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Odin, o deus nórdico, que trocou por conhecimento o seu olho
direito
O som do gigante de gelo tombando era tal qual o de uma avalanche. Seus cinco
metros de força bruta haviam perdido a conexão. Cada fragmento que se soltava e
atingia o chão causava um pequeno terremoto.
Pouco acima da junção das pernas azuis e brancas, onde seu ventre se iniciava,
era possível ver uma mancha vermelha tremulante que, após uma lufada do vento
ártico, comum nas terras de Jotumheim (ou terra dos gigantes), cedeu lugar ao
brilho do mais puro ouro.
A armadura de Odin, por mais golpes que recebesse, estava sempre brilhando, pois
fora um presente do anão Gwadin, após salvá-lo das garras de um monstro-marinho,
e a forja dos anões é a melhor em todos os nove mundos. Desde então, o grande
deus não havia mais sentido a mordida gelada do aço em sua carne.
Com uma torção do pulso, Odin puxou o cabo da espada que estava entre seus
dedos. O som agoniante do metal trincando fez o velho guerreiro blasfemar:
− Maldito elfo, que me presenteou com essa grande porcaria! − E, após mais um
puxão e um tranco, finalmente sentiu a lâmina começar a se soltar das entranhas
de rocha congelada do gigante. − Me havia dito que era do melhor metal,
resistente ao gelo eterno desse lugar.
Com um chute, que terminou de espalhar os destroços empilhados, Odin se
impulsionou e saltou para trás, aterrizando quase 20 metros de distância. Ao se
virar para embaiar sua espada, percebeu que segurava um cabo provido de 12
centímetros de lâmina.
Furioso, jogou o resto da arma com toda força, destruindo inúmeras árvores
mortas antes que se cravasse profundamente na base de uma montanha, e gritou:
− A mim, meus filhos! Vamos embora desse lugar miserável e triste! − Thor,
Baldur e Váli se uniram, segundos depois, com seu pai, que olhou para os céus e
continuou − Preciso de uma nova arma, uma arma digna de um deus como eu!
− Senhor, meu pai. − Começou Thor − Pode ficar com meu martelo, sabe o quanto
ele é poderoso.
− Não fale tolices, esse martelo é seu por direito. E será tão poderoso apenas
enquanto suas próprias mãos o manusearem. Veremos o que iremos fazer, após a
dose adequada de hidromel, carne e música.
O simples pensamento do festim que os aguardava, em homenagem
à vitória, fez com
que os quatro guerreiros sorrissem.
− Heimdallr, nos tire daqui!
− Gritou o maior dos deuses e viu a aurora-boreal
surgir em uma fração de pensamento, antes de se dar conta que já estava diante
de seu castelo em Asgard.
A dose adequada de hidromel para Odin significou que quase uma estação se fechou
antes que as festividades se dessem por encerradas. Os inúmeros filhos do deus e
seus companheiros, guerreiros humanos trazidos pelas Valkyrias por suas mortes
honradas, normalmente entreteriam o velho por quase um ano, mas Odin estava
preocupado, não poderia continuar assim, pedindo presentes de outros povos.
Precisava de uma arma digna de um deus, ainda mais ele, que era o maior de todos
os guerreiros, maior de todos os adeptos da magia e maior de todos os
festejantes.
Freya, sua esposa, o encontrou olhando para os limites das terras divinas,
sentado em seu trono.
− O que o aflige, meu querido marido? − Perguntou, se aproximando.
− Mais uma batalha ganha, mas mais uma arma quebrada. Já tentei de tudo, até
lançar pedras, mas mesmo essas se acabam contra grandes hordas!
− É por causa de sua força, meu amado. Não existe material mundano que resista à
pressão que você coloca, assim como às usuais dimensões de seus inimigos.
− Isso nós não sabemos. − Respondeu Odin, se levantando, porém um sorriso
começava a surgir em seus lábios. − Mas sei quem pode descobrir.
E, se aproximando do parapeito, Odin assoviou de maneira vigorosa o suficiente
para que os ecos fosse escutados até nas mais profundas protuberâncias do Hel.
