedo?

GLOUCESTER — Um pobre e desgraçado pedinte.

EDGAR — Daqui de baixo, os seus olhos pareciam luas cheias; tinha mil narizes e cornos encurvados e contorcidos como o mar revolto; de certeza era um demónio. Por isso, feliz ancião, podes crer que te salvaram os justos deuses, cuja glória é realizar o que para os homens são impossíveis.

GLOUCESTER — Doravante suportarei o infortúnio até que ele próprio grite: «Basta, basta»! E me deixe morrer. Agora me lembro: essa coisa de que falais, tomei-a por um homem; dizia com frequência: «o porco sujo, o porco sujo»; conduziu-me a este lugar.

EDGAR — Armai-vos dum pensar livre e conformado. Quem vem ali? (Entra Lear, fantasticamente adornado com flores.) Nunca um homem de são juízo se ataviaria assim.
 

Lear e Gloucester - produção do Rei Lear de The Theatre South Carolina
Lear e Gloucester numa produção do The Theatre South Carolina


LEAR — Não, não podem tocar-me por fazer moeda: eu sou o rei em pessoa.

EDGAR — Ó pungente espectáculo!

LEAR — Nesta matéria, a natureza está acima da arte. Eis a paga do teu alistamento. Este tipo a pegar no arco parece um espantalho: arranjai-me uma frecha. Olhai! Olhai um rato! Chiu, caluda! Este bocado de queijo assado resolverá o assunto. Aí está a minha luva; que um gigante a erga e verá! Tragam os chuços. Oh, bem lançado, bem lançado! como um pássaro! No alvo, mesmo no alvo: veveveve! Diz o santo e a senha.

EDGAR — Fragrante manjerona.

LEAR — Passa.

GLOUCESTER — Conheço esta voz.

LEAR — Ah! Goneril com uma barba branca! Adularam-me como cães; e disseram-me que eu tinha tido pêlos brancos na barba antes de os ter pretos; e diziam sim e não a tudo quanto eu dizia! Estes «sim» e «não» também não eram grande coisa. Foi quando a chuva veio ensopar-me, e o vento fazer-me bater o dente, e a trovoada se negou a emudecer às minhas ordens; foi então que soube quem elas eram. Não é gente em quem se acredite: disseram-me que eu sou tudo; é mentira: não sou imune às maleitas.

GLOUCESTER — Lembra-me bem o acento desta voz: não é o rei?

LEAR — Sim, rei de ponta a ponta. Quando olho fixamente, repara como tremem os meus súbditos. Perdoo a vida a este homem. De que te acusam? Adultério? Não morrerás: morrer por adultério! Não: a carriça comete-o e à minha vista! a pequena mosca doirada entrega-se à libertinagem. Prospera, fornicação! O filho bastardo de Gloucester foi mais bondoso para seu pai do que para mim foram minhas filhas, concebidas entre lençóis dum casamento legítimo. Ao trabalho, luxúria, não percas tempo! Preciso de soldados. Olhai esta mulher com afectado sorriso, cujo rosto espreitando entre os dedos anuncia frieza de neve; que simula a virtude e abana a cabeça ao ouvir o nome do prazer; e entretanto nem a doninha, nem o garanhão, se entregam à luxúria com mais tumultuoso apetite! Da cintura para baixo são centauros, embora mulheres da cintura para cima; até à cintura habitam os deuses, para baixo tudo é do diabo: é o inferno, é a escuridão, é o abismo sulfuroso, é o fogo, a infecção, o mau cheiro, a morte — lá, lá, lá! lá! Puf, puf! Boticário, dá-me uma onça de almíscar para desinfectar a minha fantasIa. Toma lá dinheiro.

GLOUCESTER — Oh, deixai-me beijar esta mão.

LEAR — Primeiro deixa-me limpá-la: cheira a mortalidade.

GLOUCESTER — Ó arruinada obra-prima da natureza! Assim este vasto mundo se consumirá até ser nada. Reconheceis-me?

LEAR — Lembro-me muito bem dos teus olhos. Miras-me de lado? Não, cego Cupido, comigo nada fazes: não voltarei a amar. Lê este cartel; repara como está escrito.

