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 Sobre a Deficiência Visual


Odin − A Lança, o Olho e a Árvore

Guilherme Vertamatti

Odin, o deus nórdico, que trocou por conhecimento o seu olho direito
Odin, o deus nórdico, que trocou por conhecimento o seu olho direito
 

O som do gigante de gelo tombando era tal qual o de uma avalanche. Seus cinco metros de força bruta haviam perdido a conexão. Cada fragmento que se soltava e atingia o chão causava um pequeno terremoto.

Pouco acima da junção das pernas azuis e brancas, onde seu ventre se iniciava, era possível ver uma mancha vermelha tremulante que, após uma lufada do vento ártico, comum nas terras de Jotumheim (ou terra dos gigantes), cedeu lugar ao brilho do mais puro ouro.

A armadura de Odin, por mais golpes que recebesse, estava sempre brilhando, pois fora um presente do anão Gwadin, após salvá-lo das garras de um monstro-marinho, e a forja dos anões é a melhor em todos os nove mundos. Desde então, o grande deus não havia mais sentido a mordida gelada do aço em sua carne.

Com uma torção do pulso, Odin puxou o cabo da espada que estava entre seus dedos. O som agoniante do metal trincando fez o velho guerreiro blasfemar:

− Maldito elfo, que me presenteou com essa grande porcaria! − E, após mais um puxão e um tranco, finalmente sentiu a lâmina começar a se soltar das entranhas de rocha congelada do gigante. − Me havia dito que era do melhor metal, resistente ao gelo eterno desse lugar.

Com um chute, que terminou de espalhar os destroços empilhados, Odin se impulsionou e saltou para trás, aterrizando quase 20 metros de distância. Ao se virar para embaiar sua espada, percebeu que segurava um cabo provido de 12 centímetros de lâmina.

Furioso, jogou o resto da arma com toda força, destruindo inúmeras árvores mortas antes que se cravasse profundamente na base de uma montanha, e gritou:

− A mim, meus filhos! Vamos embora desse lugar miserável e triste! − Thor, Baldur e Váli se uniram, segundos depois, com seu pai, que olhou para os céus e continuou − Preciso de uma nova arma, uma arma digna de um deus como eu!

− Senhor, meu pai. − Começou Thor − Pode ficar com meu martelo, sabe o quanto ele é poderoso.

− Não fale tolices, esse martelo é seu por direito. E será tão poderoso apenas enquanto suas próprias mãos o manusearem. Veremos o que iremos fazer, após a dose adequada de hidromel, carne e música.

O simples pensamento do festim que os aguardava, em homenagem à vitória, fez com que os quatro guerreiros sorrissem.

− Heimdallr, nos tire daqui! − Gritou o maior dos deuses e viu a aurora-boreal surgir em uma fração de pensamento, antes de se dar conta que já estava diante de seu castelo em Asgard.

A dose adequada de hidromel para Odin significou que quase uma estação se fechou antes que as festividades se dessem por encerradas. Os inúmeros filhos do deus e seus companheiros, guerreiros humanos trazidos pelas Valkyrias por suas mortes honradas, normalmente entreteriam o velho por quase um ano, mas Odin estava preocupado, não poderia continuar assim, pedindo presentes de outros povos. Precisava de uma arma digna de um deus, ainda mais ele, que era o maior de todos os guerreiros, maior de todos os adeptos da magia e maior de todos os festejantes.

Freya, sua esposa, o encontrou olhando para os limites das terras divinas, sentado em seu trono.

− O que o aflige, meu querido marido? − Perguntou, se aproximando.

− Mais uma batalha ganha, mas mais uma arma quebrada. Já tentei de tudo, até lançar pedras, mas mesmo essas se acabam contra grandes hordas!

− É por causa de sua força, meu amado. Não existe material mundano que resista à pressão que você coloca, assim como às usuais dimensões de seus inimigos.

− Isso nós não sabemos. − Respondeu Odin, se levantando, porém um sorriso começava a surgir em seus lábios. − Mas sei quem pode descobrir.