Freya sabia o que ele estava fazendo e deu um passo para trás, justamente a
tempo de ver duas manchas escuras passarem numa velocidade maior do que seus
olhos divinos permitiam acompanhar.
As duas sombras circularam ao redor do cômodo, diminuindo lentamente sua
velocidade. O casal de deuses começou a escutar murmúrios e suspiros roucos,
acima de suas cabeças, falando de locais distantes e próximos, em eras passadas
e presentes.
Após alguns minutos, em que o deus ficou com os olhos fechados e braços abertos,
as duas manchas haviam desacelerado o suficiente para terem suas formas
definidas. Dois enormes corvos, quase do tamanho de águias, com penas escuras
como a noite sem lua e olhos brilhantes, pousaram nos braços abertos de Odin,
que os recebeu:
− Huginn e Muninn, meus queridos olhos e mensageiros!
− Ó grande guerreiro, como de costume, voávamos pelos nove mundos coletando
informações para você. − Responderam, em uníssono, as aves − Retornaríamos no
terminar da aurora, mas ouvimos seu chamado! Em que podemos serví-lo?
− Vocês, que viram os mundos tantas vezes, me ajudem com uma questão. Onde
encontrar o melhor ferreiro entre todos, seja anão, elfo ou humano?
Os dois pássaros agitaram suas penas e caminharam pelos braços de Odin, até
pararem em seus ombros e olharem fixamente nos olhos do grande deus. Um
turbilhão de imagens e sons inundaram a mente de Odin, mas ele já se acostumara
com isso após centenas de décadas e seus pensamentos conseguiam absorver o que
estava sendo transmitido.
Huginn e Muninn, mostraram todos os grandes artesãos que encontraram em suas
viagens, porém nenhuma das armas mostradas era diferente daquelas já testadas e
descartadas.
− Esses brinquedos não me servirão, se quebrariam nas mãos de qualquer um dos
meus filhos, então imaginem o que eu não faria com elas. − Comentou o guerreiro,
se sentindo satisfeito e frustrado por esse pensamento.
− Talvez possamos ajudar de outra forma.
− Grasnou Hugin.
− Sabemos quem pode te ajudar, respondendo qualquer uma de suas questões!
− Completou Munin.
− Não percam mais tempo, meus negros companheiros, quem é esse ser?
− O sábio Mimir! − Gritaram os corvos, levantando voo − Irá encontrá-lo em uma
das três raízes de Yggdrasil, a árvore da vida. Heimdallr, que tudo vê poderá
lhe enviar! − E saíram pela janela, ganhando velocidade e sumindo como pontos no
horizonte.
Odin não esperou nem mais um momento. Beijando sua esposa e avisando que sairia
sozinho em missão, o deus-pai foi até Bifrost, ou ponte do arco-iris, e demandou
que o guerreiro-guardião o enviasse até onde um humano morava ao lado da grande
árvore.
Mais uma vez, as cores polares cobriram Odin que, ao se dissiparem, viu que
estava diante de um enorme lago, repleto de vida. Peixes saltavam das águas,
cervos, coelhos e outros animais se encontravam em sua margem, pássaros das mais
variadas cores e cantos cobriam o céu e uma pequena casa de madeira havia sido
construída com simplicidade, poucos metros de tal paisagem.
Mas nada disso era significante para Odin, que tinha olhos apenas para a
gigantesca raiz, cortando o firmamento, acima de qualquer visão, e mergulhando
majestosamente nas profundezas escuras da laguna.
Uma voz, antiga como o tempo, cortou o ar e tirou o guerreiro de sua
contemplação:
− Esperava por você, grande divindade.
Odin viu surgir de dentro da casa um homem muito velho, que mais se arrastava do
que andava, com a ajuda de sua bengala. Sua cabeça enrugada lembrava uma
tartaruga, pois não continha um único fio de cabelo, mas tatuagens tribais
escuras contaminavam a pele clara como a neve. Provido de uma enorme corcunda, o
ancião parecia a ponto de ser levado para o mundo dos mortos, se não fosse por
seus olhos acinzentados, que refletiam uma luz de juventude, luz que se vê nos
olhos de uma criança, ao aprender algo novo e interessante.