GLOUCESTER — Mesmo que as letras fossem do tamanho do Sol, nem uma só poderia ver.

EDGAR — (Aparte:) Não acreditaria, se mo contassem; e entretanto é uma verdade de fazer estalar o coração.

LEAR — Lê.

GLOUCESTER — Como? Com as órbitas?

LEAR — Oh, oh, é isso que queres clizer? Nem olhos na cabeça nem dinheiro na bolsa? Pesada situação é a dos teus olhos; em compensação é leve a tua bolsa. Entrementes vês como vai o mundo.

GLOUCESTER — Não o vejo, sinto-o.

LEAR — Estás doido? Não são precisos os olhos para ver como vai o mundo. Olha com as orelhas. Vê como este juiz injuria aquele pobre ladrão. Chega cá o ouvido, escuta: Troca os lugares e, roda a roda os quatro cantinhos, diz~me agora qual o juiz e qual o ladrão. Já viste o cão duma quinta ladrar a um pedinte?

GLOUCESTER — Sim, senhor meu.

LEAR — E o pobre a fugir do cão? Então aí tens a grandiosa imagem da autoridade: um cão a ser obedecido no serviço. Eh, cobarde beleguim, abaixa a mão ensanguentada! Porque dás chicotadas nessa prostituta? Tira antes a pele às tuas próprias costas, pois ardes por servir-te dela naquilo por que a chicoteias. Vejam isto: o usurário condenando à forca o intrujão. Através dos buracos da roupa esfarrapada aparecem os pequenos defeitos; sedas e peles tudo encobrem. Couraça o crime com chapas de oiro e contra elas se quebrará sem fazer dano a forte lança da justiça; cobre-o com farrapos e até uma palha movida por um pigmeu os atravessará de lado a lado. Ninguém é criminoso, ninguém, digo eu, ninguém: respondo por todos. Sou eu que to digo, amigo, eu que tenho o poder de cerrar os lábios ao acusador. Passa a usar óculos e, tal como o político sabido, finge ver o que não vês. Vá, vá, descalça-me as botas. Mais força! Mais força! Assim.

EDGAR — (Aparte:) Oh, que mistura de sensatez e despropósito! Razão na loucura!

LEAR — Se queres chorar a minha sorte, toma os meus olhos. Conheço-te muito bem; o teu nome é Gloucester; tens de ser paciente, amigo; a chorar viemos ao mundo. Sabes bem que a primeira vez que sorvemos o ar, chorámos e berrámos. Vou-te fazer um sermão: escuta.

GLOUCESTER — Ai de mim, senhor, ai de rnim!

LEAR — Quando nascemos, choramos por entrar neste grande palco de doidos. (Apontando o chapéu de Edgar:) Este é um belo modelo? Seria um ardil excelente ferrar com feltro os cavalos duma companhia; vou fazer a experiência; chego-me sern darem por isso e, uma vez perto desses meus genros, caio sobre eles e mata, mata, mata, rnata, rnata, mata!


(Entram um Cavaleiro e soldados.)

CAVALEIRO — Oh, aí está ele! Agarrai-o! Senhor, vossa extremosa filha...

LEAR — Ninguém me socorre? Como! Prisioneiro? Sou um autêntico escárnio da sorte. Tratai-me bem; recebereis o resgate. Mandai-me um cirurgião; estou ferido até aos miolos.

CAVALEIRO — Tudo tereis.

LEAR — Ninguém me defende? Sozinho? Isto é de fazer dum homem uma fonte de lágrimas, capazes de regar os vasos do jardim e de abater a poeira do Outono.

CAVALEIRO — Bom senhor...

LEAR — Saberei morrer corajosamente, tal como um noivo janota. O quê? Serei jovial; vamos, vamos; sabeis que sou um rei, meus senhores?

CAVALEIRO — Sois um grande rei e nós vos obedecemos.

LEAR — Então o rei está vivo. Se quereis apanhá-lo, tendes de correr. Busca, busca, busca. (Sai correndo. Os soldados seguem-no.)