E, se aproximando do parapeito, Odin assoviou de maneira vigorosa o suficiente para que os ecos fosse escutados até nas mais profundas protuberâncias do Hel.

Freya sabia o que ele estava fazendo e deu um passo para trás, justamente a tempo de ver duas manchas escuras passarem numa velocidade maior do que seus olhos divinos permitiam acompanhar.

As duas sombras circularam ao redor do cômodo, diminuindo lentamente sua velocidade. O casal de deuses começou a escutar murmúrios e suspiros roucos, acima de suas cabeças, falando de locais distantes e próximos, em eras passadas e presentes.

Após alguns minutos, em que o deus ficou com os olhos fechados e braços abertos, as duas manchas haviam desacelerado o suficiente para terem suas formas definidas. Dois enormes corvos, quase do tamanho de águias, com penas escuras como a noite sem lua e olhos brilhantes, pousaram nos braços abertos de Odin, que os recebeu:

− Huginn e Muninn, meus queridos olhos e mensageiros!

− Ó grande guerreiro, como de costume, voávamos pelos nove mundos coletando informações para você. − Responderam, em uníssono, as aves − Retornaríamos no terminar da aurora, mas ouvimos seu chamado! Em que podemos serví-lo?

− Vocês, que viram os mundos tantas vezes, me ajudem com uma questão. Onde encontrar o melhor ferreiro entre todos, seja anão, elfo ou humano?

Os dois pássaros agitaram suas penas e caminharam pelos braços de Odin, até pararem em seus ombros e olharem fixamente nos olhos do grande deus. Um turbilhão de imagens e sons inundaram a mente de Odin, mas ele já se acostumara com isso após centenas de décadas e seus pensamentos conseguiam absorver o que estava sendo transmitido.

Huginn e Muninn, mostraram todos os grandes artesãos que encontraram em suas viagens, porém nenhuma das armas mostradas era diferente daquelas já testadas e descartadas.

− Esses brinquedos não me servirão, se quebrariam nas mãos de qualquer um dos meus filhos, então imaginem o que eu não faria com elas. − Comentou o guerreiro, se sentindo satisfeito e frustrado por esse pensamento.

− Talvez possamos ajudar de outra forma. − Grasnou Hugin.

− Sabemos quem pode te ajudar, respondendo qualquer uma de suas questões! − Completou Munin.

− Não percam mais tempo, meus negros companheiros, quem é esse ser?

− O sábio Mimir! − Gritaram os corvos, levantando voo − Irá encontrá-lo em uma das três raízes de Yggdrasil, a árvore da vida. Heimdallr, que tudo vê poderá lhe enviar! − E saíram pela janela, ganhando velocidade e sumindo como pontos no horizonte.

Odin não esperou nem mais um momento. Beijando sua esposa e avisando que sairia sozinho em missão, o deus-pai foi até Bifrost, ou ponte do arco-iris, e demandou que o guerreiro-guardião o enviasse até onde um humano morava ao lado da grande árvore.

Mais uma vez, as cores polares cobriram Odin que, ao se dissiparem, viu que estava diante de um enorme lago, repleto de vida. Peixes saltavam das águas, cervos, coelhos e outros animais se encontravam em sua margem, pássaros das mais variadas cores e cantos cobriam o céu e uma pequena casa de madeira havia sido construída com simplicidade, poucos metros de tal paisagem.

Mas nada disso era significante para Odin, que tinha olhos apenas para a gigantesca raiz, cortando o firmamento, acima de qualquer visão, e mergulhando majestosamente nas profundezas escuras da laguna.

Uma voz, antiga como o tempo, cortou o ar e tirou o guerreiro de sua contemplação:

− Esperava por você, grande divindade.