− Esperava por mim?
− Indagou o deus nórdico − Você é Mimir, o sábio?
− Sim, ó poderoso. Sou Mimir, o atual maior sábio e oráculo dos nove mundos.
Esperava por você, pois posso identificar acontecimentos futuros em Midgard, o
mundo dos homens, e, mesmo vindo para a base de Yggdrasil, ainda continuo
vinculado àquela terra e posso ver meu próprio caminho.
− Então sabe porque vim.
− Argumentou Odin, se aproximando do pequeno Mimir, se
tornando impaciente pela velocidade precária com a qual o velho falava.
− Sim! Sei de seu drama, e tenho a sua resposta! − Falou Mimir, passando pelo
outro e caminhando em direção a borda do lago.
− E qual é? − Bradou Odin, quase em fúria.
− Você!
− Eu? − Riu o deus.
− Você deverá forjar sua arma, mas eu irei ajudá-lo. Pois isso trará
repercussões em todo esse ciclo, uma vez que se tornará o maior de todas as
divindades e governará os mundos que tocam Yggdrasil até o fim dos tempos.
− E por onde devo começar?
− De você, espero três sacrifícios e três provações, que o moldarão como o deus
dos deuses. Sendo o primeiro sacrifício, abrir mão de parte de sua visão
mundana, para que possa utilizar melhor os olhos da alma e da magia.
Odin olhou por um longo tempo para Mimir, até entender o que o ancião desejava.
Num movimento brusco, pois não poderia vacilar ou iria desistir da ideia, o
guerreiro cravou três de seus dedos em um de seus orifícios oculares e, com um
grito gutural de dor e agonia, arrancou a esfera de sua órbita.
Mimir recebeu o orbe ensanguentado das mão trêmulas de Odin, o apertou por
alguns segundos entre suas palmas até se tornarem um fino pó de diamantes e
assoprou de volta os fragmentos em direção ao deus.
Ao ser envolvido pelo que restara de seu olho, Odin começou a perceber
instantaneamente toda sua dimensão interna e o quão ligado à magia sua entidade
era.
− Veja quanto poder o preenche, poder esse não usado diretamente em batalhas.
− Observou o ancião − Agora deverá encontrar o corpo de sua arma, que já lhe aviso
ser uma lança.
− De onde devo retirar a madeira? − Questionou Odin, inebriado pela sensação que
corria por seu corpo, por todos os limites atuais que sabia poder quebrar.
− A Árvore da Vida alimenta os mundos com tudo que necessitam, e deverá
alimentar você com seu ramo mais alto!
− Isso será simples. Heimd...
− Não! − Exclamou Mimir − Você não poderá usar seus aliados, apenas sua própria
força.
Odin, percebendo que, se fosse uma simples tarefa, não seria uma provação,
retirou sua armadura até ficar completamente nu, mostrando o membro viril rijo
pelos novos poderes.
O grande guerreiro levou nove dias para escalar Yggdrasil e retornar até Mimir
com a haste mais simétrica e balanceada, que encontrara no ramo mais alto.
Pensou em ludibriar o velho em dezenas de momentos, quando seu corpo gritava de
exaustão, ou sua pele se abria em enormes bolhas e esfolados, devido ao atrito
com o tronco. Durante a travessia da copa, Odin teve a impressão de que a árvore
o testava, pois era constantemente atacado pelos galhos, criando cortes
profundos, com chicotadas imperdoáveis ou tendo de desviar enormes distâncias
até encontrar aberturas nas infinitas barreiras de folhagem. Porém, algo em seu
cerne o mantinha firme, sempre pronto para avançar mais um metro, e lavava de
sua mente pensamentos pouco honrados sobre quão simples seria chegar caminhando
pela Bifrost e como o sábio nunca poderia descobrir.