CAVALEIRO — Que se tratasse do mais insignificante desgraçado, tal espectáculo inspiraria infinda piedade; tratando-se dum rei, não há palavras que o exprimam. Tem, porém, uma filha que redime a natureza humana da maldição que as outras duas lhe fizeram.

EDGAR — Salve, nobre senhor!

CAVALEIRO — Deus vos proteja; que desejais?

EDGAR — Ouvistes dizer que se vai ferir uma batalha?

CAVALEIRO — Decerto, isso é voz corrente; quem quer que não seja surdo não pode deixar de o ter ouvido.

EDGAR — Dizei-me, por favor, a que distância está o outro exército?

CAVALEIRO — Está perto e aproxima-se velozmente; dum momento para o outro, o grosso do exército pode aparecer.

EDGAR — Obrigado, senhor, é tudo.

CAVALEIRO — Embora uma questão muito especial preocupe a rainha, o seu exército põe-se em campo.

EDGAR — Obrigado, senhor.

(Sai o Cavaleiro.)

GLOUCESTER — Só a vós, bondosos deuses, caberá apagar-me o sopro da vida; não deixeis que o meu espírito mau de novo me tente antes de ser a rninha morte o vosso desejo.

EDGAR — Bela prece, ancião!

GLOUCESTER — E agora, bom senhor, quem sois vós?

EDGAR — Um bem pobre homem, a quem os golpes do destino tornaram paciente e que, pelo que tem conhecido e sofrido, aprendeu a apiedar-se. Dai-me a vossa mão: conduzir-vos-ei a qualquer pousada.

GLOUCESTER — Do coração te agradeço: e que a bondade e a bênção dos cÉus te recompensem.

(Entra Osvaldo.)

OSVALDO — Eis o prémio prometido! Que sorte! Essa tua cabeça sem olhos parece ter sido criada expressamente para elevar a minha fortuna. Velho e indigno traidor, tens um instante para te lembrares dos teus pecados: a espada que vai destruir-te já está desembainhada.

GLOUCESTER — Que a tua mão amiga dê o golpe com força bastante. (Edgar interpõe-se.)

OSVALDO — Como, camponês atrevido, ousas apoiar um traidor declarado? Afasta-te! se não queres que o contágio da sua sorte te passe também a ti. Larga-lhe o braço.

EDGAR — Não largo, senhor, sem melhores razões.

OSVALDO — Larga, escravo, ou morres.

EDGAR — Fidalgo, segui o vosso caminho e deixai passar a pobre gente. Se para me tirar a vida bastassem fanfarronices, estaria morto há quinze dias. Vá, não vos aproximeis do velho; segui o meu aviso e passai ao largo, senão iremos ver qual é mais duro: se o meu cajado. se a tua pinha. Fui claro, parece-me.

OSVALDO — Arreda, vilão!

EDGAR — Vou depenar-te os dentes, cavalheiro. Chega-te cá; as tuas estocadas são nada. (Lutam. Edgar abate-o.)

OSVALDO — Mataste-me, vilão! Toma a minha bolsa. Se queres medrar, enterra o meu corpo e entrega as cartas que tenho comigo a Edmundo, Conde de Gloucester; procura-o no lado inglês. Ó morte prematura! Morro! (Morre.)

EDGAR — Sei bem quem tu eras: um miserável serviçal, tão obediente aos vícios de tua ama, quanto a malvadez podia desejar.

GLOUCESTER — Como morreu?

EDGAR — Sentai-vos, ancião; descansai. Revistemos-lhe os bolsos: as cartas de que fala poderão ajudar-me. Está morto; só lamento não ter sido um carrasco a matá-lo. Vejamos. (Abrindo a carta:) Com licença. A moral não nos pode censurar: Se, para conhecer a alma dos inimigos, lhes abriríamos o coração, bem mais legítimo é abrir-lhes as cartas. (Lê:) «Lembras-te dos nossos compromissos recíprocos. Tens muitas oportunidades de dar cabo dele; se não te falta coragem, ocasiões e lugares não faltarão. Nada feito, se ele volta vencedor: então serei sua prisioneira e a sua cama o meu cárcere; liberta-me da sua intimidade odiosa e vem ocupar o seu lugar. Tua (gostaria de poder dizer mulher) apaixonada escrava, Goneril». Oh, limites indefiníveis da sensualidade da mulher! Uma conspiração contra a vida do seu virtuoso esposo; e o substituto, meu irmão! Aqui na areia vou enterrar-te, correio malvado de devassos assassinos. E a seu tempo porei este repugnante papel ante os olhos do duque cuja morte se trama. Para seu bem, posso comunicar-lhe tanto a tua morte como a carta que levavas.