Odin viu surgir de dentro da casa um homem muito velho, que mais se arrastava do que andava, com a ajuda de sua bengala. Sua cabeça enrugada lembrava uma tartaruga, pois não continha um único fio de cabelo, mas tatuagens tribais escuras contaminavam a pele clara como a neve. Provido de uma enorme corcunda, o ancião parecia a ponto de ser levado para o mundo dos mortos, se não fosse por seus olhos acinzentados, que refletiam uma luz de juventude, luz que se vê nos olhos de uma criança, ao aprender algo novo e interessante.

− Esperava por mim? − Indagou o deus nórdico − Você é Mimir, o sábio?

− Sim, ó poderoso. Sou Mimir, o atual maior sábio e oráculo dos nove mundos. Esperava por você, pois posso identificar acontecimentos futuros em Midgard, o mundo dos homens, e, mesmo vindo para a base de Yggdrasil, ainda continuo vinculado àquela terra e posso ver meu próprio caminho.

− Então sabe porque vim. − Argumentou Odin, se aproximando do pequeno Mimir, se tornando impaciente pela velocidade precária com a qual o velho falava.

− Sim! Sei de seu drama, e tenho a sua resposta! − Falou Mimir, passando pelo outro e caminhando em direção a borda do lago.

− E qual é? − Bradou Odin, quase em fúria.

− Você!

− Eu? − Riu o deus.

− Você deverá forjar sua arma, mas eu irei ajudá-lo. Pois isso trará repercussões em todo esse ciclo, uma vez que se tornará o maior de todas as divindades e governará os mundos que tocam Yggdrasil até o fim dos tempos.

− E por onde devo começar?

− De você, espero três sacrifícios e três provações, que o moldarão como o deus dos deuses. Sendo o primeiro sacrifício, abrir mão de parte de sua visão mundana, para que possa utilizar melhor os olhos da alma e da magia.

Odin olhou por um longo tempo para Mimir, até entender o que o ancião desejava. Num movimento brusco, pois não poderia vacilar ou iria desistir da ideia, o guerreiro cravou três de seus dedos em um de seus orifícios oculares e, com um grito gutural de dor e agonia, arrancou a esfera de sua órbita.

Mimir recebeu o orbe ensanguentado das mão trêmulas de Odin, o apertou por alguns segundos entre suas palmas até se tornarem um fino pó de diamantes e assoprou de volta os fragmentos em direção ao deus.

Ao ser envolvido pelo que restara de seu olho, Odin começou a perceber instantaneamente toda sua dimensão interna e o quão ligado à magia sua entidade era.

− Veja quanto poder o preenche, poder esse não usado diretamente em batalhas. − Observou o ancião − Agora deverá encontrar o corpo de sua arma, que já lhe aviso ser uma lança.

− De onde devo retirar a madeira? − Questionou Odin, inebriado pela sensação que corria por seu corpo, por todos os limites atuais que sabia poder quebrar.

− A Árvore da Vida alimenta os mundos com tudo que necessitam, e deverá alimentar você com seu ramo mais alto!

− Isso será simples. Heimd...

− Não! − Exclamou Mimir − Você não poderá usar seus aliados, apenas sua própria força.

Odin, percebendo que, se fosse uma simples tarefa, não seria uma provação, retirou sua armadura até ficar completamente nu, mostrando o membro viril rijo pelos novos poderes.

O grande guerreiro levou nove dias para escalar Yggdrasil e retornar até Mimir com a haste mais simétrica e balanceada, que encontrara no ramo mais alto. Pensou em ludibriar o velho em dezenas de momentos, quando seu corpo gritava de exaustão, ou sua pele se abria em enormes bolhas e esfolados, devido ao atrito com o tronco. Durante a travessia da copa, Odin teve a impressão de que a árvore o testava, pois era constantemente atacado pelos galhos, criando cortes profundos, com chicotadas imperdoáveis ou tendo de desviar enormes distâncias até encontrar aberturas nas infinitas barreiras de folhagem. Porém, algo em seu cerne o mantinha firme, sempre pronto para avançar mais um metro, e lavava de sua mente pensamentos pouco honrados sobre quão simples seria chegar caminhando pela Bifrost e como o sábio nunca poderia descobrir.