Mimir, em contraponto, mostrou com um único comentário que sabia tudo o que se
passara, cada segundo e cada pensamento e recompensou sua bravura, massageando o
corpo do deus com um bálsamo feito das maçãs da juventude, cultivadas pela deusa
Idumm, que curou todas as chagas físicas e mentais de Odin.
− Estou me sentindo pronto para a segunda etapa.
− Comentou Odin, suspirando de
alívio.
− Agora seu sacrifício será abandonar sua dependência pelas proezas físicas,
como forma de resolver seus problemas e sua provação será sobreviver apenas pela
força de sua mente e essência.
O deus, utilizando de toda sua inteligência, levou dias, sentado em frente ao
lago, até compreender o que deveria ser feito e avisou o ancião, que trabalhara
no eixo até se tornar uma maravilhosa lança:
− Deixarei que meu corpo fique em constante perigo de morte e apenas minha
energia vital deve ser suficiente para mantê-lo.
− Eu o ajudarei e vigiarei cada dia para que, caso esteja na iminência de
falhar, eu possa tirá-lo de seu martírio.
− Se eu chegar a esse ponto, deixe que eu sucumba e teste um ser mais digno de
meu trono. − Respondeu a divindade, com uma mistura de humildade e descaso.
Com a ajuda do ancião, Odin se pendurou em um dos galhos de Yggdrasil e
recebendo a lança de Mimir, cravou-a em seu próprio peito, de onde começou a
verter o sangue de brilho dourado e rubro, típico de um deus, escorrendo por
todo o corpo de madeira da arma.
Por nove dias ficou assim, puxando energia de seu interior para manter seu corpo
vivo e seus pensamentos lúcidos. Ao final do último dia, o guerreiro já se
sentia fraco e sua mente enevoada. Estava no ponto de acreditar que sucumbiria,
quando um raio de inspiração atravessou as brumas internas de sua cabeça e teve
a realização de uma criação inigualável.
Se desvencilhando das amarras, Odin foi ao chão, se levantou lentamente, retirou
a lança de seu âmago e, mais uma vez, se virou para Mimir, que sorria:
− Todos os pensamentos e acontecimentos de todos os mundos em todos os tempos
poderá ser registrado agora, com perfeição, pois tenho um presente para todos,
principalmente para àqueles que presam o conhecimento e sabedoria. − E,
utilizando o cabo em suas mãos, começou a traçar linhas no solo arenoso, ao lado
do lago − Isso que vês no chão, Mimir, serão chamadas de RUNAS, com as quais
tudo será descrito, em madeira, rocha, ou, até, metal.
− Meu magnífico deus, obrigado pela benção que nos concede!
− Exultou o velho,
se ajoelhando e curvando perante o novo alfabeto.
Nesse período, o poder divino de Odin já era tamanho que o deus foi capaz de
curar suas próprias feridas em questão de poucas horas, meditando sobre um
caneco de hidromel.
O velho, vendo o recipiente vazio e a pele da entidade à sua frente estar
novamente imaculada, nomeou a terceira e final etapa:
− Só lhe resta agora abandonar o que lhe é mais caro, provando ter a
imparcialidade necessária para reger tudo e todos.
− Minha mente agora vê através de suas charadas, meu velho amigo. Abrirei mão de
minha própria vida, em prol de adquirir o último nível de sabedoria e poder. − Respondeu Odin, cravando sua lança na borda do lago e caminhando para dentro da
água, até que essa cobrisse todo o seu corpo.
O físico do guerreiro era o de um deus, o que significou que conseguiu segurar
sua respiração por nove dias, durante os quais, caminhou até a raiz submersa de
Yggdrasil e se sentou apoiado nela. Seu corpo finalmente cedeu, e Odin não pôde
mais se conter, acreditando que iria abandonar sua vida, permitiu que a água do
lago entrasse em seus pulmões. A dor e queimação duraram muito pouco tempo e
veio, finalmente, a epifania final.