GLOUCESTER — O rei enlouqueceu: bem rija é a minha pobre razão para que tenha resistido tanto, sentindo eu tão fundo todas as minhas imensas dores. Melhor seria se eu tivesse também enlouquecido: os meus pensamentos seriam separados das minhas mágoas, e as mágoas, pela imaginação extraviada, perderiam consciência de si mesmas. (Tambores ao longe.)

EDGAR — Dai-me a vossa mão: parece-me ouvir ao longe o rufar de tambores. Vamos! Vou confiar-vos a um amigo. (Saem.)

FIM

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'Tis the times' plague, when madmen lead the blind
SHAKESPEARE
 
Considerada por vários críticos a obra-prima de William Shakespeare, “O Rei Lear” retrata a natureza humana nas suas mais diversas vertentes: as virtudes, o amor, a fidelidade, a lucidez, o dever, a generosidade, encarnados por algumas das suas personagens, caminham lado a lado com os piores vícios, o ódio, a traição, a loucura (natural e fingida), a mentira e a crueldade, encarnados por outras. As histórias paralelas, e com muito de comum entre si, a de Lear e as suas três filhas e a de Gloucester e os seus dois filhos, desenrolam-se de mão dada e entrecruzam-se, num adensar contínuo do ambiente de tragédia. Os poucos e breves momentos da peça em que o leitor/espectador pode acalentar a esperança de assistir à inversão desse ambiente constrangedor são logo contrariados por ocorrências trágicas que servem apenas para aumentar a sensação de desconforto de quem a elas assiste. Os erros cometidos impensadamente, quer por Lear, quer por Gloucester, acabam por ser reconhecidos pelos próprios, o que leva o leitor/espectador a pensar na redenção. Mas a tragédia, no seu avanço inexorável, não pode ser travada, e tais erros são reconhecidos tarde de mais. De tal forma que só a morte se apresenta como solução para as situações criadas, sendo dela vítimas, tanto as personagens justas como as viciosas, a ela escapando apenas uns poucos cuja missão parece ser a de lembrar à posteridade aquilo que testemunharam.   in WOOK
 
 
Blindness in King Lear
by Trent Lorcher
 
The theme of blindness in King Lear is perhaps the most discussed of the King Lear major themes. I shall add to the discussion. Cornwall and Regan poke out Gloucester's eye in retaliation for his aiding of Lear. This physical blindness represents the symbolic blindness of Gloucester and Lear:
(1) They are both blind to the intentions of their children, wrongfully banishing the loyal one and rewarding the devious ones; (2) They are blind to their responsibilities. Gloucester's adultery leads to the illegitimate Edmund who causes strife in his kingdom. Lear's abdication of the throne and handing over of power to self serving individuals leads to his downfall; (3) It is also apparent that Lear was blind to the needs of his people during his reign as evidenced by his remorse over not taking care of the less fortunate. Along with blindness, madness plays an important role. The mad babblings of the fool carry wisdom much in the same way Lear finds wisdom as he goes mad. It is probable that Lear's madness causes the tragedy as much as the tragedy causes his madness. Lear's behavior in the play's opening scene shows signs of mental illness, an illness that perhaps his most loyal daughter and most loyal servant recognize. This could be why the two remain loyal to the king, notwithstanding his ill treatment of them.   in BrightHub
 


LEAR - desenho de Álvaro Cunhal
desenho de Álvaro Cunhal

 

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O REI LEAR
William Shakespeare
título original: King Lear
[1603-1606]
tradução de Álvaro Cunhal (1953-55)
Editorial Caminho, 2002

excerto: Acto IV, Cena VI
 


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23.Mai.2011
Publicado por MJA