Mimir, em contraponto, mostrou com um único comentário que sabia tudo o que se passara, cada segundo e cada pensamento e recompensou sua bravura, massageando o corpo do deus com um bálsamo feito das maçãs da juventude, cultivadas pela deusa Idumm, que curou todas as chagas físicas e mentais de Odin.

− Estou me sentindo pronto para a segunda etapa. − Comentou Odin, suspirando de alívio.

− Agora seu sacrifício será abandonar sua dependência pelas proezas físicas, como forma de resolver seus problemas e sua provação será sobreviver apenas pela força de sua mente e essência.

O deus, utilizando de toda sua inteligência, levou dias, sentado em frente ao lago, até compreender o que deveria ser feito e avisou o ancião, que trabalhara no eixo até se tornar uma maravilhosa lança:

− Deixarei que meu corpo fique em constante perigo de morte e apenas minha energia vital deve ser suficiente para mantê-lo.

− Eu o ajudarei e vigiarei cada dia para que, caso esteja na iminência de falhar, eu possa tirá-lo de seu martírio.

− Se eu chegar a esse ponto, deixe que eu sucumba e teste um ser mais digno de meu trono. − Respondeu a divindade, com uma mistura de humildade e descaso.

Com a ajuda do ancião, Odin se pendurou em um dos galhos de Yggdrasil e recebendo a lança de Mimir, cravou-a em seu próprio peito, de onde começou a verter o sangue de brilho dourado e rubro, típico de um deus, escorrendo por todo o corpo de madeira da arma.

Por nove dias ficou assim, puxando energia de seu interior para manter seu corpo vivo e seus pensamentos lúcidos. Ao final do último dia, o guerreiro já se sentia fraco e sua mente enevoada. Estava no ponto de acreditar que sucumbiria, quando um raio de inspiração atravessou as brumas internas de sua cabeça e teve a realização de uma criação inigualável.

Se desvencilhando das amarras, Odin foi ao chão, se levantou lentamente, retirou a lança de seu âmago e, mais uma vez, se virou para Mimir, que sorria:

− Todos os pensamentos e acontecimentos de todos os mundos em todos os tempos poderá ser registrado agora, com perfeição, pois tenho um presente para todos, principalmente para àqueles que presam o conhecimento e sabedoria. − E, utilizando o cabo em suas mãos, começou a traçar linhas no solo arenoso, ao lado do lago − Isso que vês no chão, Mimir, serão chamadas de RUNAS, com as quais tudo será descrito, em madeira, rocha, ou, até, metal.

− Meu magnífico deus, obrigado pela benção que nos concede! − Exultou o velho, se ajoelhando e curvando perante o novo alfabeto.

Nesse período, o poder divino de Odin já era tamanho que o deus foi capaz de curar suas próprias feridas em questão de poucas horas, meditando sobre um caneco de hidromel.

O velho, vendo o recipiente vazio e a pele da entidade à sua frente estar novamente imaculada, nomeou a terceira e final etapa:

− Só lhe resta agora abandonar o que lhe é mais caro, provando ter a imparcialidade necessária para reger tudo e todos.

− Minha mente agora vê através de suas charadas, meu velho amigo. Abrirei mão de minha própria vida, em prol de adquirir o último nível de sabedoria e poder. − Respondeu Odin, cravando sua lança na borda do lago e caminhando para dentro da água, até que essa cobrisse todo o seu corpo.

O físico do guerreiro era o de um deus, o que significou que conseguiu segurar sua respiração por nove dias, durante os quais, caminhou até a raiz submersa de Yggdrasil e se sentou apoiado nela. Seu corpo finalmente cedeu, e Odin não pôde mais se conter, acreditando que iria abandonar sua vida, permitiu que a água do lago entrasse em seus pulmões. A dor e queimação duraram muito pouco tempo e veio, finalmente, a epifania final.