Através de suas costas nuas, em contato com a planta, Odin sentiu Yggdrasil lhe
transferir o conhecimento e sabedoria de todos os nove mundos. A mente do deus
se expandiu de forma infinita, permitindo que tudo aquilo ocupasse seu crânio
sem incômodo.
Mimir viu Odin, ao romper a superfície do lago, envolto numa aura mística e
divina, única e inigualável. Em sua frente se encontrava não somente o maior de
todos os guerreiro, mas, agora, o maior de todos os sábios.
O deus arrancou a lança do solo e, com uma pequena pedra, começou a marcar
diversas runas ao longo do artefato em suas mãos.
− Entendo agora, ancião e profeta, que as runas também são a essência da
canalização da magia. Esta não é mais uma mera lança. − Disse, erguendo a arma
acima de sua cabeça − Esta é GUNGNIR, minha lança inquebrável, feita da própria
Yggdrasil, banhada no sangue de um deus e imbuída, pelas runas, da magia do
universo!
Mimir se ajoelhou diante de Odin e disse:
− O que mais posso fazer por você, meu divino senhor, pois em meu futuro não
vejo a morte, mas, sim, a sua companhia.
− Você deverá ser eternamente o oráculo dos deuses!
− Respondeu Odin, girando
Gungnir em um arco que separou a cabeça do velho de seu corpo, porém, antes que
esta regressasse ao chão, continuando seu movimento, Odin recitou um encanto que
impediu que a alma de Mimir se desprendesse de seu cérebro.
O deus a pegou no ar e se pôs a traçar runas por toda testa e nuca do ancião,
que apenas ria e gargalhava, gritando, com olhos desfocados:
− Sim! Agora sim! Posso ver os caminhos de todas as criaturas, raças e
entidades, o futuro dos mundos está ao meu alcance! Obrigado Odin, agradeço e
aceito sua oferta!
Sorrindo, o deus respondeu:
− Ainda não havia perguntado, mas vejo que a magia o tocou profundamente e fico
feliz que aceite ser, além de nosso oráculo, meu conselheiro pessoal, pois devo
tudo a você!
E partiram de volta para Asgard...
E foi assim que Odin conseguiu sua lança mágica, o conhecimento de todos os
mundos (que o colocou definitivamente no trono, de onde liderou guerras e
conquistou os 9 reinos), seu conselheiro pessoal e melhor amigo, assim como foi
dessa forma que perdeu seu olho.
FIM
ϟ
An Interpretation
The most general and obvious message of this tale is that, for those who share
Odin’s values, no sacrifice is too great for wisdom. The (unfortunately
fragmentary) sources for our current knowledge of the pre-Christian mythology
and religion of the Norse and other Germanic peoples are, however, silent on
exactly what kind of wisdom Odin obtained in exchange for his eye. But we can
hazard a guess.
The fact that Odin specifically sacrificed an eye is surely significant. In all
ages, the eye has been “seen” as a poetic symbol for perception in general –
consider the astonishing number of expressions, both in everyday usage and in
the works of the great canonical poets, that use vision as a metaphor for
perceiving and understanding something. Given that Odin’s eye was sacrificed in
order to obtain an enhanced perception, it seems highly likely that his pledge
of an eye symbolizes trading one mode of perception for another.
What mode of perception was exchanged for what other mode, then? The answer to
this question lies in the character of Mimir. Mimir, whose name means “The
Rememberer,” is the divine animating force within cultural/ethnic memory. His
wisdom is the wisdom of the traditions that the heathen Germanic peoples held to
be sacred. As in the tale of Odin’s discovery of the runes, in which he
sacrificed what we might call his “lower self” to his “higher self,” so Odin did
in the tale of his relinquishing an eye: he exchanged a profane, everyday mode
of perception, beleaguered with countless petty troubles, for a sacred mode of
perception, in which the world reveals itself to be divine, the very flesh of
the gods, constantly enacting the stories of which the gods are the actors,
shimmering with meaning and wonder. (http://norse-mythology.org/tales/why-odin-is-one-eyed/)
9.Abr.2015
Publicado por
MJA
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