Através de suas costas nuas, em contato com a planta, Odin sentiu Yggdrasil lhe transferir o conhecimento e sabedoria de todos os nove mundos. A mente do deus se expandiu de forma infinita, permitindo que tudo aquilo ocupasse seu crânio sem incômodo.

Mimir viu Odin, ao romper a superfície do lago, envolto numa aura mística e divina, única e inigualável. Em sua frente se encontrava não somente o maior de todos os guerreiro, mas, agora, o maior de todos os sábios.

O deus arrancou a lança do solo e, com uma pequena pedra, começou a marcar diversas runas ao longo do artefato em suas mãos.

− Entendo agora, ancião e profeta, que as runas também são a essência da canalização da magia. Esta não é mais uma mera lança. − Disse, erguendo a arma acima de sua cabeça − Esta é GUNGNIR, minha lança inquebrável, feita da própria Yggdrasil, banhada no sangue de um deus e imbuída, pelas runas, da magia do universo!

Mimir se ajoelhou diante de Odin e disse:

− O que mais posso fazer por você, meu divino senhor, pois em meu futuro não vejo a morte, mas, sim, a sua companhia.

− Você deverá ser eternamente o oráculo dos deuses! − Respondeu Odin, girando Gungnir em um arco que separou a cabeça do velho de seu corpo, porém, antes que esta regressasse ao chão, continuando seu movimento, Odin recitou um encanto que impediu que a alma de Mimir se desprendesse de seu cérebro.

O deus a pegou no ar e se pôs a traçar runas por toda testa e nuca do ancião, que apenas ria e gargalhava, gritando, com olhos desfocados:

− Sim! Agora sim! Posso ver os caminhos de todas as criaturas, raças e entidades, o futuro dos mundos está ao meu alcance! Obrigado Odin, agradeço e aceito sua oferta!

Sorrindo, o deus respondeu:

− Ainda não havia perguntado, mas vejo que a magia o tocou profundamente e fico feliz que aceite ser, além de nosso oráculo, meu conselheiro pessoal, pois devo tudo a você!

E partiram de volta para Asgard...

E foi assim que Odin conseguiu sua lança mágica, o conhecimento de todos os mundos (que o colocou definitivamente no trono, de onde liderou guerras e conquistou os 9 reinos), seu conselheiro pessoal e melhor amigo, assim como foi dessa forma que perdeu seu olho.

FIM

 

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An Interpretation

The most general and obvious message of this tale is that, for those who share Odin’s values, no sacrifice is too great for wisdom. The (unfortunately fragmentary) sources for our current knowledge of the pre-Christian mythology and religion of the Norse and other Germanic peoples are, however, silent on exactly what kind of wisdom Odin obtained in exchange for his eye. But we can hazard a guess.
The fact that Odin specifically sacrificed an eye is surely significant. In all ages, the eye has been “seen” as a poetic symbol for perception in general – consider the astonishing number of expressions, both in everyday usage and in the works of the great canonical poets, that use vision as a metaphor for perceiving and understanding something. Given that Odin’s eye was sacrificed in order to obtain an enhanced perception, it seems highly likely that his pledge of an eye symbolizes trading one mode of perception for another.
What mode of perception was exchanged for what other mode, then? The answer to this question lies in the character of Mimir. Mimir, whose name means “The Rememberer,” is the divine animating force within cultural/ethnic memory. His wisdom is the wisdom of the traditions that the heathen Germanic peoples held to be sacred. As in the tale of Odin’s discovery of the runes, in which he sacrificed what we might call his “lower self” to his “higher self,” so Odin did in the tale of his relinquishing an eye: he exchanged a profane, everyday mode of perception, beleaguered with countless petty troubles, for a sacred mode of perception, in which the world reveals itself to be divine, the very flesh of the gods, constantly enacting the stories of which the gods are the actors, shimmering with meaning and wonder. (http://norse-mythology.org/tales/why-odin-is-one-eyed/)

fonte: mitologia verta


 


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9.Abr.2015
Publicado por MJA